Exposição “Sombras e Mistérios” na Caixa Cultural

A obra “Bart/Mickey” em exibição na Caixa Cultural. Foto: Jorge Almeida

A Caixa Cultural promove até o próximo dia 29 de julho, domingo, a exposição “Sombras e Mistérios”, que reúne cerca de 30 obras de um dos fundadores da Narrative Art, o britânico Mac Adams, cuja produção consiste em séries fotográficas que geram colisões híbridas entre tragédias sociais e utensílios de design que remetem a situações de violência e inquietações.

Por meio de uma obra produzida através de diferentes formas de demonstração como fotografia, escultura e instalação, o artista estimula o público à experiência de uma prova artística dobrada: enquanto somos o observador exterior de uma cena, tornamo-nos o contador de nossa própria história.

A produção de Adams tem suas raízes vinculadas à rica tradição oral e escritas dos contos do País de Gales, nos romances de Arthur Conan Doyle e no cinema de Alfred Hitchcock. Ao longo das últimas décadas, Mac Adams desenvolveu uma produção de relevância peculiar em duas e três dimensões, usando dípticos e instalações.

São exibidos dípticos da série “Tragédias Pós-Modernas”, década de 1980, sobre as políticas econômicas de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Integram também as séries “Espaços Vazios e Ilhas”, e as esculturas “Bart Simpson/Mickey Mouse” (foto), de 1996, e a instalação “Apagamento” (2000).

SERVIÇO:
Exposição:
Sombras e Mistérios
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 29/07/2018; de terça a domingo, das 9h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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Crônica: A Copa do Mundo – por Carlos Garcia*

Eu fui um menino que teve contato demais com as histórias que o pai contava. Eram histórias de Pelé, de clubes, de vitórias, de eliminações, da Gazeta Esportiva que ele comprou após a final de 70 porque um dia teria um filho e gostaria de dar a ele aquele presente, da seleção de 1982 e de tantas outras coisas. Ele contava histórias como a da primeira vez que foi no Pacaembu assistir um jogo do São Paulo contra o América de Rio Preto e com a mão impediu que uma pedra acertasse a cabeça do meu tio ou então quando assistiu a final do basquete no Panamericano no longínquo 1963.

Aí começamos a viver juntos essas histórias, como as Copas. Em 86, por exemplo, quando perdemos para a França, eu ainda era muito criança e não entendia muito bem aquilo, mas sei que a família inteira, comandada por minha mãe, sempre com minha irmã por perto, se reunia para assistir aos jogos. Todos gritavam a cada gol, vibravam com lances de perigo e era aquela festa toda. Quando perdia tudo mudava e o sentimento de tristeza tomava conta, mas também unia aquelas pessoas.

Naquele mesmo ano, 1986, tive contato com a Fórmula-1 e uns anos depois tivemos outra Copa, a de 90. Lembro de sair correndo da escola para assistir a abertura e a derrota da Argentina para a seleção de Camarões no jogo em que Pumpido quebrou a perna. Mais à frente, nas oitavas, perdemos para a mesma Argentina no gol de Cannigia.

Aquele sentimento de garoto que torcia pelo Brasil era tão gostoso que no dia que o meu São Paulo disputaria a final da Libertadores de 1992 eu ingenuamente acreditei que todo mundo torceria pelo título. Foi um choque ver corintianos e palmeirenses torcendo contra. Poxa, “o São Paulo é Brasil na Libertadores”, dizia Galvão Bueno. O mesmo Galvão que emprestava sua voz para todos os momentos que citei acima.

Depois tivemos a vitória na Copa de 1994, ano em que Senna morreu e a paixão dos brasileiros em geral pela Fórmula-1 diminuiu radicalmente. Mas quer saber? A minha paixão seguiu intacta. E ainda vinha muita coisa legal pela frente e uma geração legal do futebol com Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e companhia.

Hoje eu cresci. Hoje eu tenho, ou melhor, ontem (nota: na verdade, no último dia 6) fiz 38 anos. Muita coisa mudou de lá pra cá na dinâmica da vida. Agora sou eu quem crio as histórias e conto algumas delas para algumas pessoas, eu pago minhas próprias contas e meu pai nem neste planeta está mais. Eu gosto de ser adulto e ter o controle das situações, algo impensável quando eu era aquele garoto que acordava domingo de manhã para ver Fórmula-1 rezando para que a mãe não me mandasse para a missa.

Mas em alguns momentos todo mundo precisa de um contato com a criança interior e talvez seja por isso que a frase “era tão bom ser criança” seja tão popular. As miniaturas que tenho hoje não são manipuladas como os carrinhos de antigamente e eu não tenho mais aqueles brinquedos todos, então meus olhos brilham mesmo é quando começa a passar na TV as escalações para um jogo de futebol ou quando passa na Globo o grid de largada para uma corrida de Fórmula-1.

E o supra-sumo de tudo isso é a Copa do Mundo. Que acabou ontem para o Brasil (valeu aí pelo presente), mas que continua até dia 15. Porque nessa hora eu sou a criança guardada aqui dentro desse corpo que hoje ostenta pelos na cara quando estou com preguiça de fazer a barba. E ontem eu fui essa criança não só durante o jogo como também aquela que dormiu remoendo a derrota, me perguntando mil vezes porque o Fernandinho não fez falta no Lukaku, assim como meu pai já havia me posto pra pensar na derrota de 90 para a Argentina. Eu me perguntava porque o Alemão não fez falta no Maradona.

E como não sou muito bom com datas eu não lembro em que dia o Brasil foi tetra, penta, o dia do 7×1, não lembro nada. Mas sempre vou lembrar que perdemos para a Bélgica em um 6 de julho, aquele dia em que depois do jogo todo mundo desmarcou aquele choppinho de aniversário. Vou lembrar também que a família toda estava reunida e que teve aquele bolo prestígio que há anos a Nádia Garcia não fazia e que igualmente marcou minha infância. Inclusive estou comendo sobras dele enquanto escrevo estas palavras. É uma bela inspiração, eu juro.

Mas tá tudo certo mesmo assim, porque no fim das contas mais uma vez foi legal demais, e talvez seja por isso que dói demais cada derrota como essa.

Mas o que eu quero mesmo é falar com você que torceu contra o Brasil. Se você não tem uma boa explicação para explicar sua ligação sentimental com Suiça, Costa Rica, Servia, México e Bélgica ao mesmo tempo eu só digo duas coisas:

A primeira é que eu sinto muito por você. Sinto muito que você não consiga ter dentro de si pelo menos um pouco de tudo isso que eu tenho, porque é gostoso demais curtir Copa, futebol e até torcer pela seleção brasileira e poder por pra fora todo esse sentimento guardado aqui dentro.

E a segunda é que você jamais deve sequer tentar me impedir de viver esse prazer, caso contrário teremos um problema muito sério entre nós.

Esse prazer só vão me tirar quando eu morrer.

2022 é logo ali. Enquanto isso tem brasileirão, Libertadores (se Deus quiser) e muita Fórmula-1 por aqui.

* Carlos Garcia, 38 anos, é locutor da Transamérica, onde apresenta o #DESPERTA

Wings: 45 anos de “Red Rose Speedway”

“Red Rose Speedway”, o segundo álbum do Wings, que completa 45 anos em 2018

No dia 30 de abril passado, a versão norte-americana de “Red Rose Speedway”, o segundo álbum do Wings, banda formada por Paul McCartney após a separação dos Beatles, completou 45 anos de seu lançamento. A versão britânica da ‘bolacha’ foi lançada dias depois, em 4 de março. Produzido pelo ex-Beatle, o disco foi lançada pela Apple e gravado em diversos estúdios (entre eles, o Abbey Road, claro) entre março e junho de 1972 e de setembro a dezembro do mesmo ano.

O álbum foi o primeiro trabalho do Wings a ser lançado como quinteto. Pois, além do casal McCartney (Paul e Linda), Denny Laine e Denny Seiwell foi adicionado o guitarrista Henry McCullogh.

Antes de iniciar as gravações do álbum, no começo de 1972, o Wings começou uma turnê pelas universidades britânicas como quinteto. E, apesar de não ter lançado nenhum disco em 1972, o grupo lançou alguns compactos, como “Give Ireland Back To The Irish”, que foi banida pela BBC por conta de seu teor político, “Mary Had A Little Lamb” e “Hi, Hi, Hi”, que também foram proibidas pelo principal veículo de comunicação do Reino Unido por fazer referências a drogas e letras de conotação sexual.

Aliás, “Red Rose Speedway” foi lançado após o desempenho comercial relativamente fraco do ‘debut’ do Wings, “Wild Life” (1971), mas, ao contrário do registro anterior, o play alcançou o primeiro lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos e “My Love” ficou no topo por lá e se tornou a faixa mais popular do álbum.

As gravações do disco tiveram início em março de 1972 e a ideia, no começo, era para que o material foi lançado em um álbum duplo, pois McCartney decidiu inserir alguns temas inéditos que haviam sido originalmente gravadas durante as sessões de “Ram” (1971), seu álbum solo antes da formação do Wings. Duas dessas músicas – “Get On The Right Thing” e “Little Lamb Dragonfly” apareceram no disco final. A partir de 19 de março de 1972, as sessões foram realizadas nos Olympic Studios, em Londres, após o qual as gravações continuariam esporadicamente ao longo daquele ano. Glyn Johns foi convidado para produzir algumas sessões, mas saiu pouco tempo depois por conta de desentendimentos com Paul. O líder do Wings pedira para que Johns não pensasse nele como Paul McCartney, mas sim como o “baixista da banda”, porém, o próprio Paul não era acolhia à opinião de Johns, que também não ficou impressionado com a qualidade do material e ficava lendo jornal na sala de controle enquanto o grupo fumava maconha e improvisava no estúdio. As gravações deram continuidade em outubro e novembro de 1972 no Abbey Road Studios, no Oympic Sound Studios, no Morgan Studios, Trident Studios e Island Studios, todos em Londres, onde o grupo gravou naquele ano.

O conceito de o disco ser lançado como um trabalho solo de McCartney foi cortado em uma tentativa de lançar um disco mais comercial e menos caro. A decisão partiu da EMI, pois, além de não acreditar que o material gravado não era de um padrão suficientemente alto, a gravadora estava receosa por conta do desempenho comercial modesto de “Wild Life” e dos primeiros singles do Wings.

Denny Laine, posteriormente, expressou sua frustração de que “Red Rose Speedway” foi lançado em apenas disco único, dizendo que em sua forma original, o álbum era “mais uma vitrine para a banda”. E que, entre as omissões, estavam “I Only Only Smile”, de sua autoria, e “I Lie Around”, em que Laine fazia o vocal principal. Além dele, McCullough ficou decepcionado com o fato de que diversas faixas de McCartney foram cortadas da versão final do disco, que se concentraram no material mais leve.

Antes de sair o disco, o primeiro single de “Red Rose Speedway” foi “My Love”, com “The Mess” como lado B. Essa última música foi gravada ao vivo durante a turnê europeia de 1972. O disco foi lançado originalmente com nove faixas e termina com um medley de onze minutos com as músicas “Hold Me Tight”, “Lazy Dynamite”, “Hands Of Love” e “Power Cut”, sendo que esta última foi composta durante a greve dos mineiros de 1972, e que esse medley foi feito em estilo similar ao que os Beatles fizeram no “Abbey Road” (1969).

A data de lançamento de “Red Rose Speedway” ficou para o final de abril de 1973 porque a Apple Records estava dando prioridade a duas copilações dos Beatles – “1962-1966” e “1967-1970”, ambas de 1973. A embalagem do álbum traz um livro de 12 páginas grampeado na capa, com fotos dos shows do Wings. Enquanto a capa trazia Paul McCartney à esquerda com uma “rosa vermelha” à boca e parte parcial de uma Harley-Davidson, que era de Linda McCartney. O design da capa foi feito por Eduardo Paolozzi. A contracapa contém uma mensagem em Braille dedicada à Stevie Wonder com os dizeres: “We love ya baby”.

Curiosamente, durante as sessões de “Red Rose Speedway” é que foi gravada a famosa “Live And Let Die”, música-título do filme de James Bond, mas que foi lançado apenas no álbum “Live And Let Die”. Outras músicas gravadas no período foram lançadas depois, como “I Would Only Smile”, que Denny Laine incluiu em seu álbum “Japanese Tears” (1980). Já “Mama’s Little Girl” foi gravada, mas lançada como lado B do single “Put It There”, que Paul McCartneyl lançou em 1990. Outros faixas foram descartadas como “Night Out”, “Best Friend 3”, “Jazz Street”, “Thank You Darling” e um cover de Thomas Wayne, “Tragedy”.

E, ao longo desses 45 anos, o disco foi relançado e remasterizado em outros formatos. A versão original em CD, por exemplo, foi lançada pela Fame, subsidiária da EMI, em outubro de 1987 e continha três faixas bônus: “I Lie Around”, “Coutry Dreamer” e “The Mess (Live At The Hague)”. Uma versão em LP desta edição de CD foi lançada no mesmo dia, mas omitindo as faixas bônus. Em 1993, o disco foi remasterizado e reeditado em CD como parte da série “The Paul McCartney Collection”, com “C Moon”, “Hi, Hi, Hi”, “The Mess (Live At The Hague)” e “I Lie Around”, como faixas bônus, além de “Country Dreamer”, que foi posteriormente adicionada à reedição de “Band On The Run”, da mesma série.

Os críticos não foram muitos receptivos com o álbum, sendo que muitos deles consideraram suas músicas medíocres. O autor e crítico Bob Woffiden, ao escrever  sobre o disco em 1981, por exemplo, disse que o álbum foi um exemplo de como Paul McCartney “continuava a exasperar seu público”, isso antes que ele e o Wings finalmente conquistassem total respeito com o lançamento de “Band On The Run”, no final de 1973. Já John Pidgeon, do Let It Rock, apontou que “Red Rose Speedway soa como se tivesse sido escrito após um grande chá em frente ao fogo com os pés de chinelo para cima”. Enquanto Robert Christgau, crítico do Village Voice, não poupou o disco e descreveu a obra como “possivelmente o pior álbum já feito por um roqueiro de primeira linha”.

Apesar das críticas a “Red Rose Speedway”, o Wings seguiu a todo vapor em 1973, lançou “Live And Let Die”, com produção de George Martin, e que foi composta especialmente para ser tema para o filme de James Bond de mesmo nome. A música foi indicada ao Oscar.

Depois de uma turnê pelo Reino Unido, o grupo gravou o disco seguinte na Nigéria e, durante as gravações Denny Seiwell e Henry McCullough deixaram o grupo. Como trio, o Wings lançou o seu álbum de maior sucesso comercial: “Band On The Run”, ainda em 1973. Eleito o disco do ano, atingiu o topo das paradas e agradou críticos e fãs.

Quanto à “Red Rose Speedway”, pode não ser o disco mais inspirador do Wings, mas é um álbum que, ao contrário do exagero por parte de alguns críticos, é agradável de se ouvir

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Red Rose Speedway
Intérprete: Wings
Lançamento: 30/04/1973 (nos EUA) / 04/05/1973 (no Reino Unido)
Gravadora: Apple Records
Produtor: Paul McCartney

Paul McCartney: voz, baixo, piano, guitarra, piano elétrico, mellotron, celesta e sintetizador Moog
Linda McCartney: voz, piano, órgão, cravo e percussão
Denny Laine: voz, guitarra, baixo e gaita
Denny Seiwell: bateria e percussão
Henry McCullough: guitarra, backing vocal e percussão

Hugh McCracken: guitarra em “Little Lamb Dragonfly
David Spinozza: guitarra em “Get On The Right Thing

1. Big Barn Bed (P. McCartney / L. McCartney)
2. My Love (P. McCartney / L. McCartney)
3. Get On The Right Thing (P. McCartney / L. McCartney)
4. One More Kiss (P. McCartney / L. McCartney)
5. Little Lamb Dragonfly (P. McCartney / L. McCartney)
6. Single Pigeon (P. McCartney / L. McCartney)
7. When The Night (P. McCartney / L. McCartney)
8. Loup (1st Indian On The Moon) (P. McCartney / L. McCartney)
9. Medley:
– Hold Me Tight (P. McCartney / L. McCartney)
– Lazy Dynamite (P. McCartney / L. McCartney)
– Hands Of Love (P. McCartney / L. McCartney)
– Power Cut (P. McCartney / L. McCartney)

Por Jorge Almeida

Exposição “Seydou Keïta” no Instituto Moreira Salles | Paulista

O fotógrafo africano Saydou Keïta é homenageado em exposição no Instituto Moreira Salles. Foto: Jorge Almeida

O Instituo Moreira Salles | Paulista realiza até o próximo dia 29 de julho, domingo, a mostra “Saydou Keïta”, que traz um recorte da extensa produção do fotógrafo africano produzidas entre 1948 e 1962, com cerca de 130 fotografias daquele que é considerado um dos precursores dos retratos de estúdio na África.

Seydou Keïta (1921-2001) produziu ao longo da carreira inúmeros retratos dos habitantes do Mali, seu país. Em seu estúdio, situação próximo da estação ferroviária de Bamako, o profissional captava as expressões, os vestuários e os costumes dos visitantes que passavam por ali. Durante o período em que os registros foram realizados (entre 1948 e 1962), o Mali passava por uma transformação, pois o país estava em direção à sua independência, em 1960.

A mostra inclui 48 tiragens vintage, em formato de 18 x 13 cm, ampliadas e comercializadas pelo próprio Keïta em Bamako, nenhuma delas jamais mostrada no Brasil. As demais 88 obras são fotografias ampliadas na França, sob a supervisão de Keïta, ao longo da década de 1990, quando sua obra é redescoberta no país e também nos EUA.

Keïta começou a fotografar após receber de um tio uma Kodak Brownie, uma câmera popular na época. Autodidata, ele, aos poucos foi aperfeiçoando a prática e começou a revelar as próprias imagens. Em 1948, abriu seu estúdio e retratou a elite de Bamako e também pessoas do campo que visitavam a cidade.  Funcionários do governo, donos de lojas e esposas de políticos visitavam o fotógrafo em busca de imagens que simbolizassem seu status social.

O conflito entre modernidade e tradição pode ser conferido nos retratos produzidos por Keïta. Nos registros, as estampas coloridas dos vestidos, um dos símbolos tradicionais do país, convivem com automóveis e rádios. Em seu estúdio, o fotógrafo deixava à disposição de seus clientes vários itens de vestuários, como ternos e boinas francesas, para serem fotografados.

Com curadoria de Jacques Leenhardt, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, e Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS, a mostra tem o apoio do Institut Français du Brésil e do Consulado da França em São Paulo e seguirá para o IMS Rio em 5 de setembro de 2018.
SERVIÇO:
Exposição:
Seydou Keïta
Onde: Instituto Moreira Salles | Paulista – Avenida Paulista, 2424 – Bela Vista
Quando: até 26/07/2018; de terça a domingo, das 10h às 20h (sendo até às 22h às quintas)
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Sampaio Corrêa: campeão da Copa do Nordeste 2018

Jogadores do Sampaio Corrêa comemoram o título da Copa do Nordeste, o primeiro conquistado por uma equipe maranhense. Créditos: Futura Press

O Sampaio Corrêa é o mais novo campeão da Copa do Nordeste, a popular “Lampions League”. Em partida disputada na Arena Fonte Nova, em Salvador, neste sábado (7), a Bolívia Querida empatou em 0 a 0 com o Bahia e, como havia ganhado o jogo de ida por 1 a 0, o resultado deu ao clube maranhense o título inédito. O principal personagem do jogo foi o goleiro Andrey, que fez defesas primordiais que ajudaram a equipe boliviana a conquistar a taça.

Com a vantagem adquirida no jogo de ida, o Sampaio Corrêa tentou surpreender o Bahia com apenas dois minutos de jogo. Fernando Sobral cobrou falta com um chute forte e Anderson evitou o gol dos visitantes com uma defesa difícil. O Esquadrão de Aço deu o troco aos quatro. Léo cobrou lateral com força e Tiago aproveitou para dar uma cabeçada perigosa, que saiu por cima do gol de Andrey.

Após as duas chances criadas pelos times, o Bahia passou a utilizar os lados do campo, sem permitir que a Bolívia Querida utilizasse o contragolpe.

O Tricolor soteropolitano passou parte do primeiro tempo tocando a bola enquanto a equipe maranhense permaneceu no campo de defesa durante boa parte da primeira etapa, mas que chegou a avançar a marcação.

Embora dominasse as ações do jogo, os anfitriões só foram criar uma oportunidade aos 38 minutos. Zé Rafael invadiu a área e, quando ficou frente a frente com Andrey, tentou tirar do goleiro, que fez outra grande defesa. Quatro minutos depois, foi a vez de Régis cobrar falta e a bola passar perto da meta do camisa 42 boliviano.

Nos acréscimos, o Bahia teve duas chances seguidas. A primeira, aos 46, a redonda ia sobrar para Elton chutar para o gol, mas Alyson tirou o perigo da área do Sampaio. No lance seguinte, Gregore arriscou de fora da área, a esférica desviou nos defensores visitantes e saiu pela lateral.

Os primeiros 15 minutos da etapa final praticamente não mudaram em relação à maior parte do primeiro tempo, ou seja, o Bahia seguiu a tentar encaixar uma jogada e a marcação do Sampaio não dando moleza.

A primeira investida do Tubarão no segundo tempo aconteceu aos 15 minutos. Em jogada iniciada por Diego Silva, a bola sobrou para Fernando Sobral, que chutou para fora, sem levar perigo para Anderson. Contudo, à medida que o jogo corria, os jogadores do time maranhense faziam faltas e mais faltas e o árbitro distribuiu cartões amarelos “a rodo”.

E, à medida que os minutos rolavam, o Esquadrão de Aço se lançava para o ataque, mas sem organização e, sujeito aos erros de passe, permitia que o adversário saísse para o jogo.

Com a proximidade do término da decisão, o Sampaio Corrêa, quando tinha a posse da bola, fazia de tudo para segurá-la no campo de ataque. Mas, a torcida do tricolor baiano, protestou por conta da cera que os jogadores do Tricolor do Maranhão fazia e não aplicara os cartões. E a adrenalina tomou conta da partida aos 44 minutos, quando Uilliam, do Sampaio, recebeu o segundo amarelo e, posteriormente, o cartão vermelho. Com um jogador a mais, o Bahia esboçou uma pressão e passou a investir em cruzamentos para a área e a defesa boliviana tirando de qualquer maneira.

Já nos acréscimos, aos 49, Wellington Rato, substituto de João Paulo, não soube aproveitar o contragolpe do Sampaio e chutou torto para fora. E, no último lance da decisão, aos 50, Junior Brumado entrou na área, chutou, Andrey saiu para defender e a bola desviou no arqueiro e saiu por cima do travessão.  Mas, não teve jeito, com uma grande atuação, o goleiro da camisa 42 fechou o gol e ajudou a Bolívia Querida a segurar o empate sem gols para dar ao clube de São Luís o primeiro título da Copa do Nordeste. Fim de jogo na Arena Fonte Nova: Bahia 0, Sampaio Corrêa 0.

Apesar de ter criado a primeira tentativa de gol na partida, o Sampaio Corrêa foi dominado pelo meio-campo do Bahia, que também pressionou em jogadas pelas laterais, mas que paravam na defesa atenta e marcação forte do clube maranhense. E, quando passava pela zaga, se deparava com o “muro” chamado Andrey. A etapa inicial foi marcada por falta duras dos dois times. No segundo tempo, a situação não mudou muito. Os anfitriões buscando o gol e tentando criar jogadas de todas as maneiras, contudo, o esquema defensivo do Sampaio mostrou-se eficiente e, conforme o Bahia ficava nervoso, os comandados de Roberto Fonseca começaram a explorar mais o contra-ataque, mas pecava nas finalizações.

Além de ter sido uma conquista inédita para o Sampaio Corrêa, o título foi o primeiro a ser ganho por um clube do Maranhão. Com isso, a Bolívia Querida ganhou R$ 1,5 milhão de premiação e garantiu uma vaga para as oitavas-de-final da Copa do Brasil 2019.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Primeira Fase (Grupo D):
18/01 – CSA (AL) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Rei Pelé, Maceió (AL)
08/02 – Sampaio Corrêa (MA) 4×0 Salgueiro (PE) – Castelão, São Luís (MA)
15/02 – Sampaio Corrêa 1×0 Ceará (CE) – Castelão, São Luís (MA)
10/03 – Ceará (CE) 2×1 Sampaio Corrêa (MA) – Castelão, Fortaleza (CE)
20/03 – Salgueiro (PE) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Cornélio de Barros, Salgueiro (PE)
29/03 – Sampaio Corrêa (MA) 0x0 CSA (AL) – Castelão, São Luís (MA)
Quartas-de-final:
16/05 – Sampaio Corrêa (MA) 3×0 Vitória (BA) – Castelão, São Luís, (MA)
24/05 – Vitória (BA) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Barradão, Salvador (BA)
Semifinais:
19/06 – Sampaio Corrêa (MA) 1×0 ABC (RN) – Castelão, São Luís (MA)
28/06 – ABC (RN) 1×1 Sampaio Corrêa (MA) – Frasqueirão, Natal (RN)
Final:
04/07 – Sampaio Corrêa (MA) 1×0 Bahia (BA) – Castelão, São Luís (MA)
07/07 – Bahia (BA) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)

FICHA TÉCNICA: BAHIA (BA) 0x0 SAMPAIO CORRÊA (MA)
Competição/Fase: Copa do Nordeste 2018 – final (2º jogo)
Local: Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
Data: 7 de julho de 2018, sábado – 17h45 (horário de Brasília)
Público: 45.378 pessoas
Renda: R$ 1.598.952,00
Árbitro: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
Assistentes: Jean Marcio dos Santos (RN) e Vinícius Melo de Lima (RN)
Cartões Amarelos: Gregore, Tiago e Vinícius (Bahia); Uilliam, Joécio, Fernando Sobral, Diego Silva, Danielzinho, Maracás e William (Sampaio Corrêa)
Cartão Vermelho: Uilliam (Sampaio Corrêa)
BAHIA (BA): 33.Anderson; 5.Flávio (29.Vinícius), 3.Tiago, 28.Lucas Fonseca e 14.Léo; 26.Gregore, 17.Elton, 10.Zé Rafael, 20.Régis (8.Allione) e 7.Élber (23.Junior Brumado); 11.Edigar Junio. Técnico: Enderson Moreira
SAMPAIO CORRÊA (MA): 42.Andrey; 2.Bruno Moura, 3.Joécio, 4.Maracás e 6.Alyson; 5.William, 7.Diego Silva e 8.Fernando Sobral; 10.João Paulo (19.Wellington Rato), 11.Danielzinho (17.Rodrigo Fumaça) e 9.Uilliam. Técnico: Roberto Fonseca

Parabéns ao Sampaio Corrêa Futebol Clube pelo título.

Por Jorge Almeida

Copa do Mundo terá final inédita

Copa do Mundo FIFA 2018: terá final inédita, que será disputada no próximo dia 15. Créditos: FIFA

Com a realização de duas partidas neste sábado (7) pelas quartas-de-final da Copa do Mundo FIFA 2018, a principal competição do futebol mundial já tem definido os seus semifinalistas: de um lado, França e Bélgica e do outro Inglaterra e Rússia/Croácia. Ou seja, o Mundial terá uma final inédita, independentemente de quem chegar à decisão e, pela quarta vez consecutiva, o título ficará com um representante europeu.

O primeiro semifinalista saiu ontem (7) do duelo entre dois algozes do Brasil em finais de Copa do Mundo: França e Uruguai, em Nizhny Novgorod. Com gols de Varane e Griezmann, os Bleus derrotaram a Celeste por 2 a 0 e chegam à sua quinta semifinal na história das Copas. Destaques para o ‘frangaço’ do goleiro Muslera no tento do camisa 7 francês no começo do segundo tempo e para a atuação apagada de Suárez, que mal pegou na bola. Talvez, a ausência de lesionado Cavani tenha sido crucial para o desempenho dos comandados de Óscar Tabáres.

O adversário dos campeões mundiais de 1998 será a Bélgica, que pouco depois da classificação francesa, derrotou o Brasil por 2 a 1, na Arena Kazan, e vingou-se da eliminação sofrida nas oitavas-de-final de 2002 e, assim como em 1986, chegou às semifinais. Os belgas abriram 2 a 0 no primeiro tempo, com gols de Fernandinho (contra) e De Bruyne, enquanto Renato Augusto descontou para a Seleção Canarinho na etapa final. Com uma equipe promissora, a ‘geração belga’ quer fazer história para, quem sabe, conseguir algo maior do que a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, em 1920.

Neste sábado, o primeiro classificado para as semifinais foi a Inglaterra. O English Team levou a melhor diante da Suécia em partida disputada em Samara com vitória por 2 a 0, gols do zagueiro Maguire e do meia Dele Alli. Os ingleses, que não chegavam a uma semifinal de Copa do Mundo desde 1990, estão a dois passos do grande sonho: o título mundial, que não vem desde 1966. No duelo contra os suecos, o artilheiro Kane passou em branco, mas o goleiro do Everton, Pickford, fez grandes defesas que colaboraram para que os inventores do futebol chegassem à sua terceira semifinal da história.

E, na última partida das quartas-de-final, a Croácia despachou a anfitriã Rússia nos pênaltis por 4 a 3 após empatarem em 2 a 2 – 1 a 1 no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação. Os russos saíram na frente com um golaço Cherychev, enquanto Kramarić empatou ainda na etapa inicial. O resultado levou a disputa para a prorrogação, que teve os croatas à frente, com o gol de Vida, mas o brasileiro naturalizado russo Mario Fernandes empatou na segunda etapa do tempo extra e levou a decisão para a disputa de pênaltis. Nas cobranças, pelo lado russo, Smolov parou em Subasić e Mario Fernandes, que foi do céu ao inferno, mandou para fora. Pelo lado da equipe da camisa quadriculada, apenas Kovacić chutou para a defesa do goleiro Akinfeev, e coube a Rakitić converter a cobrança que levou a Croácia para a sua segunda semifinal da história das Copas.

Com esses resultados, as semifinais da Copa do Mundo foram definidas. Na terça-feira (10), às 15h (horário de Brasília), em São Petersburgo, França e Bélgica farão o duelo para saber quem será o primeiro finalista do Mundial. No dia seguinte, no mesmo horário, em no Estádio Olímpico Lujniki, Inglaterra e Croácia medirão força para ver quem chegará à decisão. Os perdedores das duas partidas disputarão a decisão do terceiro lugar no sábado (14), às 11h (horário de Brasília), em São Petersburgo.

Assim como a Copa do Mundo de 2010 ficou marcada pelo título inédito da Espanha e por ter sido a primeira sem ter como finalista Brasil, Argentina, Alemanha ou Itália, a atual edição do torneio também entrou para a história por não ter essas quatro seleções entre os semifinalistas pela primeira vez na história.

Será que teremos mais um bicampeão para se igualar a Argentina e Uruguai? Ou será que o planeta bola conhecerá um novo campeão mundial? Domingo que vem saberemos.

A seguir, as datas e os locais dos confrontos das semifinais da Copa do Mundo.

Data – Jogo – Local:
10/07 – 15h – França x Bélgica – São Petersburgo
11/07 – 15h – Croácia x Inglaterra – Lujniki, Moscou
Parabéns aos semifinalistas e que vença o melhor.

Por Jorge Almeida

Exposição “O Último Império” na Caixa Cultural

“Restaurante ‘Apelo de Lenin'” (2003), um dos registros do fotógrafo russo Serguei Maksimishin em exibição na Caixa Cultural. Créditos: divulgação

A Caixa Cultural realiza até o próximo dia 29 de julho, domingo, a exposição “O Último Império”, que apresenta 65 fotografias ousadas da Rússia contemporânea do fotógrafo russo Serguei Maksimishin. Considerado um dos principais nomes da fotografia de sua geração, o profissional traz imagens do país-sede da atual edição da Copa do Mundo na era “pós-soviética”, sem deixar de mostrar a crise que o maior país territorialmente falando enfrentou nos anos 1990 e os problemas atuais.

Natural da Crimeia, Serguei Maksimishin, nascido em 1964, possui uma trajetória peculiar. Seus primeiros trabalhos com fotografia tiveram início enquanto prestava serviço militar em Cuba. E, depois de terminar os estudos em física, trabalhou por um curto período no Museu Hermitage, em São Petersburgo. Então, na conturbada década de 1990, é que começou a atuar em um dos principais jornais russos, o Izvestya.

Por meio de uma visão audaciosa e compassiva, os registros feitos nos últimos 25 anos depois do término “do último império” apresentam as diversas faces de uma nação que por anos ficou à margem do cenário político internacional. E, com uma geração que presenciou a queda do império soviética, as imagens de Maksimishin ainda exibem as cenas nas quais as lembranças do tempo czarista e do período comunista marcam presença, reciclados sem compostura.

Por meio dessas imagens, o público brasileiro tem acesso pela primeira vez aos “protagonistas” da nova Rússia: soldados, políticos, religiosos, pioneiros, neonazistas, novos ricos… Serguei Maksimishin apresenta as incompatibilidades da Rússia e a energia do antigo sistema soviética, cujas heranças e destruições até hoje afetam o cotidiano das pessoas.

Em meio aos destaques estão “Acampamento Shojna, Nenets” (2005); “Casamento no Vilarejo” (2006) e “Restaurante ‘Apelo de Lenin’” (foto), de 2003.

SERVIÇO:
Exposição:
O Último Império
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 29/07/2018; de terça a domingo, das 9h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida