Estreia de Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda, do coreógrafo e bailarino Wellington Duarte, do Núcleo EntreTanto

Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda. Foto de Keiny Andrade

Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda encerra o tríptico Situações de Atrito que instaura um caráter insurgente no corpo a fim de construir situações coreográficas em suas potências políticas

De julho a setembro de 2019, o coreógrafo e bailarino Wellington Duarte apresenta seu novo espetáculo de dança, Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda em diversos espaços da cidade: na Oficina Cultural Oswald de Andrade (dias 20, 22, 25, 26, 27 e 29 de julho), no Centro Cultural São Paulo (dias 02, 03, 04, 08, 09, 10, 11, 17 e 18 de agosto), no Centro Cultural Olido (dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro) e no Complexo Cultural Funarte (dias 7, 8, 13, 14 e 15 de setembro).

O espetáculo Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda estuda um corpo-substância que se desorganiza por atrito ou por motivo não identificado. Um corpo-espaço que não cabe em si, que faz cruzamentos que põem em contato signos de torção, de violência, de precipitação, de deslocamento e de necessidade cinética. O binômio dança-política é pensado através de uma invocação direta do corpo e suas capacidades, do corpo e suas potências cuja função é a de perturbar a formatação cega de gestos, hábitos e percepções. “Acreditamos que, se existe uma conexão entre arte e política, deve ser colocada em termos de dissenso, no sentido de que o dissenso produz ruptura de hábitos e comportamentos.”, afirma Wellington Duarte.

Sobre o situações coreográficas#variação3: uma coisa muda
A criação dessa terceira parte do tríptico faz parte do projeto situações coreográficas#variação3: uma coisa muda, do Núcleo EntreTanto, contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

O projeto agregou, além da criação desta nova peça, outros acontecimentos como oficinas, residência artística e a criação de quatro Gestos Coreográficos, assim denominados por seu caráter emergencial, interventivo e provocador. Para a criação dos Gestos Coreográficos foram convidados quatro coreógrafos e quatro grupos de dança contemporânea da cidade de São Paulo que, juntamente com o Núcleo EntreTanto, acionaram uma reflexão sobre o corpo contemporâneo.

O primeiro gesto, Konstituição em Segunda Instância, foi dirigido por Sandro Borelli, com o Grupo Ca.Ja; o segundo, Pulsar, Pulsar Zero, Pulse, RePulso dirigido Marcio Greyk e David Xavinho (Zumb.boys) com o Coletivo Autônomo Temporário; o terceiro, Paisagens de Passagem, dirigido por Helena Bastos, com o Núcleo Enxertia  e o quarto, GESTUS 4.13, dirigido por Daniel Kairoz,  com o Núcleo KASA.

O texto “Para os que estão no Mar…”, de Marie-José Mondzain, do livro Levantes, do filósofo francês Georges Didi-Huberman, foi eleito como principal disparador para as criações.  Segundo Didi-Huberman, “o levante seria, então, o gesto pelo qual os sujeitos desprovidos de poder manifestam – fazem surgir ou ressurgir – em si mesmos algo como uma potência fundamental (…) Levantes são, portanto, potências de ou na ausência de poder. São potências nativas, potências nascentes, sem garantias de seu próprio fim e, por isso, sem garantias de poder.”

As ações propostas para o projeto situações coreográficas#variação3: uma coisa muda, do Núcleo EntreTanto, compreenderam não somente um aprofundamento da investigação corporal, mas principalmente sua relação com a comunicação pública. A presença de um grupo diferenciado de artistas interlocutores no projeto, através dos Gestos Coreográficos, possibilitou aos estudantes, pesquisadores, artistas e público em geral ter acesso a processos de troca artística em busca de outras formas de construção dramatúrgica.

“Sentimos que o momento nos pede para somar forças, promover encontros, fomentar processos coletivos, investir na convivência comunal ao invés de traçar caminhos solitários de pesquisa. A conjuntura política e social atual traz uma urgência e uma necessidade de articular respostas estéticas e éticas a ela, como forma de resistência. Por isso mesmo, situações coreográficas#variação3: uma coisa muda tornou-se um projeto de aprendizagem que serviu, sobretudo, para refletir, ressignificar e reinventar nosso modo de estar no mundo, e consequentemente, nosso modo de criar”, concluiu Wellington.

Wellington Duarte
WELLINGTON DUARTE atua em São Paulo como diretor, bailarino e performer desde 1990 e atualmente dirige o Núcleo EntreTanto. Em sua trajetória promoveu um fazer/dizer no corpo e investiga qualidades corporais que vão além de temas pontuais. Neste contínuo fazer tem elaborado propostas experimentais da fisicalidade, conectando lógicas, pensamentos e questões insuspeitas no corpo.

Ficha Técnica
Concepção e Direção: Wellington Duarte
Intérpretes: Aline Brasil, Maria Basulto e Wellington Duarte
Intérpretes Convidados: Bia Rangel, Camila Bosso, Guma Muliterno e Richard Reis
Orientação Dramatúrgica: Donizeti Mazonas
Assistente de Direção: Rafael Costa
Desenho de Som: Daniel Fagundes
Ambientação Cenográfica e Figurinos: Eliseu Weide
Luz: Wagner Antonio
Assistente de Iluminação: Dimitri Luppi Slavov
Fotos: Keiny Andrade
Produção: Jota Rafaelli – MoviCena Produções
Assistente de Produção: Luciana Venâncio
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Realização: Núcleo EntreTanto, da Cooperativa Paulista de Teatro

Serviço
Situação de Atrito 3: Uma Coisa Muda
Duração: 60 min/ Classificação: 14 anos

Oficina Cultural Oswald de Andrade
Dias 20, 22, 25, 26, 27 e 29 de julho de 2019
Segundas, quinta e sexta, às 20h e sábados, às 18h
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro/ São Paulo
Galeria 1 – 30 lugares – Grátis
Os ingressos serão distribuídos com 1h de antecedência

CCSP – Centro Cultural São Paulo
Dias 02, 03, 04, 08, 09, 10, 11, 17 e 18 de agosto de 2019
Rua Vergueiro, 1000 – Vergueiro/ São Paulo
Quinta a sábado às 21h e Domingos, às 20h

Centro Cultural Olido
Dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro de 2019
Av. São João, 473 – Centro/ São Paulo

Complexo Cultural Funarte
Dias 7, 8, 13, 14 e 15 de setembro de 2019
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos/ São Paulo

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto
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A carioca Focus Cia de Dança estreia o premiado espetáculo Still Reich no Sesc Pompeia

Still Reich. Foto: Fernanda Vallois

A carioca Focus Cia de Dança estreia em São Paulo, no Sesc Pompeia, o espetáculo Still Reich. A curtíssima temporada será entre os dias 20 e 23 de junho, quinta e domingo, 18h, e sexta e sábado, às 21h. Idealizada pelo diretor e coreógrafo Alex Neoral, a companhia tem o patrocínio da Petrobras.

Still Reich, espetáculo mais recente da Focus, reúne em um programa único quatro peças compostas a partir de músicas do compositor contemporâneo americano Steve Reich. Inspirado pelo vigor e construções musicais de suas composições, Alex Neoral une duas obras de 2008, Pathways e Trilhas, e duas de 2018, Keta – vencedora do Prêmio Cesgranrio de Dança como melhor coreografia e com indicações a melhor bailarino/Marcio Jahú e melhor bailarina/Carolina de Sá e Wood Steps.

Alex conta que as quatro peças que integram Still Reich foram concebidas a partir do efeito da música de Steve Reich na sua criação: “São músicas minimalistas que geram uma ambiência, uma atmosfera de dança que se constrói a partir do som”, conta.

O título da obra, que em português significa ‘ainda Reich’, reforça o quanto o compositor continua inspirando Neoral. “Depois de dez anos da minha primeira criação com trilha do Steve Reich, retorno a ele”, ressalta o artista. Para Neoral, a Focus Cia de Dança assume cada vez mais uma personalidade versátil, com trabalhos muito diferentes entre si e coragem para avançar para próximas obras sem se fiar numa só linguagem ou estilo único.

“Como criador, tenho a característica de ocupar esses lugares novos e alterar o tipo de discurso que chega ao público, seja com um espetáculo criado a partir do estímulo do cinema, da música minimalista, da música clássica ou da canção brasileira”, conclui.

Sobre as quatro peças de Still Reich

Pathways, com a canção Music for Pieces of Wood, traz em sua construção uma síntese da linguagem da Focus e o desafio de criar uma obra a partir de trechos pré-existentes. Apresentado inicialmente em Stuttgart, na Alemanha, foi um trabalho elogiado pelo público e pela crítica, tendo sido remontado para o CityDance Ensemble – hoje Company E –, de Washington DC.

Trilhas é um extrato do espetáculo Ímpar, que aborda o instante e a partícula do momento que pode e muda o seguinte. Na fisicalidade, Neoral construiu a coreografia inspirado em fugas, escapadas e corridas; assim, como na música Different Trains – After the War, há traços de tensão. Ambos trabalhos já foram apresentados na Alemanha, França, Itália, Panamá, além de inúmeras cidades brasileiras.

“O espetáculo apresenta peças coreográficas que se assemelham muito com às composições de Reich, que apresentam um fascínio pela combinação, pela questão abstrata, que vira uma música, assim como as coreografias, que combinam gestos aleatórios, criando universos a partir disso, sem um assunto pré-existente” – Alex Neoral

Wood Steps traz como inspiração a vida nômade: pessoas que moram no ‘mundo’ e fazem de seus pés as suas casas. O trabalho utiliza a percussão de pés para criar ritmos e marcações para a obra Proverb de Reich, onde a escrita coreográfica ganha o solo, explorando uma movimentação pesada e inusitada, fortificando a relação com o chão que se pisa. A metáfora do sapato, que possibilita ir mais longe e nele guarda muitas histórias de quem o usa.

Keta, que significa ‘terceiro’ em Iorubá, utiliza a música Drumming, composta por Reich em uma viagem que fez à Gana, na África. Esse universo tribal e ritualístico, de alguma forma, é levado para a cena através de uma construção coreográfica veloz, viva e orgânica, mostrando corpos em sua máxima potência em um trabalho vigoroso e ao mesmo tempo humano.

Sobre a Companhia

Com 20 obras e 10 espetáculos em seu repertório, a Focus Cia de Dança se consagrou através da crítica especializada e sucesso de público. Apresentou-se em mais de 100 cidades brasileiras e levou sua arte para países como Bolívia, México, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Alemanha e Panamá. Em 2019 ganhou o 1o Prêmio Cesgranrio de Dança com a coreografia Keta do espetáculo STILL REICH. Em 2018 participou do filme Eduardo e Mônica, com lançamento previsto para 2019. Em 2017 se apresentou na última edição do Rock In Rio, ao lado de Fernanda Abreu. Em 2016 recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, maior condecoração da cultura brasileira.

Com o espetáculo As canções que você dançou pra mim, que se aproxima da marca de 300 apresentações, recebeu diversas indicações a melhor espetáculo do ano, por sua criatividade e originalidade. Em 2012 foi escolhida, através da seleção pública do Programa Petrobras Cultural, a receber o patrocínio durante três anos para desenvolvimento de suas atividades, dando início a uma parceria de manutenção que segue até hoje. Mais de 1 milhão de espectadores já se encantaram com a poesia e a capacidade técnica lapidadas nas coreografias inovadoras de Alex Neoral e nos movimentos precisos de seus bailarinos. Atualmente integram seu elenco os bailarinos Carolina de Sá, Cosme Gregory, José Villaça, Marcio Jahú, Marina Teixeira, Monise Marques, Rafael Luz e Roberta Bussoni.

FICHA TÉCNICA
Direção, Concepção, Coreografia: Alex Neoral
Direção de Produção: Tatiana Garcias
Produção Executiva: Bia Rey
Agente Internacional: Marcelo Zamora
Iluminação: Binho Schaefer
Técnico de Iluminação: Anderson Ratto
Técnico de Palco: Wellison Rodrigues
Fisioterapia: Fernando Zican
Figurinos: Alex Neoral e Mônica Burity
Visagismo: André Vital
Confecção de Figurinos: Jacira Garcias
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto | Marcia Marques
Clipping: Supernova
Fotos: Fernanda Vallois, Manu Tasca e Paula Kossatz
Programação Visual: Infinitamente Estúdio de Criação
Elenco: Carolina de Sá, Cosme Gregory, José Villaça, Marcio Jahú, Marina Teixeira, Monise Marques, Rafael Luz (stand by) e Roberta Bussoni

SERVIÇO
Still Reich
De 20 a 23 de junho de 2019
Quinta e domingo, às 18h; sexta e sábado, às 21h
Local: SESC Pompeia (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo).
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 6 (credencial plena).
Duração: 65 minutos. Classificação: 18 anos. Capacidade: 302 lugares.
Desconto de 50% na compra de até dois ingressos para os colaboradores da Petrobras (mediante apresentação do crachá) e para clientes do Cartão Petrobras (mediante apresentação do cartão)
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Mandíbula explora os vários usos da boca em performance

Cena de Mandíbula | Crédito da foto: Micaela Wernicke

Coreografia criada por Josefa Pereira e Patrícia Bergantin terá duas apresentações na Área de Convivência do Sesc Pompeia

Nos dias 28 de fevereiro e 1º de março, as coreógrafas Josefa Pereira e Patrícia Bergantin apresentam a performance de dança Mandíbula, na Área de Convivência do Sesc Pompeia. No espetáculo as artistas exploram a boca enquanto dispositivo mecânico e sensível, desviando sua produção de líquidos e de encaixe mandibular enquanto recurso visual e corporal.

O trabalho estreou em 2018, no MAM. Para a temporada que começa agora no Sesc Pompeia, as artistas se preparam para dialogar não só com o público como também com a arquitetura do espaço.

Este não é o primeiro trabalho em parceria das de Josefa e Patrícia. As artistas criaram juntas Mandíbula, Égua e Contágio; além de colaborar em projetos de diversos artistas em comum como Monstra, de Elisabete Finger e Manuela Eichner. Esta trajetória é base para Tectônica, plataforma que se dedica à prática e ao estudo das forças, processos e movimentos em dança. Além de propiciar a pesquisa e investigação de ambas, também cartografa uma constelação afetiva entre artistas interessados e interessantes, dinamizando as camadas éticas, estéticas e políticas que compõem seu fazer artístico. “Além de propiciar nossa própria pesquisa e investigação, também cartografamos uma constelação afetiva entre artistas interessados e interessantes, dinamizando as camadas éticas, estéticas e políticas que compõem nosso fazer artístico”, conta Patrícia.

Mais sobre as artistas

Josefa Pereira é performer e coreógrafa. Vive e trabalha entre São Paulo e Lisboa. Dedica-se à criação autoral desde a graduação em Comunicação das Artes do Corpo (PUC-SP), em torno de interesses como coletividade, presença e gestualidade tendo o corpo campo de tensionamento estético e político. Sua trajetória é marcada pela colaboração com diversos artistas, em cias de dança e nos coletivos Núcleo de Garagem e Ghawazee Coletivo de Ação, traçando uma das bases de seu interesse, a produção e atuação artística através de diferentes modelos de comunidade. É performer e criadora em “Monstra” com direção de Elisabete Finger e Manuela Eichner, e atualmente se dedica à estreia e circulação de seu solo “Hidebehind”(2018) e “Mandíbula” que dá andamento à parceria com a artista Patrícia Bergantin com quem criou “Égua” (2017) e a residência “Contágio”.O encontro entre as duas lança agora as bases para a “Tectônica” plataforma para a articulação e fortalecimento para seus diversos interesses artísticos.

Patrícia Bergantin é artista da dança. Bailarina e coreógrafa, tem buscado articular parcerias onde a reciprocidade seja uma ética a ser frequentada tanto na vida quanto na arte. Formada em Letras na USP, trabalha a dança enquanto campo de discurso, tendo trazido em seus últimos trabalhos a questão do feminino enquanto emergência. É articuladora da Tectônica, junto com Josefa Pereira, plataforma que propiciou a criação de “Mandíbula”, “Égua”, e “Contágio”, e que se dedica a cartografar uma constelação afetiva entre artistas interessados e interessantes, dinamizando as camadas éticas, estéticas e políticas que compõem seu fazer artístico. É performer de “Monstra” dirigida por Elisabete Finger e Manuela Eichner e também dá aulas partilhando sua prática “Corpo Antena”, onde as sensações do corpo são matéria de autoconhecimento e ponto de partida para sintonizar um viver junto menos assujeitado e mais autônomo.

SERVIÇO:
Mandíbula
(performance dança)
com Josefa Pereira e Patrícia Bergantin
Dia 28 de fevereiro e 1º de março de 2019, quinta e sexta-feira, às 20h
Área de Convivência | Grátis | Classificação indicativa: Livre

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
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Gestos Coreográficos dá início em 15/02 com ‘Konstituição em Segunda Instância’, no Espaço Kasulo

Ensaio de Konstituição em Segunda Instância, que tem direção de Sandro Borelli. Foto: Keiny Andrade

“Situações de Levante” é o mote proposto pelo bailarino e coreógrafo Wellington Duarte para a criação de Gestos Coreográficos, um projeto que agrega artistas de diversas gerações da dança de São Paulo

O livro Levantes, escrito pelo filósofo francês Georges Didi-Huberman, foi o material eleito como principal disparador da criação das ações dos Gestos Coreográficos na pesquisa sobre o corpo contemporâneo.

Quais são as possibilidades da criação de um trabalho cênico a partir do tema Situações de Levante, ou seja, os modos de atuar na área da dança em um período político pouco favorável à arte? Como confrontar os modos de criação de cada companhia a partir de um tema e desdobrar essa ação em debates, espetáculos e partilha entre os artistas? Foi a partir desses e outros questionamentos que o Núcleo EntreTanto criou a ação Gestos Coreográficos parte do projeto Situações Coreográficas#Variação 3: uma coisa muda, contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Konstituição em Segunda Instância, primeiro Gesto Coreográfico do projeto, será dirigido por Sandro Borelli com o Grupo Ca.Ja, com apresentações nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, sexta-feira à domingo, sexta e sábado as 20h e domingo as 19h, no Espaço Kasulo, sede da companhia da Cia Carne Agonizante.

Os outros artistas convidados são os coreógrafos Márcio Greyk e David Xavinho – diretores do grupo Zumbboys – e o Coletivo Autônomo Temporário (21 a 23 de março na Oficina Cultural Oswald de Andrade); a coreógrafa Helena Bastos – diretora do grupo Musicanoar – e o Núcleo Enxertia (3 a 5 de maio na Centro Cultural da Penha; e o coreógrafo Daniel Kairoz – diretor do Terreiro Coreográfico – e Núcleo KASA (31 de maio e 1º de junho na Sala Paissandu, na Galeria Olido). E uma apresentação com as quatro criações que acontece no dia 02 de junho na Sala Paissandu, na Galeria Olido.

Cada apresentação contempla um coreógrafo de trajetória consolidada na área e um grupo emergente, cujas atividades foram iniciadas nos últimos anos. Em junho haverá um encontro entre todos os participantes dos Gestos Coreográficos, com apresentações das quatro criações. O encerramento do projeto será marcado pela temporada de uma obra inédita do Núcleo EntreTanto a partir do tema que inspirou os outros grupos: Situações de Levante

Ainda sem data definida para a estreia, Wellington antecipa que a nova criação do Núcleo EntreTanto será certamente afetada pelas trocas e compartilhamentos realizados com os outros grupos. “Esses encontros também têm o objetivo de afetar o meu modo de construir, trabalhar, encontrar caminhos e refletir sobre as questões que desenvolvemos juntos nesse percurso”, afirma o bailarino, que irá participar de todos encontros dos grupos que resultarão na criação de cada gesto.

Sobre o projeto Gestos Coreográficos
Criação de coreografias a partir do tema Situações de Levante é a proposta de Wellington Duarte para discutir o corpo contemporâneo com artistas de diversas modalidades e gerações que estão em atividade na cidade de São Paulo. O livro Levantes, escrito pelo filósofo francês Georges Didi-Huberman, foi o material eleito como principal disparador da criação dos Gestos Coreográficos.

Como forma de reforço do tema proposto, os grupos também receberam uma série de indicações de filmes, vídeos, registros fotográficos de instalações de artes plásticas, fotografias históricas e textos que discutem de alguma forma “as situações de levante”.“As linguagens dos oito grupos que integram o projeto são muito diferentes entre si e a proposta é observar como cada um deles constrói a sua dramaturgia e como é possível cada um se contaminar pela criação do outro. É importante que todos estejamos próximos – os mais novos e os mais velhos – e que criemos ações conjuntas e potentes”, afirma o artista.

Um ponto de convergência importante entre os grupos é a busca por alternativas para sustentar seus trabalhos e pesquisas artísticas no contexto político atual. “Fomos todos afetados violentamente pelo desmonte, não dá para ficar indiferente”, ressalta Wellington em referência à extinção do Ministério da Cultura e redução de editais e verbas destinadas à dança em São Paulo e também no Brasil.

O bailarino também reforça as maneiras com que cada grupo promove discussões políticas em seus trabalhos. “Enquanto Sandro Borelli trabalha a temática sociopolítica de forma mais explícita, o Zumbboys aborda o conteúdo na própria concepção da companhia, inspirada pela cultura urbana e pelo hip hop”, diz.

Entre as referências compartilhadas por Wellington com os grupos, estão o quadro Le Dompteur a étémangé, do pintor francês Jean Veber; a fotografia Sculpturemouvante ou La France, do fotógrafo americano Man Ray; a instalação Rotes Band (Red Tape) do artista visual suíço Roman Signer; a série de gravuras Los Caprichos,do artista espanhol Francisco Goya; a performance PassingThroughdo artista japonês Saburo Murakami; registros fotográficos de guerra do fotojornalista francês Gilles Caron; a performance visual Conde Ferreira, do diretor cinematográfico português Paulo Abreu; o filme Zero de Conduta, do diretor surrealista francês Jean Vigo e textos da escritora e filósofa francesa Marie-José Mondzain, entre muitos outros disparadores artísticos e intelectuais sobre situações de levante.

Após cada apresentação haverá um conversa/bate papo com os integrantes dos grupos, Núcleo Entretanto e público. Toda a programação é gratuita.

Serviço
Gesto Coreográfico 1
Konstituição em segunda instância
Com Sandro Borelli (Carne Agonizante) e grupo Ca.Ja
Dias 15, 16 e 17 de fevereiro de 2019, sexta e sábado às 20h e domingo às 19h.
Local: Espaço Kasulo (Rua Souza Lima, 300 – Telefone: (011) 3666-7238 – Barra Funda)

Ficha Técnica
Coreógrafo do Konstituição em segunda instância: Sandro Borellli
Intérpretes: Aline Brasil, Bia Rangel, Camila Bosso, Donizeti Mazonas, Gustavo Muliterno, Luann Dias, Maria Basulto, Rafael Costa, Victor Pessoa e Vinicius Santi.
Produção: MoviCena Produções
Fotos: Keiny Andrade
Arte Gráfica: Fagus
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Coordenação geral do projeto: Wellington Duarte
Assistente de Direção do Projeto: Rafael Costa

Gesto Coreográfico 2
Com Márcio Greyk e David Xavinho (Zumb.boys), e Coletivo Autônomo Temporário
Dias 21, 22 e 23 de março de 2019, quinta à sábado,
Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro)

Gesto Coreográfico 3
Com Helena Bastos (Musicanoar) e Núcleo Enxertia
Dias 26, 27 e 28 de abril de 2019, sexta à domingo
Local: Centro Cultural da Penha – Largo do Rosário, 20

Gesto Coreográfico 4
Com Daniel Kairoz (diretor do Terreiro Coreográfico) e Núcleo KASA
Dias 31 de maio e 1º de junho de 2019, sexta e sábado.
Local: Sala Paissandu – Galeria Olido (Avenida São João, 473, Centro)

Apresentação dos 4 Gestos Coreográficos
Dia 2 de junho de 2019 – domingo
Local: Sala Paissandu – Galeria Olido (Avenida São João, 473, Centro)

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto
Márcia Marques | Daniele Valério
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11º Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo apresenta edição de 2018 com artistas da França, Síria, Croácia, Brasil e Portugal

Cena de “Uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings”. Foto: Jorge Gonçalves

O FCD traz três solos de Vera Mantero, artista fundamental para a Nova Dança Portuguesa

A 11ª edição do FCD – Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo celebra, a partir do dia 12 até 29 de outubro de 2018, mais de uma década de festival. Serão 18 apresentações de 9 trabalhos de artistas da França, Síria, Croácia, Brasil e Portugal. As apresentações serão no SESC 24 de Maio e no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil. Esta edição tem o patrocínio do Banco do Brasil, apoio do SESC SP e do Institut Français Paris e Institut Français du Brésil.

O FCD sempre entendeu dança como arte que inventa mundos, modulando a cada gesto, a cada fala, corpos ampliados de possibilidades perceptivas. Para tanto, o espectador deve ter o direito de acesso a práticas que estimulam suas capacidades críticas, sensíveis, relacionais e criativas. Sem partilha e fricção no encontro, não há dança.

Em tempos cada vez mais sombrios e opacos, o FCD apresenta em 2018 trabalhos com forte teor crítico que se defrontam com mundos em ruínas e especulam sobre futuros que podem ser inventados. São artistas de diversos países que compartilham a precariedade encarnada em seus corpos e investigam possibilidades de resistência e reinvenção para tantas formas de vida que estão desabando a golpes de mercado.

Nas suas 10 edições anteriores, o FCD ocupou teatros públicos e ruas no centro antigo de São Paulo, onde uma enorme população habita em condições precárias, ocupando prédios em ruínas ou as próprias ruas. Na busca da democratização do acesso à cultura, o festival congregou públicos diversos oferecendo atividades gratuitas.

Programação

O FCD tem início dia 12 de outubro no CCBB SP com a apresentação de Partituur, de Ivana Muller (Croácia/França), primeiro projeto da coreógrafa feito para crianças. Partituur (‘partitura musical’ em holandês), é um jogo coreográfico para participantes a partir dos 7 anos, interativo, onde não há espectadores e intérpretes no termo clássico da palavra, essa fronteira é radicalmente desafiada e todos os papéis mudam constantemente. Durante o Partituur, todos recebem fones de ouvido com declarações e sugestões para ajudar na criação do programa. Os participantes também têm tempo para observar os outros, posicionar-se, jogar a favor ou contra as regras. Nesse sentido, a coreografia toma forma dependendo das escolhas, reações e posições que cada partituurista toma. Dessa amálgama nasce uma dança com propostas e ideias individuais e coletivas que não se parece com nenhuma outra. Dessa forma, Partituur lança, discretamente, as bases de uma reflexão sobre o imaginário coletivo das crianças. Brincalhão e poético, oferece a cada um a chance de pensar sobre seu relacionamento consigo mesmo e com os outros.

E este ano o Festival Contemporâneo de dança traz uma programação especial focada na obra de Vera Mantero, artista fundamental para a Nova Dança Portuguesa. A artista vem ao Brasil com três solos: Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois (1991), uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings* (1996) e Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional (2012). Mantero é uma artista que procurou, desde a sua primeira criação, romper com as convenções da dança moderna. Formou-se em dança clássica, dançou no Ballet Gulbenkian, estudou em Nova Iorque e Paris, pesquisou dança contemporânea, voz e teatro. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa e já mostrou o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.

Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois, uma criação de 1991, tem um lugar importante no percurso coreográfico de Vera Mantero. É um trabalho que já percorreu mais de duas décadas e que, singularmente, continua vivo e a ser apresentado. Foi com este solo que a autora encontrou parte da sua identidade em termos de movimento, na forma de estar em cena, nos instrumentos e elementos que utiliza para criar e atuar: um corpo que não descura os gestos, as mãos, o rosto, as expressões, que as inclui porque sabe que estes elementos fazem absolutamente parte do corpo-gente. Um corpo que tenta constantemente agarrar aquilo que o atravessa, que tenta expor isso mesmo através das respostas de um corpo vibrátil, que embate contra o tempo-cadência. Um corpo que produz por vezes uma quase-fala, em sons que parecem querer ganhar contornos de palavras, em lábios que articulam palavras inaudíveis. Por que aconteceu isto a este corpo?

Em uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings* estreou em janeiro 1996 para a Homenagem a Josephine Baker uma iniciativa da Culturgest em Lisboa. Na sua visão da vida e da obra de Josephine Baker, Vera Mantero optou, nesse solo, por uma abordagem que vai para além do que se conhece da artista negra que, nos anos 20, atuava frequentemente nua ou envolta em penas de avestruz, popularizando adornos como contas, colares, pulseiras e franjas. Baker foi uma das personagens mais extraordinárias do século XX — dançarina, cantora, ativista, espiã, condecorada por Charles De Gaulle, mãe adotiva de 12 crianças de diferentes etnias, quatro casamentos e incontáveis casos. Para o programa do espetáculo, Mantero escreveu à época: “(…) Este espírito de que falo não tem vontade nenhuma de anular o corpo, nem vergonha nenhuma do seu desejo e do seu sexo, o que este espírito de que falo tem vontade de anular é a boçalidade, a assustadora burrice, a profunda ignorância, a pobreza de horizontes, o materialismo, etc. etc. (infelizmente a lista tem ar de ser longa…)”. Josephine Baker, nome artístico de Freda Josephine McDonald, foi uma célebre cantora e dançarina norte-americana, naturalizada francesa em 1937, e conhecida pelos apelidos de Vênus Negra, Pérola Negra e Deusa Crioula.

Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional é um trabalho de 2012 e foi elaborado no âmbito do Festival Encontros do Devir, em torno da desertificação/desumanização da Serra do Caldeirão, no Algarve, Portugal. Cruzando as suas próprias gravações em vídeo com trechos de filmes de Michel Giacometti, sobretudo imagens em torno de canções de trabalho, Vera Mantero lança um forte olhar sobre práticas de vida tradicionais e rurais em geral, e conhecimentos de culturas orais. Toda a peça é povoada de vozes que vêm de longe. Silêncio. A serra. Vera canta para os poucos serrenhos que permanecem. Mas não é só de música que se trata, é também da palavra e da terra; a palavra de Artaud em combustão, a palavra de Prévert martelado em jeito de poesia sonora, a palavra estranhamente familiar de Eduardo Viveiros de Castro. Com este “retrato alargado” dos Serrenhos do Caldeirão, Vera Mantero fala-nos de povos que possuem uma sabedoria na ligação entre corpo e espírito, entre quotidiano e arte. Uma sabedoria que podemos reativar.

Mithkal Alzghair é um coreógrafo sírio exilado na França e traz ao FCD seu Displacement, criado a partir de pesquisas sobre o patrimônio das tradições culturais sírias, a fisicalidade, o transe e a dinâmica das repetições. Com Displacement, Alzghair questiona o seu legado em um contexto de exílio: “A necessidade deste trabalho está relacionada com a forma como é transmitida a questão do deslocamento e da migração, da violência, dos massacres, dos conflitos e das revoluções no Médio Oriente. O meu objetivo é definir a identidade do corpo sírio, o património reconhecido, vivido e construído. (…) Através da dança, tento compreender as fontes das quais emanam as danças tradicionais, o processo de impregnação e contágio em que são construídas, tendo como base a realidade social e política que contribui para a concretização deste trabalho: a herança militar, a ditadura, os regimes autoritários, a revolução, a guerra e o deslocamento”, explica o coreógrafo.

Mithkal Alzghair é uma raridade, cuja obra está entre as sensibilidades contemporâneas europeias e suas raízes levantinas. Alzghair usa a dança do Oriente Médio chamada dabke como base da peça, a princípio sozinho, pisando ritmicamente em botas pesadas e depois como um trio. Mas a dança não mantém seu senso usual de celebração, ao invés disso Alzghair se apresenta rigidamente, olhos ocos e sem piscar. Poderia ser uma dança de desespero, uma tentativa de recordar um passado diferente ou manter um senso de identidade, e quando os três homens se movem em uníssono, o efeito é quase militar. Tudo aqui é ambíguo, como o tropo recorrente de dançarinos com os braços erguidos acima de suas cabeças, ao mesmo tempo uma jogada de dança, um pedido de ajuda e um gesto de rendição. Há, no entanto, menos ambiguidade na visão de um corpo caído no chão, com as mãos contidas atrás das costas, uma lembrança do que pode acontecer àqueles que não podem controlar ou mudar seu próprio contexto. Deslocamento é uma peça gritante, executada principalmente em silêncio, e suas imagens perduram na memória. Lyndsey Winship, Go London. Julho, 2017

Vania Vaneau, brasileira residente na França, apresenta Blanc, uma investigação sobre transe e transformação, um trabalho entre performance, concerto e dança. O solo de Vania Vaneau – acompanhada por Simon Dijoud no contrabaixo – está enraizado nas origens brasileiras do coreógrafo e no seu encontro com a cultura europeia. Com base em pesquisas sobre os rituais de transe xamânicos e afro-brasileiros, o trabalho do artista tropicalista Hélio Oiticica e o chamado movimento antropofágico, Blanc questiona a exposição do corpo ao fluxo de culturas, histórias, energia e emoções que o atravessam. Com este jogo com toques de carnaval, Vania Vaneau leva o jogo de disfarce com a ajuda de trajes coloridos para implantar no espaço as diferentes camadas de que o homem é adornado como muitas peles e máscaras.

Em 2014, Vaneau criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 criou Ornement com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni, que também está programado nessa edição do FCD. Ornement vai para as áreas de fronteira de dentro e de fora, visibilidade e sigilo, matéria e memória. Nos corpos porosos de Vania Vaneau e Anna Massoni, as linhas divisórias são borradas, perdendo-se e abrindo espaço para uma coreografia de transformação. Em constante mudança, a expressão física entre a cristalização e a liquefação torna-se um material de estados mutáveis ​​da matéria. Para essa criação, Vaneau conta que “[se concentraram] na possibilidade de uma dança conter diferentes níveis de intensidade dramática. (…) Uma continuidade entre realidade e ficção, dentro e fora, orgânico e figurativo, usamos nossos ossos, músculos, imaginação, emoções, o som e as luzes como um todo de substâncias visíveis e invisíveis. Interagindo e transformando nossos corpos como paisagens em movimento, desdobrando camadas potenciais e revelando ‘ruínas-gestos’, os restos de uma narrativa, procuramos produzir visões de um drama muito antigo.“

Leandro de Souza é formado em dança e é mestre em Artes da Cena pela Unicamp, Campinas e estudou no programa SMASH em Berlim. Nessa edição do FCD traz ao palco Sismos e Volts, um corpo movido por tremores, desequilíbrios e colisões. A partir de três acionamentos, tremores, giros e desequilíbrios, desdobrados e redimensionados corporal, imagético, temporal e espacialmente, o artista explora, por meio do trânsito entre eles, os caminhos pelos quais tem forjado seus movimentos, gestos e corporalidades. Em Sismos e Volts, o corpo se torna uma espécie de sismógrafo. O trabalho trata de forças que movem, atravessam, alimentam, exaurem, desejam e coreografam. Expõe um corpo que, mais do que se move, é movido. Propõe o fim da ideia de um eu autônomo que se constrói por si próprio, estando sempre em relação, negociando os termos de sua existência. Uma descarga elétrica, amplificação e transmutação de formas e energias.

Nina Santes (França) traz Self Made Man, um entrelaçamento de movimento, fala, canto e a implantação da cenografia em tempo real. O palco é como um canteiro de obras aberto, onde tudo é feito à vista, as construções e as desconstruções. Para ela, “o palco [é] um local para um possível artesanato, como uma oficina de fabricação exposta. Um espaço em branco dedicado ao fazer, regido por um espírito autodidata, prático e intuitivo”. Nina Santes fez sua estreia no palco como marionetista e há vestígios dela nesse trabalho que considera o corpo do intérprete – o seu – como tema de todas as metamorfoses e experimentos, um corpo que trabalha, dança, canta, fala, observa, constrói seu espaço. Self Made Man é sobre (se) construir. (Des) construir. (Re) construir. Nina mostra a prática concreta do palco, o artifício da máquina, sem tirar nada da magia contemplativa do espetáculo, o poder da imaginação. O Self Made Man pode, portanto, ser visto como a exploração da feliz e sempre renovada possibilidade de autoconstrução, como um canteiro de obras para um corpo indeterminado que ressoa em um espaço-tempo infinito, uma criação que dá substância à construção da masculinidade e à possibilidade de se reinventar para o infinito, além de qualquer forma de determinismo.

Ações Pedagógicas

Além das apresentações, o FCD propõe uma série de ações voltadas à formação e à qualificação artística que potencializam diferentes formas de diálogo. No CRD (Centro de Referência da Dança) serão realizadas quatro oficinas de criação com Vera Mantero, Nina Santes, Mithkal Alzghair e Vania Vaneau relacionadas aos trabalhos apresentados, viabilizando uma aproximação às proposições, aos processos e às práticas dos artistas convidados.

Helena Katz, crítica de dança por 40 anos nos principais jornais de São Paulo, professora e cocriadora da teoria Corpomídia, realizará uma conversa pública com Vera Mantero.

Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio, orientados por T. Angel, especialista em modificação corporal, performer e profissional da educação, entrevistam Nina Santes e Leandro de Souza.

Sonia Sobral, gestora cultural e curadora nas áreas de dança e teatro, gerente durante 17 anos do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, participará de uma conversa pública com Mithkal Alzghair.

PROGRAMAÇÃO

“Partituur” | Ivana Muller (Croácia/França)
12 e 13 de outubro, sexta e sábado, às 17h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 30 minutos | Livre
Ivana Müller é coreógrafa, artista e autora de textos. Através de seu trabalho coreográfico e teatral (performances, instalações, textos, vídeo-palestras, peças de áudio, visitas guiadas e web-works) repensa a política do espetáculo e do espetacular, revisita o lugar do imaginário e da imaginação, questiona a noção de “participação”, investiga a ideia de valor e sua representação, e continua inspirando-se na relação entre artista e espectador. Müller recebeu diversos prêmios internacionais por sua obra, e seus trabalhos têm sido apresentados na Europa, EUA e Ásia. Estudou Literatura Comparada e Francês na Universidade de Zagreb, Coreografia e Dança na SNDO em Amsterdã e Artes na Hochschule der Künste em Berlim.
Ficha técnica: concepção: Ivana Müller em colaboração com Jefta van Dinther, Sarah van Lamsweerde e Martin Kaffarnik I desenho do figurino do monstro: Liza Witte I coordenadores de performance: Albane Aubry ou Sarah van Lamsweerde I técnicos em turnê: Martin Kaffarnik ou Ludovic Rivière ou Jérémie Sananes I produção: I’M’COMPANY (Matthieu Bajolet & Gerco de Vroeg) I coprodução: Tweetakt Festival (Utrecht NL), Performing Arts Fund (NL), Ménagerie de Verre (Paris), rede Labaye, APAP, DRAC Ile-de-France/Ministério da Cultura e Comunicação da França I apoio institucional: Institut Français Paris, Institut Français du Brésil e do Consulado Geral da França em São Paulo

https://vimeo.com/35532640 | https://youtu.be/DWqyvPH2zyI (teaser)

“Blanc” | Vania Vaneau (Brasil/França)
14 e 15 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 14 anos (contém cenas de nudez)
Vania Vaneau é graduada na escola P.A.R.T.S (Bruxelas). Em 2005 recebeu a bolsa do programa Danceweb/Impulstanz em Viena, Áustria. Graduada em psicologia na Université Paris 8, realiza formação em Body Mind Centering. Como intérprete, participou de criações e apresentações de peças de Wim Vandekeybus (em 2004), Maguy Marin (de 2005 a 2012), David Zambrano (em 2013), Yoann Bourgeois (de 2014 a 2017), Christian Rizzo (a partir de 2016), entre outros. Vaneau codirige a Cia. Arrangement Provisoire com o artista Jordi Gali em Lyon, França. Em 2014 criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 Ornement, com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni.
Ficha técnica: concepção e interpretação: Vania Vaneau I realização musical: Simon Dijoud I colaboração: Jordi Galí I iluminação: Johann Maheut I produção: Cie. Arrangement Provisoire I coprodução: CCNR- Yuval Pick, Ramdam (St.Foy-les-Lyon) I apoio: Les Subsistances (Lyon), L’Animal à la Esquena (Gerone, ES), CDC Le Pacifique (Grenoble) I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Ornement” | Vania Vaneau e Anna Massoni (Brasil/França)
18 e 19 de outubro, quinta e sexta às 21h.
SESC 24 de Maio | 40 minutos | 12 anos.
Vania Vaneau é graduada na escola P.A.R.T.S (Bruxelas). Em 2005 recebeu a bolsa do programa Danceweb/Impulstanz em Viena, Áustria. Graduada em psicologia na Université Paris 8, realiza formação em Body Mind Centering. Como intérprete, participou de criações e apresentações de peças de Wim Vandekeybus (em 2004), Maguy Marin (de 2005 a 2012), David Zambrano (em 2013), Yoann Bourgeois (de 2014 a 2017), Christian Rizzo (a partir de 2016), entre outros. Vaneau codirige a Cia. Arrangement Provisoire com o artista Jordi Gali em Lyon, França. Em 2014 criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 Ornement, com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni.
Anna Massoni estudou dança contemporânea no Conservatório Nacional de Lyon (CNSMD). Em 2007, recebeu uma bolsa de estudos da Danceweb/Impulstanz de Viena. Trabalhou com Johanne Saunier e Jim Clayburgh em Bruxelas, e com a The Guests Company/Yuval Pick em Lyon. De 2011 a 2014, ingressou no Centre Chorégraphique National de Rillieux-la-Pape, sob a direção de Yuval Pick. Atualmente trabalha com Noé Soulier e também realiza o seu próprio trabalho coreográfico em colaboração com outros artistas. Formou-se em filosofia em 2010 na Universidade de Toulouse. Criou o Lieues, um espaço de pesquisa artística em Lyon, e Rodéo, uma revista multidisciplinar com outros artistas.
Ficha técnica: coreografia e dança: Vania Vaneau e Anna Massoni I luz: Angela Massoni I música: Denis Mariotte I colaboração na cenografia: Jordi Galí e Angela Massoni I colaboração: Jordi Galí, Vincent Weber, Simone Truong I produção executiva: Arrangement Provisoire I coprodução: Paris Réseau Danse (Atelier de Paris, Théâtre de l’Étoile du Nord, Studio Le Regard du Cygne, Micadanses) I apoio: Fondation Beaumarchais-SACD, Le Pacifique – CDC Grenoble, Le Vivat Scène Conventionnée (Armentières), Le Point Ephémère (Paris), Micadanses (Paris), L’échangeur – CDC Picardie, Le Gymnase – CDC Roubaix, CCN de Grenoble, Les Subsistances (Lyon), Lieues (Lyon) I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” e “uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings” | Vera Mantero (Portugal)
19 e 20 de outubro, sexta e sábado às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 12 anos.
Vera Mantero integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Em Nova York e Paris, estudou dança contemporânea, voz e teatro. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura. Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004, com Comer o Coração, criado em parceria com Rui Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o Prêmio Almada (IPAE/Ministério da Cultura Português) e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.
Ficha técnica “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois”: concepção e interpretação: Vera Mantero I cenografia: André Lepecki I desenho de luz: João Paulo Xavier I música: ’Ruby, My Dear’ de Thelonious Monk I adaptação e operação de luzes: Hugo Coelho I figurino: Vera Mantero I produção: Pós d’Arte, 1991 I itinerância: O Rumo do Fumo I apoio financeiro: Instituto da Juventude I outros apoios: Companhia de Dança de Lisboa
Ficha técnica “uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings”: concepção e interpretação: Vera Mantero I caracterização: Alda Salavisa (desenho original de Carlota Lagido) I adereços: Teresa Montalvão I luzes: João Paulo Xavier I adaptação e operação de luzes: Hugo Coelho I produção executiva: Forum Dança I itinerância: O Rumo do Fumo I apoio: Casa da Juventude de Almada, Re.al / Amascultura I produção: Culturgest, Lisboa, 1996 / “Homenagem a Josephine Baker”

“Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional”
Vera Mantero (Portugal)
21 e 22 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 14 anos (contém cenas de nudez).
Ficha técnica: concepção e interpretação: Vera Mantero I desenho de luz: Hugo Coelho I captura de imagens e elaboração de roteiro para o vídeo: Vera Mantero I edição de vídeo: Hugo Coelho I excertos vídeo da Filmografia Completa de Michel Giacometti Salir (Serra do Caldeirão), Cava da Manta (Coimbra), Dornelas (Coimbra), Teixoso (Covilhã), Manhouce (Viseu), Córdova de S. Pedro Paus (Viseu) e Portimão (Algarve) I excertos de textos de Antonin Artaud, Eduardo Viveiros de Castro, Jacques Prévert e Vera Mantero I residências artísticas: Centro de Experimentação Artística – Lugar Comum, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Câmara Municipal de Oeiras e DeVIR, CaPA, Faro I coprodução: DeVIR,CaPA I produção: O Rumo do Fumo I agradecimento: Editora Tradisom I Este projecto foi uma encomenda dos Encontros do DeVIR da DeVIR, CaPA, Faro.

“Displacement”  | Mithkal Alzghair (Síria/França)
24 e 25 de outubro, quarta e quinta às 21h.
SESC 24 de Maio | 40 minutos | 12 anos.
Mithkal Alzghair é coreógrafo e bailarino. Estudou na Síria no Higher Institute of Dramatic Art em Damasco e na França no Centre Chorégraphique National de Montpellier. Trabalhou com diversos coreógrafos, tendo colaborado com a companhia italiana In-Occula, para o projeto europeu CRACK. Criou Displacement em março de 2016, onde questiona o seu legado em um contexto de exílio. O espetáculo venceu o primeiro prêmio na competição internacional Danse Élargie, uma organização do Thêatre de la Ville de Paris e do Musée de la Danse – CCN de Rennes et de Bretagne.
Ficha técnica: coreografia : Mithkal Alzghair I interpretação: Rami Farah, Shamil Taskin, Mithkal Alzghair I colaboração na dramaturgia:  Thibaut Kaiser I desenho de luz: Séverine Rième I coprodução:  Godsbanen – Aarhus (Dinamarca), Musée de la Danse – CCN de Rennes et de Bretagne, The Foundation AFAC, Les Treize Arches – Scène Conventionnée de Brive I apoio: Centre National de la Danse – Pantin (França), Studio Le Regard du Cygne, Thêatre Louis Aragon, Scène Conventionnée Danse de Tremblay-en-France I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Sismos e Volts” | Leandro de Souza (Brasil)
Datas: 26 e 27 de outubro, sexta e sábado às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 30 minutos | 12 anos.
Leandro de Souza é formado em dança e é mestre em Artes da Cena pela Unicamp, Campinas. Estudou no programa SMASH em Berlim. Nos últimos anos tem se engajado na investigação de “Sismos e Volts”, em residências artísticas no CRD em São Paulo e na 4a e 6a edição da Plataforma Exercícios Compartilhados. Trabalhou com o Núcleo Entretanto, dirigido por Wellington Duarte e com a E² Cia de Teatro e Dança, com direção de Eliana de Santana. Participou do encontro intensivo com a artista portuguesa Vera Mantero, no Ateliê de Dudude Herrmann em Minas Gerais (2013). Criou o solo “Nunca Mais Bom Crioulo” (2010), a partir da obra “Bom Crioulo” do escritor Adolfo Caminha, apresentado no Festival Internacional de Arte Fronteras em Santiago (Chile) e no Sesc Pompeia em São Paulo (2011).
Ficha técnica: concepção e performance: Leandro de Souza I criação e operação de som: Thiago Sala | criação e luz: Eduardo Albergaria I coprodução: Plataforma Exercícios Compartilhados, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) I apoio: Centro de Referência da Dança da cidade de São Paulo (CRDSP) e Instituto de Artes da Universidade de Campinas (UNICAMP)

“Self Made Man” | Nina Santes (França)
Datas: 28 e 29 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 50 minutos | 12 anos.
Nina Santes começou sua carreira como marionetista. Fez formação em Artes Cênicas na Universidade de Paris. Em 2006, participou da Coline Formation integrando trabalhos coreográficos de Odile Duboc, Jean-Claude Galotta e Michel Kéléménis. Participou como intérprete de criações de Mylène Benoit, Myriam Gourfink, Catherine Contour, Pascal Rambert, Kevin John Normand Olivier, Laurence Pages, Hélène Cathala, Perrine Valli, Eleonore Didier e Philippe Grandrieux. Em 2010 e 2011, colaborou no projeto Transform, programa de investigação coreográfica, dirigido por Myriam Gourfink.  Criou DESASTRE com o compositor Kasper Toeplitz. Em 2013, o solo Self Made Man. Em 2015, um dueto com o coreógrafo Daniel Linehan. Em 2016, em colaboração com Célia Gondol, criou a peça A leaf, far and ever. Em 2018, Hymen hymne, projeto para cinco intérpretes. Nina Santes busca constantemente novas colaborações, entrelaçando formas artísticas, incorporando artes visuais, música e moda à sua dança.
Ficha técnica: concepção, performance: Nina Santes I cenografia: Célia Gondol I desenho de luz: Annie Leuridan I consultor musical: Thomas Terrien I consultores de trabalho vocal: Olivier Normand, Jean-Baptiste Veyret-Logerias I colaboração: Kevin Jean, Mylène Benoit I produção: La Fronde I coprodução: L’échangeur CDC Picardie, Théâtre de Vanves I suporte: CDC – Picardie, CDC – Toulouse, Micadanses, CND – Pantin , Onda, DRAC Ile-de-France, Arcadi – difusão, Spedidam I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

Ações Pedagógicas
OFICINAS DE CRIAÇÃO:
CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo
Vania Vaneau | 11 de outubro, quinta, das 10h às 17h
Vera Mantero | 18 de outubro, quinta, das 14h às 17h
Mithkal Alzghair | 23 de outubro, terça, das 10h às 14h
Nina Santes | 29 de outubro, segunda, das 10h às 17h

CONVERSAS:
Helena Katz e Vera Mantero | CCBB
21 de outubro, domingo, às 18h (após apresentação)
Sonia Sobral e Mithkal Alzghair | SESC 24 de Maio
24 de outubro, quarta, às 21h (após apresentação)
Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio e T. Angel com Leandro de Souza | CCBB
26 de outubro, sexta, às 20h (após apresentação)
Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio e T. Angel com Nina Santes | CCBB
29 de outubro, segunda, às 20h (após apresentação)

Ficha Técnica
Direção Artística: Adriana Grechi
Direção Geral: Amaury Cacciacarro Filho
Cocuradoria Internacional: Rui Silveira
Direção de Produção: Gabi Gonçalves
Direção Administrativa: Alba Roque
Coordenação Técnica: Luana Gouveia
Assistência Técnica: Cauê Gouveia
Desenho Gráfico e Vídeo: Pedro Ivo
Web Designer: Rui Silveira
Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Edição de Textos: Lucía Yáñez
Tradução: Renata Aspesi
Fotografia: Jônia Guimarães
Produção: Corpo Rastreado
Patrocínio: Governo Federal e Banco do Brasil
Apoio: SESC, Institut Français Paris, Institut Français du Brésil e do Consulado Geral da França em São Paulo, Fundação Gulbenkian Governo de Portugal
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e SESC 24 de Maio

Espaços
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 15,00
* gratuito para clientes do Banco do Brasil
Assessoria de Imprensa CCBB São Paulo
Leonardo Guarniero: leoguarniero@bb.com.br
Tel.: (11) 4298-1279

SESC 24 de Maio
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública) e R$ 9,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciados no Sesc e dependentes).

CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo
Baixos do Viaduto do Chá s/n (antiga Escola de Bailado) – Centro, São Paulo – SP

Assessoria de Imprensa:
Com Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br| daniele@canalaberto.com.br

Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

mOno_festival: em 11 dias, 10 ações artísticas entre teatro, dança, performance e música, além de um Cabaré e atividades formativas

Imagem do espetáculo teatral “Dezuó”. Foto: Cacá Bernardes

A ideia do mOno_festival vai diretamente ao encontro do pensamento que orienta a atuação do coletivo teatral 28 Patas Furiosas, que parte sempre da inventividade com recursos mínimos para produzir e pensar os seus trabalhos no mundo.

De 14 a 24 de setembro de 2018, o coletivo 28 Patas Furiosas realiza o mOno_festival – uma mostra com apresentação de trabalhos solos em diferentes linguagens. Em 11 dias de atividades, estão programados 10 espetáculos (entre dança, música, teatro e performance), além de um Cabaré de variedades, uma roda de conversa com os artistas participantes e ações formativas.

O mOno_festival nasceu de um antigo desejo do coletivo 28 Patas Furiosas de povoar seu espaço de trabalho e pesquisa, o Espaço 28, com apresentações de diferentes linguagens, para colocar em diálogo perspectivas artísticas heterogêneas, num espaço cultural descentralizado na cidade de São Paulo. A programação dessa mostra apresenta solos em temáticas plurais, com artistas convidados de diferentes nichos e gerações da cena artística de São Paulo. O eixo curatorial fez-se uma pergunta: qual o mínimo necessário para que uma ação artística aconteça? Desse mote surgiram trabalhos em suas plenitudes artísticas, potentes, que nasceram da própria precariedade do contexto cultural em que vivemos.

Não é uma mostra atrelada a uma curadoria formal, mas uma celebração da invenção diante da simplicidade e da rusticidade. Assim também está contaminado o trabalho do grupo, que ocupa um espaço alternativo e não-teatral na zona sul da cidade e ali realiza seus espetáculos. “A ideia é que o festival venha fortalecer a cena contemporânea (da qual fazemos parte), podendo mais uma vez reinventar o nosso próprio espaço, ocupando-o a partir da troca com produções e linguagens artísticas diversas.”

A ideia que fundamenta o mOno_festival é a de não limitar a programação a um único campo artístico (teatro ou dança, por exemplo), mas tentar ultrapassar os limites entre as linguagens e alcançar num mesmo espaço as perspectivas de se pensar um trabalho solo: seja na música, na dança, no teatro ou na performance.

“A atual circunstância de crise político-econômica no país faz com que os artistas busquem as mais variadas formas para viabilizar as suas criações. Nesse contexto, observamos uma proliferação de trabalhos solo nas diferentes linguagens artísticas, carentes de lugares para serem apreciados e discutidos. Com os objetivos de abrir espaço para estas obras, de aproximá-las do público e de fomentar a discussão acerca das diferentes possibilidades de criação em trabalhos solo”. Sofia Botelho

Desse modo, os espetáculos sugeridos pela curadoria para o mOno_festival tem linguagens, temáticas e pesquisas de linguagem diversificadas que de alguma forma se aproximam das buscas éticas e estéticas do 28 Patas Furiosas. A ideia é levar ao público produções artísticas que possam trazer a potência na sua simplicidade.

Teatro | Dança | Performance | Show

O mOno_festival convidou espetáculos teatrais significativos dos últimos anos da cena artística para compor sua programação.  A questão indígena aparece em Gavião De Duas Cabeças, com Andreia Duarte. A atriz morou durante cinco anos na comunidade indígena Kamayura, no Alto Xingu, em Mato Grosso. Lá, criou e organizou escolas, assessorou projetos, escreveu livros. Por meio de um olhar poético, ético e de resistência, Andreia criou o espetáculo que traz uma voz crítica à questão do genocídio indígena no Brasil.

A marginalização social é uma das temáticas de Dezuó, com o ator Edgar Castro, que aborda questões profundas sobre a condição do ser-humano frente a situações das quais não pode modificar, ressaltando a possível impotência de todos quando ocorre uma intervenção de cunho desenvolvimentista apenas do ponto de vista mercadológico.

Partindo de um conto de Hilda Hilst, OSMO tem Donizete Mazonas em cena, e a história traz um anti-herói que busca compreender a dimensão da vida e da morte. Egocêntrico, só pensa em satisfazer os seus desejos, sem a interferência de uma moral que ponha freios aos seus instintos. Contudo ele busca em seus atos de horror a transcendência estética. A subjetividade do herói expõe tudo o que ele tem de humano, e isso implica percorrer ambos os caminhos: bem e mal. No conto, assim como a vida contém a morte, o bem contém o mal para juntos comporem a dança do universo.

Baderna, com Luaa Gabanini, que tem na mestiçagem brasileira seu fio condutor, é inspirado na bailarina italiana Marietta Baderna, cujo sobrenome virou sinônimo de confusão e desordem devido às manifestações de seus admiradores ao pedirem a sua volta aos palcos, após a bailarina ser execrada socialmente por misturar o balé clássico à dança afro-brasileira lundu.

Duas performances impactantes estão programadas para o mOno_festival: Menos, de Matheus Leston e A Babá Quer Passear, com Ana Flavia Cavalcanti. A primeira, de caráter multimídia, integra música eletrônica experimental e visuais gerados por um grid de barras de LED. No centro desse grid, o artista utiliza apenas uma máquina, uma drum machine, para gerar todos os sons. A segunda é realizada pela atriz Ana Flavia Cavalcanti, que lança seu primeiro trabalho como diretora de cinema nos próximos meses, estreia uma peça no Rio em novembro e está prestes a voltar ao ar como vilã de uma série na TV aberta. Mas é essa atriz com 1,69m de altura que vai entrar vestida de branco e permanecer durante três horas num carrinho de bebê para discutir sobre essas mulheres uniformizadas, em sua maioria negras, empurrando crianças brancas.

Dois espetáculos de dança integram a mostra: Aqui É Sempre Outro Lugar, com Carolina Nóbrega, abre uma discussão sobre a diferença de velocidade entre os corpos e a quantidade de imagens e informações produzidas e divulgadas em rede pelo capitalismo. Há uma tentativa de rememorar o quanto as tecnologias de comunicação – nossas atuais redes sociais – foram produzidas para atender demandas de guerra, ou seja, demandas de extermínio em massa. Pedro Galiza, um artista transmídia que trabalha um remix de diversos fenômenos artísticos – na arte da ação (performance arte), na dança, na música e nas realidades audiovisuais, apresenta Acidentes, que investiga a identidade hacker, ligada à vida e apaixonada pela morte. Um corpo em combustão num ambiente denso, selvagem e melancólico.

Josyara é cantora, compositora, instrumentista e arranjadora natural de Juazeiro – BA. Em 2012, gravou seu primeiro disco autoral, intitulado “Uni Versos” e em agosto de 2018 lançou o disco Mansa Fúria pela Natura Musical. Josyara apresenta músicas do seu novo disco lançado em agosto de 2018, em formato voz e violão. As canções interpretadas pela artista, sejam autorais ou releituras, trazem consigo a força e a sensibilidade inerentes à sua voz, através de arranjos muito próprios, que transitam entre ritmos brasileiros de diversas regiões (principalmente do sertão) e sonoridades universais. O músico Maurício Pereira estará acompanhado por Tonho Penhasco na guitarra e no repertório, além de canções do recém lançado #outononosudeste, toca também canções dos álbuns “Pra Marte”, “Pra Onde Que Eu Tava Indo” (2014) e “Mergulhar na Surpresa”, de 1998.

Ainda, uma roda de conversa com os artistas participantes do festival e um Cabaré de variedades integram a programação do mOno_festival, que se realiza no período de 14 a 24 de setembro na cidade de São Paulo, com curadoria e realização do coletivo 28 Patas Furiosas por meio do edital PROAC 13/2017 Festivais de Artes I.

Coletivo 28 Patas Furiosas

Em 2013, o 28 Patas Furiosas instalou-se em um antigo bar na Vila Clementino que vem sendo reformado e reformulado de acordo com as necessidades artísticas do coletivo ao longo dos anos. Ali, o grupo criou e apresentou dois espetáculos (lenz, um outro e A Macieira) e atualmente prepara seu novo espetáculo, PAREDE entre a ordem e o caos, com estreia prevista para março de 2019.

O grupo desde o início compreendeu sua existência como um conjunto de ações culturais e experiências de troca entre outros artistas e coletivos que pudessem gravitar no Espaço 28. Nesse local realizou, paralelamente, diferentes ações culturais, com trocas e conexões entre outros artistas e coletivos, com diferentes atividades.

Foi assim que o grupo realizou a Ocupação Büchner – lacuna ou falha no texto original? (rodas de conversa sobre Georg Büchner em 2014 com nomes relevantes da cena teatral, que culminou na estreia de seu primeiro espetáculo, lenz, um outro); o Puxadinho 28b (uma programação paralela e independente da Bienal de SP, em 2016, que contou com debates, shows, exposição, banca de publicações independentes, além da temporada de A Macieira) e o projeto Invenções (que durante todo o primeiro semestre de 2017, trouxe ao Espaço oficinas técnicas-criativas, performances, concertos, residências artísticas e a parceria com dois outros coletivos), este último contemplado pelo ProAc Território das Artes 2016.

PROGRAMAÇÃO

Espetáculo teatral | GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS – Andreia Duarte
16/09, domingo, às 19h | 55 min | 14 anos
Sinopse: Um canto de morte convida o público a adentrar no espetáculo. Discursos reais da atualidade política brasileira são costurados pelas falas da atriz, que viveu durante cinco anos na Amazônia, com o povo Kamayura. De um lado o discurso urbano-ruralista, de outro o do índio em prol da sobrevivência e ainda o da atriz questionando o seu lugar no encontro com a alteridade. O gavião de duas cabeças – ave que devora os índios mesmo depois da morte, é a representação do capital: aquele que destrói a natureza pela ambição de um progresso desmedido e o desejo pela mercadoria. Como é possível nos colocar no lugar do outro? O que é essencial para vivermos? Uma obra de resistência poética e política, um acontecimento teatral.
Ficha técnica: Idealização e atuação: Andreia Duarte/ Direção e preparação corporal: Juliana Pautilla/ Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla/ Direção e produção de arte: Alice Stamato/ Trilha sonora original: Carlinhos Ferreira/ Criação e operação de luz: Ronei Novais/ Criação de vídeo: Natália Machiavelli e Daniel Carneiro/ Operação de som e vídeo: Juliana Pautilla/ Registro em vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo e Anderson Chocks/ Fotografia: Fernanda Procópio/ Criação gráfica: Daniel Carneiro/ Realização: Materiabruta.

Espetáculo teatral | DEZUÓ – Edgar Castro
17/09, segunda, às 20h | 65 min | Livre
Sinopse: Tendo como mote a expulsão do menino Dezuó e de sua família da Vicinal do Vinte Um, comunidade ficcional ribeirinha, motivada pela construção de uma usina hidrelétrica no Rio Tapajós, oeste do Pará, na Amazônia brasileira, a peça reconstitui a trajetória do menino-homem andarilho que após a dissolução de sua vila natal refugia-se na cidade. A trajetória memorialista do andejo Dezuó adentra as facetas adversas da cultura e das realidades do Brasil para refletir sobre a negação do direito à terra e a consequente disfunção social, fruto direto de uma política desenvolvimentista operacionalizada à margem da legalidade.
Ficha técnica: Dramaturgia: Rudinei Borges/ Direção: Patricia Gifford/ Atuação: Edgar Castro/ Direção musical/músico em cena: Juh Vieira/ Instalação cenográfica e figurinos: Telumi Hellen/ Assistente de cenografia: Andreas Guimarães/ Adereços: Clau Carmo/ Apoio técnico: Thales Alves/ Iluminação: Felipe Boquimpani e Maíra do Nascimento/ Preparação corporal e vocal: Antonio Salvador/ Projeto gráfico: Murilo Thaveira –casadalapa/ Fotografia e vídeo: Cacá Bernardes e Bruna Lessa – bruta flor filmes/ Direção de produção e assistente de figurinos: Isabel Soares/ Parceria: Casa Livre Realização -Núcleo Macabéa. Ministério da Cultura. Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014.

Espetáculo teatral | OSMO – Donizete Mazonas
23/09, domingo, às 19h |70 min | 16 anos
Sinopse: “Osmo”, um serial killer com pretensões literárias, está mergulhado na difícil e intrincada tarefa de escrever sua história, quando é interrompido pelo telefonema de uma amiga que o convida para dançar. O gatilho foi acionado. Agora seu tétrico ritual será perpetrado: sair para dançar com uma mulher, fazer amor com ela e depois assassiná-la. Osmo é um anti-herói que busca compreender a dimensão da vida e da morte. Egocêntrico, só pensa em satisfazer os seus desejos, sem a interferência de uma moral que ponha freios aos seus instintos. Contudo ele busca em seus atos de horror a transcendência estética. A subjetividade do herói expõe tudo o que ele tem de humano, e isso implica percorrer ambos os caminhos: bem e mal. No conto, assim como a vida contém a morte, o bem contém o mal para juntos comporem a dança do universo. Assim como uma dança, a narrativa vai mudando de ritmo, de tom, gradativamente. Como bem escreveu Caio Fernando Abreu numa carta para Hilst, o conto cresce: “O tom rosado do início passa para um violáceo cada vez mais denso, até explodir no negror completo, no macabro”.
Ficha técnica: Texto: Hilda Hilst/ Direção, adaptação, figurinos e trilha: Suzan Damasceno/ Concepção, adaptação, cenário e interpretação: Donizeti Mazonas/ Atriz convidada: Érica Knapp/ Designer gráfico, iluminação, operação de luz e som: Hernandes de Oliveira/ Produção executiva: Jota Rafaelli/ Realização: Núcleo Entretanto, da Cooperativa Paulista de Teatro.

Espetáculo teatral | BADERNA – Luaa Gabanini
24/09, segunda, às 20h | 60 min | 14 anos
Sinopse: É uma performance teatral baseada no uso do corpo como instrumento de comunicação áudio e visual. Inspirada na bailarina italiana Marietta Baderna – que viveu no Rio de Janeiro e por conta de seu estilo transgressor e libertário para época, seu sobrenome virou sinônimo de bagunça.
Ficha técnica: Concepção Geral: Luaa Gabanini/ Direção: Roberta Estrela D’Alva/ Atriz-dançarina: Luaa Gabanini/ Direção de arte: Bianca Turner/ Poemas de ação dramática: Claudia Schapira e Luaa Gabanini/ Direção musical: Eugênio Lima/ Percussão: Alan Gonçalves e Daniel Laino/ Direção de produção e administração: Mariza Dantas.

Performance | MENOS – Matheus Leston
*14/09, sexta feira, às 20h | GRATUITO | 50 min | Livre
Sinopse: Menos é um projeto multimídia que busca a sincronia perfeita entre som e luz. Para isso, ao invés de fazer uso de ferramentas de análise de áudio, os próprios dados numéricos que representam as ondas sonoras são utilizados como valores de luminosidade exibidos em um grid de 16 barras de led digital. Não se trata de uma representação, uma interpretação visual do som, mas sim de uma transformação direta entre os dados, o que é possível em uma linguagem digital. Através de um algoritmo próprio, uma biblioteca de sons foi gerada automaticamente, sem intervenção. Esta coletânea de áudios foi então editada, tratada, recortada e organizada de forma a construir estruturas abertas à improvisação. O grid luminoso responde a esses sons de forma automática e, já que usa dos mesmos dados, a sincronia é sempre garantida, mesmo em criações espontâneas.
Ficha técnica: Criação, execução e performance: Matheus Leston.

Performance | A BABÁ QUER PASSEAR – Ana Flavia Cavalcanti
*21/09, sexta, às 16h | GRATUITO | Imediações do Shopping Santa Cruz | 180 min | Livre
Sinopse: A performance A Babá Quer Passear quer provocar o debate sobre a invisibilidade do empregado doméstico no Brasil, em sua maioria – homens e mulheres negras. A abordagem é sobre o trabalho das babás, mas não se resume a isso. Busca-se transformar a maneira como contratamos e remuneramos os ditos “serviçais”. Refletir sobre carga-horária, salário, benefícios, formação e os limites do limpar é o grande intuito deste trabalho. E se cuidássemos de quem sempre cuida de tudo? A performer Ana Flavia Cavalcanti se veste de branco, uma alusão aos uniformes de babás, ela fica dentro do carrinho de bebê e se coloca à disposição dos transeuntes para um passeio pelas ruas da cidade. O convite é feito através de um balão branco pregado ao carrinho com os dizeres: A Babá Quer Passear. O carrinho da babá só se movimenta se alguém quiser levá-la para um passeio. Durante o passeio a performer lança algumas perguntas: O seu filho ou filha tem uma babá? Essa babá está bem? Ela já viajou de teleférico? Ela tem algum sonho? Ela conhece as Cataratas do Iguaçu? O que ela mais gosta de comer? Ela dorme bem? A sua babá, quer passear?
Ficha técnica: Concepção, direção e performer: Ana Flavia Cavalcanti

Espetáculo de dança | ACIDENTES – Pedro Galiza
15/09, sábado, às 19h | 45 min | Livre
Sinopse: ACIDENTES é uma proposta transmidiática, que manifesta-se enquanto fenômeno coreográfico, sonoro e audiovisual. O conceito do trabalho é atemático, transmutante, instável, errático e vigoroso. As questões deste trabalho reportam a uma identidade hacker, ligada à vida e apaixonada pela morte – forjada na topografia dos desvios, aclives e declives dos espaços. O corpo aqui está em combustão num ambiente denso, selvagem e melancólico. Em cumplicidade com os espectadores, este corpo existe gerando atritos entre a sua percepção física, bem como a percepção da audiência.
Ficha técnica: Criação e Dança: Pedro Galiza/ Trilha Sonora: Pedro Galiza/ Iluminação: Rodrigo Munhoz/ Agradecimentos: Rubia Braga | Adriana Grechi – Plataforma Exercícios Compartilhados | Wellington Duarte | Vera Sala | Rodrigo Munhoz | Marcio Vasconcelos | CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo

Espetáculo de dança | AQUI É SEMPRE OUTRO LUGAR – Carolina Nóbrega
22/09, sábado, às 19h30 | 40 min | 16 anos
Sinopse: Umas imagens do Youtube mostram insistentemente a máquina de guerra – suas fábricas, seus consumidores, suas polícias. Palavras correm atrás das imagens tentando legendá-las. Um corpo, lento – uma mulher? –, se arma de uns tantos objetos.
Ficha técnica: Concepção, coreografia, performance, textos e edição de vídeo: Carolina Nóbrega/ Operação de luz e som: Pedro Felício.

Show | Josyara
15/09, sábado, às 21h30 | 45 min | Livre
Mansa Fúria traz um retrato da cantora, compositora e violonista baiana em seu percurso sertão/litoral/metrópole. Nascida em Juazeiro no interior da Bahia, Josyara traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano e sua história, embaladas por um violão percussivo e potente. Se em seu disco de estreia “Uni Versos” ela apresenta suas raízes do sertão baiano, em Mansa Fúria ela escancara sua versatilidade trazendo uma voz e violão que dialogam perfeitamente com texturas eletrônicas. “Percebi que minhas canções refletem muito as águas e seus movimentos. É como meu corpo reage. Uma hora maré mansa, outra mar revolto, rio na enchente. Eu transbordo demais. Mansa Fúria também é o nome da música mais antiga do disco, tem cerca de 10 anos. E quando a escolhi vi que tinha uma força grande que ainda carrego comigo. Nela diz “por que eu quero é viver na mansidão, mansa fúria como o mar”. Em suas letras, algumas figuras têm presença forte: as frutas locais como a pinha, carambola, umbu, o árido sertão de sua terra natal, o encontro com o mar na capital soteropolitana, Yemanjá, Nanã. “É tudo muito natural. Não racionalizo muito quando estou no ápice da criação. A reflexão vem muitas vezes depois que escrevo, como um sonho que ganha significados depois que a gente acorda. Gosto de observar, contemplar com prazer as coisas que vejo beleza. Acredito que a nossa ligação com a beleza e a espiritualidade é ancestral, é esse diálogo entre a nossa natureza intuitive e o mundo exterior. Conto o que vejo cantando”.
Ficha técnica: Josyara – Voz e Violão

Show | Maurício Pereira
22/09, sábado, às 21h30 | 80 min | 10 anos
Sinopse: O músico paulistano Mauricio Pereira tem 7 discos solo gravados, todos distribuídos por Tratore e disponíveis em streaming. Suas composições tem sido gravadas por artistas como Metá Metá e Maria Gadu, entre outros. Nos anos 80 criou a banda Os Mulheres Negras com André Abujamra.Nos anos 90 foi cantor do programa Fanzine, de Marcelo Rubens Paiva, na TV Cultura, e um dos pioneiros na internet, fazendo o primeiro show brasileiro ao vivo na rede. Faz palestras e oficinas sobre música, além de produzir conteúdo para cinema, teatro e imprensa. É também ator e locutor. Tem vários shows em cartaz, tanto os de seus discos autorais, quanto em parceria com artistas como Paulo Freire, Wandi Doratiotto, Arthur de Faria, Tim Bernardes (O Terno). No show estará acompanhado por Tonho Penhasco na guitarra e no repertório, além de canções do recém lançado #outononosudeste, toca também canções dos álbuns “Pra Marte”, “Pra Onde Que Eu Tava Indo” (2014) e “Mergulhar na Surpresa”, de 1998.
Ficha técnica: Voz e saxofone: Mauricio Pereira/ Guitarra: Tonho Penhasco.

*RODA DE CONVERSA COM OS ARTISTAS PARTICIPANTES DO FESTIVAL
(Aberto ao público) | 19/09, quarta, às 20h | GRATUITO
*Cabaré | 20/09, quinta, às 20h
com Mariano Mattos (MC)
Luiza Romão | poeta
Gui Calzavara | multi-instrumentista
Lorena Pazzanese | Performance: Vetruvio
Clowndette Maria | Feira de artigos femininos

Ficha Técnica
mOno_festival, um projeto de 28 Patas Furiosas
Coordenação geral: Sofia Botelho
Assistência de coordenação: Isabel Wolfenson
Curadoria: Isabel Wolfenson, Laura Salerno e Sofia Botelho
Coordenação da Ação Formativa: Valéria Rocha
Coordenação Técnica: Wagner Antônio
Técnicos: Douglas de Amorim, Dimitri Luppi Slavov, Gustavo Viana e Marcus Garcia.
Coordenação de comunicação e redes sociais: Laura Salerno
Design Gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Marcia Marques
Registro audiovisual: Marcos Yoshi
Produção Executiva e Financeira: Iza Marie Miceli e Bia Fonseca – Nós 2 Produtoras Associadas
Realização: 28 Patas Furiosas

SERVIÇO
de 14 a 24 de setembro de 2018
Local: Espaço 28
Rua Doutor Bacelar, 1219 – Vila Clementino, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 20,00 inteira | R$ 10,00 meia
Aceita dinheiro e cartão de débito
Possui acessibilidade
Lotação: 40 lugares

Assessoria de Imprensa:
Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425 (Márcia)
marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br

Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

“Ocupação Angel Vianna” no Itaú Cultural

“Angel Vianna por Tadashi Kaminagai”, Bahia, 1952. Foto: Jorge Almeida

O Itaú Cultural promove até o próximo domingo, 29 de abril, a “Ocupação Angel Vianna”, que celebra a vida e trajetória de uma das precursoras da dança contemporânea, coreógrafa, pesquisadora e dançarina, por meio de projeções de entrevistas, vídeos, coreografias, documentos, fotos, jornais e manuscritos, que trazem a energia e a sensibilidade da artista que está prestes a completar 90 anos.

Angel Viana começou a carreira em Belo Horizonte, sua cidade-natal, ao se formar em balé clássico. E foi na capital mineira que encontrou o seu companheiro sentimental e profissional: Klaus Vianna (1928-1992), cuja parceria rendeu a primeira escola de dança e, no ramo amoroso, o filho do casal Rainer Vianna.

Após uma temporada em Salvador, na década de 1960, sempre ao lado de Klauss, Angel estabeleceu no Rio de Janeiro, onde atuou, além do balé e da coreografia, uma série de iniciativas dedicadas ao ensino da dança, como a escola e faculdade que leva o seu nome.

A exposição ainda inclui material do acervo pessoal com registros do Ballet Carlos Leite, Ballet Klauss Vianna, Teatro do Movimento, além de trabalhos de arte como duas esculturas e desenhos feitos por ela.

SERVIÇO:
Exposição: Ocupação Angel Vianna
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Paraíso
Quando: até 29/04/2018; de terça a sexta-feira, 9h às 20h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida