França: campeã da Copa do Mundo FIFA 2018

Jogadores da França erguem o troféu mais cobiçado do mundo. Foto: REUTERS/Darren Staples

A França consagrou-se bicampeã mundial ao derrotar a Croácia por 4 a 2 na final da Copa do Mundo FIFA 2018, no Estádio Lujniki, em Moscou. Com gols de Mandžukić (contra e que também descontou para os croatas), Griezmann, de pênalti, Pogba e Mbappé, os Bleus foram cirúrgicos diante dos esgotados croatas, que chegaram a empatar com Perisić deixando a partida em 1 a 1 no primeiro tempo. Mas os franceses chegaram mais inteiros na decisão e conseguiram fazer os gols diante dos heroicos croatas, que vinham de uma sequência de três prorrogações. Com o título, a seleção “tricolore” se junta a Argentina e Uruguai com duas Copas do Mundo cada. Desde 2002, essa foi a primeira decisão de Mundial que não foi para a prorrogação.

Antes de a bola rolar, a tradicional cerimônia de encerramento que teve entre as atrações o ator (e cantor) Will Smith e do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e, claro, presença das autoridades dos dois países (Emanuel Macron, representante francês e a presidente da Croácia Kolinda Grabar-Kitarović) em conjunto com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Capitão da Alemanha no título de 2014, Phillipp Lahm entrou em campo com a taça ao lado da modelo Natalia Vodianova e a apresentou ao estádio (como campeão mundial, ele tem autorização de tocar no troféu sem usar luvas).

A Croácia tomou a iniciativa do jogo mantendo a posse de bola e a França se controlando no campo de defesa. Aos dez. Rakitić fez um bom lançamento para Perišić na área, mas o camisa 4 errou no domínio e deixou a bola sair. Os comandados de Zlatko Dalić tomavam conta da partida nos primeiros quinze minutos.

Aos 17, Griezmann chegou próximo da área e, na tentativa de passar pela marcação, caiu e pediu falta, e o árbitro argentino Nestor Pitana marcou. Na cobrança, o camisa 7 levantou na área, Varane tentou desviar, não alcançou e, para sua infelicidade, Mandžukić resvalou de cabeça na bola e mandou contra o próprio patrimônio: 1 a 0 para a França.

A seleção do uniforme quadriculado tentou dar o troco de imediato. Aos 20 Modrić jogou a redonda na área e Vida cabeceou para fora. Os franceses responderam aos 22 com Pogba lançando Mbappé, que foi desarmado no momento exato por um carrinho salvador de Vida. Aos 28, Modrić cobrou falta em direção à área, Vrsaljko subiu e escorou para o meio, Mandžukić disputou no alto com Pogba, e Rebić também desviou, até que Vida pegou a sobra e escorou para Perišić, que limpou Kanté e soltou a bomba com a esquerda. A bola desviou em Varane e foi para as redes. Empate da Croácia.

Mas, o camisa 4 foi do céu para o inferno em menos de dez minutos. Aos 33, Griezmann cobrou escanteio no primeiro pau, Matuidi tentou o desvio, o mesmo Perišić, autor do gol de empate dos croatas, mandou a bola para escanteio. Os franceses reclamaram ao árbitro que o desvio do feito com a mão e, diante dos protestos, Nestor Pitana foi consultar o VAR e confirmou o pênalti. Na cobrança, Griezmann cobrou no canto esquerdo de Subašić e colocou a França na frente novamente.

Os valentes Vatreni não se abateram e partiram para a luta. Aos 40, Perišić partiu em velocidade pela esquerda e cruzou para Rebić, que finalizou travado e a bola sobrou limpa para Lloris. E, antes do final da etapa inicial, aos 43, Rakitić cobrou escanteio, a redonda foi desviada na primeira trave e bateu na zaga francesa e saiu. Depois do novo escanteio, a bola ficou “viva” na área e Giroud aliviou ao dar um chutão e afastar o perigo. Dois minutos mais tarde, após outro escanteio, foi a vez de Vida desviar de cabeça e mandar a esférica para fora. Aos 47, Vrsaljko cruzou na área, mas Perišić chegou atrasado. A Croácia criou boas chances de empatar no primeiro tempo, mas não obteve êxito. A decisão chegou ao intervalo com vantagem francesa. Aliás, essa foi a primeira final de Copa do Mundo com três gols no primeiro tempo desde a decisão de 1974 e a primeira com pelo menos três tentos desde 1998.

No minuto inicial da segunda etapa, a Croácia voltou a pressionar, com Rebić tocando para Vrsaljko, que cruzou na área e Lloris saiu para ficar com a bola. Os franceses contra-atacaram no lance seguinte em jogada pela direita com Giroud, que ajeitou para Griezmann bater de fora da área e Subašić pegou sem dificuldades. Na sequência, foi a vez de Lloris subir e defender o chute de Rebić. O arqueiro francês atuou de lídero, aos quatro, depois que Brozović tentou lançar  Perisić em profundidade. A seleção croata seguiu a pressão, investindo especialmente nas jogadas pelas laterais.

Aos seis, Pogba lançou Mbappé pela direita, o camisa 10 deu uma arrancada, deixou Vida para trás, bateu cruzado, mas Subašić se antecipou e travou o chute do atacante do PSG. Em seguida, os stewards tiveram de entrar em ação porque, quando a Croácia puxava contra-ataque com Rakitić, três torcedores invadiram o campo e foram retirados.

A partida seguiu. Contudo, aos 13, Pogba lançou (mais uma vez) Mbappé pela direita, que cruzou para Griezmann. O jogador do Atlético de Madrid ajeitou para o mesmo Pogba, que chegou batendo, mas a bola bateu na zaga e o camisa 6 ficou com o rebote, deu um tapa com o pé esquerdo e aumentou a vantagem dos Bleus: 3 a 1.

Precisando atacar para amenizar o prejuízo, a Croácia foi deixando espaços para a França contra-atacar e tentar apertar a saída. Porém, aos 19, Hernández em jogada pela esquerda, passou por Mandžukić e tocou no meio para Mbappé, que recebeu na entrada da área e bateu firme no canto de Subašić e sacramentar o título da França: 4 a 1. Com o tento, o camisa 10, no auge de seus 19 anos, é o segundo jogador mais jovem a fazer gol em final de Copa do Mundo, ficando apenas atrás de Pelé que, em 1958, com 17 anos fez dois contra a Suécia na ocasião.

Apesar de estar com uma enorme desvantagem de três gols, a valente equipe croata não se entregou. Aos 23, Varane recuou a bola para Lloris que, sozinho, tentou fintar Mandžukić, mas o experiente atacante chegou na dividida, tomou a bola, que foi parar nas redes. Imediatamente, o jogador da Juventus pegou a redonda para colocá-la no círculo central.

Em seguida ao gol croata, a França tratou de trocar passes para dar uma acalmada no ímpeto do adversário, que tentou acelear o jogo em busca do improvável empate. Aos 32, Modrić jogou na área, Varane afastou e, na sobra, Rakitić tentou de fora da área, por cima do gol. Quatro minutos depois, Pjaca, que entrou no lugar de Strinić, foi lançado nas costas da zaga, mas errou o domínio que o deixaria cara a cara com Lloris.

Com uma vantagem confortável, a França fez o “feijão com arroz” e ainda deu tempo de uma tentativa. Aos 41, depois de receber de Griezmann, Fekir (substituto de Giroud, o camisa 9 que não marcou gol nesta Copa) tentou de fora da área, mas Subašić caiu e fez a defesa. Na sequência, Rakitić arriscou de fora da área e mandou por cima do gol.

Nos acréscimos, aos 47, Mbappé cobrou falta na área, Pogba apareceu sozinho e, na hora de finalizar, furou e desperdiçou uma grande chance. Mas, tudo bem, ele tem crédito com os companheiros. Eis que aos 50 minutos, Nestor Pitana decretou o fim de jogo, em Moscou, França 4, Croácia 2. Depois de 20 anos, os Bleus conquistam o mundo novamente. E, com o feito, Didier Dechamps repete o feito conseguido apenas por Zagallo e Franz Beckenbauer: campeão mundial como jogador e como treinador. Inclusive, com seis gols na decisão deste domingo, esse foi a final com mais gols desde 1958, quando o Brasil fez 5 a 2 na Suécia.

Merecidamente França e Croácia chegaram a essa decisão. Talvez, o chaveamento das fases anteriores favoreceu mais os croatas até a final. Porém, isso não desmerece a campanha da seleção xadrez. Afinal, eles terminaram líderes do grupo que tinha uma das favoritas ao título, a Argentina que, inclusive, tomou um chocolate deles. No mata-mata, Modrić e companhia sempre começaram com a desvantagem, mas conseguiram a reação e levaram as partidas sempre para a prorrogação. E, com isso, praticamente chegaram à finalíssima fazendo “sete jogos em oito” (contabilizando que, somados, todos os minutos disputados na prorrogação foi o equivalente a uma partida inteira, ou seja, cerca de 90 minutos). Essa sequência de tempos extras, talvez, tenha feito a diferença na preparação para o jogo derradeiro desta Copa. Por outro lado, os Bleus, simplesmente deixaram dois campeões do mundo pelo caminho (Argentina e Uruguai) e, na semifinal, eliminou a seleção que tirou outro favorito ao título do caminho na fase anterior e que trazia aquela que é considerada a melhor geração de futebol de seu país, a Bélgica.

Fisicamente mais exaustos, a Croácia encarou a França de igual para igual. Tomou a iniciativa e era melhor no jogo quando o gol francês saiu após a infelicidade de Mandžukić em desviar a bola que balançou as próprias redes, justo ele, o responsável pelo tentou que colocou o seu jovem país à inédita final de Copa do Mundo. Os croatas ainda reagiram e empataram.com um golaço de Perišić, que cometera o pênalti pouco tempo depois. Os franceses, por sua vez, tiraram proveito da velocidade de seu setor ofensivo, especialmente com Mbappé e a categoria de Paul Pogba e, chegaram aos outros dois gols justamente com eles. Mesmo perdendo por 4 a 1, a Croácia não jogou a toalha (sem trocadilho com o quadriculado de seu uniforme) e ainda descontou com Mandžukić. Mas, não foi dessa vez que o futebol teve um novo campeão mundial, mas consolidou uma safra de jovens valores franceses que ainda vão dar muito o que falar. Na final, a Croácia caiu, mas caiu de pé. Não desistiram da luta. Foram guerreiros e, certamente, apesar do vice-campeonato, serão recebidos como heróis em Zagreb. Mas os franceses fizeram por merecer o título. Jogaram bem nessa Copa. E é bem capaz de um jovem de 19 anos roubar a cena na premiação de melhores do mundo e ameaçar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo.

Nas premiações individuais, o inglês Harry Kane levou a Chuteira de Ouro, por ter sido o artilheiro da Copa com seis gols, enquanto Griezmann e o belga Lukaku, ambos com quatro gols, ficaram com as Chuteira de Prata e Bronze, respectivamente. Já o Prêmio FIFA Bola de Ouro, concedido ao melhor jogador do torneio, ficou com Modrić, enquanto Hazard ficou com a Bola de Prata e Griezmann com a Bola de Bronze. Além deles, Courtois também foi premiado com a Luva de Ouro, dada ao melhor goleiro da competição, e Mbappé foi agraciado com o Prêmio FIFA Melhor Jogador Jovem. A seleção da Espanha recebeu o Troféu FIFA Fair Play por ter sido a equipe menos faltosa. E, só para reforçar: na disputa do terceiro lugar, a Bélgica fez 2 a 0 na Inglaterra.
Com o título da Copa do Mundo, a França completa uma trinca curiosa de três bicampeonatos: Copa do Mundo (1998 e 2018), Eurocopa (1984 e 2000) e Copa das Confederações (2001 e 2003).

E, assim, termina a Copa do Mundo FIFA 2018, que já entrou para a história e deixará saudades. Agora, que venha o Mundial de 2022, que será disputado no Catar no final do ano devido às condições climáticas do país.

A seguir, a relação dos jogadores campeões mundiais, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Núm. / Jogador / Posição / Clube:
1. Hugo Lloris – goleiro – Tottenham (ING)
16. Steve Mandanda – goleiro – Olympique de Marseille (FRA)
23. Areola – goleiro – Paris Saint-Germain (FRA)
2. Benjamin Pavard – zagueiro e lateral – Stuttgart (ALE)
3. Presnel Kimpembe – zagueiro – Paris Saint-Germain (FRA)
4. Raphael Varane – zagueiro – Real Madrid (ESP)
5. Samuel Umtiti – zagueiro – Barcelona (ESP)
17. Adil Rami – zagueiro – Olympique de Marseille (FRA)
19. Djibril Sidibé – lateral – Monaco (FRA)
21. Lucas Harnández – zagueiro e lateral – Atlético de Madrid (ESP)
22. Benjamin Mendy – lateral – Manchester City (ING)
6. Paul Pogba – meia – Manchester United (ING)
8. Thomas Lemar – meia – Atlético de Madrid (ESP)
12. Corentin Tolisso – meia – Bayern de Munique (ALE)
13. N’Golo Kanté – meia – Chelsea (ING)
14. Blaise Matuidi – meia – Juventus (ITÁ)
15. Steve N’zonzi – meia – Sevilla (ESP)
7. Antoine Griezmann – atacante – Atlético de Madrid (ESP)
9. Olivier Giroud – atacante – Chelsea (ING)
10. Kylian Mbappé – atacante – Paris Saint-Germain (FRA)
11. Ousmane Dembélé – atacante – Barcelona (ESP)
18. Nabil Fekir – atacante – Lyon (FRA)
20. Florian Thauvin – atacante – Olympique de Marseille (FRA)
Técnico: Didier Deschamps

Fase de Grupos (Grupo C):
16/06 – França 2×1 Austrália – Arena Kazan, Cazã
21/06 – França 1×0 Peru – Estádio Central, Ecaterimburgo
26/06 – Dinamarca 0x0 França – Estádio Lujniki, Moscou
Oitavas-de-final:
30/06 – França 4×3 Argentina – Arena Kazan, Cazã
Quartas-de-final:
06/07 – Uruguai 0x2 França – Estádio de Nijni Novgorod, Nijni Novgorov
Semifinal:
10/07 – França 1×0 Bélgica – Estádio Krestovsky, São Petersburgo
Final:
15/07 – França 4×2 Croácia – Estádio Lujniki, Moscou

FICHA TÉCNICA: FRANÇA 4×2 CROÁCIA
Competição/fase:
Copa do Mundo FIFA 2018 – final (jogo único)
Local: Estádio Luzhniki, Moscou, Rússia
Data: 15 de julho de 2018, domingo – 12h (horário de Brasília)
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Assistentes: Hernan Maidana (ARG) e Pablo Belatti (ARG)
Cartões Amarelos: Kanté e Hernández (FRA); Vrsaljko
Gols: Mandžukić (contra), aos 18 min do 1º tempo (1-0) e aos 24 min do 2º tempo (4-2); Perisić, aos 28 min do 1º tempo (1-1); Griezmann, de pênalti, aos 38 min do 1º tempo (2-1); Pogba, aos 14 min do 2º tempo (3-1); e Mbappé, aos 20 min do 2º tempo (4-1)
FRANÇA: 1.Lloris; 2.Pavard, 4.Varane, 5.Umtiti e 21.Hernández; 13.Kanté (Nzonzi), 6.Pogba, 10.Mbappé, 14.Matuidi (12.Tolisso) e 7.Griezmann; 9.Giroud (18.Fekir). Técnico: Didier Deschamps
CROÁCIA: 23.Subašić; 2.Vrsaljko, 6.Lovren, 21.Vida e 3.Strinić (20.Pjaca); 7.Rakitić, 11.Brozović, 18.Rebić (18.Kramarić), 4.Perišić e 10.Modrić; 17. Mandžukić. Técnico: Zlatko Dalić

Parabéns a Fédération Française de Football. “Allez les Bleus”.

Por Jorge Almeida

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França e Croácia decidirão a Copa do Mundo FIFA Rússia 2018

Copa do Mundo FIFA: taça ficará com França ou Croácia. Créditos: FIFA

A Croácia fez história nesta quarta-feira (11), no Estádio Lujniki, na Rússia. A seleção do uniforme quadriculado superou a Inglaterra, campeã do mundo em 1966, de virada por 2 a 1 pela semifinal da Copa do Mundo. O tento que levou a seleção croata à inédita final saiu na prorrogação. Seu adversário será a França, que venceu a Bélgica por 1 a 0, gol de Umtiti. Pela primeira vez, um país da extinta Iugoslávia chega à final de um Mundial.

Os finalistas, em Copas do Mundo, se enfrentaram uma vez, em 1998, nas semifinais e deu França: 2 a 1. Os croatas querem dar o troco e com grande estilo, o título. Mas, por outro lado, terão pela frente uma forte seleção francesa que não vai dar moleza. A decisão será no próximo domingo (15), às 12h (horário de Brasília), no mesmo palco em que despachou os inventores do futebol.

Na terça-feira (10), a França encarou a Bélgica em São Petersburgo. No primeiro tempo, a chamada “Geração Belga” encarou os Bleus de igual para igual, com os dois goleiros trabalhando muito. Mas o gol de Umtiti, de cabeça se antecipando a Fellaini, aos cinco minutos do segundo tempo, após aproveitar cobrança de escanteio de Griezmann. Com a vantagem, os franceses ficaram mais estáveis no decorrer do jogo e seguraram bem o resultado. Enquanto os belgas, por sua vez, tiveram mais posse, mas sem saber muito o que fazer com ela. Assim, pela terceira vez em 20 anos, a França chega à decisão da Copa do Mundo.

Na quarta-feira (11), foi a vez de Croácia e Inglaterra medirem forças no Estádio Lujniki, em Moscou. O English Team saiu na frente logo aos quatro minutos do primeiro tempo com Trippier cobrando falta. Mas, aos 22 minutos da etapa final, após cruzamento de Vrsaljko da direita, Perišić se antecipou a Walker na pequena área e esticou o pé para mandar a bola para as redes, antes do defensor inglês tirar de cabeça, empatou o jogo e levou a disputa para a prorrogação. Depois do empate, as duas equipes fizeram uma disputa acirrada, com ambas criando chances e parando nos goleiros. Antes da etapa regulamentar, a Croácia mandou uma bola na trave. No primeiro tempo da prorrogação, Stones cabeceou e Vrsaljko tirou em cima da linha. E, quando tudo se encaminhava para a disputa dos pênaltis, aos dois minutos do segundo tempo da prorrogação, Pivarić tentou cruzar da esquerda, a zaga afastou. Na sequência, Rakitić cabeceou de volta para a área, pegou a defesa inglesa desprevenida e Mandžukić, com oportunismo, ficou na cara de Pickford para virar o jogo para os croatas e escrever uma nova história na Copa do Mundo.

Com franceses e croatas decidindo o troféu mais cobiçado do planeta bola, certamente, essa final entrará para a história. De um lado, a Croácia que, como nação independente tem apenas 27 anos, poderá integrar o seleto grupo dos campeões mundiais e ficará ao lado de Espanha e França com um título cada e, em sua quarta participação em Copas do Mundo, poderá fazer uma proeza e tanto. No entanto, a França, caso ganhe o título, será bicampeã mundial assim como Argentina e Uruguai, e seu treinador Didier Deschamps repetirá o mesmo feito que apenas Zagallo e Franz Beckenbauer conseguiram: ser campeão do mundo como jogador e como treinador. A arbitragem ficará por conta do argentino Nestor Pitana, que será auxiliado por Hernan Maidana e Juan Pablo Belatti.

Enquanto isso, no sábado (14), em São Petersburgo, Bélgica e Inglaterra disputarão o terceiro lugar. Se os belgas vencerem, fará campanha superior ao time de 1986, que ficou em quarto lugar na Copa do Mundo disputada no México. Já no caso dos ingleses, independentemente do resultado, será a sua melhor colação em Mundial desde o título de 1966. Além disso, Harry Kane, com seis gols, e Lukaku, com quatro seguem na disputa pela artilharia do torneio.

Quem será que leva a Copa do Mundo no próximo domingo: França ou Croácia?

Por Jorge Almeida

Crônica: A Copa do Mundo – por Carlos Garcia*

Eu fui um menino que teve contato demais com as histórias que o pai contava. Eram histórias de Pelé, de clubes, de vitórias, de eliminações, da Gazeta Esportiva que ele comprou após a final de 70 porque um dia teria um filho e gostaria de dar a ele aquele presente, da seleção de 1982 e de tantas outras coisas. Ele contava histórias como a da primeira vez que foi no Pacaembu assistir um jogo do São Paulo contra o América de Rio Preto e com a mão impediu que uma pedra acertasse a cabeça do meu tio ou então quando assistiu a final do basquete no Panamericano no longínquo 1963.

Aí começamos a viver juntos essas histórias, como as Copas. Em 86, por exemplo, quando perdemos para a França, eu ainda era muito criança e não entendia muito bem aquilo, mas sei que a família inteira, comandada por minha mãe, sempre com minha irmã por perto, se reunia para assistir aos jogos. Todos gritavam a cada gol, vibravam com lances de perigo e era aquela festa toda. Quando perdia tudo mudava e o sentimento de tristeza tomava conta, mas também unia aquelas pessoas.

Naquele mesmo ano, 1986, tive contato com a Fórmula-1 e uns anos depois tivemos outra Copa, a de 90. Lembro de sair correndo da escola para assistir a abertura e a derrota da Argentina para a seleção de Camarões no jogo em que Pumpido quebrou a perna. Mais à frente, nas oitavas, perdemos para a mesma Argentina no gol de Cannigia.

Aquele sentimento de garoto que torcia pelo Brasil era tão gostoso que no dia que o meu São Paulo disputaria a final da Libertadores de 1992 eu ingenuamente acreditei que todo mundo torceria pelo título. Foi um choque ver corintianos e palmeirenses torcendo contra. Poxa, “o São Paulo é Brasil na Libertadores”, dizia Galvão Bueno. O mesmo Galvão que emprestava sua voz para todos os momentos que citei acima.

Depois tivemos a vitória na Copa de 1994, ano em que Senna morreu e a paixão dos brasileiros em geral pela Fórmula-1 diminuiu radicalmente. Mas quer saber? A minha paixão seguiu intacta. E ainda vinha muita coisa legal pela frente e uma geração legal do futebol com Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e companhia.

Hoje eu cresci. Hoje eu tenho, ou melhor, ontem (nota: na verdade, no último dia 6) fiz 38 anos. Muita coisa mudou de lá pra cá na dinâmica da vida. Agora sou eu quem crio as histórias e conto algumas delas para algumas pessoas, eu pago minhas próprias contas e meu pai nem neste planeta está mais. Eu gosto de ser adulto e ter o controle das situações, algo impensável quando eu era aquele garoto que acordava domingo de manhã para ver Fórmula-1 rezando para que a mãe não me mandasse para a missa.

Mas em alguns momentos todo mundo precisa de um contato com a criança interior e talvez seja por isso que a frase “era tão bom ser criança” seja tão popular. As miniaturas que tenho hoje não são manipuladas como os carrinhos de antigamente e eu não tenho mais aqueles brinquedos todos, então meus olhos brilham mesmo é quando começa a passar na TV as escalações para um jogo de futebol ou quando passa na Globo o grid de largada para uma corrida de Fórmula-1.

E o supra-sumo de tudo isso é a Copa do Mundo. Que acabou ontem para o Brasil (valeu aí pelo presente), mas que continua até dia 15. Porque nessa hora eu sou a criança guardada aqui dentro desse corpo que hoje ostenta pelos na cara quando estou com preguiça de fazer a barba. E ontem eu fui essa criança não só durante o jogo como também aquela que dormiu remoendo a derrota, me perguntando mil vezes porque o Fernandinho não fez falta no Lukaku, assim como meu pai já havia me posto pra pensar na derrota de 90 para a Argentina. Eu me perguntava porque o Alemão não fez falta no Maradona.

E como não sou muito bom com datas eu não lembro em que dia o Brasil foi tetra, penta, o dia do 7×1, não lembro nada. Mas sempre vou lembrar que perdemos para a Bélgica em um 6 de julho, aquele dia em que depois do jogo todo mundo desmarcou aquele choppinho de aniversário. Vou lembrar também que a família toda estava reunida e que teve aquele bolo prestígio que há anos a Nádia Garcia não fazia e que igualmente marcou minha infância. Inclusive estou comendo sobras dele enquanto escrevo estas palavras. É uma bela inspiração, eu juro.

Mas tá tudo certo mesmo assim, porque no fim das contas mais uma vez foi legal demais, e talvez seja por isso que dói demais cada derrota como essa.

Mas o que eu quero mesmo é falar com você que torceu contra o Brasil. Se você não tem uma boa explicação para explicar sua ligação sentimental com Suiça, Costa Rica, Servia, México e Bélgica ao mesmo tempo eu só digo duas coisas:

A primeira é que eu sinto muito por você. Sinto muito que você não consiga ter dentro de si pelo menos um pouco de tudo isso que eu tenho, porque é gostoso demais curtir Copa, futebol e até torcer pela seleção brasileira e poder por pra fora todo esse sentimento guardado aqui dentro.

E a segunda é que você jamais deve sequer tentar me impedir de viver esse prazer, caso contrário teremos um problema muito sério entre nós.

Esse prazer só vão me tirar quando eu morrer.

2022 é logo ali. Enquanto isso tem brasileirão, Libertadores (se Deus quiser) e muita Fórmula-1 por aqui.

* Carlos Garcia, 38 anos, é locutor da Transamérica, onde apresenta o #DESPERTA

Sampaio Corrêa: campeão da Copa do Nordeste 2018

Jogadores do Sampaio Corrêa comemoram o título da Copa do Nordeste, o primeiro conquistado por uma equipe maranhense. Créditos: Futura Press

O Sampaio Corrêa é o mais novo campeão da Copa do Nordeste, a popular “Lampions League”. Em partida disputada na Arena Fonte Nova, em Salvador, neste sábado (7), a Bolívia Querida empatou em 0 a 0 com o Bahia e, como havia ganhado o jogo de ida por 1 a 0, o resultado deu ao clube maranhense o título inédito. O principal personagem do jogo foi o goleiro Andrey, que fez defesas primordiais que ajudaram a equipe boliviana a conquistar a taça.

Com a vantagem adquirida no jogo de ida, o Sampaio Corrêa tentou surpreender o Bahia com apenas dois minutos de jogo. Fernando Sobral cobrou falta com um chute forte e Anderson evitou o gol dos visitantes com uma defesa difícil. O Esquadrão de Aço deu o troco aos quatro. Léo cobrou lateral com força e Tiago aproveitou para dar uma cabeçada perigosa, que saiu por cima do gol de Andrey.

Após as duas chances criadas pelos times, o Bahia passou a utilizar os lados do campo, sem permitir que a Bolívia Querida utilizasse o contragolpe.

O Tricolor soteropolitano passou parte do primeiro tempo tocando a bola enquanto a equipe maranhense permaneceu no campo de defesa durante boa parte da primeira etapa, mas que chegou a avançar a marcação.

Embora dominasse as ações do jogo, os anfitriões só foram criar uma oportunidade aos 38 minutos. Zé Rafael invadiu a área e, quando ficou frente a frente com Andrey, tentou tirar do goleiro, que fez outra grande defesa. Quatro minutos depois, foi a vez de Régis cobrar falta e a bola passar perto da meta do camisa 42 boliviano.

Nos acréscimos, o Bahia teve duas chances seguidas. A primeira, aos 46, a redonda ia sobrar para Elton chutar para o gol, mas Alyson tirou o perigo da área do Sampaio. No lance seguinte, Gregore arriscou de fora da área, a esférica desviou nos defensores visitantes e saiu pela lateral.

Os primeiros 15 minutos da etapa final praticamente não mudaram em relação à maior parte do primeiro tempo, ou seja, o Bahia seguiu a tentar encaixar uma jogada e a marcação do Sampaio não dando moleza.

A primeira investida do Tubarão no segundo tempo aconteceu aos 15 minutos. Em jogada iniciada por Diego Silva, a bola sobrou para Fernando Sobral, que chutou para fora, sem levar perigo para Anderson. Contudo, à medida que o jogo corria, os jogadores do time maranhense faziam faltas e mais faltas e o árbitro distribuiu cartões amarelos “a rodo”.

E, à medida que os minutos rolavam, o Esquadrão de Aço se lançava para o ataque, mas sem organização e, sujeito aos erros de passe, permitia que o adversário saísse para o jogo.

Com a proximidade do término da decisão, o Sampaio Corrêa, quando tinha a posse da bola, fazia de tudo para segurá-la no campo de ataque. Mas, a torcida do tricolor baiano, protestou por conta da cera que os jogadores do Tricolor do Maranhão fazia e não aplicara os cartões. E a adrenalina tomou conta da partida aos 44 minutos, quando Uilliam, do Sampaio, recebeu o segundo amarelo e, posteriormente, o cartão vermelho. Com um jogador a mais, o Bahia esboçou uma pressão e passou a investir em cruzamentos para a área e a defesa boliviana tirando de qualquer maneira.

Já nos acréscimos, aos 49, Wellington Rato, substituto de João Paulo, não soube aproveitar o contragolpe do Sampaio e chutou torto para fora. E, no último lance da decisão, aos 50, Junior Brumado entrou na área, chutou, Andrey saiu para defender e a bola desviou no arqueiro e saiu por cima do travessão.  Mas, não teve jeito, com uma grande atuação, o goleiro da camisa 42 fechou o gol e ajudou a Bolívia Querida a segurar o empate sem gols para dar ao clube de São Luís o primeiro título da Copa do Nordeste. Fim de jogo na Arena Fonte Nova: Bahia 0, Sampaio Corrêa 0.

Apesar de ter criado a primeira tentativa de gol na partida, o Sampaio Corrêa foi dominado pelo meio-campo do Bahia, que também pressionou em jogadas pelas laterais, mas que paravam na defesa atenta e marcação forte do clube maranhense. E, quando passava pela zaga, se deparava com o “muro” chamado Andrey. A etapa inicial foi marcada por falta duras dos dois times. No segundo tempo, a situação não mudou muito. Os anfitriões buscando o gol e tentando criar jogadas de todas as maneiras, contudo, o esquema defensivo do Sampaio mostrou-se eficiente e, conforme o Bahia ficava nervoso, os comandados de Roberto Fonseca começaram a explorar mais o contra-ataque, mas pecava nas finalizações.

Além de ter sido uma conquista inédita para o Sampaio Corrêa, o título foi o primeiro a ser ganho por um clube do Maranhão. Com isso, a Bolívia Querida ganhou R$ 1,5 milhão de premiação e garantiu uma vaga para as oitavas-de-final da Copa do Brasil 2019.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Primeira Fase (Grupo D):
18/01 – CSA (AL) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Rei Pelé, Maceió (AL)
08/02 – Sampaio Corrêa (MA) 4×0 Salgueiro (PE) – Castelão, São Luís (MA)
15/02 – Sampaio Corrêa 1×0 Ceará (CE) – Castelão, São Luís (MA)
10/03 – Ceará (CE) 2×1 Sampaio Corrêa (MA) – Castelão, Fortaleza (CE)
20/03 – Salgueiro (PE) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Cornélio de Barros, Salgueiro (PE)
29/03 – Sampaio Corrêa (MA) 0x0 CSA (AL) – Castelão, São Luís (MA)
Quartas-de-final:
16/05 – Sampaio Corrêa (MA) 3×0 Vitória (BA) – Castelão, São Luís, (MA)
24/05 – Vitória (BA) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Barradão, Salvador (BA)
Semifinais:
19/06 – Sampaio Corrêa (MA) 1×0 ABC (RN) – Castelão, São Luís (MA)
28/06 – ABC (RN) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Frasqueirão, Natal (RN)
Final:
04/07 – Sampaio Corrêa (MA) 1×0 Bahia (BA) – Castelão, São Luís (MA)
07/07 – Bahia (BA) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)

FICHA TÉCNICA: BAHIA (BA) 0x0 SAMPAIO CORRÊA (MA)
Competição/Fase: Copa do Nordeste 2018 – final (2º jogo)
Local: Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
Data: 7 de julho de 2018, sábado – 17h45 (horário de Brasília)
Público: 45.378 pessoas
Renda: R$ 1.598.952,00
Árbitro: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
Assistentes: Jean Marcio dos Santos (RN) e Vinícius Melo de Lima (RN)
Cartões Amarelos: Gregore, Tiago e Vinícius (Bahia); Uilliam, Joécio, Fernando Sobral, Diego Silva, Danielzinho, Maracás e William (Sampaio Corrêa)
Cartão Vermelho: Uilliam (Sampaio Corrêa)
BAHIA (BA): 33.Anderson; 5.Flávio (29.Vinícius), 3.Tiago, 28.Lucas Fonseca e 14.Léo; 26.Gregore, 17.Elton, 10.Zé Rafael, 20.Régis (8.Allione) e 7.Élber (23.Junior Brumado); 11.Edigar Junio. Técnico: Enderson Moreira
SAMPAIO CORRÊA (MA): 42.Andrey; 2.Bruno Moura, 3.Joécio, 4.Maracás e 6.Alyson; 5.William, 7.Diego Silva e 8.Fernando Sobral; 10.João Paulo (19.Wellington Rato), 11.Danielzinho (17.Rodrigo Fumaça) e 9.Uilliam. Técnico: Roberto Fonseca

Parabéns ao Sampaio Corrêa Futebol Clube pelo título.

Por Jorge Almeida

Argentina e Portugal fora da Copa do Mundo: a última de Messi e Cristiano Ronaldo?

Cristiano Ronaldo e Messi: a Copa do Mundo FIFA 2018 pode ter sido a última deles.

Neste sábado (30) começou a fase de oitavas-de-final da Copa do Mundo FIFA 2018. E os dois jogadores mais aclamados do futebol entraram em campo com a missão de levar seus países adiante no Mundial, na Rússia, e fazerem o tão esperado embate entre Messi e Cristiano Ronaldo em uma Copa. Contudo, quem roubou a cena não foram os craques de Barcelona e Real Madrid, mas sim dois atacantes do Paris Saint-Germain: o francês Mbappé e o uruguaio Cavani, que ajudaram suas seleções a eliminarem argentinos e portugueses.

Primeiro, na Arena Kazan, a França ganhou da Argentina por 4 a 3, naquela que está sendo considerada a melhor partida do torneio até agora. Messi teve uma atuação discreta e, mesmo assim, participou de dois dos três gols dos albicelestes. E o destaque dessa partida foi Mbappé, autor de dois tentos e ainda sofreu o pênalti que originou no primeiro gol da partida. Com a Argentina eliminada, o craque do Barcelona, aos 31 anos, pode ter feito a sua última partida pela sua seleção em Copas do Mundo.

Horas mais tarde, em Sóchi, o Uruguai levou a melhor diante de Portugal por 2 a 1, com Cavani anotando os dois tentos da Celeste e o luso-brasileiro Pepe fazendo o gol de honra português. Assim como o seu maior concorrente na disputa da Bola de Ouro, Cristiano Ronaldo jogou abaixo da expectativa, passou em branco e teve o espírito esportivo em carregar o lesionado Cavani para fora de campo. E, talvez, da mesma forma que Messi, o gajo, de 33 anos, pode ter feito o seu jogo derradeiro pela seleção de Portugal em uma Copa do Mundo.

Apesar de desequilibrarem em seus clubes, Messi e Cristiano Ronaldo, como o mundo notou, não conseguem obter o mesmo brilho em suas seleções. Isso é óbvio que os dois não apresentam desempenhos melhores porque seus companheiros, apesar de disputarem uma Copa do Mundo, não têm o mesmo entrosamento, qualidade, técnica e, por que não?, o mesmo relacionamento com os dois em seus respectivos selecionados em relação a Barcelona e Real Madrid. Apesar dessa dedução evidente, portugueses e, principalmente, argentinos apostam suas fichas nos dois, mas também a pressão que ambos têm de carregarem um “país inteiro” nas costas é enorme, principalmente para o camisa 10 albiceleste. Será que isso é o que atrapalha o futebol dos dois na seleção de seus países?

Acredito que a cobrança em Cristiano Ronaldo seja menor do que em Messi. Isso porque o camisa 7 lusitano conseguiu quebrar alguns feitos no futebol português, como o posto de maior artilheiro da seleção, foi protagonista de Portugal na maior conquista de sua história no futebol, a Eurocopa de 2016 e o bom desempenho dos lusos nas eliminatórias da Copa. Em suma, CR7 colaborou ao colocar o seu país a um patamar superior na história do futebol. Uma eventual conquista de Copa do Mundo para Portugal faria de Cristiano e os demais jogadores, evidentemente, tornarem-se heróis nacionais. A população de Portugal reconhece o que o jogador do Real Madrid já fez pela sua nação no esporte bretão.

No entanto, para Messi, a situação é um pouco mais complicada. Os argentinos sempre mantiveram a esperança de que o jogador do Barcelona fosse o substituto de Maradona na seleção albiceleste, mas com a camisa da Argentina, apesar de ter feito diversas boas partidas, o rendimento de Lionel Messi não chegou ao mesmo patamar no Barcelona, por onde conquistou todos os títulos possíveis no futebol no que se refere a clubes. E, como a Argentina está há mais de 20 anos sem um título de expressão (a última foi a Copa América de 1993) e há 32 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, os hermanos sempre depositaram suas esperanças em “La Pulga” (sempre bom reforçar que Messi esteve no elenco argentino que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2008). Contudo, apesar de ter excelentes jogadores, especialmente no setor ofensivo, a Argentina nunca conseguiu, com Messi, “dar liga”, e a situação ficou perto de mudar na Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, quando os bicampeões mundiais chegaram à decisão, mas foram derrotados para a Alemanha na prorrogação. A imprensa e especialistas sempre atribuem os constantes insucessos dos argentinos aos possíveis problemas de relacionamentos entre os jogadores, a má preparação do time para a disputa das competições e, os mais radicais, apontam Messi como o “bode expiatório” para o fracasso da Argentina, como por exemplo, no pênalti que ele desperdiçou contra a Islândia na estreia da seleção na Copa. Contudo, alguns podem até não reconhecer ou não lembrar, apesar de não ter conseguido seguir adiante neste Mundial, se não fosse Messi arrebentar no jogo contra o Equador na última partida das Eliminatórias Sulamericanas quando ele fez três gols em Quito, os seus compatriotas estariam vendo o Mundial pela TV e, se não fosse o seu gol contra a Nigéria, possivelmente, a Argentina não teria passado da fase de grupos.

Assim, os dois melhores jogadores da década, coincidentemente na casa dos 30, cinco vezes eleitos “melhor do mundo”, jogam na Espanha, em Copas do Mundo, só marcaram seus gols na fase de grupos, mas no mata-mata passaram em branco.
Messi e Cristiano Ronaldo poderão, quem sabe, fazer parte do rol das grandes lendas do futebol mundial que, embora tivessem jogado muito em suas respectivas épocas, nunca sentiram o gostinho de ter erguido o troféu mais cobiçado do futebol: a Copa do Mundo. E a lista é grande: Puskás, Di Stéfano, Cruijff, Eusébio, Zico, Sócrates, Platini, Pirlo e tantos outros.

E, apesar de possivelmente não ganharem uma Copa do Mundo, Messi e Cristiano Ronaldo já cravaram seus nomes na história. Isso é fato.

Por Jorge Almeida

Bahia e Sampaio Corrêa decidirão a Copa do Nordeste 2018

Copa do Nordeste 2018: Bahia e Sampaio Corrêa disputarão o título. Créditos: Douglas Lunardi/CBF

O mundo do futebol está com olhos voltados para a Rússia em virtude da realização da Copa do Mundo, mas a bola não parou totalmente aqui no Brasil. Enquanto Tite e seus comandados estão atrás do hexa, por aqui, o principal regional do país, a Copa do Nordeste, teve seus finalistas sacramentados nesta semana: Bahia e Sampaio Corrêa decidirão o título da “Lampions League” após despacharem, respectivamente, Ceará e ABC nas semifinais.

O primeiro classificado para a finalíssima foi o Bahia. Na terça-feira (26), o Tricolor de Aço empatou em 0 a 0 contra o Ceará na Arena Fonte Nova, em Salvador. Como havia vencido o primeiro jogo em 1 a 0, em Fortaleza, o Baêa, atual campeão do torneio, seguirá na defesa do título e tentará se igualar ao arquirrival Vitória em número de conquista do Nordestão – quatro taças.

O outro classificado é o Sampaio Corrêa, do Maranhão. A Bolívia Querida arrancou um empate contra o ABC em 1 a 1 no Frasqueirão, em Natal, na noite desta quinta-feira (28). Finalista do torneio pela primeira vez em sua história, o tricolor maranhense fez 2 a 1 no placar agregado. O Sampaio saiu na frente do placar com Fernando Sobral cobrando pênalti, enquanto Erivélton empatou para os donos da casa. Infelizmente, a partida ficou marcada pela tentativa de invasão da torcida abecedista por conta da marcação da penalidade a favor dos maranhenses, e que deixou o jogo paralisado por 15 minutos. E, digamos, que essa eliminação foi um “presente de grego” para o ABC, que completa nesta sexta-feira (29), 103 anos.

E, como prevê o regulamento, o clube de melhor campanha decidirá em casa que, no caso, será o Bahia. A CBF divulgará as datas e os horários da final em breve.

A seguir, os resultados das semifinais da “Lampions League”.

Data – Jogo – Local:
19/06 – Sampaio Corrêa (MA) 1×0 ABC (RN) – Castelão, São Luís (MA)
21/06 – Ceará (CE) 0x1 Bahia (BA) – Arena Castelão, Fortaleza (CE)
26/06 – Bahia (BA) 0x0 Ceará (CE) – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
28/06 – ABC (RN) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Frasqueirão, Natal (RN)

Parabéns aos finalistas.

Por Jorge Almeida

Encerrada a fase de grupos da Copa do Mundo FIFA 2018

Copa do Mundo FIFA 2018: das 32 seleções, agora só restam 16. Foto: Carl Recine/Reuters

Com a realização de quatro partidas, válidas pelos grupos G e H, disputadas nesta quinta-feira (28), na Rússia, a fase de grupos da Copa do Mundo FIFA 2018 foi finalizada e, consequentemente, definiram os confrontos das oitavas-de-final. Do grupo G, só precisava definir que ficaria em primeiro e segundo lugar, já que Bélgica e Inglaterra entraram em campo já classificadas e precisariam definir a situação de ambas para concluir o chaveamento. No grupo H, Colômbia, Senegal e Japão brigavam pelas duas vagas.

Na segunda-feira, foram realizadas as partidas da terceira rodada dos grupos A e B. Enquanto no primeiro, que já tinham Uruguai e Rússia já classificados, o segundo Espanha e Portugal precisavam consolidar o favoritismo, uma vez que, matematicamente, o Irã tinha chances de ficar com uma das vagas. Empatadas com seis pontos, a Celeste Olímpica e os anfitriões disputaram a liderança do grupo A. Os russos jogavam pelo empate porque apresentavam um saldo melhor que os sulamericanos. Mas o Uruguai não levou a vantagem dos donos de casa e fizeram 3 a 0 na partida disputada em Samara e, com nove pontos, ficaram em primeiro. No outro duelo do grupo, o Egito perdeu para a Arábia Saudita nos acréscimos por 2 a 1, em Volgogrado. No mesmo dia, Portugal e Espanha foram surpreendidos e empataram com Irã e Marrocos, respectivamente. Cristiano Ronaldo e companhia ficaram no 1 a 1 contra os iranianos e, por pouco, nos acréscimos não sofreram a virada em Saransk que, naquela altura, certamente levaria os atuais campões europeus para casa. No outro embate do grupo B, espanhóis e marroquinos empataram em 2 a 2 em Kaliningrado. Com cinco pontos, os ibéricos dividiram o topo do grupo B, mas com a Espanha em primeiro lugar devido ao maior número de gols marcados (6 a 5). Com isso, nas oitavas-de-final, o Uruguai medirá forças contra Portugal e a Rússia enfrentará a Espanha.

Na terça-feira, mais quatro jogos. Dessa vez, válidos pelos grupos C e D. Em Moscou, França e Dinamarca não saíram do 0 a 0 (o único da Copa do Mundo até agora) e, paralelamente, em Sochi, a Austrália, que ainda tinha chances matemáticas de classificação, perdeu para o Peru por 2 a 0. Com sete pontos, os franceses foram os campeões do grupo e dinamarqueses, com cinco, ficaram em segundo no grupo C. No mesmo dia, a Croácia confirmou o seu favoritismo contra a Islândia e venceu o duelo por 2 a 1, em Rostov, e manteve os 100% de aproveitamento. No outro jogo do grupo D, Argentina e Nigéria fizeram um duelo dramático, em São Petersburgo. Para os hermanos só a vitória interessava, uma vez que o selecionado africano jogava pelo empate. Os albicelestes saíram na frente com Messi (sempre ele!), Moses igualou no início do segundo tempo, mas aos 41 da etapa final, Rojo aliviou a situação para os bicampeões do mundo e classificou os argentinos em segundo do grupo, com quatro pontos, deixando os africanos com três. Na sequência da competição, o único duelo de campeões mundiais das oitavas que será protagonizado entre França e Argentina e, do outro lado do chaveamento, o duelo entre Dinamarca e Croácia.

Os grupos E e F tiveram a rodada derradeira na quarta-feira (27). Os atuais campeões mundiais, a Alemanha, lutavam por uma das duas vagas junto com México, Suécia e, com chances remotas, a Coreia do Sul. Dependendo apenas de si mesma para avançar no torneio, os alemães conseguiram a proeza de serem derrotados por 2 a 0 para os asiáticos, com os dois gols saindo nos acréscimos, na Arena Kazan. Enquanto isso, a Suécia atropelou o México por 3 a 0, em Ecaterimburgo. Dessa forma, o país escandinavo ficou em primeiro lugar do grupo F, com seis pontos, a mesma dos mexicanos, porém, melhor saldo de gols. A Alemanha que, além de ter sido eliminada, permaneceu com três pontos e ainda foi ultrapassada pelos sulcoreanos nos critérios de desempate. A “sina maldita” dos campeões mundiais persistiu mais uma vez. Mais tarde, no mesmo dia, pelo grupo E, o Brasil confirmou o seu favoritismo e bateu os grandalhões da Sérvia por 2 a 0, gols de Paulinho e de Thiago Silva (de cabeça!), na Arena Spartak, em Moscou. No outro compromisso do grupo, a Suíça empatou em 2 a 2 com a já eliminada Costa Rica, em Nizhny Novgorov. Portanto, a seleção canarinho, com sete pontos, e os suíços, com cinco, continuaram no certame. Sendo assim, o Brasil seguirá a luta pelo hexacampeonato mundial diante do México na fase seguinte, enquanto suíços e suecos medirão forças pela mesma fase.

E, finalmente, no último dia de jogos válidos pela primeira fase, os embates pelos dois grupos que faltavam. Pelo grupo H, que jogaram primeiro, a Polônia superou o Japão por 1 a 0, em Volgogrado, enquanto o Senegal perdeu para a Colômbia pelo mesmo placar, em Samara. Com isso, os sulamericanos ficaram em primeiro, com seis pontos, e, empatados com quatro, ficaram japoneses e senegaleses, mas, os asiáticos ficaram com a vaga devido ao último critério de desempate: cartões amarelos. Os nipônicos receberam quatro cartões contra seis dos africanos. A situação do grupo G, nesta terceira rodada, já estava definida quanto aos classificados – Inglaterra e Bélgica -, mas a única coisa que precisava resolver era a questão do primeiro lugar. Assim, em Kaliningrado, ingleses e belgas se enfrentaram e o English Team jogava pelo empate, contudo, o gol de Januzaj, no início do segundo tempo, a Bélgica derrotou o adversário por 1 a 0 e manteve os 100% e foi o campeão do grupo, deixando os campeões mundiais de 1966 em segundo. No outro jogo da chave, já eliminados, a Túnisia derrotou o Panamá por 2 a 1, em Saransk. Com essa última definição, a Bélgica enfrentará o Japão nas oitavas, enquanto a Colômbia terá páreo duro pela frente contra a Inglaterra.

Com os classificados já definidos, europeus e sulamericanos predominam nas oitavas-de-final, apenas o Japão é o “estranho no ninho”. De todos os campeões mundiais que disputam a Copa, somente a Alemanha ficou de fora. E, de acordo com o chaveamento que foi estruturado, a única possibilidade de termos uma final repetida de Copa do Mundo é se Brasil e Rússia chegarem à decisão. Caso contrário, o torneio terá uma final inédita.

As oitavas-de-final serão disputadas entre sábado (30) e terça-feira (3). Pelo horário de Brasília, neste sábado, às 11h, a França encara a Argentina na Arena Kazan. Os algozes do Brasil das Copas de 1986 e 1990 fazem o único confronto de campeões mundiais nesta fase. Quem passar, enfrentará nas quartas-de-final, o ganhador de Uruguai e Portugal, que medirão forças no mesmo dia, em Sochi, às 15h.

No domingo (1º), às 11h, a Espanha medirá forças com os donos da casa, a Rússia, em Moscou. O vencedor do duelo pegará o ganhador de Croácia e Dinamarca, que se enfrentam às 15h, em Nizhny Novgorov, na sequência.

Enquanto isso, na segunda-feira, às 11h, o Brasil receberá o México, em Samara. Este será o quinto confronto entre as duas seleções na história das Copas. Nos quatro embates anteriores, aconteceram três vitórias brasileiras e um empate. Aliás, os mexicanos nunca marcaram sequer um gol no Brasil em Mundiais. Quem levar a melhor neste duelo latino-americano enfrentará o vitorioso do jogo entre Bélgica e Japão, que jogam às 15h, em Rostov.

Os últimos jogos das oitavas acontecerão na terça-feira (3). Primeiro, a Suécia enfrentará a Suíça, às 11h, em São Petersburgo. Depois, às 15h, a Colômbia fará o duelo diante da Inglaterra, na Arena Spartak, em Moscou. Os vencedores dessas duas partidas se encaram nas quartas-de-final.

A seguir, os resultados da terceira rodada e a classificação final da fase de grupos e as datas dos confrontos das oitavas-de-final da Copa do Mundo FIFA 2018.

Grupo A:
25/06 – Uruguai 3×0 Rússia – Samara
25/06 – Arábia Saudita 2×1 Egito – Valgogrado

Grupo B:
25/06 – Irã 1×1 Portugal – Saransk
25/06 – Espanha 2×2 Marrocos – Kaliningrado

Grupo C:
26/06 – Dinamarca 0x0 França – Moscou
26/06 – Austrália 0x2 Peru – Sóchi

Grupo D:
26/06 – Nigéria 1×2 Argentina
26/06 – Islândia 1×2 Croácia – Rostov

Grupo E:
27/06 – Sérvia 0x2 Brasil – Moscou
27/06 – Suíça 2×2 Costa Rica – Nijni Novgorov

Grupo F:
27/06 – México 0x3 Suécia – Ecaterimburgo
27/06 – Coreia do Sul 2×0 Alemanha – Arena Kazan

Grupo G:
28/06 – Inglaterra 0x1 Bélgica – Kaliningrado
28/06 – Panamá 1×2 Tunísia – Saransk

Grupo H:
28/06 – Senegal 0x1 Colômbia – Samara
28/06 – Japão 0x1 Polônia – Volgogrado

Classificação:
Grupo A:
1. Uruguai – 9 pontos
2. Rússia – 6
3. Arábia Saudita – 3
4. Egito – 0

Grupo B:
1. Espanha – 5 pontos
2. Portugal – 5
3. Irã – 4
4. Marrocos – 1

Grupo C:
1. França – 7 pontos
2. Dinamarca – 5
3. Peru – 3
4. Austrália – 1

Grupo D:
1. Croácia – 9 pontos
2. Argentina – 4
3. Nigéria – 3
4. Islândia – 1

Grupo E:
1. Brasil – 7 pontos
2. Suíça – 5
3. Sérvia – 3
4. Costa Rica – 1

Grupo F:
1. Suécia – 6 pontos
2. México – 6
3. Coreia do Sul – 3
4. Alemanha – 3

Grupo G:
1. Bélgica – 9 pontos
2. Inglaterra – 6
3. Tunísia – 3
4. Panamá – 0

Grupo H:
1. Colômbia – 6
2. Japão – 4
3. Senegal – 4
4. Polônia – 3

A seguir, os duelos das oitavas-de-final:

Data – Jogo – Local:
30/06 – 11h – França x Argentina – Arena Kazan
30/06 – 15h – Uruguai x Portugal – Sóchi
1º/07 – 11h – Espanha x Rússia – Moscou
1º/07 – 15h – Croácia x Dinamarca – Nizhny Novgorov
02/07 – 11h – Brasil x México – Samara
02/07 – 15h – Bélgica x Japão – Rostov
03/07 – 11h – Suécia x Suíça – São Petersburgo
03/07 – 15h – Colômbia x Inglaterra – Arena Spartak

Boa sorte à todos.

Por Jorge Almeida