Exposição “Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão” no Museu Afro Brasil

“São Jorge”, escultura de madeira e tinta, feita pelo artista Virino, de Juazeiro do Norte (CE). Foto: Jorge Almeida

O Museu Afro Brasil realiza até o dia 29 de julho, domingo, a exposição “Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão”, que destaca a presença negra na arte, história e memória brasileira no ano em que há o 130º aniversário da Abolição da Escravidão (1888). Com curadoria de Emanoel Araujo, a mostra apresenta a produção dos séculos XIX e XX, através de fotografias, litografias, pinturas, esculturas, desenhos, objetos e outros itens que evidenciam e valorizam a fundamental contribuição africana e afro-brasileira na construção do país.

Aliás, a expressão que dá nome à exposição é um termo de cunho preconceituoso e racista, muitas vezes, utilizado para descriminar a condição do afro-brasileiro. O curador salienta que tal terminologia, para a exposição, é ressignificar o intuito de reforçar que a tal ‘coisa de preto’ é ter nobreza nas artes, ciências, esportes, medicina e outros campos importantes para a sociedade.

Além de abordar o trabalho de afro-brasileiros, a mostra também apresenta a produção artística de duas nações com predominante população negra: Cuba e Haiti. Com obras originárias do sincretismo religioso e da união entre os cultos do vodum e da Igreja Católica que integram a exposição, o visitante pode conferir esculturas e pinturas que remetem à prática religiosa nos templos afro-cubanos e as esculturas em ferro recortadas com seres míticos, das bandeiras com miçangas que evidenciam a vitalidade criativa do povo haitiano.

Personalidades negras que fizeram época na história brasileira em suas respectivas áreas, tais como o poeta Luiz Gama, o escritor Manuel Querino, o editor Francisco Paula Brito, o médico Juliano Moreira, os cantores Milton Nascimento, Luiz Melodia, Pixinguinha, Paulinho da Viola, Dorival Caymmi, entre outros, além de nomes como Pelé, a atriz Ruth de Souza e outros mais estão entre os ilustres personagens que estão representados na mostra.

Em meio aos artistas que têm trabalhos expostos na mostra estão os irmãos Arthur Timótheo e João Timótheo, Estavão Silva, Maureen Basiliat, Waldomiro de Deus, Caetano Dias, Carybé, Mestre Benon, João da Baiana, Rubem Valentim, João Alves e outros tantos marcam presença.

Entre tantos destaques, fica difícil selecionar, mas vale conferir as obras “Baka” (2009-2010), de Guyodo, do Haiti; “Invocation” (2007), composta por tecido bordado com miçangas e lantejoulas, da Myrlande Constant; a escultura de madeira “Virgen de la Regla”, de Havana (Cuba); “São Jorge” (foto), escultura de madeira e tinta do artista cearense Virino (Severino Silva de Souza); além de fotos e ilustrações de pessoas como Grande Otelo, Milton Nascimento, Jamelão, entre outros.

SERVIÇO:
Exposição: Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 29/07/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

Anúncios

Exposição “África Contemporânea” no Museu Afro Brasil

A instalação “Stupides et Inutiles” (2007), de Aston, em exibição no Museu Afro Brasil. Foto: Jorge Almeida

A mostra “África Contemporânea” está em cartaz no Museu Afro Brasil até o próximo domingo, 10 de junho, e apresenta 14 obras de artistas de países como Angola, Benin, Gana, Moçambique e Senegal. São exibidos pinturas, esculturas, desenhos, colagens e instalações.

Participam da exposição os artistas Dominique Zinkpè, Aston, Francisco Vidal, Cyprien Tokoudagba, Soly Cissé, Edwige Aplogran, Francisco Vidal, Oswald, Yonamine, Celestino Mudaulane, Gérard Quenun e Owusu-Ankomah. Conhecidos por exibirem as próprias feridas e acumulações através dos suportes citados acima.

O curador da mostra, Emanoel Araujo, destacou sobre o compromisso das novas gerações da atual produção artística na exposição: “A arte contemporânea tem grande comprometimento com seu tempo, fala através de metáforas, é menos contemplativa, no sentido clássico da expressão. A arte fala não só do seu tempo, mas de experiências culturais e políticas, e o artista africano, submetido a grandes impulsos, como diferenças econômicas e sociais, extrai daí sua invenção plástica”.

Em meio aos destaques estão “Maquinetas”, uma técnica mista de Oswald, artista do Benin; “Stupides et Inutiles” (foto), instalação de 2007 de Aston, também do Benin, composta por madeira compensada, fio, plástico, tinta acrílica e metal; e “Dragão Entre Dois Mundos” (2010), um acrílico sobre tela de Gerard Quenun.

SERVIÇO:
Exposição: África Contemporânea
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 10/06/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

Exposição celebra o centenário do Mestre Didi no Museu Afro Brasil

A instalação “Onile – O Senhor dos Ancestrais da Terra” (1964) em exposição no Museu Afro Brasil. Foto: Jorge Almeida

O Museu Afro Brasil realiza até o próximo domingo, 10 de junho, a exposição “Um Deoscóredes – 100 Anos do Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos: Arte e Religiosidade”, que homenageia o centenário do nascimento de Mestre Didi (1917-2013), Alapini do Ilê Asipa e filho de Mãe Senhora (1890-1967) – iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, exibindo cerca de 100 obras produzidas com materiais naturais como búzios, couro, sementes, nervuras e folhas de palmeira.

A mostra notabiliza a obra de fôlego inesgotável e as habituais e robustas esculturas criadas pelo artista recheada de rudimentos da cultura afro-brasileira. De acordo com a definição do curador Emanoel Araujo, a produção artística de Mestre Didi “é como a união da antiga sabedoria, a expressão viva da continuidade e da permanência histórica da criação de uma nova estética que une o presente ao passado, o antigo ao contemporâneo, a abstração à figuração, formas compostas ora como totens, ora como entrelaçadas curvas. Suas esculturas, em sua interioridade, são uma relação entre o homem e o sacerdote que detém o espírito íntimo das coisas e de como elas se entrelaçam entre a sabedoria do sagrado e do profano”.

Além da produção de Mestre Didi, a exposição traz itens como “Vestimenta de Babá Egum” (1996), de Cosme Daniel de Paula; uma escultura de pedra da “Cabeça de Exu”, entre outros.

Dentro da mostra, será exibido pela primeira vez em São Paulo o documentário “Alapini: A Herança Ancestral do Mestre Didi Asipá”, de Silvana Moura, Emilio Le Roux e Hans Herold.

Em meio às obras, destaque para “Onile – O Senhor dos Orixás da Terra” (foto), obra de 1964 feita com barro policromado.

SERVIÇO:
Exposição: Um Deoscóredes – 100 Anos do Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos: Arte e Religiosidade
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 10/06/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

Exposição “África e a Volta dos Espíritos” no Museu Afro Brasil

Saias envelopes feitas por fibra vegetal pelo povo Kuba, da República Democrática do Congo. Foto: Jorge Almeida

O Museu Afro Brasil promove até o próximo domingo, 10 de junho, a exposição “África e a Volta dos Espíritos”, que contém cerca de 130 itens que retratam a cultura de povos tradicionais do continente africano, como os Fon, Senufo, Guro, Iorubá, entre outras etnias, através esculturas, máscaras, moedas, adereços e objetos típicos.

De acordo com o curador, Emanoel Araujo, “A arte tradicional africana foi criada por artistas anônimos, dentro dos dogmas que a situa entre a grande criação: o homem, a natureza e os deuses em comunhão espiritual desses diferentes povos”.

Há outros objetos como bancos, madeira, tecido, miçangas e fibra vegetal produzidos por esses povos.

Destaques para os colares, pulseiras e enfiadas de miçangas confeccionadas pelo povo Zulu, da África do Sul; uma Máscara Zoomorfa, de madeira, produzida pelo povo Luba, da República Democrática do Congo; e as saias envelope (foto), feita de fibra vegetal (ráfia), elaborada pelo povo Kuba, também da República Democrática do Congo.

SERVIÇO:
Exposição: África e a Volta dos Espíritos
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 10/06/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

Exposição “Os Africanos – O Olhar Europeu da Fotografia Contemporânea” no Museu Afro Brasil

Registro de Hans Silvester dos povos Mursi e Surma, do Vale do Rio Omo, fronteira entre Quênia e Etiópia. Créditos: divulgação

O Museu Afro Brasil realiza até o próximo domingo, 10 de junho, a exposição “Os Africanos – O Olhar Europeu da Fotografia Contemporânea”, que traz cerca de 60 registros fotográficos de quatro profissionais das lentes da Europa: o alemão Hans Silvester, a espanhola Isabel Muñoz, o austríaco Alfred Weidinger e o português Manuel Correia.

As imagens exibem, com um profundo requinte estético, uma melhor compreensão artística da África atual, resultando em extraordinários registros dos povos e manifestações culturais do continente negro.

Entre os destaques estão os registros dos povos Mursi e Surma, do Vale do Rio Omo, fronteira entre Quênia e Etiópia (foto), de Hans Silverter; “Notável do Fo de Bamendjou” (2012), da Província Oeste, em Camarões, de Alfred Weindinger; e “Pueblo Body”, da Série Body (2005), na Etiópia, de Isabel Muñoz.

SERVIÇO:
Exposição: Os Africanos – O Olhar Europeu da Fotografia Contemporânea
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 10/06/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

Exposição homenageia Frans Krajcberg no Museu Afro Brasil

Uma das esculturas de madeira do ativista polonês radicado no Brasil Frans Krajcberg no Museu Afro Brasil. Foto: Jorge Almeida

O Museu Afro Brasil apresenta até o próximo domingo, 10 de junho, a mostra “Um Frans, A Natureza – Exposição em Memória de Krajcberg: Esculturas, Relevos e Fotografias”, que apresenta cerca de 50 obras que retratam a indignação do artista polonês radicado no Brasil Frans Krajcberg (1921-2017) contra o arrasamento na Terra.

A exposição enfatiza a maneira criativa em que o artista utilizava troncos de árvores, folhas e cipós como matéria-prima e fonte de inspiração para a criação de seu trabalho, que o próprio costumeiramente mencionava como “um grito da natureza por socorro”.

Famoso por destinar sua vida e obra em defesa da natureza brasileira, Frans Krajcberg esteve de forma intrínseca antenado com as terras do país e, de acordo com o curador da mostra, Emanoel Araujo, “nos acenando a fazer mais forte o seu eco irradiador em defesa de nossas matas, das florestas que ainda nos sobram”.

Entre os destaques estão um vídeo de seis minutos intitulado “Amazônia em Chamas – O Grito da Floresta”, de maio de 2011, registrado em Nova Viçosa (BA); uma “Escultura de chão” (foto), da década de 2000, criado com madeira, raiz e pigmentos naturais em Nova Viçosa; e uma foto de Frans Krajcberg registrada por Orlando Azevedo no final da década de 1990 em Itabirito (MG).

SERVIÇO:
Exposição: Um Frans, A Natureza – Exposição em Memória de Krajcberg: Esculturas, Relevos e Fotografias
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 10/06/2018; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

 

Exposição “1888” no Museu Afro Brasil

Vista parcial da instalação “1888”, do artista plástico FErrão, em exposição no Museu Afro Brasil. Foto: Isis Naura

O Museu Afro Brasil está com a exposição “1888” em cartaz até o próximo domingo, 9 de julho. A mostra traz a instalação do artista Jeferson Ferrão, que consiste em 1200 imagens que exibem retratos feitos em manifestações religiosas do sul de Minas Gerais e suas relações entre escravidão e religiosidade. O nome da exposição é referente ao ano da abolição oficial da escravidão no Brasil.

A exposição, que abriu justamente no dia 13 de maio, data oficial da abolição da escravatura, além dos retratos apresenta também 14 esculturas em ferro, pedra e madeira e uma feita em ferro medindo 3,30 e 25 pedras envoltas em ferro, número este definido a partir da somatória dos quatro dígitos do ano de 1888 (1+8+8+8), que estão distribuídas pelo chão e que representam o homem e as ferragens usadas no aprisionamento dos escravos.

O curador da exposição, Emanoel Araújo, descreve a instalação de Ferrão como “uma espécie de altar, de Peji, louvando o que deve ser louvado. Uma grande metáfora que traz no seu interior as oferendas, como o terno ou a procissão do Congo, do Afoxé, do Maracatu, da Calunga, que têm o feitiço, a salvação e a memória de seu povo”.

Nas outras paredes do espaço expositivo, há oratórios que se destacam por simbolizar sete orixás. Esses materiais foram criados com reciclagem de caixas de papelão revestidas com tecidos e resina, pintadas de preto. Em seu interior foram colocados diversos materiais encontrados no cotidiano que fazem alusão ao consumo e ao sincretismo religioso.

SERVIÇO:
Exposição:
1888
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 09/07/2017; de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita aos sábados