Sinopse de “Iron Maiden: Run To The Hills – Uma Biografia Autorizada”, de Mick Wall

Obra de Mick Wall que conta a história do Iron Maiden

A biografia escrita pelo jornalista Mick Wall, intitulada “Iron Maiden: Run to the Hills, the Authorised Biography” foi lançada originalmente em 1998 e, dezesseis anos depois, ganhou uma terceira edição. No Brasil, a obra saiu em 2004 pela editora Generable com o óbvio título “Iron Maiden: Run To The Hill – A Biografia Autorizada”. E tem aborda a história daquela que é considerada uma das maiores (se não for a maior) banda de Heavy Metal: Iron Maiden.

A publicação apresenta a “Donzela” desde seus primórdios, quando o jovem Steve Harris, um ex-futuro jogador do West Ham, seu time de coração, esteve determinado em transformar o seu sonho – a criação de uma banda que um dia se tornaria gigante – em realidade.

Ao longo de 402 páginas, “Run To The Hills” – o livro – traz os personagens que fizeram a história desse grupo quarentão sabiamente apresentado em cada capítulo, conforme a cronologia da banda, assim, permitindo o leitor transcursar a narrativa e os fatos, e também para esclarecer os motivos do “entra-e-sai” de seus integrantes e sempre deixando claro que a banda sempre foi mais importante que qualquer membro.

Além disso, a obra também tem espaço para pessoas que foram primordiais para o sucesso do grupo, como Rod Smallwood, o co-manager da banda e, praticamente, o “braço” direito de Steve Harris na condução dos negócios envolvendo a marca Iron Maiden, além de registrar a composição de alguns clássicos discos da banda e também os comentários e opiniões dos músicos sobre os álbuns e os bastidores de shows e a vida pré-Iron Maiden.

Contudo, o livro de Wall apresenta problemas estruturais. Por exemplo, em 22 capítulos, tirando os “Agradecimentos”, “Prefácio” e Introdução”, quase metade do livro conta sobre a formação da banda e do período de Paul Di’Anno. Já a outra metade é dedicada as eras Bruce e Blaze Bayley. Ou seja, quem acompanha a banda sabe que os “golden years” do Iron Maiden foi com o Mr. Air Raid Siren nos vocais, e essa fase mereceria mais espaço na publicação. Nessa atualização, a linha do tempo só vai até 2004, quando a banda estava em turnê do álbum “Dance Of Death”, de onde saiu o live “Death On The Road” (2004). Logo, uma década de história – e dois discos de estúdios: “A Matter Of Life And Death” (2006) e “The Final Frontier” (2010) – foi limado.

Apesar da observação descrita no parágrafo acima, o livro de Mick Wall faz parte de mais uma obra de arte relacionada ao Iron Maiden. Afinal, o prefácio foi escrito simplesmente por Steve Harris, que garante que o livro “não foi, de forma alguma, editado”. Leitura obrigatória para quem é e para quem não é fã de Iron Maiden.

A seguir, a ficha técnica da publicação.

Livro: Iron Maiden: Run To the Hills – Uma biografia Autorizada
Autor: Mick Wall
Editora: Generale
Edição:
Lançamento: 2014 (versão em português)
Número de páginas: 402
Preço médio: R$ 58,00

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Bussunda – A Vida do Casseta”

Capa do livro de Guilherme Fiuza que traz a biografia do mais carismático integrante do Casseta & Planeta

A biografia escrita pelo jornalista Guilherme Fiuza foi lançada em 2010 pela Editora Objetiva conta a história de Cláudio Besserman Vianna, mais conhecido como Bussunda, e traz também um pouco da história dos demais componentes do Casseta & Planeta.

O caçula dos três filhos de Luís Guilherme Viana e Helena Besserman Viana nascera no Rio de Janeiro em 25 de junho de 1962. Ao longo de sua infância até parte da vida adulta, Bussunda, cujo apelido ganhara na adolescência na colônia de férias de Kinderland, não tinha interesse pelos estudos. A princípio, a alcunha original era “Besserman Sujismundo”, depois “Bessermundo” e, finalmente, “Bussunda”. Embora o próprio dissesse algumas vezes que o apelido que o tornara famoso vem de duas coisas que ele mais gostava – começava com “bus” e terminava com “unda”.

Na adolescência, Bussunda conseguiu a façanha de ser reprovado com nota zero em todas as matérias. Ainda assim, no vestibular ficou em penúltimo lugar no segundo semestre no curso de comunicação da UFRJ. E, no universo acadêmico, chegou a ser o ganhador de “pior estudante” da universidade. Antes disso, seus pais o matricularam em uma escola de inglês e o malandro Cláudio aproveitava o tempo do curso para ir terminar o resto do sono em algum banco de rua do Rio de Janeiro.

A carreira de Bussunda teve início no final dos anos 1970 como redator do jornal humorístico “Casseta Popular”, fundado por Beto Silva, Marcelo Madureira e Hélio de la Peña, em 1978. O periódico fez sucesso por mesclar humor escrachado com a crítica política e de comportamento. Na época, Bussunda era estudante de jornalismo da UFRJ. O jornal daria origem à revista de mesmo nome e viria a se tornar um dos embriões do Casseta & Planeta.

Na década de 1980, Bussunda e seus colegas que viriam a ser os “cassetas” começaram a ter as primeiras aparições na TV e apresentações de espetáculos. Em 1988, fora contratado para ser redator da TV Pirata. Ainda, no mesmo ano, Bussunda se tornou o destaque natural do show “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”, feito em sociedade com o pessoal do Planeta Diário (mais tarde, Banda Casseta & Planeta). A parceria se estenderia aos programas “Doris para Maiores” (1991) e “Casseta & Planeta, Urgente!”, a partir de 1992.

Apesar de terem sido contratados pela principal emissora do país, Bussunda continuou a atuar como cronista e jornalista independente, como colaborador de publicações esportivas como Placar e Lance!. Além disso, foi garoto propaganda da Cerveja Antarctica.

A obra de Guilherme também destaca que, apesar de ser uma pessoa extremamente carismática e querida por todos, Bussunda era também uma pessoa tímida e não era um exímio paquerador. Mas, em 1989, se casara com a jornalista Angélica Nascimento, com quem teve a sua única filha, Júlia, nascida em 1993. A paixão pelo Flamengo também não escapou da biografia.

No livro, o autor relata que, no começo, o comediante não tinha dinheiro nem para comer ou andar de ônibus, mas quando a fama veio, permaneceu o mesmo sujeito simples e debochado. Aliás, de tão debochado que era, o cidadão Cláudio vivia Bussunda fora do ar e vice-versa.

Enfim, Guilherme Fiuza emergiu em um livro o retrato definitivo de um personagem peculiar, que arrebatou o país com seu jeito anárquico, bonachão e, ao mesmo tempo, extremamente amado.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Bussunda – A Vida do Casseta
Autor: Guilherme Fiuza
Lançamento: 2010
Edição:
Número de páginas: 407
Preço médio: R$ 29,90 (versão digital)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “A História Não Contada do Motörhead”, de Joel McIver

O livro de Joel McIver documenta uma das maiores bandas da história
O livro de Joel McIver documenta uma das maiores bandas da história

Lançado lá fora em 2011, o livro de Joel McIver ganhou em 2016 uma versão em português que, aqui no Brasil, foi lançada pela Edições Ideal, e aborda uma das bandas de rock mais influentes, importantes e polêmicas da história: Motörhead.

Com 276 páginas distribuídas em 20 capítulos divididos em ordem cronológica, a obra de McIver começa antes de 1971 e vai até 2011, ou seja, quando o livro foi lançado originalmente e, claro, antes da morte do ícone Lemmy Kilmister.

O livro conta a história do power trio britânico capitaneado por Lemmy, que estabeleceu um carreira impressionante, pontuada por músicas rápidas, pesadas, farras homéricas e um dos shows mais poderosos que se tem notícias. Enfim, um caminho tortuoso, com vários bons e maus momentos, dessa banda que prestou mais de 40 anos de bons serviços ao rock and roll.

Até os dias atuais, mesmo com o fim do Motörhead, que se foi junto com a morte de seu mentor no final de 2015, o grupo fez parte do mainstream das grandes bandas de rock, mas que nunca fez questão de carregar esse rótulo, especialmente Lemmy, cuja parte do livro é dedicada a ele, até porque, em se tratando de Motörhead, não tinha como ser diferente, afinal, desde 1975, quando a banda, de fato, começou, o saudoso vocalista/baixista sempre esteve à frente do grupo e, nesta biografia, Kilmister destacou a importância de seus colegas de banda e que, todo dinheiro que ganhavam com o Motörhead era dividido igualmente.

O Motörhead começou como trio na metade dos anos 1970, virou quarteto no meio da década de 1980 e, depois, voltou a ser trio até o fim, em 2015, logo, quando o livro já havia saído da editora, pelo menos a versão estrangeira, não custa reforçar.

Com 20 álbuns lançados, alguns registros ao vivo e várias coletâneas, o Motörhead foi uma genuína banda de rock. Seus integrantes seguiram à risca à filosofia de “sexo, drogas e rock and roll”. O escritor Joel McIver fez um trabalho minucioso ao coletar e organizar relatos e entrevistas de várias fontes num recorde de tempo de mais quatro décadas.

A história – contada ou não contada – do Motörhead é a própria história de Lemmy Kilmister. Pois, ele sempre esteve lá, o cara mais velho e mais experiente do grupo, foi forte influência para várias bandas, que tal o Metallica só para citar uma?

Embora a biografia seja dedicada à banda, McIver relata também acontecimentos relacionados a Lemmy Kilmister que constatam que ele é a própria história do rock. Aos 12 anos, em 1957, teve seu primeiro contato com o Rock And Roll, com Bill Haley, foi impactado por Little Richard, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Fats Domino, foi roadie de Jimi Hendrix, dormiu no sofá da casa da mãe de Jon Lord (Deep Purple), tocou no Hawkwind, montou o Motörhead, excursionou com Dio, aliviou a barra do Twisted Sister diante dos fãs, fez parceria com as garotas do Girlschool, escreveu músicas com Ozzy Osbourne, foi homenageado pelo Metallica em sua festa surpresa de 50 anos quando James Hetfield e sua trupe se caracterizaram de Lemmy.

O Motörhead foi uma das bandas que, digamos, “inrotulável”, ou seja, nunca pertenceu a nenhuma vertente do rock específica, embora já tenham tentado classificá-lo como Trash Metal, Punk, NWOBHM, Heavy Metal, enfim, o grupo sempre foi aquilo que seu mentor sempre pregou: “uma banda de rock and roll”.

E, evidentemente, que não poderia deixar de esquecer de falar sobre o prefácio da obra que foi escrito “simplesmente” pelo The Voice Of Rock, Glenn Hughes (ex-Trapeze, Deep Purple, Black Sabbath e outros). No texto, o renomado baixista definiu muito bem: “Lemmy é o rock ‘n’ roll personificado”. Perfeito!

E, seguramente, essa obra de Joel McIver é um pedaço expressivo da história do rock.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: A História Não Contada do Motörhead
Autor: Joel McIver
Páginas: 276
Editora: Edições Ideal
Edição: 1
Ano: 2015 (versão em português)
Preço médio: R$ 35,90

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Casagrande e Seus Demônios”, de Casagrande & Gilvan Ribeiro

Capa do livro "Casagrande e Seus Demônios", lançado pela Globo Livros em 2013
Capa do livro “Casagrande e Seus Demônios”, lançado pela Globo Livros em 2013

O livro “Casagrande e Seus Demônios” foi lançado em 2013 e foi o primeiro trabalho da dupla Casagrande e Gilvan Ribeiro. A primeira edição da obra foi lançada pela Globo Livros e, com cerca de 250 páginas, aborda a reviravolta de um dos principais nomes da Democracia Corinthiana.

Com 20 capítulos, mais itens anexos, como fotos, apresentação e prefácio, o livro não segue exatamente a uma ordem cronológica da vida e obra de Walter Casagrande Júnior, o Casagrande ou, simplesmente, Casão. Ao contrário, já começa logo de cara falando sobre os “demônios à solta”, que são os fantasmas que rondam a vida de uma pessoa que está desequilibrada tanto fisicamente quanto emocionalmente.

Assim, o livro destaca no início o inferno astral que o ex-centroavante do Corinthians passava por conta do uso abusivo das drogas e que quase lhe tirara a vida depois de sofrer um gravíssimo acidente automobilístico. Acredito que trata-se do momento mais impactante da obra feita entre o atual comentarista da TV Globo e o jornalista Gilvan Ribeiro, com quem tem amizade há longa data.

Depois o livro segue nos capítulos seguintes abordando sobre as overdoses que Casagrande teve, as internações, o comportamento dos filhos, a exposição do problema em rede nacional por meio do programa Domingão do Faustão, enfim, Casão expõe sem firulas ao coautor da publicação o seu declínio e restabelecimento.

Ao longo das mais de 200 páginas, Casão revela e detalha outros acontecimentos que ocorrera ao longo da sua vida, como a prisão em flagrante nos anos 1980, a Democracia Corinthiana, a amizade e a parceria com Sócrates, o engajamento político, a carreira na Europa onde, inclusive, contou o doping que sofreu quando jogara por lá, o relacionamento com Telê Santana e o, agora ex, desafeto Leão, as aventuras de adolescente ocorridas na Penha e outra grande paixão de Casagrande, além do futebol, o Rock And Roll, que culminou com amizades fora do universo futebolístico, como Luís Carlini, Rita Lee, a quem dedicou o “Gol Rita Lee” na final do Campeonato Paulista de 1982 contra o São Paulo, os integrantes dos Titãs, Barão Vermelho e mestres da MPB como Gonzaguinha e Fagner.

O prefácio tem a assinatura do amigo de sempre de Casão: Marcelo Rubens Paiva, além de um próprio texto de “Casagrande por ele mesmo”.

Aliás, nessa parte citada na obra, Casagrande revela que a origem de fazer uma biografia sua nasceu como um projeto do eterno titã Marcelo Fromer, que morreu atropelado em São Paulo em 2001. Na ocasião, o guitarrista dos Titãs gravou horas de entrevistas e depoimentos do ex-jogador com quem tivera uma amizade que permeou até o fim de sua vida.

Livro: “Casagrande e Seus Demônios”
Autores: Casagrande & Gilvan Ribeiro
Páginas: 248
Editora: Globo Livros
Edição: 1
Ano: 2013
Preço médio: entre R$ 25,00 e R$ 30,00

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”

Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC
Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC

Lançado em 2014 como “The Youngs – The Brothers Who Built AC/DC“, a obra de Jesse Fink foi editada em 2015 pela Editora Gutenberg como “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”, e traz em 272 páginas a biografia de uma das maiores bandas da história do rock, o AC/DC, mais especificamente de seus criadores, os irmãos Young – George, Malcolm e Angus.

Dividido em onze capítulos, a obra de Fink é diferenciada das demais biografias relacionadas da banda australiana por causa do ponto de vista do autor, que contou a história do grupo através de onze canções (uma para cada capítulo) e destacou a importância de George Young (o irmão mais velho de Malcolm e Angus) na história do AC/DC.

Fink relata a trajetória extraordinária por trás desse gigante nome mundial, revelando os segredos de seus componentes, a personalidade, a criatividade e de como o AC/DC chegou até o topo. Além disso, há relatos de ex-membros do AC/DC e de pessoas que trabalharam no staff da banda, e também de músicos de bandas como Rose Tattoo, Guns N’ Roses e Dropkick Murphys.

George Young fez parte da banda Easybeats, com relativo sucesso na Austrália, e isso ajudou a moldar o AC/DC e, assim, o irmão mais velho de Malcolm e Angus produziu os primeiros álbuns da banda e foi primordial para que o grupo alcançasse o status de lenda.

A obra de Jesse Fink se torna ainda mais interessante porque, para contornar um problema que é conhecido de todos: o fato de os integrantes do AC/DC guardar como poucos a sua privacidade, ele entrevistou ex-integrantes do grupo e membros de outras bandas que tiveram alguma relação com os Young.

Como os irmãos que criaram o AC/DC não são de dar muitas entrevistas e só falam o necessário com a imprensa, algumas coisas relatadas por Fink são desconhecidas do grande público, como o caso do design Gerard Huerta, que recebeu o pagamento para criar o logo da banda apenas para a versão norte-americana de “Let There Be Rock”, mas que o grupo a utiliza até hoje e que, até então, nunca pagou os royalties pela utilização do logo em discos posteriores e itens de merchandising da banda.

Outro fato curioso foi quando Peter Mensch, empresário do AC/DC, foi demitido da banda porque os irmãos não aceitaram que ele levasse a namorada durante uma turnê australiana.

E também a história de Toni Currenti, baterista italiano que tocou bateria no primeiro hit da banda, “High Voltage”, e que foi totalmente descreditado pela banda e praticamente “sumiram” ele do mapa.

Enfim, embora o AC/DC agrade os seus fãs com os seus clássicos e com carisma, quem conviveu com o clã dos Young fora dos palcos deixa claro que o “buraco é mais embaixo”. Mas a obra é excelente para quem curte esses ícones do rock.

A seguir, a ficha técnica da biografia.

Álbum: Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC
Autor: Jesse Fink
Número de páginas: 272
Editora: Gutenberg
Preço médio: R$ 30,00

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Cliff Burton: a Vida e a Morte do Baixista do Metallica”

Capa da biografia escrita por Joel McIver sobre o lendário baixista do Metallica
Capa da biografia escrita por Joel McIver sobre o lendário baixista do Metallica

Depois de um hiato de cinco anos, a biografia “Cliff Burton: a Vida e a Morte do Baixista do Metallica” ganhou uma versão em português, em 2014. A obra original – “To Live Is To Die: The Life And Death Of Metallica’s Cliff Burton” – foi lançada cinco anos antes pelo escritor britânico Joel McIver, responsável por ter escrito outras 25 biografias relacionadas à música, como a do Black Sabbath, a de Max Cavalera e a do próprio Metallica, por exemplo.

No Brasil, a obra tem 240 páginas e foi lançada pela editora Gutenberg Autêntica e, assim como a original, traz o prefácio escrito pelo atual guitarrista do Metallica, Kirk Hammett, o amigo mais próximo de Cliff na banda.

Nas páginas da biografia, o leitor poderá conferir a trajetória desse genial músico, a sua importância e o seu papel na banda, como ele influenciava os demais integrantes e um retrato íntimo e revelador desse ícone do trashmetal através de pessoas que conviveram com Cliff Burton em sua curta, mas marcante, passagem pela terra até o fatídico 27 de setembro de 1986, quando, no auge de seus 24 anos, morrera em um acidente de ônibus na Suécia durante uma turnê pela Europa.

Além da minuciosa pesquisa de McIver sobre o “hippie do trashmetal”, a obra traz entrevistas com muitas pessoas que tiveram presença marcante na vida de Cliff Burton (ou que ficaram marcadas por ele), como Steve Doherty, professor de baixo de Burton; Brian Slagel (fundador da gravadora Metal Blade); Chuck Martin (o primeiro técnico de guitarra de Cliff); KJ Doughton (presidente do primeiro fã-clube do Metallica); o produtor dos clássicos “Ride The Lightning” (1984) e “Master Of Puppets” (1986), Flemming Rasmussen; Corinne Lynn (última namorada de Burton), entre outros.

Além do prefácio de Hammett, a biografia apresenta introduções separadas por vários músicos influenciados por Cluf Burton, como Mikael Åkerfeldt (Opeth), Alex Webster (Cannibal Corpse), Alex Skolnick (Testament), Dave Ellefson (F5/ex-Megadeth), dentre outros músicos e escritores.

Enfim, em “Cliff Burton – A Vida e a Morte do Baixista do Metallica”, o leitor poderá conferir uma nova visão sobre a época mais criativa do Metallica, assim como o seu mito, que até hoje, para muitos, considerado como o músico mais talentoso que já passou pela banda, mesmo 30 anos passados de sua morte.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: Cliff Burton: a Vida e a Morte do Baixista do Metallica
Autor: Joel McIver
Lançamento: 2009 (original) e 2014 (versão em português)
Número de páginas: 240
Editora: Gutenberg Autênica
Preço médio: R$ 25,00

Por Jorge Almeida

Resenha de livro sobre Vladimir Herzog

Obra de Audálio Dantas, lançada em 2012, detalha as "duas guerras" vividas por Vlado Herzog
Obra de Audálio Dantas, lançada em 2012, detalha as “duas guerras” vividas por Vlado Herzog

Lançado em 2012, o livro “As Duas Guerras de Vlado Herzog – Da Perseguição Nazista na Europa à Morte sob Tortura no Brasil”, de Audálio Dantas, apresenta em cerca de 400 páginas, a saga da família Herzog em sua fuga da Iugoslávia por conta da II Guerra Mundial até a morte sob tortura de Vladimir Herzog em 1975. A obra foi lançada pela editora Civilização Brasileira.

Nascido em Banja Luka, na antiga Iugoslávia (atual Bósnia e Herzegovina) em 27 de julho de 1937 e filho de um casal de origem judaica (Zigmund “Giga” Herzog e Zora Herzog), Vlado Herzog, aos seis anos, teve o seu primeiro contato com a guerra quando a rádio local anunciou que os alemães estavam chegando. Isso foi em 6 de abril de 1941. No mesmo dia, a cidade sofreu um verdadeiro bombardeio aéreo e todos ali sofreram com o terror da guerra e também com o medo da instauração das tropas de Adolf Hitler, que estavam dispostas em cumprir o ideário nazista em exterminar da face da Terra as consideradas por ele “raças inferiores”, incluindo-se aí os eslavos e judeus.

E, assim, Vlado teve a infância marcada pelas perseguições e fugas juntamente com os seus familiares. Primeiramente foi com seus pais para a Itália, onde ficaram refugiados clandestinamente até o final de 1946, quando ouviram falar de um país acolhedor e onde poderiam ter a paz. a liberdade e salvar o único bem que lhes restavam: a vida. Dessa forma, Vlado Herzog e seus progenitores chegaram ao Brasil às vésperas do Natal de 1946 desembarcando primeiramente no Rio de Janeiro e, poucos dias depois, o clã Hergoz partira para São Paulo, onde o pequeno Vlado cresceu e naturalizou-se brasileiro.

Apaixonado pela fotografia, Vlado exercia a atividade de fotógrafo devido aos seus projetos com o cinema. Tornou-se jornalista e passou a assinar “Vladimir” por acreditar que seu nome verdadeiro (Vlado) aparentasse exótico para os brasileiros. Na década de 1970, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura e também foi professor de jornalismo na Escola da Comunicação e Artes (ECA) da USP.

Afiliado ao Partido Comunista Brasileiro no período da Ditadura Militar, Vladimir Herzog foi torturado e assassinado pelo regime militar nas instalões do DOI-CODI no quartel-general do II Exército, em São Paulo, após se apresentar voluntariamente ao órgão para “prestar esclarecimentos” sobre suas “ligações e atividades criminosas”.

A obra de Audálio Dantas detalha, em especial, a “outra guerra” vivida por Vlado (a primeira foi a fuga da II Guerra Mundial e a segunda foi a Ditadura Militar). Ao longo do livro, além do protagonista, destaca também as prisões, as torturas e o sofrimento de outros profissionais de imprensa que se posicionavam contra o Regime. E também o efusivo trabalho do recém-fundado Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

No livro, também é esclarecido a farsa do suposto suicídio de Vladimir Herzog na prisão. Na época, era comum que o governo militar informasse que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam cometido suicídio, atropeladas ou mortas em fugas. O laudo expedido pela Política Técnica de São Paulo informou que Vladimir Herzog havia se enforcado com uma tira de pano – a “cinta do mcacão que o preso usava” – amarrada a uma grade de 1,63 metro de altura. Porém, o macacão que os prisioneiros do DOI-CODI usavam não tinha cinto, que era retirado juntamente com os cordões dos sapatos. No documento anexo do laudo, foi mostrado uma imagem de Vlado “enforcado” com os seus pés tocando o chão e os joelhos levemente dobrados, ou seja, uma posição impossível para a prática de enforcamento. Além disso, foi constatada a existência de duas marcas no pescoço da vítima, típicas de estrangulamento.

A obra também dá espaço para o grande ato religioso em memória de Vladimir Herzog que reuniu milhares de pessoas dentro e fora da Catedral da Sé, em São Paulo. A morte do jornalista gerou uma onda de protestos de toda a imprensa mundial, mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos direitos humanos na América Latina, em especial no Brasil, a morte de Herzog impulsionou fortemente o movimento pelo fim da ditadura militar brasileira Após a morte de Herzog, grupos intelectuais, agindo em jornais e grupos de atores, no teatro, como também o povo, nas ruas, entre outros, se empenharam na resistência contra a ditadura do Brasil.

Vladimir Herzog foi casado com Clarice Herzog, com quem teve dois filhos: Ivo e André.

O livro foi vencedor do Troféu Juca Pato 2013 e recebeu o Prêmio Jabuti em 2013 na categoria “Melhor Livro de Não-Ficção”.

Passados mais de 40 anos da morte de Vladimir Herzog, parte do povo brasileiro que convive com a democracia, indignados com a corrupção na política, chega a clamar por uma intervenção militar. Bom, para esse pessoal, esse livro de Audálio Dantas é uma excelente fonte de informação para que eles saibam se a intervenção militar pedida por eles não é um bom negócio.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: “As Duas Guerras de Vlado Herzog – Da Perseguição Nazista na Europa à Morte sob Tortura no Brasil”
Autor: Audálio Dantas
Páginas: 406
Editora: Civilização Brasileira
Edição: 1
Ano: 2012
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida