The Rolling Stones: 50 anos de “Their Satanic Majesties Request”

“Their Satanic Majesties Request”: a versão (frustrada) de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

No último dia 8 de dezembro, “Their Satanic Majesties Request”, o oitavo disco dos Rolling Stones na discografia norte-americana (e o sexto na discografia britânica) completou 50 anos de seu lançamento. Com a produção assinada pela própria banda, o disco saiu pela Decca no Reino Unido e nos Estados Unidos. E foi a partir dele que todos os trabalhos de estúdio dos britânicos passaram a ter uma versão única para o mundo inteiro.

Na época, o mundo se rendera ao sucesso de álbuns de rock psicodélicos e inovadores, como o icônico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos amigos-rivais Beatles e “Pet Sounds”, dos Beach Boys, e essa nova tendência impactou os Rolling Stones que, até então, faziam um rock simplório, embora com maestria, mas que para Mick Jagger estava a ficar ultrapassado e, influenciado por essa sonoridade inovadora dos seus contemporâneos, o grupo também decidiu arriscar-se a produzir um disco psicodélico.

Evidentemente em uma banda grande como os Rolling Stones, a decisão de seguir aquela tendência não agradou a todos, pois Brian Jones que, nos primeiros anos do grupo, era o destaque (mais até que Jagger e Richards) preferia que a “zona de conforto” que cultivava a fidelidade às raízes do Rhythm & Blues dos Rolling Stones fosse mantida, porém, foi voto vencido. Com a sua escolha sendo limada pelos Glimmer Twins, Jones via sua influência no conjunto ser ameaçada ao mesmo tempo em que vivia afundado nas drogas e sintomas de depressão, demonstrando assim, menor capacidade de criar, produzir e disposição. Mas ele não era o único stone passar na prática pelo mantra do “sexo, drogas e Rock And Roll”. Os outros também estavam na mesma situação, pois usavam entorpecentes psicodélicos e alucinógenos em quantidades homéricas.

Chapados na maior parte do tempo, os Rolling Stones eram alvos fáceis de envolvimentos em confusões e polêmicas e sempre apareciam nas manchetes dos jornais, mas não pela música, mas sim pelos excessos. Considerados ao mesmo tempo rebeldes pelos conservadores e heróis pela juventude contestadora, Mick Jagger e companhia eram vistos pelas forças conservadoras britânicas e norte-americanas como alvos de condenação. A cada ocasião em que um dos músicos cometesse pequenos delitos, como flagrados com drogas e anfetaminas, as autoridades aproveitavam-se da situação para, nos tribunais, fossem condenados impiedosamente e fazendo deles um “exemplo a não ser seguido” pelos jovens. Entre toda essa balbúrdia envolvendo a banda, Mick, Keith e Jones chegaram a ser condenados à prisão, mas graças à pressão que ia desde imprensa até o público, que ficaram indignados com a pena excessiva, a punição teve de ser “relaxada”.

Com o rumo musical da banda já decidido, Jagger sugere uma sátira psicodélica da monarquia britânica para o novo álbum, que teve início logo após “Between The Buttons” (1967). O novo trabalho foi gravado no Olympic Studios (Studio A), em Londres, porém, o longo período utilizado pela banda na gravação (de fevereiro a segunda quinzena de outubro de 1967) se deu por conta das várias aparições nos tribunais e prisões, sem contar que foi feito de modo esporádico, uma vez que nem sempre todos os integrantes estavam presentes no estúdio ao mesmo tempo. Outra razão pela baixa produtividade do play foi a presença de diversos convidados que os integrantes, principalmente o trio Jones, Jagger e Richards, traziam para as sessões de gravação. Um dos mais “ajuizados” dos Stones, Bill Wyman, ao ver toda essa situação da banda naquele momento, escreveu “In Another Land” – a única canção sem a assinatura de Jagger/Richards.

Quem também estava de “saco cheio” com a falta de objetivo da banda foi o seu produtor e empresário Andrew Loog Oldham, que se afastou dos caras após os inúmeros casos de problemas com drogas por parte dos integrantes e abandonou o barco. A saída de Oldham fez com que “Their Satanic Majesties Request” fosse o primeiro trabalho dos Rolling Stones a ser autoproduzido.

Sendo, literalmente, os “donos do estúdio”, os Rolling Stones aproveitaram que ficariam a cargo da produção do disco fizeram várias experimentações com instrumentos e efeitos sonoros durante as sessões, utilizando instrumentos incomuns para as bandas de rock, como theremin, por exemplo, além do uso de sintetizadores e uma rádio de ondas curtas estáticas.

Depois de lançado, o álbum sofreu rejeição por parte da própria banda. Bill Wyman dissera que havia “um monte de lixo em ‘Satanic Majesties’”. Já Brian Jones, a um mês da data do lançamento do disco, comentou que seria uma espécie de “caos do catadão”, pois grande parte do material não foi feito juntos, pois cada um fez sua parte e juntaram tudo e, com um pouco de edição ‘aqui e ali’ finalizaram o material. Outro também que foi crítico do álbum nos anos seguinte foi Keith Richards que, embora goste de algumas canções do álbum, especialmente “2000 Light Years From Home”, “Citadel” e “She’s A Rainbow”, avalia que o álbum “foi um monte de besteira”. Para eles, o erro de tentar investir onde não era a “sua praia” ficou tão claro que, ao longo dessas cinco décadas do lançamento do disco, apenas duas músicas dele foram tocadas ao vivo pelo grupo: “2000 Light Years From Home”, tocadas na turnê mundial no biênio 1989-1990, e “She’s A Rainbow” durante a tour de “Bridges To Babylon”.

A produção do disco foi alvo de críticas duras feitas pela imprensa. A tal de ponto de, após “Their Satanic Majesties Request”, os Rolling Stones foram atrás de Jimmy Miller para a produção dos trabalhos seguintes e retornaram às origens ao gravar os seus rocks e Blues básicos com o qual se consagraram no início da carreira.

Apesar de tudo isso, o álbum chegou ao terceiro lugar nas paradas do Reino Unido e em segundo nos Estados Unidos, o que rendeu um disco de ouro. Contudo, o seu desempenho comercial declinou rapidamente, pois foi visto como uma tentativa frustrada de superar os Beatles e seu aclamado “Sgt. Pepper’s”.

E não tem como falar desse material sem destacar o seu título. Ele na verdade, foi uma sacada de Mick Jagger, pois o texto que aparece na parte interna dos passaportes britânicos e também nas caixas de uísque produzido no Reino Unido: “Her Britannic Majesty request and requires…”. Todavia, as versões lançadas do álbum na África do Sul e nas Filipinas saíram como “The Stones Are Rolling” por causa da palavra “satanic” no título original do disco. Além disso, foi feita uma outra proposta para a capa, que teria uma fotografia de Mick Jagger nu em uma cruz, mas que foi vetada pela gravadora por ser “de mau gosto”.

Mas nem tudo é digno de críticas. O play traz algumas pérolas, como as já citadas “2000 Light Years From Home”, “In Another Land” (cantada por Bill Wyman), “She’s A Rainbow”, que contém a participação de John Paul Jones (sim, o próprio), responsável pelo arranjo de cordas na faixa, e “2000 Man”, que ganhou uma releitura “classe A” do Kiss em “Dynasty” (1979).

A seguir ,a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Their Satanic Majesties Request
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 8 de dezembro de 1967
Gravadora: Decca Records
Produtor: The Rolling Stones

Mick Jagger: voz (exceto em “In Another Land”), backing vocal, percussão nas faixas 1, 5 e 8, tamborim na faixa 6, maracas nas faixas 2, 9 e 10 e glockenspiel na faixa 2
Keith Richards: guitarra (exceto nas faixas 3 e 6), backing vocal nas faixas 1 e de 3 a 9, violão nas faixas 3, 4, 6 e 7, fuzz bass nas faixas 2 e 9 e baixo na faixa 10
Brian Jones: mellotron (exceto nas faixas 4), saxofone na faixa 1, percussão nas faixas 1 e 5, harmônica na faixa 10, harpa na faixa 8, gravador na faixa 8, órgão na faixa 7, harpa judia na faixa 5, violão na faixa 4, vibrafone na faixa 5, efeitos sonoros na faixa 3, flauta nas faixas 2 e 5, metais na faixa 5 e dulcimer nas faixas 2, 8 e 9
Charlie Watts: bateria (exceto na faixa 8), tamborim nas faixas 5 e 10, congas na faixa 5, chaves na faixa 10, tabla na faixa 8 e percussão nas faixas 1, 5 e 6
Bill Wyman: baixo, percussão nas faixas 1 e 5, voz em “In Another Land”, piano na faixa 3, mellotron na faixa 5, órgão na faixa 3 e oscilador eletrônico na faixa 9

Nick Hopkins: piano (exceto nas faixas 2, 3, 4 e 8), órgão nas faixas 4 e 8 e cravo nas faixas 2 e 3
John Paul Jones: arranjo de cordas em “She’s A Rainbow
Eddie Kramer: claves em “2000 Light Years From Home
Ronnie Lane e Steve Marriott: backing vocal em “In Another Land

1. Sing This All Together (Jagger / Richards)
2. Citadel (Jagger / Richards)
3. In Another Land (Wyman)
4. 2000 Man (Jagger / Richards)
5. Sing This All Together (See What Happens) (Jagger / Richards)
6. She’s A Rainbow (Jagger / Richards)
7. The Lantern (Jagger / Richards)
8. Gomper (Jagger / Richards)
9. 2000 Light Years From Home (Jagger / Richards)
10. On With The Show (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Anúncios

The Rolling Stones: 20 anos de “Bridges To Babylon”

“Bridges To Babylon”: o segundo trabalho de estúdio dos Rolling Stones lançado nos anos 1990

O álbum “Bridges To Babylon”, dos Rolling Stones, completou 20 anos no último dia 29 de setembro. Lançado pela Virgin Records, o 21º disco de estúdio, conforme a discografia britânica e o 23º trabalho, de acordo com a discografia norte-americana da banda, o play foi gravado entre março e julho de 1997 e teve a produção assinada por Don Was, The Glimmer Twins, com Rob Fraboni, Danny Saber, Pierre de Beauport e The Dust Brothers.

Esse foi o segundo álbum de inéditas da maior banda de rock da história a ser lançado na década de 1990, época em que as suas (gigantescas) turnês mundiais, inclusive a “Bridges To Babylon Tour”, traziam espetáculos cada vez mais caros e impactantes, alavancando grande sucesso, públicos recordes e faturamento milionários. Isso tudo aliado às performances excepcionais, a vitalidade e a boa forma demonstrada, sobretudo de Mick Jagger.

Após a turnê mundial bem sucedida de “Voodoo Lounge Tour”, que terminou em 1994 e do lançamento do acústico “Stripped”, em 1995, os caras tiraram férias por alguns meses até o verão de 1996, quando Mick e Keith se reuniram para compor novas músicas, o que gerou a produção de algumas demos no final daquele ano. Com um novo trabalho de inédita “aquecendo no forno”, a produção ficou a cargo, mais uma vez, por Don Was, que teve o auxílio de produtores adicionais.

Na época, havia a expectativa de que o baixista Darryl Jones seria o substituto efetivo de Bill Wyman, o que não se confirmou. Aliás, os demais integrantes decidiram continuar a usar baixistas contratados. Para “Bridges To Babylon”, dez músicos diferentes tocaram baixo, inclusive o próprio Jones.

O disco foi recebido com críticas mistas pela imprensa do ramo. Apesar disso, para variar, o disco vendeu muito, com mais de 1,1 milhão de cópias vendidas só nos Estados Unidos, sendo o terceiro mais vendido por lá, e liderou as paradas em países como Áustria, Alemanha, Noruega e Suécia e o segundo lugar nos charts da Bélgica, Canadá, França e Holanda.

Inclusive, o principal hit do disco, “Anybody Seen My Baby?” teve uma peculiaridade. Ao escutar a canção, Angela Richards, filha de Keith, mostrou ao pai que a melodia dela era muito parecida com “Constant Craving”, de K. D. Lang. Então, para evitar eventuais processos judiciais, o staff dos Stones entraram em contato com K. D. Lang e Ben Mink e ficou combinado de que os créditos da música estariam os dois e a eterna dupla Jagger/Richards.

Apesar de não ter a mesma qualidade musical dos icônicos discos dos anos 1960 e 1970, “Bridges To Babylon” apresenta uma sonoridade mais sombria para o grupo. Temas como a já citada “Anybody Seen My Baby?”, “Gunface”, “Saint Of Me” e “Thief In The Night” destacam a força de Mick Jagger como letrista, e que servem como resposta para quem acha que o cara só compôs “Sympathy For The Devil” e “Undercover Of The Night”, por exemplo. Já “Out Of Control” tocou com uma certa frequência nas rádios. Esse é o disco em que Keith mais canta na longa discografia da banda: três faixas, entre elas, a sublime “You Do Not Have It Mean It”, inspirada no reggae e verdadeiramente romântica.

E, aproveitando o novo material como “pretexto” de fazer mais uma turnê milionária mundial, os Rolling Stones caíram na estrada com a sua “Bridges To Babylon Tour”, que rodou dezenas de países pelo mundo afora em um total de 108 concertos que foram aclamados por público e crítica. Durante essa turnê que a banda gravou o ‘live’ “No Security”.

Em 2009, “Bridges To Babylon” foi remasterizado e relançado pela Universal Records.

Esse play pode não ser o melhor dos Stones, mas só pelo fato de ser da maior banda de rock da história, ele é melhor do que o trabalho de muita banda comercial (e modista) que existe por aí. Rock and Roll de primeira qualidade.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Bridges To Babylon
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 29 de setembro de 1997
Gravadora/Distribuidora: Virgin / Universal (relançamento)
Produtores: Don Was, The Glimmer Twins (Jagger/Richards), com Rob Fraboni, Danny Saber, Pierre de Beauport e The Dust Brothers

Mick Jagger: voz, backing vocal, guitarra, teclados e harmonica
Keith Richards: guitarra, backing vocal, piano e voz em “You Don’t Have To Mean It”, “Thief In The Night” e “How I Can Stop
Ronnie Wood: guitarra, slide guitar, pedal steel guitar, dobro
Charlie Watts: bateria e backing vocal em “Always Suffering

Darryl Jones, Me’Shell Ndegeocello e Jeff Sarli: baixo
Danny Saber: baixo, guitarra, clave e teclados
Don Was: piano, baixo e teclados
Blondie Chaplin: voz de apoio, pandeiro, piano, baixo, percussão e maracas
Pierre de Beauport: baixo de seis cordas e piano
Jamie Muhoberac: teclados e baixo
Waddy Wachtel: guitarra, violão e backing vocal
Billy Preston: órgão
Matt Clifford: piano e órgão
Darrell Leonard: trompete
Wayne Shorter e Joe Sublett: saxofone
Benmont Tench: órgão, piano e teclados
Biz Markie: rapping
Jim Keltner: percussão e shaker
Kenny Aronoff: bucket
Bernard Fowler: backing vocal

1. Flip The Switch (Jagger / Richards)
2. Anybody Seen My Baby? (Jagger / Richards / K. D. Lang / Mink)
3. Low Down (Jagger / Richards)
4. Already Over Me (Jagger / Richards)
5. Gunface (Jagger / Richards)
6. You Don’t Have To Mean It (Jagger / Richards)
7. Out Of Control (Jagger / Richards)
8. Saint Of Me (Jagger / Richards)
9. Might As Well Get Juiced (Jagger / Richards)
10. Always Suffering (Jagger / Richards)
11. Too Tight (Jagger / Richards)
12. Thief In The Night (Jagger / Richards / Beauport)
13. How Can I Stop (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 50 anos de “Between The Buttons”

“Between The Buttons”: clássico dos Rolling Stones lançado em 1967

Neste ano de 2017, dois discos dos Rolling Stones completam 50 anos de seu lançamento. Um deles é “Between The Buttons”, cuja versão britânica saiu em 20 de janeiro de 1967, enquanto a edição norte-americana foi lançada em 11 de fevereiro do mesmo ano. O outro álbum que completa cinco décadas é o clássico “Their Satanic Majesties Request” – mas é assunto para outra ocasião.

Produzido por Andrew Loog Oldham, o material foi lançado pela Decca Records/London Records e foi apresentado, na época, como continuidade do ousado “Aftermath”, de 1966.

O álbum foi gravado em dois estúdios, em Los Angeles durante o mês de agosto de 1966, e em Londres, em novembro do mesmo ano. O disco enlaça a época em que Mick Jagger e sua trupe estavam se movendo mais para o campo do art rock e se distanciando de suas raízes do R&B. Com o surgimento de álbuns como “Revolver”, dos Beatles, e “Blonde On Blonde”, de Bob Dylan, além do citado “Aftermath”, os parâmetros do rock haviam se expandido admiravelmente.

Quando começou a empresariar os Rolling Stones, Andrew Loog Oldham investiu em uma estratégia ousada: criar uma imagem de “banda rebelde” para concorrer com os Beatles a preferência do grande público. A tática principal era contrastar os jovens bem comportados e “bom-mocismo” dos Fab Four para fazer um contraponto. Assim, o empresário não apenas tolheu os excessos do quinteto, como até os favoreceu, por crer que, dessa forma, faria usar a forte imagem do grupo para fazer contraponto com os rapazes de Liverpool. Com o passar do tempo, a estratégia de produzir e tirar vantagem dos escarcéus se mostraria vitoriosa e decisiva para a carreira dos Stones, mesmo que, anos depois viesse a cobrar seu preço por meio das autoridades mais conservadoras. Décadas mais tarde, gente como Sex Pistols a Lady Gaga usufruíram dessa prática à perfeição.

Frases de efeito como “Você deixaria sua filha sair com um Stone?”, assim como fotos onde os músicos estavam travestidos como senhoras, ou mesmo como prostitutas, ou de Brian Jones trajado de nazista pisando uma boneca, além, é claro, de constantes flagrantes dos integrantes usando drogas e anfetaminas, acabaram solidificando a imagem da banda e tornando-os heróis de uma geração que questionava toda a sociedade conservadora que os acanhava. Mas do mesmo modo que estes escândalos e imagem favorecem o sucesso e a fama crescente dos Stones, também foi tornando-os os inimigos número um dos conservadores britânicos, americanos e do mundo em geral, o que logo começaria a atingir e prejudicar todos, em especial, Brian Jones.

O momento da gravação marca uso excessivo de drogas por parte dos membros da banda, especialmente alucinógenos como LSD. Na época, os jovens “rebeldes” acreditavam que o uso de psicotrópicos abriria a mente para novas ideias e expandiria seus limites. Quem mais foi afetado por esse excessivo estilo de vida, regrado a “viagens no ácido”, festas, sexo e rock foi também Brian, que tinha chegado ao seu auge musical e que só iria decair a partir daí.

Na época das gravações, as sessões sempre tinham presenças de amigos e affairs como Marianne Faithfull, Anita Pallenberg, Tony “Spanish” Sanchez, Jimi Hendrix, Michael Cooper (fotógrafo), além dos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.

No disco, Brian Jones seguiu com os seus experimentos com instrumentos exóticos, como órgão e xilofone elétrico, vibrafone, acordeão, kazoo, marimba, theremin e cravo, enquanto Keith Richards se ocupou em um trabalho de guitarra distintivo em “My Obsession“, “Connection“, “All Sold Out“, “Please Go Home” e “Miss Amanda Jones“.

A sessão de fotos para a capa do álbum ocorreu em Primrose Hill, ao norte de Londres. Os Stones foram no carro de Andrew Oldham até o local e foram fotografados por Gered Mankowitz.

O álbum foi o primeiro feito pela banda enquanto não estava na estrada, contudo, foi no mesmo período de quando todos eles estavam perturbados pelo uso abusivo de drogas. Em “Between The Buttons”, há clássicos como “Let’s Spend The Night Together” (versão norte-americana), que foi escrita por Richards no piano, enquanto “Yerdarday’s Papers” foi a primeira canção que Mick Jagger escreveu sozinho para os Rolling Stones. Já a boa “Back Street Girl” é a “única canção decente do disco”, segundo o vocalista.

Assim como os demais discos dos Rolling Stones gravados antes de “Their Satanic Majesties Request”, “Between The Buttons” tem algumas diferenças entre as versões britânicas e norte-americanas. A edição lançada no Reino Unido foi lançada primeiro juntamente com o single “Let’s Spend The Night Together”/”Ruby Tuesday”. E, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, no mercado fonográfico bretão o single não aparece no álbum que, aliás, fora bem recebido pela crítica e pelo público, e alcançou a terceira posição das paradas da Grã-Bretanha.

Já a versão estadunidense do disco traz os dois temas lançados no single britânico nos lugares de “Back Street Girl” e “Please Go Home”, que seriam incluídas no lançamento norte-americano da coletânea “Flowers” (1967). Com “Ruby Tuesday” atingindo o topo das paradas nos EUA, “Between The Buttons” chegou ao segundo lugar das paradas daquele país, sendo disco de ouro.

O álbum foi o último produzido por Andrew Loog Oldham, cujas influências se faz mais presente aqui do que nos trabalhos anteriores, uma vez que ele adotou técnicas à lá Phil Spector em faixas como “Yesterday’s Papers”, “My Obsession” e “Complicated”.

Em agosto de 2002 as duas versões do play foram reeditadas em CD remasterizado e SACD digipak pela ABKCO Records. Em 2003, o álbum foi classificado na 355° posição na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

E, passados meio século de seu lançamento, “Between The Buttons” tornou-se um trabalho renegado para a banda, mas os críticos e os fãs agraciam as qualidades ecléticas do álbum.

Embora Mick Jagger não goste desse disco, Brian Wilson, do The Beach Boys, em 2011, em entrevista a série de vídeos “On The Record”, citou “Between The Buttons” como sendo seu disco favorito. Ou seja, pode não ser o melhor trabalho do quinteto, mas para quem curte “as pedras que rolam”, é um disco que merece atenção especial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Between The Buttons
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 20 de janeiro de 1967 (Reino Unido) / 11 de fevereiro de 1967 (EUA)
Gravadora: Decca Records / London Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, percussão e gaita
Brian Jones: órgão, vibrafone, acordeão, gaita, gravador, percussão, kazoo, saxofone, xilofone, marimba, theremin, cravo e guitarra
Keith Richards: guitarra, vocal, baixo, piano, órgão e contrabaixo
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo, percussão e contrabaixo

Jack Nitzsche: piano, cravo e percussão
Ian Stewart: piano e órgão

Versão britânica:
1. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
2. My Obsession (Jagger / Richards)
3. Back Street Girl (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. Please Go Home (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleepping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Versão norte-americana:
1. Let’s Spend The Night Together (Jagger / Richards)
2. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
3. Ruby Tuesday (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. My Obsession (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleeping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Mick – A Vida Louca e o Gênio Selvagem de Jagger”, de Christopher Andersen

Capa do livro de Christopher Andersen sobre Mick Jagger

O livro de autoria de Christopher Andersen teve a sua primeira edição lançada no Brasil em 2015 pela editora Alfaguara Brasil. Com quase 370 páginas, a obra faz referência a uma das figuras mais conhecidas do mundo pop, Sir Mick Jagger, eterno vocalista dos Rolling Stones.

Dividido em dez capítulos, a obra foi escrita originalmente pelo jornalista norte-americano, quando os Rolling Stones completaram 50 anos de existência, e o autor aborda, como toda biografia, a infância do biografado, no caso aqui, de Mick Jagger, e a importância da disciplina imposta por seu pai na questão da saúde física, que o fez o hoje septuagenário roqueiro carregar por toda a vida.

A publicação traz entrevistas e relatos de pessoas vinculadas profissionalmente ou intimamente ligadas ao vocalista da “maior banda de rock da história”, como familiares, amigos, colegas de banda, profissionais da indústria da música e do showbusiness.

O escritor conta também o árduo começo dos Rolling Stones quando, inclusive, os três membros fundadores da banda (Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones) dormiam juntos no mesmo colchão para se aquecerem do frio até chegarem a história marca de meio século de banda. Em meio a tudo isso, os altos e baixos entre Jagger e os demais integrantes, especialmente Richards com quem tem uma relação de amor e ódio, mas que culminou com a alcunha dada à dupla de “The Glimmer Twins”.

Em “Mick…”, Andersen destaca os dramas, sofrimentos, controvérsias e polêmicas que viraram pauta para uma imprensa voraz nas mais de cinco décadas na carreira do vocalista inglês. Contudo, em cima do palco, Jagger sempre hipnotizou o público com suas endiabradas performances alternadas com o seu carisma inquestionável.

Evidentemente que a vida ativa sexual de Mick Jagger não passaria despercebida pelos textos de Christofer Andersen. Apesar de ter adquirido a fama de arrogante e obcecado de si mesmo, Jagger encantou homens e (principalmente) mulheres. Momentos sob lençóis do amante andrógino e bissexual de Mick são abordados, especialmente com David Bowie. Enquanto à outra faceta, a de mulherengo, há aspas de algumas beldades que já foram para cama com Jagger, como Bebe Buel, Marianne Faithfull, Carla Bruni, Angeline Jolie, entre outras. Enfim, as aventuras sexuais do vocalista dos Stones, de acordo com o relatado no livro, chegam a quatro mil mulheres, alguns homens e sete filhos no total.

Ícone da cultura pop mundial, Mick Jagger segue como um dos últimos dinossauros rock que segue surpreendendo tudo e à todos.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Mick – A Vida Louca e o Gênio Selvagem de Jagger
Autor: Christopher Andersen
Páginas: 368
Edição:
Lançamento: 2015 (versão em português)
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida