Deep Purple: 15 anos de “Bananas”, o álbum

“Bananas”: o primeiro trabalho do Deep Purple sem o fundador Jon Lord

O 17º álbum de estúdio do Deep Purple, “Bananas”, completa 15 anos de seu lançamento neste domingo, 9 de setembro. Produzido por Michael Bradford, o disco foi gravado no Royaltone Studios, em Burbank, na Califórnia, entre janeiro e fevereiro de 2003. Enquanto a versão europeia e japonesa do play saiu nesta data pela EMI, a edição norte-americana foi lançada em 7 de outubro do mesmo ano pela Sanctuary. Esse foi o primeiro trabalho do Purple lançado sem o seu fundador, o saudoso tecladista Jon Lord, logo, trata-se da estreia do MK VIII.

Antes de entrar em estúdio para gravar o sucessor de “Abandon” (1998), já em 2012, o Deep Purple recebeu uma ducha de água fria: Jon Lord anunciou que deixaria o grupo e, de forma amigável, saiu da banda para dedicar-se aos projetos pessoais, especialmente os trabalhos orquestrais. Até aquele momento, ele e Ian Paice eram os únicos remanescentes de todas as encarnações do Deep Purple. Para substituí-lo, o grupo trouxe outro veterano dos teclados no rock: Don Airey, que já havia trabalhado com o Coliseu II, Rainbow, Ozzy Osbourne, Black Sabbath e Whitesnake, ou seja, não poderia ter sido nome melhor para substituir o mestre Lord. Aliás, Airey já havia ajudado o grupo quando Jon feriu o joelho em 2001.

Com o novo tecladista, o Deep Purple lançou o seu novo registro depois de um hiato de cinco anos. E, com “Bananas”, a banda iniciou uma turnê mundial (em São Paulo, no Pacaembu, eles foram o headliner do festival Kaiser Music Festival que, além deles, trazia os The Hellacopters e o Sepultura). No entanto, a EMI negou a extensão de um contrato com o grupo, talvez, devido às vendas abaixo do esperado. Porém, na verdade, “In Concert With The London Symphony Orchestra” (2000) vendeu mais do que “Bananas”. No final da turnê, Airey havia marcado sua apoteose: de “substituto” a membro do grupo totalmente integrado, até porque ele teve o “aval” do mestre.

Aliás, desde “Abandon” (1998), o Deep Purple apresentava três músicas novas nos shows: “Long Time Gone”, que saiu no verão de 2000, mas que não foi inserido em “Bananas”, assim como “Up The Wall”, que foi tocada durante uma turnê no Reino Unido em 2002, mas que foi retrabalhada na faixa “I’ve Got Your Number” e a instrumental “Well Dressed Guitar”, que permaneceu inédito até o trabalho seguinte do quinteto, “Rapture Of The Deep” (2005).

E é bom notarmos que “Bananas” foi o primeiro trabalho do Deep Purple a ter backing vocal feito sem ser por Ian Gillan (claro que não devemos considerar as formações sem a presença do Silver Voice). Ou seja, desde as sessões de 1972 de “Woman From Tokyo”, que teve os backing vocals gravados por Roger Glover e Jon Lord, ninguém havia feito a função em uma canção do Purple. Neste caso, a “honra” coube a Beth Hart, que fez backing vocal em “Haunted”.

O disco não tem aquele status de “clássico de cabo a rabo”, mas traz boas canções. A faixa de abertura, “House Of Pain”, por exemplo, é um tremendo “hardão”, cuja ‘intro’ lembra com “All Night Long”, do Rainbow de Blackmore, eterno desafeto de Gillan. Na sequência, a igualmente boa, porém, mais cadenciada “Sun Goes Down”. O terceiro tema é a excelente balada “Haunted”, traz uma letra bem feita e foge um pouco dos padrões de baladas do grupo (não chega a ser uma “When A Blind Man Cries” ou “Soldier Of Fortune”) ao conter, por exemplo, vocais femininos no backing vocal. O disco segue com duas faixas Hard Rock de qualidade “Razzle Dazzle” e “Silver Tongue”. A sexta e a sétima faixa do play – “Walk On” e “Picture Of Innocence” – não são ruins, elas fazem o básico “arroz com feijão” da obra. Talvez nem a própria banda lembre delas.

Outro destaque do disco é “I Got Your Number”, em que Gillan solta a voz, mas não dos tempos de outrora, é claro, afinal, à época o vocalista já beirava à casa dos 60 anos, nela, o grupo apresenta um rock bem rigoroso. Em seguida, a ótima balada “Never A Word”, com uma melodia envolvente e que mostra que a escolha do Deep Purple em trazer Don Airey foi acertada, pois, o tecladista faz um trabalho primordial e que não está lá apenas para fazer “Ctrl C + Ctrl V” de Jon Lord embora que, assim como ele, utiliza o clássico Hammond ao longo da obra. O décimo tema é a faixa que dá nome ao disco. “Bananas”, a música, é um rock pesado e que, sem hesitar, é uma das principais músicas do disco. A penúltima faixa é “Doing It Tonight”, que não acrescenta muito à obra. E, para finalizar, a curta e instrumental “Contact Lost”, composta pelo guitarrista Steve Morse, em que ele, em um triste tema na guitarra, presta uma homenagem aos astronautas do ônibus espacial Space Shuttle Columbia, que explodiu e matou todos os sete tripulantes que estavam a bordo em 1º de fevereiro de 2003.

Em suma, “Bananas”, apesar das críticas, está longe de ser o melhor trabalho do Deep Purple, mas não podemos “dar uma banana” (desculpem-me o trocadilho, mas não pude evitar), pois trata-se de um bom disco de rock, de fato, mas abaixo aos clássicos álbuns que a banda lançou nos anos 1970. No entanto, neste registro mostrou que o Deep Purple estava em grande forma, Gillan cantando bem, embora não com o mesmo vigor (acho que parte da voz dele foi embora no “Born Again”, do Black Sabbath, brincadeira!). Vale destacar que a “cozinha” de Roger Glover e Ian Paice funciona perfeitamente como uma cirurgia cardíaca feita com sucesso. Steve Morse, como sempre, continuou a calar as “viúvas de Ritchie Blackmore”, e Don Airey provou a sua competência e que não entrou no grupo apenas para “copiar” Jon Lord e que o Deep Purple foi muito feliz ao escolhê-lo para substituir uma figura tão ímpar na história do rock como Jon Lord.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Bananas
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 9 de setembro de 2003 (Europa) / 7 de outubro de 2003 (Estados Unidos)
Gravadora: EMI (Europa e Japão) / Sanctuary (Estados Unidos)
Produtor: Michael Bradford

Ian Gillan: voz
Ian Paice: bateria
Roger Glover: baixo
Steve Morse: guitarra
Don Airey: teclados

Paul Buckmaster: arranjo de cordas e violoncelo em “Haunted
Beth Hart: backing vocal em “Haunted
Michael Bradford: guitarra em “Walk On

1. House Of Pain (Gillan / Bradford)
2. Sun Goes Down (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
3. Haunted (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
4. Razzle Dazzle (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
5. Silver Tongue (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
6. Walk On (Gillan / Bradford)
7. Picture Of Innocence (Gillan / Glover / Morse / Lord / Paice)
8. I Got Your Number (Gillan / Glover / Morse / Lord / Paice / Bradford)
9. Never A Word (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
10. Bananas (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
11. Doing It Tonight (Gillan / Glover / Morse / Airey / Paice)
12. Contact Lost (Morse)

Por Jorge Almeida

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Deep Purple: 20 anos de “Abandon”

“Abandon”: 16º disco de estúdio do Deep Purple e o último de inéditas com o fundador Jon Lord na formação

O álbum “Abandon”, o 16º trabalho de estúdio do Deep Purple, completou 20 anos de seu lançamento no último dia 2 de junho. Gravado no Greg Rike Studios, em Altamonte Springs, na Flórida, a produção do disco foi creditada à banda e a Roger Glover, e saiu pela CMC Internacional/BMG, nos Estados Unidos; pela EMI Switzerland, na Europa; e pela Thames, no Japão. O play marca o último lançamento de inéditas do grupo com a presença de seu fundador: o tecladista Jon Lord, que deixou a banda de forma amigável em 2002.

Com a chegada de Steve Morse no lugar de Ritchie Blackmore, revitalizou a criatividade da banda e, com ele, foi lançado um novo álbum, “Purpendicular”, apresentando uma variedade de estilos musicais, mas sem ter feito sucesso nas paradas da Billboard 200 nos Estados Unidos. Com a nova formação, Gillan/Glover/Lord/Paice/Morse, o grupo saiu em excursão com um setlist renovado e uma turnê bem sucedida, que resultou no bom registro ao vivo, “Live At The Olympia ‘96” (1997), e mais um disco de estúdio a caminho, no caso, “Abandon”, cujo título veio de um trocadilho feito por Ian Gillan com o termo “A Band On”, que também originou o título da turnê como “A Band On Tour” que, assim como a anterior, foi bem sucedida e ocupou o biênio de 1998 e 1999 e levou o Purple para a Austrália pela primeira vez em 15 anos. Em 1999, foi lançado o CD e DVD “Total Abandon: Australia ‘99”, gravado em Melbourne em 20 de abril do mesmo ano.

Depois da turnê de promoção de “Abandon”, o Deep Purple seguiu em outra para celebrar as três décadas do lançamento do “Concerto For Group And Orchestra”, com o quinteto tocando juntamente com uma orquestra e executando os três temas do álbum de 1969, além de clássicos de sua carreira. Inclusive, em algumas dessas apresentações o saudoso Ronnie James Dio se juntava a eles para cantar temas como “Sitting In A Dream” e “Love Is All”, ambas do álbum “The Butterfly Ball And The Grashopper’s Feast” (1974), de Roger Glover, e também em dueto com Gillan em “Smoke On The Water” (quem não se esquece daquela apresentação única feita em São Paulo?). Depois disso, o igualmente saudoso Jon Lord anunciou sua saída do Deep Purple sob a alegação de que sua saúde não estava conseguindo acompanhar a banda nas constantes viagens e compromissos, ficando apenas em uma modesta carreira solo e participações especiais em projetos de amigos uma vez ou outra, como o WhoCares (duo feito entre Ian Gillan e Tony Iommi).

Embora não seja um álbum tão bom quanto seu antecessor, “Abandon” não pode ser considerado um “clássico”, as músicas não são ruins de se ouvir, mas não chegam a ser marcantes. Os músicos mostraram a mesma competência de sempre, os temas trazem refrãos e solos interessantes, que transitam o Deep Purple do Hard Rock com um descontraído Blues Rock, mas longe de ser comparado com os históricos registros de outrora.

Algumas faixas merecem destaques. O tema de abertura, “Any Fule Kno That”, que traz um andamento quebrado. Enquanto “Watching The Sky” se destaca pelas diversas variações ao longo de seus quase 5’30” de duração. A linda balada “Don’t Make Me Happy” foi mixada acidentalmente em mono. Na época, cogitou-se até em regravá-la em stéreo, mas que resultaria em um atraso de dois meses no lançamento do álbum. Além disso, Roger Glover cogitou em relançar o disco com a “versão estéreo”, porém, achou que estaria sendo injusto com os fãs que haviam adquirido as primeiras cópias e que, possivelmente, iriam comprar o disco novamente. Assim, o baixista/produtor cogita lançar a faixa em stéreo, como deveria ter sido lançada, no futuro, talvez nas bodas de prata de “Abandon”, ou seja, em 2023.

Outras músicas também podem ser melhores apreciadas, como as partes acústicas de “Fingers To The Bone”, que realça diante as demais. A sacana “69”, que Ian Gillan costumava anunciá-la nos shows algo como: “A próxima música fala sobre uma posição sexual bem interessante”. E, não sei porquê, o grupo regravou “Bloodsucker”, do clássico “In Rock” (1970), e que, em “Abandon”, foi rebatizada como “Bludsucker”.

Apesar de “Abandon” ser um disco ‘mediano’ (em se tratando de Deep Purple, pois, se comparado a algumas bandas, é superior), mostra que o grupo está em forma. Seja com a poderosa bateria de Ian Paice, pela nitidez do Hammond de Jon Lord, pela solidez do baixo de Roger Glover ou os impressionantes solos e riffs de Steve Morse. O único porém é que voz de Ian Gillan, que nunca mais foi a mesma desde quando a MKII se reuniu em 1984, mas, mesmo assim, o eterno Silver Voice é um show a parte.

Em suma, se você for escutar “Abandon” com a intenção de comparar com os clássicos, vai perder seu tempo, pois fica aquém do legado dessa histórica banda, mas se quiser ouvir sem nenhum compromisso, vale a pena, pois, ele ainda conseguiu manter a chama da banda acesa. De zero a dez, ele vale um 6,5. Ah, só para finalizar, ainda acho esse disco do Purple melhor que “Slaves And Masters”, único registro dos britânicos com Joe Lynn Turner nos vocais.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Álbum: Abandon
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 2 de junho de 1998
Gravadoras: EMI Switzerland (Europa) / CMC International/BMG (Estados Unidos) / Thames (Japão)
Produtores: Deep Purple e Roger Glover

Ian Gillan: voz
Jon Lord: teclados e órgão
Ian Paice: bateria
Roger Glover: baixo
Steve Morse: guitarra

1. Any Fule Kno That (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
2. Almost Human (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
3. Don’t Make Me Happy (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
4. Seventh Heaven (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
5. Watching The Sky (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
6. Fingers To The Bone (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
7. Jack Ruby (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. She Was (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
9. Whatsername (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
10. 69 (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
11. Evil Louie (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
12. Bludsucker (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

Por Jorge Almeida

David Coverdale: 40 anos de “Northwinds”

O segundo disco solo de David Coverdale completa 40 anos em 2018

No último 1º de março, o segundo álbum da carreira solo de David Coverdale completou 40 anos de seu lançamento. O disco “Northwinds” foi gravado entre março e abril de 1977 no AIR Studios, em Londres. A produção é assinada por outro, na época, ex-Deep Purple: Roger Glover.

Originalmente intitulado “North Winds”, o play se inclinou mais para o rock baseado no Blues e deixou nítido dois pontos essenciais no desenvolvimento do cantor: sua capacidade de compositor e de vocalista.

O disco original saiu com oito faixas, com a adição de mais dois temas em relançamentos recentes. Além disso, quatro músicas – “Keep Me Love”, “Queen Of The Hearts”, “Only My Soul” e “Breakdown” – foram relançadas no EP do Whitesnake – “Snakebite” -, que vinha com mais quatro canções. Sem contar que uma série de outras faixas, escritas por Coverdale, foram compostas no período, mas que ainda não foram lançados, tais como “It Would Be Nice”, “Love’s A Crazy Game” e “Till The Sun Doesn’t Shine Anymore”.

Após o término do Deep Purple, em 1976, David Coverdale tratou de embarcar na sua carreira solo. Primeiro, lançou em fevereiro de 1977, o seu ‘debut’ intitulado “White Snake”, com músicas escritas pelo vocalista em parceria com o guitarrista Micky Moody, e que, apesar não obter o sucesso esperado, o título do trabalho inspirou na criação do nome de sua futura banda (preciso mesmo dizer qual é?). No entanto, em 1978, quando soltou “Northwinds”, que foi melhor recebido que o trabalho anterior, David Coverdale já havia formado o Whitesnake.

O disco abre com a boa “Keep On Giving Me Love”, com uma pegada ‘funkeada’ e que soa um pouco desarticulada com as demais faixas. Em seguida, vem a faixa-título, uma ótima balada, sendo uma das melhores criadas por David. Já em “Give Me Kindness” lembra vagamente as canções impregnadas de sopro do trabalho anterior. Aliás, curiosamente, a faixa traz participações mais do que especiais de Ronnie James Dio e sua esposa Wendy Dio nos backing vocais. O play chega à metade com a tristonha “Time And Again”, que vem apenas com a voz de David Coverdale acompanhada de teclado e cordas leves.

A outra metade do play apresenta a ótima “Queen Of Hearts”, conduzida maravilhosamente bem por um piano com algumas intervenções da guitarra de Moody. Posteriormente, a balada “Only My Soul” traz o seu refrão cantado a capella pelo vocalista ou com um violão a tiracolo e mostra também um trabalho excelente do restante do “time” de Coverdale: Alan Spenner (baixo) e Tony Newman (bateria). E o disco ainda traz mais uma (?!) balada: “Say You Love Me”, que chama atenção pelo solo de sax de Ron Aspery e um excelente solo de Micky Moody. E, para finalizar a obra, “Breakdown”, um hard rock mais associado ao que David Coverdale viria a produzir com o Whitesnake na sequência de sua (agora) longeva carreira.
Em 2000, o álbum foi relançado com duas faixas bônus: “Shame The Devil” e “Sweet Mistreater“.

Como já deve ser de conhecimento de quem acompanha a carreira de David Coverdale, antes mesmo de “Northwinds” sair, ele partiu com a sua nova empreitada, o Whitesnake, que foi o seu projeto mais bem sucedido após a dissolução do Deep Purple e, dentre aqueles que fizeram parte do DP até o primeiro encerramento da banda. Pena que, infelizmente, ele tem preterido as músicas de “Northwinds” das apresentações do Whitesnake há mais de 30 anos, o que é uma pena. Afinal, de toda a discografia dele, esse é um dos dez melhores álbuns gravados com os vocais de Mr. David Coverdale.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Northwinds
Intérprete: David Coverdale
Lançamento: 1º de março de 1978
Gravadora: Purple Records (Reino Unido) / Polydor (Japão)
Produtor: Roger Glover

David Coverdale: voz, piano em “Northwinds”, “Give Me Kindness” e “Time And Again
Micky Moody: guitarra e backing vocal
Tim Hinkley: teclados e backing vocal
Alan Spenner: baixo
Tony Newman: bateria e percussão
Roger Glover: sintetizador, clavinete e cowbell
Lee Brilleaux: gaita em “Keep On Giving Me Love
Graham Preskett: violino
Ronne James Dio e Wendy Dio: backing vocal em “Give Me Kindness

1. Keep On Giving Me Love (Coverdale / Moody)
2. Northwinds (Coverdale)
3. Give Me Kindness (Coverdale)
4. Time And Again (Coverdale)
5. Queen Of Hearts (Coverdale / Moody)
6. Only My Soul (Coverdale)
7. Say You Love Me (Coverdale)
8. Breakdown (Coverdale / Moody)
Faixas Bônus:
9. Shame The Devil (Coverdale)
10. Shame The Devil (Coverdale)

Por Jorge Almeida

Rainbow: 35 anos de “Straight Between The Eyes”

“Straight Between The Eyes”, o sexto disco do Rainbow

No último dia 10 de junho, o álbum “Straight Between The Eyes”, do Rainbow, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Roger Glover, o sexto disco de estúdio da banda de Ritchie Blackmore foi gravado no Le Studio, em Quebec, no Canadá em dezembro de 1981.

O título do álbum veio de uma frase de Jeff Beck ao descrever Jimi Hendrix para Ritchie Blackmore. Excetuando o tecladista David Rosenthal, que substituiu Don Airey nos teclados, o line-up da banda foi a mesma que gravou “Difficult To Cure” no ano anterior.

O disco foi mais coeso do que “Dificult To Cure” e teve mais sucesso nos Estados Unidos. Porém, o grupo estava com o intuito de atrair os fãs mais antigos ao apresentar um som mais AOR, logo, uma pegada mais comercial. A extensa turnê, que se concentrou basicamente nos Estados Unidos, não incluiu o Reino Unido, o que irritou os fãs britânicos.

Para a tour, foi exibido um par gigante de olhos mecânicos em movimento como parte do cenário, com holofotes brilhantes nas pupilas. Isso foi captado no lançamento do vídeo “Live Between The Eyes”, que teve partes filmadas em San Antonio, no Texas. O material foi exibido repetidas vezes na MTV.

A arte da capa do play foi feita por Jeff Cummins em conjunto com a Hipgnosis.

Dois clipes de faixas do álbum foram filmados para videoclipes: a balada “Stone Cold” e “Death Alley Driver”, que ambas foram lançadas como singles.

O disco abre com “Death Alley Driver“, que mostra toda a competência do quinteto. O “duelo” entre a guitarra de Blackmore e o teclado de Rosenthal faz os mais saudosistas lembrarem os gloriosos momentos de Ritchie e Jon Lord no Deep Purple. Em seguida, a excelente balada “Stone Cold“, escrita por Joe Lynn Turner para sua ex-mulher. Estourou nas rádios e, em se tratando de execução e cifras, é o maior sucesso do Rainbow. Na sequência,  “Bring On The Night“, em que Bobby Rondinelli rouba a cena tocando muito. Empolgante, a música é uma das melhores do disco (e da fase Turner). A faixa seguinte, “Tite Squeeze“, traz uma tonalidade um tanto quanto enjoativa. Se fosse lançada mais para o final do disco ou um lado B de algum single, não faria diferença. A primeira parte do play chega ao final com “Tearin’ Out Of My Heart“, em que mostra o lado mais sentimental de Ritchie Blackmore e Joe Lynn Turner. É mais um dos sucessos do álbum. Ideal para trilha sonora de filme romântico.

O lado B do LP começa com a empolgante “Power“, um hard rock tipicamente radiofônico no estilo AOR. Embora marcasse presença constante nos shows do grupo, não era uma das favoritas dos fãs. O play segue com a pop “Miss Mistreated” (por favor, não confunda com a ‘classuda’ “Mistreated“, do Deep Purple). Com uma temática que aborda as mulheres, a música merece destaque pelo arranjo de cordas feitos por Blackmore e Glover. O álbum vai chegando ao fim com “Rock Fever“, com um refrão excelente e uma tentativa de transformá-la em hit, que infelizmente não pegou, mas a música é ótima. E, para finalizar, “Eyes Of Fire“, que contém um bom arranjo e uma pegada medieval que lembra vagamente a primeira fase do Rainbow, logo, com Ronnie James Dio. O porém é que não era ele quem estava lá, mas sim Joe Lynn Turner que, embora tivesse empenhado para deixar como o Rainbow antigo, sua voz não é a mais apropriada para tal.

Apesar de muitos não apreciarem essa fase da banda fundada por Ritchie Blackmore, “Straight Between The Eyes” sintetiza perfeitamente a fase produtiva que o Rainbow vinha passando, pois colocava músicas nas paradas, tocava nas rádios e fazia shows grandiosos, vide a primeira edição do lendário Monsters Of Rock em que a banda foi o headline.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Straight Between The Eyes
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 10 de junho de 1982
Gravadora/Distribuidora: Polydor / Mercury (na América do Norte)
Produtor: Roger Glover

Ritchie Blackmore: guitarra
Roger Glover: baixo
Joe Lynn Turner: voz
Bobby Rondinelli: bateria
David Rosenthal: teclados e arranjos orquestrais

François Dompierre: maestro de orquestra
Raymond Dessaint: líder da orquestra

1. Death Alley Driver (Blackmore / Turner)
2. Stone Cold (Blackmore / Turner / Glover)
3. Bring On The Night (Dream Chaser) (Blackmore / Turner / Glover)
4. Tite Squeeze (Blackmore / Turner / Glover)
5. Tearin’ Out My Head (Blackmore / Turner / Glover)
6. Power (Blackmore / Turner / Glover)
7. Miss Mistreated (Blackmore / Turner / Rosenthal)
8. Rock Fever (Blackmore / Turner)
9. Eyes Of Fire (Blackmore / Turner / Rondinelli)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” do Rainbow

Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival "Monsters Of Rocks"
Registro ao vivo do Rainbow traz uma performance da banda na primeira edição do famoso festival Monsters Of Rock, em Castle Donington

Lançado em 22 de abril de 2016, o álbum “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” traz uma performance ao vivo do Rainbow no dia 16 de agosto de 1980 como headliner do festival Monsters Of Rock, de Castle Donington. O material foi lançado pela Eagle Rock Entertainment em um kit composto por CD e DVD.

Na ocasião, Ritchie Blackmore e companhia se apresentaram na primeira edição do famoso festival criado pelo promotor Paul Loasby que, em conjunto com Maurice Jones, queria um evento que reunisse apenas bandas de Hard Rock e Heavy Metal. O local escolhido foi o famoso autódromo de Donington Park, localizado ao lado da aldeia de Castle Donington, em Leicestershire, na Inglaterra. Assim, o Rainbow teve o privilégio de ser o headline (atração principal) do festival que cresceu gradativamente e atingiu outros países e continentes. Nessa edição inicial também participaram bandas como Judas Priest, Scorpions e Saxon.

A performance do Rainbow na ocasião foi a última do line-up que gravara o álbum “Down To Earth” (1979) com Ritchie Blackmore (guitarra), Graham Bonnet (voz), Cozy Powell (bateria) e os atuais Deep Purple Roger Glover (baixo) e Don Airey (teclados).

Além dos clássicos da banda, o show trouxe também grandes solos dos integrantes do grupo em uma noite de inspiração musical, especialmente Blackmore, Powell e Airey.

O DVD traz oito canções, enquanto o CD apresenta 12 temas, incluindo os solos. Vale reforçar que o material do DVD foi toda a filmagem do concerto que sobreviveu ao tempo, e que é a primeira vez que o áudio se encontra disponível na íntegra em um CD.

O material capta o ponto crucial de um momento raro na história de imagens da banda com a line-up da ocasião, pois o novo vocalista da época, Graham Bonnet, que substituiu Ronnie James Dio, ficou por um curto período e não fez uma nova turnê com o Rainbow. Além disso, o concerto marcou a saída do mestre Cozy Powell.

No play, o álbum é composto pelos sucessos do mais recente trabalho do grupo na época (“Down To Earth”), como “Lost In Hollywood”, “Since You Been Gone”, “All Night Long” e “Eyes Of The World”. Além disso, Bonnet fez o melhor que pode nos clássicos de seu predecessor, Ronnie James Dio, em temas como “Stargazer”, “Catch The Rainbow” e “Long Live Rock ‘N’ Roll”, e, como a formação do Rainbow tem 2/5 do Deep Purple, claro que rolou um cover da banda que consagrou Blackmore e Glover, aqui representado por “Lazy” que, obviamente, não ficou a altura da versão do Purple. O material mostra também os solos instrumentais virtuosos de Blackmore, Powell e Airey. Ainda no tracklist tem um cover que o grupo fez de “Will You Love Me Tomorrow”, do The Shirelles.

Pelo áudio, é notório perceber que o desempenho de Blackmore e companhia é estupendo. Porém Bonnet parece, às vezes, lutar para alcançar algumas notas e sem fôlego em outros. O vídeo, que tem mais de 35 anos, parte dele é escuro e escasso, uma vez que não havia todo aparato tecnológico para a ocasião mas, mesmo assim, é possível apreciar um Ritchie Blackmore quase possuído em seu solo de guitarra, as formas de como Bonnet e Glover trabalham para cativar a multidão, o bestial Cozy Powell quebrando tudo nas baquetas e o heroísmo de Don Airey, um discípulo do mestre Jon Lord.

No entanto, “Monsters Of Rock – Live At Donington 1980” não é o melhor registro ao vivo do Rainbow, pelo menos na opinião deste que vos escreve. Todavia, ele tem o seu valor por conta de ser um dos raros registros “live” com os vocais de Graham Bonnet.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Monsters Of Rock – Live At Donington 1980
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 22 de abril de 2016
Gravadora: Eagle Rock Entertainment
Produtor: Drew Thompson
Preço médio: R$ 52,90

Ritchie Blackmore: guitarra
Graham Bonnet: voz
Don Airey: teclados
Roger Glover: baixo
Cozy Powell: bateria

CD:
1. Intro/Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
2. Since You Been Gone (Ballard)
3. Stargazer (Blackmore / Dio)
4. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
5. Lost In Hollywood/Guitar Solo (Glover / Blackmore / Powell)
6. Difficult To Cure/Keyboard Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Drum Solo/Lost In Hollywood (Reprise) (Glove/Blackmore/Powell)
8. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
9. All Night Long (Glover / Blackmore)
10. Blues (Blackmore)
11. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
12. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

DVD:
1. Lazy (Glover / Lord / Gillan / Blackmore / Paice)
2. All Night Long (Glover / Blackmore)
3. Catch The Rainbow (Blackmore / Dio)
4. Eyes Of The World (Glover / Blackmore)
5. Ritchie Blackmore Guitar Solo (Blackmore)
6. Difficult To Cure/Keyborad Solo (Blackmore/Glover/Beethoven/Arr.&Adapt.: Airey)
7. Will You Love Me Tomorrow (King / Goffin)
8. Long Live Rock ‘N’ Roll (Blackmore / Dio)

Por Jorge Almeida

Show do Deep Purple no Espaço das Américas (12.11.2014)

Deep Purple em apresentação no Espaço das Américas nesta quarta-feira. Foto: Jorge Almeida
Deep Purple em apresentação no Espaço das Américas nesta quarta-feira. Foto: Jorge Almeida

Nesta noite de quarta-feira (12), o Deep Purple fez a sua segunda apresentação em São Paulo durante a turnê de “Now What?!” no Espaço das Américas. A diferença entre o concerto da terça para o da quarta é que no do dia anterior a casa ficou configurada em formato de teatro, ou seja, com cadeiras. E ao longo de cerca de 1h40, os britânicos tocaram três músicas de seu mais novo trabalho e os velhos clássicos de sempre.

Depois de terminar a apresentação da banda de abertura, que ficou a cargo do Cruz (PS: este que vos escreve não conseguiu acompanhar a performance dos caras por problemas logísticos, show na quarta-feira em São Paulo já viu né? Trânsito caótico), o público ficou cerca de 40 minutos na espera até que, às 22h08, as PA’s do local começaram a ecoar o instrumental “Mars, The Bringer Of War”, do compositor e arranjador inglês Gustav Holst. Aliás, tema é um dos movimentos da suíte “The Planets”, composta por Holst entre 1914 e 1916.

E isso bastou para os presentes irem ao delírio quando adentraram no palco do Espaço das Américas: Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria), que já começaram com “Highway Star” logo de cara. Na sequência, outros três clássicos da formação clássica (MK II): “Into The Fire”, “Hard Lovin’ Man” e “Strange Kind Of Woman”.

Em seguida, o Purple apresentou o primeiro tema do último trabalho, “Vincent Price”, que é uma excelente música, seguido da instrumental “Contact Lost”, que praticamente é a parte do solo de Steve Morse que, mais uma vez, “calou” as viúvas de Ritchie Blackmore. Posteriormente, veio “Uncommom Man”, também do disco novo, e mais um tema instrumental – “The Well-Dressed Guitar”. Todas lançadas em discos mais recentes do Deep Purple.

E os veteranos continuaram o show com mais duas dos anos 1970: “The Mule”, com o tradicional e ótimo solo de bateria de Ian Paice, e a viajante “Lazy”, do clássico “Machine Head”. E a última canção de “Now What?!” tocada na noite foi “Hell To Pay”, que tem potencial de se tornar um clássico.

Em seguida foi a vez de Don Airey se destacar com o seu Hammond ao executar o seu solo, com direito a um trecho de “Aquarela do Brasil”, para alegria do público. Depois os demais voltam ao palco e seguem o show com o hino “Perfect Strangers”, uma das mais aclamadas da noite, seguido dos clássicos “Space Truckin’” e a obrigatória “Smoke On The Water”.

O grupo sai da arena e volta para o tradicional bis, que começou com “Green Onions”, um soul instrumental do Booker T. & The M. G.’s., de 1962. Em seguida, o primeiro hit da banda, a clássica “Hush”, de Joe South, posteriormente acompanhada pelo solo de Roger Glover, tendo a bateria de Ian Paice no suporte, para, enfim, finalizarem o concerto com “Black Night”, com direito a Steve Morse executar o riff de “La Grange”, do ZZ Top.

O show terminou perto da meia-noite e, com isso, quem se deslocou até o local através do transporte público teve de acelerar os passos para não se deparar com o Metrô fechado (como foi o meu caso), mas saiu satisfeito por ter visto mais um grande concerto desses dinossauros do rock.

Bom, Ian Gillan pode até não ter mais a sua “Silver Voice”, mas ainda arrisca dar uns de seus tradicionais berros, com direito a tosse. A “cozinha” de Paice e Glover continua funcionando perfeitamente. E os substitutos de Jon Lord e Ritchie Blackmore – Don Aires e Steve Mores, respectivamente – estão perfeitamente encaixados nesse atual contexto do Deep Purple, pois se destacaram no show, em especial Morse, que consegue mudar os já excelentes solos de Blackmore, mas sem descaracterizar as músicas e impõe seu estilo de tocar, mais técnico e sem virtuosismo inútil.

Está certo que os trabalhos mais recentes do Deep Purple estão longe da qualidade das obras-primas do anos 1970, mas os “tiozinhos” continuam fazendo o que melhor sabem: tocar ao vivo e manter aquele estilo de rock clássico de sempre, sem a mesma fúria, mas com o mesmo peso dos tempos de ouro.

Quanto ao setlist, sempre vai ter opiniões divididas sobre quais músicas deveriam tocar na noite, quais deveriam ficar de fora e tal. Por exemplo, gostaria que, dos temas do novo álbum, fosse tocado “All The Time In The World”, que é uma ótima música, ou tivessem apresentado outros clássicos como “Fireball”, a belíssima “When A Blind Man Cries” ou aquela que considero a melhor música do DP na fase Steve Morse: “Sometimes I Feel Like Screaming”, mas tudo bem. A performance da banda nesta noite valeu o ingresso.

Abaixo, o setlist da apresentação do Deep Purple no Espaço das Américas.

Intro: Mars, the Bringer of War (Holst)
1. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Into the Fire (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Hard Lovin’ Man (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Strange Kind of Woman (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Vincent Price (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
6. Contact Lost (Morse)
7. Uncommon Man (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
8. The Well-Dressed Guitar (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
9. The Mule (with Drum Solo) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
10. Lazy (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
11. Hell To Pay (Gillan / Morse / Glover / Airey / Paice)
12. Keyboard Solo (Airey)
13. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
14. Space Truckin’ (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
15. Smoke on the Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
Bis:
16. Green Onions (Jones / Cropper / Steinberg / Jackson Jr.)
17. Hush (South)
18. Bass Solo (Glover)
19. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

Por Jorge Almeida

Há 30 anos era lançado “Perfect Strangers”, do Deep Purple

"Perfect Strangers": álbum que marca a volta do Deep Purple, em 1984
“Perfect Strangers”: álbum que marca a volta do Deep Purple, em 1984

Hoje, 16 de setembro, o clássico album do Deep Purple, “Perfect Strangers”, complete 30 anos de seu lançamento e foi marcado pela volta das atividades do grupo após um hiato de oito anos, sendo onze sem a sua formação mais bem sucedida e popular, a “Mark II”, composta por Ian Gillan, Roger Glover, Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Paice, que trabalharam juntos pela última vez, até então, no álbum “Who Do We Think We Are?”, em 1973.

Antes da reativação do grupo, os integrantes seguiam a vida com seus projetos: Ritchie Blackmore e Roger Glover estavam no Rainbow, Ian Gillan se aventurava com o Black Sabbath, Jon Lord era o mago dos teclados do Whitesnake de David Coverdale e Ian Paice estava na banda de apoio de Gary Moore (ele também havia passado pelo Whitesnake no final dos anos 1970 e início dos 1980).

Na verdade, a volta do Deep Purple estava programada para acontecer em 1983, mas Gillan, após uma noite de bebedeira com Tony Iommi, acertou em gravar um disco com o Black Sabbath, o lendário “Born Again”, o que quase fez Blackmore desistir da ideia da reunião. No entanto, o dinheiro falou mais alto entre empresários e músicos e, assim, o grupo voltou à ativa, o que foi de bom proveito para os envolvidos. A banda assinou um contrato com a Polygram, com a Mercury (para o mercado norte-americano) e a Polydor Records, para o Reino Unido e outros países da Europa.

Gravado durante o mês de agosto de 1984 nos estúdios Horizons, em Stowe, no Vermont, Estados Unidos, o disco traz a produção assinada por Roger Glover e a própria banda.

A reunião foi bem sucedida, pois “Perfect Strangers” chegou ao quinto lugar nas paradas do Reino Unido e atingiu o 17º lugar na Billboard 200 nos Estados Unidos, o que rendeu o disco de platina na terra do Tio Sam. Além disso, o Purple arrebatou o ouro no Grã-Bretanha, na Alemanha e na Argentina.

Assim como as vendagens do play, a turnê, financeiramente falando, foi um tremendo sucesso. A “tour” começou na Austrália, passou pela América do Norte, Europa e precisou fazer outras apresentações adicionais nos Estados Unidos, onde eles só não arrecadaram mais com shows que Bruce Springsteen.

Na volta para o Reino Unido, o Deep Purple realizou um show no tradicional Knebworth Festival, em 22 de junho de 1985, que teve também as participações de bandas como o UFO, Scorpions, Meat Loaf, Mountain, entre outros. Apesar do tempo ruim, que contou com uma chuva torrencial, cerca de 80 mil fãs compareceram à edição do festival que recebeu a alcunha de “Return Of The Knebworth Fayre”.

O álbum começa com a poderosa “Knocking At Your Back Door”, que é a faixa mais longa do play. Foi lançada como single. Uma das melhores do disco. Na sequência, temos a pesada “Under The Gun”, onde os caras demonstram que não vieram para brincadeira. O terceiro tema é “Nobody’s Home”, que também foi lançada como single e é a única do disco a trazer a assinatura dos cinco integrantes (as demais, exceto a faixa bônus “Son Of Alerik”, levam a assinatura do trio Blackmore/Gillan/Glover). Posteriormente surge “Mean Streak”, que é a mais fraca do disco.

Virando a “bolacha”, “Perfect Strangers” começa justamente com a faixa que dá o nome ao álbum. Com melodias e arranjos impecáveis, a música tornou-se um hino para os “purplenianos”. Até hoje é inimaginável um concerto do DP sem “Perfect Strangers”. E, por incrível que pareça, não tem solo de guitarra. Já “A Gypsy’s Kiss” traz leve semelhança com a fase inicial do Rainbow, o que é um elogio, que fique claro. A sétima faixa é a balada dramática “Wasted Sunsets”, que só poderia ser cantada por Ian Gillan, e nenhum outro mais. Bela canção. E, para finalizar o vinil, “Hungry Daze”, em que Jon Lord dá uma aula com seu teclado.

As versões em CD e K7 de “Perfect Strangers” trazia a faixa extra “Not Responsible”, uma das raras músicas do Purple com letras profanas, com direito a palavra “fucking” podendo ser ouvida. Além dessa, na versão remasterizada e relançada do álbum em junho de 1999, trazia a instrumental “Son Of Alerik”, com seus dez minutos de duração composta por Ritchie Blackmore, que havia sido lançada como lado B do single “Perfect Strangers”.

Depois de “Perfect Strangers”, a “MK II” lançou ainda os álbuns “The House Of Blue Light” (1987) e o ao vivo “Nobody’s Perfect”, em 1988, antes da saída de Ian Gillan, que ocorreu em seguida (ele retornou em 1992 para desespero de Blackmore). Afinal, apesar da satisfação dos fãs pela volta do grupo, as rusgas entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore também voltaram, o que complicou a duração da formação mais clássica de um dos pilares do Heavy Metal.

Para muitos, esse foi o último grande trabalho do Deep Purple, embora este que vos escreve discorde, mas não podemos negar que trata-se de um clássico.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist da versão do CD relançado em 1999.

Álbum: Perfect Strangers
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 16 de setembro de 1984
Gravadora: Polydor (Reino Unido) / Mercury (EUA) / Polygram (internacional)
Produtores: Roger Glover e Deep Purple

Ritchie Blackmore: guitarra
Ian Gillan: voz
Roger Glover: baixo
Jon Lord: teclados
Ian Paice: bateria

1. Knocking At Your Back Door (Blackmore / Gillan / Glover)
2. Under The Gun (Blackmore / Gillan / Glover)
3. Nobody’s Home (Blackmore / Glover / Gillan / Lord / Paice)
4. Mean Streak (Blackmore / Gillan / Glover)
5. Perfect Strangers (Blackmore / Gillan / Glover)
6. A Gypsy’s Kiss (Blackmore / Gillan / Glover)
7. Wasted Sunsets (Blackmore / Gillan / Glover)
8. Hungry Daze (Blackmore / Gillan / Glover)
9. Not Responsible (Blackmore / Gillan / Glover)
10. Son Of Alerik (Blackmore)

Por Jorge Almeida