Sinopse da biografia do Led Zeppelin, de Mick Wall

Embora seja uma biografia não autorizada, o livro de Mick Wall pode ser considerado o registro definitivo do Led Zeppelin. Créditos: divulgação

Lançado originalmente em 2009, o livro “Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra”, do renomado jornalista Mick Wall, apresenta em mais de 500 páginas divididas em 15 capítulos, a trajetória de uma das bandas mais aclamadas da história do rock: o Led Zeppelin. No Brasil, a publicação teve a primeira edição lançada pela Larousse e a segunda saiu pela Globo Livros.

Ao longo da livro, Mick Wall reúne várias entrevistas que fez com os integrantes do Led Zeppelin ao longo de quatro décadas, além de pessoas ligadas ao grupo, como o empresário Peter Grant, e também músicos de outros grupos que tinham alguma ligação direta ao quarteto formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

Apesar de não ser considerada a biografia oficial da banda, como o autor deixa bem claro, a obra pode ser considerada o relato definido da carreira meteórica de um dos precursores da música pesada. Além do próprio material coletado, Wall mergulhou em uma profunda pesquisa em jornais, revistas, profissionais e amigos para falar não apenas dos músicos, mas também uma coletânea de momentos de shows, turnês e bastidores, em que, ao longo dos 12 anos em que o grupo esteve na ativa, levou à risca o famoso jargão: “sexo, drogas e rock and roll”.

Mick Wall apresenta a trajetória de cada membro do Led – o catártico hippie Robert Plant, o ocultista Jimmy Page, o multifacetado John Paul Jones e o beberrão e incontrolável John Bonham. O jornalista aborda de uma forma direta e tão próxima que parecia fazer-se presente como membro permanente do staff da banda.

Aliás, o grande trunfo do livro é quando Mick Wall aprofunda no interesse de Page pelo oculto, especialmente a Aleister Crowley, e toda aquela coisa de magia, que influenciou a carreira do guitarrista. São cerca de 50 páginas dedicadas ao tema. Assim como as tragédias que marcaram a vida de Robert Plant, como a morte de seu filho Karac e do acidente de carro que sofrera que fez com que o grupo desse um tempo nas apresentações.

Apesar de todo o sucesso, nem tudo foi ás mil maravilhas no Led Zeppelin. Mick Wall relata também as brigas do tranquilo Jones com os demais por conta do direcionamento musical que os companheiros tomariam. E também o espírito destrutivo e arruaceiro de Bonham, que colaboraram para sua morte precoce aos 32 anos em 1980.

Assuntos polêmicos não ficaram de fora. Temas como acusações e processos de plagio, as orgias de sexo e drogas que fizeram com que gastassem “rios de dinheiro”, os problemas com organizadores e promotores de shows por conta de cachês, entre outros assuntos.

No epílogo, Mick Wall dá uma pincelada sobre o que os remanescentes do Led Zeppelin fizeram após o fim da banda, as eternas cogitações sobre o possível retorno, às constantes recusas de Plant em voltar, os encontros e os projetos solos de cada um deles.

Como foi dito no começo deste texto, a obra aqui no Brasil foi lançada por duas editoras. Em 2009, a versão da Larousse saiu em capa dura com Jimmy Page na capa, com 552 páginas, enquanto isso, em 2017, a edição lançada pela Globo Livros, contém 568 páginas, e traz uma foto do grupo em um show, com Robert Plant à frente e o material saiu em formato de brochura.

No entanto, a versão da Editora Globo é a mais fácil de ser encontrada nas livrarias. Enfim, a biografia de Wall é um mega documento sobre um dos maiores fenômenos da história do rock que teve o mundo a seus pés. Uma jornada épica que vale a pena dar uma conferida.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra
Autor: Mick Wall
Lançamento: 2009 (1ª edição) e 2017 (2ª edição)
Número de páginas: 552 (1ª edição) / 568 (2ª edição)
Editoras: Larousse / Globo Livros
Preço médio: R$ 59,00

Por Jorge Almeida

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Red Hot Chili Peppers: 35 anos do ‘debut’ dos californianos

“The Red Hot Chili Peppers”: álbum de estreia da banda de Anthony Kiedis e Flea completa 35 anos de lançamento neste sábado

Hoje, 10 de agosto, os fãs do Red Hot Chili Peppers celebram o 35º aniversário do lançamento do disco de estreia da banda. Gravado durante abril de 1984, “The Red Hot Chili Peppers“, o álbum, foi gravado no Eldorado Studios, em Hollywood, na Califórnia, foi produzido por Andy Gill e lançado pela EMI America e pela pequena Enigma.

O disco teve a produção assinada por Andy Gill, guitarrista do Gang Of Four, e foi o único a apresentar Jack Sherman na guitarra. Pois, ele substituiu o guitarrista fundador Hillel Slovak, que deixou o grupo juntamente com o baterista fundador Jack Irons às vésperas de o álbum ser gravado. O registro traz, além de Sherman, os demais fundadores do Red Hot Chili Peppers, Anthony Kiedis nos vocais e Flea no baixo, além do baterista Cliff Martínez.

O álbum é marcado por conta dos desacordos entre Andy Gill com a banda por conta das divergências em relação à direção musical da obra. Anthony Kiedis ficou frustrado com a sonoridade do álbum, pois, segundo ele, ficou faltando a energia bruta da fita demo original de 1983. Em sua autobiografia lançada em 2004, “Scar Tissue“, o vocalista relembrou que vislumbrou o caderno de Gill e notou que ao lado da música “Police Helicopter“, ele escreveu “merda”. Kiedis assimilou isso como “trabalhar com o inimigo” e, então, ele e Flea travaram uma batalha para poder fazer o registro.

A tentativa do produtor em deixar o repertório mais “radiofônico” não agradou Flea e Kiedies, uma vez que Gill escolheu em deixar uma sonoridade mais limpa e polida, logo, não traduziu a energia e a personalidade que a banda trazia em suas apresentações.

Apesar disso, “The Red Hot Chili Peppers” leva uma característica que o grupo carregou ao longo da carreira: improviso e ritmo funkeado. Porém, o play não trouxe nenhum single relevante ou canção de destaque. Logo, fica claro porquê o grupo não impressionou logo de cara. Faltava algo.

A obra teve apenas um single lançado, “Get Up And Jump“, e um videoclipe – “True Men Don’t Kill Coyotes“. No entanto, com o passar do tempo, temas como “Out In LA” e “Police Helicoter” ganharam status de cult pelos fãs da banda.

Apesar da preferência de Kiedis e Flea pelas versões demo da maioria das músicas, feitas com Slovak e Iron, a dupla reconheceu que importância de Jack Sherman no desenvolvimento do Chili Peppers por conta do conhecimento do funk e teoria musical que o guitarrista tinha, o que não havia em Slovak.

Embora não tenha atingindo uma posição do gráfico na Billboard 200 (alcançou o número 201), a obra foi creditada como o “primeiro lançamento do gênero funk metal”, além de ter sido rotulado como “a pequena faísca que acendeu a revolução do rap rock”.

De fato, se for fazer uma lista dos álbuns do Red Hot Chili Peppers, certamente, este registro não entra no top 5 dos favoritos dos fãs, embora os caras tenham se esforçado, o resultado não saiu coeso.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Red Hot Chili Peppers
Intérprete: Red Hot Chili Peppers
Lançamento: 10 de agosto de 1984
Gravadora: EMI America / Enigma Records
Produtor: Andy Gill

Anthony Kiedis: voz
Jack Sherman: guitarra
Flea: baixo e backing vocal
Cliff Martínez: bateria

Keith Barry: viola
Gwen Dickey: backing vocal em “Mommy, Where’s Daddy?
Patrick English: trompete
Kenny Flood: sax tenor
Phil Ranelin: trombone
Cliff Brooks: timbales e congas

1. True Men Don’t Kill Coyotes (Kiedis / Flea / Martínez / Sherman)
2. Baby Appeal (Kiedis / Flea / Slovak / Martínez / Sherman)
3. Buckle Down (Kiedis / Flea / Martínez / Sherman)
4. Get Up And Jump (Kiedis / Flea / Slovak / Irons)
5. Why Don’t You Love Me (Williams)
6. Green Heaven (Kiedis / Flea / Slovak / Irons)
7. Mommy, Where’s Daddy? (Kiedis / Flea / Martínez / Sherman)
8. Out In LA (Kiedies / Flea / Slovak / Irons)
9. Police Helicopter (Kiedis / Flea / Slovak / Irons)
10. You Always Sing The Same (Kiedis / Flea)
11. Grand Pappy Du Plenty (Instrumental) (Kiedis / Flea / Martínez / Sherman / Gill)

Por Jorge Almeida

Rolling Stones: 25 anos de “Voodoo Lounge”

“Voodoo Lounge”: primeiro disco de estúdio lançado pelos Rolling Stones sem o baixista Bill Wyman

Lançado em 19 de julho de 1994, o álbum “Voodoo Lounge“, dos Rolling Stones, chegou às suas bodas de prata. Produzido por Don Was em conjunto com os The Glimmer Twins (codinome de Mick Jagger e Keith Richards), o disco foi gravado em Dublin e em Los Angeles entre setembro de 1993 e abril de 1994 e lançado pela Virgin Records. E o play foi o primeiro sem a participação de Bill Wyman, baixista que deixou o grupo no começo de 1993.

Antes de entrar em estúdio para gravar o sucessor de “Steel Wheels” (1989), os Rolling Stones anunciaram a saída oficial do baixista Bill Wyman que, já cinquentão, alegara cansaço das intermináveis turnês e aparentava indisposição de começar mais uma. Com isso, o grupo prosseguiu e, para assumir as quatro cordas, foi escolhido Darryl Jones, que já havia tocado na banda de Miles Davis, que atuou como músico contratado e não como membro promovido dos Stones. Na época, havia cogitação de Jones ser, com o decorrer do tempo, efetivado para o posto de baixista do grupo, o que, como sabemos, não aconteceu, mas Darryl seguiu com Mick Jagger e cia. por anos, mas sempre como contratado.

No final de 1993, após ensaios e algumas gravações de demos na casa de Ron Wood, na Irlanda, os Rolling stones seguiram para produzir o novo material no Windmill Lane Studios, em Dublin, e, depois das festividades de final de ano, os caras concluíram as gravações em Los Angeles.

Com Don Was no comando da produção, a obra apresentou uma gravação estilosamente clássica que variou entre o Blues, o Rhythm And Blues e o Hard Rock, enfim, um território mais convencional para os padrões Rolling Stones de ser, agradando críticos e fãs, mas nem tanto a Mick Jagger, que lamentou a falta de “groove” nas canções e as influências africanas. Apesar da discordância entre músicos e produtor, Don Was seguiu a produzir os trabalhos posteriores da banda.

O nome do disco veio quando, durante a gravação da obra, Keith Richards adotou um gato de rua, em Barbados, batizando-o de “Voodoo” e o colocou para morar no terraço da casa onde estava a residir. O local ficou conhecido como “Voodoo Lounge“, ou seja, “Terraço do Voodoo“.

Com o álbum concluído, em seguida, o grupo começou a ensaiar para as apresentações ao vivo para uma turnê mundial sem precedentes que começara em agosto e, na rota, países que os Rolling Stones nunca havia tocando até então, entre eles, o Brasil, Argentina, Chile e África do Sul. E, em um ano de turnê, com direito a recordes de público e bilheteria milionária (estima-se que, na época, figurou como a turnê mais lucrativa da história, com arrecadação que chegou na casa dos US$ 320 milhões, mas que foi superada pela próxima turnê da própria banda, a Bridges To Babylon Tour).

O disco abre com a ótima “Love Is Strong“, com destaque para o slide de Ron Wood e com Mick Jagger tocando de forma maliciosa a gaita. Em seguida, o bom e pulsante rock de “You Got Me Rocking“, em que Darryl Jones se destaca e fez por merecer a chance de trabalhar com os músicos da melhor banda de rock do mundo. A agitação segue como “Sparks Will Fly“, que mantém o clima “up” das músicas. Depois, Keith Richards dá uma acalmada com a bela balada “The Worst” (sim, o guitarrista também atua como vocalista em ocasiões pontuais). E a calmaria segue com outra (grandiosa) balada “New Faces“, com Wood segurando as pontas no pedal steel. Já em “Moon Is Up” mantém as características roqueira da banda. Enquanto isso, em “Out Of Tears“, o grupo volta com as baladas, mas conduzida brilhantemente com o piano. A agressividade volta à tona com “I Go Wild“, uma faixa tipicamente stoniana. Keith Richards traz a guitarra com wah-wah em “Brand New Car” que, agregada como o sax de David McMurray fazem dela uma ótima música. A atmosfera latina marca presença em “Sweethearts Together“, que vem acompanhada de um acordeão e de um violão de nylon. Mas, o disco dá uma “ligeira caída” com “Suck In The Jugular“, mas nada que não comprometa a obra, pois, em seguida, aparece uma das melhores baladas, particularmente falando, dos Stones, a incrível “Blinded By Rainbows“. E, claro que o Rhythm And Blues não poderia ficar de fora, e ele foi representado com “Baby Break It Down“. Richards aparece novamente nos vocais em “Thru And Thru“, outra balada. E, finalmente, em “Mean Disposition“, que encerra o registro com o clima em que o disco abriu, ou seja, mantendo o rock a todo vapor.

Com o lançamento de “Voodoo Lounge“, que chegou ao topo das paradas no Reino Unido (o que não acontecia desde “Emotional Rescue“, de 1980), e em segundo lugar nos charts norte-americanos, os Rolling Stones viram o seu álbum alcançar o posto dos mais vendidos em diversos países, como Alemanha, Áustria, Austrália, Canadá, Países Baixos, Suíça, entre outros.

Aliás, em 2009, o play foi remasterizado e relançado pela Universal Music.

Uma coisa precisa ser dita (espero que não achem exagero da parte que vos escreve: “Voodoo Lounge” pode ser considerado como o último “grande disco” de inédita dos Stones, é daquelas obras que deve ser apreciada com o volume alto. E, não foi à toa, que a obra ganhou o Grammy Award na categoria de Melhor Álbum de Rock de 1994.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Voodoo Lounge
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 19 de julho de 1994
Gravadora: Virgin Records / Universal Music (relançamento de 2009)
Produtores: Don Was e The Glimmer Twins

Mick Jagger: voz, guitarra, gaita e percussão
Keith Richards: guitarra, backing vocal e voz em “The Worst” e “Thru And Thru
Ron Wood: guitarra, pedal steel e backing vocal
Charlie Watts: bateria e percussão

Darryl Jones: baixo
Chuck Leavel: teclados e backing vocal
Luís Jardim, Phil Jones e Lenny Castro: percussão
Bernard Fowler e Bobby Wornack: vocais de apoio
Frankie Gavin: violino e pennywhistle
Mark Isham: trompete
Flaco Jimenez: acordeão
David McMurray: saxofone
Ivan Neville: backing vocal e órgão
Benmont Tench: órgão, piano e acordeão
Max Baca: bajo sexto
Pierre de Beauport: violão acústico
David Campbell: arranjo de cordas

1. Love Is Strong (Jagger / Richards)
2. You Got Me Rocking (Jagger / Richards)
3. Sparks Will Fly (Jagger / Richards)
4. The Worst (Jagger / Richards)
5. New Faces (Jagger / Richards)
6. Moon Is Up (Jagger / Richards)
7. Out Of Tears (Jagger / Richards)
8. I Go Wild (Jagger / Richards)
9. Brand New Car (Jagger / Richards)
10. Sweethearts Together (Jagger / Richards)
11. Suck On The Jugular (Jagger / Richards)
12. Blinded By Rainbows (Jagger / Richards)
13. Baby Break It Down (Jagger / Richards)
14. Thru And Thru (Jagger / Richards)
15. Mean Disposition (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 50 anos de “More”

“More”: o primeiro disco do Pink Floyd a ser trilha sonora de filme completou 50 anos no último dia 13 de julho

No último dia 13 de junho, o terceiro disco de estúdio e também o primeiro álbum de trilha sonora do Pink Floyd, “More“, completou 50 anos de seu lançamento. No entanto, a versão norte-americana, que fora lançada como “Original Motion Picture Soundtrack From The Film More“, chegará às cinco décadas na próxima sexta-feira (9). Gravado entre 1º de fevereiro e 31 de maio de 1969, no Pye Studios, em Londres, o trabalho foi produzido pela própria banda e lançado pela EMI/Columbia na Europa e pela Tower Records, nos Estados Unidos.

Com 13 faixas, entre instrumentais e com letras, o disco mantém o rock psicodélico do começo da banda, mas com algumas baladas acústicas de folk, gênero que aparecera esporadicamente em álbuns posteriores do grupo. Mas também o peso se faz presentes em faixas como “The Nile Song” e “Ibiza Bar“, e destaque para as diversas faixas instrumentais, que abordam um som experimental de vanguarda.

O disco abre com um canto de pássaro (possivelmente um rouxinol) sobre o órgão de Richard Wright. Trata-se de “Cirrus Minor“, Escrita por Roger Waters e cantada por David Gilmour, a música traz uma atmosfera bucólica e alucinógena. Aliás, a música não possui toque de bateria. Em seguida, vem “The Nile Song“, que considero uma das músicas mais pesadas já gravada pelo Pink Floyd, pois ela se encaixa perfeitamente como Heavy Metal, Acid Rock ou Hard Rock, fica à sua escolha. Curiosamente, a canção nunca foi tocada ao vivo pelo grupo, porém, o baterista Nick Mason a torcou em seu projeto, o Nick Mason’s Saucerful Of Secrets, em 2018. Outra pérola escrita por Waters e cantada por Gilmour. O terceiro tema é “Crying Song“, outra balada no estilo “pastoral”. Richard Wright faz a ‘intro’ com um vibrafone, enquanto Gilmour toca violão e faz o solo de slide, Waters, por sua vez, manda bem no seu baixo Fender Precision e Mason toca apenas a caixa do seu kit de bateria. O disco segue com a primeira faixa instrumental, “Up The Khyber“, a única faixa da banda assinada pela dupla Nick Mason e Richard Wright, o nome da música é oriunda de uma piada grosseira interna dos músicos, e lembra vagamente um número de jazz. A faixa número cinco é “Green Is The Colour“, outra com a assinatura de Roger Waters e bem cantada por Gilmour. Bela balada que tem a presença de um apito de lata que foi interpretado pela então esposa de Nick, Lindy Mason. A penúltima música do lado A da obra é “Cymbaline“, cuja versão do disco difere da do filme, tanto a música quanto a letra, porém, ambas cantadas por David Gilmour, e fala de um pesadelo e faz referência ao personagem popular da época: Doctor Stranger, por conta de sua natureza psicodélica de aventuras. E o play chega à metade com a curta e instrumental “Party Sequence“, creditada a todos os músicos, e que consiste em uma sequência de percussão tribal.

O lado B do disco começa com a também instrumental “Main Theme“, que tem o início marcado por um gongo que permeia como um zumbido durante toda a faixa, depois aparece Wright tocando uma progressão de acordos com o órgão Farfisa, posteriormente acompanhado de uma sequência “drum-bass” e o órgão sendo executado por um pedal de wah-wah e a slide guitar no meio. Curiosamente, na versão em CD, o nome de Nick Mason não aparece creditado para a faixa. Em seguida, o play apresenta “Ibiza Bar“, que traz um semelhante riff de guitarra de “The Nile Song“, mas que na parte principal das guitarras, David Gilmour abusa do eco, o que colabora a manter um certo peso na canção. Aliás, em “More Blues“, uma curta faixa instrumental creditada aos quatro membros da banda. Inclusive, no boxset “The Early Years 1965–1972” (2016), apresenta uma mixagem mais completa, o que deixa claro que a música fora cortada para entrar no álbum. A longa faixa instrumental “Quicksilver” consiste em vários efeitos sonoros assustadoramente psicodélicos e outras ‘cositas más’ características da sonoridade do início de carreira do Pink Floyd. A obra ainda contém “A Spanish Piece“, com os seus míseros 1’04” de duração (quase nada se comparando com a duração média das músicas do Pink Floyd, não é mesmo?). Totalmente creditada a David Gilmour, a canção é inteiramente tocada por ele, inclusive em um violão flamenco e as frases estereotipadas em um sotaque espanhol bem mequetrefe, diga-se de passagem. E o gran finale vem com mais uma tema instrumental: “Dramatic Theme“, em que se destaca o trabalho de guitarra de Gilmour. Creditada originalmente ao quarteto, a versão em CD omite os nomes de Gilmour e Mason (que perseguição ao baterista, risos).

Aliás, “More” foi o primeiro trabalho do Pink Floyd completo sem ter nenhuma participação do membro fundador Syd Barrett e o único a ter David Gilmour como vocalista principal enquanto Roger Waters esteve na banda (1964 a 1985).

Com críticas variadas, “More” chegou ao nono lugar das paradas britânicas. Não tem o status de um “tremendo clássico”, mas também não é digno de rejeição. Vale a pena a audição, com certeza.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: More
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 30/06/1969 (versão britânica) e 09/08/1969 (versão norte-americana)
Gravadora: EMI/Columbia (Europa) / Tower Records/Capitol Records (EUA)
Produtor: Pink Floyd

Roger Waters: baixo, efeitos, percussão e backing vocal
David Gilmour: guitarra, slide guitar, violão, violão clássico, violão flamenco e percussão em “A Spanish Piece” e voz
Richard Wright: órgão Farfisa, piano, vibrafone, órgão Hammond e backing vocal
Nick Mason: bateria, percussão e bongôs em “Cymbaline” e “Party Sequence

Lindy Mason: apito de lata em “Green Is The Colour” e “Party Sequence

1. Cirrus Minor (Waters)
2, The Nile Song (Waters)
3. Crying Song (Waters)
4. Up The Khyber (Instrumental) (Mason / Wright)
5. Green Is The Colour (Waters)
6. Cymbaline (Waters)
7. Party Sequence (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
8. Main Theme (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
9. Ibiza Bar (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
10, More Blues (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
11. Quicksilver (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
12. A Spanish Piece (Gilmour)
13. Dramatic Theme (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)

Por Jorge Almeida

Raul Seixas: 35 anos de “Metrô Linha 743”

“Metrô Linha 743”: único álbum de Raul Seixas lançado pela Som Livre, que completa 35 anos em 2019

Neste mês de julho o décimo segundo álbum de estúdio de Raul Seixas, “Metrô Linha 743”, completou 35 anos de seu lançamento. Gravado entre janeiro e abril nos estúdios Sigla, no Rio e em São Paulo, o disco foi produzido pelo próprio Raul em conjunto com Alexandre Agra e lançado pela Som Livre e distribuído pela RCA Victor.

Antes de voltar a trabalhar por uma grande gravadora, a carreira de Raul Seixas parecia ter dado uma guinada com o lançamento de “Raul Seixas”, autointitulado álbum de 1983, que foi sucesso de público e crítica, lançado pela modesta Gravadora Eldorado, e que lhe rendera o seu segundo disco de ouro. A exposição de Raulzito graças ao sucesso da faixa “Carimbador Maluco”, que foi tema do infantil da TV Globo, colaborou para que a gravadora do grupo Globo assinasse contrato com ele. Além da música no programa global, Raul Seixas se apresentou no especial de Natal da Vênus Platinada e teve uma de suas músicas – “Coração Noturno” – na trilha sonora da novela Louco Amor.

Com a nova gravadora, Raul Seixas e seus músicos iniciaram os trabalhos para o novo disco em janeiro de 1984, porém, devido aos shows do cantor e uma viagem a Nova York que durou cerca de um mês, o processo de gravação demorou cerca de quatro meses, o que gerou cobranças por parte da Som Livre, assim como a custo total da obra. Na época, Raul alegou que a demora em gravar o disco foi porque encontrara problemas para “dar simplicidade” nos arranjos e, além disso, foi o veto dado à canção “Mamãe Eu Não Queria” para execução pública, apesar de a gravadora ter entrado com o recurso.

A concepção musical e também no projeto gráfico ficou por conta de Raul Seixas, que optou em ter as fotos e arte todo em preto e branco para remeter a Alfred Hitchcock e aos anos 1950, e teve o apoio de seu fã-clube, o Raul Rock Club, na seleção de fotografias de diversos momentos de sua carreira para inserir no encarte.

O disco começa com a sua icônica faixa-título, que Raul, liricamente, trata de forma nada discreta o período da ditadura militar no Brasil que, inclusive, rendeu-lhe um exílio nos anos 1970, em que a liberdade de expressão não agradava o governo da época, a música faz alusão a “1984”, clássica obra de George Orwell. A música tem uma pitada de “Ouro de Tolo” e “Highway 61 Revisited”, de Bob Dylan. Já em “Um Messias Indeciso”, o cantor critica o teocentrismo hodierno em que a própria vontade e a devoção se confundem. Enquanto isso, em “Meu Piano”, que ficou conhecida por ter o “solo mais caro do Brasil”, pelo fato de o músico Clive Stevens ter recebido o cachê de US$ 3 mil para fazer um solo de sax e Raul brinca com o fato de ter um piano fora de lugar. Bem sacado o backing vocal feminino na música.  Na sequência, vem “Quero Ser o Homem Que Sou (Dizendo a Verdade)”, faixa que Raul, com um humor inteligente, fala de um homem que, apesar de inteligente, amoroso e com outras virtudes, comete erros e não esconde isso. Talvez, uma música autobiográfica. Destaque para o solo de guitarra slide cabuloso de Rick Ferreira. Posteriormente, em “Canção do Vento”, de forma lírica, Raulzito aborda os anseios e mudanças por parte da juventude e com uma variação instrumental bem interessante, finaliza o lado A da “bolacha”.

A segunda parte do play começa com a clássica “Mamãe Eu Não Queria”, em que Raul Seixas interpreta magistralmente com uma voz rasgada. A canção foi inspirada em “I Don’t Wanna Be A Soldier Mama”, de John Lennon, lançada em “Imagine” (1971). O tema da canção fala sobre a recusa do interlocutor em fazer o alistamento militar obrigatório. Kika Seixas, esposa de Raul na época, participa interpretando a “mamãe” do protagonista. Evidentemente que a faixa teve sua execução pública proibida. E, por falar em Kika, ela foi homenageada pelo marido em “Mas I Love You (Pra Ser Feliz)”, o único momento romântico do disco e, convenhamos, uma “média” que Raul Seixas fez para com a sua companheira para tentar contornar as crises conjugais. O registro traz, em seguida, duas regravações de Raul Seixas: “Eu Sou Egoísta”, canção lançada originalmente no álbum “Novo Aeon” (1975), com direito a citações a Bob Dylan, John Lennon e Caetano Veloso no fade out; e a metafórica “O Trem das Sete”, sucesso do disco “Gita” (1974), e que aqui contém um coral masculino. Particularmente, prefiro a versão original. E, para finalizar, “A Geração da Luz”, música que aborda o legado do próprio Raul e é conduzida por uma variedade de instrumentos de sopro. Fez parte da trilha sonora do especial “Plunct Plact Zuuum… 2”, lançado pela Rede Globo no mesmo ano.

Posteriormente, o disco foi relançado e remasterizado algumas vezes, com destaque para o material que saiu em 2003, que trouxe a faixa “Anarkilópolis (Cowboy Fora-da-Lei Nº 2)”, que, na verdade, fora um ‘esboço’ de “Cowboy Fora-da-Lei”, clássica canção do álbum “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987).

Apesar de ter sido bem recebido pela crítica especializada, “Metrô Linha 743” teve suas vendagens abaixo das expectativas, tanto de Raul Seixas quanto da Som Livre, o que culminou com o término do contrato. Além de ter ficado, mais uma vez sem gravadora, a situação do Maluco Beleza estava indo de mal a pior: dificuldades de agendar shows, agravamento de sua pancreatite, problemas com drogas e álcool, separou-se de Kika Seixas e pararia de fazer shows por um tempo e, por pouco, não entrou em ostracismo.

De fato, “Metrô Linha 743” é um bom disco de Raul Seixas, não chega a ter um status de “clássico” como os primeiros trabalhos da carreira solo, mas, excetuando a releitura de “O Trem das Sete”, vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Metrô Linha 743
Intérprete: Raul Seixas
Lançamento: julho de 1984
Gravadora: Som Livre
Produtores: Alexandre Agra e Raul Seixas

Raul Seixas: voz, violão e guitarra base

Ana Lúcia Heringer, Cecília Spyer, Nina Pancevski, Jairo Lara, Wilson Nunes, Heleno Marques, Marisa Fossa, Pedro Baldanza, Ronaldo Barcellos, Rick Ferreira, Gastão Lamounier e Raul Seixas: vocais
Chiquinho de Moraes: piano nas faixas 3, 4 e 10
Rick Ferreira: guitarra, pedal steel, violão, piano nas faixas 7 e 9 e vocais
Ricardo Cristaldi: teclados
Paulo César Barros: baixo
Pedro Baldanza: baixo nas faixas 7 e 9
Márcio Montarroyos, Bidinho Spínola e Evaldo Gomes Fonseca: trompetes
Ed Maciel: trombone
Clive Stevens: saxofone na faixa 3
Léo Gandelman e Zé Carlos Bigorna: saxofone
Ivan “Mamão” Conti: bateria
Teo Lima: bateria na faixa 7
Jurim Moreira: bateria na faixa 8

1. Metrô Linha 743 (Raul Seixas)
2. Um Messias Indeciso (Raul Seixas / Kika Seixas)
3. Meu Piano (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
4. Quero Ser o Homem Que Sou (Dizendo a Verdade) (Raul Seixas / Kika Seixas / Adilson Simeoni)
5. Canção do Vento (Raul Seixas / Kika Seixas)
6. Mamãe Eu Não Queria (Raul Seixas)
7. Mas I Love You (Pra Ser Feliz) (Raul Seixas / Rick Ferreira)
8. Eu Sou Egoísta (Raul Seixas / Marcelo Motta)
9. O Trem das Sete (Raul Seixas)
10. A Geração da Luz (Raul Seixas / Kika Seixas)
Faixa Bônus:
11. Anarkilópolis (Cowboy Fora-da-Lei Nº 2) (Raul Seixas / Cláudio Roberto / Sylvio Passos)

Por Jorge Almeida

 

Pantera: 35 anos de “Projects In The Jungle”

“Projects In The Jungle”: segundo álbum do Pantera que completa 35 anos em 2019

Neste sábado, 27 de julho, o segundo trabalho de estúdio da banda norte-americana Pantera, “Projects In The Jungle“, completa 35 anos de existência. Produzido por Jerry Abbott, o álbum foi lançado pela Metal Magic e mostra uma banda mais amadurecida em relação ao seu trabalho anterior, o que não exigiu muito esforço por parte da banda texana.

Aliás, assim como o ‘debut’, “Projects In The Jungle” tem o mesmo e estranho conceito de capa colorida que é de “arder” os olhos. Sabe aquele famoso ditado: “não julgue o livro pela capa”? Pois é, muitos aficionados por música costumam substituir o livro pelo disco. Nesse caso aqui, o jargão não vem a calhar, pois, assim como a sua arte, o álbum não é de causar impacto para quem curte a banda. Ainda mais que ele saiu quando o Pantera ainda era uma banda de Hard/Glam Metal.

Mas o play tem coisas boas e mostra a nítida melhora instrumental do grupo, especialmente as linhas da guitarra de Dimebag Darrell. A sonoridade do grupo é uma misturada de Judas Priest “hard” com pitadas de Glam Metal tradicional, algo da linha do Mötley Crüe, Ratt e, principalmente, Def Lepard.

Entre as faixas do disco que se destacam estão: “All Over Tonight“, que foi o primeiro videoclipe da banda, que tem uma pegada selvagem e rápida, deixando-a incrivelmente boa, assim como “Heavy Metal Rules!“, um Hard Rock com riffs bem cadenciados e vocais rasgados de Terry Glaze. Assim como “Blue Light Turnin ‘Red“, a instrumental faixa de um minuto e meio em que Dimebag se inspira em “Eruption“, que tornou-se um clássico do Van Halen tocado pelo seu mestre, Eddie Van Halen. e as tendenciosas faixas Speed Metal de “Out for Blood” e “Killers“. A faixa-título foi um prenúncio do que estava por vir alguns anos depois com o seu riff de Thrash Metal. Em contrapartida, o Metal Pop presentes em “In Over My Head” e “Takin’ My Life” soam como um Leppard subdesenvolvido.

E, mesmo com o fim do Pantera, por mais incrível que pareça, até hoje tem fãs que acreditam que a carreira do quarteto do Texas começou apenas com o groove-metal extremo de “Cowboys From Hell” (1990), e praticamente desconhecem os quatro trabalhos anteriores da banda, que teve outro vocalista antes de Phil Anselmo. Mas, parte disso também é por “culpa” da própria banda (ou da insistência dos membros sobreviventes) em suprimir a circulação dos primeiros álbuns.

Mas, em suma, “Projects In The Jungle” é um trabalho digno para completar a coleção (isso se você conseguir achar uma cópia do álbum). Tem uns minguados momentos apreciáveis para serem ouvidos. A verdade é que o Pantera tentou instigar suas influências (Kiss, Van Halen e Judas Priest) com os alguns delineamentos emprestados das bandas de Glam Metal que estavam em ascensão, mas o resultado que, pela ideia, poderia transformar em um tremendo álbum, porém, foi um tiro no escuro. De fato, se dermos uma nota de 0 a 10, um 5,5 ou 6,0 está de bom tamanho.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Projects In The Jungle
Intérprete: Pantera
Gravadora: Metal Magic
Produtor: Jerry Abbott

Terry Blaze: voz
Diamond Darrell: guitarra
Rex Rocker: baixo
Vinnie Paul: bateria

1. All Over Tonight (Pantera)
2. Out For Blood (Pantera)
3. Blue Lite Turnin’ Red (Pantera)
4. Like Fire (Pantera)
5. In Over My Head (Pantera)
6. Projects In The Jungle (Pantera)
7. Heavy Metal Rules! (Pantera)
8. Only A Hearbeat Away (Pantera)
9. Killer (Pantera)
10. Takin’ My Life (Pantera)

Por Jorge Almeida

Exposição “Mitos do Rock” no Metrô República

Os norte-americanos do Kiss, um dos “mitos do rock” homenageados por André Araújo. Foto: Jorge Almeida

A Estação República do Metrô está com a exposição “Mitos do Rock” em cartaz até a próxima quarta-feira, 31 de julho. A mostra reúne cerca de 30 caricaturas feitas pelo artista André Araújo, que homenageia alguns dos ícones do gênero musical.

Como é de praxe, pelo menos no Brasil, o dia 13 de Julho é celebrado como o Dia Mundial do Rock, que surgiu em 1985, quando aconteceu o megaevento Live Aid, que reuniu pesos-pesados do rock em shows marcantes com o objetivo de angariar fundos em prol dos famintos da Etiópia. O evento foi organizado por Bob Geldof e Midge Ure, e teve a participação de nomes como Queen, Led Zeppelin, Paul McCartney, David Bowie, entre outros. Estima-se que o evento foi transmitido para 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo.

Então, para celebrar esse fato marcante, o artista André Araújo fez um tributo aos maiores “Mitos do Rock” de todos os tempos por meio de caricaturas de nomes como Freddie Mercury, Raul Seixas, AC/DC, Steven Tyler, Ramones, Kiss (foto), Ozzy Osbourne, entre outros.

Essa não é a primeira vez que o artista faz esse tributo aos panteões do Rock no Metrô. Em 2015, por exemplo, André apresentou seu trabalho na Estação Vila Madalena do Metrô, conforme podemos relembrar aqui.

SERVIÇO:
Exposição: Mitos do Rock
Onde: Estação República do Metrô (Linha 3-Vermelha, com acesso também pela Linha 4-Amarela de metrô) – Rua do Arouche, 24 – República
Quando: até 31/07/2019; de domingo a sexta-feira, das 4h40 à 0h25; sábados, das 4h40 à 1h
Quanto: R$ 4,30 (valor integral da tarifa do Metrô-SP)

Por Jorge Almeida