The Beatles: 50 anos de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Capa do ‘cinquentão’ “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles

Sim, com um certo atraso, vamos falar sobre os 50 anos do clássico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, completados no último dia 26 de maio. Produzido por George Martin, o oitavo disco de estúdio dos Fab Four foi gravado no Abbey Road Studios e no Regent Sound Studios, ambos em Londres, entre setembro de 1966 e abril de 1967. E é considerado até hoje um divisor de águas da música pop.

Depois de passarem um bom período de férias em 1966, durante um voo de volta para Londres, em novembro daquele ano, Paul McCartney teve a ideia de criar uma canção que envolvesse uma banda militar da era Eduardiana, a qual eventualmente formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper. Assim, em fevereiro de 1967, após gravarem a canção “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o vocalista/baixista propôs aos demais integrantes que fosse lançado um LP na íntegra que concebesse um espetáculo apresentado pela banda fictícia Sgt. Pepper. Este grupo acabaria por dar-lhes liberdade para fazerem experiências musicais. Durante as gravações, os rapazes de Liverpool se esforçaram para melhorarem a qualidade da produção em relação aos trabalhos anteriores. Afinal, como já sabiam que não tocariam as canções desse novo trabalho ao vivo, optaram por uma abordagem mais experimental para as músicas, como pode ser conferida em temas como “With A Little Help From My Friends”, “Lucy In The Sky With Diamonds” e “A Day In The Life”.

Os responsáveis pelas técnicas inovadoras de gravação ficaram a cargo de Geoff Emerick (engenheiro de som) e do produtor George Martin, que incluíram a aplicação liberal da modelagem do som com processamento de sinal e o uso de orquestra com quarenta integrantes a tocarem em algumas faixas.

Assim como as músicas, a capa de “Sgt. Pepper’s Lonely…” também é icônica. Baseada em um esboço feito por Paul McCartney, a capa traz o grupo em pose em frente a uma plateia de celebridades e figuras históricas. A imagem foi criada pelos britânicos Peter Blake e Jann Haworth. A famosa colagem da capa incluiu 57 fotografias e nove trabalhos em cera que retratam uma diversidade de personalidades famosas, entre atores, esportistas, cientistas, pensadores, por exemplo, e até mesmo – a pedido de Harrison – os gurus Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar Giri e Paramahansa Yogananda da Self-Realization Fellowship. Lennon propôs a inclusão de Jesus Cristo e Adolf Hitler, mas ambas sugestões foram rejeitadas. Elvis Presley só não foi colocado na capa porque, para Paul McCartney, o Rei estava “muito acima do resto”. O custo da arte final da capa foi de cerca de £3,000 na época, considerado um valor muito acima do que os preços habituais para as capas de discos do gênero, que custavam em média £ 50.

O disco abre com a faixa-título, que começa com dez segundos de sons combinados de uma orquestra a ensaiar e de uma plateia à espera do concerto, introduzindo a ilusão do álbum como uma performance ao vivo, que também serve como uma introdução à Banda do Sargento Pimenta. McCartney atua como mestre de cerimônias no trecho próximo ao final da faixa, introduzindo Starr como um alter ego chamado Billy Shears. A canção então segue ininterruptamente para “With a Little Help from My Friends“, com o vocal barítono de Ringo Starr, enquanto John e Paul, nos backing vocal, pergutam a Starr o significado da amizade e do amor verdadeiro. Embora a faixa tenha sido banida das rádios britânicas por conta do verso “I get high with a little help from my friends“, que muitos viam isso como uma alusão às drogas. A música foi gravada por gente como Joe Cocker que, convenhamos, ficou matadora. O terceiro tema é a polêmica “Lucy In The Sky With Diamonds”, que Paul inspirou-se em um desenho feito por Julian, filho de John Lennon. A controvérsia da canção se deu ao fato de que o título tinha uma referência oculta ao LSD. No Brasil, a música ganhou uma versão em português através de Raulzito e Os Panteras, no primeiro trabalho fonográfico de Raul Seixas, de 1968. A quarta faixa do play é a otimista “Getting Better”, que é a mais psicodélica do disco. Em seguida, vem “Fixing A Hole”, que chama atenção por conta do acompanhamento da guitarra de George Harrison na faixa. A música significa o desejo de McCartney de deixar sua mente vaguear livremente e propagar sua criatividade sem o fardo de inseguranças autoconsciente. O disco segue com “She’s Leaving Home”, que aborda sobre o problema da alienação “entre pessoas discordantes”, particularmente entre grupos afetados por separações entre gerações, como a jovem que sai da casa dos pais por falta de atenção e carinho, e que deixa os progenitores perplexos pela decisão da filha porque deram “tudo o que o dinheiro pode comprar”. O lado A chega ao final com “Being For The Benefit Of Mr. Kite!”, que foi inspirada em um cartaz do circo do século 19 do Pablo Fanque Circus que Lennon havia comprado em uma loja de antiguidades em 31 de janeiro de 1967, durante as filmagens de vídeos promocionais para “Penny Lane” e “Strawberry Fields Forever” em Sevenoaks Kent. Mr. Kite é acreditado para ser William Kite, que trabalhou para Pablo Fanque 1843-1845. Apesar de ser creditada a Lennon/McCartney, John afirmara ter escrito a música sozinho enquanto Paul diz que contribuiu em algumas partes da canção. A música foi tocada ao vivo pela primeira vez em maio de 2014 durante uma apresentação de Paul McCartney no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

O lado B do disco começa com “Within You Without You“, de George Harrison, que foi inspirada em música clássica hindu e indiana. O guitarrista a escreveu depois que Martin decidira que “Only A Nothern Song” não era boa o suficiente para entrar no disco. Em seguida, o álbum traz “When I’m Sixty Four” que, originalmente, foi escrita por Paul McCartney em 1950, mas refeita pelo baixista quando seu pai completou 64 anos. Os arranjos de clarinete de Martin mais o uso das vassourinhas por Ringo estabelecem uma atmosfera de music hall, reforçada com os vocais de McCartney. O décimo tema é “Lovely Rita“, escrita e cantada por Paul, que aborda o afeto do interlocutor por uma mulher guarda de trânsito (ou seria uma moça respon´savel em cuidar do parquímetro – uma espécie de “Zona Azul” dos britânicos?). Todos, exceto Ringo, usam pente e papel para fazer sons de chocalho na música. A faixa seguinte é “Good Morning Good Morning“, que foi inspirada em um comercial de TV do produto Corn Flakes, da Kellogg’s, cujo jingle John adaptou no refrão da música. No fadeout sequenciado, a pedido de Lennon, foram inseridos uma série de sons de animais. Martin emendou o som de uma galinha a cacarejar ao final da faixa para sobrepor com uma guitarra sendo sintonizada na próxima, criando uma transição suave entre as duas músicas. A penúltima canção é “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)“, que serve como um suporte delimitador e uma transição ao ato final. A música, um característico hard rock, foi escrita após sugestão do assistente do grupo, Neil Aspinall, já que a música original, que inicia o disco, demandava uma “reaparição” da banda ficcional no momento próximo ao fim do disco. Ao contrário da faixa-título que abre o disco, a reprise não traz seção de metais e tem um andamento mais acelerado. E, para finalizar, “A Day In The Life“, que foi resultado da junção de duas músicas distintas, uma de John e a outra de Paul. Lennon tinha o início e o fim da canção, porém, McCartney possuía uma que não tinha início e nem fim e a apresentou ao grupo, que juntou com a parte já gravada por John, que gostou, assim como Paul. Na versão em vinil, os sons estranhos no final da música tornam-se uma espécie de moto-perpétuo, caracterizando assim uma música teoricamente sem fim. Os sons repetem-se em intervalos 2 segundos, e assim permanece até que retiremos o vinil do toca-discos. Com o CD, o material editado tem 5´33”, aproximadamente.

Sucesso de público e crítica, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts…” é considerado um álbum conceitual, um dos primeiros LP’s de art rock, nitidamente psicodélico e, porquê não?, um disco “multigênero”, pois incorpora várias influências musicais, como vaudeville, music hall, circense, música clássica ocidental e indiana, por exemplo. Não é à toa que considerado constantemente como um dos maiores discos de todos os tempos da história da música, além de ser um dos mais vendidos da história, com mais de 30 milhões de cópias em quase meia década após seu lançamento.

Aqui apresentamos apenas uma pequena parte da história desse grande álbum. Afinal, para falar dele com mais riqueza de detalhes e informações seria necessário um livro, pois trata-se de um dos trabalhos mais místicos do rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist deste clássico da música.

Álbum: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Intérprete: The Beatles
Lançamento: 26/05/1967 (versão britânica) / 02/06/1967 (versão norte-americana)
Gravadora: Parlophone (Reino Unido) / Capitol (EUA)
Produtor: George Martin

John Lennon: voz, backing vocal, guitarra, harmônica, palmas, pandeireta, maracas, efeitos sonoros e arranjos
Paul McCartney: voz, backing vocal, guitarra, baixo, piano, órgão, palmas, efeitos sonoros e arranjos
George Harrison: guitarra, backing vocal, cítara, harmônica, kazoo, palmas, maracas e voz em “Within You Without You
Ringo Starr: bateria, congas, pandeireta, maracas, palmas, sinos tubulares, harmônica em “Being For The Benefit Of Mr. Kitel!“, acorde final de piano em Mi em “A Day In The Life” e voz principal em “With A Little Help From My Friends
George Martin: loops e efeitos sonoros; cravo em “Fixing A Hole“, harmônica, órgão Lowrey e glockenspiel em “Being For The Benefit Of Mr. Kite!“, órgão Hammond em “With A Little Help From My Friends“, piano em “Getting Better” e solo de piano em “Lovely Rita“; acorde final de harmônica

Sounds Incorporated: sexteto de saxofones em “Good Morning Good Morning
Geoff Emerick: loops de fita e efeitos sonoros
Mal Evans: harmônica, alarme de relógio, contagem e acorde final de piano em Mi
Neil Aspinall: tambura e harmônica
Neil Sanders, Tony Randall, John Burden e James W. Buck: trompas francesas em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Mike Leander: arranjos de seção de cordas e harpa em “She’s Leaving Home
Robert Burns, Henry MacKenzie e Frank Reidy: clarinetes em “When I’m Sixty Four

1. Sgt, Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Lennon / McCartney)
2. With A Little Help From My Friends (Lennon / McCartney)
3. Lucy In The Sky With Diamonds (Lennon / McCartney)
4. Getting Better (Lennon / McCartney)
5. Fixing A Hole (Lennon / McCartney)
6. She’s Leaving Home (Lennon / McCartney)
7. Being For The Benefit Of Mr. Kite! (Lennon / McCartney)
8. Within You Without You (Harrison)
9. When I’m Sixty-Four (Lennon / McCartney)
10. Lovely Rita (Lennon / McCartney)
11. Good Morning Good Morning (Lennon / McCartney)
12. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) (Lennon / McCartney)
13. A Day In The Life (Lennon / McCartney)

Por Jorge Almeida

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Livro de fotografias do Kiss será lançado no dia 10 nos EUA

Livro de Lynn Goldsmith traz dezenas de fotos inéditas do Kiss. Créditos: kissonline.com

Na próxima terça-feira (10) a premiada fotógrafa Lynn Goldsmith, que já retratou inúmeros músicos e bandas de rock relevantes do século XX, tais como The Rolling Stones, Bruce Springsteen, Frank Zappa, Talking Head, The Police, Bob Dylan e Patti Smith, entre tantos outros, lançará o livro “KISS: 1977-1980”, que é uma crônica fotográfica definitiva da banda norte-americana no auge de sua popularidade, captando momentos dentro e fora do palco, em ensaios fotográficos e em outras situações.

Publicado em conjunto com Gene Simmons e Paul Stanley, a obra traz do arquivo de Goldsmith imagens coletadas pela fotógrafa, que são favoritas dos fãs, assim como muitos registros que nunca foram vistos, enfim, tudo o que capta perfeitamente o fenômeno duradouro que é o KISS.

O KISS alavancou a ascensão meteórica com suas apresentações extravagantes ao vivo, com direito a seus integrantes cuspir contra o fogo, cuspir sangue, apresentar guitarras explodindo em chamas, disparando rojões, levitando kits de bateria e outros efeitos pirotécnicos. Com maquiagens e figurinos, Gene Simmons, Paul Stanley, Peter Criss e Ace Frehley criaram personagens e histórias inspiradas nos quadrinhos: The Demon, The Starchild, The Catman e The Space Ace. Quando colocados juntos, não fazem apenas um show de rock de estádio, e sim um espetáculo dinâmico que está na estrada até hoje.

O livro foi criado por Goldsmith, Simmons e Stanley como um agradecimento ao Kiss Army, o incrível exército formado pelos fãs que se dedicam à banda por mais de 40 anos e essa fidelidade e devoção foi levada para filhos e netos para que pudessem apreciar a música, assim como todo o espetáculo proporcionado pelas apresentações ao vivo da banda.

Aliás, a publicação cobre exatamente o período em que o KISS esteve no auge de sua popularidade, em 1977, até o momento em que o grupo passa por dificuldades de relacionamentos entre os integrantes originais e a busca por uma nova sonoridade. Além disso, traz também algumas imagens do saudoso Eric Carr, o The Fox.

Com uma capa acolchoada laminada branca que destaca o logotipo KISS em dourado, o resultado final pode ser comparado a uma espécie de bíblia, mantendo as relíquias que seus seguidores apreciam.

A obra ainda não tem previsão de chegar ao Brasil.

Livro: KISS 1977-1980
Autora: Lynn Goldsmith com Paul Stanley (colaborador) e Gene Simmons (colaborador)
Editora: Rizzoli
Número de páginas: 340
Lançamento: 10 de outubro de 2017
Preço: R$ 158,98 (no site amazon.com.br)

Por Jorge Almeida

Os Paralamas do Sucesso: 15 anos de “Longo Caminho”

“Longo Caminho”: o disco do recomeço d’Os Paralamas do Sucesso

Já que setembro está em seu último dia, vamos abordar os 15 anos de um disco que foi lançado justamente neste mês: “Longo Caminho”, o décimo trabalho de estúdio d’Os Paralamas do Sucesso. Gravado entre março e junho de 2002, após o grave acidente de ultraleve que deixou Herbert Vianna paralítico, o álbum foi produzido Carlo Bartolini e a maior parte do material composto antes do acidente. O disco teve 350 mil cópias vendidas.

Depois de ter ficado 44 dias internado, boa parte dele em coma, por conta da queda do ultraleve que pilotava – o acidente ocorreu em 4 de fevereiro de 2001 na baía de Angra dos Reis (RJ) -, a prioridade, evidentemente, era o reestabelecimento da saúde de Herbert. Na época, dizia-se que a música vinha colaborando na recuperação do vocalista durante o seu tratamento. No entanto, a força de vontade de Vianna foi tanta que, em menos de um ano, ele e os inseparáveis companheiros de banda – Bi Ribeiro e João Barone – já estavam no estúdio para gravar “Longo Caminho”, título mais que apropriado para aquela situação em que Os Paralamas estavam passando. O trio já percorrera a longa estrada já havia pelo menos 20 anos. Com esse novo ciclo, a vida dos três se renovou e, assim, já se vão uma década e meia e com um novo disco na praça – “Sinais do Sim” (o primeiro de inéditas desde “Brasil Afora” (2009)).

O trabalho é mais focado no trio – Herbert, Bi e Barone – com pouca participação dos músicos de apoio da banda (responsáveis pelos sopros, percussão e teclados). As bases foram gravadas nos estúdios AR, no Rio de Janeiro. E as vozes foram gravadas nos estúdios Tweety, na casa de Herbert Vianna.

O álbum começa já com aquela que já se tornou um clássico “paralâmico”: “O Calibre”, em que Herbert Vianna critica a violência urbana e traz um excelente riff (composto por Herbert em 35 segundos). Em seguida, a bela balada “Seguindo Estrelas”, que também fez sucesso na época. O terceiro tema é a música que dá nome ao álbum, que também foi gravada por Zélia Duncan, mas que a pedido da banda, não foi lançado pela cantora para não “conflitar” com as datas de lançamento do álbum d’Os Paralamas. Na sequência, “Soldado da Paz”, outra de autoria de Herbert Vianna e que fora gravada por outro intérprete. Nesse caso, o Cidade Negra, que gravara a música no álbum “Enquanto o Mundo Gira” (2000). A versão dos Paralamas traz um rock rasgado por conta da participação especial do “membro honorário” do grupo, Dado Villa-Lobos. O álbum chega à sua metade com a balada-hit “Cuide Bem do Seu Amor” que, obviamente, fez parte de trilha sonora de novela global – no caso, “Sabor da Paixão” (2003) -, e segue com outra balada – “Amor Em Vão” -, que havia sido gravada anteriormente no disco solo de Paulo Ricardo, do RPM, intitulado “O Amor Me Escolheu” (1997).

Já “Flores No Deserto” foi escrita em homenagem a Marcelo Yuka, ex-baterista d’O Rappa, que, assim como Herbert Vianna, tornou-se cadeirante, porém, diferentemente do líder d’Os Paralamas, Yuka foi vítima de uma tentativa de assalto em 2000 e foi baleado que o deixou paraplégico. A oitava faixa é uma versão que fizeram de “Running On The Spot”, de Paul Weller, que os músicos gostavam de tocar durante o período de recuperação de Herbert Vianna. A antepenúltima música é “Flores e Espinhos”, que tem a participação especial de um velho conhecido do grupo: o argentino Fito Paez, que toca mellotrom na faixa. Posteriormente, as duas últimas canções do play não contêm as letras em português: primeiro “La Estación”, cantada em espanhol, e “Hinchley Pond”, em inglês, que, inclusive, esta última tem o nome da fazenda dos pais de Lucy Needham Vianna, ex-mulher de Herbert Vianna, morta no acidente com o ultraleve.

Além do CD, “Longo Caminho” também é o nome de um DVD-documentário, que foi dirigido por Andrucha Waddington, lançado também em 2002, que traz uma mescla cenas de gravações e apresentações. Diferentemente do CD, o DVD traz 15 faixas, sendo uma delas intitulada “Pinguins” (cujo título original era “Pinguins Já Não os Vejo Pois Não Está na Estação”), gravado em um show restrito a parentes, amigos e funcionários da EMI, em setembro de 2002.

Em “Longo Caminho”, as onze faixas entravam na combinação que mistura rock brasileiro, hard rock, ska, pós-grunge e alternativo que fincava que os caras realmente estavam de volta e, como parafraseando aquele verso de “Vital e Sua Moto”: “Os Paralamas do Sucesso iam tentar tocar na capital”. E, de fato, não só tentaram, como tocaram na capital e no Brasil inteiro.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Longo Caminho
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: setembro de 2002
Gravadora: EMI
Produtor: Carlo Bartolini

Herbert Vianna: guitarra e voz
João Barone: bateria
Bi Ribeiro: baixo

Dado Villa-Lobos: guitarra em “Soldado da Paz
Fito Paez: mellotron em “Flores e Espinhos
João Fera: teclados e piano
Eduardo Lyra: percussão
Demétrio Bezerra: trompete
Monteiro Júnior: saxofone
Bidu Cordeiro: trombone baixo e tenor

1. O Calibre (Herbert Vianna)
2. Seguindo Estrelas (Herbert Vianna)
3. Longo Caminho (Herbert Vianna)
4. Soldado da Paz (Herbert Vianna)
5. Cuide Bem do Seu Amor (Herbert Vianna)
6. Amor Em Vão (Herbert Vianna)
7. Flores No Deserto (Herbert Vianna)
8. Running On The Spot (Paul Weller (The Jam))
9. Flores e Espinho (Herbert Vianna)
10. La Estación (Herbert Vianna)
11. Hinchley Pond (Herbert Vianna)

Por Jorge Almeida

Alice Cooper: 30 anos de “Raise Your Fist And Yell”

“Raise Your Fist And Yell”: álbum de Alice Cooper que completa 30 anos em 2017

Hoje, 28 de fevereiro, completam-se exatos 30 anos do lançamento de “Raise Your Fist And Yell”, o décimo sétimo disco de estúdio da carreira de Alice Cooper. Produzido por Michael Wagener, o álbum foi lançado pela MCA e contém dez faixas.

Depois de ter passado por uns perrengues na primeira metade dos anos 1980 – queda de popularidade, vendas fracassadas de discos, problemas no casamento e do alto consumo de drogas e álcool -, Alice Cooper virou aquela década de forma surpreendente: depois de emplacar a música-tema de “Sexta-Feira 13 – Parte VI”, veio com um ótimo show, com uma produção de qualidade em sua “Constrictor (The Nightmare Returns Tour)”, que era a turnê do álbum “Constrictor” (1985), o norte-americano triunfou o seu retorno ao patamar dos grandes do Heavy Metal com um disco vigoroso: o bom “Raise Your Fist And Yell”.

O incansável Alice Cooper não só deixou o Heavy Metal padrão no disco, como a sua marca: a versatilidade que, além dele, foi acompanhado por Kane Roberts e Arti Funaro (guitarras), Kip Winger (baixo), Ken K. Mary (bateria) e Paul Horowitz (teclados), que contribuíram para o som vigoroso do álbum. Assim, temas corriqueiros, pelo menos para Alice, como rebeldia adolescente, serial killers, sarcasmo político, maníacos, loucuras e afins são abordados no play.

O álbum começa com “Freedom” que começa com uma triunfal entrada de bateria de Ken K. Mary e Alice citando as palavras iniciais da constituição norte-americana: “We the people of the United States, in order to form a more perfect union“. Em seguida, a contestatória e rebelde “Lock Me Up“, onde Ken K. Mary dá outro show com um tremendo solo de bateria, aliás, a faixa traz a participação de Robert Englund, que interpretou Freddy Krueger na série “A Nightmare On Elm Street”. O terceiro tema é “Give The Radio Back“, que é uma crítica sobre à censura musical que vigorava na época, especialmente para com as bandas de Heavy Metal. Entidades como a PMRC (Parents Music Resource Center) implicava com as bandas de rock pesado em virtude do teor das (muitas) letras e, devido a isso, muitos álbuns foram lançados com o famigerado selo “Parental Advisory Explicit Lyrics”, inclusive três discos de Alice Cooper: “Dada” (1983), “Constrictor” e o próprio “Raise Your Fist And Yell“. Enquanto isso, “Step On You” exala revanche e a intolerância, o que poderia ser uma resposta para a PMRC. O disco chega à metade com a oitentista “Not That Kind Of Love“, que fala sobre o cara que quer levar uma mina ao motel.

O play segue com a incrível “Prince Of Darkness“, mas que não tem vínculo com o filme homônimo de John Carpenter que, no Brasil, ficou conhecido como “Príncipe das Sombras“, do qual, inclusive, Alice Cooper participa como ator. Na sequência, “Time To Kill“, que fala do ardor de um serial killer, que não vê a hora de voltar a praticar seus crimes. O disco chega à sua parte final com uma espécie de trilogia, que começa com “Chop, Chop, Chop“, que talvez tenha sido inspirada na história de Jack, o Estripador. No fadeout da música, Cooper ‘anuncia’ a faixa seguinte ao berrar: “Gail, Gail, Gail, Gail” que, de fato, era a curta e climática “Gail“. O som do cravo é a horripilante base instrumental da música que fala sobre a prostituta assassinada pelo mesmo serial killer de “Time To Kill” e “Chop, Chop, Chop“. O clímax da faixa ficou por conta da guitarra de Kane Roberts. E, o gran finale vem com a espetacular “Roses On White Lace“. Nela, o incansável serial killer matou e mutilou a prostituta no dia em que ela iria se casar. O motivo do assassinato, talvez, pode ser atribuído à indignação do matador por ele não ter sido o escolhido por ela para subir ao altar, vai saber? Mas é com esse desfecho horripilante que “Raise Your Fist And Yell” termina.

O disco foi lançado com apenas um videoclipe e que também se tornou o único single do álbum, que foi “Freedom”. A capa do álbum foi ilustrada pelo artista Jim Warren.

A turnê de divulgação do disco foi intitulada como “Live In The Flesh” ganhou notoriedade na Europa em 1988 devido à sua teatralidade e cenas pesadas de violência, de forma teatral, é claro. Muitos truques dos shows de Alice Cooper voltaram a ser feitos, como o da forca, que não acontecia desde 1972.

Além disso, muitos dos atos “violentos” realizados na turnê foram nitidamente inspirados nos filmes de terror da época, dos quais Alice Cooper afirmara ser grande fã desses tipos de longas metragens. Infelizmente, esse tipo de entretenimento obrigou o cantor a remover algumas partes do espetáculo por conta do incômodo que causou em gente como um membro do Parlamento britânico chamado David Blunkett, que pediu que o show fosse banido, mas sua tentativa de abolir Cooper não foi obtida com sucesso. A controvérsia do britânico se espalhou e chegou na Alemanha, que também exigiu que algumas partes apresentadas nos shows não fossem exibidas.

Durante a turnê, algumas faixas do disco estiveram presentes no setlist, como “Freedom”, “Prince Of Darkness”, “Chop, Chop, Chop”, “Gail” e “Roses On White Lace”. No entanto, depois que a tour terminou nada de “Raise Your Fist And Yell” foi tocado por Alice Cooper nos anos seguintes.

E, para coroar a volta de Alice Cooper, o músico apareceu no WrestleMania III ao escoltar o lutador Jake “The Snake” Roberts no ringue para a luta contra Honky Tonk Man, embora Roberts perdera a luta. A luta atraiu impressionantes 93 mil fãs no Pontiac Silverdome, localizada perto da cidade-natal de Alice Cooper, em Detroit.

Assim, Alice Cooper voltara de forma mais pesada e sombria possível. O mestre do rock-horror retornara para aterrorizar.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Raise Your Fist And Yell
Intérprete: Alice Cooper
Lançamento: 28 de setembro de 1987
Gravadora: MCA
Produtor: Michael Wagener

Alice Cooper: voz
Arti Funaro (Devlin 7) e Kane Roberts: guitarras
Kip Winger: baixo
Paul Horowitz (Paul Taylor): teclados
Ken K. Mary: bateria

1. Freedom (Cooper / Roberts)
2. Lock Me Up (Cooper / Roberts)
3. Give The Radio Back (Cooper / Roberts)
4. Step On You (Cooper / Roberts)
5. Not That Kind Of Love (Cooper / Roberts)
6. Prince Of Darkness (Cooper / Winger)
7. Time To Kill (Cooper / Winger / Roberts)
8. Chop, Chop, Chop (Cooper / Roberts)
9. Gail (Cooper / Roberts / Winger)
10. Roses On White Lace (Cooper / Winger / Roberts)

Por Jorge Almeida

Novo trabalho do Iron Maiden será um disco ao vivo

Novo material do próximo lançamento do Iron Maiden, em novembro. Créditos: ironmaiden.com

O Iron Maiden anunciou em seu site oficial nessa semana que o seu próximo trabalho será um CD duplo e vinil triplo ao vivo. O material tem previsão para ser lançado pela Warner Music (nos Estados Unidos pela BMG) no dia 17 de novembro intitulado “The Book Of Souls: Live Chapter” com 15 faixas extraídas durante a turnê “The Book Of Souls”, que ocorreu entre 2016 e 2017 em 39 países – entre eles o Brasil – em seis continentes.

Produzido por Tony Newton e por Steve Harris, o tracklist é um registro fiel ao show realizado pela Donzela de Ferro, sendo seis músicas do último trabalho de estúdio da banda, “The Book Of Souls” (2015), e o restante composto pelos clássicos do grupo. As cidades brasileiras selecionadas para o material foram Fortaleza e Rio de Janeiro. Curiosamente, apenas Donington teve duas músicas inseridas no tracklist.

De acordo com o Steve Harris, que co-produziu o disco, “Nós passamos muito tempo trabalhando nisto, já que eu queria chegar o mais próximo possível de uma experiência ao vivo com o Maiden e também representar nossos fãs de diferentes partes do mundo”, e o baixista prosseguiu: “Isto significa ouvir literalmente horas após horas de fitas de cada show, selecionar material e construir um som que funcionasse de forma consistente em todo o álbum e captar a emoção de um novo país como El Salvador junto com favoritos tão regulares como Donington ou Wacken”.

Diferentemente do habitual, a princípio, o grupo britânico não vai lançar um DVD ou Blu-Ray, pois desta vez o vídeo estará disponível para streaming gratuito ou digital download. “Além de tudo isso, o lançamento será celebrado por um evento em que o Maiden será pioneiro: uma estréia gratuita de transmissão ao vivo do vídeo de concerto, como uma forma de agradecer a nossos fãs leais em todo o mundo. Esperamos que a comunidade global dos fãs do Iron Maiden, possam se juntar para assistir este evento especial on-line. Muitos de vocês estarão nele, pois há imagens de uma série de lugares em que tocamos nesta turnê”, diz o release. Mais detalhes de como participar deste evento serão publicados no site oficial da banda em breve.

O empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, destacou a importância da “The Book Of Souls World Tour”, especialmente para Bruce Dickinson, que cantou pela primeira vez em público após a recuperação de um câncer na garganta. Além disso, o vocalista pilotou o Ed Force One, que passou de um Boeing 757 para um 747 para que pudesse “ir cada vez mais rápido para visitar cidades fantásticas e fãs em todo o mundo”, enfatizou o gerente, que também elogiou o trabalho de Harris na produção: “Steve fez um trabalho incrível juntando esse conjunto de cidades ao redor do mundo e nós nos certificamos de que o CD de luxo estará disponível em um formato de livro correspondente ao lançamento de “The Book Of Souls“”.

Uma curiosidade: talvez por conta de um processo judicial que a banda está passando por conta de um suposto plágio de “Hallowed Be Thy Name”, que foi tocada em boa parte da turnê, a clássica música de 1982 não entrou no tracklist do álbum.

A seguir, o tracklist completo e as cidades nas quais cada faixa foi gravada.

CD 1:
1. If Eternity Should Fail (Dickinson) – Sydney, Austrália
2. Speed Of Light (Smith / Dickinson) – Cidade do Cabo, África do Sul
3. Wrathchild (Harris) – Dublin, Irlanda
4. Children Of The Damned (Harris) – Montreal, Canadá
5. Death Or Glory (Smith / Dickinson) – Varsóvia, Polônia
6. The Red And The Black (Harris) – Tóquio, Japão
7. The Trooper (Harris) – San Salvador, El Salvador
8. Powerslave (Dickinson) – Trieste, Itália

CD 2:
1. The Great Unknown (Smith / Harris) – Newcastle, Reino Unido
2. The Book Of Souls (Gers / Harris) – Donington, Reino Unido
3. Fear Of The Dark (Harris) – Fortaleza, Brasil
4. Iron Maiden (Harris) – Buenos Aires, Argentina
5. The Number Of The Beast (Harris) – Wacken, Alemanha
6. Blood Brothers (Harris) – Donington, Reino Unido
7. Wasted Years (Smith) – Rio de Janeiro, Brasil

Por Jorge Almeida

Queen: 25 anos de “Live At Wembley ‘86”

Capa de “Live At Wembley ’86”, lançado em 1992

No último dia 26 de maio, o álbum duplo “Live At Wembley ‘86”, do Queen, completou 25 anos de seu lançamento. Na verdade, trata-se do terceiro registro ao vivo da banda britânica e lançado postumamente, uma vez que Freddie Mercury morrera em 24 de novembro de 1991, portanto, seis meses depois da partida do vocalista. Como o título indica, o disco foi gravado no lendário estádio de Wembley, em Londres, em 12 de julho de 1986. Na ocasião, o espetáculo fazia parte da turnê europeia da Magic Tour, que começou na Suécia em 7 de junho e terminou em 9 de agosto.

Na parte britânica da turnê, em um show realizado três dias antes, em Newcastle, o Queen doou todo o lucro do concerto (cuja venda de ingressos se esgotaram em uma hora) para a instituição de caridade Save The Children, para ajudar no trabalho do fundo no Reino Unido e no exterior.

Em 1986, apenas no Reino Unido, o Queen tocou para mais de 400 mil pessoas, incluindo uma audiência para 150 mil em Wembley. Na época do show no lendário estádio, originalmente, a banda só se apresentaria em uma noite, no sábado dia 12, porém, como os ingressos se esgotaram em poucas horas e com grande procura, foi decidido que haveria um show extra no mesmo local, que foi marcado para a sexta-feira, no dia anterior.

Nesse dia, o evento praticamente parou a capital inglesa. Além da Rainha, INXS e Status Quo se apresentaram e aqueceram o público para, horas mais tarde, acompanharem de perto a genialidade e musicalidade de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor.

O Queen, pela grande banda que sempre foi, tinha uma megaestrutura de equipamento de palco, incluindo a maior plataforma de iluminação já montada para um show ao vivo, com mais de 9,5 toneladas, além de ter um sistema de som poderoso com mais de meio milhão de watts. E, claro, o figurino impecável do grupo. Tudo devidamente bem registrado e lançado, na ocasião, em VHS e em CD duplo. Mas, em 2011, na data em que Freddie Mercury completaria 65 anos, saiu uma versão espetacular em DVD, que trazia vários extras, inclusive a apresentação realizada no dia 11, e que foi lançado como “Live At Wembley Stadium”. Com o áudio remasterizado em formato 5.1 surround, o DVD recupera de maneira eficiente a áurea excepcional que acompanhava o Queen ao vivo.

E o que dizer do repertório? Só clássicos: de cabo a rabo. O show começa com “One Vision” e “Tie Your Mother Down” logo de cara para deixar o frio público inglês empolgado. Na sequência a trinca formada por “In The Laps Of The Gods… Revisited“, “Seven Seas Of Rhye” e “Tear It Up” executadas praticamente de forma emendada para manter o pique. O entrosamento do quarteto impressiona e os caras detonam nas faixas seguintes: “A Kind Of Magic“, “Under Pressure“, clássica parceria feita com David Bowie, “Another One Bites The Dust” e, antes de tocarem “Who Wants To Live Forever“, Freddie Mercury tratou de desmentir os tablóides da época sobre o rumores que circulavam em relação ao suposto fim da banda. O vocalista garantiu que os quatro permaneceriam juntos até o fim de suas vidas.

A apresentação continuou com o desfiladeiro de clássicos, com direito a Brian May mandando bala em “Brighton Rock“, que trazia um bom solo do guitarrista. O show teve pontos altos como “I Want To Break Free” e “Love Of My Life“, que tiveram o público como protagonista por conta da resposta dada quando Mercury e cia. pediu com os seus famosos “singing” (“cantem”).  O concerto trouxe uma sequência de covers feitos com maestria pelo grupo – “(You’re So Square) Baby I Don’t Care“, “Hello Mary Lou“, “Tutti Frutti” e “Gimme Some Lovin’“.

Claro que o hino “Bohemiam Rhapsody” não ficou de fora e chega a arrepiar quem viu (ou ouviu). Freddie era um show à parte. Em “Big Spender“, por exemplo, chegou a rasgar as vestes para delírio do público. O espetáculo da Rainha não poderia ficar sem as indispensáveis “Radio Ga Ga“, outra que dispensa comentários nas apresentações ao vivo, e as indispensáveis “We Will Rock You” e “We Are The Champions“. E, como era de praxe, o encerramento do show acontece com “God Save The Queen” tocando nos PA’s, com direito a Freddi Mercury recebemento a coroa simbólica de rainha da Inglaterra.

O carisma e a teatralidade de Freddie Mercury são os pilares que fizeram (aliás, fazem) do Queen ser grandioso até hoje, mesmo passados mais de 25 anos de sua morte. Não é à toa que o considero como o maior frontman da história do rock. E, claro, que o suporte feito por Brian May, John Deacon e Roger Taylor – cada um do seu jeito – através da técnica, competência e talento é o principal segredo de fazer que a banda chegasse ao patamar onde se encontra.

Este concerto de Wembley foi filmado na sua totalidade por Gavin Taylor e foram usadas 15 câmeras posicionadas ao redor do estádio, além de uma câmera de helicóptero no ar. O filme foi adquirido pelo Canal 4 e, em 25 de outubro de 1986, uma versão editada do show, Real Magic, foi transmitida simultaneamente na TV e em todas as estações de rede de rádio independentes, atraindo 3,5 milhões de telespectadores.

O público não sabia, mas testemunharam uma das últimas performances do Queen em solo britânico. Mais algumas apresentações, a banda se recolheria para sempre, pelo menos com a sua formação original. Depois disso, o quarteto se dedicou às gravações de estúdio, sem turnês. Boa parte disso se deve à saúde de Freddie Mercury, que já dava sintomas de que algo não estava bem com ele.

Trata-se de um excelente registro. Vale a pena adquirir tanto o CD quanto o DVD. Showzaço.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live At Wembley ’86
Intérprete: Queen
Lançamento: 26 de maio de 1992
Gravadora: Parlophone / Hollywood (EUA)
Produtor: Queen

Freddie Mercury: voz, piano e guitarra
Brian May: guitarra, teclados e backing vocal
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo e backing vocal

Spike Edney: teclados, piano, guitarra e backing vocal

CD 1:
1. One Vision (Queen)
2. Tie Your Mother Down (May)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
4. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
5. Tear It Up (May)
6. A Kind Of Magic (Taylor)
7. Under Pressure (Queen / Bowie)
8. Another One Bites The Dust (Deacon)
9. Who Wants To Live Forever (May)
10. I Want To Break Free (Deacon)
11. Impromptu (Queen)
12. Brighton Rock Solo (May)
13. Now I’m Here (May)

CD 2:
1. Love Of My Life (Mercury)
2. Is This The World We Created…? (Mercury / May)
3. (You’re So Square) Baby I Don’t Care (Leiber / Stoller)
4. Hello Mary Lou (Goodbye Heart) (Pitney)
5. Tutti Frutti (Penniman / LaBostrie)
6. Gimme Some Lovin’ (Winwood / Davis / Winwood)
7. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
8. Hammer To Fall (May)
9. Crazy Little Thing Called Love (Mercury)
10. Big Spender (Fields / Coleman)
11. Radio Ga Ga (Taylor)
12. We Will Rock You (May)
13. Friends Will Be Friends (Mercury / Deacon)
14. We Are The Champions (Mercury)
15. God Save The Queen (arr. May)

Por Jorge Almeida

Grand Funk Railroad: 45 anos de “Phoenix”

“Phoenix”, o primeiro disco do Grand Funk Railroad sem a produção de Terry Knight

Na última sexta-feira (15), o álbum “Phoenix”, do Grand Funk Railroad, completou 45 anos de seu lançamento. Produzido pela própria banda, o sexto disco de estúdio do grupo norte-americano foi gravado em Nashville pela Capitol. O trabalho ficou marcado por uma série de mudanças no grupo: a começar pelo nome da banda, que ficou reduzido a “Grand Funk”; o primeiro a não ter a participação de Terry Knight na produção; e um estilo mais pop influenciado por Brewer.

Depois do lançamento de “E Pluribus Funk” (1971), uma crise interna afetava o Grand Funk Railroad e isso afetou o desempenho do grupo no disco seguinte: “Phoenix”. Em 1972, o grupo adicionou o antigo tecladista do “The Pack” – Graig Frost -, que era apenas convidado no álbum, mas foi efetivado como integrante em tempo integral do grupo, ou seja, o trio passou a ser quarteto. No entanto, Frost não era a primeira opção para o cargo, mas sim Peter Frampton, que saíra do Humble Pie. Todavia, Frampton ficou indisponível por conta de um contrato assinado com a A&M Records para o registro de um trabalho solo.

Com a adição de Frost, o estilo característico do Grand Funk Railroad passou por mudanças: ou seja, o rock and roll original de garagem raiz deu lugar a um estilo mais rítmico e blues com pitadas de pop-rock. A influência do novo integrante, evidentemente, deixou os temas do disco mais voltados para os teclados e descaracterizou bastante o baixo que ficou menos “tratorado” e deixou a sonoridade um pouco mais melancólica.

Apesar da nova sonoridade, os caras emplacaram o single “Rock N’ Roll Soul”, que era “100% Grand Funk” do álbum. A faixa de abertura – “Flight Of The Phoenix” – deixa bem nítido o controle dos teclados de Frost. Don Brewer não faz feio em “She Got To Move Me” e “Gotta Find Me A Better Day“, faixas cantadas por ele no disco.

A crise de relacionamento entre os integrantes, na época, pareceu ter afetado a presença dos fãs nos shows. Em um show realizado em Seattle, um dos primeiros da turnê, compareceram apenas quatro mil fãs – muito pouco para uma banda que frequentemente se apresentava para um público com mais de 50 mil por noite. E, sem contar o famoso episódio ocorrido no Madson Square Garden, em que Terry Knight, surgiu escoltado por xerife e policiais para confiscar todo o equipamento do grupo. Uma vez que todo o material foi adquirido em nome do ex-produtor. Bastante constrangedor, não acham?

Enfim, o temido “disco de transição” do Grand Funk Railroad deixou o fã mais ardoroso da banda assustado. Não se trata de um álbum ruim, mas certamente não está no mesmo nível dos anteriores e nem do trabalho seguinte, o clássico “We’re An American Band” (1973). Em uma escala de 0 a 10, um 6,5 está de bom tamanho.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Phoenix
Intérprete: Grand Funk Railroad (intitulado como Grand Funk)
Lançamento: 15/09/1972
Gravadora: Capitol
Produtor: Grand Funk Railroad

Mark Farner: guitarra, harmônica, teclados, voz
Mel Schacher: baixo e backing vocal
Don Brewer: bateria, percussão, backing vocal e voz em “She Got To Move Me” e “Gotta Find Me A Better Day

Craig Frost: órgão, clavinete, piano e backing vocal
Doug Kershaw: violino e violão

1. Flight Of The Phoenix (Farner)
2. Trying To Get Away (Farner)
3. Someone (Farner)
4. She Got To Move Me (Farner)
5. Rain Keeps Fallin’ (Farner)
6. I Just Gotta Know (Farner)
7. So You Don’t Have To Die (Farner)
8. Freedom Is For Children (Farner)
9. Rock And Roll Soul (Farner)
Faixa Bônus (apenas na versão em CD):
10. Flight Of The Phoenix (Remix with extended ending) (Farner)

Por Jorge Almeida