Exposição “Wanda Pimentel: Envolvimentos” no MASP

“Sem Título”, da série Envolviimento, de 1969, vinílica sobre tela de Wanda Pimentel em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o próximo domingo, 17 de setembro, a exposição “Wanda Pimentel: Envolvimentos”, que traz um conjunto de 27 obras da série “Envolvimento”, produção que inicia a trajetória artística da carioca Wanda Pimentel. A mostra aborda o período mais produtivo da artista a cerca da série, entre 1968 e 1969, apesar de a sequência chegar a 1984.

A mostra exibe obras da série que abrange o corpo feminino (principalmente os pés e as pernas) em precisos enquadramentos de ambientes domésticos – sala, banheiro, cozinha e quarto de costura. Os fragmentos das representações – do corpo e da casa – são feitos de forma sintética e geometrizada devido às linhas precisas, além de um esmiuçador artifício de aplicação de tinta para, assim, deixar os quadros multicoloridos e brilhantes, com uma forte tensão entre os corpos, os objetos e os envolvimentos entre eles.

Ao depararmos com a máquina de costura, as roupas, sapatos, utensílios domésticos, com líquidos escorrendo das panelas, transbordando das xícaras e a fumaça exalando das panelas e dos cigarros, das pernas e dos pés que aparentam à beira do caos. As interpretações das leituras dessas obras têm uma lógica por conta do contexto histórico do final dos anos 1960: o aceleramento desenfreado dos meios de comunicação de massa, o consumismo, as reivindicações dos direitos das mulheres, isso no mundo inteiro; enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar (1964-1985), que se intensificou com a implantação do Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5), que proibira as manifestações de cunho político de toda ordem. Logo, essa produção de Pimentel é uma crítica aguda e perspicaz a todo um sistema que então se solidificava.

Curiosamente, a exposição dialoga diretamente com a mostra “Quem Tem Medo de Teresinha Soares?”, que ficou em cartaz até o último dia 6 de agosto, por conta do pioneirismo de ambas a tratar de questões ligadas à mulher e suas representações ainda na década de 1960.

SERVIÇO:
Exposição: Wanda Pimentel: Envolvimentos
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 27/09/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

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Exposição “Quem Tem Medo de Teresinha Soares?” no MASP

Uma das obras de Teresinha Soares em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) promove até o próximo domingo, 6 de agosto, a mostra “Quem Tem Medo de Teresinha Soares?”, que exibe um conjunto de mais de sessenta obras, incluindo inéditas e desaparecidas por décadas, da artista mineira Teresinha Soares (1927-), que trabalhou com assuntos relacionados à mulher no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.

O título da mostra foi apropriado de um artigo publicado em 1973 em um jornal referente à peça “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?” (1962), do dramaturgo inglês Edward Albee (1928-2016), e que, de modo semelhante, pergunta-se: “A quem incomodava (e incomoda) a arte de Teresinha Soares e por quê?”

A mostra, que é primeira retrospectiva da artista em um museu, apresenta pinturas, instalações, desenhos e objetos, incluindo também registros de performances e vasta documentação, e inaugura um ciclo de exposições sobre sexualidade e do gênero.

A obra de Teresinha Soares tem como caráter conspiratório, transgressivo e erótico. A representação do corpo feminino é o interesse principal da produção da artista e ostenta diversas inflexões: o erotismo, as relações do corpo com os costumes morais, o consumo, a máquina e a política.

A exposição enfatiza o pioneirismo de Teresinha no tratamento de temas feministas e sua afinidade com movimentos artísticos do período, como a arte opo, o nouveau réalisme e a nova objetividade brasileira.

Em meio aos destaques estão “Eurótica” (1970), álbum com 32 serigrafias sobre papel; e “O Jogo do Desencontro” (foto), de 1967, uma pintura sobre madeira recortada.

SERVIÇO:
Exposição:
Quem Tem Medo de Teresinha Soares?
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 06/08/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras

Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo” no MASP

“Pacaembu” (1995), óleo sobre tela, de Agostinho Batista de Freitas. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o próximo domingo, 9 de agosto, a mostra “Agostinho Batista de Freitas, São Paulo”, que traz 74 trabalhos do artista paulista Agostinho Batista de Freitas (1927-1997) que retratam cenas urbanas da capital paulista e revelam algumas das principais pontos arquitetônicos.

As obras foram criadas entre as décadas de 1950 e 1990, incluindo cinco telas recentemente doadas ao acervo do MASP, fazendo com que, pela primeira vez, a obra de Batista de Freitas esteja presente na coleção do Museu, corrigindo um vazio histórico.

A cidade de São Paulo é o foco das representações que Batista de Freitas se ocupou durante a sua trajetória. Nesse caso, não há apenas uma quantidade admirável de telas sobre a megalópole, mas da qualidade e da variedade de pinturas, diversificadas e surpreendentes.

Na exposição, a relação do artista com São Paulo se faz presente mediante diversos agrupamentos de obras, distribuídas em fileiras, que vão desde a representação do próprio MASP, da Avenida Paulista, até imagens aéreas do centro de São Paulo. Além de registro de locais da Zona Norte, onde o artista vivia, e ocasiões de diversas naturezas, que incluem as viagens, os divertimentos, as manifestações religiosas e populares.

Entre os destaques estão a “Antiga Rodoviária” (1987), “Praça da Bandeira” (1989), “Avenida Paulista” (1986) e “Pacaembu” (1995), ambas óleo sobre tela.

SERVIÇO:
Exposição:
Agostinho Batista de Freitas, São Paulo
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 09/04/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “Convocatória Para Um Mobiliário Brasileiro” no MASP

“A Segunda Crucificação” (2016), de Natalie Salazar, em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida
“A Segunda Crucificação” (2016), de Natalie Salazar, em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) está com a exposição “Convocatória Para Um Mobiliário Brasileiro” em cartaz até o próximo dia 29 de janeiro. A mostra traz 25 obras que fazem parte do projeto do artista Jonathas de Andrade.

O museu recebeu propostas para um novo mobiliário brasileiro entre os dias 2 de setembro e 13 de novembro de 2016. Para o projeto, foram aceitas inscrições tanto de móveis inéditos, executados ou não, quanto peças já existentes, de autoria desconhecida e de profissionais ou amadores, tais como marceneiros, designers, estudantes, arquitetos, artesãos, serralheiros, desenhistas e interessados em desenhar ou produzir móveis.

Ao longo desse prazo foram recebidas mais de 700 inscrições com as propostas mais variadas – desde populares até comentários sobre a morte e a vida -, que trazem a temperatura caótica dos dias atuais, e o júri composto por Camila Bechelany, Maurizio Zelada, Patrícia Amorim, Tatiana Sakurai e o próprio Jonathas de Andrade tiveram o trabalho de chegar a um conjunto representativo em meio à enorme quantidade e variedade de inscrições.

Os selecionados receberam a recompensada fixada em R$ 400,00, como maneira de contemplar mais propostas diante dos limites de orçamento.

Cada sugestão enviada – escolhida ou não – representa um reforço muito importante para a Convocatória, um projeto que procura atingir de forma que os jeitos em torno do mobiliário brasileiro e de seu uso cotidiano – “popular” ou não –  ofereçam elementos para pensar a complexidade do Brasil de hoje. Todas as inscrições serão publicadas no site do projeto (www.convocatoriamobiliario.com.br), assim como em um arquivo-pasta que poderá ser consultado na exposição, inclusive aquelas que não foram classificadas para a avaliação do júri.

Entre os mobiliários selecionados, o público poderá conferir itens como uma banqueta para lavar os pés no meio do banho, uma poltrona para assinar uma demissão, uma mesa que aguente sereno, um fundo falso que ajuda a esconder um segredo, entre outras coisas.

Em meio aos destaques estão “Trancaço” (2016), de Mariana Lacerda Gonçalves e Pedro Marques que tem como coautores os alunos do Colégio Estadual Fernão Dias (e das escolas ocupadas do Estado de São Paulo); “Cama de Guarda Roupa” (2016), de Marcelo Zocchio em coautoria da Marcenaria Quiari; e “A Segunda Crucificação” (foto), de Natalie Salazar.

SERVIÇO:
Exposição:
Convocatória Para Um Mobiliário Brasileiro
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 29/01/2016; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “A Mão do Povo Brasileiro, 1969/2016” no MASP

"São Jorge", escultura feita em madeira policromada, do século XVIII, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida
“São Jorge”, escultura feita em madeira policromada, do século XVIII, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) promove até o próximo domingo, 22 de janeiro, a exposição “A Mão do Povo Brasileiro, 1969/2016”, que celebra a mostra organizada por Lina Bo Bardi que inaugurou a sede do museu na Avenida Paulista em 1969. A representação da mostra de Lina é feita por meio de quase mil objetos da cultura popular como carrancas, tecidos, ferramentas, brinquedos, mobiliário, adornos, utensílios, imagens sacras, ex-votos, esculturas e pinturas de diversos artistas.

A mostra, concebida por Lina em conjunto com Pietro Maria Bardi (diretor do MASP na época), o cineasta Glauber Rocha e Martim Gonçalves (diretor de teatro) tinha sido um desdobramento de outras mostras organizadas pela arquiteta do MASP, em 1959, em Salvador (1963) e Roma (1965), onde foi fechada por mando do governo militar brasileiro, o que motivou o artigo do arquiteto Bruno Zevi intitulado “L’arte dei poveri fa paura ai generali”.

As produções, consideradas marginalizadas pelo museu e pela história da arte, foram valorizadas pelo MASP, que realizou uma mudança radical de “descolonização”, ou seja, repensar a arte a partir de uma perspectiva de baixo para cima, apresentando a arte como trabalho. Nesse contexto, uma pintura de Candido Portinari, por exemplo, e uma enxada são consideradas um trabalho, logo, uma espécie que extrapola as elevações entre arte, artefato e artesanato.

Em sua nova fase, o MASP procura restituir e aprofundar sua afinidade com essa produção, adotando como ponto de partida a reencenação de uma de suas exposições mais icônicas.

Evidentemente que uma reconstrução “à risca” de “A Mão do Povo Brasileiro” é impraticável e, devido a isso, o museu optou por seguir o espírito da curadoria original com alguns ajustes, pois não foi encontrado a lista das obras completa, mas listagens de colecionadores e museus sim, e que foram novamente procurados e recolheu obras similares e obedecendo as tipologias dos objetos. Além disso, para a reedição da exposição de 1969, foi decidido que não atualizar a mostra e os objetos reunidos foram confeccionados antes de 1970.

Em meio aos destaques estão “São Jorge” (foto), obra feita em madeira policromada, do século XVIII; e “Jogo do Bicho” (1958), uma pintura sobre metal; além de itens como ferramentas, adornos, móveis, canoa de pesca, oratórios, potes, colchas de retalhos, colheres de pau, utensílios domésticos, lamparinas, entre outros.

SERVIÇO:
Exposição:
 A Mão do Povo Brasileiro, 1969/2016
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 22/01/2016; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “Trabalho” no MASP

Vista parcial da instalação "Trabalho", de Thiago Honório. Foto: Jorge Almeida
Vista parcial da instalação “Trabalho”, de Thiago Honório. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) está a exibir a mostra “Trabalho” até o dia 29 de janeiro de 2017. Na verdade, trata-se de uma instalação do artista Thiago Honório que reúne cerca de 100 itens utilizados na construção civil que pertenceram a pedreiros e mestre de obra envolvidos no restauro de uma antiga subestação de energia da Light, na Praça da Bandeira, centro de São Paulo, um edifício da década de 1920 que, depois, transformou-se no espaço cultural Red Bull Station.

A instalação fria, bruta e áspera de Thiago Honório contrasta com a percepção do espaço destinado às tradicionais “belas-artes”, contudo, ao mesmo tempo, está alinhada com as características da arquitetura brutalista que o local se encontra: sem revestimentos ou acabamentos luxuosos do edifício do museu (que também é contrastante em relação à arquitetura refinada de outros museus de belas-artes clássicos).

A obra de Honório – “Trabalho” (2013/2016) -, que negociou as doações com os trabalhadores, é composta por materiais como escada, pás, furadeiras, enxadas, marreta, serrote, tripé, régua, disco de serra, foice roçadeira, martelo, garfo para rolo, espátula, pincel, rolo de lã e de espuma, frasco pulverizador, colher de pedreiro, picareta, entre outros itens.

A presença da instalação também faz referência à revisão crítica não só de artistas, mas de técnicas, linguagens e modos de produção que foram deixados de lado. Além disso, as ferramentas também podem associar-se aos escultores, que usufruem desse tipo de material para fazer as suas esculturas, porém, aqui elas mesmas são as próprias “esculturas”.

Aliás, essa fileira de ferramentas também são retratos dos trabalhadores, o que faz a instalação ainda mais relevante, uma vez que estão exatamente embaixo do Vão Livre do MASP que, por tantas vezes, foi local de manifestação e reivindicações trabalhistas de toda ordem.

SERVIÇO:
Exposição:
 Trabalho
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 29/01/2016; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida

Exposição “Portinari Popular” no MASP

"Futebol" (1940), um óleo sobre tela, de Cândido Portinari em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida
“Futebol” (1940), um óleo sobre tela, de Cândido Portinari em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) está com a exposição “Portinari Popular” em cartaz até a próxima terça-feira, 15 de novembro, e reúne cerca de 50 obras do acervo e de outras instituições em que são abordados conteúdos sociais e representações populares na produção de Cândido Portinari (1903-1962).

O título da mostra é indicativo e tem diversos significados: a popularidade do pintor natural de Brodowski e a origem, iconografia, temática e dicção populares do artista. Logo, o foco é nas pinturas com temáticas, narrativas e figuras populares.

A mostra apresenta trabalhadores em suas variadas atividades (lavradores de café, músicos, lavadeiras, garimpeiros, por exemplo), não europeus (negros, índios e mulatos) e personagens e tipos populares (o cangaceiro, a baiana, o retirante, a índia Carajá). Os personagens surgem em distintas situações geográficas e sociais, como na própria cidade natal do pintor, Brodowski, interior paulista, e também em paisagens empobrecidas ou nas favelas do Rio de Janeiro, em festas populares, em brincadeiras ou jogos, no circo, na música, na dor e na morte.

Além de registrar o “povão”, Portinari também pintou centenas de retratos da elite brasileira, que não estão expostas na exposição, com exceção de Mário de Andrade (1893-1945), importante interlocutor do artista, primeiro grande intérprete de sua obra, e pioneiro no estudo e na valorização da cultura popular brasileira.

A exposição traz diferentes representações de temas populares que são recorrentes na obra de Portinari ao longo das décadas, o que confirma seu compromisso, engajamento e sua determinação com eles. Aliás, o próprio artista é filho de imigrantes italianos que trabalharam na colheita do café. Logo, muitas de suas imagens pintadas ao longo de sua trajetória são cenários de sua própria vivência.

A exposição é uma remontagem do projeto expográfico de Lina Bo Bardi, em 1970.

No MASP, o visitante poderá conferir obras como “O Lavrador de Café” (1934), “Futebol” (foto), de 1940, “Retirantes” (1944) – a tela do acervo do museu mais postada nas redes sociais – e “Criança Morta” (1944), todas em óleo sobre tela.

SERVIÇO:
Exposição:
Portinari Popular
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 15/11/2016; de terça a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até às 17h30); quinta-feira, das 10h às 20h (bilheteria aberta até às 19h30)
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada/estudantes/professores e maiores de 60 anos); menores de 10 anos não pagam ingresso; entrada gratuita às terças-feiras
Estacionamento: Convênios para visitante MASP, período de até 3h. É preciso carimbar o ticket do estacionamento na bilheteria ou recepção do museu.

Por Jorge Almeida