De maneira farsesca, RODA MORTA desloca a Ditadura Militar para os dias atuais

Em cena, Pedro Massuela, Mariana Marinho e Biagio Pecorelli. Foto: Tatti Takiyama

Dialogando de forma crítica com a crescente onda ultra conservadora no país, grupo traz à cena uma espécie de delírio sobre a ditadura militar no Brasil

A Cia Teatro do Perverto se debruça na pesquisa sobre psicopatologias sociais, violência sistêmica e ação política; em Roda Morta estão a farsa e a hiper teatralidade na encenação da política atual

Com estreia prevista para o meio do período eleitoral, caso haja dois turnos, Roda Morta aponta para um discurso quase psicótico, que parece ter se consolidado nos últimos anos, em torno da ditadura militar no Brasil. A partir de 18 de outubro de 2018 (até 29 de novembro), os atores Biagio Pecorelli, Felipe Carvalho, Ines Bushatsky, Mariana Marinho e Pedro Massuela tomam o palco do Teatro Pequeno Ato, dirigidos por Clayton Mariano, a partir do texto de João Mostazo para estrear o terceiro trabalho da Cia. Teatro do Perverto.

O espetáculo traça um panorama histórico farsesco do Brasil desde a época da Ditadura Militar, trabalhando com clichês do período como luta armada, perseguição política e violência de Estado – até a crise atual. Na trama, um grupo de militantes deslocado no tempo decide sequestrar um ex-torturador que está em coma em uma clínica para pacientes com Alzheimer.

“Acho que a sacada da peça é que não se trata realmente da Ditadura. Se trata do hoje em dia. Quer dizer, ela aparece mais como uma fantasmagoria do que como um período a ser retratado com precisão histórica ou documental. Volta como uma assombração mesmo. Nunca entramos em um acordo quanto a existir uma narrativa coerente sobre o nosso passado totalitário. Daí a peça ser uma farsa, ter esse aspecto psicótico, como um delírio”, comenta o autor João Mostazo.

A peça tem direção de Clayton Mariano, diretor e ator do grupo Tablado de Arruar que em parceria com Alexandre Dal Farra há alguns anos vem se debruçando sobre questões políticas do país. Para o diretor se trata de uma oportunidade de diálogo com novos dramaturgos e novos grupos.

“Um dos principais motivos que me levou a aceitar o convite do grupo, para além de gostar muito do projeto, foi por se tratar de um autor jovem, aliás de um grupo inteiro jovem. Acho fundamental para o crescimento do teatro que haja este diálogo entre aqueles que estão chegando e os que já estão na estrada há mais tempo, sobretudo para o crescimento da dramaturgia. Hoje há muitos novos dramaturgos que sequer têm a chance de ver seus textos montados, por conta das circunstâncias atuais. De certa forma, a minha geração surgiu num período em que o teatro de grupo em São Paulo passava por uma revolução”, explica o diretor, que conheceu o texto após ter participado de um projeto do SESI/British Council para novos dramaturgos.

A montagem se apropria do gênero farsesco, por vezes beirando o esdrúxulo, com referências que vão do Cinema Marginal brasileiro até o teatro do diretor alemão Frank Castorf, abusando da teatralidade. A interpretação tem excessos de representação que parecem ir na contramão da onda performativa que figura no teatro paulista dos últimos anos.

“A primeira coisa do texto que me chamou a atenção foi o fato de estar classificada como uma farsa psicótica. Foi a forma farsesca que me pareceu ser algo atual. Nos últimos anos no Brasil vimos uma explosão de peças que ora mais, ora menos, se apropriavam daquilo que se convencionou chamar genericamente de teatro performativo. Particularmente, sinto que caminhamos em sentido oposto. A teatralidade e sobretudo a farsa, o fingimento descarado, os tipos, as diversas formas de fake, os excessos de representação, tudo isso parece traduzir mais a nossa atualidade”, conclui o diretor.

Sobre o grupo

“Roda Morta” é o terceiro espetáculo da Cia. Teatro do Perverto. O trabalho se iniciou após a temporada de estreia da peça “A Demência dos Touros” (apresentada em São Paulo, entre junho e julho de 2017). Continuando na linha de pesquisa da Companhia, entre psicopatologias sociais, violência sistêmica e ação política, o trabalho de traços farsescos e surrealistas da Cia. Teatro do Perverto se concentra na criação dramatúrgica autoral e na atenção e treinamento para o trabalho de atuação, conjugando experimentação literária nos textos com elementos pop na encenação e composição de trilha sonora autoral.

Encenação

Na peça o ambiente da peça é fechado, com poucos objetos de cena, móveis gastos pelo tempo, com alguns objetos que marcam a passagem de época, como uma cama velha e uma tina d’água. Figurino e cenário também foram criados sobre esse eixo. A juventude revolucionária deslocada no tempo, por exemplo, se apresenta de forma caricata, escancaradamente fora de época. Casacos de pele, boinas, perucas e óculos escuros (referência aos Panteras Negras), sobretudos tipo BaaderMeinhof – todo esse aparato adquire um elemento cômico, ao aparecer deslocado por uma época em que a própria ideia de Revolução se vê também fora de lugar.

Histórico

A Cia. Teatro do Perverto foi fundada em 2014, a partir do encontro de Ines Bushatsky e Pedro Massuela, ex-estudantes do curso de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo, com João Mostazo, poeta e dramaturgo. A pesquisa da companhia se baseia na ideia de que a sociedade em que vivemos é uma sociedade fundamentalmente perversa, violenta e desigual. Para além, os textos, encenações e atuações farsescas dos espetáculos da companhia – que fazem um pastiche dos recursos melodramáticos presentes na indústria cultural – tentam dar conta das anomias sociais a partir de uma forma que incorpore a incompletude, o nonsense, a incoerência, a contradição, sugerindo a utilização da comédia e do humor como veículos de apreensão do drama humano muitas vezes mais poderosos do que a tragédia ou o próprio drama.

O primeiro espetáculo da companhia, “Fauna Fácil de Bestas Simples”, estreou em 2015, com direção de Pedro Massuela, texto de João Mostazo, trilha e direção musical de Vinícius Fernandes, e tendo no elenco Ines Bushatsky, Felipe Carvalho, Vicente Antunes Ramos e Caio Horowicz. A peça cumpriu temporada entre novembro e dezembro daquele ano e, no ano seguinte, integrou o festival II ETU – Encontro de Teatro Universitário. Acompanhando a trajetória de duas personagens moradoras de rua que passeiam pela cidade de São Paulo, a peça visitava diversas situações de violência urbana, como os abusos policiais, a atuação cínica e coercitiva do mercado imobiliário e o descaso social para com a situação de vulnerabilidade extrema de pessoas sem condição de moradia digna.

Em junho de 2017 estreou no Teatro Pequeno Ato, em São Paulo, o espetáculo “A Demência dos Touros”, com direção de Ines Bushatsky, texto de João Mostazo – a sua segunda peça escrita para o grupo –, dramaturgismo da ativista trans e pesquisadora Dodi Leal e provocação de Luiz Fernando Ramos. No elenco estavam Felipe Lemos, Rafael de Sousa, Jorge Neto, Pedro Massuela e Felipe Carvalho. A peça contava ainda com trilha sonora original, composta e executada ao vivo por Gabriel Edé e Vinícius Fernandes, e com direção de arte, cenografia e figurinos assinados por Lídia Ganhito. Refletindo sobre a relação entre segregação urbana e performances de gênero a partir da questão trans, o espetáculo teve a temporada de estreia prorrogada nas últimas semanas por conta da alta demanda de público, tendo tido destaque na imprensa e repercussão crítica.

Ficha técnica
Texto: João Mostazo
Direção: Clayton Mariano
Elenco: Biagio Pecorelli, Felipe Carvalho, Ines Bushatsky, Mariana Marinho e Pedro Massuela
Direção de Arte: Lídia Ganhito e Maria Rosalem
Direção Musical: Gabriel Edé
Cenografia: Fernando Passetti
Realização: Cia Teatro do Perverto

Serviço
Roda Morta
Estreia: 18 de outubro de 2018
Temporada: de 18 de outubro a 29 de novembro – Quintas e sextas – 21h
Onde: Teatro Pequeno Ato – R. Dr. Teodoro Baima, 78, Vila Buarque
Quanto: R$ 40 (R$ 20 meia) – 40 lugares (venda na bilheteria, no dia da apresentação, e online antecipada no site sympla.com.br)
Duração: 70 min. | Classificação: 16 anos.

Para entrevistas, fotos e outras informações:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 Celular: 11 9 9126 0425 (Márcia) | (11) 9 8435 6614 (Daniele)

Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

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Tio Ivan estreia em Outubro na Casa das Rosas em São Paulo

Cena da peça “Tio Ivan”, que acontecerá na Casa das Rosas. Créditos: divulgação

Espetáculo imersivo, adaptação do Núcleo Teatro de Imersão para peça de Anton Tchekhov, explora sensações, emoções e a curiosidade de estar presente na trama

A Casa das Rosas, em São Paulo, é o lugar escolhido para a estreia da peça Tio Ivan, que acontece em 12 de outubro e permanece em cartaz até 14 de dezembro, todas as sextas-feiras às 19h. Nesta montagem imersiva de O Tio Vânia, de Anton Tchekhov, o Núcleo Teatro de Imersão inclui os espectadores no próprio cenário, percorrendo diversos ambientes, como testemunhas invisíveis dos desejos, conflitos e frustrações dos personagens que os rodeiam. Durante a peça, os personagens transitam ao lado, à frente, às costas e ao redor dos espectadores, que acabam se transformando em participantes ativos, porém sem interações diretas com os atores.

Na peça, o administrador de fazenda Ivan (Márcio Carneiro), sua sobrinha Sônia (Adriana Câmara) e Miguel (Glau Gurgel), o médico da família, têm suas vidas desestabilizadas pela chegada à propriedade do célebre professor Alexandre (Samuel Luz), agora aposentado, e de sua jovem e bela esposa Helena (Ariana Slivah). O espetáculo busca ter uma direção de arte o mais realista possível, por isso, utiliza-se de mobília e objetos de cena reais, de época, próprios de uma casa de fazenda, e a própria arquitetura do espaço da Casa das Rosas, com suas portas, janelas, escadas verdadeiras, será usada como cenário.

O escritor russo Anton Tchekhov (1860 – 1904) é considerado, por estudiosos e críticos de todo o mundo, um dos principais dramaturgos modernos, e sua peça O Tio Vania, uma das suas mais importantes obras. A transferência da história da Rússia para o interior de São Paulo no início do século XX, além de aproximar mais o texto russo do público brasileiro, ainda faz com que os espectadores, como se viajassem no tempo, tenham contato com os costumes do início da República Velha no Brasil, sua cultura, seus meios de transporte, sua economia, sua produção agrícola, suas instituições, suas roupas, mobília e objetos.

SINOPSE CURTA:

O administrador de fazenda Ivan, sua sobrinha Sônia e Miguel, o médico da família, têm suas vidas desestabilizadas pela chegada à propriedade do célebre professor Alexandre, agora aposentado, e de sua jovem e bela esposa Helena.  Nessa montagem imersiva de O Tio Vânia, de Anton Tchekhov, os espectadores são levados para dentro da casa da fazenda e percorrem seus diversos ambientes, como testemunhas invisíveis dos desejos, conflitos e frustrações dos personagens que os rodeiam.

SINOPSE LONGA:

O velho professor aposentado da Escola Nacional de Belas Artes, Alexandre, e sua segunda esposa Helena mudam-se para o interior de São Paulo, passando a residir na fazenda pertencente à falecida primeira esposa do professor e cujos rendimentos sustentaram sua vida na cidade do Rio de Janeiro durante vinte e cinco anos.

Dois amigos, Ivan, irmão da falecida primeira esposa do professor, e Miguel, médico local, são enfeitiçados pela beleza de Helena e passam a viver em completa ociosidade, suspendendo seus trabalhos para estar perto dela.

Sônia, filha do primeiro casamento do professor, trabalha com Ivan na administração da fazenda e sofre com a consciência de que é feia e com o fato de não ser correspondida em seu amor pelo médico.

Helena também se encanta pelo médico, mas não é capaz de se entregar verdadeiramente a ele.

O professor sofre de gota e percebe o quanto seus lamentos irritam e exaurem sua filha e sua esposa.

Ivan despreza o professor, que antes admirava, e seu ódio chega ao ápice quando o professor anuncia sua intenção de vender a fazenda, residência e razão de existir de Sônia e Ivan, para que possa voltar a viver na Capital com os rendimentos que obterá ao investir o valor da venda.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Adriana Câmara.
Adaptação do texto, cenografia, figurino, produção executiva e de arte: Adriana Câmara.
Realização: Núcleo Teatro de Imersão.
Texto: Anton Tchekhov (O Tio Vania).
Elenco: Adriana Câmara, Ariana Slivah, Glau Gurgel, Márcio Carneiro, Samuel Luz.
Assistência de direção: Letícia Alves.
Programação visual: Hernani Rocha.
Assistência de cenografia: Letícia Alves, Hernani Rocha, Samuel Luz.
Confecção do figurino: Ateliê Paz (Samantha Paz e Liduina Paz)
Produção: Menina dos Olhos do Brasil
Assessoria de Imprensa: Florez Comunicação

Serviços
Tio Ivan
Com Adriana Câmara (Sônia), Ariana Slivah (Helena), Glau Gurgel (Miguel), Márcio Carneiro (Ivan), Samuel Luz (Alexandre).
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo, SP
Temporada: de 12 de Outubro a 14 de Dezembro de 2018, todas as sextas-feiras, às 19h. (Exceto dia 2/11, em que não haverá apresentação).
Classificação: 12 anos.
Capacidade: 30 lugares
Duração: 105 minutos
Gênero: Drama
Valor do Ingresso: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (Meia).
Venda de ingressos através do site: http://www.sympla.com.br/nucleoteatrodeimersao
Venda de ingressos no local: Somente nos dias das apresentações, das 18h15 às 18h55.
Mais informações: http://www.nucleoteatrodeimersao.com/tio-ivan
Telefone para outras informações: (11) 3285-6986 / (11) 3288-9447.
Estacionamento conveniado Parkimetro: Al. Santos, 74 (fechado aos domingos e feriados).

Créditos: Christina Florez | Florez Comunicação

Lorenzetti apoia espetáculo O Fantasma da Ópera

O clássico “O Fantasma da Ópera” em cartaz no Teatro Renault. Créditos: divulgação

A peça fica em cartaz até 23 de dezembro no Teatro Renault, em São Paulo

A Lorenzetti, empresa líder em duchas, chuveiros, torneiras elétricas e aquecedores de água a gás, apoia pela segunda vez o espetáculo O Fantasma da Ópera. A renomada peça, em temporada no Brasil, fica em cartaz até 23 de dezembro no Teatro Renault, em São Paulo.

Baseado no romance francês Le Fantôme de L’Opera, de Gaston Leroux, O Fantasma da Ópera encanta espectadores do mundo todo com a história do ser mascarado que vive escondido na Ópera de Paris, aterrorizando a todos que ali passam. O Fantasma se apaixona perdidamente por Christine, jovem soprano inocente, e a partir disso se dedica a criar uma nova estrela dos palcos.

O mais antigo musical em cartaz na história da Broadway e visto por mais de 140 milhões de pessoas, promete envolver o público com uma trama repleta de mistérios. As apresentações ocorrem de quarta-feira a domingo, com variadas opções de horários ao público.

“A Lorenzetti se orgulha em apoiar o espetáculo O Fantasma da Ópera, um dos romances mais conhecidos e com recorde de bilheteria. É uma excelente opção cultural para a família, proporcionando uma experiência inesquecível a quem assiste”, destaca Paulo Sergio Galina, gerente de marketing da Lorenzetti.

Créditos: Fábio Borges | Coordenadora de Comunicação Corporativa

A Caixa Cultural apresenta A Gruta da Garganta

Cena de A Gruta da Garganta, que tem composições eruditas exclusivas, criadas pelo pianista ucraniano Mikhail Studyonov. Créditos: divulgação

teatro lírico – o espetáculo, por meio de suas atrizes e cantoras Clarice Cardell e Aida Kellen, leva os pequenos ao interior do corpo humano para abordar de maneira poética e onírica, o princípio da voz e do som, em uma viagem pelas ressonâncias da linguagem

De 11 a 14 de outubro de 2018, na Caixa Cultural São Paulo, a companhia La Casa Incierta realiza uma experiência única: A Gruta da Garganta, uma obra lírica com direção de Carlos Laredo. Pioneiro no campo das artes cênicas para a primeira infância, o grupo de teatro hispano-brasileira foi criado em 2000 pelo diretor teatral espanhol Carlos Laredo e pela atriz brasiliense Clarice Cardell.

O espetáculo aborda de maneira poética o surgimento da linguagem humana. Idealizado pela companhia de teatro hispano-brasileira La Casa Incierta, A Gruta da Garganta é uma criação inédita de teatro lírico que leva o espectador a uma aventura no interior do corpo humano para abordar, de maneira poética e onírica, o princípio da voz e do som. Essa trajetória, desde os primeiros balbucios até o domínio da comunicação verbal, é apresentada, tal qual uma ópera, com canto e música.

A montagem é direcionada para crianças de zero a cinco anos e busca instigar nesse jovem público o interesse pelo teatro lírico. Os pais que levarem seus filhos ao teatro estarão diante de uma reflexão sobre os mistérios da comunicação.

Iluminada por projeções de vídeo que ampliam sua atmosfera lúdica, a cenografia sugere os labirintos do crânio, a caverna da boca e a cova da garganta por onde as atrizes e cantoras Clarice Cardell e Aida Kellen guiarão o público numa viagem pelas ressonâncias da linguagem. O pianista ucraniano Mikhail Studyonov criou as composições eruditas criadas por ele exclusivamente para o espetáculo.

A Gruta da Garganta é um canto poético sobre os laços invisíveis entre os seres humanos, o cordão umbilical que nos guia nos caminhos escuros da vida. “O espetáculo evoca a dificuldade do ser humano de viver isolado e nossa necessidade por comunicação. E as pessoas têm, desde que nascem, as ferramentas para criar relacionamentos e para ter o entendimento da comunicação”, comenta Carlos Laredo.

Às vezes o bebê parece um estranho aos olhos dos adultos. Mas o que é que as mães, pais e filhos compartilham? No passado, a humanidade rendia culto a diversas formas de nascimento a partir de uma cosmovisão cíclica: o crescimento, a plenitude, o envelhecimento e a morte-renovação. No altar das deusas, a primeira infância e a maternidade eram os mistérios mais valiosos, os tesouros a serem protegidos no centro do labirinto.

Guardamos no fundo da gruta da garganta, a partir dos nossos pulmões de recém-nascidos, o ar da primeira inspiração, que permanece aí durante toda a vida, durante cada uma das nossas respirações até a última expiração. A obra A Gruta da Garganta é como um misterioso fio de Ariadne. Somos indivíduos porque somos indivisíveis, inseparáveis uns dos outros. Existimos no espelho dos olhos alheios e a partir da garganta, rimos, choramos, gritamos e cantamos. É na gruta da garganta onde bebês e adultos compartilham o ar a cada respiração.

Além das apresentações será realizada uma oficina “A Cultura e Primeira Infância” com os diretores da companhia, Carlos Laredo e Clarice Cardell. Todas as atividades são gratuitas.

Sinopse

Voltada a crianças de zero a cinco anos, a peça é iluminada por projeções de vídeo que ampliam sua atmosfera lúdica. A cenografia sugere os labirintos do crânio, a caverna da boca e a cova da garganta por onde as atrizes e cantoras Clarice Cardell e Aida Kellen guiarão o público numa viagem pelas ressonâncias da linguagem. O pianista ucraniano Mikhail Studyonov criou as composições eruditas criadas por ele exclusivamente para o espetáculo.

La Casa Incierta

Pioneira no campo das artes cênicas para a primeira infância, La Casa Incierta é uma companhia de teatro hispano-brasileira criada em 2000 pelo diretor teatral espanhol Carlos Laredo e pela atriz brasiliense Clarice Cardell. Ao longo dos anos, a companhia criou um repertório de inúmeras criações e atividades artística, além de conferências e workshops para crianças, adolescentes, pais e professores. Em sua trajetória, La Casa Incierta tem trabalhado e pesquisado uma linguagem poética em busca das capacidades infinitas com que nascem os seres humanos. Seus espetáculos foram apresentados em países como França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Martinica, Portugal, Israel, Finlândia e em diversas cidades do Brasil.

A companhia é residente em Brasília desde 2013, e vem desenvolvendo uma série de projetos inovadores no campo das artes e da primeira infância. Realiza a curadoria e produção do Festival Primeiro Olhar – arte pela primeira infância, coordena o GT Cultura na Rede Nacional pela Primeira Infância e colaborou na coordenação do I Encontro Cultura e Primeira Infância, realizado em 2015 em parceria com o Ministério da Cultura. Em 2017, recebeu em Washington o prêmio internacional ALAS BID (Banco Interamericano Mundial), concedido como iniciativa inovadora para a primeira infância.

Ficha artística
Uma criação de La Casa Incierta
Direção e Dramaturgia: Carlos Laredo
Intérpretes: Clarice Cardell e Aida Kellen
Direção e Composição Musical: Mikhail Studyonov
Figurino: Val Barreto
Vídeos, Cenografia e iluminação: Carlos Laredo
Ajudante Técnico: Herbert Lins dos Santos
Vídeo da obra: Comova
Produção Local: Gessica Arjona

Serviço
Espetáculo Infantil: “A Gruta da Garganta”
Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP – próxima à estação Sé do Metrô
Datas: de 11 a 14 de outubro de 2018 (de quinta a domingo)
Horário: às 16 horas
Capacidade: 120 lugares
Classificação indicativa: crianças de 0 a 5 anos
Informações: (11) 3321-4400
Capacidade: 60 lugares
Duração: 40 minutos
Ingressos: distribuição de senhas a partir das 9h do dia de cada apresentação
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa

Oficina: “A Cultura e Primeira Infância” – Carlos Laredo e Clarice Cardell
Data: 11 de outubro de 2018 (quinta-feira)
Horário: das 18h às 22h
Público-alvo: Pessoas interessadas nas artes, na educação infantil e na primeira infância
Capacidade: 20 vagas
Público-alvo: E-mail da produção para inscrições: casa@lacasaincierta.com

Informações à Imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425
Email: marcia@canalaberto.com.br| http://www.canalaberto.com.br

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(11) 3321-4419/4420
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Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

Espetáculo “Colônia” é montado no Sesc Santo Amaro

Imagem do espetáculo “Colônia”. Foto: Patrick Sister

Com dramaturgia de Gustavo Colombini e atuação de Renato Livera, “Colônia” se baseia nos fatos que ficaram conhecidos como holocausto do Hospital Colônia de Barbacena

Nos dias 21, 22 e 23 de setembro, sexta (20h), sábado (19h) e domingo (18h), o Sesc Santo Amaro recebe o espetáculo brasileiro “Colônia”, com direção assinada por Gustavo Colombini. A montagem faz parte do Projeto Proscênio – que convida o público a compartilhar, com os atores, suas histórias, seus pensamentos e o mesmo tempo-espaço cênico.

Na linguagem do teatro, proscênio é o espaço que avança do palco para a plateia. Nele, a proximidade rompe com a quarta parede e atores e público passam a compartilhar fisicamente o momento dramático. Assim, o público se torna um elemento essencial da dramaturgia, um cúmplice teatral.

“Colônia” utiliza do recurso de peça-palestra, que é atravessada por memórias e fatos que fazem referência ao holocausto do Hospital Colônia de Barbacena, onde 60 mil pessoas foram torturadas e mortas. Renato Livera destrincha, em 50 minutos, a palavra “colônia” da multiplicidade dos seus sentidos e atenta a condição colonial do Brasil – com muitos aspectos da colonização ainda em pleno vigor nas dinâmicas e nas mentalidades.

SINOPSE

Refletir sobre o que caracteriza uma colônia e suas forças é pensar a sua função dentro da sociedade. Partindo dessa premissa, o espectador se depara com significados distintos para o termo, conceitos que, se postos lado a lado, apresentam contradições, geram paradoxos e aspiram conexões. Para que essa diversidade de definições tivesse uma confluência, dois fatos catalisadores foram eleitos: a nossa herança colonial e a história de um manicômio. A peça é um tensionamento da tríplice relação entre o enunciador, o enunciado e o espectador, justamente por sua natureza discursiva, indagando não apenas o plano temático, mas também o performativo.

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Gustavo Colombini
Direção: Vinicius Arneiro
Atuação: Renato Livera
Projeto de som, cenário e luz: Renato Livera e Vinicius Arneiro
Iluminador: João Gaspary
Fotos: Patrick Sister
Assessoria de imprensa: Nova Comunicação
Produção: Meta Produções Artísticas
Distribuição: Metropolitana Gestão Cultural

SERVIÇO
PROSCÊNIO
COLÔNIA
Quando: De 21 a 23 de setembro de 2018.
Horário: Sexta, às 20h; Sábado, às 19h; Domingo, às 18h.
Local: Espaço das Artes (1º andar). Capacidade 80 lugares
Duração: 50 minutos | Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 17,00 (inteira); R$ 8,50 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública) e R$ 5,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes).

SESC SANTO AMARO
Bilheteria e horário da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Endereço: Rua Amador Bueno, 505.
Acessibilidade: universal.
Estacionamento da unidade: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (Credencial Plena); R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional (outros).
Preço único mediante apresentação de ingresso (a partir das 18h): R$ 7,50 (Credencial Plena) e R$ 15,00 (outros).
Disponibilidade: 158 vagas para carros e 36 para motos. A unidade possui bicicletário gratuito.

Assessoria de Imprensa:
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Por Daniele Valério | Canal Aberto

mOno_festival: em 11 dias, 10 ações artísticas entre teatro, dança, performance e música, além de um Cabaré e atividades formativas

Imagem do espetáculo teatral “Dezuó”. Foto: Cacá Bernardes

A ideia do mOno_festival vai diretamente ao encontro do pensamento que orienta a atuação do coletivo teatral 28 Patas Furiosas, que parte sempre da inventividade com recursos mínimos para produzir e pensar os seus trabalhos no mundo.

De 14 a 24 de setembro de 2018, o coletivo 28 Patas Furiosas realiza o mOno_festival – uma mostra com apresentação de trabalhos solos em diferentes linguagens. Em 11 dias de atividades, estão programados 10 espetáculos (entre dança, música, teatro e performance), além de um Cabaré de variedades, uma roda de conversa com os artistas participantes e ações formativas.

O mOno_festival nasceu de um antigo desejo do coletivo 28 Patas Furiosas de povoar seu espaço de trabalho e pesquisa, o Espaço 28, com apresentações de diferentes linguagens, para colocar em diálogo perspectivas artísticas heterogêneas, num espaço cultural descentralizado na cidade de São Paulo. A programação dessa mostra apresenta solos em temáticas plurais, com artistas convidados de diferentes nichos e gerações da cena artística de São Paulo. O eixo curatorial fez-se uma pergunta: qual o mínimo necessário para que uma ação artística aconteça? Desse mote surgiram trabalhos em suas plenitudes artísticas, potentes, que nasceram da própria precariedade do contexto cultural em que vivemos.

Não é uma mostra atrelada a uma curadoria formal, mas uma celebração da invenção diante da simplicidade e da rusticidade. Assim também está contaminado o trabalho do grupo, que ocupa um espaço alternativo e não-teatral na zona sul da cidade e ali realiza seus espetáculos. “A ideia é que o festival venha fortalecer a cena contemporânea (da qual fazemos parte), podendo mais uma vez reinventar o nosso próprio espaço, ocupando-o a partir da troca com produções e linguagens artísticas diversas.”

A ideia que fundamenta o mOno_festival é a de não limitar a programação a um único campo artístico (teatro ou dança, por exemplo), mas tentar ultrapassar os limites entre as linguagens e alcançar num mesmo espaço as perspectivas de se pensar um trabalho solo: seja na música, na dança, no teatro ou na performance.

“A atual circunstância de crise político-econômica no país faz com que os artistas busquem as mais variadas formas para viabilizar as suas criações. Nesse contexto, observamos uma proliferação de trabalhos solo nas diferentes linguagens artísticas, carentes de lugares para serem apreciados e discutidos. Com os objetivos de abrir espaço para estas obras, de aproximá-las do público e de fomentar a discussão acerca das diferentes possibilidades de criação em trabalhos solo”. Sofia Botelho

Desse modo, os espetáculos sugeridos pela curadoria para o mOno_festival tem linguagens, temáticas e pesquisas de linguagem diversificadas que de alguma forma se aproximam das buscas éticas e estéticas do 28 Patas Furiosas. A ideia é levar ao público produções artísticas que possam trazer a potência na sua simplicidade.

Teatro | Dança | Performance | Show

O mOno_festival convidou espetáculos teatrais significativos dos últimos anos da cena artística para compor sua programação.  A questão indígena aparece em Gavião De Duas Cabeças, com Andreia Duarte. A atriz morou durante cinco anos na comunidade indígena Kamayura, no Alto Xingu, em Mato Grosso. Lá, criou e organizou escolas, assessorou projetos, escreveu livros. Por meio de um olhar poético, ético e de resistência, Andreia criou o espetáculo que traz uma voz crítica à questão do genocídio indígena no Brasil.

A marginalização social é uma das temáticas de Dezuó, com o ator Edgar Castro, que aborda questões profundas sobre a condição do ser-humano frente a situações das quais não pode modificar, ressaltando a possível impotência de todos quando ocorre uma intervenção de cunho desenvolvimentista apenas do ponto de vista mercadológico.

Partindo de um conto de Hilda Hilst, OSMO tem Donizete Mazonas em cena, e a história traz um anti-herói que busca compreender a dimensão da vida e da morte. Egocêntrico, só pensa em satisfazer os seus desejos, sem a interferência de uma moral que ponha freios aos seus instintos. Contudo ele busca em seus atos de horror a transcendência estética. A subjetividade do herói expõe tudo o que ele tem de humano, e isso implica percorrer ambos os caminhos: bem e mal. No conto, assim como a vida contém a morte, o bem contém o mal para juntos comporem a dança do universo.

Baderna, com Luaa Gabanini, que tem na mestiçagem brasileira seu fio condutor, é inspirado na bailarina italiana Marietta Baderna, cujo sobrenome virou sinônimo de confusão e desordem devido às manifestações de seus admiradores ao pedirem a sua volta aos palcos, após a bailarina ser execrada socialmente por misturar o balé clássico à dança afro-brasileira lundu.

Duas performances impactantes estão programadas para o mOno_festival: Menos, de Matheus Leston e A Babá Quer Passear, com Ana Flavia Cavalcanti. A primeira, de caráter multimídia, integra música eletrônica experimental e visuais gerados por um grid de barras de LED. No centro desse grid, o artista utiliza apenas uma máquina, uma drum machine, para gerar todos os sons. A segunda é realizada pela atriz Ana Flavia Cavalcanti, que lança seu primeiro trabalho como diretora de cinema nos próximos meses, estreia uma peça no Rio em novembro e está prestes a voltar ao ar como vilã de uma série na TV aberta. Mas é essa atriz com 1,69m de altura que vai entrar vestida de branco e permanecer durante três horas num carrinho de bebê para discutir sobre essas mulheres uniformizadas, em sua maioria negras, empurrando crianças brancas.

Dois espetáculos de dança integram a mostra: Aqui É Sempre Outro Lugar, com Carolina Nóbrega, abre uma discussão sobre a diferença de velocidade entre os corpos e a quantidade de imagens e informações produzidas e divulgadas em rede pelo capitalismo. Há uma tentativa de rememorar o quanto as tecnologias de comunicação – nossas atuais redes sociais – foram produzidas para atender demandas de guerra, ou seja, demandas de extermínio em massa. Pedro Galiza, um artista transmídia que trabalha um remix de diversos fenômenos artísticos – na arte da ação (performance arte), na dança, na música e nas realidades audiovisuais, apresenta Acidentes, que investiga a identidade hacker, ligada à vida e apaixonada pela morte. Um corpo em combustão num ambiente denso, selvagem e melancólico.

Josyara é cantora, compositora, instrumentista e arranjadora natural de Juazeiro – BA. Em 2012, gravou seu primeiro disco autoral, intitulado “Uni Versos” e em agosto de 2018 lançou o disco Mansa Fúria pela Natura Musical. Josyara apresenta músicas do seu novo disco lançado em agosto de 2018, em formato voz e violão. As canções interpretadas pela artista, sejam autorais ou releituras, trazem consigo a força e a sensibilidade inerentes à sua voz, através de arranjos muito próprios, que transitam entre ritmos brasileiros de diversas regiões (principalmente do sertão) e sonoridades universais. O músico Maurício Pereira estará acompanhado por Tonho Penhasco na guitarra e no repertório, além de canções do recém lançado #outononosudeste, toca também canções dos álbuns “Pra Marte”, “Pra Onde Que Eu Tava Indo” (2014) e “Mergulhar na Surpresa”, de 1998.

Ainda, uma roda de conversa com os artistas participantes do festival e um Cabaré de variedades integram a programação do mOno_festival, que se realiza no período de 14 a 24 de setembro na cidade de São Paulo, com curadoria e realização do coletivo 28 Patas Furiosas por meio do edital PROAC 13/2017 Festivais de Artes I.

Coletivo 28 Patas Furiosas

Em 2013, o 28 Patas Furiosas instalou-se em um antigo bar na Vila Clementino que vem sendo reformado e reformulado de acordo com as necessidades artísticas do coletivo ao longo dos anos. Ali, o grupo criou e apresentou dois espetáculos (lenz, um outro e A Macieira) e atualmente prepara seu novo espetáculo, PAREDE entre a ordem e o caos, com estreia prevista para março de 2019.

O grupo desde o início compreendeu sua existência como um conjunto de ações culturais e experiências de troca entre outros artistas e coletivos que pudessem gravitar no Espaço 28. Nesse local realizou, paralelamente, diferentes ações culturais, com trocas e conexões entre outros artistas e coletivos, com diferentes atividades.

Foi assim que o grupo realizou a Ocupação Büchner – lacuna ou falha no texto original? (rodas de conversa sobre Georg Büchner em 2014 com nomes relevantes da cena teatral, que culminou na estreia de seu primeiro espetáculo, lenz, um outro); o Puxadinho 28b (uma programação paralela e independente da Bienal de SP, em 2016, que contou com debates, shows, exposição, banca de publicações independentes, além da temporada de A Macieira) e o projeto Invenções (que durante todo o primeiro semestre de 2017, trouxe ao Espaço oficinas técnicas-criativas, performances, concertos, residências artísticas e a parceria com dois outros coletivos), este último contemplado pelo ProAc Território das Artes 2016.

PROGRAMAÇÃO

Espetáculo teatral | GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS – Andreia Duarte
16/09, domingo, às 19h | 55 min | 14 anos
Sinopse: Um canto de morte convida o público a adentrar no espetáculo. Discursos reais da atualidade política brasileira são costurados pelas falas da atriz, que viveu durante cinco anos na Amazônia, com o povo Kamayura. De um lado o discurso urbano-ruralista, de outro o do índio em prol da sobrevivência e ainda o da atriz questionando o seu lugar no encontro com a alteridade. O gavião de duas cabeças – ave que devora os índios mesmo depois da morte, é a representação do capital: aquele que destrói a natureza pela ambição de um progresso desmedido e o desejo pela mercadoria. Como é possível nos colocar no lugar do outro? O que é essencial para vivermos? Uma obra de resistência poética e política, um acontecimento teatral.
Ficha técnica: Idealização e atuação: Andreia Duarte/ Direção e preparação corporal: Juliana Pautilla/ Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla/ Direção e produção de arte: Alice Stamato/ Trilha sonora original: Carlinhos Ferreira/ Criação e operação de luz: Ronei Novais/ Criação de vídeo: Natália Machiavelli e Daniel Carneiro/ Operação de som e vídeo: Juliana Pautilla/ Registro em vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo e Anderson Chocks/ Fotografia: Fernanda Procópio/ Criação gráfica: Daniel Carneiro/ Realização: Materiabruta.

Espetáculo teatral | DEZUÓ – Edgar Castro
17/09, segunda, às 20h | 65 min | Livre
Sinopse: Tendo como mote a expulsão do menino Dezuó e de sua família da Vicinal do Vinte Um, comunidade ficcional ribeirinha, motivada pela construção de uma usina hidrelétrica no Rio Tapajós, oeste do Pará, na Amazônia brasileira, a peça reconstitui a trajetória do menino-homem andarilho que após a dissolução de sua vila natal refugia-se na cidade. A trajetória memorialista do andejo Dezuó adentra as facetas adversas da cultura e das realidades do Brasil para refletir sobre a negação do direito à terra e a consequente disfunção social, fruto direto de uma política desenvolvimentista operacionalizada à margem da legalidade.
Ficha técnica: Dramaturgia: Rudinei Borges/ Direção: Patricia Gifford/ Atuação: Edgar Castro/ Direção musical/músico em cena: Juh Vieira/ Instalação cenográfica e figurinos: Telumi Hellen/ Assistente de cenografia: Andreas Guimarães/ Adereços: Clau Carmo/ Apoio técnico: Thales Alves/ Iluminação: Felipe Boquimpani e Maíra do Nascimento/ Preparação corporal e vocal: Antonio Salvador/ Projeto gráfico: Murilo Thaveira –casadalapa/ Fotografia e vídeo: Cacá Bernardes e Bruna Lessa – bruta flor filmes/ Direção de produção e assistente de figurinos: Isabel Soares/ Parceria: Casa Livre Realização -Núcleo Macabéa. Ministério da Cultura. Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014.

Espetáculo teatral | OSMO – Donizete Mazonas
23/09, domingo, às 19h |70 min | 16 anos
Sinopse: “Osmo”, um serial killer com pretensões literárias, está mergulhado na difícil e intrincada tarefa de escrever sua história, quando é interrompido pelo telefonema de uma amiga que o convida para dançar. O gatilho foi acionado. Agora seu tétrico ritual será perpetrado: sair para dançar com uma mulher, fazer amor com ela e depois assassiná-la. Osmo é um anti-herói que busca compreender a dimensão da vida e da morte. Egocêntrico, só pensa em satisfazer os seus desejos, sem a interferência de uma moral que ponha freios aos seus instintos. Contudo ele busca em seus atos de horror a transcendência estética. A subjetividade do herói expõe tudo o que ele tem de humano, e isso implica percorrer ambos os caminhos: bem e mal. No conto, assim como a vida contém a morte, o bem contém o mal para juntos comporem a dança do universo. Assim como uma dança, a narrativa vai mudando de ritmo, de tom, gradativamente. Como bem escreveu Caio Fernando Abreu numa carta para Hilst, o conto cresce: “O tom rosado do início passa para um violáceo cada vez mais denso, até explodir no negror completo, no macabro”.
Ficha técnica: Texto: Hilda Hilst/ Direção, adaptação, figurinos e trilha: Suzan Damasceno/ Concepção, adaptação, cenário e interpretação: Donizeti Mazonas/ Atriz convidada: Érica Knapp/ Designer gráfico, iluminação, operação de luz e som: Hernandes de Oliveira/ Produção executiva: Jota Rafaelli/ Realização: Núcleo Entretanto, da Cooperativa Paulista de Teatro.

Espetáculo teatral | BADERNA – Luaa Gabanini
24/09, segunda, às 20h | 60 min | 14 anos
Sinopse: É uma performance teatral baseada no uso do corpo como instrumento de comunicação áudio e visual. Inspirada na bailarina italiana Marietta Baderna – que viveu no Rio de Janeiro e por conta de seu estilo transgressor e libertário para época, seu sobrenome virou sinônimo de bagunça.
Ficha técnica: Concepção Geral: Luaa Gabanini/ Direção: Roberta Estrela D’Alva/ Atriz-dançarina: Luaa Gabanini/ Direção de arte: Bianca Turner/ Poemas de ação dramática: Claudia Schapira e Luaa Gabanini/ Direção musical: Eugênio Lima/ Percussão: Alan Gonçalves e Daniel Laino/ Direção de produção e administração: Mariza Dantas.

Performance | MENOS – Matheus Leston
*14/09, sexta feira, às 20h | GRATUITO | 50 min | Livre
Sinopse: Menos é um projeto multimídia que busca a sincronia perfeita entre som e luz. Para isso, ao invés de fazer uso de ferramentas de análise de áudio, os próprios dados numéricos que representam as ondas sonoras são utilizados como valores de luminosidade exibidos em um grid de 16 barras de led digital. Não se trata de uma representação, uma interpretação visual do som, mas sim de uma transformação direta entre os dados, o que é possível em uma linguagem digital. Através de um algoritmo próprio, uma biblioteca de sons foi gerada automaticamente, sem intervenção. Esta coletânea de áudios foi então editada, tratada, recortada e organizada de forma a construir estruturas abertas à improvisação. O grid luminoso responde a esses sons de forma automática e, já que usa dos mesmos dados, a sincronia é sempre garantida, mesmo em criações espontâneas.
Ficha técnica: Criação, execução e performance: Matheus Leston.

Performance | A BABÁ QUER PASSEAR – Ana Flavia Cavalcanti
*21/09, sexta, às 16h | GRATUITO | Imediações do Shopping Santa Cruz | 180 min | Livre
Sinopse: A performance A Babá Quer Passear quer provocar o debate sobre a invisibilidade do empregado doméstico no Brasil, em sua maioria – homens e mulheres negras. A abordagem é sobre o trabalho das babás, mas não se resume a isso. Busca-se transformar a maneira como contratamos e remuneramos os ditos “serviçais”. Refletir sobre carga-horária, salário, benefícios, formação e os limites do limpar é o grande intuito deste trabalho. E se cuidássemos de quem sempre cuida de tudo? A performer Ana Flavia Cavalcanti se veste de branco, uma alusão aos uniformes de babás, ela fica dentro do carrinho de bebê e se coloca à disposição dos transeuntes para um passeio pelas ruas da cidade. O convite é feito através de um balão branco pregado ao carrinho com os dizeres: A Babá Quer Passear. O carrinho da babá só se movimenta se alguém quiser levá-la para um passeio. Durante o passeio a performer lança algumas perguntas: O seu filho ou filha tem uma babá? Essa babá está bem? Ela já viajou de teleférico? Ela tem algum sonho? Ela conhece as Cataratas do Iguaçu? O que ela mais gosta de comer? Ela dorme bem? A sua babá, quer passear?
Ficha técnica: Concepção, direção e performer: Ana Flavia Cavalcanti

Espetáculo de dança | ACIDENTES – Pedro Galiza
15/09, sábado, às 19h | 45 min | Livre
Sinopse: ACIDENTES é uma proposta transmidiática, que manifesta-se enquanto fenômeno coreográfico, sonoro e audiovisual. O conceito do trabalho é atemático, transmutante, instável, errático e vigoroso. As questões deste trabalho reportam a uma identidade hacker, ligada à vida e apaixonada pela morte – forjada na topografia dos desvios, aclives e declives dos espaços. O corpo aqui está em combustão num ambiente denso, selvagem e melancólico. Em cumplicidade com os espectadores, este corpo existe gerando atritos entre a sua percepção física, bem como a percepção da audiência.
Ficha técnica: Criação e Dança: Pedro Galiza/ Trilha Sonora: Pedro Galiza/ Iluminação: Rodrigo Munhoz/ Agradecimentos: Rubia Braga | Adriana Grechi – Plataforma Exercícios Compartilhados | Wellington Duarte | Vera Sala | Rodrigo Munhoz | Marcio Vasconcelos | CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo

Espetáculo de dança | AQUI É SEMPRE OUTRO LUGAR – Carolina Nóbrega
22/09, sábado, às 19h30 | 40 min | 16 anos
Sinopse: Umas imagens do Youtube mostram insistentemente a máquina de guerra – suas fábricas, seus consumidores, suas polícias. Palavras correm atrás das imagens tentando legendá-las. Um corpo, lento – uma mulher? –, se arma de uns tantos objetos.
Ficha técnica: Concepção, coreografia, performance, textos e edição de vídeo: Carolina Nóbrega/ Operação de luz e som: Pedro Felício.

Show | Josyara
15/09, sábado, às 21h30 | 45 min | Livre
Mansa Fúria traz um retrato da cantora, compositora e violonista baiana em seu percurso sertão/litoral/metrópole. Nascida em Juazeiro no interior da Bahia, Josyara traz em suas composições um olhar sensível sobre seu cotidiano e sua história, embaladas por um violão percussivo e potente. Se em seu disco de estreia “Uni Versos” ela apresenta suas raízes do sertão baiano, em Mansa Fúria ela escancara sua versatilidade trazendo uma voz e violão que dialogam perfeitamente com texturas eletrônicas. “Percebi que minhas canções refletem muito as águas e seus movimentos. É como meu corpo reage. Uma hora maré mansa, outra mar revolto, rio na enchente. Eu transbordo demais. Mansa Fúria também é o nome da música mais antiga do disco, tem cerca de 10 anos. E quando a escolhi vi que tinha uma força grande que ainda carrego comigo. Nela diz “por que eu quero é viver na mansidão, mansa fúria como o mar”. Em suas letras, algumas figuras têm presença forte: as frutas locais como a pinha, carambola, umbu, o árido sertão de sua terra natal, o encontro com o mar na capital soteropolitana, Yemanjá, Nanã. “É tudo muito natural. Não racionalizo muito quando estou no ápice da criação. A reflexão vem muitas vezes depois que escrevo, como um sonho que ganha significados depois que a gente acorda. Gosto de observar, contemplar com prazer as coisas que vejo beleza. Acredito que a nossa ligação com a beleza e a espiritualidade é ancestral, é esse diálogo entre a nossa natureza intuitive e o mundo exterior. Conto o que vejo cantando”.
Ficha técnica: Josyara – Voz e Violão

Show | Maurício Pereira
22/09, sábado, às 21h30 | 80 min | 10 anos
Sinopse: O músico paulistano Mauricio Pereira tem 7 discos solo gravados, todos distribuídos por Tratore e disponíveis em streaming. Suas composições tem sido gravadas por artistas como Metá Metá e Maria Gadu, entre outros. Nos anos 80 criou a banda Os Mulheres Negras com André Abujamra.Nos anos 90 foi cantor do programa Fanzine, de Marcelo Rubens Paiva, na TV Cultura, e um dos pioneiros na internet, fazendo o primeiro show brasileiro ao vivo na rede. Faz palestras e oficinas sobre música, além de produzir conteúdo para cinema, teatro e imprensa. É também ator e locutor. Tem vários shows em cartaz, tanto os de seus discos autorais, quanto em parceria com artistas como Paulo Freire, Wandi Doratiotto, Arthur de Faria, Tim Bernardes (O Terno). No show estará acompanhado por Tonho Penhasco na guitarra e no repertório, além de canções do recém lançado #outononosudeste, toca também canções dos álbuns “Pra Marte”, “Pra Onde Que Eu Tava Indo” (2014) e “Mergulhar na Surpresa”, de 1998.
Ficha técnica: Voz e saxofone: Mauricio Pereira/ Guitarra: Tonho Penhasco.

*RODA DE CONVERSA COM OS ARTISTAS PARTICIPANTES DO FESTIVAL
(Aberto ao público) | 19/09, quarta, às 20h | GRATUITO
*Cabaré | 20/09, quinta, às 20h
com Mariano Mattos (MC)
Luiza Romão | poeta
Gui Calzavara | multi-instrumentista
Lorena Pazzanese | Performance: Vetruvio
Clowndette Maria | Feira de artigos femininos

Ficha Técnica
mOno_festival, um projeto de 28 Patas Furiosas
Coordenação geral: Sofia Botelho
Assistência de coordenação: Isabel Wolfenson
Curadoria: Isabel Wolfenson, Laura Salerno e Sofia Botelho
Coordenação da Ação Formativa: Valéria Rocha
Coordenação Técnica: Wagner Antônio
Técnicos: Douglas de Amorim, Dimitri Luppi Slavov, Gustavo Viana e Marcus Garcia.
Coordenação de comunicação e redes sociais: Laura Salerno
Design Gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Marcia Marques
Registro audiovisual: Marcos Yoshi
Produção Executiva e Financeira: Iza Marie Miceli e Bia Fonseca – Nós 2 Produtoras Associadas
Realização: 28 Patas Furiosas

SERVIÇO
de 14 a 24 de setembro de 2018
Local: Espaço 28
Rua Doutor Bacelar, 1219 – Vila Clementino, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 20,00 inteira | R$ 10,00 meia
Aceita dinheiro e cartão de débito
Possui acessibilidade
Lotação: 40 lugares

Assessoria de Imprensa:
Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425 (Márcia)
marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br

Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

Produção do SESI-SP, espetáculo Os 3 Mundos estreia com história inédita dos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá

História se passa em um futuro não muito distante. Foto: Ligia Jardim

Idealizada pela atriz Paula Picarelli, que também está em cena, peça tem direção de Nelson Baskerville e traz uma fusão de cinema, teatro, kung fu e histórias em quadrinhos inédita no Brasil. A montagem marca a estreia dos irmãos quadrinistas como dramaturgos

São Paulo, agosto de 2018 – No palco, duas telas exibem elementos cenográficos com os quais os atores interagem, proporcionando ao público a sensação de assistir a uma animação em 3D. Inédita no Brasil, a técnica faz parte do espetáculo Os 3 Mundos, primeira peça escrita pelos premiados quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá, que estreia dia 2 de setembro no Teatro do Sesi-SP, às 19h, com entrada gratuita.

O enredo de Os 3 Mundos se passa em um universo fictício, em um futuro aparentemente distante, habitado por dois grupos antagônicos. De um lado, o Culto da Serpente, liderado por Lachesis (Paula Picarelli), é formado por praticantes de kung fu que vivem no subsolo do metrô. Do outro, Acônito (vivido por Thiago Amaral) lidera o Mundo das Máscaras por meio da força e do medo. Os dois líderes entram em confronto ao defender círculos e crenças necessárias para a manutenção da ordem entre seus seguidores (Tamirys Ohanna, João Paulo Bienemann, Alice Cervera, Artur Volpi, Rafael Érnica e Luciene Bafa).

O diretor Nelson Baskerville (Prêmio Shell de Direção de 2011) reforça a distinção entre as duas personagens principais da peça: “Lachesis parece muito com uma personagem da DC por viver esse contexto mais sombrio e sôfrego. Ela chora pela pessoa que acabou de matar porque sente que cumpriu com sua obrigação. Já Acônito carrega a hipocrisia do mundo, tem consciência plena da sua maldade”.

Para dar o tom pós-apocalíptico e inserir a estética das histórias em quadrinhos no teatro, o Estúdio BijaRi (Prêmio Shell 2016 pelo cenário de Adeus Palhaços Mortos) ficou responsável pela animação e projeção. Maurício Brandão, que coordenou esta frente da montagem, comenta sobre o desafio de criar um cenário que tem relação direta com cada ação das personagens. “É um híbrido de teatro, cinema e histórias em quadrinhos. Toda operação das animações acontece em tempo real para garantir a sincronia dos movimentos. Por termos uma caixa cênica não tradicional, é possível criar planos, recortes e animações não praticadas até agora no teatro, por exemplo”.

Para o diretor, as distopias aproximam o público da ideia de que a destruição do mundo como o conhecemos não é uma ideia tão distante assim. “Estamos lidando com uma linguagem próxima das histórias em quadrinhos, então há exageros e emoções exacerbadas, mas existe ali uma potencialização do que já estamos fazendo enquanto sociedade. O mundo pode sim ser devastado pelo dinheiro ou por radicalismos religiosos, por exemplo”, afirma Nelson.

As ilustrações, que posteriormente foram animadas, são de autoria do ilustrador e quadrinista Guazzelli. O cenário é 100% digital e divide espaço apenas com os atores e alguns poucos elementos cênicos, como acessórios carregados pelas personagens e uma plataforma, que mantém o personagem Acônito em um plano superior, já que sua participação acontece principalmente em cima de uma torre.

A ideia de criar uma peça com esses elementos foi de Paula Picarelli, que, a princípio, se inspirou no romance 1Q84, do escritor japonês Haruki Murakami. “Eu tenho uma ligação forte com artes marciais, que pratico há mais de vinte anos, e o livro tem a ver com esse universo e também com uma seita religiosa, outro assunto de grande interesse para mim”, conta a artista.

Para colocar as ideias no papel, ela convidou Fábio Moon e Gabriel Bá para escrever a peça. “Eles agregam aos quadrinhos histórias sensíveis e muito pessoais, daí a importância de eles assinarem um texto que se passa na estética desse universo que eles já dominam”, diz Paula. Para ela, também foi fundamental convidar Nelson para assumir a direção, já que o artista tem especialidade na linguagem cênica, e Daniel Gaggini, que além de ser produtor teatral, é produtor audivisual. “São pessoas de diferentes mídias trabalhando e se desafiando juntas o tempo inteiro”, conta a artista. “Encontramos no Sesi interesse e ousadia para investir no projeto, que propõe um entretenimento de alta qualidade para o grande público. O Sesi apostou na ideia e garantiu as condições necessárias para o desenvolvimento do espetáculo”, complementa Paula.

Na peça, não faltam referências da cultura pop para a composição de cenário e figurino. Maurício Brandão, do BijaRi, destaca o clima expressionista da cidade retratada no Mundo das Máscaras, bastante inspirada na cidade futurista de Metrópolis, filme de 1927, dirigido por Fritz Lang. A história em quadrinhos Maus: A História de um Sobrevivente, ambientada no período da Segunda Guerra Mundial, que retrata os judeus como ratos e nazistas como gatos, também integra o rol de referências do estúdio.

Outra fonte de inspiração são os filmes do ator e lutador chinês Bruce Lee (1940 – 1973) na composição do figurino e também nos movimentos de artes marciais aplicados nas coreografias criadas por Luis Pelegrini.

Sobre uma possível moral ou mais informações sobre o terceiro mundo, Paula prefere deixar a cargo do público a reflexão a respeito do que as civilizações humanas têm feito até agora. “As histórias que contamos sobre o passado também são ficções e nos aliamos àquelas pelas quais temos afeto”, finaliza.

Sinopse:

Em que consiste a fé e onde começam o fanatismo e a loucura? Por que é tão difícil a convivência pacífica entre crenças diversas? Os 3 Mundos, primeira obra teatral dos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá, é um espetáculo multimídia de ação que mescla teatro, cinema, HQ e Kung-Fu.

Em um mundo pós-apocalíptico devastado por guerras, Lachesis lidera o Grupo da Serpente, uma grande família de praticantes de Kung Fu que habita as ruínas das estações de metrô e vive sob dominação total de sua líder.

Ao deixar este submundo em busca de um novo membro, o grupo se confronta com o Mundo das Máscaras, liderado por Acônito que, do alto de sua torre, comanda os membros de seu grupo com mãos de ferro.

Neste enfrentamento, ambos os líderes devem lutar para manter seus súditos sob domínio e, ao mesmo tempo, derrotar o inimigo, que alimenta o desconhecido.

Serviço:
Os 3 Mundos
Temporada: 2 de setembro a 16 de dezembro de 2018
Datas e horários: quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
Local: Teatro do Sesi-SP – Centro Cultural Fiesp (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)
Classificação Indicativa: 14 anos
Capacidade: 456 lugares
Duração: 80 minutos
Grátis. Reservas antecipadas de ingressos on-line pelo site http://www.centroculturalfiesp.com.br. Ingressos remanescentes são distribuídos nos dias do espetáculo, conforme horário de funcionamento da bilheteria (quinta a sábado, das 13h às 20h30, e aos domingos, das 11h às 19h30).
Mais informações: http://www.centroculturalfiesp.com.br.

Ficha técnica:
História original: Fábio Moon e Gabriel Bá
Idealização: Paula Picarelli
Dramaturgia da encenação: Paula Picarelli e Nelson Baskerville
Produção: Daniel Gaggini
Assistente de Direção: Thaís Medeiros
Elenco: Paula Picarelli, Thiago Amaral, Tamirys Ohanna, João Paulo Bienemann, Alice Cervera, Artur Volpi, Rafael Érnica e Luciene Bafa
Ilustrações: Guazzelli
Projeção e Animação: Bijari
Música Original: Marcelo Pellegrini
Cenário e Iluminação: Marisa Bentivegna
Figurino: Marichilene Artisevskis
Coreografia e Preparação de Movimento: Luis Pelegrini
Direção de Produção: Katia Placiano
Design Gráfico: Dgraus
Adereços: Marcela Donato,Tetê Ribeiro e Silas Caria
Artista Residente: Luiza Magalhães
Fotos: Ligia Jardim
Direção Geral: Nelson Baskerville
Equipe Técnica de Arte Cênicas Sesi-SP: Miriam Rinaldi, Flavio Bassetti, Anna Helena Polistchuck e Daniele Carolina L. Ushikawa
Realização: Sesi-SP

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Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto