Wings: 40 anos de “London Town”

“london Town”, do Wings: álbum demorou quase um ano para ser gravado por conta da terceira gravidez de Linda McCartney

No dia 31 de março de 2018, o sexto álbum de estúdio do Wings, banda de Paul McCartney pós-Beatles, “London Town”, completou 40 anos de existência. Produzido pelo próprio McCartney, o disco foi gravado entre fevereiro de 1977 e janeiro de 1978 nos estúdios londrinos Abbey Road e AIR Studios, e também e à bordo do iate Fair Carol, nas Ilhas Virgens, onde a empresa Record Plant instalara um estúdio móvel especial.

Depois do sucesso comercial estrondoso em 1976 com os álbuns “Wings At The Speed Of Sound”, que culminou com a bem sucedida turnê, e que permitiu o lançamento de “Wings Over The World”, o líder do grupo, Paul McCartney, havia planejado fazer algo semelhante no ano seguinte, mas as coisas não saíram do jeito que ele esquematizava, como uma turnê pelos Estados Unidos em 1977. Pois, a gravação do álbum foi realizada em um período tumultuado, e feito ao longo de onze meses em três estúdios diferentes, isso porque Linda McCartney descobrira que estava grávida do terceiro filho de Paul e também que a banda perdeu dois integrantes – Jimmy McCulloch e Joe English – durante as gravações de “London Town”, que quase teria seu nome intitulado como “Water Wings”.

As gravações tiveram início em fevereiro de 1977, em Abbey Road, com o registro de “Girls School”, que virou lado B do single de “Mull Of Kintyre” e a faixa-título do LP. Depois de dois meses de intervalo, as gravações foram continuadas na Escócia para o complemento de “Mull Of Kintyre”, que a banda lançou como compacto em novembro do mesmo ano. Outras faixas foram iniciadas neste período: “Name And Address” e “Backwards Traveller” – esta última, sendo finalizada em Abbey Road, dois meses depois.

De volta à Inglaterra, em outubro, o grupo voltou a trabalhar sem a presença de Jimmy McCulloch e Joe English, dando sequência às sessões no estúdio Abbey Road até o começo de dezembro. Neste período, Paul, Denny e Linda adicionariam vocais e instrumentos às canções pré-gravadas.

E, como a gravidez de Linda progrediu, foi necessário interromper as sessões para o disco e o grupo aproveitou para lançar o já citado single de “Mull Of Kintyre”. No período, o Wings sofreu duas baixas: o baterista Joe English, que deixou o grupo para retornar para os Estados Unidos e o guitarrista Jimmy McCulloch se retirou para se juntar ao Small Faces, em setembro. Depois de cinco anos, o Wings voltou a se resumir no trio Paul, Linda e Denny Laine que, inclusive, aparecem na capa do álbum.

O disco se saiu bem com os críticos e nas paradas, alcançando o quarto lugar no Reino Unido e o segundo lugar nos Estados Unidos, vendendo mais de um milhão de cópias, rendendo-lhe um disco de platina. Com o ápice do movimento punk na época, as vendas de “London Town” começaram a diminuir e, consequentemente, colocando fim ao pico comercial do Wings e uma ligeira queda comercial para McCartney.

O disco abre com a faixa-título que, com suas lindas vocalizações, poderia fazer parte de qualquer trabalho dos Beatles da segunda fase. Em seguida, o disco segue com “Café On The Left Bank“, um títpico rock apropriado para a década de 1970. O terceiro tema é a acústica “I’m Carrying“, que mostra um McCartney inspirado diante da gravidez de sua Linda. O play segue com a dobradinha “Backwards Traveller” e a instrumental “Cuff Link“. As duas são curtas, menos de três minutos cada, mas enquanto na primeira Paul canta rasgado e um excelente backing vocal, a segunda não compromete o desempenho do grupo. O guitarrista Denny Laine dá voz à balada semi-folk “Children Children“, que não chega a ser incrível, mas não decepciona. O álbum segue com a balada “Girlfriend“, que também foi gravada por Michael Jackson no ano seguinte em seu “Off The Wall“. Sem desmerecer o eterno Rei do Pop, mas prefiro a versão original. A obra chega a metade com o rock bacaninha de “I’ve Had Enough“.

O lado B do LP inicia com a ótima “With A Little Luck“, que foi lançada em compacto e chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos e o quarto lugar no Reino Unido. McCartney detona nos vocais e sem contar a linda melodia. Uma das melhores canções do ex-Beatle após o fim do Fab Four. Em seguida, a divertida e diferente “Famous Groupies“, que já foi citada na lista das doze músicas mais “esquisitas” de Paul, segundo a Rolling Stone. E, de acordo com o texto de Gavin Eduwards, a canção entrou na listagem por conta do monólogo em seu trecho final. O guitarrista Danny Laine apresenta a sua melhor contribuição para a banda com a excelente “Deliver Your Children“, que também traz um ótimo vocal de McCartney. O play chega ao seu momento final com uma boa trinca. Primeiro, a divertida “Name And Address“, que em sua ‘intro’ lembra vagamente “Lay Down Sally“, clássica faixa de “Slowhand” (1977), de Eric Clapton. A penúltima faixa é a “meia-boca” “Don’t Let It Bring You Down“, um folk que não chega a empolgar e que não faria nenhuma falta se não fosse gravada, sinceramente. E, para finalizar, o Wings traz, à sua maneira, o rock psicodélico de “Morse Moose And The Grey Goose“.

Em 1993, a obra foi remasterizada e lançada em CD, como parte da que se tornaria tradicional “The Paul McCartney Collection“, acrescida de duas faixas: “Mull Of Kintyre“, que foi lançada como compacto em 1977 e que foi o mais vendido no Reino Unido até 1984, quando foi batido pelo Band-Aid, e o seu lado B, a divertida “Girls School“, um rock que poderia facilmente figurar no tracklist do álbum no lugar, por exemplo, de “Don’t Let It…“.

Depois do lançamento de “London Town”, McCartney desfrutou de um merecido descanso e arranjando um tempo para apreciar o nascimento de James. Contudo, logo voltaria, com uma nova formação, para cair na estrada novamente.

E, como curiosidade, o guitarrista Denny Laine gravou versões de “Children Children” e “Deliver Your Children” no álbum intitulado “Wings at the Sound of Denny Laine” (1996).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão CD) da obra.

Álbum: London Town
Intérprete: Wings
Lançamento: 31 de março de 1978
Gravadoras: EMI/Parlophone/MPL Communications
Produtor: Paul McCartney

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, violino, piano, teclados, Chirimía, bateria, percussão, backing vocals
Denny Laine: guitarra, baixo, teclados, percussão, piano, backing vocals e voz em “Children Children” e “Deliver Your Children
Linda McCartney: vocais, teclados, piano e percussão
Jimmy McCulloch: backing vocals e guitarra
Joe English: backing vocals e bateria

1. London Town (McCartney / Laine)
2. Café On The Left Bank (McCartney)
3. I’m Carrying (McCartney)
4. Backwards Traveller (McCartney)
5. Cuff Link (McCartney)
6. Children Children (Mc Cartney / Laine)
7. Girlfriend (McCartney)
8. I’ve Had Enough (McCartney)
9. With A Little Luck (McCartney)
10. Famous Groupies (McCartney)
11. Deliver Your Children (McCartney / Laine)
12. Name And Address (McCartney)
13. Don’t Let It Bring You Down (McCartney / Laine)
14. Morse Moose And The Grey Goose (McCartney / Laine)
15. Girls School (McCartney)
16. Mull Of Kintyre (McCartney / Laine)

Por Jorge Almeida

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Exposição aborda sobre desaparecimento de povoado argentino no Paço das Artes

Vista parcial do Paço das Artes no MIS sobre a exposição relacionadas à cidade argentina de Bermúdez. Foto: Jorge Almeida

O Paço das Artes apresenta até o próximo dia 8 de julho, domingo, no MIS, a exposição “Bermúdez: Se Extinguen los Fieras?”, da artista Flávia Mielnik, que conta sobre o povoado argentino de Bermúdez, que está em processo de desaparecimento.

O título da mostra é a associação do nome da minúscula cidade rural argentina com o título de uma enciclopédia ilustrada que relaciona diversas espécies de animais felinos em risco de extinção.

Ao instalar uma estrutura narrativa constituída por objetos, imagens e textos, o objetivo da artista é mostrar sua experiência vivida neste local durante dez dias do mês de outubro de 2016.

Dentre as obras da mostra há um vídeo, de aproximadamente quatro minutos, em que os habitantes de Bermúdez recriam diversos espaços na cidade, atualmente abandonados.

A mostra faz parte do projeto anual de convocatória nacional promovido pelo Paço das Artes em que são selecionados nove projetos artísticos e um projeto de curadoria para serem elaborados e produzidos com o aval da instituição. Além dos trabalhos de Flávia Mielnik, o júri da Temporada de Projetos 2018 selecionou os projetos artísticos do suíço-brasileiro Guerreiro do Divino Amor, que expõe simultaneamente a Guerreiro, mas que já apresentou o projeto “Still Brazil”, entre janeiro e março, de Daniel Jablonski; “O Aparato”, do gaúcho João GG, e “Pintura e Reciclagem: Tudo Junto e Misturado”, do paulista Alex dos Santos, entre abril e maio; e que ainda apresentará ao longo do ano os projetos de Felipe Braga, Ismael Monticelli, Maíra Dietrich, Naiana Magalhães e o projeto curatorial de Juliana Caffé.

SERVIÇO:
Exposição: Bermúdez: Se Extinguen los Fieras?
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Paço no MIS – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 08/07/2018; de terça a sexta-feira, das 11h às 20h; sábado, das 10h às 21h; e domingo, das 11h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Cypress Hill realiza mega show no Espaço das Américas

Cypress Hill: apresentação acontece no dia 10 de outubro. Créditos: UTA divulgação

Retorno da banda ao Brasil acontece na quarta-feira, dia 10 de outubro

O multi-platinado grupo de hip-hop Cypress Hill retorna ao Brasil para um mega show na quarta-feira, dia 10 de outubro, no Espaço das Américas. A banda chega em grande estilo com B-Real e Sen Dog acompanhados de Eric Bobo, na percussão e o ilustre DJ Mix Master Mike, presença frequente ao lado dos Beastie Boys em álbuns e shows.

O primeiro álbum do Cypress Hill foi lançado em 1991, e vendeu mais de 2 milhões de cópias. Esse CD homônimo de estreia foi seguido pelo disco ‘Black Sunday’, que faturou três discos de platina e levou o Cypress pra o grande público, graças ao mega-hit ‘Insane in the brain’.

O Cypress Hill é respeitado como um dos mais importantes grupos da história do hip-hop. Eles, que já foram indicados ao Grammy, venderam mais de 18 milhões de álbuns ao redor do mundo e são considerados mentores do rap e hip-hop da Costa Oeste estadunidense.

Partidários da legalização da maconha desde o início da carreira, nos anos 90, eles ainda creem que o debate sobre o tema é relevante. “Procuramos educar as pessoas, além dos benefícios para a saúde, ou até mesmo do uso recreativo, a erva é uma injeção para a economia de qualquer país”, pondera B-Real. Com seu álbum de estreia ainda no topo das paradas, o Cypress Hill se tornou o primeiro grupo de rap a ter dois CDs no top 10 da Billboard, em 1993, quando lançaram ‘Black Sunday’, que chegou ao número um e atualmente estão em turnê de divulgação do álbum “Elephants on Acid”.

Os ingressos já estão à venda e podem ser comprados nas bilheterias do Espaço das Américas (de segunda a sábado das 10h às 19h – sem taxa de conveniência) ou on-line através do site da Eventim https://goo.gl/a3k823.

Serviço: Cypress Hill | Espaço das Américas
Data: 10 de outubro de 2018 (quarta-feira)
Abertura da casa: 19h30
Início do show: 22h
Censura: 18 anos
Local: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo – SP)
Acesso para deficientes: sim
Ingressos: Pista: R$ 80,00 (meia) e R$ 160,00 (inteira) | Pista Premium: R$ 130,00 (meia) e R$ 260,00 (inteira) | Mezanino: R$ 200,00 (meia) e R$ 400,00 (inteira).
Compras de ingressos: Nas bilheterias do Espaço das Américas (de segunda a sábado das 10h às 19h – sem taxa de conveniência ) ou Online pelo site Eventim https://goo.gl/a3k823
Formas de Pagamento: Dinheiro, Cartões de Credito e Debito, Visa, Visa Electron, MasterCard, Diners Club, Rede Shop. Cheques não são aceitos.
Objetos proibidos: Câmera fotográfica profissional ou semi profissional (câmeras grandes com zoom externo ou que trocam de lente), filmadoras de vídeo, gravadores de audio, canetas laser, qualquer tipo de tripé, pau de selfie, camisas de time, correntes e cinturões, garrafas plásticas, bebidas alcóolicas, substâncias tóxicas, fogos de artifício, inflamáveis em geral, objetos que possam causar ferimentos, armas de fogo, armas brancas, copos de vidro e vidros em geral, frutas inteiras, latas de alumínio, guarda-chuva, jornais, revistas, bandeiras e faixas, capacetes de motos e similares.

Informações a imprensa:
Assessoria Espaço das Américas | Talento Comunicação
Fabiana Villela | (11) 98686-3344 | imprensa@talentocomunicacao.com.br

Estela Lopes | (11) 94022-0303 | imprensa@talentocomunicacao.com.br

Créditos: Assessoria Talento Comunicação

Exposição “Superficções” no Paço das Artes

Vista parcial da exposição “Superficções” no Paço das Artes no MIS. Foto: Jorge Almeida

O Paço das Artes apresenta até o próximo dia 8 de julho, domingo, no MIS, a exposição “Superficções”, do artista suíço-brasileiro Guerreiro do Divino Amor, que apura forças camuflas e ficções de naturezas distintas, sejam elas geográficas, sociais, midiáticas, políticas ou religiosas, que intervém na construção do território e do imaginário coletivo.

Guerreiro constrói um atlas “superficcional” mundial, onde cada região empreendida aumenta novas superficções que discorrem entre si, incorporando-se umas às outras, de forma, como conceitua o próprio artista, “megalomaníaca”. São expostos de vídeos, publicações (como folders e livretos) e painéis de backlight animados.

Enquanto em “SuperRio Superficções”, Guerreiro explora um complexo ecossistema do Rio de Janeiro, em “Supercomplexo Metropolitano Expandido”, por sua vez, o artista averigua o conceito de cidade-máquina em São Paulo.

A mostra faz parte do projeto anual de convocatória nacional promovido pelo Paço das Artes em que são selecionados nove projetos artísticos e um projeto de curadoria para serem elaborados e produzidos com o aval da instituição. Além dos trabalhos de Guerreiro do Divino Amor, o júri da Temporada de Projetos 2018 selecionou os projetos artísticos de Flávia Mielnik, que expõe simultaneamente a Guerreiro, mas que já apresentou o projeto “Still Brazil”, entre janeiro e março, de Daniel Jablonski; “O Aparato”, do gaúcho João GG, e “Pintura e Reciclagem: Tudo Junto e Misturado”, do paulista Alex dos Santos, entre abril e maio; e que ainda apresentará ao longo do ano os projetos de Felipe Braga, Ismael Monticelli, Maíra Dietrich, Naiana Magalhães e o projeto curatorial de Juliana Caffé.

SERVIÇO:
Exposição: Superficções
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Paço no MIS – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 08/07/2018; de terça a sexta-feira, das 11h às 20h; sábado, das 10h às 21h; e domingo, das 11h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Europa manterá a supremacia na Copa do Mundo?

Copa do Mundo 2018: europeus estão em vantagem diante dos sulamericanos no momento. Foto: Carl Recine/Reuters

Com duas partidas envolvendo seleções sulamericanas nesta quinta-feira (21), em jogos válidos pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo FIFA 2018, que culminaram com derrotas do Peru para a França por 1 a 0 e da Argentina para a Croácia por 3 a 0, diminuíram as chances de o Mundial ficar com um representante da Conmebol e, com isso, aumente mais a possibilidade de o troféu mais cobiçado do futebol permanecer pela Europa.

Desde quando foi criada, em 1930, a Copa do Mundo sempre foi ganha por seleções europeias ou sulamericanas. Porém, a partir de 2006, apenas equipes do Velho Continente se sagraram campeãs do certame, ou seja, uma sequência de três títulos seguidos para países afiliados da UEFA, um feito inédito na história das Copas, já que europeus e sulamericanos mantinham, no máximo, duas conquistas seguidas e, com o desempenho dos selecionados da América do Sul nesta Copa, com exceção do Uruguai, a hegemonia europeia pode ser mantida.

Ao longo dos Mundiais, excetuando a final da Copa do Mundo de 2010 protagonizada por Espanha e Holanda, a decisão sempre contou a presença de Brasil, Argentina, Itália ou Alemanha. Contudo, em 2018, pelo que tem apresentado três desses campeões mundiais no começo da competição (a Itália não conta porque não se classificou para o Mundial da Rússia), pode ser que a escrita seja quebrada mais a uma vez. Isso porque a atual campeã, Alemanha, perdeu para o México na estreia e, se for superada pelos suecos na próxima partida, no sábado (23), poderá dar adeus às chances do pentacampeonato. Enquanto isso, a última vice-campeã mundial, Argentina, também se complicou nesta Copa: empatou na estreia contra a surpreendente Islândia e hoje, 21 de junho, tomou um vareio da Croácia e, embora não tenha sido eliminada, poderá ficar pelo caminho na fase de grupos, como em 2002. O Brasil, por sua vez, apesar do empate contra a Suíça em 1 a 1 na primeira rodada, está em situação menos complicada, mas um tropeço amanhã diante de uma Costa Rica em crise, o panorama mudará.

A fase de grupos, até o momento, evidenciou a força das seleções europeias, que predominaram as sulamericanas. Dos cinco representantes da América do Sul, apenas o Uruguai venceu – duas vitórias – e está com a classificação para as oitavas-de-final assegurada. A Argentina empatou e perdeu uma. O Brasil empatou, enquanto Colômbia e Peru perderam, sendo este último que, com a derrota de hoje para os franceses, está matematicamente eliminado do torneio. Enquanto isso, dos europeus, apenas Alemanha e Polônia perderam.

Com essa situação, fica claro que o mundo da bola mudou e que, na Copa do Mundo, apenas camisa não ganha mais jogo. Campeões mundiais, embora ainda com apenas um título, França, Espanha e Inglaterra podem alcançar os bicampeões mundiais Argentina e Uruguai em número de Copas do Mundo neste ano. Além deles, equipes emergentes como Portugal, Croácia e Bélgica merecem toda atenção, pois, se um deles entrarem na galeria dos campeões do mundo não será nenhum absurdo. A Rússia, apesar de não acreditar muito em possibilidade de título, pode aprontar pelo fato de jogar em casa, e sempre bom tomar cuidado com aqueles intermediários chatos de sempre – México, Polônia e Suécia.

Já africanos, asiáticos e seleções da Concacaf não devem fazer muita resistência aos europeus e, talvez, sulamericanos.

E, só para reforçar: oito países já sentiram o gosto de erguer uma Copa do Mundo: cinco europeias (Itália, Alemanha, Inglaterra, França e Espanha) e três sulamericanas (Brasil, Argentina e Uruguai). E, de todos eles, o Uruguai é o que está há mais tempo no jejum: desde 1950.

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 35 anos de “The Final Cut”

“The Final Cut”: o “álbum solo” de Roger Waters lançado pelo Pink Floyd completou 35 anos em 2018

O álbum “The Final Cut”, do Pink Floyd, completou 35 anos de seu lançamento no último dia 21 de março. O disco foi o 12º trabalho de estúdio da banda britânica de rock progressivo e o derradeiro de Roger Waters como integrante do grupo, que produziu o play em conjunto com James Guthrie e Michael Kamen. A obra foi distribuída pela Harvest no Reino Unido e, semanas depois, pela Columbia Records pelos Estados Unidos.

Apesar do sucesso estrondoso adquirido com o trabalho anterior, “The Wall” (1979), a tensão tomava conta dos integrantes do Pink Floyd nos primeiros anos da década de 1980. Aliás, antes mesmo, ainda durante a produção de “The Wall”, Richard Wright foi expulso da banda, mais precisamente por Waters, sob a alegação de que estaria “ultrapassado” para os moldes pelos quais o grupo estaria a trilhar, de acordo com os planos de Roger. Sem o tecladista, a banda seguiu como um trio, mas nas gravações de “The Final Cut”, o baixista estava à frente neste que foi mais um disco conceitual do Pink Floyd. Para muitos, o álbum é praticamente um trabalho solo de Roger Waters com o Pink Floyd (leia-se David Gilmour e Nick Mason) como “banda de apoio”.

Com Roger Waters praticamente ditando o andamento do álbum, que é o mais depressivo do Pink Floyd, a obra foi dedicada em memória de seu pai, Eric Fletcher Waters, que faleceu durante a II Guerra Mundial (1939-1945) e, para ira de Waters, a sua insatisfação com a Inglaterra se envolvendo com a Argentina na Guerra das Malvinas, logo, que a capa, o título e as letras, todas criadas por Roger, tenha em seu eixo central a temática associada à guerra.

Claro que a crise de relacionamento entre eles, especialmente envolvendo Roger e David Gilmour, só piorou ao longo das gravações que, aliás, foram feitas em oito estúdios, tanto que, supostamente, eles não se viam durante as gravações. O guitarrista ficou em uma situação desconfortável com o monopólio das letras, todas de Waters, sob a parte instrumental. Além disso, Gilmour queria que a banda seguisse a produzir rock de qualidade e percebeu que Waters estava construindo sequências de peças de canções meramente como um veículo para suas letras críticas sociais.  Enquanto isso, o baterista Nick Mason ficou de fora de algumas faixas, sendo substituído pelos músicos Andy Newmark e Ray Cooper. E, para ocupar a vaga deixada por Richard Wright, Michael Kamen e Andy Bown contribuíram no trabalho de piano e teclados.

O disco abre com “The Post War Dream“, que premia o ouvinte com um excelente arranjo de cordas, cortesia do citado Kamen. Em seguida, vem “Your Possible Pasts“, com um solo arrebatador de David Gilmour e olhe que o guitarrista estava “p. da vida” com os direcionamentos “impostos” por Waters. Já em “One Of The Few“, a feeling inigualável da voz de Roger colabora com a monotonia da música. Em “When The Tigers Broke Free“, que faz parte apenas da versão em CD do álbum, está relacionada diretamente à morte do pai de Roger Waters e esteve presente no filme “The Wall“. O quinto tema é a pop “The Hero’s Return“, que o baixista tentou deixar menos ameno das faixas anteriores. Já em “The Gunner’s Dream“, uma das mais fortes da obra, ganha destaque para o saxofone bem executado. Se bem que, se o tema principal do disco fosse o futebol, esse título cairia bem para o Arsenal, time de coração de Roger Waters, com relação à Champions League.

E o disco chega à metade com “Paranoid Eyes“, em que sua sonoridade lenta é bem acompanhada pelo piano de Kamen. Posteriormente, a curta “Get Your Filthy Hands Off My Desert“, atua como uma ligação para “The Fletcher Memorial Home“, onde a melancolia pura marca presença e que, evidentemente, o sobrenome do pai de Waters se faz presente e que Roger culpa diversos nomes políticos pela Guerra das Malvinas. A décima canção, “Southampton Dock“, é um folk em que Waters canta e fala ao longo da música, que abre espaço para a faixa-título, que tem como protagonistas o excepcional Kamen e outro ótimo solo de David Gilmour. A penúltima faixa do play é “Not Now John“, que é a música mais próxima do Hard Rock do álbum, e que, coincidentemente, é uma das mais pesadas (em todos os aspectos) e é a única que teve a participação de David Gilmour na autoria e nos vocais principais. Talvez, seja a faixa mais conhecida do disco. E, para finalizar, “Two Suns In The Sunset“, em que Waters apresenta uma visão cínica de uma eventual guerra nuclear.

Embora seja, oficialmente, um disco do Pink Floyd, o nome da banda não aparece escrito na capa em algumas versões. Roger Waters recebeu todos os créditos pelo álbum, que tornou-se um esboço da sonoridade que ele faria nos discos seguintes em sua carreira solo. Dizem que David Gilmour pediu ao baixista para segurar o lançamento de “The Final Cut” para que pudesse apresentar mais material suficiente para colaborar, mas Waters negou. Sobre o pouco (ou quase nada) envolvimento dos companheiros de banda no processo criativo das músicas, Roger dizia que eles nunca entenderam totalmente a importância dos comentários sociais feitos por ele nas músicas. No fim da gravação, prestes à prensagem do disco, o crédito de co-produção de David Gilmour foi retirado do encarte do álbum, embora tenha recebido os direitos autorais.

Depois do lançamento do disco, que não teve turnê de divulgação, cada integrante seguiu em trabalhos solo. Nesta época, Roger Waters anunciou a sua saída do grupo, mas tentou impedir que David Gilmour e Nick Mason utilizasse o nome Pink Floyd futuramente, mas perdeu a causa e ainda teve os ex-companheiros lançarem projetos posteriores com o nome do grupo e com a inclusão de Richard Wright.

O rancor dos demais integrantes do Pink Floyd com Roger Waters em relação a “The Final Cut” é tanto que, muitas vezes, David Gilmour, crítico ferrenho do álbum, considerou diversas vezes o disco como trabalho solo de Waters e que nenhuma de suas músicas foram executadas ao vivo pelo Pink Floyd. Já Roger Waters executou algumas músicas dele em suas turnês solo.

Bom, para quem é fã ardoroso do baixista, o play é mais recomendado do que para os fanáticos por David Gilmour. Para quem aprecia a obra do Pink Floyd, o disco divide opiniões.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Final Cut
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 21/03/1983 (Reino Unido) / 02/04/1983 (EUA)
Gravadora: Harvest (Reino Unido) / Columbia (EUA) / Capitol Records (EUA / 2005)
Produtores: Roger Waters, James Guthrie e Michael Kamen

Roger Waters: voz, baixo, guitarra rítmica, violão e sintetizadores
David Gilmour: guitarra, backing vocal e voz em “Not Now John
Nick Mason: bateria

Michael Kamen: piano e acordeão
Andy Bown: órgão Hammond
Ray Cooper: percussão
Andy Newmark: bateria em “Two Suns In The Sunset
Raphael Ravenscroft: saxofone tenor
Doreen Chanter e Irene Chanter: backing vocals em “Not Now John
The National Philarmonic Orchestra: arranjos e direção de Michael Kamen

1. The Post War Dream (Waters)
2. Your Possible Pasts (Waters)
3. One Of The Few (Waters)
4. When The Tigers Broke Free (Waters)
5. The Hero’s Return (Waters)
6. The Gunner’s Dream (Waters)
7. Paranoid Eyes (Waters)
8. Get Your Filthy Hands Off My Desert (Waters)
9. The Fletcher Memorial Home (Waters)
10. Southampton Dock (Waters)
11. The Final Cut (Waters)
12. Not Now John (Waters / Gilmour)
13. Two Suns In The Sunset (Waters)

Por Jorge Almeida

Palmas: campeão tocantinense de 2018

Palmas Futebol e Regatas: campeão tocantinense após 11 anos de jejum

No Estádio Nilton Santos, na capital do Tocantins, o Palmas ganhou do Gurupi por 2 a 1 na segunda partida da final do Campeonato Tocantinense 2018 na noite desta quarta-feira (20), e conquistou o título estadual pela sexta vez em sua história, depois de um tabu de onze anos sem erguer a taça do torneio. Os gols da partida foram marcados por Diniz e Cleiton para a equipe da capital, enquanto Gean Fernandes descontou para o time do interior. Como o primeiro jogo ficou no empate em 2 a 2, quem triunfasse hoje ficaria com o troféu.

A partida começou equilibrada entre as equipes, enquanto o Palmas tomara a iniciativa, o Gurupi conseguia se segurar. O jogo ficou bastante disputado no meio-de-campo. Aos 19, o Camaleão do Sul teve uma boa oportunidade através da cobrança de falta. Mas Adriano mandou a bola para longe. No minuto seguinte, Almir avançou e cruzou na medida para Diniz marcar de cabeça e colocar o Tricolor de Palmas na frente. Curiosamente, o tento do time da casa saiu quando o visitante estava melhor na partida.

O Gurupi tentou reagir aos 26 com Tozim, que tentou uma jogada individual, se atrapalhou e a bola saiu pela lateral. No entanto, os visitantes sentiram o gol e a equipe palmense ganhou confiança depois do tento e esteve mais perto do segundo. Aos 38, João Vítor pegou a sobra da defesa e soltou a pancada, Matheus espalmou e mandou para o escanteio. Na sequência, Almir pegou a sobra e acertou a trave.

Os primeiros minutos da etapa final trouxeram uma partida truncada e sem grandes ameaças às duas metas. Até que, aos 11, Adriano bateu com a esquerda e Paulo Henrique espalmou a bola e evitou a igualdade.

O Gurupi tentou atacar ao insistir em cobranças de faltas e escanteio, mas sempre parando no bloqueio da defesa do tricolor da capital. E, assim como no tempo inicial, quando estava melhor na partida, o Camaleão do Sul foi surpreendido aos 21 minutos. Wesley Cabeludo, substituto de Jonas, cobrou a falta e, de cabeça, Cleiton ampliou o placar para o Palmas, 2 a 0.

Com a vantagem, os donos da casa administraram o jogo enquanto o rival ainda buscava diminuir a diferença para entrar no páreo. Aos 32, a partida foi paralisada por conta de desentendimento entre Walisson e Nikson, mas os ânimos foram controlados pelo árbitro Eduardo Fernandes.

No entanto, aos 38, o Gurupi conseguiu diminuir com Gean Fernandes, que bateu de direita e colocar fogo na decisão.

Com a diferença de um gol no marcador, o time do interior não desistiu e tentou buscar o empate indo para o famoso “tudo ou nada”. Contudo, aos 49 minutos, o árbitro decretou o final da decisão no Nilton Santos: vitória do Palmas por 2 a 1 e, consequentemente, 4 a 3 no placar agregado.

Com o título, o Palmas conquistou o seu sexto título tocantinense e, agora, juntamente com o Gurupi, se tornou o maior campeão do Tocantins e, de quebra, encerrou um tabu de 11 anos sem títulos.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da final.

Primeira Fase:
31/03 – Araguaína 1×1 Palmas – Mirandão, Araguaína (TO)
07/04 – Palmas 1×0 Sparta – Nílton Santos, Palmas (TO)
10/04 – Paraíso 0x0 Palmas – Pereirão, Paraíso do Tocantins (TO)
14/04 – Palmas 4×1 Tocantinópolis – Nílton Santos, Palmas (TO)
17/04 – Interporto 0x0 Palmas – General Sampaio, Porto Nacional (TO)
21/04 – Palmas 0x2 Gurupi – Nílton Santos, Palmas (TO)
28/04 – Palmas 3×0 Araguaína – Nílton Santos, Palmas (TO)
28/04 – Paraíso 0x0 Gurupi – Pereirão, Paraíso do Tocantins (TO)
16/05 – Sparta 2×2 Palmas – Mirandão, Araguaína (TO)
19/05 – Palmas 3×0 Paraíso – Nílton Santos, Palmas (TO)
26/05 – Tocantinópolis 0x0 Palmas – Ribeirão, Tocantinópolis (TO)
02/06 – Palmas 1×1 Interporto – Nílton Santos, Palmas (TO)
05/06 – Gurupi 4×0 Palmas – Resendão, Gurupi (TO)
Semifinais:
09/06 – Palmas 1×0 Tocantinópolis – Nílton Santos, Palmas (TO)
13/06 – Tocantinópolis 0x1 Palmas – Ribeirão, Tocantinópolis (TO)
Final:
16/06 – Gurupi 2×2 Palmas – Resendão, Gurupi (TO)
20/06 – Palmas 2×0 Gurupi – Nílton Santos, Palmas (TO)

FICHA TÉCNICA: PALMAS 2×1 GURUPI
Competição/Fase:
Campeonato Tocantinense 2018 – final (2º jogo)
Local: Estádio Nílton Santos, Palmas (TO)
Data: 20 de junho de 2018, quarta-feira – 20h15 (horário de Brasília)
Árbitro: Eduardo Fernandes (TO)
Assistentes: Samuel Smith (TO) e Fernando Gomes (TO)
Cartões Amarelos: Rogério Tenente, Léo e Pierre (Palmas); Bruno Henrique e Héder (Gurupi)
Gols: Diniz, aos 20 min do 1º tempo (1-0); Cleiton, aos 21 min (2-0); e Gean Fernandes, aos 38 min do 2º tempo (2-1)
PALMAS: 1.Paulo Henrique; 3.Cleiton, 4.Edson e 5.Pierre; 17.Rogério Tenente, 18.Léo, 20.Jonas (15.Wesley Cabeludo), 8.João Vítor e 6.Almir; 19.Diniz (14.Nikson) e 11.Anderson (23.Emerson). Técnico: Souza
GURUPI: 1.Matheus; 2.Gean Fernandes, 3.Vítor Melo, 4.Wallison e 19.Caio Vinícius; 5.Bruno Henrique, 8.Leandro (20.Lucas Cassiano), 7.Gilvan Ferreira e 17.Alex Augusto (21.Paulinho); 11.Adriano e 9.Tozim (18.Héder). Técnico: Wladimir Araújo

Parabéns ao Palmas Futebol e Regatas pelo título.

Por Jorge Almeida