Twisted Sister: 35 anos de “You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll”

“You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll”: o primeiro trabalho do twisted Sister lançado por uma grande gravadora

No mês de maio passado, o segundo álbum de estúdio dos norte-americanos do Twisted Sister, “You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll”, completou 35 anos de seu lançamento. Gravado no início de 1983, no Sol Studios, em Cookham, na Inglaterra, o material foi lançado pela Atlantic e produzido por Stuart Epps

Após a vendagem sólida de seu ‘debut’, “Under The Blade” (1982), lançado de forma independente, o Twisted Sister foi recompensado com um contrato com uma grande gravadora, a Atlantic Records, que se aproximou da banda depois de uma aparição dos “sickmotherfuckers” no programa de TV musical chamado The Tube. A gravadora fez o primeiro lançamento doméstico do grupo, justamente “You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll” (a gravadora relançou o trabalho independente da banda em julho de 1985).

Com a mesma pegada do disco anterior, a banda apostou em seu Hard Rock cru e ainda conseguiram ser mais consistentes no quesito de composição e performance. No quesito produção, “You Can’t Stop…” soou melhor que seu antecessor, mas saiu tão pesado quanto. Depois do sucesso do play, a gravadora decidiu promover a banda mais fortemente. Um videoclipe foi feito para a faixa-título, tornando-se o primeiro de uma série de vídeos cômicos que deixaram a popularidade do grupo em alta.

O álbum recebeu o certificado de ouro em 1995 pelas vendas superiores a 500 mil cópias e, com três singles lançados – a faixa-título, “The Kids Are Back” e “I Am (I’m Me)”, o trabalho deixou um cenário perfeito para o Twisted Sister alavancar de vez com o lançamento do trabalho seguinte: “Stay Hungry”, em 1984.

O álbum inicia com uma dobradinha incrível que mostra toda a pegada e a energia do Twisted Sister: “The Kids Are Back” e “Life A Knife In The Back“, sempre obrigatória nos shows. O terceiro tema é a ótima “Ride To Live, Live To Ride“, excelente trilha sonora para ouvir ao volante (ou ao guidão, por que não?).  Posteriormente, outro petardo, “I am (I’m Me)“. E o disco termina o lado A com “The Power And The Glory“, que apresenta uma excepcional linha de baixo tocada por Mark “The Animal” Mendoza.

Enquanto isso, o lado B da bolacha começa bem com “We’re Gonna Make It“, com seu ótimo riff, que é sucedida por “I’ve Had Enough“, outra com excepcional trabalho de Mendoza. O oitavo tema é a não tão conhecida, mas espetacular “I’ll Take You Alive”, com outro excelente riff. O disco dá uma quebrada de ritmo com a balada “You’re Not Alone (Suzette’s Song)“, composta por Dee Snider em homenagem para sua esposa, Suzette – é tipo uma espécie de “Beth“, do Kiss, para os padrões do Twisted Sister. A obra termina com a faixa-título, que aborda a força do Rock and Roll e da impossibilidade de pará-lo. Aliás, essa música é hino quanto “We’re Not Gonna Take It” na carreira dos “SMF” do Twisted Sister.
O disco foi relançado anos mais tarde em CD acrescido de três faixas bônus: “One Man Woman”, “Four Barrel Heart Of Love” e “Feel The Power”.

Quando se fala em Twisted Sister a associação à música (e ao tosco clipe) de “We’re Not Gonna Take It” é inevitável. Mas para o quinteto chegar até o seu “hit-mor”, eles ralaram bastante e, antes da consagração do grupo com “Stay Hungry”, os caras lançaram um ótimo disco e que, para quem curte o cenário do Hard Rock/Heavy Metal dos anos 1980, trata-se de um trabalho tão imperdível quanto o clássico registro de 1984 do grupo. Discaço.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll
Intérprete: Twisted Sister
Lançamento: maio de 1983
Gravadora: Atlantic Records
Produtor: Stuart Epps

Dee Snider: voz
Jay Jay French e Eddie “Fingers” Ojeda: guitarras rítmicas e solo e backing vocal
Mark “The Animal” Mendoza: baixo e backing vocal
A. J. Pero: bateria e percussão

1. The Kids Are Back (Snider)
2. Like A Knife In The Back (Snider)
3. Ride To Live, Live To Ride (Snider)
4. I Am (I’m Me) (Snider)
5. The Power And The Glory (Snider)
6. We’re Gonna Make It (Snider)
7. I’ve Had Enough (Snider)
8. I’ll Take You Alive (Snider)
9. You’re Not Alone (Suzette’s Song) (Snider)
10. You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll (Snider)
11. One Man Woman (Snider)*
12. Four Barrel Heart Of Love (Snider)*
13. Feel The Power (Snider)*
* Faixas bônus

Por Jorge Almeida

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Em homenagem aos 110 anos da Imigração Japonesa, Centro Comercial Aricanduva apresenta exposição inédita

Gratuita, a Exposição Tesouros do Japão contempla tradições, costumes, tecnologias e manifestações artísticas da cultura nipônicas

O Japão cativa populações de diferentes países por conta da sua riqueza cultural. Para homenagear os 110 anos de Imigração Japonesa no Brasil, celebrado em 18 de julho, o Centro Comercial Aricanduva, maior centro de compras e entretenimento da América Latina, promove a Exposição Tesouros do Japão. A mostra reúne obras artísticas e arquitetônicas, em tamanho real, tradições e costumes da cultura oriental. Exibida com exclusividade no Shopping Aricanduva, a ação ocorrerá entre os dias 20 de julho e 19 de agosto.

Na atração, é possível observar delicadas cerejeiras, obras e vídeo em Anime, biombo informativo com conteúdos sobre as tradições do País, réplica de templo com até 6 metros de altura, esculturas de gueixas e samurais em tamanho real, além de obras de artes. Será possível conhecer ainda os costumes, lendas e tradições japonesas, como a Cerimônia do Chá, por exemplo.

Outro destaque da mostra é o ambiente interativo, onde os visitantes podem tirar fotos em cenário figurativo. Já na Casa das Oficinas de Origami, Ikebana e Mangá, é possível acompanhar diferentes manifestações artísticas. A curadoria e idealização da Exposição Tesouros do Japão é realizada por Ana Brites.

Hiroshima e Nagasaki: Entre 23 de julho e 19 de agosto, o Centro Comercial Aricanduva receberá ainda a mostra Hiroshima e Nagasaki – do Fim ao Renascimento, uma travessia de Perdão e Cultura de Paz. A exposição retrata as experiências do povo nipônico na Segunda Guerra Mundial e no pós-guerra, permitindo aos visitantes conhecer todas as dificuldades e superações vivenciadas pela população japonesa ao longo do século. O evento é gratuito, promovido pela deputada federal Keiko Ota (PSB/SP), que assumiu a presidência do Grupo Parlamentar Brasil-Japão neste ano.

“Aproveitamos a celebração dos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil para proporcionar aos visitantes do Centro Comercial Aricanduva a experiência de conhecer a fascinante cultura oriental de maneira gratuita. Inédita na América Latina, a Exposição Tesouros do Japão é uma viagem repleta de ensinamentos e inspirações para quem deseja conhecer mais sobre o Japão”, afirma Marcos Sérgio de Oliveira Novaes, Superintendente do Centro Comercial Aricanduva.

Serviço:
Centro Comercial Aricanduva – Exposição Tesouros do Japão
Endereço: Avenida Aricanduva, 5555 – Vila Matilde.
Horário de funcionamento: De segunda a sábado, das 10h às 22h. Aos domingos e feriados, o Shopping estará aberto ao público das 10h às 22h. A abertura das lojas será opcional, respeitando a legislação em vigor. As áreas de alimentação e lazer funcionarão das 12h às 22h (opção de abertura a partir das 10h).
Estacionamento Gratuito.

Sobre o Centro Comercial Aricanduva

O maior Shopping da América Latina está no primeiro lugar na preferência dos consumidores da Zona Leste de São Paulo, recebendo 4,5 milhões de pessoas ao mês. Com estacionamento gratuito, é formado pelo Shopping Aricanduva, Interlar Aricanduva, voltado para o segmento moveleiro, e Auto Shopping Aricanduva, especializado em automóveis, motos, acessórios e serviços. O complexo, com 1 milhão de m², possui 545 lojas, 13 concessionárias completas de veículos e motos, 13 salas de cinema, três praças de alimentação, três hipermercados, dois home centers, duas academias, área completa de lazer e a unidade leste do Detran, do Hospital Cema e do laboratório Lavoisier Medicina Diagnóstica. Para mais informações, acesse: www.aricanduva.com.br.

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Créditos: Miguel Reina / Press à Porter

Uriah Heep: 35 anos de “Head First”

“Head First”: álbum do Uriah Heep que completa 35 anos em 2018

O 15º trabalho de estúdio do Uriah Heep, “Head First”, completou 35 anos de seu lançamento no último mês de maio. Produzido por Ashley Howe, o disco saiu pelo selo britânico da Gerry Bron, a Bronze Records. Gravado entre janeiro e março de 1983 no The Manor Studio, em Oxfordshire, e no The Roundhouse, em Londres,

O disco foi gravado com a mesma formação do trabalho anterior, “Abominog” (1982), porém, com uma quantidade maior de músicas compostas pelos integrantes do grupo. Contudo, Bob Daisley deixou o Uriah Heep pouco tempo depois para se juntar à banda de Ozzy Osbourne. Então, para a turnê, Trevor Bolder voltou ao grupo e efetivamente substituiu o seu substituto (parece confuso, né?), e ficou na banda até a sua morte, ocorrida em 2013.

Apesar de ter sido um sucessor digno de “Abominog”, o play sofreu com a falta de promoção quando a Bronze entrou em liquidação no mês seguinte após o lançamento. Um vídeo da turnê, um show realizado na Nova Zelândia, foi fortemente apresentado no longa metragem “Easy Livin’: The History Of Uriah Heep”, lançado no formato de laserdisc somente no Japão.

Com Ashley Howe, que atuou quase como um sexto integrante do grupo, o Uriah Heep seguiu na mesma linha do disco anterior, combinando o poder do Heavy Metal pesado e a suavidade do AOR. Isso resultou em interesse breve e recente pela banda entre os fãs mais jovens do gênero.

O Uriah Heep seguiu em turnê pelos Estados Unidos como banda de apoio para o Rush, Judas Priest e Def Leppard, cujo vocalista Joe Elliot elogiou a excursão feita com os britânicos. A aquela altura, Gerry Bron já não gerenciava o grupo, mas sim com a supervisão de Neil Warnock pela Europa e pela mesma equipe de gerenciamento do Blue Oyster Cult nos Estados Unidos, quando, finalmente, a Bronze Records entrou em colapso com o peso das dívidas e que, de acordo com Mick Box, “… custou muito dinheiro ao Heep”.

Não satisfeitos com os habituais mercados estabelecidos, os caras começaram a expandir seus horizontes visitando territórios mais “obscuros” (pelo menos em termos de Heavy Metal), como as turnês da Massive Asian – Índia, Malásia e Indonésia – e também da América do Sul seguiram antes do quinteto retornar ao estúdio com o produtor Tony Platt e um novo contrato assinado com a Portrait, da CBS, garantido pelo novo empresário, Harry Maloney. Enquanto isso, uma personalidade marcante na história da banda tivera um triste fim: David Byron morreu de ataque cardíaco e doença hepática em 28 de fevereiro de 1985, aos 38 anos de idade.

O álbum foi lançado originalmente com dez temas, porém, no relançamento do play, em 1997, veio com três faixas bônus e, na edição que saiu em 2005, contém mais cinco músicas a mais de extra.

Embora não tenha o mesmo culhão em relação aos trabalhos da década anterior, “Head First” deu suas “patinadas”, mas não pode ser considerado um fracasso. O Uriah Heep tentou se adequar ao mercado da época e fez algo semelhante ao Rainbow: saiu do Hard Rock/Heavy Metal para fazer Heavy Metal/AOR. Aliás, a semelhança com a sonoridade da banda de Ritchie Blackmore (da fase pós-Dio) é perceptível na primeira audição, como a faixa de abertura, por exemplo. Mas uma das principais ‘pérolas’ do disco é “Lonely Hearts”, sim, isso mesmo: hit de Bryan Adams gravada em 1981 para o álbum “You Want It, You Got It”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (do lançamento original) da obra.

Álbum: Head First
Intérprete: Uriah Heep
Lançamento: maio de 1983
Gravadora: Bronze Records / Mercury
Produtor: Ashley Howe

Mick Box: guitarra e backing vocal
Peter Goalby: voz
Bob Dasley: baixo
Lee Kerslake: bateria, percussão e backing vocal
John Sinclair: teclados, sintetizadores e backing vocal

Frank Ricotti: percussão em “Roll-Overture

1. The Other Side Of Midnight (Box / Daisley / Goalby / Kerslake / Sinclair)
2. Stay On Top (Jackson)
3. Lonely Nights (Adams / Vallance)
4. Sweet Talk (Box / Daisley / Goalby / Sinclair / Kerslake / L. Sinclair)
5. Love Is Blind (Zito / Carbone)
6. Roll-Overture (Box / Daisley / Goalby / Sinclair)
7. Red Lights (Box / Daisley / Goalby / Sinclair)
8. Rollin’ The Rock (Box / Daisley / Goalby / Sinclair / Kerslake)
9. Straight Through The Heart (Box / Daisley / Goalby / Sinclair / Kerslake)
10. Weekend Warriors (Box / Daisley / Goalby / Sinclair / Kerslake)

Por Jorge Almeida

Estreia de “NAVALHA NA CARNE NEGRA” com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo

Cena do espetáculo “Navalha na Carne Negra”. Foto: Isabel Praxedes

O diretor teatral e professor da Escola de Arte Dramática da USP esteve recentemente em cartaz – como dramaturgo – com a peça “Isto é um negro?”

“Essa nova montagem pretende friccionar o texto Navalha na Carne contra a própria pele a partir da realidade, experiência e pesquisa de artistas, que, por meio de suas trajetórias, articulam a presença negra na cena e na sociedade contemporâneas”. Rodrigo dos Santos, ator

Estreia dia 19 de julho, às 21 horas, no TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo, o espetáculo NAVALHA NA CARNE NEGRA com direção e dispositivo cênico de José Fernando Peixoto de Azevedo. No elenco os atores Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos.

A peça de Plínio Marcos, que no ano passado completou 50 anos, é tida como um clássico do “teatro marginal”: aquela cena que fazia ver a “escória da sociedade”. No caso de Navalha na Carne, figuram três personagens, Neusa Sueli, Vado e Veludo, respectivamente, uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay, que, nas palavras do crítico teatral Décio de Almeida Prado, fazem parte de um “subproletariado” – “uma escória que não alcançara sequer os degraus mais ínfimos da hierarquia capitalista”.

Se muitos a consideram uma obra “datada” sob alguns aspectos, essa nova montagem pretende friccionar Navalha na carne contra a própria pele – a realidade, a experiência e a pesquisa de uma atriz, dois atores e um diretor negros, que vêm construindo suas trajetórias através de uma proposta estética que articule a presença preta na cena e na sociedade contemporâneas: José Fernando Peixoto de Azevedo, dramaturgo, diretor teatral e professor da Escola de Arte Dramática da USP, foi diretor e fundador do Teatro de Narradores (1997-2017) e colaborador do grupos Os Crespos, além de dramaturgo do espetáculo “Isto é um negro?”; Lucelia Sergio, da Cia Os Crespos (SP); Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP); e Rodrigo dos Santos, da Cia dos Comuns (RJ), grupos que tem extensa pesquisa teatral sobre o tema.

DO CORPO NEGRO, por José Fernando Peixoto de Azevedo

A problemática do corpo preto e seus históricos processos de marginalização social servem de mote central para nossa montagem, que pretende lançar luzes sobre algumas questões relativas à hierarquização social vigente nas sociedades contemporâneas. Essas questões atravessam o texto de Plínio Marcos e reverberam na própria produção teatral hegemônica em nosso país. Quem são esses “marginais” de Plínio Marcos hoje em dia? Onde se encontram? Como vivem? Como lidam com seus desejos e necessidades? Qual sua expectativa de vida? Será que se reconhecem como parte da “escória”? O que esperam da sociedade – se é que ainda esperam alguma coisa?

Do corpo-mercadoria – essa redução perversa da imagem do corpo preto produzida pela história da escravidão – à mercadoria-corpo que é a prostituta Neusa Sueli estancando a fome com seu sanduíche de mortadela; da sexualidade excessiva da “bicha” Veludo à sexualização do corpo negro, esse corpo-objeto, ao qual não se concede o direito ao desejo; e, a partir daí, até a fantasmagoria viril chamada Vado, cuja expressão é a imitação de uma violência cuja gramática constitui uma gestualidade macaqueada da violência naturalizada na figura do macho nacional.

DO EXCESSO E DA EXCEÇÃO

São excessos de vida e de morte, de potência e impotência, de grandeza e insignificância, são vestígios de uma história marcada no corpo preto, feita de gritos e de silêncios. Imaginar um futuro implica, para nós, lançar o olhar às cicatrizes e permitir-nos a escuta de uma potência inaudita – provavelmente, a voz de um anseio oprimido que jamais desistiu da vida.

Nessa NAVALHA NA CARNE NEGRA, as figuras em jogo não são apenas vítimas ou imagens de uma destituição absoluta. Elas são sobretudo figuras em luta: em cena como na vida, a luta pela vida revela o quão portadoras de vida ainda são. Na resiliência desses corpos adoecidos de sua negação, revela-se uma intuição silenciosa, de que os atravessamentos produzem diferença, permitem que saibam ainda o que são; como qualquer corpo doente, são corpos que imaginam cura.

DA CENA

A cena se constitui como um dispositivo-estúdio, em que as imagens são captadas e transmitidas ao vivo, elaborando uma espécie de adesão: o ponto de vista da câmera adere a Neusa Sueli. Presente o tempo todo em cena, a câmera, esse dispositivo de olhar, de enquadramento, força a construção. O espectador vê o jogo em cena e compara com o corte que assiste na tela. Os monitores revelam a dimensão do corte, emoldurando o jogo e sua teatralidade. É preciso atravessar essa saturação da imagem, do corte, do enquadramento, para conferir a suposta totalidade da cena, já saturada de presenças, transitando entre o jogo ficcional do texto e o jogo estrutural da captação de imagem. A luta entre as personagens é duplicada pela tensão gerada por esse trabalho de captura da imagem.

O olhar dessa puta – essa Neusa Sueli preta, mulher, corpo-mercadoria – contempla, porque precisa contemplar, a imagem de um futuro. Ela se mantém atenta, examinando a miséria, o desespero e a desesperança, em busca de uma pista – o mais sutil laivo de vida. Seu olhar há de nos indicar a direção do grande salto.

FICHA TÉCNICA
Direção Geral e Dispositivo Cênico
José Fernando Peixoto de Azevedo
Atores
Lucelia Sergio
Raphael Garcia
Rodrigo dos Santos
Vídeo
Isabel Praxedes
Flávio Moraes
Iluminação
Denilson Marques
Direção de Arte
Criação Coletiva
Assessoria para o Trabalho Corporal
Tarina Quelho
Programação Visual
Rodrigo Kenan
Produção
corpo rastreado

SERVIÇO
NAVALHA NA CARNE NEGRA
Local: Teatro da Universidade de São Paulo | Centro Universitário Maria Antonia – Sala Multiuso
De 19/07/2018 a 12/08/2018
Temporada: de quinta a sábado, 21h; domingos 19h
Endereço: Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque | São Paulo | SP
Bilheteria: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia.
Telefone: 11 3123.5222 | usp.br/tusp | fb.com/teatrodauspoficial
A bilheteria abre 2h antes do início da sessão.
Classificação 16 anos | Duração 60 minutos

Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

Grand Funk Railroad: 45 anos de “We’re An American Band”

“We’re An American Band”: sétimo álbum de estúdio do Grand Funk Railroad que completa 45 anos neste domingo (15)

Hoje, 15 de julho, data de final da Copa do Mundo FIFA 2018, um dos maiores trabalhos do Grand Funk Railroad complete 45 anos de seu lançamento: o clássico “We’re An American Band”, o sétimo álbum de estúdio lançado pela banda norte-americana. Produzido por Todd Rundgreen, o disco foi gravado entre 12 e 15 de junho de 1973 no Criteria Studios, em Miami, Flórida, e lançado pela Capitol Records. E, para evitar eventuais problemas judiciais com Terry Knight (produtor e principal mentor pelo conceito de imagem e sonoridade da banda) a respeito do nome da banda, esse foi o primeiro álbum do grupo lançado com o nome de apenas Grand Funk, sem o “Railroad”.

Um mês após o lançamento do disco, o grupo foi certificado com disco de ouro pelas vendagens da obra. Para promover o play, foram lançados dois singles: o primeiro é a faixa-título do álbum, que saiu em 2 de julho de 1973, e o segundo, “Walk Like A Man”, foi lançado em 29 de outubro do mesmo ano. As duas canções foram cantadas pelo baterista Don Brewer. Além disso, o músico Craig Frost, que tocou órgão, Moog e clavinete no disco, foi adicionado como integrante do grupo, uma vez que no trabalho anterior – “Phoenix” (1972) – ele aparece apenas como músico adicional.

Para refinar a sonoridade da banda, o Grand Funk chamou o músico veterano Todd Rundgren para produzir “We’re An American Band”. Com o experiente Rundgren, o grupo fez um som mais pop e comercial, estrategicamente para tocar nas rádios para que eles finalmente tivessem aceitação de todos os públicos, e também da crítica. Com isso, os caras entram de cabeça no ramo mais organizado do show business e realizam uma turnê mais bem estruturada, com direito a filmes em retroprojeção, canhões de luz e, claro, todo o orgulho imperialista norte-americano ao exibir os spot-lights compondo a bandeira da terra-natal e as chuvas de chapéus do Tio Sam.

A edição original do álbum, bem como do single “We’re An American Band“, foi em vinil amarelo translúcido, simbolizando um “disco de ouro”. Incluía quatro autocolantes (dois azuis e dois vermelhos) com o logótipo “Pointing Finger” do Grand Funk. Enfatizando o encurtamento do nome do grupo, a palavra “Railroad” não aparece em nenhum lugar na capa do álbum, encarte ou disco de vinil, exceto como o título da primeira música no lado dois do álbum – “The Railroad”. Um detalhe curioso da obra é referente à instrução acima do número do lado do disco que recomendara o ouvinte a curtir o trabalho no volume máximo. O álbum foi reeditado várias vezes e atualmente está disponível em CD, que já teve edições lançadas com faixas bônus.

O álbum abre com a clássica faixa-título. Com um excelente riff e um ritmo simples, mas contagiante, é praticamente uma autobiografia do grupo. Na sequência, a empolgante “Stop Lookin’ Back“, com um riff interessante, porém, o destaque fica por conta da atuação espetacular de Frost nas teclas e os bons solos de Farner. O terceiro tema é  a cadenciada “Creepin’“, que dá uma quebra no andamento do disco, por não ser curta como as anteriores (ela tem aproximadamente sete minutos). Todos os músicos, sem exceção, se destacam nela. E o play encerra o lado A do vinil com “Black Licorice“, que coloca o álbum no andamento inicial. Com um bom desempenho nos vocais e riff bem modesto, permite com que Carig Frost se destaque nos inspiradíssimos teclados.

O lado B do disco inicia com a poderosa balada “The Railroad“, que traz um refrão primoroso, assim como o solo de Farner. Uma das melhores do disco. Posteriormente, aparece a rápida e direta “Ain’t Got Nobody” que, como boa parte do disco, contém pegada contagiante. E a faixa seguinte, “Walk Like A Man“, que foi lançada como single e traz um vocal mais marcante, praticamente mantém a ‘pedrada na zurêa’. A obra termina com “Loneliest Rider“, com seu riff pesado e andamento cadenciado para encerrar de forma formidável.

Em 2002, o disco foi lançado com quatro faixas bônus (vide a ficha técnica).

We’re An American Band” está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock And Roll Hall Of Fame e fez por merecer, pois é um tremendo disco. Vale cada centavo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (incluindo as faixas bônus) da obra.

Álbum: We’re An American Band
Intérprete: Grand Funk Railroad (creditado apenas como Grand Funk)
Lançamento: 15 de julho de 1973
Gravadora: Capitol Records
Produtor: Todd Rundgren

Mark Farner: voz, guitarra, violão, conga e piano elétrico em “Creepin’
Mel Schacher: baixo
Don Brewer: voz, bateria e percussão
Craig Frost: teclados, órgão, clavinete, piano e Moog

1. We’re An American Band (Brewer)
2. Stop Lookin’ Back (Brewer / Farner)
3. Creepin’ (Farner)
4. Black Licorice (Brewer / Farner)
5. The Railroad (Farner)
6. Ain’t Got Nobody (Brewer / Farner)
7. Walk Like A Man (Brewer / Farner)
8. Loneliest Rider (Farner)
9. Hooray (Brewer / Farner)
10. The End (Brewer / Farner)
11. Stop Lookin’ Back (acoustic mix) (Brewer / Farner)
12. We’re An American Band (2002 remix) (Brewer)

Por Jorge Almeida

Exposição “Trapézio” no Sesc Santo Amaro

A obra “Trapézio”, em exibição no Sesc Santo Amaro. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Trapézio” está em cartaz até o próximo dia 29 de julho, domingo, no Sesc Santo Amaro. Com um conjunto de 16 obras inéditas do artista cearense Luiz Hermano, a exposição apresenta um novo estudo do escultor sobre a forma geométrica que dá nome à mostra.

Na criação das esculturas, o entendimento e invenção ocorreram como ponto de partida a forma e suas junções entre um e até seis trapézios, estruturas tridimensionais maiores e de variadas formas.

A partir de módulos emendados um nos outros, Hermano constrói uma variedade de formas. Elas surgem das colisões e desencontros entre os vácuos, as hastes da base e dos lados. Várias peças revelam problema em se atrelarem e, propositalmente, trazem certo desequilíbrio.

No espaço, os trapezoides tridimensionais do artista estão apoiados na parede, no chão ou pendurados no teto em alturas diferentes e, em alguns casos, com cabos de nylon.

Em meio aos destaques estão “Oca” (2017), escultura de ferro pintado; “Reação em Cadeia 16” (2017), elaborado em ferro soldado; “Trapézios” (foto), de 2018, composto de ferros com pintura eletrostática; e “Figura em Movimento” (2013), criado em aço pintado.

SERVIÇO:
Exposição: Trapézio
Onde: Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro
Quando: até 29/07/2018; de terça a sexta-feira, das 10h30 às 21h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

França: campeã da Copa do Mundo FIFA 2018

Jogadores da França erguem o troféu mais cobiçado do mundo. Foto: REUTERS/Darren Staples

A França consagrou-se bicampeã mundial ao derrotar a Croácia por 4 a 2 na final da Copa do Mundo FIFA 2018, no Estádio Lujniki, em Moscou. Com gols de Mandžukić (contra e que também descontou para os croatas), Griezmann, de pênalti, Pogba e Mbappé, os Bleus foram cirúrgicos diante dos esgotados croatas, que chegaram a empatar com Perisić deixando a partida em 1 a 1 no primeiro tempo. Mas os franceses chegaram mais inteiros na decisão e conseguiram fazer os gols diante dos heroicos croatas, que vinham de uma sequência de três prorrogações. Com o título, a seleção “tricolore” se junta a Argentina e Uruguai com duas Copas do Mundo cada. Desde 2002, essa foi a primeira decisão de Mundial que não foi para a prorrogação.

Antes de a bola rolar, a tradicional cerimônia de encerramento que teve entre as atrações o ator (e cantor) Will Smith e do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e, claro, presença das autoridades dos dois países (Emanuel Macron, representante francês e a presidente da Croácia Kolinda Grabar-Kitarović) em conjunto com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Capitão da Alemanha no título de 2014, Phillipp Lahm entrou em campo com a taça ao lado da modelo Natalia Vodianova e a apresentou ao estádio (como campeão mundial, ele tem autorização de tocar no troféu sem usar luvas).

A Croácia tomou a iniciativa do jogo mantendo a posse de bola e a França se controlando no campo de defesa. Aos dez. Rakitić fez um bom lançamento para Perišić na área, mas o camisa 4 errou no domínio e deixou a bola sair. Os comandados de Zlatko Dalić tomavam conta da partida nos primeiros quinze minutos.

Aos 17, Griezmann chegou próximo da área e, na tentativa de passar pela marcação, caiu e pediu falta, e o árbitro argentino Nestor Pitana marcou. Na cobrança, o camisa 7 levantou na área, Varane tentou desviar, não alcançou e, para sua infelicidade, Mandžukić resvalou de cabeça na bola e mandou contra o próprio patrimônio: 1 a 0 para a França.

A seleção do uniforme quadriculado tentou dar o troco de imediato. Aos 20 Modrić jogou a redonda na área e Vida cabeceou para fora. Os franceses responderam aos 22 com Pogba lançando Mbappé, que foi desarmado no momento exato por um carrinho salvador de Vida. Aos 28, Modrić cobrou falta em direção à área, Vrsaljko subiu e escorou para o meio, Mandžukić disputou no alto com Pogba, e Rebić também desviou, até que Vida pegou a sobra e escorou para Perišić, que limpou Kanté e soltou a bomba com a esquerda. A bola desviou em Varane e foi para as redes. Empate da Croácia.

Mas, o camisa 4 foi do céu para o inferno em menos de dez minutos. Aos 33, Griezmann cobrou escanteio no primeiro pau, Matuidi tentou o desvio, o mesmo Perišić, autor do gol de empate dos croatas, mandou a bola para escanteio. Os franceses reclamaram ao árbitro que o desvio do feito com a mão e, diante dos protestos, Nestor Pitana foi consultar o VAR e confirmou o pênalti. Na cobrança, Griezmann cobrou no canto esquerdo de Subašić e colocou a França na frente novamente.

Os valentes Vatreni não se abateram e partiram para a luta. Aos 40, Perišić partiu em velocidade pela esquerda e cruzou para Rebić, que finalizou travado e a bola sobrou limpa para Lloris. E, antes do final da etapa inicial, aos 43, Rakitić cobrou escanteio, a redonda foi desviada na primeira trave e bateu na zaga francesa e saiu. Depois do novo escanteio, a bola ficou “viva” na área e Giroud aliviou ao dar um chutão e afastar o perigo. Dois minutos mais tarde, após outro escanteio, foi a vez de Vida desviar de cabeça e mandar a esférica para fora. Aos 47, Vrsaljko cruzou na área, mas Perišić chegou atrasado. A Croácia criou boas chances de empatar no primeiro tempo, mas não obteve êxito. A decisão chegou ao intervalo com vantagem francesa. Aliás, essa foi a primeira final de Copa do Mundo com três gols no primeiro tempo desde a decisão de 1974 e a primeira com pelo menos três tentos desde 1998.

No minuto inicial da segunda etapa, a Croácia voltou a pressionar, com Rebić tocando para Vrsaljko, que cruzou na área e Lloris saiu para ficar com a bola. Os franceses contra-atacaram no lance seguinte em jogada pela direita com Giroud, que ajeitou para Griezmann bater de fora da área e Subašić pegou sem dificuldades. Na sequência, foi a vez de Lloris subir e defender o chute de Rebić. O arqueiro francês atuou de lídero, aos quatro, depois que Brozović tentou lançar  Perisić em profundidade. A seleção croata seguiu a pressão, investindo especialmente nas jogadas pelas laterais.

Aos seis, Pogba lançou Mbappé pela direita, o camisa 10 deu uma arrancada, deixou Vida para trás, bateu cruzado, mas Subašić se antecipou e travou o chute do atacante do PSG. Em seguida, os stewards tiveram de entrar em ação porque, quando a Croácia puxava contra-ataque com Rakitić, três torcedores invadiram o campo e foram retirados.

A partida seguiu. Contudo, aos 13, Pogba lançou (mais uma vez) Mbappé pela direita, que cruzou para Griezmann. O jogador do Atlético de Madrid ajeitou para o mesmo Pogba, que chegou batendo, mas a bola bateu na zaga e o camisa 6 ficou com o rebote, deu um tapa com o pé esquerdo e aumentou a vantagem dos Bleus: 3 a 1.

Precisando atacar para amenizar o prejuízo, a Croácia foi deixando espaços para a França contra-atacar e tentar apertar a saída. Porém, aos 19, Hernández em jogada pela esquerda, passou por Mandžukić e tocou no meio para Mbappé, que recebeu na entrada da área e bateu firme no canto de Subašić e sacramentar o título da França: 4 a 1. Com o tento, o camisa 10, no auge de seus 19 anos, é o segundo jogador mais jovem a fazer gol em final de Copa do Mundo, ficando apenas atrás de Pelé que, em 1958, com 17 anos fez dois contra a Suécia na ocasião.

Apesar de estar com uma enorme desvantagem de três gols, a valente equipe croata não se entregou. Aos 23, Varane recuou a bola para Lloris que, sozinho, tentou fintar Mandžukić, mas o experiente atacante chegou na dividida, tomou a bola, que foi parar nas redes. Imediatamente, o jogador da Juventus pegou a redonda para colocá-la no círculo central.

Em seguida ao gol croata, a França tratou de trocar passes para dar uma acalmada no ímpeto do adversário, que tentou acelear o jogo em busca do improvável empate. Aos 32, Modrić jogou na área, Varane afastou e, na sobra, Rakitić tentou de fora da área, por cima do gol. Quatro minutos depois, Pjaca, que entrou no lugar de Strinić, foi lançado nas costas da zaga, mas errou o domínio que o deixaria cara a cara com Lloris.

Com uma vantagem confortável, a França fez o “feijão com arroz” e ainda deu tempo de uma tentativa. Aos 41, depois de receber de Griezmann, Fekir (substituto de Giroud, o camisa 9 que não marcou gol nesta Copa) tentou de fora da área, mas Subašić caiu e fez a defesa. Na sequência, Rakitić arriscou de fora da área e mandou por cima do gol.

Nos acréscimos, aos 47, Mbappé cobrou falta na área, Pogba apareceu sozinho e, na hora de finalizar, furou e desperdiçou uma grande chance. Mas, tudo bem, ele tem crédito com os companheiros. Eis que aos 50 minutos, Nestor Pitana decretou o fim de jogo, em Moscou, França 4, Croácia 2. Depois de 20 anos, os Bleus conquistam o mundo novamente. E, com o feito, Didier Dechamps repete o feito conseguido apenas por Zagallo e Franz Beckenbauer: campeão mundial como jogador e como treinador. Inclusive, com seis gols na decisão deste domingo, esse foi a final com mais gols desde 1958, quando o Brasil fez 5 a 2 na Suécia.

Merecidamente França e Croácia chegaram a essa decisão. Talvez, o chaveamento das fases anteriores favoreceu mais os croatas até a final. Porém, isso não desmerece a campanha da seleção xadrez. Afinal, eles terminaram líderes do grupo que tinha uma das favoritas ao título, a Argentina que, inclusive, tomou um chocolate deles. No mata-mata, Modrić e companhia sempre começaram com a desvantagem, mas conseguiram a reação e levaram as partidas sempre para a prorrogação. E, com isso, praticamente chegaram à finalíssima fazendo “sete jogos em oito” (contabilizando que, somados, todos os minutos disputados na prorrogação foi o equivalente a uma partida inteira, ou seja, cerca de 90 minutos). Essa sequência de tempos extras, talvez, tenha feito a diferença na preparação para o jogo derradeiro desta Copa. Por outro lado, os Bleus, simplesmente deixaram dois campeões do mundo pelo caminho (Argentina e Uruguai) e, na semifinal, eliminou a seleção que tirou outro favorito ao título do caminho na fase anterior e que trazia aquela que é considerada a melhor geração de futebol de seu país, a Bélgica.

Fisicamente mais exaustos, a Croácia encarou a França de igual para igual. Tomou a iniciativa e era melhor no jogo quando o gol francês saiu após a infelicidade de Mandžukić em desviar a bola que balançou as próprias redes, justo ele, o responsável pelo tentou que colocou o seu jovem país à inédita final de Copa do Mundo. Os croatas ainda reagiram e empataram.com um golaço de Perišić, que cometera o pênalti pouco tempo depois. Os franceses, por sua vez, tiraram proveito da velocidade de seu setor ofensivo, especialmente com Mbappé e a categoria de Paul Pogba e, chegaram aos outros dois gols justamente com eles. Mesmo perdendo por 4 a 1, a Croácia não jogou a toalha (sem trocadilho com o quadriculado de seu uniforme) e ainda descontou com Mandžukić. Mas, não foi dessa vez que o futebol teve um novo campeão mundial, mas consolidou uma safra de jovens valores franceses que ainda vão dar muito o que falar. Na final, a Croácia caiu, mas caiu de pé. Não desistiram da luta. Foram guerreiros e, certamente, apesar do vice-campeonato, serão recebidos como heróis em Zagreb. Mas os franceses fizeram por merecer o título. Jogaram bem nessa Copa. E é bem capaz de um jovem de 19 anos roubar a cena na premiação de melhores do mundo e ameaçar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo.

Nas premiações individuais, o inglês Harry Kane levou a Chuteira de Ouro, por ter sido o artilheiro da Copa com seis gols, enquanto Griezmann e o belga Lukaku, ambos com quatro gols, ficaram com as Chuteira de Prata e Bronze, respectivamente. Já o Prêmio FIFA Bola de Ouro, concedido ao melhor jogador do torneio, ficou com Modrić, enquanto Hazard ficou com a Bola de Prata e Griezmann com a Bola de Bronze. Além deles, Courtois também foi premiado com a Luva de Ouro, dada ao melhor goleiro da competição, e Mbappé foi agraciado com o Prêmio FIFA Melhor Jogador Jovem. A seleção da Espanha recebeu o Troféu FIFA Fair Play por ter sido a equipe menos faltosa. E, só para reforçar: na disputa do terceiro lugar, a Bélgica fez 2 a 0 na Inglaterra.
Com o título da Copa do Mundo, a França completa uma trinca curiosa de três bicampeonatos: Copa do Mundo (1998 e 2018), Eurocopa (1984 e 2000) e Copa das Confederações (2001 e 2003).

E, assim, termina a Copa do Mundo FIFA 2018, que já entrou para a história e deixará saudades. Agora, que venha o Mundial de 2022, que será disputado no Catar no final do ano devido às condições climáticas do país.

A seguir, a relação dos jogadores campeões mundiais, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Núm. / Jogador / Posição / Clube:
1. Hugo Lloris – goleiro – Tottenham (ING)
16. Steve Mandanda – goleiro – Olympique de Marseille (FRA)
23. Areola – goleiro – Paris Saint-Germain (FRA)
2. Benjamin Pavard – zagueiro e lateral – Stuttgart (ALE)
3. Presnel Kimpembe – zagueiro – Paris Saint-Germain (FRA)
4. Raphael Varane – zagueiro – Real Madrid (ESP)
5. Samuel Umtiti – zagueiro – Barcelona (ESP)
17. Adil Rami – zagueiro – Olympique de Marseille (FRA)
19. Djibril Sidibé – lateral – Monaco (FRA)
21. Lucas Harnández – zagueiro e lateral – Atlético de Madrid (ESP)
22. Benjamin Mendy – lateral – Manchester City (ING)
6. Paul Pogba – meia – Manchester United (ING)
8. Thomas Lemar – meia – Atlético de Madrid (ESP)
12. Corentin Tolisso – meia – Bayern de Munique (ALE)
13. N’Golo Kanté – meia – Chelsea (ING)
14. Blaise Matuidi – meia – Juventus (ITÁ)
15. Steve N’zonzi – meia – Sevilla (ESP)
7. Antoine Griezmann – atacante – Atlético de Madrid (ESP)
9. Olivier Giroud – atacante – Chelsea (ING)
10. Kylian Mbappé – atacante – Paris Saint-Germain (FRA)
11. Ousmane Dembélé – atacante – Barcelona (ESP)
18. Nabil Fekir – atacante – Lyon (FRA)
20. Florian Thauvin – atacante – Olympique de Marseille (FRA)
Técnico: Didier Deschamps

Fase de Grupos (Grupo C):
16/06 – França 2×1 Austrália – Arena Kazan, Cazã
21/06 – França 1×0 Peru – Estádio Central, Ecaterimburgo
26/06 – Dinamarca 0x0 França – Estádio Lujniki, Moscou
Oitavas-de-final:
30/06 – França 4×3 Argentina – Arena Kazan, Cazã
Quartas-de-final:
06/07 – Uruguai 0x2 França – Estádio de Nijni Novgorod, Nijni Novgorov
Semifinal:
10/07 – França 1×0 Bélgica – Estádio Krestovsky, São Petersburgo
Final:
15/07 – França 4×2 Croácia – Estádio Lujniki, Moscou

FICHA TÉCNICA: FRANÇA 4×2 CROÁCIA
Competição/fase:
Copa do Mundo FIFA 2018 – final (jogo único)
Local: Estádio Luzhniki, Moscou, Rússia
Data: 15 de julho de 2018, domingo – 12h (horário de Brasília)
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Assistentes: Hernan Maidana (ARG) e Pablo Belatti (ARG)
Cartões Amarelos: Kanté e Hernández (FRA); Vrsaljko
Gols: Mandžukić (contra), aos 18 min do 1º tempo (1-0) e aos 24 min do 2º tempo (4-2); Perisić, aos 28 min do 1º tempo (1-1); Griezmann, de pênalti, aos 38 min do 1º tempo (2-1); Pogba, aos 14 min do 2º tempo (3-1); e Mbappé, aos 20 min do 2º tempo (4-1)
FRANÇA: 1.Lloris; 2.Pavard, 4.Varane, 5.Umtiti e 21.Hernández; 13.Kanté (Nzonzi), 6.Pogba, 10.Mbappé, 14.Matuidi (12.Tolisso) e 7.Griezmann; 9.Giroud (18.Fekir). Técnico: Didier Deschamps
CROÁCIA: 23.Subašić; 2.Vrsaljko, 6.Lovren, 21.Vida e 3.Strinić (20.Pjaca); 7.Rakitić, 11.Brozović, 18.Rebić (18.Kramarić), 4.Perišić e 10.Modrić; 17. Mandžukić. Técnico: Zlatko Dalić

Parabéns a Fédération Française de Football. “Allez les Bleus”.

Por Jorge Almeida