Exposição “Anna Bella Geiger: Brasil Nativo/Brasil Alienígena” no MASP

A obra “Local da Ação com Euhropa”, de Anna Bella Geiger, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) está com a exposição “Anna Bella Geiger: Brasil Nativo/Brasil Alienígena” em cartaz até o próximo domingo, 1º de março. A mostra, feita paralelamente no Sesc Avenida Paulista, traz cerca de 190 obras e parte de seu trabalho mais célebre: justamente a que dá nome à mostra.

A mostra apresenta a produção desde os anos 1950, chamada de período visceral, qual mostra representação do interior do corpo humano, às fases em que trata do passado colonial, uma identidade nacional, questões indígenas e ecológicas.

Uma das primeiras artistas a ter engajamento com a arte abstrata no Brasil, Anna Bella Geiger tem a sua produção voltada para obras genuinamente inovadoras e experimentais, que misturam dimensões e simbologias de ordens política e pessoal, formal e estética ou corporal e conceitual, e, desde a década de 1970, trabalha com vídeo, arte conceitual e arte postal.

A exposição circunscreve a abstração informal, o interesse de Geiger pelo interior do corpo humano, o autorretrato, geografias, mapas, paisagens, assim como a crítica do sistema das artes e a análise de questões políticas e históricas do Brasil.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, a mostra é dividida em sete núcleos: “Autorretratos” (1951-2003); “Viscerais” (1965-1969); “Mapas e Geografias” (1972-2018); “Sobre a Arte” (1973-2018); “Cadernos” (1974-1977); “História do Brasil” (1975-2015); e “Macios e Noturnos” (1984-1986). Enquanto isso, no Sesc Avenida Paulista, estão expostas três instalações da artista: “Circumambulatio” (1972); “Mesa, Friso e Vídeo Macios (16ª Bienal de São Paulo, 1981)”; e “Indiferenciados” (2001), além de três vídeos.

Em meio aos destaques estão: “Macio com Ilustrações Abstratas” (1994), um acrílico sobre tela; “Fígado Conversando” (1968), uma obra feita com água-tinta, água-forte e relevo sobre papel; “Local da Ação com Euhropa” (foto), de 1995, obra composta com encáustica, folha de flandres e fio de cobre sobre gaveta de metal; e também a obra que tem o título emprestado da mostra, “Brasil Nativo/Brasil Alienígena” (1976/1977), constituída por uma série de cartões-postais que representam de forma idealizada o cotidiano dos Bororo, povo indígena do Mato Grosso.

SERVIÇO:
Exposição: Anna Bella Geiger: Brasil Nativo/Brasil Alienígena
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 01/03/2020; de quarta a domingo, das 10h às 18h; terça-feira, das 10h às 20h
Quanto: R$ 45,00 / R$ 22,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

Exposição “Gego: a Linha Emancipada” no MASP

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 1º de março, a exposição “Gego: a Linha Emancipada”, que faz uma retrospectiva da obra da artista alemã-venezuelana Gertrude Goldschmidt, que ficou conhecida como Gego (1912-1994). A mostra exibe cerca de 150 trabalhos que apresentam as habilidades da artista em diversas áreas: arquitetura, escultura, design, instalações, impressão, tecidos, arte pública e pedagogia.

Considerada uma das pioneiras da abstração geométrica e arte cinética, Gego estudou arquitetura e engenharia em Stuttgart, mas por conta da crescente onda antissemita em sua terra-natal, migrou para a Venezuela em 1939, onde começou as atividades de arquiteta e, a partir da década de 1950, começou a carreira como artista, trabalhando inicialmente com aquarelas, xilogravuras e monotipias para, depois, passar a executar seu ofício em estruturas metálicas e tridimensionais.

Atuando nessa área, Gertrude tornou-se uma artista importante em abstração geométrica e arte cinética, movimentos engajados com as vanguardas europeias no período pré-guerra, que frutificaram na Venezuela e outras nações latino-americanas entre o final da década de 1940 e 1960. Ao longo de sua carreira, ela empenhou-se em aprofundar três formas de sistema: linhas paralela, nós lineares e o efeito de paralaxe.

A mostra apresenta a evolução da abordagem singular de Gego à abstração e destaca sua prática de desenho e gravura em diálogo com suas extraordinárias séries tridimensionais, incluindo esculturas vibracionais e cinéticas das décadas de 1950 e 1960. A exposição enaltece as significativas contribuições e conceituais da artista na arte moderna e contemporânea.

Em meio aos destaques estão obras como: “Cubo em Esfera” (foto), de 1966, feita em ferro esmaltado; “Sem Título (Aplique Reticulárea)” (1969), obra de arame de ferro, nylon e pesos; e “Selva” (1964), uma escultura de ferro.

SERVIÇO:
Exposição: Gego: a Linha Emancipada
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 01/03/2020; de quarta a domingo, das 10h às 18h; terça-feira, das 10h às 20h
Quanto: R$ 45,00 / R$ 22,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

 

Exposição “Histórias Feministas: Artistas Depois de 2000” no MASP

A instalação “O Sorriso do Acotirene” presente em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Histórias Feministas: Artistas Depois de 2000” segue em cartaz até o próximo domingo, 17 de novembro, no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Nela, 30 artistas e coletivos que emergiram no século XXI apresentam perspectivas feministas, abrangendo um debate que ganhou notoriedade nas décadas de 1960 e 1970, mas que segue em sua total efervescência.

As obras trazem narrativas reais, ficcionais, pessoais e documentos, diversos esportes e distâncias temporárias e territórios que incitam novos debates a partir da produção de artistas cujas produções surgiram neste século.

Não há um conceito definitivo que constitui as práticas e as estratégicas femininas na arte, mas há o consenso de suas vertentes, levando em conta as variadas formas de atuação e suas especificidades dos contextos nos quais elas foram inseridas e, assim, foram chamadas de histórias feministas.

De acordo com a curadora Isabella Rjeille, a mostra “parte do potencial de transformação que existe nos feminismos, não apenas material, mas simbólico, na proposição de outras narrativas e de outras formas de conhecimento, de relação, de poder e de imaginação”.

Em meio aos destaques estão “Mulher do Interior” (2016), uma acrílica sobre tela da italiana Giulia Andreani; “O Sorriso do Acotirene” (foto), instalação de 2018 com cabaças, sisal, palha, aço, ferro e materiais diversos; “Maternidade Compulsória” (2016), uma acrílica e óleo sobre tela de Marcela Cantuária; além de uma vitrine com publicações anônimas e feministas.

SERVIÇO:
Exposição: Histórias Feministas: Artistas Depois de 2000
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578
Quando: até 17/11/2019; terça, quarta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h; quinta-feira, das 10h às 20h (excepcionalmente, o MASP terá os horários de visitação ampliados: terça e sábado, até à 0h, quarta, quinta e sexta-feira até às 19h, e domingo até às 20h)
Quanto: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

Exposição “História das Mulheres: Artistas Antes de 1900” no MASP

Obra da mexicana Juliana Sanromán em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 17 de novembro, a exposição “História das Mulheres: Artistas Antes de 1900”, que exibe cerca de 100 registros de artistas mulheres que foram esquecidas pela história da arte oficial e que vão desde o antigo Império Otomano até os trabalhos das mulheres rendeiras de Blumenau e da região andina.

Os trabalhos expostos, que datam desde o século I ao XIX, não se trata de uma única história, mas sim de várias narradas e vivenciadas por meio de obras de mulheres que viveram no norte da África, nas Américas (antes e depois da colonização), na Ásia, na Europa e no já citado antigo Império Otomano.

Uma das principais características das obras mostradas nesta exposição é a forte presença da pintura e dos têxteis, ou seja, a pintura em tecido, que fora usado como suporte. A mostra aponta obras que se destacam além das tradicionais belas artes, visando estabelecer pelas perspectivas mais amplas e plurais.

Todavia, embora não tenhamos conhecimento de nomes de artistas que se consagraram na arte de pintar em tecidos, todas as peças da mostra foram produzidas por mulheres em muitas regiões do mundo antes de 1900. A confecção de tecidos, feitos manualmente por mulheres, era considerado um trabalho de gênero e, mesmo que os tecidos não estivessem no contexto de definições de arte e, além disso, muitas mulheres terem sido vetadas do treinamento das academias de arte, a mostra deixa evidente que, apesar dos empecilhos da sociedade ao longo da história, elas sempre fizeram a sua arte.

A exposição destaca também algumas que obtiveram sucesso na carreira, como as tecelãs da América pré-colombiana ou Elisabeth Louise VigéeLe Brun, que exerceu o cargo de “primeira pintora” da rainha da França no século XVIII, além de Abigail de Andrade, detentora de uma medalha de ouro no Salão de 1884, época do Brasil imperial.

Apesar disso, o contingente feminino no manual da história das artes é muito menor se comparado aos seus amigos e contemporâneos homens. inclusive nas coleções do museu. O próprio MASP, por exemplo, possui apenas duas obras de mulheres artistas produzidas antes de 1900: um autorretrato da portuguesa Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre e um panorama da baía de Guanabara, da inglesa Maria Graham, que foi especialmente restaurada para esta mostra.

Entre os destaques estão “Cena de Mercado” (século XIX), de Francisca Manoela Valadão; “Interior de um Convento dé Dieguinos” (foto), uma pintura de 1849 da mexicana Juliana Sanromán; “Atelier d’Abel de Pujol” (1836), da francesa Adrienne Grandpiene – todas em óleo sobre tela, e também uma capa bordada para baú, de autoria desconhecida de circa de 1900.

SERVIÇO:
Exposição: História das Mulheres: Artistas Antes de 1900
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578
Quando: até 17/11/2019; terça, quarta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h; quinta-feira, das 10h às 20h (excepcionalmente, o MASP terá os horários de visitação ampliados: terça e sábado, até à 0h, quarta, quinta e sexta-feira até às 19h, e domingo até às 20h)
Quanto: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

Exposição “Tarsila Popular” no MASP

“Pescador”: uma das obras de Tarsila do Amaral em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

Com 92 obras, a ótima exposição “Tarsila Popular” ficará em cartaz até o próximo domingo, 28 de julho, no MASP. A mostra permite uma nova interpretação referente a personagens, narrativas e temas marcantes no trabalho de Tarsila do Amaral (1886-1973), especialmente no que se refere a temas de cunhos políticos, raciais e sociais, entre pinturas e desenhos da artista modernista.

Tarsila desenvolveu sua produção tendo com base sua vivência e estudos feitos em Paris a partir de 1923. Através das aulas feitas com André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955), aprendeu com devoção os estilos modernos da pintura europeia, como o cubismo e, de forma antropofágica, a produzir algo semelhante.

O enfoque da exposição é o “popular”, que Tarsila explorou de diferentes modos em seus trabalhos ao longo de toda a sua carreira. O notório está associado aos debates sobre uma arte ou identidade nacional e a invenção ou construção de uma brasilidade. Em Tarsila, o popular se manifesta através das paisagens do interior ou do subúrbio, da fazenda ou da favela, povoadas por indígenas ou negros, personagens de lendas e mitos, repletas de animais e plantas, reais ou fantásticos.

Considerada uma das maiores artistas brasileiras do século XX, Tarsila do Amaral foi uma das principais figuras do modernismo e, devidamente, merece essa que é considerada a mais ampla exposição já dedicada à artista.

Em meio aos destaques, obras como “Retrato de Mário de Andrade” (1922), “Pescador” (circa de 1925), a ilustração original feita em grafite e nanquim sobre papel para o livro Pau Brasil (1925), a clássica “Abaporu” (1928), entre outros, merecem atenção.

Aliás, a obra “Operários” foi devolvida para o Palácio Boa Vista, do Governo do Estado, e “Vendedor de Frutas”, que foi devolvida para o MAM-RJ.

Aliás, como esta é a última semana da mostra em cartaz e, por conta da grande demanda dos últimos dias, o MASP, excepcionalmente, ficará aberto na terça-feira (23) até à meia-noite com entrada gratuita. Além dessa, o visitante poderá conferir outras mostras do museu, como “Lina Bo Bardi: Habitat”, que recebeu mais de 350 mil visitantes, sendo oito mil somente na terça-feira passada, dia 16 de julho. Só é necessário encarar (e ter paciência) a fila.

SERVIÇO:
Exposição: Tarsila Popular
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 28/07/2019; terça, quarta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h; quinta-feira, das 10h às 20h (excepcionalmente, o MASP terá os horários de visitação ampliados: terça e sábado, até à 0h, quarta, quinta e sexta-feira até às 19h, e domingo até às 20h)
Quanto: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

Exposição “Lina Bo Bardi: Habitat” no MASP

Projeto do então futuro prédio do MASP em exibição na mostra que homenageia Lina Bo Bardi. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 28 de julho, a exposição “Lina Bo Bardi: Habitat”, que traz o legado da arquiteta, design, curadora, cenógrafa e pensadora ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) e que projetou o museu e outras instituições como o Sesc Pompeia.

Casada com Pietro Maria Bardi (1900-1999), Lina chegou ao Brasil em 1946, aos 31 anos, e se aprofundou nas mais variadas culturas que o país proporciona, fazendo de seu habitat sulamericano a atmosfera propícia para seu estilo único e absoluto.

O título da mostra é emprestado da revista Habitat, criada por Lina e Pietro, e editada pelo casal entre 1950 e 1953, uma publicação que marcou o design gráfico e a crítica de arte e arquitetura no Brasil. A exposição visa estabelecer Bo Bardi como uma sábia multifacetada e multidisciplinar e uma autêntica pensadora da cultura de seu tempo.

A mostra está organizada em três seções expostas na galeria do primeiro subsolo do museu: “O habitat de Lina Bo Bardi”, “Da Casa de Vidro à cabana” e “Representando o museu”. A homenageada tem forte vínculo com o MASP, pois fora a autora do projeto do edifício, inaugurado em 1968, e idealizou expografias na antiga sede do museu à Rua 7 de Abril, desde sua fundação, em 1947. Além de ter organizado algumas das mais representativas mostras no MASP, como “A Mão do Povo Brasileiro” (1969) e “África Negra” (1988).

Aliás, como esta é a última semana da mostra em cartaz e, por conta da grande demanda dos últimos dias, o MASP, excepcionalmente, ficará aberto na terça-feira (23) até à meia-noite com entrada gratuita. Além dessa, o visitante poderá conferir outras mostras do museu, como “Tarsila Popular”, que recebeu mais de 350 mil visitantes, sendo oito mil somente na terça-feira passada, dia 16 de julho.

Entre os itens expostos estão fotos e projetos de Lina, como o próprio MASP, o Teatro Castro Alves, em Salvador (1960), além de objetos, como as cadeiras “Poltrona Bardi’s Bowl” (1951), uma estrutura tubular de ferro e couro, e a “Cadeira Beira de Estrada” (1967), feita de madeira corda e ferro.

SERVIÇO:
Exposição: Lina Bo Bardi: Habitat
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 28/07/2019; terça, quarta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h; quinta-feira, das 10h às 20h (excepcionalmente, o MASP terá os horários de visitação ampliados: terça e sábado, até à 0h, quarta, quinta e sexta-feira até às 19h, e domingo até às 20h)
Quanto: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia-entrada) / entrada gratuita às terças-feiras e para menores de 10 anos

Por Jorge Almeida

Exposição “Djanira: a Memória de Seu Povo” no MASP

A acrílica sobre tela “Paisagem do Sítio de Paraty” (1965), de Djanira da Motta e Silva, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 19 de maio, a exposição “Djanira: a Memória de Seu Povo”, que exibe cerca de 70 obras de Djanira da Motta e Silva (1914-1979). A mostra é a primeira grande exposição dedicada à artista natural de Avaré desde seu falecimento.

O título da exposição – retirado de uma matéria de Mary Ventura nos anos 1970 – é uma referência do percurso de Djanira, à sua história de vida e suas muitas excursões pelo Brasil, bem como sua pintura intensamente engajada com a realidade à sua volta. No caso de Djanira, falar em memória remete ao respeitável imaginário que a artista instituiu com base na vida habitual, nas paisagens e na cultura popular brasileira, em torno de temas comumente marginalizados pelas elites.

Apesar de ter feito uma carreira sólida em vida, as últimas décadas de Djanira foi deixada de lado nas narrativas fundamentais da história da arte brasileira. Então, a mostra visa estudar o desempenho crucial da artista na formação do aspecto brasileiro e deslocá-la na história da arte do país durante o século XX.

A mostra exibe trabalhos de todas as fases da produção de Djanira, desde o início dos anos 1940 ao final da década de 1970, e adota um percurso cronológico simultaneamente ao reunir obras com as principais temáticas exploradas pela artista: o trabalho e os trabalhadores, retratos e autorretratos, diversões e festejos populares, a religiosidade afro-brasileira e católica, os indígenas e diversos povos e paisagens do Brasil.

A obra de Djanira foi diversas vezes considerada pela crítica como arte primitiva ou tola, categorizações que hoje são percebidas como preconceituosas e perversas, pois elucubram uma perspectiva elitista e eurocêntrica, por não estarem nos “padrões eruditos” e que, indevidamente, eram classificados como menores.

Em meio aos destaques estão: “Colheita” (1946), “Casa de Farinha” (1956) e “Fábrica” (1962), todas óleo sobre tela, além de “Paisagem do Sítio de Paraty” (foto), uma acrílica sobre tela de 1965.

SERVIÇO:
Exposição: Djanira: a Memória de Seu Povo
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 19/05/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 40,00; R$ 20,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras; excepcionalmente, em virtude da realização da Virada Cultural 2019, o museu terá entrada gratuita nos dias 18 e 19 de maio de 2019 (das 18h às 18h)

Por Jorge Almeida

‘O Apocalipse de um diretor’ do Grupo Eco Teatral aborda as relações de tirania ao revelar os bastidores de uma estreia de Hamlet

Cena da peça “O Apocalipse de um diretor”. Foto: Allis Bezerra

Primeiro texto de Angela Ribeiro depois de ganhar o Prêmio Shell de 2018 na categoria de Dramaturgia, a peça foi escrita em colaboração com o diretor Thiago Franco Balieiro.

Com dez atores no elenco e um trio de jazz ao vivo, “O Apocalipse de um diretor” estreia dia 6 de abril, sábado, no auditório do MASP.

Com o intuito de discutir relações hierárquicas e os abusos de poder, o diretor Thiago Franco Balieiro e a ganhadora do Prêmio Shell de Dramaturgia 2018 Angela Ribeiro, desenvolveram junto ao grupo Eco Teatral a peça O APOCALIPSE DE UM DIRETOR. Os conflitos e angústias de um grupo de atores, uma assistente e um diretor no dia da estreia do seu mais recente espetáculo, Hamlet. A montagem fará sua primeira temporada no auditório do MASP, de 6 de abril a 26 de maio, com apresentações sábados, às 21h e domingos, às 19h30.

A peça inédita é a quarta produção independente do grupo Eco Teatral e traz no elenco Alexandre Menezes como Ator 3 e Laertes, Fernanda Assef como Atriz 3 e Ofélia, Gabriela Roibeiri como a assistente de direção, Gisa Araujo como a Primeira Atriz e Gertrudes, Gustavo Mereghi como Ator 1 e Hamlet, Lisandro Leite como Ator 2 e Rei Claudio, Marco Canonici como Ator e Polônio, Roberto Borenstein Ator 3, Romario Lopes como diretor e Zenaide Denardi como atriz stand-in. Um trio de jazz formado pelos músicos Alberto Eloy no trompete, Ana Guariglia no piano e Chico Ribas na bateria acompanha em tempo real os níveis de tenção de cada cena, interagindo a todo instante com o jogo cênico criado pelos atores.

Após a projeção um foco de luz acende no palco, um baterista anuncia: “São Paulo, manhã da estreia. Lá fora, frio e chuva”. A partir daí, as luzes se acendem e o jazz conduz a entrada dos atores no palco. Percebemos um clima de ansiedade em cada entrada, o Diretor interrompe a música e informa aos atores de uma maneira autoritária que alguma coisa ocorrida no dia anterior já foi resolvida e pede para todos se prepararem. Ao longo do ensaio as relações entre os atores e a direção vão se corroendo, instaurando uma atmosfera caótica. Os atores insatisfeitos com a situação nos revelam isso através dos “à parte” – um microfone no proscênio que serve como uma espécie de confessionário.

“A linha divisória entre ficção e realidade, e reforçadas pelo cenário, vão se diluindo e se misturando. Temos certa dificuldade para definir se as falas pronunciadas pelo elenco são deles ou dos personagens da peça Hamlet”, explica Thiago Franco Balieiro.

A partir de dados biográficos e de histórias comuns vivenciadas por outros diretores, e pelos atores da peça, o espetáculo cria três camadas de realidade, a primeira sendo ocupada pelo diretor real, a segunda camada ocupada pelo diretor ficcional e os atores em uma sala de ensaio, e a terceira camada é a montagem de Hamlet, a peça que esses mesmos atores estão apresentando.

A encenação se apoia em várias expressões artísticas, tais como o teatro, dança, projeções de vídeo, música ao vivo, OFFs e performance.

SINOPSE
Um diretor real, um diretor ficcional e os atores. As crises, as memórias, as reflexões e obsessões de um/alguns artista(s) em colapso. AVISO! Dados biográficos estarão a serviço de uma ficção. Estamos estou mentindo, não é isso! Você: O que isso me importa? Eu: Nada. Tudo! Uma montagem de Hamlet que não deu certo / que pode dar certo / ao som de jazz, esse é o “O Apocalipse de um Diretor”

ECO TEATRAL
O grupo Eco Teatral foi fundado em 2012 dentro da Escola de Arte Dramática da USP pelo diretor Thiago Franco Balieiro, desde então, realizou três espetáculos em sua trajetória, as peças SALA DE ESPERA (2012), EDGAR (2014) e HOMO PATITUR (2017). A partir de 2015, o grupo se estabelece no bairro da Luz em São Paulo e começa a desenvolver seu trabalho de pesquisa focado no desenvolvimento técnico do intérprete, ministrando cursos de treinamento corporal, pesquisas vocais, Suzuki, danças Afro e os Diálogos Teatrais (projeções de peças teatrais contemporâneas seguida de debates). Depois de sua chegada no bairro da Luz o grupo estabelece parcerias com outros grupos da região e se integra ao Movimento de Teatros Independentes de São Paulo (MOTIN).

Ficha Técnica
Apocalipse de um Diretor
Dramaturgia: Angela Ribeiro e Thiago Franco Balieiro
Direção: Thiago Franco Balieiro
Assistente de Direção: Fernanda Borella
Elenco: Alexandre Menezes, Fernanda Assef, Gabriela Roibeiri, Gisa Araujo, Gustavo Mereghi, Lisandro Leite, Marco Canonici, Roberto Borenstein, Romario Lopes e Zenaide Denardi
Músicos: Alberto Eloy, Ana Guariglia e Chico Ribas
Iluminação: Felipe Tchaça
Assistente de Iluminação: Paula da Selva
Operação de Som: Fernanda Borella
Direção Audiovisual: Santiago Paestor, Vitor D’Angelo
Elenco (vídeo produtor): Fernanda Borella e João Mazini
Figurinos: Thiago Franco Balieiro
Costureira: Vera Luz Santos Araújo
Cenário: Thiago Franco Balieiro
Designer Gráfica: Angela Ribeiro
Produção: Eco Teatral
Assessoria de Impressa: Canal Aberto (Márcia Marques | Daniele Valério)
SERVIÇO
Estreia dia 6 de abril de 2019
Temporada até 26 de maio
Sábado, às 21h, e domingo, às 19h30.
MASP – Auditório. Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01310-200. Telefone: (11) 3149-5959. (CHECAR FUNCIONAMENTO BILHETERIA E SITE PARA COMPRA ANTECIPADA)
Ingresso: R$ 50.
Duração: 120 min. Não recomendado para menores de 18 anos.
Capacidade: 374 lugares
Acesso a cadeirantes. Não tem estacionamento.

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto
Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 | 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br
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Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

 

Fundadora da primeira escola de sapateado do Brasil comemora 40 anos de carreira no MASP

A professora e coreógrafa Kika Sampaio. Créditos: Vivian Koblinsky

Kika Sampaio é especialista em sapateado americano

No dia 19 de abril, a Cia Kika Sampaio de Sapateado se apresenta no teatro MASP, em comemoração aos 40 anos de carreira da sapateadora e coreógrafa.

Kika Sampaio é professora, coreógrafa e diretora do Kika Tap Center, escola pioneira no Brasil, especializada em sapateado americano há 40 anos. Iniciou sua carreira dançando em várias montagens de shows com o diretor Abelardo Figueiredo, alem de ter coreografado musicais como “As Noviças”, em 1988, com direção de Wolf Maia, “Cabaret”, em 1989, com direção de Jorge Takla e “Não Fuja da Raia”, de 1991, com direção de Jorge Fernando. Também nessa época, produziu e atuou em “Chapeuzinho Vermelho no País das Maravilhas”, de Flávio de Souza e direção de Mira Haar, além de ter trabalhado em vários shows com a Traditional Jazz Band e Heart Breakers.

Na TV Globo participou como coreógrafa da Mini Série “Dercy de Verdade”. Participou do Conselho Artístico do Festival de Joinville e atua como jurada nos maiores festivais de Dança do Brasil, attualmente é curadora do Festival Jacareí in Tap (Jacareí SP) e Sring Tap (Ribeirão Preto SP).

Kika dirige a Cia Kika Sampaio de Sapateado e Grupo Experimental Kika Sampaio, ambas de sapateado americano. Entre os prêmios que ganhou na carreira está o de melhor coreógrafa pelo Prêmio Bibi Ferreira, com o musical New York New York.

Comemoração no MASP:
A Cia Kika Sampaio surgiu com o intuito de juntar os mais telentosos jovens sapateadores do Brasil.

Nas coreografias, Kika Sampaio sempre busca pela diversidade de estilos, abrindo espaço para experimentar músicas, sons, movimentações diferentes em cada criação. Assim, já passaram pela história da companhia, coreógrafos nacionais e internacionais com o intuito de manter o fôlego jovem, característico do grupo.

Em comemoração aos 40 anos de carreira de Kika Sampaio, serão apresentadas duas peças. A primeira, “Estudos para Maurice”, referência a dois gênios franceses, o compositor Maurice Ravel e o coreógrafo Maurice Béjart. Em 1961, Béjart transformou o icônico Bolero, de Ravel, em movimento para sua companhia Ballet do Século XXI, tornando-se um marco para a história da dança mundial. Com concepção de Anselmo Zolla e coreografia de Kika Sampaio a homenagem faz clara celebração à coreografia de Béjart e sua genialidade.

A segunda obra, “La Fête”, inspira-se nos anos 60 na França, para transmitir a sensação existencialista de viver e experimentar o momento. Para isso, traz-se ao palco as fases que podem acontecer durante uma festa: encontro, celebração, sedução, enfrentamento, comunhão e, claro, dança. Com música do compositor franco-libanês Ibrahim Maalouf coreografia Joao Saá

Para abrilhantar a noite, entre os atos terá a participação especial do mestre sapateador Steve Zee, referência mundial da história viva do sapateado americano.

Sobre Steve Zee:
Steve é um dos maiores mestre do sapateado do mundo, professor, músico e artista que treinou e se apresentou com os irmãos Nicholas, Gregory Hines e inúmeros outros dançarinos importantes. Ele tem ministrado aulas e se apresentado pelos Estados Unidos, Europa, América do Sul e China, Steve, tem uma palestra no Ted Talkes “O sapateado é a história da América”.

Ele é o mentor por trás da Tap Academy Online, o primeiro programa do mundo de treinamento online de sapateado. Quando em casa, em Los Angeles, Steve pode ser encontrado no Departamento de dança da CSU, Long Beach e ou ministrando aulas em vários estúdios de dança no sul da Califórnia.

Ficha técnica :
Direção Geral – Kika Sampaio
Coreógrafos: Joao de Sá, Maria Clara Laet, Gueg Côrtes e Kika Sampaio
Artista convidado – Steve Zee
Assessoria de Imprensa Leonardo Almeida
Consultoria artística – Cassia de Souza

Sapateadores
Bianca Brison
Conrado Hackmann
Duda Bateli
Duda Moura
Gisele Fretta Barros
Gueg Côrtes
Gustavo Gennari
Helo Verissimo
Isabella Grecco
Júlia Guitarrari
Luísa Capucci
Maria Clara Laet
Maria Luiza Terlizzi Rabahie
Mariana Lima
Raquel Ramos
Sofia Belinky
Teo Possatti
Thiago Brito

Serviço:
Local: Masp
Data: 19/04
Horário: 20 horas
Valor: R$ 60,00 (inteira) R$ 30,00 (Meia)

Créditos: Rodrigo Almeida

Exposição “Lucia Laguna: Vizinhança” no MASP

“Paisagem nº104 (Benfica)”, uma das obras de Lucia Laguna em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o próximo domingo, 10 de março, a exposição “Lucia Laguna: Vizinhança”, que apresenta 21 obras da produção recente da fluminense feitas entre 2012 e 2018, e que abordam os principais temas trabalhados pela artista natural de Campos dos Goytacazes: jardins, paisagens e estúdios.

As pinturas de Laguna são inseparáveis do local onde foram feitas: o ateliê-casa onde vive há 70 anos e os arredores do bairro de São Francisco Xavier, no subúrbio da zona norte do Rio de Janeiro. A artista tira a nomenclatura de cores, formas e imagens que fazem parte de suas telas. Lucia dedicou-se à pintura após se aposentar como professora de literatura portuguesa e latina, e a comparecer nos cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, nos anos 1990.

A artista procurou na janela de sua casa-ateliê, que dá vista para o Morro da Mangueira, a paisagem, os procedimentos de construção e a arquitetura da região para estabelecer sua forma de pintar. Com essas obras, Lucia Laguna propõe outra visão do subúrbio carioca, agregando sua vivência e memória. Nesta série, Laguna expande sua “vizinhança” para o espaço do museu: em uma tela realizada especialmente para esta mostra — “Paisagem nº114 (MASP)” (2018) —, a artista absorve os objetos de seu ateliê, as plantas do jardim de sua residência, elementos arquitetônicos do edifício do MASP e das obras da coleção do museu.

Em meio aos destaques estão as acrílicas e óleo sobre tela “Jardim nº32” (2015); “Paisagem nº104 (Benfica)” (foto), de 2017; e “Jardim nº39 (Manguinhos)”.

SERVIÇO:
Exposição: Lucia Laguna: Vizinhança
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 10/03/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida