Exposição “Pedro Correia de Araújo: Erótica” no MASP

A obra “Pureza”, de Pedro Correia de Araújo, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo sábado, 18 de novembro, a exposição “Pedro Correia de Araújo – Erótica”, que exibe cerca de 70 obras do artista “franco-pernambucano” (1881-1955), entre nus, retratos e danças e a série que dá nome à mostra, onde a presença do erotismo não está apenas nas telas mais explícitas, mas também nas representações de danças brasileiras, como o jongo, além de retratos femininos de caboclas, índias e negras.

Nascido em Paris e de família pernambucana, Pedro Correia de Araújo iniciou, a partir da década de 1910, os estudos em uma escola alternativa de arte na capital francesa, onde aprendeu a utilizar a geometria na confecção de seus trabalhos, como pode ser notado na obra “Pureza” (1938), obra que ilustra o corpo da mulher cuja estrutura é feita em volumes circulares, triangulares, quadrados ou hexagonais, deixados intencionalmente à mostra.

A seleção das obras destaca a sensualidade latente que atravessa a produção do artista em sua fase brasileira (de 1929 a 1955), reforçando a presença do erotismo não somente nos nus ou na série de desenhos sexualmente mais explícitos, mas também nos demais núcleos, compostos pelas representações de retratos femininos de caboclas, negras, índias e mulatas.

Embora suas pinturas de nus e de prostitutas, Araújo nunca ficou encantado pela possibilidade do voyeurismo banal, e fez de suas mulheres figuras complexas e repletas de caráter, verdadeiras representações de força e segurança.

E, para não polemizar com relação à classificação etária, algumas obras foram “cobertas” por cortinas, mas podem ser acessadas, como por exemplo, “Dois Nus Femininos” (1940), um grafite sobre papel. Merecem atenção obras como “Jongo”, um óleo sobre tela e sem data; e a já citada “Pureza” (foto), um óleo sobre compensado.

A exposição integra o contexto de um ano dedicado às histórias da sexualidade no MASP e dialoga com outras mostras que o museu apresenta, como o do coletivo “Guerrilla Girls”, por exemplo.

SERVIÇO:
Exposição:
Pedro Correia de Araújo – Erótica
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 18/11/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Anúncios

Exposição “Sagrado Primitivo – O Intermédio de Dois Mundos” no Conjunto Nacional

“Espírito de Deus”, uma das obras em exibição no Conjunto Nacional. Foto: Jorge Almeida

O Espaço Cultural do Conjunto Nacional promove até o próxima sexta-feira, 17 de novembro, a exposição “Sagrado Primitivo – O Intermédio de Dois Mundos”, que contém cerca de 20 obras do artista plástico Geraldo Lacerdine em que ele sugere a discussão sobre a manifestação do sagrado na diversidade.

A mostra propõe o diálogo sobre diversidade e preconceitos, e estabelece um diálogo entre duas realidades historicamente distintas: o santo e o profano. Por século, nos foi vinculada o conceito de que o sagrado é permeado de pureza, figuras brancas e loiras, sucessivamente nórdicas e incorruptíveis, enquanto isso, o profano (humano) é sujo, pobre, negro, com imagens borradas, deformadas, disseminando fraqueza e sexualidade vil.

O conceito do projeto é partir com a cultura do preconceito e expandir a ressalva para um legítimo e genuíno sagrado, que surge do intermediário entre dois mundos, céu e terra, e que chamamos de humano.

Dessa forma, Lacerdine apresenta quadros em tamanhos gigantes, representando figuras nada convencionais que indagam o estereótipo de sagrado convencional. Imagens femininas e negras estão no lugar em ícones clássicos da tradição religiosa de uma forma nunca vista.

A ideia da exposição não é assombrar o público religioso, mas sugerir uma reflexão respeitosa sobre preconceitos e a aceitação da diversidade na produção artística tradicional do sacro.

Entre os destaques estão “Espírito de Deus” (foto), “Cristo Pobre” e “Proteção dos Mares – A Pesca”, ambas acrílica sobre tela com aplicação de folha de ouro.

SERVIÇO:
Exposição:
Sagrado Primitivo – O Intermédio de Dois Mundos
Onde: Espaço Cultural do Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073
Quando: até 17/11/2017; de segunda a sábado, das 7h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 22h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Espuma” na Japan House São Paulo

A instalação “Espuma” na Japan House São Paulo. Foto: Jorge Almeida

A Japan House São Paulo promove até o próximo domingo, 12 de novembro, a exposição “Espuma”, de Kohei Nawa, que consiste em um instalação transitória feita em um ambiente azul, iluminação programada, onde uma espécie de montanha de espuma ou nuvens se modificam como item orgânico condicionado ao ciclo de nascimento e destruição.

Um dos jovens artistas mais reconhecidos no Japão, Kohei Nawa é conhecido pela produção marcada por uma vasta pesquisa de materiais inovadores e uma obsessão estética: seu olhar sobre as estruturas moleculares, das quais toda a vida é feita.

A instalação “Espuma” é composta por pequenas bolhas ou células que se formam na superfície de um líquido semelhante a um sabão. Elas vão se acumulando para formar uma estrutura livre, cada bolha permanecendo dependente ao seu ciclo de nascimento e destruição, de forma similar à condição de nossas próprias células, que circulam, metabolizam e morrem.

Andar pelo  espaço onde se encontra a obra traz ao visitante uma sensação semelhante ao de caminhar sobre as nuvens, mas nuvens de matéria orgânica, como as estruturas do nosso interior.

SERVIÇO:
Exposição:
Espuma
Onde: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 – Cerqueira César
Quando: até 12/11/2017; de terça a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Satoyama” na Japan House São Paulo

Uma das fotos de Sergio Coimbra na exposição “Satoyama”. Créditos: divulgação

A Japan House São Paulo promove até o próximo domingo, 12 de novembro, a exposição “Satoyama”, que contém cerca de 80 fotografias resultantes do trabalho realizado entre dois nomes da cena gastronômica mundial: o fotógrafo brasileiro Sergio Coimbra e o chef de cozinha japonês Yoshihiro Narisawa. Além das imagens, a mostra exibe objetos e vídeos relacionados à trajetória e as criações feitas ao longo de três anos em diferentes pontos do Japão para retratar a gastronomia local.

O resultado das viagens para a exploração de panoramas e da natureza apresentam os mistérios da culinária japonesa, que nem os próprios nipônicos se dão conta, como a extensa importância aos alimentos utilizados, sua sazonalidade e seu produtor, feitios capturados pelo fotógrafo brasileiro que registrou a cultura e os hábitos alimentares apresentados através das releituras do renomado chef.

Narisawa explana para o século XXI métodos gastronômicos clássicos e a forma de pensar sobre a nutrição do futuro e a sua sustentabilidade. Podemos observar o uso do misterioso Koji – o fungo nacional; a utilização do carvão Binchotan, o preparo de cobras, entre outras, reforçando a valorização dos produtos regionais com uma perspectiva contemporânea e de consciência ambiental. Como resultado, criou um prato denominado Soil Soup (Sopa de Terra) que, em suas palavras, “expressa a importância do meio ambiente através do que comemos”.

Entre os destaques estão “Water Salad, Spring Waterblessing”, série composta por nove fotografias; “Okinawa (província ao sul, onde as cobras colocam seus ovos)”, que exibe uma cobra defumada irabu e é utilizada para fazer sopa; e “Inori-Prayer”, um prato de “cozinha iluminada” (caranguejo e a bardana, o feitio do washi, o papel artesanal produzido a partir de fibras de amoeira).

SERVIÇO:
Exposição:
Satoyama
Onde: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 – Cerqueira César
Quando: até 12/11/2017; de terça a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Ocupação Inezita Barroso” no Itaú Cultural

Inezita Barroso em foto de 1958. Foto: acervo pessoal da artista

O Itaú Cultural promove até o próximo dia 5 de novembro, domingo, a exposição “Ocupação Inezita Barroso”, que homenageia a cantora, radialista, apresentadora, pesquisadora e atriz Inezita Barroso que, apesar de ter nascido na capital paulista, se tornou uma das mais relevantes defensoras e divulgadoras do folclore e do cancioneiro caipira brasileiro.

Antes de apresentar por quase 35 anos o programa “Viola, Minha Viola”, na TV Cultura – o mais longevo programa musical da TV brasileira -, Inezita Barroso (1925-2015) já era considerada um dos mais notórios nomes do cancioneiro caipira e de outras manifestações musicais nacional raiz. Ao longo de sua trajetória, gravou mais de 80 discos, além de ter atuado no cinema e ficou à frente de programas de rádio.

A exposição, que faz parte de um ciclo em que o projeto Ocupação dedicado às mulheres primordiais para a cultura e a arte brasileira, contém ainda manuscritos e registros sonoros e audiovisuais, sendo alguns deles narrados pela própria Inezita descrevendo os próprios passos.

A mostra traz também vídeos, fotografias, LP’s, documentos, instrumentos e prêmios relacionados à apresentadora que faleceu em 2015 apenas quatro dias depois de completar 90 anos.

Entre os destaques estão uma série de materiais coletados pela homenageada ao longo de toda vida, como fotos pessoais, bilhetes de fãs, anúncios e recortes de jornais e revistas, tudo devidamente organizado por Inezita que, graduada em biblioteconomia, organizou tudo em 30 álbuns que, juntos, contém mais de três mil registros desse material.

Merecem atenção ainda o prêmio Roquete Pinto de Ouro (1960), ganho por Inezita por conta de ter conquistados seis edições do mesmo prêmio ao longo da década de 1950, feito para poucos, e também um violão utilizado pela homenageada que contém autógrafos de Luiz Gonzaga e do ex-presidente Juscelino Kubitschek, além de trechos de canções que ela deixou marcado no instrumento para não dar “branco” durante as apresentações.

SERVIÇO:
Exposição:
Ocupação Inezita Barroso
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Paraíso
Quando: até 05/11/2017; de terça a sexta-feira, das 9h às 20h (permanência até às 20h30); sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Toulouse-Lautrec em Vermelho” no MASP

A obra “Mulher Puxando Sua Meia”, óleo sobre tela, de Toulouse-Lutrec no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 1º de outubro, a mostra “Toulouse-Lautrec em Vermelho”, que traz cerca de 80 obras do francês Henri Toulouse-Lautrec (1864-1901). Essa é a exposição mais completa do artista no Brasil com trabalhos garimpados em 25 coleções de sete países. As obras retratam a boemia parisiense na virada do século XX.

Artista do pós-impressionismo francês, Toulouse-Loutrec era de família aristocrata francesa. Nasceu com problemas nos ossos e, depois de dois acidentes nas pernas, não cresceu. Passou a preferir a vida desregrada e noturna dos bordéis da Paris do século XIX, onde sentia-se à vontade.

A exposição contém os trabalhos do artista que retrata uma viva crônica da capital francesa no final do século XIX com uma seleção das mais emblemáticas obras do artista, com telas, desenhos e gravuras da vida noturna parisiense, com personagens boêmios, sensuais, decadentes e ambíguos, e cenas noturnas, das casas de concerto, dos prostíbulos e nas maisons closes.

Toulouse-Lautrec retratou a sexualidade, a marginalidade e o dia-a-dia das mulheres nos cabarés da época sempre despontando o vazio que parecia nascer dos olhos delas, quase em uma situação de fastio constante.

No fim da sala, os cartazes e as gravuras que o fizeram conhecido no meio da comunicação visual. Com destaque que ele fez para o Moulin Rouge, bordeu parisiense que costumava frequentar.

Entre os destaques estão “Codieux” (1893), uma litografia; “Mulher Puxando Sua Meia” (foto), um óleo sobre tela; “Moulin de la Gallette” (1889), um óleo sobre tela; e 13 litografias de cerca de 1898 com retratos de atores e atrizes, como May Belfort, Anna Held, Polin, Jeanne Granier, Jane Hadring, entre outros.

Essa mostra faz parte da programação anual do MASP cujo eixo temático é a sexualidade e que já abordou o assunto em outras exposições que dialogam diretamente com essa, como “Wanda Pimentel: Envolvimentos” e “Quem Tem Medo de Teresinha Soares?”, que estiveram em cartaz recentemente, e também com as atuais “Tracey Moffatt: Montagens” e “Miguel Rio Branco: Nada Levarei Quando Morrer”.

SERVIÇO:
Exposição:
Toulouse-Lautrec em Vermelho
Quando: até 1º/10/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “Miguel Rio Branco: Nada Levarei Quando Morrer” no MASP

Alguns dos registros de Miguel Rio Branco no MASP. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Miguel Rio Branco: Nada Levarei Quando Morrer” está em exibição no Museu de Arte de São Paulo até o próximo domingo, 1º de outubro, e apresenta 61 fotografias da série “Maciel”, produzida em 1979 pelo fotografo espanhol Miguel Rio Branco. O nome da série é de um bairro homônimo situado na região do Pelourinho, em Salvador, conhecido por ser um ambiente de prostituição.

O título da mostra tem origem na frase: “Nada levarei quando morrer, aqueles que mim deve cobrarei no inferno”, presente em uma parede no interior de uma casa no bairro Maciel e que Rio Branco captou na fotografia que ocupa o centro da mostra.

As imagens de Miguel Rio Branco mostram imagens de ambientes públicos e privados, como bares, quartos, calçadas, prostíbulos e de personagem que ali vivem e convivem em uma área conhecida pela pobreza, prostituição e criminalidade.

Para conseguir êxito com o seu projeto, Miguel fez um pacto com os retratados garantindo que as imagens não seriam exibidas em Salvador, o que possibilitou uma proximidade maior com os fotografados e um estabelecimento de vínculo e afeição, da mesma forma que Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) fez em relação aos bordéis parisienses no final do século XIX.

Além das fotografias, a mostra é complementada com um filme de 16 mm, que foi transferido para mídia digital, com 20 minutos de duração intitulado “Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno”, de 1985.

Essa mostra faz parte da programação anual do MASP cujo eixo temático é a sexualidade e que já abordou o assunto em outras exposições que dialogam diretamente com essa, como “Wanda Pimentel: Envolvimentos” e “Quem Tem Medo de Teresinha Soares?”, que estiveram em cartaz recentemente, e também com as atuais “Tracey Moffatt: Montagens” e “Toulouse Lautrec em Vermelho”.

SERVIÇO:
Exposição:
Miguel Rio Branco: Nada Levarei Quando Morrer
Quando: até 1º/10/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida