O grupo Teatro Por Um Triz estreia Elisa e os Cisnes Selvagens

Cena do espetáculo. Foto: Jean-Charles Mandou

Uma adaptação do conto de fadas ‘Os Cisnes Selvagens’ de Hans Christian Andersen

Em “Elisa e os Cisnes Selvagens” são abordadas questões como a intolerância, o respeito e a aceitação do diferente. A encenação põe em cena as diversas possibilidades que o papel oferece e utiliza a linguagem do Teatro de Papel em técnicas como pop-up, bonecos bi e tridimensionais, origami, kirigami e sombras.

O Teatro Por Um Triz estreia “Elisa e os Cisnes Selvagens” no dia 28 de julho de 2018, às 16h, no Teatro João Caetano com temporada até o dia 26 de agosto. Depois, de 01 a 30 de setembro, segue para o Teatro Cacilda Becker, ambos com entrada gratuita. O trabalho foi produzido por meio do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo – 6ª edição.

Com texto de Márcia Nunes e Péricles Raggio, que também assina a direção, a peça é uma livre adaptação do conto de fadas “Os Cisnes Selvagens”, de Hans Christian Andersen.

Na história, 12 irmãos (11 príncipes e 1 princesa) são expulsos de seu reino por uma madrasta má. Os meninos sofrem uma maldição da madrasta, que faz com que eles se transformem em cisnes durante o dia e só voltem à forma humana a noite, por isso são obrigados a migrar, como todas as aves migratórias. Elisa, a irmã, é forçada a trabalhar na casa de camponeses. Quando crescem, os irmãos se reencontram. Elisa migra com seus irmãos para outro reino e lá, apesar de despertar o amor do rei, é rejeitada pela população local e pelo Primeiro Ministro, que veem nela uma ameaça ao status quo daquela sociedade. Com perseverança, Elisa consegue descobrir uma forma de salvar os irmãos do terrível feitiço, e ao final da história, ela e seus irmãos conquistam o respeito da população daquele reino provocando mudanças significativas naquela sociedade.

O espetáculo começa num espaço repleto de caixas de mudança. Duas mulheres, que estão sendo obrigadas a deixar aquele lugar, enquanto separam seus pertences, caixas e livros, mergulham na história de Elisa e, vivenciando a história, sentem-se mais fortalecidas a enfrentarem a situação e lutarem também por uma transformação. Elisa é uma princesa que enfrenta diversos desafios, como salvar seus irmãos de uma maldição, sofrer um desterro e encarar o preconceito de um povo que não a aceita por ser diferente.

O grupo encontrou no conto a possibilidade de abordar com as crianças questões como a intolerância e a importância do respeito e aceitação do diferente. A encenação utiliza a linguagem do Teatro de Papel, explorando técnicas como pop-up, bonecos bi e tridimensionais, origami, kirigami, sombras, etc, pesquisando as diversas possibilidades que o papel oferece.

Elisa tem forte traço de personalidade: a persistência. Ela não se entrega frente a uma situação injusta, mas se propõe a buscar uma mudança de sua realidade. E graças a essa perseverança,  ela consegue reencontrar seus irmãos e descobre que eles sofreram um encantamento que os transformou em Cisnes. Existem vários contos onde os irmãos são retratados como rivais. Neste caso não. Elisa mostra outros aspectos existentes na relação entre irmãos: o de cooperação e do fortalecimento dos laços fraternos. Decidem ficar juntos novamente e, unidos, decidem e buscam soluções para seus problemas. Mas é Elisa quem descobrirá uma forma de desfazer o feitiço da madrasta. Para isso, passará por uma terrível prova.

O grupo

O Teatro Por Um Triz desenvolve um trabalho com teatro infanto-juvenil utilizando recursos do Teatro de Animação. Seu repertório apresenta releituras de clássicos infantis, resgate de contos populares e temas atuais, abordando estes universos com humor e espírito crítico.

O primeiro trabalho foi a esquete Viva Máquina, criação do grupo junto com o músico Loop B. Foi apresentado na abertura do Festival Internacional de Teatro de Animação, no SESC Ipiranga em 1996. O projeto seguinte, História dos Fios, criação coletiva do grupo, contava uma história de amor no sertão nordestino utilizando bonecos de luva e vara, estreou em janeiro de 1997. Em 1998, o grupo monta dois espetáculos: Esconde-Esconde com Lobato, texto original do grupo inspirado na vida e obra deste grande escritor, e O Coronel e o Curupira, dando continuidade à pesquisa da cultura popular e dos mitos e lendas do nosso folclore. Em outubro de 1999, com Princesas Daqui e Dali, sob direção de Cristiana Gimenes, o grupo faz uma releitura dos Contos de Fada.

Em Almanaque de Araque (2001), com texto de Antônio Rogério Toscano e direção de Edu Silva, traz para o palco uma aventura no mundo dos jogos de almanaque. Pinóquio Etc e Tal, de 2002, sob a direção de Henrique Sitchin, faz uma adaptação do clássico de Carlo Collodi, mesclando técnicas inspiradas no Bunraku, teatro de objetos e máscaras. Em 2005 cria o espetáculo Patinho Feio – O Voo de Andersen, com direção de Cris Lozano, sobre a vida e a obra de Hans Christian Andersen, primeiro autor de literatura infantil.

Em 2008, 2009 e 2012 foi contemplado com a Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo realizando respectivamente as seguintes montagens: Sonho de Uma Noite de Verão, A Criatura e Águas de L’Avar, em parceria com as cias Teatro de La Plaza e Patética, sob direção de Héctor Lópes Girondo. Em 2012, estreia dois espetáculos: Vassilisa, a Sabida, com direção de Lílian Guerra, onde se utiliza apenas de tecidos e caixas para a adaptação de um conto tradicional russo; e Malazarte em Toda Parte, adaptação de contos que trazem o espírito deste tradicional personagem do folclore brasileiro. Em 2015 estreia O Mistério do Sapato Desaparecido, onde explora a manipulação de sapatos para contar a história do rapto do sapato de Cinderela.

Em 2017 estreia seu primeiro trabalho voltado para a Primeira Infância,  Caixa de Brinquedo – Vivência Lúdico-Cênica, com direção de Andreza Domingues. Ainda em 2017 participou  de festivais de Teatro de Animação na Espanha com os espetáculos: Pinóquio Etc e Tal – realizou dez apresentações nos festivais Festival Topic Y Titirijai, Festival Bilbao Tx, Puppet Festival e Festitíteres, nas cidades de Tolosa, Alicante, Bilbao, Sestao, Alcoi e Pasaia; Águas de L’avar – realizou três apresentações, no Festival Topic y Titirijai e  Festival Bilbao Tx, Puppet Festival, nas cidades de Tolosa e Bilbao.

Paralelamente à criação e apresentação de espetáculos, o grupo tem um projeto de contação de histórias e intervenções cênicas e desenvolve um trabalho de arte-educação, realizando oficinas para crianças, professores e terceira idade.

Ficha Técnica
Texto: Márcia Nunes e Péricles Raggio
Direção: Péricles Raggio
Elenco: Andreza Domingues e Márcia Nunes
Cenário, bonecos e figurino: Miguel Nigro
Arquitetura de Papel: Liana Yuri
Desenhos: Lúcia Lacourt
Iluminação: Zhé Gomes
Trilha Sonora: Luciano Antonio Carvalho
Cenotécnico: Wagner Dutra
Fotografia e Arte gráfica: Jean-Charles Mandou
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques

Serviço
Estreia: 28 de julho de 2018
Sábados e domingos, às 16h, até 26 de agosto
Dia 25 de agosto – apresentação com tradução em libras
Local: Teatro João Caetano – R. Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino/ SP
Informações: (11) 5573-3774
Temporada de 01 a 30 de setembro de 2018
Sábados e domingos, às 16h
Dia 01 de setembro – apresentação com tradução em libras
Local: Teatro Cacilda Becker – R. Tito, 295, Lapa/ SP
Informações: (11) 3864-4513
Ingressos: gratuito, retirar o ingresso uma hora antes
Duração: 50 minutos/ classificação: livre

Informações para a Imprensa
Com Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br

Por Márcia Marques | Canal Aberto

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Estreia de “NAVALHA NA CARNE NEGRA” com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo

Cena do espetáculo “Navalha na Carne Negra”. Foto: Isabel Praxedes

O diretor teatral e professor da Escola de Arte Dramática da USP esteve recentemente em cartaz – como dramaturgo – com a peça “Isto é um negro?”

“Essa nova montagem pretende friccionar o texto Navalha na Carne contra a própria pele a partir da realidade, experiência e pesquisa de artistas, que, por meio de suas trajetórias, articulam a presença negra na cena e na sociedade contemporâneas”. Rodrigo dos Santos, ator

Estreia dia 19 de julho, às 21 horas, no TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo, o espetáculo NAVALHA NA CARNE NEGRA com direção e dispositivo cênico de José Fernando Peixoto de Azevedo. No elenco os atores Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos.

A peça de Plínio Marcos, que no ano passado completou 50 anos, é tida como um clássico do “teatro marginal”: aquela cena que fazia ver a “escória da sociedade”. No caso de Navalha na Carne, figuram três personagens, Neusa Sueli, Vado e Veludo, respectivamente, uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay, que, nas palavras do crítico teatral Décio de Almeida Prado, fazem parte de um “subproletariado” – “uma escória que não alcançara sequer os degraus mais ínfimos da hierarquia capitalista”.

Se muitos a consideram uma obra “datada” sob alguns aspectos, essa nova montagem pretende friccionar Navalha na carne contra a própria pele – a realidade, a experiência e a pesquisa de uma atriz, dois atores e um diretor negros, que vêm construindo suas trajetórias através de uma proposta estética que articule a presença preta na cena e na sociedade contemporâneas: José Fernando Peixoto de Azevedo, dramaturgo, diretor teatral e professor da Escola de Arte Dramática da USP, foi diretor e fundador do Teatro de Narradores (1997-2017) e colaborador do grupos Os Crespos, além de dramaturgo do espetáculo “Isto é um negro?”; Lucelia Sergio, da Cia Os Crespos (SP); Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP); e Rodrigo dos Santos, da Cia dos Comuns (RJ), grupos que tem extensa pesquisa teatral sobre o tema.

DO CORPO NEGRO, por José Fernando Peixoto de Azevedo

A problemática do corpo preto e seus históricos processos de marginalização social servem de mote central para nossa montagem, que pretende lançar luzes sobre algumas questões relativas à hierarquização social vigente nas sociedades contemporâneas. Essas questões atravessam o texto de Plínio Marcos e reverberam na própria produção teatral hegemônica em nosso país. Quem são esses “marginais” de Plínio Marcos hoje em dia? Onde se encontram? Como vivem? Como lidam com seus desejos e necessidades? Qual sua expectativa de vida? Será que se reconhecem como parte da “escória”? O que esperam da sociedade – se é que ainda esperam alguma coisa?

Do corpo-mercadoria – essa redução perversa da imagem do corpo preto produzida pela história da escravidão – à mercadoria-corpo que é a prostituta Neusa Sueli estancando a fome com seu sanduíche de mortadela; da sexualidade excessiva da “bicha” Veludo à sexualização do corpo negro, esse corpo-objeto, ao qual não se concede o direito ao desejo; e, a partir daí, até a fantasmagoria viril chamada Vado, cuja expressão é a imitação de uma violência cuja gramática constitui uma gestualidade macaqueada da violência naturalizada na figura do macho nacional.

DO EXCESSO E DA EXCEÇÃO

São excessos de vida e de morte, de potência e impotência, de grandeza e insignificância, são vestígios de uma história marcada no corpo preto, feita de gritos e de silêncios. Imaginar um futuro implica, para nós, lançar o olhar às cicatrizes e permitir-nos a escuta de uma potência inaudita – provavelmente, a voz de um anseio oprimido que jamais desistiu da vida.

Nessa NAVALHA NA CARNE NEGRA, as figuras em jogo não são apenas vítimas ou imagens de uma destituição absoluta. Elas são sobretudo figuras em luta: em cena como na vida, a luta pela vida revela o quão portadoras de vida ainda são. Na resiliência desses corpos adoecidos de sua negação, revela-se uma intuição silenciosa, de que os atravessamentos produzem diferença, permitem que saibam ainda o que são; como qualquer corpo doente, são corpos que imaginam cura.

DA CENA

A cena se constitui como um dispositivo-estúdio, em que as imagens são captadas e transmitidas ao vivo, elaborando uma espécie de adesão: o ponto de vista da câmera adere a Neusa Sueli. Presente o tempo todo em cena, a câmera, esse dispositivo de olhar, de enquadramento, força a construção. O espectador vê o jogo em cena e compara com o corte que assiste na tela. Os monitores revelam a dimensão do corte, emoldurando o jogo e sua teatralidade. É preciso atravessar essa saturação da imagem, do corte, do enquadramento, para conferir a suposta totalidade da cena, já saturada de presenças, transitando entre o jogo ficcional do texto e o jogo estrutural da captação de imagem. A luta entre as personagens é duplicada pela tensão gerada por esse trabalho de captura da imagem.

O olhar dessa puta – essa Neusa Sueli preta, mulher, corpo-mercadoria – contempla, porque precisa contemplar, a imagem de um futuro. Ela se mantém atenta, examinando a miséria, o desespero e a desesperança, em busca de uma pista – o mais sutil laivo de vida. Seu olhar há de nos indicar a direção do grande salto.

FICHA TÉCNICA
Direção Geral e Dispositivo Cênico
José Fernando Peixoto de Azevedo
Atores
Lucelia Sergio
Raphael Garcia
Rodrigo dos Santos
Vídeo
Isabel Praxedes
Flávio Moraes
Iluminação
Denilson Marques
Direção de Arte
Criação Coletiva
Assessoria para o Trabalho Corporal
Tarina Quelho
Programação Visual
Rodrigo Kenan
Produção
corpo rastreado

SERVIÇO
NAVALHA NA CARNE NEGRA
Local: Teatro da Universidade de São Paulo | Centro Universitário Maria Antonia – Sala Multiuso
De 19/07/2018 a 12/08/2018
Temporada: de quinta a sábado, 21h; domingos 19h
Endereço: Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque | São Paulo | SP
Bilheteria: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia.
Telefone: 11 3123.5222 | usp.br/tusp | fb.com/teatrodauspoficial
A bilheteria abre 2h antes do início da sessão.
Classificação 16 anos | Duração 60 minutos

Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

Teatro da Vertigem comemora 25 anos

Cena do espetáculo “Enquanto Ela Dormia”. Foto Mayra Azzi

Para festejar a data, o Teatro da Vertigem encena seu mais recente espetáculo Enquanto Ela Dormia, realiza mostras de vídeos de O Paraíso Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1,11, oferece laboratórios cênicos, rodas de conversas e exposições com fotos projetadas

“(…) O ônibus não ‘tava’ tão cheio. Ele não precisava ‘tá’ tão grudado em mim. Eu olhei pra cara dele. Ele fingiu que não viu e continuou se roçando no meu braço. Eu tirei o braço. Guardei o livro. Me levantei.(…)”

Movimentos corporais expressivos, recomposições de espaços e investigações do ator. Essas são as principais características do trabalho desenvolvido pelo Teatro da Vertigem, grupo de grande relevância para a cena artística do Brasil. Com o intuito de celebrar o aniversário da companhia, foi programada uma mostra de 25 anos que chega, entre os dias 3 e 28 de julho de 2018, a quatro centros culturais. A proposta é relembrar e transmitir os modos e meios de produção dos trabalhos do grupo. Fazem parte da programação apresentações do espetáculo “Enquanto Ela Dormia” (indicado ao Prêmio Shell em cenografia), laboratórios de criações cênicas, acompanhamentos de montagens, rodas de conversas, mostras de filmes e exposições com fotos projetadas.

O grupo tem uma parceria longeva com a Petrobras – um patrocínio de 12 anos já – e faz essa circulação pelos espaços culturais de São Paulo com apoio da Secretaria Municipal de Cultura do município. A peça Enquanto Ela Dormia fez sua estreia e primeira temporada em 2018 no mezanino do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo.

Mostra Teatro da Vertigem 25 Anos

A Mostra Teatro da Vertigem 25 Anos propõe uma troca de conhecimentos que permite discutir os processos da companhia. Para entender o desenvolvimento da montagem de um ato, laboratórios de criação cênica serão conduzidos pela diretora Eliana Monteiro. A programação traz a apresentação e história do grupo, exibições de filmagens dos espetáculos, exposições de fotografias que se tornaram referências da companhia e rodas de conversas que propõem discussões sobre a cidade, o teatro, os espaços e as criações.

Enquanto Ela Dormia

Construído a partir de uma pesquisa sobre a violência contra a mulher e as relações de poder entre os gêneros, o processo de criação da peça “Enquanto Ela Dormia” foi norteado por visitas às delegacias e pelas escutas de depoimentos de vítimas. Com texto de Carol Pitzer e direção de Eliana Monteiro, o monólogo parte de uma linha cronológica das dores do feminino, como, por exemplo, os pés de lótus das mulheres chinesas e a expulsão da deusa Lilith do Paraíso.

O espetáculo é inspirado na versão de 1648, a primeira do conto “A Bela Adormecida”, e fala de Dora, papel interpretado pela atriz Lucienne Guedes. A personagem, uma professora de literatura, presencia uma cena de abuso em um ônibus e sofre ao relembrar os traumas de infância. Para a diretora, “o espetáculo é um mergulho na geografia da dor das mulheres e uma provocação ao que está acontecendo na nossa sociedade”.

O argumento do texto nasceu do relato de uma amiga à dramaturga, que começou então a observar os abusos diários vividos pelas mulheres e a se questionar sobre os mecanismos usados para minimizar, esconder, disfarçar, apagar essas violências. “Percebi que não só a sociedade nos cala, mas que nosso próprio corpo apaga certas lembranças dolorosas como forma de nos manter vivas”, conta Carol.

Para elaborar a encenação, a diretora Eliana Monteiro propôs uma pesquisa artística a toda equipe de criação sobre três eixos temáticos. “O primeiro foi o dos contos de fadas, que participam da construção do imaginário universal do feminino. Outro eixo pesquisado foram as histórias de amputações as quais a mulher foi submetida para caber em uma sociedade patriarcal. E por último, as memórias de uma história de amor”, explica Eliana.

Fruto de um processo colaborativo, a peça Enquanto Ela Dormia apresenta uma investigação no campo das artes plásticas e da fotografia, em especial a obra da fotógrafa norte-americana Francesca Woodman.

Teatro da Vertigem

Formada no início da década de 90 por estudantes que pesquisavam artes cênicas na USP, a companhia nasceu a partir do desenvolvimento de experimentações dramatúrgicas e suas múltiplas possibilidades. Daí veio o nome “Vertigem”, que remete aos lugares de risco, descoberta, criação, aventura e desequilíbrio em que os espetáculos se colocam.

Com mais de 15 montagens em sua trajetória, participações em festivais, turnês dentro e fora do país e atuações em residências artísticas, o grupo acumula mais de 20 indicações e prêmios em diversas categorias. Esses são alguns dos espetáculos premiados: “O Paraíso Perdido”, que ganhou o APCA de 1993 de Melhor Pesquisa de Linguagem; O Livro de Jó, o Prêmio Shell de 1995 de Melhor Espetáculo e Direção, para Antônio Araújo, que também ganhou a premiação por “Apocalipse 1,11”, em 2000; e “BR3”, em 2011, a Triga de Ouro (medalha de ouro) pela Melhor Realização de uma Produção na Quadrienal de Praga, na Tchecoslováquia.

Você já teve a sensação de que a sua memória não é sua? Ou que pode até ser sua / mas não reproduz exatamente o que aconteceu / tem alguma coisa errada / você não sabe o que é mas tem alguma coisa errada / você repassa tudo em detalhes / e de uma hora pra outra parece que tem algo fora do lugar / como se tivessem arrancado algumas páginas de um livro / ou colado umas figuras por cima. (Trecho da dramaturgia)

Palcos inusitados e processos criativos

A Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e lugares da cidade de São Paulo, como o Rio Tietê, o Hospital Humberto Primo, o Presídio do Hipódromo e a Igreja Santa Ifigênia, já foram palcos de montagens do Teatro da Vertigem, que tem como uma das grandes marcas para suas encenações a escolha por espaços não convencionais.

Lucienne Guedes, atriz da companhia há 20 anos, diz que “o objetivo é fazer apresentações em espaços que já tenham sua própria história. Atrelado a uma questão sensorial, além do enredo da dramaturgia, isso provoca no público um resgate de emoções”, explica.

Utilizada pelo grupo desde sua primeira montagem, “O Paraíso Perdido”, em 1992, essa experimentação de locais é conhecida nas artes plásticas como site specific, método artístico que promove uma interação com o espaço em que a obra é apresentada. Para Eliana Monteiro, diretora da companhia há dez anos, o processo de escolha acontece de acordo com o tema. “Em ‘O Livro de Jó’, por exemplo, nós optamos por fazer a montagem do espetáculo em um hospital porque era o ambiente relacionado às mortes causadas pela Aids. O intuito não era impactar, mas discutir e refletir. O espectador, que caminhava pelos corredores do Humberto Primo, sentia que aquilo havia sido uma realidade”, explica Eliana.

Outras duas características do Teatro da Vertigem são o processo colaborativo e a liberdade que o público tem para escolher o seu ponto de vista sob o espetáculo durante a apresentação, tanto como espectador quanto participante. Além da direção e encenação, áreas como cenografia, iluminação, música e vídeo também estão presentes nas produções das montagens. Segundo Guilherme Bonfanti, iluminador e um dos fundadores da companhia, essa mistura de elementos é salutar. “Com a forte presença dos discursos de todas as áreas, o grupo preserva a função única de cada um, mas mantém a criação conjunta, o que faz com que o trabalho se mantenha vivo durante tantos anos.”

Ficha Técnica | Enquanto Ela Dormia

Concepção e Direção: Eliana Monteiro
Texto: Carol Pitzer
Atriz: Lucienne Guedes
Dramaturgismo: Antônio Duran
Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti
Cenografia: Marisa Bentivegna
Figurino: Marichilene Artisevskis
Trilha sonora: Erico Theobaldo
Vídeo: Bruna Lessa
Voz off: Antônio Duran e Cibele Bissoli
Assistente de Direção e Direção de Cena: Isabella Neves
Assistente de Dramaturgismo: Bruna Menezes
Assistente de Iluminação: Silbat Rodrigo e Diego Soares
Assistente de Cenografia: Amanda Vieira
Cenotécnicos: João Donda Galli Junior
Costureira: Judite Gerônimo de Lima
Operação de Luz: Pati Morin
Operação de Som: Tomé de Souza
Operação de Vídeo: Marcela Katzin
Video Mapping: Michelle Bezerra
Produção Executiva: Leonardo Monteiro
Assistente de Produção: Marcelo Leão
Assessoria de Imprensa: Márcia Marques – Canal Aberto
Designer Gráfico: Andrea Pedro
Fotos: Mayra Azzi
Supervisão Geral: Eliana Monteiro

Serviço
Teatro da Vertigem – Mostra 25 anos
Centro Cultural Olido
Av. São João, 473 – Centro| Tel. 3331-8399
Laboratório cênico | Dias 03 e 04/07 – das 18h às 21h30 | Capacidade: 20 participantes
Inscrições pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br
Roda de Conversa | Dia 04/07 – 18h às 20h30

Enquanto Ela Dormia: Dias 6 e 7 de julho, às 20h
Centro de Culturas Negras do Jabaquara
Rua Arsênio Tavolieri, 45 – Jabaquara | Tel. 5011-7445
Laboratório cênico | Dias 10 e 11/07 – 14h às 18h | Capacidade: 20 participantes
Inscrições pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br
Roda de Conversa | Dia 11/07 – 18h30 às 20h30

Enquanto Ela Dormia: Dias 13 e 14 de julho, às 20h
Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes
Rua Inácio Monteiro, altura do nº 6.900 – Cidade Tiradentes| Tel.: 2555-2840
Laboratório Cênico | Dias 17 e 18/07 – 14h às 18h | Capacidade: 20 participantes
Inscrições pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br
Roda de Conversa | Dia 18/07 – 18h30 às 20h30

Enquanto Ela Dormia: Dias 20 e 21 de julho, às 20h
Centro Cultural de Santo Amaro
Av. João Dias, 822 – Santo Amaro | Tel. 5541 7057
Laboratório Cênico | Dias 24 e 25/07 – 14h às 18h | Capacidade: 20 participantes
Inscrições pelo e-mail: vertigem@teatrodavertigem.com.br
Roda de Conversa | Dia 25/07 – 18h30 às 20h30
Enquanto Ela Dormia: Dias 27 e 28 de julho, às 20h
| +16 anos. Grátis. Retirada de ingresso 1 hora antes

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
canal.aberto@uol.com.br
Márcia Marques
Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425 |
marcia@canalaberto.com.br
Daniele Valério
Celulares: 11 9 6705 0425 | 9 8435 6614 |
daniele@canalaberto.com.br

Por Márcia Marques | Canal Aberto

ANCEC encerra temporada de “Bonitinha, mas Ordinária” em SP e homenageia Dedé Santana e Fioravante Almeida

Cena da peça “Bonitinha, mas ordinária”

A Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação (ANCEC)  encerra a curta temporada de sucesso da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, com direção de Luis Artur Nunes, no Teatro Augusta, no próximo dia 30/6 (sábado), em São Paulo.

A Agência aproveita o último fim da semana da peça na cidade para uma homenagem especial aos colegas de camarim Dedé Santana e Fioravante Almeida, que estão em cartaz no mesmo teatro e receberão a Cruz da Referência Nacional como destaque em sua área de atuação. Artistas como Péricles, Evandro Mesquita, Gilberto Gil, Roupa Nova, João Carlos Martins, entre outros, já receberam a condecoração.

Serviço:
Peças “Bonitinha, mas Ordinária” e “Palhaços” com homenagens a Dedé Santana e Fiovarante Almeida
Dia: 30 de junho
Horários: Bonitinha, mas Ordinária – 19h  e Palhaços – 21h
Homenagens a Dedé Santana e Fioravante Almeida – 22h15
Local: Teatro Augusta
Endereço: Rua Augusta, nº 943, Cerqueira César, São Paulo
Preços: R$20 (inteira), R$10 (meia) – Bonitinha, mas Ordinária
R$ 60,00 (inteira) R$ 30,00 (meia) – Palhaços
Postos de venda: bilheteria do teatro e em http://www.ingressorapido.com.br
Capacidade do teatro: 302 lugares

SOBRE A PEÇA “BONITINHA, MAS ORDINÁRIA
“Otto Lara Resende ou Bonitinha Mas Ordinária” está inserida na fase das “Tragédias Cariocas” na classificação da obra de Nelson Rodrigues pelo crítico Sábato Magaldi. Em enredo folhetinesco, Edgard, jovem pobre e ambicioso, recebe uma proposta irrecusável para subir na vida: Casar-se com a filha de seu patrão, o Dr. Werneck, um milionário devasso e amoral.

Edgard precisará revisar suas convicções, já que é apaixonado por sua vizinha Ritinha, uma moça pobre que faz de tudo para sustentar a mãe e as irmãs.

Atormentado moralmente pela frase “o mineiro só é solidário no câncer”, atribuída na peça ao escritor Otto Lara Resende, Edgard confronta sua ambição com seus princípios éticos.

Repleto de pistas falsas e reviravoltas, o texto de Nelson Rodrigues surpreende pela atualidade, mais de 50 anos após ter sido escrito, evidenciando a fragilidade do caráter dos homens frente à obsessão pelo dinheiro e à submissão ao poder.

ELENCO:
Atores e respectivos personagens
Stella Portieri: Maria Cecília
Cal Titanero: Edgard
Monique Hortolani: Ritinha
Josias Souza: Peixoto
Pedro Paulo Eva: Werneck
Adão Filho: Leproso/ Chofer / Fontainha / Negro 3
Emerson Natividade: Osíris / Negro 1 / Bingo
Breno Villas Boas: Arturzinho / Alírio / Negro 2
Ângelo Aleixo: Presidente da Comissão / Coveiro / Alfredinho
Victoria Blat: Aurora / Teresa
Taisa Pelosi: Dinorá / Ana Isabel
Carolina Rossi: Nadir
Renata Souza: D. Ivete / Velha grã-fina
Rosa Piscioneri: D Berta / D Ligia
Direção: Luis Artur Nunes
Texto: Nelson Rodrigues
Assistência de direção: Mauricio Spina e Carolina Guimarães
Preparação de ator: Vitor Vieira
Preparação corporal: Vitor Vieira
Preparação Vocal: Cinthya Chaves
Cenografia e Figurino – Concepção: Stella Portieri
Costureira: Cely Lopes e Claudia Portieri
Iluminação: Fábio Cabral
Cenotécnico: Gabriel Gombossy
Produção Audiovisual: Alexandre Ferreira
Fotos: Bob Sousa

SOBRE A PEÇA “PALHAÇOS”
O espetáculo narra a história do palhaço Careta, que tem sua rotina alterada ao se deparar em seu camarim com o espectador Benvindo, um vendedor de sapatos. Os dois conversam sobre suas vidas, desestabilizando crenças e valores e se questionam sobre suas escolhas. Palhaços é um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do artista, o que faz com que o público ultrapasse o espaço da lona, do espaço cênico, para ver de perto o verdadeiro palhaço. Texto de Timochenko Wehbi, direção de Alexandre Borges e atuação de Fioravante de Almeida e Dedé Santana, ícone do humor brasileiro, com décadas de trajetória nas artes da interpretação e na cena circense.

Direção: Alexandre Borges
Texto: Timochenko Wehbi
Elenco: Dedé Santana e Fioravante Almeida
Cenografia: Marco Lima
Execução cenografia, adereços e pintura de arte: FCR Produções Artísticas
Coordenação Cenotécnica: Luiz Rossi
Adereços: Luis Rossi, Mario Campioli e Renato Lippi
Figurino: Fabio Namatame
Iluminação: Domingos Quintiliano
Trilha Sonora Original: Otto e Dipa
Preparação Vocal e Corporal: Madalena Bernardes
Coaching: Selma Kiss e Yasmim Sant’ Anna
Diretor de Palco: Mauro Nascimento
Contra-regra: David Nicholas
Fotos: Tatiana Coelho
Video: Milena Correia – Rústica Produções
Operador de som: Cecília Lüzs
Transportes: Izildo Transportes
Design Gráfico: Lucas Laender
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Assessoria Jurídica: Caio Kiss
Direção de Produção: Camila Bevilacqua
Produtora Executiva: Bruna Rosa
Produção: Tathiana Ferraz
Coordenação Geral: FLO Entretenimento e LadyCamis Produções
Idealização: FLO Entretenimento e LadyCamis Produções

SOBRE A CRUZ DA REFERÊNCIA NACIONAL:
Esta homenagem destina-se a aqueles que se destacam em suas atividades, tonando-se referência no que fazem. A Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação (ANCEC) tem como um de seus objetivos valorizar e reverenciar estes destaques da sociedade, com a certeza de contribuir com a sua valorização. Em um país que não valoriza seus ídolos e suas referências, buscamos ir na contramão, valorizando a cultura, o empreendedorismo, o esporte, a comunicação, entre outros destaques na sociedade. Em nossa cultura corporativa, acreditamos que não existe nada sem uma grande história, e por este motivo desenvolvemos o trabalho de reconhecimento dos destaques de nosso pais.

A ANCEC também é responsável pelas outorgas do Troféu Nelson Rodrigues, da Medalha Renato Russo, da Medalha Nelson Gonçalves, do Prêmio Referência Nacional e do Troféu Mario Filho, além de promover a cultura, como a peça “O Beijo no Asfalto”, lançada em 2015, e a atual montagem da agência, “Bonitinha, mas Ordinária”, que segue para o Rio de Janeiro em setembro.


Kelly Beltrão
KB Comunicação
(21) 98115-8369/ 97032-5007

Créditos: ANCEC

Sesc Santo Amaro recebe Vidma, a Menina Trança-Rimas, do Núcleo Caboclinhas, uma viagem pela poesia de Tatiana Belinky

Cena de Vidma, a Menina Trança-Rimas. Foto: Felipe Arantes

Dias 16 e 17 de junho de 2018, o Núcleo Caboclinhas apresenta no Sesc Santo Amaro o espetáculo ‘Vidma, A Menina Trança-Rimas’, com direção e dramaturgia de Gira Oliveira, inspirado no livro “Um Caldeirão de Poemas 2”, da autora Tatiana Belinky.

Voltado para o universo lúdico, as três atrizes (Geni Cavalcante, Luciana Silveira e Giuliana Cerchiari) viajam pela poesia da escritora valorizando a palavra e a oralidade melodiosa da língua portuguesa, e para isso utilizam ações dramáticas, músicas e danças inspiradas na cultura brasileira e na cultura russa. A peça conta a história de Vidma, uma menininha que mora em um lugar muito frio com sua família. Cheia de criatividade e apaixonada pelo mundo das bruxas, sempre encontra uma brecha para declamar poemas divertidos de diversos bruxos e bruxas que já conheceu em seus pensamentos. Só que mexer com bruxa pode ser uma brincadeira muito perigosa, e é nesta brincadeira que Vidma viaja para outro lado do oceano e vive diversas aventuras com figuras excêntricas e engraçadas que jamais pensou existir.

O grupo Núcleo Caboclinhas

As caboclinhas são meninas apaixonadas pelos costumes brasileiros. Iniciaram suas atividades em 2007 e, desde então, apresentam espetáculos, vivências artísticas, shows musicais que resgatam e preservam temas da cultura popular brasileira em sua musicalidade, danças, cores, autores, e tudo mais que faz parte deste universo tão vasto e rico!

O grupo já encenou e homenageou grandes autores, como: Tatiana Belinky, Guimarães Rosa, Patativa do Assaré, Rolando Boldrin, Ana Maria Machado, entre outros.

Seus trabalhos receberam várias indicações à prêmios importantes, como: Prêmio FEMSA Coca-Cola, Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro), e várias premiações importantes em festivais de teatro por todo país.

No ano de 2016, o Núcleo Caboclinhas realizou sua primeira digressão internacional, apresentou-se com o espetáculo “Letras Perambulantes” em diversas províncias de Portugal.

FICHA TÉCNICA
Direção: Gira de Oliveira
Texto: Núcleo Caboclinhas e Gira de Oliveira (com Poemas do Livro “Um caldeirão de poemas 2)
Elenco: Geni Cavalcante, Luciana Silveira e Giuliana Cerchiari
Elenco de apoio: Aline Anfilo e Tchella Britto
Figurinista: Christiane Galvan
Cenário: Adriani Simões
Adereços: Adriani Simões e Christiane Galvan
Preparação vocal e Trilha Sonora: Thaís Sanches e Hilda Maria
Coreógrafas: Letícia Vaz e Marcela Páez
Iluminação: Giuliana Cerchiari e Marcela Páez
Produção: Núcleo Caboclinhas
Fotos: Thais Sanches e Felipe Arantes

Teaser do espetáculo: https://vimeo.com/132492227

SERVIÇO
VIDMA, A MENINA TRANÇA-RIMAS
Quando: Dias 16 e 17 de junho
Horário: sábado e domingo, às 17h
Local: Praça Coberta.
Duração: 50 minutos | Classificação: Livre
Ingressos: Grátis.

SESC SANTO AMARO
Bilheteria e horário da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Endereço: Rua Amador Bueno, 505.
Acessibilidade: universal.
Estacionamento da unidade: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (Credencial Plena); R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional (outros).
Disponibilidade: 158 vagas para carros e 36 para motos. A unidade possui bicicletário gratuito.

ASSESSORIA DE IMPRENSA:
Com Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br| daniele@canalaberto.com.br

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Por Márcia Marques | Canal Aberto

Espetáculo “A Procura de Emprego” faz última semana no SESC Santo Amaro

Imagem do espetáculo “A Procura de Emprego”, que está em cartaz no Sesc Santo Amaro. Foto: João Caldas

Dirigida por Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, o espetáculo traz à tona as relações e percepções sociais embaladas a partir de Maio de 1968.

O espetáculo “A Procura de Emprego” faz último final de semana no Sesc Santo Amaro (a temporada termina dia 10/6). Escrita pelo dramaturgo francês Michel Vinaver, em 1970, é encenada pela primeira vez nos palcos brasileiros.

Dirigida e traduzida pelo crítico de cinema e ator Jean-Claude Bernardet, em parceria com o dramaturgo e diretor de teatro e cinema Rubens Rewald, a montagem da peça coloca em cena toda a densidade dramática e realista da linguagem que o texto impõe.

O espetáculo narra a história de Fage (Eucir de Souza), um diretor de vendas, desempregado há três meses, em busca de uma recolocação no mercado de trabalho. Porém, o declínio vivido pelo personagem se insere nas relações familiares, na confrontação da estrutura social e econômica e até mesmo em um colapso psicológico.

O desempregado é entrevistado por Wallace (Magali Biff), diretora de recrutamento, que o interroga de maneira estratégica para conhecer as suas qualidades e defeitos. Cada pergunta da recrutadora leva Fage a declarar suas opiniões e emoções sobre assuntos como aborto, traição de colegas e a rebeldia da filha – o pai é também interpelado por sua esposa Louise (Fernanda Viacava) devido à falta de firmeza com Nathalie (Bianca Lopresti), filha do casal com 16 anos, militante política.

“A Procura de Emprego” é uma peça de estrutura dramática inovadora, não há atos nem cenas; a peça é organizada em trinta partes aleatórias. É uma proposta dramatúrgica de um jogo de não espacialidade, inclusive com público sentado no palco do teatro, sem a delimitação espacial dos personagens; não há uma linha temporal; as falas e diálogos não seguem nenhuma cronologia ou lógica – a pontuação na escrita do texto foi eliminada.

Michel Vinaver realizou no seu texto um retrato de uma sociedade desencantada e expôs intrigas e opressões do mundo do trabalho. O autor, consciente das contestações que povoaram as ruas de todo o mundo, em 1968, traz à tona, com uma dramaturgia desafiadora, as transformações sociais.

FICHA TÉCNICA – A PROCURA DE EMPREGO
EQUIPE DE CRIAÇÃO:
Autor: Michel Vinaver
Direção e Tradução: Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald
Direção de Produção: Emerson Mostacco
Diretor de Arte: Akira Goto
Designer de Luz: Guilherme Bonfanti
Figurinista: Isis Cecchi
Fotógrafo: João Caldas
Maquiagem: Sergio Gordin

ASSISTENTES:
Assistente de Direção: Mariana Marinho
Segunda Assistente de Direção: Thais de Almeida Prado
Assistente de Iluminação: Francisco Turbiani e Pati Morim Lobato
Operador de Luz: Rafael Araújo

ELENCO:
Bianca Lopresti
Eucir de Souza
Fernanda Viacava
Magali Biff

SERVIÇO
A PROCURA DE EMPREGO, DE MICHEL VINAVER.
Quando: De 04/05 a 10/06
Horário: sextas e sábados, às 21h; domingos, às 18h.
Local: Teatro (1º andar). Capacidade de 221 lugares na plateia e no palco.
Duração: 100 minutos
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública) e R$ 9,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes).

SESC SANTO AMARO
Bilheteria e horário da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Endereço: Rua Amador Bueno, 505.
Acessibilidade: universal.
Estacionamento da unidade: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (Credencial Plena); R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional (outros).
Preço único mediante apresentação de ingresso (a partir das 18h): R$ 7,50 (Credencial Plena) e R$ 15,00 (outros).
Disponibilidade: 158 vagas para carros e 36 para motos. A unidade possui bicicletário gratuito.

ASSESSORIA DE IMPRENSA SESC SANTO AMARO
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Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

O espetáculo Venus Ex Libris estreia sob direção de Luiz Fernando Marques com texto livremente inspirado em “A Vênus das Peles”, de Leopold von Sacher-Masoch

Cena do espetáculo Vênus Ex Libris. Foto: Ligia Jardim

“O que se deixa chicotear, merece-o” (A Vênus das Peles, de Sacher Masoch)

O espetáculo ‘Venus Ex Libris’ ocupa um dos andares do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), prédio icônico no centro da capital paulista, situado em uma região famosa por abrigar a boêmia, o sexo e as contravenções.

A obra “A Vênus das Peles”, de Leopold von Sacher-Masoch, desde seu lançamento em 1870, se tornou fonte de inspiração para poetas, pintores, dramaturgos, músicos, cineastas, psicólogos, médicos, sociólogos, entre outros. Provavelmente porque o autor nesta novela explicita e radicaliza sua visão conturbada sobre o desejo, envolvendo o leitor numa reflexão inevitável sobre os papéis que representamos no cotidiano, sobre os limites entre fantasia e realidade, sobre a presença subliminar da sedução em todas as relações sociais e sobre o paralelismo entre essas relações e o ato sexual. Com seu desfile de medos, taras, desejos secretos, humilhação e sofrimento – e com o debate que propõe sobre sexo, arte e poder.

Com dramaturgia coletiva e com intenção de colocar em cena o universo de A Vênus das Peles”, de Leopold von Sacher-Masoch, estreia dia 25 de maio de 2018, no IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil (Rua Bento Freitas, 306, República, São Paulo, SP), o espetáculo ‘Venus Ex Libris’ com direção de Luiz Fernando Marques e atuação dos atores Ana Carolina Godoy e Rafael Steinhauser.

Idealizada pelos atores Ana Carolina Godoy e Rafael Steinhauser, ‘Venus Ex Libris’ tem na cocriação e direção Luiz Fernando Marques, e conta com a parceria de diversos artistas que ao longo desse processo contribuíram para enriquecer e consolidar esse trabalho: Paulo Arcuri, Tomas Rezende, Lucas Brandão, André Cortez, Daniele Avila Small, Wagner Antônio, Yumi Sakate, Gabi Gonçalves, Marcio Abreu e Jenia Koleskinova.

A dramaturgia foi concebida coletivamente em processo de sala de ensaio a partir do livro de Sacher-Masoch, também livremente inspirada na obra do autor americano David Yves – Venus in Fur, no filme – de mesmo nome – de Roman Polanski, na música Venus in Furs de The Velvet Underground, no imaginário de Vênus na pictografia renascentista e no próprio mito de Vênus.

O local escolhido para encenação de Venus Ex Libris não poderia ser mais propicio: primeiro andar da IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), um prédio icônico, situado na Rua Bento Freitas, no centro da cidade, famosa por abrigar a boêmia, o sexo e as contravenções. O Mezanino do prédio – que pela primeira vez será usado como espaço cênico – vai emprestar suas linhas e curvas modernistas para contar esta história. Vale lembrar que o diretor Luiz Fernando Marques (do Grupo XIX de Teatro) tem, na sua trajetória, ocupado artisticamente diversos espaços históricos em São Paulo, no Brasil e pelo mundo.

“Deslizava furtivamente, como para gozar um prazer proibido, para junto de uma Vênus de gesso que se encontrava na biblioteca do meu pai… Ajoelhei-me frente a ela e abracei os seus pés gelados, como havia visto fazer as aldeãs aos pés do Crucificado… Um desejo ardente e invencível apoderou-se de mim. Pondo-me de joelhos, abracei o seu formoso corpo frio, beijei os seus lábios e pareceu-me que a deusa, com um braço levantado, me ameaçava” (A Vênus das Peles, de Sacher Masoch).

Sinopse:

Um homem, uma mulher, o livro “Vênus em Pele” de Masoch, a tela de Ticiano – Vênus ao espelho, dois goles de café e um casaco de pele: elementos de uma mesma cena, figuras de uma possível fantasia. Ele e Ela imersos em um território desconhecido, no limiar da dor e do prazer e, ainda que excitante, revelador de conteúdos obscuros que podem transbordar para além daquela sala de uma grande metrópole em um dia de tempestade.

Venus Ex Libris

Na peça Venus Ex Libris o poder está no centro da cena. Se por um lado o poder pode significar potência no melhor sentido da palavra e de uma expressão de liberdade e realização individual, por outro se desdobra em domínio, controle, subjugação, exploração, entre tantos outros sinônimos. O livro fala sobre relações de poder e chega até teorizar sobre a impossibilidade de uma relação igualitária e cooperativa entre homens e mulheres – pelo menos até que a mulher de fato passe a ter os mesmos direitos dos homens. Enquanto isso não se realiza, ele faz uma comparação da relação homens e mulheres à teoria de Goethe sobre o martelo e a bigorna: “Na grande balança da fortuna, raramente para o fiel; deves subir ou descer; deves dominar e ganhar, ou perder e servir, deves sofrer ou triunfar; deves ser bigorna ou martelo”.

Fato é que o poder está presente em toda e qualquer tipo de relação em maior ou menor grau e aqui é levado ao extremo através de um jogo erótico. Tanto que o termo médico “masoquismo” foi cunhado a partir do nome do autor da obra, que também mantinha relações semelhantes em sua vida real. Mas aqui não pretendemos fazer nenhum julgamento de valor e tampouco classificar e limitar à experiência que ambos personagens se propõem, fazendo o mesmo que o médico alemão fez com Masoch. Não estamos falando de uma patologia, mas de uma experiência levada a um limite desconhecido.

Sobre o espetáculo, o diretor Luiz Fernando Marques diz: “Talvez [sejam] duas pessoas que desejam ardentemente sentirem- se vivas a partir de uma experiência (aparentemente) transgressora, no mundo em que vivemos hoje, de tamanhas distâncias e impessoalidades. Afinal, a quem pertence o nosso corpo e as nossas escolhas? Ao Estado? À natureza? Quais são os limites entre a liberdade pessoal e a do outro? O que é ser mulher e o que é ser homem hoje? O que define o feminino? O que define o masculino? Perguntas essas que não temos a pretensão de responder, mas sim contribuir para um debate que vêm cada vez mais ganhando espaço atualmente tanto no meio acadêmico, como na mídia, no meio artístico e nas redes sociais. Entretanto, apesar de serem cada vez mais discutidas, permanecem ainda num plano discursivo, sob o território das palavras, também um instrumento de poder e controle. Nesse sentido, o teatro por sua natureza performática, pode dar a oportunidade e a medida da experiência”.

Na trama: Um homem e uma mulher marcam um encontro para viverem uma fantasia erótica de dominação e submissão inspirada no livro “Vênus em Pele” de Sacher-Masoch. Ele deseja ser submetido por Ela que aceita o desafio. Ambos então começam um jogo, cada um declara os seus princípios, mas os limites e as regras permanecem indefinidas. Mas afinal, quem é o manipulador? Quem define onde começa e onde termina esse jogo? O que cada um deseja dessa experiência? O fato é que ambos se propuseram a entregar-se a um território desconhecido, no limiar da dor e do prazer e, ainda que excitante, ele pode revelar conteúdos obscuros que podem transbordar para além daquela sala transitória de uma grande metrópole em um dia de tempestade.

FICHA TÉCNICA
Título: Venus Ex Libris
Dramaturgia: Criação Coletiva
Direção: Luiz Fernando Marques
Elenco: Ana Carolina Godoy e Rafael Steinhauser
Assistente de Direção: Paulo Arcuri
Cenografia: André Cortez
Figurino: Yumi Sakate
Luz: Wagner Antônio
Preparação de elenco: Lucas Brandão e Tomas Rezende
Produção: Núcleo Corpo Rastreado – Gabi Gonçalves

SERVIÇO
Temporada de Sexta a Domingo | Sexta e sábado, às 21h e Domingo, às 18h
Dias: 25, 26 e 27/05, 01, 02, 03, 08, 09, 10, 15, 16 e 17/06, 06, 07 e 08/07
Temporada de Sábado e Domingo | Sábados, às 21h e Domingos, às 18h
Dias: 23, 24 e 30/06 e 01/07

Sessões extras
Quinta – 31/05 (feriado), às 21h
Sábados – 30/06 e 07/07, às 23h59
Segundas – 04/06 e 09/07 (feriado), às 21h

IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil
Mezanino – 1º andar
Rua Bento Freitas, 306 – República – São Paulo SP
Informações: 11 3259-6149
Ingressos: Pague o quanto puder
Duração: 90 min/ Recomendação: 16 anos

Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425
E-mail: marcia@canalaberto.com.br | http://www.canalaberto.com.br

Por Daniele Valério | Canal Aberto