Sinopse de “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” do Rainbow

Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival "Monsters Of Rocks"
Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival Monsters Of Rock, em Castle Donington

Lançado em 22 de abril de 2016, o álbum “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” traz uma performance ao vivo do Rainbow no dia 16 de agosto de 1980 como headliner do festival Monsters Of Rock, de Castle Donington. O material foi lançado pela Eagle Rock Entertainment em um kit composto por CD e DVD.

Na ocasião, Ritchie Blackmore e companhia se apresentaram na primeira edição do famoso festival criado pelo promotor Paul Loasby que, em conjunto com Maurice Jones, queria um evento que reunisse apenas bandas de Hard Rock e Heavy Metal. O local escolhido foi o famoso autódromo de Donington Park, localizado ao lado da aldeia de Castle Donington, em Leicestershire, na Inglaterra. Assim, o Rainbow teve o privilégio de ser o headline (atração principal) do festival que cresceu gradativamente e atingiu outros países e continentes. Nessa edição inicial também participaram bandas como Judas Priest, Scorpions e Saxon.

A performance do Rainbow na ocasião foi a última do line-up que gravara o álbum “Down To Earth” (1979) com Ritchie Blackmore (guitarra), Graham Bonnet (voz), Cozy Powell (bateria) e os atuais Deep Purple Roger Glover (baixo) e Don Airey (teclados).

Além dos clássicos da banda, o show trouxe também grandes solos dos integrantes do grupo em uma noite de inspiração musical, especialmente Blackmore, Powell e Airey.

O DVD traz oito canções, enquanto o CD apresenta 12 temas, incluindo os solos. Vale reforçar que o material do DVD foi toda a filmagem do concerto que sobreviveu ao tempo, e que é a primeira vez que o áudio se encontra disponível na íntegra em um CD.

O material capta o ponto crucial de um momento raro na história de imagens da banda com a line-up da ocasião, pois o novo vocalista da época, Graham Bonnet, que substituiu Ronnie James Dio, ficou por um curto período e não fez uma nova turnê com o Rainbow. Além disso, o concerto marcou a saída do mestre Cozy Powell.

No play, o álbum é composto pelos sucessos do mais recente trabalho do grupo na época (“Down To Earth”), como “Lost In Hollywood”, “Since You Been Gone”, “All Night Long” e “Eyes Of The World”. Além disso, Bonnet fez o melhor que pode nos clássicos de seu predecessor, Ronnie James Dio, em temas como “Stargazer”, “Catch The Rainbow” e “Long Live Rock ‘N’ Roll”, e, como a formação do Rainbow tem 2/5 do Deep Purple, claro que rolou um cover da banda que consagrou Blackmore e Glover, aqui representado por “Lazy” que, obviamente, não ficou a altura da versão do Purple. O material mostra também os solos instrumentais virtuosos de Blackmore, Powell e Airey. Ainda no tracklist tem um cover que o grupo fez de “Will You Love Me Tomorrow”, do The Shirelles.

Pelo áudio, é notório perceber que o desempenho de Blackmore e companhia é estupendo. Porém Bonnet parece, às vezes, lutar para alcançar algumas notas e sem fôlego em outros. O vídeo, que tem mais de 35 anos, parte dele é escuro e escasso, uma vez que não havia todo aparato tecnológico para a ocasião mas, mesmo assim, é possível apreciar um Ritchie Blackmore quase possuído em seu solo de guitarra, as formas de como Bonnet e Glover trabalham para cativar a multidão, o bestial Cozy Powell quebrando tudo nas baquetas e o heroísmo de Don Airey, um discípulo do mestre Jon Lord.

No entanto, “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” não é o melhor registro ao vivo do Rainbow, pelo menos na opinião deste que vos escreve. Todavia, ele tem o seu valor por conta de ser um dos raros registros “live” com os vocais de Graham Bonnet.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Monsters Of Rock – Live At Donington 1980
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 22 de abril de 2016
Gravadora: Eagle Rock Entertainment
Produtor: Drew Thompson
Preço médio: R$ 52,90

Ritchie Blackmore: guitarra
Graham Bonnet: voz
Don Airey: teclados
Roger Glover: baixo
Cozy Powell: bateria

CD:
1. Intro/Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
2. Since You Been Gone (Ballard)
3. Stargazer (Blackmore / Dio)
4. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
5. Lost In Hollywood/Guitar Solo (Glover / Blackmore / Powell)
6. Difficult To Cure/Keyboard Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Drum Solo/Lost In Hollywood (Reprise) (Glove/Blackmore/Powell)
8. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
9. All Night Long (Glover / Blackmore)
10. Blues (Blackmore)
11. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
12. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

DVD:
1. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
2. All Night Long (Glover / Blackmore)
3. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
4. Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
5. Ritchie Blackmore Guitar Solo (Blackmore)
6. Difficult To Cure/Keyborad Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
8. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

Por Jorge Almeida

Show do Deep Purple no Espaço das Américas (12.11.2014)

Deep Purple em apresentação no Espaço das Américas nesta quarta-feira. Foto: Jorge Almeida
Deep Purple em apresentação no Espaço das Américas nesta quarta-feira. Foto: Jorge Almeida

Nesta noite de quarta-feira (12), o Deep Purple fez a sua segunda apresentação em São Paulo durante a turnê de “Now What?!” no Espaço das Américas. A diferença entre o concerto da terça para o da quarta é que no do dia anterior a casa ficou configurada em formato de teatro, ou seja, com cadeiras. E ao longo de cerca de 1h40, os britânicos tocaram três músicas de seu mais novo trabalho e os velhos clássicos de sempre.

Depois de terminar a apresentação da banda de abertura, que ficou a cargo do Cruz (PS: este que vos escreve não conseguiu acompanhar a performance dos caras por problemas logísticos, show na quarta-feira em São Paulo já viu né? Trânsito caótico), o público ficou cerca de 40 minutos na espera até que, às 22h08, as PA’s do local começaram a ecoar o instrumental “Mars, The Bringer Of War”, do compositor e arranjador inglês Gustav Holst. Aliás, tema é um dos movimentos da suíte “The Planets”, composta por Holst entre 1914 e 1916.

E isso bastou para os presentes irem ao delírio quando adentraram no palco do Espaço das Américas: Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria), que já começaram com “Highway Star” logo de cara. Na sequência, outros três clássicos da formação clássica (MK II): “Into The Fire”, “Hard Lovin’ Man” e “Strange Kind Of Woman”.

Em seguida, o Purple apresentou o primeiro tema do último trabalho, “Vincent Price”, que é uma excelente música, seguido da instrumental “Contact Lost”, que praticamente é a parte do solo de Steve Morse que, mais uma vez, “calou” as viúvas de Ritchie Blackmore. Posteriormente, veio “Uncommom Man”, também do disco novo, e mais um tema instrumental – “The Well-Dressed Guitar”. Todas lançadas em discos mais recentes do Deep Purple.

E os veteranos continuaram o show com mais duas dos anos 1970: “The Mule”, com o tradicional e ótimo solo de bateria de Ian Paice, e a viajante “Lazy”, do clássico “Machine Head”. E a última canção de “Now What?!” tocada na noite foi “Hell To Pay”, que tem potencial de se tornar um clássico.

Em seguida foi a vez de Don Airey se destacar com o seu Hammond ao executar o seu solo, com direito a um trecho de “Aquarela do Brasil”, para alegria do público. Depois os demais voltam ao palco e seguem o show com o hino “Perfect Strangers”, uma das mais aclamadas da noite, seguido dos clássicos “Space Truckin’” e a obrigatória “Smoke On The Water”.

O grupo sai da arena e volta para o tradicional bis, que começou com “Green Onions”, um soul instrumental do Booker T. & The M. G.’s., de 1962. Em seguida, o primeiro hit da banda, a clássica “Hush”, de Joe South, posteriormente acompanhada pelo solo de Roger Glover, tendo a bateria de Ian Paice no suporte, para, enfim, finalizarem o concerto com “Black Night”, com direito a Steve Morse executar o riff de “La Grange”, do ZZ Top.

O show terminou perto da meia-noite e, com isso, quem se deslocou até o local através do transporte público teve de acelerar os passos para não se deparar com o Metrô fechado (como foi o meu caso), mas saiu satisfeito por ter visto mais um grande concerto desses dinossauros do rock.

Bom, Ian Gillan pode até não ter mais a sua “Silver Voice”, mas ainda arrisca dar uns de seus tradicionais berros, com direito a tosse. A “cozinha” de Paice e Glover continua funcionando perfeitamente. E os substitutos de Jon Lord e Ritchie Blackmore – Don Aires e Steve Mores, respectivamente – estão perfeitamente encaixados nesse atual contexto do Deep Purple, pois se destacaram no show, em especial Morse, que consegue mudar os já excelentes solos de Blackmore, mas sem descaracterizar as músicas e impõe seu estilo de tocar, mais técnico e sem virtuosismo inútil.

Está certo que os trabalhos mais recentes do Deep Purple estão longe da qualidade das obras-primas do anos 1970, mas os “tiozinhos” continuam fazendo o que melhor sabem: tocar ao vivo e manter aquele estilo de rock clássico de sempre, sem a mesma fúria, mas com o mesmo peso dos tempos de ouro.

Quanto ao setlist, sempre vai ter opiniões divididas sobre quais músicas deveriam tocar na noite, quais deveriam ficar de fora e tal. Por exemplo, gostaria que, dos temas do novo álbum, fosse tocado “All The Time In The World”, que é uma ótima música, ou tivessem apresentado outros clássicos como “Fireball”, a belíssima “When A Blind Man Cries” ou aquela que considero a melhor música do DP na fase Steve Morse: “Sometimes I Feel Like Screaming”, mas tudo bem. A performance da banda nesta noite valeu o ingresso.

Abaixo, o setlist da apresentação do Deep Purple no Espaço das Américas.

Intro: Mars, the Bringer of War (Holst)
1. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Into the Fire (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Hard Lovin’ Man (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Strange Kind of Woman (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Vincent Price (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
6. Contact Lost (Morse)
7. Uncommon Man (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
8. The Well-Dressed Guitar (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
9. The Mule (with Drum Solo) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
10. Lazy (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
11. Hell To Pay (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
12. Keyboard Solo (Airey)
13. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
14. Space Truckin’ (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
15. Smoke on the Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
Bis:
16. Green Onions (Jones / Cropper / Steinberg / Jackson Jr.)
17. Hush (South)
18. Bass Solo (Glover)
19. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

Por Jorge Almeida

Há 30 anos era lançado “Perfect Strangers”, do Deep Purple

"Perfect Strangers": álbum que marca a volta do Deep Purple, em 1984
“Perfect Strangers”: álbum que marca a volta do Deep Purple, em 1984

Hoje, 16 de setembro, o clássico album do Deep Purple, “Perfect Strangers”, complete 30 anos de seu lançamento e foi marcado pela volta das atividades do grupo após um hiato de oito anos, sendo onze sem a sua formação mais bem sucedida e popular, a “Mark II”, composta por Ian Gillan, Roger Glover, Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Paice, que trabalharam juntos pela última vez, até então, no álbum “Who Do We Think We Are?”, em 1973.

Antes da reativação do grupo, os integrantes seguiam a vida com seus projetos: Ritchie Blackmore e Roger Glover estavam no Rainbow, Ian Gillan se aventurava com o Black Sabbath, Jon Lord era o mago dos teclados do Whitesnake de David Coverdale e Ian Paice estava na banda de apoio de Gary Moore (ele também havia passado pelo Whitesnake no final dos anos 1970 e início dos 1980).

Na verdade, a volta do Deep Purple estava programada para acontecer em 1983, mas Gillan, após uma noite de bebedeira com Tony Iommi, acertou em gravar um disco com o Black Sabbath, o lendário “Born Again”, o que quase fez Blackmore desistir da ideia da reunião. No entanto, o dinheiro falou mais alto entre empresários e músicos e, assim, o grupo voltou à ativa, o que foi de bom proveito para os envolvidos. A banda assinou um contrato com a Polygram, com a Mercury (para o mercado norte-americano) e a Polydor Records, para o Reino Unido e outros países da Europa.

Gravado durante o mês de agosto de 1984 nos estúdios Horizons, em Stowe, no Vermont, Estados Unidos, o disco traz a produção assinada por Roger Glover e a própria banda.

A reunião foi bem sucedida, pois “Perfect Strangers” chegou ao quinto lugar nas paradas do Reino Unido e atingiu o 17º lugar na Billboard 200 nos Estados Unidos, o que rendeu o disco de platina na terra do Tio Sam. Além disso, o Purple arrebatou o ouro no Grã-Bretanha, na Alemanha e na Argentina.

Assim como as vendagens do play, a turnê, financeiramente falando, foi um tremendo sucesso. A “tour” começou na Austrália, passou pela América do Norte, Europa e precisou fazer outras apresentações adicionais nos Estados Unidos, onde eles só não arrecadaram mais com shows que Bruce Springsteen.

Na volta para o Reino Unido, o Deep Purple realizou um show no tradicional Knebworth Festival, em 22 de junho de 1985, que teve também as participações de bandas como o UFO, Scorpions, Meat Loaf, Mountain, entre outros. Apesar do tempo ruim, que contou com uma chuva torrencial, cerca de 80 mil fãs compareceram à edição do festival que recebeu a alcunha de “Return Of The Knebworth Fayre”.

O álbum começa com a poderosa “Knocking At Your Back Door”, que é a faixa mais longa do play. Foi lançada como single. Uma das melhores do disco. Na sequência, temos a pesada “Under The Gun”, onde os caras demonstram que não vieram para brincadeira. O terceiro tema é “Nobody’s Home”, que também foi lançada como single e é a única do disco a trazer a assinatura dos cinco integrantes (as demais, exceto a faixa bônus “Son Of Alerik”, levam a assinatura do trio Blackmore/Gillan/Glover). Posteriormente surge “Mean Streak”, que é a mais fraca do disco.

Virando a “bolacha”, “Perfect Strangers” começa justamente com a faixa que dá o nome ao álbum. Com melodias e arranjos impecáveis, a música tornou-se um hino para os “purplenianos”. Até hoje é inimaginável um concerto do DP sem “Perfect Strangers”. E, por incrível que pareça, não tem solo de guitarra. Já “A Gypsy’s Kiss” traz leve semelhança com a fase inicial do Rainbow, o que é um elogio, que fique claro. A sétima faixa é a balada dramática “Wasted Sunsets”, que só poderia ser cantada por Ian Gillan, e nenhum outro mais. Bela canção. E, para finalizar o vinil, “Hungry Daze”, em que Jon Lord dá uma aula com seu teclado.

As versões em CD e K7 de “Perfect Strangers” trazia a faixa extra “Not Responsible”, uma das raras músicas do Purple com letras profanas, com direito a palavra “fucking” podendo ser ouvida. Além dessa, na versão remasterizada e relançada do álbum em junho de 1999, trazia a instrumental “Son Of Alerik”, com seus dez minutos de duração composta por Ritchie Blackmore, que havia sido lançada como lado B do single “Perfect Strangers”.

Depois de “Perfect Strangers”, a “MK II” lançou ainda os álbuns “The House Of Blue Light” (1987) e o ao vivo “Nobody’s Perfect”, em 1988, antes da saída de Ian Gillan, que ocorreu em seguida (ele retornou em 1992 para desespero de Blackmore). Afinal, apesar da satisfação dos fãs pela volta do grupo, as rusgas entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore também voltaram, o que complicou a duração da formação mais clássica de um dos pilares do Heavy Metal.

Para muitos, esse foi o último grande trabalho do Deep Purple, embora este que vos escreve discorde, mas não podemos negar que trata-se de um clássico.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist da versão do CD relançado em 1999.

Álbum: Perfect Strangers
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 16 de setembro de 1984
Gravadora: Polydor (Reino Unido) / Mercury (EUA) / Polygram (internacional)
Produtores: Roger Glover e Deep Purple

Ritchie Blackmore: guitarra
Ian Gillan: voz
Roger Glover: baixo
Jon Lord: teclados
Ian Paice: bateria

1. Knocking At Your Back Door (Blackmore / Gillan / Glover)
2. Under The Gun (Blackmore / Gillan / Glover)
3. Nobody’s Home (Blackmore / Glover / Gillan / Lord / Paice)
4. Mean Streak (Blackmore / Gillan / Glover)
5. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
6. A Gypsy’s Kiss (Blackmore / Gillan / Glover)
7. Wasted Sunsets (Blackmore / Gillan / Glover)
8. Hungry Daze (Blackmore / Gillan / Glover)
9. Not Responsible (Blackmore / Gillan / Glover)
10. Son Of Alerik (Blackmore)

Por Jorge Almeida

Deep Purple vem ao Brasil em novembro, diz jornal

Deep Purple (da esq. para a dir.): Don Airey, Ian Paice, Steve Morse, Ian Gillan e Roger Glover: se apresentam no Brasil em novembro, segundo jornal. Foto: divulgação
Deep Purple (da esq. para a dir.): Don Airey, Ian Paice, Steve Morse, Ian Gillan e Roger Glover: se apresentam no Brasil em novembro, segundo jornal. Foto: divulgação

Na edição desta terça-feira (2) do Destak, jornal de distribuição gratuita que circula em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, publicou uma matéria assinada por José Norberto Flesch em que dizia que o grupo britânico Deep Purple virá ao Brasil em novembro para fazer shows em “várias cidades”. No entanto, as datas e os locais das apresentações do quinteto não foram definidos ainda.

A banda retornará ao País, após três anos da última passagem, para divulgar o seu mais novo trabalho – o bom álbum “Now What?!” – lançado no ano passado. O disco é o 19º registro de estúdio do Deep Purple.

O quinteto começou a carreira no final dos anos 1960 e forma junto com o Black Sabbath e o Led Zeppelin a “Santíssima Trindade” do Hard e Heavy Metal setentista. Ao longo de seus quase 50 anos de carreira – interrompidos em um hiato de oito anos entre 1976 e 1984 -, o Deep Purple lançou diversas obras-primas da história do rock como “In Rock” (1970), “Machine Head” (1972), “Burn” (1974) e “Perfect Strangers” (1984) – só para citar alguns. E é responsável por clássicos como “Child In Time”, “Smoke On The Water”, “Highway Star”, “Fireball”, entre outros.

Essa será a 11ª passagem do DP ao Brasil, sendo a sétima com a atual formação – MK VIII – formada por Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria). Esse último é o único integrante a participar de todas as formações do Deep Purple desde o início.

A primeira turnê do grupo no Brasil aconteceu em agosto de 1991. Na ocasião, o Purple estava a divulgar o álbum “Slaves & Masters” (1990) e trazia na line-up o lendário Ritchie Blackmore na guitarra e o contestado Joe Lynn Turner nos vocais.

Na matéria do Destak apontou que, de acordo com um estudo feito pela Folha de São Paulo, o Deep Purple fez 59 apresentações em 17 cidades brasileiras nas dez vezes em que visitou o solo tupiniquim.

Para quem curte rock de qualidade, Deep Purple é imperdível. Vale a pena o ingresso.

Fonte: Destak

Por Jorge Almeida

Rainbow: 35 anos de “Down To Earth”

"Down To Earth": o único registro do Rainbow com os vocais de Graham Bonnet
“Down To Earth”: o único registro do Rainbow com os vocais de Graham Bonnet

O quarto álbum de estúdio do Rainbow, “Down To Earth”, completa nesta segunda-feira (28) 35 anos de seu lançamento. Além de ser marcado como o primeiro e único trabalho de Graham Bonnet no grupo de Ritchie Blackmore, o play ficou caracterizado por um som mais comercial, totalmente diferente dos tempos de Ronnie James Dio, que deixou a banda justamente por isso.

Produzido por Roger Glover, velho conhecido de Blackmore, o álbum foi gravado nos estúdios Château Pelly de Cornfeld, na França, e também no Maison Rouge Mobile Studio, mas os vocais foram gravados no Kingdom Sound Studios, em Long Island, em Nova York.

Após a turnê que durou o biênio de 1977/78, de onde foi registrado os “lives” “On Stage” (1977) e “Live In Munich 1977” (lançado posteriormente), a line-up da ocasião do Rainbow se desfez e Ritchie Blackmore inicia uma nova fase de sua banda com Roger Glover, que passou de produtor para integrante do Rainbow. Da formação anterior, apenas Cozy Powell permaneceu, além de Blackmore, é claro.

Apesar de ter feito grandes álbuns com Dio, o Rainbow, pelo menos para o mercado fonográfico, não foi um fenômeno de vendas. Então, para mudar isso, a gravadora propôs para que a banda abrisse mão da temática utilizada até então, aquelas coisas líricas relacionadas a bruxas, castelos e dragões característicos de Ronnie James Dio, para investir em canções de apelo mais popular. O guitarrista aprovou a proposta que foi sugerida e, em dezembro de 1978, começou a escrever em sua casa, em Connecticut, o que viria a ser “Down to Earth”. Dio recusou a ideia e caiu fora. Blackmore aproveitou a ocasião para fazer outras alterações na formação de sua banda. Além do vocalista, saíram David Stone e Bob Daisley para entrarem Don Airey e o próprio Glover, curiosamente, os dois agora seguem tocando por aí com o Deep Purple.

Para o lugar de Dio, Ritchie tentou aquele que viria a ser o seu maior desafeto Ian Gillan, que recusou. Então, depois de uma série de audições, o escolhido para o posto de vocalista foi Graham Bonnet, ex-guitarrista e vocalista do The Marbles. Depois Stone foi dispensado e substituído por Airey. Para preencher a vaga de baixista, o grupo fez alguns testes para o posto, mas Cozy Powell sugeriu a Blackmore que contratasse o seu companheiro de Deep Purple Roger Glover, que, além de tocar baixo, assinou a produção e foi responsável por boa parte das letras do álbum.

Apesar de não ser um frontman à altura de seu antecessor, Graham Bonnet se supera nas interpretações de temas como “Lost In Hollywood”, “Eyes Of The World” e “Love’s No Friend”. Cozy se adaptou ao estilo mais “rocker” de Glover, o que o deixou mais “econômico” na sua pegada. E Airey mostrou precisão em seus teclados, com doses certas nos temas.

O disco dessa fase “mais comercial” do Rainbow se diferencia dos demais por conta de que as composições de outrora eram mais fortes e longas. Porém, “Down To Earth” projetou o grupo às paradas de sucessos nas rádios FM, nos Estados Unidos, onde o mercado era quase inexistente para o Rainbow, que foi consolidado na Europa e o deixou muito populares no Japão.

Apesar da dupla Blackmore e Glover terem assinado a maioria das músicas do álbum, o grande sucesso comercial da banda foi “Since You Been Gone”, de autoria de Russ Ballard.

Down To Earth” teve dois singles: “Since You’ve Been Gone”, lançado em agosto de 1979 e tendo a faixa “Bad Girl” como lado B, e “All Night Long”, lançado em fevereiro de 1980, que teve em seu lado B a instrumental “Weiss Heim”, que foi gravado em janeiro de 1980 no Sweet Silence Studios, em Copenhagen, Dinamarca, o mesmo estúdio que o Metallica gravou o clássico “Ride The Lighting”.

Mesmo contrariando os fãs mais radicais, “Down To Earth” emplacou algumas faixas, como a canção de Russ Ballard, além das já citadas “Lost In Hollywood” e “All Night Long”. Embora não tenha obtido o retorno esperado pelos executivos, foi o melhor desempenho do Rainbow nas paradas. Tal feito permitiu que Ritchie Blackmore e sua (nova) trupe fossem o headline da primeira edição do Monsters Of Rock, em Donington. A performance no recém-criado festival foi a última a ter a dupla Bonnet e Powell na banda.

O álbum foi relançado em CD em 1999 e, em 2011, teve uma edição de luxo contemplada com um CD-bônus com músicas inéditas e versões instrumentais das principais faixas.

Apesar de ser inferior aos trabalhos com Ronnie James Dio, vale a pena conferir o desempenho de Graham Bonnet em sua curta, porém, bem sucedida passagem pelo Rainbow. Vale a pena a aquisição.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Down To Earth
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 28 de julho de 1979
Gravadora: Polydor
Produtor: Roger Glover

Ritchie Blackmore: guitarra
Cozy Powell: bateria
Graham Bonnet: voz
Don Airey: teclados
Roger Glover: baixo

1. All Night Long (Blackmore / Glover)
2. Eyes Of The World (Blackmore / Glover)
3. No Time To Lose (Blackmore / Glover)
4. Makin’ Love (Blackmore / Glover)
5. Since You Been Gone (Ballard)
6. Love’s No Friend (Blackmore / Glover)
7. Danger Zone (Blackmore / Glover)
8. Lost In Hollywood (Blackmore / Glover / Powell)

Por Jorge Almeida

Os 30 anos de “Bent Out Of Shape”, do Rainbow

"Bent Out Of Shape": último trabalho do Rainbow antes de Blackmore voltar ao Deep Purple em 1984
“Bent Out Of Shape”: último trabalho do Rainbow antes de Blackmore voltar ao Deep Purple em 1984

No último dia 24 de agosto, o álbum “Bent Out Of Shape”, o sétimo registro de estúdio do Rainbow, completou 30 anos de seu lançamento. Gravado durante sete semanas entre maio e junho de 1983 na Sweet Silence Studio, em Copenhague, na Dinamarca, o disco foi o último trabalho lançado pela banda de Ritchie Blackmore antes do guitarrista voltar ao Deep Purple em 1984, juntamente com Roger Glover, que foi quem produziu o álbum.

Lançado originalmente em LP e K7, o segundo foi editado em mais edições em relação ao primeiro. Em 1999, “Bent Out Of Shape” teve uma reedição remasterizada em CD, incluindo uma restauração em sua arte original, e trouxe duas faixas mais “prolongadas” em relação ao lançamento original no LP. São elas: “Desperate Heart”, que tem 4’36” de duração contra 4’04” da versão do long play e “Make Your Move” vem com 5’25” nas edições lançadas em K7 e na versão remasterizada em CD, de 1999, contra os 3’56” do vinil. Ou seja, a primeira edição em Compact Disc do álbum vem com as faixas em igual comprimento da versão do LP e a versão remasterizada vem com o mesmo comprimento do lançamento em K7.

Considerado um dos trabalhos mais comerciais lançados por Blackmore e sua trupe, o disco, aliás, o Rainbow, tentou repetir o sucesso que obtiveram com “Stone Cold”, faixa do trabalho anterior da banda – “Straight Between The Eyes” -, com músicas voltadas ao estilo AOR, como o primeiro single do disco: “Street Of Dreams”. E, por falar dessa música, na época, o seu videoclipe foi banido da MTV por ter um suposto efeito hipnótico.

Inclusive, o álbum marcou a entrada de Chuck Burgi na bateria no lugar de Bobby Rondinelli. E manteve a altura o trabalho desenvolvido pelos outros integrantes nos trabalhos anteriores, exceto a produção dos teclados de David Rosenthal, que cresceu absolutamente neste disco.

Os grandes hits de “Bent Out Of Shape” foram a já citada “Street Of Dreams” e “Can’t Let You Go”, mas outros temas merecem destaque: o hardão “Drinking With The Devil”, a ligeira “Make Your Move” e as ótimas “Fool For The Night”,  “Stranded” e “Fire Dance”, que lembra (só um pouco) da Era Dio no Rainbow.

Após o lançamento do álbum, o grupo saiu em turnê para promover o novo trabalho e, durante o mês de março de 1984 no Japão, o Rainbow tocou “Difficult To Cure” com uma orquestra completa. O concerto foi filmado.

Enquanto acontecia a tour, os rumores sobre a volta do Deep Purple eram constantes. Até que o inevitável aconteceu: Ritchie Blackmore dissolveu o Rainbow e se reuniu com Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice e John Lord para a reunião da formação clássica do Deep Purple, a MK II, que começou a gravar o álbum “Perfect Strangers”.

Mas o fim da linha para o Rainbow durou até o início dos anos 1990, pois Blackmore saiu novamente do Purple e remontou a sua banda com outros integrantes, mas foi só até 1997, ocasião em que o guitarrista se juntou com a sua esposa, Candice Night, para montar a sua nova (e atual) empreitada, o Blackmore’s Night.

Aliás, o BN regravou duas versões de “Street Of Dreams” em seu álbum de 2006, o “The Village Lanterne”. Uma com apenas os vocais de Candice Night e a outra, lançada como uma faixa bônus do álbum, regravada com um dueto entre a carismática vocalista e Joe Lynn Turner.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Bent Out Of Shape
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 24 de agosto de 1983
Gravadora: Polydor / Mercury (EUA)
Produtor: Roger Glover

Ritchie Blackmore: guitarra
Joe Lynn Turner: voz
Roger Glover: baixo e percussão
David Rosenthal: teclados
Chuck Burgi: bateria

1. Stranded (Blackmore / Turner)
2. Can’t Let You Go (Blackmore / Turner / Intro: Rosenthal)
3. Fool For The Night (Blackmore / Turner)
4. Fire Dance (Blackmore / Turner / Glover / Rosenthal)
5. Anybody There (Blackmore)
6. Desperate Heart (Blackmore / Turner)
7. Street Of Dreams (Blackmore / Turner)
8. Drinking With The Devil (Blackmore / Turner)
9. Snowman (Blake / Arranjos: Blackmore)
10. Make Your Move (Blackmore / Turner)

Por Jorge Almeida

Deep Purple: 20 anos de “The Battle Rages On…”

"The Battle Rages On..." foi o último registro de estúdio do Deep Purple com Ritchie Blackmore
“The Battle Rages On…” foi o último registro de estúdio do Deep Purple com Ritchie Blackmore

Hoje, 26 de julho, completam-se 20 anos do lançamento de “The Battle Rages On…”, o décimo quarto registro de estúdio da banda britânica Deep Purple. O disco é lembrado como o último trabalho de inéditas com o guitarrista Ritchie Blackmore e, consequentemente, da formação clássica da banda, a MK II.

Depois de terminarem a turnê de “Slaves & Masters”, no fim de 1991, ainda com Joe Lynn Turner nos vocais, o Purple começou a gravar o álbum seguinte em abril de 1992. Inicialmente, o ex-companheiro de Blackmore no Rainbow começou a gravar e escrever o material para o álbum, mas em setembro do mesmo ano, Turner é despedido da banda e Ian Gillan voltou e gravou o restante de “The Battle Rages On…”, assim como regravou com a sua voz o que Turner havia iniciado.

Com o “Silver Voice” de volta, como já era de se esperar, o trabalho saiu melhor do que com Turner, pelo menos para os fãs, menos para Blackmore, que praticamente queria transformar o Deep Purple no Rainbow. Logo, o direcionamento musical do guitarrista estava indo ao contrário em relação aos quatro integrantes. Talvez, por isso que Ritchie Blackmore nunca tenha gostado desse disco.

Além disso, para Blackmore, Ian Gillan, seu eterno desafeto, foi incapaz de cantar afinado. Embora em alguns temas – como em “Anya”, por exemplo -, os vocais tendem a deslizar um pouco sobre as notas altas, mas o desempenho geral de voz de Gillan não é tão horrível como ele alegava.

Então, por conta aos conflitos constantes sobre o estilo musical a ser seguinte, Ritchie Blackmore saiu do Deep Purple no final de 1993 durante a turnê do álbum. Em seu lugar, o guitarrista Joe Satriani foi chamado a integrar o Purple. O guitar-hero até participou de uma turnê pelo Japão e convidado pelos demais tornar-se um membro efetivo do grupo, mas Satriani preferiu continuar com a sua carreira solo e, para preencher a vaga deixada por Blackmore, foi recrutado o ex-Dixie Drags e ex-Kansas Steve Morse.

Certamente, o carro-chefe do álbum é clássica “Anya”, com sua sonoridade progressiva e um inspirado solo de Ritchie. Enquanto isso, a faixa-título, juntamente com “Lick It Up” (não confunda com a faixa-título do Kiss, por favor), “Talk About Love”, “Time To Kill” e “One Man’s Meat” soam bastante semelhantes, o que pode te deixar um pouco frustrado. Já “Ramshackle Man” pode parecer monótona, no caso para quem não é um fã de Deep Purple.

Em “A Twist In The Tale”, há algumas partes em que Ian Paice mostra uma pegada furiosa na bateria, fazendo da canção praticamente um “Speed Metal”. O saudoso Jon Lord dar o ar de sua graça com o impressionante solo de órgão em “Solitaire”. A faixa “Nasty Piece Of Work” parece uma espécie de música da Ian Gillan Band com participação especial de Jon Lord.

Embora seja um álbum consistente, “The Battle Rages On…” não chega a ser inovador, mas se você ouvi-lo sem comparar com os clássicos “Machine Head” (1972), “In Rock” (1970) ou até mesmo o “Perfect Strangers” (1984), notará o quão grande álbum ele é. Pode até não ser o melhor do MK II, mas está à frente em relação aos trabalhos anteriores, casos de “The House Of The Blue Light” (1987) e o próprio “Slaves & Masters” (1990).

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist desse bom trabalho do Deep Purple.

Álbum: The Battle Rages On…
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 26 de julho de 1993
Gravadora: BMG (Reino Unido)/Giant Records (EUA)
Produtores: Thom Panunzio e Roger Glover

Ian Gillan: voz
Ritchie Blackmore: guitarra
Roger Glover: baixo
Jon Lord: órgão, teclados
Ian Paice: bateria

1. The Battle Rages On (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Lick It Up (Blackmore / Gillan / Glover)
3. Anya (Blackmore / Gillan / Glover / Lord)
4. Talk About Love (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Time To Kill (Blackmore / Gillan / Glover)
6. Ramshackle Man (Blackmore / Gillan / Glover)
7. A Twist In The Tale (Blackmore / Gillan / Glover)
8. Nasty Piece Of Work (Blackmore / Gillan / Glover / Lord)
9. Solitaire (Blackmore / Gillan / Glover)
10. One Man’s Meat (Blackmore / Gillan / Glover)

Por Jorge Almeida