The Red Bells é banda composta de publicitário a desembargador

Os Integrantes da The Red Bells Band. Créditos: divulgação

Composição eclética produz releituras únicas de clássicos do Rock

Composta por seis integrantes a The Red Bells Band é uma banda formada em 2017, que transita entre os clássicos do rock dos anos 60 e 70. Em seu primeiro álbum, “Fractals”, são 13 músicas entre covers e releituras com letras de Tom Petty, Hank Williams, Bob Dylan, Paul McCartney entre outros, além das faixas autorais. Todas as faixas têm Arlindo Abdalla como vocalista, Flavio Barba e José Roberto nos instrumentos de cordas (guitarras, violões, mandolim), Helena Venturelli nos teclados, Helio Ishitani na bateria e Lucas Rogerio no contrabaixo.

A paixão pela música sempre esteve presente na vida de cada integrante, e o que começou como exercícios musicais se tornou uma banda com disco gravado. Um cover para começar, uma releitura dando uma nova cara para um clássico e, de repente, uma música autoral surgiu. De músicos, publicitário e até um desembargador de justiça, a banda reúne bagagens diferentes para um som único, digno dos lendários heróis do rock.

Em “Fractals” são encontradas diversas vertentes do rock que formam a alma da banda, vertentes essas que são como os fractais: à primeira vista parecem formas sem sentido e aleatórias, mas que na verdade seguem um padrão. Assim é o repertório que parece ser aleatório mas, na verdade, segue um critério com músicas que se aproximam do country, blues, rhythm & blues, gospel, folk, bluegrass, rock progressivo entre outras frações que compõem as melodias desse primeiro disco.

O site oficial está no ar com todas as faixas da The Red Bells Band na íntegra, que também podem ser escutadas nas principais plataformas digitais Spotify, iTunes, Google Play, Deezer, YouTube, Amazon Music.

Créditos: Leonardo Libman Nascimento

Iron Maiden: 40 anos de “The Soundhouse Tapes”

“The Soundhouse Tapes”: o EP que marcou a estreia fonográfica do Iron Maiden completa 40 anos

Dia 9 de novembro, um dia histórico para os fãs do Iron Maiden (com certeza, se você não for, conhece quem seja). E, neste sábado, justamente dia 9 de novembro de 2019 não podia ser diferente. Pois, há exatos 40 anos que a banda de Steve Harris lançava o seu primeiro registro fonográfico: o icônico EP “The Soundhouse Tapes“, que foi o cartão de visitas da banda. Gravado no Spaceward Studios, em Cambridge, nos dias 30 e 31 de dezembro de 1978, a fita-demo foi parar nas mãos de um famoso DJ, Neal Key, que a tocou em uma festa e, desde então, o Iron Maiden entraria no novo movimento musical da Inglaterra chamada de New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM).

Antes da gravação da demo, o Iron Maiden lutava para conseguir o seu lugar ao Sol tocando em bares ingleses em busca de notoriedade e reconhecimento. Mesmo sem ter um material físico lançado, o grupo passou seus primeiros anos na estrada e já com uma legião de fãs que crescia a cada concerto. Logo, “Stevão” sentira a necessidade e a exigência dos fãs para que o grupo gravasse um material em disco.

Apesar de a gravação original ter sido apagada e de “Strange World” ter sido rejeitada pela banda por falta de qualidade final, a edição de 5.000 cópias do denominado “The Soundhouse Tapes” foi um sucesso raro, esgotando e a banda posteriormente rejeitou reedições, para não quebrar uma certa aura criada à volta do disco. Ou seja, se você tem uma das cinco mil edições desse EP saiba (embora que qualquer maidenmaníaco que se preze saiba disso) tem “ouro” em mãos.

O já citado Neal Key, que discotecava no Soudhouse Club, tocou o EP da “Donzela de Ferro” em uma festa e, depois, em outras mais, e foi com aquelas gravações, com uma sonoridade meia tosca, que o grupo começou a chamar atenção no cenário londrino, especialmente quando o movimento punk começava a dar sinal de perda de popularidade e o Heavy Metal começava a surgir com mais força através de outras bandas, como Judas Priest, Def Leppard, Saxon e, claro, o Iron Maiden.

Com míseras quatro faixas, “The Soundhouse Tapes” era uma mistura de punk, por conta da voz esganiçada de Paul Di’Anno com o instrumental pesado, enérgico e intenso, mas não básico e seco como os das bandas punks da época.

E, dessa forma, o Iron Maiden conseguiu o tão suado contrato com a EMI para a gravação do primeiro LP no final de 1979 e que seria lançado no ano seguinte. Daí, o resto é aquilo que sabemos: história e o topo do mundo.

Aliás, das quatro faixas que gravaram, três entraram no ‘debut‘, devidamente estruturadas e modificadas – mas nem tanto -, tais como “Iron Maiden“, “Strange World“, que, apesar de ter sido gravada para a demo, acabou sendo descartada e, mais tarde, reaproveitada e trabalhada no disco de estreia da banda e reaparecendo na coletânea (versão em CD duplo) “Best Of Beast” (1996) e “Prowler“, enquanto “Invasion” foi reeditada mais tarde como lado B do single encabeçado por “Women In Uniform“.

Certamente, a mística que se formou em torno de “The Soundhouse Tapes” fez com que esse material fosse o item mais cobiçado dos fãs e colecionares do Iron Maiden. Evidentemente que versões ‘piratas’ do material existem pelo mundo afora. Além disso, certamente, tem muitos espertalhões que querem tirar proveito para tentar enganar algum fã/colecionador mais desavisado. Então, deixo disponível o link, assinado por Daniel Sicchierolli, que explica direitinho as diferenças entre o original e as cópias.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Soundhouse Tapes (EP)
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 9 de novembro de 1979
Gravadora: Rock Hard

Steve Harris: baixo
Paul Di’Anno: voz
Dave Murray: guitarra
Doug Sampson: bateria
Paul Cairns: guitarra (não creditado)

1. Iron Maiden (Harris)
2. Invasion (Harris)
3. Prowler (Harris)

Por Jorge Almeida

Thin Lizzy: 45 anos de “Nightlife”

“Nightlife”: o primeiro disco do Thin Lizzy lançado como quarteto completa 45 anos em 2019

Nesta sexta-feira, 8 de novembro, o quarto disco de estúdio do Thin Lizzy, “Nightlife“, completa 45 anos de seu lançamento. Produzido por Ron Nevison e Phil Lynott, o play foi gravado entre abril e setembro de 1974 no Saturn Studios, em Worthing, e nos londrinos Trident Studios e Olympic Studios, e lançados pela Vertigo e, para o mercado canadense, pela Mercury.

O registro marca a estreia da banda como quarteto, com os então novatos Scott Gorham e Brian Robertson nas guitarras, no lugar de Eric Bell, que moldariam o som da banda a partir de então.

A obra começa em grande estilo com a suingada “She Knows“, onde podemos já notar a presença da nova dupla de guitarristas com cada um fazendo um breve solo. Em seguida, o blues e ligeira pegada da faixa-anterior é mantida com a música que dá nome à obra. O terceiro tema é a hard “It’s Only Money“, com um ótimo riff das guitarras e peso do baixo de Lynott. Em seguida, uma das melhores temas do disco: a emocionante “Still In Love With You“, com Phil matando a pau na interpretação vocal, que foi dividido com Frankie Miller e a participação especialíssima de Gary Moore no fantástico solo de guitarra, afinal, não poderia se esperar de outra coisa de um dos maiores guitarristas da história do Rock. E o lado A do disco termina com a bela e suave “Frankie Carroll“, com Phil Lynott sendo acompanhado apenas por um bonito arranjo de cordas e piano

A segunda metade do álbum dá o pontapé inicial com “Showdown“, que tem como protagonistas os backing vocals femininos, o baixo de Phil Lynott e o wah-wah da guitarra. Posteriormente, a instrumental “Banshee” enaltece como o trabalho das guitarras gêmeas poderia engrandecer (e engrandeceu) ainda mais a, como insisto em dizer, maior banda de rock da Irlanda. O play apresenta ainda a cadenciada “Philomena“, com o baixo de Phil e o riff das guitarras gêmeas como destaques. Aliás, a faixa celebra a mãe do vocalista. A clássica “Sha La La” tem uma estupenda levada de bateria e tem a presença mais impactante das guitarras gêmeas. Mas, tanto os solos de Gorham quanto de Robertson, fazem desta a melhor música da obra. Sem sombra de dúvidas. E, para finalizar, a amena “Dear Heart“, conduzida pela leveza do órgão tocado por Jean Alain Roussel e pelas cordas.

Curiosamente, algumas reedições em CD’s do álbum trazem o título da obra como “Night Life“, o mesmo nome da música que compõem o tracklist. Porém, o nome original da obra é “Nightlife” (tudo junto). Além disso, na época em que foi lançado em fita cassete, as posições de “She Knows” e “Showdown” foram invertidas.

Outro ponto que merece atenção é a bela capa do álbum, projetada por Jum Fitzpatrick, que mostra uma pantera negra observando um entardecer. Ao contrário do que muitos pensam, o felino em questão não representa a figura de Phil Lynott, mas sim uma referência aos Panteras Negras, um movimento criado nos Estados Unidos para proteger os afro-americanos da violência policial, além de figuras políticas como Malcolm X e Martin Luther King.

Em relação às demais obras-primas do Thin Lizzy, “Nightlife” é considerado um álbum mediano, mas devemos considerar que o trabalho saiu justamente em um momento de transição que os irlandeses atravessavam. Inclusive, apesar de ser um bom disco, seu desempenho nas paradas não foi dos melhores. Os músicos, por exemplo, atribuíram isso ao trabalho do produtor Ron Nevison, que, segundo eles, deixou o resultado final muito leve para os padrões propostos.

No entanto, se comparado aos trabalhos de muitas bandas, o disco é muito bom, com mesclas de soul music, funk e Hard Rock. Vale a aquisição.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Nightlife
Intérprete: Thin Lizzy
Lançamento: 8 de novembro de 1974
Gravadora: Vertigo / Mercury (apenas no Canadá)
Produtores: Ron Nevison e Phil Lynott

Phil Lynott: baixo, voz e violão
Brian Downey: bateria e percussão
Scott Gorham: guitarra
Brian Robertson: guitarra e backing vocal

Gary Moore: guitarra em “Still In Love With You
Frankie Miller: voz em “Still In Love With You
Jean Alain Roussel: Hammond B3 e piano em “She Knows“, “Still In Love With You“, “Frankie Carroll” e “Dear Heart
Jimmy Horowitz: arranjos orquestrais em “She Knows“, “Frankie Carroll” e “Dear Heart

1. She Knows (Gorham / Lynott)
2. Night Life (Lynott)
3. It’s Only Money (Lynott)
4. Still In Love With Yoy (Lynott)
5. Frankie Carroll (Lynott)
6. Showdown (Lynott)
7. Banshee (Lynott)
8. Philomena (Lynott)
9. Sha La La (Downey / Lynott)
10. Dear Heart (Lynott)

Por Jorge Almeida

Deep Purple: 25 anos de “Come Hell Or High Water”

“Come Hell Or High Water”: o álbum ao vivo do Deep Purple que foi o último a ser lançado com Ritchie Blackmore

Neste dia 7 de novembro, completam-se exatos 25 anos do lançamento de “Come Hell Or High Water“, o 11º registro ao vivo do Deep Purple. Gravado durante a turnê de “The Battle Rages On…“, foi gravado em 16 de outubro de 1993 no Hanns-Martin-Schleyer-Halle, em Stuttgart, na Alemanha, e em Birmingham, em 9 de novembro do mesmo ano. A produção ficou a cargo de Pat Regan.

A formação clássica do Deep Purple (MK II com Blackmore, Gillan, Glover, Lord e Paice) se reunira pela terceira vez, depois que Ritchie fora encostado na parede por Glover, Lord e Paice que exigiam a volta de Ian Gillan e a saída de Jon Lynn Turner da banda.

Por conta das desavenças entre o guitarrista e o vocalista, Gillan foi demitido em 1989, sendo substituído por Joe Lynn Turner, com quem o grupo lançaram o fraco “Slaves & Masters” (1991), causando certa insatisfação por parte dos fãs que praticamente taxaram a nova formação como o “Deep Purple tocando cover do Rainbow”.

Assim, para celebrar os 25 anos do grupo, a gravadora e os integrantes (exceto Ritchie Blackmore e Turner, claro), queriam a volta de Ian Gillan. Voto vencido, o guitarrista teve de engolir e encarar encontrar o seu desafeto. Evidentemente que isso tinha tudo para não durar, e, de fato, não durou.

Os problemas com Blackmore já começou na abertura do show. Indignado com a presença de um cinegrafista ao seu lado do palco, Ritchie voltou para camarim até que o profissional de imagens fosse removido. Por isso que a ‘intro’ de “Highway Star” foi mais longa do que o habitual. Além disso, ao longo do show, vários pontos truncados de solo de guitarra pode ser notado na apresentação.

A insatisfação dos demais com o comportamento do guitarrista era nítido. E, em uma das apresentações da banda durante a turnê, Blackmore joga um copo d’água em direção de Gillan enquanto o vocalista se sacudia tocando a percussão. Até que em 17 de novembro de 1993, em Helsinque, na Finlândia, Ritchie Blackmore fazia o seu último show como integrante do Deep Purple.
Sem o guitarrista, a banda recrutou Joe Satriani para o restante da turnê e promoveu Steve Morse para ser seu substituto.

Quanto ao repertório, os clássicos de sempre do Deep Purple, acrescidos com alguns temas do então trabalho mais recente, como “Talk About Love“, “A Twist In The Tale“, a faixa-título e a melhor delas, “Anya“, com o seu ‘riff’ de teclados incrível. No mais, os hinos de sempre: “Highway Star“, “Black Night“, “Smoke On The Water“, “Perfect Strangers“, etc. Porém, uma observação deve ser feita em “Child In Time“, que praticamente foi a última versão ao vivo aceitável, digamos assim, pois, as posteriores deixaram claro que o “gogó” de Ian Gillan já não acompanha mais os agudos e os gritos histéricos no trecho final da música. E não é para menos, o cara já estava na casa dos 50 anos.

O registro foi lançado em CD e DVD. Enquanto no disco compacto contém as músicas tocadas em Stuttgart, exceto “Anyone’s Daughter“, tirada do show feito em Birmingham, o DVD apresenta justamente a performance na cidade-natal dos contemporâneos Black Sabbath. Ou seja, evidentemente que o tracklist é diferente.

As versões completas dos shows de Stuttgart e Birmingham foram lançadas em 2006 como um conjunto de quatro CDs “Live in Europe 1993” pela Sony /BMG, cada show com sua própria capa de capa. Em 2007, cada show teve um lançamento separado, em uma caixa, mas o show de Birmingham foi logo excluído, devido ao protesto de Ian Gillan sobre o relançamento.

Mas, apesar das imperfeições, um disco do Deep Purple é sempre um disco do Deep Purple.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versões CD e DVD) da obra.

Álbum: Come Hell Or High Water
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 7 de novembro de 1994
Gravadora: RCA/BMG
Produtor: Pat Regan

CD:
1. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. A Twist In The Tale (Blackmore / Gillan / Glover)
4. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
5. Anyone’s Daughter (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Child In Time (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. Anya (Blackmore / Gillan / Glover / Lord)
8. Speed King (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
9. Smoke On The Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

CD (versão norte-americana e japonesa):
1. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. A Twist In The Tale (Blackmore / Gillan / Glover)
4. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
5. Anyone’s Daughter (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Child In Time (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. Anya (Blackmore / Gillan / Glover / Lord)/Lazy/Space Truckin’/Woman From Tokyo (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
8. Speed King (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
9. Smoke On The Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

DVD:
1. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Talk About Love (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. A Twist In The Tale (Blackmore / Gillan / Glover)
5. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
6. Beethoven’s Night (Beethoven)
7. Knocking At Your Back Door (Blackmore / Gillan / Glover)
8. Anyone’s Daughter (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
9. Child In Time (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
10. Anya (Blackmore / Gillan / Glover / Lord)
11. The Battle Rages On (Blackmore / Gillan / Glover)
12. Lazy (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
13. Space Truckin’ (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
14. Woman From Tokyo (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
15. Paint It Black (Jagger / Richards)
16. Smoke On The Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

Por Jorge Almeida

Scorpions: 45 anos de “Fly To The Rainbow”

“Fly To The Rainbow”: o segundo registro do Scorpions, que completou 45 anos no último dia 1º de novembro

No último dia 1º de novembro, “Fly To The Rainbow”, o segundo disco de estúdio do Scorpions, completou 45 anos de seu lançamento. Produzido pela própria banda, o álbum foi gravado durante o mês de abril no Musicland Studios e no Studio Maschen, em Munique e Seevetal, respectivamente, ambos na, então, Alemanha Ocidental, e lançado pela RCA Records.

Depois de cair na estrada com o lançamento de “Lonesome Crow” (1972), seu álbum de estreia, o Scorpions foi a banda de abertura do UFO. Depois da tour, o guitarrista Michael Schenker resolveu deixar a banda e aceitou o convite para fazer parte do UFO. Com sua saída, o grupo praticamente se dissolveu. Assim, Klaus Meine e Rudolf Schenker praticamente se fundiram com o pessoal do Dawn Road ao juntar-se com Uli Jon Roth no lugar de Michael, Jürgen Rosenthal na bateria e Francis Buchholz no baixo. Com essa formação, o Scorpions gravou o clássico “Fly To The Rainbow“.

O novo registro é um trabalho bem peculiar, pois é marcado pela variedade que o quinteto faz nos estilos musicais, uma vez que, nos álbuns seguintes, os caras cairiam de vez no Hard Rock característico. Mas, isso não quer dizer que “Fly To The Rainbow” seja ruim, muito pelo contrário, é a comprovação absoluta que atesta os dons individuais de cada música, o que é grandioso. Além disso, as músicas mostram-se mais elaboradas e estruturadas em relação ao primeiro álbum.

A primeira coisa que o ouvinte do play nota, caso tenha escutado o ‘debut’ do grupo anteriormente, é a evolução do vocalista Klaus Meine no cargo. E ainda o desempenho absurdamente fantástico dos novos integrantes, sobretudo Uli Jon Roth e Francis Buchholz.

A obra começa com a enérgica “Speedy’s Coming“, depois vem “They Need A Million“, com sua sonoridade psicodélica capitaneada pelo violão flamenco de Roth. A psicodelia é mais nítida em “Drifting Sun“, o terceiro tema, é cantada por Uli Jon Roth e a cozinha de Rosenthal e Buchholz é de arrepiar. E Klaus Meine foi magnífico em sua interpretação na ‘blueseira’ “Fly People Fly”, que encerra o lado A do álbum.

O outro lado do disco contém apenas três, mas excelente faixas. A começar por “This Is My Song“, com sua pura energia. Depois, em “Far Away“, Klaus se destaca nessa linda balada rock. E, para finalizar, a épica faixa-título com seus quase dez minutos com Klaus e Uli dividindo os vocais e com as mudanças de andamento e progressões pontuais e primordiais.

Quanto à capa, feita por uma empresa de design de Hamburgo, é melhor não perguntar para o, agora, ex-guitarrista da banda, Uli Jon Roth, que até hoje não sabe o que significa e nunca gostou dela.

Independentemente da qualidade ou do significado dela, “Fly To The Rainbow” é um registro que merece ser ouvido por cada segundo e é um excelente cartão de visitas desses gigantes do rock alemão.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Fly To The Rainbow
Intérprete: Scorpions
Lançamento: 1º de novembro de 1974
Gravadora: RCA Records
Produtor: Scorpions

Klaus Meine: voz
Rudolf Schenker: guitarra rítmica, backing vocal, voz em “They Need A Million” e “Drifting Sun
Uli Jon Roth: guitarra solo, voz em “Drifting Sun” e co-vocal em “Fly To The Rainbow
Francis Buchholz: baixo
Jürgen Rosenthal: bateria e percussão

Achim Kirschning: órgão, mellotron e sintetizador

1. Speedy’s Coming (Meine / R. Schenker)
2. They Need A Million (R. Schenker / Meine)
3. Drifting Sun (Roth)
4. Fly People Fly (M. Schenker / Meine)
5. This Is My Song (R. Schenker / Meine)
6. Far Away (M. Schenker / R. Schenker / Meine)
7. Fly To The Rainbow (M. Schenker / Roth)

Por Jorge Almeida

Apresentação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis convida Os Paralamas do Sucesso no Parque Villa-Lobos (27.10.2019)

Orquestra Sinfônica de Heliópolis no palco junto com Os Paralamas do Sucesso no Parque Villa-Lobos. Foto: Jorge Almeida

Domingão, Sol e (muito) calor na capital paulista. Muitos paulistanos aproveitaram o último dia 27 de outubro para curtir o belo dia nas diversas atrações que São Paulo tem a oferecer, e milhares deles optaram em ir ao Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste da cidade, para apreciar o local e também para conferir o evento Sons do Brasil, que celebra os 90 anos da Unilever. A atração ficou por conta da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que convidou Os Paralamas do Sucesso para uma apresentação.

O evento começou por volta das 11h20 com a abertura ficando por conta do Coral Heliópolis, que cantaram (e coreografaram) alguns temas de MPB que ia desde Elis Regina à cantora Iza e, depois de 20 minutos, e efusivos aplausos da plateia, o coro deixou o palco.

Pouco tempo depois, sob a regência do maestro Edílson Ventureli, a Orquestra Sinfônica de Heliópolis, formado por cerca de 75 jovens musicistas da comunidade que dá nome à orquestra, começou a performance tocando diversos números da música clássica, tendo o clássico “O Guarani”, de Carlos Gomes, como o ponto de partida. Depois, vieram outros temas como a “Valsa Nº 2”, de Shostakovich; seguido da “Valsa das Flores”, de Piotr Tchaikvski; a ópera “Carmen”, de Georges Bizet; a “Dança Húngara Nº 5”, de Johannes Brahms, a trilha sonora do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), composta por Chico Buarque – “O Que Será?” e, antes do ápice da apresentação, os músicos ainda executaram “Bolero”, do francês Maurice Ravel. E, entre um clássico e outro, Edílson explicou sobre cada número e também sobre os feitos da ONG Instituto Baccarelli criada há 23 anos quando, ao longo de sua história, levou milhares de crianças para o mundo da música e, segundo o maestro, sem nunca ter perdido um jovem para a criminalidade.

Eis que às 12h40 o grande momento do evento: Os Paralamas do Sucesso adentraram ao palco. A partir daí, a orquestra recebeu Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, que vieram acompanhados por João Fera, Bidu Monteiro e Monteiro Jr. e, com mais de 80 músicos no tablado, os anfitriões e convidados iniciaram o show com “A Outra Rota”, depois vieram alguns clássicos ‘paralâmicos’: “Uns Dias”, “Uma Brasileira”, “Meu Erro”, “Óculos” e “Lourinha Bombril”. Na sequência, Herbert Vianna esclareceu que precisariam tocar mais uma vez a canção “Uns Dias” por conta de um problema técnico que prejudicou a captação do registro (o evento estava sendo gravado) e pediu compreensão do público e tocaram novamente a música. Posteriormente, veio a dobradinha para encerrar o show: “Aonde Quer Que Eu Vá”, “Alagados”, com direito a Herbert Vianna a citar “Sociedade Alternativa”, do saudoso Raul Seixas.

A apresentação terminou por volta das 13h40, com todos os músicos agradecendo o público e tirando a tradicional selfie. A plateia se dispersou pelo parque e aproveitou o resto do passeio.

Os arranjos com orquestra para as músicas d’Os Paralamas do Sucesso não causou tanto ‘impacto’, pois o trio já trabalha com arranjos de metais em suas músicas, o que não causou tanta estranheza para quem já conhece a banda. Mas a experiência foi válida.

A seguir, o setlist da apresentação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis.

1. O Guarani (Carlos Gomes)
2. Valsa Nº 2 (Dmitri Shostakovich)
3. Valsa das Flores (Piotr Tchaikovski)
4. Carmen (ópera) (Georges Bizet)
5. Dança Húngara nº 5 (Johannes Brahms)
6. O Que Será? (Chico Buarque de Holanda)
7. Bolero (Maurice Ravel)
Com Os Paralamas do Sucesso:
8. A Outra Rota (Herbert Vianna)
9. Uns Dias (Herbert Vianna)
10. Uma Brasileira (Herbert Vianna / Carlinhos Brown)
11. Meu Erro (Herbert Vianna)
12. Óculos (Herbert Vianna)
13. Lourinha Bombril (Diego Blanco y Bahiano / Versão: Herbert Vianna)
14. Uns Dias (Reprise) (Herbert Vianna)
15. Aonde Quer Que Eu Vá (Herbert Vianna / Paulo Sérgio Valle)
16. Alagados / Sociedade Alternativa (Herbert Vianna / Bi Ribeiro / João Barone) (Raul Seixas / Paulo Coelho)

Por Jorge Almeida

Queen: 15 anos de “Queen On Fire – Live At The Bowl”

“Queen On Fire – Live At The Bowl”, registro ao vivo do Queen, lançado postumamente

No ultimo dia 25, o quinto registro ao vivo do Queen, o póstumo “Queen On Fire – Live At The Bowl” completou 15 anos de seu lançamento, pelo menos a versão europeia, uma vez que a edição norte-americana saiu em 9 de novembro de 2004. Produzido por Brian May, Roger Taylor e Justin Shirley-Smith, o disco, que ganhou edições em CD, DVD e LP duplos (sendo que este último fora lançado em 2005), saiu pela EMI/Parlophone, na Europa, e pela Hollywood Records, nos Estados Unidos.

O play apresenta um show realizado no então Milton Keynes Bowl, em Buckinghamshire, na Inglaterra, em 5 de junho de 1982, durante a turnê do álbum “Hot Space”. Na ocasião, Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor promoviam o mais contestado trabalho de estúdio da banda.

Apesar das críticas em relação a “Hot Space”, os shows do Queen estavam alta, pois, além de enérgico, os caras estavam afiados. No entanto, o registro é marcado por vários problemas técnicos, especialmente com a guitarra e o microfone. Por exemplo, durante a execução da versão “rápida” de “We Will Rock You” e de “Dragon Attack” duas cordas da Red Special de Brian May quebraram e ele teve de tocar uma parte com uma Birch Red Special durante parte de “Action This Day”, a segunda metade da citada “Dragon Attack” e na reprise de “Now I’m Here”. Além disso, durante um solo de May, os captadores de sua guitarra foram desligados e o solo foi interrompido por 20 segundos (que podem ser conferidos no DVD, mas no CD foi de apenas três segundos), mas o problema fora solucionado por Brian Zellis, roadie do guitarrista. Enquanto ocorreram os perrengues com Brian May, Roger Taylor e John Deacon faziam solos improvisados.

Nem Freddie Mercury escapou dos problemas técnicos de som. Durante “Fat Bottomed Girls”, a voz do vocalista caiu rapidamente durante um falsete, que só pode ser ouvido nas gravações originais feitas na época pela BBC, uma vez que para o lançamento comercial – CD e DVD – o problema foi sanado.

Quanto ao repertório, o show começou com dois temas relativamente curtos – “Flash” e “The Hero”, para depois o quarteto arrebentar com tudo na versão acelerada de “We Will Rock You” (que gosto mais do que a original) e, posteriormente, uma avalanche de clássicos tocados à perfeição. Dois temas, em particular, que deixam a performance um pouco abaixo. São elas: “Back Chat” e “Get Down, Make Love” que não são ruins, mas é que elas destoam das demais, especialmente o desnecessário e longo arranjo da segunda. De resto, só pedrada atrás de pedrada “Play The Game”, “Somebody To Love”, “Now I’m Here”, “Save Me”, o então hit momentâneo “Under Pressure”, a maravilhosa trinca formada por “Crazy Little Thing Called Love”, “Bohemiam Rhpasody” e “Tie Your Mother Down” e o tradicional “finale” com “God Save The Queen”.

O DVD ainda contém um excelente material bônus, com entrevistas com Freddie Mercury, Roger Taylor e Brian May, além de entrevistas de bastidores e dois trechos de shows realizados em Viena, na Áustria, e em Tokorozawa, no Japão (com “Teo Torriatte (Let Us Cling Together)”, é claro), ambos no mesmo ano, além de uma galeria de fotos.

No Reino Unido, o disco ficou em 20º lugar nas paradas, enquanto o DVD alcançou o topo.

E, para deixar registrado, as versões do álbum lançado em Hong Kong e na China vieram sem as faixas “Get Down, Make Love” e “Fat Bottomed Girls”, devido às leis de censuras dos dois locais.

Embora a obra apresente os percalços técnicos, isso não foi capaz de diminuir a qualidade de um show do Queen. Particularmente, não vejo problema algum com relação a isso, pois, ajuda a assegurar a autenticidade da gravação. Mas é um ótimo registro de uma das maiores bandas da história. Vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Queen On Fire – Live At The Bowl
Intérprete: Queen
Lançamento: 25/10/2004 (Europa) / 09/11/2004 (EUA)
Gravadoras: EMI/Parlophone (Europa) / Hollywood Records (EUA)
Produtores: Brian May, Roger Taylor e Justin Shirley-Smith

Freddie Mercury: vocal, piano, violão em “Crazy Little Thing Called Love
Brian May: guitarras, vocais, piano em “Save Me
Roger Taylor: bateria, percussão, vocais, co-vocal nos versos de “Action This Day” e “Sheer Heart Attack
John Deacon: baixo, guitarra rítmica em “Staying Power” e vocais adicionais em “Somebody To Love” e “Back Chat

Morgan Fisher: teclados e piano

CD 1:
1. Flash (May)
2. The Hero (May)
3. We Will Rock You (Fast) (May)
4. Action This Day (Taylor)
5. Play The Game (Mercury)
6. Staying Power (Mercury)
7. Somebody To Love (Mercury)
8. Now I’m Here (May)
9. Dragon Attack (May)
10. Now I’m Here (Reprise) (May)
11. Love Of My Life (Mercury)
12. Save Me (May)
13. Back Chat (Deacon)

CD 2:
1. Get Down, Make Love (Mercury)
2. Brighton Rock Guitar Solo (May)
3. Under Pressure (Queen / Bowie)
4. Fat Bottomed Girls (May)
5. Crazy Little Thing Called Love (Mercury)
6. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
7. Tie Your Mother Down (May)
8. Another One Bites The Dust (Deacon)
9. Sheer Heart Attack (Taylor)
10. We Will Rock You (May)
11. We Are The Champions (Mercury)
12. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

Por Jorge Almeida