Alice Cooper: 15 anos de “Dirty Diamonds”

“Dirty Diamonds”: álbum de Alice Cooper que completa 15 anos em 2020

Neste sábado, 4 de julho, o álbum “Dirty Diamonds” completou 15 anos de seu lançamento (a versão europeia/internacional, enquanto a norte-americana saiu em 2 de agosto do mesmo ano). Produzido por Steve Lindsey e lançado pela New West/Spitfire, o disco manteve a mesma pegada do trabalho anterior (“The Eyes Of Alice Cooper”, de 2003) com um Garage Rock/Hard Rock remetente às origens dos momentos iniciais da carreira do mestre do “Rock Horror”.

Mantendo suas inspirações em James Bond e Rolling Stones, Alice Cooper mais uma vez surpreende com mais um bom trabalho. É impressionante como o cantor nascido em Detroit (EUA) em 1948 consegue manter uma certa regularidade de seu trabalho sem perder a qualidade, ao contrário da maioria dos músicos de sua geração que, nem sempre, conseguem o mesmo êxito em seus novos lançamentos. Claro, que a carreira de Alice Cooper teve altos e baixos, mas ele consegue manter suas apresentações em alto nível e com músicas melhores que a média de sua geração. E “Dirty Diamonds”, o seu 24º disco de estúdio, confirma isso.

Acompanhado por uma banda de apoio competente na obra: formado por Ryan Roxie e Damon Johnson nas guitarras e nos backing vocals, Chuck Garric (baixo e backing vocal) e Tommy Clufetos (bateria), que deixou o cargo após a conclusão do disco e, em seu lugar, Eric Singer assumiu as baquetas na turnê (por isso o atual baterista do Kiss aparece no livreto/encarte do álbum, embora não tenha tocado as músicas em estúdio), Alice Cooper não trouxe a mesma teatralidade e a morbidez de suas obras-primas como “Killer” ou “Love It To Death”, mas ele manteve viva as suas performances exuberantes e a atmosfera peculiar dos primeiros discos.

O disco abre com a enérgica “Woman Of Mass Distraction”, cujo o título faz um trocadilho com o termo “weapon of mass destruction” (arma de destruição em massa), é um ótimo cartão de visitas do play. Um Hard Rock bem feito, por sinal. Em seguida, uma das minhas faixas favoritas do cantor: a ‘stoniana’ “Perfect“, simples, porém, uma maravilhosa ironia de Alice Cooper para a “mulher perfeita”. O terceiro tema é “You Make Me Wanna“, uma faixa Garage Rock que faz a gente levantar da cadeira e agitar a cabeleira. Posteriormente, o disco apresenta a faixa-título, que começa lenta nos primeiros segundos e, depois, aparece a banda com um rockão direto e um vocal rasgado do veterano músico. A faixa cinco é “The Saga Of Jesse Jane“, uma abordagem meio country em que Alice Cooper conta um enredo absurdamente bizarro (se bem que, em se tratando dele, algo com esse termo é meio que redundante, não é mesmo?). E a obra chega à metade com “Sunset Babies (All Got Babies)“, que tem um ótimo riff de guitarra, um instrumental bem trabalhado, enfim, um típico Hard Rock setentista.

A outra metade do play inicia-se com “Pretty Ballerina“, um cover da banda The Left Banke, que se trata de uma típica balada de Alice Cooper, apesar de não ser de sua autoria, que possui um ritmo cadenciado. Já em “Run Down The Devil“, o cantor trouxe “resquícios” de sua fase de Hard Rock Industrial (tipo aquelas coisas que Marilyn Mason fazia na época, sacou?), é uma faixa pesada, mas destoa das demais. A nona música é “Steal That Car“, um rock rápido, básico e sem tempo para firulas (calma, não é uma música à lá Ramones!). Depois, em “Six Hours“, um Blues com doses cavalares de solos de guitarra, mas com a marca Alice Cooper. A penúltima faixa é a divertida “Your Own Worst Enemy“, outra música Garage Rock, mas protagonizada pelo excelente baixo. E, para finalizar, “Zombie Dance“, em que Alice Cooper apresenta uma de suas principais especialidades: historinha de terror “trash”, com direito a um toque especial de vocais femininos. Bom, em algumas versões da obra, há faixa bônus, como “Stand” que, por incrível que pareça, tem na edição brasileira (!!), e que tem a participação do rapper Xzibit (bastante conhecido por apresentar o reality show automobilístico “Pimp My Ride“) cantando com Alice Cooper, a faixa não compromete, mas também não é digna de ser um dos destaques da obra. Além disso, a versão australiana ainda tem mais uma faixa: “The Sharpest Pain“.

O disco não é um marco da carreira de Alice Cooper, apesar de ter alcançado o 17º lugar da Billboard no “Top de Álbuns Independentes”, enquanto na Billboard 200 ficou em 169º lugar.

O material apresenta Alice Cooper em seu estilo mais clássico, um rock and roll honesto e sem abusar da modernidade e, por isso, “Dirty Diamonds” pode ser adquirido sem chances de arrependimento. Vale a aquisição.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão europeia/EUA) da obra.

Álbum: Dirty Diamonds
Intérprete: Alice Cooper
Lançamento: 4 de julho de 2005 (Europa/Internacional) / 2 de agosto de 2005 (Estados Unidos)
Gravadoras: New West e Spitfire
Produtor: Steve Lindsey

Alice Cooper: voz e gaita
Ryan Roxie e Damon Johnson: guitarras
Tommy Clufetos: bateria
Eric Singer: bateria (apenas na turnê)

Xzibit: rap em “Stand

1. Woman Of Mass Distraction (Cooper / Johnson / Roxie / Garric / Boston)
2. Perfect (Cooper / Johnson / Roxie)
3. You Make Me Wanna (Cooper / Roxie / Garric / Boston)
4. Dirty Diamonds (Cooper / Johnson / Garric / Boston)
5. The Saga Of Jesse Jane (Cooper / Roxie)
6. Sunset Babies (All Got Rabies) (Cooper / Johnson / Roxie)
7. Pretty Ballerina (Brown)
8. Run Down The Devil (Cooper / Hudson / Elizondo / Hughes)
9. Steal That Car (Cooper / Johnson / Roxie / Garric)
10. Six Hours (Cooper / Roxie)
11. Your Own Worst Enemy (Cooper / Roxie)
12. Zombie Dance (Cooper / Roxie / Boston)
Faixa Bônus:
13. Stand (Cooper / Benenate / Boston / Xzibit)

Por Jorge Almeida

Camisa de Vênus: 35 anos de “Batalhões de Estranhos”

“Batalhões de Estranhos”: o segundo disco do Camisa de Vênus completa 35 anos em 2019

Neste mês de julho, o segundo disco dos baianos do Camisa de Vênus, “Batalhões de Estranhos“, completa 35 anos de seu lançamento. Gravado no primeiro semestre de 1985, o disco foi lançado pela extinta RGE e a produção assinada por Reinaldo Brito.

Depois de terem sido demitidos pela Som Livre por não acatarem a sugestão da gravadora pela mudança do nome da banda, o Camisa de Vênus ficou quase um ano sem gravar e, em 1984, assinou com a RGE para a gravação de seu segundo trabalho, que trazia uma banda mais madura musicalmente e com melhores recursos de estúdio à disposição para fazer um som mais polido e menos agressivo em relação ao seu ‘debut‘, que fora lançado em 1983.

Considerada praticamente como a única banda de punk rock da Bahia, o Camisa de Vênus já era relativamente conhecido quando o seu segundo disco saiu e com ele o hit “Eu Não Matei Joana D’arc“, considerado um dos maiores sucessos do grupo até hoje.
Aproveitando o sucesso do single, o Camisa de Vênus saiu em turnê para promover “Batalhões de Estranhos”, que, embora fosse “mais leve” que o disco de estreia, apresentava o mesmo tom crítico, debochado e visceral que marcou a banda de Marcelo Nova até hoje.

No disco, o Camisa já se arriscara em compor algumas baladas e melancólicas, mesclada com a pegada punk rock. O play abre com a sarcástica e humorística “Eu Não Matei Joana D’arc” e também outras pérolas que merecem destaques, como as densas e carregadas “Lena” e “Rostos e Aeroportos“, além de outros dois temas que também fizeram sucesso na carreira dos baianos “Gotham City“, de Jards Macalé, e “Hoje“, que ganhou uma versão no “Acústico MTV“, do Charlie Brown Jr. com a participação especial de Marceleza. A obra ainda contém as ‘punks’ e ácidas “Casas Modernas“, “Crime Perfeito” e a faixa-título.

Marcelo Nova, embora fosse o mentor e líder do Camisa de Vênus, permitia aos demais integrantes toda a liberdade em seus instrumentos. Geralmente, ele fazia as composições juntamente com Karl Hummel ou Gustavo Mullem, que colaboraram para dar uma forma musical às ideias do vocalista juntamente com Robério Santana e Aldo “Boi Tatá” Pereira.

Embora continuasse a rejeição por parte da mídia em geral para com o grupo, o sucesso do Camisa de Vênus foi inevitável. Se de um lado, eles não apareciam na mídia, os seus discos vendiam e o público lotava cada vez mais os seus subersivos shows.

E só uma curiosidade em relação à capa: uma das crianças que aparecem nela é Penélope Nova, ex-VJ da MTV e filha de Marcelo Nova.

Em suma, “Batalhões de Estranhos” é um clássico do punk rock nacional que deveria ser ouvido por todos, pena que o disco está fora de catálogo e o mercado não demonstra interesse em relançar a obra em CD.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Batalhões de Estranhos
Intérprete: Camisa de Vênus
Lançamento: julho de 1985
Gravadora: RGE
Produtor: Reinaldo Brito

Marcelo Nova: voz
Robério Santana: baixo
Gustavo Mullem e Karl Franz Hummel: guitarras
Aldo Machado: bateria

1. Eu Não Matei Joana D’arc (Gustavo Mullem / Marcelo Nova)
2. Casas Modernas (Gustavo Mullem / Marcelo Nova)
3. Lena (Karl Hummel / Marcelo Nova)
4, Ladrão de Banco (Karl Hummel / Gustavo Mullem / Marcelo Nova)
5. Gotham City (José Carlos Capinam / Jards Macalé)
6. Noite e Dia (Karl Hummel / Marcelo Nova)
7. Crime Perfeito (Karl Hummel / Marcelo Nova)
8. Rostos e Aeroportos (Gustavo Mullem / Marcelo Nova)
9. Hoje (Karl Hummel / Marcelo Nova)
10. Cidade Fantasma (Karl Hummel / Marcelo Nova)
11. Batalhões de Estranhos (Karl Hummel / Marcelo Nova)
12. Coiote no Cio (Pink Panther) (Henry Mancini)

Por Jorge Almeida

Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens: 35 anos de “Educação Sentimental”

“Educação Sentimental”, o segundo disco do Kid Abelha e o último com a participação de Leoni como integrante da banda

No último mês de maio, o segundo disco de estúdio do Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens, “Educação Sentimental“, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Liminha, o álbum saiu pela Warner Music, e esse disco foi o último a ter a participação de Leoni no grupo, então o principal compositor da banda.

O lançamento da obra sofreu alguns meses de atraso por conta da preparação do conjunto para participar da primeira edição do Rock In Rio, em janeiro de 1985. O nome do disco foi inspirado no livro “L’Éducation Sentimentale“, de 1869, do escritor francês Flaubert e, ao contrário de “Seu Espião“, o trabalho de estreia da banda em que os temas eram focados no universo da adolescência, em “Educação Sentimental” aborda assuntos como liberdade, saída da casa dos pais, mundo jovem, lições da vida sobre amores maduros.

Principal compositor da banda, Leoni que assinou as dez faixas da obra, duas sozinho e as demais em co-autoria, saiu do Kid Abelha em 1986 após uma treta nos bastidores em um show de Leo Jaime. O compositor, que teve um relacionamento amoroso com a vocalista Paula Toller, se desentendeu porque o Kid Abelha foi convidado para cantar a música “A Fórmula do Amor“, parceria de Leo Jaime e Leoni, e esqueceram de chamar o baixista na hora da execução da música, o que provocou a ira de Leoni e uma briga interna provocou a saída do músico, que fundou outra banda, o Heróis da Resistência. E o Kid Abelha seguiu como um trio. Outro boato também sobre essa briga foi porquê Leo Jaime não citou Leoni como o seu parceiro da canção citada.

Mas, voltando ao álbum, ele começa bem com “Lágrimas e Chuva“, que saiu como compacto antecipado do disco, e que tornou-se um clássico da banda. Em seguida, aparece “Educação Sentimental II“, que teve sua abertura “chupinhada” de “London Calling“, do The Clash, outro hit do grupo em que Paula Toller apresenta uma lista de planos que pode ser desfeito sob a ameaça do fim do amor. O terceiro tema é “Conspiração Internacional“, cantada por Leoni, que tem uma pegada de The Pretenders. Um pop bacaninha. Na sequência, mais um sucesso do álbum: “Os Outros“, que Leoni escreveu passando pela situação de uma menina que lamenta o fim de um relacionamento e que, apesar de ter tentando outros relacionamentos para tentar esquecer o amado, mas “os outros são os outros“. Destaque para o contraponto feito pelo sax de George Israel. O disco chega à metade com “Amor Por Retribuição“, feita por Leoni e George Israel, é mais uma que foi inspirada no The Pretenders, em que é abordado a situação de um relacionamento que estava perto do fim ou de um envolvimento entre pessoas que não deveriam estar juntas (confesso que me identifiquei bastante com o enredo dessa música em meu último relacionamento).

O lado B começa com “Educação Sentimental“, uma abordagem bem adolescente, mas que, ao contrário da segunda versão, é cantada por Leoni com alguns trechos em duetos com Paula Toller. Posteriormente, a obra apresenta “Garotos“, outra faixa em que Leoni assumi o protagonismo da figura feminina na condição de interlocutor que Paula Toller interpreta magistralmente como se fosse mostrar para as meninas como elas devem fazer para fascinar os rapazes, que “perdem tempo pensando em brinquedos e proteção”, como diz a letra. Parece que o teor lírico foi tirado dessas revistas “teens”, mas que ganhou uma “resposta” por parte de Leoni em sua carreira solo com a música “Garotos II, O Outro Lado“. O oitavo tema é “Um Dia em Cem“, um pop básico com uma boa batida de bateria. Os dois últimos temas são parcerias feitas por Leoni e Leo Jaime: primeiro, em “Uniformes“, uma música lenta e triste que fala sobre os padrões de comportamento; e, para encerrar, “A Fórmula do Amor“, que é uma espécie de manual para os homens conseguir a tal “fórmula do amor”. Sinceramente, sem desmerecer a versão que está aqui, mas prefiro a que foi lançada por Leo Jaime em “Sessão da Tarde” (1985).

E, assim como o primeiro LP, “Educação Sentimental” fez sucesso entre os jovens, mas a crítica, especialmente, a paulista que classificou o disco como “descartável”. No entanto, o álbum vendeu 200 mil cópias e rendeu um disco de ouro ao Kid Abelha (que posteriormente tirou o “sobrenome” Abóboras Selvagens) e que, tardiamente, a obra foi considerada um dos grandes trabalhos lançados na década de 1980.

E, para finalizar, “Educação Sentimental” é um disco agradável de ouvir. Recomendo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Educação Sentimental
Intérprete: Kid Abelha
Lançamento: maio de 1985
Gravadora: Warner Music (WEA)
Produtor: Liminha

Paula Toller: voz
Leoni: voz, backing vocal, baixo e violão
George Israel: saxofone, flauta e violão
Bruno Fortunato: guitarra
Cláudio Infante: bateria

Leo Jaime: vocais de apoio
Roberto de Carvalho: piano
Jorjão Barreto: teclados
Léo Gandelman e Zé Carlos: metais

1. Lágrimas e Chuva (Leoni / Bruno Fortunato / George Israel)
2. Educação Sentimental II (Leoni / Paula Toller / Herbert Vianna)
3. Conspiração Internacional (Leoni / Paula Toller)
4. Os Outros (Leoni)
5. Amor Por Retribuição (Leoni / George Israel)
6. Educação Sentimental (Leoni)
7. Garotos (Leoni / Paula Toller)
8. Um Dia Em Cem (Leoni / Paula Toller)
9. Uniformes (Leoni / Leo Jaime)
10. A Fórmula do Amor (Leoni / Leo Jaime)

Por Jorge Almeida

The Rolling Stones: 40 anos de “Emotional Rescue”

“Emotional Rescue”, dos Rolling Stones, completou 40 anos no último dia 20 de junho

No último sábado (20), o álbum “Emotional Rescue“, dos Rolling Stones, completou 40 anos de seu lançamento. Gravados em diversos períodos entre janeiro de 1978 e dezembro de 1979, o disco foi gravado no Compass Point Studios, em Nassau, nas Bahamas, no Pathé Marconi, em Pari e com alguns overdubs feitos no The Hit Factory, em Nova Your no final de 1979. A produção ficou a cargo dos The Glimmer Twins e lançado pela Rolling Stones Records/Atlantic.

Por conta do sucesso de “Some Girls” (1978), os Rolling Stones voltaram revigorados e a dupla Keith Richards e Mick Jagger compuseram dezenas de novas músicas, e tinha tanto material que algumas canções foram aproveitadas no disco seguinte da banda, “Tattoo You” (1981), deixando apenas dez faixas para “Emotional Rescue“.

Na época, havia rumores que uma música intitulada “Claudine” faria parte do tracklist original do obra, mas acabou sendo vetada de última hora. O teor da letra abordava uma sentença de 30 dias de prisão em que a cantora e atriz Claudine Longet recebeu depois de matar o seu noito, Vladimir Sabich, piloto de esqui olímpico, em sua casa em Aspen, no Colorado. No entanto, a canção foi lançada na versão “deluxe” de “Some Girls“. Enquanto outras como “Thing I’m Going Mad” saiu apenas no lado B do single de “She Was Hot” (1984), e também dois covers cantados por Keith Richards – “We Had It All“, que foi lançado na versão luxuosa de “Some Girls” em 2011 e “Let’s Go Steady“, que só é possível encontrar em versões piratas.

Entre as canções que ficaram de fora de “Emotional Rescue“, mas que entraram em “Tattoo You” estão “Start Me Up“, “Black Limousine“, “Hang Fire“, “No Use In Crying” e “Little T&A“. Enquanto outros temas que foram gravadas nestas sessões, mas que nunca foram lançadas pelo grupo: “I Can See It“, “Going Mad“, “Rotten Roll“, “Misty Roads“, “Fiji Jim“, “Need A Yellow Cab“, “I Like It Too Much” e “Nanker Phelge“. Essas músicas podem ser encontradas em alguns vinis piratas que saíram na época e certamente deve custar “os olhos da cara”.

O álbum começa bem com “Dance (Pt. I)“, uma batida funk-rock sensacional para abrir o disco com tudo. Em seguida, em “Summer Romance“, uma pegada mais new wave, coisa das bandas modernas do período. O terceiro tema é “Send It To Me“, influenciada pelo reggae. Em seguida, em “Let Me Go“, aparece aquele rock stoniano que não poderia faltar. E o primeiro lado termina com “Indian Girl“, uma balada com sonoridade pop, mas com um certo engajamento ao abordar em sua narrativa a situação das crianças do Terceiro Mundo.

O lado B inicia com “Where The Boys Go“, que é uma arriscada dos caras ao punk rock e não fazem feio, tremenda música. Na sequência, “Down In The Hole” apresenta um Blues à Stones, ou seja, nada de extraordinário em se tratando dos padrões das típicas músicas da banda. Posteriormente, aparece a dobradinha que fazem valer o play: primeira a incrível “Emotional Rescue“, um reggae/disco dançante (e viciante) cantado em falsete, mas curto muito a parte final cantada por Jagger e “She’s So Cold“, um new wave grudento e que, apesar de dizer na música que é “tão quente”, na verdade, como todo mundo sabe é que Mick Jagger é um baita pé-frio. Brinks, Mick. E, para encerrar, a balada “All About You“, com o vocal grave de Keith Richards que encerra o disco de forma louvável.

O disco “Emotional Rescue” é um disco mediano para bom na vasta discografia dos Rolling Stones, mas certamente, para muita gente, é o último trabalho relevante do grupo. Mas vale a pena curtir esse play.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Emotional Rescue
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 20 de junho de 1980
Gravadoras: Rolling Stone Records/Atlantic
Produtores: The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz (exceto em “All About You“), guitarra em “Summer Romance“, “Let Me Go“, “Where The Boys Go“, “Emotional Rescue” e “She’s So Cold“, backing vocal em “Dance (Pt. I)“, “Summer Romance” e “Where The Boys Go“, piano elétrico em “Emotional Rescue” e percussão em “Dance (Pt. I)
Keith Richards: guitarra (exceto em “Indian Girl“), backing vocal em “Dance (Pt. I)“, “Summer Romance“, “Where The Boys Go” e “All About You“, guitarra acústica em “Indian Girl“, baixo, piano e voz em “All About You
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo em “Send It To Me“, “Let Me Go“, “Indian Girl“, “Down In The Hole” e “Emotional Rescue” e sintetizador de cordas em “Indian Girl” e “Emotional Rescue
Ronnie Wood: guitarra (exceto em “Indian Girl” e “Emotional Rescue“), baixo em “Dance (Pt. I)“, “Send It To Me“, “Where The Boys Go” e “Emotional Rescue“, steel pedal em “Let Me Go“, “Indian Girl” e “She’s So Cold“, backing vocal em “Where The Boys Go” e “All About You” e saxofone em “Dance (Pt. I)

Ian Stewart: piano elétrico, piano acústico e percussão
Nicky Hopkins: teclados
Sugar Blues: gaita
Bobby Keys: saxofone
Michael Shrieve: percussão
Max Romeo: vocal de apoio em “Dance (Pt. I)
Jack Nitzsche: arranjo de cornetas em “Indian Girl

1. Dance (Pt. I) (Jagger / Richards / Wood)
2. Summer Romance (Jagger / Richards)
3. Send It To Me (Jagger / Richards)
4. Let Me Go (Jagger / Richards)
5. Indian Girl (Jagger / Richards)
6. Where The Boys Go (Jagger / Richards)
7. Down In The Hole (Jagger / Richards)
8. Emotional Rescue (Jagger / Richards)
9. She’s So Cold (Jagger / Richards)
10. All About You (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

RPM: 35 anos de “Revoluções Por Minuto”

“Revoluções Por Minuto”: o primeiro disco do RPM completou 35 anos em 2020

No último mês de maio, o trabalho de estreia do RPM, o clássico “Revoluções Por Minuto“, completou 35 anos de lançamento. Gravado em março de 1985 nos Estúdios Transamérica, em São Paulo (exceto “Louras Geladas” e “Revoluções Por Minuto” que saíram em um EP em 1984), o ‘debut’ foi produzido por Luiz Carlos Maluly e lançado pela Epic.

Bom, como todo mundo deve saber, o RPM surgiu no início da década de 1980 quando Paulo Ricardo conheceu Luiz Schiavon e, dessa amizade, nasceu a vontade de montarem uma banda. Porém, como Paulo Ricardo era correspondente de uma revista de música da época, ele precisou viajar para Londres para escrever sobre as novidades londrinas e, com isso, os dois se correspondiam por cartas para que, quando Paulo retornasse para o Brasil, seguirem com o projeto de montar a banda.

Esse período em que ficou na Inglaterra foi muito importante para Paulo Ricardo, pois, ele via acontecer a cena inglesa que estava sendo tomada pela New Wave, o New Romantic e o Synthpop, enfim, tudo isso ajudou para que ele voltasse ao Brasil com uma ideia em mente de como soaria a banda que estava a montar com Schiavon.

De volta ao país, Paulo e Schiavon se uniram e convidaram Fernando Deluque para o posto de guitarrista e Moreno Júnior para baterista, mas, por ser menor de idade, ele precisou deixar as baquetas para Charles Gavin, que havia se desligado do Ira! e, com o RPM, gravou o primeiro compacto da banda, porém, aceitou o convite para entrar nos Titãs para o lugar do recém-demitido André Jung que, curiosamente, foi para o seu lugar no Ira!, por onde permaneceu por 22 anos. Então, para o primeiro disco da banda, o baterista recrutado foi Paulo Pagni, o P.A., que entrou na parte final do processo e, por isso, ele não aparece na capa do álbum.

Com o compacto de “Louras Geladas” e “Revoluções Por Minuto” estourando nas rádios (P.A. não tocou bateria nelas), o disco foi um sucesso de vendas e trazia um som marcado pelo uso exacerbado de teclados, sintetizadores e bateria eletrônica, mas que agradou em cheio os jovens daquele Brasil que passava por um momento complicado: fim da Ditadura Militar, morte do primeiro presidente eleito através do voto antes mesmo de tomar a posse (Tancredo Neves). E, além das duas faixas do compacto, a obra trazia outros temas que seriam verdadeiros hits para uma geração.

A obra começa com um dos maiores clássicos do BRock: “Rádio Pirata“, que é amplamente aparada pelo teclado e pelos sintetizadores, e com uma letra bem interessante. Depois, aparece outro petardo: “Olhar 43“, uma música agitada em que a bateria dá o suporte para manter o pique, além da ótima combinação dos teclados, sintetizadores e baixo. O terceiro tema é “A Cruz e a Espada“, que é uma música lenta, com uma bela letra e também fez sucesso na época. Destaque para o solo de clarineta feita por Roberto Sion. Em seguida, em “Estação Inferno“, tem aquela pegada New Wave que Paulo Ricardo deve ter “afetado” em sua estadia em Londres. Já a faixa 5 é “A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade“, que é amplamente dominada pelo teclado e que fala diretamente de mulher (o tal do “sexo frágil”) e um estilo à New Order. E, para encerrar o lado A, outro grande sucesso dos caras: “Louras Geladas“, que teve a caixa de ritmo tocada por Luiz Schiavon, uma vez que o RPM enfrentava o impasse com relação à escolha do baterista.

Se por um lado, a maior parte das músicas do lado A ficou caracterizado pelas músicas mais “dançantes”, o lado B ficou caracterizado pelas letras mais sérias e politizadas, como pode ser conferida logo de cara com “Liberdade/Guerra Fria“, em que o teclado aparece, mas de forma mais suave em uma letra que trabalha bem o jogo de palavras e destaca a situação política mundial. Posteriormente, em “Sob a Luz do Sol“, a única creditada em trio (além de Paulo Ricardo e Schiavon, Fernando Deluqui acompanhou no processo de composição), mas que possui um bonito solo de guitarra. Depois, vem “Juvenilia“, uma faixa sombria com um teclado lúgubre. Enquanto isso, em “Pr’Esse Vício“, o teclado lembra vagamente algo mais lado B do Deep Purple e, talvez, seja a faixa mais fraca do play. E, encerrando a obra, outro clássico: “Revoluções Por Minuto“, que começa lenta, vai crescendo e, antes mesmo do primeiro verso, mantém a mesma base das faixas do lado A: teclados e sintetizadores tomando a música de assalto.

Com boa vendagem do disco, que foi bem produzido, diga-se por sinal, o RPM caiu na estrada e fez grandes shows pelo Brasil, com o palco cheio de pirotecnia, luzes, canhões com raio laser, enfim, com direito a produção de luzes sendo feita por Ney Matogrosso e os caras ainda assinaram com Manoel Poladian e o estouro do grupo foi tão grande que os caras, com apenas um disco de estúdio lançado no currículo, ousaram em lançar um disco ao vivo que manteve o grupo no topo, que foi “Rádio Pirata Ao Vivo“, que saiu em 1986. Guardadas às devidas proporções, o alvoroço que o RPM causou na época foi uma espécie de “Beatlemania brasileira”, além disso, a banda ainda tinha o carisma de Paulo Ricardo e a maestria dos teclados de Schiavon.

No entanto, o sucesso do RPM não durou muito, pois, o ego ligado à ganância das pessoas próximas ao grupo ou até mesmo entre os integrantes, colaboraram para que a banda não alcançasse voos mais altos, encerrasse as atividades precocemente ou, melhor, ficasse entre idas e vindas, mas sem repetir o sucesso de outrora que culminou em 900 mil álbuns vendidos em um pouco mais de um ano de lançamento.

Certamente esse trabalho de estreia do RPM está no rol dos melhores ‘debuts’ da história da música no Brasil. Vale tanto a aquisição e o status de clássico.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Revoluções Por Minuto
Intérprete: RPM
Lançamento: maio de 1985
Gravadora: Epic
Produtor: Luiz Carlos Maluly

Paulo Ricardo: voz e baixo
Luiz Schiavon: piano, sintetizadores e caixa de ritmos em “Louras Geladas” e “Revoluções Por Minuto
Fernando Deluqui: guitarra e violão
Paulo “P.A.” Pagni: bateria e percussão (exceto em “Louras Geladas” e “Revoluções Por Minuto“)

Luiz Carlos Maluly: violão em “A Cruz e a Espada
Roberto Sion: clarineta em “A Cruz e a Espada

1. Rádio Pirata (Paulo Ricardo / Luiz Schiavon)
2. Olhar 43 (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
3. A Cruz e a Espada (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
4. Estação do Inferno (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
5. A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
6. Louras Geladas (Paulo Ricardo / Luiz Schiavon)
7. Liberdade/Guerra Fria (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
8. Sob a Luz do Sol (Fernando Deluqui / Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
9. Juvenilia (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
10. Pr’Esse Vício (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)
11. Revoluções Por Minuto (Luiz Schiavon / Paulo Ricardo)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Forbidden”

“Forbidden”, um dos trabalhos mais contestados do Black Sabbath completa 25 anos em 2020

Hoje, 20 de junho, o décimo oitavo disco de estúdio do Black Sabbath chega às suas bodas de prata: o contestado “Forbidden“. Gravado no Parr Street Studios, em Liverpool, e no Devonshire Studios, em Los Angeles, entre 1994 e 1995, o álbum foi produzido por Ernie C (sim, o guitarrista da banda de Rap/Metal Body Count) e lançado pela I.R.S. Records.

O Black Sabbath, assim como a maior parte das bandas de Heavy Metal/Hard Rock, vinha apresentando dificuldades, seja pela falta de inspiração ou de interesse por parte do público mais jovens que estavam se identificando com o apogeu do movimento Grunge. Além disso, o grupo de Birmingham passava por outro problema: as inúmeras trocas de formação e falta de perspectiva, mas devemos tirar o chapéu para o mestre Tony Iommi que batalhou para que o Black Sabbath seguisse seu rumo sem depender de Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio. E, apesar dessas mudanças em sua line-up, o time que entrou em campo, quero dizer, nos estúdios, foi o mesmo que gravou o bacana “Tyr” (1990), ou seja, Tony Iommi (claro), na guitarra, juntamente com Tony Martin nos vocais, Neil Murray, no baixo, Cozy Powell na bateria e Geoff Nichols nos teclados.

No entanto, “Forbidden” até hoje é controverso e, para muitos fãs, um dos piores discos do Black Sabbath. Pois, a impressão, na época, era de que esse lançamento foi forçado e desnecessário, como se fosse um cumprimento de contrato ou coisa parecida. Aliás, até o rapper Ice T. apareceu para dar uma colaborada na letra e nos vocais de uma das faixas, mas isso não impediu de ter sido mal recebido pelos fãs e pela crítica.

O álbum abre com “The Illusion Of Power“, um metal arrastado e com uns trechos de RAP feito por Ice-T, o que, convenhamos, não tem nada a ver com o estilo do Black Sabbath. Em seguida, aparece a viciante “Get A Grip“, que tem como destaques a pedrada da bateria de Cozy Powell e o vocal perfeito de Tony Martin. Na sequência, aparece o dedilhado inocente em “Can’t Get Close Enough“, que faz parecer uma balada, mas aí vem o mestre Iommi com riffs sobrepostos e deixando-a como um típico Heavy Metal. O quarto tema é a cadenciada “Shaking Off The Chains“, em que o vocal de Tony Martin fica sobre o riff de Iommi, mas que não apresenta nada de extraordinário. E o play chega à metade com “I Won’t Cry For You“, que começa leve com o vocal rasgado de Martin que, apesar de não ser um dos vocalistas favoritos dos fãs, temos de admitir que nesse disco ele cantou muito. Dito isso, vem o refrão fácil e o solo de Iommi digno de louvor. Certamente, uma das melhores faixas do disco e, não foi à toa, que ela fez parte do repertório em alguns shows do grupo.

A outra metade do disco vem com “Guilty As Hell“, que até possui uma boas levadas de bateria, um bom riff, mas com um arranjo enxuto que não empolga. Na sequência, em “Sick And Tired“, em que a excelente cozinha de Cozy Powell e Neil Murray dá o suporte suficiente para Tony Iommi brilhar nos solos magníficos. Depois, em “Rusty Angels“, com um riff grudento e um solo bem inspirado de Tony Iommi, mas que não podemos deixar de esquecer o belo trabalho vocal que Martin fez nela. A penúltima faixa é “Forbidden“, que considero como a pior faixa título já lançada pelo Black Sabbath, o que a salva é o riff e o refrão. Confesso que não curti esse tema. E, para finalizar, “Kiss Of Death“, que contém uma boa letra de Tony Martin, as viradas absurdas de Cozy Powell e, claro, os riffs do mestre Iommi. Além disso, a versão japonesa do álbum, para variar, apresenta mais uma faixa: “Loser Get It All“.

O grupo saiu em turnê para divulgar o trabalho, porém, apenas as faixas “Get A Grip“, “Can’t Close Enough” e “Rusty Angels“, do disco, foram tocadas na maioria dos shows, e, em algumas apresentações, “I Won’t Cry For You” e “Kiss Of Death” fizeram parte do repertório. O baterista Cozy Powell ficou no Sabbath até a última data da turnê americana. Para a sequência, as datas da parte europeia e asiática da tour, foi recrutado Bobby Rondinelli, que já havia passado pelo grupo anteriormente e gravou as baquetas de “Cross Purposes” (1994).

Após “Forbidden“, o Black Sabbath só lançou coletâneas, uns álbuns ao vivo até 2013, quando saiu o seu último trabalho de estúdio “13“, de 2013 e várias mudanças em sua line-up até a reunião da formação original.

Aliás, apesar das críticas e da má recepção, o play vendeu 21 mil cópias na primeira semana de lançamento nos Estados Unidos e, em 2013, já havia sido comercializada quase 200 mil cópias.

Para quem tem o LP, que só saiu no Brasil, saiba que tens uma preciosidade em mãos, pois, com o tempo, apesar de ser um dos trabalhos mais contestados do Black Sabbath, “Forbidden” tornou-se item de colecionador. De fato, esse disco só é recomendável para quem quer fazer a coleção da banda, mas, mesmo assim, não precisa ser um dos primeiros a ser comprado, pode deixar para o final, tipo, só para completar a coleção, sacou?

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão japonesa) da obra.

Álbum: Forbidden
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de junho de 1995
Gravadora: I.R.S. Records
Produtor: Ernie C

Tony Iommi: guitarra
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria
Neil Murray: baixo
Geoff Nicholls: teclados

Ice-T: voz adicional em “The Illusion Of Power

1. The Illusion Of Power (Letra: Martin / Ice-T / Música: Black Sabbath)
2. Get A Grip (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
3. Can’t Get Close Enough (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
4. Shaking Off The Chains (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
5. I Won’t Cry For You (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
6. Guilty As Hell (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
7. Sick And Tired (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
8. Rusty Angels (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
9. Forbidden (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
10. Kiss Of Death (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)
Faixa Bônus:
11. Loser Gets It All (Letra: Martin / Música: Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

Thin Lizzy: 20 anos de “One Night Only”

Capa de “One Night Only”, do Thin Lizzy, que traz John Sykes nos vocais, completa 20 anos em 2020

Hoje, 20 de junho, o álbum ao vivo “One Night Only“, do Thin Lizzy, completa 20 anos de existência. Gravado na Alemanha em 1999, o registro foi lançado pela CMC International e produzido por John Sykes e Scott Gorham.

O Thin Lizzy havia se reunido em 1994 para uma série de shows após dez anos da separação do grupo, em 1984. Para isso, o guitarrista do grupo John Sykes assumiu o posto de vocalista enquanto Marco Mendoza foi para o baixo. No entanto, o que era para ser apenas um conjunto de apresentações, seguiu com apresentações periódicas e, justamente quando esse registro ao vivo seria lançado, o baterista original do grupo irlandês, Brian Downey, resolveu se aposentar e, com isso, nenhum integrante do trio original permaneceu. O tecladista Darren Wharton também resolveu parar na época do lançamento do disco.

Com isso, o Lizzy seguiu se apresentando com a liderança de Sykes e Scott Gorham à frente e com várias mudanças na formação. Para este registro, o veterano Tommy Aldridge, ex-baterista de Ozzy Osbourne, Whitesnake e Black Oak Arkansas, assumiu o posto.

Apesar de ter tocado na fase final do grupo na década de 1980, John Sykes contactou Scott Gorham para colocar o Thin Lizzy na estrada como forma de homenagear o líder e amigo Phil Lynott. A ideia, a princípio, era colocar o maior número de integrantes com passagens pelo grupo. No começo, Downey se prontificou, mas, depois de alguns shows, desistiu e colocaram o mestre Tommy Aldridge.

A apresentação do Thin Lizzy é capitaneada por John Sykes, que assumiu a bronca e ficou com os vocais (embora no grupo a função ficava a cargo de um baixista, no caso, o finado Lynott), e, apesar de não ter a mesma eficiência do saudoso Phil, Sykes não fez feio e mandou muito bem. Aliás, não só ele, como toda a banda, que fez uma apresentação vibrante e digna dos vários clássicos do maior grupo irlandês da história do rock.

Até as guitarras gêmeas marcaram presença em clássicos como “Waiting For An Alibi” e “Black Rose“, e com um setlist arrebatador, o álbum apresentou uma avalanche de ótimas músicas como a imortal “Jailbreak”, que abriu a apresentação, além “Bad Reputation“, “Are You Ready“, “Don’t Believe A Word“, os caras até deram uma maneirada ao tocar a dramática “Still In Love With You” e a trinca matadora no final: “The Boys Are Back In Town“, “Rosalie” (cover de Bob Seger) e “Black Rose“. E isso porque ficou faltando o clássico “Whiskey In The Jar” e, para a frustração deste, não teve aquela que considero a melhor música do Thin Lizzy: “Wild One“.

E, passadas duas décadas e várias formações, o Thin Lizzy segue na ativa levando o seu rock vigoroso e mantendo o legado deixado por Phil Lynott. Acredito que “One Night Only” soe para os fãs de Lizzy o que “The Return Of The Champions” (2005) é para os fãs do Queen. Ou seja, um registro ao vivo de duas bandas que, apesar de estarem amparadas por ótimos músicos, sem suas figuras insubstituíveis passam a impressão de que falta “algo a mais”. Porém, pelo menos a experiência de conferir um show dessas bandas é primordial para saber a importância e a influência que elas tiveram ao longo da história.

Sim, se você encontrar “One Night Only” a um preço bacana, pode comprar e, se você gosta de rock com qualidade, não vai se arrepender. Sykes representou.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: One Night Only
Intérprete: Thin Lizzy
Lançamento: 20 de junho de 2000
Gravadora: CMC International
Produtores: John Sykes e Scott Gorham

John Sykes: voz e guitarra
Scott Gorham: guitarra e voz
Marco Mendoza: baixo e backing vocal
Darren Wharton: teclados e backing vocal
Tommy Aldridge: bateria

1. Jailbreak (Lynott)
2. Waiting For An Alibi (Lynott)
3. Don’t Believe A Word (Lynott)
4. Cold Sweat (Lynott / Sykes)
5. The Sun Goes Down (Lynott / Wharton)
6. Are You Ready (Downey / Gorham / Lynott / Robertson)
7. Bad Reputation (Downey / Gorham / Lynott)
8. Suicide (Lynott)
9. Still In Love With You (Lynott)
10. Cowboy Song (Downey / Lynott)
11. The Boys Are Back In Town (Lynott)
12. Rosalie (Seger)
13. Black Rose (Lynott / Moore)

Por Jorge Almeida

Whitesnake lança coletânea com faixa inédita nesta sexta-feira

Capa da coletânea “The Rock Album”, do Whitesnake, que foi lançada nesta sexta-feira (19/06/2020). Foto: divulgação

O Whitesnake lançou nesta sexta-feira (19) a coletânea “The Rock Album“, que reúne 14 sucessos da banda, além de uma faixa do álbum solo de David Coverdale e um tema inédito. O material apresenta versões revisitadas, remixadas e remasterizadas de seis álbuns do grupo que cobre o período de 1984 a 2011.

O álbum é o primeiro da série “Red, White And Blues Trilogy“, que traz uma sequência de coletâneas organizadas por temáticas musicais do grupo de David Coverdale, que incluem “Love Songs” (vermelho), “The Rock Album” (branco) e “The Blues Album” (azul), claro.

O disco está à disposição a partir desta sexta-feira em CD, assim como em LP duplo de vinil branco de 180 gramas e está disponível para pré-venda e também estará nos serviços digitais e streaming. A faixa inédita da empreitada, “Always The Same“, foi gravada durante as sessões do último lançamento de estúdio da banda, “Flesh & Blood“, de 2019.

Nas notas destacadas do disco, o dono da banda, David Coverdale destacou que todas as músicas revisitadas e que, segundo ele, foram “embelezadas musicalmente” pelo seu produtor Michael McIntryre, com a mixagem de Christopher Colier e o próprio Coverdale.

The Rock Album” abrange um período de mais de três décadas, com temas lançados pelo Whitesnake originalmente entre 1984 e 2011, além de “She Give Me“, do álbum solo de Coverdale, “Into The Light” (2000)

A música do grupo dos anos 80 é bem representada por “Love Ain’t No Stranger“, de “Slide It In” (1984) e “Judgement Day“, de “Slip Of The Tongue” (1989), além de “Still Of The Night“, “Give Me All Your Love” e o hit “Here I Go Again”, do álbum auto-intitulado de “Whitesnake” (1987), que foi certificado como mega-platina.

O álbum “Restless Heart” (1997) é representado por quatro faixas, incluindo a empolgante “Can’t Stop Now“. Além disso, o play apresenta temas de “Good To Be Bad“, de 2008 (“Best Years” e “Can You Hear The Wind Blow“), além da faixa-título de “Forevermore” (2011). Outros destaques ficam por conta da versão remixada de “All Or Nothing“, que tem guitarras adicionadis retiradas das fitas originais de várias faixas, além de um arranjo alternativo de “Tell Me How“, de “Forevermore“.

Bom, como pode ser visto, as clássicas “Is This Love” e “Too Many Tears“, por exemplo, ficaram de fora porque, provavelmente, farão parte do tracklist de outro álbum da série, o “Love Songs“, assim como as músicas gravadas anteriormente a 1984 que poderão entrar em “The Blues Album“.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Rock Album
Intérprete: Whitesnake
Lançamento: 19 de junho de 2020
Gravadora: Rhino Records
Produtores: David Coverdale, Reb Beach, Joel Hoekstra e Michael McIntyre

1. Still Of The Night (Coverdale / Sykes)
2. Best Years (Coverdale / Aldrich)
3. Tell Me How (Coverdale / Aldrich)
4. Love Ain’t No Stranger (Coverdale / Galley)
5. All Or Nothing (Coverdale /Galley)
6. Give Me All Your Love (Coverdale / Sykes)
7. Can You Hear The Wind Blow (Coverdale / Aldrich)
8. Restless Heart (Coverdale / Vandenberg)
9. Anything You Want (Coverdale / Vandenberg)
10. Here I Go Again (Coverdale / Marsden)
11. Judgement Day (Coverdale / Vandenberg)
12. She Give Me… (Coverdale)
13. Crying (Coverdale / Vandenberg)
14. Can’t Stop Now (Coverdale / Vandenberg)
15. Always The Same*
16. Forevermore (Coverdale / Aldrich)
*Faixa inédita

Por Jorge Almeida

Engenheiros do Hawaii: 20 anos de “10.000 Destinos”

“10.000 Destinos”, o terceiro disco ao vivo dos Engenheiros do Hawaii completa 20 anos em 2020

Neste mês de junho, o terceiro disco ao vivo do Engenheiros do Hawaii, “10.000 Destinos“, completa 20 anos de seu lançamento. Gravado nos dias 24 e 25 de março de 2000 no antigo Palace (atual Citibank Hall), em São Paulo, durante a turnê do trabalho anterior da banda, “¡Tchau Radar!” (1999). Produzido por Gil Lopes e Ricardo Moreira, o álbum foi lançado pela Universal Music. Além do CD, o registro foi lançado em DVD, com três músicas a mais e mais extra.

O grupo manteve a tradição de soltar um disco ao vivo após três trabalhos de estúdio, assim como o Rush fazia. Além disso, esse álbum foi o último a ser lançado com a formação Luciano Granja (guitarra), Adal Fonseca (bateria), Lúcio Dorfan (teclados) e, claro, Humberto Gessinger (baixo e voz).

Evidentemente que o registro apresenta os maiores clássicos da banda gaúcha, tais como “Infinita Highway“, “Terra de Gigantes“, “Pra Ser Sincero“, “Toda Forma de Poder“, “Era Um Garoto Que Como Eu…” (não precisa escrever o nome da música toda não, né?), “O Papa É Pop“, “Piano Bar” (a minha favorita do registro) entre outras, até as mais recentes como “A Montanha“, que abriu o show após Rafael Ramos (produtor musical, mas que na época era VJ da MTV) anunciar a banda, e “A Promessa“.

Particularmente, das faixas ao vivo, destaques para “Parabólica“, que Gessinger fez em homenagem à sua filha, “Toda Forma de Poder” com um novo arranjo, assim como “Refrão de Bolero“, também tocada em formato acústico com a participação de Renato Borghetti, um músico gaúcho, na gaita-ponto. Porém, lamento imensamente que uma das melhores músicas do grupo só tenha entrado no DVD e ficou de fora do CD: a ótima “Negro Amor“, que me traz boas recordações dos tempos dos shows da Rádio Mix (SP), especialmente ao realizado no enlamaçado CERET.

Além disso, o play ainda trás quatro faixas de estúdio: sendo duas inéditas – “Números” e “Novos Horizontes” – e dois covers: “Quando o Carnaval Chegar“, de Chico Buarque; e “Rádio Pirata“, do RPM, com direito à participação do ex-vocalista do grupo paulista, Paulo Ricardo, que, inclusive, chegou a dar uma canja da música em um dos shows do Engenheiros na época.

No ano seguinte, a obra foi reeditada em formato de CD duplo intitulado “10.001 Destinos“, com as faixas gravadas ao vivo no CD 1, enquanto o CD 2, além das quatro faixas de estúdio gravadas em 2000, sete novas regravações feitas com outra formação no grupo: Paulinho Galvão na guitarra, Bernardo Fonseca no baixo, Gláucio Ayala na bateria e Humberto Gessinger, dessa vez na guitarra.

Como dito anteriormente, “10.000 Destinos” também foi lançado em DVD, que inclui mais três músicas do show que não estão no CD – “Eu Que Não Amo Você“, “Negro Amor” e “Sopa de Letrinhas“, além de quatro videoclipes nos extras e um making off.

Apesar de, na época, os Engenheiros do Hawaii não contarem com a sua formação clássica (Gessinger, Licks e Maltz), esse registro foi bem aceito pelos fãs e pela crítica e, não foi à toa, que foi certificado com o Disco de Ouro. Vale sim a aquisição.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão em CD) da obra

Álbum: 10.000 Destinos
Intérprete: Engenheiros do Hawaii
Lançamento: junho de 2000
Gravadora: Universal Music
Produtores: Gil Lopes e Ricardo Moreira

Humberto Gessinger: voz, baixo, baixo fretless de cinco cordas em “Somos Quem Podemos Ser” e “Pra Ser Sincero“, violão e teclados em “Negro Amor” (no DVD)
Luciano Granja: guitarra, guitarra de 12 cordas e slide guitar em “Ninguém = Niguém” e violão
Adal Fonseca: bateria e percussão
Lucio Dorfman: teclados

Paulo Ricardo: voz em “Rádio Pirata
Renato Borghetti: gaita-ponto em “Toda Forma de Poder” e “Refrão de Bolero

1. A Montanha (Humberto Gessinger)
2. Infinita Highway (Humberto Gessinger)
3. A Promessa (Humberto Gessinger)
4. Ninguém = Ninguém (Humberto Gessinger)
5. Parabólica (Humberto Gessinger / Augusto Licks)
6. Toda Forma de Poder (Humberto Gessinger)
7. Refrão de Bolero (Humberto Gessinger)
8. Somos Quem Podemos Ser (Humberto Gessinger)
9. Pra Ser Sincero (Humberto Gessinger / Augusto Licks)
10. Piano Bar (Humberto Gessinger)
11. Ilex Paraguariensis/Alívio Imediato (Humberto Gessinger)
12. Terra de Gigantes/¿Quanto Vale A Vida? (Humberto Gessinger)
13. Era Um Garoto, que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones (Luisini / Migliacci / Versão: Brancato Junior)
14. Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém (Humberto Gessinger)
15. O Papa É Pop/Cruzada (Humberto Gessinger) (Tavinho Moura / Márcio Borges)
16. Números (Humberto Gessinger)
17. Rádio Pirata (Paulo Ricardo / Luiz Schiavon)
18. Novos Horizontes (Humberto Gessinger)
19. Quando O Carnaval Chegar (Chico Buarque)

Por Jorge Almeida

Os Paralamas do Sucesso: 15 anos de “Hoje”

“Hoje”: o primeiro disco de estúdio d’Os Paralamas 100% trabalhado após o acidente sofrido por Herbert Vianna completa 15 anos em 2020

No primeiro semestre de 2020, o décimo disco de estúdio d’Os Paralamas do Sucesso, “Hoje“, completa 15 anos de existência. Produzido por Carlo Bartolini e Liminha, o álbum foi lançado pela EMI e, ao contrário do trabalho anterior, suas músicas foram compostas após o acidente de Herbert Vianna.

Mesmo usando a postura de um Power Trio, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro contaram com a colaboração dos metais de Bidú Cordeiro e Monteiro Jr., o fiel escudeiro João Fera (que considero o “quarto paralama”) e o percussionista Eduardo Lyra. Além da presença de convidados especiais, como Andreas Kisser, Nando Reis, Mano Chao, entre outros.

E a nova realidade na qual Herbert Vianna passou a viver desde o fatídico acidente, ou seja, a condição de cadeirante, é tema de muitas canções, seja de forma direta ou indireta, com reflexões também a respeito da ansiedade e angústia que poderiam ser com qualquer um de nós, enfim, uma abordagem intimista e tanto.

O disco começa animado com um rock de “2A“, com uma ‘intro’ que lembra “Ela Disse Adeus“, mas, apesar do aparente clima “up” da música, a letra é triste. A faixa dois é a bela balada “Pétalas“, composta pelo ex-Titãs Nando Reis que, inclusive, toca violão. O terceiro tema é “Na Pista“, que foi o primeiro single do disco, que poderia muito bem ter feito parte em um dos primeiros discos da banda, logo, uma típica faixa “paralâmica” com toda aquela caracterização latina nas músicas do grupo. E o suingue urbano marca presença em “Soledad Cidadão“, que contém uma música incidental “Me Llamam Calle“, de Mano Chao, que faz participação especial. Na sequência, em “Passo Lento“, é uma balada, mas com um instrumental pesado, sobretudo da guitarra. Em seguida, a minha faixa favorita de todo o play: “De Perto“, um pop-balada em que os caras acertaram em cheio e um refrão simples e bonito: “Quero te ver de perto / Quero dizer que o nosso amor deu certo” e um bom solo de guitarra no meio, e a obra chega à metade com “Ao Acaso“, influenciada pelo ritmo jamaicano e, assim como a versão “dub” da faixa bônus, tem a participação especial de Marcelino da Lua.

A faixa-título é o oitavo tema, uma música intensa, letra melancólica, com instrumentação pesada e um bom trabalho de Philip Doyle na trompa. A nona canção do álbum é “Fora do Lugar“, com letra de Leoni, com uma tonalidade pavorosa que tem um certo peso e, não é à toa, que Andreas Kisser participa nela. Já em “220 Desencapado“, um bom rock tocado pelo trio. O guitarrista do Sepultura aparece novamente na 11ª faixa do trabalho: “Ponto de Vista“, com a voz de Herbert Vianna um pouco abaixo dos instrumentos e a guitarra de Kisser mantém o peso. Nas faixas bônus, uma versão mais sombria de “Deus Lhe Pague“, de Chico Buarque, e que foi escolhida através de votação no site da banda, e, encerrando o disco, “Ao Acaso Dub“, que não acrescenta nada à obra.

O álbum “Hoje” é um excelente registro, ao mesmo tempo que soa quase como um desabafo de Herbert Vianna nas letras, a produção é de primeira e, além disso, só reforça que João Barone é o melhor baterista do Brasil. Infelizmente, o álbum é pouco lembrado, mas vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Hoje
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: 2005
Gravadora: EMI
Produtores: Liminha e Carlo Bartolini

Herbert Vianna: voz e guitarra
João Barone: bateria
Bi Ribeiro: baixo

João Fera: teclados (exceto em “Ponto de Vista“)
José Monteiro Jr.: arranjos de metais em “2A“, sax em “2A“, “Pétalas“, “Na Pista“, “Soledad Cidadão“, “Ao Acaso” e “Deus Lhe Pague
Bidu Cordeiro: trombone e trombone baixo em “2A“, “Pétalas“, “Na Pista“, “Soledad Cidadão“, “Ao Acaso” e “Deus Lhe Pague
Eduardo Lyra: percussão (exceto em “Passo Lento“, “220 Desencapado” e “Ponto de Vista“)
Philip Doyle: trompa em “Hoje
Marlon Sette: trombone em “2A” e “Na Pista
Donatinho: teclados em “2A
André Zen: fagote e contra-fagote em “Pétalas
Nando Reis: violão em “Pétalas
Andreas Kisser: guitarra em “Fora do Lugar” e “Ponto de Vista
Manu Chao: voz em “Soledad Cidadão
Marcelino da Lua: dub em “Ao Acaso” e “Ao Acaso Dub
Apollo 9: dub em “Deus Lhe Pague

1. 2A (Letra e Música: Herbert Vianna)
2. Pétalas (Letra: Nando Reis / Música: Nando Reis, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
3. Na Pista (Letra e Música: Herbert Vianna)
4. Soledad Cidadão (música incidental: Me Llaman Calle (Mano Chao)) (Letra e Música: Herbert Vianna e Pedro Luís)
5. Passo Lento (Letra: Herbert / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
6. De Perto (Letra e Música: Herbert Vianna)
7. Ao Acaso (Letra: Herbert Vianna / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
8. Hoje (Letra: Herbert / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
9. Fora de Lugar (Letra: Leoni / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
10. 220 Desencapado (Letra: Herbert Vianna / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)
11. Ponto de Vista (Letra e Música: Herbert Vianna)
Faixas bônus:
12. Deus Lhe Pague (Letra e Música: Chico Buarque)
13. Ao Acaso Dub (Letra: Herbert Vianna / Música: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone)

Por Jorge Almeida