Grand Funk Railroad: 45 anos de “We’re An American Band”

“We’re An American Band”: sétimo álbum de estúdio do Grand Funk Railroad que completa 45 anos neste domingo (15)

Hoje, 15 de julho, data de final da Copa do Mundo FIFA 2018, um dos maiores trabalhos do Grand Funk Railroad complete 45 anos de seu lançamento: o clássico “We’re An American Band”, o sétimo álbum de estúdio lançado pela banda norte-americana. Produzido por Todd Rundgreen, o disco foi gravado entre 12 e 15 de junho de 1973 no Criteria Studios, em Miami, Flórida, e lançado pela Capitol Records. E, para evitar eventuais problemas judiciais com Terry Knight (produtor e principal mentor pelo conceito de imagem e sonoridade da banda) a respeito do nome da banda, esse foi o primeiro álbum do grupo lançado com o nome de apenas Grand Funk, sem o “Railroad”.

Um mês após o lançamento do disco, o grupo foi certificado com disco de ouro pelas vendagens da obra. Para promover o play, foram lançados dois singles: o primeiro é a faixa-título do álbum, que saiu em 2 de julho de 1973, e o segundo, “Walk Like A Man”, foi lançado em 29 de outubro do mesmo ano. As duas canções foram cantadas pelo baterista Don Brewer. Além disso, o músico Craig Frost, que tocou órgão, Moog e clavinete no disco, foi adicionado como integrante do grupo, uma vez que no trabalho anterior – “Phoenix” (1972) – ele aparece apenas como músico adicional.

Para refinar a sonoridade da banda, o Grand Funk chamou o músico veterano Todd Rundgren para produzir “We’re An American Band”. Com o experiente Rundgren, o grupo fez um som mais pop e comercial, estrategicamente para tocar nas rádios para que eles finalmente tivessem aceitação de todos os públicos, e também da crítica. Com isso, os caras entram de cabeça no ramo mais organizado do show business e realizam uma turnê mais bem estruturada, com direito a filmes em retroprojeção, canhões de luz e, claro, todo o orgulho imperialista norte-americano ao exibir os spot-lights compondo a bandeira da terra-natal e as chuvas de chapéus do Tio Sam.

A edição original do álbum, bem como do single “We’re An American Band“, foi em vinil amarelo translúcido, simbolizando um “disco de ouro”. Incluía quatro autocolantes (dois azuis e dois vermelhos) com o logótipo “Pointing Finger” do Grand Funk. Enfatizando o encurtamento do nome do grupo, a palavra “Railroad” não aparece em nenhum lugar na capa do álbum, encarte ou disco de vinil, exceto como o título da primeira música no lado dois do álbum – “The Railroad”. Um detalhe curioso da obra é referente à instrução acima do número do lado do disco que recomendara o ouvinte a curtir o trabalho no volume máximo. O álbum foi reeditado várias vezes e atualmente está disponível em CD, que já teve edições lançadas com faixas bônus.

O álbum abre com a clássica faixa-título. Com um excelente riff e um ritmo simples, mas contagiante, é praticamente uma autobiografia do grupo. Na sequência, a empolgante “Stop Lookin’ Back“, com um riff interessante, porém, o destaque fica por conta da atuação espetacular de Frost nas teclas e os bons solos de Farner. O terceiro tema é  a cadenciada “Creepin’“, que dá uma quebra no andamento do disco, por não ser curta como as anteriores (ela tem aproximadamente sete minutos). Todos os músicos, sem exceção, se destacam nela. E o play encerra o lado A do vinil com “Black Licorice“, que coloca o álbum no andamento inicial. Com um bom desempenho nos vocais e riff bem modesto, permite com que Carig Frost se destaque nos inspiradíssimos teclados.

O lado B do disco inicia com a poderosa balada “The Railroad“, que traz um refrão primoroso, assim como o solo de Farner. Uma das melhores do disco. Posteriormente, aparece a rápida e direta “Ain’t Got Nobody” que, como boa parte do disco, contém pegada contagiante. E a faixa seguinte, “Walk Like A Man“, que foi lançada como single e traz um vocal mais marcante, praticamente mantém a ‘pedrada na zurêa’. A obra termina com “Loneliest Rider“, com seu riff pesado e andamento cadenciado para encerrar de forma formidável.

Em 2002, o disco foi lançado com quatro faixas bônus (vide a ficha técnica).

We’re An American Band” está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock And Roll Hall Of Fame e fez por merecer, pois é um tremendo disco. Vale cada centavo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (incluindo as faixas bônus) da obra.

Álbum: We’re An American Band
Intérprete: Grand Funk Railroad (creditado apenas como Grand Funk)
Lançamento: 15 de julho de 1973
Gravadora: Capitol Records
Produtor: Todd Rundgren

Mark Farner: voz, guitarra, violão, conga e piano elétrico em “Creepin’
Mel Schacher: baixo
Don Brewer: voz, bateria e percussão
Craig Frost: teclados, órgão, clavinete, piano e Moog

1. We’re An American Band (Brewer)
2. Stop Lookin’ Back (Brewer / Farner)
3. Creepin’ (Farner)
4. Black Licorice (Brewer / Farner)
5. The Railroad (Farner)
6. Ain’t Got Nobody (Brewer / Farner)
7. Walk Like A Man (Brewer / Farner)
8. Loneliest Rider (Farner)
9. Hooray (Brewer / Farner)
10. The End (Brewer / Farner)
11. Stop Lookin’ Back (acoustic mix) (Brewer / Farner)
12. We’re An American Band (2002 remix) (Brewer)

Por Jorge Almeida

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Exposição “Trapézio” no Sesc Santo Amaro

A obra “Trapézio”, em exibição no Sesc Santo Amaro. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Trapézio” está em cartaz até o próximo dia 29 de julho, domingo, no Sesc Santo Amaro. Com um conjunto de 16 obras inéditas do artista cearense Luiz Hermano, a exposição apresenta um novo estudo do escultor sobre a forma geométrica que dá nome à mostra.

Na criação das esculturas, o entendimento e invenção ocorreram como ponto de partida a forma e suas junções entre um e até seis trapézios, estruturas tridimensionais maiores e de variadas formas.

A partir de módulos emendados um nos outros, Hermano constrói uma variedade de formas. Elas surgem das colisões e desencontros entre os vácuos, as hastes da base e dos lados. Várias peças revelam problema em se atrelarem e, propositalmente, trazem certo desequilíbrio.

No espaço, os trapezoides tridimensionais do artista estão apoiados na parede, no chão ou pendurados no teto em alturas diferentes e, em alguns casos, com cabos de nylon.

Em meio aos destaques estão “Oca” (2017), escultura de ferro pintado; “Reação em Cadeia 16” (2017), elaborado em ferro soldado; “Trapézios” (foto), de 2018, composto de ferros com pintura eletrostática; e “Figura em Movimento” (2013), criado em aço pintado.

SERVIÇO:
Exposição: Trapézio
Onde: Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro
Quando: até 29/07/2018; de terça a sexta-feira, das 10h30 às 21h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

França: campeã da Copa do Mundo FIFA 2018

Jogadores da França erguem o troféu mais cobiçado do mundo. Foto: REUTERS/Darren Staples

A França consagrou-se bicampeã mundial ao derrotar a Croácia por 4 a 2 na final da Copa do Mundo FIFA 2018, no Estádio Lujniki, em Moscou. Com gols de Mandžukić (contra e que também descontou para os croatas), Griezmann, de pênalti, Pogba e Mbappé, os Bleus foram cirúrgicos diante dos esgotados croatas, que chegaram a empatar com Perisić deixando a partida em 1 a 1 no primeiro tempo. Mas os franceses chegaram mais inteiros na decisão e conseguiram fazer os gols diante dos heroicos croatas, que vinham de uma sequência de três prorrogações. Com o título, a seleção “tricolore” se junta a Argentina e Uruguai com duas Copas do Mundo cada. Desde 2002, essa foi a primeira decisão de Mundial que não foi para a prorrogação.

Antes de a bola rolar, a tradicional cerimônia de encerramento que teve entre as atrações o ator (e cantor) Will Smith e do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e, claro, presença das autoridades dos dois países (Emanuel Macron, representante francês e a presidente da Croácia Kolinda Grabar-Kitarović) em conjunto com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Capitão da Alemanha no título de 2014, Phillipp Lahm entrou em campo com a taça ao lado da modelo Natalia Vodianova e a apresentou ao estádio (como campeão mundial, ele tem autorização de tocar no troféu sem usar luvas).

A Croácia tomou a iniciativa do jogo mantendo a posse de bola e a França se controlando no campo de defesa. Aos dez. Rakitić fez um bom lançamento para Perišić na área, mas o camisa 4 errou no domínio e deixou a bola sair. Os comandados de Zlatko Dalić tomavam conta da partida nos primeiros quinze minutos.

Aos 17, Griezmann chegou próximo da área e, na tentativa de passar pela marcação, caiu e pediu falta, e o árbitro argentino Nestor Pitana marcou. Na cobrança, o camisa 7 levantou na área, Varane tentou desviar, não alcançou e, para sua infelicidade, Mandžukić resvalou de cabeça na bola e mandou contra o próprio patrimônio: 1 a 0 para a França.

A seleção do uniforme quadriculado tentou dar o troco de imediato. Aos 20 Modrić jogou a redonda na área e Vida cabeceou para fora. Os franceses responderam aos 22 com Pogba lançando Mbappé, que foi desarmado no momento exato por um carrinho salvador de Vida. Aos 28, Modrić cobrou falta em direção à área, Vrsaljko subiu e escorou para o meio, Mandžukić disputou no alto com Pogba, e Rebić também desviou, até que Vida pegou a sobra e escorou para Perišić, que limpou Kanté e soltou a bomba com a esquerda. A bola desviou em Varane e foi para as redes. Empate da Croácia.

Mas, o camisa 4 foi do céu para o inferno em menos de dez minutos. Aos 33, Griezmann cobrou escanteio no primeiro pau, Matuidi tentou o desvio, o mesmo Perišić, autor do gol de empate dos croatas, mandou a bola para escanteio. Os franceses reclamaram ao árbitro que o desvio do feito com a mão e, diante dos protestos, Nestor Pitana foi consultar o VAR e confirmou o pênalti. Na cobrança, Griezmann cobrou no canto esquerdo de Subašić e colocou a França na frente novamente.

Os valentes Vatreni não se abateram e partiram para a luta. Aos 40, Perišić partiu em velocidade pela esquerda e cruzou para Rebić, que finalizou travado e a bola sobrou limpa para Lloris. E, antes do final da etapa inicial, aos 43, Rakitić cobrou escanteio, a redonda foi desviada na primeira trave e bateu na zaga francesa e saiu. Depois do novo escanteio, a bola ficou “viva” na área e Giroud aliviou ao dar um chutão e afastar o perigo. Dois minutos mais tarde, após outro escanteio, foi a vez de Vida desviar de cabeça e mandar a esférica para fora. Aos 47, Vrsaljko cruzou na área, mas Perišić chegou atrasado. A Croácia criou boas chances de empatar no primeiro tempo, mas não obteve êxito. A decisão chegou ao intervalo com vantagem francesa. Aliás, essa foi a primeira final de Copa do Mundo com três gols no primeiro tempo desde a decisão de 1974 e a primeira com pelo menos três tentos desde 1998.

No minuto inicial da segunda etapa, a Croácia voltou a pressionar, com Rebić tocando para Vrsaljko, que cruzou na área e Lloris saiu para ficar com a bola. Os franceses contra-atacaram no lance seguinte em jogada pela direita com Giroud, que ajeitou para Griezmann bater de fora da área e Subašić pegou sem dificuldades. Na sequência, foi a vez de Lloris subir e defender o chute de Rebić. O arqueiro francês atuou de lídero, aos quatro, depois que Brozović tentou lançar  Perisić em profundidade. A seleção croata seguiu a pressão, investindo especialmente nas jogadas pelas laterais.

Aos seis, Pogba lançou Mbappé pela direita, o camisa 10 deu uma arrancada, deixou Vida para trás, bateu cruzado, mas Subašić se antecipou e travou o chute do atacante do PSG. Em seguida, os stewards tiveram de entrar em ação porque, quando a Croácia puxava contra-ataque com Rakitić, três torcedores invadiram o campo e foram retirados.

A partida seguiu. Contudo, aos 13, Pogba lançou (mais uma vez) Mbappé pela direita, que cruzou para Griezmann. O jogador do Atlético de Madrid ajeitou para o mesmo Pogba, que chegou batendo, mas a bola bateu na zaga e o camisa 6 ficou com o rebote, deu um tapa com o pé esquerdo e aumentou a vantagem dos Bleus: 3 a 1.

Precisando atacar para amenizar o prejuízo, a Croácia foi deixando espaços para a França contra-atacar e tentar apertar a saída. Porém, aos 19, Hernández em jogada pela esquerda, passou por Mandžukić e tocou no meio para Mbappé, que recebeu na entrada da área e bateu firme no canto de Subašić e sacramentar o título da França: 4 a 1. Com o tento, o camisa 10, no auge de seus 19 anos, é o segundo jogador mais jovem a fazer gol em final de Copa do Mundo, ficando apenas atrás de Pelé que, em 1958, com 17 anos fez dois contra a Suécia na ocasião.

Apesar de estar com uma enorme desvantagem de três gols, a valente equipe croata não se entregou. Aos 23, Varane recuou a bola para Lloris que, sozinho, tentou fintar Mandžukić, mas o experiente atacante chegou na dividida, tomou a bola, que foi parar nas redes. Imediatamente, o jogador da Juventus pegou a redonda para colocá-la no círculo central.

Em seguida ao gol croata, a França tratou de trocar passes para dar uma acalmada no ímpeto do adversário, que tentou acelear o jogo em busca do improvável empate. Aos 32, Modrić jogou na área, Varane afastou e, na sobra, Rakitić tentou de fora da área, por cima do gol. Quatro minutos depois, Pjaca, que entrou no lugar de Strinić, foi lançado nas costas da zaga, mas errou o domínio que o deixaria cara a cara com Lloris.

Com uma vantagem confortável, a França fez o “feijão com arroz” e ainda deu tempo de uma tentativa. Aos 41, depois de receber de Griezmann, Fekir (substituto de Giroud, o camisa 9 que não marcou gol nesta Copa) tentou de fora da área, mas Subašić caiu e fez a defesa. Na sequência, Rakitić arriscou de fora da área e mandou por cima do gol.

Nos acréscimos, aos 47, Mbappé cobrou falta na área, Pogba apareceu sozinho e, na hora de finalizar, furou e desperdiçou uma grande chance. Mas, tudo bem, ele tem crédito com os companheiros. Eis que aos 50 minutos, Nestor Pitana decretou o fim de jogo, em Moscou, França 4, Croácia 2. Depois de 20 anos, os Bleus conquistam o mundo novamente. E, com o feito, Didier Dechamps repete o feito conseguido apenas por Zagallo e Franz Beckenbauer: campeão mundial como jogador e como treinador. Inclusive, com seis gols na decisão deste domingo, esse foi a final com mais gols desde 1958, quando o Brasil fez 5 a 2 na Suécia.

Merecidamente França e Croácia chegaram a essa decisão. Talvez, o chaveamento das fases anteriores favoreceu mais os croatas até a final. Porém, isso não desmerece a campanha da seleção xadrez. Afinal, eles terminaram líderes do grupo que tinha uma das favoritas ao título, a Argentina que, inclusive, tomou um chocolate deles. No mata-mata, Modrić e companhia sempre começaram com a desvantagem, mas conseguiram a reação e levaram as partidas sempre para a prorrogação. E, com isso, praticamente chegaram à finalíssima fazendo “sete jogos em oito” (contabilizando que, somados, todos os minutos disputados na prorrogação foi o equivalente a uma partida inteira, ou seja, cerca de 90 minutos). Essa sequência de tempos extras, talvez, tenha feito a diferença na preparação para o jogo derradeiro desta Copa. Por outro lado, os Bleus, simplesmente deixaram dois campeões do mundo pelo caminho (Argentina e Uruguai) e, na semifinal, eliminou a seleção que tirou outro favorito ao título do caminho na fase anterior e que trazia aquela que é considerada a melhor geração de futebol de seu país, a Bélgica.

Fisicamente mais exaustos, a Croácia encarou a França de igual para igual. Tomou a iniciativa e era melhor no jogo quando o gol francês saiu após a infelicidade de Mandžukić em desviar a bola que balançou as próprias redes, justo ele, o responsável pelo tentou que colocou o seu jovem país à inédita final de Copa do Mundo. Os croatas ainda reagiram e empataram.com um golaço de Perišić, que cometera o pênalti pouco tempo depois. Os franceses, por sua vez, tiraram proveito da velocidade de seu setor ofensivo, especialmente com Mbappé e a categoria de Paul Pogba e, chegaram aos outros dois gols justamente com eles. Mesmo perdendo por 4 a 1, a Croácia não jogou a toalha (sem trocadilho com o quadriculado de seu uniforme) e ainda descontou com Mandžukić. Mas, não foi dessa vez que o futebol teve um novo campeão mundial, mas consolidou uma safra de jovens valores franceses que ainda vão dar muito o que falar. Na final, a Croácia caiu, mas caiu de pé. Não desistiram da luta. Foram guerreiros e, certamente, apesar do vice-campeonato, serão recebidos como heróis em Zagreb. Mas os franceses fizeram por merecer o título. Jogaram bem nessa Copa. E é bem capaz de um jovem de 19 anos roubar a cena na premiação de melhores do mundo e ameaçar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo.

Nas premiações individuais, o inglês Harry Kane levou a Chuteira de Ouro, por ter sido o artilheiro da Copa com seis gols, enquanto Griezmann e o belga Lukaku, ambos com quatro gols, ficaram com as Chuteira de Prata e Bronze, respectivamente. Já o Prêmio FIFA Bola de Ouro, concedido ao melhor jogador do torneio, ficou com Modrić, enquanto Hazard ficou com a Bola de Prata e Griezmann com a Bola de Bronze. Além deles, Courtois também foi premiado com a Luva de Ouro, dada ao melhor goleiro da competição, e Mbappé foi agraciado com o Prêmio FIFA Melhor Jogador Jovem. A seleção da Espanha recebeu o Troféu FIFA Fair Play por ter sido a equipe menos faltosa. E, só para reforçar: na disputa do terceiro lugar, a Bélgica fez 2 a 0 na Inglaterra.
Com o título da Copa do Mundo, a França completa uma trinca curiosa de três bicampeonatos: Copa do Mundo (1998 e 2018), Eurocopa (1984 e 2000) e Copa das Confederações (2001 e 2003).

E, assim, termina a Copa do Mundo FIFA 2018, que já entrou para a história e deixará saudades. Agora, que venha o Mundial de 2022, que será disputado no Catar no final do ano devido às condições climáticas do país.

A seguir, a relação dos jogadores campeões mundiais, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Núm. / Jogador / Posição / Clube:
1. Hugo Lloris – goleiro – Tottenham (ING)
16. Steve Mandanda – goleiro – Olympique de Marseille (FRA)
23. Areola – goleiro – Paris Saint-Germain (FRA)
2. Benjamin Pavard – zagueiro e lateral – Stuttgart (ALE)
3. Presnel Kimpembe – zagueiro – Paris Saint-Germain (FRA)
4. Raphael Varane – zagueiro – Real Madrid (ESP)
5. Samuel Umtiti – zagueiro – Barcelona (ESP)
17. Adil Rami – zagueiro – Olympique de Marseille (FRA)
19. Djibril Sidibé – lateral – Monaco (FRA)
21. Lucas Harnández – zagueiro e lateral – Atlético de Madrid (ESP)
22. Benjamin Mendy – lateral – Manchester City (ING)
6. Paul Pogba – meia – Manchester United (ING)
8. Thomas Lemar – meia – Atlético de Madrid (ESP)
12. Corentin Tolisso – meia – Bayern de Munique (ALE)
13. N’Golo Kanté – meia – Chelsea (ING)
14. Blaise Matuidi – meia – Juventus (ITÁ)
15. Steve N’zonzi – meia – Sevilla (ESP)
7. Antoine Griezmann – atacante – Atlético de Madrid (ESP)
9. Olivier Giroud – atacante – Chelsea (ING)
10. Kylian Mbappé – atacante – Paris Saint-Germain (FRA)
11. Ousmane Dembélé – atacante – Barcelona (ESP)
18. Nabil Fekir – atacante – Lyon (FRA)
20. Florian Thauvin – atacante – Olympique de Marseille (FRA)
Técnico: Didier Deschamps

Fase de Grupos (Grupo C):
16/06 – França 2×1 Austrália – Arena Kazan, Cazã
21/06 – França 1×0 Peru – Estádio Central, Ecaterimburgo
26/06 – Dinamarca 0x0 França – Estádio Lujniki, Moscou
Oitavas-de-final:
30/06 – França 4×3 Argentina – Arena Kazan, Cazã
Quartas-de-final:
06/07 – Uruguai 0x2 França – Estádio de Nijni Novgorod, Nijni Novgorov
Semifinal:
10/07 – França 1×0 Bélgica – Estádio Krestovsky, São Petersburgo
Final:
15/07 – França 4×2 Croácia – Estádio Lujniki, Moscou

FICHA TÉCNICA: FRANÇA 4×2 CROÁCIA
Competição/fase:
Copa do Mundo FIFA 2018 – final (jogo único)
Local: Estádio Luzhniki, Moscou, Rússia
Data: 15 de julho de 2018, domingo – 12h (horário de Brasília)
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Assistentes: Hernan Maidana (ARG) e Pablo Belatti (ARG)
Cartões Amarelos: Kanté e Hernández (FRA); Vrsaljko
Gols: Mandžukić (contra), aos 18 min do 1º tempo (1-0) e aos 24 min do 2º tempo (4-2); Perisić, aos 28 min do 1º tempo (1-1); Griezmann, de pênalti, aos 38 min do 1º tempo (2-1); Pogba, aos 14 min do 2º tempo (3-1); e Mbappé, aos 20 min do 2º tempo (4-1)
FRANÇA: 1.Lloris; 2.Pavard, 4.Varane, 5.Umtiti e 21.Hernández; 13.Kanté (Nzonzi), 6.Pogba, 10.Mbappé, 14.Matuidi (12.Tolisso) e 7.Griezmann; 9.Giroud (18.Fekir). Técnico: Didier Deschamps
CROÁCIA: 23.Subašić; 2.Vrsaljko, 6.Lovren, 21.Vida e 3.Strinić (20.Pjaca); 7.Rakitić, 11.Brozović, 18.Rebić (18.Kramarić), 4.Perišić e 10.Modrić; 17. Mandžukić. Técnico: Zlatko Dalić

Parabéns a Fédération Française de Football. “Allez les Bleus”.

Por Jorge Almeida

Jethro Tull: 45 anos de “A Passion Play”

“A Passion Play”: álbum conceitual do Jetrho Tull que completa 45 anos em 2018

Nesta sexta-feira, 13 de julho, o sexto álbum de estúdio do Jethro Tull, “A Passion Play”, completa 45 anos de seu lançamento, coincidentemente, no Dia Mundial do Rock. Produzido por Terry Ellis, o disco foi gravado durante o mês de março de 1973 e lançado pela Chrysalis Records, e seu formato é similar ao disco anterior, “Thick As A Brick”, ou seja, um álbum conceitual com uma única canção dividida nos dois lados do LP – salvo aqui por uma interrupção para a leitura do estranho conto “The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles”. O tema do conceito é a jornada espiritual de um homem na vida após a morte.

Os versos prolixos, cheios de jogos de palavras e apólogos, assentados com uma música de certo modo sem capacidade criadora se confrontada aos trabalhos anteriores, fez de “A Passion Play” um dos álbuns mais controversos da carreira do Tull. Em seu lançamento em 1973, o álbum recebeu em geral críticas negativas; ainda assim, vendeu bem o suficiente para alcançar a primeira colocação nas paradas de sucesso norte-americanas.

Os trabalhos para a gravação do álbum tiveram início na Suíça, mas a banda resolveu mudar para França, motivado para escapar das altas taxadas de impostos britânicos, tática adotada por inúmeras bandas. O Tull se instalou nos estúdios Château d’Hérouvile – famoso nos anos 1970 por serem frequentados por nomes como Pink Floyd, Elton John e T. Rex. A ideia inicial era fazer um disco duplo, o próximo passo lógico de “Thick As A Brick”. Os conceitos eram tão variados quanto o significado da vida (“Skating Away”), os críticos (“Critique Oblique”) e a comparação entre o homem e o reino animal (“Animalee” e “Law Of The Bangle”). Apesar de ter material suficiente gravado para preencher três lados do álbum duplo pretendido, problemas no estúdio e desconforto entre os integrantes da banda fizeram com que Ian Anderson descartasse as músicas e começasse do zero. Pouca parte do material foi reutilizado em “A Passion Play”, com a notável exceção de “Critique Oblique”, que foi adaptada ao novo conceito. E parte do material gravado anteriormente foi utilizado mais tarde no disco “War Child” (1974), como “Skating Away” e “Only Solitaire”.

Com apenas dezessete dias antes da turnê americana, Ian escreveu um novo material e reestruturou vastamente algumas das ideias do “Chateau d’Isaster” (apelido que Anderson deu ao estúdio francês) e a banda gravou o álbum de 45 minutos.

Com duas músicas divididas em quatro atos, o enredo da obra aborda que Ronnie Pilgrim reconhece a própria morte e, de forma fantasmagórica, assiste ao próprio funeral e, antes de passar pelo purgatório, recebe a visita de um guia angelical sorridente (ato 1). Na sequência, ele é levado para uma espécie de sala de exibição em que os eventos de sua vida são exibidos repetidas vezes por um projecionista diante de um júri exigente. Após um longo e peculiar processo de avaliação, o júri concluiu que ele levou uma vida decente e, portanto, será admitido no céu, o que corresponde ao súbito começo, de uma alegre melodia “Forest Dance” (ato 2). E, antes do início do ato 3, o enredo é interrompido por um interlúdio cômico falado e não relacionado à saga (narrado por Jeffrey Hammond com um sotaque exagerado de Lancashire). Apresentado como uma fábula absurda, o interlúdio, recheado com jogo de palavras, fala do fracasso de um grupo de animais antropomórficos para ajudar uma lebre a encontrar seus óculos perdidos. O ato 3 começa com a retomada da melodia “Forest Dance”, e Ronnie Pilgrim, agora no céu, porém, se demonstrava insatisfeito por estar no plano celestial por conta de ainda estar ligado à sua atmosfera mundana. Sendo assim, incapaz de se adaptar, Pilgrim vai até G. Oddie & Filho para solicitar uma mudança para o inferno, sentido que ele tem um “direito de estar errado”. Descendo para o inferno, Pilgrim é confrontado por Lúcifer (chamado de “Lucy” no programa fictício do álbum), que afirma sua autoridade fria como “supervisor” de Pilgrim. Ronnie, de imediato, percebeu que o inferno ainda é pior que o céu e foge, compreendendo-se agora como um ser que não é completamente bom e nem mau. Então, ele fala a Magus Perdé sobre o seu dileta e, tendo mostrado e rejeitado os extremos de suas opções de vida após a morte, ele finalmente fica em uma praia de Styx (rio infernal no Hades dedicado a Estige, de acordo com a mitologia grega) como um “voyager into life” (“viajante na vida”). Nesta praia, outras pessoas e animais também se preparam para “renovar o penhor da longa canção da vida”. A peça conclui com uma forte implicação de renascimento eterno e, assim o ato 4 termina.

Em “A Passion Play”, a banda tocou uma infinidade de instrumentos, especialmente, dominando a menor variação de teclas. A parte falada da peça “A história da lebre que perdeu seus óculos”, tem suas relações em termos musicais com “Pedro e o Lobo”, de Prokofiev.

A intensa turnê de apoio de nove meses, que começou antes mesmo do lançamento do álbum, apresentou o disco na íntegra, um filme de apoio (que mais tarde apareceria no vídeo da edição de comemoração dos 25 anos do lançamento do play) e, talvez, o ponto alto do Jethro Tull para as elaboradas produções teatrais.

No entanto, um tour manager do Jethro Tull da época, de forma equivocada, anunciou que a banda interromperia as apresentações ao vivo, como repúdio às críticas negativas dadas ao álbum e aos shows, o que não era verdade e que isso prejudicou seriamente a imagem da banda. Tanto que, embora tenha recebido críticas negativas e sendo comparado de forma desfavorável com “Thick As A Brick”, “A Passion Play” se tornou o segundo disco do Jethro Tull a alcançar o primeiro lugar das paradas nos Estados Unidos.

Ao longo desses 45 anos, o disco teve suas reedições em diversos formatos: LP, CD, CD duplo, boxset. Destaque para a edição comemorativa de 30 anos intitulada Ultradisc Original Master Recording Gold CD, que contém trilhas que podem ser ouvida para cada título (16 faixas), porém as versões em CD contém uma ou duas faixas, dependendo da versão. A vantagem das versões em CD que traz apenas uma faixa é que o álbum pode ser ouvido de forma ininterrupta, sem aqueles “cortes” na mudança de faixa.

Embora as críticas não tenham sido favoráveis, “A Passion Play” merece ser ouvido por trazer um enredo interessante e peculiar.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: A Passion Play
Intérprete: Jethro Tull
Lançamento: 13 de julho de 1973
Gravadora: Chrysalis Records
Produtor: Terry Ellis

Ian Anderson: voz, flauta, violão, saxofone soprano
Martin Barre: guitarras
John Evan: piano, órgão, sintetizadores e backing vocal
Jeffrey Hammond: baixo e narração em “The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles
Barriemore Barlow: tambores, tímpanos, marimba e glockenspiel

David Palmer: arranjos orquestrais

1. A Passion Play (Part 1) (Anderson)
2. A Passion Play (Part 2) (incluindo “The Story Of Hare Who Lost His Spactacles) (Anderson) (Anderson / Hammond / Evan)

Por Jorge Almeida

Exposição fotográfica sobre conflitos armados no Brasil no Instituto Moreira Salles | Paulista

“Getúlio Vargas em passagem por Itararé (SP)”, de 1930, em exposição no Instituto Moreira Salles | Paulista. Créditos: divulgação

O Instituto Moreira Salles | Paulista promove até o próximo dia 29 de julho, domingo, a exposição “Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964”, que apresenta um copilado com aproximadamente 350 fotografias relacionadas a guerras civis e outros conflitos armados ocorridos no Brasil entre a Proclamação da República e o Golpe Militar de 1964. As imagens pertencem a trinta coleções particulares e públicas do país e também ao acervo do IMS.

As imagens presentes na mostra contradiz à fama do Brasil como um país pacífico e permite ao visitante um olhar sobre a nossa história que coopera com o atual cenário político.

Com registro de guerras civis, revoltas e outros incidentes envolvendo o Estado brasileiro, a exposição enaltece a importância dos registros fotográficos nesses episódios, seu uso para fins político e suas maneiras de circulação. Esses eventos, violentos por sinal, sempre teve o envolvimento das Forças Armadas. Entre 1889 e 1964, período primordial para a formação do país e que antecedeu a duas décadas de ditadura, nossos ascendentes testemunharam uma história com disputas e balas, cenários de escombros e depredações; demonstrações de desolação, perturbação e fúria.

Todo registro captado em um conflito é interessante a análise e a abordagem do que acercam seu significado: a tecnologia fotográfica disponível em cada período; os retratados e suas poses; os enquadramentos; as formas de circulação; a posição política dos periódicos; a censura; os textos, os projetos gráficos e as legendas que as acompanharam.

A exposição tem como objetivo mostrar de que forma as fotografias contribuíram como papel de arma na disputa por opiniões e, paralelamente, apresenta um panorama heterogêneo do percurso da imagem documental ao longo de 75 anos. Foram reunidas cópias em papel de albumina, típicas do fim do século XIX, imagens projetadas, impressas sobre vidro, estereoscópios, álbuns, cartões-postais, cinejornais, impressões em papel de gelatina de prata que pertenceram à redação de jornais e imagens em movimento, originalmente captadas em 16mm.

Entre os conflitos e guerras abordados na mostra estão a Revolução Federalista (1893 a 1895), a Revolta Armada (1893 a 1894), a Guerrados Canudos (1896 a 1897), a Revolta Naval (1910), a Guerra do Contestado (1912 a 1916), a Revolução Gaúcha de 1923, a Revolução de 1924, a Coluna Miguel Costa-Prestes (1925 a 1927), a Revolução de 1930, a Guerra Civil de 1932, conhecida pelos paulistas como a Revolução Constitucionalista de 32, o período do banditismo social e cangaceiro que assolou o Nordeste entre 1920 e 1938 liderado por Virgulino Lampião, a Insurreição Comunista de 1935, os motins pós-suicídio de Vargas em 1954, a Revolta de Jacareacanga em 1956, o Levante dos Colonos em 1957, a Insurreição de Aragarças em 1959, a Campanha da Legalidade em 1961 e, finalmente, o Golpe de Estado de 1964.

As imagens que compõem a mostra são de autores conhecidos, como Flávio de Barros e Juan Gutierrez, e também de vários anônimos, profissionais ou amadores, nos mais variados suportes fotográficos.

Entre as fotografias presentes está, por exemplo, a de “Getúlio Vargas em passagem por Itararé (SP)” (foto), de 1930.

SERVIÇO:
Exposição: Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964
Onde: Instituto Moreira Salles | Paulista – Avenida Paulista, 2424 – Bela Vista
Quando: até 26/07/2018; de terça a domingo, das 10h às 20h (sendo até às 22h às quintas)
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

França e Croácia decidirão a Copa do Mundo FIFA Rússia 2018

Copa do Mundo FIFA: taça ficará com França ou Croácia. Créditos: FIFA

A Croácia fez história nesta quarta-feira (11), no Estádio Lujniki, na Rússia. A seleção do uniforme quadriculado superou a Inglaterra, campeã do mundo em 1966, de virada por 2 a 1 pela semifinal da Copa do Mundo. O tento que levou a seleção croata à inédita final saiu na prorrogação. Seu adversário será a França, que venceu a Bélgica por 1 a 0, gol de Umtiti. Pela primeira vez, um país da extinta Iugoslávia chega à final de um Mundial.

Os finalistas, em Copas do Mundo, se enfrentaram uma vez, em 1998, nas semifinais e deu França: 2 a 1. Os croatas querem dar o troco e com grande estilo, o título. Mas, por outro lado, terão pela frente uma forte seleção francesa que não vai dar moleza. A decisão será no próximo domingo (15), às 12h (horário de Brasília), no mesmo palco em que despachou os inventores do futebol.

Na terça-feira (10), a França encarou a Bélgica em São Petersburgo. No primeiro tempo, a chamada “Geração Belga” encarou os Bleus de igual para igual, com os dois goleiros trabalhando muito. Mas o gol de Umtiti, de cabeça se antecipando a Fellaini, aos cinco minutos do segundo tempo, após aproveitar cobrança de escanteio de Griezmann. Com a vantagem, os franceses ficaram mais estáveis no decorrer do jogo e seguraram bem o resultado. Enquanto os belgas, por sua vez, tiveram mais posse, mas sem saber muito o que fazer com ela. Assim, pela terceira vez em 20 anos, a França chega à decisão da Copa do Mundo.

Na quarta-feira (11), foi a vez de Croácia e Inglaterra medirem forças no Estádio Lujniki, em Moscou. O English Team saiu na frente logo aos quatro minutos do primeiro tempo com Trippier cobrando falta. Mas, aos 22 minutos da etapa final, após cruzamento de Vrsaljko da direita, Perišić se antecipou a Walker na pequena área e esticou o pé para mandar a bola para as redes, antes do defensor inglês tirar de cabeça, empatou o jogo e levou a disputa para a prorrogação. Depois do empate, as duas equipes fizeram uma disputa acirrada, com ambas criando chances e parando nos goleiros. Antes da etapa regulamentar, a Croácia mandou uma bola na trave. No primeiro tempo da prorrogação, Stones cabeceou e Vrsaljko tirou em cima da linha. E, quando tudo se encaminhava para a disputa dos pênaltis, aos dois minutos do segundo tempo da prorrogação, Pivarić tentou cruzar da esquerda, a zaga afastou. Na sequência, Rakitić cabeceou de volta para a área, pegou a defesa inglesa desprevenida e Mandžukić, com oportunismo, ficou na cara de Pickford para virar o jogo para os croatas e escrever uma nova história na Copa do Mundo.

Com franceses e croatas decidindo o troféu mais cobiçado do planeta bola, certamente, essa final entrará para a história. De um lado, a Croácia que, como nação independente tem apenas 27 anos, poderá integrar o seleto grupo dos campeões mundiais e ficará ao lado de Espanha e França com um título cada e, em sua quarta participação em Copas do Mundo, poderá fazer uma proeza e tanto. No entanto, a França, caso ganhe o título, será bicampeã mundial assim como Argentina e Uruguai, e seu treinador Didier Deschamps repetirá o mesmo feito que apenas Zagallo e Franz Beckenbauer conseguiram: ser campeão do mundo como jogador e como treinador. A arbitragem ficará por conta do argentino Nestor Pitana, que será auxiliado por Hernan Maidana e Juan Pablo Belatti.

Enquanto isso, no sábado (14), em São Petersburgo, Bélgica e Inglaterra disputarão o terceiro lugar. Se os belgas vencerem, fará campanha superior ao time de 1986, que ficou em quarto lugar na Copa do Mundo disputada no México. Já no caso dos ingleses, independentemente do resultado, será a sua melhor colação em Mundial desde o título de 1966. Além disso, Harry Kane, com seis gols, e Lukaku, com quatro seguem na disputa pela artilharia do torneio.

Quem será que leva a Copa do Mundo no próximo domingo: França ou Croácia?

Por Jorge Almeida

Ira!: 30 anos de “Psicoacústica”

“Psicoacústica”, do Ira!, completou 30 anos no último mês de maio

No dia 11 de maio de 1988, portanto, há 30 anos, foi lançado “Psicoacústica”, o terceiro trabalho de estúdio dos paulistanos do Ira!. Gravado entre novembro de 1987 e janeiro no estúdio Nas Nuvens, Rio de Janeiro, a obra foi lançada pela WEA e produção assinada pela banda em conjunto com Paulo Junqueiro.

O quarteto formado por Edgard Scandurra (guitarra), Nasi (voz), Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) vinha de dois excelentes discos na bagagem (“Mudança de Comportamento”, de 1985, e “Vivendo e Não Aprendendo”, de 1986) e, assim como seus contemporâneos, estavam com o Rock Brasil a pleno vapor, com aparição em programas de TV, como o Cassino do Chacrinha, por exemplo, excursionando país afora e, depois da boa repercussão da primeira edição do Rock In Rio, em 1985, o Brasil entrou na rota dos principais shows de rock e festivais internacionais. E o Ira!, assim como os demais grupos do BRock, fizeram parte do cast de alguns desses. Mas, um evento em especial chamou a atenção, na verdade, provocou aquele adjetivo que fez jus ao nome do grupo.

O Ira! já estava em processo de gravação de seu terceiro disco quando foi convidado para fazer parte das atrações do Hollywood Rock de 1988. Os paulistas foram chamados para se apresentar na segunda edição e o resultado foi lamentável. Aproveitando do prestígio conquistado com clássicos do rock brazuca, como “Envelheço na Cidade“, “Flores Em Você“, “Pobre Paulista“, entre outros, os caras colocaram para fora toda a sua “ira” com os organizadores do festival tratavam os músicos brasileiros. Na conferência de imprensa para o evento, o grupo se rebelou e diante dos jornalistas reunidos ali (e também dos organizadores) denunciaram que os artistas brasileiros não recebiam cachê pelas apresentações e também tiveram um tratamento inferior aos nomes internacionais.

Embora tivesse razão, o Ira! ficou sozinho no protesto, já que os demais grupos brasileiros não se importaram e enxergaram o festival como chance de ampliar mais fama e prestígio. A indignação de Nasi e sua trupe tiveram consequências na apresentação, tais como sabotagens com falhas no som e interrupção do show pelos produtores do Hollywood Rock antes do término do show da banda, tudo isso rolando com o público enaltecendo o grupo. Dessa forma, o Ira! saiu do cenário dos grandes festivais por anos, sendo taxados de “rebelde sem causa”. O impacto que isso causou nos integrantes foi tão forte que, por pouco, a banda não encerrou suas atividades. Desiludido com o mainstream do rock nacional, Nasi e Jung passaram a ouvir outros gêneros, especialmente RAP e Hip Hop, para desespero de Scandurra.

A raiva adquirida pelo Ira! com esse incidente fez com que o Ira! se autoproduzisse e, com uma pequena colaboração do português Paulo Junqueiro, eles estavam livres para fazer o que quiserem e dispuseram toda sua fúria em um disco que, para os padrões da época, foi considerado abusado e ousado, fugindo totalmente dos “padrões midiáticos” para tocar nas rádios ao apresentar músicas com mais de cinco minutos de duração, o que justifica o fato de o álbum ter apenas oito faixas. O aspecto anticomercial do play culminou com o fracasso de vendas: apenas 50 mil cópias, porém, a crítica recebeu bem “Psicoacústica”. O crítico musical Thales de Menezes, em artigo ao caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, em 11 de maio de 1988, destacou que “é o disco mais ousado do Ira!. O grupo rompeu com a estrutura tradicional ‘1ª estrofe, refrão, 2ª estrofe, refrão, solo, refrão’ que norteava a maioria das músicas de seus dois primeiros LPs”.

O disco abre com “Rubro Zorro“, com a sua ‘intro’ pesada e com um riff rasgado de Scandurra. A música traz um sampler de um trecho do áudio do filme “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), que foi inspiração para a letra da música. Na sequência, “Manhãs de Domingo” segue a sonoridade dos primeiros álbuns do grupo, começa com Scandurra nos teclados fazendo parecer um coral de Igreja, seguido de um riff pesado e o baixo galopante de Gaspa. André Jung detonando os pratos. O guitarrista e Nasi dividem os vocais. Edgard menciona a expressão “amigos invisíveis”, frase que daria nome ao seu álbum solo, lançado em 1989. A canção dá uma diminuída no andamento e aparecem as vozes sobrepostas. Uma das minhas preferidas do álbum. Mantendo a pegada da faixa anterior, “Poder, Sorriso, Fama“, mas com Nasi sussurrando na música e Edgard, mais uma vez, destruindo tudo na guitarra, mas com uma pegada que remete ao início dos Mutantes, especialmente na parte que a guitarra de Scandurra sobrepõe a voz de Nasi. A obra chega à metade com “Receita Para Se Fazer Um Herói“, uma balada com pitadas de reggae à lá The Clash (uma das inspirações do Ira!) e que também tem outro sampler do já citado filme de Rogério Sganzerla. Aliás, essa música tem um caso bem peculiar. Edgard Scandurra recebeu a letra da música de um colega de quartel, no início dos anos 1980, chamado Esteves. O Ira! já tocava a música desde as suas primeiras apresentações e resolveu lançá-la no disco, mas o grupo não conseguiu entrar em contato com o tal Esteves para tratar da autorização da publicação da faixa – o que explica o “Esteves, cadê você?” na lista de agradecimentos do disco. Então, meses mais tarde, com o álbum já lançado, Esteves apareceu e ameaçou entrar na Justiça para exigir sua parte em dinheiro em relação aos direitos autorais. No entanto, uma leitora de uma revista de música especializada da época, a Bizz, percebeu a semelhança entre a letra de Esteves com a de um poema do escritor lusitano Reinaldo Ferreira. Ou seja, o Ira! poderia ser processado por plágio, mas pelo menos descobriu a farsa de Esteves e, para evitar um eventual litígio, a banda manteve contato com a viúva do poeta. Resultado: a música foi gravada e, na primeira edição em CD, o nome de Ferreira foi devidamente creditado.

O álbum abre o lado B com “Pegue Essa Arma“, outra inspirada em “O Bandido da Luz Vermelha”, com outro pesado riff de Edgard Scandurra, mas o grande destaque é o baixo de Gaspa que é responsável pelo seu ritmo. E, assim como Esteves, Sganzerla também fez exigência ao grupo por conta da extração dos áudios de seu filme. O tema seguinte é o ‘hardão’ “Farto de Rock ‘N’ Roll“, que é cantada por Scandurra, uma vez que Nasi se recusou a cantá-la. Edgard foi motivado a fazê-la por ter ficado incomodado com o vocalista e o baterista de sua banda se envolvendo com o universo do hip-hop e a música soou como uma espécie de “recado”. Na música, podemos constatar porque Edgard Scandurra é considerado um dos melhores guitarristas que esse país já teve. A penúltima faixa, “Advogado do Diabo“, começa com a batida do pandeiro, mas a música é “ecletizada” pela junção de elementos que misturam rock, rap e embolada nordestina, fazendo, assim, aquilo que na década seguinte ficou caracterizado na sonoridade de bandas como Nação Zumbi, Charlie Brown Jr. e Planet Hemp. E a obra finaliza com “Mesmo Distante“, um rock psicodélico cantado por Edgard Scandurra conduzida com violões e (muitos) efeitos de guitarra e sonoros, lembrando o hoje cinquentenário trabalho de estreia do Pink Floyd, “The Piper At The Gates Of Down” (1967).

A tiragem inicial do LP trazia encartado um óculos tridimencional, de forma que o fã deleitasse com a arte na capa dupla do disco, consistente em anaglifo nas cores verde e vermelha. Outra curiosidade relacionada ao disco é que a versão lançada em fita K7 trazia uma faixa a mais: uma versão ao vivo de “Não Pague Pra Ver“, gravada ao vivo no Hollywood Rock em São Paulo, como a quinta faixa do lado A.

O play não foi lançado em CD à época, embora o trabalho anterior fora lançado neste formato no ano anterior. Contudo, “Psicoacústica” teve sua edição em formato digital primeiramente na coletânea da série “2 É Demais!!” (1998), dedicada ao Ira!, dividindo o espaço com as faixas do quinto trabalho do quarteto, “Meninos da Rua Paulo” (1991). Em 2001, o disco ganhou a sua edição em CD individual, com direito a capa original e a readaptação da arte gráfica ao lançamento original, como parte do projeto “Arquivos Warner”, liderado por Charles Gavin (então baterista dos Titãs e ex-integrante do Ira!). Porém, o CD não traz nenhuma faixa-bônus.

Com um trabalho considerado inovador para a época, “Psicoacústica” trazia um material nenhum pouco convencional para as rádios e TV. Para começar, a dificuldade já se dava na definição do estilo do qual o álbum fazia parte. A faixa escolhida pela WEA para divulgar o trabalho foi “Pegue Essa Arma“, um fracasso total, comercialmente falando. É o típico disco certo lançado na época errada.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Psicoacústica:
Intérprete: Ira!
Lançamento: 11 de maio de 1988
Gravadora: WEA
Produtores: Ira! e Paulo Junqueiro

Nasi: voz e scratch áudio máster
Edgard Scandurra: guitarra, banjo, craviola, guitarras fantamasgóricas, caixa clara em “Mesmo Distante” e voz
Ricardo Gaspa: baixo e backing vocal
André Jung: bateria e backing vocal

Don Harris: trompetes em “Receita Para Se Fazer Um Herói
Roberto Firmino: teclados em “Receita Para Se Fazer Um Herói
William Forghieri: teclados

1. Rubro Zorro (Edgard Scandurra / André Jung / Ricardo Gaspa / Nasi)
2. Manhãs de Domingo (Edgard Scandurra)
3. Poder, Sorriso, Fama (Edgard Scandurra)
4. Receita Para Se Fazer Um Herói (Edgard Scandurra / Nasi / André Jung / Rircado Gaspa / Reinaldo Edgar Ferreira)
5. Pegue Essa Arma (Edgard Scandurra)
6. Farto de Rock ‘N’ Roll (Edgard Scandurra / Ricardo Gaspa)
7. Advogado do Diabo (Nasi / André Jung)
8. Mesmo Distante (Edgard Scandurra)

Por Jorge Almeida