Rainbow lançará novo álbum ao vivo em abril

“Memories In Rock II”: outro registro ao vivo gravado durante o “retorno” de Ritchie Blackmore ao rock

O grupo de rock britânico Rainbow anunciou no começo da última semana que lançará no próximo dia 6 de abril mais um material ao vivo lançado com a atual formação. O projeto, intitulado “Ritchie Blackmore’s Rainbow: Memories In Rock II”, será lançado em um conjunto com dois CD’s e um DVD, e também em vinil e formatos digitais através da Minstrel Hall Music.

Em 2016, o lendário guitarrista Ritchie Blackmore, que dispensa maiores apresentações, fez o seu tão esperado (principalmente pelos fãs) retorno ao Rock, e isso o possibilitou a fazer uma nova formação do Rainbow, sua banda criada em 1975 após a sua primeira saída do Deep Purple. Nesse “retorno” dele, o grupo fez três shows no Reino Unido e que foram capturados em “Ritchie Blackmore’s Rainbow: Memories In Rock II”, que sairá em abril.

O novo material contém dois CDs de apresentações ao vivo e um DVD com apenas filmagens de material bônus. O setlist contém músicas clássicas executadas por Ritchie Blackmore tanto do Deep Purple e, claro, quanto do Rainbow. Temas como “Spotlight Kid”, “I Surrender”, “Mistreated”, “Man On The Silver Mountain/Woman From Tokyo”, “Perfect Strangers”, “Black Night” e “Smoke On The Water” e outros hinos poderão ser conferidos. Aliás, “Carry On… Jon” é a única faixa do Blackmore’s Night presente no setlist. Inclusive, esse registro merece destaque porque sera lançado o primeiro single inédito do Rainbow desde 1996: “Waiting For A Sign”, com Ronnie Romero nos vocais. A música será lançada como single digital em 16 de março.

O DVD de “Memories In Rock II” mostra imagens de bastidores e entrevistas exclusivas com membros da nova formação do grupo: Ronnie Romero (voz), Dave Keith (bateria), Bob Nouveau (baixo), Jens Johansson (teclados), as backing vocals Lady Lynn e Candice Night (sim, a esposa de Ritchie Blackmore e carismática vocalista do Blackmore’s Night) e, óbvio, Ritchie Blackmore.

O tão esperado retorno do Rainbow (e de Ritchie ao rock) deu bons frutos com esse material, juntamente com o disco lançado anteriormente (“Memories In Rock: Live In Birmingham”, de 2016). Em ambos os álbuns, os apreciadores da obra de Blackmore percebem que o trabalho do guitarrista e seus solos provaram que ele ainda segue como um dos guitarristas mais respeitos, influentes e célebres de todos os tempos. Para quem não pode ir aos shows desse retorno, esse material vale como aperitivo para ouvir o bom e velho Ritchie Blackmore’s Rainbow. Aliás, é uma pena que o carrancudo guitarrista não goste da América do Sul (deve ser daqueles que ainda acham que a capital do Brasil é Buenos Aires) e que o Rainbow não tem tanto cartaz por aqui como o Deep Purple tem. Pois, se não fosse esses dois fatores, uma tour por aqui não seria nada mal.

Confira no link ao lado uma prévia do material: https://www.youtube.com/watch?v=3cKNZO3f_cc

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Memories In Rock II
Intérprete: Ritchie Blackmore’s Rainbow
Lançamento: 6 de abril de 2018
Gravadora: Minstrel Hall Music

Ritchie Blackmore: guitarra
Ronnie Romero: voz
Bob Nouveau: baixo
Dave Keith: bateria
Jens Johansson: teclados
Lady Lynn e Candice Night: backing vocal

CD 1:
1. Over The Rainbow
2. Spotlight Kid
3. I Surrender
4. Mistreated
5. Since You’ve Been Gone
6. Man On The Silver Mountain / Woman From Tokyo
7. 16th Century Greensleeves
8. Soldier Of Fortune
9. Perfect Strangers
10. Difficult To Cure
11. All Night Long
12. Child In Time

CD 2:
1. Stargazer
2. Long Live Rock ‘N’ Roll / Lazy
3. Catch The Rainbow
4. Black Night
5. Carry On… Jon
6. Temple Of The King
7. Smoke On The Water
8. Waiting For A Sign (música inédita)

DVD:
Entrevista com Ritchie Blackmore
Entrevista com Ronnie Romero
Entrevista com Jens Johansson
Entrevista com Bob Nouveau
Entrevista com David Keith
Entrevista com Candice Night
Entrevista com Lady Lynn
Entrevista com Dave David
Entrevista com Andreas Bock
Entrevista com Michael Bockmühl
Bonus Backstage Clip
“I Surrender” 2017 Backstage Clip

Por Jorge Almeida

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Blackmore’s Night: 20 anos de “Shadow Of The Moon”

“Shadow Of The Moon”: o primeiro trabalho feito por Ritchie Blackmore e sua esposa Candice Night

Há 20 anos, mais precisamente no começo de junho, foi lançado o primeiro trabalho do Blackmore’s Night, o álbum “Shadow Of The Moon“. Produzido por Pat Regan e Ritchie Blackmore, o material contém músicas renascentista/medieval permaneceu 17 semanas nas paradas alemãs e ganhou certificado de ouro no Japão devido as 100 mil cópias vendidas.

Antes de falar um pouco sobre a obra, é bom reforçar como o projeto teve início. Em 1989, Candice Night, uma norte-americana que atuava em uma rádio de Nova York e fã do Rainbow, encontrou o ídolo e só queria um autógrafo. Desse encontro, surgiu o amor à primeira vista de ambos os lados. Dois anos depois, o casal já vivia juntos. Além do gosto pelo rock, os dois descobriram um gosto em comum: a música renascentista. O guitarrista, que se desintegrou do Deep Purple em 1993, retomou as atividades com o Rainbow e, a tiracolo, levou Candice Night consigo para, a princípio, atuar como backing vocal em sua banda. Tanto que ela aparece nos créditos do álbum “Strange Us All” (1995).

Depois de ter honrado os compromissos com o Rainbow, Ritchie Blackmore e Candice Night aproveitaram a mesma paixão pela música medieval/renascentista e lançaram “Shadow Of The Moon”. No álbum, Ritchie ficou encarregado pelos instrumentos de corda e Candice agraciou a obra com o sua voz suave e cativante e fez dele um grande trabalho.

O álbum abre com a misteriosa “Shadow Of The Moon”, com uma climática dark, seguida da mediévica “The Clock Ticks On”, e continua com “Magical World”, a festiva “Renaissance Faire”, a melancólica “No Second Chance”, a legal “Writing Wall”, e outras faixas que “desestressa” qualquer um. Todavia, os destaques do álbum são “Play Minstrel Play”, que tem a participação do lendário Ian Anderson, do Jethro Tull, que protagoniza um excelente duelo entre bandolim e flauta, e o cover que eles fizeram da banda sueca Rednex, “Wish You Were Here”, que superou a versão original.

O álbum é calmo, com ótimas melodias e arranjos. Apesar de ter ganhado a fama como um exímio guitarrista, Ritchie Blackmore tocou o instrumento que o consagrou em apenas duas músicas. E o play permite que o ouvinte relaxe, descanse, aprecie a boa música e se encante com a voz de fada de Candice Night.

Depois de “Shadow Of The Moon”, o Blackmore’s Night ao longo dessas duas décadas lançou 14 álbuns, quatro DVDs e 17 singles, mas o melhor trabalho de estúdio foi, sem dúvidas, o disco de estreia.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Shadow Of The Moon
Intérprete: Blackmore’s Night
Lançamento: 2 de junho de 1997 (Europa) e 17 de fevereiro de 1998 (EUA)
Gravadora/Distribuidora: Edel (Alemanha) / Edel America
Produtores: Pat Regan e Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore: guitarra, violão, baixo, bandolim, bateria e tamborim
Candice Night: voz e backing vocal
Pat Regan: teclados
Gerald Flashman: gravadores, trompete e trompa
Tom Brown: violoncelo
Lady Green: viola e violino

Ian Anderson: flauta em “Play Minstrel Play
Scott Hazell: backing vocal em “Play Minstrel Play

1. Shadow Of The Moon (Blackmore / Night)
2. The Clock Ticks On (Trad. by Tielman Susato / Blackmore / Night)
3. Be Mine Tonight (Blackmore / Night)
4. Play Minstrel Play (Trad. by Pierre Attaingnant / Blackmore / Night)
5. Ocean Gypsy (Dunford / Thatcher)
6. Minstrel Hall (instrumental) (Blackmore)
7. Magical World (Trad. Wassail / Blackmore / Night)
8. Writing On The Wall (Trad. by Pyotr Ilych Tchaikovsky / Blackmore / Night)
9. Renaissance Faire (Trad. by Tielman Susato / Blackmore / Night)
10. Memmingen (instrumental) (Blackmore)
11. No Second Chance (Blackmore / Night)
12. Mond Tanz (instrumental) (Blackmore)
13. Spirit Of The Sea (Blackmore / Night)
14. Greensleeves (Trad.)
15. Wish You Were Here (Teijo)

Por Jorge Almeida

Rainbow: 35 anos de “Straight Between The Eyes”

“Straight Between The Eyes”, o sexto disco do Rainbow

No último dia 10 de junho, o álbum “Straight Between The Eyes”, do Rainbow, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Roger Glover, o sexto disco de estúdio da banda de Ritchie Blackmore foi gravado no Le Studio, em Quebec, no Canadá em dezembro de 1981.

O título do álbum veio de uma frase de Jeff Beck ao descrever Jimi Hendrix para Ritchie Blackmore. Excetuando o tecladista David Rosenthal, que substituiu Don Airey nos teclados, o line-up da banda foi a mesma que gravou “Difficult To Cure” no ano anterior.

O disco foi mais coeso do que “Dificult To Cure” e teve mais sucesso nos Estados Unidos. Porém, o grupo estava com o intuito de atrair os fãs mais antigos ao apresentar um som mais AOR, logo, uma pegada mais comercial. A extensa turnê, que se concentrou basicamente nos Estados Unidos, não incluiu o Reino Unido, o que irritou os fãs britânicos.

Para a tour, foi exibido um par gigante de olhos mecânicos em movimento como parte do cenário, com holofotes brilhantes nas pupilas. Isso foi captado no lançamento do vídeo “Live Between The Eyes”, que teve partes filmadas em San Antonio, no Texas. O material foi exibido repetidas vezes na MTV.

A arte da capa do play foi feita por Jeff Cummins em conjunto com a Hipgnosis.

Dois clipes de faixas do álbum foram filmados para videoclipes: a balada “Stone Cold” e “Death Alley Driver”, que ambas foram lançadas como singles.

O disco abre com “Death Alley Driver“, que mostra toda a competência do quinteto. O “duelo” entre a guitarra de Blackmore e o teclado de Rosenthal faz os mais saudosistas lembrarem os gloriosos momentos de Ritchie e Jon Lord no Deep Purple. Em seguida, a excelente balada “Stone Cold“, escrita por Joe Lynn Turner para sua ex-mulher. Estourou nas rádios e, em se tratando de execução e cifras, é o maior sucesso do Rainbow. Na sequência,  “Bring On The Night“, em que Bobby Rondinelli rouba a cena tocando muito. Empolgante, a música é uma das melhores do disco (e da fase Turner). A faixa seguinte, “Tite Squeeze“, traz uma tonalidade um tanto quanto enjoativa. Se fosse lançada mais para o final do disco ou um lado B de algum single, não faria diferença. A primeira parte do play chega ao final com “Tearin’ Out Of My Heart“, em que mostra o lado mais sentimental de Ritchie Blackmore e Joe Lynn Turner. É mais um dos sucessos do álbum. Ideal para trilha sonora de filme romântico.

O lado B do LP começa com a empolgante “Power“, um hard rock tipicamente radiofônico no estilo AOR. Embora marcasse presença constante nos shows do grupo, não era uma das favoritas dos fãs. O play segue com a pop “Miss Mistreated” (por favor, não confunda com a ‘classuda’ “Mistreated“, do Deep Purple). Com uma temática que aborda as mulheres, a música merece destaque pelo arranjo de cordas feitos por Blackmore e Glover. O álbum vai chegando ao fim com “Rock Fever“, com um refrão excelente e uma tentativa de transformá-la em hit, que infelizmente não pegou, mas a música é ótima. E, para finalizar, “Eyes Of Fire“, que contém um bom arranjo e uma pegada medieval que lembra vagamente a primeira fase do Rainbow, logo, com Ronnie James Dio. O porém é que não era ele quem estava lá, mas sim Joe Lynn Turner que, embora tivesse empenhado para deixar como o Rainbow antigo, sua voz não é a mais apropriada para tal.

Apesar de muitos não apreciarem essa fase da banda fundada por Ritchie Blackmore, “Straight Between The Eyes” sintetiza perfeitamente a fase produtiva que o Rainbow vinha passando, pois colocava músicas nas paradas, tocava nas rádios e fazia shows grandiosos, vide a primeira edição do lendário Monsters Of Rock em que a banda foi o headline.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Straight Between The Eyes
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 10 de junho de 1982
Gravadora/Distribuidora: Polydor / Mercury (na América do Norte)
Produtor: Roger Glover

Ritchie Blackmore: guitarra
Roger Glover: baixo
Joe Lynn Turner: voz
Bobby Rondinelli: bateria
David Rosenthal: teclados e arranjos orquestrais

François Dompierre: maestro de orquestra
Raymond Dessaint: líder da orquestra

1. Death Alley Driver (Blackmore / Turner)
2. Stone Cold (Blackmore / Turner / Glover)
3. Bring On The Night (Dream Chaser) (Blackmore / Turner / Glover)
4. Tite Squeeze (Blackmore / Turner / Glover)
5. Tearin’ Out My Head (Blackmore / Turner / Glover)
6. Power (Blackmore / Turner / Glover)
7. Miss Mistreated (Blackmore / Turner / Rosenthal)
8. Rock Fever (Blackmore / Turner)
9. Eyes Of Fire (Blackmore / Turner / Rondinelli)

Por Jorge Almeida

Ritchie Blackmore’s Rainbow: “Live In Birmingham 2016”

Mais um “live” para a discografia do Rainbow, que traz a performance da banda de Ritchie Blackmore em Birmingham

No último dia 9 de junho foi lançado pela Eagle Rock Entertainment “Live In Birmingham 2016”, CD duplo que traz áudio de uma apresentação feita pelo Rainbow de Ritchie Blackmore em junho de 2016 no Genting Arena, em Birmingham.

Depois do lançamento de “Memories In Rock: Live In Germany” no ano passado, que marcou a volta do Rainbow depois de quase 20 anos de inatividade, a banda de Ritchie Blackmore acaba de lançar o seu mais recente trabalho, que registra a performance do icônico guitarrista fundador do Deep Purple após o seu retorno desejado para tocar rock em solo britânico.

O material traz clássicos do Deep Purple que não foram executados durante os shows incendiários feitos na Alemanha – como “Soldier Of Fortune” e “Burn” -, juntamente com outros clássicos da carreira de Blackmore, entre eles “Smoke On The Water” (claro) e “Since You’ve Been Gone”, do Rainbow.

A pequena turnê realizada em junho do ano passado foi de apenas seis shows, apenas um deles foi realizado na Inglaterra, justamente o concerto feito no Genting Arena no Birmingham’s NEC. Assim, o novo material traz aos fãs que não estavam lá a oportunidade que faltava de conferir o desempenho do mestre.

E Ritchie Blackmore e cia. preparam o cenário para a miniturnê pelo Reino Unido com quatro datas. O primeiro show será no próximo dia 17 de junho no The O2, em Londres, depois segue para Manchester Arena, em Manchester, no dia 22, passa pelo The SSE Hydro, em Glasgow, na Escócia, no dia 25 e, finalmente, no mesmo Genting Arena, em Birmingham.

Além de Ritchie Blackmore na guitarra, a line-up do Rainbow é composta por Jens Johansson nos teclados, David Keith na bateria, Bob Nouveau no baixo e backing vocal e o vocalista chileno Ronnie Romero.

Essa é mais uma oportunidade de conferir que o septuagenário Ritchie Blackmore no auge de seus 72 anos continua esplendoroso e em forma. Uma pena que as desavenças com Ian Gillan impeçam de um dia ele fazer uma participação especial em algum show do Deep Purple.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live In Birmingham 2016
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 9 de junho de 2017
Gravadora: Eagle Enterteinment

Ritchie Blackmore: guitarra
Ronnie Romero: voz
Jens Johansson: teclados
David Keith: bateria
Bob Nouveau: baixo e backing vocal

CD 1:
1. Over The Rainbow / Highway Star
2. Spotlight Kid
3. Mistreated
4. Since You’ve Been Gone
5. Man On The Silver Mountain
6. Soldier Of Fortune
7. Medley: Difficult To Cure (Beethoven’s Ninth) / Drum Solo / Bass Solo/ Band Jam / Keyboard Solo (incluindo Toccata & Fugue In Dm) / Difficult To Cure (Beethoven’s Ninth)
8. Catch The Rainbow

CD 2:
1. Perfect Strangers
2. Long Live Rock ‘N’ Roll
3. Child In Time
4. Stargazer
5. Medley: Black Night / Woman From Tokyo / Black Night
6. Burn
7. Smoke On The Water

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” do Rainbow

Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival "Monsters Of Rocks"
Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival Monsters Of Rock, em Castle Donington

Lançado em 22 de abril de 2016, o álbum “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” traz uma performance ao vivo do Rainbow no dia 16 de agosto de 1980 como headliner do festival Monsters Of Rock, de Castle Donington. O material foi lançado pela Eagle Rock Entertainment em um kit composto por CD e DVD.

Na ocasião, Ritchie Blackmore e companhia se apresentaram na primeira edição do famoso festival criado pelo promotor Paul Loasby que, em conjunto com Maurice Jones, queria um evento que reunisse apenas bandas de Hard Rock e Heavy Metal. O local escolhido foi o famoso autódromo de Donington Park, localizado ao lado da aldeia de Castle Donington, em Leicestershire, na Inglaterra. Assim, o Rainbow teve o privilégio de ser o headline (atração principal) do festival que cresceu gradativamente e atingiu outros países e continentes. Nessa edição inicial também participaram bandas como Judas Priest, Scorpions e Saxon.

A performance do Rainbow na ocasião foi a última do line-up que gravara o álbum “Down To Earth” (1979) com Ritchie Blackmore (guitarra), Graham Bonnet (voz), Cozy Powell (bateria) e os atuais Deep Purple Roger Glover (baixo) e Don Airey (teclados).

Além dos clássicos da banda, o show trouxe também grandes solos dos integrantes do grupo em uma noite de inspiração musical, especialmente Blackmore, Powell e Airey.

O DVD traz oito canções, enquanto o CD apresenta 12 temas, incluindo os solos. Vale reforçar que o material do DVD foi toda a filmagem do concerto que sobreviveu ao tempo, e que é a primeira vez que o áudio se encontra disponível na íntegra em um CD.

O material capta o ponto crucial de um momento raro na história de imagens da banda com a line-up da ocasião, pois o novo vocalista da época, Graham Bonnet, que substituiu Ronnie James Dio, ficou por um curto período e não fez uma nova turnê com o Rainbow. Além disso, o concerto marcou a saída do mestre Cozy Powell.

No play, o álbum é composto pelos sucessos do mais recente trabalho do grupo na época (“Down To Earth”), como “Lost In Hollywood”, “Since You Been Gone”, “All Night Long” e “Eyes Of The World”. Além disso, Bonnet fez o melhor que pode nos clássicos de seu predecessor, Ronnie James Dio, em temas como “Stargazer”, “Catch The Rainbow” e “Long Live Rock ‘N’ Roll”, e, como a formação do Rainbow tem 2/5 do Deep Purple, claro que rolou um cover da banda que consagrou Blackmore e Glover, aqui representado por “Lazy” que, obviamente, não ficou a altura da versão do Purple. O material mostra também os solos instrumentais virtuosos de Blackmore, Powell e Airey. Ainda no tracklist tem um cover que o grupo fez de “Will You Love Me Tomorrow”, do The Shirelles.

Pelo áudio, é notório perceber que o desempenho de Blackmore e companhia é estupendo. Porém Bonnet parece, às vezes, lutar para alcançar algumas notas e sem fôlego em outros. O vídeo, que tem mais de 35 anos, parte dele é escuro e escasso, uma vez que não havia todo aparato tecnológico para a ocasião mas, mesmo assim, é possível apreciar um Ritchie Blackmore quase possuído em seu solo de guitarra, as formas de como Bonnet e Glover trabalham para cativar a multidão, o bestial Cozy Powell quebrando tudo nas baquetas e o heroísmo de Don Airey, um discípulo do mestre Jon Lord.

No entanto, “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” não é o melhor registro ao vivo do Rainbow, pelo menos na opinião deste que vos escreve. Todavia, ele tem o seu valor por conta de ser um dos raros registros “live” com os vocais de Graham Bonnet.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Monsters Of Rock – Live At Donington 1980
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 22 de abril de 2016
Gravadora: Eagle Rock Entertainment
Produtor: Drew Thompson
Preço médio: R$ 52,90

Ritchie Blackmore: guitarra
Graham Bonnet: voz
Don Airey: teclados
Roger Glover: baixo
Cozy Powell: bateria

CD:
1. Intro/Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
2. Since You Been Gone (Ballard)
3. Stargazer (Blackmore / Dio)
4. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
5. Lost In Hollywood/Guitar Solo (Glover / Blackmore / Powell)
6. Difficult To Cure/Keyboard Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Drum Solo/Lost In Hollywood (Reprise) (Glove/Blackmore/Powell)
8. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
9. All Night Long (Glover / Blackmore)
10. Blues (Blackmore)
11. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
12. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

DVD:
1. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
2. All Night Long (Glover / Blackmore)
3. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
4. Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
5. Ritchie Blackmore Guitar Solo (Blackmore)
6. Difficult To Cure/Keyborad Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
8. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

Por Jorge Almeida

Biografia do Rainbow é lançada

Capa da biografia do Rainbow, feita por Greg Prato
Capa da biografia do Rainbow, feita por Greg Prato

O jornalista norte-americano Greg Prato lançou a biografia do Rainbow, intitulada “The Other Side Of Rainbow”, e que, obviamente, aborda a banda fundada por Ritchie Blackmore após a sua saída do Deep Purple, em 1975, e suas diferentes eras.

Quando Ritchie Blackmore deixou o Deep Purple, em 1975, muitos fãs ficaram confusos. Como um dos melhores guitarristas do rock deixaria uma das bandas mais populares do mundo? Independentemente da razão, eles foram agraciados pelo guitarrista, que lançou o Rainbow – uma banda que agitou tão ferozmente quanto o Deep Purple, cuja música provou ser atemporal e incrivelmente influente para as bandas de Heavy Metal subsequentes.

E ao longo da empreitada com o Rainbow, Ritchie Blackmore mostrou-se extremamente hábil em revelar talentos desconhecidos e mostrá-los ao mundo – incluindo aí os vocalistas Ronnie James Dio, Graham Bonnet e Joe Lynn Turner. Todavia, Blackmore, como líder da banda, admitiu e demitiu muita gente, o que impediu o Rainbow ter uma formação base regular, impedindo que o grupo alcançasse seu potencial em cheio.

Em “The Other Side Of Rainbow” são apresentadas quase 30 entrevistas exclusivas para a obra, incluindo ex-integrantes da banda – Joe Lynn Turner, Graham Bonnet, Tony Carey, Doogie White, entre outros; de pessoas que trabalharam ou tiveram alguma ligação estreita com o grupo – Wendy Dio (viúva de Ronnie James Dio) e Flemming Rasmussen (produtor e engenheiro de som); além de admiradores do Rainbow, como o jornalista Eddie Trunk e Charlie Benante (baterista do Anthrax), e outros.

Greg Prato é um jornalista de Nova York e já escreveu livros sobre o Iron Maiden, o Kiss e o finado ex-guitarrista do Deep Purple, Tommy Bolin.

O livro está disponível em cópia física à venda no Amazon e em iBook na iTunes Store.

Infelizmente, para nós brasileiros, não há previsão de quando haverá uma versão do livro em português. Também, é compreensível, pois apesar de ser uma grande banda, o Rainbow não tem tanta popularidade no Brasil como o próprio Deep Purple.

Mas se, por ventura, ganharmos uma versão da obra, acredito que será indispensável.

Por Jorge Almeida

Rainbow: 20 anos de “Stranger In Us All”

"Stranger In Us All": o último registro de estúdio lançado pelo Rainbow de Ritchie Blackmore
“Stranger In Us All”: o último registro de estúdio lançado pelo Rainbow de Ritchie Blackmore

Já que os dois últimos posts estavam ligados ao Deep Purple, aproveito para falar sobre um ex-integrante da banda britânica: Ritchie Blackmore. Para ser mais preciso, sobre a sua banda após a saída do Purple, o Rainbow.

Hoje, 21 de agosto, o último registro de estúdio da banda completou 20 anos de lançamento. Trata-se de “Stranger In Us All”, disco em que Blackmore se juntou a músicos poucos conhecidos e que, a princípio, seria um disco solo do guitarrista, mas por pressão da gravadora BMG o disco saiu sob o nome do Rainbow (caso semelhante com o “Seventh Star”, do Black Sabbath, que era para ter sido o primeiro disco solo de Tony Iommi). Esse foi o último registro de hard rock de Ritchie.

Gravado nos estúdios Long View Farm (em Massachusetts), Cove City Sound Studios e Sound On Sound, Unique Studio e Soundtrack Studios, ambos em Nova York, o play foi produzido por Ritchie Blackmore e Pet Regan.

Depois de sair e prometer nunca mais voltar ao Deep Purple, Ritchie Blackmore resolveu retomar o seu grupo, o Rainbow, totalmente reconfigurado. Para a gravação do álbum, o dono da bola convocou Doogie White (voz), John O’Reilly (bateria) – que foi substituído por Chuck Burgi na turnê, Greg Smith (baixo), Paul Morris (teclados), além das participações especiais de Mitch Weiss (gaita) e Candice Night (backing vocal).

O álbum fez um relativo sucesso na Europa, mas pouco foi notado nos Estados Unidos, o que foi compreensível, afinal, as bandas grunges tomavam conta por lá. O título do disco é de um verso da faixa “Black Masquerade”.

E outro ponto que desfavoreceu Blackmore: ao tentar competir com a ex-banda, seu trabalho não ganhou a mesma notoriedade porque o Deep Purple se rejuvenesceu com a entrada de Steve Morse e lançou o clássico álbum “Purpendicular” (1996).

Mesmo não sendo um dos trabalhos mais aclamados do Rainbow, alguns temas de “Stranger In Us All” foram tocados pelos integrantes da banda que participaram da gravação do álbum, como os casos de Greg Smith e Paul Morris que tocaram no Over The Rainbow entre 2008 e 2009, e também a banda White Noise, capitaneada por Doogie White, em seu DVD oficial intitulado “In The Hall Of The Mountain King” (2004). Além deles, o Blackmore’s Night também contou com uma música – “Ariel” – desse disco em seu “Paris Moon”, de 2007.

O disco abre com a incrível “Wolf To The Moon“, que é um hard rock simples, mas eficiente. Posteriormente, o play apresente “Cold Hearted Woman“, um hard blues mediano que lembra vagamente o Whitesnake. O terceiro tema é o metal melódico “Hunting Humans“, com características típicas de Stratovarius. A quarta faixa é “Stand And Fight“, um hard rock pouco empolgante.

Em seguida, a faixa que merece uma atenção especial: “Ariel“. É o maior destaque do disco e, particularmente, acho que é uma das melhores músicas do Rainbow. Pois lembra os tempos áureos da era Dio, traz os solos épicos de Blackmore, um excelente desempenho vocal de Doogie White e, para colocar a cereja no bolo, o backing vocal de Candice Night (que é uma ótima cantora) é arrebatador. Para este que vos escreve essa faz parte do meu top 5 de melhores músicas do Rainbow.

O material dá uma caída em sequência com “Too Late For Tears“, que lembra os sons mais comerciais do Rainbow nos anos 1980. A sétima música é “Black Masquerade“, que é outra que merece atenção. Aqui a técnica é explorada ao máximo e todos acertaram em cheio nesse metal. A canção seguinte é a calma e singela “Silence“. A penúltima faixa do disco é “Hall Of The Mountain King“, que ganha destaque pela rapidez e por ser melódica. E, para finalizar, “Still I’m Sad“, outra releitura que o Rainbow faz para o clássico do Yardbirds (a primeira foi feita no ‘debut’ “Ritchie Blackmore’s Rainbow” em 1975).

Infelizmente, o Rainbow sempre foi uma banda subestimada, pois, aqui no Brasil, por exemplo, muita gente acha que o grupo só existiu durante a era Dio. E “Stranger In Us All” é um retrato fiel disso: um disco que é muito bom, mas que é ignorado por muitos. Confesso que não consigo entender o motivo disso. Uma vez que nele tem hard rock, metal melódico, balada, mescla todas as fases do Rainbow e também deixa uma prévia para o que viria a ser o Blackmore’s Night.

Outro fato a lamentar é que após a turnê de divulgação do álbum, Ritchie Blackmore resolveu encerrar mais uma vez o Rainbow. Mas pelo menos ele está feliz com a (agora) esposa Candice Night e fazendo o que gosta com o seu Blackmore’s Night.

A seguir, a ficha técnica do play.

Álbum: Stranger In Us All
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 21 de agosto de 1995
Gravadora: BMG
Produtores: Pat Regan e Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore: guitarra
Doogie White: voz
John O’Reilly: bateria
Greg Smith: baixo
Paul Morris: teclados

Mitch Weiss: gaita
Candice Night: backing vocal

1.  Wolf To The Moon (White / Blackmore / Night)
2. Cold Hearted Woman (Blackmore / White)
3. Hunting Humans (Insatiable) (Blackmore / White)
4. Stand And Fight (Blackmore / White)
5. Ariel (Blackmore / Night)
6. Too Late For Tears (White / Blackmore / Regan)
7. Black Masquerade (White / Blackmore / Morris/ Night)
8. Silence (Blackmore / White)
9. Hall Of The Mountain King (Grieg / Arr.: Blackmore / Letra: Night)
10. Still I’m Sad (Samwell-Smith / McCarty)

Por Jorge Almeida