Exposição “Amélia Toledo: Lembrei que Esqueci” no Centro Cultural Banco do Brasil

“Medusa”, obra de Amélia Toledo criada há 50 anos em exposição no CCBB. Foto: Isis Naura

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) está com a mostra “Amélia Toledo: Lembrei que Esqueci” em cartaz até a próxima segunda-feira, 8 de janeiro. A mostra é composta por 60 obras que celebram os 60 anos de carreira da artista paulistana Amélia Toledo.

Em meio às esculturas, desenhos, objetos de design e pinturas da artista de 90 anos, a mostra empreende as várias facetas de Amélia, célebre por investigar as potencialidades de vários materiais e técnicas, e que fazia parte de um seleto grupo por aproximar a arte da rotina das pessoas em um período em que se protestava por liberdade e direitos iguais durante a ditadura militar.

A mostra propicia uma análise significativa que, com materiais distintos como rochas, tubos com líquido ou papel, aço inox, entre outros, mexe com os sentidos para trazer percepções ou a memória.

A exposição, que ocupa desde o sub-solo até o quarto andar está dividida por temas: “A Caverna” (no sub-solo), “O Encontro (térreo), “A Passagem” (1º andar), “A Memória” (2º andar), “A Luz” (3º andar) e “O Destino” (4º andar).

Em meio aos destaques estão “Pedra Luz” (1999), uma instalação multimídia; “Medusa” (1967, reeditada em 2017), obra composta de tubos de PVC com água, óleo mineral e corante; “Penetrável de Terras” (2014), feita em resina, acrílica e pigmentos; “Pocinhas de Estrelas” (2004), modelagens em poliéster, cilindro de ferro, areia e vidro; “Caleidoscópio” (1993), chapas de inox curvadas, espelhadas e pintadas.

SERVIÇO:
Exposição: Amélia Toledo: Lembrei que Esqueci
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Quando: até 08/01/2018; de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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Exposição “Williamsburg – Paisagem em Transformação” no Centro Cultural Correios

“Domino Sugar Factory II” (2016), foto de Caique Cunha em exibição no Centro Cultural Correios. Créditos: divulgação

O Centro Cultural Correios apresenta até o próximo domingo, 7 de janeiro, a exposição “Williamsburg – Paisagem em Transformação”, que traz 26 registros do fotógrafo Caíque Cunha captadas em Williamsburg, em Nova York.

Cenários das metrópoles habitam em constantes mudanças. Cidades são composições que desenvolvem e se ampliam, instituindo novas representações e nova identidade boas de desvaler costumes e tradições.

Caique Cunha anda por Williamsburg, em Nova York, gravando o procedimento de gentrificação, movimento que demonstra essas agitações urbanas. Seu olhar característico exibe meios significativos de um lugar em modificação e robustece as semelhanças entre o espaço, o tempo e seus habitantes. Informações que dão corpo e existência a uma urbe.

Aproveitando-se de ajustes que destacam a desarmonia entre a tradição local e o novo. Caique descreve histórias, apatias, desordens e complexidade de planos. A exposição aqui exposta promove um resumo visual do cenário humano, arquitetônica e urbana de Williamsberg, desempenhando a discussão entre anseios estéticos da fotografia e sua função documental.

Entre os destaques estão “Operários” (2016) e “Domino Sugar Factory II” (foto), ambas preto-e-branco, e “Garota II” (2014), um registro colorido.

SERVIÇO:
Exposição:
Williamsburg – Paisagem em Transformação
Onde: Centro Cultural Correios – Avenida São João, s/n – Vale do Anhangabaú
Quando: até 07/01/2018; de terça a domingo, das 11h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Os Paralamas do Sucesso: 30 anos de “D”

“D”: o primeiro disco ao vivo d’Os Paralamas do Sucesso gravado m Montreaux, na Suíça

2017 é o ano que marcou o 30º aniversário de lançamento do quarto disco d’Os Paralamas do Sucesso, “D”, o primeiro registro ao vivo da banda. Produzido por Liminha, o álbum foi gravado ao vivo na tradicional noite brasileira do festival de Montreux, na Suíça.

A apresentação do trio encerrava a turnê bem-sucedida de “Selvagem?”, que rendeu êxito nas vendagens e de crítica. No repertório, os maiores sucessos até então, com direito a Herbert Viana citar João Bosco e os contemporâneos Titãs e cantar um cover de Jorge Ben Jor.

O grupo estava em estado de graça no período e a viagem à Europa, a primeira deles ao Velho Mundo, foi antecedida de ensaios no sítio de Bi Ribeiro, em Mendes, interior fluminense.

A performance na cidade suíça trouxe uma novidade aos fãs: a estreia de João Fera na banda, como músico de apoio. Considerado um “4º paralama”, o tecladista excursiona com a banda até hoje. Além da Suíça, os Paralamas passaram a fazer turnê em alguns países da América do Sul, como Uruguai, Chile, Venezuela e Argentina, onde os caras têm bastante popularidade.

Além de João Fera, outra participação especial no show foi George Israel, do Kid Abelha, que tocou sax em “Ska”. De novidade, duas músicas inéditas: a autoral “Será Que Vai Chover?”, gravada em Montreux, e a regravação de “Charles, Anjo 45”, de Jorge Ben.

O repertório do espetáculo começa justamente com a inédita “Será Que Vai Chover?”, seguida de “Alagados”, onde Herbert cita “De Frente Pro Crime”, de João Bosco, sucedida de “Ska”, “Óculos”, “O Homem”, “Selvagem”, que contém menção de “Polícia”, dos Titãs, “Charles, Anjo 45”, “A Novidade” e o show termina com “Meu Erro”. Na versão em CD de “D”, traz a faixa “Será Que Vai Chover? (versão estúdio)” como bônus.

Apesar de ter sido gravado longe do calor do público brasileiro, Os Paralamas do Sucesso foram bem recebidos e tiveram uma plateia bem receptiva. No ano seguinte, os amigos dos Titãs também gravaram o seu primeiro ao vivo, “Go Back”, no mesmo festival, porém, com um público “bem morno”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: D
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso
Lançamento: 1987
Gravadora/Distribuidora: EMI
Produtor: Liminha

Herbert Vianna: guitarra e vocal
Bi Ribeiro: baixo
João Barone: bateria e percussão

João Fera: teclados
George Israel: sax em “Ska

1. Será Que Vai Chover? (Herbert Vianna)
2. Alagados (Música incidental: De Frente Pro Crime) (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna) (João Bosco / Aldir Blanc)
3. Ska (Herbert Vianna)
4. Óculos (Herbert Vianna)
5. O Homem (Bi Ribeiro / Herbert Vianna)
6. Selvagem (Música Incidental: Polícia) (Bi Ribeiro/João Barone/Herbert Vianna) (Tony Bellotto)
7. Charles, Anjo 45 (Jorge Ben)
8. A Novidade (Bi Ribeiro / João Barone / Gilberto Gil / Herbert Vianna)
9. Meu Erro (Herbert Vianna)
10. Será Que Vai Chover? (Versão Estúdio) (Herbert Vianna) – faixa bônus na versão em CD

Por Jorge Almeida

Skank: 25 anos do álbum de estreia

“Skank”, o álbum, o primeiro CD independente lançado no Brasil

O primeiro trabalho do Skank completou 25 anos em 2017. O CD, que trazia apenas o nome da banda, foi lançado primeiramente de forma independente em outubro de 1992. Gravado no, hoje extinto, JG Estúdio, em Belo Horizonte, entre julho e agosto de 1992, o álbum foi produzido pela própria banda e teve a prensagem de apenas três mil cópias. Isso antes de ser relançado (e mixado) pela Chaos, um selo da poderosa Sony, em abril de 1993.

A história do Skank começa na década de 1980, quando Samuel Rosa e Henrique Portugal formou a banda de raggae chamada Pouso Alto do Reggae. Depois de tocar pelo underground mineiro, o grupo conseguiu uma data para se apresentar no Aeroanta, em São Paulo. E, antes desse show, dois dos integrantes da banda, os irmãos Dinho e Alexandre Mourão não estavam na capital mineira e, para não desperdiçar a oportunidade, foram recrutados Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti. Com essa formação, o nome do grupo foi alterado para Skank, o nome foi inspirado em uma música de Bob Marley (“Easy Skanking”). Com a nova denominação, o quarteto fez sua estreia em 5 de junho de 1991 para incríveis 37 pessoas presentes, entre eles, os ex-bateristas de Ira! e Titãs Charles Gavin e André Jung. Façamos justiça que o motivo pelo qual não haver muitas pessoas no show porque a data coincidiu com o primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro entre São Paulo e Bragantino.

Após a experiência, os quatro gostaram do desempenho e resolveram continuar. De volta a BH, o Skank passou a tocar com frequência na churrascaria Mister Beef e casas noturnas Janis, L’Apogée e Maxaluna. A banda tinha como proposta musical transmitir o clima do dancehall jamaicano para o pop brasileiro.

E, à medida que o entrosamento do quarteto crescia, começaram a gravar as demos com material autoral. Primeiramente nos Estúdios Ferretti, que pertence ao baterista Haroldo Ferretti, onde gravaram “Skank 91”, álbum que foi lançado 21 anos mais tarde. No ano seguinte, o Skank gravou o seu disco de forma independente e, inovadores e querendo chamar atenção de jornalistas, das rádios e das gravadoras, optaram em lançarem o material em CD (o primeiro CD independente do Brasil), embora nenhum deles tivesse, na época, um aparelho com compact disc em casa.

A estratégia era chamar atenção na qualidade e na inovação. A empreitada, que resultou em três mil cópias, sendo 1,5 mil destinadas para as rádios teve um custo ao equivalente a US$ 10 mil. Os responsáveis pela distribuição de CDs pelas lojas de Belo Horizonte e divulgação nas rádios e na imprensa, incluindo anúncios no eixo Rio-São Paulo, ficou a cargo de Lelo Zaneti e Fernando Furtado, empresário do grupo. No primeiro dia que a dupla saiu à caça venderam míseras 60 cópias e, um mês e meio depois, apenas 1.200 unidades.

Persistentes, o Skank não jogou a toalha e passou a tocar com regularidade no underground e com as rádios mineiras começando a tocar material da banda, após uma ótima recepção em um festival de rock local, despertou o interesse da poderosa Sony, que convidou a banda para inaugurar o seu novo selo, Chaos. O disco foi remixado no estúdio Nas Nuvens com o engenheiro Paulo Junqueiro ao longo das madrugadas de fevereiro de 1993, foi relançado em abril de 1993 e vendeu mais de 250 mil cópias. O projeto gráfico feito por Marcus Barão na versão independente do disco foi mantido e, para o encarte, a banda foi fotografada pelo “padrinho” Maurício Valadares.

O ‘debut’ dos mineiros continha 11 canções das quais cinco marcaram a parceria entre Samuel Rosa e Chico Amaral, além de versões de “Tanto (I Want You)”, de Bob Dylan; “Let Me Try Again”, de Frank Sinatra; e “Cadê o Pênalti?”, de Jorge Ben Jor. Aliás, além da música, o futebol é outra paixão dos músicos, que fazem questão de abordar o tema em suas músicas, vide o sucesso “É Uma Partida de Futebol”, por exemplo. Mas duas músicas do álbum chamaram mais atenção: “In(Dig)Nação”, que foi criada para um trabalho do videoartista Eder Santos, mas que foi cantada pelos caras-pintadas na época do impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, e “O Homem Que Sabia Demais”, que foi escolhido pela Rede Globo para fazer parte da trilha sonora da novela Olho no Olho (1993/1994).

Depois, em 1994, o Skank lançou o clássico “Calango” e, merecidamente, conseguiu o sucesso nacional, que foi consolidado com o incrível “O Samba Poconé” (1996). Mas, “Skank”, o álbum, será sempre visto com carinho pelos fãs como o “começo de tudo”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Skank
Intérprete: Skank
Lançamento: outubro de 1992 (independente) e abril de 1993 (Chaos/Sony)
Gravadora/Distribuidora: independente / Chaos (Sony)
Produtor: Skank

Samuel Rosa: guitarra e voz
Henrique Portugal: teclados
Lelo Zaneti: baixo
Haroldo Ferretti: bateria

Chico Amaral: saxofone
João Vianna: trompete
Willy Gonser e Paulo Rodrigues: narração em “Cadê o Pênalti?

1. Gentil Loucura (Affonso Jr. / Chico Amaral)
2. In(Dig)Nação (Samuel Rosa / Chico Amaral)
3. Salto no Asfalto (Samuel Rosa / Fernando Furtado)
4. Macaco Prego (Samuel Rosa / Chico Amaral)
5. Tanto (I Want You) (Bob Dylan / Versão: Chico Amaral)
6. O Homem Que Sabia Demais (Samuel Rosa / Chico Amaral)
7. Let Me Try Again (Caravelli / Jourdan / Anka / Cahn)
8. Baixada News (Samuel Rosa / Chico Amaral)
9. Réu & Rei (Samuel Rosa / Chico Amaral)
10. Cadê o Pênalti? (Jorge Ben Jor)
11. Caju Dub (Salto no Asfalto, versão instrumental) (Samuel Rosa / Fernando Furtado)

Por Jorge Almeida

Legião Urbana: 25 anos de “Música Para Acampamentos”

“Música Para Acampamentos”: o primeiro registro ao vivo oficial da Legião Urbana

O ano de 2017 marcou para os legionários as bodas de prata do duplo ao vivo “Música Para Acampamentos”, da Legião Urbana. Com produção da própria banda em conjunto com Rafael Borges, o disco reúne diversas faixas ao vivo, gravações feitas em emissoras de rádio e televisão, além de takes alternativos, enfim, embora tenha sido lançado como um registro ao vivo, o álbum não captou o registro de um show na íntegra.

O projeto foi idealizado por Renato Russo e contém registros de apresentações feitas pela Legião Urbana entre 1984 e 1992. O título do álbum foi inspirado de um desenho feito por Marcelo Bonfá que Russo viu e curtiu. Por ter saído entre “V” e “O Descobrimento do Brasil”, o álbum saciou os fãs que ficaram à espera de um material novo dos punks brasilienses.

Apesar de ter sido feito como uma espécie de “catadão” de materiais de diversas performances, o play apresenta apenas uma canção inédita, que foi também a única gravada em estúdio: “A Canção do Senhor da Guerra”, que foi registrada em 1984 para o ‘debut’ da banda, mas que ficou de fora.

O projeto gráfico do disco ficou a cargo de Fernanda Villa-Lobos e Gualter Pupo e ilustrações de Marcelo Bonfá. Mixado em 1992, “Música Para Acampamento” teve a participação de Renato Rocha (ex-baixista da Legião Urbana) e de músicos convidados.

As músicas foram registradas em shows no Estádio Parque Antártica (atual Allianz Parque), em São Paulo, em agosto de 1990; no Morro da Urca, Rio de Janeiro, agosto de 1986; apresentações nas rádios Transamérica FM (RJ), em 1988 e 1992, e Rádio Cidade (RJ), em 1992; e versões tocadas no Acústico MTV da banda, em 1992.

E, como não poderia deixar, claro que em “Música Para Acampamentos” não poderia faltar os famosos medleys que Renato Russo fazia ao vivo. Como citações incidentais de “Jealous Guy”, de John Lennon, e de “Ticket To Ride”, dos Beatles, em “A Montanha Mágica”; um trecho de “Stand By Me”, em “Pais e Filhos”; ou, ainda, menções de “Blues da Piedade” e “Faz Parte do Meu Show”, do amigo Cazuza, além de “Nascente”, de Flávio Venturini no meio de “Soldados”.

Mas os pontos altos do registro estão no discurso inflamado feito por Renato Russo, que faz as vozes dos dois personagens: policial e suspeito, ao simular um enquadro sofrido por jovens por portar maconha em “Baader-Meinhof Blues” e a versão acústica e ao vivo de “On The Way Home”, de Neil Young. Contudo, por incrível que pareça, o play não tem a clássica “Eduardo e Mônica”.

Ícone de uma geração, Renato Russo sabia como conduzir uma plateia: destemido e desbocado, o vocalista provocava e encantava o público como poucos. Um gênio. E, de fato, um registro histórico que vale a pena ser conferido.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Música Para Acampamentos
Intérprete: Legião Urbana
Lançamento: 1992
Gravadora/Distribuidora: EMI
Produtores: Legião Urbana e Rafael Borges

Renato Russo: voz e baixo
Dado Villa-Lobos: guitarra e violão
Marcelo Bonfá: bateria

Disco 1:
1. Fábrica (Renato Russo)
2. Daniel na Cova dos Leões (Renato Russo / Renato Rocha)
3. A Canção do Senhor da Guerra (Renato Russo)
4. O Teatro dos Vampiros (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
5. Ainda É Cedo (Ico Ouro-Preto / Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)
6. Gimme Shelter (Jagger / Richards)
7. Baader-Meinhof Blues (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
8. A Montanha Mágica/You’ve Lost That Lovin’ Feelin’/Jealous Guy/Ticket To Ride (Renato Russo/Dadoi Villa-Lobos/Marcelo Bonfá)(Mann/Well/Spector)(Lennon)(Lennon/McCartney)
9. Eu Sei (Renato Russo)
10. “Índios” (Renato Russo)

Disco 2:
1. A Dança (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
2. Mais do Mesmo (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
3. Soldados/Blues da Piedade/Faz Parte do Meu Show/Nascente (Renato Russo/Marcelo Bonfá)(Frejat/Cazuza)(Cazuza/Renato Ladeira)(Flávio Venturini/Murilo Antunes)
4. Música Urbana 2 (Renato Russo)
5. On The Way Home (Neil Young)
6. Maurício (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
7. Há Tempos (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
8. Pais E Filhos (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)
9. Faroeste Caboclo (Renato Russo)
10. Exit Music: Rhapsody In Blue (Gershwin)

Por Jorge Almeida

Blackmore’s Night: 20 anos de “Shadow Of The Moon”

“Shadow Of The Moon”: o primeiro trabalho feito por Ritchie Blackmore e sua esposa Candice Night

Há 20 anos, mais precisamente no começo de junho, foi lançado o primeiro trabalho do Blackmore’s Night, o álbum “Shadow Of The Moon“. Produzido por Pat Regan e Ritchie Blackmore, o material contém músicas renascentista/medieval permaneceu 17 semanas nas paradas alemãs e ganhou certificado de ouro no Japão devido as 100 mil cópias vendidas.

Antes de falar um pouco sobre a obra, é bom reforçar como o projeto teve início. Em 1989, Candice Night, uma norte-americana que atuava em uma rádio de Nova York e fã do Rainbow, encontrou o ídolo e só queria um autógrafo. Desse encontro, surgiu o amor à primeira vista de ambos os lados. Dois anos depois, o casal já vivia juntos. Além do gosto pelo rock, os dois descobriram um gosto em comum: a música renascentista. O guitarrista, que se desintegrou do Deep Purple em 1993, retomou as atividades com o Rainbow e, a tiracolo, levou Candice Night consigo para, a princípio, atuar como backing vocal em sua banda. Tanto que ela aparece nos créditos do álbum “Strange Us All” (1995).

Depois de ter honrado os compromissos com o Rainbow, Ritchie Blackmore e Candice Night aproveitaram a mesma paixão pela música medieval/renascentista e lançaram “Shadow Of The Moon”. No álbum, Ritchie ficou encarregado pelos instrumentos de corda e Candice agraciou a obra com o sua voz suave e cativante e fez dele um grande trabalho.

O álbum abre com a misteriosa “Shadow Of The Moon”, com uma climática dark, seguida da mediévica “The Clock Ticks On”, e continua com “Magical World”, a festiva “Renaissance Faire”, a melancólica “No Second Chance”, a legal “Writing Wall”, e outras faixas que “desestressa” qualquer um. Todavia, os destaques do álbum são “Play Minstrel Play”, que tem a participação do lendário Ian Anderson, do Jethro Tull, que protagoniza um excelente duelo entre bandolim e flauta, e o cover que eles fizeram da banda sueca Rednex, “Wish You Were Here”, que superou a versão original.

O álbum é calmo, com ótimas melodias e arranjos. Apesar de ter ganhado a fama como um exímio guitarrista, Ritchie Blackmore tocou o instrumento que o consagrou em apenas duas músicas. E o play permite que o ouvinte relaxe, descanse, aprecie a boa música e se encante com a voz de fada de Candice Night.

Depois de “Shadow Of The Moon”, o Blackmore’s Night ao longo dessas duas décadas lançou 14 álbuns, quatro DVDs e 17 singles, mas o melhor trabalho de estúdio foi, sem dúvidas, o disco de estreia.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Shadow Of The Moon
Intérprete: Blackmore’s Night
Lançamento: 2 de junho de 1997 (Europa) e 17 de fevereiro de 1998 (EUA)
Gravadora/Distribuidora: Edel (Alemanha) / Edel America
Produtores: Pat Regan e Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore: guitarra, violão, baixo, bandolim, bateria e tamborim
Candice Night: voz e backing vocal
Pat Regan: teclados
Gerald Flashman: gravadores, trompete e trompa
Tom Brown: violoncelo
Lady Green: viola e violino

Ian Anderson: flauta em “Play Minstrel Play
Scott Hazell: backing vocal em “Play Minstrel Play

1. Shadow Of The Moon (Blackmore / Night)
2. The Clock Ticks On (Trad. by Tielman Susato / Blackmore / Night)
3. Be Mine Tonight (Blackmore / Night)
4. Play Minstrel Play (Trad. by Pierre Attaingnant / Blackmore / Night)
5. Ocean Gypsy (Dunford / Thatcher)
6. Minstrel Hall (instrumental) (Blackmore)
7. Magical World (Trad. Wassail / Blackmore / Night)
8. Writing On The Wall (Trad. by Pyotr Ilych Tchaikovsky / Blackmore / Night)
9. Renaissance Faire (Trad. by Tielman Susato / Blackmore / Night)
10. Memmingen (instrumental) (Blackmore)
11. No Second Chance (Blackmore / Night)
12. Mond Tanz (instrumental) (Blackmore)
13. Spirit Of The Sea (Blackmore / Night)
14. Greensleeves (Trad.)
15. Wish You Were Here (Teijo)

Por Jorge Almeida

Paul McCartney: 35 anos de “Tug Of War”

“Tug Of War”: o primeiro disco solo de Paul McCartney pós-Wings

Em 19 de abril de 1982 foi lançado o álbum “Tug Of War”, o terceiro da discografia solo de Paul McCartney, sendo o primeiro após o término do Wings, sua banda pós-Beatles, e que completou 35 anos neste ano que está prestes do fim. Gravado em dezembro de 1980 e entre fevereiro e dezembro de 1981, em Londres e Montserrat, nos estúdios da AIR Studios.

O lançamento do disco ocorreu justamente após a dissolução do Wings, em abril de 1981, e foi o primeiro registro do ex-Beatle após a morte de John Lennon. A produção ficou a cargo de um velho conhecido dos fãs do Fab Four: George Martin. O material chegou ao topo das paradas em vários países e foi aclamado como a libertação de Paul McCartney, que fez um material como bem quis.

Depois do lançamento de “McCartney II” (1980), o Wings se reuniu entre julho e outubro de 1980 para ensaiar diversas canções que entrariam mais tarde em “Tug Of War” e “Pipes Of Peace”. No entanto, o compositor convidou George Martin para trabalhar em uma canção para o personagem de desenho animado chamado Rupert Bear, do qual McCartney possuía os direitos, intitulada “We All Stand Together”, entre outras. Tudo rolava dentro das conformidades com sessões produtivas, quando na manhã de 9 de dezembro Paul acordou e foi informado da morte de seu eterno parceiro de composição, John Lennon, que foi morto a tiros na noite anterior, em Nova York. Abalado com o falecimento do ex-Beatle, McCartney abandou a sessão do dia no meio, quando ele e Denny Laine estavam a gravar o futuro lado B “Rainciouds”. Diante dessas circunstâncias, Martin e Paul decidiram que seria melhor adiar o projeto e começar novamente uma vez que eles não estavam preparados.

Passados dois meses da morte de Lennon, Paul McCartney retomou os trabalhos e, em fevereiro, gravou com Stevie Wonder, Carl Perkins, Ringo Starr, entre outros convidados, várias canções no processo. As sessões foram produzidas no AIR Studios, em Montserrat, no Caribe e durou cerca de um mês, finalizando com “What’s That You Do Doing?” e “Ebony And Ivory”, duas músicas de Stevie Wonder. Quem também se tornou um colaborador frequente de McCartney nesse período foi Eric Stewart, guitarrista do 10cc. Outras sessões foram realizadas nos estúdios AIR, de Martin, em Oxford Street, em Londres, com o produtor cuidando da produção e permitindo a Paul o benefício da tecnologia dos anos 1980. As sessões foram tão proveitosas que diversas faixas foram realizadas para o trabalho seguinte, “Pipes Of Peace”, de 1983. O restante do ano, McCartney e Martin tocaram o álbum e foram aperfeiçoando o material.

Em março de 1982, o dueto de McCartney com Stevie Wonder, “Ebony And Ivory”, foi lançado e fez um sucesso comercial considerável, chegando ao primeiro lugar das paradas de diversos países e se transformou no carro-chefe do álbum. Além da canção, o disco também chegou ao topo do mundo. Outro single do play – “Take It Away” – chegou ao top tem nos Estados Unidos. Os milhões de cópias vendidas de “Tug Of War” alavancou a reputação crítica a McCartney, depois ao que foi visto como um período de amadurecimento para ele. E, de quebra, o álbum foi nomeado para o Grammy de “Álbum do Ano”, em 1983.

É claro que Paul McCartney não poderia deixar de lembrar a memória de John Lennon e isso ele deixou registrado na magnífica “Here Today”.

Ao longo dos anos, “Tug Of War” ganhou diversas versões e remasterizações. Em 1993, por exemplo, foi reeditado e remasterizado em CD como parte da série “The Paul McCartney Collection”, sem faixas bônus. Em 2007, o disco ganhou uma edição remasterizada e relançada no iTunes Store acrescido em uma versão solo de “Ebony And Ivory”. Outra edição saiu em 2 de outubro de 2015 como parte de mais uma edição do “Paul McCartney Archive Collection”, que inclui uma versão remixada do álbum juntamente com a mixagem original e uma série de vídeos. E, em 2017, a versão de luxo remasterizada de “Tug Of War” recebeu uma indicação ao Grammy na categoria de “Melhor Box” ou “Deluxe Edition” do ano.

Apesar de o título sugerir uma luta de força (em português, o título do álbum significa algo como “cabo-de-guerra”), Paul preferiu interpretar o nome do disco como um “álbum de opostos” – do tipo, sim e não, para cima e para baixo, homem e mulher.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Tug Of War
Intérprete: Paul McCartney
Lançamento: 19 de abril de 1982
Gravadora/Distribuidora: Parlophone (Reino Unido) e Columbia (EUA)
Produtor: George Martin

Paul McCartney: guitarra acústica, baixo, bateria, guitarra elétrica, sintetizadores, vocal, backing vocals, piano, guitarra espanhola, percussão, vocoder
Linda McCartney: backing vocal nas faixas 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 11
Eric Stewart: guitarra nas faixas 1, 2, 3, 4, 6, 7 e 8
Denny Laine: guitarra, sintetizador de guitarra, violão, baixo e sintetizador nas faixas 1, 3, 6, 7, 8 e 11
Campbell Maloney: armadilhas militares na faixa 1
Kenneth Sillito: regência de orquestra na faixa 1
Steve Gadd: bateria e percussão nas faixas 2 e 3
Ringo Starr: bateria na faixa
George Martin: piano nas faixas 2 e 11
Stanley Clarke: baixo nas faixas 3 e 7
Adrian Brett: flauta de pan na faixa 3
Stevie Wonder: voz e sintetizadores na faixa 4
Andy Mackay: lyricon na faixa 4
Jack Rothstein & Bernard Partridge: violin na faixa 5
Ian Jewel: viola na faixa 5
Keith Harvey: violoncello na faixa 5
Jack Brymer: clarineta na faixa 6
Peter Marshall: narração na faixa 6
Adrian Sheppard: bateria e percussão na faixa 8
Philip Jones Brass Ensemble: conjunto de latão na faixa 9
Carl Perkins: guitarra elétrica e vocal na faixa 9
Dave Mattacks: bateria e percussão na faixa 11

1. Tug Of War (McCartney)
2. Take It Away (McCartney)
3. Somebody Who Cares (McCartney)
4. What’s That You’re Doing? (McCartney / Wonder)
5. Here Today (McCartney)
6. Ballroom Dancing (McCartney)
7. The Pound Is Sinking (McCartney)
8. Wanderlust (McCartney)
9. Get It (McCartney)
10. Be What You See (Link) (McCartney)
11. Dress Me Up As A Robber (McCartney)
12. Ebony And Ivory (McCartney)

Por Jorge Almeida