Exposição “SP_Rock_70_Imagem” na Praça das Artes

Obra que homenageia o rock brasileiro dos anos 1970 na Praça das Artes. Foto: Jorge Almeida

Dentre as inúmeras atrações que a Prefeitura de São Paulo realizou na cidade no “mês do rock” está a exposição “SP_Rock_70_Imagem”, que está em cartaz até o próximo dia 31 de julho, segunda-feira, que promove uma viagem através de fotografias de bandas e capas de discos clássicos dos anos 1970. A mostra contém registros de fotógrafos como Ana Arantes, Carlos Lyra, Antonio Freitas, Hermano Penna, Flavia Lobo, Vania Toledo e Mario Luiz Thompson, entre outros.

Na exposição, o público percebe como foram surgindo bandas e estilos que influenciaram fotógrafos e artistas plásticos e visuais. Pois, eles usavam e abusavam de suas câmeras, lentes, pincéis e telas para criarem suas imagens a partir dos sons que ouviam e retribuíam suas artes para as clássicas capas dos LPs.

No cenário paulista, Rita Lee, com o seu “tal de roque enrow”, juntamente com o Tutti-Frutti, Os Mutantes, Made In Brazil, Som Nosso de Cada Dia, Joelho de Porco, Terreno Baldio, Apokalypsis, entre outros. Além de outros grandes nomes de fora do Estado como Raul Seixas, O Terço, Novos Baianos, Sá, Rodrix & Guarabira, Odair Cabeça de Poeta, e outros mais.

Esses artistas. Influenciados pela música e obra dessas bandas e artistas mencionados acima, inventaram uma outra linguagem. Com o LP, os seus 30 centímetros quadrados da capa e da contracapa, eram mais mais que suficientes para uma expressão artística e com alcance infinitamente superior ao de uma galeria de arte. Assim, transformaram as capas desses ‘bolachões’ em verdadeiras obras-primas, que podiam virar pôsteres, novas embalagens e formatos, enfim, uma revolução foi criada.

A exposição contém cerca de 100 fotografias, além de capas de LPs e compactos clássicos do rock brasileiro, como “Novo Aeon” (1975), de Raul Seixas; “Fruto Proibido” (1975), de Rita Lee & Tutti Frutti; o ‘debut’ do Secos & Molhados, de 1973; e “Jack, O Estripador” (1976), do Made In Brazil.

SERVIÇO:
Exposição:
SP_Rock_70_Imagem
Onde: Praça das Artes – Avenida São João, 281 – Centro
Quando: até 31/07/2017; de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Luzescrita” no Espaço Cultural Porto Seguro

“Fome de Sede” (2010), poema com caligrafia de Arnaldo Antunes e fotografia/montagem de Fernando Laszlo. Créditos: divulgação

O Espaço Cultural Porto Seguro apresenta até o próximo domingo, 30 de julho, a exposição “Luzescrita”, que contém cerca de 60 obras do trio Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira, que mostra entre vídeos, fotografias e instalações, transformações de poemas em imagens e versos de luz.

A poesia e a fotografia vêm da mesma origem, no grego, cujas palavras têm como significados “fazer” e “escritura da luz”, respectivamente. Na mostra, as duas ideias se aproximam e se expandem por meio do encontro desses artistas.

A partir desses conceitos, os artistas traduzem literalmente com obras escritas com luz por meio de materiais como pólvora, lâmpadas e metal e, em seguida, foram fotografadas.

De acordo com o curador Daniel Rangel, os artistas são híbridos, por natureza, e possuem trajetórias distintas, para além das artes visuais. Arnaldo Antunes, por exemplo, além de artista visual, é escritor, cantor e compositor. Já Walter Silveira é um dos pioneiros na videoarte no Brasil, além de possuir uma carreira individual no meio das artes, enquanto Fernando tem uma sólida carreira como fotógrafo.

Em meio aos destaques estão “Luz Preta” (2010), de Fernando Laszlo; “Fome de Sede” (foto), de 2004, um poema com caligrafia de Arnaldo Antunes e fotografia/montagem de Fernando Laszlo; “Luz” (1992), um vídeo de Arnaldo Antunes, Celia Catunda, Kiko Mistrorigo e Zaba Moreau; “Sol to do solo” (2017), de Arnaldo Antunes; e “Luzescrita” (2003), poema de Walter Silveira e fotografia/montagem de Fernando Laszlo.

SERVIÇO:
Exposição:
Luzescrita
Onde: Espaço Cultural Porto Seguro – Alameda Barão de Piracicaba, 610 – Campos Elíseos
Quando: até 30/07/2017; de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos, das 10h às 17h
Quanto: entrada gratuita (vans gratuitas fazem o transporte de ida e volta da Estação da Luz – na saída Praça da Luz e Rua José Paulino)

Por Jorge Almeida

Guns N’ Roses: 30 anos de “Appetite For Destruction”

A capa “alternativa” e a “obscena” e original de “Appetite For Destruction”: clássico do Guns N’ Roses que completa 30 anos

Nesta sexta, 21 de julho, um dos melhores álbuns de Hard Rock dos anos 1980 completa 30 anos de seu lançamento: o clássico “Appetite For Destruction”, o primeiro trabalho de estúdio do Guns N’ Roses. Gravado nos estúdios Rumbo, Take One e Can Am, ambos em Los Angeles, na Califórnia, o disco foi produzido por Mark Clink e distribuído pela Geffen Records.

Depois de terem surgido oriundos de ex-membros do Hollywood Rose e do L.A. Guns, e mais algumas alterações em sua formação, o Guns N’ Roses estreou nos palcos em junho de 1986 e, pouco tempo depois, foi lançado o EP “Live ?!*@ Like a Suicide”, pelo próprio selo UZI Suicide. Mas, antes disso, Axl Rose e companhia assinaram contrato com a Geffen Records e, a partir de então, começou a caça para um produtor para assinar o trabalho de estreia da banda. Músicos profissionais e renomados procuraram o grupo para produzi-los, entre eles, Paul Stanley, do Kiss, mas o escolhido acabou sendo o novato Mike Clink.

Depois de algumas semanas de ensaio, o grupo deu início às gravações em janeiro de 1987. O produtor Clink trabalhara 18 horas por dia na produção, especialmente na companhia de Slash para gravar as dobras de guitarra à tarde, e os vocais de Axl. Em um trabalho meticuloso, o produtor e o guitarrista passaram horas e horas regravando e reestruturando os solos de guitarra. A bateria e a percussão de Steve Adler, de acordo com o próprio, foram feitas em seis dias. Mas, os vocais de Axl levaram bastante tempo por conta do perfeccionismo do vocalista, que insistia gravá-los verso por verso, o que fez com que os demais membros desistissem de acompanhar as gravações. A gravação e produção do álbum foram orçados em US$ 370 mil.

A pegada do álbum se dá à popularidade do Hard Rock dos anos 1980, com forte influência do AC/DC e dos Rolling Stones, com guitarras em evidência em músicas recheadas de solos acompanhadas por vocais altos e distorcidos. Aclamado pela crítica, “Appetite For Destruction” foi um grande sucesso comercial e se tornou o disco de estreia mais vendido da história da música. O álbum configura constantemente nos rankings dos melhores de todos os tempos, como a presença no “100 melhores álbuns de todos os tempos” da revista Kerrang!, especial lançado em 2006 que o coloca no topo da lista. Além disso, ele está na lista dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos, assim como mundialmente, com mais de 40 milhões de cópias comercializadas até hoje.

À medida que a popularidade do álbum (e da banda) aumentava, o Guns N’ Roses era requisitado para ser atração de abertura de pesos pesados, como The Cult, Aerosmith, Alice Cooper, Iron Maiden e os Rolling Stones, e, posteriormente, encabeçando as suas próprias apresentações na “Appetite For Destruction Tour”.

O disco abre com a clássica “Welcome To The Jungle”, que fala sobre o inferno de viver na cidade grande e os perigos que ela representa para quem por lá se aventura em busca de jogos e prazer. A música foi tocada à exaustão nas rádios e o videoclipe teve alta rotação na MTV, que o exibiu pela primeira vez de madrugada. Na sequência, “It’s So Easy”, feita por Duff McKagan e West Arkeen, já falecido, e fala como as coisas se tornam tediosas quando foi facilmente conquistadas. Durante o período entre 1987 e 1993, a música foi tema de abertura nas apresentações do grupo. O terceiro tema é “Nightrain”, que homenageia a famosa marca de vinho californiana, a Night Train Express, que era bastante consumida pelos integrantes da banda, especialmente pelo baixo preço e o alto teor alcoólico em seu conteúdo. A primeira metade do primeiro solo e a intro são tocadas por Izzy Stradlin, enquanto a segunda metade do primeiro solo e o segundo solo são tocados por Slash. Posteriormente, o play segue com “Out Ta Get Me”, cujo enredo é centrado nos problemas constantes que Axl tinha com a leu em Lafayett, no Indiana. Em seguida, temos “Mr. Brownstone” que foi escrita pela dupla Slash e Izzy Stradlin, enquanto eles conversavam sobre o vício dos dois pela heroína, que também era conhecida por eles como ‘brownstone’. O álbum chega à sua metade com o petardo “Paradise City”, que, segundo Slash, foi composta na traseira de uma van alugada voltando de San Francisco. O guitarrista e o vocalista, regados a muita bebedeira, murmuravam um para o outro o refrão da música e os demais expandido os versos da música e, no final, Slash juntou tudo com o riff principal, embora alguns acreditem que a letra é referência à Los Angeles por conta de sua corrupção na época, enquanto outros creditem que Axl e Izzy se referem a Lafayette (Indiana). Particularmente, na opinião deste que vos escreve, é a melhor música dos Guns N’ Roses.

O lado B de “Appetite…” começa com “My Michelle”, que foi a única canção do álbum que Slash não utilizou a sua Gibson Les Paul, mas sim uma Gibson SG. A música foi inspirada em Michelle Young, amiga de Axl e Slash, que um dia estava com a dupla e disse que adoraria ter uma canção sobre ela foi escrita. O vocalista primeiro escreveu uma música romântica, mas desistiu e resolveu fazer algo mais ‘honesto’. No começo, os demais integrantes da banda ficaram temeroso em gravar essa nova versão, com receio de a homenageada não gostar, mas ela curtiu e aprovou a sinceridade, quando a música fala de seus vícios, a morte da mãe e o trabalho do pai na indústria pornográfica. Já em “Think About You”, escrita em volta de 1983 e 1984, por Izzy Stradlin que, de acordo com o próprio, seu título fala de “sexo, drogas, Hollywood e dinheiro”, e é um dos raros temas da banda em que ele faz o solo. A metade do lado B chega com aquela que, talvez, seja o maior clássico dos Gunners: “Sweet Child O’Mine”, com o seu famoso riff, que surgiu por “acidente”. Pois, enquanto Slash estava na sala próximo de uma lareira tocando o que seria a introdução, Izzy e Duff tocavam os acordes por trás dela. Axl, que estava no andar de cima da casa, ao ouvi-los, escreveu a letra. No dia seguinte, quando estavam no estúdio, o vocalista pediu para que tocassem novamente o que estavam tocando na noite anterior, e “tchan-ran-ran!”: foi transformada em música. A “sweet child” em questão era Erin Everly, então namorada e futura esposa de Axl, que, inclusive, ofereceu-lhe metade dos royalties por simplesmente ter sido a inspiração dele para escrever a canção. O álbum vai chegando ao fim com as medianas “You’re Crazy” e “Anything Goes”, e o gran finale vem com “Rocket Queen”, que foi um presente de uma antiga paixão de Axl, Barbi Von Greif, moça que vivia em um submundo e tinha uma banda de rock, que inicialmente recebeu o nome de Rocket Queen, mas que mudou de nome. A canção foi oferecida a Rose, que juntamente com a banda alteraram o original. No entanto, os gemidos ouvidos na música, na verdade, não é de Barbi, mas sim de uma mulher chamada Adriana Smith, antiga namorada de Steve Adler, que teve relações sexuais nos estúdios com Axl Rose, e que o áudio dessa relação foi gravada e inserida na música. Embora muitos confundem os gemidos de Adriana com o da verdadeira Rocket Queen, Barbi Von Greif. Anos depois, em entrevista à Rolling Stone, Smith revelou que Adler ficou possesso quando descobriu a gravação.

E “Appetite For Destruction” não chamou atenção apenas pela qualidade das músicas, a capa também merece uma atenção à parte. Ilustrada por Robert Williams, o desenho retrata uma mulher que supostamente teria sido vítima de um estupro, com as calcinhas abaixadas na altura dos joelhos, ao lado de seu possível algoz, um robô. No entanto, a imagem foi considerada obscena e depreciativa contra as mulheres e proibida nos Estados Unidos e alguns outros países. Assim, a ilustração foi substituída por outra que trazia um crucifixo com caricaturas de cada integrantes do grupo como se fossem caveiras, uma imagem que Axl tem tatuada em seu antebraço direito. Contudo, a capa original foi lançada normalmente em vários países, inclusive o Brasil.

Aliás, a data não passou em branco para a banda. Na véspera da data que completa 30 anos do lançamento do emblemático álbum, o grupo vai fazer uma apresentação intimista, apenas para convidados, no Apollo Theatre de Nova York. O evento será uma ação exclusiva da rede de rádios americana SiriusXM, que deverá transmitir o show.

Enfim, passados 30 anos, você pode até questionar o desempenho de Axl Rose hoje em dia e a atual formação do Guns N’ Roses, pode até ter deixado de gostar da banda, ou simplesmente não curtir mesmo o grupo, mas, não reconhecer esse trabalho dos caras é, no mínimo, incoerente. Clássicão de primeira.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Appetite For Destruction
Intérprete: Guns N’ Roses
Lançamento: 21 de julho de 1987
Gravadora: Geffen Records
Produtor: Mark Clink

Axl Rose: voz, percussão em “Welcome To The Jungle” e apito em “Paradise City
Slash: guitarra solo
Izzy Stradlin: guitarra rítmica e backing vocal
Duff McKagan: baixo e backing vocal
Steven Adler: bateria

1. Welcome To The Jungle (Rose / Slash / McKagan)
2. It’s So Easy (McKagan / Arkeen)
3. Nightrain (Stradlin / Rose / Slash / McKagan)
4. Out Ta Get Me (Stradlin / Rose)
5. Mr. Brownstone (Stradlin / Slash)
6. Paradise City (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
7. My Michelle (Stradlin / Rose)
8. Think About You (Stradlin)
9. Sweet Child O’Mine (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
10. You’re Crazy (Stradlin / Slash / Rose)
11. Anything Goes (Stradlin / Rose / Weber)
12. Rocket Queen (Rose / Slash / McKagan)

Por Jorge Almeida

 

Santos: campeão brasileiro feminino de futebol 2017

Jogadoras do Santos comemoram o único gol da partida na Arena Barueri. Créditos: Agência Estado

O Santos é o mais novo campeão brasileiro de futebol feminino. A equipe da Baixada Santista derrotou o Corinthians no segundo e decisivo jogo da final do Campeonato Brasileiro Feminino A1 por 1 a 0 na noite desta quinta-feira (20), na Arena Barueri, na Grande São Paulo. O gol do título foi marcado pela artilheira da competição, a argentina Sole Jaimes. E, como havia triunfado no primeiro jogo na Vila Belmiro por 2 a 0, o alvinegro praiano fez 3 a 0 no placar agregado e ficou com a taça.

Precisando reverter a desvantagem de dois gols do jogo de ida, o Corinthians começou pressionando. No primeiro minuto de jogo, já ganhou um escanteio, que na cobrança, Mimi desviou pela linha de fundo. Um minuto depois, Fabi Simões cruzou para Gabi, que escorou para Nenê, sem marcação dentro da área, mas ela pegou de primeira e mandou por cima da meta santista.

As corinthianas continuaram a pressão e, aos 8, levaram perigo com outro escanteio. Na cobrança do córner, Mimi desviou para a goleira Dani Neuhaus defender.  A partida seguiu com a equipe mosqueteira com maior domínio até por conta da necessidade de marcar.

Contudo, aos 16, em sua primeira investida no ataque, as Sereias foram certeiras. Maria partiu pela esquerda e cruzou na medida para a argentina Sole Jaimes cabecear com estilo, sem chance de defesa, para abrir o placar e aumentar a já confortável vantagem santista.

Para o Corinthians não restava outra opção a não ser atacar, uma vez que, com a vitória parcial do time praiano, a equipe de Parque São Jorge precisaria fazer quatro gols para levar o caneco. Então, aos 19, o Timão foi para cima e Juci soltou uma bomba para ótima defesa da goleira Dani, que evitou o empate.

Como os mandantes pressionaram, as Sereias fecharam bem os espaços e impediram que as corinthianas continuassem com a pressão e, dessa forma, o jogo seguiu truncado no meio-de-campo com as chances de gols diminuindo drasticamente.

Depois do tento santista, a estratégia do time de Caio Couto era clara: aproveitar os contra-ataques. A tática quase deu certo no final do primeiro tempo. Aos 45, a artilheira do campeonato Sole Jaimes avançou pela direita, sem marcação e, na entrada da área, finalizou e mandou por cima do gol.

Na volta do intervalo, o técnico corinthiano Arthur Elias colocou Amanda no lugar de Paulinha e, assim, deslocou Fabi da lateral-direita para o meio-de-campo.

Assim como foi na etapa inicial, o Corinthians tentou pressionar o Santos nos primeiros minutos, mas estava sujeito aos contragolpes santistas. Como o que aconteceu aos sete minutos. Sole Jaimes arrancou do meio campo e da intermediária arriscou e a arqueira Letícia fez ótima defesa e evitou o segundo gol santista.

O Corinthians até tentou pressionar, mas a zaga santista não deu moleza e a cada ameaça era no melhor estilo “bola para o mato, que o jogo vale campeonato!”, sem contar a marcação implacável do meio-campo do time praiano.

O Santos deu espaço para o rival, mas controlou com segurança o seu sistema defensivo e tentou liquidar a fatura nos contra-ataques. Aos 22, por exemplo, Patrícia Sochor disparou pela direita, invadiu a área e bateu cruzado, mas a redonda saiu próximo à meta corinthiana.

Aos 28, um lance polêmico. Depois de um escanteio, Mimi cabeceou e a goleira Dani fez a defesa em cima da linha. As corinthianas disseram que a bola ultrapassou a linha, mas a árbitra Edna Alves Batista mandou o jogo seguir. Seis minutos mais tarde, Nenê foi lançada e, dentro da área santista, cruzou rasteiro para Gabi, mas a esférica atravessou toda a pequena área e ninguém chegou para finalizar.

A partida seguiu com o Corinthians todo no campo de ataque, enquanto o Peixe permaneceu com suas sereias no campo de defesa com a notória estratégia de puxar contra-ataques. E, quando tinha a bola, valorizava a posse de bola.

O jogo seguiu até os 48 minutos, mas o placar do primeiro tempo foi mantido: Corinthians 0, Santos 1 e, assim, o alvinegro praiano conquista pela primeira vez o Campeonato Brasileiro Feminino, assim como foi com o time masculino em 2002 (antes de a CBF reconhecer os títulos nacionais da década de 1960 como Brasileiro): o primeiro e em cima do Corinthians.

Sabendo que precisava reverter a desvantagem do primeiro jogo, o Corinthians foi para cima do Santos e teve suas oportunidades, mas a equipe praiana conseguiu fechar bem os espaços, não se sentiu intimidada com a pressão corinthiana e, na primeira investida ao ataque, tratou de aumentar a vantagem com o gol da artilheira do campeonato, a argentina Sole Jaimes (18 gols em 19 jogos). Com o apoio da torcida (que foi única, conforme determinação do Ministério Público), o Corinthians dominou o jogo, manteve mais posse de bola, porém, encontrou dificuldades de infiltrar na bem postada defesa santista. Já as Sereias aproveitaram do nervosismo do rival e, embora permanecesse menor tempo com a bola nos pés, levavam mais perigo nas investidas ao ataque. Enfim, o Santos soube muito bem administrar os dois jogos da final e levou o título de forma merecida.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da final.

Primeira Fase (Grupo 2):
13/03/2017 – Santos 3×0 Foz Cataratas – Vila Belmiro, Santos (SP)
19/03/2017 – Rio Preto 1×0 Santos – Anísio Haddad, São José do Rio Preto (SP)
28/03/2017 – Santos 3×0 Ponte Preta – Vila Belmiro, Santos (SP)
30/03/2017 – Flamengo 1×2 Santos – Estádio da Gávea, Rio de Janeiro (RJ)
02/04/2017 – Santos 3×1 Vitória – Vila Belmiro, Santos (SP)
05/04/2017 – São José (SP) 1×2 Santos – Marins Pereira, São José dos Campos (SP)
12/04/2017 – Ferroviária (SP) 1×1 Santos – Fonte Luminosa, Araraquara (SP)
19/04/2017 – Santos 2×1 Ferroviária – Vila Belmiro, Santos (SP)
25/04/2017 – Santos 4×1 São José (SP) – Ulrico Mursa, Santos (SP)
03/05/2017 – Vitória 1×3 Santos – Barradão, Salvador (BA)
09/05/2017 – Santos 2×1 Flamengo – Vila Belmiro, Santos (SP)
17/05/2017 – Ponte Preta 0x2 Santos – Eugênio Fraceschini, Valinhos (SP)
24/05/2017 – Santos 1×0 Rio Preto – Vila Belmiro, Santos (SP)
31/05/2017 – Foz Cataratas 1×0 Santos – Pedro Basso, Foz do Iguaçu (PR)
Segunda Fase:
15/06/2017 – Audax (SP) 0x3 Santos – Arena Barueri, Barueri (SP)
21/06/2017 – Santos 0x0 Audax (SP) – Vila Belmiro, Santos (SP)
Semifinais:
29/06/2017 – Iranduba (AM) 1×2 Santos – Arena da Amazônia, Manaus (AM)
08/07/2017 – Santos 3×2 Iranduba (AM) – Vila Belmiro, Santos (SP)
Final:
13/07/2017 – Santos 2×0 Corinthians – Vila Belmiro, Santos (SP)
20/07/2017 – Corinthians 0x1 Santos – Arena Barueri, Barueri (SP)

FICHA TÉCNICA: CORINTHIANS 0x1 SANTOS
Competição/fase: Campeonato Brasileiro Feminino A-1 2017 – final (2º jogo)
Local: Arena Barueri, Barueri (SP)
Data: 20 de julho de 2017 – 18h (horário de Brasília)
Árbitra: Edna Alves Batista (PR)
Auxiliares: Tatiane Camargo (SP) e Neusa Inês Back (SC)
Cartões Amarelos; Gabriela (Corinthians); Katiuscia, Dani, Kelly e Brena (Santos)
Gol: Sole Jaimes, aos 16 min do 1º tempo (0-1)
CORINTHIANS: 12.Lelê; 10.Fabi Simões, 30.Mimi, 3.Pardal (7.Yasmin) e 6.Juci; 7.Grazi, 19.Ana Vitória (99.Alana), 11.Babi Nunes e 14.Amanda Brunner (21.Paulinha); 90.Nenê e 9.Byanca Brasil. Técnico: Arthur Elias
SANTOS: 1.Dani; 21.Katiuscia, 22.Camila, 23.Carol Arruda e 20.Dani Silva; 5.Maria, 35.Brena (27.Cida), 29.Patrícia Sochor e 34.Maurine (36.Tayla); 7.Ketlen (4.Giovana) e 9.Sole Jaimes. Técnico: Caio Couto

Parabéns ao Santos Futebol Clube pela conquista.

Por Jorge Almeida

*Ofereço esse texto à minha inesquecível amiga Carla de Deus, santista, que nos deixou recentemente

Exposição “O Anjo Exterminador” na Pinacoteca do Estado

Vista da clássica obra de Nelson Leiner no Octógono da Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida

A Pinacoteca do Estado de São Paulo está com a exposição “O Anjo Exterminador” em exibição até o próximo dia 31 de julho, segunda-feira. Na verdade, trata-se de uma obra criada em 1984 por Nelson Leirner que foi remontada em 2014 e que junta centenas de estatuetas e bibelôs alinhados em dois grupos posicionados um de frente para o outro e separado por uma ponte.

Instalada no Octógono do prédio do museu, a obra faz referência ao filme homônimo do espanhol Luis Buñuel, em que casais de amigos da aristocracia espanhola se encontram para um jantar na casa de um deles e, a partir de então, sem uma explanação para tal, o grupo se encontrou preso na sala de jantar por dias.

O conceito da sociedade de estamentos, ou seja, que não permite romper os limites, ou que reflete firmemente distinções entre grupos de pessoas, é o que em comum entre o filme do cineasta espanhol e a obra do artista brasileiro.

O trabalho de Leirner é também um dos primeiros em que o artista lança mão desse procedimento de acúmulo e distribuição de pequenas esculturas, em uma cena que lembra uma procissão, uma marcha, um desfile. Depois disso, vieram instalações como “O Grande Combate” (1985) e “O Grande Enterro” (1986). Essa é uma das 13 obras de Leirner que pertencem ao acervo da Pinacoteca.

SERVIÇO:
Exposição:
O Anjo Exterminador
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 2
Quando: até 31/07/2017; de quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados; pessoas abaixo de dez anos e acima de 60 anos não pagam

Por Jorge Almeida

Exposição “Moedas do Brasil e América Latina” no Memorial da América Latina

Moedas dos tempos Brasil Colônia em exibição no Memorial da América Latina. Foto: Jorge Almeida

O Memorial da América Latina promove até o próximo dia 30 de julho, domingo, a exposição “Moedas do Brasil e América Latina”, que faz um mergulho pela Numismática e apreciar um pouco mais da História recente do Brasil e de países da América Latina. A mostra exibe cerca de 120 moedas e 110 cédulas, além de 12 totens que contém curiosidade sobre o assunto.

O projeto é uma proposta feita entre a Fundação Memorial da América Latina e o Banco do Brasil que privilegia o público que frequenta a biblioteca Victor Civita expor o valioso acervo do qual o banco é o seu guardião há mais de dois séculos.

Além de exibir as primeiras moedas que circularam no Brasil, como os famosos “Réis”, na República Velha, até a atual moeda corrente, o Real, a exposição traz recortes históricos e curiosidades, como o significado da expressão “cara ou coroa” e que pataca é o nome da moeda que ficou mais tempo em circulação no Brasil.

Em exibição em três vitrines ao lado, há exemplares de moedas latino-americanas que, conforme a evolução em suas nomenclaturas, trazem coincidências e diferenças em relação ao Brasil. Assim, como todas elas, seja moeda ou papel, têm em comum o papel de importância no cenário histórico e econômico das nações.

SERVIÇO:
Exposição:
Moedas do Brasil e América Latina
Onde: Memorial da América Latina – Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda
Quando: até 30/07/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Las Caras de Cervantes” no Instituto Cervantes

Obra de Jesús Varela que homenageia Miguel de Cervantes em exibição no Instituto Cervantes. Foto: Jorge Almeida

O Instituto Cervantes apresenta até o próximo dia 29 de julho, sábado, a exposição “Las Caras de Cervantes”, que traz cerca de 30 trabalhos inspirados no célebre escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616). Os artistas que participam da mostra estão apadrinhados pelo indivíduo que imaginaram desde o presente e que, talvez, tenha sido Cervantes.

As obras apresentadas por meio de aquarelas, pinturas, grafites, fotomontagens, mosaicos e bordados confeccionados por artistas brasileiros, espanhóis e latino-americanos vem acompanhada de um poema do escritor.

A Língua espanhola, a História e a Arte deixaram reunir e desvendar novos talentos, visões clássicas e ao mesmo tempo inovadoras, coloridas, inspiradoras e divertidas, mas sem deixar de representar a grandiosidade que vem atrelada à ideia de recriar o grande mestre da Literatura espanhola.

Entre os destaques estão a pintura de Bruna Gusmão, de 2017, feita com guache; o mosaico “Cervantes” (2017), da dupla Simone Berton e Regina Shahini; e “Las Diversas Caras de D. Miguel de Cervantes” (foto), de 2017, um óleo sobre tela, de Jesús Varela.

SERVIÇO:
Exposição: Las Caras de Cervantes
Onde: Instituto Cervantes – Avenida Paulista, 2439 – Cerqueira César
Quando: até 29/07/2017; de terça a sexta-feira, das 14h às 21h30; sábados, das 9h às 15h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida