Exposição “Djanira: a Memória de Seu Povo” no MASP

A acrílica sobre tela “Paisagem do Sítio de Paraty” (1965), de Djanira da Motta e Silva, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) realiza até o próximo domingo, 19 de maio, a exposição “Djanira: a Memória de Seu Povo”, que exibe cerca de 70 obras de Djanira da Motta e Silva (1914-1979). A mostra é a primeira grande exposição dedicada à artista natural de Avaré desde seu falecimento.

O título da exposição – retirado de uma matéria de Mary Ventura nos anos 1970 – é uma referência do percurso de Djanira, à sua história de vida e suas muitas excursões pelo Brasil, bem como sua pintura intensamente engajada com a realidade à sua volta. No caso de Djanira, falar em memória remete ao respeitável imaginário que a artista instituiu com base na vida habitual, nas paisagens e na cultura popular brasileira, em torno de temas comumente marginalizados pelas elites.

Apesar de ter feito uma carreira sólida em vida, as últimas décadas de Djanira foi deixada de lado nas narrativas fundamentais da história da arte brasileira. Então, a mostra visa estudar o desempenho crucial da artista na formação do aspecto brasileiro e deslocá-la na história da arte do país durante o século XX.

A mostra exibe trabalhos de todas as fases da produção de Djanira, desde o início dos anos 1940 ao final da década de 1970, e adota um percurso cronológico simultaneamente ao reunir obras com as principais temáticas exploradas pela artista: o trabalho e os trabalhadores, retratos e autorretratos, diversões e festejos populares, a religiosidade afro-brasileira e católica, os indígenas e diversos povos e paisagens do Brasil.

A obra de Djanira foi diversas vezes considerada pela crítica como arte primitiva ou tola, categorizações que hoje são percebidas como preconceituosas e perversas, pois elucubram uma perspectiva elitista e eurocêntrica, por não estarem nos “padrões eruditos” e que, indevidamente, eram classificados como menores.

Em meio aos destaques estão: “Colheita” (1946), “Casa de Farinha” (1956) e “Fábrica” (1962), todas óleo sobre tela, além de “Paisagem do Sítio de Paraty” (foto), uma acrílica sobre tela de 1965.

SERVIÇO:
Exposição: Djanira: a Memória de Seu Povo
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 19/05/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 40,00; R$ 20,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras; excepcionalmente, em virtude da realização da Virada Cultural 2019, o museu terá entrada gratuita nos dias 18 e 19 de maio de 2019 (das 18h às 18h)

Por Jorge Almeida

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‘O Apocalipse de um diretor’ do Grupo Eco Teatral aborda as relações de tirania ao revelar os bastidores de uma estreia de Hamlet

Cena da peça “O Apocalipse de um diretor”. Foto: Allis Bezerra

Primeiro texto de Angela Ribeiro depois de ganhar o Prêmio Shell de 2018 na categoria de Dramaturgia, a peça foi escrita em colaboração com o diretor Thiago Franco Balieiro.

Com dez atores no elenco e um trio de jazz ao vivo, “O Apocalipse de um diretor” estreia dia 6 de abril, sábado, no auditório do MASP.

Com o intuito de discutir relações hierárquicas e os abusos de poder, o diretor Thiago Franco Balieiro e a ganhadora do Prêmio Shell de Dramaturgia 2018 Angela Ribeiro, desenvolveram junto ao grupo Eco Teatral a peça O APOCALIPSE DE UM DIRETOR. Os conflitos e angústias de um grupo de atores, uma assistente e um diretor no dia da estreia do seu mais recente espetáculo, Hamlet. A montagem fará sua primeira temporada no auditório do MASP, de 6 de abril a 26 de maio, com apresentações sábados, às 21h e domingos, às 19h30.

A peça inédita é a quarta produção independente do grupo Eco Teatral e traz no elenco Alexandre Menezes como Ator 3 e Laertes, Fernanda Assef como Atriz 3 e Ofélia, Gabriela Roibeiri como a assistente de direção, Gisa Araujo como a Primeira Atriz e Gertrudes, Gustavo Mereghi como Ator 1 e Hamlet, Lisandro Leite como Ator 2 e Rei Claudio, Marco Canonici como Ator e Polônio, Roberto Borenstein Ator 3, Romario Lopes como diretor e Zenaide Denardi como atriz stand-in. Um trio de jazz formado pelos músicos Alberto Eloy no trompete, Ana Guariglia no piano e Chico Ribas na bateria acompanha em tempo real os níveis de tenção de cada cena, interagindo a todo instante com o jogo cênico criado pelos atores.

Após a projeção um foco de luz acende no palco, um baterista anuncia: “São Paulo, manhã da estreia. Lá fora, frio e chuva”. A partir daí, as luzes se acendem e o jazz conduz a entrada dos atores no palco. Percebemos um clima de ansiedade em cada entrada, o Diretor interrompe a música e informa aos atores de uma maneira autoritária que alguma coisa ocorrida no dia anterior já foi resolvida e pede para todos se prepararem. Ao longo do ensaio as relações entre os atores e a direção vão se corroendo, instaurando uma atmosfera caótica. Os atores insatisfeitos com a situação nos revelam isso através dos “à parte” – um microfone no proscênio que serve como uma espécie de confessionário.

“A linha divisória entre ficção e realidade, e reforçadas pelo cenário, vão se diluindo e se misturando. Temos certa dificuldade para definir se as falas pronunciadas pelo elenco são deles ou dos personagens da peça Hamlet”, explica Thiago Franco Balieiro.

A partir de dados biográficos e de histórias comuns vivenciadas por outros diretores, e pelos atores da peça, o espetáculo cria três camadas de realidade, a primeira sendo ocupada pelo diretor real, a segunda camada ocupada pelo diretor ficcional e os atores em uma sala de ensaio, e a terceira camada é a montagem de Hamlet, a peça que esses mesmos atores estão apresentando.

A encenação se apoia em várias expressões artísticas, tais como o teatro, dança, projeções de vídeo, música ao vivo, OFFs e performance.

SINOPSE
Um diretor real, um diretor ficcional e os atores. As crises, as memórias, as reflexões e obsessões de um/alguns artista(s) em colapso. AVISO! Dados biográficos estarão a serviço de uma ficção. Estamos estou mentindo, não é isso! Você: O que isso me importa? Eu: Nada. Tudo! Uma montagem de Hamlet que não deu certo / que pode dar certo / ao som de jazz, esse é o “O Apocalipse de um Diretor”

ECO TEATRAL
O grupo Eco Teatral foi fundado em 2012 dentro da Escola de Arte Dramática da USP pelo diretor Thiago Franco Balieiro, desde então, realizou três espetáculos em sua trajetória, as peças SALA DE ESPERA (2012), EDGAR (2014) e HOMO PATITUR (2017). A partir de 2015, o grupo se estabelece no bairro da Luz em São Paulo e começa a desenvolver seu trabalho de pesquisa focado no desenvolvimento técnico do intérprete, ministrando cursos de treinamento corporal, pesquisas vocais, Suzuki, danças Afro e os Diálogos Teatrais (projeções de peças teatrais contemporâneas seguida de debates). Depois de sua chegada no bairro da Luz o grupo estabelece parcerias com outros grupos da região e se integra ao Movimento de Teatros Independentes de São Paulo (MOTIN).

Ficha Técnica
Apocalipse de um Diretor
Dramaturgia: Angela Ribeiro e Thiago Franco Balieiro
Direção: Thiago Franco Balieiro
Assistente de Direção: Fernanda Borella
Elenco: Alexandre Menezes, Fernanda Assef, Gabriela Roibeiri, Gisa Araujo, Gustavo Mereghi, Lisandro Leite, Marco Canonici, Roberto Borenstein, Romario Lopes e Zenaide Denardi
Músicos: Alberto Eloy, Ana Guariglia e Chico Ribas
Iluminação: Felipe Tchaça
Assistente de Iluminação: Paula da Selva
Operação de Som: Fernanda Borella
Direção Audiovisual: Santiago Paestor, Vitor D’Angelo
Elenco (vídeo produtor): Fernanda Borella e João Mazini
Figurinos: Thiago Franco Balieiro
Costureira: Vera Luz Santos Araújo
Cenário: Thiago Franco Balieiro
Designer Gráfica: Angela Ribeiro
Produção: Eco Teatral
Assessoria de Impressa: Canal Aberto (Márcia Marques | Daniele Valério)
SERVIÇO
Estreia dia 6 de abril de 2019
Temporada até 26 de maio
Sábado, às 21h, e domingo, às 19h30.
MASP – Auditório. Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01310-200. Telefone: (11) 3149-5959. (CHECAR FUNCIONAMENTO BILHETERIA E SITE PARA COMPRA ANTECIPADA)
Ingresso: R$ 50.
Duração: 120 min. Não recomendado para menores de 18 anos.
Capacidade: 374 lugares
Acesso a cadeirantes. Não tem estacionamento.

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto
Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 | 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br
http://www.ecoteatral.com
http://www.instagram.com/ecoteatral
http://www.facebook.com/eco.teatral

Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

 

Fundadora da primeira escola de sapateado do Brasil comemora 40 anos de carreira no MASP

A professora e coreógrafa Kika Sampaio. Créditos: Vivian Koblinsky

Kika Sampaio é especialista em sapateado americano

No dia 19 de abril, a Cia Kika Sampaio de Sapateado se apresenta no teatro MASP, em comemoração aos 40 anos de carreira da sapateadora e coreógrafa.

Kika Sampaio é professora, coreógrafa e diretora do Kika Tap Center, escola pioneira no Brasil, especializada em sapateado americano há 40 anos. Iniciou sua carreira dançando em várias montagens de shows com o diretor Abelardo Figueiredo, alem de ter coreografado musicais como “As Noviças”, em 1988, com direção de Wolf Maia, “Cabaret”, em 1989, com direção de Jorge Takla e “Não Fuja da Raia”, de 1991, com direção de Jorge Fernando. Também nessa época, produziu e atuou em “Chapeuzinho Vermelho no País das Maravilhas”, de Flávio de Souza e direção de Mira Haar, além de ter trabalhado em vários shows com a Traditional Jazz Band e Heart Breakers.

Na TV Globo participou como coreógrafa da Mini Série “Dercy de Verdade”. Participou do Conselho Artístico do Festival de Joinville e atua como jurada nos maiores festivais de Dança do Brasil, attualmente é curadora do Festival Jacareí in Tap (Jacareí SP) e Sring Tap (Ribeirão Preto SP).

Kika dirige a Cia Kika Sampaio de Sapateado e Grupo Experimental Kika Sampaio, ambas de sapateado americano. Entre os prêmios que ganhou na carreira está o de melhor coreógrafa pelo Prêmio Bibi Ferreira, com o musical New York New York.

Comemoração no MASP:
A Cia Kika Sampaio surgiu com o intuito de juntar os mais telentosos jovens sapateadores do Brasil.

Nas coreografias, Kika Sampaio sempre busca pela diversidade de estilos, abrindo espaço para experimentar músicas, sons, movimentações diferentes em cada criação. Assim, já passaram pela história da companhia, coreógrafos nacionais e internacionais com o intuito de manter o fôlego jovem, característico do grupo.

Em comemoração aos 40 anos de carreira de Kika Sampaio, serão apresentadas duas peças. A primeira, “Estudos para Maurice”, referência a dois gênios franceses, o compositor Maurice Ravel e o coreógrafo Maurice Béjart. Em 1961, Béjart transformou o icônico Bolero, de Ravel, em movimento para sua companhia Ballet do Século XXI, tornando-se um marco para a história da dança mundial. Com concepção de Anselmo Zolla e coreografia de Kika Sampaio a homenagem faz clara celebração à coreografia de Béjart e sua genialidade.

A segunda obra, “La Fête”, inspira-se nos anos 60 na França, para transmitir a sensação existencialista de viver e experimentar o momento. Para isso, traz-se ao palco as fases que podem acontecer durante uma festa: encontro, celebração, sedução, enfrentamento, comunhão e, claro, dança. Com música do compositor franco-libanês Ibrahim Maalouf coreografia Joao Saá

Para abrilhantar a noite, entre os atos terá a participação especial do mestre sapateador Steve Zee, referência mundial da história viva do sapateado americano.

Sobre Steve Zee:
Steve é um dos maiores mestre do sapateado do mundo, professor, músico e artista que treinou e se apresentou com os irmãos Nicholas, Gregory Hines e inúmeros outros dançarinos importantes. Ele tem ministrado aulas e se apresentado pelos Estados Unidos, Europa, América do Sul e China, Steve, tem uma palestra no Ted Talkes “O sapateado é a história da América”.

Ele é o mentor por trás da Tap Academy Online, o primeiro programa do mundo de treinamento online de sapateado. Quando em casa, em Los Angeles, Steve pode ser encontrado no Departamento de dança da CSU, Long Beach e ou ministrando aulas em vários estúdios de dança no sul da Califórnia.

Ficha técnica :
Direção Geral – Kika Sampaio
Coreógrafos: Joao de Sá, Maria Clara Laet, Gueg Côrtes e Kika Sampaio
Artista convidado – Steve Zee
Assessoria de Imprensa Leonardo Almeida
Consultoria artística – Cassia de Souza

Sapateadores
Bianca Brison
Conrado Hackmann
Duda Bateli
Duda Moura
Gisele Fretta Barros
Gueg Côrtes
Gustavo Gennari
Helo Verissimo
Isabella Grecco
Júlia Guitarrari
Luísa Capucci
Maria Clara Laet
Maria Luiza Terlizzi Rabahie
Mariana Lima
Raquel Ramos
Sofia Belinky
Teo Possatti
Thiago Brito

Serviço:
Local: Masp
Data: 19/04
Horário: 20 horas
Valor: R$ 60,00 (inteira) R$ 30,00 (Meia)

Créditos: Rodrigo Almeida

Exposição “Lucia Laguna: Vizinhança” no MASP

“Paisagem nº104 (Benfica)”, uma das obras de Lucia Laguna em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o próximo domingo, 10 de março, a exposição “Lucia Laguna: Vizinhança”, que apresenta 21 obras da produção recente da fluminense feitas entre 2012 e 2018, e que abordam os principais temas trabalhados pela artista natural de Campos dos Goytacazes: jardins, paisagens e estúdios.

As pinturas de Laguna são inseparáveis do local onde foram feitas: o ateliê-casa onde vive há 70 anos e os arredores do bairro de São Francisco Xavier, no subúrbio da zona norte do Rio de Janeiro. A artista tira a nomenclatura de cores, formas e imagens que fazem parte de suas telas. Lucia dedicou-se à pintura após se aposentar como professora de literatura portuguesa e latina, e a comparecer nos cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, nos anos 1990.

A artista procurou na janela de sua casa-ateliê, que dá vista para o Morro da Mangueira, a paisagem, os procedimentos de construção e a arquitetura da região para estabelecer sua forma de pintar. Com essas obras, Lucia Laguna propõe outra visão do subúrbio carioca, agregando sua vivência e memória. Nesta série, Laguna expande sua “vizinhança” para o espaço do museu: em uma tela realizada especialmente para esta mostra — “Paisagem nº114 (MASP)” (2018) —, a artista absorve os objetos de seu ateliê, as plantas do jardim de sua residência, elementos arquitetônicos do edifício do MASP e das obras da coleção do museu.

Em meio aos destaques estão as acrílicas e óleo sobre tela “Jardim nº32” (2015); “Paisagem nº104 (Benfica)” (foto), de 2017; e “Jardim nº39 (Manguinhos)”.

SERVIÇO:
Exposição: Lucia Laguna: Vizinhança
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 10/03/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida

Exposição “Sonia Gomes: Ainda Assim Me Lembro” no MASP

Algumas das obras da artista mineira Sonia Gomes em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Sonia Gomes: Ainda Assim Me Lembro” segue em cartaz no MASP até o próximo domingo, 10 de março, e trás pinturas e esculturas bordadas pela artista mineira de 70 anos, reconhecida aos 60 anos e vista na Bienal de Veneza de 2015. A exposição faz referência ao poetisa Maya Angelou, que lutou pelos direitos dos negros e mulheres nos Estados Unidos. A mostra acontece paralelamente na Casa de Vidro, no Instituto Lina Bo Bardi.

As obras de Sonia apresentam os desdobramentos de sua prática artística em torno da escultura que agora incorpora galhos e troncos na elaboração dos trabalhos inéditos, esses materiais enaltecem a principal série da exposição, intitulada Raiz. Retalhos de tecidos são encontrados ao acaso, ou ofertados à artista, e de cores, estampas e texturas diferentes são cortados, reconfigurados e transformados em esculturas.

Objetos do dia-a-dia como cordas, madeiras, têxteis, madeiras, utensílios como bolsas, pulseira e aflinetes são levados à produção da artista, fazendo com que ela tensione formas diversas e remeta a diferentes práticas artísticas e artesanais — tradicionais ou contemporâneas, da escultura à costura.

Na mostra, há referência ao poema “Still I Rise”, de 1978, da escritora e ativista Maya Angelou (1928-2014), conhecida pelo seu esforço em prol dos direitos civis. A poesia invoca uma noção de superação, rementendo à potência de Gomes de reiventar tanto a si própria quanto o seu trabalho. No MASP, a mostra da artista se realiza na transição entre dois ciclos de histórias.

As obras foram realizadas especialmente para esta mostra que acontece no MASP e na Casa de Vidro, resultado da parceria do museu com o Instituto Bardi. As duas instituições possuem trajetórias que se vinculam

SERVIÇO:
Exposição: Sonia Gomes: Ainda Assim Me Lembro
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 10/03/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida

Exposição “Rubem Valentim: Construções Afro-Atlânticas” no MASP

A escultura “Objeto Emblemático 12”, de Rubem Valentim, em exibição no MASP. Foto: Jorge Almeida

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta até o próximo domingo, 10 de março, a exposição “Rubem Valentim: Construções Afro-Atlânticas”, que reúne cerca de 80 trabalhos do pintor, escultor e gravador baiano Rubem Valentim (1922-1991), que tratam sobre as potências articulações envolvendo os elementos da tradição ocidental e as raízes africanas na cultura brasileira.

Rubem Valentim passou a se apropriar da linguagem da abstração geométricas a partir da década de 1950 para elaborar multifacetadas composições que redesenham e afeiçoar referências, símbolos e emblemas afro-atlânticos. Nesse processo, o artista modifica linguagens artísticas de origem europeia que foi soberana em boa parte da criação da arte no Brasil e no mundo entre os anos 1950 e 1960, resignando-as às referências africanas, especialmente por meio de diagramas e desenhos que associam os orixás aos dogmas religiosos afro-brasileiros, como o machado duplo de Xangô, as hastes de Ossaim e a flecha de Oxóssi.

O intuito da exposição foi reconhecer a importância de Valentim devidamente e recolocá-lo na história da arte brasileira e internacional. Para isso, o foco da mostra foi abordar amplamente sua produção, enfatizando as abordagens religiosas, políticas e afr-brasileiras, para além das abstrações, construtivismos e geometrias.

O período abordado na exposição vai de 1955, quando o artista assumiu suas referências ao candomblé e a cultura afro-brasileira na capital baiana, até 1978, quando termina o seu período mais fértil, artisticamente falando. Com isso, a mostra atravessa, de forma cronológica, as varias fases e locais por onde ele passou: Bahia (1949-1950), Rio de Janeiro (1957-1963), Roma (1964-1966) e Brasília (1967-1978).

Entre os destaques estão: “Emblema Relevo – Pintura 3” (1967), uma acrílica sobre madeira; “Objeto Emblemático 12” (foto), uma acrílica sobre madeira de 1969; e “Conjunto Altar Sacral Emblemático”, uma escultura de madeira da década de 1980.

SERVIÇO:
Exposição: Rubem Valentim: Construções Afro-Atlânticas
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 10/03/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida

Exposição “Acervo em Transformação” no MASP

MASP está com a exposição “Acervo em Transformação” em cartaz até sábado (16). Foto: Jorge Almeida / Arquivo

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) segue com a exposição “Acervo em Transformação” em exibição até o próximo dia 16 de fevereiro, sábado. Com foco na arte figurativa, a mostra tem uma seleção de obras da coleção do museu, que reflete na história e os interesses das primeiras aquisições da instituição por seu diretor-fundador Pietro Maria Bardi (1900-1999).

A exposição, durante a sua longa duração de exibição, permaneceu em rotineira modificação, com a entrada e saída de obras da mostra por conta de empréstimos, novas aquisições e rotatividade dos trabalhos, contrariando a praxe das exposições permanentes das coleções de outros museus. Assim, com a intenção de manter uma pinacoteca viva e dinâmica, desde 2018, o MASP promove o intercâmbio com museus do mundo inteiro.

A cada ano, o MASP apresentará uma seleção de trabalhos de uma instituição parceira nos cavaletes de cristal. Na edição inaugural, a instituição recebeu por nove meses seis pinturas da coleção da instituição londrina Tate, que possui uma das mais relevantes coleções de arte moderna e contemporânea do continente europeu. Ou seja, uma espécie de exposição dentro da exposição. Os trabalhos selecionados da Tate contém pinturas de artistas que atuaram no Reino Unido e que estão parelhos com alguns interesses do museu pela produção de artistas femininas, como Gwen John (1876-1939) e Sylvia Sleigh (1916-2010), de artistas autodidatas, como L.S. Lowry (1887-1976) e de artistas imigrantes, como Ibrahim El-Salahi, do Sudão, e do indiano Francis Newton Souza (1924-2002), além de uma obra de um dos ícones de Francis Bacon (1909-1992).

A exposição retoma o projeto expográfico de 1968, com os cavaletes de cristal, de autoria da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), que também projetou o prédio do MASP. Esses suportes transparentes, sustentados por uma base de concreto, espalhados livremente pelo monumental espaço da pinacoteca. Os trabalhos aparentam estarem suspensos no ar. Sem um roteiro predeterminado a seguir, o público tem a possibilidade para optar o próprio percurso. Para a retomada da expografia original, o escritório Metro Arquitetos Associados reconstruiu mais de cem cavaletes desenhados por Lina.

SERVIÇO:
Exposição: Acervo em Transformação
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 16/02/2019; de terça a domingo, das 10h às 18h (exceto às quintas, das 10h às 20h)
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de 10 anos e para o público em geral às terças-feiras

Por Jorge Almeida