The Jimi Hendrix Experience: 50 Anos de “Are You Experienced”

A versão britânica (esq) e a norte-americana (dir) de “Are You Experienced”, o disco de estreia do lendário Jimi Hendrix

O ano de 2017 marca o 50º aniversário de alguns discos clássicos do rock. E, evidentemente que o trabalho de estreia do power trio The Jimi Hendrix Experience não poderia ser esquecido. Lançado em 12 de maio de 1967 no Reino Unido, o ‘debut’, intitulado “Are You Experienced” foi produzido por Chas Chandler.

James Marshall Hendrix era uma mera figura desconhecida em Nova York até 1966, quando foi visto por Chas Chandler (ex-baixista do The Animals) em um “inferninho” da “capital do mundo”, que se ofereceu para empresariá-lo. Assim, após o seu sim, Hendrix foi levado à Inglaterra pelo agente em setembro de 1966. Em Londres, a dupla começou a realizar audições para encontrar outros músicos para formar uma banda. O primeiro escolhido foi Noel Redding para o baixo e, embora nunca tivesse tocado um, pois era guitarrista, porém, Jimi aprovou sua aparência e atitude e lhe deu o cargo. Para a bateria foi recrutado Mitch Mitchell, um baterista que atuava na capital londrina e que poderia acrescentar à banda o estilo jazz.

Assim como o Cream, banda do ídolo Eric Clapton, o “The Experience” foi uma das primeiras bandas a popularizar o formato “power trio”, composto essencialmente por guitarra, baixo e bateria. Logo, não foi apenas mero grupo de apoio para acompanhar Hendrix.

O álbum se destacou pela psicodelia de Hendrix, que abusou de forma autoritária as guitarras distorcidas e fez de “Are You Experienced” o maior disco de estreia da história do rock. Constantemente é mencionado sempre nos rankings dos veículos especializados como um dos melhores álbuns de todos os tempos.

Depois de terem trabalhado com a Polydor e rapidamente mudar para o selo Track Records, o mesmo do The Who, a banda lançou três singles que ficaram entre as dez mais tocadas na Inglaterra entre dezembro de 1966 e março de 1967: “Hey Joe”/“Stone Free”; “Purple Haze”/”51st Anniversary”; e “The Wind Cries Mary”/”Highway Chile”. Durante a gravação dos três singles, o disco de estreia do The Jimi Hendrix Experience foi lançado.

E, como era de praxe na Inglaterra, onde o play foi lançado primeiro, o álbum saiu na praça sem os três singles. Mesmo assim, o disco e a banda em pouco tempo se tornaram sensação por toda a Europa e com direito a “Are You Experienced?” alcançar a segunda posição do Reino Unido, atrás apenas de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, que saiu no mesmo ano.

O disco é recheado de hits que se transformaram em verdadeiros hinos do rock: ali estão clássicos como “Fire”, “Foxy Lady”, “Manic Depression”, entre outras. E, graças à boa repercussão do álbum na Europa, que Hendrix foi credenciado a tocar nos Estados Unidos.

Em sua terra natal, Jimi Hendrix e seus companheiros foram tocar no famoso Monterey Pop Festival. E, depois de uma apresentação literalmente incendiária – sim, aquele famoso show em que Hendrix tacou fogo em sua guitarra no palco -, que ganhou repercussão internacional, o selo norte-americano Reprise Records, em dois meses, tratou de prensar o disco de estreia do The Experience nos Estados Unidos também, contudo, com algumas mudanças notórias.

A versão norte-americana de “Are You Experienced” difere da britânica. A começar pela capa, que ficou mais colorida, bonita e psicodélica. Mas a alteração mais notada foi na ordem do tracklist. Músicas cruciais como “Red House”, “Can You See Me” e “Remember” foram trocadas por gravações feitas em compactos lançados no Reino Unido que não haviam entrado para o álbum, como “Hey Joe”, “Purple Haze” e “The Wind Cries Mary”.

A versão norte-americana e canadense foi lançada em 23 de agosto de 1967. E, anos depois, quando o play foi relançado em CD, todas as músicas – incluindo os lados B’s dos singles – foram incluídas nas versões digitais do disco, que, logo, passou a contar com 17 faixas, sendo seis bônus para cada edição. Vale reforçar que depois que Al Hendrix, pai de Jimi, obteve os direitos autorais das músicas do filho, “Are You Experienced” foi relançado mundialmente pela Universal Records, porém, mantendo as respectivas versões em que foram lançados.

Esse é aquele típico de disco que é clássico de “cabo a rabo”. Vale a pena conferir.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Are You Experienced
Intérprete: The Jimi Hendrix Experience
Lançamento: 12/05/1967 (Reino Unido); 23/08/1967 (EUA/Canadá)
Gravadora: Track Records
Produtor: Chas Chandler

Jimi Hendrix: voz e guitarra
Noel Redding: baixo e backing vocal em “Foxy Lady”, “Fire” e “Purple Haze
Mitch Mitchell: bateria e backing vocal em “I Don’t Live Today” e “Stone Free

The Breakaways: backing vocal em “Hey Joe

Versão do Reino Unido:
1. Foxy Lady (Hendrix)
2. Manic Depression (Hendrix)
3. Red House (Hendrix)
4. Can You See Me (Hendrix)
5. Love Or Confusion (Hendrix)
6. I Don’t Live Today (Hendrix)
7. May This Be Love (Hendrix)
8. Fire (Hendrix)
9. Third Stone From The Sun (Hendrix)
10. Remember (Hendrix)
11. Are You Experienced? (Hendrix)
Faixas bônus:
12. Hey Joe (Roberts)
13. Stone Free (Hendrix)
14. Purple Haze (Hendrix)
15. 51st Anniversary (Hendrix)
16. The Wind Cries Mary (Hendrix)
17. Highway Chile (Hendrix)

Versão norte-americana:
1. Purple Haze (Hendrix)
2. Manic Depression (Hendrix)
3. Hey Joe (Roberts)
4. Love Or Confusion (Hendrix)
5. May This Be Love (Hendrix)
6. I Don’t Live Today (Hendrix)
7. The Wind Cries Mary (Hendrix)
8. Fire (Hendrix)
9. Third Stone From The Sun (Hendrix)
10. Foxy Lady (Hendrix)
11. Are You Experienced? (Hendrix)
Faixas bônus:
12. Stone Free (Hendrix)
13. 51st Anniversary (Hendrix)
14. Highway Chile (Hendrix)
15. Can You See (Hendrix)
16. Remember (Hendrix)
17. Red House (Hendrix)

Por Jorge Almeida

Exposição “O Gráfico Amador” na Caixa Cultural

“Cartazes”, livre interpretação do artista visual Raul Luna sobre a obra d’O Gráfico Amador em exibição na Caixa Cultural. Foto: Jorge Almeida

A exposição “O Gráfico Amador” está em cartaz até o próximo domingo, 23 de julho, na Caixa Cultural. A mostra traz cerca de 30 projetos que fazem um panorama da produção gráfica da primeira editora experimental homônima do Recife, que funcionou entre 1954 e 1961.

E, por meio de textos, imagens, fotografias, documentos, vídeos e livro, a exposição visa recuperar a história da editora coordenada por intelectuais e artistas. Os trabalhos eram projetados por Aloísio Magalhães, Gastão de Holanda, José Laurenio da Costa e Orlando da Costa Ferreira, e tinham como associados aproximadamente 50 personalidades, como Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.

Uma fábrica que explora os artifícios de impressão manual e venera a ilustração que, por sua vez, segundo a curadora Amanda Bonan, “salta aos olhos pela sinfonia com a cultura popular pernambucana, em oposição às tendências construtivas que chegavam ao Brasil, por influência da Bauhaus e da Escola de Ulm”.

Nos sete anos em que esteve na ativa, o Gráfico Amador imprimiu 26 livros, três volantes, um programa de teatro, além de outras pequenas impressões como convites de casamento e cartões de Natal.

Em meio aos destaques estão “Oficina Tipográfica São Paulo, um Manifesto”; “Cartazes” (foto), livre interpretação do artista visual Raul Luna sobre a obra d’O Gráfico Amador (2017); e “Prelo”, um tira-provas Manig, da década de 1960.

SERVIÇO:
Exposição:
O Gráfico Amador
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 23/07/2017; de terça a domingo, das 9h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Nova Fotografia | Bazares” no MIS

Vista parcial da exposição “Nova Fotografia | Bazares” no MIS. Foto: Jorge Almeida

O Museu da Imagem e do Som (MIS) apresenta a exposição “Nova Fotografia | Bazares” em cartaz até o próximo domingo, 23 de julho, e traz dez imagens realizadas nos últimos oito anos por Silvio Piesco em viagens realizadas por países como Etiópia, Mianmar, Tailândia, China e Tibete.

O fotógrafo viajou por inúmeros viralejos e tribos ao longo do Vale do Rio Omo, visitou Adis Abeba, capital da Etiópia, além dos locais citados no continente asiático. Em cada lugar que passara, captou imagens de dezenas de bazares e feiras.

A mostra exibe uma seleção de registros feitos ao longo de quase uma década e gira em torno das narrativas e expressões culturais manifestadas nestes ambientes de intercâmbio comercial e local de encontro de variados grupos sociais. No cenário típico do cotidiano desses estabelecimentos comerciais de remotas regiões africanas e asiáticas, o artista permite uma imergência de costumes distantes das visões dos brasileiros.

O fotógrafo confessa que o choque cultural sempre o fascinou, e isso o influenciou em visar ir para locais onde as culturas locais sofrem menor influência da cultura de massa, e os mercados são admiráveis fontes de cultura local, pois é nele que se vê de perto como é a rotina dessas pessoas.

Entre os locais clicados por Piesco, por exemplo, estão Zanzibar (Tanzânia, onde nasceu o lendário Freddie Mercury), Kyaing Tong (Mianmar), Bahir Dar (Etiópia) e Kashgar (China).

Criado em 2011, o Nova Fotografia é um projeto anual do Museu da Imagem e do Som que busca criar um espaço permanente para exposição de fotografias de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação do seu trabalho. A cada ano, seis séries de imagens são escolhidas por meio de convocatória e expostas no Museu.

SERVIÇO:
Exposição: Nova Fotografia | Bazares
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 23/07/2017; de terça a sábado, das 12h às 21h; domingos e feriados, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita (espaço nicho)

Por Jorge Almeida

Exposição “Labirinto e Memória: A Poética Visual de Luise Weiss” na Caixa Cultural

“Aquatinum”, obra de Luise Weiss em exibição na Caixa Cultural. Foto: Jorge Almeida

A Caixa Cultural promove até o próximo domingo, 23 de julho, a exposição “Labirinto e Memória: A Poética Visual de Luise Weiss”, que contém cerca de 130 obras, entre gravuras, desenhos e fotografias, que celebram os 40 anos de carreira da gravadora, fotógrafa, pintora e professora paulistana Luise Weiss.

Com curadoria de Sergio Pizoli, a mostra revela o procedimento de criação e produção gráfica da artista, divididos em seis partes temáticos, em um recorte centrado em obras que têm o papel como apoio e a fotografia como ponto de partida.

Os temas que compõem a exposição são “In Memoriam”, “No Mar”, “Vestígios (Pepi)”, “Cadernos de Artistas”, “Silhuetas e Objetos” e “Copo d’Água” e, de acordo com Sergio Pizoli, tem como objetivo “levar ao público a percepção da unidade expositiva – elencada por vários discursos gráficos – onde cada obra é a reconstrução de vestígios da memória e transita entre o fazer e o lembrar”.

Entre os destaques estão a “Série Rostos” (2009-2013), um conjunto de 16 xilogravuras sobre papel; a “Série Frotagem” (2013), que contém 18 frotagens em grafite sobre papel; e “Aquatinum” (foto), obra composta por fotografia, vidro e água.

SERVIÇO:
Exposição:
Labirinto e Memória: A Poética Visual de Luise Weiss
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 23/07/2017; de terça a domingo, das 9h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Instalação “Oasi (Oásis)” no Instituto Tomie Ohtake

Vista parcial da instalação “Oasi (Oásis)” no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Jorge Almeida

O Instituto Tomie Ohtake apresenta até o próximo dia 16 de julho, domingo, a instalação “Oasi (Oásis)” , da artista Licia Galicia e do músico especialista em eletrônica Michelangelo Lupone, que foi idealizada como um local de experimento imersivo e multissensorial, que pode modificar em função dos fatos que ocorrem em seu interior.

Todas as partes da instalação estão integradas e agregam a audição, o tato e a visão. A obra traz dois espaços adjacentes e interconectados, diferenciados, cada uma delas por um ponto de convergência no qual o expectador pode constituir um diálogo pessoal com a música e dar vida às suas modificações, detendo sua consistência com as formas plásticas e às qualidades de matérias.

Na primeira área, meios vibrantes implantam-se nas paredes e no chão, adotando um caminho sinuoso de velas movidas pelo vento. No segundo espaço, os elementos móveis estão pendurados no centro de um núcleo que acolhe o expectador.

A mostra tem parceria com o Istituto Italiano di Cultura, de São Paulo.

SERVIÇO:
Exposição:
Oasi (Oásis)
Onde: Instituto Tomie Ohtake – Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros
Quando: até 16/07/2017; de terça a domingo, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Soundtrack” no MIS

“Viewfinder”, uma das fotografias de Oskar Metsavaht na exposição Soundtrack. Créditos: divulgação

O Museu da Imagem e do Som (MIS) realiza até o próximo dia 16 de julho, domingo, a exposição “Soundtrack”, que contém um conjunto de onze imagens feitas para o filme de mesmo nome, onde o fotógrafo Oskar Metsavaht compõe selfies para o personagem Cris – que é fotógrafo – interpretado pelo ator Selton Mello.

As imagens foram captadas em uma estação polar e são exibidas com fones de ouvido com trilha sonora.

A instalação que dá nome à exposição traz um percurso labiríntico no espaço expositivo, e, além da série de fotos, contém autorretratos e juntos a headphones, que permite o público a mergulhar no universo de Cris que, na verdade, é ele. No melhor estilo do poeta Fernando Pessoa, um exilado de si mesmo.

De acordo com o curador Marc Pottier, o filme no qual Metsavaht participou “narra a história de um artista brasileiro que vai ao Ártico fazer uma série de autorretratos enquanto escuta uma trilha sonora para fazer uma futura exposição baseada na música. Ao chegar ele depara com um bando muito coeso de cientistas cujas pesquisas estariam em vias de transformar o futuro do mundo”.

Imagens como “Self-Portrait 09”, “Self Portrait 07” e “Viewfinder” (foto), todas de 2017 e impressos de pigmento mineral sobre tela, por exemplo, ajudam a refletirmos sobre imortalidade, a ressurreição, o real, etc.

SERVIÇO:
Exposição:
Soundtrack
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 16/07/2017; de terça a sexta, das 11h às 20h; sábados, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 19h. A bilheteria abre 1h antes da visitação e a permanência é de até 1h após o último horário.
Quanto: R$ 10,00; R$ 5,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras

Por Jorge Almeida

Exposição “TOHOKU – Através do Olhar dos Fotógrafos Japoneses” no CCSP

Fotografia de Masaru Tatsuki em exibição no Centro Cultural São Paulo. Créditos: divulgação

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) promove até a próxima quarta-feira, 12 de julho, a exposição “TOHOKU – Através do Olhar dos Fotógrafos Japoneses” que reúne cerca de 120 registros fotográficos de Tohoku, região do arquipélago japonês dividida em seis províncias: Akita, Aomori, Fukushima, Iwate, Miyagi e Yamagata.

Situado ao nordeste de Honshu, a maior ilha do arquipélago japonês, Tohoku, apesar de ter um clima bastante frio, é privilegiado de ambiente natural de beleza, em que mares, montanhas, florestas e rios são abundantes, e é o centro da cultura Jomon, que foi um dos primeiros povos a habitar o Japão, isso em torno de 15 e 30 mil anos atrás.

Em março de 2011 a região foi notícia no mundo inteiro por conta de um abalo sísmico de magnitude 9.0 que assolou o Japão, onde as imediações de Tohoku foi uma das mais afetadas, deixando cerca de 20 mil pessoas mortas ou desaparecidas. Em seguida, ainda veio outra catástrofe: o acidente nuclear na Usina Nuclear de Fukushima.

A mostra vai além das lembranças da catástrofe e, por meio das lentes de nove fotógrafos e de um grupo de fotógrafos, apresenta ao público belíssimas paisagens naturais e importantes registros da herança da cultura Jomon.

As fotografias tiradas na década de 1940 estão ao lado de registros recentes para, dessa forma, mostrar as perspectivas pessoais dos fotógrafos, que representam passado, presente e o futuro, depositando aspectos encantadores de Tohoku para o mundo.

Entre os destaques estão as oito lambda Print com cerca de 160 fotografias em tamanhos reduzidos do Sendai Collection, grupo de fotógrafos que vive em Sendai; “(Prunus sargentu) in the Mist” (2010), de Meiki Lin; e “Female Dancers At The Tachinepula Festival August 2010, Goshogawara, Aomori” (foto), de Masaru Tatsuki.

SERVIÇO:
Exposição:
TOHOKU – Através do Olhar dos Fotógrafos Japoneses
Onde: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Quando: até 12/07/2017; de terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida