The Rolling Stones: 45 anos de “Exile On Main St.”

“The Main On St.”, o único álbum de estúdio duplo lançado pelos Rolling Stones completou 45 anos em 2017

No último dia 12 de maio, um grande álbum de rock completou 45 anos de seu lançamento. O play em questão é o grandioso “Exile On Main St.”, o décimo disco de estúdio dos Rolling Stones. Produzido por Jimmy Miller, o trabalho foi gravado entre outubro de 1970 e março de 1972 no Olympic Studios, em Londres, no Nellcôte, na França e no Sunset Sound Recorders, em Los Angeles, o play foi o único disco duplo de inéditas na vasta discografia da cinquentenária banda.

No começo da década de 1970, os Rolling Stones, assim como boa parte da sociedade britânica da época, deviam mais de impostos do que podiam pagar e, em uma estratégia utilizada para burlar o governo, se auto-exilaram na França, uma vez que a permanência na Grã-Bretanha era arriscada porque poderiam ter seus patrimônios apossados pelo governo como garantia de pagamento. Assim, Mick Jagger e sua noiva Bianca se estabeleceram em Paris; enquanto Keith Richards alugou uma vila chamada Nellcôte, em Villefranche-sur-Mer, próximo a Nice. Os demais integrantes se instalaram no sul da França. E, como não conseguiram encontrar um estúdio de gravação adequado para as pretensões da banda, optaram em instalar um no porão de Nellcôte tendo como suporte a aparelhagem usada na estrutura do Rolling Stones Mobile Studio, o caminhão de gravação móvel do grupo.

Antes de gravar o disco, os Rolling Stones tinha material composto entre 1968 e 1972, porém, como terminou o contrato com Allen Klein (empresário), optaram em esperar um pouco para lançar o material para não ceder para ele, como foram forçados a fazer com “Brown Sugar” e “Wild Horses”, que entraram em “Sticky Fingers” (1971). Dessa forma, diversas canções foram aproveitadas em “Exile…”, que foram gravadas entre 1969 e 1971 no Olympico Studios e em Stargroves, casa de campo de Mick na Inglaterra, durante as sessões de gravação de “Sticky…”, o que colaborou bastante para o vasto material do disco.

Como estavam fora do circuito Reino Unido/Estados Unidos, ou seja, isolado em algum lugar da França, os Rolling Stones não tinham problemas com censura, prazos e pressões do mercado, faziam de cada sessão de gravação uma verdadeira festa regada a bebedeira e drogas e, claro, ocasionava os atrasos nas gravações. O porão onde estava sendo gravado o novo material era quente, úmido e com péssima estrutura, ou seja, tudo levava a fazer um álbum com pouca inspiração. Apesar de toda farra e dos abusos, a sensação de exílio e as condições precárias do local, os Stones transmutavam quando entravam no porão e empunhavam seus instrumentos como uma homenagem e uma declaração de amor ao Blues de raiz americano e, por incrível que pareça, resultar em uma ótima gravação de estúdio.

A música do álbum, de uma maneira geral, acabou refletindo essa sensação de exílio, de não poder voltar ao próprio país. Segundo o (agora ex) baixista Bill Wyman, o grupo, ou parte dele, ralava das oito às três. Além disso, em Nellcôte, Richards começou o hábito de usar heroína diariamente e, com isso, milhares de dólares eram gastos no consumo da nova droga por parte do guitarrista, que recebia um contingente de visitantes, entre eles Gram Parsons, Terry Southern e Marshall Chess, o administrador do novo selo da banda. E, por conta de seu comportamento, Parsons foi convidado a deixar Nellcôte, sem contar que Keith precisou fazer uma “limpa” na casa cheia de usuários de drogas após uma prensa da polícia francesa. O consumo abusivo de Richards pela heroína o impossibilitou de comparecer em muitas sessões que seguiram sendo feitas em seu porão, enquanto Jagger e Wyman não compareceram em outras por diferentes motivos, o que mudou a metodologia da banda em gravar. E foi em uma dessas situações que Keith Richards compôs uma de suas canções mais famosas, a bela “Happy”, em que ele não tinha nada para fazer no dia e, acompanhado de Bobby Keys e Jimmy Muller, pegou a guitarra, tocou um riff e, juntos, editaram o material que saiu em uma descompromissada jam.

Nas sessões feitas em Nellcôte, os integrantes que consistiam em gravar o material era Keith Richards, Bobby Keys, Charles Watts, Mick Taylor, Miller (que cobriu o ausente Watts na citada “Happy” e em “Shine A Light”), e Mick Jagger. Já Wyman ficou de fora de muitas sessões por não gostar do ambiente da casa do guitarrista. Essa situação, talvez, contribuiu para o fato de o baixista ter sido creditado em apenas oito músicas do álbum lançado. As partes de contrabaixo que não foram gravadas por Wyman foram creditadas para Taylor, Richards e o baixista Bill Plummer. De acordo com o seu livro de memórias, “Stone Alone”, Bill registrou que entre os músicos haviam os que usavam livremente as drogas – Richards, Miller, Taylor, Keys e Andy Johns, engenheiro de som – e os que abstiveram em graus variados (o próprio Wyman, Jagger e Watts).

Algumas faixas foram gravadas inicialmente em Nellcôte foram levadas para o Sunset Sound Recorders, em Los Angeles, para serem finalizadas com numerosos overdubs – como as partes de piano, teclados, vocais principais e de apoio, além de guitarras e baixos adicionais -, isso entre dezembro de 1971 e maio de 1972. Em LA, algumas faixas foram recém-gravadas, como “Loving Cup” e “Torn And Frayed”, e Mick Jagger assumiu uma postura diferente do que foi na França. Mais participativo, o vocalista foi atrás de gente como os tecladistas Billy Preston e Dr. John, além dos melhores vocalistas de apoio da cidade para gravar as camadas de overdubs. E, depois de visitarem uma Igreja Protestante, Jagger e Preston tiveram a ideia de arranjarem vocais no estilo gospel em canções como “Tumbling Dice”, “Loving Cup”, “Let It Loose” e “Shine A Light”.

À medida que as sessões eram estendidas, Mick casou-se com Bianca, que pouco tempo depois deu luz à única filha do casal, Jade Jagger, em outubro de 1971. Enquanto isso, Keith Richards e sua namorada Anita Pallenberg estavam no auge do vício da heroína. Apesar de ser considerado como um dos melhores momentos musicais de Keith, “Exile…” também é visto como um espelho da visão de um cru e primitivo rockstar. Já Jagger, demonstrava um certo tédio com o submundo do rock, como expressara nas diversas entrevistas dadas no lançamento do álbum,

Consumado pelo abuso das drogas, o poder de criação de Keith foi seriamente prejudicado, o que favoreceu Jagger nos trabalhos posteriores da banda, que conduziu o grupo e motivou os companheiros a experimentar em misturar o rock com outros gêneros musicais, afastando-se do rock raiz.

Após o lançamento do disco no Reino Unido, “Exile On Main St.” se tornou um sucesso comercial de imediato e chegou ao número de vendas em diversos pontos do globo. Em seguida, a banda partiu para a sua primeira turnê norte-americana em três anos intitulada “The Rolling Stones American Tour 1972”. Entre as diversas músicas do novo álbum que foram incluídas no setlist estava “Happy”, cantada por Richards, que atingiria pouco tempo depois o “top 30” nos Estados Unidos.

Nas primeiras semanas após o lançamento, o disco duplo dos Rolling Stones levou uma “saraivada” de críticas. Coisas do tipo, “sem rumo”, “confuso” e “desagradável” foram ditas a respeito de “Exile On Main St.”. Mas o tempo, como sempre, tratou de corrigir isso e permitiu que o status do material chegasse ao patamar de obra-prima, parte disso em função da mistura de gêneros: Rock, R&B Soul, Blues, Country Music e até Gospel, enfim, o melhor “álbum maldito do mundo”.

O LP saiu com um pôster desdobrável que incluía uma série de 12 cartões postais perfuradas com uma sequência de inserções de imagens que foram clicadas por Normal Seeff, enquanto a contracapa trazia diversas fotos dos Rolling Stones. Aliás, a “misteriosa mulher” que aparece retratada no canto inferior esquerdo da capa é Chris O’Dell, assistente pessoal da banda.

E, ao longo desse quase meio século de lançamento, “Exile…” ganhou inúmeros elogios e marcou presença em diversos rankings e listas de melhores álbuns da história nos mais variados meios de comunicação, como a revista Rolling Stone que, em 1987, o colocou em terceiro lugar na lista dos 100 melhores álbuns lançados entre 1967 e 1987. Já a revista “Q” o classificou em terceiro lugar como o melhor álbum britânico lançado até hoje. E o canal VH1 colocou o disco na 22ª posição em sua eleição voltada para “Os melhores álbuns de Rock and Roll”.

O play e seu título também serviram de referência várias vezes por outros grupos. Como o Alabama 3, que intitulou o seu ‘debut’ como “Exile On Coldharbour Lane” (1997). Já o cantor e compositor indie Liz Phair batizou o seu primeiro trabalho como “Exile In Guyville” (1993). Só para citar dois exemplos.

Assim como todos os trabalhos lançados a partir de “Get Yer Ya-Ya’s Out! The Rolling Stones In Concert” (1970), “Exile Main On St.” foram remasterizados e relançados em 1994 e 2009 pela Virgin Records e Universal Records, respectivamente. Em maio de 2010, foi lançada uma caixa de luxo do álbum, com CD bônus contendo raridades, músicas inéditas e versões diferentes das faixas do álbum. Esse álbum bônus também foi disponibilizado independentemente, sob o nome de “Exile On Main St. (Rarities Edition)”, e que chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas, quase 38 anos depois de ter estado pela última semana. O feito garantiu aos Stones como os primeiros a terem um disco de estúdio relançado a aparecer no topo das paradas depois de ter sido o número um em seu primeiro lançamento.

Com muitas influências de outros gêneros musicais, “Exile On Main St.” É um grande clássico do rock, considerado por alguns críticos e fãs como um dos melhores discos da história do rock, embora tenha recebido críticas mornas no começo. O interessante é que ele faz parte de uma sequência de quatro discaços lançados por Mick Jagger e sua turma entre 1968 e 1972: “Beggar’s Banquet” (1968), “Let It Bleed” (1969), “Sticky Fingers” (1971) e ele, “Exile On Main St.”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Exile On Main St.
Intérprete: The Rolling Stones
Lançamento: 12 de maio de 1972
Gravadora: Rolling Stones Records (LP) / Virgin Records (CD) / Universal Records (CD)
Produtor: Jimmy Miller

Mick Jagger: voz (exceto em “Happy”), backing vocal, harmônica, guitarra nas faixas 5 e 16, tamborim na faixa 1 e percussão na faixa 4
Keith Richards: guitarras, backing vocal, violão, baixo nas faixas 4, 10 e 18, piano na faixa 13 e voz em “Happy
Charles Watts: bateria nas faixas 1-7, 9, 11-16 e 18; percussão na faixa 8
Bill Wyman: baixo nas faixas 1, 3, 6, 9, 12, 14-17
Mick Taylor: guitarra nas faixas 1, 3, 4, 12, 15-18, violão nas faixas 6 e 8, baixo nas faixas 5 e 7 e backing vocal na faixa 6

Nicky Hopkins: piano nas faixas 1, 2, 5, 7, 9, 11, 12, 14, 15 e 18; piano elétrico nas faixas 4, 10 e 13
Billy Preston: piano e órgão na faixa 17
Bobby Keys: sax tenor nas faixas 1-6, 9, 10, 12, 14 e 15 e maracas nas faixas 10 e 11
Jim Price: trompete nas faixas 1, 2, 5, 9, 10, 12, 14 e 15 e órgão na faixa 7
Ian Stewart: piano nas faixas 3, 6 e 16
Chris Shepard: tamborim na faixa 11
Jimmy Miller: percussão nas faixas 8, 9, 13 e 11 e bateria nas faixas 5, 10 e 17
Gram Parsons: backing vocal na faixa 6
Joe Green: backing vocal nas faixas 14 e 17
Clydie King e Venetta Fields: backing vocal nas faixas 5, 13, 14 e 17
Bill Plummer: Double bass nas faixas 2, 11, 13 e 15
Richard Washington: marimba na faixa 8
Al Perkins: pedal steel guitar na faixa 7

1. Rocks Off (Jagger / Richards)
2. Rip This Joint (Jagger / Richards)
3. Shake Your Hips (Harpo)
4. Casino Boogie (Jagger / Richards)
5. Tumbling Dice (Jagger / Richards)
6. Sweet Virginia (Jagger / Richards)
7. Torn And Frayed (Jagger / Richards)
8. Sweet Black Angel (Jagger / Richards)
9. Loving Cup (Jagger / Richards)
10. Happy (Jagger / Richards)
11. Turn On The Run (Jagger / Richards / Taylor)
12. Ventilator Blues (Jagger / Richards)
13. I Just Want To See His Face (Jagger / Richards)
14. Let Ir Loose (Jagger / Richards)
15. All Down The Line (Jagger / Richards)
16. Stop Breaking Down (Johnson)
17. Shine A Light (Jagger / Richards)
18. Soul Survivor (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

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Rolling Stones: 50 anos de “Between The Buttons”

“Between The Buttons”: clássico dos Rolling Stones lançado em 1967

Neste ano de 2017, dois discos dos Rolling Stones completam 50 anos de seu lançamento. Um deles é “Between The Buttons”, cuja versão britânica saiu em 20 de janeiro de 1967, enquanto a edição norte-americana foi lançada em 11 de fevereiro do mesmo ano. O outro álbum que completa cinco décadas é o clássico “Their Satanic Majesties Request” – mas é assunto para outra ocasião.

Produzido por Andrew Loog Oldham, o material foi lançado pela Decca Records/London Records e foi apresentado, na época, como continuidade do ousado “Aftermath”, de 1966.

O álbum foi gravado em dois estúdios, em Los Angeles durante o mês de agosto de 1966, e em Londres, em novembro do mesmo ano. O disco enlaça a época em que Mick Jagger e sua trupe estavam se movendo mais para o campo do art rock e se distanciando de suas raízes do R&B. Com o surgimento de álbuns como “Revolver”, dos Beatles, e “Blonde On Blonde”, de Bob Dylan, além do citado “Aftermath”, os parâmetros do rock haviam se expandido admiravelmente.

Quando começou a empresariar os Rolling Stones, Andrew Loog Oldham investiu em uma estratégia ousada: criar uma imagem de “banda rebelde” para concorrer com os Beatles a preferência do grande público. A tática principal era contrastar os jovens bem comportados e “bom-mocismo” dos Fab Four para fazer um contraponto. Assim, o empresário não apenas tolheu os excessos do quinteto, como até os favoreceu, por crer que, dessa forma, faria usar a forte imagem do grupo para fazer contraponto com os rapazes de Liverpool. Com o passar do tempo, a estratégia de produzir e tirar vantagem dos escarcéus se mostraria vitoriosa e decisiva para a carreira dos Stones, mesmo que, anos depois viesse a cobrar seu preço por meio das autoridades mais conservadoras. Décadas mais tarde, gente como Sex Pistols a Lady Gaga usufruíram dessa prática à perfeição.

Frases de efeito como “Você deixaria sua filha sair com um Stone?”, assim como fotos onde os músicos estavam travestidos como senhoras, ou mesmo como prostitutas, ou de Brian Jones trajado de nazista pisando uma boneca, além, é claro, de constantes flagrantes dos integrantes usando drogas e anfetaminas, acabaram solidificando a imagem da banda e tornando-os heróis de uma geração que questionava toda a sociedade conservadora que os acanhava. Mas do mesmo modo que estes escândalos e imagem favorecem o sucesso e a fama crescente dos Stones, também foi tornando-os os inimigos número um dos conservadores britânicos, americanos e do mundo em geral, o que logo começaria a atingir e prejudicar todos, em especial, Brian Jones.

O momento da gravação marca uso excessivo de drogas por parte dos membros da banda, especialmente alucinógenos como LSD. Na época, os jovens “rebeldes” acreditavam que o uso de psicotrópicos abriria a mente para novas ideias e expandiria seus limites. Quem mais foi afetado por esse excessivo estilo de vida, regrado a “viagens no ácido”, festas, sexo e rock foi também Brian, que tinha chegado ao seu auge musical e que só iria decair a partir daí.

Na época das gravações, as sessões sempre tinham presenças de amigos e affairs como Marianne Faithfull, Anita Pallenberg, Tony “Spanish” Sanchez, Jimi Hendrix, Michael Cooper (fotógrafo), além dos comediantes Peter Cook e Dudley Moore.

No disco, Brian Jones seguiu com os seus experimentos com instrumentos exóticos, como órgão e xilofone elétrico, vibrafone, acordeão, kazoo, marimba, theremin e cravo, enquanto Keith Richards se ocupou em um trabalho de guitarra distintivo em “My Obsession“, “Connection“, “All Sold Out“, “Please Go Home” e “Miss Amanda Jones“.

A sessão de fotos para a capa do álbum ocorreu em Primrose Hill, ao norte de Londres. Os Stones foram no carro de Andrew Oldham até o local e foram fotografados por Gered Mankowitz.

O álbum foi o primeiro feito pela banda enquanto não estava na estrada, contudo, foi no mesmo período de quando todos eles estavam perturbados pelo uso abusivo de drogas. Em “Between The Buttons”, há clássicos como “Let’s Spend The Night Together” (versão norte-americana), que foi escrita por Richards no piano, enquanto “Yerdarday’s Papers” foi a primeira canção que Mick Jagger escreveu sozinho para os Rolling Stones. Já a boa “Back Street Girl” é a “única canção decente do disco”, segundo o vocalista.

Assim como os demais discos dos Rolling Stones gravados antes de “Their Satanic Majesties Request”, “Between The Buttons” tem algumas diferenças entre as versões britânicas e norte-americanas. A edição lançada no Reino Unido foi lançada primeiro juntamente com o single “Let’s Spend The Night Together”/”Ruby Tuesday”. E, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, no mercado fonográfico bretão o single não aparece no álbum que, aliás, fora bem recebido pela crítica e pelo público, e alcançou a terceira posição das paradas da Grã-Bretanha.

Já a versão estadunidense do disco traz os dois temas lançados no single britânico nos lugares de “Back Street Girl” e “Please Go Home”, que seriam incluídas no lançamento norte-americano da coletânea “Flowers” (1967). Com “Ruby Tuesday” atingindo o topo das paradas nos EUA, “Between The Buttons” chegou ao segundo lugar das paradas daquele país, sendo disco de ouro.

O álbum foi o último produzido por Andrew Loog Oldham, cujas influências se faz mais presente aqui do que nos trabalhos anteriores, uma vez que ele adotou técnicas à lá Phil Spector em faixas como “Yesterday’s Papers”, “My Obsession” e “Complicated”.

Em agosto de 2002 as duas versões do play foram reeditadas em CD remasterizado e SACD digipak pela ABKCO Records. Em 2003, o álbum foi classificado na 355° posição na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

E, passados meio século de seu lançamento, “Between The Buttons” tornou-se um trabalho renegado para a banda, mas os críticos e os fãs agraciam as qualidades ecléticas do álbum.

Embora Mick Jagger não goste desse disco, Brian Wilson, do The Beach Boys, em 2011, em entrevista a série de vídeos “On The Record”, citou “Between The Buttons” como sendo seu disco favorito. Ou seja, pode não ser o melhor trabalho do quinteto, mas para quem curte “as pedras que rolam”, é um disco que merece atenção especial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Between The Buttons
Intérprete: Rolling Stones
Lançamento: 20 de janeiro de 1967 (Reino Unido) / 11 de fevereiro de 1967 (EUA)
Gravadora: Decca Records / London Records
Produtor: Andrew Loog Oldham

Mick Jagger: voz, percussão e gaita
Brian Jones: órgão, vibrafone, acordeão, gaita, gravador, percussão, kazoo, saxofone, xilofone, marimba, theremin, cravo e guitarra
Keith Richards: guitarra, vocal, baixo, piano, órgão e contrabaixo
Charlie Watts: bateria
Bill Wyman: baixo, percussão e contrabaixo

Jack Nitzsche: piano, cravo e percussão
Ian Stewart: piano e órgão

Versão britânica:
1. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
2. My Obsession (Jagger / Richards)
3. Back Street Girl (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. Please Go Home (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleepping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Versão norte-americana:
1. Let’s Spend The Night Together (Jagger / Richards)
2. Yesterday’s Papers (Jagger / Richards)
3. Ruby Tuesday (Jagger / Richards)
4. Connection (Jagger / Richards)
5. She Smiled Sweetly (Jagger / Richards)
6. Cool, Calm & Collected (Jagger / Richards)
7. All Sold Out (Jagger / Richards)
8. My Obsession (Jagger / Richards)
9. Who’s Been Sleeping Here? (Jagger / Richards)
10. Complicated (Jagger / Richards)
11. Miss Amanda Jones (Jagger / Richards)
12. Something Happened To Me Yesterday (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida