Kiss: 25 anos de “Kiss My A**”, o álbum-tributo ao Kiss

“Kiss My A**: Classic Kiss Regrooved”: álbum-tributo ao Kiss que completa 25 anos nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, 21 de junho, o álbum-tributo ao Kiss, “Kiss My A**: Classic Kiss Regrooved“, completa 25 anos. Lançado pela Mercury Records, o registro traz várias bandas interpretando 12 temas do Kiss. O álbum recebeu o disco de platina pela RIAA. O tributo foi lançado para comemorar os 20 anos da banda nova-iorquina. Em alguns mercados, o termo “A**” foi substituído por “Ass”, quem entende de inglês sabe bem o motivo.

Além do disco foi lançado também um homevídeo (VHS) que leva o nome do tributo. Porém, diferentemente do álbum, esse projeto tem pouco a ver, pois mostra somente detalhes da capa e cenas de gravações em estúdio do Anthrax e Gin Blossons. O restante do vídeo é composto por cenas de apresentações da banda desde 1975.

Em relação à capa, alguns pontos interessantes: há edições do play em que a bandeira dos Estados Unidos que fica ao fundo foi substituída pela do país de lançamento, casos de Japão, Canadá e Austrália. Então, a capa traz uma típica família norte-americana (pai, mãe e filhos – um menino e uma menina) à mesa em que cada integrante aparece com as tradicionais máscaras da fase clássica do Kiss, exceto a de Ace Frehley, que foi substituída por conta de problemas jurídicos. Então, a solução foi resgatar uma antiga make-up que Paul Stanley usava nos primeiros passos da banda – a do bandido.

O disco chegou ao 19º lugar das paradas, permaneceu por 13 semanas e desapareceu também por conta da falta de empenho da divulgação por parte da gravadora. Embora, Paul Stanley e Gene Simmons se esforçaram para lançar o material promocional: uma entrevista em uma rádio aqui, outra ali, uma aparição com um dos músicos que gravaram o projeto e tal. Além disso, no restante do ano, o Kiss fez uma turnê intitulada “Kiss My Ass Tour” pela América do Norte, Central e do Sul, com direito a ser o headline do Monsters Of Rock, e, no Brasil, o grupo tocou em São Paulo.

Mas, voltando para o álbum, ele é marcado por faixas interessantes, outras nem tanto e ainda tem as totalmente dispensáveis ou desnecessárias mesmo.

Entre os destaques estão as versões pesada que o Anthrax fez para “She“, a ótima “Detroit Rock City“, gravada por The Mighty Mighty Bosstones, que trocou o solo de guitarra por metais no meio da faixa, deixando-a interessante, enquanto o Die Ärtze fez uma versão pesada e em alemão de “Unholy“, que foi o único tema da fase sem maquiagem lançada no tributo. Enquanto isso, Garth Brooks manteve-se fiel ao country em “Hard Luck Woman“, que teve o próprio Kiss como banda de apoio. Já Lenny Kravitz, com participação de Stevie Wonder, fez um belo cover de “Deuce“, que ficou a sua cara. O Extreme deixou a clássica “Strutter” mais funkeada e não fez feio. E Gin Blossons tenta manter a fidelidade do arranjo original de “Christine Sixteeen” que não comprometeu.

No entanto, a versão instrumental de “Black Diamond“, feita por Yoshiki, nem fede e nem cheira. Na parte dos dispensáveis, o play tem as versões de “Calling Dr. Love“, “Goin’ Blind” e “Plaster Caster“, respectivamente gravadas por Shandi’s Addiction, Dinosaur Jr. e The Lemonheads. E, sinceramente, aquela que considerado o tiro no pé de todo o projeto: “Rock And Roll All Nite“, feita por Toad The Wet Sprocket, que fez uma versão totalmente diferente do hino do Kiss: uma balada bem sem graça que contrasta (e muito!) com a enérgica música. Uma faixa facilmente de pular quando o disco estiver tocando.

Enfim, “Kiss My A**…“, é considerado o “tributo oficial” do Kiss, mas não significa que é o melhor, pois, há outros tributos ao quarteto de Nova York, como o “Flaming Youth: A Norwegian Tribute to KISS” (1994), com covers feitos por bandas conhecidas na Escandinávia.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Kiss My A**: Classic Kiss Regrooved
Lançamento: 21 de junho de 1994
Gravadora: Mercury Records
Produtores: diversos

1. Deuce (Simmons) – Lenny Kravitz (feat. Stevie Wonder)
2. Hard Luck Woman (Stanley) – Garth Brooks e Kiss
3. She (Simmons / Coronel) – Anthrax
4. Christine Sixteen (Simmons) – Gin Blossons
5. Rock And Roll All Nite (Stanley / Simmons) – Toad The Wet Sprocket
6. Calling Dr. Love (Simmons) – Shandi’s Addiction
7. Goin’ Blind (Simmons / Coronel) – Dinosaur Jr.
8. Strutter (Stanley / Simmons) – Extreme
9. Plaster Caster (Simmons) – The Lemonheads
10. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin) – The Mighty Mighty Bosstones
11. Black Diamond (Instrumental) (Stanley) – Yoshiki
12. Unholy (German version) (Simmons / Vincent) – Die Ärtze

Por Jorge Almeida

Show do Kiss Cover Brazil no Teatro Net São Paulo (15.02.2019)

O Kiss Cover Brazil atuando em conjunto com a Orquestra Rockphonica de São Paulo homenageando o álbum “Alive IV”, do Kiss. Foto: Jorge Almeida

Em um projeto ousado, o Kiss Cover Brazil se apresentou nesta noite chuvosa de sexta-feira (15) no Teatro Net, em São Paulo. A banda-tributo do Kiss apresentou boa parte do repertório que o grupo de Gene Simmons e Paul Stanley executaram em seu “Kiss Symphony: Alive IV“, álbum ao vivo lançado em 2003. Sim, com direito a presença de uma orquestra “rockfônica” no palco.

Assim como o disco ‘live’ do Kiss, a primeira parte do espetáculo do KCB começou com um repertório “elétrico”. Com direito à famosa voz das ‘intro’ dos shows do Kiss: “all right… you wanna the best, you got the best! The hottest band in the world… KISS“, o quarteto brasileiro formado por Felipe Mendes/Gene Simmons (baixo e voz); Luigi Piovesan/Paul Stanley (guitarra e voz), que foi o aniversariante do dia; Allan Juliano/Peter Criss (bateria/backing vocal) e Diego Amorim/Tommy Thayer (guitarra/backing vocal) surgiram no palco às 21h15 e já mandaram um quinteto de clássicos do Kiss, assim como no repertório gravado pelos novaiorquinos na Austrália: “Deuce“, “Strutter“, “Lick It Up“, “Calling Dr. Love“, com um pequeno problema técnico no microfone de Simmons, mas que não comprometeu a performance, e “Psycho Circus“. Aliás, dessa parte do show apenas “Let Me Go, Rock N’ Roll“, que fez parte do tracklist do disco, que não foi executado na noite.

Na sequência, a banda fez uma pequena pausa para a troca de instrumentos e para a entrada dos músicos da Orquestra Rockphonica de São Paulo no palco para darem continuidade ao ato dois do espetáculo: o Kiss acústico com orquestra. Evidentemente, que o projeto não inclui a mesma quantidade de músicos da Orquestra Sinfônica de Melbourne. Sob a batuta do maestro Ederlei Lirussi, que também estava maquiado como os caras do Kiss, o Kiss Cover Brazil e orquestra tocaram quase todos os temas acústicos de “Alive IV“, exceto “Beth“, que teve início com “Forever“, uma das mais aclamadas, seguido de “Goin’ Blind“, que Felipe Mendes mandou muito bem nos vocais, “Sure Know Something“, uma aula de interpretação de Diego Amorim, e o ato foi finalizado com “Shandi“, o principal hit do álbum “Unmasked” (1980), do Kiss.

Depois do “aquecimento”, os músicos do KCB trocaram os instrumentos acústicos pelos elétricos e, juntamente com a Orquestra Rockphonica, seguiram com o ato 3. Começaram detonando tudo com uma trinca de clássicos do álbum “Destroyer” (1976): “Detroit Rock City“, “Do You Love Me?” e “Shout It Out Loud“, depois vieram os solos de guitarra de Diego Amorim e de baixo por Felipe Mendes, com direito ao “cuspimento de sangue”, assim como Gene Simmons faz antes de tocar “God Of Thunder” que, inclusive, foi a música executada na sequência. O espetáculo seguiu com “Love Gun“, “Black Diamond“, com os vocais de Allan Juliano, e finalizando com a dobradinha “I Was Made For Lovin’ You” e, claro, “Rock And Roll All Nite“. Assim, o ato três do KCB só não contou com “King Of The Night Time World” e “Great Expectations“, mas o público certamente nem ligou.

Dentro da proposta do projeto, o Kiss Cover Brazil e a Orquestra Rockphonica de São Paulo beiraram à perfeição. Evidentemente pelo fato de o evento ser realizado dentro de um teatro, toda a parafernália e pirotecnia característicos dos shows do Kiss não foram viáveis colocar na prática, no entanto, foi feito nas devidas proporções: as labaredas foram substituídas por luzes e a chuva de papel picado foi trocada por balões coloridos. Mas vale enaltecer bastante os figurinos, os trejeitos e a sonoridade fidedigna que fizeram do Kiss. Assim como no famoso vídeo que rola no YouTube com os remanescentes do Led Zeppelin orgulhosos de ver uma interpretação impecável de “Stairway To Heaven“, feita por Ann e Nancy Wilson, do Heart, certamente, se Gene Simmons e Paul Stanley estivessem no Teatro Net ontem estariam bastante orgulhosos dos caras.

E, só para finalizar, em um clima descontraído entre o pessoal do KCB e o público, Luigi Piovesan ganhou um bolo de aniversário e os parabéns da plateia que, vale destacar, contou com a presença de bastante crianças. Assim, depois de uma hora e meia de rock ‘n’ roll, o público deixou as dependências do teatro para encarar o trânsito e a chuva de “São Paulo Rock City”.

A seguir, o setlist da apresentação do Kiss Cover Brazil.

1. Deuce (Simmons)
2. Strutter (Stanley / Simmons)
3. Lick It Up (Vincent / Stanley)
4. Calling Dr. Love (Simmons)
5. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
6. Forever (Stanley / Bolton)
7. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
8. Sure Know Something (Stanley / Poncia)
9. Shandi (Stanley / Poncia)
10. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
11. Do You Love Me? (Stanley / Ezrin / Fowley)
12. Shout It Out Loud (Simmons / Stanley / Ezrin)
13. Guitar Solo / Bass Solo
14. God Of Thunder (Stanley)
15. Love Gun (Stanley)
16. Black Diamond (Stanley)
17. I Was Made For Lovin’ You (Stanley / Child / Poncia)
18. Rock And Roll All Nite (Simmons / Stanley)

Valeu o espetáculo. Com certeza.

Por Jorge Almeida

Kiss anuncia sua turnê de despedida após quatro décadas de dedicação ao rock

“End Of The Road”, a última turnê do Kiss que começará em 2019. Créditos: kissonline.com

O Kiss anunciou nesta quarta-feira (19) que a sua próxima turnê será a última da banda. Intitulada “End Of The Road Tour”, a última tour do grupo liderado por Gene Simmons e Paul Stanley terá início em 2019. O anúncio foi feito durante uma participação que o quarteto fez no talent show norte-americano “America’s Got Talent”. No entanto, ainda não foram relevadas datas e nem itinerários da turnê derradeira.

Antes mesmo de o Kiss anunciar sua turnê de despedidas, boatos relacionados ao assunto vieram à tona após ter sido registrada a marca que dá nome à tour através da Kiss Catalog Ltd. A solicitação havia sido homologada à United States Patent and Trademark Office (USPTO).

Em depoimento destinado à imprensa, Paul Stanley disse: “Essa será nossa última turnê. Será o maior e mais explosivo show que já fizemos. Pessoas que nos amam, venham nos ver. Se você nunca nos viu, essa é a hora. Será o show”.

Em se tratando de Kiss, os fãs mais fervorosos esperam que essa não seja, de fato, a turnê de despedida da banda, já que essa não é a primeira vez que o grupo faz anúncio do tipo. Em 2000, o Kiss anunciou que encerraria suas atividades. Na época, os caras estavam com a formação original (Gene, Paul, Peter e Ace) e realizaram a “Farewell Tour”. A tour excursionou pela América do Norte no mesmo ano e que, após àquele que seria o show “derradeiro” do grupo, o contrato de Peter Criss se encerraria, mas devido à marcação de datas para tocarem na Ásia e na Austrália em 2001, The Catman não renovou e, com isso, Eric Singer assumiu o banquinho da bateria.

Depois, em 2002, agora sem Ace Frehley, mas com Criss de volta, o Kiss disse que não iria se aposentar. Em 2003, realizaram a “World Domination Tour”, já com o atual guitarrista Tommy Thayer no posto deixado por Ace. E, finalmente, em 2004, o contrato de Peter Criss não foi renovado e ele foi substituído mais uma vez por Eric Singer. E, com essa formação, o Kiss ainda lançou dois discos de estúdio (“Sonic Boom”, em 2009, e “Monster”, em 2012).

Formado em Nova York em 1973, o Kiss lançou ao longo de seus 45 anos de carreira, 20 discos de estúdio, oito álbuns ao vivo e 13 compilações, além de mais de 60 singles. E a banda já se apresentou no Brasil em pelo menos seis oportunidades: 1983, 1994, 1998, 2009, 2012 e 2015. O Kiss foi introduzido ao Hall da Fama do Rock And Roll em 2014.

Será que agora é para valer?

Por Jorge Almeida

Kiss: 15 anos de “KISS Symphony: Alive IV”

“KISS Symphony: Alive IV”: as versões em CD duplo e simples do show que o Kiss realizou com a Orquestra Sinfônica de Melbourne, na Austrália, em 2003

Neste domingo, 22 de julho, o álbum “KISS Symphony: Alive IV” faz 15 anos de seu lançamento. Gravado ao vivo no Etihad Stadium (anteriormente conhecido como Telstra Dome), em Melborne, na Austrália, em 28 de fevereiro de 2003, o material traz a banda norte-americana tocando seus principais sucessos com a Melbourne Symphony Orchestra sob a regência do renomado David Campbell. Com produção de Mark Opitz, a obra foi lançada pela Sanctuary Records e Kiss Records nos formatos CD duplo, CD simples e DVD.

Com 21 temas distribuídos em dois CD’s, o show foi dividido em três “atos”. No primeiro, entra o Kiss “elétrico” com Gene Simmons (baixo e voz), Paul Stanley (guitarra e voz), Peter Criss (bateria e backing vocal) e Tommy Thayer (guitarra e backing vocal) que tocam seis músicas. No segundo ato, a banda toca com uma parte da Orquestra Sinfônica de Melbourne em formato acústico – essas duas partes ocupam o CD 1. Enquanto isso, no CD 2, o Kiss e a orquestra, agora completa com cerca de 60 pessoas e todas maquiadas com os personagens dos integrantes do Kiss, inclusive o maestro David Campbell e, juntos, executam onze temas, enfatizando boa parte das músicas do álbum “Destroyer”. Vale frisar que as músicas que aparecem no álbum estão na ordem em que elas foram executadas no concerto.

Na conferência de imprensa sobre o anúncio do show, os três integrantes da formação original do Kiss (Gene, Paul e Peter) falaram da expectativa do concerto com orquestra. Stanley prometera que “o resultado não será menor do que um ‘boom sonoro sinfônico’”. Esse foi o único registro oficial da discografia do grupo que foi lançado com essa formação.

Antes do lançamento de “Kiss Symphony: Alive IV”, em 2000, a banda tinha planos de lançar o Alive IV “original”, ou seja, com a formação clássica reunida, porém, isso foi negado pela política de selos e contratos. A obra foi arquivada e uma versão de “Rock And Roll All Nite” saiu no “The Box Set” (2001). Depois, o grupo mudou de gravadora: saiu da Universal/Island para a Sanctuary Music e lançou esse registro. No entanto, em 2006, o que era para ser o quarto álbum “Alive” apareceu como “The Millennium Concert” em um box com todos os álbuns da série de discos ao vivo intitulada “Kiss Alive! 1975-2000”.

Mas, voltando para a apresentação realizada na Austrália, o ato inicial começa com a banda executando dois clássicos do primeiro álbum: “Deuce” e “Strutter”. Na sequência, outro petardo: “Let Me Go, Rock ‘N’ Roll”, de “Hotter Than Hell” (1974). E, antes de anunciar a próxima, Paul Stanley dialoga com o público e destacou a presença de fãs de várias partes do mundo presentes, inclusive do Brasil. O show seguiu com mais três sucessos: “Lick It Up”, “Calling Dr. Love” e “Psycho Circus”, que foi a única dos anos 1990 tocada na noite. E fim do primeiro ato.

O segundo ato, em formato acústico, teve início com Peter Criss à frente do palco cantarolando a sua eterna “Beth”.  Na sequência, foi a vez de Paul Stanley mandar ver com a melódica “Forever” e Gene assumir os vocais da incrível “Goin’ Blind”. E as duas últimas baladas ficam por contas de temas que são tratados como verdadeiros hinos pelos países da Oceania: “Sure Know Something” e “Shandi”. Isso porque quando o Kiss tocou pela primeira vez no continente, em 1980, o grupo estava em turnê com o álbum “Unmasked” e, naquela época, parte do setlist era composto por faixas desse disco e também de “Dynasty” (1979), que Paul Stanley reforçou no show que, lá na terra dos cangurus, eles pronunciam “Dinasty”. Ou seja, é o mesmo efeito que “Creatures Of The Night” (1982) tem aqui para nós brasileiros.

O CD 2, que traz toda a Melbourne Symphony Orchestra completa, começa muito bem com o hino “Detroit Rock City”, emendada com “King Of The Night Time World”. Posteriormente, mais um som de “Destroyer”: “Do You Love Me?”, que ficou sensacional com a presença da orquestra. A festa sinfônica deu sequência com outro hit: “Shout It Out Loud”. E, antes de começar a canção seguinte, em seu tradicional “Bass Solo”, Gene Simmons faz careta, cospe “sangue” e é alçado por cabos de aço até o alto do palco, onde havia um espaço para ele, de lá, cantar de forma endiabrada a fantástica “God Of Thunder”, que ficou mais pesada ainda com o desempenho da orquestra. Com Peter Criss batendo na caixa em ritmo de marcha na introdução, parecia que estávamos indo em direção às trevas. O show seguiu com “Love Gun” que, enquanto a ‘intro’ era executada, Paul Stanley contou com o auxílio de uma tirolesa que o transportou até uma plataforma instalada no meio da arena e, de lá, cantou a faixa-título do disco de 1977. Contrastando com a performance demoníaca de “God Of Thunder”, o mesmo “The Demon” mostra suavidade na bela “Great Expectations”, que teve o suporte das crianças do Australian Children’s Choir no backing vocal. E, para finalizar o concerto: “I Was Made For Lovin’ You”, que o público celebrou efusivamente, assim como o ‘gran finale’ com a obrigatória “Rock And Roll All Nite” e a tradicional “chuva” de papel picado.

Além do excelente repertório, o registro também apresenta um conjunto de imagens espetaculares do show, inclusive os closes dados em fãs que, inclusive, com alguns deles com as maquiagens dos integrantes. E sem falar os habituais espetáculos de pirotecnia e luzes e tudo isso com a orquestra maquiada mandando ver nos temas.

O material também foi lançado em DVD duplo (que saiu em setembro de 2003). Além do mesmo show do CD duplo, um dos DVD’s traz os costumeiros extras, que mostra o make-off do show e outras coisas mais, mas com destaque para a entrevista do Kiss e a performance de “Sure Know Something” com parte da orquestra em uma emissora de TV australiana.

Curiosamente, foi lançada uma edição limitada de dez mil cópias numeradas em vinil nos Estados Unidos. E, em 7 de outubro de 2003, o álbum ganhou uma edição em CD simples, obviamente com menos músicas, porém, com uma faixa bônus: “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?”, que o Kiss gravou para o álbum-tributo aos Ramones (“We’re A Happy Family”) lançado no mesmo ano. Contudo, o Kiss gravou com uma nova formação: Simmons, Stanley, Thayer e Eric Singer, que substituiu Peter Criss. Além deles, Scott Paige, saxofonista que trabalhou com o Pink Floyd no começo dos anos 1970, e Derek Sherinian, nos teclados, participaram da gravação do tema ‘ramônico’.

Esse é um grande registro ao vivo do rock. A mistura de “couro preto com smoking” protagonizado entre o Kiss e a orquestra sinfônica de Melbourne deu certo, pelo menos em minha concepção. Pois, as músicas ganharam mais peso e o espetáculo continuou de qualidade ímpar, coisas que só o Kiss é capaz de proporcionar. Na dúvida entre o CD e o DVD: leve os dois, se puder. Vale cada centavo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão dupla e simples) da obra.

Álbum: KISS Symphony: Alive IV
Intérprete: Kiss
Lançamento: 22 de julho de 2003
Gravadora: Sancturary Records / Kiss Records
Produtor: Mark Opitz

Paul Stanley: guitarra base e voz
Gene Simmons: baixo e voz
Peter Criss: bateria e voz
Tommy Thayer: guitarra solo e backing vocal
Eric Singer: bateria em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?

The Melbourne Symphony Orchestra
David Campbell: maestro
Australian Children’s Choir: coral em “Great Expectations
Scott Paige: saxofone em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?
Derek Sherinian: teclados em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?

Versão CD duplo:
CD 1:
Act One – Kiss
1. Deuce (Simmons)
2. Strutter (Stanley / Simmons)
3. Let Me Go, Rock ‘N’ Roll (Stanley / Simmons)
4. Lick It Up (Vincent / Stanley)
5. Calling Dr. Love (Simmons)
6. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
Act Two – Kiss with The Melbourne Symphony Ensemble
7. Beth (Criss / Penridge Ezrin)
8. Forever (Stanley / Bolton)
9. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
10. Sure Know Something (Stanley / Poncia)
11. Shandi (Stanley / Poncia)

CD 2:
Act Three – Kiss with The Melbourne Symphony Orchestra
1. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
2. King Of The Night Time World (Stanley / Ezrin / Fowley / Anthony)
3. Do You Love Me? (Stanley / Ezrin / Fowley)
4. Shout It Out Loud (Simmons / Stanley / Ezrin)
5. God Of Thunder (Stanley)
6. Love Gun (Stanley)
7. Black Diamond (Stanley)
8. Great Expectations (Simmons / Ezrin)
9. I Was Made For Lovin’ You (Stanley / Child / Poncia)
10. Rock And Roll All Nite (Simmons / Stanley)

Versão CD simples:
Act One – Kiss
1. Deuce (Simmons)
2. Lick It Up (Vincent / Stanley)
3. Calling Dr. Love (Simmons)
Act Two – Kiss with The Melbourne Symphony Ensemble
4. Beth (Criss / Penridge / Ezrin)
5. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
6. Shandi (Stanley / Poncia)
Act Three – Kiss with The Melbourne Symphony Orchestra
7. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
8. King Of The Night Time World (Stanley / Ezrin / Fowley / Anthony)
9. Do You Love Me? (Stanley / Ezrin / Fowley)
10. Shout It Out Loud (Simmons / Stanley)
11. God Of Thunder (Stanley)
12. Love Gun (Stanley)
13. Black Diamond (Stanley)
14. Great Expectations (Simmons / Ezrin)
15. Rock And Roll All Nite (Simmons / Stanley)
16. Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio? (bônus track) (Joey Ramone)

Por Jorge Almeida

Kiss: 20 anos de “Carnival Of Souls – The Final Sessions”

“Carnival Of Souls – The Final Sessions”: o álbum “esquecido” do Kiss

Hoje, 28 de outubro, o décimo sétimo disco de estúdio do Kiss, “Carnival Of Souls – The Final Sessions”, completa 20 anos de seu lançamento. Gravado entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996, o material foi produzido por Toby Wright, Gene Simmons e Paul Stanley. Na verdade, trata-se de um álbum “esquecido” na já vasta discografia da banda norte-americana. Isso se deve porque o disco precisou ser lançado em meio à turnê da volta da formação clássica.

O play traz uma mistura de estilos musicais, com mais influência do grunge de Seattle, especialmente pelo Alice In Chains, e, devido a isso, o material não foi muito bem visto pelos fãs. Além disso, foi o último trabalho com a formação Gene Simmons, Paul Stanley, Bruce Kulick e Eric Singer. Fora o grunge, vertentes do rock como doom metal se faz presente em canções como “Jungle” e “Seduction Of The Innocent”, enquanto a faixa de abertura, “Hate”, traz uma pegada associada ao trash. Mas o heavy metal dá as caras em temas como “Rain” e “In The Mirror” e uma pitada de progressivo, como em “I Walk Alone” que é cantada por Bruce Kulick – é a única música em que o competente guitarrista soltou o gogó na banda em quase doze anos.

Assim como “Music From (The Elder)”, de 1981, esse álbum também não contou com uma turnê de divulgação. Semanas após a apresentação para o “Unplugged Mtv”, a line-up do Kiss da época (Simmons, Stanley, Kulick e Singer) entrou em estúdio depois de três anos para gravar “Carnival Of Souls…”, que ficou engavetado por quase dois anos e o disco só saiu porque cópias ‘bootlegs’ do álbum já circulavam amplamente entre os fãs. Então, para não ter um prejuízo maior, o Kiss e a gravadora optaram em montar um copilado dessas canções compostas pela banda que saíram nesses materiais não-oficiais e juntá-lo em um disco oficial.

Inclusive, algumas faixas, como “Childhood’s End” e “In My Head” foram compostas por Gene Simmons em parceria com dois ex-integrantes do Black ‘N’ Blue – o vocalista Jaime St. James e o guitarrista Tommy Thayer, que substituiu Ace Frehley no Kiss a partir de 2003.

O disco abre com a ‘raivosa’ “Hate”, que traz um baixo pesado e o vocal rancoroso de Gene Simmons. Na sequência, “Rain” traz um Paul Stanley em plena forma e um ótimo riff e muito barulho. O terceiro tema é “Master & Slave”, que contém outro baixo pesado e um formidável trabalho de Bruce Kulick no solo, além de um “seco” Eric Singer, que não firulou na música. Posteriormente, o álbum segue com a bela “Childhood’s End”, que mostra um desempenho impecável de Simmons aliado a um refrão pegajoso. Aliás, é uma espécie de “Great Expectations” (um lado B de “Destroyer”) dos anos 1990. A faixa cinco é “I Will Be There”, que foi uma tentativa (frustrada) de Paul Stanley fazer uma balada semelhante à belíssima “I Still Love You”, clássico de “Creatures Of The Night” (1982). A canção tem seus méritos, como o aprimorado arranjo de cordas, porém, não está dentre as melhores baladas da banda. E o play chega à metade com “Jungle”, que tem um bom riff de baixo, que foi complementado pelas guitarras, faz dela uma das melhores músicas feitas com essa formação. Aliás, o baixo nesta (e também em outras) foi feito por Bruce Kulick.

A sétima faixa é “In My Head”, composta por Gene Simmons e Scott Van Zen (que também colaborou com o baixista em “Spit”, faixa de “Revenge”). Apesar do peso e da simplicidade, em minha opinião, é a faixa mais fraca do disco. O álbum segue com a lenta “It Never Goes Away”, que mistura os duetos vocais do Alice In Chains e um clima à Black Sabbath por conta do riff “iommístico”. A faixa nove é “Seduction Of The Innocent”, outra parceria Simmons/Van Zen, que traz uma boa interpretação de Gene. Em seguida, o play continua com “I Confess”, que poderia muito bem fazer parte de um álbum solo do baixista, mas que foge um pouco da atmosfera do disco, mas que traz excelentes versos. A penúltima faixa é “In The Mirror”, que tem a bateria seca de Eric Singer e um ótimo solo de Kulick como destaques, além de boa interpretação de Paul. E, para encerrar, “I Walk Alone”, parceria feita entre Bruce Kulick e Gene Simmons. É a faixa cantada pelo guitarrista e tem típicas características de canções feitas pelo linguarudo baixista.

Quem ouve o álbum pela primeira vez, poderá associá-lo facilmente a um disco composto por uma banda dos anos 1990, porém, o ouvinte ficará mais pasmo ainda se souber que trata-se de um disco do Kiss. É um bom disco, pode até não ter o mesmo peso e significância que um “Destroyer”, “Rock And Roll Over” ou “Love Gun”, mas que é superior à maioria dos discos da década de 1980 lançados pela banda isso é fato.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Carnival Of Souls – The Final Sessions
Intérprete: Kiss
Lançamento: 28 de outubro de 1997
Gravadora: Mercury
Produtores: Toby Wright, Paul Stanley e Gene Simmons

Paul Stanley: voz e guitarra base
Gene Simmons: baixo e voz
Bruce Kulick: guitarra solo, baixo em “I Will Be There”, “Rain”, “Jungle”, “It Never Goes Away”, “In The Mirror” e “I Walk Alone” e voz solo “I Walk Alone
Eric Singer: bateria, percussão e backing vocal

1. Hate (Simmons / Van Zen / Kulick)
2. Rain (Stanley / Kulick / Cuomo)
3. Master & Slave (Staley / Kulick / Cuomo)
4. Childhood’s End (Simmons / Thayer / Kulick)
5. I Will Be There (Stanley / Kulick / Cuomo)
6. Jungle (Stanley / Kulick / Cuomo)
7. In My Head (Simmons / Van Zen / James)
8. It Never Goes Away (Stanley / Kulick / Cuomo)
9. Seduction Of The Innocent (Simmons / Van Zen)
10. I Confess (Simmons / Tamplin)
11. In The Mirror (Stanley / Kulick / Cuomo)
12. I Walk Alone (Simmons / Kulick)

Por Jorge Almeida

Livro de fotografias do Kiss será lançado no dia 10 nos EUA

Livro de Lynn Goldsmith traz dezenas de fotos inéditas do Kiss. Créditos: kissonline.com

Na próxima terça-feira (10) a premiada fotógrafa Lynn Goldsmith, que já retratou inúmeros músicos e bandas de rock relevantes do século XX, tais como The Rolling Stones, Bruce Springsteen, Frank Zappa, Talking Head, The Police, Bob Dylan e Patti Smith, entre tantos outros, lançará o livro “KISS: 1977-1980”, que é uma crônica fotográfica definitiva da banda norte-americana no auge de sua popularidade, captando momentos dentro e fora do palco, em ensaios fotográficos e em outras situações.

Publicado em conjunto com Gene Simmons e Paul Stanley, a obra traz do arquivo de Goldsmith imagens coletadas pela fotógrafa, que são favoritas dos fãs, assim como muitos registros que nunca foram vistos, enfim, tudo o que capta perfeitamente o fenômeno duradouro que é o KISS.

O KISS alavancou a ascensão meteórica com suas apresentações extravagantes ao vivo, com direito a seus integrantes cuspir contra o fogo, cuspir sangue, apresentar guitarras explodindo em chamas, disparando rojões, levitando kits de bateria e outros efeitos pirotécnicos. Com maquiagens e figurinos, Gene Simmons, Paul Stanley, Peter Criss e Ace Frehley criaram personagens e histórias inspiradas nos quadrinhos: The Demon, The Starchild, The Catman e The Space Ace. Quando colocados juntos, não fazem apenas um show de rock de estádio, e sim um espetáculo dinâmico que está na estrada até hoje.

O livro foi criado por Goldsmith, Simmons e Stanley como um agradecimento ao Kiss Army, o incrível exército formado pelos fãs que se dedicam à banda por mais de 40 anos e essa fidelidade e devoção foi levada para filhos e netos para que pudessem apreciar a música, assim como todo o espetáculo proporcionado pelas apresentações ao vivo da banda.

Aliás, a publicação cobre exatamente o período em que o KISS esteve no auge de sua popularidade, em 1977, até o momento em que o grupo passa por dificuldades de relacionamentos entre os integrantes originais e a busca por uma nova sonoridade. Além disso, traz também algumas imagens do saudoso Eric Carr, o The Fox.

Com uma capa acolchoada laminada branca que destaca o logotipo KISS em dourado, o resultado final pode ser comparado a uma espécie de bíblia, mantendo as relíquias que seus seguidores apreciam.

A obra ainda não tem previsão de chegar ao Brasil.

Livro: KISS 1977-1980
Autora: Lynn Goldsmith com Paul Stanley (colaborador) e Gene Simmons (colaborador)
Editora: Rizzoli
Número de páginas: 340
Lançamento: 10 de outubro de 2017
Preço: R$ 158,98 (no site amazon.com.br)

Por Jorge Almeida

Analisando a biografia de Peter Criss, ex-baterista do Kiss

Capa de "Makeup To Breakup", a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss
Capa de “Makeup To Breakup”, a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss

Lançado em 2012 nos Estados Unidos e em 2013 no Brasil – pela editora Lafonte, o livro “Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss” trata-se de autobiografia do ex-baterista da formação original (e clássica) do Kiss, Peter Criss. A obra teve a co-autoria assinada por Larry “Ratso” Sloman e, obviamente, traz revelações do músico e os bastidores da banda que ajudou a formar com Gene Simmons, Paul Stanley e Ace Frehley.

Com 21 capítulos (fora a introdução, agradecimentos e epílogo) distribuídos em mais de 380 páginas, o livro já abre com o relato de Peter em que ele escreveu que inseriu o cano de sua Magnum .357 na boca em uma tarde de 17 de janeiro de 1994, na Califórnia, sob os escombros do grande terremoto de Narthridge, porém, desistiu da estúpida ideia de puxar o gatilho.

A obra segue contando a história de seu protagonista, George Peter John Criscoula nascido a 20 de dezembro de 1945, no Brooklyn, em Nova York, onde cresceu. Como todo jovem da época, isso nos anos 1950 e 1960, passou por diversos problemas comuns na região: envolvimento com gangues, dando e levando surras, se metendo com gente “barra-pesada” até encontrar na bateria uma motivação. Com apoio da família e na inspiração no ídolo Gene Kruppa, George mergulhou nas baquetas e tocou em tudo quanto é grupo.

Até que um dia pôs um anúncio na revista Rolling Stone com os dizeres: “Baterista disponível topa tudo”. E isso despertou interesse da dupla Gene Simmons e Paul Stanley. Estava a começar a história de uma das maiores bandas da história, o Kiss. Depois veio Ace Frehley e os quatro, juntos, deu liga e, após um início bastante difícil, o Kiss estourou e se tornou mundialmente conhecida por conta de seus espetáculos pirotécnicos, atuações teatrais inspiradas em Alice Cooper e as maquiagens estilo kabuki.

O estilo de tocar de Criss casou-se perfeitamente com o rock básico apresentado pelo Kiss. No entanto, as drogas e o álcool entraram em cena e a magia do quarteto foi se deteriorando e levou a saída do baterista ainda no final dos anos 1970 e, depois, de Ace. A saída do baterista foi motivada pelo abuso de drogas, além de sua instabilidade emocional e de um arruinado casamento.

Com a sua voz rouca característica, Peter também contribuiu com músicas que se tornaram clássicos na história do Kiss ao deixar para eternidade registros de sua voz em temas como “Black Diamond”, “Hard Luck Woman” e, claro, “Beth”, a sua maior obra autoral.

Após a sua saída do Kiss, a sua saúde financeira, nos anos seguintes foi de mal a pior – e que fique bem claro que ele não chegou a virar mendigo, como muitas teorias conspiratórias dizem por aí -, até que voltou para a reunião da formação original no fim da década de 1990, o que culminou na gravação de “Psycho Circus” e uma turnê mundial. Mas, o seu lado egocêntrico o fez sair novamente do Kiss. Peter Criss destaca um capítulo inteiro de sua fé e o companheirismo de sua atual mulher.

Para os fãs do Kiss, a obra é interessante, claro, mas, ao mesmo tempo, o livro mostra que Peter tentou passar a impressão de que ele foi a “vítima” das brigas entre os integrantes do grupo. O músico não poupa críticas aos ex-companheiros, insinuando, por exemplo, a sexualidade de Paul Stanley, que Gene Simmons é um “porco misógino” e dissimulado que só quer saber de dinheiro, e que Ace Frehley é um traidor e “porra-louca”. OK, está certo que Gene e Paul não são a madre Tereza de Calcutá, mas o pulso firme dos dois ajudaram a manter o Kiss na estrada há mais de 40 anos sem deixar o grupo cair no esquecimento.

Em “Makeup To Breakup” há muitas histórias engraçadas e curiosidades de bastidores sim, mas o abuso nas drogas – que foi sua fonte de alimentação por anos e que contribuiu drasticamente para sua decadência -, as séries de decisões erradas e o caos financeiro foram jogados por Peter Criss nas costas de Gene e Paul. Ou seja, no livro, usou a velha fórmula de perseguição, não assumiu os próprios erros, enfim, se fez no papel de vítima em toda a obra.

Vale a pena ler o livro sim, mas, só devemos tomar cuidado como verdade absoluta na obra, em especial em se tratando da parte relacionada ao Kiss, já que não tem como provar nada e que, além disso, só há um lado da história relatado.

A seguir, a ficha técnica do livro:

Livro: Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss
Autores: Peter Criss com Larry “Ratso” Sloman
Editora: Lafonte
Número de páginas: 384
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Preço médio: R$ 35,00

Por Jorge Almeida