Pantera: 25 anos de “Vulgar Display Of Power”

"Vulgar Dipslay Of Power": um dos melhores discos de Trash Metal dos anos 1990
“Vulgar Dipslay Of Power”: um dos melhores discos de Trash Metal dos anos 1990

No sábado passado (25), um dos maiores clássicos do Metal dos anos 1990 completou 25 anos de seu lançamento. O disco em questão é “Vulgar Display Of Power”, o sexto trabalho de estúdio dos norte-americanos do Pantera. Gravado durante o ano 1991 no Pantego Sound Studio, em Pantego, no Texas, o álbum foi produzido por Terry Date e Vinnie Paul e lançado pela Atco. Esse trabalho é marcado pela incursão da banda no Groove Metal.

Depois de lançarem álbuns de Hard Rock nitidamente influenciados por Van Halen e Kiss na década de 1980, o Pantera mudou a sua sonoridade em “Cowboys From Hell”, de 1990, tendo como referências grupos como Slayer, Metallica e Black Sabbath.

Com o sucesso do álbum, no ano seguinte, os integrantes voltaram ao Pantego Sound Studio para gravar o segundo trabalho sob a Atco. O play foi produzido pelo mesmo produtor de “Cowboys…”, Terry Date, que seguiu assinando a produção de mais dois discos da banda: “Far Beyond Driven” (1994) e “The Great Southern Trendkill” (1996). Quando foi para trabalhar no play, a banda já tinha a demo com três faixas: “Regular People (Conceit)”, “A New Level” e “No Good (Attack The Radical)”. O restante das músicas foi escrita no estúdio com pouca pré-produção.

Depois de permanecerem no estúdio por dois meses, ainda em 1991, a banda foi convidada para abrir para o Metallica e o AC/DC, incluindo aí uma apresentação no Monsters Of Rock, em Moscou, em 28 de setembro. Depois voltaram para a continuação das gravações. Embora o guitarrista Darrell Abbott tenha sido creditado no álbum com o apelido de “Diamond Darrell”, durante a gravação do álbum ele havia deixado cair aquele apelido e assumido “Dimebag Darrell”, e o baixista Rex Brown deixou cair o pseudônimo de “Rexx Rocker”.

Para promover o álbum, o Pantera percorreu com Skid Row e Soundgarden dando-lhes a oportunidade de se apresentar diante de uma plateia mainstream nos Estados Unidos. Depois de viajar com Skid Row, a banda fez uma turnê europeia com Megadeth. A banda também viajou com White Zombie em 1992. O som único e os desempenhos vivos explosivos da faixa ajudaram-nos ganhar mais popularidade.

O título do álbum vem de uma frase do filme “O Exorcista” (1973). Quando o padre Damien Karras manda que Regan MacNeil (ou o demônio que a possui) rompa suas amarras usando sua força maligna, Regan responde: “that’s much too vulgar a display of power” (“isso seria uma demonstração de poder muito vulgar”).

A capa icônica do disco traz a foto de um homem sendo perfurado no rosto e foi clicado pelo fotógrafo Brad Guice, o mesmo que fotografou para a capa de “Cowboys From Hell”. O grupo pediu à gravadora que queria “algo vulgar, como um cara sendo perfurado”. Para a primeira versão da capa, o selo apresentou à banda, um boxeador com uma luva de perfuração, o que foi reprovado pelos caras, assim, foi feita uma segunda versão. Segundo Vinni Paul, o sujeito que tomou o soco na cara para a capa do álbum teria recebido míseros US$ 10 e foi atingido cerca de 30 vezes até obter a imagem ideal. Porém, Guice afirmou que o homem, de fato, nunca foi realmente atingido.

Se em “Cowboys From Hell”, o Pantera estava perto do “som definitivo”, em “Vulgar Display Of Power” é a definição perfeita do que ser Pantera. Quando o Metallica lançou o seu “Black Album”, em 1991, o Pantera considerou uma decepção com os fãs porque creram que James Hetfield e companhia abandonaram o trecho metal ouvido dos trabalhos anteriores. Dessa forma, sentiram que aquele era o momento certo para preencher uma lacuna deixada pela banda de San Francisco e queriam fazer o “registro mais pesado de todos os tempos”. Se, de fato, conseguiram, não sabemos, pois fica a critério de cada um, mas certamente o Pantera fez um disco que foi um marco na definição do gênero de Trash Metal e, de quebra, foi o primeiro álbum a ter estampado o selo da “Parental Advisory”.

E é em “Vulgar Display Of Power” que estão presentes as canções mais conhecidas do grupo, como “Fucking Hostile”, “Mouth For War”, “This Love” e “Walk”, esta última alcançou o 35º lugar das paradas britânicas.

O álbum foi a principal influência na década de 1990 para programas como o Headbangers Ball, da MTV norte-americana, que utilizou trechos de músicas do disco como tema de abertura, de quadros e de encerramento. Já o produtor de jogos para videogame Robert Prince gravou as versões de “Rise”, “Regular People” e “Mouth For War” para o jogo de tiro “Doom”, e uma versão de “This Love” apareceu em “Doom II”.

Uma curiosidade a respeito do riff de “Walk”. Dimebag tinha tocado o riff durante uma checagem de som enquanto a banda viajava durante a turnê de “Cowboys From Hell” e o restante do grupo curtiu. Depois dessa turnê, o Pantera voltou para casa e notaram que alguns amigos haviam pré-julgado que os caras tinham sido afetados pelo estrelato do rock. As letras para música foram inspiradas pela atitude dessas pessoas com a banda.

O álbum gerou quatro singles: três lançados em 1992 – “Mouth For War”, “This Love” e “Hollow” – e o outro saiu no ano seguinte: “Walk”. Além disso, foram lançados videoclipes para três das quatro músicas que saíram no formato de single (exceto “Hollow”). O clipe de “Walk” foi gravado no Riviera Theatre, em Chicago, Illinois, onde a banda tocou a música diversas vezes para capturar imagens de vídeo ao vivo na frente dos fãs.

Para celebrar os 20 anos do álbum, em 2012, a música “Piss” foi lançada como faixa bônus no relançamento. Ela foi gravada durante as sessões para o álbum, mas nunca apareceu no tracklist original. Naquele ano, o álbum ganhou uma edição de luxo com dois discos: o CD 1 é uma versão remasterizada do álbum original juntamente com “Piss”. Já o disco 2 é um DVD com seis canções tocada pelo Pantera em um festival de rock em Reggio Emilia, na Itália. Além disso, traz também os três videoclipes que foram lançados.

O riff principal de “Piss” foi usado na canção “Use My Third Arm” no próximo disco da banda Far Beyond Driven. Já “Walk” fora regravada por uma série de bandas e artistas, mais notavelmente a versão feita pelo Avenged Sevenfold, que fez um cover da canção que apareceu em seu registro ao vivo “Live In The Lough & Rough” (2008).

Com “Vulgar Display Of Power”, o Pantera cravou seu nome dentre os grandes do Heavy Metal, pois, o disco é citado constantemente em listas e ranking que abordam o gênero. Pois, a banda o fez um dos álbuns mais pesados da história ao colocar ódio, raiva, violência e desespero em suas letras. Sem contar o trabalho magistral do saudoso Dimmebag Darrel nas guitarras e a bateria furiosa de Vinny Paul.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Vulgar Display Of Power
Intérprete: Pantera
Lançamento: 25 de fevereiro de 1992
Gravadora: Atco.
Produtores: Terry Date e Vinny Paul

Phil Anselmo: voz
Dimmebag Darrell: guitarra e backing vocal
Rex Brown: baixo e backing vocal
Vinny Paul: bateria

1. Mouth For War (Pantera)
2. A New Level (Pantera)
3. Walk (Pantera)
4. Fucking Hostile (Pantera)
5. This Love (Pantera)
6. Rise (Pantera)
7. No Good (Attack The Radical) (Pantera)
8. Live In A Hole (Pantera)
9. Requiar People (Conceit) (Pantera)
10. By Demons Be Driven (Pantera)
11. Hollow (Pantera)
Bônus:
12. Piss (Pantera)

Por Jorge Almeida

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