Projeto musical traz apresentação gratuita do Maestro João Carlos Martins no Parque Villa Lobos

O maestro João Carlos Martins. Créditos: Fernando Mucci

No dia 02 de dezembro o Parque Villa Lobos vai receber o Maestro João Carlos Martins para uma apresentação única e gratuita. O Estações da Música, que é um projeto da Lei de Incentivo à Cultura e com patrocínio de Stategrid e Consigaz, é um programa imperdível para a família e amantes de música.

O Maestro é um dos principais músicos brasileiros da atualidade e considerado, mundialmente, um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian Bach, de quem já gravou a obra completa para teclado deste gênio da música clássica. “Um projeto como esse é realmente um grande presente para nossa sociedade e eu me sinto lisonjeado de poder fazer parte disso.”, diz João Carlos Martins, que fará surpresa com o repertório. “Não quero contar as músicas que estou preparando para esse dia, mas posso afirmar que será uma grande festa cultural. Quero ver o parque lotado!”, completa o pianista.

O músico se apresentará em conjunto com a Camerata Musical, formada por 2 violinos, 1 viola, 1 cello, 1 oboé, 1 clarinete, 1 fagote, 1 flauta e 1 percussão. O evento está previsto para começar às 16h e durar cerca de 2 horas. Não haverá distribuição de ingressos, por isso, recomendamos chegar com antecedência para pegar um bom lugar e curtir o show.

Serviço
Quando: 02/12
Horário: a partir das 14h (recomendamos chegar com antecedência)
Onde: Parque Villa Lobos – Ilha Musical (Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001, Alto de Pinheiros, ao lado do Shopping Villa-Lobos e paralelo ao Rio Pinheiros)
Como chegar: o parque tem fácil acesso de trem, ônibus, carro e até de bicicleta pela ciclofaixa da Marginal Pinheiros. Para mais informações sobre como chegar, sugerimos esse site: https://mobilidadesampa.com.br/2018/03/saiba-como-chegar-ao-parque-villa-lobos-na-zona-oeste/

Por Yara Simões

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The Doors: 40 anos de “An American Prayer”

“An American Prayer”: nono disco de estúdio do The Doors, com a poesia de Morrison musicalizada pelos remanescentes dos Doors

Neste sábado, 17 de novembro, o nono álbum de estúdio do The Doors, “An American Prayer”, completou 40 anos de seu lançamento. Produzido por John Haeny, Ray Manzarek, Robby Krieger, John Desmonre e Frank Lisciandro, o disco saiu sete anos após a morte do vocalista Jim Morrison e cinco anos depois de os remanescentes da banda terem se separado e lançado pela Elektra e Asylum Records.

Depois da morte de Jim Morrison, os Doors ainda gravaram dois discos de estúdios, “Other Voices” (1971) e “Full Circle” (1972). Assim, cinco anos depois da separação da banda, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore se reuniram e gravaram a parte instrumental em cima da poesia do vocalista, que foram gravadas originalmente entre 1969 e 1970. Parte dos poemas foi gravado pelo frontman no dia de seu aniversário de 27 anos (8 de dezembro de 1970), pouco antes de morrer.

Curiosamente, outras peças de música e palavra falada gravadas pelos Doors e Morrison também foram usadas na colagem de áudio, como o diálogo do filme de Morrison HWY: An American Pastoral e trechos de jam sessions.

O álbum também inclui uma versão ao vivo composta de “Roadhouse Blues“, unindo performances no Felt Forum de Nova York e no Cobo Hall de Detroit, ambos capturados durante o Roadhouse Blues Tour de 1970 dos Doors. Esta versão da música apareceu mais tarde na compilação “In Concert” (1991).

Apesar de obter um certificado de platina da RIAA nos Estados Unidos, o play recebeu críticas mistas e ainda divide a opinião dos críticos. Um dos que não aprovaram essa empreitada dos Doors foi um velho conhecido da banda: o produtor Paul A. Rothchild que disse, na ocasião em que “An American Prayer” foi lançado, que era um “estupro de Jim Morrison”, pois, alegara ter escutado todas as fitas máster da poesia de 1969 e de 1970 e que os três Doors remanescentes não conseguiram perceber qual era a intenção original de Morrison, que era uma apresentação em áudio da poesia.

Antes de sair para Paris, Jim Morrison teria abordado o compositor Lalo Schifrin como um possível colaborador das faixas musicais que acompanhavam a poesia, sem a participação de nenhum dos outros membros do Doors. Além disso, ele havia desenvolvido alguma concepção do trabalho de capa do álbum em janeiro de 1971, e estava em correspondência com o artista T. E. Breitenbach para projetar essa capa na forma de um tríptico. No entanto, John Haeny (que gravou as fitas originais da sessão com Morrison em 1970 e as guardou antes do projeto ser ressuscitado como “An American Prayer”) insistiu que o álbum “foi feito por aquelas pessoas que estavam mais próximas de Jim, pessoalmente e artisticamente” e que “todos tinham as melhores intenções”, e afirmou Jim teria ficado satisfeito com o resultado.

Em “An American Prayer” pode até apresentar coisas interessantes ao implementar as poesias faladas de Morrison com a sonoridade dos demais, porém, soa como um material caça-níquel e, aparentemente, não era necessariamente que o saudoso vocalista gostaria da forma de que o material fora lançado.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: An American Prayer
Intérprete: The Doors
Lançamento: 17 de novembro de 1978
Gravadora: Elektra / Asylum Records
Produtores: John Haeny, Ray Manzarek, Robby Krieger, John Desmonre e Frank Lisciandro

Jim Morrison: voz e falas
Ray Manzarek: teclados e baixo
Robby Krieger: guitarra
John Densmore: bateria

Arthur Barrow: programação de sintetizadores em “The Movie
Reinolino Andino: percussão
Bob Glaub: baixo em “Albinoni – Adagio
Jerry Scheff: baixo

1. Awake (Morrison / The Doors)
2. Ghost Song (Morrison / The Doors)
3. Dawn’s Highway/Newborn Awakening (Morrison / The Doors)
4. To Come Of Age (Morrison / The Doors)
5. Angels And Sailors/Stoned Immaculate (Morrison / The Doors)
6. The Movie (Morrison / The Doors)
7. Curses, Invocations (Morrison / The Doors)
8. American Night (Morrison / The Doors)
9. Roadhouse Blues (Morrison / The Doors)
10. Lament (Morrison / The Doors)
11. The Hitchhiker (Morrison / The Doors)
12. An American Prayer (Morrison / The Doors)
13. The End/Albinoni: Adagio (Morrison / The Doors)

Por Jorge Almeida

Alice Cooper: 40 anos de “From The Inside”

Capa de “From The Inside”, o álbum conceitual de Alice Cooper que completa 40 anos em 2018

Hoje, 17 de novembro, o álbum “From The Inside”, o 11º trabalho de estúdio do cantor e compositor norte-americano Alice Cooper completa 40 anos. Produzido por David Foster, o disco foi lançado pela Warner Bros. e é uma obra conceitual sobre a estadia de Cooper em um sanatório em Nova York por conta de seus problemas com o alcoolismo.

Nas dez músicas que compõem o play, o cantor reparte contar histórias suas e de outros integrantes, fazendo de “From The Inside” um álbum que é mais digno de muitas biografias que lhe foram atribuídas, em que ele revela, através de canções, o medo da loucura e a vergonha do vício em que um artista pode se submeter.

Cada um dos personagens das canções foi inspirado em pessoas verdadeiras que Cooper conheceu no sanatório. Com este álbum, houve o acréscimo de três ex-membros da banda de Elton John: o letrista Bernie Taupin, o guitarrista Davey Johnstone e o baixista Dee Murray.

Na faixa de abertura, que dá nome ao disco, Alice Cooper desponta que, no início, a bebida era vista como algo engraçado e que a ressaca e as loucuras das turnês eram divertidos, porém, ele não notava como o vício ia se tornando mais hasteado. Na sequência, em “Wish I Were Born In Bervely Hills”, Cooper aborda a situação de uma atriz que não conseguia arrumar um papel para atuar e que perdeu tudo por conta das dívidas. O terceiro tema é “Quiet Room”, em que Alice Cooper descreve sua solidão e sua falta de empenho em querer reverter a situação. Ele se encontra prisioneiro em um quarto onde não há possibilidade nem ter seus sapatos com cadarço (tal medida seria para evitar que usasse o cadarço para cometer suicídio ao enforcar-se com ele?).  A faixa seguinte, “Nurse Rozetta”, que fala de uma enfermeira que o vem visitar, mas que o protagonista não consegue dormir por conta dela, pois ao mesmo tempo teme por achá-la ser um elemento diabólico e também se encontra em êxtase ao ter fantasias com Rozetta, a enfermeira. O álbum chega a metade com “Millie And Billie”, que aborda um casal que é preso no sanatório depois planejar e matar o marido de Millie.

O lado B da “bolacha” começa com “Serious”, que Alice pretende descreve outra história (possivelmente de outro interno do sanatório) para compreender a sua própria. A faixa 7 é o principal hit do álbum, a “power ballad” “How You Gonna See Me Now”, em que Cooper visa caracterizar como será a situação quando a sua mulher o vê-lo fora do sanatório. A música é sobre o medo e a vergonha. A mulher, a esposa que o espera, pode ser também interpretada como a vida que ficou fora do sanatório. O álbum dá continuidade com “For Veronica’s Sake”, em que Alice Cooper descreve que foi separado de sua cachorra Verônica e que ambos precisam um do outro, uma vez que ambos vivem em gaiolas (metaforicamente se referindo ao sanatório e o animal em sua casinha ou um canil). O penúltimo tema é “Jackknife Johnny”, que fala sobre um militar de outrora e que está desgastado. E, para finalizar, “Inmates (We’re All Crazy)“, em que o cantor relata algumas loucuras feitas por ele e seus “companheiros amalucados” e que, ao final, “nós somos todos loucos”.

O principal single do álbum foi “How You Gonna See Me Now”, um exemplo de power ballad que atingiu o n°12 na Billboard Hot 100. Um videoclipe também foi criado para a canção. A turnê “Madhouse Rocks Tour” que promoveu o álbum durou de fevereiro a abril de 1979 e apresentou regularmente todas as faixas do álbum – exceto “Millie And Billie”, “For Veronica’s Sake” e “Jackknife Johnny“. Desde 1980, porém, canções de “From the Inside” são raramente tocadas ao vivo, com os únicos casos sendo: “Serious” na turnê “Bare Bones” (2003), “Wish I Were Born In Beverly Hills” na turnê “Dirty Diamonds” (2005-2006), “Nurse Rozetta” nas turnês “Descent Into Dragontown” e “Theatre Of Death“, e “From The Inside” entre 1997 e 1999 e no final dos anos 2000, na turnê “Theatre of Death“.

O álbum também é notável por ter sido utilizado para criar os personagens e o enredo de uma história em quadrinhos com a participação de Cooper, Marvel Premiere #50.

A capa do álbum apresenta um portão de divisão central com o rosto de Alice Cooper. O portão, ao ser aberto, mostra uma imagem de três páginas de um sanatório. No canto superior esquerdo há uma porta com uma placa que diz “the quiet room“. Isso é uma aba escondida que, quando aberta, revela Cooper sentado numa cela almofadada e vestindo uma camisa de força. No verso da aba há uma mensagem que diz “Inmates! In memory of Moonie“, uma referência a Keith Moon, velho colega de bar de Cooper. A imagem de Alice na cela está impressa no encarte interno com as letras das canções. Na contracapa do álbum há uma imagem dos fundos dum sanatório com a lista de faixas. Há outro portão que, quando aberto, exibe uma imagem com todos os internos fugindo por um corredor em direção ao portão que acabou de ser aberto.

Este foi um dos três álbuns de Alice Cooper a serem reeditados em 1990 pela Metal Blade Records em CD e cassete. Os outros dois eram “Muscle Of Love” (1973) e “Lace And Whiskey” (1977).

Em “From The Inside”, Alice Cooper e seus colaboradores rechearam o disco com músicas cheias de boas ideias e que, para a época, parecia ter sido feito em tom de paródia, mas é um bom registro lançado em um período turbulento na carreira do consagrado Alice Cooper.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: From The Inside
Intérprete: Alice Cooper
Lançamento: 17 de novembro de 1978
Gravadora: Warner Bros.
Produtor: David Foster

Alice Cooper: voz

Dick Wagner, Rick Nielsen e Steve Lukather: guitarra
David Foster, Fred Mandel e Robbie King: teclados
Davey Johnstone: guitarra e backing vocal
David Hungate, Dee Murray, John Pierce e Lee Sklar: baixo
Dennis Conway, Michael Ricciardella e Rick Shlosser: bateria
Jim Keltner: percussão
Jay Graydon: guitarra e programação de sintetizadores
Marcy Levy: voz em “Millie And Billie
Steve Porcaro: programação de sintetizadores

1. From The Inside (Cooper / Wagner / Foster)
2. Wish I Were Born In Bervely Hills (Cooper / Taupin / Wagner)
3. The Quiet Room (Cooper / Taupin / Wagner)
4. Nurse Rozetta (Cooper / Lukather / Foster)
5. Millie And Billie (Cooper / Roberts)
6. Serious (Cooper / Taupin / Foster / Lukather)
7. How You Gonna See Me Now (Cooper / Taupin / Wagner)
8. For Veronica’s Sake (Cooper / Taupin / Wagner)
9. Jackknife Johnny (Cooper / Taupin / Wagner)
10. Inmates (We’re All Crazy) (Cooper / Taupin / Wagner)

Por Jorge Almeida

Espetáculo construído de forma colaborativa debate racismo no Sesc Pompeia

Imagens da peça Três Pretos: Valor de uso. Foto: Lígia Jardim

Com apresentações nos feriados de 15 e 20 /11, peça da Sociedade Abolicionista de Teatro fica em cartaz no Teatro do Sesc Pompeia por três semanas

A nova criação da Sociedade Abolicionista de Teatro, “Três Pretos: Valor de uso”, com direção de Jose Fernando Peixoto de Azevedo e atuação de Raphael Garcia, Ailton Barros e Lilian Regina, estreia no feriado de 15 de novembro no Sesc Pompeia, ficando em cartaz até  1º de dezembro no Teatro da unidade. A peça integra o projeto de mesmo nome que, desde setembro, trouxe para o local debates acerca de obras produzidas por autoras e autores negros por meio da atividade Pensamento Negro Brasileiro. Além desses encontros, o projeto também englobou uma residência artística imersiva, paralela ao processo de produção do espetáculo.

A peça remete ao valor como base para a crítica das formas de alienação da vida. Na modernidade, ou, da perspectiva da colônia, preto tem sido reduzido a um valor de troca: o preto escravo, o preto café, o preto petróleo: três fontes de energia e de valor; três tempos de um mundo que avança produzindo ruínas.

A associação preto-escravo-café foi a base do impulso industrial brasileiro e a fonte de energia das longas jornadas para o trabalho livre da Europa. Hoje, o preto-energia-petróleo é a base energética da acumulação capitalista moderna e suas disputas sobre territórios e corpos. A carne (o escravizado), o pó (o café), o sangue (o petróleo): ao mesmo tempo que a marcha cronológica do progresso força o esquecimento da energia primitiva, os equivalentes funcionais da energia preta desvelam a violência perene em torno do preto que “satisfaz”. Em cena, um dispositivo pretende fazer com que essas temporalidades atravessem o jogo, produzindo corpos e sujeitos.

SINOPSE

Num território conflagrado por lutas milicianas, desertores cavam em busca de um “mar de águas pretas”, fonte de uma riqueza sem fim que traria a todos a “libertação final. A escavação converte-se em espera, e a espera se revela um tempo atravessado por demandas de reparação e salvação, demandas para as quais as tentativas de realização resultam em continuidade e aprofundamento da guerra e suas carnificinas.

SOCIEDADE ABOLICIONISTA DE TEATRO

É uma plataforma coordenada por José Fernando e seu programa de trabalho consiste em viabilizar associações entre artistas, principalmente artistas pretos, que possam, juntos, realizar projetos a partir do encontro de perspectivas e práticas poético-políticas. O abolicionismo que seu nome traz não é apenas uma referência “anacrônica” à história e memória da escravidão, mas antes, a nomeação de uma luta pelos abolicionismos que ainda nos concernem, confrontações a continuidades e permanências que fazem, entre outras coisas, que algo como um sistema prisional se configure como desdobramento e extrapolação da escravidão entre nós, tecnologia de controle dos corpos que espolia e sentencia à morte em vida o pobre, mais principalmente o negro, e – em particular – o jovem negro. A sobreposição temporal que a ideia de uma “sociedade abolicionista” implica aos ouvidos, faz ver a convivência complexa de temporalidades, fusos históricos.

SOBRE O DIRETOR

José Fernando Peixoto de Azevedo é professor na Escola de Arte Dramática e no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Estudou cinema, possui graduação e doutorado em Filosofia pelo Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde defendeu tese sobre o teatro do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Atua como pesquisador nas áreas de história e estética do teatro brasileiro e do teatro negro, além de estética e filosofia contemporânea. Foi fundador, dramaturgo e diretor do Teatro de Narradores e é colaborador do grupo de teatro negro Os Crespos, além de outros coletivos teatrais como o Chai-na (Isto é um negro?). Atua também como curador. Dirigiu recentemente o espetáculo Navalha na Carne Negra e publicou, pela editora n-1, o volume da coleção Pandemia intitulado Eu, um crioulo.

Ficha Técnica
Concepção e Direção: José Fernando Peixoto de Azevedo
Dramaturgia: José Fernando Peixoto de Azevedo e Luís Fernando Massonetto
Atores: Ailton Barros, Lilian Regina, Raphael Garcia
Assistência de Direção e Vídeo: Flávio Moraes
Assistência de Direção: Leonardo Devitto
Preparação Corporal: Tarina Quelho
Iluminação: Wagner Antônio
Direção de Arte: Chris Aizner
Técnico e Operação de Luz: Jimmy Wong
Programação Visual (Programa): Lucas Brandão
Assessoria de Imprensa: Márcia Marques – Canal Aberto
Produção: núcleo corpo rastreado

SERVIÇO:
Três Pretos: Valor de Uso
De 15 de novembro a 1º de dezembro,  quintas, sextas e sábados, às 21h. Domingo e feriados, às 18h
Apresentações extra em 20 de janeiro, terça-feira, às 18h.
Teatro
*O Teatro do Sesc Pompeia possui lugares marcados e galerias superiores não numeradas. Por motivo de segurança, não é permitida a permanência de menores de 12 anos nas galerias, mesmo que acompanhados dos pais ou responsáveis. Abertura da casa com 30 minutos de antecedência ao início do show.
Capacidade: 302 lugares
Duração: 60 min
Ingressos: R$7,50 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$12,50 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$25 (inteira).
Venda online a partir de 6 de novembro, terça-feira, às 12h.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 7 de novembro, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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Rolling Stones: 20 anos de “No Security”

“No Security”: registro ao vivo dos Rolling Stones gravado durante a Bridges To Babylon Tour (1997-98)

No último dia 2 de novembro, o álbum “No Security”, o sétimo registro ao vivo dos Rolling Stones, completou 20 anos de seu lançamento. Gravado durante a turnê Bridges To Babylon Tour, entre 1997 e 1998, o disco saiu pela Virgin Records e a produção assinada pelos The Glimmer Twins (Mick Jagger e Keith Richards). O nome da obra foi retirado de um verso da música “One Hit (To The Body)”, cujo o trecho diz; “It’s one shot when you love me / One shot when you leave me / I don’t need no security / I just need me some peace”.

Com músicas executadas durante a turnê do álbum “Bridges To Babylon” (1997), que durou um ano (entre setembro de 1997 e setembro de 1998). Na época, essa foi a segunda turnê mais lucrativa de todos os tempos para qualquer nome da música mundial – perdendo apenas para a Voodoo Lounge Tour, também do quinteto britânico. Curiosamente, os Rolling Stones se apresentaram em países tradicionais de suas turnês, como Estados Unidos, Japão, França, Alemanha e Canadá, mas também em nações em que suas aparições não são tão frequentes, como Argentina, Brasil, Croácia, Estônia, Finlândia, Grécia, Rússia e Turquia. Entretanto, a terra-natal de Mick Jagger e cia., a Inglaterra, não recebeu shows dessa turnê, um fato raríssimo.

O play traz 13 faixas (sem contar a “Intro”) que o grupo optou em colocá-las para não repetir o tracklist de registros ao vivo anteriores, como “Still Life” (1982) e “Flashpoint” (1991), ou seja, boa parte delas é de canções que nunca tinham sido lançadas ao vivo oficialmente, incluindo quatro do último registro de estúdio dos caras.

As músicas foram tiradas de apresentações realizadas ao vivo na Amsterdam Arena, na Holanda; no Capitol Theatre, em Nova York; no Monumental de Núñez, tradicional estádio do River Plate, na Argentina; no TWA Dome, em Saint Louis, nos Estados Unidos; e no Zeppelinfeld, em Nuremberg, na Alemanha.

Nas apresentações da banda, chamou atenção a aparência física dos músicos que, na época, beiravam os 60 anos, além da grandiosidade do palco, que também passou a ter o auxílio de um pequeno palco no meio da multidão para os Stones tocarem em um clima mais próximos dos fãs. Aliás, os megashows dos Rolling Stones também tiveram nomes ilustres como atrações para abrir os seus espetáculos, tais como Pearl Jam, Foo Fighters, Simple Minds, Carlos Santana, Sheryl Crow, Smashing Pumpkins, Bob Dylan, entre outros, com destaque para o último, que fez um dueto com Mick Jagger na clássica “Like A Rolling Stone”, no Brasil, mas que, infelizmente, ficou de fora do álbum.

No repertório, destaques para “Gimme Shelter”, gravada para a MTV norte-americana, em 1997; “Waiting On A Friend” e o cover de “Corinna”, com a participação especialíssima do bluesman Taj Mahal – ambas as faixas foram registradas em Saint Louis, em 1998; o carinho dos fãs argentinos da banda não passaram despercebidos em “Saint Of Me” e “Out Of Control”, ambas gravadas no Monumental de Núñez, em abril de 1998. E vale conferir também “Sister Morphine”, com a participação de Dave Matthews, na Amsterdam Arena, na Holanda, em show realizado em seis de julho de 1998.

A banda resolveu homenagear os fãs na capa ao trazer, em vez de uma fotografia tradicional dos músicos, um casal de roqueiros de idade mais avançada à espera do show. E, para promover o registro ao vivo, os Rolling Stones encararam uma nova turnê, a No Security Tour, com 34 apresentações realizadas apenas em arenas de hóquei e basquete pela América do Norte.

A edição japonesa da obra (como já era de se esperar) vem acrescida da faixa “I Just Want To Make Love To You”, de Willie Dixon, gravada na Amsterdam Arena em 1º de julho de 1998, que está alocada entre “Respectable” e “Thief In The Night”.

O play ocupou o 67º lugar nos charts britânicos e a 34ª posição na Billboard US 200 após vender 300 mil cópias nos Estados Unidos. O disco não foi relançado pela Universal Music, na ocasião em que a gravadora relaçou quase toda a coleção de álbuns dos Stones feitos a partir de 1971.

Apesar de apresentar performances ao vivo dos Rolling Stones, “No Security” não é recomendado para quem aprecia apenas os clássicos da banda, pois, excetuando “Gimme Shelter”, o restante do tracklist é composto apenas por faixas mais “lado B” da banda, o que poderia frustrar os que esperavam por músicas como “Satisfaction”, “Start Me Up”, “Paint It Black”, “It’s Only Rock ‘N’ Roll”, entre outros.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: No Security
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 2 de novembro de 1998
Gravadora: Virgin Records
Produtores: The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz, gaita e guitarra
Keith Richards: guitarra e backing vocal
Ronnie Wood: guitarra e slide guitar
Charlie Watts: bateria

Darryl Jones: baixo
Chuck Leavell: teclados
Pierre de Beauport: piano Wurlitzer em “Thief In The Night
Bobby Keys: saxofone
Andy Snitzer: saxofone e teclados
Kent Smith: trompete
Michael Davis: trombone
Bernard Fowler e Blondie Chaplin: backing vocal e percussão
Lisa Fischer: backing vocal
Leah Wood: backing vocal em “Thief In The Night
Johnny Starbuck: shaker em “Out Of Control
Dave Matthews: vocais em “Memory Hotel
Taj Mahal: vocais em “Corinna
Joshua Redman: saxofone em “Waiting On A Friend

1. Intro
2. You Got Me Rocking (Jagger / Richards)
3. Gimme Shelter (Jagger / Richards)
4. Flip The Switch (Jagger / Richards)
5. Memory Motel (Jagger / Richards)
6. Corinna (Mahal / Davis)
7. Saint Of Me (Jagger / Richards)
8. Waiting On A Friend (Jagger / Richards)
9. Sister Morphine (Jagger / Richards / Faithfull)
10. Live With Me (Jagger / Richards)
11. Respectable (Jagger / Richards)
12. Thief In The Night (Jagger / Richards / Beauport)
13. The Last Time (Jagger / Richards)
14. Out Of Control (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Exposição “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985” na Pinacoteca do Estado

“As Vizinhas” (1980), obra da artista argentina Marcia Schrtz, em exibição na Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida

A Pinacoteca do Estado de São Paulo promove até a próxima segunda-feira, 19 de novembro, a exposição “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985”, que reúne mais de 280 trabalhos de cerca de 120 artistas em que é feito um mapeamento das práticas artísticas e experimentais de artistas latinas e a sua influência na produção internacional. Com curadoria da venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta, a mostra apresenta os mais variados suportes: fotografia, vídeos, pintura, entre outros.

A exposição trata de um espaço na história da arte ao dar notoriedade à incrível produção realizada entre 1960 e 1985 de mulheres residentes em países da América Latina, além de latinas e chicanas nascidas nos Estados Unidos. Entre elas, constam na mostra algumas das artistas mais atuantes do século XX — como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez e Marta Minujín — ao lado de nomes menos conhecidos — como a artista mexicana Maria Eugenia Chellet, a escultora colombiana Feliza Bursztyn e as brasileiras Leticia Parente, uma das precursoras da vídeoarte, e Teresinha Soares, escultora e pintora mineira que vem recebendo atenção internacional recentemente.

O recorte cronológico da coletiva é apresentado como contundente tanto na história da América Latina, como na construção da arte contemporânea e nas variações acerca da reprodução emblemática e figurativa do corpo feminino. Durante esse período, as artistas pioneiras partiram da ciência do corpo como um campo político e entraram em verificações radicais e inspiradoras para provocar as classificações predominantes e os cânones da arte instituída.

A investida das artistas latino-americanas foi uma maneira de encarar o carregado ambiente político e social de uma época profundamente marcada pelo domínio patriarcal (nos Estados Unidos) e pelas barbaridades das ditaduras apoiadas por aquele país (na América Central e do Sul), que debelaram esses corpos, principalmente os das mulheres, derivando em trabalhos que delatavam a violência social, cultural e política da época.

A América Latina mantém uma intensa história de militância feminista que não foi vastamente refletida nas artes — com exceção do México e alguns casos isolados em outros países nas décadas de 1970 e 1980. Essa exposição na Pinacoteca do Estado sugere solidificar, internacionalmente, essa riqueza estética oriunda por mulheres que partiram do próprio corpo para referir as distintas grandezas da existência feminina. Para tanto, as curadoras vêm realizando uma intensa pesquisa, desde 2010, que inclui viagens, entrevistas, análise de publicações nas bibliotecas da Getty Foundation, da University of Texas entre diversas outras.

A seguir, a relação das artistas participantes:

Argentina: Maria Luisa Bemberg (1922–1995); Delia Cancela (1940); Graciela Carnevale (1942); Diana Dowek (1942); Graciela Gutiérrez Marx (1945); Narcisa Hirsch (Germany, 1928); Ana Kamien e Marilú Marini (1935 e 1954); Lea Lublin (Poland, 1929–1999); Liliana Maresca (1951–1994); Marta Minujín (1943); Marie Orensanz (1936;) Margarita Paksa (1933); Liliana Porter (1941); Dalila Puzzovio (1943); Marcia Schvartz (1955).

Brasil: Mara Alvares (1948); Claudia Andujar (Suíça, 1931); Martha Araújo (1943); Vera Chaves Barcellos (1938); Lygia Clark (1920–1988); Analívia Cordeiro (1954); Liliane Dardot (1946); Lenora de Barros (1953); Yolanda Freyre (1940); Iole de Freitas (1945); Anna Bella Geiger (1933); Carmela Gross (1946); Nelly Gutmacher (1941); Anna Maria Maiolino (Itália, 1942); Márcia X. (1959–2005); Wilma Martins (1934); Ana Vitória Mussi (1943); Lygia Pape (1927–2004); Letícia Parente (1930–1991); Wanda Pimentel (1943); Neide Sá (1940); Maria do Carmo Secco (1933); Regina Silveira (1939); Teresinha Soares (1927); Amelia Toledo (1926–2017); Celeida Tostes (1929–1995); Regina Vater (1943);

Chile: Gracia Barrios (1927); Sybil Brintrup and Magali Meneses (1954 and 1950); Roser Bru (Spain, 1923); Gloria Camiruaga (1941–2006); Luz Donoso (1921–2008); Diamela Eltit (1949); Paz Errázuriz (1944); Virginia Errázuriz (1941); Lotty Rosenfeld (1943); Janet Toro (1963); Eugenia Vargas Pereira (1949); Cecilia Vicuña (1948).

Colômbia: Alicia Barney (1952); Delfina Bernal (1941); Feliza Bursztyn (1933–1982); María Teresa Cano (1960); Beatriz González (1938); Sonia Gutiérrez (1947); Karen Lamassonne (Estados Unidos, 1954); Sandra Llano-Mejía (1951); Clemencia Lucena (1945–1983); María Evelia Marmolejo (1958); Sara Modiano (1951–2010); Rosa Navarro (1955); Patricia Restrepo (1954); Nirma Zárate (1936–1999).

Costa Rica: Victoria Cabezas (Estados Unidos, 1950)

Cuba: Ana Mendieta (1948–1985); Marta María Pérez (1959); Zilia Sánchez (1928).

Estados Unidos: Judith F. Baca (1946); Barbara Carrasco (1955); Josely Carvalho (Brasil, 1942); Isabel Castro (México, 1954); Ester Hernández (1944); Yolanda López (1942); María Martínez-Cañas (Cuba, 1960); Marta Moreno Vega (1942); Sylvia Palacios Whitman (Chile, 1941); Sophie Rivera (1938); Sylvia Salazar Simpson (1939); Patssi Valdez (1951).

Guatemala: Margarita Azurdia (1931–1998)

México: Yolanda Andrade (1950); Maris Bustamante (1949); Ximena Cuevas (1963); Lourdes Grobet (1940); Silvia Gruner (1959); Kati Horna (Hungria, 1912–2000); Graciela Iturbide (1942); Ana Victoria Jiménez (1941); Magali Lara (1956); Mónica Mayer (1954); Sarah Minter (1953–2016); Polvo de Gallina Negra (ativo 1983–93); Carla Rippey (Estados Unidis, 1950); Jesusa Rodríguez (1955); Pola Weiss (1947–1990); Maria Eugenia Chellet (1948).

Panamá: Sandra Eleta (1942)

Paraguai: Olga Blinder (1921–2008); Margarita Morselli (1952).

Peru: Teresa Burga (1935); Gloria Gómez-Sánchez (1921–2007); Victoria Santa Cruz (1922–2014).

Porto Rico: Poli Marichal (1955); Frieda Medín (1949).

Uruguai: Nelbia Romero (1938–2015); Teresa Trujillo (1937).

Venezuela: Mercedes Elena González (1952); Margot Römer (1938–2005); Antonieta Sosa (Estados Unidos, 1940); Tecla Tofano (Itália, 1927–1995); Ani Villanueva (1954); Yeni y Nan (ativo 1977–86).

Em meio aos destaques estão: “Paisagens Epidérmicas” (1977-1982), de Vera Chaves Barcellos, obra formada por fotografias impressas em papel translúcido (1977), ampliadas e reproduzidas por processos analógicos sobre papel fotográfico (1982); “Paisagem com Retrovisor II” (1975), um acrílico sobre tela da argentina Diana Dowek; “As Vizinhas” (foto), de 1980, uma técnica mista sobre tela de Marcia Schavartz, da Argentina; e “Arqueologia do Desejo (colo) (ventre)” (1982), de Nelly Gutmacher, obra feita em terracota e óxidos.

SERVIÇO:
Exposição: Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 02 – Luz
Quando: até 19/11/2018; de quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30 – com permanência até às 18h
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha); menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento; entrada gratuita aos sábados para o público em geral

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 35 anos de “Undercover”

“Undercover”: álbum dos Stones que completa 35 anos em 2018

No último dia 7 de novembro, o 17º trabalho de estúdio dos britânicos dos Rolling Stones (o 19º em se tratando da discografia norte-americana da banda), “Undercover”, chegou ao seu 35º ano de lançamento. Produzido pelos The Glimmer Twins (Mick Jagger e Keith Richards) e Chris Kimsey, o disco foi gravado entre novembro de 1982 e agosto de 1983 e lançado pela Rolling Stones Records (WEA/EMI).

Depois do estouro com “Tattoo You” (1981), os Rolling Stones entraram estúdio para gravar material composto totalmente na década de 1980, uma vez que o disco anterior foi formado por boa parte de colagens feitas de uma seleção de outakes. A pré-produção do play começou em um desconhecido estúdio em Paris, entre novembro de 1982 e março de 1983 e no Compass Point Studios, nas Bahamas, entre maio e junho de 1983. A mixagem foi realizada no The Hit Factory, em Nova Iorque.

Com o surgimento da MTV, o quinteto precisou se reinventar para uma nova era, inclusive a de seus novos súditos. Então, apesar de uma boa crítica da revista Rolling Stone ao álbum, que atingiu o terceiro lugar nos charts britânicos e um quarto lugar nos Estados Unidos, “Undercover” foi considerado uma decepção, pois quebrara uma sequência de oito discos que ocuparam o topo das paradas em território ianque (sem contar coletâneas e trabalhos ao vivo), e, além disso, não gerou um single de sucesso.

Em meio aos avanços tecnológicos de gravação, Jagger e Richards convidaram Chris Kimsey para produzir o álbum, o primeiro produtor de fora a trabalhar com a banda desde Jimmy Miller. A gravação começou com um número instrumental chamado “Cellophane Trousers“, gravado em novembro de 1975 durante as sessões do álbum “Black And Blue“, de 1976, (e que pode ser encontrado em vários bootlegs das sessões do álbum). Então, em novembro de 1982, três meses após o término da turnê europeia que promoveu “Tattoo You” no mesmo ano, foi escrita uma letra e a faixa foi gravada. Em pouco tempo, tornou-se a faixa “Too Tough“. Eles começaram a gravar no Pathé Marconi Studios, em Paris, França. Depois de tirar férias, eles completaram o álbum em Nova Iorque, no verão seguinte.

O período das gravações de “Undercover” foi árduo por conta dos conflitos entre Mick Jagger e Keith Richards sobre os rumos da sonoridade do grupo. Enquanto o vocalista queria manter o som dos Stones atualizado e experimental com os novos estilos da época, o guitarrista estava mais interessado para que a banda se focasse mais na pegada rock e das bandas Blues de raiz. Mas, o resultado disso gerou um atrito e uma tensão imensa aos líderes da banda e que só aumentaria com o decorrer dos anos seguintes, chegando ao auge durante as gravações de “Dirty Work” (1986), quando começaram a surgir os boatos sobre o fim da banda.

As letras em “Undercover” estão entre as mais sinistras de Mick Jagger, com aparência horrível, muito encontrada no single e hit Top 10 “Undercover of the Night“, uma faixa rara política sobre a América do Sul, bem como “Tie You Up (The Pain Of Love)“, e “Too Much Blood“, uma tentativa de Jagger em incorporar as tendências contemporâneas da dance music.

Musicalmente, o play mescla um duelo entre hard rock, reggae e new wave, refletindo a guerra pela liderança da banda, travada entre Jagger e Richards na época. Enquanto isso, Ronnie Wood colaborou com “Pretty Beat Up“, mas Jagger e Richards relutaram antes de concordarem em colocá-la no álbum. Já

Think I’m Going Mad” foi a primeira faixa gravada durante as sessões “Emotional Rescue”, em 1979. Ela finalmente foi lançada como o B-side de “She Was Hot“. Infelizmente, ela foi deixada de fora da coletânea “Rarities 1971-2003” (2005) e nunca apareceu em CD.

Os Stones receberam alguns novos colaboradores para o álbum, como as estrelas jamaicanas do reggae, Sly Dunbar e o saxofonista David Sanborn, além da participação especialíssima de Chuck Leavell, que esteve presente na Allman Brothers Band e se juntou à banda durante a turnê europeia de 1982, como segundo tecladista, junto com Ian Stewart.

A capa do álbum teve sua arte coberta com adesivos na edição de vinil original, que quando eram removidos mostravam outras formas geométricas. E causou polêmica por mostrar supostamente a figura de um travesti.

Em 1994, “Undercover” foi remasterizado e relançado pela Virgin Records e novamente em 2009 pela Universal Music.

O álbum até hoje divide as opiniões de críticos e fãs. Apesar de a Rolling Stones ter elogiado o trabalho, muitos fãs consideram “Undercover” como um dos trabalhos mais fracos dos Rolling Stones.

De fato, como os Rolling Stones não são daquelas bandas que podem ser taxadas de um rótulo só, “Undercover”, dentre os trabalhos de estúdio dos setentões, é o menos inspirado e sem sal. Parte disso pode ser atribuída às desavenças entre Jagger e Richards. E, sabe aquela coisa de “julgar um disco pela capa”, pois é, analise bem a capa de “Undercover” e tire suas conclusões.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Undercover
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 7 de novembro de 1983
Gravadora: Rolling Stones Records (EMI/WEA)
Produtores: The Glimmer Twins e Chris Kimsey

Mick Jagger: voz, backing vocal, guitarra e gaita
Keith Richards: guitarra, backing vocal, voz em “Wanna Hold You” e baixo em “Pretty Beat Up
Ronnie Wood: guitarra e slide guitar, backing vocal e baixo em “Tie You Up” e “Wanna Hold You
Bill Wyman: baixo, percussão e piano em “Pretty Beat Up”
Charlie Watts: bateria

Chuck Leavell: teclados, órgão e piano
Ian Stewart: piano em “She Was Hot” e “Pretty Beat Up” e percussão
David Sanborn: saxophone
CHOPS: trompas
Sly Dunbar: percussão
Robbie Shakespeare: baixo
Moustapha Cisse, Brahms Coundout e Martin Ditcham: percussão
Jim Barber: guitarra em “Too Much Blood

1. Undercover Of The Night (Jagger / Richards)
2. She Was Hot (Jagger / Richards)
3. Tie You Up (The Pain Of Love) (Jagger / Richards)
4. Wanna Hold You (Jagger / Richards)
5. Feel On Baby (Jagger / Richards)
6. Too Much Blood (Jagger / Richards)
7. Pretty Beat Up (Jagger / Richards / Wood)
8. Too Tough (Jagger / Richards)
9. All The Way Down (Jagger / Richards)
10. It Must Be Hell (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida