The Rolling Stones: 40 anos de “Emotional Rescue”

“Emotional Rescue”, dos Rolling Stones, completou 40 anos no último dia 20 de junho

No último sábado (20), o álbum “Emotional Rescue“, dos Rolling Stones, completou 40 anos de seu lançamento. Gravados em diversos períodos entre janeiro de 1978 e dezembro de 1979, o disco foi gravado no Compass Point Studios, em Nassau, nas Bahamas, no Pathé Marconi, em Pari e com alguns overdubs feitos no The Hit Factory, em Nova Your no final de 1979. A produção ficou a cargo dos The Glimmer Twins e lançado pela Rolling Stones Records/Atlantic.

Por conta do sucesso de “Some Girls” (1978), os Rolling Stones voltaram revigorados e a dupla Keith Richards e Mick Jagger compuseram dezenas de novas músicas, e tinha tanto material que algumas canções foram aproveitadas no disco seguinte da banda, “Tattoo You” (1981), deixando apenas dez faixas para “Emotional Rescue“.

Na época, havia rumores que uma música intitulada “Claudine” faria parte do tracklist original do obra, mas acabou sendo vetada de última hora. O teor da letra abordava uma sentença de 30 dias de prisão em que a cantora e atriz Claudine Longet recebeu depois de matar o seu noito, Vladimir Sabich, piloto de esqui olímpico, em sua casa em Aspen, no Colorado. No entanto, a canção foi lançada na versão “deluxe” de “Some Girls“. Enquanto outras como “Thing I’m Going Mad” saiu apenas no lado B do single de “She Was Hot” (1984), e também dois covers cantados por Keith Richards – “We Had It All“, que foi lançado na versão luxuosa de “Some Girls” em 2011 e “Let’s Go Steady“, que só é possível encontrar em versões piratas.

Entre as canções que ficaram de fora de “Emotional Rescue“, mas que entraram em “Tattoo You” estão “Start Me Up“, “Black Limousine“, “Hang Fire“, “No Use In Crying” e “Little T&A“. Enquanto outros temas que foram gravadas nestas sessões, mas que nunca foram lançadas pelo grupo: “I Can See It“, “Going Mad“, “Rotten Roll“, “Misty Roads“, “Fiji Jim“, “Need A Yellow Cab“, “I Like It Too Much” e “Nanker Phelge“. Essas músicas podem ser encontradas em alguns vinis piratas que saíram na época e certamente deve custar “os olhos da cara”.

O álbum começa bem com “Dance (Pt. I)“, uma batida funk-rock sensacional para abrir o disco com tudo. Em seguida, em “Summer Romance“, uma pegada mais new wave, coisa das bandas modernas do período. O terceiro tema é “Send It To Me“, influenciada pelo reggae. Em seguida, em “Let Me Go“, aparece aquele rock stoniano que não poderia faltar. E o primeiro lado termina com “Indian Girl“, uma balada com sonoridade pop, mas com um certo engajamento ao abordar em sua narrativa a situação das crianças do Terceiro Mundo.

O lado B inicia com “Where The Boys Go“, que é uma arriscada dos caras ao punk rock e não fazem feio, tremenda música. Na sequência, “Down In The Hole” apresenta um Blues à Stones, ou seja, nada de extraordinário em se tratando dos padrões das típicas músicas da banda. Posteriormente, aparece a dobradinha que fazem valer o play: primeira a incrível “Emotional Rescue“, um reggae/disco dançante (e viciante) cantado em falsete, mas curto muito a parte final cantada por Jagger e “She’s So Cold“, um new wave grudento e que, apesar de dizer na música que é “tão quente”, na verdade, como todo mundo sabe é que Mick Jagger é um baita pé-frio. Brinks, Mick. E, para encerrar, a balada “All About You“, com o vocal grave de Keith Richards que encerra o disco de forma louvável.

O disco “Emotional Rescue” é um disco mediano para bom na vasta discografia dos Rolling Stones, mas certamente, para muita gente, é o último trabalho relevante do grupo. Mas vale a pena curtir esse play.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Emotional Rescue
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 20 de junho de 1980
Gravadoras: Rolling Stone Records/Atlantic
Produtores: The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz (exceto em “All About You“), guitarra em “Summer Romance“, “Let Me Go“, “Where The Boys Go“, “Emotional Rescue” e “She’s So Cold“, backing vocal em “Dance (Pt. I)“, “Summer Romance” e “Where The Boys Go“, piano elétrico em “Emotional Rescue” e percussão em “Dance (Pt. I)
Keith Richards: guitarra (exceto em “Indian Girl“), backing vocal em “Dance (Pt. I)“, “Summer Romance“, “Where The Boys Go” e “All About You“, guitarra acústica em “Indian Girl“, baixo, piano e voz em “All About You
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo em “Send It To Me“, “Let Me Go“, “Indian Girl“, “Down In The Hole” e “Emotional Rescue” e sintetizador de cordas em “Indian Girl” e “Emotional Rescue
Ronnie Wood: guitarra (exceto em “Indian Girl” e “Emotional Rescue“), baixo em “Dance (Pt. I)“, “Send It To Me“, “Where The Boys Go” e “Emotional Rescue“, steel pedal em “Let Me Go“, “Indian Girl” e “She’s So Cold“, backing vocal em “Where The Boys Go” e “All About You” e saxofone em “Dance (Pt. I)

Ian Stewart: piano elétrico, piano acústico e percussão
Nicky Hopkins: teclados
Sugar Blues: gaita
Bobby Keys: saxofone
Michael Shrieve: percussão
Max Romeo: vocal de apoio em “Dance (Pt. I)
Jack Nitzsche: arranjo de cornetas em “Indian Girl

1. Dance (Pt. I) (Jagger / Richards / Wood)
2. Summer Romance (Jagger / Richards)
3. Send It To Me (Jagger / Richards)
4. Let Me Go (Jagger / Richards)
5. Indian Girl (Jagger / Richards)
6. Where The Boys Go (Jagger / Richards)
7. Down In The Hole (Jagger / Richards)
8. Emotional Rescue (Jagger / Richards)
9. She’s So Cold (Jagger / Richards)
10. All About You (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 55 anos de “The Rolling Stones, Now!”

“The Rolling Stones, Now!”: o terceiro álbum da discografia norte-americana dos Rolling Stones completa 55 anos em 2020

Nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, o terceiro álbum de estúdio na discografia norte-americana dos Rolling Stones, “The Rolling Stones, Now!“, completa 55 anos de seu lançamento. Produzido por Andrew Loog Oldham, a obra foi gravada entre 10 de junho e 8 de novembro de 1964 (apenas a faixa “Mona (I Need You Baby)” foi gravada em janeiro de 1964) no Regend Sound, na RCA Studios e saiu pela London Records, a responsável pelo catálogo da banda britânica em solo ianque.

O disco contém em seu tracklist sete faixas do segundo trabalho de Mick Jagger e sua trupe que saiu no Reino Unido (o “The Rolling Stones Nº 2“) e alguns temas que apareceriam posteriormente na versão britânica do trabalho seguinte da banda, “Out Of Our Heads“, que saiu mais tarde, também em 1965.

O número de temas compostos pela dupla Jagger/Richards, que cresciam cada vez mais como compositores, no play aumentou para quatro temas e, a partir de “Aftermath” (1966), os dois se encarregariam de assinar majoritariamente as faixas que os Stones gravariam em seus discos.

Tanto produtor quanto os integrantes da banda gostaram das condições que os estúdios da RCA propiciavam a eles. Tanto que, segundo Oldham, a banda gravou por 15 horas sem parar e o resultado foi um dos melhores discos dessa fase dos Stones e teve boas vendagens, atingindo o quinto lugar nos Estados Unidos rendendo-lhes um (dos muitos) disco de ouro.

A obra contém algumas pérolas, como “Heart Of Stone” e “What A Shame“, que foram lançados como singles nos Estados Unidos. Mas os destaques ficam por conta das canções influenciadas pela Black Music, como o funky de “Off The Hook” e o R&B, como “Down The Road Apiece“, que devia ter enchido Chuck Berry de orgulho que, inclusive, foi homenageado com o cover de “You Can’t Catch Me“; e os impecáveis covers: “Down Home Girl” e “Mona (I Need You Baby)“, ambas de Bo Didley; “Oh Baby (We Got A Good Thing Goin’)“, de Barbara Lynn; e “Pain In My Heart“, de Otis Redding.

Em agosto de 2002, a obra foi reeditada em CD remasterizado e em digipak pela ABKCO Records, que contém as versões estéreo de “Heart Of Stone” e “Down The Road Apiece“. No ano seguinte, a revista Rolling Stone listou o álbum em 181º lugar na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos.

De fato, se considerarmos todos os trabalhos dos Rolling Stones lançados antes de “Aftermath” – o primeiro disco 100% autoral dos caras -, “The Rolling Stones, Now!” é o melhor álbum do quinteto. Um clássico

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Rolling Stones, Now!
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 13 de fevereiro de 1965
Gravadora: London Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, gaita, pandeiro e percussão
Keith Richards: guitarra e backing vocal
Brian Jones: guitarra e slide guitar
Charlie Watts: bateria e percussão
Bill Wyman: baixo e backing vocal

Jack Nitzsche: piano e pandeiro
Ian Stewart: piano

1. Everybody Needs Somebody To Love (Burke / Russell / Wexler)
2. Down Home Girl (Leiber / Butler)
3. You Can’t Catch Me (Berry)
4. Heart Of Stone (Jagger / Richards)
5. What A Shame (Jagger / Richards)
6. Mona (I Need You Baby) (McDaniel)
7. Down The Road Apiece (Raye)
8. Off The Hook (Jagger / Richards)
9. Pain In My Heart (Neville)
10. Oh Baby (We Got A Good Thing Goin’) (Ozen)
11. Little Red Rooster (Dixon)
12. Surprise, Surprise (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

The Rolling Stones: 55 anos de “The Rolling Stones Nº 2”

“The Rolling Stones No. 2”: segundo álbum da discografia britânica dos Rolling Stones completa 55 anos neste dia 15 de janeiro

Hoje, 15 de janeiro, o segundo trabalho na discografia britânica dos Rolling Stones, “The Rolling Stones No. 2”, completa 55 anos. Produzido por Andrew Loog Oldham, o álbum foi gravado nos estúdios RCA, em Hollywood; Chess, em Chicago, e no Regent Sound, em Londres, entre junho e novembro de 1964. O play saiu pela Decca Records no Reino Unido.

Depois do enorme sucesso de seu disco de estreia – “The Rolling Stones” (1964), os caras não perderam tempo e lançaram o segundo trabalho na sequência e, para manter o embalo, seguiu a receita do ‘debut’ ao apresentar em seu tracklist ótimos covers de R&B. Porém, apenas três temas trazem a assinatura daquela que é a maior e mais bem sucedida dupla da história do rock; Mick Jagger / Keith Richards (talvez só perca para Lannon-McCartney).

No começo da carreira, os Rolling Stones detinham contratos diferentes com gravadoras distintas para a produção e comercialização de suas obras nos Estados Unidos e no Reino Unido. Logo, enquanto em sua terra-natal esse, de fato, foi o seu segundo trabalho lançado, do outro lado do Atlântico, já havia saído um segundo álbum da banda – “12 x 5” -, lançado em outubro de 1964, e que tem em comum com esse quatro faixas: “Time Is On My Side”, “Grown Up Wrong”, “Under The Boardwalk” e “Susie Q”, além da mesma foto da capa.

Embora tenham repetido a fórmula do primeiro disco, considero esse ligeiramente inferior, inclusive os covers, que compõem a maior parte do material. A obra contém uma versão inspirada de “Time Is On My Side”, que foi bastante associada a Mick Jagger e sua trupe, e também a soturna “Under The Boardwalk”, com seu backing vocal assombroso no refrão. Contudo, são os três temas autorais – “What A Shame”, “Grown Up Wrong” e “Off The Hook” -, que chamam atenção do disco, pois foi a partir dali que houve os primeiros passos para a formação da sonoridade típica do grupo, mesclando o Blues com a puxada mais “Rock And Roll”.

O álbum fez grande sucesso no Reino Unido, ocupando o primeiro lugar das paradas britânicas por dez semanas no início de 1965, o que fez dele um dos discos mais vendidos por lá.

Apesar da aceitação da obra por lá, anos depois, quando os discos dos Rolling Stones foram relançados em CD, a ABKCO Records seguiu a discografia norte-americana do grupo, pois nos Estados Unidos não dependem da cultura do lançamento de singles e EPs. Mesmo na série de remasterizações em 2002, “The Rolling Stones No. 2” não foi inserido nesse processo e, com isso, o álbum está fora de catálogo há bastante tempo e, com isso, o registro foi vastamente “pirateado” por colecionadores.

E, assim como “12 x 5”, “The Rolling Stones No. 2” vale a pena ser conferido com carinho, mesmo não sendo caracterizado como um genuíno “clássico stoniano”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Rolling Stones No. 2
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 15 de janeiro de 1965
Gravadora: Decca Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, gaita, percussão e pandeiro
Keith Richards: guitarra e backing vocal
Brian Jones: guitarra, slide guitar e backing vocal
Charlie Watts: bateria e percussão
Bill Wyman: baixo e backing vocal

Ian Stewart: piano
Jack Nitzche: piano, ‘Nitzche’ phone e pandeiro

1. Everybody Needs Somebody To Love (Burke / Wexler / Russell)
2. Down Home Girl (Leiber / Butler)
3. You Can’t Catch Me (Berry)
4. Time Is On My Side (Meade)
5. What A Shame (Jagger / Richards)
6. Grow Up Wrong (Jagger / Richards)
7. Down The Road A Piece (Raye)
8. Under The Boardwalk (Resnick / Young)
9. I Can’t Be Satisfied (Morganfield)
10. Pain In My Heart (Neville)
11. Off The Hook (Jagger / Richards)
12. Susie Q (Broadwater / Hawkins / Lewis)

Por Jorge Almeida

 

The Rolling Stones: 50 anos de “Let It Bleed”

“Let It Bleed”: último disco dos Rolling Stones com Brian Jones

No ultimo dia 5 de dezembro, o álbum “Let It Bleed”, dos Rolling Stones, completou 50 anos de sua existência. Gravado entre novembro de 1968, fevereiro a novembro de 1969 no Olympic Studios, em Londres, e foi lançado pela Decca Records, no Reino Unido, e pela London Records, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Jimmy Miller. A obra foi o décimo trabalho do grupo lançado no mercado norte-americano e o oitavo a sair em solo britânico.

Embora tenham começado a gravar “You Can’t Always Get What You Want”, em maio de 1968, antes mesmo de soltarem “Beggars Banquet” (1968), os Stones começaram a gravação de “Let It Bleed” em fevereiro de 1969 e seguiu assim, de forma esporádica, até novembro. No entanto, por conta do seu envolvimento mais profundo com as drogas, Brian Jones, guitarrista-fundador da banda, pouco participa. O play é marcado também pela presença de seu sucessor na banda, Mick Taylor, que tocou em duas canções do disco: “Country Honk” e “Live With Me”.

O clima com Jones ficou insustentável porque, além dos problemas com as drogas, viu sua namorada, Anita Pallenberg trocando-o por Keith Richards. Até que, em 8 de junho de 1969, Brian Jones foi expulso e, três semanas depois, ele foi encontrado morto dentro de sua própria piscina, possivelmente, por afogamento provocado por uma overdose de drogas. Depois de sua saída, Mick Taylor, na época com 21 anos, foi recrutado para o posto deixado por Jones.

O clima “sombrio” que marcou o período da banda não se deu apenas com a morte de Brian Jones. A cantora Merry Clayton, responsável pela voz feminina de “Gimme Shelter”, então grávida de oito meses, fez um esforço vocal excessivo que acabou sofrendo um aborto espontâneo. Após o lançamento do disco, em 6 de dezembro, aconteceu ainda o fatídico show dos Rolling Stones em Altamont, perto de San Francisco, em que a gangue de motociclistas Hells Angels, contratada para fazer a “segurança” do concerto, espancou várias pessoas, além do uso e abuso de tudo quanto é droga e excesso de álcool e que, ao todo, culminaram em quatro mortes. Mas, de todos os óbitos, a que repercutiu mais foi a do jovem negro Meredith Hunter, de 18 anos, que foi esfaqueado por um integrante da gangue.

O clássico abre com a icônica “Gimme Shelter“, com o seu incrível riff. Com certeza o protagonismo fica por conta do vocal de Merry Clayton, cantora soul. A música se tornou uma espécie de hino contra a Guerra do Vietnã. Aliás, essa música tem “cara de madrugada” Em seguida, em “Love In Vain“, a bateria seca de Bill Wyman tem a nítida influência do country. Trata-se do único cover do disco, de Robert Johnson. A guitarra slide tocada por Keith e o banjo matam a pau na música, cuja a triste letra aborda sobre a dor e a tristeza de um término de um relacionamento. O terceiro tema do disco é “Country Honk“, que dizem ter origem no Brasil, quando a dupla Jagger/Richards, em férias, vieram para cá e que, convidados por um fazendeiro de Matão, interior de São Paulo, se inspiraram no estilo “caipira” do local para fazer a música. A letra fala do eu-lírico cortejando com várias moças pelos bares (e, por que não?, cabarés). Aliás, a dupla sequer teve o trabalho de avisar a Brian Jones sobre a sessão, pois já o haviam substituído por Mick Taylor. Enquanto isso, em “Live With Me“, que foi a primeira música gravada por Taylor no grupo, traz uma estupenda linha de baixo feita por Bill Wyman e o solo de saxofone ficou por conta de Bob Keys. E o lado A do vinil ficou por conta da música que dá nome à obra, que tem aborda os dois lados do relacionamento, cheia de malícias, duplo sentido de conotação sexual, mas que mistura elementos acústicos e elétricos. O piano é tocado por Ian Stewart, que era uma espécie de “rolling stone não oficial”.

O outro lado do play começa com um “blues de Chicago”: “Midnight Rambler“, que tem Keith Richards tocando todas as guitarras e Jagger na gaita. É uma das duas faixas com a participação de Brian Jones, que tocou conga. Porém, ele foi “prejudicado” na mixagem, pois mal dá para ouvir o instrumento. Em seguida, o álbum apresenta “You Got The Silver“, a primeira música dos Stones em que Keith Richards assume o vocal principal, enquanto Brian Jones toca uma auto-harpa. Merece atenção o violão “bluezístico”. Posteriormente, vem “Monkey Man“, que apresenta um trabalho bem “agressivo” do baixo e das guitarras. Além do bom desempenho do piano e do vibrafone. E, para finalizar, “You Can’t Always Get What You Want“, que é uma espécie de resposta dos londrinos para “Hey, Jude“, dos Beatles. Curiosamente, apesar de encerrar o disco, foi a primeira música para “Let It Bleed” a ser gravada. A bateria foi feita pelo produtor Jimmy Miller em vez de Whats, que não conseguia executar a linha de bateria.

Entre as curiosidades que marcaram as gravações do álbum, certamente, “Gimme Shelter” foi a que chamou mais atenção. A canção estava sendo gravada em Los Angeles e o produtor Jimmy Miller sugeriu à banda para que fosse adicionado um vocal feminino para acompanhar Jagger. Altas horas da noite, algum conhecido da cantora Merry Clayton resolveu ligar para a cantora, que estava grávida de oito meses. Apesar da situação, Clayton se levantou, aceitou ir aos estúdios, fez a sua gravação de pijamas mesmo e impressionou os caras com os seus gritos avassaladores. Mas, o esforço excessivo da cantora provocou um aborto espontâneo.

Na época, “Let It Bleed” foi pensado como uma resposta ou uma paródia de “Let It Be“, dos Beatles, apesar de que a banda de Liverpool não tivesse lançado a música e nem mesmo o ´álbum, que saiu seis meses depois que a obra dos Stones. No entanto, cogita-se de que as sessões do disco do quarteto de Liverpool já tinha começado em janeiro em 1969, ou seja, antes mesmo da maioria das sessões do álbum da trupe de Mick Jagger e que já era de conhecimento geral de que o projeto dos Beatles já existia, mas que o nome previsto, a princípio, era “Get Back“.

A capa do disco apresenta uma escultura surreal ilustrada por Robert Browjohn. A imagem consiste no disco “Let It Bleed” sendo tocado por um braço de um antigo toca-discos. Acima do LP pairam uma série de itens estocados em um prato: uma fita métrica, rolo de filme intitulado “Stones – Let It Bleed”, uma face de um relógio, uma pizza, um pneu pequeno e um bolo confeitado e, em cima dele, cinco bonecos que representam a banda. Enquanto a contracapa contém a mesma imagem, mas com os itens citados “consumido” e com uma fatia de bolo a menos, como se fosse uma espécie de “o que sobrou” após o ouvinte escutar o disco. Além disso, nas primeiras prensagens, a faixa “Gimme Shelter” veio com erro de ortografia, com “Gimmie Shelter” (sic).

No entanto, apesar de toda atmosfera “macabra”, o disco foi muito bem nas paradas, chegando ao primeiro lugar no Reino Unido, desbancando “Abbey Road“, dos Beatles, e a terceira posição na Billboard, nos Estados Unidos, onde recebeu o disco de platina duplo. Bem recebido pela crítica, a obra é considerada um dos melhores discos do rock de todos os tempos, e ele aparece nos mais diversos rankings, tais como: 69º lugar na lista de melhores álbuns de todos os tempos segundo leitores da revista Q, em 1998; 28º lugar, na mesma revista, na lista dos 100 Maiores Discos Britânicos de Todos os Tempos; enquanto a VH1, em 2001, o colocou na honrosa 24ª colocação em seu estudo de melhores álbuns. E “Let It Bleed” ainda apareceu na posição número 32 na lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone, em 2003.

Certamente, “Let It Bleed” é tão obrigatório os “álbuns sagrados” da discografia stoniana: “Beggars Banquet” (1968), “Sticky Fingers” (1971) e “Exile On Main St” (1972).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Let It Bleed
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 5 de dezembro de 1969
Gravadoras: Decca (Reino Unido) / London Records (EUA)
Produtor: Jimmy Miller

Mick Jagger: voz (exceto em “You Got The Silver“), backing vocal em “Gimme Shelter“, “Country Honk” e “Monky Man“; gaita em “Gimme Shelter” e “Midnight Rambler” e violão em “You Can’t Always Get What You Want
Keith Richards: guitarra (exceto em “Country Honk“, violão em “Love In Vain“, “Country Honk“, “Let It Bleed“, “You Got The Silver” e “You Can’t Always Get What You Want“; slide guitar em “Love In Vain“, backing vocal em “Gimme Shelter“, “Country Honk“, “Live With Me” e “Monkey Man“, baixo em “Live With Me” e voz em “You Got The Silver
Bill Wyman: baixo (exceto em “Country Honk” e “Live With Me“), autoharpa em “Let It Bleed” e vibrafone em “Monkey Man
Charlie Watts: bateria (exceto em “You Can’t Always Get What You Want“)
Brian Jones: congas em “Midnight Rambler” e autoharpa em “You Got The Silver
Mick Taylor: slide guitar em “Country Honk” e guitarra em “Live With Me

Ian Stewart: piano em “Let It Bleed
Nicky Hopkins: piano em “Gimme Shelter“, “Live With Me“, “You Got The Silver” e “Monkey Man“; órgão em “You Got The Silver
Byron Clayton: violino em “Country Honk
Ry Cooder: bandolim em “Love In Vain
Jimmy Miller: percussão em “Gimme Shelter“, bateria em “You Can’t Always Get What You Want” e pandeiro em “Monkey Man
Bobby Keys: sax tenor em “Live With Me
Merry Clayton: voz em “Gimme Shelter
Doris Troy e Madeline Bell: backing vocal
Nanette Workman: backing vocal em “Country Honk” e “You Can’t Always Get What You Want
Al Kooper: piano, trompa e órgão em “You Can’t Always Get What You Want
Rocky Dijon: percussão em “You Can’t Always Get What You Want
Leon Russell: arranjo para piano e trompa em “Live With Me
Jack Nitzsche: arranjo corais em “You Can’t Always Get What You Want

1. Gimme Shelter (Jagger / Richards)
2. Love In Vain (Johnson)
3. Country Honk (Jagger / Richards)
4. Live With Me (Jagger / Richards)
5. Let It Bleed (Jagger / Richards)
6. Midnight Rambler (Jagger / Richards)
7. You Got The Silver (Jagger / Richards)
8. Monkey Man (Jagger / Richards)
9. You Can’t Always Get What You Want (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

 

The Rolling Stones: 45 anos de “It’s Only Rock ‘N’ Roll”

“It’s Only Rock ‘N’ Roll”, o último disco dos Rolling Stones com Mick Taylor, completou 45 anos no último dia 18 de outubro

Lançado em 18 de outubro de 1974, o álbum “It’s Only Rock ‘N’ Roll“, dos Rolling Stones, completou 45 anos de seu lançamento na semana passada. Produzido pela dupla Mick Jagger e Keith Richards, o disco foi gravado entre 1972 e 1974, com algumas interrupções no processo, em vários estúdios, entre eles o Olympic Studios de Londres, Dynamic Sound Studios de Kingston, Jamaica, Musicland Studios de Munique, Alemanha e no estúdio caseiro de Ronnie Wood em Richmond, na Inglaterra. O álbum saiu pela Atlantic Records e pela Rolling Stones Records.

O registrou ficou marcado como o último trabalho com o guitarrista Mick Taylor e a a composição e gravação da faixa título do álbum foi a conexão para eventual substituição do insatisfeito Taylor por Ronnie Wood.

A banda começou a trabalhar de maneira mais efusiva no álbum depois da conclusao da turnê europeia de “Goats Head Soup (1973). As sessões de gravação foram assistidas pelo pintor belga Guy Peellaert, o qual Mick Jagger convidou para fazer a capa do álbum depois de ver o seu trabalho no livro Rock Dreams, que contou com ilustrações de vários músicos de rock, inclusive os Stones. Peellaert acabou por pintar a banda como “deidades do rock”, descendo uma escadaria do templo, rodeada de jovens moças e mulheres adorando-os com roupas gregas. O artista se recusou a assinar um contrato de exclusividade e, em 1974, forneceu uma outra arte de capa para o álbum “Diamond Dogs”, de David Bowie.

Inicialmente, o projeto do novo disco seria feito com metade da gravação feita ao vivo e a outra metade em estúdio, com um lado com as versões “live” de apresentações feitas durante a turnê europeia de 1973, enquanto o outro lado seria preenchido com versões recém-gravadas de temas de R&B favoritas do quinteto. Porém, os Stones passaram a trabalhar com as bases de riffs de Richards e novas ideias de Jagger, logo, o conceito original sucumbiu e optaram em fazer um material totalmente novo, apenas o cover “Ain’t Too Proud To Beg” foi mantido para a nova empreitada.

O álbum foi o primeiro esforço dos Stones na auto-produção desde “Their Satanic Majesties Request” (1967), e o primeiro por Jagger e Richards sob o pseudônimo de The Glimmer Twins. E, desde então, a partir deste lançamento, todos os futuros álbuns dos Rolling Stones seriam produzidos por eles ou em colaboração com um produtor externo.

Ao contrário dos trabalhos anteriores, que sempre começavam com faixas impactantes que se tornaram clássicas na primeira audição, “It’s Only Rock ‘N’ Roll” dá o seu pontapé inicial com “If You Can’t Rock Me“, com uma pegada mais próxima do glam rock, mas sem o mesmo brilhantismo do disco anterior. Em seguida, vem o cover bacana de “Ain’t Too Proud To Beg“, que antecedeu o brilhante hino – a faixa-título, que aparenta ter sido inspiradas em “Get It On“, do T-Rex. Curiosamente, Bill Wyman, Charlie Watts e Mick Taylor não tocam nenhum instrumento nela, pois, na gravação os três foram substituídos, respectivamente, por Willie Weeks (músico californiano de estúdio), Kenny Jones e Ronnie Wood (que à época tocavam juntos nos Faces). E o play encerra o lado A com duas boas baladas, apesar de não serem equiparadas às do disco anterior: “Till The Next Goodbye” e “Time Waits For No One“, que colaboraram para a saída de Mick Taylor da banda, uma vez que ele queria receber crédito de co-autor em ambas, mas não podemos de enaltecer o trabalho de guitarra dele nessa última.

O outro lado começa com “Luxury“, que mostra a tendência crescente do grupo por outros gêneros, como o reggae. Posteriormente, o álbum apresenta a agitada e ótima “Dance Little Sister“. E os caras não se contentaram em ter duas baladas na obra e tacaram uma terceira: “If You Really Want To Be My Friend“. Enquanto isso, a ótima “Short And Curlies” traz a sonoridade característica de “Exile On Main St.” (1972), mas que, apesar de ser boa, não pode ser considerada um clássico, e, para finalizar a “funkuda” “Fingerprint File“, em que o protagonismo ficou por conta de Charlie Watts e Mick Taylor (que tocou baixo enquanto Bill Wyman ficou no sintetizador), além da guitarra furiosa de Richards e o vocal um tanto debochado de Mick Jagger.

Para a promoção do álbum, foram produzidos três vídeos: “It’s Only Rock ’N’ Roll`(But I Like It)“, “Ain’t Too Proud To Beg” (cover dos Temptations) e “Till The Next Goodbye“.

Além disso, outra detalhe que chama atenção em relação à obra: os músicos que participaram de forma especial – Billy Preston, Nick Hopkins e Ian Stewart, além dos engenheiros de gravação Andy John e Keith Harwood – cujas fotografias aparecem no encarte do disco, já morreram.

Contudo, a obra é agradável de ouvir, mas está longe de ser um clássico absoluto das “Pedras Rolantes”. Mas, uma coisa não podemos negar: o nome da faixa-título (e a música em si) praticamente se tornou um mantra do Rock And Roll.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: It’s Only Rock ‘N’ Roll
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 18 de outubro de 1974
Gravadoras: Rolling Stones Records / Atlantic Records
Produtores: Mick Jagger e Keith Richards

Mick Jagger: voz, backing vocal (exceto em “Dance Little Sister“, “If You Really Want To Be My Friend” e “Fingerprint File“), violão em “Till The Next Goodbye” e guitarra em “Fingerprint File
Keith Richards: guitarra (exceto em “Till The Next Goodbye“), backing vocal (exceto em “Dance Little Sister” e “Fingerprint File“), guitarra acústica em “Till The Next Goodbye” e “If You Really Want to Be My Friend” e baixo em “If You Can’t Rock Me
Bill Wyman: baixo (exceto em “If You Can’t Rock Me“, “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)” e “Fingerprint File“) e sintetizador em “Fingerprint File
Charlie Watts: bateria (exceto em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)“)
Mick Taylor: guitarra (exceto em “Ain’t Too Proud To Beg“, “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)“, “Luxury” e “Fingerprint File“), violão em “Till The Next Goodbye” e  “Time Waits For No One“, e baixo em “Fingerprint File

Nicky Hopkins: piano em “Till The Next Goodbye“, “Time Waits For No One“, “Luxury“, “If You Really Want To Be My Friend” e “Fingerprint File
Billy Preston: piano em “If You Can’t Rock Me“, “Ain’t Too Proud To Beg” e “Fingerprint File“, clavinete em “Ain’t Too Proud To Beg” e “Fingerprint File” e órgão em “If You Really Want To Be My Friend
Ian Stewart: piano em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)“, “Dance Little Sister” e “Short And Curlies
Ray Cooper: percussão em “If You Can’t Rock Me“, “Ain’t Too Proud To Beg“, “Time Waits For No One” e “Luxury
Blue Magic: backing vocal em “If You Really Want To Be My Friend
Ed Leach: campainha em “Ain’t Too Proud To Beg
Chalie Jolly: tabla em “Fingerprint File
Kenney Jones: bateria em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)
Willie Weeks: baixo em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)
David Bowie: vocais secundários em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)
Ronnie Wood: violão de doze cordas e backing vocal em “It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It)

1. If You Can’t Rock Me (Jagger / Richards)
2. Ain’t Too Proud To Beg (Whitfield / Holland)
3. It’s Only Rock ‘N’ Roll (But I Like It) (Jagger / Richards)
4. Till The Next Goodbye (Jagger / Richards)
5. Time Waits For No One (Jagger / Richards)
6. Luxury (Jagger / Richards)
7. Dance Little Sister (Jagger / Richards)
8. If You Really Want To Be My Friend (Jagger / Richards)
9. Short And Curlies (Jagger / Richards)
10. Fingerprint File (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

The Rolling Stones: 55 anos de “12 x 5”

“12 x 5”: o segundo álbum dos Rolling Stones que foi lançado apenas nos EUA, enquanto na Inglaterra foi editado um EP “Five By Five”, completou 55 anos

No último dia 17 de outubro, o segundo álbum dos Rolling Stones completou 55 anos de seu lançamento. Gravado entre fevereiro e setembro de 1964, “12 x 5“, saiu apenas nos Estados Unidos pela London Records/Decca/Abkco e foi produzido por Andrew Loog Oldham.

Depois de sua primeira turnê norte-americana em 1964, embalado pelo sucesso dos Beatles, e de outras bandas britânicas, que divulgaram seus trabalhos por lá na chamada Invasão Britânica, os Rolling Stones não obtiveram o mesmo êxito perante os ianques se comparados com seus contemporâneos compatriotas, ou seja, não tiveram todo o “oba-oba” como a banda de Liverpool teve. Porém, o quinteto, fãs de Blues e Rhythm And Blues norte-americano, puderam realizar o sonho de gravar na icônica Chess Records, de Chicago, onde vários ídolos dos Stones, como Buddy Guy, Bo Diddley e Chuck Berry gravaram seus LP’s que serviram como inspiração aos jovens ingleses a se tornarem músicos.

Os Rollling Stones chegaram a conhecer pessoalmente lá, seu ídolo Muddy Waters, ainda que, ele estivesse numa fase de pobreza e ostracismo, trabalhando na manutenção do estúdio, e não gravando.

A partir das músicas gravadas nessas sessões em junho de 1964, a gravadora dos Rolling Stones no Reino Unido, Decca Records, lançou o EP “Five By Five“, que tinha apenas cinco músicas. Mas como EP nunca foram um formato lucrativo nos EUA, a London Records, distribuidora americana da músicas do grupo, resolveu lançar as músicas do EP britânico através de um álbum inteiro, somando sete novas gravações, para preencher o formato do disco. Se o nome do EP britânico era “Five By Five“, por serem cinco canções por cinco músicos, o álbum americano teria doze canções gravadas cinco músicos, daí o nome da obra. Ou seja, isso foi primordial para justificar porquê a discografia do grupo nos dois países saxões é diferente.

O álbum, manteve a receita de seu antecessor, tendo o repertório de covers de clássicos do Rhythm and Blues americano. No entanto, ele contém três composições da ainda principiante dupla Mick Jagger / Keith Richards, os Glimmer Twins, bem como duas composições do grupo sob o pseudônimo de “Nanker Phelge”.

O resto das músicas foram os singles “It’s All Over Now” e “Time Is On My Side“, com seus lados-B, além de três canções que foram posteriormente incluídos no segundo álbum da discografia britânica, “The Rolling Stones No. 2“. A Decca, por sinal, para montar o segundo álbum britânico da banda, usaria a mesma capa (menos as letras), deste álbum.

Mesmo não obtendo o mesmo apelo que os Beatles, o segundo trabalho dos Rolling Stones obteve sucesso maior em relação ao antecessor, chegando ao terceiro lugar entre os discos mais vendidos nos Estados Unidos e, rapidamente, virou Disco de Ouro.

Em agosto de 2002, “12 X 5” foi reeditado e remasterizada CD e SACD digipack pela ABKCO Records. Esta edição inclui versões estéreo de “Around and Around“, “Confessin’ the Blues“, “Empty Heart“, “It’s All Over Now“, e uma versão estendida de “2120 South Michigan Avenue“, e “If You Need Me

O play é notável por apresentar a primeira, e menos ouvida, das duas versões dos Stones de “Time Is On My Side“, de Jerry Ragovoy, com um órgão eletrônico de destaque em vez da guitarra elétrica da versão mais conhecida.

Um disco que, embora não esteja no rol dos clássicos ‘stonianos’, vale ser conferido com carinho.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: 12 x 5
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 17 de outubro de 1964
Gravadoras: London Records / Decca / Abkco
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, gaita e percussão
Keith Richards: guitarra, violão e backing vocal
Brian Jones: guitarra, violão, gaita, tamborim, maracas, backing vocal e órgão em “If You Need Me
Charlie Watts: bateria e tamborim
Bill Wyman: baixo e backing vocal

Ian Stewart: piano e órgão

1. Around And Around (Berry)
2. Confessin’ The Blues (McShann / Brown)
3. Empty Heart (Phelge)
4. Time Is On My Side (Ragovoy)
5. Good Times, Bad Times (Jagger / Richards)
6. It’s All Over Now (B. Womack / S. Womack)
7. 2120 South Michigan Avenue (Phelge)
8. Under The Boardwalk (Resnick / Young)
9. Congratulations (Jagger / Richards)
10. Grown Up Wrong (Jagger / Richards)
11. If You Need Me (Pickett / Baterman)
12. Susie Q (Hawkins / Lewis / Broadwater)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 30 anos de “Steel Wheels”

“Steel Wheels”: o último álbum dos Rolling Stones a ser lançado com Bill Wyman no baixo, completou 30 anos

Na última quinta-feira (29), o álbum “Steel Wheels“, dos Rolling Stones, completou 30 anos de seu lançamento. O disco ficou marcado como o último a ter a participação do baixista Bill Wyman, que se desligou do grupo em 1993. Produzido por Chris Kimsey e pelos The Glimmer Twins, o 21º trabalho de estúdio (de acordo com a cronologia norte-americana) e o 19º da discografia britânica, a obra foi lançada pela Rolling Stones Records e Virgin Records.

Depois do lançamento de “Dirty Work” (1986), quando Mick Jagger priorizou mais a sua carreira solo em relação à banda, o relacionamento entre ele e Keith Richards ficou bem comprometido. Aliás, os dois investiram em projetos fora dos Stones, com o lançamento de discos individuais, enquanto o grupo ficou parado, sem lançar novas músicas e sem turnês. Na época, diversos boatos apontavam para um possível fim dos Rolling Stones, o que nunca fora declarado, apesar do distanciamento entre seus integrantes.

Mas, esse hiato parece que fez bem para a dupla Jagger/Richards, que se entenderam e voltaram a compor novas músicas e, por fim, planejarem um novo disco e turnê dos Stones. Em janeiro de 1989, o quinteto (Mick, Keith, Charlie Watss, Bill Wyman e Ron Wood) se reuniu para a introdução da banda no Rock And Roll Of Fame. Após o encontro Jagger e Richards compuseram cerca de 50 músicas em semanas. E, pouco tempo depois, entre março e junho, os caras fizeram as sessões de gravação em Montserrat e Londres para o material de “Steel Wheels“, fazendo as “pedras rolantes” retornarem ao tradicional e característico “Blues-Rock” da maior banda de rock do mundo, saindo dos experimentalismos que marcaram os últimos lançamentos do grupo.

Para promover o “grande retorno” dos Rolling Stones, a turnê do álbum ficou marcada como a maior tour mundial entre qualquer banda na época. Além da campanha massiva de divulgação mundial do novo disco da banda, o single “Mixed Emotions” atingiu sucesso estrondoso na mídia e chegou ao quinto lugar entre os mais vendidos. Em relação às vendagens, “Steel Wheels” vendeu bem, chegando ao segundo lugar no Reino Unido e o terceiro posto da Billboard 200 nos Estados Unidos, onde recebeu a dupla platina. Em 1994, o play foi remasterizado e relançado pela Virgin Records, e novamente em 2009 pela Universal Music.

A turnê teve início nos Estados Unidos no final de 1989 e praticamente emendou com a Urban Jungle Tour, que percorreu a Europa ao longo de 1990, fazendo das duas tours a maior do mundo na época e grandioso sucesso financeiro. Por quase um ano, com 115 shows, os Rolling Stones tocaram praticamente por todo o Hemisfério Norte, com direito a ter bandas de abertura como Living Colour e Guns N’ Roses, que estava em pleno auge. A última apresentação dessa turnê foi em Wembley, em 25 de agosto de 1990, e essa foi a última apresentação ao vivo com Bill Wyman na banda.

O play apresentou um repertório excelente, a começa pela abertura, com “Sad Sad Sad“, um rockão sem frescura e tipicamente stoniana. Depois, temos a clássica e já citada “Mixed Emotions“, que retificam o status de melhor banda de rock do mundo. Outra boa pedida da obra é “Terrifying“, com seção rítmica e um Blues agrabilíssimo de se ouvir. Outra “pedrada” é “Rock And A Hard Place“, que traz um ótimo backing vocal feminino e com Jagger mostrando porque é um ícone do rock. Aliás, a letra faz uma crítica à desigualdade social. E Keith Richards não faz feio ao cantar a boa “Can’t Be Seen“, e o play ainda tem a grandiosa balada “Almost Hear You Sigh” que, sinceramente, só fica um patamar abaixo de “Wild Horses” e “Angie“. E vale destacar também “Continental Drift“, uma obra com pitada oriental no álbum.

Alguns fãs mais “raiz” alegam que esse foi o último grande trabalho da banda. Há controvérsias, pois, os Rolling Stones também teve bons discos na década de 1990, vai. Mas, certamente, dos trabalhos lançados na década de 1980, “Steel Wheels” só perde para “Tattoo You” (1981). Recomendadíssimo.

A seguir a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Steel Wheels
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 29 de agosto de 1989
Gravadora: Rolling Stones Records e Virgin Records
Produtores: Chris Kimsey e The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz, backing vocal, guitarra, violão e harmônica
Keith Richards: guitarra, violão, voz e backing vocal
Charlie Watts: bateria
Ronnie Wood: guitarra, violão e backing vocal
Bill Wyman: baixo

1. Sad Sad Sad (Jagger / Richards)
2. Mixed Emotions (Jagger / Richards)
3. Terrifying (Jagger / Richards)
4. Hold On To Your Hat (Jagger / Richards)
5. Hearts For Sale (Jagger / Richards)
6. Blinded By Love (Jagger / Richards)
7. Rock And A Hard Place (Jagger / Richards)
8. Can’t Be Seen (Jagger / Richards)
9. Almost Hear You Sigh (Jagger / Richards / Jordan)
10. Continental Drift (Jagger / Richards)
11. Break The Spell (Jagger / Richards)
12. Slipping Away (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 25 anos de “Voodoo Lounge”

“Voodoo Lounge”: primeiro disco de estúdio lançado pelos Rolling Stones sem o baixista Bill Wyman

Lançado em 19 de julho de 1994, o álbum “Voodoo Lounge“, dos Rolling Stones, chegou às suas bodas de prata. Produzido por Don Was em conjunto com os The Glimmer Twins (codinome de Mick Jagger e Keith Richards), o disco foi gravado em Dublin e em Los Angeles entre setembro de 1993 e abril de 1994 e lançado pela Virgin Records. E o play foi o primeiro sem a participação de Bill Wyman, baixista que deixou o grupo no começo de 1993.

Antes de entrar em estúdio para gravar o sucessor de “Steel Wheels” (1989), os Rolling Stones anunciaram a saída oficial do baixista Bill Wyman que, já cinquentão, alegara cansaço das intermináveis turnês e aparentava indisposição de começar mais uma. Com isso, o grupo prosseguiu e, para assumir as quatro cordas, foi escolhido Darryl Jones, que já havia tocado na banda de Miles Davis, que atuou como músico contratado e não como membro promovido dos Stones. Na época, havia cogitação de Jones ser, com o decorrer do tempo, efetivado para o posto de baixista do grupo, o que, como sabemos, não aconteceu, mas Darryl seguiu com Mick Jagger e cia. por anos, mas sempre como contratado.

No final de 1993, após ensaios e algumas gravações de demos na casa de Ron Wood, na Irlanda, os Rolling stones seguiram para produzir o novo material no Windmill Lane Studios, em Dublin, e, depois das festividades de final de ano, os caras concluíram as gravações em Los Angeles.

Com Don Was no comando da produção, a obra apresentou uma gravação estilosamente clássica que variou entre o Blues, o Rhythm And Blues e o Hard Rock, enfim, um território mais convencional para os padrões Rolling Stones de ser, agradando críticos e fãs, mas nem tanto a Mick Jagger, que lamentou a falta de “groove” nas canções e as influências africanas. Apesar da discordância entre músicos e produtor, Don Was seguiu a produzir os trabalhos posteriores da banda.

O nome do disco veio quando, durante a gravação da obra, Keith Richards adotou um gato de rua, em Barbados, batizando-o de “Voodoo” e o colocou para morar no terraço da casa onde estava a residir. O local ficou conhecido como “Voodoo Lounge“, ou seja, “Terraço do Voodoo“.

Com o álbum concluído, em seguida, o grupo começou a ensaiar para as apresentações ao vivo para uma turnê mundial sem precedentes que começara em agosto e, na rota, países que os Rolling Stones nunca havia tocando até então, entre eles, o Brasil, Argentina, Chile e África do Sul. E, em um ano de turnê, com direito a recordes de público e bilheteria milionária (estima-se que, na época, figurou como a turnê mais lucrativa da história, com arrecadação que chegou na casa dos US$ 320 milhões, mas que foi superada pela próxima turnê da própria banda, a Bridges To Babylon Tour).

O disco abre com a ótima “Love Is Strong“, com destaque para o slide de Ron Wood e com Mick Jagger tocando de forma maliciosa a gaita. Em seguida, o bom e pulsante rock de “You Got Me Rocking“, em que Darryl Jones se destaca e fez por merecer a chance de trabalhar com os músicos da melhor banda de rock do mundo. A agitação segue como “Sparks Will Fly“, que mantém o clima “up” das músicas. Depois, Keith Richards dá uma acalmada com a bela balada “The Worst” (sim, o guitarrista também atua como vocalista em ocasiões pontuais). E a calmaria segue com outra (grandiosa) balada “New Faces“, com Wood segurando as pontas no pedal steel. Já em “Moon Is Up” mantém as características roqueira da banda. Enquanto isso, em “Out Of Tears“, o grupo volta com as baladas, mas conduzida brilhantemente com o piano. A agressividade volta à tona com “I Go Wild“, uma faixa tipicamente stoniana. Keith Richards traz a guitarra com wah-wah em “Brand New Car” que, agregada como o sax de David McMurray fazem dela uma ótima música. A atmosfera latina marca presença em “Sweethearts Together“, que vem acompanhada de um acordeão e de um violão de nylon. Mas, o disco dá uma “ligeira caída” com “Suck In The Jugular“, mas nada que não comprometa a obra, pois, em seguida, aparece uma das melhores baladas, particularmente falando, dos Stones, a incrível “Blinded By Rainbows“. E, claro que o Rhythm And Blues não poderia ficar de fora, e ele foi representado com “Baby Break It Down“. Richards aparece novamente nos vocais em “Thru And Thru“, outra balada. E, finalmente, em “Mean Disposition“, que encerra o registro com o clima em que o disco abriu, ou seja, mantendo o rock a todo vapor.

Com o lançamento de “Voodoo Lounge“, que chegou ao topo das paradas no Reino Unido (o que não acontecia desde “Emotional Rescue“, de 1980), e em segundo lugar nos charts norte-americanos, os Rolling Stones viram o seu álbum alcançar o posto dos mais vendidos em diversos países, como Alemanha, Áustria, Austrália, Canadá, Países Baixos, Suíça, entre outros.

Aliás, em 2009, o play foi remasterizado e relançado pela Universal Music.

Uma coisa precisa ser dita (espero que não achem exagero da parte que vos escreve: “Voodoo Lounge” pode ser considerado como o último “grande disco” de inédita dos Stones, é daquelas obras que deve ser apreciada com o volume alto. E, não foi à toa, que a obra ganhou o Grammy Award na categoria de Melhor Álbum de Rock de 1994.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Voodoo Lounge
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 19 de julho de 1994
Gravadora: Virgin Records / Universal Music (relançamento de 2009)
Produtores: Don Was e The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz, guitarra, gaita e percussão
Keith Richards: guitarra, backing vocal e voz em “The Worst” e “Thru And Thru
Ron Wood: guitarra, pedal steel e backing vocal
Charlie Watts: bateria e percussão

Darryl Jones: baixo
Chuck Leavel: teclados e backing vocal
Luís Jardim, Phil Jones e Lenny Castro: percussão
Bernard Fowler e Bobby Wornack: vocais de apoio
Frankie Gavin: violino e pennywhistle
Mark Isham: trompete
Flaco Jimenez: acordeão
David McMurray: saxofone
Ivan Neville: backing vocal e órgão
Benmont Tench: órgão, piano e acordeão
Max Baca: bajo sexto
Pierre de Beauport: violão acústico
David Campbell: arranjo de cordas

1. Love Is Strong (Jagger / Richards)
2. You Got Me Rocking (Jagger / Richards)
3. Sparks Will Fly (Jagger / Richards)
4. The Worst (Jagger / Richards)
5. New Faces (Jagger / Richards)
6. Moon Is Up (Jagger / Richards)
7. Out Of Tears (Jagger / Richards)
8. I Go Wild (Jagger / Richards)
9. Brand New Car (Jagger / Richards)
10. Sweethearts Together (Jagger / Richards)
11. Suck On The Jugular (Jagger / Richards)
12. Blinded By Rainbows (Jagger / Richards)
13. Baby Break It Down (Jagger / Richards)
14. Thru And Thru (Jagger / Richards)
15. Mean Disposition (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 55 anos do álbum de estreia de Mick Jagger e sua trupe

Capa da versão britânica do primeiro disco dos Rolling Stones

No último dia 16 de abril, o primeiro trabalho de estúdio lançado pelos Rolling Stones completou 55 anos de seu lançamento. Gravado entre janeiro e fevereiro de 1964 no Regend Sound Studios, em Londres, o disco foi produzido Eric Easton e Andrew “Loog” Oldham e saiu pela Decca Records no mercado britânico.

Na primeira metade da década de 1960, os Rolling Stones estavam em evidência no ambiente noturno londrino tocando Blues e Rhythm And Blues pelos clubes da capital inglesa. E, em uma dessas apresentações, o grupo foi descoberto pelo empresário Andrew “Loog” Oldham e fechou um contrato com eles. O manager estava antenado com o cenário musical que estava fazendo a cabeça dos jovens, capitaneado pela meteórica ascensão dos Beatles, e enxergou ali a oportunidade de fazer frente ao Fab Four.

No entanto, o grupo era composto por seis integrantes e Oldham optou por retirar Ian Stewart da banda por achá-lo fotogênico e que a quantidade de músicos seria um exagero. Em seguida, o empresário foi atrás de uma gravadora para a banda e fechou com a Decca Records que, meses antes, havia ignorado os Beatles por considerar o “Rock And Roll um ritmo decadente e sem futuro comercial”. Diante da, digamos, “cagada histórica”, os executivos da gravadora, para não cometer a mesma “burrice”, não hesitaram e contrataram os Stones para a gravação e produção de suas músicas e discos.

Com contrato assinado, o grupo gravou duas músicas como “testes de viabilidade comercial” – “Come On“, que não repercutiu muito, e “I Wanna Be Your Man“, uma colaboração da emergente dupla John Lennon e Paul McCartney, que foi lançada como segundo single dos Rolling Stones, e que fez razoável sucesso a ponto de convencer a Decca a bancar na gravação de um disco inteiro da nova banda que estava a estourar.

No entanto, como os (futuros) líderes do grupo – Mick Jagger e Keith Richards – ainda não faziam composições, o repertório para o primeiro disco foi montado com versões de rocks, Blues e R&B norte-americanos que os Stones já tocavam em seus shows no circuito de clubes ingleses.

Com um repertório de nomes como Jimmy Reed, Muddy Waters, Bo Diddley, entre outros, os Rolling Stones gravaram o seu ‘debut’ em um estúdio repleto de caixa de ovos na parede, um Revox de dois canais e um gravador que ficava pendurado na parede, ao invés de estar em uma mesa, como é de costume.

A maioria das faixas atesta toda a paixão da banda pelo R&B. Mick Jagger e Keith Richards compuseram pouco para o disco e durante o início de 1964, com apenas uma composição original no álbum: “Tell Me (You’re Coming Back)“. Duas faixas são creditadas a “Nanker Phelge” – um pseudônimo que a banda utilizou para as composições de grupo entre 1963-1965. Phil Spector e Gene Pitney contribuíram muito para as sessões de gravação e são referidos como “Uncle Phil and Uncle Gene” no subtítulo da instrumental de Nanker Phelge, “Now I’ve Got a Witness“.

O disco foi gravado todo em mono, e a banda tinha que gravar no estilo “ao vivo no estúdio”. O baterista Charlie Watts afirmara gostar da sonoridade do play, embora admita que sua contribuição não tenha “sido fantástica”. Uma curiosidade sobre a música “Little By Little”. A música foi feita em cinco minutos após Mick Jagger e Phil Spector darem uma sumida por esse tempo e voltaram com a canção que acabara de escrever no corredor do estúdio.

A capa da edição britânica não tem qualquer título ou identificação da banda, apenas a foto tirada por Nicholas Wright com o logotipo da Decca.

A versão norte-americana do ‘debut’ dos Rolling Stones

Enquanto a Decca Records ficou responsável pela distribuição das músicas dos Rolling Stones gravadas no Reino Unido, nos Estados Unidos, a distribuição ficou a cargo da London Records. E essa distinção entre as distribuidoras de cada país provocou diferenças entre a discografia do grupo no mercado norte-americano e no britânico.

Uma situação interessante em relação a isso se deu com os lançamentos dos EP’s, que fizeram muito sucesso e venderam bastante na Grã-Bretanha, mas a London Records não utilizava esse tipo de material para vendas. Por outro lado, enquanto os hits lançados em singles que eram vendidos na Inglaterra, geralmente, não constavam no tracklist dos LP’s, enquanto nos Estados Unidos, geralmente, as canções que eram lançadas como singles eram mantidas nos lançamentos dos long plays. Além disso, outro fator que marcou a variação das distribuidoras e a autonomia no trabalho delas se dava pelas diferenças que haviam nos discos, como por exemplo: títulos diferentes, fotos e capas distintas, mesmo do mesmo trabalho, além da variação faixas de um país para o outro.

E, evidentemente, que os Rolling Stones não ficaram livres disso. Então, para o mercado norte-americano, o primeiro trabalho dos caras ficou intitulado “England’s Newest Hit Makers“, escrito na capa, com a faixa “Not Fade Away” no lugar de “Mona (I Need You Baby)“, que ficou na versão britânica.

Na época do lançamento, “The Rolling Stones“, o álbum, ficou em primeiro lugar nas paradas britânicas por 12 semanas, enquanto o seu homólogo norte-americano ocupou o 11º lugar das paradas dos Estados Unidos, sendo disco de ouro.

Mas, curiosamente, em agosto de 2002, o ‘debut’ norte-americano dos Rolling Stones foi relançado em CD remasterizado, enquanto a sua versão britânica está fora de catálogo desde 1987.

Apesar de não ter a mesma importância que outros trabalhos da banda, “The Rolling Stones” é um disco agradável de se ouvir e é um trabalho interessante de se ouvir por mostrar as influências daquela que hoje é considerada a maior banda de rock da história (há quem discorde por acreditar que esse rótulo pertence aos Beatles, mas aí é uma longa discussão).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão britânica) da obra.

Álbum: The Rolling Stones
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 16 de abril de 1964
Gravadora: Decca Records
Produtores: Eric Easton e Andrew “Loog” Oldham

Mick Jagger: voz, gaita e percussão
Brian Jones: guitarra, gaita, vocal e percussão
Keith Richards: guitarra e backing vocal
Charlie Watts: bateria e percussão
Bill Wyman: baixo e backing vocal

Gene Pitney: piano em “Little By Little
Phil Spector: maracas em “Little By Little
Ian Stewart: órgão e piano

1. Route 66 (Troup)
2. I Just Want To Make Love To You (Dixon)
3. Honest I Do (Reed)
4. Mona (I Need You Baby) (McDaniel)
5. Now I’ve Got A Witness (Like Uncle Phil And Uncle Gene) (Phelge)
6. Little By Little (Phelge / Spector)
7. I’m A King Bee (Harpo)
8. Carol (Berry)
9. Tell Me (You’re Coming Back) (Jagger / Richards)
10. Can I Get A Witness (Holland / Dozier / Holland)
11. You Can Make It If You Try (Jarrett)
12. Walking The Dog (Thomas)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 50 anos de “Beggars Banquet”

“Beggars Banquet”: clássico dos Rolling Stones que completa 50 anos em 2018

Nesta quinta-feira, 6 de dezembro, o álbum “Beggars Banquet”, dos Rolling Stones, completou 50 anos. Produzido por Jimmy Miller, o nono trabalho de estúdio (de acordo com a discografia norte-americana) e sétimo registro da discografia britânica da banda de Mick Jagger e Keith Richards, a obra foi gravada em quatro meses – de março a julho de 1968 – no Olympic Sound Studios, em Londres, e no Sunset Sound, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e foi lançado pela Decca/London.

Após o período da psicodelia que resultou em “Their Satanic Majesties Request” (1967), os Rolling Stones voltou às suas raízes de R&B, com um trabalho clássico, considerado um dos melhores da carreira da sexagenária banda, alcançando o terceiro lugar no Reino Unido e a quinta posição nas paradas norte-americana, rendendo-lhe disco de platina e o terceiro a ultrapassar a casa de um milhão de cópias vendidas.

Depois da saída e produtor Andrew Loog Oldham, Jagger e Richards contrataram Jimmy Miller, que já trabalhara para o Spencer Davis Group e o Traffic. A parceria com o grupo tornou-se um sucesso e, assim, Stones e Miller atuariam juntos até o lançamento de “Goats Head Soup”, de 1973.

Para os fãs mais antigos, infelizmente, esse disco marca como a última participação efetiva de Brian Jones com os Rolling Stones. O falecido guitarrista defendera que a banda deveria largar os experimentalismos psicodélicos do álbum anterior e voltar às raízes, especialmente ao Rhythm And Blues, Blues e Rock And Roll. Completamente afundado nas drogas, o estado mental de Jones se deteriorava a cada dia, a tal ponto de que, apenas em 1967, foi hospitalizado duas vezes e preso em duas ocasiões no mesmo ano. Nos shows, sempre errava a nota no palco. Enquanto isso, seu desempenho nas gravações era de acordo com a sua disposição: tinha momentos em que ficava a vagar pelo estúdio, batucava a esmo em um ou outro instrumento. Mesmo assim, colaborou muito para o disco, tocando diversos instrumentos nas faixas que compõem o disco, como slide guitar, gaita, cítara, mellotron, entre outros.

Pouco tempo após o lançamento do álbum, nos dias 10 e 11 de dezembro de 1968, o grupo filmou um espetáculo de televisão, o clássico “The Rolling Stones Rock And Roll Circus”, recheado de convidados especiais, como John Lennon, Eric Clapton, The Who, Jethro Tull (que teve como seu guitarrista o eterno ‘sabático’ Tony Iommi), entre outros nomes. Um dos propósitos do projeto era promover “Beggars Banquet”, porém, o filme foi engavetado pelos Rolling Stones e lançado oficialmente quase 30 anos depois, em 1996.

O disco abre com aquela que, talvez, seja a música mais polêmica de Mick Jagger e companhia: “Sympathy For The Devil”, que também dá título ao filme lançado também em 1968, de Jean-Luc Godard, que trazia uma fantasia em torno da contracultura dos anos 1960. Apesar de mostrarem imagens dos Stones no processo de gravação da música no estúdio, com uma cena em que aparecem alguns integrantes da banda e mais Marianne Faithfull e Anitta Pallenberg gravando os “whoo-whoo” nos backing vocals. As letras se concentram nas atrocidades na história da humanidade, do ponto de vista de Satanás, incluindo o julgamento e a morte de Jesus Cristo (“Made damn sure that Pilate washed his hands to seal his fate“), guerras religiosas europeias (“I watched with glee while your kings and queens fought for ten decades for the gods they made“), a violência da Revolução Russa de 1917 (“I stuck around St. Petersburg when I saw it was a time for a change“) até a morte do presidente norte-americano John F. Kennedy (“who killed the Kennedys“). Ao longo do processo de composição, Jagger e Richards foram mudando a melodia até finalizar em uma espécie de samba. Em seguida, a ‘blueseira’ “No Expectations“, em que a banda homenageia o saudoso bluesman Robert Johnson. Destaque para participação incrível de Brian Jones na slide guitar, a sua última grande contribuição para a banda. O terceiro tema é “Dear Doctor“, um Blues-country com um Mick Jagger entoando um falso sotaque norte-americano, e cuja letra fala de um jovem descobriu que sua noiva o abandonou no dia do casamento, para seu alívio. Em seguida, o play traz outro Blues: “Parachute Woman“. Nela, o vocalista murmura suas explosões sexuais. Vale conferir o desempenho da gaita tocada por Jagger (ou teria sido Brian Jones?). E “Beggars Banquet” chega à metade com a longa “Jigsaw Puzzle”, a segunda maior música da obra. Essa música nunca foi tocada ao vivo pelo grupo.

O lado B do play abre com outro clássico ‘stoniano’: “Street Fightning Man” que, segundo Charlie Watts, foi gravada em uma fita cassete com Richards tocando uma bateria de brinquedo dos anos 1930. Na época, a música foi banida em diversas rádios norte-americanas por conta dos tumultos raciais e protestos estudantis, já que havia no território ianque inúmeros confrontos entre polícia e manifestantes contra a Guerra do Vietnã. Foi o primeiro single do álbum e um dos maiores clássicos da banda. Em seguida, vem “Prodigal Son”, a única do disco não composta por Jagger/Richards, mas sim do Reverendo Robert Wilkins. Ele não foi creditado pela música no lançamento do LP original. Já o oitavo tema é “Stray Cat Blues“, que conta sobre a vontade de um homem fazer sexo ilegal com uma groupie de 15 anos. Brian Jones manda bem no mellotron. A penaúltima faixa é “Factory Girl“, com uma letra que trata do relacionamento do interlocutor com uma garota jovem e que está à sua espera para encontrá-lo. E o disco termina com “Salt On The Earth”, em que Mick Jagger homenageia a classe trabalhadora e ainda menciona uma passagem bíblica: “You are the salt of the earth; but if the salt loses its flavor, how shall it be seasoned ? It is then good for nothing but to be thrown out and trampled underfoot by men” (Mateus 5:13).

Curiosamente, em 2002, a ABKCO Records relançou “Beggars Banquet” em uma versão remasterizada e, com isso, corrigiu uma falha importante em relação ao lançamento original ao restaurara cada faixa a sua velocidade, deixando-a ligeiramente mais rápida. Com isso, esse registro contém cerca de 30 segundos a menos que a edição original.

A capa do original do disco, que traz uma fotografia de um banheiro todo pichado com palavras obcenas foram rejeitadas tanto pela Decca, na Grã-Bretanha, quanto pela London, nos Estados Unidos. E, claro, a banda se recusou a mudar de capa, o que culminou com o adiamento do lançamento do disco. No entanto, em novembro, os Stones permitiram que a obra fosse lançada em dezembro com uma capa branca, como uma imitação de cartão de visitas com as letras RSVP, que é uma abreviatura em francês de “Répondez, s’il vous plaît” (“responda, por favor”). A semelhança da nova capa com o “White Album”, dos Beatles, que saiu um mês antes que “Beggars…” foi o suficiente para acusar que os Rolling Stones estavam imitando o quarteto de Liverpool. No entanto, em 1984, ano em que saiu a versão em CD da obra, a capa original foi utilizada.

Constantemente o disco é citado nas listas dos melhores álbuns, seja na Rolling Stone, na VH1 e apareceu também no livro “1001 Albums You Must Hear Before You Die” (2005).

O álbum “Beggars Banquet” é o primeiro de uma série de quatro trabalhos de estúdios dos Rolling Stones que são considerados uma das maiores obras-primas do rock. Os outros três são “Let It Bleed” (1969), “Sticky Fingers” (1971) e “Exile On Main St.” (1972). Mais que recomendável, esse é obrigatório para quem aprecia o bom e velho rock and roll.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Beggars Banquet
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 6 de dezembro de 1968
Gravadora: Decca Records (Reino Unido) e London Records (EUA)
Produtor: Jimmy Miller

Mick Jagger: voz, backing vocal em “Sympathy For The Devil” e “Dear Doctor”, gaita em “Parachute Woman” e maracas em “Street Fighting Man” e “Stray Cat Blues
Keith Richards: guitarra, violões, baixo em “Sympathy For The Devil” e “Street Fighting Man”, backing vocal e co-vocal em “Salt On The Earth
Brian Jones: violão em “Sympathy For The Devil” e “Parachute Woman”, backing vocal em ”Sympathy For The Devil”, slide guitar em “No Expectations” e “Jigsaw Puzzle”, gaita em “Dear Doctor”, “Parachute Woman” e “Prodigal Son”, mellotron em “Street Fighting Man” e “Stray Cat Blues”, cítara e tambura em “Street Fighting Man
Bill Wyman: baixo, maracas e backing vocal em “Sympathy For The Devil” e sintetizador em “Jigsaw Puzzle
Charlie Watts: bateria, backing vocal em “Sympathy For The Devil”, claves em “No Expectations”, pandeiro em “Dear Doctor” e tabla em “Factory Girl

Nick Hopkins: piano (exceto em “Parachute Woman”, “Prodigal Son” e “Factory Girl”)
Dijon Rocky: congas em “Sympathy For The Devil”, “Stray Cat Blues” e “Factory Girl
Ric Grech: violino em “Factory Girl
Dave Mason: shehnai em “Street Fighting Man” e mellotron em “Factory Girl
Jimmy Miller: backing vocal em “Sympathy For The Devil
Coral Gospel de Wall Street: backing vocal em “Salt Of The Earth

1. Sympathy For The Devil (Jagger / Richards)
2. No Expectations (Jagger / Richards)
3. Dear Doctor (Jagger / Richards)
4. Parachute Woman (Jagger / Richards)
5. Jigsaw Puzzle (Jagger / Richards)
6. Street Fighting Man (Jagger / Richards)
7. Prodigal Son (Wilkins)
8. Stray Cat Blues (Jagger / Richards)
9. Factory Girl (Jagger / Richards)
10. Salt On The Earth (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida