Rolling Stones: 50 anos de “Between The Buttons”

“Between The Buttons”: clássico dos Rolling Stones lançado em 1967

Neste ano de 2017, dois discos dos Rolling Stones completam 50 anos de seu lançamento. Um deles é “Between The Buttons”, cuja versão britânica saiu em 20 de janeiro de 1967, enquanto a edição norte-americana foi lançada em 11 de fevereiro do mesmo ano. O outro álbum que completa cinco décadas é o clássico “Their Satanic Majesties Request” – mas é assunto para outra ocasião.

Produzido por Andrew Loog Oldham, o material foi lançado pela Decca Records/London Records e foi apresentado, na época, como continuidade do ousado “Aftermath”, de 1966.

O álbum foi gravado em dois estúdios, em Los Angeles durante o mês de agosto de 1966, e em Londres, em novembro do mesmo ano. O disco enlaça a época em que Mick Jagger e sua trupe estavam se movendo mais para o campo do art rock e se distanciando de suas raízes do R&B. Com o surgimento de álbuns como “Revolver”, dos Beatles, e “Blonde On Blonde”, de Bob Dylan, além do citado “Aftermath”, os parâmetros do rock haviam se expandido admiravelmente.

Quando começou a empresariar os Rolling Stones, Andrew Loog Oldham investiu em uma estratégia ousada: criar uma imagem de “banda rebelde” para concorrer com os Beatles a preferência do grande público. A tática principal era contrastar os jovens bem comportados e “bom-mocismo” dos Fab Four para fazer um contraponto. Assim, o empresário não apenas tolheu os excessos do quinteto, como até os favoreceu, por crer que, dessa forma, faria usar a forte imagem do grupo para fazer contraponto com os rapazes de Liverpool. Com o passar do tempo, a estratégia de produzir e tirar vantagem dos escarcéus se mostraria vitoriosa e decisiva para a carreira dos Stones, mesmo que, anos depois viesse a cobrar seu preço por meio das autoridades mais conservadoras. Décadas mais tarde, gente como Sex Pistols a Lady Gaga usufruíram dessa prática à perfeição.

Frases de efeito como “Você deixaria sua filha sair com um Stone?”, assim como fotos onde os músicos estavam travestidos como senhoras, ou mesmo como prostitutas, ou de Brian Jones trajado de nazista pisando uma boneca, além, é claro, de constantes flagrantes dos integrantes usando drogas e anfetaminas, acabaram solidificando a imagem da banda e tornando-os heróis de uma geração que questionava toda a sociedade conservadora que os acanhava. Mas do mesmo modo que estes escândalos e imagem favorecem o sucesso e a fama crescente dos Stones, também foi tornando-os os inimigos número um dos conservadores britânicos, americanos e do mundo em geral, o que logo começaria a atingir e prejudicar todos, em especial, Brian Jones.

O momento da gravação marca uso excessivo de drogas por parte dos membros da banda, especialmente alucinógenos como LSD. Na época, os jovens “rebeldes” acreditavam que o uso de psicotrópicos abriria a mente para novas ideias e expandiria seus limites. Quem mais foi afetado por esse excessivo estilo de vida, regrado a “viagens no ácido”, festas, sexo e rock foi também Brian, que tinha chegado ao seu auge musical e que só iria decair a partir daí.

Na época das gravações, as sessões sempre tinham presenças de amigos e affairs como Marianne Faithfull, Anita Pallenberg, Tony “Spanish” Sanchez, Jimi Hendrix, Michael Cooper (fotógrafo), além dos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.

No disco, Brian Jones seguiu com os seus experimentos com instrumentos exóticos, como órgão e xilofone elétrico, vibrafone, acordeão, kazoo, marimba, theremin e cravo, enquanto Keith Richards se ocupou em um trabalho de guitarra distintivo em “My Obsession“, “Connection“, “All Sold Out“, “Please Go Home” e “Miss Amanda Jones“.

A sessão de fotos para a capa do álbum ocorreu em Primrose Hill, ao norte de Londres. Os Stones foram no carro de Andrew Oldham até o local e foram fotografados por Gered Mankowitz.

O álbum foi o primeiro feito pela banda enquanto não estava na estrada, contudo, foi no mesmo período de quando todos eles estavam perturbados pelo uso abusivo de drogas. Em “Between The Buttons”, há clássicos como “Let’s Spend The Night Together” (versão norte-americana), que foi escrita por Richards no piano, enquanto “Yerdarday’s Papers” foi a primeira canção que Mick Jagger escreveu sozinho para os Rolling Stones. Já a boa “Back Street Girl” é a “única canção decente do disco”, segundo o vocalista.

Assim como os demais discos dos Rolling Stones gravados antes de “Their Satanic Majesties Request”, “Between The Buttons” tem algumas diferenças entre as versões britânicas e norte-americanas. A edição lançada no Reino Unido foi lançada primeiro juntamente com o single “Let’s Spend The Night Together”/”Ruby Tuesday”. E, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, no mercado fonográfico bretão o single não aparece no álbum que, aliás, fora bem recebido pela crítica e pelo público, e alcançou a terceira posição das paradas da Grã-Bretanha.

Já a versão estadunidense do disco traz os dois temas lançados no single britânico nos lugares de “Back Street Girl” e “Please Go Home”, que seriam incluídas no lançamento norte-americano da coletânea “Flowers” (1967). Com “Ruby Tuesday” atingindo o topo das paradas nos EUA, “Between The Buttons” chegou ao segundo lugar das paradas daquele país, sendo disco de ouro.

O álbum foi o último produzido por Andrew Loog Oldham, cujas influências se faz mais presente aqui do que nos trabalhos anteriores, uma vez que ele adotou técnicas à lá Phil Spector em faixas como “Yesterday’s Papers”, “My Obsession” e “Complicated”.

Em agosto de 2002 as duas versões do play foram reeditadas em CD remasterizado e SACD digipak pela ABKCO Records. Em 2003, o álbum foi classificado na 355° posição na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

E, passados meio século de seu lançamento, “Between The Buttons” tornou-se um trabalho renegado para a banda, mas os críticos e os fãs agraciam as qualidades ecléticas do álbum.

Embora Mick Jagger não goste desse disco, Brian Wilson, do The Beach Boys, em 2011, em entrevista a série de vídeos “On The Record”, citou “Between The Buttons” como sendo seu disco favorito. Ou seja, pode não ser o melhor trabalho do quinteto, mas para quem curte “as pedras que rolam”, é um disco que merece atenção especial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Between The Buttons
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 20 de janeiro de 1967 (Reino Unido) / 11 de fevereiro de 1967 (EUA)
Gravadora: Decca Records / London Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, percussão e gaita
Brian Jones: órgão, vibrafone, acordeão, gaita, gravador, percussão, kazoo, saxofone, xilofone, marimba, theremin, cravo e guitarra
Keith Richards: guitarra, vocal, baixo, piano, órgão e contrabaixo
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo, percussão e contrabaixo

Jack Nitzsche: piano, cravo e percussão
Ian Stewart: piano e órgão

Versão britânica:
1. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
2. My Obsession (Jagger / Richards)
3. Back Street Girl (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. Please Go Home (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleepping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Versão norte-americana:
1. Let’s Spend The Night Together (Jagger / Richards)
2. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
3. Ruby Tuesday (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. My Obsession (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleeping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

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Sinopse de “Mick – A Vida Louca e o Gênio Selvagem de Jagger”, de Christopher Andersen

Capa do livro de Christopher Andersen sobre Mick Jagger

O livro de autoria de Christopher Andersen teve a sua primeira edição lançada no Brasil em 2015 pela editora Alfaguara Brasil. Com quase 370 páginas, a obra faz referência a uma das figuras mais conhecidas do mundo pop, Sir Mick Jagger, eterno vocalista dos Rolling Stones.

Dividido em dez capítulos, a obra foi escrita originalmente pelo jornalista norte-americano, quando os Rolling Stones completaram 50 anos de existência, e o autor aborda, como toda biografia, a infância do biografado, no caso aqui, de Mick Jagger, e a importância da disciplina imposta por seu pai na questão da saúde física, que o fez o hoje septuagenário roqueiro carregar por toda a vida.

A publicação traz entrevistas e relatos de pessoas vinculadas profissionalmente ou intimamente ligadas ao vocalista da “maior banda de rock da história”, como familiares, amigos, colegas de banda, profissionais da indústria da música e do showbusiness.

O escritor conta também o árduo começo dos Rolling Stones quando, inclusive, os três membros fundadores da banda (Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones) dormiam juntos no mesmo colchão para se aquecerem do frio até chegarem a história marca de meio século de banda. Em meio a tudo isso, os altos e baixos entre Jagger e os demais integrantes, especialmente Richards com quem tem uma relação de amor e ódio, mas que culminou com a alcunha dada à dupla de “The Glimmer Twins”.

Em “Mick…”, Andersen destaca os dramas, sofrimentos, controvérsias e polêmicas que viraram pauta para uma imprensa voraz nas mais de cinco décadas na carreira do vocalista inglês. Contudo, em cima do palco, Jagger sempre hipnotizou o público com suas endiabradas performances alternadas com o seu carisma inquestionável.

Evidentemente que a vida ativa sexual de Mick Jagger não passaria despercebida pelos textos de Christofer Andersen. Apesar de ter adquirido a fama de arrogante e obcecado de si mesmo, Jagger encantou homens e (principalmente) mulheres. Momentos sob lençóis do amante andrógino e bissexual de Mick são abordados, especialmente com David Bowie. Enquanto à outra faceta, a de mulherengo, há aspas de algumas beldades que já foram para cama com Jagger, como Bebe Buel, Marianne Faithfull, Carla Bruni, Angeline Jolie, entre outras. Enfim, as aventuras sexuais do vocalista dos Stones, de acordo com o relatado no livro, chegam a quatro mil mulheres, alguns homens e sete filhos no total.

Ícone da cultura pop mundial, Mick Jagger segue como um dos últimos dinossauros rock que segue surpreendendo tudo e à todos.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Mick – A Vida Louca e o Gênio Selvagem de Jagger
Autor: Christopher Andersen
Páginas: 368
Edição:
Lançamento: 2015 (versão em português)
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida