Morre “Fast” Eddie Clark, ex-guitarrista do Motörhead

“Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista do Motörhead, faleceu nesta quarta-feira (10) em decorrência de uma pneumonia. Créditos: divulgação/@motorheadofficial

O ex-guitarrista do Motörhead, “Fast” Eddie Clarke, morreu na noite desta quarta-feira (10), aos 67 anos, no hospital onde se tratava de uma pneumonia. A informação foi divulgada na página oficial da banda no Facebook nesta quinta-feira. Ele foi o último membro da formação considerada pelos fãs como “clássica” do Motörhead a falecer. Antes dele, o baterista Phil “Philthy Animal” Taylor e o baixista e vocalista Lemmy Kilmister morreram no final de 2015.

Conhecido pelo seu jeito feroz e rápido de tocar, daí o apelido “Fast” Eddie, o músico nasceu em 5 de outubro de 1950 como Edward Alan Clarke, em Twickenham, em Londres. Começou a tocar guitarra aos 15 anos e passou por muitas bandas locais até 1973 quando se tornou profissional ao se juntar à banda de rock prog de blues de Curtis Knight, Zeus, como guitarrista principal. No ano seguinte, a banda gravou um álbum chamado “The Second Coming at Olympic Studios“. Clarke escreveu a música para a letra de Knight, em uma faixa intitulada “The Confession“. Depois participou de uma banda chamada Blue Goose, formada juntamente com o amigo Allan Callan, mas um desentendimento entre eles por causa de um amplificador fez com que Clarke deixasse a banda. Em seguida, formou o Continuous Performance, que não obteve sucesso e, de forma temporária, o guitarrista deu um tempo na música.

Mas, em 1975, quando não estava atuando como músico, Eddie conheceu Phil Taylor, que o apresentou a Lemmy Kilmister. E, pouco tempo depois, o trio já estava ensaiando como Motörhead. Na banda, “Fast” Eddie Clarke viveu o seu auge, quando gravou os primeiros cinco álbuns de estúdio – “Motorhead” (1977), “Overkill” (1979), “Bomber” (1979), “Ace Of Spades” (1980) e “Iron Fist” (1982) – e o ‘live’ “No Sleep ‘Til Hammersmith” (1981), além do EP “The St. Valentine’s Day Massacre” (1981), lançado em conjunto com as minas do Girlschool.

No tempo em que ficou no Motörhead (até 1982), Eddie fez o vocal principal em quatro músicas da banda: “Beer Drinkers And Hell Raisers”, “I’m Your Witchdoctor” (na qual faz dueto vocal com Lemmy), “Step Down”, uma versão alternativa de “Stone Dead Forever” (que foi lançada na versão luxuosa de “Bomber”, lançada em 2005), além de “Emergency”, um das faixas do lado B do EP lançado com a banda Girlschool.

O guitarrista deixou a banda em 1982 devido a divergências musicais, formou o Fastway, que chegou até fazer shows de abertura para o AC/DC em uma turnê europeia em 1992, mas sem obter o mesmo sucesso com o Motörhead, embora tenha lançado bons discos de Hard N’ Heavy. Depois do fim da banda, na década de 1990, o guitarrista participou de alguns projetos mais sem muito apelo comercial.

Mas o primeiro integrante do Motörhead a morrer não fez parte da formação clássica. O guitarrista Würzel, que tocou no grupo entre 1984 e 1992, faleceu aos 61 anos em 9 de julho de 2011 após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

A morte de “Fast” Eddie Clarke repercutiu nas redes sociais e diversas personalidades do rock se manifestaram. Nomes como Slash (Guns N’ Roses), Scott Ian (Anthrax), além de Mikkey Dee e Phil Campbell, os dois últimos que fizeram parte da formação final do Motörhead (que já não contava com a participação de “Fast” Eddie) lamentaram a morte do “rápido” guitarrista.

Aliás, dentre as bandas consideradas clássicas do rock, o Motörhead se junta aos Ramones como uma das únicas a não contarem mais no plano terrestre a sua formação clássica. Assim como hoje os “motorheadbangers” não têm mais as presenças físicas de Lemmy, Phil e Eddie, os fãs da banda punk não contam mais com os lendários Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone em vida.

A seguir, a informação na íntegra da página oficial do Motörhead no Facebook sobre a morte de “Eddie” Fast Clarke:

Estamos devastados ao comunicar que acabamos de saber ontem à noite, – Edward Allan Clarke, ou como o conhecemos e amamos, Fast Eddie Clarke – morreu ontem.

Ted Carroll, da Chiswick Records, nos deus as más notícias pela sua fanpage no Facebook, depois de saber por Doug Smith que Fast Eddie morreu em paz no hospital onde estava sendo tratado de pneumonia.

Fast Eddie… continue detonando e agitando como um maldito, sua Motörfamily não esperaria nada menos que isso!

RIP Fast Eddie Clarke – 5 de outubro de 1950 a 10 de janeiro de 2018.”.

Obrigado pela obra e o legado deixado, “Fast” Eddie Clarke. Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

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Os Paralamas do Sucesso: 30 anos de “D”

“D”: o primeiro disco ao vivo d’Os Paralamas do Sucesso gravado m Montreaux, na Suíça

2017 é o ano que marcou o 30º aniversário de lançamento do quarto disco d’Os Paralamas do Sucesso, “D”, o primeiro registro ao vivo da banda. Produzido por Liminha, o álbum foi gravado ao vivo na tradicional noite brasileira do festival de Montreux, na Suíça.

A apresentação do trio encerrava a turnê bem-sucedida de “Selvagem?”, que rendeu êxito nas vendagens e de crítica. No repertório, os maiores sucessos até então, com direito a Herbert Viana citar João Bosco e os contemporâneos Titãs e cantar um cover de Jorge Ben Jor.

O grupo estava em estado de graça no período e a viagem à Europa, a primeira deles ao Velho Mundo, foi antecedida de ensaios no sítio de Bi Ribeiro, em Mendes, interior fluminense.

A performance na cidade suíça trouxe uma novidade aos fãs: a estreia de João Fera na banda, como músico de apoio. Considerado um “4º paralama”, o tecladista excursiona com a banda até hoje. Além da Suíça, os Paralamas passaram a fazer turnê em alguns países da América do Sul, como Uruguai, Chile, Venezuela e Argentina, onde os caras têm bastante popularidade.

Além de João Fera, outra participação especial no show foi George Israel, do Kid Abelha, que tocou sax em “Ska”. De novidade, duas músicas inéditas: a autoral “Será Que Vai Chover?”, gravada em Montreux, e a regravação de “Charles, Anjo 45”, de Jorge Ben.

O repertório do espetáculo começa justamente com a inédita “Será Que Vai Chover?”, seguida de “Alagados”, onde Herbert cita “De Frente Pro Crime”, de João Bosco, sucedida de “Ska”, “Óculos”, “O Homem”, “Selvagem”, que contém menção de “Polícia”, dos Titãs, “Charles, Anjo 45”, “A Novidade” e o show termina com “Meu Erro”. Na versão em CD de “D”, traz a faixa “Será Que Vai Chover? (versão estúdio)” como bônus.

Apesar de ter sido gravado longe do calor do público brasileiro, Os Paralamas do Sucesso foram bem recebidos e tiveram uma plateia bem receptiva. No ano seguinte, os amigos dos Titãs também gravaram o seu primeiro ao vivo, “Go Back”, no mesmo festival, porém, com um público “bem morno”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: D
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: 1987
Gravadora/Distribuidora: EMI
Produtor: Liminha

Herbert Vianna: guitarra e vocal
Bi Ribeiro: baixo
João Barone: bateria e percussão

João Fera: teclados
George Israel: sax em “Ska

1. Será Que Vai Chover? (Herbert Vianna)
2. Alagados (Música incidental: De Frente Pro Crime) (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna) (João Bosco / Aldir Blanc)
3. Ska (Herbert Vianna)
4. Óculos (Herbert Vianna)
5. O Homem (Bi Ribeiro / Herbert Vianna)
6. Selvagem (Música Incidental: Polícia) (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna) (Tony Bellotto)
7. Charles, Anjo 45 (Jorge Ben)
8. A Novidade (Bi Ribeiro / João Barone / Gilberto Gil / Herbert Vianna)
9. Meu Erro (Herbert Vianna)
10. Será Que Vai Chover? (Versão Estúdio) (Herbert Vianna) – faixa bônus na versão em CD

Por Jorge Almeida

Skank: 25 anos do álbum de estreia

“Skank”, o álbum, o primeiro CD independente lançado no Brasil

O primeiro trabalho do Skank completou 25 anos em 2017. O CD, que trazia apenas o nome da banda, foi lançado primeiramente de forma independente em outubro de 1992. Gravado no, hoje extinto, JG Estúdio, em Belo Horizonte, entre julho e agosto de 1992, o álbum foi produzido pela própria banda e teve a prensagem de apenas três mil cópias. Isso antes de ser relançado (e mixado) pela Chaos, um selo da poderosa Sony, em abril de 1993.

A história do Skank começa na década de 1980, quando Samuel Rosa e Henrique Portugal formou a banda de raggae chamada Pouso Alto do Reggae. Depois de tocar pelo underground mineiro, o grupo conseguiu uma data para se apresentar no Aeroanta, em São Paulo. E, antes desse show, dois dos integrantes da banda, os irmãos Dinho e Alexandre Mourão não estavam na capital mineira e, para não desperdiçar a oportunidade, foram recrutados Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti. Com essa formação, o nome do grupo foi alterado para Skank, o nome foi inspirado em uma música de Bob Marley (“Easy Skanking”). Com a nova denominação, o quarteto fez sua estreia em 5 de junho de 1991 para incríveis 37 pessoas presentes, entre eles, os ex-bateristas de Ira! e Titãs Charles Gavin e André Jung. Façamos justiça que o motivo pelo qual não haver muitas pessoas no show porque a data coincidiu com o primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro entre São Paulo e Bragantino.

Após a experiência, os quatro gostaram do desempenho e resolveram continuar. De volta a BH, o Skank passou a tocar com frequência na churrascaria Mister Beef e casas noturnas Janis, L’Apogée e Maxaluna. A banda tinha como proposta musical transmitir o clima do dancehall jamaicano para o pop brasileiro.

E, à medida que o entrosamento do quarteto crescia, começaram a gravar as demos com material autoral. Primeiramente nos Estúdios Ferretti, que pertence ao baterista Haroldo Ferretti, onde gravaram “Skank 91”, álbum que foi lançado 21 anos mais tarde. No ano seguinte, o Skank gravou o seu disco de forma independente e, inovadores e querendo chamar atenção de jornalistas, das rádios e das gravadoras, optaram em lançarem o material em CD (o primeiro CD independente do Brasil), embora nenhum deles tivesse, na época, um aparelho com compact disc em casa.

A estratégia era chamar atenção na qualidade e na inovação. A empreitada, que resultou em três mil cópias, sendo 1,5 mil destinadas para as rádios teve um custo ao equivalente a US$ 10 mil. Os responsáveis pela distribuição de CDs pelas lojas de Belo Horizonte e divulgação nas rádios e na imprensa, incluindo anúncios no eixo Rio-São Paulo, ficou a cargo de Lelo Zaneti e Fernando Furtado, empresário do grupo. No primeiro dia que a dupla saiu à caça venderam míseras 60 cópias e, um mês e meio depois, apenas 1.200 unidades.

Persistentes, o Skank não jogou a toalha e passou a tocar com regularidade no underground e com as rádios mineiras começando a tocar material da banda, após uma ótima recepção em um festival de rock local, despertou o interesse da poderosa Sony, que convidou a banda para inaugurar o seu novo selo, Chaos. O disco foi remixado no estúdio Nas Nuvens com o engenheiro Paulo Junqueiro ao longo das madrugadas de fevereiro de 1993, foi relançado em abril de 1993 e vendeu mais de 250 mil cópias. O projeto gráfico feito por Marcus Barão na versão independente do disco foi mantido e, para o encarte, a banda foi fotografada pelo “padrinho” Maurício Valadares.

O ‘debut’ dos mineiros continha 11 canções das quais cinco marcaram a parceria entre Samuel Rosa e Chico Amaral, além de versões de “Tanto (I Want You)”, de Bob Dylan; “Let Me Try Again”, de Frank Sinatra; e “Cadê o Pênalti?”, de Jorge Ben Jor. Aliás, além da música, o futebol é outra paixão dos músicos, que fazem questão de abordar o tema em suas músicas, vide o sucesso “É Uma Partida de Futebol”, por exemplo. Mas duas músicas do álbum chamaram mais atenção: “In(Dig)Nação”, que foi criada para um trabalho do videoartista Eder Santos, mas que foi cantada pelos caras-pintadas na época do impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, e “O Homem Que Sabia Demais”, que foi escolhido pela Rede Globo para fazer parte da trilha sonora da novela Olho no Olho (1993/1994).

Depois, em 1994, o Skank lançou o clássico “Calango” e, merecidamente, conseguiu o sucesso nacional, que foi consolidado com o incrível “O Samba Poconé” (1996). Mas, “Skank”, o álbum, será sempre visto com carinho pelos fãs como o “começo de tudo”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Skank
Intérprete: Skank
Lançamento: outubro de 1992 (independente) e abril de 1993 (Chaos/Sony)
Gravadora/Distribuidora: independente / Chaos (Sony)
Produtor: Skank

Samuel Rosa: guitarra e voz
Henrique Portugal: teclados
Lelo Zaneti: baixo
Haroldo Ferretti: bateria

Chico Amaral: saxofone
João Vianna: trompete
Willy Gonser e Paulo Rodrigues: narração em “Cadê o Pênalti?

1. Gentil Loucura (Affonso Jr. / Chico Amaral)
2. In(Dig)Nação (Samuel Rosa / Chico Amaral)
3. Salto no Asfalto (Samuel Rosa / Fernando Furtado)
4. Macaco Prego (Samuel Rosa / Chico Amaral)
5. Tanto (I Want You) (Bob Dylan / Versão: Chico Amaral)
6. O Homem Que Sabia Demais (Samuel Rosa / Chico Amaral)
7. Let Me Try Again (Caravelli / Jourdan / Anka / Cahn)
8. Baixada News (Samuel Rosa / Chico Amaral)
9. Réu & Rei (Samuel Rosa / Chico Amaral)
10. Cadê o Pênalti? (Jorge Ben Jor)
11. Caju Dub (Salto no Asfalto, versão instrumental) (Samuel Rosa / Fernando Furtado)

Por Jorge Almeida

Legião Urbana: 25 anos de “Música Para Acampamentos”

“Música Para Acampamentos”: o primeiro registro ao vivo oficial da Legião Urbana

O ano de 2017 marcou para os legionários as bodas de prata do duplo ao vivo “Música Para Acampamentos”, da Legião Urbana. Com produção da própria banda em conjunto com Rafael Borges, o disco reúne diversas faixas ao vivo, gravações feitas em emissoras de rádio e televisão, além de takes alternativos, enfim, embora tenha sido lançado como um registro ao vivo, o álbum não captou o registro de um show na íntegra.

O projeto foi idealizado por Renato Russo e contém registros de apresentações feitas pela Legião Urbana entre 1984 e 1992. O título do álbum foi inspirado de um desenho feito por Marcelo Bonfá que Russo viu e curtiu. Por ter saído entre “V” e “O Descobrimento do Brasil”, o álbum saciou os fãs que ficaram à espera de um material novo dos punks brasilienses.

Apesar de ter sido feito como uma espécie de “catadão” de materiais de diversas performances, o play apresenta apenas uma canção inédita, que foi também a única gravada em estúdio: “A Canção do Senhor da Guerra”, que foi registrada em 1984 para o ‘debut’ da banda, mas que ficou de fora.

O projeto gráfico do disco ficou a cargo de Fernanda Villa-Lobos e Gualter Pupo e ilustrações de Marcelo Bonfá. Mixado em 1992, “Música Para Acampamento” teve a participação de Renato Rocha (ex-baixista da Legião Urbana) e de músicos convidados.

As músicas foram registradas em shows no Estádio Parque Antártica (atual Allianz Parque), em São Paulo, em agosto de 1990; no Morro da Urca, Rio de Janeiro, agosto de 1986; apresentações nas rádios Transamérica FM (RJ), em 1988 e 1992, e Rádio Cidade (RJ), em 1992; e versões tocadas no Acústico MTV da banda, em 1992.

E, como não poderia deixar, claro que em “Música Para Acampamentos” não poderia faltar os famosos medleys que Renato Russo fazia ao vivo. Como citações incidentais de “Jealous Guy”, de John Lennon, e de “Ticket To Ride”, dos Beatles, em “A Montanha Mágica”; um trecho de “Stand By Me”, em “Pais e Filhos”; ou, ainda, menções de “Blues da Piedade” e “Faz Parte do Meu Show”, do amigo Cazuza, além de “Nascente”, de Flávio Venturini no meio de “Soldados”.

Mas os pontos altos do registro estão no discurso inflamado feito por Renato Russo, que faz as vozes dos dois personagens: policial e suspeito, ao simular um enquadro sofrido por jovens por portar maconha em “Baader-Meinhof Blues” e a versão acústica e ao vivo de “On The Way Home”, de Neil Young. Contudo, por incrível que pareça, o play não tem a clássica “Eduardo e Mônica”.

Ícone de uma geração, Renato Russo sabia como conduzir uma plateia: destemido e desbocado, o vocalista provocava e encantava o público como poucos. Um gênio. E, de fato, um registro histórico que vale a pena ser conferido.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Música Para Acampamentos
Intérprete: Legião Urbana
Lançamento: 1992
Gravadora/Distribuidora: EMI
Produtores: Legião Urbana e Rafael Borges

Renato Russo: voz e baixo
Dado Villa-Lobos: guitarra e violão
Marcelo Bonfá: bateria

Disco 1:
1. Fábrica (Renato Russo)
2. Daniel na Cova dos Leões (Renato Russo / Renato Rocha)
3. A Canção do Senhor da Guerra (Renato Russo)
4. O Teatro dos Vampiros (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
5. Ainda É Cedo (Ico Ouro-Preto / Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)
6. Gimme Shelter (Jagger / Richards)
7. Baader-Meinhof Blues (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
8. A Montanha Mágica/You’ve Lost That Lovin’ Feelin’/Jealous Guy/Ticket To Ride (Renato Russo/Dadoi Villa-Lobos/Marcelo Bonfá)(Mann/Well/Spector)(Lennon)(Lennon/McCartney)
9. Eu Sei (Renato Russo)
10. “Índios” (Renato Russo)

Disco 2:
1. A Dança (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
2. Mais do Mesmo (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
3. Soldados/Blues da Piedade/Faz Parte do Meu Show/Nascente (Renato Russo/Marcelo Bonfá)(Frejat/Cazuza)(Cazuza/Renato Ladeira)(Flávio Venturini/Murilo Antunes)
4. Música Urbana 2 (Renato Russo)
5. On The Way Home (Neil Young)
6. Maurício (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
7. Há Tempos (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
8. Pais E Filhos (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
9. Faroeste Caboclo (Renato Russo)
10. Exit Music: Rhapsody In Blue (Gershwin)

Por Jorge Almeida

Paul McCartney: 35 anos de “Tug Of War”

“Tug Of War”: o primeiro disco solo de Paul McCartney pós-Wings

Em 19 de abril de 1982 foi lançado o álbum “Tug Of War”, o terceiro da discografia solo de Paul McCartney, sendo o primeiro após o término do Wings, sua banda pós-Beatles, e que completou 35 anos neste ano que está prestes do fim. Gravado em dezembro de 1980 e entre fevereiro e dezembro de 1981, em Londres e Montserrat, nos estúdios da AIR Studios.

O lançamento do disco ocorreu justamente após a dissolução do Wings, em abril de 1981, e foi o primeiro registro do ex-Beatle após a morte de John Lennon. A produção ficou a cargo de um velho conhecido dos fãs do Fab Four: George Martin. O material chegou ao topo das paradas em vários países e foi aclamado como a libertação de Paul McCartney, que fez um material como bem quis.

Depois do lançamento de “McCartney II” (1980), o Wings se reuniu entre julho e outubro de 1980 para ensaiar diversas canções que entrariam mais tarde em “Tug Of War” e “Pipes Of Peace”. No entanto, o compositor convidou George Martin para trabalhar em uma canção para o personagem de desenho animado chamado Rupert Bear, do qual McCartney possuía os direitos, intitulada “We All Stand Together”, entre outras. Tudo rolava dentro das conformidades com sessões produtivas, quando na manhã de 9 de dezembro Paul acordou e foi informado da morte de seu eterno parceiro de composição, John Lennon, que foi morto a tiros na noite anterior, em Nova York. Abalado com o falecimento do ex-Beatle, McCartney abandou a sessão do dia no meio, quando ele e Denny Laine estavam a gravar o futuro lado B “Rainciouds”. Diante dessas circunstâncias, Martin e Paul decidiram que seria melhor adiar o projeto e começar novamente uma vez que eles não estavam preparados.

Passados dois meses da morte de Lennon, Paul McCartney retomou os trabalhos e, em fevereiro, gravou com Stevie Wonder, Carl Perkins, Ringo Starr, entre outros convidados, várias canções no processo. As sessões foram produzidas no AIR Studios, em Montserrat, no Caribe e durou cerca de um mês, finalizando com “What’s That You Do Doing?” e “Ebony And Ivory”, duas músicas de Stevie Wonder. Quem também se tornou um colaborador frequente de McCartney nesse período foi Eric Stewart, guitarrista do 10cc. Outras sessões foram realizadas nos estúdios AIR, de Martin, em Oxford Street, em Londres, com o produtor cuidando da produção e permitindo a Paul o benefício da tecnologia dos anos 1980. As sessões foram tão proveitosas que diversas faixas foram realizadas para o trabalho seguinte, “Pipes Of Peace”, de 1983. O restante do ano, McCartney e Martin tocaram o álbum e foram aperfeiçoando o material.

Em março de 1982, o dueto de McCartney com Stevie Wonder, “Ebony And Ivory”, foi lançado e fez um sucesso comercial considerável, chegando ao primeiro lugar das paradas de diversos países e se transformou no carro-chefe do álbum. Além da canção, o disco também chegou ao topo do mundo. Outro single do play – “Take It Away” – chegou ao top tem nos Estados Unidos. Os milhões de cópias vendidas de “Tug Of War” alavancou a reputação crítica a McCartney, depois ao que foi visto como um período de amadurecimento para ele. E, de quebra, o álbum foi nomeado para o Grammy de “Álbum do Ano”, em 1983.

É claro que Paul McCartney não poderia deixar de lembrar a memória de John Lennon e isso ele deixou registrado na magnífica “Here Today”.

Ao longo dos anos, “Tug Of War” ganhou diversas versões e remasterizações. Em 1993, por exemplo, foi reeditado e remasterizado em CD como parte da série “The Paul McCartney Collection”, sem faixas bônus. Em 2007, o disco ganhou uma edição remasterizada e relançada no iTunes Store acrescido em uma versão solo de “Ebony And Ivory”. Outra edição saiu em 2 de outubro de 2015 como parte de mais uma edição do “Paul McCartney Archive Collection”, que inclui uma versão remixada do álbum juntamente com a mixagem original e uma série de vídeos. E, em 2017, a versão de luxo remasterizada de “Tug Of War” recebeu uma indicação ao Grammy na categoria de “Melhor Box” ou “Deluxe Edition” do ano.

Apesar de o título sugerir uma luta de força (em português, o título do álbum significa algo como “cabo-de-guerra”), Paul preferiu interpretar o nome do disco como um “álbum de opostos” – do tipo, sim e não, para cima e para baixo, homem e mulher.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Tug Of War
Intérprete: Paul McCartney
Lançamento: 19 de abril de 1982
Gravadora/Distribuidora: Parlophone (Reino Unido) e Columbia (EUA)
Produtor: George Martin

Paul McCartney: guitarra acústica, baixo, bateria, guitarra elétrica, sintetizadores, vocal, backing vocals, piano, guitarra espanhola, percussão, vocoder
Linda McCartney: backing vocal nas faixas 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 11
Eric Stewart: guitarra nas faixas 1, 2, 3, 4, 6, 7 e 8
Denny Laine: guitarra, sintetizador de guitarra, violão, baixo e sintetizador nas faixas 1, 3, 6, 7, 8 e 11
Campbell Maloney: armadilhas militares na faixa 1
Kenneth Sillito: regência de orquestra na faixa 1
Steve Gadd: bateria e percussão nas faixas 2 e 3
Ringo Starr: bateria na faixa
George Martin: piano nas faixas 2 e 11
Stanley Clarke: baixo nas faixas 3 e 7
Adrian Brett: flauta de pan na faixa 3
Stevie Wonder: voz e sintetizadores na faixa 4
Andy Mackay: lyricon na faixa 4
Jack Rothstein & Bernard Partridge: violin na faixa 5
Ian Jewel: viola na faixa 5
Keith Harvey: violoncello na faixa 5
Jack Brymer: clarineta na faixa 6
Peter Marshall: narração na faixa 6
Adrian Sheppard: bateria e percussão na faixa 8
Philip Jones Brass Ensemble: conjunto de latão na faixa 9
Carl Perkins: guitarra elétrica e vocal na faixa 9
Dave Mattacks: bateria e percussão na faixa 11

1. Tug Of War (McCartney)
2. Take It Away (McCartney)
3. Somebody Who Cares (McCartney)
4. What’s That You’re Doing? (McCartney / Wonder)
5. Here Today (McCartney)
6. Ballroom Dancing (McCartney)
7. The Pound Is Sinking (McCartney)
8. Wanderlust (McCartney)
9. Get It (McCartney)
10. Be What You See (Link) (McCartney)
11. Dress Me Up As A Robber (McCartney)
12. Ebony And Ivory (McCartney)

Por Jorge Almeida

Aerosmith: 40 anos de “Draw The Line”

“Draw The Line”: embora seja um bom disco, vendeu menos que “Toys In The Attic” e “Rocks”

No último dia 1º de dezembro, o quinto disco de estúdio do Aerosmith, “Draw The Line”, completou 40 anos de seu lançamento. Produzido por Jack Douglas em conjunto com o grupo, o disco foi gravado entre junho e outubro de 1977 em um convento abandonado próximo de Nova York, que foi alugado para essa finalidade. A capa do play, que contém caricaturas dos músicos, foi desenhada pelo famoso caricaturista Al Hirschfeld, conhecido por ocultar o nome “NINA” na maioria dos desenhos que produz.

Em 1977, o Aerosmith já havia chegado ao estrelato. Com quatro discos na bagagem, os dois mais recentes deles – “Toys In The Attic” (1975) e “Rocks” (1976) – colocaram os Bad Boys de Boston entre as grandes bandas de rock dos Estados Unidos. E, à medida que o sucesso aumentava, os excessos com as drogas também começaram a crescer. E foi assim que começou ao gravar o próximo trabalho, “Draw The Line”. No livro de memórias da banda – “Walk This Way” -, de Stephen Davis, Joe Perry admitira que eles já não eram uma unidade coesa (à época da gravação do álbum), e que eles eram “toxicodependentes mexendo com música, em vez de músicos tocando drogados”. E, mesmo com a boa vendagem do disco, com um milhão de cópias vendidas em menos de dois meses, o guitarrista, em 2014, se referiu ao trabalho como o “começo do fim” e “a decadência da nossa arte”.

O manager do Aerosmith, David Krebs, sugeriu que o grupo gravasse o próximo disco em uma propriedade próximo de Armonk, em Nova York, que foi chamado de The Cenacle para manter os caras “longe da tentação das drogas”. Contudo, o plano falhou miseravelmente, pois a banda conseguia os entorpecentes com os “negociantes”. E, por conta do grande envolvimento com o consumo de drogas, a participação de Tyler e Perry não foi tão ativa quanto nos álbuns anteriores. Das nove faixas do play, apenas a faixa-título, “I Wanna Know Why” e “Get It Up” foram escritas pelos Toxic Twins de Boston. Enquanto Tom Hamilton, Joey Kramer e Steven Tyler assinaram “Kings And Queens”, que teve Brad Whitford como responsável pela guitarra base e pelo solo. Outra faixa que não teve a participação de Perry foi “The Hand That Feeds”, creditada toda à banda, exceto Joe, e mais o produtor Jack Douglas.

Trabalhando com o Aerosmith desde a produção de “Get Your Wings” (1974), o produtor Jack Douglas, expressou sentimentos semelhantes à banda sobre a apatia que tomava conta das sessões de gravação. Mesmo assim, ele ainda colaborou com quatro temas: “Critical Mass”, “Kings And Queens”, “The Hands That Feeds” e “Slight For Sore Eyes”.

O disco abre com a faixa-título, que derruba tudo. Um Hard Rock bem tocado e uma boa performance vocal de Steven Tyler. Em seguida, “I Wanna Know Why” vem com um rock and roll na essência, porém, mais cadenciada que a faixa anterior. Na sequência, a Bluesy “Critical Mass“, que os caras detonam com solos de gaita, bons riffs e a competente cozinha de Hamilton e Kramer. O quarto tema é total Aerosmith: “Get It Up“, que ganha destaque pelo desempenho vocal de Tyler. O play deu uma caída no nível com “Bright Light Fight“, composta e cantada por Joe Perry. É uma boa música que se encaixa com a voz rasgada do guitarrista, mas a produção deixa a desejar. O tema seguinte é “Kings And Queens“, um dos destaques do play. O quinteto fizeram um trabalho primoroso na parte melódica da canção. Musicão. Posteriormente, o álbum traz a engraçadinha “The Hand That Feeds“, que traz mais uma pegada Bluesy.  O disco segue com mais dois petardos: a ótima “Sight For Sore Eyes” e a interpretação “classe A” de “Milk Cow Blues“, de Kokomo Arnold.

Comparado com as vendagens dos trabalhos anteriores, “Draw The Line” foi considerado uma decepção para a banda. Apesar de ter boas músicas, a falta de inspiração do quinteto na época, quando se preocupavam mais em se drogar do que qualquer outra coisa, colaborou para que o disco tenha saído inferior aos citados “Toys In The Attic” e “Rocks”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Draw The Line
Intérprete: Aerosmith
Lançamento: 1º de dezembro de 1977
Gravadora/Distribuidora: Columbia
Produtores: Aerosmith e Jack Douglas

Steven Tyler: voz, harmônica, piano e backing vocal
Joey Perry: guitarra, slider guitar, backing vocal e voz em “Bright Light Fright
Tom Hamilton: baixo
Brad Whitford: guitarra
Joey Kramer: bateria e percussão

Stan Bronstein: saxofone em “I Wanna Know Why” e “Bright Light Fright
Scott Cushnie: piano em “I Wanna Know Why” e “Critical Mass
Karen Lawrence: backing vocal em “Get It Up
Jack Douglas: bandolim em “Kings And Queens

1. Draw The Line (Tyler / Perry)
2. I Wanna Know Why (Tyler / Perry)
3. Criticam Mass (Tyler / Hamilton / Douglas)
4. Get It Up (Tyler / Perry)
5. Brigh Light Fright (Perry)
6. Kings And Queens (Tyler / Whitford / Hamilton / Kramer / Douglas)
7. The Hand That Feeds (Tyler / Whitford / Hamilton / Kramer / Douglas)
8. Slight For Sore Eyes (Tyler / Perry / Douglas / Johansen)
9. Milk Cow Blues (Arnold)

Por Jorge Almeida

 

The Jimi Hendrix Experience: 50 anos de “Axis: Bold As Love”

“Axis: Bold As Love”, do Jimi Hendrix Experience, que completa 50 anos em 2017

Neste ano de 2017 que está perto do fim, outro grande disco completou 50 anos de seu lançamento: “Axis: Bold As Love”, o segundo álbum de estúdio do Jimi Hendrix Experience. Gravado entre maio e outubro de 1967 no Olympic Studios, em Londres, o material foi lançado em 1º de dezembro daquele ano pela Track Records e produzido por Chas Chandler.

Após o estouro do trabalho de estreia – “Are You Experienced?” -, o novo trabalho ficou sob a sombra de seu antecessor. Porém, o trio Jimi Hendrix, Noel Redding e Mitch Mitchell estava mais confiante e entrosado do que no lançamento do ‘debut’, que saíra em maio daquele ano. Contudo, a gravação foi feita sob pressão sobre eles, pois o contrato previa que o grupo teria de lançar dois álbuns em 1967.

Durante as sessões, a banda lançou o quarto single na Inglaterra em agosto de 1967 – “Burning Of The Midnight Lamp”/”Stars That Play With Laughing Sam’s Dice”. Todavia, para frustração de Jimi Hendrix, o single não se tornou um single e ocupou um modesto 18º lugar nas paradas britânicas e, por não ter sido lançado nos Estados Unidos, Hendrix pode colocar “Burning Of The Midnight Lamp” no terceiro e último álbum da banda “Electric Ladyland”, que saiu no ano seguinte. Outro single que também não vingou foi o de “Up From The Skies”, e diante de tais circunstâncias, o guitarrista ficou com o rótulo de que não gostava de lançar singles e buscava deixar isso nítido através de seus álbuns.

Várias faixas dos discos forma feitas com técnicas de gravação de estúdio em mente, e dificilmente eram executadas em apresentações ao vivo. Apenas “Little Wing” e “Spanish Castle Magic” eram tocadas com certa frequência nas apresentações. “Spanish Castle Magic” foi tirado do nome de um renomado clube de jazz, enquanto “Little Wing” tornou-se um dos temas mais populares de Hendrix. Foi regravada pelo Derek And The Dominoes de Eric Clapton e também por uma versão instrumental de Stevie Ray Vaughan.

A faixa que abre o álbum “EXP” traz uma ‘intro’ psicodélica e segue com efeitos e alternâncias de velocidade e simula a transmissão de uma entrevista em que o convidado fala sobre OVNIs e o locutor é supreendido com uma sonoridade de microfonia que simula a vinda de uma nave espacial. Na sequência, “Up From The Skies“, composta por Hendrix, aborda a experiência de um extraterrestre indo para a Terra e mostrando a sua preocupação com os danos causados pelos seres humanos ao planeta. A terceira faixa é “Spanish Castle Magic“, cuja letra fazem referência a um clube perto de Seattle que Hendrix frequentava e, às vezes, tocava no início da carreira e foi inspirada nos anos que o músico frequentou o ensino médio entre 1958 e 1961. Nesta faixa, Noel Redding toca um Hagstrom (contrabaixo) de oito cordas. Posteriormente, o disco segue com a impactante “Wait Until Tomorrow“, que fala sobre o cara que vai em direção do seu amor com quem planeja fugirem, porém, é morto pelo pai da garota. A faixa cinco é a curta “Ain’t No Telling“, mas que se destaca por sua intensidade explosiva e energia. O play continua com a incrível “Little Wing“, uma balada que faz referência a uma figura feminina semelhante a um anjo. Tornou-se um das músicas mais conhecidas de Hendrix e que teve interpretações gravadas por músicos de diversos estilos musicais. E o lado A termina com “If 6 Was 9“, canção cuja letra retrata o conflito subjacente da contracultura da década de 1960: as dicotomias sociais e culturais entre os hippies e o mundo comercial “conservador de colarinho branco” do establishment.

O lado B começa com “You Got Me Floatin’“, outra incrível faixa enérgica. Já “Castle Made Of Sand” é uma música com a história biográfica sobre a infância de Jimi Hendrix, mas a metáfora do título faz referência sobre o momento de incerteza do guitarrista naquela fase da vida, pois Hendrix passava por momentos de incertezas, como mudanças de casa e de escola, da difícil convivência dos pais (o pai era alcoólatra). Enquanto “She’s So Fine“, que foi composta e cantada por Noel Redding, fala sobre os hippies. A canção sucessora é “One Rainy Wish“, que foi baseada em um sonho que Jimi Hendrix teve ao ver que o céu estava “cheio de mil estralas” e onze luas tocavam em um arco-íris, de acordo com a letra da música. A penúltima faixa é “Little Miss Lover”, que foi a primeira música a apresenta um efeito de wah-wah silencioso percussivo. técnica que mais tarde fora adotada por muitos guitarristas. E, para finalizar, “Bold As Love“, que para o biógrafo de Hendrix, Harry Shapiro, a música fala sobre “uma batalha olímpica de paixões cuja estratégia é traçada, cuja conclusão é a de que o amor vem em muitas matizes e é um trabalho árduo e se envolver corretamente exige compromisso e coragem”.

Embora tenha sido lançado entre duas obras-primas do Jimi Hendrix Experience, “Axis: Bold As Love” chegou ao número cinco do Reino Unido e o terceiro lugar nos Estados Unidos, inclusive onde o álbum foi lançado em 15 de janeiro de 1968. E, em alguns relançamentos britânicos, a ordem original das faixas foi ligeiramente alterada para que “Bold as Love” não fosse a última faixa do play.

Em “Axis: Bold As Love” encontramos um trabalho experimental e diversificado na curta discografia da banda, mas mesmo assim é um trabalho que vale a pena dar uma conferida.

A seguir, o tracklist e a ficha técnica da obra.

Álbum: Axis: Bold As Love
Intérprete: Jimi Hendrix Experience
Lançamento: 1º de dezembro de 1967 (Reino Unido) / 15 de janeiro de 1968 (EUA)
Gravadora/Distribuidora: Track Records
Produtor: Chas Chandler

Jimi Hendrix: voz, guitarra, piano, gravador, glockenspiel em “Little Wing” e voz de “Mr. Paul Caruso” em “EXP
Mitch Mitchell: bateria, backing vocal e “entrevistador” em “EXP
Noel Redding: baixo (de quatro e oito cordas), backing vocal, voz em “She’s So Fine” e pé pisoteando em “If 6 Was 9

Gary Leeds e Chas Chandler: pé pisoteando em “If 6 Was 9
Graham Nash: pé pisoteando em “If 6 Was 9” e backing vocal em “You Got Me Floatin’
Trevor Burton e Roy Wood: backing vocal em “You Got Me Floatin’

1. EXP (Hendrix)
2. Up From The Skies (Hendrix)
3. Spanish Castle Magic (Hendrix)
4. Wait Until Tomorrow (Hendrix)
5. Ain’t No Telling (Hendrix)
6. Little Wing (Hendrix)
7. If 6 Was 9 (Hendrix)
8. You Got Me Floatin’ (Hendrix)
9. Castle Made Of Sand (Hendrix)
10. She’s So Fine (Redding)
11. One Rainy Wish (Hendrix)
12. Little Miss Lover (Hendrix)
13. Bold As Love (Hendrix)

Por Jorge Almeida