Motörhead: 15 anos de “Hammered”

“Hammered”, álbum do Motörhead, que completou 15 anos em 2017

No último dia 9 de abril, o álbum “Hammered”, do Motörhead, completou 15 anos de seu lançamento. O disco é o 16º trabalho de estúdio da banda capitaneada por Lemmy Kilmister. Gravado no Henson Studios e no Chuck Reed’s House ao longo de 2001, o material foi produzido por Thom Panunzio e pelo próprio Motörhead. O disco foi o primeiro a ser distribuído pela Metal-Is, uma subsidiária da Sanctuary Records na América do Norte.

Na biografia da banda escrita Joel McIver – “Overkill: The Untold Story Of Motörhead” – Mikkey Dee menciona que o disco foi influenciado pelos ataques ao World Trade Center, em 11 de setembro. Faz sentido, uma vez que o disco tem em suas letras uma abordagem mais sombria e tom reflexivo.

No entanto, para Lemmy, conforme seu depoimento no documentário “The Guts And The Glory”, o play “há algumas boas faixas sobre o tema e há uma porcaria nele”. O disco também é lembrado por “The Game” – que é faixa bônus -, escrito pelo compositor de música da WWE, Jim Johnston, como o tema de entrada para o lutador Triple H. Em dois eventos da WrestleMania, WrestleMania X-Seven e WrestleMania 21, Motörhead interpretaria esta música ao vivo quando Triple H fez sua entrada ao ringue. Triple H também contribuiu com os vocais na faixa de palavras faladas “Serial Killer“.

A capa foi concebida por um velho conhecido da banda, Joe Petagno, que disse em uma entrevista que saiu no DVD bônus do álbum “Inferno” (2004), que “originalmente seria usado para o design do aniversário de 27 anos (da banda), tiramos os 27 e experimentamos. A primeira ideia que Lemmy tinha era colocar dois martelos cruzados no fundo, mas parecia muito russo. Então nós optamos por um ás no final. Era supostamente para ser a trança de ouro que você teria em sua gola ou ombro militar. É muito bonito. A parte mais difícil foi a rotulação, os destaques e as sombra“.

Duas semanas após do lançamento de “Hammered” saiu também um DVD com registros do Motörhead nas décadas de 1970 e 1980 intitulado “The Best Of Motörhead”. A turnê do novo trabalho começou nos Estados Unidos, por onde seguiu até o final de maio, e depois por uma parte da Europa entre junho e agosto. No mês de outubro, o trio tocou no Reino Unido em cinco datas, tendo participações do Anthrax, Skew Siskin e Psycho Squad, que na apresentação realizada no Wembley Arena, em Londres, foi substituída pelo Hawkwind como banda de apoio. Nessa ocasião, Lemmy subiu ao palco com eles e tocou “Silver Machine”, que foi lançado como single pela ex-banda em 1972. Em seguida, durante o resto de outubro e boa parte de novembro, o Motörhead seguiu em turnê com o Anthrax.

De abril e maio de 2003, a banda continuou a promover o álbum “Hammered” nos Estados Unidos, e nas três datas que Phil Campbell teve de se ausentar por conta da morte de sua mãe. Na ocasião, Todd Youth o substituiu. Entre o final de maio e meados de julho, a banda tocou sete datas nos Festivais de Verão na Europa e, no final de julho até o final de agosto, estavam viajando pelos Estados Unidos com Iron Maiden e Dio. Em 7 de outubro, uma coleção abrangente de cinco discos das gravações da banda entre 1975 e 2002 foi lançada como “Stone Deaf Forever!”. Em 1º de setembro de 2003, a banda retornou ao clube Whiskey A Go-Go de Hollywood para a Indução da Hollywood Walk of Fame. Durante o mês de outubro, a banda realizou uma turnê pelo Reino Unido com o pessoal do The Wildhearts e Young Heart Attack. O grupo realizou sete shows em toda a Bélgica, Países Baixos e Espanha, entre 21 e 28 de outubro, e desde o final de novembro até o início de dezembro, foram na Alemanha e na Suíça, viajando com Skew Siskin e Mustasch. No dia 9 de dezembro, o álbum “Live at Brixton Academy” foi lançado. O material foi gravado em 2000 durante as comemorações de 25 anos da banda.

O disco abre com “Walk A Crooked Mile”, que já entrou no rol dos clássicos de Motörhead (mais um entre vários). Seu grande destaque é a linha de baixo de Lemmy Kilmister. Tem um pouco de pegada punk, como muitas músicas do grupo. Em seguida aparece a ‘massacrante’ “Down The Line”, com guitarra pesada e uma excelente pegada de bateria. O terceiro tema é “Brave New World”, que contém uma intro de bateria poderosa, uma guitarra agressiva e o estilo speed metal característico do Motörhead. Só tem o mesmo título de uma canção homônima do Iron Maiden, mas não tem nada a ver com a música da Donzela de Ferro.

A quarta faixa é “Voices From The War”, pesada, mas nem tão pesada quanto o conteúdo da letra que aborda o sofrimento em estado bruto, da dor de quem afeta ou é afetado diretamente pela guerra: deixar entes queridos para trás, ver os seus membros amputados. O play segue com “Mine All Mine”, cuja introdução lembra vagamente “I Was Made For Lovin’ You”, do Kiss. Há a participação especial de Dizzy Reed, famoso pelo trabalho com o Guns ‘N’ Roses, no piano. O sexto tema é a ‘hardona oitentista’ “Shut Your Mouth”, com uma pitada à Motörhead.

O disco continua a todo vapor com a pesada “Kill The World”, cuja mensagem pede para nos salvar e “matar” o mundo. Já em “Dr. Love”, a oitava faixa, traz o perfeito entrosamento do baixo retorcido de Lemmy e a guitarra suja de Campbell, e fala do homem estilo ‘machão’ e pegador no melhor estilo rockstar. O álbum apresenta a ‘trasher’ “No Remorse”, faixa nove, com seu vocal agressivo e a abordagem que fala do fim da vida e que não devemos ter remorso.

A penúltima faixa é a porrada sonora “Red Raw”, cuja rapidez lembra “Ace Of Spades”, e que nos deixa impossibilitado de ouvi-la sem se mexer. E o final vem com “Serial Killer”, com um discurso feito por Kilmister que é de amedontrar.

Algumas edições do “Hammered” ainda traz duas faixas bônus: a já citada “The Game” e uma versão ao vivo de “Overnight Sensation”, registrada em 2000.

Embora não tivesse sido o “trabalho dos sonhos” de Lemmy Kilmister, “Hammered” é um tremendo disco, pois tem o “padrão Motörhead de qualidade”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Hammered
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 9 de abril de 2002
Gravadora: SPV GmbH / Metal-Is
Produtores: Thom Panunzio e Motörhead

Lemmy Kilmister: baixo e voz
Phil Campbell: guitarra
Mikkey Dee: bateria

Dizzy Reed: piano em “Mine All Mine”]
Triple H: co-vocais em “Serial Killer

1. Walk A Crooked Mile (Kilmister / Campbell / Dee)
2. Down The Line (Kilmister / Campbell / Dee)
3. Brave New World (Kilmister / Campbell / Dee)
4. Voices From The War (Kilmister / Campbell / Dee)
5. Mine All Mine (Kilmister / Campbell / Dee)
6. Shut Your Mouth (Kilmister / Campbell / Dee)
7. Kill The World (Kilmister / Campbell / Dee)
8. Dr. Love (Kilmister / Campbell / Dee)
9. No Remorse (Kilmister / Campbell / Dee)
10. Red Raw (Kilmister / Campbell / Dee)
11. Serial Killer (Kilmister / Campbell / Dee)
Bônus tracks:
12. The Game (Johnston)
13. Overnight Sensation (live) (Kilmister / Campbell / Dee)

Por Jorge Almeida

Ritchie Blackmore’s Rainbow: “Live In Birmingham 2016”

Mais um “live” para a discografia do Rainbow, que traz a performance da banda de Ritchie Blackmore em Birmingham

No último dia 9 de junho foi lançado pela Eagle Rock Entertainment “Live In Birmingham 2016”, CD duplo que traz áudio de uma apresentação feita pelo Rainbow de Ritchie Blackmore em junho de 2016 no Genting Arena, em Birmingham.

Depois do lançamento de “Memories In Rock: Live In Germany” no ano passado, que marcou a volta do Rainbow depois de quase 20 anos de inatividade, a banda de Ritchie Blackmore acaba de lançar o seu mais recente trabalho, que registra a performance do icônico guitarrista fundador do Deep Purple após o seu retorno desejado para tocar rock em solo britânico.

O material traz clássicos do Deep Purple que não foram executados durante os shows incendiários feitos na Alemanha – como “Soldier Of Fortune” e “Burn” -, juntamente com outros clássicos da carreira de Blackmore, entre eles “Smoke On The Water” (claro) e “Since You’ve Been Gone”, do Rainbow.

A pequena turnê realizada em junho do ano passado foi de apenas seis shows, apenas um deles foi realizado na Inglaterra, justamente o concerto feito no Genting Arena no Birmingham’s NEC. Assim, o novo material traz aos fãs que não estavam lá a oportunidade que faltava de conferir o desempenho do mestre.

E Ritchie Blackmore e cia. preparam o cenário para a miniturnê pelo Reino Unido com quatro datas. O primeiro show será no próximo dia 17 de junho no The O2, em Londres, depois segue para Manchester Arena, em Manchester, no dia 22, passa pelo The SSE Hydro, em Glasgow, na Escócia, no dia 25 e, finalmente, no mesmo Genting Arena, em Birmingham.

Além de Ritchie Blackmore na guitarra, a line-up do Rainbow é composta por Jens Johansson nos teclados, David Keith na bateria, Bob Nouveau no baixo e backing vocal e o vocalista chileno Ronnie Romero.

Essa é mais uma oportunidade de conferir que o septuagenário Ritchie Blackmore no auge de seus 72 anos continua esplendoroso e em forma. Uma pena que as desavenças com Ian Gillan impeçam de um dia ele fazer uma participação especial em algum show do Deep Purple.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live In Birmingham 2016
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 9 de junho de 2017
Gravadora: Eagle Enterteinment

Ritchie Blackmore: guitarra
Ronnie Romero: voz
Jens Johansson: teclados
David Keith: bateria
Bob Nouveau: baixo e backing vocal

CD 1:
1. Over The Rainbow / Highway Star
2. Spotlight Kid
3. Mistreated
4. Since You’ve Been Gone
5. Man On The Silver Mountain
6. Soldier Of Fortune
7. Medley: Difficult To Cure (Beethoven’s Ninth) / Drum Solo / Bass Solo/ Band Jam / Keyboard Solo (incluindo Toccata & Fugue In Dm) / Difficult To Cure (Beethoven’s Ninth)
8. Catch The Rainbow

CD 2:
1. Perfect Strangers
2. Long Live Rock ‘N’ Roll
3. Child In Time
4. Stargazer
5. Medley: Black Night / Woman From Tokyo / Black Night
6. Burn
7. Smoke On The Water

Por Jorge Almeida

Bachman-Turner Overdrive: 40 anos de “Freeways”

“Freeways”, do BTO: o último álbum da formação clássica da banda

O sexto álbum de estúdio dos canadenses do Bachman-Turner Overdrive completou 40 anos de seu lançamento no último mês de fevereiro. O disco em questão é “Freeways”, que foi gravado em 1976 e 1977 pela Mercury e produzido por Randy Bachman.

Muitos fãs não gostaram do play logo de cara, pois já que ele não trazia o rock and roll e guitarras pesados que era uma marca registrada do BTO. Além disso, o disco foi o último com a participação de Randy Bachman, pelo menos até 1984, quando ele resolveu voltar à banda e lançar “Bachman-Turner Overdrive”, o álbum, naquele ano.

Inclusive, Turner estaria infeliz com este álbum a ponto dele não permitir uma imagem direta de si mesmo para ser usado na capa, dizendo que ele se sentia como um “homem lateral”. Talvez, desde o álbum anterior, sem um gênio criativo para lhe contrapor, Randy tenha se desestimulado, baixando a atitude e a criatividade. Tempos depois, Randy disse que “Freeways” foi feito de modo apressado no estúdio e que o grupo deveria ter levado mais tempo, o que permitiria a eles desenvolverem mais ideias para as canções.

Embora estivesse ainda com a sua formação clássica, “Freeways” foi um fracasso comercial, e trouxe o primeiro single da banda que não apresentou boas posições nas paradas, caso de “My Wheels Won’t Turn”.

Diante de algumas críticas pela “semelhança” das músicas da banda nos dois álbuns seguintes de “Not Fragile” (1974), Randy Bachman ponderou reinventar e atualizar o som de BTO, mas o resto da banda parecia discordar.

Randy saiu para formar o Iron Horse, juntamente com Tom Sparks e Chris Leighton. Para o seu lugar no Bachman-Turner Overdrive, foi recrutado Jim Clench. Com ele, a banda lançou “Street Action” (1978) e, a partir daí, passou a utilizar apenas a sigla BTO como marca oficial. Porém, o grupo sucumbiu no começo dos anos 1980, voltou em 1984, mas aí nos anos seguintes foram brigas e mais brigas a respeito do nome da banda.

Embora não seja um disco com hits, “Freeways” traz boas músicas, como “Down, Down”, “Shotgun Rider” e “My Wheels Won’t Turn”, que merecem estarem incluídas em qualquer álbum do BTO lançado anteriormente.

Enfim, apesar de ser um disco bom e gostoso de ouvir, “Freeways” não é comparável aos ótimos “Not Fragile” (1974) ou “Four Wheel Drive” (1975).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Freeways
Intérprete: Bachman-Turner Overdrive
Lançamento: fevereiro de 1977
Gravadora: Mercury
Produtor: Randy Bachman

Randy Bachman: voz, violão, guitarra e steel guitar
Robbie Bachman: bateria
Blair Thornton: guitarra e backing vocal
C. F. Turner: baixo, vocais e voz em “Life Still Goes On (I’m Lonely)” e “Freeways

1. Can We All Come Together (Bachman)
2. Life Still Goes On (I’m Lonely) (Turner)
3. Shotgun Rider (Bachman)
4. Just For You (Bachman)
5. My Wheels Won’t Turn (Bachman)
6. Down, Down (Bachman)
7. Easy Groove (Bachman)
8. Freeways (Bachman)

Por Jorge Almeida

Joey Ramone: 15 anos de “Don’t Worry About Me”

“Don’t Worry About Me”: disco póstumo de Joey Ramone lançado em 2002

Em 19 de fevereiro de 2017 completaram-se 15 anos do lançamento do álbum “Don’t Worry About Me”, o primeiro trabalho solo de Joey Ramone, o eterno vocalista dos Ramones. Produzido por Daniel Rey, o disco foi, infelizmente, lançado postumamente, uma vez que o vocalista morreu de linfoma em 15 de abril de 2001.

O play traz onze faixas e também uma pegada à lá Ramones, logo, guitarras distorcidas e economia de acordes. Mas algumas letras do disco chamam atenção por expressar o lado espiritual de Joey, aparentemente, como um reflexo da percepção de que o fim estava próximo, e também fez questão de fazer uma música que trata de sua luta contra o câncer, como na faixa “I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)”.

O disco abre com o grande cover feito por ele do clássico “What A Wonderful World”, imortalizado por Louis Armstrong. Joey deu uma roupagem rock and roll, deixando-a totalmente descaracterizada em relação à versão original, no entanto, fazendo do mesmo jeito que sua ex-banda fazia quando gravavam covers em seus álbuns: uma versão matadora.

O álbum segue com as demais faixas variando entre o punk rock do estilo Ramones com pop em faixas como “Stop Thinking About It”; “Mr. Punchy”, que lembra vagamente os tempos de “¡Adios Amigos!” (1995); “Maria Bartiromo”, com o seu refrão pegajoso e uma homenagem que o cantor fez à jornalista da CNBC que dá nome à canção na qual ele a elogia por sua beleza e vasto conhecimento da Bolsa de Valores; o disco volta a ficar mais pesado com a trinca ramônica: “Spirit In My House”, “Venting (It’s A Different World Today)” e “Like A Drug I Never Did Before”, esta última poderia ser referente ao seu (pesado) tratamento contra o câncer, não é mesmo?

O play dá uma maneirada a seguir com “Searching For Something”, que soa mais pop do que as habituais músicas compostas por Joey, mas se encaixando com os temas que ele vinha escrevendo nos últimos trabalhos dos Ramones; na sequência, a magistral versão de “1969”, classicão do Stooges; e as duas faixas que demonstram bem o que Joey estava passando nos últimos momentos: a já citada “I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)” e a faixa-título, que, particularmente, associo o seu refrão como uma forma de Joey dizer para não ficarmos preocupados com a sua partida, e que ele estará bem. Triste.

Ao analisarmos friamente o play, não é à toa que tem a pegada ramônica: a começar pelo próprio Joey, com a sua inconfundível voz “analasada”, Daniel Rey, que produziu, tocou guitarra e fez os backing vocals no disco, além de ser um velho conhecido dos fãs dos Ramones: o cara produziu “Halfway To Sanity” (1987), “Brain Drain” (1989) e “¡Adios Amigos!” (1995), e a presença dele: Marky Ramone, que dividiu as partes de bateria com Frank Funaro, do Cracker And Del Lords.

No disco também tocaram o baixista do The Dictators, Andy Shernoff. Joey também contou com a participação de Captain Sensible, do The Damned, na canção “Mr. Punchy“.

A mixagem foi feita por Daniel Rey, como dito anteriormente, amigo de longa data de Joey Ramone e que participou do projeto desde o início. Aliás, as gravações ocorreram entre 2000 e 2001 e foram bastante complicadas, pois os dias no estúdios eram intercalados com as constantes internações que o vocalista era submetido para tratar da saúde, já bastante debilitada pela doença que o matou.

Uma versão DualDisc do álbum foi lançada em 19 de novembro de 2002. Ele incluiu o álbum no formato DVD-Audio, que está no som surround 5.1, bem como o video musical “What a Wonderful World” (dirigido por Debbie Harry) e outros materiais.

Infelizmente, Joey Ramone morreu antes do lançamento do álbum, que só chegou ao mercado em 2002, quase um ano após a sua partida.

Ao ouvir esse trabalho, o sentimento é uma mistura de alegria e tristeza, pois, ele foi o que chamamos de “canto do cisne”, de Joey Ramone. A alegria é pela qualidade do material gravado e a tristeza é que ele ficou marcado como o último trabalho do eterno vocalista dos Ramones e, que, infelizmente, ele já não estava mais entre nós quando foi lançado. Acredito que Joey se esforçou o quanto pôde para estar vivo para ver a sua criação pronta.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Don’t Worry About Me
Intérprete: Joey Ramone
Lançamento: 19 de fevereiro de 2002
Gravadora: Sanctuary Records
Produtor: Daniel Rey

Joey Ramone: voz
Daniel Rey: guitarra e backing vocal
Andy Shernoff: baixo e backing vocal
Marky Ramone: bateria em “What A Wonderful World“, “Mr. Punchy“, “Maria Bartiromo“, “Venting (It’s A Different World Today)“, “Like a Drug I Never Did Before” e “Searching for Something
Frank Funaro: bateria em “Stop Thinking About It“, “Spirit in My House“, “I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)” e “Don’t Worry About Me
Joe McGinty: teclados em “What a Wonderful World“, “Spirit in My House“, “I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)” e “Don’t Worry About Me
Captain Sensible: backing vocal em “Mr. Punchy
Dr. Chud: bateria em “1969
Jerry Only: baixo em “1969
Mickey Leigh: guitarra e backing vocals em “Don’t Worry About Me
Al Maddy: guitarra, baixo e backing vocals em “Searching for Something
Veronica Kofman: backing vocal em “Mr. Punchy
Helen Love: backing vocal em “Mr. Punchy

1. What A Wonderful World (Thiele / Weiss)
2. Stop Thinking About It (Joey Ramone / Andy Shernoff)
3. Mr. Ponchy (Joey Ramone)
4. Maria Bartiromo (Joey Ramone)
5. Spirit In My House (Joey Ramone)
6. Venting (It’s A Different World Today) (Joey Ramone)
7. Like A Drug I Never Did Before (Joey Ramone)
8. Searching For Something (Joey Ramone / Al Maddy)
9. I Got Knocked Down (But I’ll Get Up) (Joey Ramone)
10. 1969 (Alexander / Iggy Pop / Asheton / Asheton)
11. Don’t Worry About Me (Joey Ramone)

Por Jorge Almeida

Jethro Tull: 40 anos de “Songs From The Wood”

“Songs From The Wood”: álbum do Jethro Tull que completou 40 anos em 2017

No último dia 11 de fevereiro o álbum “Songs From The Wood”, do Jethro Tull, completou 40 anos de seu lançamento. Gravado entre setembro e novembro de 1976 no Morgan Studios, em Londres, o disco tem a produção assinada por Ian Anderson e foi lançado pela Chrysalis.

O play, que é o décimo trabalho de estúdio da banda britânica, ficou marcado pela nova direção musical do grupo, que se voltou para o folclore pagão britânico e a vida rural em um estilo de folk rock que combinava com instrumentos e melodias com batidas de hard rock e guitarras elétricas.

O material foi considerado o primeiro de uma trinca de álbuns de folk rock: “Songs From The Wood” (1977), “Heavy Horses” (1978) e “Stormwatch” (1979). Na capa do disco traz uma linha de título estendida: “Jethro Tull – with kitchen prose, gutter rhymes and divers – Songs from the Wood”, algo do tipo: “Jethro Tull – com prosa de cozinha, rimas de calha e mergulhadores – canções da madeira”. A faixa-título traz duas dessas frases em sua letra.

O disco foi gravado depois da turnê do trabalho anterior – “Too Old To Rock ‘N’ Roll, Too Young To Die!” (1976) e demonstrou o interesse de Ian Anderson mudar o estilo musical da banda, uma vez que ele estava se encontrando e produzindo músicas de folk rock, como Steeleye Span, para quem produziu o álbum “Now We Are Six” (1974). Em uma matéria da revista Guitar World, de 1999, Ian Anderson disse que após a turnê do disco anterior, voltou para a Inglaterra, se estabeleceu, casou e comprou uma casa. Isso lhe deu a oportunidade de avaliar e refletir sobre o significado cultural e histórico em fazer um trabalho dessa natureza.

Esse foi o primeiro álbum gravado com o tecladista David Palmer como membro oficial da banda e, com ele, a música do grupo ganhou mais complexidade e variedade, com mais instrumentos marcando presença nas canções e um som que deriva das inclinações clássicas de Palmer e a forte presença da guitarra de Martin Barre. Não é à toa que ambos são creditados pelo material contributivo para o álbum. Aliás, apenas em “Jack-In-The-Green” apresenta Ian Anderson creditado em todos os instrumentos.

Recheado com o imaginário da Grã-Bretanha medieval, especialmente nas letras de “Jack-In-The-Green”, “Cup Of Wonder” e “Ring Out, Solstice Bells”, arranjos ornamentais como em “Velvet Green” e “Fire At Midnight” ou o experimentalismo de “Pibrocj (Cap In Hand)”, onde a guitarra de Barre simula um instrumento de sopro, o disco tem uma parte de hard rock do álbum anterior, embora ainda tenha conservado algumas características de sons mais antigos do Jethro Tull. Além disso, Ian Anderson também teve como fonte de inspiração o livro “Folklore, Myths and Legends Of Britain”, que lhe foi dado pelo então manager do grupo, Jo Lustig, em 1976.

O termo descritivo “música folclórica” ​​foi descartado por Anderson e Barre como não relevante para o álbum. Folk tem uma forte conotação de cantores e compositores americanos que realizam músicas ativistas em cafés, enquanto “Songs From The Wood” foi composto e realizado como homenagem ao Reino Unido.

O disco recebeu comentários positivos da crítica, como na Rolling Stone que, na época, avaliou como “pode muito bem ter sido a melhor gravação do grupo”. Além disso, “Songs From The Wood” está na lista dos “100 maiores álbuns progressivos de todos os tempos” na posição 76, promovido pela revista Prog. Na mesma lista, ainda há mais três álbuns do Tull: “A Passion Play” (49º), “Acqualung” (43º) e “Thick As A Brick” (5º).

O álbum alcançou o oitavo lugar na parada da Billbord, o que fez dele o último da banda a entrar no top ten nos Estados Unidos. A faixa “The Whistler” foi a única música a classificar como single no território norte-americano, onde ocupou o 59º lugar no Billboard Hot 100, na primavera de 1977. Já na Dinamarca, o play ocupou o oitavo lugar, onde permaneceu por duas semanas. E nas paradas do Reino Unido, um honroso 13º lugar.

No último dia 17 de maio, houve o lançamento de um box com três CD’s e dois DVD’s com material inédito, remixado e gravações feitas ao vivo da época, além de um livreto com 96 páginas que inclui uma anotação “faixa-a-faixa” do álbum e suas gravações associadas feitas por Ian Anderson.

Trata-se de um grande disco do Jethro Tull, imperdível para os amantes de folk rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Songs From The Wood
Intérprete: Jethro Tull
Lançamento: 11 de fevereiro de 1977
Gravadora: Chrysalis
Produtor: Ian Anderson

Ian Anderson: voz, flauta, bandolim, violão, pratos, assobios e todos os instrumentos em “Jack-In-The-Green
Martin Barre: guitarra e alaúde
John Evan: piano, órgão e sintetizador
David Palmer: piano, órgão de tubo portátil e sintetizadores
John Glascock: baixo e backing vocal
Barriemore Barlow: bateria, marimba, sinos, glockenspiel, nakers e tabor

1. Songs From The Wood (Anderson)
2. Jack-In-The Green (Anderson)
3. Cup Of Wonder (Anderson)
4. Hunting Girl (Anderson)
5. Ring Out, Solstice Bells (Anderson)
6. Velvet Green (Anderson)
7. The Whistler (Anderson)
8. Pibroch (Cap In Hand) (Anderson)
9. Fire At Midnight (Anderson)

Por Jorge Almeida

Sepultura faz show na Audio dia 27, sábado, para lançamento do “Machine Messiah”

Sepultura se apresenta em São Paulo no próximo sábado (27). Foto: Divulgação

São Paulo, maio de 2017 – Sepultura, uma principais bandas do cenário rock underground não apenas brasileiro, mas pode-se dizer de toda a América do Sul, fará um show especial na Audio, no próximo dia 27, sábado, para lançamento do 14ª álbum, o “Machine Messiah”.

O “Machine Messiah” é considerado pela banda o mais completo e envolvente álbum que a banda fez na era Derrick Green, com produção de Jens Bogren. Com horizonte musical amplo, mas sempre firmemente enraizado no espírito do heavy metal, é claro que se trata de um álbum que a banda preparou com grande amor, paixão e determinação.

Trabalhamos muito no Brasil fazendo o máximo que podíamos na pre-produção para deixar tudo o mais completo possível”, explica Andreas Kisser. “Então, quando o produtor chegou, ele deu sugestões e ideias e nós refinamos as músicas e por último gravamos tudo. Jens foi um reforço incrível ao projeto. Ele é um grande produtor, muito atento aos detalhes. Estou muito feliz com a sonoridade – Jens também mixou o disco, na Suécia. O tempo que passamos por lá (Suécia) foi extraordinário. Estamos muito ansiosos com o novo álbum e mal podemos esperar o lançamento!”.

Os ingressos estão à venda pela Ticket360, e custam entre R$80 e R$200.

Sepultura @ Audio
Sábado, 27 de maio, a partir das 19h
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São Paulo
Ingressos: entre R$100 e R$120
Vendas online: https://www.ticket360.com.br/evento/6852/sepultura-nova-turne-mundial-machine-messiah
Telefone: 11 3862-8279
Site: http://www.audiosp.com.br
Capacidade: 2500 pessoas
Classificação etária: 18 anos
Aceita todos os cartões de crédito e débito, exceto Hipercard
Não tem estacionamento no local
Chapelaria
Ar-condicionado
Acesso para PNE
Wi-fi grátis mediante cadastro online

Agência Lema
Leandro Matulja/ Leticia Zioni/ Larissa Marques
AgenciaLema.com.br

Informações à imprensa:
Diene Guedes (11) 3871-0022 ramal 217
diene@agencialema.com.br

Por Diene Guedes

Luto no rock: morre Kid Vinil aos 62 anos

O radialista, produtor, DJ e músico Kid Vinil, que morreu nesta sexta-feira. Foto: divulgação

O cantor e radialista Kid Vinil morreu na tarde desta sexta-feira (19) no Hospital Totalcor, em São Paulo, devido a uma parada cardíaca. Depois de ter ficado um mês em coma induzido por conta de uma parada cardiorrespiratória que teve após um show feito em um clube da cidade Conselheiro Lafaiete (MG). O músico tinha 62 anos.

Antônio Carlos Senefonte, nome de batismo de Kid Vinil, nasceu na cidade paulista de Cedral em 1955. Ganhou notoriedade nacional ao liderar o grupo Magazine na década de 1980, quando emplacou hits como a ‘urbanística’ “Sou Boy”, que foi considerada um “hino” para os (hoje quase extintos) office-boys, além da divertida romântico-adolescente “Tic Tic Nervoso”, e ainda a interpretação espetacular de “Comeu”, música de Caetano Veloso, e que teve a versão do Magazine como tema de abertura da novela “A Gata Comeu”, de 1985.

Contudo, antes da consagração no país, Kid Vinil já era conhecido no underground paulistano como um incentivador do movimento punk e da new wave em São Paulo, seja organizando e divulgando shows ou tocando músicas de bandas do gênero em seus programas, além disso, atuou como vocalista do grupo Verminose no início dos anos 1980.

Depois de suspender as atividades com o Magazine, Kid seguiu trabalhando como comunicador – radialista, jornalista, DJ e VJ em diversos programas de variadas emissoras de Rádio e TV, como Bandeirantes, Cultura e MTV, além das rádios Brasil 2000 e 89, a Rádio Rock. Sempre tocando preciosidades de sua vasta coleção de vinis e CD’s que, juntos, atingem a marca de 20 mil álbuns, além de divulgar novas bandas, principalmente as independentes.

Em 2000, voltou com o Magazine e, dois anos depois, lançou o álbum “Na Honestidade”, pela gravadora Trama. Porém, pouco tempo depois, encerrou as atividades do grupo e formou uma nova banda, a Kid Vinil Xperience, em 2005, que teve dois álbuns lançados: “Time Was” (2010), um disco de covers de músicas favoritas e obscuras, e “Vinil Ao Vivo” (2013), gravado no mesmo ano e lançado três anos depois, em Novo Horizonte, interior de São Paulo, com interpretações de todos os hits de sua carreira.

O incansável Kid Vinil também atuou como produtor. Pela Trama, produziu um disco da violeira Helena Meireles e também “Defeito de Fabricação” (1998), de Tom Zé, que foi eleito como um dos dez melhores álbuns daquele ano pelo New York Times.

Ainda, em 2008, ele lançou o álbum “Almanaque do Rock”, pela Ediouro Publicações, que relata a trajetória do rock desde os anos 1950 até os dias de hoje (aliás, é um ótimo livro, recomendo!). A obra tem os mesmos moldes dos almanaques dos anos 70, 80 e 90.

Em virtude de seu vasto conhecimento sobre o rock, Kid Vinil fez uma legião de fãs, que vai de gente como João Gordo e Thunderbird até a cartunista Laerte, e continuou fã de muita gente, formando assim inúmeros amigos. E, com seu carisma e humildade, sempre fazia questão de conversar e debater a respeito de rock, seja ensinando ou aprendendo. Sem contar o seu visual peculiar.

E, de tanto contribuir para o rock, Kid Vinil foi homenageado com a biografia “Kid Vinil – O Herói do Brasil”, de Ricardo Gozzi, lançado pelas Edições Ideal, lançado em 2015.

Muito obrigado, Kid, você faz parte da história do rock. Muita gente curte rock graças a você. E, o título da obra de Gozzi faz jus à sua pessoa: O Herói do Brasil.

Descanse em paz.

Por Jorge Almeida