Luto no rock: morre Kid Vinil aos 62 anos

O radialista, produtor, DJ e músico Kid Vinil, que morreu nesta sexta-feira. Foto: divulgação

O cantor e radialista Kid Vinil morreu na tarde desta sexta-feira (19) no Hospital Totalcor, em São Paulo, devido a uma parada cardíaca. Depois de ter ficado um mês em coma induzido por conta de uma parada cardiorrespiratória que teve após um show feito em um clube da cidade Conselheiro Lafaiete (MG). O músico tinha 62 anos.

Antônio Carlos Senefonte, nome de batismo de Kid Vinil, nasceu na cidade paulista de Cedral em 1955. Ganhou notoriedade nacional ao liderar o grupo Magazine na década de 1980, quando emplacou hits como a ‘urbanística’ “Sou Boy”, que foi considerada um “hino” para os (hoje quase extintos) office-boys, além da divertida romântico-adolescente “Tic Tic Nervoso”, e ainda a interpretação espetacular de “Comeu”, música de Caetano Veloso, e que teve a versão do Magazine como tema de abertura da novela “A Gata Comeu”, de 1985.

Contudo, antes da consagração no país, Kid Vinil já era conhecido no underground paulistano como um incentivador do movimento punk e da new wave em São Paulo, seja organizando e divulgando shows ou tocando músicas de bandas do gênero em seus programas, além disso, atuou como vocalista do grupo Verminose no início dos anos 1980.

Depois de suspender as atividades com o Magazine, Kid seguiu trabalhando como comunicador – radialista, jornalista, DJ e VJ em diversos programas de variadas emissoras de Rádio e TV, como Bandeirantes, Cultura e MTV, além das rádios Brasil 2000 e 89, a Rádio Rock. Sempre tocando preciosidades de sua vasta coleção de vinis e CD’s que, juntos, atingem a marca de 20 mil álbuns, além de divulgar novas bandas, principalmente as independentes.

Em 2000, voltou com o Magazine e, dois anos depois, lançou o álbum “Na Honestidade”, pela gravadora Trama. Porém, pouco tempo depois, encerrou as atividades do grupo e formou uma nova banda, a Kid Vinil Xperience, em 2005, que teve dois álbuns lançados: “Time Was” (2010), um disco de covers de músicas favoritas e obscuras, e “Vinil Ao Vivo” (2013), gravado no mesmo ano e lançado três anos depois, em Novo Horizonte, interior de São Paulo, com interpretações de todos os hits de sua carreira.

O incansável Kid Vinil também atuou como produtor. Pela Trama, produziu um disco da violeira Helena Meireles e também “Defeito de Fabricação” (1998), de Tom Zé, que foi eleito como um dos dez melhores álbuns daquele ano pelo New York Times.

Ainda, em 2008, ele lançou o álbum “Almanaque do Rock”, pela Ediouro Publicações, que relata a trajetória do rock desde os anos 1950 até os dias de hoje (aliás, é um ótimo livro, recomendo!). A obra tem os mesmos moldes dos almanaques dos anos 70, 80 e 90.

Em virtude de seu vasto conhecimento sobre o rock, Kid Vinil fez uma legião de fãs, que vai de gente como João Gordo e Thunderbird até a cartunista Laerte, e continuou fã de muita gente, formando assim inúmeros amigos. E, com seu carisma e humildade, sempre fazia questão de conversar e debater a respeito de rock, seja ensinando ou aprendendo. Sem contar o seu visual peculiar.

E, de tanto contribuir para o rock, Kid Vinil foi homenageado com a biografia “Kid Vinil – O Herói do Brasil”, de Ricardo Gozzi, lançado pelas Edições Ideal, lançado em 2015.

Muito obrigado, Kid, você faz parte da história do rock. Muita gente curte rock graças a você. E, o título da obra de Gozzi faz jus à sua pessoa: O Herói do Brasil.

Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

Alice Cooper: 40 anos de “Lace And Whiskey”

“Lace And Whiskey”: o terceiro trabalho da carreira solo de Alice Cooper

No último dia 29 de abril, o álbum “Lace And Whiskey”, de Alice Cooper, completou 40 anos de seu lançamento. Produzido por Bob Ezrin, o disco foi gravado em quatro estúdios diferentes: Soudstage, em Toronto; Record Plant, em Nova York; Cherokee Studios e Los Angeles and Producer’s Workshop, esses dois últimos em Los Angeles. O play foi o terceiro trabalho lançado pelo vocalista em carreira solo.

Após anos retratando uma personalidade escura e sinistra, dessa vez Alice Cooper investiu em algo novo e tratou de vestir um personagem cômico intitulado “Maurice Escargot” – uma personalidade fictícia nos mesmos moldes que o Inspetor Clouseau, de A Pantera Cor de Rosa.

O vocalista é retratado como Escargot na capa do álbum, que ainda era baseado em rock, mas que fora influenciado pelo amor de Alice Cooper pelos filmes e músicas das décadas 1940 e 1950. O desempenho de “Lace And Whiskey” nas paradas norte-americanas e britânicas foi modesto: apenas o 42º e 33º lugares, respectivamente.

O single do álbum, “You And Me“, foi uma balada fácil de ouvir, que proporcionou a Cooper seu último single nos Estados Unidos durante doze anos. “(No More) Love at Your Convenience“, uma canção pop inspirada pela música disco, foi lançado como o segundo single – não apareceu na maioria dos países. Vídeos de música foram criados para ambas as músicas, em um momento bem antes do advento da MTV.

Para promover o novo trabalho, Alice Cooper fez a turnê “King Of The Silver Screen”, que teve um set de teatro projetado como uma TV enorme, com sua tela fendida permitindo que o músico e seus dançarinos entrassem e saíssem de filmagens coreografadas durante as músicas, que, inclusive, contava com comerciais de comédias entre alguns temas. A tour ocorreu apenas nos Estados Unidos e no Canadá entre os verões (no Hemisfério Norte) entre 1977 e 1978, sendo que a última parte a turnê foi rebatizada de “School’s Out For Summer”.

As filmagens ocorridas na noite de abertura da turnê de 1977 flagraram um Alice Cooper muito, digamos, inebriado. As imagens foram apresentadas no especial de TV “Alice Cooper and Friends” (1978), que foi lançado também em VHS, e o material não foi relançado em DVD, ou seja, quem tem esse material, tem uma relíquia em mãos.

Os shows realizados em Las Vegas foram gravados e resultaram no álbum ao vivo “The Alice Cooper Show” (1977). Excetuando “It’s Hot Tonight”, que faz parte dos setlists das turnês “Brutal Planet” de 2001 e de “Psychodrama”, que ocorreu no biênio 2008-2009, nada de “Lace And Whiskey” foi tocado ao vivo desde a final da turnê do disco “From The Inside”, de 1978.

Durante a fase inicial do álbum, os demais integrantes originais do Alice Cooper Group – Dennis Dunaway, Neal Smith e Michael Bruce – formaram uma nova banda com Mike Marconi e Bob Dolin intitulada The Billion Dolar Babies, tendo Bruce como vocalista.

Ao longo da turnê ficou notório de que Alice Cooper precisava de ajuda para combater o alcoolismo. Rumores contam que o vocalista estava a consumir duas caixas de Budweiser e uma garrafa de uísque por dia. Após o final da turnê em 1977, Cooper foi hospitalizado em um sanatório para tratamento durante o qual o álbum “The Alice Cooper Show” foi lançado.

Em 1990, “Lace And Whiskey” foi remasterizado e relançado em CD pela Metal Blade Records.

De fato, “Lace And Whiskey” não está no rol dos clássicos de Alice Cooper, também pudera, foi lançado em um momento conturbado do considerado pai do “rock horror”, mas não podemos ignorar de que, mesmo assim, é um bom registro do mestre.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Lace And Whiskey
Intérprete: Alice Cooper
Lançamento: 29 de abril de 1977
Gravadora: Warner Bros.
Produtor: Bob Ezrin

Alice Cooper: voz
Dick Wagner: guitarra e backing vocal
Steve Hunter: guitarra
Tony Levin: baixo
Allan Schwartzberg: bateria

Prakash John: baixo
Bob Babbitt: baixo
Jim Gordon: bacteria
Jimmy Maelen: percussão
Josef Chirowski: teclados
Bob Ezrin: teclados

1. It’s Hot Tonight (Cooper / Wagner / Ezrin)
2. Lace And Whiskey (Cooper / Wagner / Ezrin)
3. Road Rats (Cooper / Wagner / Ezrin)
4. Damned If You Do (Cooper / Wagner / Ezrin)
5. You And Me (Cooper / Wagner)
6. King Of The Silver Screen (Cooper / Wagner / Ezrin)
7. Ubangi Stomp (Underwood)
8. (No More) Love At Your Convenience (Cooper / Wagner / Ezrin)
9. I Never Wrote Those Songs (Cooper / Wagner / Ezrin)
10. My God (Cooper / Wagner / Ezrin)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Iron Maiden: Run To The Hills – Uma Biografia Autorizada”, de Mick Wall

Obra de Mick Wall que conta a história do Iron Maiden

A biografia escrita pelo jornalista Mick Wall, intitulada “Iron Maiden: Run to the Hills, the Authorised Biography” foi lançada originalmente em 1998 e, dezesseis anos depois, ganhou uma terceira edição. No Brasil, a obra saiu em 2004 pela editora Generable com o óbvio título “Iron Maiden: Run To The Hill – A Biografia Autorizada”. E tem aborda a história daquela que é considerada uma das maiores (se não for a maior) banda de Heavy Metal: Iron Maiden.

A publicação apresenta a “Donzela” desde seus primórdios, quando o jovem Steve Harris, um ex-futuro jogador do West Ham, seu time de coração, esteve determinado em transformar o seu sonho – a criação de uma banda que um dia se tornaria gigante – em realidade.

Ao longo de 402 páginas, “Run To The Hills” – o livro – traz os personagens que fizeram a história desse grupo quarentão sabiamente apresentado em cada capítulo, conforme a cronologia da banda, assim, permitindo o leitor transcursar a narrativa e os fatos, e também para esclarecer os motivos do “entra-e-sai” de seus integrantes e sempre deixando claro que a banda sempre foi mais importante que qualquer membro.

Além disso, a obra também tem espaço para pessoas que foram primordiais para o sucesso do grupo, como Rod Smallwood, o co-manager da banda e, praticamente, o “braço” direito de Steve Harris na condução dos negócios envolvendo a marca Iron Maiden, além de registrar a composição de alguns clássicos discos da banda e também os comentários e opiniões dos músicos sobre os álbuns e os bastidores de shows e a vida pré-Iron Maiden.

Contudo, o livro de Wall apresenta problemas estruturais. Por exemplo, em 22 capítulos, tirando os “Agradecimentos”, “Prefácio” e Introdução”, quase metade do livro conta sobre a formação da banda e do período de Paul Di’Anno. Já a outra metade é dedicada as eras Bruce e Blaze Bayley. Ou seja, quem acompanha a banda sabe que os “golden years” do Iron Maiden foi com o Mr. Air Raid Siren nos vocais, e essa fase mereceria mais espaço na publicação. Nessa atualização, a linha do tempo só vai até 2004, quando a banda estava em turnê do álbum “Dance Of Death”, de onde saiu o live “Death On The Road” (2004). Logo, uma década de história – e dois discos de estúdios: “A Matter Of Life And Death” (2006) e “The Final Frontier” (2010) – foi limado.

Apesar da observação descrita no parágrafo acima, o livro de Mick Wall faz parte de mais uma obra de arte relacionada ao Iron Maiden. Afinal, o prefácio foi escrito simplesmente por Steve Harris, que garante que o livro “não foi, de forma alguma, editado”. Leitura obrigatória para quem é e para quem não é fã de Iron Maiden.

A seguir, a ficha técnica da publicação.

Livro: Iron Maiden: Run To the Hills – Uma biografia Autorizada
Autor: Mick Wall
Editora: Generale
Edição:
Lançamento: 2014 (versão em português)
Número de páginas: 402
Preço médio: R$ 58,00

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 40 anos de “Animals”

“Animals” (1977): disco do Pink Floyd quase 100% composto por Roger Waters

Neste ano, o décimo álbum de estúdio do Pink Floyd completa 40 anos de seu lançamento. O disco em questão é o clássico “Animals”, que saiu em 23 de janeiro de 1977. Produzido pela própria banda, o play foi gravado nos estúdios do grupo, o Britannia Row Studios, em Londres.

Aliás, a produção foi marcada pelos primeiros sinais de discórdias que, posteriormente, culminaram com a saída de Richard Wright da banda, que ficou de fora entre 1981 e 1987. Assim como os trabalhos anteriores – “The Dark Side Of The Moon” (1973) e “Wish You Were Here” (1975) -, o álbum também seguiu a linha de disco conceitual, que faz críticas às condições político-sociais da Inglaterra na década de 1970, além de mostrar uma notável mudança no estilo musical do grupo.

Em 1975, a banda comprou um edifício de três andares em Britannia Row e transformaram o prédio em um estúdio de gravação e depósito. A reforma durou quase todo aquele ano, mas em abril de 1976 os integrantes começaram a trabalhar no novo álbum nas novas instalações.

Nesse período, o Reino Unido fora dominado pela alta inflação, desemprego, violência racial e pela indústria. Ao mesmo tempo, um novo movimento musical contestador a essa realidade vivida pelos britânicos surgia, o punk rock, que foi uma reação à complacência geral e, em parte, um protesto niilista contra as condições sociais da maioria da população. Os músicos dessa vertente do rock alvejaram o Pink Floyd, isso é nitidamente claro quando Johnny Rotten, do Sex Pistols, vestiu uma camisa da banda progressiva em que ele acrescentou “I HATE” (“eu odeio”) antecedendo o nome da banda. Curiosamente, em 1977, Nick Mason produziu o segundo trabalho da banda de punk rock The Damned, “Music For Pleasure”, no Britanni Row Studios.

O Pink Floyd já havia trabalhado diversas vezes com o engenheiro Brian Humphries, que foi chamado para atuar no novo disco. A gravação foi feita entre abril e dezembro de 1976. Dois temas – “Raving And Drooling” e “You’ve Got To Be Crazy”, que já tinham sido tocadas ao vivo e que foram consideradas para serem parte de “Wish You Were Here”, surgiram aqui como “Sheep” e “Dogs”, respectivamente. Dessa forma, os músicos trabalharam nelas para que fossem adaptadas para o novo conceito e, consequentemente, separadas para uma nova canção de Roger Waters, “Pigs (Three Different Ones)”. Excetuando “Dogs”, que foi co-escrita com David Gilmour, todas as faixas foram compostas por Waters que, evidentemente, recebeu mais royalties que Gilmour, apesar de “Dogs” ocupar quase todo o lado A do álbum. Assim foi contabilizado porque os royalties são calculados por música. A menor participação de Gilmour no processo de composição tem um motivo compreensível: o nascimento de seu primeiro filho. Da mesma forma, nem Mason e nem Wright contribuíram muito para “Animals”, se comparado com os trabalhos anteriores. Aliás, esse é o primeiro registro da banda que não tem qualquer canção composta por Richard Wright.

A banda já havia cogitado a contratação de outro guitarrista para as digressões seguintes, de modo que Snowy White foi convidado para vir a estúdio. Depois de Waters e Mason apagarem acidentalmente um solo de guitarra de Gilmour, pediram a White que gravasse um solo para “Pigs On The Wing“, que embora não aparecesse na versão LP, foi incluído na versão do álbum lançada em cartucho. As gravações de “Animals” foram árduas para Richard Wright, pois, de acordo com o tecladista foi pelo fato de Roger Waters acreditar que ele, Roger, era o único compositor da banda e que por causa de Waters que a banda ainda estava unida, e que isso colaborou no desenvolvimento do ego do baixista, e, assim, a ter bastantes conflitos com os demais, especialmente Wright.

Apesar de Waters pudesse ser contra o novo movimento musical que eclodia no Reino Unido, suas preocupações relacionadas a desigualdade, ao preconceito e as atitudes sociais e políticas da época não eram muito diferentes do que propagavam as bandas punks britânicas. “Animals” é baseado no livro “Animal Farm” (“A Revolução dos Bichos”), de George Orwell, em que equipara os humanos a cada um dos três animais do livro: os cães representam os homens da lei; os porcos os políticos corruptos e moralistas; e as ovelhas, que sem pensamento próprio, cegamente seguem um líder. Enquanto o romance concentra-se no comunismo, o álbum é uma crítica direta ao estado e, embora ambos defendam os ideais do socialismo democrático, o álbum tem diferenças com o livro que a ovelha se rebele e domine os seus opressores.

Em “Dogs”, embora não tenha participado muito do processo criativo das canções, Richard Wright contribuiu significantemente ao fazer sons fúnebres utilizando os sintetizadores usados em “Wish You Were Here”. Já “Pigs (Three Different Ones)” tem melodias que lembra “Have A Cigar” e faz referências evidentes aos defensores da censura, em especial Mary Whitehouse (1910-2001), ativista social inglesa conhecida por sua forte oposição ao liberalismo social e aos alternativos media britânicos. Enquanto isso, em “Sheep” há uma versão modificada do Salmo 23, onde um Senhor que “Faz-me pendurar em lugares altos e converte-me a costeletas de cordeiro” (referindo-se as ovelhas do título) é celebrado. No final da canção, as ovelhas rebelam-se e matam os cães, mas, em seguida, retiram-se para suas casas. O álbum termina com “Pigs On The Wing“, uma simples canção de amor, em que ele vê um vislumbre de esperança, apesar da raiva expressa nas outras três canções do álbum. A música é fortemente influenciada pela relação de Waters com a então sua namorada.

A capa do disco, um porco sobrevoando entre duas chaminés da Usina Termelétrica de Battersea, foi desenvolvida por Roger Waters, em conjunto com Storm Thorgerson e a Agência Hipgnosis, colaborador de longa data do grupo. Para a sessão de fotos, o Pink Floyd contratou uma empresa alemã especializada em produzir balões e dirigíveis e um artista australiano para a construção de um balão de um porco gigante (conhecido como Algie), que foi cheio com gás hélio e colocado em frente ao edifício, tendo um atirador a tiracolo pronto para disparar caso ele escapasse. Contudo, devido ao mau tempo, que atrasou a sessão de fotos, o empresário da banda, Steve O’Rourke, não tinha em seus planos contratar o atirador por mais tempo. No outro dia, o balão soltou-se das cordas e sumiu de vista. Sendo recuperado por um fazendeiro de Kent, que estava furioso por conta de a geringonça teria assustado suas vacas. A sessão de fotos aconteceu dias depois, mas os registros iniciais feitos na central de energia foram considerados melhores, a imagem do suíno foi sobreposta sobre uma dessas.

O disco foi bem-sucedido nas paradas britânicas e norte-americanas, onde atingiu a terceira posição na Billboard, apesar de ter ficado apenas seis meses nas paradas, mas suas vendas renderam-lhe uma certificação quádrupla de disco de platina.

O disco se tornou material para a turnê “In The Flesh Tour”, que iniciou em Dortmund, na Alemanha, no dia do lançamento do álbum, e seguiu pela Europa, em fevereiro, e no Reino Unido, em março, e mais algumas datas pelos Estados Unidos entre abril e julho. O porco inflável Algie se tornou atração do espetáculo ao flutuar sobre a plateia e explodia. Apesar do sucesso do grupo, as relações internas estavam se tornando preocupantes. Roger Waters, por exemplo, chegava aos shows sozinho e ia embora logo após o término das apresentações. Em outra ocasião, Richard voltou para a Inglaterra ameaçando deixar o grupo. Nesse tempo, os integrantes Pink Floyd adquiriram uma espécie de fobia a tocar em locais com grande capacidade de público, pois ocorreram alguns incidentes em lugares para onde tocaram para mais de 50 mil pessoas. Em Chigado, por exemplo, os promotores alegaram que venderam 67 mil ingressos para um show no Estádio Soldier Field, mas Waters e O’Rourke desconfiaram. Então, contrataram um helicóptero, um fotógrafo e um advogado, e, no final, descobriram que, na verdade, havia cerca de 95 mil pessoas, o que gerou um prejuízo de US$ 640 mil para a banda. Em julho de 1977, em um show no Estádio Olímpico de Montreal, um seleto grupo de fãs barulhentos irritou de tal forma Roger Waters que ele cuspiu em um dele e esse incidente foi um dos principais catalisadores para o baixista desenvolver “The Wall”, o álbum subsequente da banda. Já David Gilmour chegou a se recusar a tocar o habitual bis da banda.

Esse é mais um daqueles discos do Pink Floyd que certamente fará você viajar. Só tome cuidado para não dormir. Mas é muito bom. Mais que recomendado.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Animals
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 23 de janeiro de 1977
Gravadora: Harvest Records (UK) / Columbia Records (EUA) / Capitol Records (1994)
Produtor: Pink Floyd

Roger Waters: baixo, voz e guitarra acústica
David Gilmour: guitarra, voz e talk box
Nick Mason: bateria e percussão
Richard Wright: teclados e sintetizador

1. Pigs On The Wing (Part I) (Waters)
2. Dogs (Gilmour / Waters)
3. Pigs (Three Different Ones) (Waters)
4. Sheep (Waters)
5. Pigs On The Wing (Part II) (Waters)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “A História do AC/DC – Let There Be Rock”

Capa do livro de Susan Masino sobre o AC/DC

A jornalista norte-americana Susan Masino é a autora da obra que conta a biografia da banda criada pelos irmãos Young no começo da década de 1970. Lançada em 2009 na versão em português pela editora Companhia Nacional, o livro contém quase 300 páginas em que Susan conta a respeito de um dos grupos mais emblemáticos na história do rock, o AC/DC.

Susan Masino é uma das mais importantes jornalistas especializadas em rock nos Estados Unidos. Seu convívio com bandas como Kiss, Van Halen e o próprio AC/DC a impulsionou para escrever o livro “Rock ‘N’ Roll Fantasy: My Life With AC/DC, Van Halen and Kiss”. O primeiro contato dela com o AC/DC ocorreu na turnê da banda em 1977. E, desde então, ao longo dos anos, ela manteve o contato com o grupo, especialmente nas ocasiões em que a banda fazia turnê nos Estados Unidos.

A publicação, que fez sucesso na Europa e nos Estados Unidos, narra a história do grupo, desde os seus primórdios, em Sydney, no início dos anos 1970, além de detalhes como a trágica morte de Bon Scott, em 1980.

A autora também detalha como foi a escolha de Brian Johnson como o novo frontman, assim como foi o processo de gravação de um dos discos que é considerado um divisor de águas na carreira do AC/DC e (por que não?) do rock: “Back In Black” (1980).

Como as outras “trocentas” biografias do AC/DC, o livro de Masino relata desde a mudança do clã Young da Escócia para a Austrália e o acesso dos irmãos com a música, inclusive a importância do Easybeats (banda da qual o irmão mais velho, George, fez parte). Todavia, um ponto considerável dessa biografia é quando descreve a turbulenta infância e adolescência de Bon Scott, o saudoso vocalista da banda, que era o “raio” do logotipo do grupo.

Na publicação, além das entrevistas com todos os integrantes do AC/DC, Masino trouxe variadas fontes de resenhas, artigos e comentários relacionados ao grupo em publicações relevantes como Kerrang! ou Rolling Stone, inclusive os fanzines veiculados na Austrália que, em 1975, que destacavam os momentos iniciais do grupo. Esse tipo de material autentica o peso das afirmações que permeiam a obra.

Todavia, o livro peca em alguns aspectos. Como os capítulos não são indicados por datas, mas sim por títulos de canções e de álbuns, o leitor não consegue ter o auxílio para se “localizar” na vasta história do grupo, que já ultrapassa as quatro décadas de existência, assim, dependendo das circunstâncias, volta-se duas ou três páginas para raciocinar melhor a leitura.

Outro aspecto negativo está no costume intermitente da autora em travar a narrativa para dialogar com o leitor, o que leva, às vezes, a interpretar de que a biografia não se trata da história do AC/DC, mas sim, uma confissão aberta de sentimentos de Masino. Isso pode ser constatado, por exemplo, em uma das fotografias que traz Angus, Malcolm, Susan e seu filho.

A intimidade de Masino com a banda, em termos de amizade, transmite a sensação de ser um livro “chapa branca”. Isso é nítido nos pontos de vista extremamente pessoais, incluindo aí piadas e comentários desnecessários ao longo do livro. Além disso, Susan não deixa claro, por exemplo, o motivo que levou a saída do ex-baterista Simon Wright da banda.

Apesar desses, digamos, deslizes, é um bom livro para quem quer saber mais da história do AC/DC. Recomendo sim.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: A História do AC/DC – Let There Be Rock
Autora: Susan Masino
Editora: Companhia Editora Nacional
Ano de lançamento: 2009
Edição:
Número de páginas: 292
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 50 anos de “Between The Buttons”

“Between The Buttons”: clássico dos Rolling Stones lançado em 1967

Neste ano de 2017, dois discos dos Rolling Stones completam 50 anos de seu lançamento. Um deles é “Between The Buttons”, cuja versão britânica saiu em 20 de janeiro de 1967, enquanto a edição norte-americana foi lançada em 11 de fevereiro do mesmo ano. O outro álbum que completa cinco décadas é o clássico “Their Satanic Majesties Request” – mas é assunto para outra ocasião.

Produzido por Andrew Loog Oldham, o material foi lançado pela Decca Records/London Records e foi apresentado, na época, como continuidade do ousado “Aftermath”, de 1966.

O álbum foi gravado em dois estúdios, em Los Angeles durante o mês de agosto de 1966, e em Londres, em novembro do mesmo ano. O disco enlaça a época em que Mick Jagger e sua trupe estavam se movendo mais para o campo do art rock e se distanciando de suas raízes do R&B. Com o surgimento de álbuns como “Revolver”, dos Beatles, e “Blonde On Blonde”, de Bob Dylan, além do citado “Aftermath”, os parâmetros do rock haviam se expandido admiravelmente.

Quando começou a empresariar os Rolling Stones, Andrew Loog Oldham investiu em uma estratégia ousada: criar uma imagem de “banda rebelde” para concorrer com os Beatles a preferência do grande público. A tática principal era contrastar os jovens bem comportados e “bom-mocismo” dos Fab Four para fazer um contraponto. Assim, o empresário não apenas tolheu os excessos do quinteto, como até os favoreceu, por crer que, dessa forma, faria usar a forte imagem do grupo para fazer contraponto com os rapazes de Liverpool. Com o passar do tempo, a estratégia de produzir e tirar vantagem dos escarcéus se mostraria vitoriosa e decisiva para a carreira dos Stones, mesmo que, anos depois viesse a cobrar seu preço por meio das autoridades mais conservadoras. Décadas mais tarde, gente como Sex Pistols a Lady Gaga usufruíram dessa prática à perfeição.

Frases de efeito como “Você deixaria sua filha sair com um Stone?”, assim como fotos onde os músicos estavam travestidos como senhoras, ou mesmo como prostitutas, ou de Brian Jones trajado de nazista pisando uma boneca, além, é claro, de constantes flagrantes dos integrantes usando drogas e anfetaminas, acabaram solidificando a imagem da banda e tornando-os heróis de uma geração que questionava toda a sociedade conservadora que os acanhava. Mas do mesmo modo que estes escândalos e imagem favorecem o sucesso e a fama crescente dos Stones, também foi tornando-os os inimigos número um dos conservadores britânicos, americanos e do mundo em geral, o que logo começaria a atingir e prejudicar todos, em especial, Brian Jones.

O momento da gravação marca uso excessivo de drogas por parte dos membros da banda, especialmente alucinógenos como LSD. Na época, os jovens “rebeldes” acreditavam que o uso de psicotrópicos abriria a mente para novas ideias e expandiria seus limites. Quem mais foi afetado por esse excessivo estilo de vida, regrado a “viagens no ácido”, festas, sexo e rock foi também Brian, que tinha chegado ao seu auge musical e que só iria decair a partir daí.

Na época das gravações, as sessões sempre tinham presenças de amigos e affairs como Marianne Faithfull, Anita Pallenberg, Tony “Spanish” Sanchez, Jimi Hendrix, Michael Cooper (fotógrafo), além dos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.

No disco, Brian Jones seguiu com os seus experimentos com instrumentos exóticos, como órgão e xilofone elétrico, vibrafone, acordeão, kazoo, marimba, theremin e cravo, enquanto Keith Richards se ocupou em um trabalho de guitarra distintivo em “My Obsession“, “Connection“, “All Sold Out“, “Please Go Home” e “Miss Amanda Jones“.

A sessão de fotos para a capa do álbum ocorreu em Primrose Hill, ao norte de Londres. Os Stones foram no carro de Andrew Oldham até o local e foram fotografados por Gered Mankowitz.

O álbum foi o primeiro feito pela banda enquanto não estava na estrada, contudo, foi no mesmo período de quando todos eles estavam perturbados pelo uso abusivo de drogas. Em “Between The Buttons”, há clássicos como “Let’s Spend The Night Together” (versão norte-americana), que foi escrita por Richards no piano, enquanto “Yerdarday’s Papers” foi a primeira canção que Mick Jagger escreveu sozinho para os Rolling Stones. Já a boa “Back Street Girl” é a “única canção decente do disco”, segundo o vocalista.

Assim como os demais discos dos Rolling Stones gravados antes de “Their Satanic Majesties Request”, “Between The Buttons” tem algumas diferenças entre as versões britânicas e norte-americanas. A edição lançada no Reino Unido foi lançada primeiro juntamente com o single “Let’s Spend The Night Together”/”Ruby Tuesday”. E, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, no mercado fonográfico bretão o single não aparece no álbum que, aliás, fora bem recebido pela crítica e pelo público, e alcançou a terceira posição das paradas da Grã-Bretanha.

Já a versão estadunidense do disco traz os dois temas lançados no single britânico nos lugares de “Back Street Girl” e “Please Go Home”, que seriam incluídas no lançamento norte-americano da coletânea “Flowers” (1967). Com “Ruby Tuesday” atingindo o topo das paradas nos EUA, “Between The Buttons” chegou ao segundo lugar das paradas daquele país, sendo disco de ouro.

O álbum foi o último produzido por Andrew Loog Oldham, cujas influências se faz mais presente aqui do que nos trabalhos anteriores, uma vez que ele adotou técnicas à lá Phil Spector em faixas como “Yesterday’s Papers”, “My Obsession” e “Complicated”.

Em agosto de 2002 as duas versões do play foram reeditadas em CD remasterizado e SACD digipak pela ABKCO Records. Em 2003, o álbum foi classificado na 355° posição na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

E, passados meio século de seu lançamento, “Between The Buttons” tornou-se um trabalho renegado para a banda, mas os críticos e os fãs agraciam as qualidades ecléticas do álbum.

Embora Mick Jagger não goste desse disco, Brian Wilson, do The Beach Boys, em 2011, em entrevista a série de vídeos “On The Record”, citou “Between The Buttons” como sendo seu disco favorito. Ou seja, pode não ser o melhor trabalho do quinteto, mas para quem curte “as pedras que rolam”, é um disco que merece atenção especial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Between The Buttons
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 20 de janeiro de 1967 (Reino Unido) / 11 de fevereiro de 1967 (EUA)
Gravadora: Decca Records / London Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, percussão e gaita
Brian Jones: órgão, vibrafone, acordeão, gaita, gravador, percussão, kazoo, saxofone, xilofone, marimba, theremin, cravo e guitarra
Keith Richards: guitarra, vocal, baixo, piano, órgão e contrabaixo
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo, percussão e contrabaixo

Jack Nitzsche: piano, cravo e percussão
Ian Stewart: piano e órgão

Versão britânica:
1. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
2. My Obsession (Jagger / Richards)
3. Back Street Girl (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. Please Go Home (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleepping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Versão norte-americana:
1. Let’s Spend The Night Together (Jagger / Richards)
2. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
3. Ruby Tuesday (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. My Obsession (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleeping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Show do Frejat no Sesc Pinheiros (09.04.2017)

Frejat (em destaque) se apresentou neste domingo (9) no Sesc Pinheiros. Foto: Isis Naura

Na noite deste Domingo de Ramos (9), o cantor e compositor Roberto Frejat fez a terceira e última apresentação no Teatro Paulo Autran no Sesc Pinheiros. Em uma hora e meia de show, o vocalista e banda apresentaram um repertório que mesclava temas de sua carreira solo, clássicos do Barão Vermelho e versões de intérpretes que o inspirou.

Pontualmente às 18h10, surgem no palco do teatro Roberto Frejat (voz, violão e guitarra), Billy Brandão (guitarra e vocais), Marcelinho da Costa (bateria e vocais), Bruno Migliari (baixo e vocais) e Maurício Barros (teclados e vocais). Elegantemente bem trajados, os músicos iniciaram a apresentação com um clássico do Barão: “Maior Abandonado”, que traz um dos meus riffs favoritos do rock nacional dos anos 1980. Na sequência, o primeiro cover da noite: “Você Não Entende Nada”, de Caetano Veloso. Após a canção, Frejat saúda o público e convida que, quem quiser dançar, se deslocar para as laterais do teatro para não atrapalhar quem optar em ver o show sentado – e, evidentemente, algumas pessoas não hesitaram e saíram de suas cadeiras.

Em seguida, tocaram um clássico de Jorge Ben Jor e que ficou consagrada na versão de Os Mutantes – me refiro a “A Minha Menina”. Frejat entrega que, a seguir, uma homenagem a um dos maiores vocalistas da música brasileira: o saudoso Tim Maia. Assim, o músico e banda mandaram uma trinca de hits do “Síndico”: “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)” e um medley com a dobradinha “Não Vou Ficar” e “Réu Confesso”.

Dando continuidade ao espetáculo, Frejat disse que a próxima música é de Vinícius Cantuária composta nos anos 1980, que fez muito sucesso e que foi gravada por um “monte de gente”. Ele se referia a “Só Você”, que foi regravada desde Tim Maia até o Hori (sim, a banda de Fiuk, filho do Fábio Jr., que, inclusive, também regravou a mesma música).

Frejat apresentou a sua primeira música da carreira solo no show: a excelente “Eu Preciso Tirar Você do Sério”, seguida de “Vambora”, canção de Adriana Calcanhoto, e do hit “barônico” “Por Você” que, obviamente, foi cantada a pleno pulmões pelo público.

O vocalista comentou que não é de falar muito durante o show, mas que aquele momento seria oportuno porque aquela era a última apresentação de Maurício Barros na banda. Pois, o tecladista estava de saída para voltar para o Barão Vermelho. Emocionado, Frejat abraçou o companheiro de 35 anos e seguiu o show com mais duas músicas de sua carreira solo: “Túnel do Tempo” e “Segredos”.

Frejat comentou que a próxima música foi feita em parceria com Cazuza e que ficou virou um sucesso com a Cássia Eller: “Malandragem”, é claro. Em seguida, foi a vez de “Amor Pra Recomeçar”.

O show teve continuidade com uma “homenagem a ifguras sensacionais do rock brasileiro”, como destacou o músico. Daí veio o medley formado por “Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros)”, “Quando” e “Agora Só Falta Você”, de Raul Seixas, Roberto Carlos e Rita Lee & Tutti Frutti, respectivamente. Aliás, após as execuções dessas, Roberto Frejat enalteceu e mandou uns “vivas” para os citados e destacou a presença do lendário guitarrista Luiz Carlini no teatro.

E, nos instantes finais do concerto, uma trinca de Barão Vermelho: “Bete Balanço”, “Por Que A Gente É Assim?” e “Exagerado”. Depois da performance, os músicos saem para voltar para o famoso bis. Quando retornaram, Frejat e banda tocaram o sucesso “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sapê)”, composição de Hyldon, e mais uma dobradinha de Barão: “Puro Êxtase” e “Pro Dia Nascer Feliz”.

Assim, Frejat e banda se despediram do público, que saíram extasiados do recinto.

Aliás, esse repertório de Frejat é semelhante à apresentação que testemunhei no final de junho do ano retrasado no Shopping Vila Olímpia. E, por ter uma carreira consagrada, tanto solo como com o Barão Vermelho, Roberto Frejat poderia usufruir mais de seus sucessos autorais no repertório, conforme fora bem observado pelo meu amigo Thiago “Woody”. Mas, apesar dessa observação, os covers apresentados foram bem escolhidos. Aliás, ao longo do show, Frejat foi enaltecido, especialmente pelo público feminino, o que o deixou, em algumas situações, “meio sem graça”. Contudo, trata-se de um excelente frontman e gente boníssima.

A seguir, o setlist da apresentação realizada no Sesc Pinheiros.

1. Maior Abandonado (Cazuza / Frejat)
2. Você Não Entende Nada (Caetano Veloso)
3. A Minha Menina (Jorge Ben Jor)
4. Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) (Tim Maia)
5. Não Vou Ficar / Réu Confesso (Tim Maia)
6. Você (Tim Maia)
7. Só Você (Vinícius Cantuária)
8. Eu Preciso Tirar Você do Sério (Frejat)
9. Vambora (Adriana Calcanhoto)
10. Por Você (Mauro Santa Cecília / Frejat / Maurício Barros)
11. Túnel do Tempo (Frejat)
12. Segredos (Frejat)
13. Malandragem (Cazuza / Frejat)
14. Amor Pra Recomeçar (Frejat / Maurício Barros / Mauro Santa Cecília)
15. Medley:
– Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros) (Raul Seixas / Paulo Coelho)
– Quando (Roberto Carlos)
– Agora Só Falta Você (Rita Lee / Luiz Carlini)
16. Bete Balanço (Cazuza / Frejat)
17. Por Que A Gente É Assim? (Cazuza / Frejat / Ezequiel Neves)
18. Exagerado (Cazuza / Frejat)
Bis:
19. Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sapê) (Hyldon)
20. Puro Êxtase (Guto Goff / Maurício Barros)
21. Pro Dia Nascer Feliz (Cazuza / Frejat)

Por Jorge Almeida

Agradecimentos especiais a Márcia Marques.