Livro de fotografias do Kiss será lançado no dia 10 nos EUA

Livro de Lynn Goldsmith traz dezenas de fotos inéditas do Kiss. Créditos: kissonline.com

Na próxima terça-feira (10) a premiada fotógrafa Lynn Goldsmith, que já retratou inúmeros músicos e bandas de rock relevantes do século XX, tais como The Rolling Stones, Bruce Springsteen, Frank Zappa, Talking Head, The Police, Bob Dylan e Patti Smith, entre tantos outros, lançará o livro “KISS: 1977-1980”, que é uma crônica fotográfica definitiva da banda norte-americana no auge de sua popularidade, captando momentos dentro e fora do palco, em ensaios fotográficos e em outras situações.

Publicado em conjunto com Gene Simmons e Paul Stanley, a obra traz do arquivo de Goldsmith imagens coletadas pela fotógrafa, que são favoritas dos fãs, assim como muitos registros que nunca foram vistos, enfim, tudo o que capta perfeitamente o fenômeno duradouro que é o KISS.

O KISS alavancou a ascensão meteórica com suas apresentações extravagantes ao vivo, com direito a seus integrantes cuspir contra o fogo, cuspir sangue, apresentar guitarras explodindo em chamas, disparando rojões, levitando kits de bateria e outros efeitos pirotécnicos. Com maquiagens e figurinos, Gene Simmons, Paul Stanley, Peter Criss e Ace Frehley criaram personagens e histórias inspiradas nos quadrinhos: The Demon, The Starchild, The Catman e The Space Ace. Quando colocados juntos, não fazem apenas um show de rock de estádio, e sim um espetáculo dinâmico que está na estrada até hoje.

O livro foi criado por Goldsmith, Simmons e Stanley como um agradecimento ao Kiss Army, o incrível exército formado pelos fãs que se dedicam à banda por mais de 40 anos e essa fidelidade e devoção foi levada para filhos e netos para que pudessem apreciar a música, assim como todo o espetáculo proporcionado pelas apresentações ao vivo da banda.

Aliás, a publicação cobre exatamente o período em que o KISS esteve no auge de sua popularidade, em 1977, até o momento em que o grupo passa por dificuldades de relacionamentos entre os integrantes originais e a busca por uma nova sonoridade. Além disso, traz também algumas imagens do saudoso Eric Carr, o The Fox.

Com uma capa acolchoada laminada branca que destaca o logotipo KISS em dourado, o resultado final pode ser comparado a uma espécie de bíblia, mantendo as relíquias que seus seguidores apreciam.

A obra ainda não tem previsão de chegar ao Brasil.

Livro: KISS 1977-1980
Autora: Lynn Goldsmith com Paul Stanley (colaborador) e Gene Simmons (colaborador)
Editora: Rizzoli
Número de páginas: 340
Lançamento: 10 de outubro de 2017
Preço: R$ 158,98 (no site amazon.com.br)

Por Jorge Almeida

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Analisando a biografia de Peter Criss, ex-baterista do Kiss

Capa de "Makeup To Breakup", a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss
Capa de “Makeup To Breakup”, a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss

Lançado em 2012 nos Estados Unidos e em 2013 no Brasil – pela editora Lafonte, o livro “Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss” trata-se de autobiografia do ex-baterista da formação original (e clássica) do Kiss, Peter Criss. A obra teve a co-autoria assinada por Larry “Ratso” Sloman e, obviamente, traz revelações do músico e os bastidores da banda que ajudou a formar com Gene Simmons, Paul Stanley e Ace Frehley.

Com 21 capítulos (fora a introdução, agradecimentos e epílogo) distribuídos em mais de 380 páginas, o livro já abre com o relato de Peter em que ele escreveu que inseriu o cano de sua Magnum .357 na boca em uma tarde de 17 de janeiro de 1994, na Califórnia, sob os escombros do grande terremoto de Narthridge, porém, desistiu da estúpida ideia de puxar o gatilho.

A obra segue contando a história de seu protagonista, George Peter John Criscoula nascido a 20 de dezembro de 1945, no Brooklyn, em Nova York, onde cresceu. Como todo jovem da época, isso nos anos 1950 e 1960, passou por diversos problemas comuns na região: envolvimento com gangues, dando e levando surras, se metendo com gente “barra-pesada” até encontrar na bateria uma motivação. Com apoio da família e na inspiração no ídolo Gene Kruppa, George mergulhou nas baquetas e tocou em tudo quanto é grupo.

Até que um dia pôs um anúncio na revista Rolling Stone com os dizeres: “Baterista disponível topa tudo”. E isso despertou interesse da dupla Gene Simmons e Paul Stanley. Estava a começar a história de uma das maiores bandas da história, o Kiss. Depois veio Ace Frehley e os quatro, juntos, deu liga e, após um início bastante difícil, o Kiss estourou e se tornou mundialmente conhecida por conta de seus espetáculos pirotécnicos, atuações teatrais inspiradas em Alice Cooper e as maquiagens estilo kabuki.

O estilo de tocar de Criss casou-se perfeitamente com o rock básico apresentado pelo Kiss. No entanto, as drogas e o álcool entraram em cena e a magia do quarteto foi se deteriorando e levou a saída do baterista ainda no final dos anos 1970 e, depois, de Ace. A saída do baterista foi motivada pelo abuso de drogas, além de sua instabilidade emocional e de um arruinado casamento.

Com a sua voz rouca característica, Peter também contribuiu com músicas que se tornaram clássicos na história do Kiss ao deixar para eternidade registros de sua voz em temas como “Black Diamond”, “Hard Luck Woman” e, claro, “Beth”, a sua maior obra autoral.

Após a sua saída do Kiss, a sua saúde financeira, nos anos seguintes foi de mal a pior – e que fique bem claro que ele não chegou a virar mendigo, como muitas teorias conspiratórias dizem por aí -, até que voltou para a reunião da formação original no fim da década de 1990, o que culminou na gravação de “Psycho Circus” e uma turnê mundial. Mas, o seu lado egocêntrico o fez sair novamente do Kiss. Peter Criss destaca um capítulo inteiro de sua fé e o companheirismo de sua atual mulher.

Para os fãs do Kiss, a obra é interessante, claro, mas, ao mesmo tempo, o livro mostra que Peter tentou passar a impressão de que ele foi a “vítima” das brigas entre os integrantes do grupo. O músico não poupa críticas aos ex-companheiros, insinuando, por exemplo, a sexualidade de Paul Stanley, que Gene Simmons é um “porco misógino” e dissimulado que só quer saber de dinheiro, e que Ace Frehley é um traidor e “porra-louca”. OK, está certo que Gene e Paul não são a madre Tereza de Calcutá, mas o pulso firme dos dois ajudaram a manter o Kiss na estrada há mais de 40 anos sem deixar o grupo cair no esquecimento.

Em “Makeup To Breakup” há muitas histórias engraçadas e curiosidades de bastidores sim, mas o abuso nas drogas – que foi sua fonte de alimentação por anos e que contribuiu drasticamente para sua decadência -, as séries de decisões erradas e o caos financeiro foram jogados por Peter Criss nas costas de Gene e Paul. Ou seja, no livro, usou a velha fórmula de perseguição, não assumiu os próprios erros, enfim, se fez no papel de vítima em toda a obra.

Vale a pena ler o livro sim, mas, só devemos tomar cuidado como verdade absoluta na obra, em especial em se tratando da parte relacionada ao Kiss, já que não tem como provar nada e que, além disso, só há um lado da história relatado.

A seguir, a ficha técnica do livro:

Livro: Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss
Autores: Peter Criss com Larry “Ratso” Sloman
Editora: Lafonte
Número de páginas: 384
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Preço médio: R$ 35,00

Por Jorge Almeida

Kiss lançará “Kiss Rocks Vegas” em agosto

"Kiss Rock Vegas", o próximo "live" do Kiss que será lançado no final de agosto. Crédito: divulgação
“Kiss Rocks Vegas”, o próximo “live” do Kiss que será lançado no final de agosto. Crédito: divulgação

A lendária banda norte-americana Kiss lançará no próximo dia 26 de agosto (um dia após Gene Simmons completar 67 anos) mais um álbum ao vivo de sua vasta discografia. Trata-se de “Kiss Rocks Vegas”, que será desencadeado pela Eagle Rock Entertainment. O trabalho terá diversos formatos: DVD + CD, Blu-ray + CD, DVD + 2 LP’s ou a edição “Deluxe”, que vem com DVD + Blu-ray + 2 CD’s.

Captado em meio da turnê “40th Anniversary World Tour”, os recentes integrantes do seleto Rock And Roll Of Fame agitou Las Vegas durante sua estadia no The Joint, no Hard Rock Hotel e Casino, em novembro de 2014. O material apresenta os maiores clássicos do Kiss ao longo de seu legado de 44 álbuns: “Rock And Roll All Nite”, “Detroit Rock City”, “Shout It Out Loud”, “Love Gun”, e outros mais. Como bônus, “Kiss Rock Vegas” inclui um setlist acústico com sete temas.

Com pirotecnia em abundância, o filme apresenta fogo, eletricidade e todo tipo de experiência que se tem em um show de rock, que fez com que o Kiss vendesse mais de 100 milhões de discos no mundo todo.

A luxuosa edição do material traz um pacote com capa dura, um livreto 12×12, ostentando fotos do show e um CD exclusivo.

Embora ainda não tenha previsão de lançamento no Brasil, “Kiss Rocks Vegas” pôde ser conferido em 30 salas de cinema do País no último dia 25 de maio.

Resta-nos agora aguardar e juntar uma graninha, pois, o próximo lançamento dos mascarados poderá custar algumas bagatelas de três dígitos.

A seguir, a ficha técnica e o setlist de “Kiss Rocks Vegas”.

Álbum: Kiss Rocks Vegas
Intérprete: Kiss
Lançamento: 26 de agosto de 2016
Gravadora: Eagle Rock Entertaiment

Paul Stanley: voz, backing vocal e guitarra-base
Gene Simmons: voz, baixo e backing vocal
Eric Singer: bateria, backing vocal e voz
Tommy Thayer: guitarra solo e backing vocal

1. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
2. Creatures Of The Night (Stanley / Mitchell)
3. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
4. Parasite (Frehley)
5. War Machine (Simmons / Adams / Vallance)
6. Tears Are Falling (Stanley)
7. Deuce (Simmons)
8. Lick It Up (Stanley / Vincent)
9. I Love It Loud (Simmons / Vincent)
10. Hell Or Hallelujah / Tommy Solo (Stanley) / (Thayer)
11. God Of Thunder (Stanley)
12. Do You Love Me (Stanley / Fowley / Ezrin)
13. Love Gun (Stanley)
14. Black Diamond (Stanley)
15. Shout It Out Loud (Stanley / Simmons / Ezrin)
16. Rock And Roll All Nite (Stanley / Simmons)
Acoustic Set:
17. Comin’ Home (Stanley / Frehley)
18. Plaster Caster (Simmons)
19. Hard Luck Woman (Stanley)
20. Christine Sixteen (Simmons)
21. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
22. Love Her All I Can (Stanley)
23. Beth (Criss / Penridge / Ezrin)

Por Jorge Almeida

Resenha do livro que conta os primórdios do Kiss

Livro traz cerca de 200 depoimentos de pessoas ligadas aos primeiros anos do Kiss
Livro traz cerca de 200 depoimentos de pessoas ligadas aos primeiros anos do Kiss

Lançado em 2013, o livro “Nothin’ To Lose – A Formação do Kiss – 1972-1975” traz em 560 páginas depoimentos de pessoas que fizeram parte do começo de uma das maiores bandas da história do rock, o Kiss. Escrito por Ken Sharp (jornalista responsável por outra obra envolvendo a banda – “Kiss – Por Trás das Máscaras”, de 2005), com colaboração de Gene Simmons e Paul Stanley, a obra foi lançada no Brasil pela editora Benvirá (selo da Editora Saraiva).

A obra apresenta mais de 200 depoimentos de pessoas que vão desde roadies, seguranças, técnicos de palcos, proprietários de clubes, fotógrafos, produtores, músicos, fãs, entre outros, o livro podemos definir como um autêntico dossiê do Kiss. Inclusive, há fotos raras do grupo.

O registro conta minuciosamente as adversidades que a banda e seu staff tiveram desde o começo: a dificuldade em conseguir encontrar uma gravadora e a rejeição dos promotores de eventos em incluir o grupo nos principais “points” de rock em Nova York, a busca pela fama e o estrelato, a ambição dos nova-iorquinos que quase levaram a gravadora Casablanca à falência, as fracas vendas dos primeiros álbuns – “Kiss” (1974), “Hotter Than Hell” (1974) e “Dressed To Kill” (1975) – até o estouro com “Alive!” (1975), que definitivamente salvaram as finanças do Kiss e, claro, da gravadora.

Os próprios integrantes – Ace Frehley, Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss – também deixam suas aspas na obra. Eles contam a origem de tudo, inclusive na forte influência do New York Dolls e de Alice Cooper, principalmente, nas maquiagens que consagraria o Kiss. Ou seja, em nenhum ponto o Secos & Molhados é citado, que fique claro.

Nos depoimentos, alguns entrevistados – como roadies e técnicos – destacam que o empenho em amor ao Kiss era tanto que, em algumas ocasiões, trabalhavam sem receber, mas valia a pena fazer todo o esforço para que o quarteto realizasse o espetáculo que, anos mais tarde, faria deles a “banda mais quente do mundo”. O “staff” também detalha a rivalidade com outros grupos, especialmente o Aerosmith e o New York Dolls.

Além disso, o livro mostra como os bombásticos shows da banda atraía o público, a tal ponto que fez outros grupos mais populares na época rejeitarem o Kiss como banda de abertura simplesmente pelo fato de o quarteto ofuscar a atração principal, e mesmo com a popularidade de suas apresentações, não estavam sendo traduzidos em vendagens de discos. E também aborda a visão ousada e criativa de seu empresário, Bill Aucoin, e de Neil Bogart (presidente da Casablanca), que não pouparam esforços para investirem no sucesso do Kiss, que foram recompensados com o “estouro” de “Alive!”, considerado um dos melhores registros ao vivo da história do rock, apesar de contar com “overdubs”.

E, assim como o livro de 2005, “Nothin’ To Lose” traz depoimentos “chapa branca” de membros de outras bandas, como Rush, Blue Öyster Cult, Black Sheep, entre outras, e, inclusive, em seu depoimento, o baterista do Red Hot Chili Pepper, Chad Smith, esteve presente no Cobo Hall, em Detroit, em uma apresentação da banda no registro que viria ser “Alive!”.

O título do livro – “Nothin’ To Lose” – foi tirado de uma das músicas de seu primeiro álbum. Mas a música que traz o enredo que define bem o árduo caminho percorrido pelo Kiss em busca do sucesso é “God Gave Rock ‘N’ Roll To You II”, faixa presente em “Revenge” (1992). Uma vez que “Nothin’ To Lose” (a música) fala sobre a insistência do interlocutor em coagir com a namorada a prática do sexo anal, ou seja, fugindo totalmente da temática do livro.

O livro é ideal para quem gosta do Kiss e para quem não gosta do Kiss, já que mostra detalhadamente a forma que o grupo batalhou para chegar até onde se encontra e que, quem quiser, se motivar em buscar o seu “lugar o Sol”, afinal, “it’s never too late to work nine-to-five”. Obrigatório.

A seguir a ficha técnica da publicação.

Livro: Nothin’ To Lose – A Formação do Kiss – 1972-1975
Autores: Ken Sharp com colaboração de Gene Simmons e Paul Stanley
Editora: Benvirá (selo da Editora Saraiva)
Número de páginas: 560 (fora as 32 páginas não numeradas com fotos)
Ano de edição: 2013 (1ª edição)
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida

Analisando a autobiografia de Paul Stanley, do Kiss

"Uma Vida Sem Máscaras", a ótima autobiografia de Paul Stanley
“Uma Vida Sem Máscaras”, a ótima autobiografia de Paul Stanley

A Belas-Artes foi a editora responsável em lançar aqui no Brasil a versão em português da autobiografia de Paul Stanley, eterno frontman do Kiss. Com o título “Uma Vida Sem Máscaras” (“Face The Music – A Life Exposed”), o livro traz em cerca de 530 páginas (sem contar as que contêm fotos, algumas inéditas, que não estão numeradas) memórias, histórias, os altos e baixos de um dos líderes de uma das maiores bandas da história do Rock.

Na obra, Paul Stanley (nascido a 20 de janeiro de 1952, em Nova York, como Stanley Harvey Eisen) revela coisas pessoais que muitos não sabiam (ou poucos tinham conhecimento), suas frustrações, a infância, a adolescência, a relação familiar, os amores, enfim, até chegar ao estrelato.

Stanley relata praticamente ao longo de todo o livro uma doença chamada microtia (uma deformidade na orelha que lhe causou surdez no lado direito) que o acompanha desde o nascimento. E conta as experiências traumáticas que ela lhe causou na infância, como o bullying na escola (era chamado “Stanley, monstro de uma orelha só”) e como aprendeu a lidar com isso durante os seus atuais 63 anos, sendo mais de 40 dedicados ao rock ‘n’ roll.

Paul dirige o leitor através de uma série de acontecimentos em sua vida pessoal, a sua paixão pela música que contribuiu para a formação do Kiss, a sua relação com os demais integrantes, e que ninguém (nem mesmo Gene Simmons, seu parceiro desde o começo) foi poupado, aliás, nem ele mesmo foi. Claro que grande parte da obra é concentrada em suas aventuras (dentro e fora dos palcos) com o Kiss.

E, mesmo sendo um rockstar, Starchild deixa nítido em sua autobiografia que o negócio, pelo menos para ele, não é “sexo, drogas e rock and roll”, mas sim apenas “sexo e rock and roll”. Além disso, os dotes de ator e artista plástico de Paul Stanley não ficaram de fora pelo autor.

Em um relato sincero, honesto, chocante e, ao mesmo tempo, engraçado, “Uma Vida Sem Máscaras” é, sem exagero, uma biografia obrigatória para quem gosta de rock, e para quem é fã do Kiss, não preciso nem comentar.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Uma Vida Sem Máscara (Face The Music – A Life Exposed)
Autor: Paul Stanley
Editora: Belas-Artes
Número de páginas: 528 (fora encarte com fotos)
Preço médio: R$ 57,00

Por Jorge Almeida

Analisando “Eu, S.A.”, de Gene Simmons

Capa de "Eu, S.A.", o livro do empreendedor Gene Simmons
Capa de “Eu, S.A.”, o livro do empreendedor Gene Simmons

Atenção!! Antes de prosseguir a leitura, um aviso: se você é metido a socialista, comunista e afins, enfim, é crítico ao que chamam de “capitalista opressor”, não precisa seguir adiante. Pois a breve análise que descreverei abaixo trata-se de um livro escrito por um capitalista convicto, orgulhoso morador dos Estados Unidos e sem papas na língua. Recado dado, prosseguimos. No último mês de abril, o Kiss passou por aqui e, em São Paulo, foi o headline do segundo dia do festival Monsters Of Rock. Na véspera de sua apresentação na capital paulista, o baixista Gene Simmons aproveitou para divulgar o seu mais recente livro na Livraria Cultura do Conjunto Nacional: “Eu, S.A.” (OK, o nome completo da obra é “Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios”). Claro que a presença do ‘linguarudo’ causou alvoroços no local.

Gene Simmons, como é de conhecimento de todos, é co-fundador do Kiss. Embora tenha mais de 40 anos de carreira, nos últimos anos, o baixista tem chamado mais atenção pelo que anda falando por aí do que pela música em si. Além disso, é muito conhecido no meio como “o homem dos negócios” do Kiss, enfim, o “marketeiro” da banda. Mas esse status atribuído a ele não veio por acaso. O livro retrata como Gene usufruiu da fama para se tornar um empreendedor e ficar milionário.

Lançado pela editora Fábrica 231, “Eu, S.A.” apresenta em um pouco mais de 250 páginas (25 capítulos mais prefácio – feito por John Varvatos e agradecimentos) divididos em duas partes – “Eu” e “Você” – em que Gene Simmons dá uma série de dicas e conselhos, alguns não tão recomendáveis assim, de como se tornar um empreendedor de sucesso, especialmente no ramo que adotou nas últimas quatro décadas.

Como se era de imaginar, o israelense naturalizado norte-americano, no começo, conta a dificuldade que tivera na infância em sua terra-natal, a sua vinda à “terra das oportunidades” (os EUA), os entreveros para montar uma banda de rock e o seu lado “muquirana” para conseguir os seus primeiros trocados.

Sendo um genuíno “self made man”, Simmons tornou-se ao longo dos anos, boa tarde atribuída ao sucesso do Kiss, um empreendedor de mão cheia. No livro, a sua nada modéstia prevalece: acredita nas suas convicções, descreve com orgulho a sua gama de negócio que vai além da música, como os itens de merchandising do Kiss (que vai desde camisetas a caixão), a criação de uma gravadora, uma rede de restaurantes, a realização de um reality show, personagem de videogames, de seu time de futebol americano, enfim, todas as empreitadas encaradas por esse mestre do marketing pessoal.

Entre os conselhos que Gene dá, por exemplo, “espalhar os riscos”, ou seja, investir em coisas diferentes, não tirar férias se você for jovem, priorizar a carreira para depois casar ou, ainda, aprender falar inglês, entre outras coisas.

Ele deixa bem claro que é um capitalista convicto e demonstra eterna gratidão aos Estados Unidos por ter conseguido tudo por lá. Mas a obra destaca também alguns pontos negativos no caminho que Simmons encontrou até chegar ao topo, como as crises com os integrantes do Kiss, os problemas que o reality show causou que quase culminou com o fim de sua relação com Shannon Tweed.

Embora muitos não gostem de sua personalidade arrogante e prepotente, Gene Simmons é um sujeito sincero e convicto de suas decisões, conforme o livro atesta e explica também os motivos que levam o Kiss a ser uma das bandas mais bem-sucedidas da história do rock (se bem que o alerta dado por Paul Stanley, relatada em sua biografia, sobre as finanças do grupo nos anos 1980 não é mencionada por Gene). E alguns de seus conselhos são realmente válidos para quem quer vencer no mundo dos negócios, não necessariamente no mundo do rock.

Aliás, quem comprar o livro como “fã do Kiss” poderá ficar decepcionado, pois o seu foco não é a banda, mas sim o empreendedorismo de um de seus fundadores.

Pelas redes circulam rumores de que o Kiss continuará após Gene Simmons e Paul Stanley se aposentarem. Muitos fãs e seguidores da banda acham isso um absurdo. Mas, após ler esse livro, poderá compreender que, de acordo com a filosofia de Gene – eternizar a marca “Kiss” – é uma atitude compreensível. E é mesmo. Afinal, já que o baixista trata o Kiss não apenas como uma banda de rock, mas sim como uma marca, poderá figurar para as próximas gerações o mesmo patamar de uma Coca-Cola ou uma Ford, por exemplo. Aliás, analisando bem, se o Kiss é uma marca, por que acabá-lo após as (possíveis) saídas de seus integrantes fundadores? Enfim, a Coca-Cola não deixou de existir quando John Pemberton, seu criador, morreu em 1888, ou até mesmo o Mc Donald’s não fechou suas portas devido às saídas da cena dos irmãos Dick e Maurice McDonald. Então, a mesma situação cabe à marca Kiss.

O livro é uma boa indicação para quem aprecia esses lances de empreendedorismo e tal, e, obviamente, para quem é fã de Gene Simmons, independentemente de suas opiniões, controversas ou não.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios
Autor: Gene Simmons
Editora: Fábrica 231
Ano de lançamento: 2015 – 1ª edição
Páginas: 255
Preço médio: R$ 23,50

Por Jorge Almeida

Monsters Of Rock (26.04.2015)

Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara
Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara

Assim como no dia anterior, o segundo dia do Monsters Of Rock apresentou calor imenso e o que há mais de tradicional em festivais, as lamentáveis filas. Contudo, não choveu. E a primeira banda a se apresentar na Arena Anhembi foi o Dr. Pheabes que tocou cerca de seis músicas pra dar uma agitada na galera.

Já o Steel Panther fez uma apresentação digna. Embora o concerto tenha começado com 15 minutos de atraso, a banda tocou sete músicas e dialogou bastante com a plateia. Com um estilo de humor que lembra o Massacration, a banda brincou com o público, falou besteiras e pediu para que as garotas mostrassem os seios e foram atendidos por algumas “minas com atitude”. Fizeram um hard rock que não comprometeu e agradaram até os mais “caretas”. Os temas dos caras basicamente são voltados ao sexo, como em “Asian Hooker“, que fala a respeito de transar com uma asiática, ou, ainda “17 Girls In a Row“, que descreve como se pratica sexo com 17 mulheres na noite passada.

Com cerca de 30 minutos de atraso, o show do sueco Yngwie Malmsteen ficou marcado pelo virtuosismo e malabarismo de guitarra. Além disso, a performance ficou prejudicada no início por alguns problemas técnicos, mas conseguiu resolver. Malmsteen, com o seu visual glam, fazia caretas, jogava a guitarra, a girava pelo corpo, solava com os dentes, enfim, fazia de tudo. Os pontos altos da sua apresentação foram quando tocaram “Purple Haze”, de Jimi Hendrix, e o clássico “Alone In Paradise”.

O Unisonic fez um show impecável. Capitaneados pela dupla Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra), ambos ex-Helloween, o grupo de power metal fez o público cantar, se emocionar com os solos e se entreterem com o carisma de Kiske. Com profissionalismo, o Unisonic fez tudo aquilo que se exige de um show de power metal: virtuosismo, vocais agudos e poses. E Kiske ainda passou a bola para Hansen, em “Star Rider”. E os caras levaram o público abaixo quando tocaram dois temas do Helloween: “March Of Time” e “I Want You”, que foram sucedidos no final pela faixa que dá nome à banda.

E quando a noite vinha chegando, o Accept comandou as ações no palco. Com riffs pesados e um desempenho excelente do guitarrista Wolf Hoffmann, os alemães desfilaram seus clássicos que agradaram o público em cheio. Enquanto o vocalista Mark Tornillo, cujo estilo é uma mescla de seu antecessor Udo Dirkschneider e Brian Johnson, do AC/DC, conduziu muito bem o show e não fez feio ao cantarolar os sucessos da banda. Destaques para o hino “Metal Heart” e, claro, “Balls To The Wall”, faixa-título do álbum de 1983 e o maior hit da banda.

Os “manowarriors” foram ao delírio quando chegou a vez dos, para eles, “Reis do Metal”. Ultrajados como guerreiros, o Manowar entrou no palco e tocou os seus clássicos em um volume absolutamente alto, inclusive com direito as cordas falharem em algumas ocasiões e que eram abafadas pela potência vocal de Eric Adams. E entre uma música e outra que falavam em “kill”, os súditos do Manowar faziam o tradicional gesto característico da “seita”: braços erguidos com uma mão segurando o punho do outro braço. Um dos pilares da apresentação da banda norte-americana foi durante a instrumental “Fallen Brothers” que, enquanto era executada, aparecia imagens de nomes que eram ligados direta ou indiretamente ao Manowar, entre eles Ronnie James Dio, Orson Welles (cineasta que participou em duas músicas do grupo narrando áudios) e Scott Columbus (ex-baterista do Manowar). E, após o solo de Karl Logan, Joey DeMaio conversou em português com o público, desejou melhoras a Lemmy Kilmister e disse, entre outras coisas, que “quem não gosta de Heavy Metal, do Brasil, do Manowar e dos fãs de Manowar nós dizemos o quê? Vai se f*der!”. E vale destacar que Robertinho do Recife fez uma participação especial nas guitarras. Nos momentos finais do show, o hit “Battle Hymns” fez o público agitar, especialmente quando as palavras “kill” e “victory” apareciam no telão. Para encerrar, DeMaio arrancou as cordas de seu baixo e as entregou para as fãs enquanto as convidava para transar com elas.

O show do Judas Priest, que veio na sequência, foi praticamente o mesmo da noite anterior, porém, mais curto. Talvez que, por isso, parte do público não parecia muito empolgada por ter visto a banda no dia anterior. A diferença é que os Metal Gods tocaram três músicas a menos. Mas os clássicos estavam lá: “Metal Gods”, “Breaking The Law”, “Hell Bent For Leather”, que foi a deixa para Rob Halford entrar de motocicleta no palco, “Turbo Lover”, “Painkiller” e o encerramento apoteótico com “Living After Midnight”.

E, com cerca de 50 minutos de atraso, enquanto rolava “Rock And Roll”, do Led Zeppelin ecoava pelo Anhembi, à 12h15, aquela famosa voz de apresentação que termina com “the hottest band the world… KISS” para, em seguida, cair a cortina preta com o logo prateado da banda e um festival de fogos, explosões, pirotecnia, luzes e cores, que continuaram durante a performance do Kiss. E a abertura foi com a ‘classuda’ “Detroit Rock City”. Na sequência, Paul Stanley (voz e guitarra), Gene Simmons (voz e baixo), Tommy Thayer (guitarra e backing vocal) e Eric Singer (bateria e backing vocal) comandaram a festa. Apesar da manjada apresentação, o Kiss surpreendeu os fãs ao colocar “Parasite” no setlist. De resto, foi clássico atrás de clássico. A lamentar apenas a situação vocal de Paul Stanley que estava aquém do esperado. O carismático vocalista conversou bastante com a plateia e disse algumas frases em português como “Vocês são demais!”. E o show teve o tradicional cuspe de fogo de Gene após “War Machine”, o baixista ainda cuspiu sangue e foi alçado até o ponto mais alto do palco para tocar “God Of Thunder” e ainda o público conferiu Paul Stanley se direcionando via tirolesa até o meio da arena, onde cantou “Love Gun” e os primeiros versos de “Black Diamond”, que foi cantarolada por Eric Singer. Quanto aos clássicos, além das citadas neste parágrafo teve “Creatures Of The Night”, “I Love It Loud”, “Calling Dr. Love”, “Deuce”, entre outros, além de “Hell Or Hallelujah”, do álbum “Monster”, e potencial clássico. Na volta para o bis, três músicas: “Shout It Out Loud”, “I Was Made For Lovin’ You” e “Rock And Roll All Nite”, onde rolou a habitual chuva de papel picado. Depois do show, o público se dispersou pela arena ao som de “God Gave Rock And Roll To You II”, que saía das caixas de som. Um final de festival apoteótico.

Enfim, a edição 2015 do Monsters Of Rock foi de bom para excelente. Assim como qualquer festival teve seus altos e baixos que aqui pretendo resumir. De positivo, foi a estrutura que melhorou bastante, teve área de merchandising, área gourmet e o cast só não foi perfeito porque, no sábado, o Black Viel Brides foi escalado no momento errado. Talvez se a banda fosse tocar no domingo, não teria todo o transtorno que ocorreu. Os pontos negativos foram os atrasos da maioria das bandas e os preços salgados de algumas coisas, como a cerveja que estava R$ 9,00, o copo, e R$ 12,00 em um cachorro quente, por exemplo. Mas, no final, o saldo foi mais positivo e do que negativo.

A seguir, o setlist das bandas que tocaram no segundo dia do MOF (exceto do Yngwie Malmsteen).

DOCTOR PHEABES:
1. Seventy Dogs
2. Where Do You Come From?
3. Godzilla
4. Sound
5. Suzy
6. Seventy Dogs

STEEL PANTHER:
1. Pussywhipped
2. Party Like Tomorrow Is the End of the World
3. Asian Hooker
4. Eyes of a Panther
5. 17 Girls in a Row
6. Community Property
7. Party All Day (Fuck All Night)
8. Death to All but Metal

UNISONIC:
1. Venite 2.0
2. For the Kingdom
3. Exceptional
4. Star Rider
5. Your Time Has Come
6. When the Deed Is Done
7. King for a Day
8. Throne of the Dawn
9. March of Time
10. I Want Out
11. Unisonic

ACCEPT:
1. Stampede
2. Stalingrad
3. London Leatherboys
4. Restless and Wild
5. Final Journey
6. Princess of the Dawn
7. Pandemic
8. Fast as a Shark
9. Metal Heart
10. Teutonic Terror
11. Balls to the Wall

MANOWAR:
1. Manowar
2. Metal Daze
3. Kill With Power
4. Sign of the Hammer
5. The Dawn of Battle
6. Bass Solo / Sting of the Bumblebee
7. Fallen Brothers / Karl’s Solo
8. Warriors of the World United
9. Kings of Metal
10. Hail and Kill
11. The Power
12. Battle Hymn
13. Black Wind, Fire and Steel
14. The Crown and The Ring
15. The Crown and the Ring (Lament of the Kings)

JUDAS PRIEST:
Battle Cry (Intro)
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim of Changes
5. Halls of Valhalla
6. Turbo Lover
7. Redeemer of Souls
8. Jawbreaker
9. Breaking the Law
10. Hell Bent for Leather
Bis:
11. The Hellion
12. Electric Eye
13. Painkiller
14. Living After Midnight

KISS:
1. Detroit Rock City
2. Creatures of the Night
3. Psycho Circus
4. I Love It Loud
5. War Machine
6. Do You Love Me
7. Deuce
8. Hell or Hallelujah
9. Calling Dr. Love
10. Lick It Up
11. Bass Solo
12. God of Thunder
13. Parasite
14. Love Gun
15. Black Diamond
Bis:
16. Shout It Out Loud
17. I Was Made for Lovin’ You
18. Rock and Roll All Nite

Por Jorge Almeida