Ramones: 40 anos de “It’s Alive”

“It’s Alive”, o primeiro disco ao vivo dos Ramones, que completou 40 anos em abril

No último mês de abril, o clássico “It’s Alive”, o primeiro registro ao vivo dos Ramones, completou 40 anos de seu lançamento. Produzido por Tommy Ramone, o disco foi lançado em LP duplo na época pela Sire Records e foi gravado no Rainbow Theatre, em Londres, na véspera do Ano Novo de 1977 para 1978 – 31 de dezembro de 1977, durante a turnê de “Rocket To Russia” e foi o último trabalho gravado pela formação original dos punks nova-iorquinos.

Na época do lançamento do álbum (1979), os Ramones estavam em turnê com o álbum “Road To Ruin” (1978), ou seja, já com Marky Ramone nas baquetas no lugar de Tommy Ramone, que saiu amigavelmente e resolveu dedicar-se à produção de discos em vez de sair tocando por aí com Johnny Ramone e sua trupe.

Evidentemente que, como fora gravado com o baterista original na formação, o repertório dos Ramones no registro estava concentrado em seus três primeiros (e clássicos) discos de estúdios – “Ramones” (1976), “Leave Home” e “Rocket To Russia”, ambos de 1977.

Uma curiosidade marca esse “live”: inicialmente, foi lançado exclusivamente na Inglaterra em LP duplo e em CD (simples) nos Estados Unidos em 1995.

Em menos de uma hora (cerca de 56 minutos), os Ramones apresentaram nesse registro 28 temas, que traz a essência da banda até então. Ou seja, praticamente um tempo médio de dois minutos para cada música. Logo, as músicas ao vivo eram mais rápidas que as registradas em estúdio. Mas, a velocidade das músicas em “It’s Alive” é menor do que em “Loco Live” (1991) e “We’re Outta Here!” (1997).

O registro em vídeo deste show, ou melhor, parte dele está disponível no DVD lançado em 2007 compilando vários momentos dos 22 anos de carreira e que por acaso leva o mesmo nome do disco, inspirado em um filme de terror trash de 1974, chamado “It’s Alive”, que, no Brasil, foi intitulado “Nasce Um Monstro”.

Todos os clássicos gravados por Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone estão presentes. O play abre com uma trinca avassaladora: “Rockaway Beach”, “Teenage Lobotomy” e “Blitzkrieg Bop”. Depois, os caras dão uma maneirada para mandar bala na calma “I Wanna Be Well”. Em seguida, mais ‘pedradas’: “Glad To See You Go”, “Gimme Gimme Shock Treatment”, e outros tantos, além das ótimas “Sheena Is A Punk Rocker”, “Havana Affair”, o cover matador de “Surfin’ Bird”, o hino “Pinhead”, “Today Your Love, Tomorrow The World”, “Now I Wanna Be A Good Boy”, “Judy Is A Punk”, “Suzy Is A Headbanger”, só para citar alguns, e, para finalizar, “We’re A Happy Family”. Enfim, tudo na base do “três acordes, jaquetas de couro, rápido, básico e sem firulas”, apenas intercalados pelos indefectíveis “one, two, three, four!”, de Dee Dee Ramones.

Para termos uma ideia de como os shows dos Ramones eram pura adrenalina. Logo na primeira faixa, “Rockaway Beach”, Johnny Ramone já ia dando o primeiro acorde e fora surpreendido por Dee Dee para que ele esperasse Joey fazer a apresentação formal da banda para, em seguida, berrar o famoso: “1, 2, 3, 4!”.

Resumindo: esse é um registro que deve ser conferido em alto e bom som do começo ao fim. Se você não tem este álbum, corra de ir atrás de um agora. Obrigatório.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist desse clássico do rock.

b It’s Alive
Intérprete: Ramones
Lançamento: abril de 1979
Gravadora: Sire Records
Produtor: Tommy Ramone

Joey Ramone: voz
Dee Dee Ramone: baixo e backing vocal
Johnny Ramone: guitarra
Tommy Ramone: bateria

1. Rockaway Beach (The Ramones)
2. Teenage Lobotomy (The Ramones)
3. Blitzkrieg Bop (The Ramones)
4. I Wanna Be Well (The Ramones)
5. Glad To See You Go (The Ramones)
6. Gimme Gimme Shock Treatment (The Ramones)
7. You’re Gonna Kill That Girl (The Ramones)
8. I Don’t Care (The Ramones)
9. Sheena Is A Punk Rocker (The Ramones)
10. Havana Affair (The Ramones)
11. Commando (The Ramones)
12. Here Today, Gone Tomorrow (The Ramones)
13. Surfin’ Bird (Frazier / Harris / White / Wilson)
14. Cretin Hop (The Ramones)
15. Listen To My Heart (The Ramones)
16. California Sun (Glover / Morris / Levy)
17. I Don’t Wanna Walk Around With You (The Ramones)
18. Pinhead (The Ramones)
19. Do You Wanna Dance? (Freeman)
20. Chainsaw (The Ramones)
21. Today Your Love, Tomorrow The World (The Ramones)
22. Now I Wanna Be A Good Boy (The Ramones)
23. Judy Is A Punk (The Ramones)
24. Suzy Is A Headbanger (The Ramones)
25. Let’s Dance (Lee)
26; Oh, Oh, I Love Her So (The Ramones)
27. Now I Wanna Sniff Some Glue (The Ramones)
28. We’re A Happy Family (The Ramones)

Por Jorge Almeida

 

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Rolling Stones: 55 anos do álbum de estreia de Mick Jagger e sua trupe

Capa da versão britânica do primeiro disco dos Rolling Stones

No último dia 16 de abril, o primeiro trabalho de estúdio lançado pelos Rolling Stones completou 55 anos de seu lançamento. Gravado entre janeiro e fevereiro de 1964 no Regend Sound Studios, em Londres, o disco foi produzido Eric Easton e Andrew “Loog” Oldham e saiu pela Decca Records no mercado britânico.

Na primeira metade da década de 1960, os Rolling Stones estavam em evidência no ambiente noturno londrino tocando Blues e Rhythm And Blues pelos clubes da capital inglesa. E, em uma dessas apresentações, o grupo foi descoberto pelo empresário Andrew “Loog” Oldham e fechou um contrato com eles. O manager estava antenado com o cenário musical que estava fazendo a cabeça dos jovens, capitaneado pela meteórica ascensão dos Beatles, e enxergou ali a oportunidade de fazer frente ao Fab Four.

No entanto, o grupo era composto por seis integrantes e Oldham optou por retirar Ian Stewart da banda por achá-lo fotogênico e que a quantidade de músicos seria um exagero. Em seguida, o empresário foi atrás de uma gravadora para a banda e fechou com a Decca Records que, meses antes, havia ignorado os Beatles por considerar o “Rock And Roll um ritmo decadente e sem futuro comercial”. Diante da, digamos, “cagada histórica”, os executivos da gravadora, para não cometer a mesma “burrice”, não hesitaram e contrataram os Stones para a gravação e produção de suas músicas e discos.

Com contrato assinado, o grupo gravou duas músicas como “testes de viabilidade comercial” – “Come On“, que não repercutiu muito, e “I Wanna Be Your Man“, uma colaboração da emergente dupla John Lennon e Paul McCartney, que foi lançada como segundo single dos Rolling Stones, e que fez razoável sucesso a ponto de convencer a Decca a bancar na gravação de um disco inteiro da nova banda que estava a estourar.

No entanto, como os (futuros) líderes do grupo – Mick Jagger e Keith Richards – ainda não faziam composições, o repertório para o primeiro disco foi montado com versões de rocks, Blues e R&B norte-americanos que os Stones já tocavam em seus shows no circuito de clubes ingleses.

Com um repertório de nomes como Jimmy Reed, Muddy Waters, Bo Diddley, entre outros, os Rolling Stones gravaram o seu ‘debut’ em um estúdio repleto de caixa de ovos na parede, um Revox de dois canais e um gravador que ficava pendurado na parede, ao invés de estar em uma mesa, como é de costume.

A maioria das faixas atesta toda a paixão da banda pelo R&B. Mick Jagger e Keith Richards compuseram pouco para o disco e durante o início de 1964, com apenas uma composição original no álbum: “Tell Me (You’re Coming Back)“. Duas faixas são creditadas a “Nanker Phelge” – um pseudônimo que a banda utilizou para as composições de grupo entre 1963-1965. Phil Spector e Gene Pitney contribuíram muito para as sessões de gravação e são referidos como “Uncle Phil and Uncle Gene” no subtítulo da instrumental de Nanker Phelge, “Now I’ve Got a Witness“.

O disco foi gravado todo em mono, e a banda tinha que gravar no estilo “ao vivo no estúdio”. O baterista Charlie Watts afirmara gostar da sonoridade do play, embora admita que sua contribuição não tenha “sido fantástica”. Uma curiosidade sobre a música “Little By Little”. A música foi feita em cinco minutos após Mick Jagger e Phil Spector darem uma sumida por esse tempo e voltaram com a canção que acabara de escrever no corredor do estúdio.

A capa da edição britânica não tem qualquer título ou identificação da banda, apenas a foto tirada por Nicholas Wright com o logotipo da Decca.

A versão norte-americana do ‘debut’ dos Rolling Stones

Enquanto a Decca Records ficou responsável pela distribuição das músicas dos Rolling Stones gravadas no Reino Unido, nos Estados Unidos, a distribuição ficou a cargo da London Records. E essa distinção entre as distribuidoras de cada país provocou diferenças entre a discografia do grupo no mercado norte-americano e no britânico.

Uma situação interessante em relação a isso se deu com os lançamentos dos EP’s, que fizeram muito sucesso e venderam bastante na Grã-Bretanha, mas a London Records não utilizava esse tipo de material para vendas. Por outro lado, enquanto os hits lançados em singles que eram vendidos na Inglaterra, geralmente, não constavam no tracklist dos LP’s, enquanto nos Estados Unidos, geralmente, as canções que eram lançadas como singles eram mantidas nos lançamentos dos long plays. Além disso, outro fator que marcou a variação das distribuidoras e a autonomia no trabalho delas se dava pelas diferenças que haviam nos discos, como por exemplo: títulos diferentes, fotos e capas distintas, mesmo do mesmo trabalho, além da variação faixas de um país para o outro.

E, evidentemente, que os Rolling Stones não ficaram livres disso. Então, para o mercado norte-americano, o primeiro trabalho dos caras ficou intitulado “England’s Newest Hit Makers“, escrito na capa, com a faixa “Not Fade Away” no lugar de “Mona (I Need You Baby)“, que ficou na versão britânica.

Na época do lançamento, “The Rolling Stones“, o álbum, ficou em primeiro lugar nas paradas britânicas por 12 semanas, enquanto o seu homólogo norte-americano ocupou o 11º lugar das paradas dos Estados Unidos, sendo disco de ouro.

Mas, curiosamente, em agosto de 2002, o ‘debut’ norte-americano dos Rolling Stones foi relançado em CD remasterizado, enquanto a sua versão britânica está fora de catálogo desde 1987.

Apesar de não ter a mesma importância que outros trabalhos da banda, “The Rolling Stones” é um disco agradável de se ouvir e é um trabalho interessante de se ouvir por mostrar as influências daquela que hoje é considerada a maior banda de rock da história (há quem discorde por acreditar que esse rótulo pertence aos Beatles, mas aí é uma longa discussão).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão britânica) da obra.

Álbum: The Rolling Stones
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 16 de abril de 1964
Gravadora: Decca Records
Produtores: Eric Easton e Andrew “Loog” Oldham

Mick Jagger: voz, gaita e percussão
Brian Jones: guitarra, gaita, vocal e percussão
Keith Richards: guitarra e backing vocal
Charlie Watts: bateria e percussão
Bill Wyman: baixo e backing vocal

Gene Pitney: piano em “Little By Little
Phil Spector: maracas em “Little By Little
Ian Stewart: órgão e piano

1. Route 66 (Troup)
2. I Just Want To Make Love To You (Dixon)
3. Honest I Do (Reed)
4. Mona (I Need You Baby) (McDaniel)
5. Now I’ve Got A Witness (Like Uncle Phil And Uncle Gene) (Phelge)
6. Little By Little (Phelge / Spector)
7. I’m A King Bee (Harpo)
8. Carol (Berry)
9. Tell Me (You’re Coming Back) (Jagger / Richards)
10. Can I Get A Witness (Holland / Dozier / Holland)
11. You Can Make It If You Try (Jarrett)
12. Walking The Dog (Thomas)

Por Jorge Almeida

Supertramp: 40 anos de “Breakfast In America”

“Breakfast In America”, clássico do Supertramp que completou 40 anos no último dia 29 de março

Há cerca de um mês, dia 29 de março para ser mais exato, o álbum “Breakfast In America“, o sexto trabalho de estúdio da banda britânica Supertramp, completou 40 anos de seu lançamento. Produzido por Peter Henderson em parceria com a banda, o disco foi gravado entre maio e dezembro de 1978, no The Village Recorder, em Los Angeles. E é o disco mais vendido da discografia da banda, com mais de seis milhões de cópias comercializadas só nos Estados Unidos, ocupando o primeiro lugar da Billboard 200 por seis semanas, além de ter ficado no topo nas paradas de outros países, como Canadá, Austrália, Noruega e na França.

Os principais compositores do grupo – Rick Davies e Roger Hodgson – escreveram boa parte das músicas sozinhos, porém, optaram a temática do disco em conjunto. A ideia original era de um trabalho com canções que falassem de relacionamento e conflitos de ideias, coisa comum entre Davies e Hodgson, e que se chamaria “Hello Stranger“, contudo, o conceito foi eventualmente limado a favor de um disco com músicas “divertidas”, embora Davies tenha manifestado o interesse em manter o título “Hello Stranger“, mas foi convencido por Hodgson a mudar para “Breakfast In America“, por ser o termo mais apropriado para o “espírito divertido” do álbum. No entanto, para alguns, o título pode ser interpretado como uma sátira no estilo de vida norte-americana, mas a banda nega que não tenha temática satírica.

Para a gravação do disco, o play passou por duas rodadas de demos. Em uma delas, feitas com demos caseiras, traziam os compositores (Hodgson ou Davies) cantando e tocando piano ou piano elétrico Wurlitzer. Enquanto a outra, gravada entre o final de abril e começo de maio de 1978, trazia a banda trabalhando nos arranjos de cada música.

Para não desperdiçar tempo com mixagem, o Supertramp e sua equipe de produção levaram uma semana experimentando formatos de arranjos diferentes até achar a que era perfeita. Mas o tiro saiu pela culatra, uma vez que os engenheiros de som levaram mais de dois meses de puro estresse atrás do mix certo, e esse tempo só terminou por conta da data de entrega que havia chegado, e não porque estavam satisfeitos com os resultados até então.

Ao contrário do que se tornariam frequentes nos anos seguintes, durante a gravação de “Breakfast In America” praticamente não houve tensão entre Hodgson e Davies, embora ambos admitiram que tinham estilos de vida diferentes, mal se falavam, exceto na troca de cumprimentos corteses.

Aliás, o piano elétrico Wurlitzer foi bastante utilizado pelos músicos durante a gravação do álbum, assim como ele já havia sido usado em canções mais antigas da banda, como “Dreamer” e “Lady“. Das dez faixas da obra, seis possuem o Wurlitzer.

O disco contém quatro dos maiores clássicos do Supertramp – os hinos “The Logical Song“, “Goodbye Stranger“, “Breakfast In America” e “Take The Long Way Home“. Além de outros petardos como “Gone Hollywood“, que abre o disco, e que fala sobre uma pessoa que saiu de Los Angeles para se tornar um astro de cinema, mas percebeu que isso era mais difícil do que ela imaginou. A ideia original era de uma letra mais sombria, mas Davies, autor da música, foi pressionado pelos demais e a reescreveu com uma tonalidade mais otimista e comercial. E também “Child Of Vision“, que encerra a obra, em que Roger Hodgson tentou levar na música o modo de vida dos estadunidenses, embora reconhecera que conhecia pouco da cultura dos Estados Unidos na época.

Mas, voltando a “The Logical Song” que, talvez, seja o maior hit da banda, a música fala sobre a perda da inocência e do idealismo, com o seu autor (no caso Roger Hodgson) condenando um sistema educacional que não é voltado no conhecimento e a música conta a história de uma pessoa que foi retirada de seu ambiente de infância e colocado na escola, onde é doutrinado para um futuro desprovido de qualquer espontaneidade em suas ações. A canção foi lançada como single, chegando ao topo das paradas do Canadá, em sexto na Billboard Hot 100 e em sétimo nos charts britânicos.

Em função do contrato da época que obrigava que as músicas do grupo fossem creditadas apenas para Rick Davies e Roger Hodgson, é complicado determinarmos quem escreveu o quê.

Outro ponto que merece atenção da obra é a sua capa, projetada por Mike Doud, e que mostra a cidade de Nova York vista da janela de um avião. Além disso, a imagem apresenta a atriz Kate Murtagh vestida como garçonete em uma pose que imita a Estátua da Liberdade com um copo de suco de laranja, em vez da tocha, em uma das mãos, enquanto a outra ela segura um cardápio, onde está escrito ‘Breakfast In America’. Ao fundo da arte, a cidade tem seus prédios feitos de caixas de cereais, cinzeiros, talheres, caixas de ovos e garrafas de ketchup, vinagre e mostarda, todos pintados de branco. As torres gêmeas do World Trade Center aparecem como duas pilhas de caixas e um prato de comida representa o Battery Park, local de partida da Balsa de Staten Island. A capa rendeu ao álbum o Grammy de Melhor Arte de Álbum.

A foto da contracapa, que mostra os membros da banda tomando café da manhã enquanto leem jornais de suas respectivas cidades, foi tirada num restaurante chamado Bert’s Mad House.

Ao longo dessas quatro décadas, “Breakfast In America” foi relançado diversas vezes, rendeu dois Grammys ao Supertramp e vendeu mais de 20 milhões de cópias. No entanto, de todas as edições que foram lançadas desse clássico do rock, a versão “Super Deluxe Edition”, que saiu em 2010 pela Universal (no Brasil chegou via Hellion Records) é formidável, pois, trata-se de um box com dois CD’s (um com o tracklist original e outro com um show realizado em 1979 durante a turnê do disco), além de um DVD, LP, livro e mais alguns mimos que enlouquece qualquer fã da banda.

Enfim, “Breakfast In America” é tão clássico que só tenho duas coisas para dizer sobre ele: quem ainda não tem, compre. E, para quem já tem, não empreste-o a ninguém.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Breakfast In America
Intérprete: Supertramp
Lançamento: 29 de março de 1979
Gravadora: A&M
Produtores: Peter Henderson e Supertramp

Rick Davies: teclados, voz e gaita
Roger Hodgson: guitarras, teclados e voz
John Helliwell: saxofone, voz em “Child Of Vision” e madeiras
Dougie Thomson: baixo
Bob C. Benberg: bateria e percussão
Slyde Hyde: tuba e trombone

1. Gone Tomorrow (Davies / Hodgson)
2. The Logical Song (Davies / Hodgson)
3. Goodbye Stranger (Davies / Hodgson)
4. Breakfast In America (Davies / Hodgson)
5. Oh Darling (Davies / Hodgson)
6. Take The Long Way Home (Davies / Hodgson)
7. Lord Is It Mine (Davies / Hodgson)
8. Just Another Nervous Wreck Down (Davies / Hodgson)
9. Casual Conversation (Davies / Hodgson)
10. Child Of Vision (Davies / Hodgson)

Por Jorge Almeida

Scorpions: 35 anos de “Love At First Sting”

“Love At First Sting”, o disco mais bem sucedido do Scorpions completou 35 anos recentemente

No último dia 27 de março, o nono álbum de estúdio do Scorpions, o clássico “Love At First Sting“, completou 35 anos de lançamento. Gravado entre 1983 e 1984 no Dierks Studios, em Stommeln, na Alemanha Ocidental, a obra foi produzida por Dieter Dierks e lançada pela Harvest/EMI na Europa e pela Mercury nos Estados Unidos. Até hoje é considerado o maior disco lançado pelo grupo alemão.

As sessões iniciais do play aconteceram no Polar Studios, em Estocolmo, na Suécia, no verão de 1983. Há boatos de que a “cozinha” do disco foi feita por dois ex-integrantes do Rainbow: o baixista Jimmy Bain e o baterista Bob Rondinelli, enquanto os “titulares” da banda – Francis Buchholz e Herman Rarebell – estavam temporariamente fora da banda. Mas o fato foi negado pelos demais membros. Porém, se os músicos da antiga banda de Ritchie Blackmore tocaram de fato ou não, não sabemos, pois sequer receberam os créditos.

Antes de lançarem “Love At First Sting“, o Scorpions desfrutava do prestígio adquirido pelo êxito comercial conquistado pelo disco anterior, o clássico “Blackout“, de 1982. O trabalho foi bem aceito nos Estados Unidos e, com isso, uma sequência de álbuns de Hard Rock tipicamente oitentista vieram em seguida.

Apesar de ter sido o disco de maior sucesso da banda em solo ianque, onde chegou ao sexto lugar da Billboard 200 em 1984, alcançando a platina dupla no final daquele ano e a platina tripla em 1995, “Love At First Sting” não segue o padrão “Metal Hair” que vigorava na época, ou seja, nada de exageros, ‘cabelos de poodle’ e canções apelativamente comercial, mas sim Rock And Roll do primeiro ao último acorde, totalmente com identidade e pegada ‘scorpiana’.

Com linhas cruas e riffs caprichados, que são um dos destaques da obra, a inspiração das guitarras de Matthias Jabs e Rudolf Schenker foi determinante para a elaboração desse clássico. A cozinha de Buchholz e Rarebell (ou Bain e Rondinelli?) não comprometeu em nada, foi o arroz com feijão bem temperados. Já o vocais de Klaus Meine apresentou a mesma excelência de sempre, ainda mais que ele vivia em grande fase.

Capa alternativa de “Love At First Sting”, com apenas imagem dos integrantes do Scorpions

O álbum alcançou números expressivos e emplacou hits como “Rock You Like A Hurricane“, a clássica “Big City Nights” e o ‘hit-mor’ “Still Loving You“, sendo essa última que chegou ao 64º lugar nas paradas norte-americanas, em 14º na Alemanha e o terceiro lugar nas paradas francesas e suíças. Além das faixas citadas, que são verdadeiros hinos dos alemães, vale conferir a faixa de abertura, a porrada “Bad Boys Running Wild” e a semi-balada “Coming Home“.

A arte da capa original foi criada pela Kochlowski, uma empresa de design gráfico alemã, e apresenta uma foto tirada pelo renomado fotógrafo alemão Helmut Newton. Apesar de a gravadora ter mostrado a arte da capa original aos varejistas sem qualquer preocupação, uma queixa da Wal-Mart nos EUA após o lançamento do álbum resultou na emissão de uma capa “limpa” para uso em várias cadeias de lojas de departamentos da PolyGram Records. A capa alternativa foi projetada para ser menos controversa, simplesmente mostrando uma foto dos membros da banda, que era a mesma foto que constava no encarte da obra.

Claro que, com “Love At First Sting“, o Scorpions seguiu fazendo turnês pelo mundo afora, inclusive com direito a uma apresentação na primeira edição do Rock In Rio, em 1985, e em diversos festivais, sendo healiner em alguns deles. E, como consequência desse sucesso todo, os caras lançaram “World Wide Alive” (1985), que traz diversos clássicos do grupo gravados em shows realizados nos quatro cantos do planeta.

Definitivamente, esse trabalho do Scorpions é uma obra-prima não só da discografia da banda, mas do rock. Não só recomendo, como afirmo que é obrigatório.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Love At First Sting
Intérprete: Scorpions
Lançamento: 27 de março de 1984
Gravadora: Harvest/EMI (Europa) / Mercury Records (EUA)
Produtor: Dieter Dierks

Klaus Meine: voz
Rudolf Schenker: guitarra rítmica e solo e backing vocal
Matthias Jabs: guitarra rítmica e solo
Francis Buchholz: baixo e sintentizador Moog
Herman Rarebell: bateria

1. Bad Boys Running Wild (Meine / Rarebell / Schenker)
2. Rock You Like A Hurricane (Meine / Rarebell / Schenker)
3. I’m Leaving You (Meine / Schenker)
4. Coming Home (Meine / Schenker)
5. The Same Thrill (Meine / Schenker)
6. Big City Nights (Meine / Schenker)
7. As Soon As The Good Times Roll (Meine / Schenker)
8. Crossfire (Meine / Schenker)
9. Still Loving You (Meine / Schenker)

Por Jorge Almeida

 

Saxon: 35 anos de “Crusader”

“Crusader”: sexto disco de estúdio do Saxon, que completa 35 anos nesta terça-feira

Neste dia 16 de abril de 2019, o sexto disco de estúdio do Saxon, “Crusader”, completa 35 anos de seu lançamento. Produzido por Kevin Beamish, o registro foi gravado em 1984 no Sound City Studios, em Los Angeles, na Califórnia, e foi lançado pela gravadora francesa Carrere.

De acordo com o baixista Steve Dawson, o termo que dá nome à faixa-título se deu por conta do logotipo de um jornal inglês chamado Daily Express em que há um “crusader”, e também por conta de um carro da Ford chamado Cortina Crusader, e gostaram do nome, mas sem nenhuma conotação do significado da expressão, então, só resolveram escrever a letra para encaixar-se com o título.

No entanto, o álbum é considerado um clássico e consolidou a banda na história do NWOBHM (conhecido também como Nova Onda do Heavy Metal Britânico), alcançando a marca de dois milhões de cópias vendidas, tornando-se o disco de maior sucesso comercial do grupo, alcançando o primeiro lugar nas paradas de metal na França, na Alemanha e na Suécia, além de um 18º lugar nos charts britânicos.

Entre as faixas, destaque para a sua faixa-título e a sua antológica e mística áurea medieval, que também colaborou para o Saxon angariar nova leva de fãs e engradecer a banda na década de 1980. Enquanto isso, a rápida e animada “Set Me Free” deixa nítido o poder dos integrantes ao tocá-la a música com perfeição nesse cover do Sweet. A “hardona” “Just Let Me Rock” merece atenção, especialmente por conta de seu refrão grudento. A bem trabalha e agitada “Rock City” traz solos precisos e um ótimo trabalho da dupla Graham Oliver e Paul Quinn nos riffs duplicados. O Hard Rock presente em algumas faixas foi feita para agradar o mercado norte-americano.

Com uma capa extraordinariamente bela, assinada pelo artista Paul R. Gregory, o conteúdo do play aborda temas místicos como cavaleiros, conquistas, batalhas, com pitadas medievais e Folk na música do grupo, algo que lembra um pouco a pegada do Rainbow nos tempos de Ronnie James Dio, liricamente falando, só que sem dragões e bruxas.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Crusader
Intérprete: Saxon
Lançamento: 16 de abril de 1984
Gravadora: Carrere
Produtor: Kevin Beamish

Biff Byford: voz
Graham Oliver e Paul Quinn: guitarras
Steve Dawson: baixo
Nigel Glocker: bateria

1. The Crusader Prelude (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
2. Crusader (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
3. A Little Bit Of What You Fancy (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
4. Sailing To America (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
5. Set Me Free (Scott)
6. Just Me Rock (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
7. Bad Boys (Like To Rock N’ Roll) (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
8. Do It All For You (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)
9. Rock City (Byford / Quinn / Oliver / Dawnson)
10. Run For Your Lives (Byford / Quinn / Oliver / Dawson / Beamish)

Por Jorge Almeida

 

Rush: 35 anos de “Grace Under Pressure”

“Grace Under Pressure”: o 10º disco d estúdio do Rush, que completa 35 anos em 2019

Hoje, dia 12 de abril de 2019, o décimo trabalho de estúdio do Rush, “Grace Under Pressure“, completa 35 anos. Gravado entre novembro de 1983 e março de 1984, no Studio Le Studio, em Morin-Heights, em Quebec, no Canadá, o disco foi produzido pela banda em conjunto com Peter Henderson e saiu pela Anthem Records, no Canadá, e pela Mercury, no mercado internacional.

Em julho de 1983, o Rush encerrou sua turnê com apresentações na América do Norte e no Reino Unido, onde promovera o seu disco anterior – “Signals” (1982). No mês seguinte, em agosto, a banda se reuniu para começar a escrever e a ensaiar para as gravações de um novo trabalho. As sessões foram produtivas, por conta do tempo em que eles tiveram para trabalhar e o horário que o estúdio havia sido reservado para o grupo. O Rush seguiu a sua habitual metodologia de trabalho: com Geddy Lee e Alex Lifeson trabalhando nos arranjos das composições, enquanto as letras ficavam a cargo de Neil Peart.

Para as gravações do sucessor de “Signals“, o trio decidiu não trabalhar com o seu produtor de longa data, Terry Brown, que colaborou com o Rush desde 1975. A princípio, para o seu lugar, o grupo tentou o produtor Steve Lillywhite, mas ele estava envolvido em outros projetos e não foi viável. Então, o conjunto foi atrás de Peter Henderson, famoso por trabalhos feitos com o Supertramp, Split Enz, Frank Zappa e King Crimson,

A decisão de mudar o produtor já estava nos planos da banda ainda durante a turnê de “Signals“. Em abril de 1982, o Rush se encontrou com Terry Brown, em Miami, para informá-lo que eles haviam decidido trabalhar com um produtor diferente para o próximo disco., pois gostariam de explorar diferentes abordagens e técnicas que alguém poderia oferecer, o que por sua vez desenvolveria seu som, mas enfatizou que a mudança não sugeria qualquer insatisfação na produção de Brown. Peart lembrou que a divisão foi difícil para ambas as partes, considerando o tempo que elas trabalharam juntas, mas que elas se separaram em bons termos. Terry Brown recebeu uma homenagem no encarte de “Grace Under Pressure“, em francês, que se traduz em “E sempre nosso bom e velho amigo”.

O novo material continuou a mudança do grupo em direção a um som orientado para o teclado de acordo com os dois álbuns anteriores. Algumas músicas foram inspiradas em reportagens do jornal The Globe and Mail, de Toronto, como as boas “Distant Early Warning“, “Red Lenses” e “Between The Wheels“, sendo que essa última foi escrita na primeira noite de ensaio. Com isso, em três semanas, o Rush reuniu em uma demo as faixas mencionadas acima, juntamente com “Red Spector A” e “The Body Electric“. O processo precisou dar uma pausa em setembro de 1983 porque o Rush tocou cinco noites no Radio City Music Hall, em Nova York, para, em seguida, dar continuidade com os trabalhos para, dois meses depois, levarem uma coleção de demos ao estúdio para começar a gravar naquele período que, até então, foi o mais longo que o Rush levou para gravar um disco, passando até a 14 horas por dia no estúdio.

Musicalmente, a obra marcou um desenvolvimento na sonoridade da banda, enquanto continuava a fazer uso extensivo de sintetizadores como em “Signals“, a banda também experimentou incorporando elementos de ska e reggae em algumas das músicas. As guitarras desempenharam um papel maior em relação ao disco anterior. Logo, a transição do Hard Rock progressivo para um lado “mais artístico” havia começado com êxito no disco anterior. Em “Grace Under Pressure“, a banda não fez longas composições, como aqueles épicos sons da década anterior, com estruturas de faixas mais convencionais para fazer algo novo, forte e inovador.

O álbum começa com a equilibrada “Distant Early Warning“, que traz uma guitarra enérgia e um teclado responsável por uma atmosfera fabulosa. Enquanto “Afterimage” tem uma temática sobre a morte de uma pessoa amiga da banda, Robbie Whelan, um operador de fita do Le Studio, que morreu em um acidente automobilístico antes do lançamento da obra. Nela, os caras matam a pau com a sua triste e bela melodia. Em seguida, um dos principais destaques do disco, “Red Sector A“, que fala sobre um campo de concentração e cantada por Geddy Lee com muito sentimento e profundidade. E o lado A termina com “The Enemy Whitin (Part I Of ‘Fear’)“, que teve um videoclipe produzido e sendo o primeiro a ter sido tocado pelo canal musical canadense MuchMusic, lançado em agosto de 1984.

O outro lado da obra começa com “The Body Electric“, que apresenta um solo de guitarra com efeito de harmonização com o atraso descrito por Lifeson como “bastante bizarro”. Em seguida, o play traz uma trinca formada por “Kid Gloves“, “Red Lenses” e “Between The Wheels“, que apesar de serem boas músicas, são menos atraente que o restante do disco, o que não quer dizer necessariamente que o play não deva ser apreciado em sua totalidade.

O disco foi influenciado, liricamente falando, pelas crescentes tensões provocadas pela Guerra Fria na década de 1980 e gira em torno do tema “pressão”, e como a humildade age sob a influência dela. Apesar de ser um dos trabalhos mais sombrios e obscuros do Rush, o grupo consegue neutralizar as influências de outros gêneros, como reggae, e o clássico Hard Rock.

A capa de “Grace Under Pressure” foi projetada e pintada por Hugh Syme, que projetou capas de álbuns para o Rush desde 1975. A contracapa apresenta um retrato da banda do fotógrafo canadense-armênio Yousuf Karsh. O grupo decidiu empregar Karsh quando eles discutiram idéias para a capa do álbum durante os ensaios em Horseshoe Valley. Lifeson sugeriu a Peart uma foto em preto-e-branco da banda, já que a banda não havia feito algo assim nos álbuns anteriores. Lee ficou entusiasmado com a ideia e sugeriu usar Karsh.

A obra alcançou o número quatro nas paradas canadenses, o quinto lugar no Reino Unido e entrou no top 10 da Billboard 200, rendendo-lhe o disco de platina à banda por ter vendido na época um milhão de cópias.

Sem dúvidas nenhuma, um belo registro feito por esses excepcionais músicos que, por menos inspirados que estejam, sempre fazem de nós meros “músicos amadores”. Vale a pena a obra.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Grace Under Pressure
Intérprete: Rush
Lançamento: 12 de abril de 1984
Gravadora: Anthem Records (Canadá) / Mercury (internacional)
Produtores: Rush e Peter Henderson

Geddy Lee: baixo, sintetizadores e voz
Alex Lifeson: guitarra, violão e backing vocal
Neil Peart: bateria e percussão

1. Distant Early Warning (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
2. Afterimage (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
3. Red Sector A (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
4. The Enemy Within (Part I Of ‘Fear’) (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
5. The Body Electric (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
6. Kid Gloves (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
7. Red Lenses (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)
8. Between The Wheels (Música: Lee / Lifeson / Letra: Peart)

Por Jorge Almeida

Motörhead: 25 anos de “Live At Brixton”

“Live At Brixton”: registro ao vivo do Motörhead gravado em 1987 e lançado em 1994

O quarto registro ao vivo do Motörhead, “Live At Brixton”, completa hoje, sexta-feira, 12 de abril, 25 anos de seu lançamento. Produzido por Mo The Man, foi lançado pela Roadrunner Records em 1994 e pela Sanctuary Records em 2005 com o acréscimo do termo “’87” no título da obra. O registro traz, no entanto, a gravação de uma apresentação que Lemmy Kilmister e sua trupe fizeram na Brixton Academy, em Londres, no dia 23 de dezembro de 1987, véspera do 42º aniversário do vocalista.

A pretensão do grupo, originalmente, era ter usado esse concerto para o que se tornou o ‘live’ “No Sleep At All”, em 1988. Porém, este material “desapareceu” por alguns anos, e eles não conseguiram encontrá-lo e, para suprir o “sumiço”, a banda utilizou o show realizado no Giants Of Rock, na Finlândia, seis meses depois.

Antes do lançamento licenciado pela Roadrunner, sem a permissão da banda, esse show encontrava-se disponível como ‘bootleg’. Por isso que o ouvinte pode notar nitidamente a “pobreza” na qualidade do som para ser “produzido” para um disco ao vivo. Apesar de ter feito a remasterização das fitas originais, a versão reeditada pela Sanctuary – essa sim com o aval do Lemmy para a sua ‘oficialização’ -, em 2005, não saiu “lá essas coisas”.

Na ocasião do espetáculo, o Motörhead atuara como um quarteto e vinha das turnês dos álbuns “Orgasmatron” (1986) e “Rock And Roll” (1987), e parte do material do play nunca mais fora tocada ao vivo após o término da tour, em 1988.

Com isso, faixas como “Doctor Rock”, “Jus ‘Cos You Got The Power” (lado B do single “Eat The Rich”), nunca foram ouvidas novamente até o lançamento do DVD “Stage Fright” (2005). Enquanto isso, clássicos como “Stay Clean”, “Metropolis” e “Ace Of Spades” estão presentes no tracklist. Aliás, essas faixas só não constam nos bootlegs “Live In Toronto” (1982) e “Live In Manchester” (1983), sendo este último com a participação de Brian Robertson na guitarra, e que foi “oficializado” em 2005 ao ser incluído como CD bônus na versão remasterizada do álbum “Another Perfect Day” (1983).

Já em outros casos, como “Deaf Forever”, “Built For Speed”, “Eat The Rich”, “Stone Deaf In The U.S.A.”, “Traitor” e “Dogs” só fizeram parte do repertório ao vivo do Motörhead durante as turnês que aconteceram entre 1986 e 1988, já que a partir da década de 1990, todas foram limadas do set ao vivo da banda, mesmo em apresentações aleatórias. Aliás, esse foi o único disco ao vivo oficial do grupo que a faixa “Rock ‘N’ Roll” foi lançada.

Os “motörheadbangers” certamente notaram a ausência de temas clássicos e obrigatórios como “No Class”, “Orgasmatron”, “Motörhead”, “Overkill” e “Killed By Death”, que foram tocados no concerto, mas que ficou de fora desse lançamento, assim como o ao vivo anterior do grupo, embora exista um bootleg japonês com o show completo que está em circulação.

Com 12 faixas, “Live At Brixton” pode até pecar pela qualidade duvidosa do áudio, mas, em se tratando de Motörhead, isso é o de menos, pois, o negócio é estourar o tímpano e chutar traseiros por aí. Som na máquina.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Live At Brixton / Live At Brixton ‘87
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 12 de abril de 1994
Gravadoras: Roadrunner Records / Sanctuary Records (relançamento de 2005)
Produtor: Mo The Man

Lemmy Kilmister: baixo e voz
Phil Campbell e Würzel: guitarra e backing vocal
Phil “Philthy Animal” Taylor: bateria

1. Doctor Rock (Kilmister / Burston / Campbell / Gill)
2. Stay Clean (Kilmister / Clarke / Taylor)
3. Traitor (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)
4. Metropolis (Kilmister / Clarke / Taylor)
5. Dogs (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)
6. Ace Of Spades (Kilmister / Clarke / Taylor)
7. Stone Deaf In The U.S.A. (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)
8. Eat The Rich (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)
9. Built For Speed (Kilmister / Burston / Campbell / Gill)
10. Rock ‘N’ Roll (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)
11. Deaf Foverer (Kilmister / Burston / Campbell)
12. Just ‘Cos You Got The Power (Kilmister / Campbell / Burston / Taylor)

Por Jorge Almeida