Diretoria do Internacional apequenando o clube

Diretoria do Internacional não descarta a possibilidade de ir ao "tapetão" para evitar a queda à Série B dentro de campo
Diretoria do Internacional não descarta a possibilidade de ir ao “tapetão” para evitar a queda à Série B dentro de campo

E na pior semana da história do futebol, enquanto o mundo se mostrou solidário com a perda dos jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulação do voo que levava a Chapecoense para Medelín, o esporte mais amado do Brasil segue com a indefinição sobre a última rodada do Campeonato Brasileiro, o que é compreensível neste momento de luto.

Assim que aconteceu o fatídico acidente da madrugada da última terça-feira (29), a CBF imediatamente adiou o segundo jogo da final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro, que se enfrentariam no dia seguinte, na quarta-feira (30), na Arena do Grêmio, e, consequentemente, a última rodada do Campeonato Brasileiro, que seria disputada no domingo (4). A entidade decretou luto e afirmou que a rodada derradeira do campeonato nacional para o domingo seguinte (11), enquanto a data da segunda partida da decisão da Copa do Brasil segue indefinida.

Dessa forma, todos os clubes, desde o momento do acidente, prestaram homenagens à Chapecoense, prometeram ajudar o clube com empréstimos de jogadores e que, na última rodada, hão de fazer um tributo ao Verdão do Oeste – algumas equipes cogitam usar a camisa da Chape (o Palmeiras, por exemplo, conseguiu o aval de seus patrocinadores e do fornecedor de material esportivo – falta o “sim” da CBF), outros pretendem atuar com o uniforme com as cores do time catarinense e ainda tem os que preferem utilizar um patch com o distintivo da Chapecoense.

E, antes da tragédia com o avião da Chapecoense, o Brasil viu o Palmeiras ser campeão brasileiro com uma rodada de antecedência e também acompanhou o drama das equipes que lutam contra o rebaixamento – mais especificamente Sport, Vitória e Internacional.

Ao longo de sua história no Campeonato Brasileiro, desde 1971, o Internacional vive o seu pior momento na história da competição: luta pela permanência na Série A e está em uma situação delicadíssima. O Colorado é uma das cinco equipes que até hoje nunca haviam disputado a segunda divisão do futebol nacional – os outros quatro são Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Dono de três títulos e detentor de uma façanha inédita até hoje na história do Brasileirão – o único campeão invicto do campeonato, em 1979 -, o Internacional chegou a liderar o Campeonato Brasileiro de 2016 nas primeiras rodadas, mas constantes erros de planejamento, em grande parte de sua diretoria que demitiu três técnicos (Argel Fucks, Paulo Roberto Falcão e Celso Roth), se encontra na atual situação desesperadora. Para safar-se da degola, o Inter, com 42 pontos, precisa vencer o Fluminense e torcer contra uma vitória do Sport (com 44) diante do já rebaixado Figueirense. Ou, ainda, derrotar o Tricolor das Laranjeiras por uma boa margem de gols e que o Palmeiras vença o Vitória em Salvador, de preferência por um placar mais elástico já que o Colorado, em caso de vitória, chegará à atual pontuação do rubronegro baiano: 45 e, com a mesma pontuação, partiriam para os critérios de desempate: maior número de vitórias (os dois empatariam nesse quesito, 12 para cada) e, aí sim, o saldo de gols, que hoje deixa o Internacional com -6 e o Vitória com -1. Caso o Colorado vença e o Leão da Ilha empate, quem cairá será o Sport justamente pelo critério de saldo de gols.

Todavia, para desviar o foco de sua incompetência, a desesperada cartolagem do Inter está a apelar para meios que despertam a indignação do torcedor brasileiro, o “tapetão”. Na 36ª rodada, o Internacional perdeu para o Corinthians por 1 a 0, com gol de Marlone, que converteu uma cobrança de pênalti. Inconformado com a derrota, o diretor colorado Fernando Carvalho vociferou aos microfones atribuindo o insucesso de seu time à arbitragem. De fato, o pênalti foi polêmico, mas o diretor reclamou que, segundo o próprio, sempre que o Inter vai a São Paulo, em especial enfrentar o Corinthians, ele é “garfado”. Mas o que o cartola não comentou é que, ao longo de um campeonato em que a arbitragem prejudicou muitos times, sua equipe também fora beneficiada em algumas partidas. Logo, transferiu a responsabilidade para a arbitragem.

A diretoria do Internacional, no ato de seu desespero para fugir da queda à Série B, disse que entrará com ação no STJD contra o Vitória sobre uma suposta irregularidade na inscrição do atleta Vítor Ramos, que já foi apurado anteriormente no Campeonato Baiano e não foi encontrada nenhuma irregularidade. Ou seja, se fosse constada a irregularidade na inscrição, o Inter seria beneficiado com uma eventual perda de pontos da equipe baiana. E, além disso, Fernando Carvalho disse, em outras palavras, que seu clube tem o direito de recorrer ao “tapetão” porque perdeu um campeonato dessa forma (ele se refere ao polêmico Campeonato Brasileiro de 2005 vencido pelo Corinthians, que recuperou quatro pontos nas partidas remarcadas por conta da “máfia do apito”). Todavia, não comentou que o Inter fora beneficiado em 1999 com o caso Sandro Hiroshi. Na ocasião, o Colorado empatou com o São Paulo em 2 a 2 e o Tricolor tinha em seu elenco o jogador Sandro Hiroshi que foi inscrito irregularmente por apresentar falsidade ideológica em relação à sua idade. Com isso, o Internacional ganhou os pontos da partida. Outro beneficiado foi o Botafogo que, em campo, perdeu por 6 a 1 para o Tricolor paulista e ficou com três pontos. Dessa forma, graças a isso, as duas equipes foram isentas da queda. Sobrou para o Gama que entrou em ação na Justiça Comum pleiteando a sua permanência.

E, na terça-feira, dia da tragédia com a delegação da Chapecoense, Fernando Carvalho deu outra declaração infeliz que aumentou ainda mais a antipatia dos torcedores para com o seu clube. Ele comparou à tragédia na Colômbia à “tragédia pessoal” do Inter contra o rebaixamento. Logo, uma comparação imensamente descabida e desnecessária.

Além de Carvalho, outro dirigente que está angustiado com a atuação situação da metade vermelha do Rio Grande do Sul é o presidente Vitório Píffero que, aproveitando o momento de luto, pediu a suspensão da rodada porque “não tem mais clima”. Mas, ao ser questionado se aceitaria o Inter na Série B, o presidente disse “não estou abrindo mão de nada, estou colocando um sentimento. O campeonato estaria incompleto”. Para bom entendedor, isso significa que, caso não aconteça a última rodada, por conta do clima provocado pela morte dos jogadores da Chapecoense, o Internacional entrará com ação na Justiça para assegurar a sua permanência na Série A alegando que o campeonato estaria incompleto. Isso pode ter gerado um mal-estar entre os torcedores, dirigentes de outros times e jornalistas, que poderão interpretar esse posicionamento do presidente em solidariedade às vítimas do acidente aéreo na Colômbia como oportunista.

Em resumo, a diretoria do Internacional está fazendo de tudo para evitar o rebaixamento e querem isso a todo custo nem que seja recorrendo à famigerada virada de mesa. Isso tudo para ocultar a sua responsabilidade e incompetência que marcou o Internacional em todo o campeonato brasileiro. Tais atitudes têm causado indignação até de parte de seus torcedores.

Aí fica uma dica aos cartolas colorados: rebaixamento não significa morte, pode significar o despertar do gigante. Se cair, o Inter não será o primeiro e nem será o último grande a passar por isto. Muitos gigantes do futebol mundial também já amargaram a segunda divisão: Juventus, Bayern de Munique, Manchester United, Atlético de Madrid, River Plate, Corinthians, Palmeiras, Grêmio, entre outros tantos. E hoje estão aí mostrando que, mesmo em um momento conturbado de suas histórias, provaram que são grandes, souberam lidar com isso e deram a volta por cima.

Caros dirigentes, se o Internacional cair para a Série B, a sua grandeza não será reduzida. Pois um clube que tem um Mundial, duas Libertadores, uma Recopa, uma Copa Sulamericana, uma Copa do Brasil, três Brasileiros e dezenas de estaduais não deixará de ser grande. A sua imensidão só diminuirá se partir para medidas mesquinhas como essa de recorrer ao “tapetão” pela permanência. Pois, como o bom torcedor amante de futebol sabe, futebol se ganha dentro de campo.

E, para finalizar, reforço uma mensagem que o jornalista Milton Neves deixou nas redes sociais recentemente: “o Atlético Nacional trocou um título pela grandeza. O Internacional quer trocar a grandeza por uma vaga na Série A“.

Assino embaixo.

Por Jorge Almeida

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Palmeiras: campeão brasileiro de 2016

O Brasileirão 2016 teve o Palmeiras como o grande campeão. Créditos: MoWA Sports
O Brasileirão 2016 teve o Palmeiras como o grande campeão. Créditos: MoWA Sports

Com uma rodada de antecedência, o Palmeiras sagrou-se campeão brasileiro de 2016 ao derrotar a Chapecoense por 1 a 0 no Allianz Parque, em São Paulo, na tarde deste domingo (27). O gol do lateral Fabiano, aos 25 minutos do primeiro tempo, foi só a cereja do bolo para a festa palmeirense iniciada desde o começo da semana. Mesmo que a partida terminasse empatada – ou derrota para a equipe catarinense -, o alviverde se sagraria campeão porque o Santos, principal adversário na luta pelo título, perdeu para o Flamengo no Maracanã por 2 a 0 e, além disso, foi ultrapassado na classificação pelo próprio rubronegro.

A comemoração palmeirense começou quando a partida ainda estava 0 a 0 e o placar anunciava gol do Flamengo no Maracanã. A Chape tentava se aproximar da meta de Jailson através de toques rápidos, mas só levou perigo em uma cabeçada de Sérgio Manoel. O gol palmeirense saiu aos 25 minutos da etapa inicial. Após cobrança de falta ensaiada, o lateral Fabiano bateu por cobertura e fez 1 a 0 para os anfitriões.

O Verdão do Oeste catarinense sentiu o gol e permitiu que o Palmeiras jogasse. Dessa forma, os comandados de Cuca tomaram conta da partida e criaram diversas chances de gol. E, só não saiu do primeiro tempo com um placar mais dilatado porque Danilo fez ótima defesa em uma bela jogada em que Gabriel recebeu bom passe de Moisés.

No segundo tempo, o panorama não mudou. O Palmeiras tomou conta de todas as ações do jogo, trocou passes e a Chapecoense só se limitou a ficar em seu campo, tanto que só passou a linha do meio-campo aos 25 minutos. Minutos depois, a confirmação do título: o segundo gol do Flamengo contra o Santos. Festa no Allianz Parque: torcedores se abrançando, entoando o hino do clube, soltando o grito de campeão, sorrisos e lágrimas ditando o ritmo da emoção do título e, como uma forma de homenagem, o goleiro Fernando Prass, que não jogava desde agosto, entrou aos 45 minutos no lugar de Jaílson para ser ovacionado pela torcida.

O título do Palmeiras veio de forma incontestável. Foram 37 partidas (ainda resta uma a ser disputada) em que a equipe de Cuca somou 77 pontos, com 23 vitórias, oito empate e seis derrotas. Foi o time que mais venceu e menos perdeu, e que marcou 60 gols e sofreu 31.

A conquista palmeirense foi a primeira do clube na era dos pontos corridos e foi o primeiro Campeonato Brasileiro conquistado desde 1994. De lá para cá, o torcedor palmeirense passou por muitas alegrias e tristeza: desde o ápice da conquista da Libertadores, em 1999, até os dois rebaixamentos do clube, em 2002 e 2012.

Talvez, o principal responsável pelo fim do tabu de 22 anos tenha sido o técnico Cuca. O treinador chegou ao clube no pior momento do ano: queda na primeira fase da Libertadores. A sequência de quatro resultados negativos botou mais pressão ainda no técnico que, ao longo do ano, soube montar o time e se destacou em manter a regularidade do time. Com o elenco mais caro do País, Cuca cumpriu a promessa de que seria campeão do campeonato que tanto ambicionava, já que ele ficou no quase com o Cruzeiro em 2010 e, antes ainda, era reconhecido por conseguir livrar equipes do rebaixamento.

Além de Cuca, o Palmeiras teve outros herois, como o jovem Gabriel Jesus que, com Cuca, ganhou destaque e foi artilheiro da equipe ao atuar como um legítimo camisa 9 e deixou de atuar pelas beiradas do campo. E ainda o atacante foi agraciado com a medalha de ouro no futebol nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Outro grande nome da conquista palmeirense foi Dudu. O camisa 7, que virou algo de disputa entre Corinthians, São Paulo e Palmeiras no início de 2015, precisou lidar com as críticas por conta do comportamento explosivo, mas que, em 2016, mostrou-se maturidade impressionante. E, por fim, Jaílson, o goleiro reserva que teve a missão de substituir o ídolo Fernando Prass. Terceiro goleiro, o camisa 49 agarrou a oportunidade que lhe foi dada após a grave contusão do titular Prass e as constantes falhas de seu substituto imediato – Vágner. Curiosamente, com o goleiro de 35 anos em campo, o Palmeiras não foi derrotado.

O título palmeirense também quebrou uma marca, mas não do alviverde, mas sim de Zé Roberto. Com 42 anos, 5 meses e 21 dias, o atleta foi o jogador mais velho a ser campeão brasileiro. O feito pertencia anteriormente a Manga, goleiro que foi bicampeão brasileiro pelo Internacional em 1975/1976, que tinha 41 anos à época.

Com a conquista assegurada, o “ressacado” Palmeiras fará o jogo da “entrega da faixa” diante do desesperado Vitória no próximo domingo, 4 de dezembro, no Barradão, em Salvador.

Embora o campeão do Brasileirão 2016 já tenha sido decretado, o campeonato ainda não acabou. No próximo domingo será concretizada a 38ª e última rodada e a situação de muitos times serão definidas: quem será o último clube que vai cair (América Mineiro, Santa Cruz e Figueirense já estão rebaixados) e quem irá compor o G6 para a próxima Libertadores?

Na parte debaixo da tabela, Internacional, Vitória e, com chances remotas, Sport Recife vão definir quem vai cair e disputar a Série B em 2017. Enquanto isso, Atlético Paranaense, Botafogo e Corinthians lutam para ficar com as duas últimas vagas para fechar o G6 (que só pode virar G7 se o Atlético Mineiro ganhar a Copa do Brasil na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, contra o Grêmio e, se isso acontecer, o Tricolor dos Pampas será mais um a brigar por essa vaga).

Emoções não vão faltar na última rodada do Brasileirão.

A seguir, a ficha técnica do “jogo do título” do Palmeiras e o resumo da campanha do campeão.

FICHA TÉCNICA: PALMEIRAS 1×0 CHAPECOENSE
Competição/fase: Campeonato Brasileiro Série A 2017 / 37ª rodada
Local: Allianz Parque, São Paulo (SP)
Data: 27 de novembro de 2016 – 17h (horário de Brasília)
Público: 40.986 pagantes
Renda: R$ 4.171.317,26
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Alexandre A. Pruinelli Kleiniche (RS)
Cartões Amarelos: Fabiano (Palmeiras); Bruno Rangel e Marcelo (Chapecoense)
Gol: Fabiano, aos 25 minutos do primeiro tempo (1-0)
PALMEIRAS: 49.Jailson (1.Fernando Prass); 18.Gabriel (2.Fabiano), 3.Edu Dracena, 4.Vitor Hugo e 11.Zé Roberto; 32.Tchê Tchê (21.Thiago Santos), 17.Jean e 28.Moisés; 23.Róger Guedes, 7.Dudu e 33.Gabriel Jesus. Técnico: Cuca
CHAPECOENSE: 1.Danilo; 2.Gimenez, 13.Marcelo, 45.Filipe Machado e 89.Alan Ruschel; 77.Matheus Biteco, 35.Sérgio Manoel e 88.Cléber Santana (8.Gil) e 94.Thiaguinho (70.Aílton Canela); 9.Bruno Rangel (33.Kempes) e Lucas Gomes. Técnico: Caio Júnior

Data – Partida – Local:
14/05/2016 – Palmeiras 4×0 Atlético (PR) – Allianz Parque, São Paulo (SP)
21/05/2016 – Ponte Preta 2×1 Palmeiras – Moisés Lucarelli, Campinas (SP)
25/05/2016 – Palmeiras 2×0 Fluminense – Allianz Parque, São Paulo (SP)
29/05/2016 – São Paulo 1×0 Palmeiras – Morumbi, São Paulo (SP)
02/06/2016 – Palmeiras 4×3 Grêmio – Pacaembu, São Paulo (SP)
05/06/2016 – Flamengo 1×2 Palmeiras – Mané Garrincha, Brasília (DF)
12/06/2016 – Palmeiras 1×0 Corinthians – Allianz Parque, São Paulo (SP)
15/06/2016 – Coritiba 2×2 Palmeiras – Couto Pereira, Curitiba (PR)
18/06/2016 – Palmeiras 3×1 Santa Cruz – Allianz Parque, São Paulo (SP)
21/06/2016 – Palmeiras 2×0 América (MG) – Allianz Parque, São Paulo (SP)
25/06/2016 – Cruzeiro 2×1 Palmeiras – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
30/06/2016 – Palmeiras 4×0 Figueirense – Allianz Parque, São Paulo (SP)
04/07/2016 – Sport Recife 1×3 Palmeiras – Ilha do Retiro, Recife (PE)
12/07/2016 – Palmeiras 1×1 Santos – Allianz Parque, São Paulo (SP)
17/07/2016 – Internacional 0x1 Palmeiras – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
24/07/2016 – Palmeiras 0x1 Atlético (MG) – Allianz Parque, São Paulo (SP)
31/07/2016 – Botafogo 3×1 Palmeiras – Lusi-Brasileiro, Rio de Janeiro (RJ)
04/08/2016 – Chapecoense 1×1 Palmeiras – Arena Condá, Chapecó (SC)
07/08/2016 – Palmeiras 2×1 Vitória – Allianz Parque, São Paulo (SP)
14/08/2016 – Atlético (PR) 0x1 Palmeiras – Arena da Baixada, Curitiba (PR)
21/08/2016 – Palmeiras 2×2 Ponte Preta – Allianz Parque, São Paulo (SP)
28/08/2016 – Fluminense 0x2 Palmeiras – Mané Garrincha, Brasília (DF)
07/09/2016 – Palmeiras 2×1 São Paulo – Allianz Parque, São Paulo (SP)
11/09/2016 – Grêmio 0x0 Palmeiras – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
14/09/2016 – Palmeiras 1×1 Flamengo – Allianz Parque, São Paulo (SP)
17/09/2016 – Corinthians 0x2 Palmeiras – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
24/09/2016 – Palmeiras 2×1 Coritiba – Allianz Parque, São Paulo (SP)
03/10/2016 – Santa Cruz 2×3 Palmeiras – Arruda, Recife (PE)
09/10/2016 – América (MG) 0x2 Palmeiras – Estádio do Café, Londrina (PR)
13/10/2016 – Palmeiras 0x0 Cruzeiro – Fonte Luminosa, Araraquara (SP)
16/10/2016 – Figueirense 1×2 Palmeiras – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)
23/10/2016 – Palmeiras 2×1 Sport Recife – Allianz Parque, São Paulo (SP)
29/10/2016 – Santos 1×0 Palmeiras – Vila Belmiro, Santos (SP)
06/11/2016 – Palmeiras 1×0 Internacional – Allianz Parque, São Paulo (SP)
17/11/2016 – Atlético (MG) 1×1 Palmeiras – Independência, Belo Horizonte (MG)
20/11/2016 – Palmeiras 1×0 Botafogo – Allianz Parque, São Paulo (SP)
27/11/2016 – Palmeiras 1×0 Chapecoense – Allianz Parque, São Paulo (SP)
04/12/2016 – Vitória x Palmeiras – Barradão, Salvador (BA)*

Parabéns ao Palmeiras pelo título.

* Partida a ser realizada

Por Jorge Almeida

Corinthians: campeão brasileiro de 2015

Corinthians: campeão brasileiro com três rodadas de antecedência
Corinthians: campeão brasileiro com três rodadas de antecedência

O Corinthians é oficialmente e matematicamente o campeão brasileiro de 2015. O Timão empatou em 1 a 1 com o Vasco da Gama, em São Januário, na noite desta quinta-feira (19), na partida válida pela 35ª rodada do Brasileirão. Os gols da peleja saíram apenas no segundo tempo: Julio César abriu o marcador para os anfitriões e Vágner Love fez o gol de empate dos visitantes. O resultado, alinhado à vitória do São Paulo por 4 a 2 diante do Atlético Mineiro no Morumbi, permitiu que o time de Parque São Jorge conquistasse o título brasileiro com três rodadas de antecedência, uma vez que a diferença de pontos entre os dois principais postulantes ao caneco ficou em 12 pontos (77 a 65) sendo que, a partir de então, só restam nove em disputa. Essa é a sexta conquista do campeonato nacional pelo alvinegro, que, anteriormente, abocanhou as edições de 1990, 1998, 1999, 2005 e 2011.

Nos dez dias que separaram a vitória corinthiana diante do Coritiba e o duelo de ontem, o confronto entre Vasco e Corinthians foi encarado com uma final, mas com as duas equipes com objetivos bem distintos: enquanto o Timão queria consolidar o título antecipado, os cruzmaltinos precisavam desesperadamente da vitória para continuar firme na luta contra o rebaixamento. Muito se falou em clima de guerra por parte de alguns vascaínos e imprensa e torcida cravavam o Corinthians como o “campeão virtual” e que o título sairia, no mais tardar, no jogo contra o São Paulo. Uma vez que só uma tragédia tiraria o troféu do Parque São Jorge. Para perder o campeonato, o Corinthians precisaria deixar de marcar dois pontos em 12 que estavam em disputa e, ainda, o Atlético precisaria ganhar todas as quatro partidas restantes.

O primeiro tempo foi equilibrado e nervoso. Os corinthianos estavam ansiosos pela possibilidade em sair de São Januário com o grito de “é campeão!”, enquanto os vascaínos encaravam o duelo como uma questão de “vida ou morte”. Apesar de contar com os selecionáveis Cássio, Gil, Elias e Renato Augusto no time titular, o Corinthians deu espaço para a equipe cruzmaltina jogar. Assim, as primeiras chances de gol foram do Vasco. Aos 15, Cássio salvou com a perna um chute de Rafael Silva. Depois foi a vez de Riascos chutar fraco e permitir a fácil defesa do arqueiro corinthiano. As chances do Timão foram criadas no final da etapa inicial com Renato Augusto e Elias finalizando para fora, e Jadson tentou em cobrança de falta, mas Martín Silva deu leve desvio para escanteio.

No segundo tempo, a tensão tomou conta do jogo, especialmente por conta dos gols que começaram a sair na partida disputada no Morumbi. O Corinthians levou perigo com Rodriguinho, que aproveitou o corte parcial da zaga vascaína. Antes desse lance, o Vasco perdeu Rodrigo que foi expulso ao entrar com o pé erguido em cima de Malcom.

Mesmo com um a menos, o time da Colina, aos 26, tirou o zero do placar. Julio César trocou passes com Nenê e recebeu na frente para fazer 1 a 0. Enquanto isso, o Atlético estava à frente do placar. Com o resultado adverso, Tite colocou em campo o talismã Lucca no lugar de Elias. A mudança surtiu efeito, pois o camisa 30 perdeu duas oportunidades de cabeça. Aos 38 minutos, Vágner Love acionou Edílson pela direita, o lateral cruzou de três dedos na segunda trave, Lucca ajeitou de cabeça para o meio da pequena área e o camisa 99 cabeceou para empatar o jogo: 1 a 1.

Como a partida entre São Paulo e Atlético começou com alguns minutos de antecedência, o banco de reserva do Corinthians começou a comemorar a conquista faltando cerca de oito minutos para o fim do jogo. Isso porque viram que o Tricolor Paulista vencera o Galo, de virada, por 4 a 2. Então, foi só esperar o apito final de Anderson Daronco para começar a festa do hexa.

O Corinthians iniciou o Campeonato Brasileiro 2015 como uma incógnita. Depois de ter sido eliminado da Libertadores e do Campeonato Paulista, o time ainda tinha problemas relacionados a atraso de salários e ainda perdeu jogadores importantes como Guerrero, Emerson Sheik, Fábio Santos e Petros. Com todas essas intempéries, muitos apostaram que a equipe de Tite ficaria no meio da tabela, por uma vaga no G4 ou, ainda, para não cair. No entanto, o treinador, que tem os jogadores na mão, trabalhou e moldou o time e, a cada rodada, o Corinthians acreditou que a liderança, a vaga para a Libertadores e o título seria possível. E, na 18ª rodada, o Timão alcançou a liderança e não largou mais.

Na virada de turno, vieram as insinuações de que o alvinegro fora beneficiado pela arbitragem e isso, de acordo com o técnico Levir Culpi, “manchou o campeonato”, e muita gente embarcou nessa. Acusações falsas e infundadas, pois, como é de conhecimento de todo torcedor, a arbitragem no Brasil é péssima para todos desde quando Charles Miller introduziu o futebol nas terras tupiniquins no final do século XIX. Aliás, o comandante atleticano desmereceu o trabalho do colega Tite com afirmações do tipo. Os números da campanha corinthiana traduzem por si só: melhor ataque, melhor defesa, melhor saldo, a equipe que mais venceu fora e em casa, a que menos perdeu (três derrotas fora e apenas uma em sua arena), a mais disciplinada. Além disso, foi o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira nos dois últimos jogos das Eliminatórias: quatro, e ainda tem aquele que é apontado com o melhor jogador do campeonato: Renato Augusto.

Particularmente, acredito que o título do Corinthians começou a se concretizar na 31ª rodada, disputada em 18 de outubro. Até ali, a diferença de pontos entre o Timão e o Galo eram de apenas cinco pontos. No entanto, os paulistas golearam o Atlético Paranaense por 4 a 1 fora de casa e foi esse mesmo resultado que os mineiros sucumbiram diante do Sport Recife na Ilha do Retiro, e aí a diferença aumentou para oito pontos e foi mantida até a 33ª rodada quando as duas equipes se enfrentaram no Independência. Essa partida foi encarada pelos mineiros como uma “final antecipada”. Mas o Corinthians conseguiu segurar a equipe de Levir Culpi no primeiro tempo e na etapa final não tomou conhecimento do adversário: 3 a 0. Ali, o sonho do bicampeonato atleticano praticamente sucumbiu. Assim, a conquista do Brasileirão para o Corinthians era uma questão de tempo: se não fosse na 34ª rodada, poderia ser na seguinte ou ainda na 36ª. Com uma diferença considerável de pontos, o Galo praticamente jogou a toalha após a derrota em casa para o, agora, campeão.

Mas, como o campeonato ainda não acabou, o Corinthians fará o “jogo da entrega da taça” contra o São Paulo no próximo domingo na Arena Corinthians. O técnico Tite já afirmou que o capitão no Majestoso será o volante Ralf. Possivelmente, os jogadores que serviram o selecionado nacional nesta semana não enfrentarão o Tricolor.

O Corinthians mereceu o título por méritos e, assim, afirmo que o troféu está em boas mãos. Justo.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da partida que rendeu o título brasileiro ao Corinthians.

10/05/2015 – Cruzeiro 0x1 Corinthians – Arena Pantanal, Cuiabá (MT)
16/05/2015 – Corinthians 1×0 Chapecoense – Fonte Luminosa, Araraquara (SP)
24/05/2015 – Fluminense 0x0 Corinthians – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
31/05/2015 – Corinthians 0x2 Palmeiras – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
03/06/2015 – Grêmio 3×1 Corinthians – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
06/06/2015 – Joinville 0x1 Corinthians – Arena Joinville, Joinville (SC)
13/06/2015 – Corinthians 2×1 Internacional – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
20/06/2015 – Santos 1×0 Corinthians – Vila Belmiro, Santos (SP)
27/06/2015 – Corinthians 2×1 Figueirense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
02/07/2015 – Corinthians 2×0 Ponte Preta – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
05/07/2015 – Goiás 0x0 Corinthians – Serra Dourada, Goiânia (GO)
09/07/2015 – Corinthians 2×0 Atlético (PR) – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
12/07/2015 – Flamengo 0x3 Corinthians – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
18/07/2015 – Corinthians 1×0 Atlético (MG) – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
26/07/2015 – Coritiba 1×1 Corinthians, Couto Pereira, Curitiba (PR)
29/07/2015 – Corinthians 3×0 Vasco da Gama – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
09/08/2015 – São Paulo 1×1 Corinthians – Morumbi, São Paulo (SP)
12/08/2015 – Corinthians 4×3 Sport Recife – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
16/08/2015 – Avaí 1×2 Corinthians – Ressacada, Florianópolis (SC)
23/08/2015 – Corinthians 3×0 Cruzeiro – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
30/08/2015 – Chapecoense 1×3 Corinthians – Arena Condá, Chapecó (SC)
02/09/2015 – Corinthians 2×0 Fluminense – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
06/09/2015 – Palmeiras 3×3 Corinthians – Allianz Parque, São Paulo (SP)
09/09/2015 – Corinthians 1×1 Grêmio – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
13/09/2015 – Corinthians 3×0 Joinville – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
16/09/2015 – Internacional 2×1 Corinthians – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
20/09/2015 – Corinthians 2×0 Santos – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
27/09/2015 – Figueirense 1×3 Corinthians – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)
04/10/2015 – Ponte Preta 2×2 Corinthians – Moisés Lucarelli, Campinas (SP)
15/10/2015 – Corinthians 3×0 Goiás – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
18/10/2015 – Atlético (PR) 1×4 Corinthians – Arena da Baixada, Curitiba (PR)
24/10/2015 – Corinthians 1×0 Flamengo – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
1º/11/2015 – Atlético (MG) 0x3 Corinthians – Independência, Belo Horizonte (MG)
07/11/2015 – Corinthians 2×1 Coritiba – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
19/11/2015 – Vasco da Gama 1×1 Corinthians – São Januário, Rio de Janeiro
22/11/2015* – Corinthians x São Paulo – Arena Corinthians, São Paulo (SP)
29/11/2015* – Sport Recife x Corinthians – Arena Pernambuco, São Lourenço da Mata (PE)
06/12/2015* – Corinthians x Avaí – Arena Corinthians, São Paulo (SP)

FICHA TÉCNICA: VASCO DA GAMA 1×1 CORINTHIANS
Competição/fase: Campeonato Brasileiro 2015 – Série A / 35ª rodada
Local: Estádio de São Januário – Rio de Janeiro (RJ)
Data: 19 de novembro de 2015 – 22h (horário de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Assistentes: Alessandro Rocha de Matos (BA) e Fabiano da Silva Ramires (ES)
Cartões Amarelos: Rodrigo e Diguinho (Vasco); Jadson, Edílson e Lucca (Corinthians)
Cartão Vermelho: Rodrigo (Vasco)
Gols: Julio César, aos 26 min do 2º tempo; e Vágner Love, aos 36 min do 2º tempo
VASCO DA GAMA: 1.Martín Silva; 2.Madson, 3.Luan, 4.Rodrigo e 6.Julio Cesar; 8.Serginho, 5.Diguinho (14.Rafael Vaz), 7.Andrezinho e 10.Nenê; 9.Rafael Silva (22.Jorge Henrique) e 11.Riascos (17.Éder Luís). Técnico: Jorginho
CORINTHIANS: 12.Cássio; 33.Edílson, 28.Felipe, 4.Gil e 13.Guilherme Arana; 5.Ralf (25.Bruno Henrique), 7.Elias (30.Lucca), 8.Renato Augusto (26.Rodriguinho), 10.Jadson e 21.Malcom; 99.Vágner Love. Técnico: Tite

Parabéns ao Sport Club Corinthians Paulista pela conquista.

* Jogos a serem realizados

Por Jorge Almeida

 

Corinthians é o primeiro brasileiro classificado para a Libertadores 2016

Corinthians: primeiro brasileiro garantido na próxima Libertadores
Corinthians: primeiro brasileiro garantido na próxima Libertadores

O gol de Vágner Love marcado contra o Flamengo pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro 2015 neste domingo (25) na Arena Corinthians não só garantiu a vitória da equipe, como ajudou o Timão a manter a diferença de oito pontos na liderança do certame e também a garantir a vaga do alvinegro para a fase de grupos da Taça Libertadores da América de 2016.

Além do triunfo, que fez o Corinthians chegar aos 70 pontos, o Timão foi beneficiado pelo tropeço do Santos no sábado. A equipe praiana empatou em 0 a 0 contra o Figueirense fora de casa e chegou aos 50 pontos. Com a mesma pontuação do quinto colocado – o São Paulo – o Peixe está à frente devido aos critérios de desempate, mas restando seis rodadas para o término do Brasileirão, o Santos não tem mais como alcançar o Corinthians, uma vez que, com 20 pontos de diferença entre as duas equipes, só restam agora 18 pontos em disputa.

A vaga do Corinthians na Libertadores, a partir de agora, é a única certeza nessa reta final de campeonato. Uma vez que o G4 pode virar um G3 (caso Atlético Paranaense ou Chapecoense levem a Copa Sulamericana) ou um G5 (se o Santos faturar a Copa do Brasil, terminar em quarto e os representantes brasileiros não levarem a citada competição continental).

Quanto ao rebaixamento, acredito, que a briga ficará entre as atuais equipes que estão no Z4 (Coritiba, Goiás, Joinville e Vasco) juntamente com Avaí, Figueirense e, mais remotamente, Chapecoense e Fluminense.

Enquanto na parte de cima também há indefinições quanto aos times que ficarão com a última vaga para a Libertadores – além do Corinthians, Atlético Mineiro e Grêmio estão praticamente garantidos. Santos, São Paulo, Internacional, Sport, Palmeiras e a sonhadora Ponte Preta têm chances.

Em relação ao título, a briga está mesmo entre Corinthians e Atlético Mineiro. Apesar de muitos apontarem o Timão como virtual campeão brasileiro, a diferença entre as duas equipes é de oito pontos, que poderá diminuir para cinco ou aumentar para onze já que líder e vice-líder praticamente farão a “final” do campeonato no próximo domingo em Belo Horizonte.

Para o Galo almejar o tão sonhado Brasileirão, que não ganha desde 1971, além de vencer o Corinthians, precisa torcer por pelo menos mais dois tropeços do Timão, que pode até acontecer, já que o time de Tite fará um clássico contra o São Paulo e pegará o Sport fora de casa, mas tem que fazer a sua parte. A missão é difícil, mas como ainda tem 18 pontos em disputa, não é impossível. Além disso, os mineiros têm jogos complicados também, como o Grêmio na penúltima rodada e o desesperado São Paulo.

Já para o Corinthians abocanhar o hexacampeonato basta apenas conseguir administrar a liderança. Se vencer o Atlético fora de casa, precisará de duas vitórias em cinco jogos. Caso de insucesso em Minas, o Timão precisa conseguir manter a diferença. E, dependendo da situação, o alvinegro pode ser campeão justamente no clássico contra o São Paulo, na 36ª rodada.

A partir de agora, cada rodada é uma decisão, seja na parte de cima quanto na parte de baixo da tabela.

Por Jorge Almeida

Cruzeiro: bicampeão brasileiro de 2013/14

O goleiro e capitão Fábio ergue a taça (simbólica) da conquista do Brasileirão. Foto: Washington Alves/Reuters
O goleiro e capitão Fábio ergue a taça (simbólica) da conquista do Brasileirão. Foto: Washington Alves/Reuters

Após 36 rodadas, o Campeonato Brasileiro 2014 já tem o seu campeão (ou melhor, o seu bicampeão) definido com duas rodadas de antecedência: o Cruzeiro. Diante de 57 mil torcedores no Mineirão neste domingo (23), a Raposa bateu o Goiás por 2 a 1, com gols de Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, enquanto Samuel descontou para a equipe esmeraldina, e levou o seu quarto brasileirão, sendo o segundo de forma consecutiva. Com o triunfo, o Cruzeiro chegou aos 76 pontos e não pode ser mais alcançado pelo vice-líder, São Paulo, que também venceu na rodada e chegou aos 69 pontos, e só poderá chegar a 75. Com o título, o clube celeste se iguala ao Tricolor do Morumbi como os maiores campeões de Brasileiros na era dos pontos corridos, três títulos cada.

Com o gramado do Mineirão encharcado, o time da casa encontrou dificuldades de impor o seu ritmo de jogo e a efetuar troca de passes e ainda teve de lidar com a forte marcação do Goiás, que inclusive foi quem teve a primeira oportunidade de finalizar contra a meta de Fábio.

Mesmo com a adversidade inicial, o Cruzeiro saiu na frente ainda aos 13 minutos da etapa inicial com Ricardo Goulart. Maike fez um cruzamento perfeito da esquerda para a cabeçada certeira do camisa 28. Festa no Gigante da Pampulha. Porém, os goianos estavam dispostos a colocar água no chope dos anfitriões e empatou minutos depois. Aos 22, David cobrou falta e Samuel, livre, colocou no ângulo de Fábio para igualar o marcador.

O resultado de momento fez com que os comandados de Marcelo Oliveira partissem pra cima do Goiás com o intuito de evitar o adiamento da conquista, mas o Esmeraldino assustava cada vez que contra-atacava. Em virtude do gramado pesado, as duas equipes erravam bastante passe e o Cruzeiro encontrava dificuldades do lado direito de seu ataque em virtude de ter sido o lado mais alagado. A partida seguiu equilibrada até o intervalo.

No segundo tempo, o Cruzeiro foi com tudo em busca do gol da vitória (e do título), que chegou aos 17 minutos. Willian cruzou da esquerda e Éverton Ribeiro se antecipou ao marcador para anotar, de cabeça, o segundo gol cruzeirense no jogo.

Apesar do resultado adverso, o Goiás não se intimidou e tratou de ir atrás do prejuízo e levou perigo aos 21 quando a bola explodiu na trave de Fábio, que foi bastante participativo na etapa complementar e fez pelo menos três defesas primordiais que evitaram outro empate goiano.

E, assim que o árbitro catarinense Paulo Henrique Godoy Bezerra apitou fim de jogo, a “China Azul” berrou “tetracampeão!” e o gritou ganhou as ruas de toda Belo Horizonte, seguiu pela região metropolitana, por todo o Estado de Minas Gerais e pelo Brasil.

Com um time recheado de bons jogadores e um futebol acima dos demais, o Cruzeiro dominou a competição praticamente de ponta a ponta, uma vez que das 36 rodadas disputadas até agora, a Raposa liderou 30. A conquista serviu para coroar o belo trabalho feito pelo técnico Marcelo Oliveira e sua comissão. Além disso, o Cruzeiro não vacilou: perdeu para quem podia perder, não perdeu “pontos bobos” em casa, arrancou vitórias importantes fora de casa, enfim, se preparou bem. Todavia, os jogadores nem poderão curtir muito a euforia do título brasileiro, uma vez que eles ainda têm a partida decisiva na próxima quarta (26) da Copa do Brasil contra o arquirrival Atlético e, se quiser levar a segunda Tríplice Coroa para a Toca da Raposa, precisará reverter a vantagem de dois gols adquirida pelo Galo no primeiro jogo da final do certame.

O título nacional de 2014 ficará marcado, em especial, a um jogador cruzeirense, Dagoberto. Com a conquista, ele será o terceiro atleta a ter cinco títulos brasileiros no currículo. Campeão pelo Atlético Paranaense em 2001, pelo São Paulo em 2006 e 2007 e pelo Cruzeiro 2013 e 2014, Dagoberto se juntará a Andrade e Zinho no rol dos pentacampeões brasileiros.

Além da definição do campeão, a rodada também ficou marcada por ter confirmado o primeiro time rebaixado para a Série B de 2015: o Criciúma. A equipe catarinense empatou em 1 a 1 com o Flamengo no Maracanã e permaneceu na última colocação com 31 pontos e só poderá chegar aos 37, dois a menos que o Palmeiras, o primeiro time fora da zona de rebaixamento.

Ademais o Cruzeiro, quem também consolidou sua vaga para a Libertadores de 2015 foi o São Paulo, que bateu o Santos na Arena Pantanal por 1 a 0. Outra equipe que está bem perto da classificação para a competição sulamericana é o Corinthians, que derrotou o Grêmio na Arena Corinthians por 1 a 0 naquela que foi considerada um jogo de “seis pontos”. Além do Timão, Internacional, Grêmio e Atlético Mineiro brigam pelas duas vagas restantes para a Libertadores.

Na ponta de baixo da tabela, quem está em situação delicada são: Botafogo, Bahia, Vitória – equipes que, juntamente com o Criciúma, estão no Z4 -, e mais Palmeiras e Coritiba que estão na beira da zona de rebaixamento.

Apesar de o Brasileirão já ter o seu campeão proclamado, a emoção seguirá nas duas últimas rodadas da competição, quando ao término delas, saberemos quem se classificou para a Libertadores e quem caiu para Segundona.

Abaixo, o resumo da campanha e a ficha técnica do jogo do título cruzeirense.

Data – Jogo – Local:
20/04 – Bahia 1×2 Cruzeiro – Fonte Nova, Salvador (BA)
27/04 – Cruzeiro 1×1 São Paulo – João Havelange, Uberlândia (MG)
03/05 – Atlético PR 2×3 Cruzeiro – Mané Garrincha, Brasília (DF)
11/05 – Atlético MG 2×1 Cruzeiro – Independência, Belo Horizonte (MG)
17/05 – Cruzeiro 3×2 Coritiba – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
21/05 – Cruzeiro 2×0 Sport – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
25/05 – Internacional 1×3 Cruzeiro – Centenário, Caxias do Sul (RS)
28/05 – Corinthians 1×0 Cruzeiro – Canindé, São Paulo (SP)
1º/06 – Cruzeiro 3×0 Flamengo – João Havelange, Uberlândia (MG)
17/07 – Cruzeiro 3×1 Vitória – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
20/07 – Palmeiras 1×2 Cruzeiro – Pacaembu, São Paulo (SP)
26/07 – Cruzeiro 5×0 Figueirense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
02/08 – Botafogo 1×1 Cruzeiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
09/08 – Criciúma 0x0 Cruzeiro – Heriberto Hulse, Criciúma (SC)
17/08 – Cruzeiro 3×0 Santos – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
21/08 – Cruzeiro 1×0 Grêmio – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
24/08 – Goiás 0x1 Cruzeiro – Serra Dourada, Goiânia (GO)
30/08 – Cruzeiro 4×2 Chapecoense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
07/09 – Fluminense 3×3 Cruzeiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
11/09 – Cruzeiro 2×1 Bahia – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
14/09 – São Paulo 2×0 Cruzeiro – Morumbi, São Paulo (SP)
17/09 – Cruzeiro 2×0 Atlético PR – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
21/09 – Cruzeiro 1×2 Atlético MG – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
24/09 – Coritiba 1×2 Cruzeiro – Couto Pereira, Curitiba (PR)
27/09 – Sport 0x0 Cruzeiro – Arena Pernambuco, São Lourenço da Mata (PE)
04/10 – Cruzeiro 2×1 Internacional – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
08/10 – Cruzeiro 0x1 Corinthians – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
12/10 – Flamengo 3×0 Cruzeiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
19/10 – Vitória 0x1 Cruzeiro – Barradão, Salvador (BA)
22/10 – Cruzeiro 1×1 Palmeiras – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
25/10 – Figueirense 1×1 Cruzeiro – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)
02/11 – Cruzeiro 2×1 Botafogo – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
09/11 – Cruzeiro 3×1 Criciúma – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
16/11 – Santos 0x1 Cruzeiro – Vila Belmiro, Santos (SP)
20/11 – Grêmio 1×2 Cruzeiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
23/11 – Cruzeiro 2×1 Goiás – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
30/11 – Chapecoense x Cruzeiro – Arena Condá, Chapecó (SC)*
07/12 – Cruzeiro x Fluminense – Mineirão, Belo Horizonte*  

FICHA TÉCNICA: CRUZEIRO 2×1 GOIÁS
Competição/fase: Campeonato Brasileiro Série A 2014 – 36ª rodada
Data: 23 de novembro de 2014 – 17h (horário de Brasília)
Local: Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão) – Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Paulo H. Godoy Bezerra (SC)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC)
Cartões Amarelos: Tiago Real e Welinton (Goiás); Henrique (Cruzeiro)
Gols: Ricardo Goulart, aos 13 min do 1º tempo e Éverton Ribeiro, aos 17 min do 2º tempo para o Cruzeiro; e Samuel, aos 22 min do 1º tempo para o Goiás
CRUZEIRO: 1.Fábio; 22.Maike (31.Eurico Nicolau), 3.Léo, 4.Bruno Rodrigo e 6.Egídio; 8.Henrique, 16.Lucas Silva (19.Nilton), 17.Éverton Ribeiro e 28.Ricardo Goulart; 25.Willian e 18.Marcelo Moreno (10.Julio Baptista). Técnico: Marcelo Oliveira
GOIÁS: 1.Renan; 2.Tiago Real, 3.Jackson, 4.Pedro e 6.Felipe Saturnino (16.Lima); 5.Amaral, 8.David França (17.Wellinton Junior), 7.Thiago Mendes e 10.Ramon (20.Esquerdinha); 11.Érik e 9.Samuel. Técnico: Ricardo Drubscky

* Partidas a serem realizadas

Parabéns ao Cruzeiro Esporte Clube pelo título

Por Jorge Almeida

Artigo – Até quando?

No último domingo encerrou mais uma edição do Brasileirão. E o principal assunto, infelizmente, não foi apenas as definições das equipes classificadas para a Libertadores de 2014 e as que foram rebaixadas, mas sim a violência protagonizada por marginais travestidos de torcedores de Atlético Paranaense e Vasco na Arena Joinville. Ao todo, quatro torcedores ficaram feridos, precisaram de atendimento médico e foram hospitalizaram e três foram os detidos.

Por conta da briga, a partida ficou paralisada mais de 70 minutos, tempo acima do permitido para o adiamento ou suspensão do jogo, conforme o regulamento de competições da CBF. Mas, enquanto a diretoria vascaína queria encerrar a partida, os cartolas atleticanos preferiram dar continuidade à peleja. Prevaleceu a vontade do mandante, no caso, o Furacão, e a partida seguiu e terminou com uma goleada aplicada pelo time paranaense por 5 a 1 diante dos cruzmaltinos.

Nesta segunda-feira, a Procuradoria Geral do STJD denunciou as duas equipes, assim como as federações paranaense e catarinense, além do árbitro Ricardo Luis Marques como responsáveis pelo episódio. Provavelmente, a punição mais pesada será aplicada ao Atlético Paranaense, que poderá pagar uma multa de até R$ 100 mil e perda de até 20 mandos de jogo, enquanto o Vasco corre o risco de ficar até dez jogos sem atuar em seus domínios.

De acordo com o documento da entidade, a CBF, prevê 30 minutos de paralisação e mais 30 de acréscimo. E segundo o artigo 21 do regulamento de competições da Confederação Brasileira de Futebol, entre as principais causas previstas para que uma partida seja interrompida, adiada ou suspensa estão a “falta de garantia” e “conflitos ou distúrbios graves, no campo ou no estádio”.

Além disso, por se considerado um evento “privado”, a segurança do estádio não foi feita por policiamento fardado, e sim por agentes de segurança particular (cerca de 90 pessoas) contratada pela equipe mandante, o que contraria o artigo nº 6 do Regulamento Geral de Competições da CBF.

Então, por conta de inúmeras irregularidades envolvidas no ocorrido, como algumas apontadas acima, o Vasco decidiu entrar com um recurso no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva para obter os pontos da partida diante do Atlético Paranaense. Ou seja, o clube cruzmaltino vai recorrer ao “tapetão” para ver se consegue evitar o rebaixamento conquistado dentro de campo. Se isso ocorrer, será mais uma vergonha para o futebol brasileiro.

Claro que defendo que os envolvidos sejam severamente punidos, como veto definitivo dos baderneiros flagrados pelas imagens de frequentar os estádios. Além disso, espero que os dois clubes sejam punidos de forma mais rigorosa. Pois, perdas de mando ou jogar com estádios vazios são apenas medidas paliativas. Não resolvem o problema da violência no futebol. O procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, inspirado na medida adotada pelas autoridades italianas e turcas, até propôs uma medida interessante: proibir a presença de homens como forma de punição aos clubes responsáveis pelo confronto de torcedores e ter a apenas a presença de mulheres e crianças no estádio. Além dessa ideia, defendo que, em casos como esse de Joinville, os clubes envolvidos sejam rebaixados para a Série B ou C, direto. Pois, só assim os torcedores se conscientizam e façam algo para evitar ou denunciar os vândalos.

Se o Vasco ganhar os pontos no “tapetão”, a credibilidade do Campeonato Brasileiro ficará em xeque. Até porque, a impressão que teremos é a de que a confusão nas arquibancadas da Arena Joinville foi orquestrada pelo clube para anular a partida, pois, tecnicamente, o Vasco não teria nenhuma condição de derrotar o CAP dentro de campo. Pois, além do baixo nível técnico apresentado pelas equipes, a competição ficará manchada e, possivelmente, teremos problemas na próxima edição, uma espécie de segunda edição da Copa João Havelange. Além disso, se conquistar os pontos da partida, não será apenas o time da Colina o maior beneficiado, outro carioca também poderá se dar bem, o Botafogo. Isso porque, caso o Atlético perca os pontos e a Ponte Preta seja campeã da Copa Sulamericana, o Fogão ficaria com o terceiro lugar e, consequentemente, a última vaga para a Libertadores do ano que vem via Campeonato Brasileiro. E mais: supondo que o Vasco conquiste os pontos no STJD, o Criciúma seria diretamente afetado pela decisão e cairia para a Série B. E, assim como fez o Gama, em 1999, o time catarinense poderá acionar a Justiça Comum para solicitar a sua permanência na primeira divisão e, se for dado a causa a seu favor, o campeonato do ano que vem poderá “melar” e os rebaixados dentro das quatro linhas poderão se beneficiar. É claro que isso ninguém quer.

Por Jorge Almeida

Cruzeiro, campeão brasileiro de 2013

Jogadores do Cruzeiro comemoram um dos três gols diante do Vitória. Depois, só festa. Foto: Fox
Jogadores do Cruzeiro comemoram um dos três gols diante do Vitória. Depois, só festa. Foto: Fox

O Cruzeiro Esporte Clube é o campeão brasileiro de 2013. O time celeste conquistou a competição pela terceira vez em sua história (contando a Taça Brasil de 1966 como Brasileirão, conforme reconhecido pela CBF) exatamente no intervalo da partida diante do Vitória, em Salvador, pela 34ª rodada, nesta quarta-feira à noite. Isso foi possível porque um pouco mais cedo o Atlético Paranaense, que era o único com remotas chances de título, perdeu para o Criciúma por 2 a 1. Assim, a Raposa confirmou a boa fase do futebol mineiro em 2013. Antes do título cruzeirense, o seu arquirrival Atlético Mineiro conquistara a Libertadores em julho, o que lhe permitiu a disputa do Mundial de Clubes no Marrocos em dezembro.

Com uma campanha incontestável, o Cruzeiro chegou aos 74 pontos com 23 vitórias, cinco empates e seis derrotas, enquanto o Furacão, com a derrota de hoje, estacionou nos 58 e, faltando quatro rodadas para o término do campeonato, só pode chegar a 70 pontos. Dessa forma, o clube mineiro repetiu o feito do São Paulo em 2007 e conquistou o Brasileirão faltando exatas quatro rodadas. Assim, o Cruzeiro se iguala a Corinthians e Fluminense com dois títulos brasileiros vencidos na era dos pontos corridos que, coincidentemente, começou com o triunfo cruzeirense em 2003, mas ainda não chegou ao feito do Tricolor paulista, que foi tricampeão em 2006, 2007 e 2008.

O título do clube celeste serviu para cravar de vez o nome de seu treinador, Marcelo Oliveira, no rol dos grandes técnicos do Brasil. Afinal, depois de fazer um bom trabalho no Coritiba, com direito a dois títulos paranaenses e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil, o comandante foi contratado pelo Cruzeiro. A princípio, a sua vinda a Belo Horizonte foi cercada de desconfiança em virtude de seu passado como jogador ter sido marcado pela passagem no rival Atlético. Contudo, o seu trabalho sério e comprometido serviram para comprovar o teu profissionalismo. Oliveira indicou contratações à diretoria cruzeirense, foi atendido e o resultado foi que os reforços caíram como uma luva. A “espinha dorsal” foi montada por jogadores experientes e “refugos” de times principalmente do eixo Rio-São Paulo, especialmente, de São Paulo, Corinthians e Vasco. Curiosamente, os quatro clubes foram campeões recentes em competições nacionais: o Tricolor do Morumbi com o seu tri-campeonato (Borges, Dagoberto e, mais longíquo, Júlio Baptista), o Timão com o seu BR-2011 (William e, assim como JB para os são-paulinos, Nilton e Éverton Ribeiro) e o Vascão, que venceu a Copa do Brasil 2011 e vice-campeão brasileiro do mesmo ano (Dedé, o próprio Nilton e Diego Souza). Além de Souza e Luan, reservas no Cruzeiro, mas que foram vencedores da Copa do Brasil em 2012 pelo Palmeiras.

Vale destacar também que Marcelo Oliveira não pegou um time “pronto”. Ele montou a equipe que venceu, pelo menos uma vez, todos os adversários do campeonato. Inclusive, no time montado pelo comandante cruzeirense destacou-se o trabalho coletivo, pois, a artilharia do grupo é distribuída, talvez, o que tenha contribuído para a Raposa ter o melhor ataque.

Outro fator determinante que contribuiu para a conquista cruzeirense foi a volta do Mineirão, que passou por reformas para receber a Copa do Mundo. No Gigante da Pampulha, o Cruzeiro não teve conhecimento de seus adversários. Lá, o time sofreu apenas uma derrota para o seu maior algoz na história dos Brasileirões, o São Paulo.

Com a conquista e, consequentemente, a vaga assegurada para a Taça Libertadores de 2014, o Cruzeiro, talvez, poderá encarar o seu maior adversário na competição sulamericana. E, se conquistar a América pela terceira vez, o clube da Toca da Raposa terá a oportunidade de disputar o único título que falta para a sua galeria de troféus e que, neste ano, quem diria, pode ser erguido pelo Galo: o Mundial de Clubes da FIFA.

Quanto à partida de hoje, o Cruzeiro fez 3 a 1 no Vitória. O triunfo em cima do rubronegro baiano foi a “cereja do bolo” para o início da festa. O próximo compromisso do campeão brasileiro será no domingo (17), às 17h, diante da Ponte Preta no Estádio Dilzon Mello, em Varginha (MG). No confronto diante do clube campineiro, o Cruzeiro receberá a taça oficial de campeão brasileiro. Já que na partida de hoje contra o Vitória, os jogadores comemoraram o título com um troféu simbólico fornecido pela Federação Baiana de Futebol.

Bom, com o campeão e o primeiro time rebaixado confirmados, o Brasileirão seguirá com mais quatro rodadas para as definições das outras três vagas para a Libertadores de 2014 – ou duas, caso São Paulo ou Ponte Preta conquistarem a Copa Sulamericana – e também para conhecermos os outros três clubes que irão disputar a Série B junto com o Náutico.

Curiosamente, em 2003, os dois ex-Palestras Itália, Cruzeiro e Palmeiras, também foram campeões brasileiros. Enquanto os mineiros venceram a Série A, os paulistas conquistaram a Série B. E, para aumentar as coincidências, há exatos dez anos, o Flamengo disputou a final da Copa do Brasil e o São Paulo as semifinais da Copa Sulamericana. Assim, em 2013, as quatro situações se repetem.

Dessa forma, digo que o título está em boas mãos e o Cruzeiro está de parabéns pela conquista.

Por Jorge Almeida