Metallica: 20 anos de “ReLoad”

“Reload”: o sétimo trabalho de estúdio do Metallica completa 20 anos em 2017

Hoje, 18 de novembro, o sétimo álbum de estúdio do Metallica, o contestado “Reload” completa 20 anos de seu lançamento. Gravado no The Plant Studios, em Sausalito, na Califórnia, entre maio de 1995 e fevereiro de 1996 e entre julho e outubro de 1997, o álbum foi lançado pela Elektra Music e teve a produção assinada por Bob Rock, James Hetfield e Lars Ulrich.

O disco, na verdade, contém a gravação de músicas que não fizeram parte do trabalho anterior, “Load” (1996), que seria lançado como um álbum duplo, mas ficou decidido pelo lançamento apenas com metade das canções gravadas e seguir o trabalho nas músicas remanescentes e lançá-las no disco seguinte. Mais pesado que ele, “Reload” segue a mesma linha ao ter a influência do metal alternativo. Apenas nos Estados Unidos, o disco vendeu mais de quatro milhões de cópias e recebeu certificado de ouro no Reino Unido, com mais de 100 mil cópias vendidas.

Apesar de ser mais pesado que seu antecessor, “Reload” não chegara à sombra dos quatro primeiros trabalhos do Metallica e, apesar do peso, estava mais próximo de “Load” do que dos outros trabalhos do quarteto.

O disco até que empolga no começo. A faixa de abertura – “Fuel” – começa com um raivoso James Hetfield vociferando “Gimme fuel, gimme fire Gimme that which I desire / Ooh“, seguido de bons riffs e refrão. Talvez, seja a única que, de fato, tem status de clássico do Metallica. Já “The Memory Remains” é outra boa pedida e ainda tem a participação de Marianne Faithfull, famosa nos anos 1960. Enquanto isso, a pesada “Devil’s Dance”, apesar de ser cadenciada, tem um peso incomum em relação às demais faixas do disco. E a famosa “The Unforgiven II”, que é uma versão bem mais fraca da primeira parte, que consta em “Metallica”, o “Black Album”. Outros dois temas merecem uma certa atenção, pois ambos esforçaram em trazer novos elementos à sonoridade do Metallica, são eles: “Prince Charming” e “Low Man’s Lyric”. De resto, nada mais se salva, a não ser se você for um fanático fã do Metallica.

Das 13 músicas do álbum, seis delas foram tocadas ao vivo com cerca frequência, como as citadas acima, exceto “Prince Charming”, que foi preterida à mediana “Carpe Diem Baby”. Enquanto outras foram executadas em ocasiões especiais, como no concerto em celebração aos 30 anos do Metallica, em 2011. São os casos de “Better Than You”, “Bad Seed” e “Fixxxer”. Já outras nunca foram tocadas ao vivo em sua totalidade, como “Where The Wild Things Are”, “Prince Charming”, “Slither” e “Attitude”.

Possivelmente, boa parte de “Reload” (e de “Load” também) não é lembrada e nem pedida pelos fãs nos shows do Metallica. Aliás, esse disco “briga” duramente com o seu antecessor e com “St. Anger” para saber qual é o pior disco do Metallica. Pelo material apresentado, as chances de “Reload” ser um dos últimos discos do Metallica na coleção de qualquer fã de James Hetfield e cia. são enormes.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Reload
Intérprete: Metallica
Lançamento: 18 de novembro de 1997
Gravadora/Distribuidora: Elektra / Vertigo
Produtores: Bob Rock, James Hetfield e Lars Ulrich
James Hetfield: voz e guitarra rítmica
Lars Ulrich: bateria e percussão
Kirk Hammett: guitarra solo
Jason Newsted: baixo

Marianne Faithfull: vocais adicionais em “The Memory Remains
Bernardo Bigalli: violino em “Low Man’s Lyric
David Miles: viola de corda em “Low Man’s Lyric
Jim McGilveray: percussão

1. Fuel (Hetfield / Ulrich / Hammett)
2. The Memory Remains (Hetfield / Ulrich)
3. Devil’s Dance (Hetfield / Ulrich)
4. The Unforgiven II (Hetfield / Ulrich / Hammett)
5. Better Than You (Hetfield / Ulrich)
6. Slither (Hetfield / Ulrich / Hammett)
7. Carpe Diem Baby (Hetfield / Ulrich / Hammett)
8. Bad Seed (Hetfield / Ulrich / Hammett)
9. Where The Wild Things Are (Hetfield / Ulrich / Newsted)
10. Prince Charming (Hetfield / Ulrich)
11. Low Man’s Lyric (Hetfield / Ulrich)
12. Attitude (Hetfield / Ulrich)
13. Fixxer (Hetfield / Ulrich / Hammett)

Por Jorge Almeida

Anúncios

Campeonato Brasileiro Série B (quase) definido

O campeão do Campeonato Brasileiro da Série B 2017 só será definido na última rodada. Créditos: CBF

O Campeonato Brasileiro da Série B 2017 está prestes do seu término. Na tarde deste sábado (18) foi realizada a 37ª rodada do certame. Com dez partidas, a rodada definiu quem estarão juntos com América Mineiro e Internacional na elite em 2018 e ajudou a definir quem se juntará a Náutico, Santa Cruz e ABC de Natal na disputa da Série C do ano que vem – as três equipes nordestinas começaram a penúltima rodada já matematicamente rebaixadas. A única situação que segue indefinida é justamente é em relação ao título, que tem apenas América Mineiro e Internacional como candidatos a levantarem o troféu, e que será decidido na última rodada, no próximo sábado (25).

A 37ª rodada começou na sexta-feira (17) com dois jogos: Guarani x Luverdense e Juventude x Figueirense. Os dois jogos terminaram em 0 a 0. No entanto, o duelo entre o Bugre e a equipe de Lucas do Rio Verde tratava-se de um confronto direto pela permanência na Série B. O empate salvou a equipe paulista, que chegou aos 44 pontos na 16ª posição e deixou o LEC logo atrás com 41 pontos. Assim, o Guarani escapou da degola porque, mesmo que perca o próximo jogo diante do Internacional fora de casa, e o Luverdense vença o já rebaixado Náutico em seus domínios, as duas equipes terminarão empatadas em número de pontos (44), contudo, o Verdão do Centro Oeste terá uma vitória – primeiro critério de desempate – a menos que o Guarani (11 a 10). Ou seja, o Luverdense foi rebaixado. Enquanto isso, o duelo entre as equipes do Sul só serviu para o cumprimento da tabela.

No sábado, quatro equipes começaram a rodada com possibilidades matemáticas de conseguirem o acesso, mesmo que isso fosse acontecer apenas no último jogo do campeonato. O Paraná só precisava de uma vitória e de tropeços de Londrina, Vila Nova e Oeste, que tinham chances matemáticas, mas teriam de vencer seus jogos e secar o time paranista.

O Paraná foi até o Rei Pelé, em Maceió, encarar o CRB. E, com um gol contra do zagueiro Audálio, o tricolor paranaense venceu o alvirrubro por 1 a 0 e, com 63 pontos, antecipou a sua volta à elite, frustrando os seus concorrentes diretos.

O acesso do Paraná também foi facilitado porque um de seus concorrentes, o Londrina, recebeu o América Mineiro no Estádio do Café e não passou de um 0 a 0. Com o empate, o Tubarão foi a 59 pontos e não pode mais alcançar a equipe da Vila Capanema. Se tivesse vencido o Coelho, a equipe alviceleste ainda teria chance na última rodada. Ou seja, o Londrina justificou o apelido de “Tubarão”, alcunha que ganhou em 1977 graças ao filme homônimo do diretor Steven Spielberg que fazia bastante sucesso na época – lançado em 1975. Assim, como o enorme peixe das telonas, o Londrina “morreu na praia”, se é que me entendem. Aliás, o empate também não foi favorável ao América Mineiro, que foi a 70 pontos. Se tivesse vencido, o Coelho chegaria a 72 pontos, não poderia mais alcançado pelo Internacional e seria declarado campeão da Série B com uma rodada de antecedência.

Enquanto isso, o Oeste estava com situação semelhante à do Londrina. Todavia, a equipe paulista foi derrotada pelo já rebaixado ABC de Natal por 2 a 0 no Frasqueirão e estacionou nos 58 pontos e ainda viu o Vila Nova ultrapassá-lo (nos critérios de desempate).

E, falando do Vila Nova, a equipe goiana foi até o Arruda e ganhou do também rebaixado Náutico por 2 a 1, mas também ficou “no quase” graças ao triunfo do Paraná.

O Internacional derrotou o Goiás por 2 a 0 no Serra Dourada e botou fim a uma sequência de cinco jogos sem vitórias (uma derrota e quatro empates). Os gols da partida foram anotados por William Pottker no segundo tempo.  Mas, a partida teve polêmica quando estava 0 a 0, graças a Heber Roberto Lopes. Aos 3 minutos do segundo tempo, Gustavo marcou o gol da equipe esmeraldina, porém, inexplicavelmente, o árbitro anotou uma infração e deu bola ao chão para reiniciar o jogo. Nem mesmo o quarto árbitro entendeu o que ele marcou. Caso o tento do Goiás fosse confirmado e o time tivesse conseguido manter o resultado, o América Mineiro seria o maior beneficiado porque, em uma eventual derrota do Inter, seria campeão. Além disso, para sorte do Goiás – e de Heber Roberto Lopes também -, que a equipe goiana não corria mais risco de rebaixamento graças ao confronto direto entre Guarani e Luverdense que terminou empatado na sexta e que decretou a queda do time matogrossense. No entanto, o triunfo colorado deixou a equipe com 68 pontos e com chances de conquistar o título na última rodada.

Outros três jogos foram apenas para cumprir tabela. Foram eles: Boa Esporte 2×1 Brasil de Pelotas, em Varginha; Paysandu 4×2 Santa Cruz, na Curuzu; e o classificado Ceará empatou em 1 a 1 com o Criciúma fora de casa. O Vovô só pode ser ultrapassado na última rodada pelo Paraná Clube.

Diante de todas as circunstâncias descritas acima, o que segue indefinido no Campeonato Brasileiro da Série B 2017:
– O campeão;
Quem pode erguer a taça: apenas América Mineiro ou Internacional;
O que o América Mineiro precisa para ser campeão: com 70 pontos, o Coelho depende apenas de si para conquistar o bicampeonato da segunda divisão do futebol nacional. Para isso, basta vencer o CRB em casa. Se empatar, terá de secar o Inter para não vencer o Guarani no Beira-Rio. Caso empate ou perca para a equipe alagoana e o Colorado derrote o Bugre, o América perderá o título, uma vez que, se as duas equipes terminarem a competição empatadas com 71 pontos, o Inter tem a vantagem porque teria uma vitória a mais e, se perder e o Inter triunfar, evidentemente, terá um ponto a menos que o Colorado. Se empatar ou perder para o CRB e o Inter não ganhar do Guarani, o Coelho será campeão também.
O que o Internacional precisa para ser campeão: com 68 pontos, o Colorado necessita da vitória contra o Guarani em casa e torcer para que o América Mineiro não faça os três pontos diante do CRB no Independência. No entanto, qualquer resultado do Inter que não seja a vitória, o Coelho será o campeão, mesmo que perca para o alvirrubro de Maceió.

A seguir, os confrontos da última rodada e a classificação do Campeonato Brasileiro da Série B com o término da 37ª rodada.

Data – Jogo – Local:
21/11 – Santa Cruz x Juventude – Arruda, Recife (PE)
24/11 – Brasil de Pelotas x Criciúma – Bento Freitas, Pelotas (RS)
25/11 – Figueirense x Paysandu – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)
25/11 – Ceará x ABC de Natal – Arena Castelão, Fortaleza (CE)
25/11 – Oeste x Goiás – Arena Barueri, Barueri (SP)
25/11 – Vila Nova x Londrina – Serra Dourada, Goiânia (GO)
25/11 – América Mineiro x CRB – Independência, Belo Horizonte (MG)
25/11 – Paraná x Boa Esporte – Durival de Britto, Curitiba (PR)
25/11 – Luverdense x Náutico – Passos das Emas, Lucas do Rio Verde (MT)
25/11 – Internacional x Guarani – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Classificação:
Pos. / Equipe / Pontos:

1. América Mineiro – 70 pontos
2. Internacional – 68
3. Ceará – 64
4. Paraná Clube – 63
5. Londrina – 59
6. Vila Nova – 58
7. Oeste – 58
8. Juventude – 51
9. Boa Esporte – 49
10. Brasil de Pelotas – 48
11. Paysandu – 48
12. Criciúma – 48
13. CRB – 45
14. Figueirense – 45
15. Goiás – 44
16. Guarani – 44
17. Luverdense – 41
18. ABC de Natal – 34
19. Santa Cruz – 34
20. Náutico – 32

Por Jorge Almeida

Morre Malcolm Young: o fundador do AC/DC

Malcolm Young (1953-2017): fundador do AC/DC morreu aos 64 anos ao lado da família. Créditos: acdc.com

O mundo do rock ficou em estado de choque na manhã deste sábado (18) ao saber da morte de Malcolm Young, ex-guitarrista e co-fundador do AC/DC, aos 64 anos. O músico vinha sofrendo com problemas relacionados à demência, motivo pelo qual, em 2014, o afastou do grupo que fundou junto com o irmão Angus em 1973. Essa foi a segunda perda que a família Young em quase um mês. No último dia 22, o produtor George Young (irmão de Malcolm e Angus) morrera aos 70 anos (a causa da morte não foi divulgada). A informação do óbito de Malcolm foi divulgada no site oficial da banda australiana.

Ao longo do dia, as redes sociais foram os principais meios para os fãs, críticos e músicos lamentarem a morte de Malcolm Young. Nomes que vão desde Ozzy Osbourne a Davi Grohl prestaram suas condolências ao “arquiteto” do AC/DC.

Nascido em Glasgow, na Escócia, a 6 de janeiro de 1953, Malcolm Young foi juntamente com os pais – William e Margaret – e os irmãos para a Austrália em busca de melhores oportunidades – apenas o irmão Alexander Young permaneceu no Reino Unido. No solo australiano, o clã passou a residir no subúrbio de Burwood, em New South Wales.

E o primeiro Young a fazer sucesso na terra dos cangurus foi George, que montou os The Easybeats. O grupo fez um relativo sucesso por lá, a tal ponto de receberem a alcunha de “Beatles da Austrália”, fez vários hits que chegaram ao topo das paradas australianas entre 1965 e 1968 e obteve sucesso internacional com “Friday On My Mind”. Vendo o sucesso do irmão mais velho, Malcolm e Angus resolveram tentar a sorte na música. Enquanto o primeiro deu os primeiros passos com o The Velvet Underground (não confundir com a banda nova-iorquina de mesmo nome), o segundo deu os seus primeiros acordes em outra banda que se chamava Kantuckee. Contudo, os dois irmãos mais novos não estavam satisfeitos com o desempenho de suas respectivas bandas e, então, juntos, em 1973, resolveram formar o AC/DC. Na época, Malcolm tinha 20 anos e Angus 18. O nome do grupo foi inspirado em uma máquina de costura em que a irmã Margareth viu as iniciais “AC/DC”, cujo significado era “corrente alternada/corrente contínua”. Mas, para Malcolm e Angus, o nome simbolizava a energia da banda, um som puro, sem efeitos e o amor deles pela música.

Com o nome da banda definido, foram recrutados o baixista Larry Van Kriedt, o vocalista Dave Evans e o baterista Colin Burgess. Obviamente, como é de conhecimento de todos, essa primeira formação do AC/DC não durou muito tempo. Em seus primeiros anos, o grupo só foi mantido com Angus e Malcolm e só conseguiu uma formação estável com a entrada do incrível Bon Scott, em 1974. Com Evans, a banda só havia gravado duas músicas: “Rockin’ In The Parlour” e “Can I Sit Next To You Girl”, sendo esta última regravada por Bon Scott para o lançamento australiano de “T.N.T.” (1975), o segundo trabalho do AC/DC, uma vez que o primeiro (“High Voltage”) foi lançado anteriormente.

Em poucos meses, entre o final de 1974 e o decorrer de 1975, a formação com Bon Scott nos vocais, Mark Evans no baixo, Phil Rudd na bateria e, obviamente, Malcolm e Angus Young nas guitarras, o AC/DC já era uma realidade na Austrália. No ano seguinte, assinaram com a Atlantic Records, passaram a fazer turnê pela Europa e ganhando experiência ao abrir shows para bandas como Black Sabbath, Kiss, Aerosmith e Blue Öyster Cult. Em 1977, lançaram “Let There Be Rock” e, pouco tempo depois, Mark Evans foi substituído no baixo por Cliff Williams.

O sucesso do AC/DC cresceu gradativamente. Sempre com os irmãos Young à frente da situação. Além de Malcolm e Angus, George também foi peça fundamental na ascensão da banda ao trabalhar nos bastidores, inclusive na produção dos primeiros álbuns da banda.

E quando o AC/DC estava atingindo o topo do Rock And Roll, como eles cantarolavam em “It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ‘N’ Roll)”, veio um grande baque. A morte de Bon Scott, aos 33 anos. Na ocasião, o grupo estava no auge da fase produtiva e havia lançado o clássico “Highway To Hell” (1977). Ainda jovens e abalados com a perda de seu vocalista, os Young pensaram em encerrar o AC/DC, porém, foram motivados pelo pai de Bon a continuarem. E, assim, para substituir o carismático vocalista, foi escolhido o ex-Geordie Brian Johnson. Com ele nos vocais, saiu o disco mais bem sucedido da história do rock: “Back In Black” (1980).

E, ao longo dos anos 1980, o AC/DC sofreu com altos e baixos, seja com vendagens de discos ou problemas de relacionamentos entre os integrantes. Em 1988, por exemplo, Malcolm Young ficou um período afastado para tratar de seus problemas com o alcoolismo. Em seu lugar, o sobrinho Stevie Young tocou em algumas datas. Além disso, o grupo passou por trocas de bateristas constantes: saiu Phil Rudd, que foi demitido por Malcolm após uma briga entre os dois, veio Simon Wright que, inclusive, esteve no AC/DC quando a banda tocou pela primeira vez no Rock In Rio em 1985, mas, de forma amigável, deixou o grupo para tocar com o seu ídolo Ronnie James Dio no Dio. Em seu lugar, entrou o careca Chris Slade, que ficou entre 1989 a 1994, e foi substituído pelo velho Phil Rudd.

A formação clássica do AC/DC – Angus, Malcolm, Cliff Williams, Brian Johnson e Phil Rudd – permaneceu de 1995 até 2014. No período foram lançado três trabalhos de estúdio: “Ballbreaker” (1995), “Stiff Upper Lip” (2000) e “Black Ice” (2008).

No entanto, nos últimos anos, o AC/DC tem sofrido alterações em sua formação. O primeiro a sair foi justamente o co-fundador Malcolm Young. Em um comunicado divulgado na página oficial do Facebook do AC/DC, foi informado que: “Após 40 anos dedicando sua vida ao AC/DC, guitarrista e membro fundador Malcolm Young se ausentará da banda devido a problemas de saúde. Malcolm agradece a todos os verdadeiros fãs do mundo inteiro pela paixão inesgotável e apoio. Diante disso, o AC/DC pede que a privacidade de Malcolm e sua família seja respeitada durante este tempo. A banda vai continuar a fazer música“. Com a saída de Malcolm, Stevie Young, sobrinho de Malcolm e Angus, entrou na banda. Pouco tempo depois, foi a vez de Phil Rudd deixar a banda por problemas judiciais. Em seu lugar, um velho conhecido dos fãs: Chris Slade. Nesse período, o grupo lançou “Rock Or Bust”, o décimo sexto trabalho de estúdio dos australianos e o primeiro sem Malcolm Young na guitarra rítimica. Rudd participou das gravações, mas Slade assumiu as baquetas para a turnê.

Já em 8 de março de 2016, Brian Johnson foi afastado do AC/DC após laudos médicos comprovarem que ele poderia perder totalmente a audição se prosseguisse com as turnês. Brian Já sofria com problemas auditivos desde seu transtorno com um carro de corrida. Porém no dia 17 de Abril de 2016, o AC/DC através de uma rede social, confirmou a saída oficial de Brian no AC/DC: “Os membros da banda gostariam de agradecer Brian Johnson por sua contribuição e dedicação à banda ao longo desses anos. Desejamos a ele tudo de melhor com seus problemas auditivos e projetos futuros. Queremos que está turnê termine como começou, entendemos, respeitamos e apoiamos a decisão de Brian de interromper a turnê e salvar a sua audição. Estamos dedicados a cumprir o resto de nossos compromissos de turnê para todos que nos apoiaram ao longo dos anos, e somos afortunados que Axl Rose gentilmente ofereceu seu apoio para nos ajudar a cumprir esse compromisso“. Contudo, em nota, o cantor afirmou que não está aposentando e pretende continuar a gravar álbuns de estúdio.

E, finalmente, após o término da “Rock Or Bust World Tour”, em 20 de setembro de 2016, em um comunicado oficial, o baixista Cliff Williams anunciou a sua saída da banda, alegando que, devido a muitas mudanças, a sua hora também havia chegado. Cliff era membro do AC/DC desde 1976. Ou seja, da line-up clássica do AC/DC só restou Angus Young e, com ele, a incerteza do futuro da banda que criou junto com o irmão Malcolm.

Apesar de todo o carisma, exibicionismo e performances incendiárias de Angus Young ao longo dos mais de 40 anos de existência do AC/DC, o “arquiteto” da banda ou, se preferir, o chefe sempre foi Malcolm Young. Tudo o que testemunhamos sobre a banda, performances no palco, criação dos clássicos e dos riffs até o “trabalho sujo” feito no grupo sempre foi capitaneado por Malcolm. Apesar de ser mais contido em relação ao irmão mais novo, ele era “o cara” do AC/DC. Sua morte, para muita gente, praticamente pode significar o fim, de fato, do AC/DC.

O diagnóstico da demência (perda ou redução progressiva das capacidades cognitivas) foi o principal motivo de sua saída do AC/DC. O músico foi tratado com os melhores procedimentos. Além da deterioração mental, ele ainda teve algumas complicações físicas, como uma delicada cirurgia no pulmão que, graças a um tratamento correto, um câncer foi detectado cedo e deu tempo de ser tratado. Os sinais dos problemas com a saúde mental de Malcolm Young deu indícios na produção de “Black Ice”, como problemas de memorização. Mesmo diagnosticado com a doença, ele ainda conseguiu concluir a turnê. Pessoas ligadas à banda afirmaram que, às vezes, Malcolm costumava errar as notas e esquecer o momento certo de fazer o vocal de apoio, além disso, teve que reaprender os riffs que ele mesmo criou.

E, infelizmente, neste 18 de novembro de 2017, o AC/DC divulgou em nota um comunicado sobre a morte do músico: “Malcolm, ao lado de Angus, era o fundador e criador do AC/DC. Com grande dedicação e comprometimento ele era uma das forças por trás da banda. Como guitarrista, compositor e visionário ele foi perfeccionista e um homem único”. Malcolm já sofria de demência há alguns anos e morreu tranquilamente ao lado de sua família, deixando sua mulher Linda, os filhos Cara e Ross, três netos, uma irmã e o irmão Angus Young.

Na opinião deste que vos escreve: se o AC/DC fosse uma pessoa, primeiramente, a saída de Malcolm seria uma espécie de “derrame” e a sua morte seria a “morte cerebral”. Como fã da banda australiana, acredito que seria melhor o remanescente Angus Young oficializar o encerramento das atividades do AC/DC.

Descanse em paz, Malcolm Young, o melhor guitarrista rítmico de todos os tempos: “for a 21 gun salute: we salute you”.

Por Jorge Almeida

Rainbow: 35 anos de “Straight Between The Eyes”

“Straight Between The Eyes”, o sexto disco do Rainbow

No último dia 10 de junho, o álbum “Straight Between The Eyes”, do Rainbow, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Roger Glover, o sexto disco de estúdio da banda de Ritchie Blackmore foi gravado no Le Studio, em Quebec, no Canadá em dezembro de 1981.

O título do álbum veio de uma frase de Jeff Beck ao descrever Jimi Hendrix para Ritchie Blackmore. Excetuando o tecladista David Rosenthal, que substituiu Don Airey nos teclados, o line-up da banda foi a mesma que gravou “Difficult To Cure” no ano anterior.

O disco foi mais coeso do que “Dificult To Cure” e teve mais sucesso nos Estados Unidos. Porém, o grupo estava com o intuito de atrair os fãs mais antigos ao apresentar um som mais AOR, logo, uma pegada mais comercial. A extensa turnê, que se concentrou basicamente nos Estados Unidos, não incluiu o Reino Unido, o que irritou os fãs britânicos.

Para a tour, foi exibido um par gigante de olhos mecânicos em movimento como parte do cenário, com holofotes brilhantes nas pupilas. Isso foi captado no lançamento do vídeo “Live Between The Eyes”, que teve partes filmadas em San Antonio, no Texas. O material foi exibido repetidas vezes na MTV.

A arte da capa do play foi feita por Jeff Cummins em conjunto com a Hipgnosis.

Dois clipes de faixas do álbum foram filmados para videoclipes: a balada “Stone Cold” e “Death Alley Driver”, que ambas foram lançadas como singles.

O disco abre com “Death Alley Driver“, que mostra toda a competência do quinteto. O “duelo” entre a guitarra de Blackmore e o teclado de Rosenthal faz os mais saudosistas lembrarem os gloriosos momentos de Ritchie e Jon Lord no Deep Purple. Em seguida, a excelente balada “Stone Cold“, escrita por Joe Lynn Turner para sua ex-mulher. Estourou nas rádios e, em se tratando de execução e cifras, é o maior sucesso do Rainbow. Na sequência,  “Bring On The Night“, em que Bobby Rondinelli rouba a cena tocando muito. Empolgante, a música é uma das melhores do disco (e da fase Turner). A faixa seguinte, “Tite Squeeze“, traz uma tonalidade um tanto quanto enjoativa. Se fosse lançada mais para o final do disco ou um lado B de algum single, não faria diferença. A primeira parte do play chega ao final com “Tearin’ Out Of My Heart“, em que mostra o lado mais sentimental de Ritchie Blackmore e Joe Lynn Turner. É mais um dos sucessos do álbum. Ideal para trilha sonora de filme romântico.

O lado B do LP começa com a empolgante “Power“, um hard rock tipicamente radiofônico no estilo AOR. Embora marcasse presença constante nos shows do grupo, não era uma das favoritas dos fãs. O play segue com a pop “Miss Mistreated” (por favor, não confunda com a ‘classuda’ “Mistreated“, do Deep Purple). Com uma temática que aborda as mulheres, a música merece destaque pelo arranjo de cordas feitos por Blackmore e Glover. O álbum vai chegando ao fim com “Rock Fever“, com um refrão excelente e uma tentativa de transformá-la em hit, que infelizmente não pegou, mas a música é ótima. E, para finalizar, “Eyes Of Fire“, que contém um bom arranjo e uma pegada medieval que lembra vagamente a primeira fase do Rainbow, logo, com Ronnie James Dio. O porém é que não era ele quem estava lá, mas sim Joe Lynn Turner que, embora tivesse empenhado para deixar como o Rainbow antigo, sua voz não é a mais apropriada para tal.

Apesar de muitos não apreciarem essa fase da banda fundada por Ritchie Blackmore, “Straight Between The Eyes” sintetiza perfeitamente a fase produtiva que o Rainbow vinha passando, pois colocava músicas nas paradas, tocava nas rádios e fazia shows grandiosos, vide a primeira edição do lendário Monsters Of Rock em que a banda foi o headline.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Straight Between The Eyes
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 10 de junho de 1982
Gravadora/Distribuidora: Polydor / Mercury (na América do Norte)
Produtor: Roger Glover

Ritchie Blackmore: guitarra
Roger Glover: baixo
Joe Lynn Turner: voz
Bobby Rondinelli: bateria
David Rosenthal: teclados e arranjos orquestrais

François Dompierre: maestro de orquestra
Raymond Dessaint: líder da orquestra

1. Death Alley Driver (Blackmore / Turner)
2. Stone Cold (Blackmore / Turner / Glover)
3. Bring On The Night (Dream Chaser) (Blackmore / Turner / Glover)
4. Tite Squeeze (Blackmore / Turner / Glover)
5. Tearin’ Out My Head (Blackmore / Turner / Glover)
6. Power (Blackmore / Turner / Glover)
7. Miss Mistreated (Blackmore / Turner / Rosenthal)
8. Rock Fever (Blackmore / Turner)
9. Eyes Of Fire (Blackmore / Turner / Rondinelli)

Por Jorge Almeida

Exposição “Valdir Rocha – Reflexões Plásticas” no Centro Cultural Correios

A escultura “Gárgula”, de Valdir Rocha, no Centro Cultural Correios. Foto: Jorge Almeida

O Centro Cultural Correios apresenta até o próximo domingo, 19 de novembro, a exposição “Valdir Rocha – Reflexões Plásticas”, que traz cerca de 100 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas, aquarelas e fotografias do artista paulistano. A curadoria é de Jorge Anthonio e Silva.

A mostra, que gira em torno de núcleos classificados como “Éden, Hades”, “Histórias mal contadas”, “Notas sobre anatomia”, “Espectros”, “Ego”, “Procurados e esquecidos” e “Geografias”, estão dispostos de forma aleatória, para que o observador ficar, segundo o curador, “surpreso de Valdir Rocha no refazer o mundo de descobertas em significantes brutos, suaves, ora macios, ora assustadores, ora indiferentes, ora épicos”.

Esse conjunto de obras percorre a sensibilidade dos processos artísticos do pintor mesmo nas obras mais recentes e as mais tradicionais e, de acordo com Jorge Anthonio e Silva, “estabelece uma retícula de relações internas na forma de intertextualidade dinâmica”.

Entre os destaques estão “Inocentes” e “Subalternos”, ambas produzidas com giz de cera sobre lixa e compostas 12 e 20 obras, respectivamente; e as esculturas “Canário” e “Gárgula” (foto), constituída por bronze patinado.

SERVIÇO:
Exposição: Valdir Rocha – Reflexões Plásticas
Onde: Centro Cultural Correios – Avenida São João, s/nº – Vale do Anhangabaú, Centro
Quando: até 29/11/2017; de terça a domingo, das 11h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Corinthians: campeão brasileiro de 2017

Jogadores do Corinthians posam para a foto oficial. Créditos: Marcos Ribolli

O Corinthians é matematicamente o grande campeão brasileiro de 2017. O Timão venceu o Fluminense, de virada, na Arena Corinthians por 3 a 1 em confronto válido pela 35ª rodada na noite desta quarta-feira (15). Com gol de Henrique para o Flu no primeiro tempo e dois gols de Jô e um de Jadson, a equipe de Fábio Carille chegou aos 71 pontos e não pode ser mais alcançada na tabela faltando três rodadas para o término da competição.

A partida começou com o visitante querendo estragar a festa do anfitrião. No primeiro minuto de jogo, Marcos Júnior cobrou escanteio e Henrique subiu entre Jô e Pedro Henrique para cabecear para o fundo das redes e colocar o Fluminense na frente. Depois de sofrer o tento, os corinthianos procuraram incentivar o time para buscar o empate, que quase veio aos 5 com Pablo. Fagner cobrou escanteio e o camisa 3 testou firme com perigo por cima da meta de Diego Cavalieri.

O Timão tentou insistir na posse de bola, marcando presença no campo do adversário e investindo principalmente pelo lado direito com Fagner e Romero. Porém, o Tricolor das Laranjeiras, bem postado na defesa, marcara bem. Com a pressão dos mandantes, o Flu partia para os contragolpes e, assim, aos 21 minutos assustou com Scarpa. Henrique Dourado passou pelo marcador e cruzou para o meia cabecear na área e a bola bateu em Guilherme Arana que evitou o segundo gol.

O Fluminense equilibrou as ações da partida e o jogo ficou mais pegado. Contudo, aos 30, Romero acionou Fagner, que apareceu muito bem e chutou forte cruzado e Jô chegou um pouco atrasado. Foi a melhor oportunidade do Corinthians no primeiro tempo. Aos 37, o tricolor carioca deu o troco. Scarpa levantou na área, Reginaldo cabeceou e Caíque França afastou o perigo de soco.

O jogo ficou tenso devido ao nervosismo corinthiano aliado ao excesso de atendimento no campo aos jogadores do Fluminense, o que levou o árbitro catarinense a dar quatro minutos de acréscimos na primeira etapa que terminou com vitória parcial da equipe visitante.

Assim como recebeu o golpe pelo gol sofrido no começo do primeiro tempo, o Corinthians deu o troco da mesma forma. A um minuto da etapa complementar, Jô recebeu da direita, tocou para Clayson, que cruzou na medida para o camisa 7 cabecear para as redes e empatar o jogo. E, dois minutos mais tarde, veio a virada. Caíque França pôs a bola em jogo com um chutão, Jô desviou, a redonda sobrou para o Clayson, que tentou o cruzamento, porém, a esférica bateu no travessão e Jô pegou o rebote ao cabecear para os fundos das redes. De quebra, ele se tornou, por enquanto, o artilheiro isolado do campeonato com 18 gols. E um detalhe: na volta para o segundo tempo, Fábio Carille tirou Camacho e colocou Jadson, o que mudou a postura da equipe.

O Fluminense tentou estragar a festa na casa corinthiana aos 10. Marcos Junior recebeu pela esquerda e arriscou um chute perigoso pela diagonal, mas mandou para fora.  O Flu atacou novamente, aos 15, com Wendel, que se livrou da marcação de Rodriguinho e chutou por cima da meta. Quatro minutos mais tarde, Scarpa recebeu e finalizou colocado, levando perigo à meta de Caíque França.

Depois do gol da virada, o Corinthians só voltou a ameaçar Diego Cavalieri aos 21 minutos. Jô tentou finalizar, a defesa tricolor afastou parcialmente e, na sobra, Rodriguinho chutou forte e o camisa 12 espalmou para escanteio.

A partida seguiu com os comandados de Abel Braga pressionando e insistindo com bolas alçadas na área, enquanto isso, o Corinthians, recuado no campo de defesa, tentou o contragolpe. Foi então que, aos 37, Guilherme Arana cruzou, Clayson não dominou, a defesa afastou parcialmente, Jadson fintou o marcador e bateu colocado e acertou a trave. Dois minutos mais tarde, o camisa 10 foi recompensado: Fagner fez boa jogada pela direita e tocou para Jadson na área que dominou para chutar forte e cruzado em diagonal, sem chance para Cavalieri. É o gol do título.

Após o terceiro gol alvinegro, a torcida acendou os sinalizadores, o que exigiu a paralisação da partida por cerca de oito minutos. E, após o reinício do jogo, Fábio Carille promoveu a terceira alteração: saiu o ovacionado Jô para a entrada de Danilo, que foi recebido de pé pela torcida e recebeu a braçadeira de capitão. Depois de 472 dias sem jogar, Zidanilo voltou a ativa nesta noite. Com a camisa do Corinthians, o veterano meia de 38 anos conquistou o seu sétimo título pelo clube e, ao lado do ex-jogador Dinei, tornou-se o único atleta tricampeão brasileiro pelo Corinthians.  E, por conta dos sinalizadores, o jogo foi até os 55 minutos, mas o placar foi mantido: Corinthians 3, Fluminense 1. O Timão é matematicamente heptacampeão brasileiro.

O jogo começou com o Corinthians sendo surpreendido no primeiro minuto ao tomar o gol relâmpago. Passou a pressionar a equipe do Fluminense, especialmente pela direita e criou algumas chances, enquanto isso, o Tricolor das Laranjeiras, bem postado na defesa, tinha a nítida estratégia de partir em contragolpes e conseguiu sair vitorioso no primeiro tempo. Na volta do intervalo, Fábio Carille tirou Camacho e colocou Jadson. A mudança surtiu efeito e, em menos de quatro minutos, o Timão virou o placar com dois gols de Jô. Após passar à frente do marcador, o alvinegro recuou um pouco e sofreu alguns sustos por conta das investidas do Flu. Mas, aos 39, Jadson, que fazia uma boa partida, sacramentou a vitória corinthiana e fez o terceiro gol da partida. E Fábio Carille, em uma bonita atitude, colocou Danilo no lugar de Jô como uma forma de homenagear o meia que estava há mais de um ano sem jogar.

O Corinthians começou o ano de 2017 desacreditado por grande parte da mídia e dos torcedores (rivais), responsáveis em apelidar a equipe de Fábio Carille de “quarta força do futebol paulista”. Também pudera, pois, das quatro grandes equipes, o Timão, na teoria, estaria um patamar abaixo dos rivais por conta do baixo investimento e pelo pífio desempenho no segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2016. Mas, à medida que a temporada foi passando, o técnico alvinegro mostrou sua competência e deu um padrão para a sua equipe que, de fato, não havia um elenco e sim um time. Primeiro veio a conquista do Campeonato Paulista, onde, inclusive, não perdeu nenhum clássico. Mesmo assim, a dúvida em relação ao desempenho do Corinthians pairava quanto ao Brasileirão. No entanto, o alvinegro fez um primeiro turno impecável e chegou à primeira metade do campeonato invicto. Contudo, no segundo turno, os comandados de Carille deram a esperada “relaxada” e perderam jogos que, teoricamente, seriam fáceis, como as derrotas para Vitória e Atlético Goianiense em casa. Mas, para a sorte da Fiel, os adversários postulantes ao título não souberam tirar proveito e também patinaram ao longo da segunda metade do certame. O Timão só foi ameaçado pelo Palmeiras na 31ª quando o alviverde poderia diminuir a diferença de pontos para 3, contudo, a equipe palestrina tropeçou em casa diante do Cruzeiro ao empatar em 2 a 2 e, consequentemente, manteve a diferença de cinco pontos. Na rodada seguinte, foi disputado o derby na Arena Corinthians e o alvinegro bateu o arquirrival por 3 a 2, e praticamente colocou as duas mãos na taça e, de quebra, viu o rival ser ultrapassado pelo Grêmio. Na sequência, vieram as vitórias sobre o Atlético Paranaense e Avaí, ambas por 1 a 0 com gols dos contestados Giovanni Augusto e Kazim, respectivamente. E, na 35ª rodada, o Corinthians só precisava da vitória para conquistar o seu sétimo Brasileirão, o que faz dele o maior vencedor do campeonato em seu atual formato (pontos corridos) com quatro títulos. Apesar de ter o elenco mais fraco dentre àqueles que conquistaram o Brasileirão pelo alvinegro, o rol corinthiano de 2017 fez um feito que apenas o timaço de 1999 conseguiu: ganhar o Paulista e o Brasileiro na mesma temporada. O Corinthians merecidamente conquistou esse título. Pois, ao longo da campanha, Carille e companhia quebraram algumas marcas, tais como: maior número de rodadas na liderança até o título (desde a quinta rodada), o melhor primeiro turno da história dos campeonatos brasileiros da era dos pontos corridos, melhor mandante, melhor visitante, melhor defesa e ainda pode ter o artilheiro do certame – Jô. Aliás, caso o camisa 7 termine a competição no topo da artilharia, ele será o primeiro artilheiro do Corinthians da história do Campeonato Brasileiro. Atualmente, com 18 gols, Jô é o terceiro maior artilheiro do Timão em uma única edição do Brasileirão, ficando atrás de Luisão (com 21 gols em 1999) e Carlitos Tevez, com 20 tentos em 2005.

Apesar de o campeão já estar definido, o Brasileirão ainda segue. O Corinthians vai até o Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro, encarar o Flamengo no próximo domingo e o Fluminense joga na segunda-feira (20), às 17h, contra a Ponte Preta no Maracanã. Com 43 pontos, o Flu está a quatro pontos da zona de rebaixamento.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica do jogo que deu ao Corinthians o seu sétimo Campeonato Brasileiro.

Data – Jogo – Local:
13/05 – Corinthians 1×1 Chapecoense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
21/05 – Vitória 0x1 Corinthians – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
28/05 – Atlético Goianiense 0x1 Corinthians – Serra Dourada, Goiânia (GO)
03/06 – Corinthians 2×0 Santos – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
07/06 – Vasco 2×5 Corinthians – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
11/06 – Corinthians 3×2 São Paulo – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
14/06 – Corinthians 1×0 Cruzeiro – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
18/06 – Coritiba 0x0 Corinthians – Couto Pereira, Curitiba (PR)
22/06 – Corinthians 3×0 Bahia – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
25/06 – Grêmio 0x1 Corinthians – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
02/07 – Corinthians 1×0 Botafogo – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
08/07 – Corinthians 2×0 Ponte Preta – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
12/07 – Palmeiras 0x2 Corinthians – Allianz Parque, São Paulo (SP)
15/07 – Corinthians 2×2 Atlético Paranaense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
19/07 – Avaí 0x0 Corinthians – Ressacada, Florianópolis (SC)
23/07 – Fluminense 0x1 Corinthians – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
30/07 – Corinthians 1×1 Flamengo – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
02/08 – Atlético Mineiro 0x2 Corinthians – Mineirão, Belo Horizonte
05/08 – Corinthians 3×1 Sport – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
19/08 – Corinthians 0x1 Vitória – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
23/08 – Chapecoense 0x1 Corinthians – Arena Condá, Chapecó (SC)
26/08 – Corinthians 0x1 Atlético Goianiense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
10/09 – Santos 2×0 Corinthians – Vila Belmiro, Santos (SP)
17/09 – Corinthians 1×0 Vasco – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
24/09 – São Paulo 1×1 Corinthians – Morumbi, São Paulo (SP)
1º/10 – Cruzeiro 1×1 Corinthians – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
11/10 – Corinthians 3×1 Coritiba – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
15/10 – Bahia 2×0 Corinthians – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
18/10 – Corinthians 0x0 Grêmio – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
23/10 – Botafogo 2×1 Corinthians – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
29/10 – Ponte Preta 1×0 Corinthians – Moisés Lucarelli, Campinas (SP)
05/11 – Corinthians 3×2 Palmeiras – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
08/11 – Atlético Paranaense 1×1 Corinthians – Arena da Baixada, Curitiba (PR)
11/11 – Corinthians 1×0 Avaí – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
15/11 – Corinthians 3×1 Fluminense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
19/11 – Flamengo x Corinthians* – Luso-Brasileiro, Rio de Janeiro (RJ)
26/11 – Corinthians x Atlético Mineiro* – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
03/12 – Sport x Corinthians* – Ilha do Retiro, Recife (PE)
* Jogos a serem realizados.

FICHA TÉCNICA: CORINTHIANS 3×1 FLUMINENSE
Competição/Fase: Campeonato Brasileiro Série A 2017 – 35ª rodada
Local: Arena Corinthians, São Paulo (SP)
Data: 15 de novembro de 2017, quarta-feira – 21h45 (horário de Brasília)
Público: 45.775 espectadores
Renda: R$ 2.882.688,00
Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)
Assistentes: Kleber Lucio Gil e Neusa Inês Back, ambos de SC
Cartões Amarelos: Gabriel (Corinthians); Léo, Henrique Dourado, Reginaldo, Pedro, Henrique e Lucas (Fluminense)
Gols: Henrique, a 1 min do 1º tempo (0-1); Jô, ao 1 min (1-1) e aos 3 min do 2º tempo (2-1); e Jadson, aos 39 min do 2º tempo (3-1)
CORINTHIANS: 40.Caíque França; 23.Fagner, 34.Pedro Henrique, 3.Pablo e 13.Guilherme Arana; 5.Gabriel, 29.Camacho (10.Jadson), 26.Rodriguinho, 11.Romero e 25.Clayson (8.Maycon); 7.Jô (20.Danilo). Técnico: Fábio Carille
FLUMINENSE: 12.Diego Cavalieri; 2.Lucas, 40.Reginaldo, 33.Henrique e 15.Léo; 23;Marlon Freitas (32.Pedro), 37;Wendel, 20.Sornoza (28.Matheus Alessandro) e 10.Gustavo Scarpa; 35.Marcos Júnior (27.Peu) e 9.Henrique Dourado. Técnico: Abel Braga

Parabéns ao Sport Club Corinthians Paulista pelo título.

Por Jorge Almeida

Alice Cooper: 45 anos de “School’s Out”

“School’s Out”: o quinto trabalho de estúdio do Alice Cooper Group

Nesse ano de 2017 o mais bem sucedido do Alice Cooper Group complete 45 anos de seu lançamento. O clássico “School’s Out” foi produzido por Bob Ezrin e levou a banda ao estrelato. O disco e o single com a faixa-título alcançaram, respectivamente, o segundo lugar da Billboard 200 e o 7º posto da Billboard Hot 100.

Depois de assinar com a Warner Bros. Records, em 1971, a banda lançou o álbum “Killer”, que chegou à 21ª posição na Billboard 200 e trouxe sucessos como “Under My Wheels” e “Halo Of Flies”, mas foi com o trabalho seguinte, “School’s Out”, que permitiu Alice Cooper e sua trupe a realizar uma turnê que ocupasse ginásios e arenas pela América do Norte e pela Europa. Contudo, o grupo enfrentou alguns percalços por conta de muitos pais temerem a influência negativa que poderiam exercer sobre os jovens. Com isso, houve dezenas de petições e pedidos de processos para impedir que Alice Cooper entrasse em vários países, porém, nenhuma proibição jamais aconteceu, para o bem dos fãs.

A primeira prensagem do álbum trazia o LP envolto por uma calcinha, pois, a “novidade” precisou ser interrompida porque as calcinhas, que eram de papel, foram consideradas inflamáveis. Enquanto isso, na limitadíssima edição lançada no Brasil – com vendas de mil cópias com esse “brinde” -, trazia uma cueca branca de algodão como brinde.

A capa do disco, desenhada por Craig Braun, mostra uma carteira escolar toda riscada. Aliás, a capa é semelhante a do álbum “Thinks: School Stinks”, do Hotlegs, lançada dois anos antes. A mesa real em que foi feita o desenho está em exibição no Hard Rock Cafe, em Las Vegas.

No lançamento do disco, Alice Cooper fez um show no Hollywood Bowl. Na ocasião, um piloto de avião foi contratado para jogar calcinhas sobre o local durante o espetáculo. A audácia custou um ano de prisão para o profissional, contudo, a banda bancou a família do piloto no período em que ele ficou a ver o Sol nascer quadrado. Coisas de Alice Cooper.

O disco já começa com tudo com a faixa-título, com seu riff marcante e a agressividade vocálica de Alice Cooper. Clássico absoluto, a tal ponto de ser obrigatória até hoje nos shows do mestre do Rock Horror. Nos últimos anos, o cantor tem mencionado trechos de “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, na canção. Além disso, ainda tem a participação de um coro de crianças formado por alunos de uma escola primária. Em seguida aparece “Luney Tunes”, que descreve o destino de uma figura dramática aprisionada que não se arrepende de nada e que questiona se tudo é realidade. O terceiro tema é “Gutter Cat Vs. The Jets”, com sua introdução espetacular por conta do baixo de Dennis Dunaway. A música aborda a rivalidade entre duas gangues e ainda traz “Jet Song”, uma música incidental do musical West Side Story. E, para encerrar o lado 1, “Blue Turk”, com seu arranjo e pegada jazzísticos. Traz um longo trecho instrumental e finaliza com Alice Cooper cantarolando os últimos versos. Grande tema.

O lado 2 do vinil começa com a excelente “My Stars”, que contém um piano executado ao longo da música pelo guitarrista e tecladista Michael Bruce. Dick Wagner, embora não creditado, toca guitarra nessa faixa. A letra descreve os desvarios de um ser dominador que acha que pode fazer coisas como transformar a Esfinge em areia ou derreter a torre Eiffel. Já em “Public Animal #9”, Alice Cooper confessa ter colado na prova de matemática. Sem contar que a música também fala de bebedeiras com vinho barato e a eterna sensação de sentir-se um prisioneiro. Enquanto isso, “Alma Mater” começa ao som de chuva e trovão numa clara homenagem a Jim Morrison, vocalista do The Doors, que falecera no ano anterior. A introdução é referente à “Riders On The Storm”, clássico do Doors. A letra fala sobre o fim do ano letivo e recordar as traquinagens escolares. E, para encerrar, “Grande Finale”, uma faixa instrumental que sintetiza o quão épico é esse disco.

De fato, “School’s Out” deve ser ouvido, lembrado, reescutado e colocado no rol dos grandes clássicos do rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist desse clássico.

Álbum: School’s Out
Intérprete: Alice Cooper
Lançamento: maio/junho de 1972
Gravadora: Warner
Produtor: Bob Ezrin

Alice Cooper: voz
Glenn Buxton: guitarra solo
Michael Bruce: guitarra base, teclados e backing vocal
Dennis Dunaway: baixo e backing vocal
Neal Smith: bateria e backing vocal

Bob Ezrin: teclados
Dick Wagner: guitarra solo em “My Stars
Rockin’ Reggie Vincent: guitarra e backing vocal
Wayne Andre: trombone em “Blue Turk

1. School’s Out (Cooper / Buxton / Bruce / Dunaway / Smith)
2. Luney Tune (Cooper / Dunaway)
3. Gutter Cat Vs. The Jets (Buxton / Dunaway / Bernstein / Sondheim)
4. Street Fight (Cooper / Buxton / Bruce / Dunaway / Smith)
5. Blue Turk (Cooper / Bruce)
6; My Stars (Cooper / Ezrin)
7. Public Anima #9 (Cooper / Bruce)
8. Alma Mater (Smith)
9. Grande Finale (Instrumental) (Cooper/Buxton/Bruce/Dunaway/Ezrin/Smith/David/Bernstein)

Por Jorge Almeida