Big Brother & The Holding Company: 50 anos do ‘debut’ da banda que revelou Janis Joplin

Capa do ‘debut’ do Big Brother & The Holding Company, que completou 50 anos em 2017

O ano de 2017 marca o 50º aniversário do álbum de estreia do Big Brother & The Holding Company, que trazia Janis Joplin como sua principal cantora. Gravado entre 12 e 14 de dezembro de 1966, o material foi produzido por Bob Shad e lançado em agosto de 1967.

Formada em San Francisco em 1965, a banda fez parte da mesma cena musical psicodélica de onde saíram grupos como Grateful Dead, Quicksilver Messenger Service e o Jefferson Airplane. Janis Joplin, uma apaixonada pelo Blues e já viciada em drogas como a heroína, se juntou ao grupo em 1966. A vocalista permaneceu na banda até 1968, o grupo seguiu em frente, mas sem obter o mesmo êxito. Com eles, Janis Joplin gravou dois álbuns de estúdio: o autointitulado disco e o clássico “Cheap Thrills” (1968).

O grupo assinou contrato com uma gravadora local, a Mainstream Records, de Bob Shad. No começo, as gravações para o disco de estreia tiveram aconteceram em Chicago. Porém, um produtor ficou sem dinheiro porque os shows que a banda faziam na época não atraíam o público esperado. Além disso, inicialmente, as gravações feitas por lá não ficaram satisfatória, o que fez com que o Big Brother & The Holding Company retornassem para San Francisco. O grupo gravou as faixas “Blindman” e “All Is Loneliness”, em Los Angeles, que foram divulgadas pela Mainstream como single, mas não obtiveram boas vendagens. No entanto, após tocarem em Standford, no começo de dezembro de 1966, a banda viajou para Los Angeles para gravar dez faixas entre os dias 12 e 14 de dezembro do mesmo ano. A produção ficou a cargo do próprio Bod Shad.

O disco saiu pela Mainstream Records pouco tempo depois do grande sucesso que a banda fez no Monterey Pop Festival, realizado entre os dias 16 e 18 de junho de 1967. Duas faixas – “Coo Coo” e “The Last Time” – foram lançadas separadamente como singles, enquanto as faixas do single anterior (“Blindman” e “All Is Loneliness”) foram acionadas às oito restantes. A Columbia Records assumiu o contrato da banda e tratou de relançar o disco, adicionando duas faixas extras e colocando o nome de Janis na capa. Várias faixas do play foram lançadas como singles, sendo que “Dowm On Me” foi o mais bem sucedido deles. O disco foi reeditado em vários formatos ao longo do tempo desde 1967.

Apesar do material e das performances da banda serem dignas, a produção de Bob Shad é fraca. Talvez, isso se deve ao fato de que a Mainstream era conhecida por seus discos de jazz, e a Big Brother foi a primeira banda de rock a aparecer na gravadora. Isso pode ter influenciado o resultado final, já que o álbum soou muito diferente do que a banda esperava.

O disco abre com a balada country “Bye Bye Baby“, composta pela dupla Janis Joplin e Powell St. John, embora no álbum a música tenha sido creditada apenas ao segundo. Em seguida, “Easy Rider“, em que o guitarrista James Gurley cantarola no melhor estilo Bob Dylan. O terceiro tema é “Intruder“, com os gritos esganiçados de Joplin acompanhado da psicodelia característica da cantora e de seus clássicos “na, na, na…”. O quarto tema é aquela que considero a melhor faixa do LP: “Light Is Faster Than Sound“, com o riff hipnotizante da gutarra e os solos rasgados de Peter Albin. O play chega a metade com “Call On Me“, que tem a pegada semelhante a “Bye Bye Baby“.

A sexta faixa é o debochado blues “Women Is Losers“, que Janis fez às mulheres. Na sequência, vem  “Blindman“, composta pelo quinteto e cantada pela voz grave de Albin. A oitava canção é “Down On Me“, uma tradicional canção gospel norte-americana que foi rearranjada por Janis Joplin. A penúltima faixa é “Caterpillar“, cantada por Albin com Janis fazendo as vocalizações ao fundo. E, para fechar, “All Is Loneliness“, que se destaca pela interpretação sensual e delirante de Janis Joplin com sua voz rasgada. A versão da Columbia traz ainda a curta “Coo Coo”, de Peter Albin, que, apesar de ser baixista, fez o papel de guitarrista e é o responsável pelo solo da música, e a jazzística “The Last Time”, de Joplin.

Em suma, “Big Brother & The Holding Company” (o álbum) não é o melhor disco do quintet, mas é um bom exemplo para quem quer conhecer o rock psicodélico que estava na moda na época entre as bandas de San Francisco, na Califórnia. Mas o sucesso massivo do grupo veio com o trabalho seguinte, o clássico “Cheap Thrills”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (das versões das duas gravadoras) da obra.

Álbum: Big Brother & The Holding Company
Intérprete: Big Brother & The Holding Company (com Janis Joplin)
Lançamento: agosto de 1967
Gravadora/Distribuidora: Mainstream Records / Columbia Records
Produtor: Bob Shad

Janis Joplin: voz
Peter Albin: baixo
Sam Andrew: guitarra, voz
David Getz: bateria
James Gurley: guitarra e voz

Versão da Mainstream Records:
1. Bye Bye Baby (St. John)
2. Easy Rider (Gurley)
3. Intruder (Joplin)
4. Light Is Faster Than Sound (Albin)
5. Call On Me (Andrew)
6. Women Is Losers (Joplin)
7. Blindman (Albin / Andrew / Getz / Gurley / Joplin)
8. Down On Me (Traditional / Arr. Joplin)
9. Caterpillar (Albin)
10. All Is Loneliness (Moondog)

Versão da Columbia Records:
1. Bye Bye Baby (St. John)
2. Easy Rider (Gurley)
3. Intruder (Joplin)
4. Light Is Faster Than Sound (Albin)
5. Call On Me (Andrew)
6. Coo Coo (Albin)
7. Women Is Losers (Joplin)
8. Blindman (Albin / Andrew / Getz / Gurley / Joplin)
9. Down On Me (Traditional / Arr. Joplin)
10. Catepillar (Albin)
11. All Is Loneliness (Moondog)
12. The Last Time (Joplin)

Por Jorge Almeida

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Real Madrid: campeão do Mundial de Clubes da FIFA 2017

Real Madrid comemora mais uma vez o título do Mundial de Clubes da FIFA. Créditos: Reuters

Com o gol de Cristiano Ronaldo, aos 8 minutos do segundo tempo, o Real Madrid ganhou do Grêmio por 1 a 0 na final do Mundial de Clubes da FIFA neste sábado (16) no Zayed Sports City Stadium, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, e conquistou pela terceira vez o torneio e se igualou ao Barcelona em número de troféus do torneio: 3. O título da equipe espanhola manteve a hegemonia europeia na competição da FIFA – desde 2012 nenhum sulamericano ganhou o torneio.

A partida começou com o Real Madrid com mais posse de bola e o Grêmio com duas linhas de quatro na marcação. Mas, aos poucos, os Merengues passaram a ditar o ritmo do jogo. Aos 10, Varane avançou do campo de defsa para o ataque, chutou, a bola sobrou para Benzema, que mandou desviado e ficou com o escanteio. Três minutos depois, Casemiro cruzou da esquerda para Varane, que não conseguiu alcançar a bola. Aos 16, Kroos brigou pela bola e a deixou para Cristiano Ronaldo, que chutou rasteiro à direita de Grohe.

A pressão do Real seguiu enquanto o Grêmio se defendia. Aos 19, Modrić passou por Edílson e cruzou para Carvajal pegar de prima e Geromel erguer a perna e evitar o tento do time espanhol. Na sequência do lance, Kroos cobrou escanteio e o zagueiro francês cabeceou fraco para fácil defesa de Grohe. Menos de um minuto depois, Isco lançou Benzema por cima, mas o goleiro gremista estava atento e saiu antes da chegada do camisa 9. Aos 23, Marcelo tocou para Modrić, que fintou Michel, ajeitou para a canhota e chutou rasteiro à esquerda da meta gremista.

E foi apenas aos 27 que o Tricolor gaúcho assustou o adversário. Edílson, em cobrança de falta, soltou a bomba de longe e a redonda saiu por cima do gol defendido por Navas.

Porém, dez minutos depois, os Merengues chegaram com tudo ao ataque. Benzema brigou com a defesa do Grêmio, a bola respingou para CR7, que tentou cortar, mas Kannemann deu um carrinho providencial. No minuto seguinte, o atacante português cobrou falta à sua maneira e a esférica passou por cima de Grohe.

Na etapa complementar, o panorama do jogo não mudou: o Real dominou e o Grêmio respeitando-o. Aos 5, Cristiano Ronaldo dominou no meio, passou por dois e chutou com a esquerda à direita de Marcelo Grohe.

E o português é um predestinado. Mesmo fazendo uma partida apática foi beneficiado aos 8. Em cobrança de falta, o camisa 7 bateu a meia altura, a bola passou no meio da barreira gremista (entre Barrios e Luan) e morreu no canto de Grohe, que não conseguiu alcançar e o placar foi aberto em Abu Dhabi.

Quatro minutos mais tarde, o atual melhor jogador do mundo até marcou o seu segundo gol no jogo, porém, a arbitragem flagrou Benzema, quem foi que lhe deu o passe de cabeça, impedido. Aos 14, Cristiano Ronaldo recebeu de Modrić dentro da área e tentou de calcanhar, mas a esférica desviou em Jaílson e saiu pela linha de fundo. No lance seguinte, foi a vez de Casemiro soltar a bomba e Grohe espalma com um soco na bola.

O camisa 10 do time madrilenho estava impossível. Dono do jogo, Modrić, aos 19, dominou pelo meio, avançou e finalizou com categoria, e Marcelo Grohe deu um leve desvio na bola, que ainda bateu na trave direita.

No minuto seguinte, o melhor lance do time gaúcho no segundo tempo. Cortez foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro, mas Navas saiu bem e pegou firme.

Na sequência, o Real Madrid dominou o jogo, valorizou a posse de bola enquanto o Grêmio não conseguia se encontrar em campo. Essa situação perdurou por quinze minutos. Mas, aos 36, Sergio Ramos roubou a bola e foi para o ataque e tocou para Cristiano Ronaldo na entrada da área e o camisa 7 bateu forte para o goleiro gremista fazer um milagre. Um minuto depois, Bale conduziu a bola, entrou na área, passou por Michel e bateu de três dedos para Marcelo Grohe fazer uma defesaça e espalmar para escanteio.

O Grêmio esboçou uma pressão, mas não conseguiu assustar Navas em nenhum momento. E o Real ainda finalizou aos 45 com Modrić, que soltou a bomba por cima do gol de Grohe. Até que, aos 48, o árbitro mexicano decretou o fim da decisão: Real Madrid 1, Grêmio 0. O time merengue conquista pela terceira vez o Mundial de Clubes da FIFA e se iguala ao arquirrival Barcelona.

No primeiro tempo, o Real Madrid sufocou o Grêmio. E, na base da troca de passes e nos chuveirinhos, os comandados de Zinédine Zidane assustaram bastante, mas Geromel e Kannemann tiveram intervenções primordiais e impediram os madridistas saírem com a vantagem. No segundo tempo, a situação praticamente se manteve inalterável: o Real Madrid dominou o jogo e o Grêmio não conseguia trocar passes. Cristiano Ronaldo, que andava sumido no jogo, conseguiu fazer o seu gol através de uma cobrança de falta que não foi bem batida, mas o gajo deu sorte porque a bola passou no meio da barreira e impediu qualquer possibilidade de defesa por parte de Marcelo Grohe. Destaque da equipe gaúcha na vitoriosa campanha da Libertadores, Luan sumiu no jogo, não fez nenhuma jogada, não conseguiu criar e errou passes. O aguerrido time de Renato Gaúcho teve de se contentar em ter saído com a derrota com o placar mínimo.

E um adendo: na disputa do terceiro lugar, o Pachuca goleou o Al-Jazira por 4 a 1.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da decisão.

Semifinal:
13/12/2017 – Al-Jazira (EAU) 1×2 Real Madrid (ESP) – Zayed Sports City Stadium, Abu Dhabi
Final:
16/12/2017 – Real Madrid (ESP) x Grêmio (BRA) – Zayed Sports City Stadium, Abu Dhabi

FICHA TÉCNICA: REAL MADRID (ESP) 1×0 GRÊMIO (BRA)
Competição/fase: Mundial de Clubes da FIFA 2017 – final (jogo único)
Local: Zayed Sports City Stadium, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos
Data: 16 de dezembro de 2017, sábado – 15h (horário de Brasília)
Árbitro: César Ramos (MÉX)
Assistentes: Marvin Torrentera (MÉX) e Miguel Hernández (MÉX)
Cartões Amarelos: Casemiro (Real Madrid)
Gol: Cristiano Ronaldo, aos 8 min do 2º tempo (1-0)
REAL MADRID (ESP): 1.Navas; 2.Carvajal, 5.Varane, 4.Sérgio Ramos e 12.Marcelo; 14.Casmiro, 8.Kroos e 10.Modrić; 22.Isco (17.Lucas Vazquez), 9.Benzema (11.Bale) e 7.Cristiano Ronaldo. Técnico: Zinédine Zidane
GRÊMIO (BRA): 1.Marcelo Grohe; 2.Edílson, 3.Geromel, 4.Kannemann e 12.Cortez; 25.Jaílson, 5.Michel (8.Maicon), 17.Ramiro (11.Everton) e 21.Fernandinho; 18.Barrios (9.Jael) e 7.Luan. Técnico: Renato Portaluppi

Parabéns ao Real Madrid Club de Fútbol pelo título.

Por Jorge Almeida

The Who: 50 anos de “The Who Sell Out”

Da esquerda para direita: Pete Townshend e Roger Daltrey (capa) / Keith Moon e John Entwistle (com uma modelo) na contracapa do clássico “The Who Sell Out”

Hoje, 15 de dezembro, o terceiro trabalho dos britânicos do The Who – “The Who Sell Out” – completa 50 anos de seu lançamento. Produzido por Kit Lambert e gravado em diversos estúdios na Inglaterra e nos Estados Unidos entre maio e novembro de 1967, a obra é considerada o primeiro trabalho conceitual do quarteto formado por Roger Daltrey (voz), Pete Townshend (guitarra), John Entwistle (baixo) e o lunático Keith Moon (bateria).

Gravado na época em que o grupo estava experimentando a música psicodélica, o disco foi organizado para que as músicas fossem intercaladas por anúncios, jingles e comerciais falsos, como era a feita a programação das rádios piradas britânicas da época, entre elas a conhecida Radio London. O conceito para a criação desse trabalho veio dos empresários do grupo: Kit Lambert (quem produziu o disco) e de Chris Stamp, que foi creditado como produtor executivo.

Entre um jingle aqui e um anúncio ali, músicas que trazem toda a genialidade e ousadia do The Who, como a estranha, mas vibrante “Armenia City In The Sky“, a versão amalucada de “Hall Of The Mountain King“, de Edvard Grieg, compositor norueguês do século XVIII, a faixa de encerramento do álbum “Rael“, que trata-se de uma espécie de embrião de “Tommy“, a famosa ópera-rock do The Who. E, claro, a clássica “I Can See For Miles“, que foi o único single lançado deste disco, e que ocupou a 10ª posição nas paradas do Reino Unido e o 8º lugar nos Estados Unidos. Aliás, os temas de “Sell Out” poderiam muito bem fazer parte dos discos mais experimentais do Frank Zappa.

O lançamento do álbum foi seguido por uma enxurrada de processos devido à paródia de comerciais reais nas músicas e na capa, e pelos produtores dos jingles verdadeiros da Radio London, que acusavam o The Who de usá-los sem permissão. Townshend e sua trupe receberam uns processos por mencionarem produtos reais, cujos empresários alegaram que o grupo estava a utilizar as marcas sem autorização. Mas, cá entre nós, se esse ousado projeto do The Who, fosse capitaneado pelos “bons rapazes” dos Beatles, haveria todo esse imbróglio judicial? Pois é, mas como o quarteto não era exatamente um exemplo de modelo a ser seguido pela molecada da época, as marcas citadas não viram com bons olhos seus produtos sendo “divulgados” pelos caras, que não eram os garotos-propagandas ideais.

E não tem como falar desse disco sem destacar a sua icônica capa (e contracapa). O design da capa foi concebido pela dupla David King e Roger Law, enquanto David Montgomery ficou responsável pelas fotografias. Na capa, Pete Townshend aparece usando um tubo enorme de desodorante Odorono e Roger Daltrey sentado em uma banheira repleta de feijões cozidos da Heinz. Na contra-capa, Keith Moon passa o creme Medac, com sua gigante embalagem, e John Entwistle, caracterizado com uma mistura de Fred Flintstone e Tarzan, posa abraçado com uma loira de biquíni de um lado e um urso de pelúcia do outro, em uma sátira ao fisiculturista Charles Atlas, mencionado em um dos falsos comerciais do álbum. Reza a lenda, quem deveria sentar-se na banheira com os feijões congelados era John Entwistle, que ficou sabendo o que teria de fazer e, propositalmente, atrasou-se para a sessão de fotos. Com isso, quem ficou encarregado para tal foi Daltrey, que reclamou ter ficado doente por causa do frio ao qual ficou submetido. Em alguns países, a capa sofreu algumas alterações. Na Austrália, por exemplo, Keith Moon, em vez de passar Medac, ele passa outro produto: Clearsil. No Canadá, para evitar complicações legais em relação a Charles Atlas, a legenda para Entwistle foi substituído por Isometrics em vez do fisiculturista.

Ao longo dessas cinco décadas, “The Who Sell Out” teve diversas edições lançadas. Em 1967, saiu o LP original britânico. As primeiras mil cópias trazia um “pôster psicodélico gratuito” feito por Adrian George e saiu pela Track. No mês seguinte, em janeiro de 1968, saiu pela Decca a versão norte-americana do play, que manteve a mesma capa e faixas. Vinte anos depois, em 1988, o lançamento original em CD. A capa original foi mantida, mas a contracapa trazia apenas a relação das músicas. Porém, no encarte, era exibida a contracapa original, outra cópia do tracklist do álbum e algumas propagandas da MCA. Em 1995, o disco foi lançado com mais dez faixas bônus e a contracapa ligeiramente modificada para mostra a relação das músicas. O encarte, com doze páginas e texto de Dave Marsh, jornalista e crítico musical, traz informações a respeito das músicas, diversos outros “comerciais” e fotos de época da banda. E, em 2009, foi lançada a “Deluxe Edition”, que contém dois CDs. O primeiro com as 13 faixas originais em estéreo e mais 17 faixas extras e o CD 2 com as mesmas 13 faixas, porém, em mono, e mais 12 faixas e out-takes extras.

Apesar de todo o estranhamento, para os padrões da época, o disco foi sucesso de público e teve ótima aceitação da crítica. Aliás, o já citado Dave Marsh mencionou no encarte que “Sell Out” é “o melhor disco conceitual da história”. O álbum foi o grande passo que o The Who deu para a sua próxima empreitada: “Tommy”, aquele disco que fala sobre um garoto cego, surdo e mudo campeão de fliperama.

Esse trabalho do The Who foi um marco para uma geração. E, na opinião deste que vos escreve, está no mesmo patamar de um “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, e de “Their Majesties Satanic Request”, dos Rolling Stones, que foram lançados na mesma época. E recomendo para todos que curtem rock que conheça esse álbum, mesmo por curiosidade.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão em CD lançada em 1995) da obra.

Álbum: The Who Sell Out
Intérprete: The Who
Lançamento: 15 de dezembro de 1967
Gravadora/Distribuidora: Track Records / Decca Records
Produtor: Kit Lambert

Roger Daltrey: voz
Pete Townshend: guitarra, backing vocal e voz
John Entwistle: baixo, backing vocal e voz
Keith Moon: bateria e voz em “Jaguar” e “Girl’s Eyes

Al Kooper: teclados
Speedy Keen: voz em “Armenia City In The Sky

1. Armenia City In The Sky (Keen)
2. Heinz Baked Beans (Entwistle)
3. Mary Anne With The Shaky Hand (Townshend)
4. Odorono (Townshend)
5. Tattoo (Townshend)
6. Our Love Was (Townshend)
7. I Can See For Miles (Townshend)
8. I Can’t Reach You (Townshend)
9. Medac (Entwistle)
10. Relax (Townshend)
11. Silas Stingy (Entwistle)
12. Sunrise (Townshend)
13. Rael 1 (Townshend)
Faixas bônus:
14. Rael 2 (Townshend)
15. Glittering Girl (Townshend)
16. Melancholia (Townshend)
17. Someones Coming (Entwistle)
18. Jaguar (Townshend)
19. Early Morning Cold Taxi (Langston / Daltrey)
20. Hall Of The Mountain King (Greig / arr. The Who)
21. Girl’s Eyes (Moon)
22. Mary Anne With The Shakey Hand (Alternative Version) (Townshend)
23. Glow Girl (Townshend)

Por Jorge Almeida

CBF define os confrontos da primeira fase da Copa do Brasil 2018

Copa do Brasil 2018: 91 equipes disputarão o segundo troféu mais importante do futebol brasileiro. Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou nesta sexta-feira (15), no auditório de sua sede, no Rio de Janeiro, os 40 duelos da 30ª edição da Copa do Brasil. Divididos em oito potes com dez clubes cada, 80 equipes conheceram os seus primeiros adversários na competição.

Além das 80 agremiações que disputarão a primeira fase, outros 11 clubes entrarão apenas na fase de oitavas-de-final. São eles: Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Santos e Vasco (classificados para a Copa Libertadores), além de Bahia (campeão da Copa do Nordeste 2017), Luverdense (campeão da Copa Verde 2017) e América Mineiro (campeão do Campeonato Brasileiro da Série B 2017).

A edição 2018 da Copa do Brasil terá duas novidades: não haverá mais o gol qualificado em nenhuma das fases, ou seja, os tentos marcados na casa do adversário não servem mais como critério de desempate; e, a pedido dos clubes, a data limite para a inscrição de jogadores foi ampliada: de 24 de abril (2017) para 30 de julho (2018), antes das quartas-de-final.

Curiosamente, dos últimos dez campeões da Copa do Brasil, apenas Sport (campeão de 2008) e Atlético Mineiro (vencedor de 2014) disputarão a primeira fase. Uma vez que os demais campeões só entrarão no certame a partir das oitavas-de-final.

A Copa do Brasil é uma competição criada pela CBF em 1989 e é conhecida como um “atalho” para a Copa Libertadores pelo fato de ser um torneio eliminatório. Cruzeiro e Grêmio são os maiores vencedores do torneio com cinco títulos cada, seguido de Corinthians, Palmeiras e Flamengo com três troféus cada, e outras dez equipes ergueram a taça pelo menos em uma ocasião. São Paulo é o estado que detém o maior número de títulos: 9 (Corinthians e Palmeiras com três cada e Santos, Santo André e Paulista com um título), seguido do Rio Grande do Sul com 7 (cinco títulos do Grêmio, além de Internacional e Juventude com um título cada), de Minas Gerais com seis (cinco troféus do Cruzeiro e um do Atlético Mineiro) e do Rio de Janeiro com cinco (três do Flamengo, um do Vasco e um do Fluminense). O Sport Recife é a única equipe de fora do eixo Sul-Sudeste a vencer o torneio. E dos doze maiores clubes do Brasil, apenas Botafogo e São Paulo ainda não conquistaram a competição. O Fogão bateu na trave em 1999 quando perdeu para o Juventude e o Tricolor, por sua vez, deixou o título escapar em 2000 ao ser derrotado pelo Cruzeiro no Mineirão por 2 a 1, quando o empate em 1 a 1 lhe bastaria para ficar com a conquista.

Além dos duelos da primeira fase, os mandos de campo da segunda fase também foram definidos (sinalizados no diagrama abaixo com a cor verde). Dois exemplos: quem vencer o duelo entre Caxias e Atlético Paranaense, na segunda fase, jogará em casa contra o ganhador do confronto entre Tubarão (SC) e América (RN). Quem passar do embate entre Madureira (RJ) e São Paulo (SP) vai decidir a segunda fase na casa do vencedor do encontro entre Nacional (AM) e CSA (AL).

Tabela com os duelos da primeira fase da Copa do Brasil 2018. Créditos: CBF

Confira abaixo os duelos da primeira fase (que será disputado em jogo único com mandantes na coluna da esquerda):

CHAVE 1:
1 – Caxias-RS x Atlético-PR
2 – Tubarão-SC x América-RN
3 – Brusque-SC x Ceará-CE
4 – Real Ariquemes-RO x Londrina-PR

CHAVE 2:
5 – Boavista-RJ x Internacional-RS
6 – Atlético-ES x Remo-PA
7 – São Caetano-SP x Criciúma-SC
8 – Cianorte-PR x ABC-RN

CHAVE 3:
9 – Caldense-MG x Fluminense-RJ
10 – Novoperário-MS x Salgueiro-PE
11 – Ceilândia-DF x Avaí-SC
12 – Interporto-TO x Juventude-RS

CHAVE 4:
13 – Parnahyba-PI x Coritiba-PR
14 – Uberlândia-MG x Ituano-SP
15 – Sinop-MT x Goiás-GO
16 – Vitória da Conquista-BA x Boa Esporte-MG

CHAVE 5:
17 – Nacional-AM x Ponte Preta-SP
18 – Inter de Limeira-SP x Rio Branco-AC
19 – URT-MG x Paraná-PR
20 – Independente-PA x Sampaio Corrêa-MA

CHAVE 6:
21 – Madureira-RJ x São Paulo-SP
22 – Manaus-AM x CSA-AL
23 – Novo Hamburgo-RS x Paysandu-PA
24 – Dom Bosco-MT x CRB-AL

CHAVE 7:
25 – Globo-RN x Vitória-BA
26 – Corumbaense-MS x ASA-AL
27 – Altos-PI x Atlético-GO
28 – Nova Iguaçu-RJ x Bragantino-SP

CHAVE 8:
29 – Atlético-AC x Atlético-MG
30 – Floresta-CE x Botafogo-PB
31 – Treze-CE x Figueirense-SC
32 – Brasiliense-DF x Oeste-SP

CHAVE 9:
33 – Santos-AP x Sport-PE
34 – Ferroviário-CE x Confiança-SE
35 – Itabaiana-SE x Joinville-SC
36 – São Raimundo-RR x Vila Nova-GO

CHAVE 10:
37 – Aparecidense-GO x Botafogo-RJ
38 – Aimoré-RS x Cuiabá-MT
39 – Fluminense de Feira-BA x Santa Cruz-PE
40 – Cordina-MA x Náutico-PE

Por Jorge Almeida

Bad Company: 35 anos de “Rough Diamonds”

“Rough Diamonds”: o último trabalho lançado com a formação original do Bad Company

No último mês de agosto, o álbum “Rough Diamonds”, do Bad Company completou 35 anos de seu lançamento. Produzido pela própria banda, o sexto registro de estúdio dos ingleses foi o último a ser lançado pela formação clássica.

Gravado no Ridge Farm Studio, em Surrey, na Inglaterra, entre março e abril de 1981, o material for projetado por Max Norman, famoso por seu trabalho com Ozzy Osbourne.

Depois de ficarem em um hiato de três anos sem gravar, a situação do Bad Company não era das mais fáceis. Primeiramente, o seu gerente Peter Grant (sim, o próprio) perdeu o interesse pela banda e a gerência em geral depois da morte de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, em 25 de setembro de 1980. Em seguida, vieram as tensões entre os integrantes da banda na época da gravação do álbum, chegando a um ponto em que Mick Ralphs e Simon Kirke tiveram de separar Paul Rodgers e Boz Burrell, que brigaram pra valer.

O álbum retrata o declínio do grupo. A adição de sintetizadores no som clássico da banda e a sonoridade mais pop, típico da década de 1980, não ajudaram muito nas vendagens do disco, que foi o trabalho menos vendido da formação original e alcançou um decepcionante 26º lugar das paradas da Billboard em 1982.

Duas faixas, na época, ganharam mais notoriedade: “Electricland”, de Rodgers, que foi o maior sucesso do play, e “Painted Face”, também de Paul Rodgers, que tocou substancialmente nas rádios de rock. O que é muito pouco para uma banda dos padrões do Bad Company.

Contudo, o play tem suas virtudes. Primeiro: o progresso adicional de Boz Burrel como compositor – suas duas colaborações aqui são excelentes. Segundo: a guitarra matadora de Ralphs, apesar de que Rodgers também tenha tocado guitarra em três temas. Terceiro: os vocais de primeira classe de Mr. Paul Rodgers. E, finalmente, a ótima sensação funky (não confundir com o gênero popular aqui do Brasil) de Simon Kirke, que detona em todas as faixas.

O disco abre com “Electricland” em clima atmosférico e um verso amedrontador e um coro pesado, é quase uma versão atualizada (para a época) de “Bad Company” (a música). Em seguida, vem a funky “Untie The Knot”, com um grande solo de Ralphs que vai desaparecendo de forma assombrosa. Já “Nuthin’ On The TV”, de Burrell, com uma pegada de Blues. Enquanto isso, em “Painted Face”, traz Paul Rodgers na guitarra principal. É um som agradável, enérgico, com uma ótima letra e um bom trabalho de guitarra, mas nada se comparado com Mick Ralphs. O álbum chega à metade com “Kickdown”, a primeira colaboração de Ralphs, que aborda sobre a sobrevivência no juízo.

Do outro lado, o play começa com “Ballad Of The Band”, de Burrell, um Hard Rock com uma letra bem sacada sobre a cena musical do início da década de 1980. O sétimo tema é “Cross Country Boy”, outra faixa que traz Paul Rodgers na guitarra, porém, a melhor parte dela é o piano, também tocado com maestria pelo vocalista. Posteriormente, aparece “Old Mexico”, de Ralphs, com um tema “selvagem ocidental”, que conta a história de um fora da lei com uma “señorita peligrosa”. E as duas últimas músicas, ambas compostas por Paul Rodgers: “Downhill Ryder”, com um piano estilo jazz. E, para encerrar, a pesada “Racetrack”, com Paul Ralphs mandando muito bem no slide guitar. É uma música que contém pitadas de bandas como The Eagles e The Allmans Brothers.

Após o lançamento do disco, Paul Rodgers saiu e o grupo, ao que tudo indicava, estava destinada para o seu término. Porém, em 1986, retornou com Brian Howe como novo vocalista, mas que, evidentemente, não obtivera o mesmo sucesso do início da carreira. Já Paul Rodgers, por sua vez, passou a integra a banda formada por Jimmy Page, o The Firm.

Quanto a “Rough Diamonds”, não é um disco ruim, porém, está longe de ser como os três primeiros trabalhos do Bad Company. Para quem quiser conhecer melhor o trabalho desse excepcional grupo: sugiro que optem por “Bad Company” (1974), “Straight Shooter” (1975) e “Run With The Pack” (1976), trabalhos que mostram exatamente o porquê são considerados um dos principais expoentes do “Blues Rock”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Rough Diamonds
Intérprete: Bad Company
Lançamento: agosto de 1982
Gravadora/Distribuidora: Swan Song Records
Produtor: Bad Company

Paul Rodgers: voz, guitarra e piano
Mick Ralphs: guitarra, slide guitar, teclados
Simon Kirke: bateria
Boz Burrell: baixo

John Cook: piano e sintetizador
Mel Collins: sax

1. Electricland (Rodgers)
2. Untie The Knot (Rodgers / Kirke)
3. Nuthin’ On The TV (Burrell)
4. Painted Face (Rodgers)
5. Kickdown (Ralphs)
6. Ballad Of The Band (Burrell)
7. Cross Country Boy (Rodgers)
8. Old Mexico (Ralphs)
9. Downhill Ryder (Rodgers)
10. Racetrack (Rodgers)

Por Jorge Almeida

Independiente: campeão da Copa Sulamericana 2017

Jogadores do Independiente comemoram o título da Copa Sulamericana no Maracanã. Créditos: André Durão/Globoesporte.com

O empate em 1 a 1 entre Flamengo e Independiente pela segunda e decisiva partida da final da Copa Sulamericana 2017, disputado na noite desta quarta-feira (13), no Maracanã, foi o suficiente para o time argentino conquistar o segundo título do torneio. Os gols da partida saíram no primeiro tempo: Lucas Paquetá abriu o placar para o rubronegro e Barco, de pênalti, empatou para o Rojo. Essa foi a 36ª final entre representantes brasileiros e argentinos em competições realizadas pela Conmebol e o 21º triunfo dos hermanos diante de 15 títulos do futebol brasileiro. A equipe argentina havia conquistado a mesma competição em 2010 contra o Goiás.

Como já era de se esperar, o Flamengo começou a decisão partindo para cima do Independiente e, logo aos quatro minutos, criou a primeira oportunidade. Réver roubou a bola na defesa, a redonda sobrou para Cuéllar. O colombiano fez um bom lançamento para Everton, que chegou em velocidade pela esquerda e cruzou, mas Vizeu não pegou bem na redonda na hora da finalização.

O Mengão tentou novamente aos 11 minutos. Diego lançou Arão, mas a bola correu demais e saiu pela linha de fundo depois do cruzamento do volante para Vizeu. No minuto seguinte, Diego deu ótimo passe para Everton, que se livrou do marcador e saiu na cara do goleiro, porém, o camisa 22chutou nas mãos de Campaña.

Em seguida, foi a primeira investida do Rei de Copas. Benítez fintou o adversário na entrada da área e arriscou com a canhota, mas mandou por cima da meta de César. O rubronegro deu o troco aos 14 com Paquetá, que recebeu na área, se livrou de Amorebieta, que passou lotado, e na hora de finalizar com o pé esquerdo, errou o chute e mandou para fora. A equipe brasileira, aos 18, tentou mais uma vez. Diego cruzou na área, Juan subiu mais que todo mundo para testar e a esférica subiu demais.

Os rojos assustaram aos 20. Meza recebeu dentro da área, pelo lado esquerdo e, na hora de tentar a finalização, o César saiu do gol e defendeu com a perna a finalização do jogador do Independiente. O rubronegro pressionou e esteve perto do gol aos 25 minutos. Pará ganhou a dividida, deixou a bola para Everton, que tocou para Diego. O camisa dez deu duas fintas e chutou, mas Amorebieta estava no meio da trajetória da bola e a impediu que chegasse ao gol.

Melhor no jogo, o Flamengo chegou ao gol aos 29. Diego cobrou falta na área, Juan desviou de cabeça, Réver, no segundo pau, tocou para o meio da pequena área, Domingo falhou na tentativa de corte e Lucas Paquetá completou para as redes.

Pouco tempo depois do gol da equipe brasileira, o Independiente sofreu uma baixa. Benítez, com problemas físicos, deixou a partida e Albertengo entrou em seu lugar. Aos 36, Meza recebeu lançamento na área e foi derrubado por Cuéllar. Pênalti. Depois de três minutos consultando o árbitro de vídeo, Wilmar Roldán confirmou a penalidade. Na cobrança, Barco bateu no canto direito de César, que pulou para o lado esquerdo, e empatou a decisão.

Após sofrer o empate, o Flamengo passou a tocar a bola e o Independiente se segurou do jeito que pôde até o fim do primeiro tempo, que terminou aos 48 minutos.

O Fla começou a etapa final na pressão. Aos 2, Paquetá partiu do meio-campo, deixou três marcadores para trás e quase fez um golaço, contudo, o chute saiu sem força e Campaña defendeu. O rubronegro persistiu no abafa e Rueda colocou Vinícius Jr. no lugar de Trauco para deixar a equipe mais ofensiva. Porém, aos 13, Gigliotti tirou proveito de um vacilo de Réver, fez grande jogada, deixou Cuéllar para trás, César saiu e o camisa 9 o encobriu por cobertura, a bola estava indo em direção ao gol até que Juan tirou quase em cima da linha.

O Flamengo voltou a pressionar. Aos 17, Pará cruzou e Vinícius Jr. cabeceou por cima. Dois minutos depois, Diego acionou Pará, que cruzou, Vinícius Júnior tentou o chute, a bola bateu no jogador argentino e foi em direção da meia-lua, de onde Lucas Paquetá tentou o chute, Willian Arão ainda desviou de cabeça e a bola saiu rente à trave direita de Campaña.

A equipe argentina respondeu aos 23. Em um contra-ataque, Gigliotti recebeu na entrada da área e tentou a finalização com a esquerda, mas a bola vai rasteira e facilitou a vida de César.

O jogo seguiu “lá e cá”, com os dois times alternando a posse da bola. Aos 34, Everton Ribeiro, substituto de Cuéllar, chegou pela direita, cortou para o pé esquerdo e cruzou para Réver, quem andou para fora. Em seguida, Barco fez grande jogada pela direita, tocou para o companheiro que serviu Gigliotti, que recebeu na entrada da área. Ele finalizou com o pé esquerdo, mas o chute saiu fraco no meio do gol para fácil defesa do goleiro brasileiro. Na sequência, Barco cruzou para Albertengo na segunda trave. O camisa 18 cabeceou bem e exigiu boa defesa de César, porém, o árbitro marcou falta do atacante sobre Pará. Depois, aos 36, Diego tocou para Vizeu, Campaña saiu do gol para dividir. A defesa saiu jogando e Gigliotti arriscou de muito longe para encobrir César, mas o goleiro flamenguista se recuperou a tempo de ficar com a bola.

Os argentinos por pouco não viraram o jogo. Aos 42, Gigliotti ganhou de Juan e colocou na frente, todavia, não teve fôlego suficiente para finalizar bem e mandou para fora. O Independiente gastou o tempo e valorizou cada segundo à espera do fim do jogo. O Flamengo ainda teve a última oportunidade aos 47. Vinícius Jr. pegou a bola pela esquerda, cruzou, Campaña saiu mal do gol, Diego pegou a sobra, mas teve a finalização bloqueada. Na sequência, Réver teve a chance e isolou na finalização. No entanto, aos 48, Wilman Roldán apitou o fim de jogo no Maracanã. Flamengo 1, Independiente 1. A equipe argentina conquista a sua segunda Copa Sulamericana e, novamente, em cima de um time brasileiro.

Depois de 22 anos, Flamengo e Independiente voltam a decidir um título sulamericano. A equipe argentina jogou pelo empate no Maracanã. A torcida rubronegra fez a sua parte, lotou o “maior do mundo” e empurrou o time. No primeiro tempo, o Flamengo pressionou os argentinos e fez o gol que precisava e empatou o placar agregado (2 a 2). E, quando estava melhor em campo, veio a ducha de água fria, que foi o pênalti cometido por Cuéllar em Meza. Barco bateu bem e empatou o jogo e devolveu a vantagem do empate para os Rojos. No segundo tempo, a equipe brasileira não conseguiu superar o bom time armado por Ariel Holan, que conseguiu segurar bem as investidas do adversário e fez prevalecer o apelido “rei de copas”. E, assim como foi na decisão da extinta Supercopa de 1995, o Independiente, mais uma vez, levou a melhor sobre o Flamengo e conquista o seu 17º título internacional, somando as outras competições. Ou seja, em 2018, teremos uma reedição da Recopa Sulamericana de 1996: Grêmio x Independiente.

Com o título, o Independiente disputará a Copa Libertadores da América em 2018, competição que, aliás, é o maior ganhador com sete conquistas. A perda da Copa Sulamericana não foi prejudicial apenas para o Flamengo, que ficou sem taça. Foi ruim para o Atlético Mineiro, que deixou de herdar uma vaga para a principal competição continental do ano que vem.

Coincidentemente, foi neste mesmo 13 de dezembro que o Flamengo conquistara o seu título mais importante: a Copa Intercontinental de 1981.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Primeira Fase:
04/04/2017 – Independiente (ARG) 0x0 Alianza Lima (PER) – Libertadores de América, Avellaneda
31/05/2017 – Alianza Lima (PER) 0x1 Independiente (ARG) – Alejandro Villanueva, Lima
Segunda Fase:
12/07/2017 – Independiente (ARG) 4×2 Iquique (CHI) – Libertadores de América, Avellaneda
02/08/2017 – Iquique (CHI) 1×2 Independiente (ARG) – Zorros del Desierto de Calama, Calama
Oitavas-de-final:
22/08/2017 – Atlético Tucumán (ARG) 1×0 Independiente (ARG) – Monumental José Fierro, Tucumán
12/09/2017 – Independiente (ARG) 2×0 Atlético Tucumán (ARG) – Libertadores de América, Avellaneda
Quartas-de-final:
25/10/2017 – Nacional (PAR) 1×4 Independiente (ARG) – Defensores del Chaco, Assunção
02/11/2017 – Independiente (ARG) 2×0 Nacional (PAR) – Libertadores de América, Avellaneda
Semifinais:
21/11/2017 – Libertad (PAR) 1×0 Independiente (ARG) – Defensores del Chaco, Assunção
28/11/2017 – Independiente (ARG) 3×1 Libertad (PAR) – Libertadores de América, Avellaneda
Final:
06/12/2017 – Independiente (ARG) 2×1 Flamengo (BRA) – Libertadores de América, Avellaneda
13/12/2017 – Flamengo (BRA) 1×1 Independiente (ARG) – Maracanã, Rio de Janeiro

FICHA TÉCNICA: FLAMENGO (BRA) 1×1 INDEPENDIENTE (ARG)
Competição/fase: Copa Sulamericana 2017 – final (2º jogo)
Local: Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã) – Rio de Janeiro (RJ)
Data: 13 de dezembro de 2017, quarta-feira – 21h50 (horário de Brasília)
Público Total: 62.567 pessoas
Público Pagante: 54.963 pessoas
Renda: R$ 6.694.300,00
Árbitro: Wilmar Roldán (COL)
Assistentes: Alexander Guzman e Cristian de La Cruz (ambos da Colômbia)
Cartões Amarelos: Everton, Vinícius Jr. e Juan (Flamengo); Albertengo, Meza, Campaña e Barco (Independiente)
Gols: Lucas Paquetá, aos 29 min (1-0) e Barco, de pênalti, aos 39 min do 1º tempo (1-1)
FLAMENGO (BRA): 24.César; 21.Pará, 15.Réver, 4.Juan e 13.Trauco (20.Vinícius Jr.);  5.Willian Arão, 10.Diego, 26.Cuéllar (7.Éverton Ribeiro) e 29.Lucas Paquetá (16.Lincoln); 25.Felipe Vizeu e 22.Everton. Técnico: Reinaldo Rueda
INDEPENDIENTE (ARG): 25.Campaña; 16.Bustos (5.Silva), 2.Franco, 14.Amorebieta e 3.Tagliafico; 29.Domingo, 15.Rodríguez, 7.Benítez (18.Albertengo), 27.Barco e 8.Meza (6.Sánchez Miño); 9.Gigliotti. Técnico: Ariel Holan

Parabéns ao Club Atlético Independiente pelo título.

Por Jorge Almeida

Grupo português Capitão Fausto grava novo disco em São Paulo

A banda portuguesa Capitão Fausto.
Foto: Felipe Gabriel/Red Bull Content Pool

A banda aproveita para mostrar detalhes em um livestreaming exibido nesta terça-feira, a partir das 14h, via http://www.redbull.pt

A banda portuguesa Capitão Fausto aproveita os últimos dias do ano para mergulhar em um novo trabalho. Só que desta vez eles saíram de Lisboa e atravessaram o oceano Atlântico para gravar o sucessor do bem-sucedido disco “Capitão Fausto Têm os Dias Contados” no Red Bull Studio, em São Paulo. O grupo ainda mostra os novos sucessos em um livestreaming direto do estúdio nesta terça-feira (12/10), a partir das 14h (via http://www.redbull.pt).

Formado por Manuel Palha (guitarra), Domingos Coimbra (baixo), Francisco Ferreira (teclados), Tomás Wallenstein (voz e guitarra) e Salvador Seabra (bateria), o quinteto Capitão Fausto é um dos maiores expoentes do rock português moderno. Com melodias que flertam com o country e o folk e letras despretensiosa, conquistaram uma legião de fãs em Portugal (e em outros países de língua portuguesa) com seus três discos já lançados e hits como “Amanhã Tou Melhor”.

Sobre o Red Bull Studio São Paulo

Desde 2013, o Red Bull Studio São Paulo funciona como um espaço de experimentação e produção musical para artistas dentro do Red Bull Station, onde funcionou a antiga subestação de energia Riachuelo. Com altíssimo padrão técnico, o estúdio é reservado para talentos de estilos diversos, independente de sua abrangência ou tempo de carreira. Por ali, já passaram nomes como Elza Soares, Metá Metá, Nação Zumbi, Emicida e Arto Lindsay.

Agência Lema
Leandro Matulja/ Letícia Zioni/ Larissa Marques
agencialema.com.br

Informações para imprensa:
Luciana Rabassallo (+55 11) 3871-0022 – ramal 201
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Por Luciana Rabassallo