Raul Seixas: 40 anos de “O Dia Em Que A Terra Parou”

“O Dia Em Que A Terra Parou”: o primeiro disco de Raul Seixas lançado pela WEA

Aproveitando que hoje, 21 de agosto, completam-se 28 anos da morte de Raul Seixas, resolvamos abordar sobre os 40 anos de um dos seus mais célebres álbuns: o clássico “O Dia Em Que A Terra Parou”. Produzido por Marco Mazzola, o disco é o primeiro lançado pelo músico pela WEA e o sétimo de sua discografia solo.

E a mudança não ficou apenas em relação à gravadora, mas também com o direcionamento musical e a parceria. Assim, Raul Seixas trocou a Phillips pela WEA e optou em diversificar mais a sua musicalidade deixando um pouco de lado o misticismo que o consagrou ao lado de Paulo Coelho por um estilo mais “pés no chão” de Cláudio Roberto, e com direito a dois funks (não, por favor, não confunda com esse “funk” que faz sucesso hoje no Brasil).

O disco abre com a sensacional “Tapanacara”, um ‘funkão’ nervoso recheado de metais e muito bem acompanhado da Banda Black Rio. Suspeita-se que a letra da música seria uma resposta a seus críticos, talvez, Caetano Veloso. Na sequência, o hino raulseixista “Maluco Beleza”, em que Raul tenta “explicar” a sua loucura e tentar levar a vida em um caminho que “é tão fácil seguir, por não ter onde ir”. Foi lançado um videoclipe da música em que Raulzito aparece sem uma de suas principais marcas: o cavanhaque. Sim, ele estava de “cara limpa”. E, por causa desse hit, que o compositor passou a ser conhecido como Maluco Beleza pelo resto da vida. O terceiro tema é a faixa que dá nome ao álbum. Em que o interlocutor diz que ter sonhado que ninguém saía de casa como se fosse combinado em todo planeta, logo, poderia ser uma espécie de greve geral, afinal, naqueles tempos as greves começavam a se tornar algo corriqueiro para os trabalhadores reivindicarem seus direitos e, ao mesmo tempo, incomodar a ditadura. Para esse que vos escreve: “é a melhor música escrita em português da história”. Já em “No Fundo do Quintal da Escola“, traz um rockzinho animado em que o interlocutor confronta sua atitude com as do demais enquanto eles iam “bater uma bola” enquanto ele ia para o “fundo do quintal da escola”, mas não especifica o que foi fazer lá (fumar, talvez?). Essa foi gravada pelo Barão Vermelho no álbum-tributo a Raul Seixas “O Início, o Fim e o Meio”, de 1991. O disco chega a metade com “Eu Quero Mesmo”, em que Raul declara o seu amor ao rock e também para Gloria Vaquer, sua esposa na época.

O lado B do play começa com outra que tem status de clássico raulseixista: “Sapato 36”, cujo teor, subliminarmente, o cantor dá um esporro nos censores, que acreditaram que o conteúdo dito na letra tratava-se de um “desabafo do filho incomodado com um sapato dado pelo pai”. Posteriormente, o play segue com a lenta e lindíssima “Você“, inspirada em ritmo latino, e que ele questiona quem o ouve o porquê de seu conformismo. Enquanto isso, a igualmente espetacular “Sim” parece ser a resposta para o questionamento feito por ele na faixa anterior. A penúltima canção é “Que Luz É Essa?”, que tem a participação especial de Gilberto Gil nos arranjos. Raul Seixas pergunta sobre essa luz, que poderia ser a vinda de algum Messias, ou o fim ditadura que tanto o perseguiu, ou o fim da civilização ou o início de uma nova era?, e, para finalizar, “De Cabeça-pra-Baixo”, música que tem outra incursão de funk e aborda sobre como seria a convivência em uma cidade de ponta-cabeça, em que o teto seria usado como “capacho” e as ondas do mar iriam se quebrar no ar.

O disco fez sucesso de público, mas a crítica não gostou porque foi dito na época que o álbum não manteve o mesmo nível dos trabalhos anteriores de Raul. Sinceramente, discordo. De fato, há diferenças em relação aos últimos trabalhos de Raulzito, mas “O Dia Em Que A Terra Parou” não é inferior a eles, mas sim está no mesmo patamar.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: O Dia Em Que A Terra Parou
Intérprete: Raul Seixas
Lançamento: 1977
Gravadora: WEA
Produtor: Marco Mazzola

Raul Seixas: voz e arranjos de base
Miguel Cidras: piano e arranjos de base
Gay Vaquer (hoje Jay Anthony Vaquer) e Lee Ritenour: violão e guitarra
Hélio Delmiro e Gilberto Gil: violão
José Paulo, Chiquito Braga e Cláudio Stevenson: guitarra
Luiz Cláudio Ramos: violão de 12 cordas
Paulo César Barros, Liminha e Jamil Joanes: baixo
José Roberto Bertrami: piano
Chico Batera e Djalma Corrêa: percussão
Pedrinho Batera, Mamão, Paulinho Braga e Luiz Carlos dos Santos: bateria
Eric da Silva: arranjos de orquestra

1. Tapanacara (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
2. Maluco Beleza (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
3. O Dia Em Que A Terra Parou (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
4. No Fundo do Quintal da Escola (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
5. Eu Quero Mesmo (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
6. Sapato 36 (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
7. Você (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
8. Sim (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
9. Que Luz É Essa? (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
10. De Cabeça-Pra-Baixo (Raul Seixas / Cláudio Roberto)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 15 anos de “Past Lives”

“Past Lives”: o ao vivo “caça-níquel” do Black Sabbath que completa 15 anos neste 20 de agosto

Hoje, domingo, 20 de agosto de 2017, o álbum “Past Lives” completa 15 anos de seu lançamento. O disco é um registro ao vivo do Black Sabbath, que fora produzido pela própria banda e lançada pelo Sanctuary Records, porém, gravado originalmente na década de 1970. O material alcançou a 114ª posição na Billboard 200.

Lançado como CD duplo, o play traz no primeiro disco um material já conhecido dos fãs, que trata-se do álbum lançado anteriormente de forma não-oficial conhecido como “Live At Last”, de 1980. Enquanto o CD dois consiste em gravações feitas para o rádio e a TV e que só estavam disponíveis em ‘bootlegs’.

No CD 1, as cinco primeiras faixas foram gravadas no Hardrock, em Manchester, em 11 de março de 1973, enquanto as quatro restantes foram captadas em uma performance do quarteto (Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward) no Rainbow Theatre, em Londres, a 16 de março de 1973.

Já no CD 2, os clássicos em “Hole In The Sky”, “Symptom Of The Universe” e “Megalomania” foram registradas no Asbury Park Convention Hall, no Asbury Park, em Nova Jersey, em 6 de agosto de 1975, e, finalmente, as demais foram gravadas no Olympia Theatre, em Paris, em 20 de dezembro de 1970.

E, duas curiosidades relacionadas a esse material: originalmente, o disco se chamaria “Live In 75”. Além disso, havia um boato na época de que o álbum teria uma versão legalizada do famoso “Paris 1970”, um dos mais famosos e de melhor qualidade ‘bootleg’ do Black Sabbath.

O disco “Past Lives” contém duas versões: a standard, que contém apenas as músicas e a limitada em embalagem digipack com um pôster e uma imagem de guitarra. Além disso, no encarte do CD de 2002, o texto foi escrito por Bruce Pilato, enquanto a versão deluxe, de 2010, o texto foi assinado por Alex Milas.

Embora apresentem versões matadoras do auge do Black Sabbath, é nítido que o disco é um verdadeiro caça-níquel. Isso é notório por conta da qualidade diferenciada de cada música. Até porque, como foi lançado em 2002, época em que os integrantes da formação clássica (principalmente Ozzy Osbourne) estavam preocupados em seus projetos, o Black Sabbath estava “de molho”. Momento mais que oportuno para lançar um material como este.

Mas para o deleite dos fãs da banda de Birmingham (e do Heavy Metal), os clássicos sabáticos estavam todos lá: “Tomorrow’s Dream”, “Sweet Leaf”, “Snowblind”, “Children Of The Grave”, “Paranoid”, “War Pigs”, entre outros, deixam qualquer material dessas bandinhas de hoje ‘no chinelo’. Destaque também para as surpreendentes “Cornucopia” e “Wicked World”. No CD 2, mais petardos que nos deixa mais revigorantes em escutá-los: “N.I.B.”, “Black Sabbath”, “Symptom Of The Universe”, “Iron Man”, “Fairies Wear Boots” e “Behind The Wall Of Sleep” sendo executados com a banda em plena forma. Com Ozzy errando as letras, Tony Iommi com a sua guitarra apresentando um desfiladeiro de riffs matadores e a cozinha de Bill Ward e Geezer Butler massacrante.

Apesar de trazer um encarte bem informativo, com muitas fotos interessantes, o material pode não conter nenhuma novidade, por exemplo, para quem já tenha o citado “Live At Last” e pior ainda se tiver algum “piratão” do Sabbath dos anos 1970 e que, em caso de triste coincidência, trazer essas mesmas faixas. Mas o produto ficou bem feito.

De fato, pode até ser um produto caça-níquel, lançado só para arrecadar dinheiro e o escambau. Mas só pelo fato de trazer uma performance arrasadora do Black Sabbath em seu auge já vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Past Lives
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 2017
Gravadora: Sanctuary
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz
Tony Iommi: guitarra
Geezer Butler: baixo
Bill Ward: bateria

CD 1:
1. Tomorrow’s Dream (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Sweet Leaf (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Killing Yourself To Live (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Cornucopia (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Snowblind (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Children Of The Grave (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Ward Pigs (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Wicked World (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Paranoid (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
CD 2:
1. Hand Of Doom (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Hole In The Sky (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Symptom Of The Universe (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Megalomania (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Iron Man (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Black Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. N.I.B. (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Behind The Wall Of Sleep (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Fairies Wear Boots (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

The Clash: 35 anos de “Combat Rock”

“Combat Rock”: o último álbum do Clash lançado com a formação clássica

No dia 14 de maio desse ano, o quinto álbum do The Clash completou 35 anos de lançamento. Trata-se do clássico “Combat Rock”, que foi gravado entre setembro de 1981 e janeiro de 1982 no Ear Studios, em Londres, e também no Electric Lady Studios, em Nova York, e em Warnford. A produção foi feita pela própria banda em conjunto com Glyn Johns. Curiosamente, foi o último trabalho da banda a conter com a sua formação clássica: Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon.

Depois do álbum triplo “Sandinista!” (1980), Jpe Strummer, vocalista e guitarrista, sentiu que o grupo estava “à deriva” de forma criativa. O baixista Paul Simonon concordou com a insatisfação de Strummer com o profissionalismo “chato” para com a banda aplicada pelos então gerentes da Blackhill Enterprises. Então, os dois convenceram Jones e Headon a restabelecer o gerente original do grupo, Bernie Rhodes, em fevereiro de 1981, na tentativa de restaurar o “caos” e a “energia anárquica” dos primeiros dias do Clash. Embora a decisão não foi vista com bom olhos por Mick Jones, que já estava, progressivamente, se isolando dos companheiros.

As sessões iniciais de gravação do tiveram início em Londres, entre setembro e dezembro de 1981, mas o grupo se mudou para Nova York em janeiro de 1982 para continuar as sessões no Electric Lady Studios, onde haviam gravado o álbum anterior – “Sandinista!” (1980). Durante o processo de gravação e mixagem, o álbum tinha o título inicial de “Rat Patrol From Fort Bragg”. Na estadia em Nova York, Mick Jones morava com a sua namorada da época, Ellen Foley, enquanto os demais ficaram hospedados no Iroquois Hotel na West 44th Street, edifício famoso por ter sido moradia do ator James Dean durante dois anos no começo da década de 1950.

Depois de terminar as sessões de gravação de Nova York em dezembro de 1981, a banda retornou a Londres, onde passou a maior parte de janeiro de 1982. Entre janeiro e março, o Clash embarcou em uma turnê de seis semanas no Japão, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Tailândia. Durante esta excursão, a fotografia da capa do álbum foi retratada por Pennie Smith na Tailândia em março de 1982.

Após essa tour pelo extremo Oriente, a banda voltou a capital inglesa em março do mesmo ano para conferir o material gravado em NYC três meses antes. Ao todo, foram gravadas 18 músicas, material suficiente para lançar como álbum duplo, o que não era nenhuma novidade para o The Clash, já que lançara os LPs “London Calling” (1979) neste formato e o já citado triplo “Sandinista!” (1980).

No entanto, o grupo discutiu quantas faixas deveria fazer parte do tracklist do novo álbum e quanto tempo as mixagens das músicas deveriam ter. Mick Jones defendeu a preferência do disco duplo com mixagens mais longas e mais dinâmicas. Todavia, os outros integrantes argumentaram serem a favor de um disco único, com músicas mais curtas. Essa disputa interna criou uma tensão dentro da banda, especialmente com Jones, que foi “voto vencido”.

Por sugestão do gerente Bernie Rhodes, o produtor e engenheiro Glyn Johns foi contratado para remixar o álbum. O trabalho aconteceu no estúdio de jardim de Johns em Warnford. O produtor, acompanhado por Joe Strummer e Mick Jones, editou “Combat Rock”, que deixou de ser um álbum duplo de 77 minutos para um LP único com 46 minutos de duração. Isso foi feito porque houve o corte de comprimento de algumas músicas, como removendo as ‘intros’ instrumentais e ‘codas’ de músicas como “Rock The Casbah” e “Overpowered By Funk”. Além disso, os três decidiram omitir seis músicas na íntegra, deixando a contagem de 18 para 12 canções. Durante esse processo de remixagem, Strummer e Jones aproveitaram para regravar os vocais em “Should I Stay Or Should I Go?” e “Know Your Rights” e remixar as músicas com o intuito de maximizar seu impacto como singles.

Um dos temas inspirador para “Combat Rock” foi o impacto e as consequências causadas pela Guerra do Vietnã. A faixa “Straight To Hell”, por exemplo, fala sobre as crianças geradas por soldados norte-americanos a mães vietnamitas e depois abandonadas. Enquanto “Sean Flynn”, por sua vez, descreve sobre o fotoperiodista filho do ator Errol Flynn, que desapareceu em 1970, enquanto cobria a guerra. Além disso, a banda se inspirou no filme “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola, que fala sobre a Guerra do Vietnã, e lançou a música “Charlie Don’t Surf”, faixa de “Sandinista!”, que faz referência ao filme.

O declínio moral da sociedade norte-americana também é retratada no disco. Como em “Red Angel Dragnet”, que foi inspirada na morte disparatada de Frank Melvin, membro do New York The Guardian Angels, em janeiro de 1982. A música faz referência ao filme “Taxi Driver” (1973), de Martin Scorsese, e com direito a participação de Kosmo Vinyl, que gravou várias linhas de diálogo imitando a voz do personagem principal, Travis Bickle, interpretado por Robert De Niro.

Já “Ghetto Defendant”, apresenta a batida do poeta Allen Ginsberg, que interpretou a música juntamente com a banda durante os shows de Nova York em sua turnê em apoio ao disco. No final da canção, ele pode ser ouvido recitando “The Heart Sutra”, um popular mantra budista.

Já um dos dois principais hits do álbum (e da banda), “Rock The Casbah”, foi escrita por Topper Headon, com base em uma parte do piano com a qual ele estava brincando. Ao encontrar-se com os demais companheiros no estúdio, o baterista gravou as partes de bateria, piano e baixo de forma progressiva, ou seja, gravou a maior parte da própria instrumentação da música. Os outros integrantes ficaram impressionados com a gravação de Topper, porém, Strummer não se impressionou com a letra sugerida por Headon. Então, o guitarrista foi ao banheiro do estúdio e, de lá, escreveu a letra para combinar com a música. Aliás, uma das teorias sobre a origem da canção é que ela foi inspirada pelo banimento do rock no Irã após a chegada do aiatolá Khomeini ao poder. Aliás, no videoclipe da música, Terry Chimes aparece no lugar de Topper Headon, que deixara a banda um pouco antes.

Enquanto isso, Mick Jones apresentou “Should I Stay Or Should I Go?”, que arrancou rumores sobre o conteúdo da letra, que poderia ser interpretada como uma possível saída dele da banda ou do tempestuoso relacionamento de Jones com a cantora Ellen Folley, mas que o próprio negou de tratar de alguém em específico, mas sim tratar-se de uma boa música de rock e uma tentativa de escrever um clássico – e, convenhamos, conseguiu. Para fazer o backing vocal em espanhol, que foi feito por Joe Strummer e Joe Ely (cantor norte-americano do Texas), o operador de fitas, Eddie Garcia chamou a mãe que, por telefone, ouviu a letra e traduziu.

O álbum foi lançado e chegou ao segundo lugar nas paradas no Reino Unido e a sétima posição nos Estados Unidos, permanecendo 61 semanas no gráfico. E, “Combat Rock” é o disco mais vendido do The Clash, o que lhe rendeu o certificado de platina dupla, claro que boa parte se deve aos dois principais sucessos comerciais da banda: “Rock The Casbah” e “Should I Stay Or Should I Go?”.

O sucesso comercial do disco ajudou a passar despercebido o clima de tensão que vivia o The Clash. Tanto que, após o lançamento do play, a banda começou lentamente a se desintegrar: Topper Headon aumentou a ingestão de drogas, especialmente heroína e cocaína. O uso ocasional das drogas tornou-se um hábito que lhe custou cem libras por dia e prejudicou a sua saúde. O vício foi o fator que, mais tarde, inspiraria seus companheiros a demiti-lo da banda após o lançamento de “Combat Rock” – para seu lugar veio o baterista original da banda, Terry Chimes para completar a turnê. Um ano e meio depois foi a vez da dupla Strummer e Simonon expulsar Mick Jones, por conta de seu comportamento problemático e divergências musicais. Para o seu lugar, após uma série de testes, a banda contratou Nick Shepperd e Vince White, ambos com 23 anos, como guitarristas. Daí, o The Clash foi ladeira abaixo.

Vale destacar que, em 2016, saiu a versão completa e não editada de “Rat Patrol From Fort Bragg”, de forma não oficial, apesar de as versões bootleg tenham circulado por meio de canais não oficiais. Músicas como “First Night Back In London” e “Cool Confusion”, que foram descartadas no album original apareceram como B-sides de singles do play. Algumas das músicas da mixagem original apareceram no box “Clash On Broadway” (1991) e “Sound System Box Sets” (2013). Em 2012, o violinista Tymon Dogg, amigo de Joe Strummer, lançou a música “Once You Know”, que foi gravada durante as sessões de “Combat Rock” com os quatro membros do Clash como banda de apoio.

Em “Combat Rock”, o The Clash absorveu a atmosfera das vibrantes cenas de arte do hip-hop e do grafite de Nova York ao misturar funk, rock, hip-hop e reggae. Porém, a Guerra do Vietnã e a política externa dos Estados Unidos serviram de “chamariz” para o álbum. Grande disco.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Combat Rock
Intérprete: The Clash
Lançamento: 14 de maio de 1982
Gravadora: CBS / Epic
Produtores: The Clash e Glyn Johns

Joe Strummer: voz, backing vocal, guitarra, harmônica, piano
Mick Jones: guitarra, backing vocal, voz, teclados, efeitos sonoros
Paul Simonon: baixo, backing vocal e voz em “Red Angel Dragnet
Topper Headon: bateria, piano e baixo em “Rock the Casbah

Allen Ginsberg: vocal convidado em “Ghetto Defendant
Futura 2000: vocais convidados em “Overpowered by Funk
Ellen Foley: backing vocals em “Car Jamming
Joe Ely: backing vocal em “Should I Stay Or Should I Go
Tymon Dogg: piano em “Death is a Star
Tommy Mandel (creditado como Poly Mandell): teclados em “Overpowered by Funk
Gary Barnacle: saxofone em “Sean Flynn
Kosmo Vinyl: vocais em “Red Angel Dragnet

1. Know Your Rights (Strummer / Jones)
2. Car Jamming (The Clash)
3. Should I Stay Or Should I Go? (The Clash)
4. Rock The Casbah (The Clash)
5. Red Angel Dragnet (The Clash)
6. Straight To Hell (The Clash)
7. Overpowered By Funk (The Clash)
8. Atom Tan (The Clash)
9. Sean Flynn (The Clash)
10. Ghetto Defendant (The Clash)
11. Inoculated City (The Clash)
12. Death Is A Star (The Clash)

Por Jorge Almeida

 

Pink Floyd: 50 anos de “The Piper At The Gates Of Dawn”

“The Piper At The Gates Of Dawn”: o único disco do Pink Floyd a ter a presença de Syd Barrett e que apresentou a banda para o mundo

Hoje, 5 de maio, marca o 50º aniversário do álbum de estreia de uma das maiores bandas da história, o Pink Floyd. O disco “The Piper At The Gates Of Dawn” foi o início de tudo para aquele que é considerado o maior grupo da história do rock progressivo, assim como foi o único a ter a participação de seu mentor: Syd Barrett. Produzido por Norman Smith, engenheiro dos Beatles, o play foi gravado entre fevereiro e julho de 1967 no Abbey Road Studios, da EMI, em Londres.

O título do disco é baseado no conto infantil “O Vento Nos Salgueiros” (1908), de Kenneth Grahame, onde o Rato e a Toupeira, enquanto procuravam por um animal perdido, tiveram uma experiência religiosa. O flautista (the piper) é identificado com o deus grego Pan.

Os estudantes de arquitetura Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright e o estudante de arte Syd Barrett tocaram sob vários nomes de grupo desde 1962 até definirem por Pink Floyd em 1965. Em fevereiro de 1967 se tornaram músicos profissionais quando assinaram com a EMI, com uma taxa de adiantamento de £ 5.000. O primeiro single lançado, “Arnold Layne”, foi lançado em 11 de março de 1967, e causou controvérsia por abordar sobre um travesti cleptomaníanco, e que foi recusada de ser tocada pela Radio London.

Três semanas depois, um comunicado de imprensa da EMI afirmou que o grupo era “porta-vozes musicais para um novo movimento que envolve experimentação em todas as artes”. A banda voltou aos estúdios para gravar o seu segundo single: “See Emily Play”, que saiu em 18 de maio e, depois de um mês, chegou ao número seis nas paradas britânicas.

No entanto, o Pink Floyd pegou a reputação nos tabloides de compor músicas para usuários de LSD. A ilustre News Of The World, por exemplo, reportou uma história nove dias antes do início das sessões de gravações do álbum, dizendo que “o grupo Pink Floyd se especializa em ‘música psicodélica’, que é projetada para ilustrar experiências com LSD”. Ao contrário do rótulo imposto pela mídia, apenas Barrett tomava LSD.

À frente do ‘debut’ da banda, Syd Barrett, cantor, compositor e guitarrista, impôs nas onze faixas que compõem o play seu toque de arte, poesia e cor e que, juntamente com seus companheiros, construíram uma nova forma de fazer música onde armação de rima era abandonada e os solos de guitarra duravam imensamente. Além disso, as influências do grupo não se limitavam à área musical, literatura e artes também faziam parte do contexto.

As gravações tiveram início em 21 de fevereiro com seis tomadas de “Matilda Mother“, depois chamado “Matilda’s Mother“. Na semana seguinte, a banda gravou cinco tomas de “Interstellar Overdrive” e “Chapter 24“. Em 16 de março, a banda teve outro passo na gravação “Interstellar Overdrive“, na tentativa de criar uma versão mais curta, e “Flaming” (originalmente intitulado “Snowing“), que foi gravado em uma única jogada com um overdub vocal. Em 19 de março, seis tomadas de “The Gnome” foram gravadas. No dia seguinte, os integrantes gravaram  “Take Up Thy Stethoscope And Walk“, de Waters. Em 21 de março, o grupo foi convidado a assistir à gravação de “Lovely Rita”, dos Beatles. No dia seguinte, eles gravaram “The Scarecrow” em uma tomada. As próximas três faixas – “Astronomy Domine“, “Interstellar Overdrive” e “Pow R. Toc H.” – foram trabalhados extensivamente entre 21 de março e 12 de abril, tendo sido originalmente com longos instrumentais. Entre 12 e 18 de abril, a banda gravou “Percy The Rat Catcher” e uma faixa inédita chamada “She Was A Millionaire“.

Percy The Rat Catcher” recebeu overdubs em cinco sessões de estúdio e depois foi misturado no final de junho, eventualmente recebendo o nome de “Lucifer Sam“. Os créditos para a maioria do álbum é assinado unicamente à Barrett, com faixas como “Bike” que foram escritas no final de 1966 antes do início do álbum. “Bike” foi gravado em 21 de maio de 1967 e originalmente intitulado “The Bike Song“. Em junho, o crescente uso de LSD por parte de Barrett durante o projeto de gravação o deixou visivelmente debilitado.

Os fãs interpretam a relação de Syd Barrett dentro da vasta obra do Pink Floyd nas décadas seguintes com a emoção do rato na narração sobre o prazer temporário que se decompõe em amargura pela impossibilidade de senti-lo de novo.

Logo após a saída de Syd,o Pink Floyd colocou em seu lugar o melhor amigo de Barrett, seu nome: David Gilmour, que, juntamente aos demais integrantes, colocou o grupo fundado por Syd Barrett em outro patamar. Apesar de não ter participado do processo de gravação do álbum de estreia, Gilmour sempre reverencia o disco ao executar “Astronomy Domine”.

Com letras caprichosas sobre espantalhos, gnomos, um rato chamado Gerard, bicicletas e contos de fadas aliando passagens instrumentais de rock psicodélico, “The Piper…” é considerado um dos pioneiros do art rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: The Piper At The Gates Of Dawn
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 5 de agosto de 1967
Gravadoras: Columbia/EMI (Reino Unido); Tower/Capitol (EUA)
Produtor: Norman Smith

Syd Barrett: guitarras e voz
Roger Waters: baixo e voz
Richard Wright: órgão, piano, órgão Farfisa, sintetizador, violoncelo, vocais

Nick Mason: bateria e percussão
Peter Jenner: vocalizações no início de “Astronomy Domine

1. Astronomy Domine (Barrett)
2. Lucifer Sam (Barrett)
3. Matilda Mother (Barrett)
4. Flaming (Barrett)
5. Pow R. Toc H. (instrumental) (Barrett / Waters / Wright / Mason)
6. Take Up The Stethoscope And Walk (Waters)
7. Interstellar Overdrive (instrumental) (Barrett / Waters / Wright / Mason)
8. The Gnome (Barrett)
9. Chapter 24 (Barrett)
10. The Scarecrow (Barrett)
11. Bike (Barrett)

Por Jorge Almeida

The Rolling Stones: 45 anos de “Exile On Main St.”

“The Main On St.”, o único álbum de estúdio duplo lançado pelos Rolling Stones completou 45 anos em 2017

No último dia 12 de maio, um grande álbum de rock completou 45 anos de seu lançamento. O play em questão é o grandioso “Exile On Main St.”, o décimo disco de estúdio dos Rolling Stones. Produzido por Jimmy Miller, o trabalho foi gravado entre outubro de 1970 e março de 1972 no Olympic Studios, em Londres, no Nellcôte, na França e no Sunset Sound Recorders, em Los Angeles, o play foi o único disco duplo de inéditas na vasta discografia da cinquentenária banda.

No começo da década de 1970, os Rolling Stones, assim como boa parte da sociedade britânica da época, deviam mais de impostos do que podiam pagar e, em uma estratégia utilizada para burlar o governo, se auto-exilaram na França, uma vez que a permanência na Grã-Bretanha era arriscada porque poderiam ter seus patrimônios apossados pelo governo como garantia de pagamento. Assim, Mick Jagger e sua noiva Bianca se estabeleceram em Paris; enquanto Keith Richards alugou uma vila chamada Nellcôte, em Villefranche-sur-Mer, próximo a Nice. Os demais integrantes se instalaram no sul da França. E, como não conseguiram encontrar um estúdio de gravação adequado para as pretensões da banda, optaram em instalar um no porão de Nellcôte tendo como suporte a aparelhagem usada na estrutura do Rolling Stones Mobile Studio, o caminhão de gravação móvel do grupo.

Antes de gravar o disco, os Rolling Stones tinha material composto entre 1968 e 1972, porém, como terminou o contrato com Allen Klein (empresário), optaram em esperar um pouco para lançar o material para não ceder para ele, como foram forçados a fazer com “Brown Sugar” e “Wild Horses”, que entraram em “Sticky Fingers” (1971). Dessa forma, diversas canções foram aproveitadas em “Exile…”, que foram gravadas entre 1969 e 1971 no Olympico Studios e em Stargroves, casa de campo de Mick na Inglaterra, durante as sessões de gravação de “Sticky…”, o que colaborou bastante para o vasto material do disco.

Como estavam fora do circuito Reino Unido/Estados Unidos, ou seja, isolado em algum lugar da França, os Rolling Stones não tinham problemas com censura, prazos e pressões do mercado, faziam de cada sessão de gravação uma verdadeira festa regada a bebedeira e drogas e, claro, ocasionava os atrasos nas gravações. O porão onde estava sendo gravado o novo material era quente, úmido e com péssima estrutura, ou seja, tudo levava a fazer um álbum com pouca inspiração. Apesar de toda farra e dos abusos, a sensação de exílio e as condições precárias do local, os Stones transmutavam quando entravam no porão e empunhavam seus instrumentos como uma homenagem e uma declaração de amor ao Blues de raiz americano e, por incrível que pareça, resultar em uma ótima gravação de estúdio.

A música do álbum, de uma maneira geral, acabou refletindo essa sensação de exílio, de não poder voltar ao próprio país. Segundo o (agora ex) baixista Bill Wyman, o grupo, ou parte dele, ralava das oito às três. Além disso, em Nellcôte, Richards começou o hábito de usar heroína diariamente e, com isso, milhares de dólares eram gastos no consumo da nova droga por parte do guitarrista, que recebia um contingente de visitantes, entre eles Gram Parsons, Terry Southern e Marshall Chess, o administrador do novo selo da banda. E, por conta de seu comportamento, Parsons foi convidado a deixar Nellcôte, sem contar que Keith precisou fazer uma “limpa” na casa cheia de usuários de drogas após uma prensa da polícia francesa. O consumo abusivo de Richards pela heroína o impossibilitou de comparecer em muitas sessões que seguiram sendo feitas em seu porão, enquanto Jagger e Wyman não compareceram em outras por diferentes motivos, o que mudou a metodologia da banda em gravar. E foi em uma dessas situações que Keith Richards compôs uma de suas canções mais famosas, a bela “Happy”, em que ele não tinha nada para fazer no dia e, acompanhado de Bobby Keys e Jimmy Muller, pegou a guitarra, tocou um riff e, juntos, editaram o material que saiu em uma descompromissada jam.

Nas sessões feitas em Nellcôte, os integrantes que consistiam em gravar o material era Keith Richards, Bobby Keys, Charles Watts, Mick Taylor, Miller (que cobriu o ausente Watts na citada “Happy” e em “Shine A Light”), e Mick Jagger. Já Wyman ficou de fora de muitas sessões por não gostar do ambiente da casa do guitarrista. Essa situação, talvez, contribuiu para o fato de o baixista ter sido creditado em apenas oito músicas do álbum lançado. As partes de contrabaixo que não foram gravadas por Wyman foram creditadas para Taylor, Richards e o baixista Bill Plummer. De acordo com o seu livro de memórias, “Stone Alone”, Bill registrou que entre os músicos haviam os que usavam livremente as drogas – Richards, Miller, Taylor, Keys e Andy Johns, engenheiro de som – e os que abstiveram em graus variados (o próprio Wyman, Jagger e Watts).

Algumas faixas foram gravadas inicialmente em Nellcôte foram levadas para o Sunset Sound Recorders, em Los Angeles, para serem finalizadas com numerosos overdubs – como as partes de piano, teclados, vocais principais e de apoio, além de guitarras e baixos adicionais -, isso entre dezembro de 1971 e maio de 1972. Em LA, algumas faixas foram recém-gravadas, como “Loving Cup” e “Torn And Frayed”, e Mick Jagger assumiu uma postura diferente do que foi na França. Mais participativo, o vocalista foi atrás de gente como os tecladistas Billy Preston e Dr. John, além dos melhores vocalistas de apoio da cidade para gravar as camadas de overdubs. E, depois de visitarem uma Igreja Protestante, Jagger e Preston tiveram a ideia de arranjarem vocais no estilo gospel em canções como “Tumbling Dice”, “Loving Cup”, “Let It Loose” e “Shine A Light”.

À medida que as sessões eram estendidas, Mick casou-se com Bianca, que pouco tempo depois deu luz à única filha do casal, Jade Jagger, em outubro de 1971. Enquanto isso, Keith Richards e sua namorada Anita Pallenberg estavam no auge do vício da heroína. Apesar de ser considerado como um dos melhores momentos musicais de Keith, “Exile…” também é visto como um espelho da visão de um cru e primitivo rockstar. Já Jagger, demonstrava um certo tédio com o submundo do rock, como expressara nas diversas entrevistas dadas no lançamento do álbum,

Consumado pelo abuso das drogas, o poder de criação de Keith foi seriamente prejudicado, o que favoreceu Jagger nos trabalhos posteriores da banda, que conduziu o grupo e motivou os companheiros a experimentar em misturar o rock com outros gêneros musicais, afastando-se do rock raiz.

Após o lançamento do disco no Reino Unido, “Exile On Main St.” se tornou um sucesso comercial de imediato e chegou ao número de vendas em diversos pontos do globo. Em seguida, a banda partiu para a sua primeira turnê norte-americana em três anos intitulada “The Rolling Stones American Tour 1972”. Entre as diversas músicas do novo álbum que foram incluídas no setlist estava “Happy”, cantada por Richards, que atingiria pouco tempo depois o “top 30” nos Estados Unidos.

Nas primeiras semanas após o lançamento, o disco duplo dos Rolling Stones levou uma “saraivada” de críticas. Coisas do tipo, “sem rumo”, “confuso” e “desagradável” foram ditas a respeito de “Exile On Main St.”. Mas o tempo, como sempre, tratou de corrigir isso e permitiu que o status do material chegasse ao patamar de obra-prima, parte disso em função da mistura de gêneros: Rock, R&B Soul, Blues, Country Music e até Gospel, enfim, o melhor “álbum maldito do mundo”.

O LP saiu com um pôster desdobrável que incluía uma série de 12 cartões postais perfuradas com uma sequência de inserções de imagens que foram clicadas por Normal Seeff, enquanto a contracapa trazia diversas fotos dos Rolling Stones. Aliás, a “misteriosa mulher” que aparece retratada no canto inferior esquerdo da capa é Chris O’Dell, assistente pessoal da banda.

E, ao longo desse quase meio século de lançamento, “Exile…” ganhou inúmeros elogios e marcou presença em diversos rankings e listas de melhores álbuns da história nos mais variados meios de comunicação, como a revista Rolling Stone que, em 1987, o colocou em terceiro lugar na lista dos 100 melhores álbuns lançados entre 1967 e 1987. Já a revista “Q” o classificou em terceiro lugar como o melhor álbum britânico lançado até hoje. E o canal VH1 colocou o disco na 22ª posição em sua eleição voltada para “Os melhores álbuns de Rock and Roll”.

O play e seu título também serviram de referência várias vezes por outros grupos. Como o Alabama 3, que intitulou o seu ‘debut’ como “Exile On Coldharbour Lane” (1997). Já o cantor e compositor indie Liz Phair batizou o seu primeiro trabalho como “Exile In Guyville” (1993). Só para citar dois exemplos.

Assim como todos os trabalhos lançados a partir de “Get Yer Ya-Ya’s Out! The Rolling Stones In Concert” (1970), “Exile Main On St.” foram remasterizados e relançados em 1994 e 2009 pela Virgin Records e Universal Records, respectivamente. Em maio de 2010, foi lançada uma caixa de luxo do álbum, com CD bônus contendo raridades, músicas inéditas e versões diferentes das faixas do álbum. Esse álbum bônus também foi disponibilizado independentemente, sob o nome de “Exile On Main St. (Rarities Edition)”, e que chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas, quase 38 anos depois de ter estado pela última semana. O feito garantiu aos Stones como os primeiros a terem um disco de estúdio relançado a aparecer no topo das paradas depois de ter sido o número um em seu primeiro lançamento.

Com muitas influências de outros gêneros musicais, “Exile On Main St.” É um grande clássico do rock, considerado por alguns críticos e fãs como um dos melhores discos da história do rock, embora tenha recebido críticas mornas no começo. O interessante é que ele faz parte de uma sequência de quatro discaços lançados por Mick Jagger e sua turma entre 1968 e 1972: “Beggar’s Banquet” (1968), “Let It Bleed” (1969), “Sticky Fingers” (1971) e ele, “Exile On Main St.”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Exile On Main St.
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 12 de maio de 1972
Gravadora: Rolling Stones Records (LP) / Virgin Records (CD) / Universal Records (CD)
Produtor: Jimmy Miller

Mick Jagger: voz (exceto em “Happy”), backing vocal, harmônica, guitarra nas faixas 5 e 16, tamborim na faixa 1 e percussão na faixa 4
Keith Richards: guitarras, backing vocal, violão, baixo nas faixas 4, 10 e 18, piano na faixa 13 e voz em “Happy
Charles Watts: bateria nas faixas 1-7, 9, 11-16 e 18; percussão na faixa 8
Bill Wyman: baixo nas faixas 1, 3, 6, 9, 12, 14-17
Mick Taylor: guitarra nas faixas 1, 3, 4, 12, 15-18, violão nas faixas 6 e 8, baixo nas faixas 5 e 7 e backing vocal na faixa 6

Nicky Hopkins: piano nas faixas 1, 2, 5, 7, 9, 11, 12, 14, 15 e 18; piano elétrico nas faixas 4, 10 e 13
Billy Preston: piano e órgão na faixa 17
Bobby Keys: sax tenor nas faixas 1-6, 9, 10, 12, 14 e 15 e maracas nas faixas 10 e 11
Jim Price: trompete nas faixas 1, 2, 5, 9, 10, 12, 14 e 15 e órgão na faixa 7
Ian Stewart: piano nas faixas 3, 6 e 16
Chris Shepard: tamborim na faixa 11
Jimmy Miller: percussão nas faixas 8, 9, 13 e 11 e bateria nas faixas 5, 10 e 17
Gram Parsons: backing vocal na faixa 6
Joe Green: backing vocal nas faixas 14 e 17
Clydie King e Venetta Fields: backing vocal nas faixas 5, 13, 14 e 17
Bill Plummer: Double bass nas faixas 2, 11, 13 e 15
Richard Washington: marimba na faixa 8
Al Perkins: pedal steel guitar na faixa 7

1. Rocks Off (Jagger / Richards)
2. Rip This Joint (Jagger / Richards)
3. Shake Your Hips (Harpo)
4. Casino Boogie (Jagger / Richards)
5. Tumbling Dice (Jagger / Richards)
6. Sweet Virginia (Jagger / Richards)
7. Torn And Frayed (Jagger / Richards)
8. Sweet Black Angel (Jagger / Richards)
9. Loving Cup (Jagger / Richards)
10. Happy (Jagger / Richards)
11. Turn On The Run (Jagger / Richards / Taylor)
12. Ventilator Blues (Jagger / Richards)
13. I Just Want To See His Face (Jagger / Richards)
14. Let Ir Loose (Jagger / Richards)
15. All Down The Line (Jagger / Richards)
16. Stop Breaking Down (Johnson)
17. Shine A Light (Jagger / Richards)
18. Soul Survivor (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Exposição “SP_Rock_70_Imagem” na Praça das Artes

Obra que homenageia o rock brasileiro dos anos 1970 na Praça das Artes. Foto: Jorge Almeida

Dentre as inúmeras atrações que a Prefeitura de São Paulo realizou na cidade no “mês do rock” está a exposição “SP_Rock_70_Imagem”, que está em cartaz até o próximo dia 31 de julho, segunda-feira, que promove uma viagem através de fotografias de bandas e capas de discos clássicos dos anos 1970. A mostra contém registros de fotógrafos como Ana Arantes, Carlos Lyra, Antonio Freitas, Hermano Penna, Flavia Lobo, Vania Toledo e Mario Luiz Thompson, entre outros.

Na exposição, o público percebe como foram surgindo bandas e estilos que influenciaram fotógrafos e artistas plásticos e visuais. Pois, eles usavam e abusavam de suas câmeras, lentes, pincéis e telas para criarem suas imagens a partir dos sons que ouviam e retribuíam suas artes para as clássicas capas dos LPs.

No cenário paulista, Rita Lee, com o seu “tal de roque enrow”, juntamente com o Tutti-Frutti, Os Mutantes, Made In Brazil, Som Nosso de Cada Dia, Joelho de Porco, Terreno Baldio, Apokalypsis, entre outros. Além de outros grandes nomes de fora do Estado como Raul Seixas, O Terço, Novos Baianos, Sá, Rodrix & Guarabira, Odair Cabeça de Poeta, e outros mais.

Esses artistas. Influenciados pela música e obra dessas bandas e artistas mencionados acima, inventaram uma outra linguagem. Com o LP, os seus 30 centímetros quadrados da capa e da contracapa, eram mais mais que suficientes para uma expressão artística e com alcance infinitamente superior ao de uma galeria de arte. Assim, transformaram as capas desses ‘bolachões’ em verdadeiras obras-primas, que podiam virar pôsteres, novas embalagens e formatos, enfim, uma revolução foi criada.

A exposição contém cerca de 100 fotografias, além de capas de LPs e compactos clássicos do rock brasileiro, como “Novo Aeon” (1975), de Raul Seixas; “Fruto Proibido” (1975), de Rita Lee & Tutti Frutti; o ‘debut’ do Secos & Molhados, de 1973; e “Jack, O Estripador” (1976), do Made In Brazil.

SERVIÇO:
Exposição:
SP_Rock_70_Imagem
Onde: Praça das Artes – Avenida São João, 281 – Centro
Quando: até 31/07/2017; de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Guns N’ Roses: 30 anos de “Appetite For Destruction”

A capa “alternativa” e a “obscena” e original de “Appetite For Destruction”: clássico do Guns N’ Roses que completa 30 anos

Nesta sexta, 21 de julho, um dos melhores álbuns de Hard Rock dos anos 1980 completa 30 anos de seu lançamento: o clássico “Appetite For Destruction”, o primeiro trabalho de estúdio do Guns N’ Roses. Gravado nos estúdios Rumbo, Take One e Can Am, ambos em Los Angeles, na Califórnia, o disco foi produzido por Mark Clink e distribuído pela Geffen Records.

Depois de terem surgido oriundos de ex-membros do Hollywood Rose e do L.A. Guns, e mais algumas alterações em sua formação, o Guns N’ Roses estreou nos palcos em junho de 1986 e, pouco tempo depois, foi lançado o EP “Live ?!*@ Like a Suicide”, pelo próprio selo UZI Suicide. Mas, antes disso, Axl Rose e companhia assinaram contrato com a Geffen Records e, a partir de então, começou a caça para um produtor para assinar o trabalho de estreia da banda. Músicos profissionais e renomados procuraram o grupo para produzi-los, entre eles, Paul Stanley, do Kiss, mas o escolhido acabou sendo o novato Mike Clink.

Depois de algumas semanas de ensaio, o grupo deu início às gravações em janeiro de 1987. O produtor Clink trabalhara 18 horas por dia na produção, especialmente na companhia de Slash para gravar as dobras de guitarra à tarde, e os vocais de Axl. Em um trabalho meticuloso, o produtor e o guitarrista passaram horas e horas regravando e reestruturando os solos de guitarra. A bateria e a percussão de Steve Adler, de acordo com o próprio, foram feitas em seis dias. Mas, os vocais de Axl levaram bastante tempo por conta do perfeccionismo do vocalista, que insistia gravá-los verso por verso, o que fez com que os demais membros desistissem de acompanhar as gravações. A gravação e produção do álbum foram orçados em US$ 370 mil.

A pegada do álbum se dá à popularidade do Hard Rock dos anos 1980, com forte influência do AC/DC e dos Rolling Stones, com guitarras em evidência em músicas recheadas de solos acompanhadas por vocais altos e distorcidos. Aclamado pela crítica, “Appetite For Destruction” foi um grande sucesso comercial e se tornou o disco de estreia mais vendido da história da música. O álbum configura constantemente nos rankings dos melhores de todos os tempos, como a presença no “100 melhores álbuns de todos os tempos” da revista Kerrang!, especial lançado em 2006 que o coloca no topo da lista. Além disso, ele está na lista dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos, assim como mundialmente, com mais de 40 milhões de cópias comercializadas até hoje.

À medida que a popularidade do álbum (e da banda) aumentava, o Guns N’ Roses era requisitado para ser atração de abertura de pesos pesados, como The Cult, Aerosmith, Alice Cooper, Iron Maiden e os Rolling Stones, e, posteriormente, encabeçando as suas próprias apresentações na “Appetite For Destruction Tour”.

O disco abre com a clássica “Welcome To The Jungle”, que fala sobre o inferno de viver na cidade grande e os perigos que ela representa para quem por lá se aventura em busca de jogos e prazer. A música foi tocada à exaustão nas rádios e o videoclipe teve alta rotação na MTV, que o exibiu pela primeira vez de madrugada. Na sequência, “It’s So Easy”, feita por Duff McKagan e West Arkeen, já falecido, e fala como as coisas se tornam tediosas quando foi facilmente conquistadas. Durante o período entre 1987 e 1993, a música foi tema de abertura nas apresentações do grupo. O terceiro tema é “Nightrain”, que homenageia a famosa marca de vinho californiana, a Night Train Express, que era bastante consumida pelos integrantes da banda, especialmente pelo baixo preço e o alto teor alcoólico em seu conteúdo. A primeira metade do primeiro solo e a intro são tocadas por Izzy Stradlin, enquanto a segunda metade do primeiro solo e o segundo solo são tocados por Slash. Posteriormente, o play segue com “Out Ta Get Me”, cujo enredo é centrado nos problemas constantes que Axl tinha com a leu em Lafayett, no Indiana. Em seguida, temos “Mr. Brownstone” que foi escrita pela dupla Slash e Izzy Stradlin, enquanto eles conversavam sobre o vício dos dois pela heroína, que também era conhecida por eles como ‘brownstone’. O álbum chega à sua metade com o petardo “Paradise City”, que, segundo Slash, foi composta na traseira de uma van alugada voltando de San Francisco. O guitarrista e o vocalista, regados a muita bebedeira, murmuravam um para o outro o refrão da música e os demais expandido os versos da música e, no final, Slash juntou tudo com o riff principal, embora alguns acreditem que a letra é referência à Los Angeles por conta de sua corrupção na época, enquanto outros creditem que Axl e Izzy se referem a Lafayette (Indiana). Particularmente, na opinião deste que vos escreve, é a melhor música dos Guns N’ Roses.

O lado B de “Appetite…” começa com “My Michelle”, que foi a única canção do álbum que Slash não utilizou a sua Gibson Les Paul, mas sim uma Gibson SG. A música foi inspirada em Michelle Young, amiga de Axl e Slash, que um dia estava com a dupla e disse que adoraria ter uma canção sobre ela foi escrita. O vocalista primeiro escreveu uma música romântica, mas desistiu e resolveu fazer algo mais ‘honesto’. No começo, os demais integrantes da banda ficaram temeroso em gravar essa nova versão, com receio de a homenageada não gostar, mas ela curtiu e aprovou a sinceridade, quando a música fala de seus vícios, a morte da mãe e o trabalho do pai na indústria pornográfica. Já em “Think About You”, escrita em volta de 1983 e 1984, por Izzy Stradlin que, de acordo com o próprio, seu título fala de “sexo, drogas, Hollywood e dinheiro”, e é um dos raros temas da banda em que ele faz o solo. A metade do lado B chega com aquela que, talvez, seja o maior clássico dos Gunners: “Sweet Child O’Mine”, com o seu famoso riff, que surgiu por “acidente”. Pois, enquanto Slash estava na sala próximo de uma lareira tocando o que seria a introdução, Izzy e Duff tocavam os acordes por trás dela. Axl, que estava no andar de cima da casa, ao ouvi-los, escreveu a letra. No dia seguinte, quando estavam no estúdio, o vocalista pediu para que tocassem novamente o que estavam tocando na noite anterior, e “tchan-ran-ran!”: foi transformada em música. A “sweet child” em questão era Erin Everly, então namorada e futura esposa de Axl, que, inclusive, ofereceu-lhe metade dos royalties por simplesmente ter sido a inspiração dele para escrever a canção. O álbum vai chegando ao fim com as medianas “You’re Crazy” e “Anything Goes”, e o gran finale vem com “Rocket Queen”, que foi um presente de uma antiga paixão de Axl, Barbi Von Greif, moça que vivia em um submundo e tinha uma banda de rock, que inicialmente recebeu o nome de Rocket Queen, mas que mudou de nome. A canção foi oferecida a Rose, que juntamente com a banda alteraram o original. No entanto, os gemidos ouvidos na música, na verdade, não é de Barbi, mas sim de uma mulher chamada Adriana Smith, antiga namorada de Steve Adler, que teve relações sexuais nos estúdios com Axl Rose, e que o áudio dessa relação foi gravada e inserida na música. Embora muitos confundem os gemidos de Adriana com o da verdadeira Rocket Queen, Barbi Von Greif. Anos depois, em entrevista à Rolling Stone, Smith revelou que Adler ficou possesso quando descobriu a gravação.

E “Appetite For Destruction” não chamou atenção apenas pela qualidade das músicas, a capa também merece uma atenção à parte. Ilustrada por Robert Williams, o desenho retrata uma mulher que supostamente teria sido vítima de um estupro, com as calcinhas abaixadas na altura dos joelhos, ao lado de seu possível algoz, um robô. No entanto, a imagem foi considerada obscena e depreciativa contra as mulheres e proibida nos Estados Unidos e alguns outros países. Assim, a ilustração foi substituída por outra que trazia um crucifixo com caricaturas de cada integrantes do grupo como se fossem caveiras, uma imagem que Axl tem tatuada em seu antebraço direito. Contudo, a capa original foi lançada normalmente em vários países, inclusive o Brasil.

Aliás, a data não passou em branco para a banda. Na véspera da data que completa 30 anos do lançamento do emblemático álbum, o grupo vai fazer uma apresentação intimista, apenas para convidados, no Apollo Theatre de Nova York. O evento será uma ação exclusiva da rede de rádios americana SiriusXM, que deverá transmitir o show.

Enfim, passados 30 anos, você pode até questionar o desempenho de Axl Rose hoje em dia e a atual formação do Guns N’ Roses, pode até ter deixado de gostar da banda, ou simplesmente não curtir mesmo o grupo, mas, não reconhecer esse trabalho dos caras é, no mínimo, incoerente. Clássicão de primeira.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Appetite For Destruction
Intérprete: Guns N’ Roses
Lançamento: 21 de julho de 1987
Gravadora: Geffen Records
Produtor: Mark Clink

Axl Rose: voz, percussão em “Welcome To The Jungle” e apito em “Paradise City
Slash: guitarra solo
Izzy Stradlin: guitarra rítmica e backing vocal
Duff McKagan: baixo e backing vocal
Steven Adler: bateria

1. Welcome To The Jungle (Rose / Slash / McKagan)
2. It’s So Easy (McKagan / Arkeen)
3. Nightrain (Stradlin / Rose / Slash / McKagan)
4. Out Ta Get Me (Stradlin / Rose)
5. Mr. Brownstone (Stradlin / Slash)
6. Paradise City (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
7. My Michelle (Stradlin / Rose)
8. Think About You (Stradlin)
9. Sweet Child O’Mine (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
10. You’re Crazy (Stradlin / Slash / Rose)
11. Anything Goes (Stradlin / Rose / Weber)
12. Rocket Queen (Rose / Slash / McKagan)

Por Jorge Almeida