Audax/Corinthians: campeão da Copa Libertadores Feminina 2017

As jogadoras do Audax/Corinthians posam para a foto oficial antes da partida derradeira da Copa Liberadores Feminina 2017

Na noite deste sábado (21), o Audax/Corinthians conquistou o título inédito da Copa Libertadores Feminina 2017 ao bater o Colo-Colo, do Chile, nos pênaltis, por 5 a 4 após empate no tempo normal em 0 a 0 no Estádio Arsenio Enrico, em Assunção, no Paraguai, e com arbitragem polêmica da venezuelana Everitz Escalona. E, assim como a equipe masculina, as corinthianas sagraram-se campeãs da competição sulamericana de forma invicta.

O jogo começou com as brasileiras tendo a iniciativa e buscando o ataque, enquanto as chilenas ficavam com a posse de bola, mas sem conseguir entrar na defesa adversária. A primeira oportunidade foi do Audax/Corinthians. Aos 7, Yasmin levantou na área, Raquel desviou com a direita para fora.

As corinthianas permaneceram nos primeiros minutos da partida buscando o jogo pelo lado direito do campo, enquanto isso, a esquerda não apareceu muito no setor ofensivo. Já as caciques chilenas não passaram da intermediária das rivais. Soberania brasileira no momento.

A primeira chance efetiva do Colo-Colo na partida aconteceu aos 18. Karen chutou forte por cima tentando surpreender Lelé, que deu um leve desvio com a ponta dos dedos e a bola explodiu no travessão e a goleira pegou a bola em seguida. Depois do susto, o Corinthians foi para cima e, aos 26, o primeiro lance polêmico do jogo. Kerolin tentou driblar Saez que, no momento em que protegia a bola da adversária, se embananou toda e, desequilibrada, tocou as duas mãos na esférica dentro da área. Porém, a árbitra marcou falta da corinthiana.

O time brasileiro seguiu em busca do gol. Aos 30, Kerolin fez grande jogada pela direita, cruzou para Raquel, que furou bisonhamente, e, na sobra, Monique mandou para fora. Na sequência, aos 32, duas chances incríveis desperdiçadas pelas brasileiras. Primeiro, Yasmin chutou cruzado, a bola foi desviada e saiu rente à trave, escanteio. Na cobrança do córner, Grazi ficou com o rebote da defesa e  errou o alvo ao mandar por cima.

O Colo-Colo respondeu aos 35 com Karen novamente. A atacante tentou novamente de longe, mas a bola passou à direita da meta brasileira. Em seguida, aos 37, Raquel fez uma jogadaça: partiu para cima, deu um drible da vaca em Rocio Soto e saiu na cara da goleira, mas chutou em cima de Armijo. Dois minutos depois, a equipe brasileira chegou novamente. Kerolin levou a melhor diante de Geraldine, chutou e acertou o travessão das chilenas. Foi a última finalização a gol na etapa inicial, que terminou aos 46 minutos.

Na etapa completar, o mesmo panorama do primeiro tempo: domínio das comandadas de Arthur Elias. Aos 5, após uma tentativa de ataque do Colo-colo, veio um contragolpe corinthiano. Grazi recebeu o passe e, quando ficou cara a cara com Armijo, mandou em cima da goleira. Que chance incrível que o time brasileiro desperdiçou.

O Audax/Corinthians continou se movimentando bem, mas pecara nas finalizações. E, aos 14, mais uma vez, a árbitra venezuelana prejudicou a equipe paulista. Raquel tentou dar uma curva na bola, que parou na mão de Rocio Soto, mas a apitadora mandou seguir. Detalhe: a atleta chilena estava com o braço direito bem aberto. Pênalti claríssimo não marcado para o clube brasileiro.

O Corinthians perdeu mais uma oportunidade aos 18. Karolin soltou a bomba e a arqueira espalmou e evitou que o placar fosse mexido no jogo.  Enquanto isso, o time cacique pouco ameaçou as corinthianas. Tanto que o Colo-Colo só levou perigo aos 34. De forma meio despretensiosa, Claudia Soto chutou a bola que caiu de repente e trouxe perigo ao gol de Lelê.

A decisão entrou em seus minutos finais e, a cada minuto, a sensação de que a Liberta feminina será decidida nos pênaltis estava mais eminente. E a desastrosa arbitragem de Everitz Escalona, mais uma vez, prejudicou o Corinthians. Aos 39, após a tentativa de cavar um pênalti, Raquel foi provocada pelas chilenas, que reclamaram bastante da brasileira. Na hora de se levantar, a camisa 11 se estranhou com Camila Saez, e a mulher do apito achou que a corinthiana tocou a chilena e sacou o cartão vermelho direto. Em seguida, Monique entrou forte na adversária e recebeu o cartão amarelo.

E, mesmo com uma a menos, o Audax/Corinthians ainda teve uma boa chance aos 44 com Cacau, que ficou com a sobra e chutou com perigo à esquerda da trave de Armijo. Já nos acréscimos, Arthur Elias resolveu colocar Byanca Brasil no lugar de Monique. Mas a craque praticamente nem tocou na bola, pois a partida foi encerrada aos 48 minutos. O título foi decidido nas penalidades.

A série de cinco cobranças, Cacau foi a primeira a cobrar e mandou para fora. Em seguida, Villamayor mandou no alto e pôs o Colo-Colo em vantagem. Depois, Daiane empatou a série, mas Karen Araya desempatou, enquanto Kerolin acertou o seu tiro penal, mas Quezada fez o terceiro das chilenas, Ingrid deixou tudo igual, mas a capitã Claudia Soto chutou fraco, no canto esquerdo baixo de Lelê, que segurou a bola. Já Byanca Brasil, que só entrou para bater o pênalti, acertou o ângulo, e Carla Guerrero bateu bem e empatou a série em 4 a 4. Nas alternadas, Yasmim parou em Armijo. No entanto, Camila Saez desperdiçou a chance de dar o título para o Colo-Colo graças a Lelê, que voou no canto direito e pegou mais um penal. Já Ana Vitória bateu no alto, Armijo não conseguiu pegar e pôs o Corinthians em vantagem. Até que Rocio Soto mandou para fora. Audax/Corinthians, campeão da Copa Libertadores Feminina 2017.

O Audax/Corinthians foi melhor que o Colo-Colo ao longo dos 90 minutos. A equipe brasileira criou pelo menos seis chances excelentes de abrir vantagem, enquanto isso o time chileno teve apenas uma. Além disso, o clube paulista foi claramente prejudicado pela árbitra Everitz Escalona, que deixou de marcar dois pênaltis notórios a favor do Corinthians e expulsou injustamente Raquel. Nas penalidades, as corinthianas fizeram jus ao estigma de que, para o Corinthians, tudo é mais sofrido: após empatarem 4 a 4 na série de cinco cobranças, Yasmim errou o penal na primeira cobrança alternada, ou seja, se a batedora chilena convertesse, o título teria outro destino, mas a ótima goleira Lelê defendeu o chute de Camila Saez e, na sequência, Ana Vitória pôs o Timão na frente e Rocio Soto mandou para fora. Justiça seja feita. Esse troféu não poderia ter ido para outro lugar senão o Brasil. As meninas do Audax/Corinthians foi Corinthians: literalmente, se não é sofrido não é Corinthians.

Com a conquista do Audax/Corinthians, o Brasil segue soberano na Libertadores feminina com seis títulos em nove edições disputadas. Além do Timão, o São José, de São José dos Campos, que é o maior campeão do torneio, com três títulos (2011, 2013 e 2014), Santos, com duas conquistas (2009 e 2010) e Ferroviária, em 2015, são as outras agremiações tupiniquins ganhadoras da competição, sendo que apenas Corinthians e Santos são os únicos clubes do país a erguerem o troféu da Libertadores tanto no masculino quanto no feminino.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da final.

Primeira Fase (Grupo C):
Data – Jogo – Local:
12/10/2017 – Sportivo Limpeño (PAR) 0x2 Audax/Corinthians (BRA) – La Arboleda, Assunção
14/10/2017 – Audax/Corinthians (BRA) 6×1 Deportivo ITA (BOL) – La Arboleda, Assunção
17/10/2017 – Audax/Corinthians (BRA) 2×1 Santa Fé (COL) – La Arboleda, Assunção
Semifinal:
19/10/2017 – Audax/Corinthians (BRA) 3×0 Cerro Porteño (PAR) – Lupis Affonso Giagni, Villa Elisa
Final:
21/10/2017 – Colo-Colo (CHI) (4)0x0(5) Audax/Corinthians (BRA) – Arsenio Erico, Assunção

FICHA TÉCNICA: COLO-COLO (CHI) (4)0x0(5) AUDAX/CORINTHIANS (BRA)
Competição/Fase: Copa Libertadores da América de Futebol Feminino 2017 – final (jogo único)
Local: Estádio Arsenio Erico, Assunção (Paraguai)
Data: 21 de outubro de 2017, sábado – 21h15 (horário de Brasília)
Árbitra: Everitz Escalona (VEN)
Assistentes: Yoleda Lara e Migdalia Rodríguez, ambas da Venezuela
Cartões Amarelos: Monique e Raquel (Audax/Corinthians)
Cartão Vermelho: Raquel (Audax/Corinthians)
Pênaltis convertidos: Villamayor, Araya, Quezada e Carla Guerrero (Colo-Colo); Daiane, Kerolin, Ingrid Frisanco, Byanca Brasil e Ana Araújo (Audax/Corinthians)
Pênaltis desperdiçados: Claudia Soto, Saez e Rocio Soto (Colo-Colo); Carina e Yasmin (Audax/Corinthians)
COLO-COLO (CHI): 12.Armijo; 2.Rocio Soto, 3.Guerrero, 6.Claudia Soto e 7.Muñoz; 14.Gutierrez (9.Quezada), 17.Layton, 10.Villamayor e 18.Saez; 19.Huenteo e 8.Araya. Técnico: Carlos Veliz
AUDAX/CORINTHIANS (BRA): 12.Lelê; 19.Paulinha, 3.Carol Frisanco, 4.Mimi e 6.Yasmin; 17.Patrícia 8.Ana Vitória, 20.Daiane, 5.Monique Peçanha (9.Byanca Brasil) e 18.Kerolin; 7.Grazi (13.Cacau) e 11.Raquel. Técnico: Arthur Elias

Parabéns ao Audax/Corinthians pelo título.

Por Jorge Almeida

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CSA: campeão brasileiro da Série C 2017

Jogadores do CSA comemoram o título brasileiro da Série C no Rei Pelé. Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas

O Centro Sportivo Alagoano (CSA) sagrou-se campeão brasileiro da Série C 2017 ao empatar em 0 a 0 com o Fortaleza no Estádio Rei Pelé, em Maceió (AL), na noite deste sábado (21). Como havia vencido o primeiro jogo da decisão por 2 a 1, em Fortaleza, o time azulino precisou apenas da igualdade no placar para assegurar a taça. Esse foi o primeiro título de relevância nacional do clube alagoano, depois de acumular quatro vices campeonatos nacionais (três da Série B – 1980, 1982 e 1983 – e um da Série D, em 2016) e um da extinta Copa Conmebol (1999). Certamente, essa é a conquista mais importante do Azulão em 104 anos de existência.

O jogo começou com o Fortaleza indo para cima e o CSA se fechando e visando o contra-ataque. E, inclusive, foi o time da casa quem criou a primeira chance. Aos 8, Daniel Costa bateu falta, Michel desviou, Marcelo Boeck defendeu parcialmente e, na sobra, Jorge Felipe furou e desperdiçou a chance. Três minutos mais tarde, foi a vez de Marcos Antônia arriscar de fora da área e assustar o arqueiro tricolor.

O Fortaleza deu o troco aos 14 com Leandro Cearense, que recebeu na área para chutar rasteiro e Mota executar excelente defesa. Pouco tempo depois, o Tricolor do Pici chegou novamente com Ronny, que soltou a bomba de fora da área para o goleiro do CSA fazer mais uma grande defesa.

A partida seguiu disputada, com o CSA cometendo bastante faltas, principalmente perto da área, e brigando para buscar os contragolpes. Até que, aos 36, Edinho atacou em velocidade e caiu na área do Fortaleza, mas a arbitragem ignorou o lance. Porém, o jogador sentiu o joelho e precisou ser substituído. Em seu lugar, entrou Didira. E, antes do término da primeira etapa, o Azulão do Mangue chegou com perigo aos 44 minutos. Daniel Costa ajeitou para Raul Diogo que, de primeira, mandou a bola pra fora.

Na volta do intervalo, o time cearense voltou com tudo e, no primeiro minuto, assustou o torcedor marujo no Rei Pelé. Ronny levou a melhor diante de Leandro Souza e cruzou, mas a redonda cruzou toda a área do CSA e ninguém conseguiu “colocar no barbante”. Depois do susto, os anfitriões chegaram perto aos 5. Dawhan chutou de fora da área, Didira desviou e a esférica passou perto do gol. Quase o placar foi inaugurado.

Após esse lance, a partida seguiu com o Fortaleza tentando marcar o gol, porém, ficando na marcação do time alagoano, sem contar o fato que não consegue aproveitar das oportunidades que foram criada. O ataque tricolor não se encontrou no jogo. Aos 26, Ronny bateu escanteio e o zagueiro Adalberto, de cabeça, esteve perto de tirar o zero do placar. O CSA deu o troco aos 30. Marcos Antônio cobrou o córner, Jorge Fellipe cabeceou, o goleiro Marcelo Boeck desviou, a bola bateu na trave e, no rebote, Maxuell desperdiçou. Na sequência, foi a vez de Rafinha dar uma pancada de fora da área e o arqueiro do Leão fazer outra grande defesa.

Aos 41, foi a vez do Fortaleza chegar com Vinícius Pacheco, que arriscou de fora da área, mas Mota ficou com a redonda. Depois disso, o CSA ficou só administrando o jogo à espera do final da partida, enquanto isso seu torcedor já soltava o grito de campeão nas arquibancas do Rei Pelé. Até que, aos 49, o árbitro determinou o fim do jogo: CSA 0, Fortaleza 0. O Azulão do Mangue é campeão brasileiro da Série C.

Ao contrário do desempenho tímido do primeiro jogo, realizado em casa, o Fortaleza apresentou um melhor desempenho diante do CSA na casa do rival. O Leão teve mais posse e tentou o gol, mas o Mutange foi mais perigoso nas investidas que foram feitas no primeiro tempo. A grosso modo, a etapa inicial teve duas chances de gol para cada lado. No segundo tempo, o Fortaleza foi para o ataque, pois precisava de gols para ficar com o título. Todavia, o fechado CSA levava a melhor na maioria das disputas em seu campo de defesa. O Tricolor do Pici quase vazou a meta de Mota. Porém, o Azulão, sem pressa, subia ao ataque e ainda criou duas belas oportunidades no segundo tempo, sendo que em uma delas acertou a trave. Mas o clube de Alagoas administrou bem o resultado e trouxe para o Estado o primeiro título de relevância nacional.

Para chegar à maior conquista de sua história, o CSA terminou a fase de grupos na segunda posição do grupo A, com 32 pontos, a mesma pontuação do líder Sampaio Corrêa, que ficou à frente por conta de ter obtido uma vitória a mais. Nas quartas-de-final, o time Mutange deixou para trás o Tombense e eliminou nas semifinais o São Bento. No primeiro jogo da final, na Arena Castelão, na capital cearense, venceu o Fortaleza por 2 a 1, com gols de Michel e Pablo (contra) e Cristiano, também contra, diminuiu para o Leão. E, na partida derradeira, segurou um empate sem gols para erguer o caneco.

Depois de ter passado por situações delicadas, especialmente na segunda metade da primeira década dos anos 2000, com direito a dois rebaixamentos no Campeonato Alagoano, e o único grande feito no período foi eliminar o Santos da Copa do Brasil em 2009, o torcedor azulino sofreu nos últimos anos, especialmente ao ver o arquirrival CRB e as equipes do interior conquistando o Estadual (o último do CSA foi a edição de 2008). Em 2016, depois de ter feito grande campanha no Campeonato Alagoano, o Mutange frustrou o seu torcedor ao ver o título ir para as mãos do clube regatino. Mas a tristeza foi amenizada com o acesso para a Série C em 2017 após o vice-campeonato da Série D. E, finalmente, o CSA, que começou a atual temporada eliminado precomente da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, perdeu mais uma vez o estadual, mas foi recompensado com o triunfo da Série C. E, mesmo passando por todo esse perrengue nos últimos anos, o Azulão do Mangue segue ainda como o maior campeão alagoano (37 títulos contra 30 do CRB) e, para colocar a cereja do bolo, agora, é o único clube alagoano com título nacional em seu currículo.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da final.

Primeira Fase (Grupo A):
Data – Jogo – Local:
14/05/2017 – CSA (AL) 3×0 ASA (AL) – Rei Pelé, Maceió (AL)
20/05/2017 – Sampaio Corrêa (MA) 0x2 CSA (AL) – Castelão, São Luís (MA)
28/05/2017 – Botafogo (PB) 2×0 CSA (AL) – Almeidão, João Pessoa (PB)
04/06/2017 – CSA (AL) 2×1 Moto Club (MA) – Rei Pelé, Maceió (AL)
10/06/2017 – Remo (PA) 1×1 CSA (AL) – Mangueirão, Belém (PA)
16/06/2017 – CSA (AL) 1×1 Confiança (SE) – Rei Pelé, Maceió (AL)
25/06/2017 – CSA (AL) 1×0 Fortaleza (CE) – Rei Pelé, Maceió (AL)
02/07/2017 – Salgueiro (PE) 0x1 CSA (AL) – Cornélio de Barros, Salgueiro (PE)
09/07/2017 – CSA (AL) 0x0 Cuiabá (MT) – Rei Pelé, Maceió (AL)
15/07/2017 – ASA (AL) 0x0 CSA (AL) – Fumeirão, Arapiraca (AL)
23/07/2017 – CSA (AL) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Rei Pelé, Maceió (AL)
30/07/2017 – CSA (AL) 2×1 Botafogo (PB) – Rei Pelé, Maceió (AL)
05/08/2017 – Moto Club (MA) 1×1 CSA (AL) – Castelão, São Luís (MA)
12/08/2017 – CSA (AL) 2×0 Remo (PA) – Rei Pelé, Maceió (AL)
19/08/2017 – Confiança (SE) 2×0 CSA (AL) – Batistão, Aracaju (SE)
27/08/2017 – Fortaleza (CE) 1×1 CSA (AL) – Arena Castelão, Fortaleza (CE)
04/09/2017 – CSA (AL) 2×0 Salgueiro (PE) – Rei Pelé, Maceió (AL)
09/09/2017 – Cuiabá (MT) 1×1 CSA (AL) – Arena Pantanal, Cuiabá (MT)
Quartas-de-final:
18/09/2017 – Tombense (MG) 0x2 CSA (AL) – Antônio Guimarães de Almeida, Tombos (MG)
25/09/2017 – CSA (AL) 1×0 Tombense (MG) – Rei Pelé, Maceió (AL)
Semifinais:
1º/10/2017 – São Bento (SP) 0x1 CSA (AL) – Walter Ribeiro, Sorocaba (SP)
07/10/2017 – CSA (AL) (4)0x1(2) São Bento (SP) – Rei Pelé, Maceió (AL)
Final:
14/10/2017 – Fortaleza (CE) 1×2 CSA (AL) – Arena Castelão, Fortaleza (CE)
21/10/2017 – CSA (AL) 0x0 Fortaleza (CE) – Rei Pelé, Maceió (AL)

FICHA TÉCNICA: CSA (AL) 0x0 FORTALEZA (CE)
Competição/fase: Campeonato Brasileiro Série C 2017 – final (2º jogo)
Local: Estádio Rei Pelé, Maceió (AL)
Data: 21 de outubro de 2017, sábado – 19h (horário de Brasília)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Miguel Caetano Ribeiro da Costa (SP)
Cartões Amarelos: Leandro, Jorge Fellipe e Dawhan (CSA); Leandro Lima, Luís e Bruno (Fortaleza)
CSA (AL): 31.Mota; 2.Celsinho, 3.Leandro Souza, 4.Jorge Fellipe e 6.Raul Diogo (16.Rafinha); 5.Dawhan, 7.Edinho (19.Didira), 8.Boquita e 10.Daniel Costa; 11.Marcos Antônio e 9.Michel Douglas (23.Maxuell). Técnico: Flávio José Araujo
FORTALEZA (CE): 12.Matheus Inácio; 2.Felipe (21.Gabriel Pereira), 3.Edimar, 14.Adalberto e 6.Bruno Melo; 5.Uchoa, 22.Pablo, 8.Ronny (25.Vinícius Pacheco), 20.Leandro Lima e 11.Hiago (17.Vinícius Baiano); 19.Leandro Cearense. Técnico: Antônio Carlos Zago

Parabéns ao Centro Sportivo Alagoano pelo título.

Por Jorge Almeida

Diadorim, do romance de João Guimarães Rosa, inspira Memórias do Rio, do Rei e do Dia

A atriz Carla Lopes em ação na peça “Memórias do Rio, Do Rei e do Dia / Foto: Taetê Benedicto

A atriz Carla Lopes refez a pé, por mais de 170km, trechos no norte de Minas Gerais que o bando do Jagunço Riobaldo percorreu no livro Grande Sertão: Veredas. Em cena, histórias reais da expedição feita pela artista em 2016.

Com três versões cênicas de narrativas diferentes, o público escolhe no início da apresentação qual versão vai assistir

O espetáculo Memórias do Rio, do Rei e do Dia estreia dia 27 de outubro de 2017, às 21h no Teatro Municipal da Mooca Arthur Azevedo – Sala Experimental (Av. Paes de Barros, 955, Mooca, SP) inspirado no personagem Diadorim do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. A encenação é assinada por Diego José Villar e tem atuação da atriz Carla Lopes, ambos do núcleo artístico UNA Teatro.

A peça Memórias do Rio, do Rei e do Dia aborda um tema profundo e invade uma das mais importantes obras de Guimarães Rosa, além de contar histórias reais da expedição vivida pela dramaturga e atriz Carla Lopes em 2016 – que seguiu pelo norte de Minas Gerais a pé por mais de 170km, refazendo trechos do bando do Jagunço Riobaldo – no Caminho do Sertão.

A encenação é dividida em três caminhos narrativos diferentes e independentes (do Rio, do Rei e do Dia), e a escolha de qual será narrado é definida somente no início de cada apresentação. Dessa maneira o público poderá conhecer outros caminhos e encontrar novas histórias cada vez que entrar neste Sertão construído pela narradora.

Diadorim é o jagunço Reinaldo, e com Riobaldo Tatarana integra o bando de Joca Ramiro no sertão de Minas Gerais. Ela esconde sua identidade real – Maria Deodorina – travestindo-se de homem, e seu segredo só é descoberto por Riobaldo com sua morte no fim.

Sinopse

Espetáculo livremente inspirado em Diadorim, de Grande Sertão: Veredas, que narra as histórias de sua primeira caminhada pelo Sertão ao mesmo tempo em que relembra e percorre momentos importantes de sua jornada, passando pela infância até chegar à jagunçagem e encontrar o amor e a morte como guias da travessia. A peça é dividida em três caminhos narrativos diferentes e independentes: do Rio, do Rei e do Dia, a escolha de qual será narrado é definida somente no início de cada apresentação. Desta maneira o público poderá conhecer outros caminhos e encontrar novas histórias cada vez que entrar neste Sertão construído pela narradora.

Una Teatro

Desde 2009, o núcleo artístico UNA Teatro – formado pela atriz Carla Lopes e o encenador Diego José Villar – desenvolve um teatro de pesquisa que recolhe, investiga e recria histórias para transformá-las através de um fazer artístico contemporâneo, crítico, propositivo e provocador. Os processos criativos são imersivos e intensos, com base em treinamentos do teatro psicofísico.

Em seu repertório estão os espetáculos autorais Nós (narrando histórias de trajetórias femininas das mães, putas e virgens na sociedade), SagaS (inspirado no cinema mudo e nos contos A hora e a vez de Augusto Matraga e Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa) e Memórias do Rio, do Rei e do Dia, além do espetáculo Henrique V, de Shakespeare (em um formato contemporâneo de Teatro de imersão).

Já foram contemplados com o Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo – PROAC – de Primeira Montagem de artes cênicas; Programa VAI da Prefeitura do Município de São Paulo; Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, no Espirito Santo, com indicação ao prêmio de melhor atriz e PROART da Secretaria Municipal de Educação para realização de circulação nos CEUs.

Minibios

Carla Lopes é atriz, pós-graduada em Corpo: teatro, dança e performance pela Escola Superior de Artes Célia Helena. Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de Santo Amaro de São Paulo com formação técnica em Artes Dramáticas pelo SENAC-SP.  Participou de grupos de teatro amador na periferia de São Paulo e foi aluna de Augusto Boal no curso de formação de Curingas para Teatro Fórum.  No UNA Teatro desde 2009, produziu e integrou o elenco dos espetáculos Nós, SagaS e Henrique V. Em 2016 sua pesquisa de pós graduação Corpo Fechado – Caminhos do Signo para a Cena serviu de base para a montagem de seu espetáculo solo Memórias do Rio, do Rei e do Dia, livremente inspirado em Diadorim do romance Grande Sertão: Veredas e na expedição O Caminho do Sertão, que percorreu à pé cerca de 170km pelo cerrado e chapadas do Norte de Minas Gerais, colhendo historias e depoimentos.

Diego José Villar é diretor, Bacharel em Artes Cênicas, com habilitação em Direção Teatral na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e professor de interpretação dramática, montagem teatral e história do teatro dos cursos técnicos de artes dramáticas do SENAC São Paulo. Em 2016 participou da residência Artística Como pensar através de ações IX – com Eugênio Barba e Julia Valey do Odin Teatret, realizada em Brasília. É coordenador de cursos livres e workshops de ação arquetípica no processo de criação, direção teatral, dramaturgia shakespeariana e interpretação para crianças e adolescentes. Dirige o UNA teatro desde 2009, onde desenvolve pesquisas de cunho prático-teórico, com os atores do elenco fixo e convidados. Nesse período produziu os espetáculos autorais Nós, SagaS e Henrique V, de William Shakespeare. É responsável pela encenação e dramaturgia do solo Memórias do Rio, do Rei e do Dia.

Ficha Técnica
Elenco, textos e dramaturgia: Carla Lopes
Encenação, dramaturgia e iluminação: Diego José Villar}
Trilha Sonora: Ricardo Luccas e Paulo Henrique Custódio “Kizumba”
Produção e Operação de luz: Aline Baba

Serviço
Memórias do Rio, do Rei e do Dia
De 27 de outubro a 26 de novembro de 2017
Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 19h
Teatro Municipal da Mooca Arthur Azevedo – Sala Experimental
Av. Paes de Barros, 995 – Mooca – São Paulo – SP
Tel: (11) 2605-8007
Duração: 60 min/ Classificação: 12 anos/ Capacidade: 50 lugares
Ingresso: R$20,00 e R$10,00 (estudantes, idosos e classe artística). A bilheteria abre 1h antes dos espetáculos e só aceita dinheiro

Informações para a imprensa
Canal Aberto
Márcia Marques |11 2914-07790 |11 9 9126 0425 | marcia@canalaberto.com.br
Daniele Valério | Cel. 11 9 8435 6614 | 9 6705 0425 | daniele@canalaberto.com.br

Por Daniele Valério | Canal Aberto

Pause Festival: Evento aberto do Trip Transformadores no Parque Villa-Lobos quer fazer as pessoas desacelerarem

A cantora Pitty é uma das atrações do Pause Festival, que será realizado na próxima semana no Parque Villa-Lobos. Créditos: divulgação

Em mais um grande acontecimento de seu calendário 2017, o movimento Trip Transformadores levará ao Parque Villa-Lobos o Pause Festival – evento aberto e gratuito, com atrações variadas e um único objetivo: desacelerar.

Marcado para o dia 28 de outubro, a partir das 14 horas, o festival começará oferecendo uma aula aberta de ioga com a professora Aline Fernandes. Logo em seguida, a fanfarra do Trip Transformadores andará pelo parque, espalhando música e convidando os frequentadores a irem ao anfiteatro participar da programação.

Um cinema ao ar livre exibirá a animação Sob o véu da vida oceânica, do diretor Quico Meirelles, que discute nossa relação com o tempo. Produzidos pela O2 Filmes em parceria com o Google Earth, os curtas-metragens do projeto Eu Sou Amazônia também serão exibidos para incentivar a reflexão sobre nossa conexão com o planeta.

O dia ainda contará com a participação do mestre budista tibetano Lama Michel Rinpoche, que conduzirá uma meditação, e receberá um convidado especial para uma conversa inspiradora. Um show com setlist do cantor e compositor jamaicano Bob Marley, cujas letras remetem à cultura de paz, encerra a tarde de sábado. O trompetista Guizado convida ao palco, para interpretarem os clássicos do cantor, Tássia Reis, Rico Dalasam, Tulipa Ruiz, Dada Yute, Jorge Du Peixe e Pitty.

Além disso, acontecerá uma doação de mantas tricotadas uma a uma por mulheres de São Paulo para as crianças do projeto IADA África, que acolhe mulheres refugiadas da África no Brasil. A iniciativa foi criada por Nádia Ferreira, do no sul de Guiné-Bissau, que já foi refugiada em seu próprio país. Nádia, junto à coordenadoria de imigrantes, conseguiu bolsas de economia solidária para as integrantes da organização e elas frequentam cursos de capacitação em São Paulo.

O propósito do movimento Trip Transformadores 2017 é refletir sobre o Brasil que queremos ser e passar uma mensagem de calma em um momento tão exaustivo, estressante e desesperançoso; e esse é o primeiro passo para qualquer transformação social.

Pause Festival – Anfiteatro do Parque Villa-Lobos
Data: 28 de outubro de 2017
Programação: Aula aberta de ioga com Aline Fernandes, cinema ao ar livre, conversa inspiradora com Lama Michel e show em homenagem ao cantor e compositor jamaicano Bob Marley. Guizado convida Tássia Reis, Rico Dalasam, Tulipa Ruiz, Dada Yute, Jorge Du Peixe e Pitty.
Local: Anfiteatro do Parque Villa-Lobos
Patrocínio máster: Grupo Boticário
Copatrocínio: GOL, Santander e Ford
Apoio: AlmapBBDO, Suzano, e Academia de Filmes
Comunicação: Uptade or Die

TRIP TRANSFORMADORES

O prêmio foi criado pela Trip com o objetivo de revelar brasileiros que trabalham para recriar a noção de desenvolvimento humano, transformando a realidade. É um movimento permanente de transformação, pensado para promover a ideia de um mundo mais inteligente, humano e equilibrado. Uma homenagem em reconhecimento às pessoas que, com seu trabalho, ideias e iniciativas de grande impacto ou originalidade, ajudam a promover o avanço do coletivo e do outro.

A primeira edição da premiação, que aconteceu em novembro de 2007, se deu pela indicação e escolha de 12 pessoas que se dedicam de maneira efetiva e concreta a cada um dos 12 tópicos propostos pela revista Trip, gerando resultados.

Desde então, todo ano os homenageados são escolhidos pela Trip entre os indicados por um conselho composto de centenas de pessoas que fazem parte do universo e da história da Trip de maneira atuante e que, além disso, se destacam em suas áreas. Desde a sua primeira edição, em 1986, a revista Trip persegue formas de relacionamento, comportamento e troca de conhecimentos que desviam do caminho que parece estar conduzindo o planeta e a humanidade para um ponto sem retorno.

Para conhecer mais sobre o Trip Transformadores, acesse: www.trip.com.br/transformadores.

Assessoria de imprensa Trip:
RP: Monalisa Oliveira – (11) 2244-8761 | monalisa@trip.com.br
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Créditos: Monalisa Oliveira

FIFA sorteia os confrontos da repescagem europeia

Repescagem europeia garantirá quatro vagas para o Mundial. Créditos: divulgação/FIFA

A FIFA realizou nesta terça-feira (17), em Zurique, na Suíça, o sorteio dos confrontos válidos pela repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2018. O evento determinou que Itália, Grécia, Suíça e Irlanda decidirão o segundo jogo em casa.

Única campeã do mundo que ainda não está assegurada na Copa, a Itália tentará a sorte em dois duelos contra a Suécia, país que já foi finalista de Mundial, em 1958. Os outros confrontos entre europeus são Irlanda do Norte x Suíça, Croácia x Grécia e Dinamarca x Irlanda.

As oito seleções da repescagem europeia foram divididas em dois potes com quatro equipes cada, antes da realização do sorteio. A separação foi feita de acordo com a posição dos selecionados no último ranking da FIFA, divulgado na última segunda-feira. Assim, no pote 1 ficaram Suíça, Itália, Dinamarca e Croácia, enquanto o restante – Suécia, Irlanda do Norte, Grécia e Irlanda – no pote 2.

As partidas que valem a classificação para a Copa do Mundo serão disputadas em duelos de ida e volta em dois períodos: entre os dias 9 e 11 de novembro e 12 e 14 do mesmo mês. De acordo com o regulamento, quem vencer e tiver melhor saldo de gols na soma dos dois confrontos, está classificado para o Mundial – o desempate é feito com base no critério de gols marcados fora de casa. Em caso de resultados iguais, haverá prorrogação e, se necessário, disputa de pênaltis.

Além da Europa, ainda haverá mais duas repescagem intercontinental: Austrália x Peru e Nova Zelândia x Honduras. E ainda faltam duas vagas diretas pelas Eliminatórias africanas – apenas Egito e Nigéria estão garantidos.

Por Jorge Almeida

The Beatles: 50 anos de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Capa do ‘cinquentão’ “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles

Sim, com um certo atraso, vamos falar sobre os 50 anos do clássico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, completados no último dia 26 de maio. Produzido por George Martin, o oitavo disco de estúdio dos Fab Four foi gravado no Abbey Road Studios e no Regent Sound Studios, ambos em Londres, entre setembro de 1966 e abril de 1967. E é considerado até hoje um divisor de águas da música pop.

Depois de passarem um bom período de férias em 1966, durante um voo de volta para Londres, em novembro daquele ano, Paul McCartney teve a ideia de criar uma canção que envolvesse uma banda militar da era Eduardiana, a qual eventualmente formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper. Assim, em fevereiro de 1967, após gravarem a canção “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o vocalista/baixista propôs aos demais integrantes que fosse lançado um LP na íntegra que concebesse um espetáculo apresentado pela banda fictícia Sgt. Pepper. Este grupo acabaria por dar-lhes liberdade para fazerem experiências musicais. Durante as gravações, os rapazes de Liverpool se esforçaram para melhorarem a qualidade da produção em relação aos trabalhos anteriores. Afinal, como já sabiam que não tocariam as canções desse novo trabalho ao vivo, optaram por uma abordagem mais experimental para as músicas, como pode ser conferida em temas como “With A Little Help From My Friends”, “Lucy In The Sky With Diamonds” e “A Day In The Life”.

Os responsáveis pelas técnicas inovadoras de gravação ficaram a cargo de Geoff Emerick (engenheiro de som) e do produtor George Martin, que incluíram a aplicação liberal da modelagem do som com processamento de sinal e o uso de orquestra com quarenta integrantes a tocarem em algumas faixas.

Assim como as músicas, a capa de “Sgt. Pepper’s Lonely…” também é icônica. Baseada em um esboço feito por Paul McCartney, a capa traz o grupo em pose em frente a uma plateia de celebridades e figuras históricas. A imagem foi criada pelos britânicos Peter Blake e Jann Haworth. A famosa colagem da capa incluiu 57 fotografias e nove trabalhos em cera que retratam uma diversidade de personalidades famosas, entre atores, esportistas, cientistas, pensadores, por exemplo, e até mesmo – a pedido de Harrison – os gurus Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar Giri e Paramahansa Yogananda da Self-Realization Fellowship. Lennon propôs a inclusão de Jesus Cristo e Adolf Hitler, mas ambas sugestões foram rejeitadas. Elvis Presley só não foi colocado na capa porque, para Paul McCartney, o Rei estava “muito acima do resto”. O custo da arte final da capa foi de cerca de £3,000 na época, considerado um valor muito acima do que os preços habituais para as capas de discos do gênero, que custavam em média £ 50.

O disco abre com a faixa-título, que começa com dez segundos de sons combinados de uma orquestra a ensaiar e de uma plateia à espera do concerto, introduzindo a ilusão do álbum como uma performance ao vivo, que também serve como uma introdução à Banda do Sargento Pimenta. McCartney atua como mestre de cerimônias no trecho próximo ao final da faixa, introduzindo Starr como um alter ego chamado Billy Shears. A canção então segue ininterruptamente para “With a Little Help from My Friends“, com o vocal barítono de Ringo Starr, enquanto John e Paul, nos backing vocal, pergutam a Starr o significado da amizade e do amor verdadeiro. Embora a faixa tenha sido banida das rádios britânicas por conta do verso “I get high with a little help from my friends“, que muitos viam isso como uma alusão às drogas. A música foi gravada por gente como Joe Cocker que, convenhamos, ficou matadora. O terceiro tema é a polêmica “Lucy In The Sky With Diamonds”, que Paul inspirou-se em um desenho feito por Julian, filho de John Lennon. A controvérsia da canção se deu ao fato de que o título tinha uma referência oculta ao LSD. No Brasil, a música ganhou uma versão em português através de Raulzito e Os Panteras, no primeiro trabalho fonográfico de Raul Seixas, de 1968. A quarta faixa do play é a otimista “Getting Better”, que é a mais psicodélica do disco. Em seguida, vem “Fixing A Hole”, que chama atenção por conta do acompanhamento da guitarra de George Harrison na faixa. A música significa o desejo de McCartney de deixar sua mente vaguear livremente e propagar sua criatividade sem o fardo de inseguranças autoconsciente. O disco segue com “She’s Leaving Home”, que aborda sobre o problema da alienação “entre pessoas discordantes”, particularmente entre grupos afetados por separações entre gerações, como a jovem que sai da casa dos pais por falta de atenção e carinho, e que deixa os progenitores perplexos pela decisão da filha porque deram “tudo o que o dinheiro pode comprar”. O lado A chega ao final com “Being For The Benefit Of Mr. Kite!”, que foi inspirada em um cartaz do circo do século 19 do Pablo Fanque Circus que Lennon havia comprado em uma loja de antiguidades em 31 de janeiro de 1967, durante as filmagens de vídeos promocionais para “Penny Lane” e “Strawberry Fields Forever” em Sevenoaks Kent. Mr. Kite é acreditado para ser William Kite, que trabalhou para Pablo Fanque 1843-1845. Apesar de ser creditada a Lennon/McCartney, John afirmara ter escrito a música sozinho enquanto Paul diz que contribuiu em algumas partes da canção. A música foi tocada ao vivo pela primeira vez em maio de 2014 durante uma apresentação de Paul McCartney no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

O lado B do disco começa com “Within You Without You“, de George Harrison, que foi inspirada em música clássica hindu e indiana. O guitarrista a escreveu depois que Martin decidira que “Only A Nothern Song” não era boa o suficiente para entrar no disco. Em seguida, o álbum traz “When I’m Sixty Four” que, originalmente, foi escrita por Paul McCartney em 1950, mas refeita pelo baixista quando seu pai completou 64 anos. Os arranjos de clarinete de Martin mais o uso das vassourinhas por Ringo estabelecem uma atmosfera de music hall, reforçada com os vocais de McCartney. O décimo tema é “Lovely Rita“, escrita e cantada por Paul, que aborda o afeto do interlocutor por uma mulher guarda de trânsito (ou seria uma moça respon´savel em cuidar do parquímetro – uma espécie de “Zona Azul” dos britânicos?). Todos, exceto Ringo, usam pente e papel para fazer sons de chocalho na música. A faixa seguinte é “Good Morning Good Morning“, que foi inspirada em um comercial de TV do produto Corn Flakes, da Kellogg’s, cujo jingle John adaptou no refrão da música. No fadeout sequenciado, a pedido de Lennon, foram inseridos uma série de sons de animais. Martin emendou o som de uma galinha a cacarejar ao final da faixa para sobrepor com uma guitarra sendo sintonizada na próxima, criando uma transição suave entre as duas músicas. A penúltima canção é “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)“, que serve como um suporte delimitador e uma transição ao ato final. A música, um característico hard rock, foi escrita após sugestão do assistente do grupo, Neil Aspinall, já que a música original, que inicia o disco, demandava uma “reaparição” da banda ficcional no momento próximo ao fim do disco. Ao contrário da faixa-título que abre o disco, a reprise não traz seção de metais e tem um andamento mais acelerado. E, para finalizar, “A Day In The Life“, que foi resultado da junção de duas músicas distintas, uma de John e a outra de Paul. Lennon tinha o início e o fim da canção, porém, McCartney possuía uma que não tinha início e nem fim e a apresentou ao grupo, que juntou com a parte já gravada por John, que gostou, assim como Paul. Na versão em vinil, os sons estranhos no final da música tornam-se uma espécie de moto-perpétuo, caracterizando assim uma música teoricamente sem fim. Os sons repetem-se em intervalos 2 segundos, e assim permanece até que retiremos o vinil do toca-discos. Com o CD, o material editado tem 5´33”, aproximadamente.

Sucesso de público e crítica, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts…” é considerado um álbum conceitual, um dos primeiros LP’s de art rock, nitidamente psicodélico e, porquê não?, um disco “multigênero”, pois incorpora várias influências musicais, como vaudeville, music hall, circense, música clássica ocidental e indiana, por exemplo. Não é à toa que considerado constantemente como um dos maiores discos de todos os tempos da história da música, além de ser um dos mais vendidos da história, com mais de 30 milhões de cópias em quase meia década após seu lançamento.

Aqui apresentamos apenas uma pequena parte da história desse grande álbum. Afinal, para falar dele com mais riqueza de detalhes e informações seria necessário um livro, pois trata-se de um dos trabalhos mais místicos do rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist deste clássico da música.

Álbum: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Intérprete: The Beatles
Lançamento: 26/05/1967 (versão britânica) / 02/06/1967 (versão norte-americana)
Gravadora: Parlophone (Reino Unido) / Capitol (EUA)
Produtor: George Martin

John Lennon: voz, backing vocal, guitarra, harmônica, palmas, pandeireta, maracas, efeitos sonoros e arranjos
Paul McCartney: voz, backing vocal, guitarra, baixo, piano, órgão, palmas, efeitos sonoros e arranjos
George Harrison: guitarra, backing vocal, cítara, harmônica, kazoo, palmas, maracas e voz em “Within You Without You
Ringo Starr: bateria, congas, pandeireta, maracas, palmas, sinos tubulares, harmônica em “Being For The Benefit Of Mr. Kitel!“, acorde final de piano em Mi em “A Day In The Life” e voz principal em “With A Little Help From My Friends
George Martin: loops e efeitos sonoros; cravo em “Fixing A Hole“, harmônica, órgão Lowrey e glockenspiel em “Being For The Benefit Of Mr. Kite!“, órgão Hammond em “With A Little Help From My Friends“, piano em “Getting Better” e solo de piano em “Lovely Rita“; acorde final de harmônica

Sounds Incorporated: sexteto de saxofones em “Good Morning Good Morning
Geoff Emerick: loops de fita e efeitos sonoros
Mal Evans: harmônica, alarme de relógio, contagem e acorde final de piano em Mi
Neil Aspinall: tambura e harmônica
Neil Sanders, Tony Randall, John Burden e James W. Buck: trompas francesas em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
Mike Leander: arranjos de seção de cordas e harpa em “She’s Leaving Home
Robert Burns, Henry MacKenzie e Frank Reidy: clarinetes em “When I’m Sixty Four

1. Sgt, Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Lennon / McCartney)
2. With A Little Help From My Friends (Lennon / McCartney)
3. Lucy In The Sky With Diamonds (Lennon / McCartney)
4. Getting Better (Lennon / McCartney)
5. Fixing A Hole (Lennon / McCartney)
6. She’s Leaving Home (Lennon / McCartney)
7. Being For The Benefit Of Mr. Kite! (Lennon / McCartney)
8. Within You Without You (Harrison)
9. When I’m Sixty-Four (Lennon / McCartney)
10. Lovely Rita (Lennon / McCartney)
11. Good Morning Good Morning (Lennon / McCartney)
12. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) (Lennon / McCartney)
13. A Day In The Life (Lennon / McCartney)

Por Jorge Almeida

Exposição “Coleções em Diálogo: Museu Nacional de Soares dos Reis e Pinacoteca de São Paulo” na Pinacoteca

“Inverno em Munique”, de Lopes Leão, em exibição na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foto: Jorge Almeida

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta até a próxima segunda-feira, 16 de outubro, a exposição “Coleões em Diálogo: Museu Nacional de Soares dos Reis e Pinacoteca do Estado de São Paulo” que reúne cerca de 120 obras que exploram a construção de uma arte nacional em Portugal e no Brasil – assunto que mobilizou artistas, instituições e interessados pelas belas artes ao longo do século XIX.

A partir de obras do acervo de pintura, escultura, desenho e gravura do Museu Nacional de Soares dos Reis, da cidade do Porto, a mostra aborda desse meio cultural português que buscou identificar ou propor uma arte própria dotada de uma singularidade peculiar.

A mostra faz parte de uma programação de exposições que visam construir relações entre a coleção do acervo da Pinacoteca e a de outras instituições afins, permitindo novas leituras do próprio acervo. Além dessa, a Pinacoteca apresentou exposições em diálogo com obras da instituição com coleões dos museus Mariano Procópio, de Juiz de Fora, e do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (Museu do Ipiranga).

Em meio aos destaques estão “Urna Marinha” (1877), um óleo sobre tela de Antônio Carvalho da Silva Porto; “Inverno em Munique” (foto), um óleo sobre tela de 1922, de Lopes Leão; “Rio Douro (Porto)” (1906), um óleo sobre tela de Manuel Maria Lúcio; além da série “Álbum de Glórias” (1880-1902), de Raphael Bordalo Pinheiro, uma série composta por oito litografias sobre papel.

SERVIÇO:
Exposição: Coleções em Diálogo: Museu Nacional de Soares dos Reis e Pinacoteca de São Paulo
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 02
Quando: até 16/10/2017; de quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita para menores de dez anos e maiores de 60 anos; entrada gratuita para o público em geral aos sábados

Por Jorge Almeida