Black Sabbath: 15 anos de “Past Lives”

“Past Lives”: o ao vivo “caça-níquel” do Black Sabbath que completa 15 anos neste 20 de agosto

Hoje, domingo, 20 de agosto de 2017, o álbum “Past Lives” completa 15 anos de seu lançamento. O disco é um registro ao vivo do Black Sabbath, que fora produzido pela própria banda e lançada pelo Sanctuary Records, porém, gravado originalmente na década de 1970. O material alcançou a 114ª posição na Billboard 200.

Lançado como CD duplo, o play traz no primeiro disco um material já conhecido dos fãs, que trata-se do álbum lançado anteriormente de forma não-oficial conhecido como “Live At Last”, de 1980. Enquanto o CD dois consiste em gravações feitas para o rádio e a TV e que só estavam disponíveis em ‘bootlegs’.

No CD 1, as cinco primeiras faixas foram gravadas no Hardrock, em Manchester, em 11 de março de 1973, enquanto as quatro restantes foram captadas em uma performance do quarteto (Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward) no Rainbow Theatre, em Londres, a 16 de março de 1973.

Já no CD 2, os clássicos em “Hole In The Sky”, “Symptom Of The Universe” e “Megalomania” foram registradas no Asbury Park Convention Hall, no Asbury Park, em Nova Jersey, em 6 de agosto de 1975, e, finalmente, as demais foram gravadas no Olympia Theatre, em Paris, em 20 de dezembro de 1970.

E, duas curiosidades relacionadas a esse material: originalmente, o disco se chamaria “Live In 75”. Além disso, havia um boato na época de que o álbum teria uma versão legalizada do famoso “Paris 1970”, um dos mais famosos e de melhor qualidade ‘bootleg’ do Black Sabbath.

O disco “Past Lives” contém duas versões: a standard, que contém apenas as músicas e a limitada em embalagem digipack com um pôster e uma imagem de guitarra. Além disso, no encarte do CD de 2002, o texto foi escrito por Bruce Pilato, enquanto a versão deluxe, de 2010, o texto foi assinado por Alex Milas.

Embora apresentem versões matadoras do auge do Black Sabbath, é nítido que o disco é um verdadeiro caça-níquel. Isso é notório por conta da qualidade diferenciada de cada música. Até porque, como foi lançado em 2002, época em que os integrantes da formação clássica (principalmente Ozzy Osbourne) estavam preocupados em seus projetos, o Black Sabbath estava “de molho”. Momento mais que oportuno para lançar um material como este.

Mas para o deleite dos fãs da banda de Birmingham (e do Heavy Metal), os clássicos sabáticos estavam todos lá: “Tomorrow’s Dream”, “Sweet Leaf”, “Snowblind”, “Children Of The Grave”, “Paranoid”, “War Pigs”, entre outros, deixam qualquer material dessas bandinhas de hoje ‘no chinelo’. Destaque também para as surpreendentes “Cornucopia” e “Wicked World”. No CD 2, mais petardos que nos deixa mais revigorantes em escutá-los: “N.I.B.”, “Black Sabbath”, “Symptom Of The Universe”, “Iron Man”, “Fairies Wear Boots” e “Behind The Wall Of Sleep” sendo executados com a banda em plena forma. Com Ozzy errando as letras, Tony Iommi com a sua guitarra apresentando um desfiladeiro de riffs matadores e a cozinha de Bill Ward e Geezer Butler massacrante.

Apesar de trazer um encarte bem informativo, com muitas fotos interessantes, o material pode não conter nenhuma novidade, por exemplo, para quem já tenha o citado “Live At Last” e pior ainda se tiver algum “piratão” do Sabbath dos anos 1970 e que, em caso de triste coincidência, trazer essas mesmas faixas. Mas o produto ficou bem feito.

De fato, pode até ser um produto caça-níquel, lançado só para arrecadar dinheiro e o escambau. Mas só pelo fato de trazer uma performance arrasadora do Black Sabbath em seu auge já vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Past Lives
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 2017
Gravadora: Sanctuary
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz
Tony Iommi: guitarra
Geezer Butler: baixo
Bill Ward: bateria

CD 1:
1. Tomorrow’s Dream (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Sweet Leaf (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Killing Yourself To Live (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Cornucopia (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Snowblind (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Children Of The Grave (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Ward Pigs (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Wicked World (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Paranoid (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
CD 2:
1. Hand Of Doom (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Hole In The Sky (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Symptom Of The Universe (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Megalomania (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Iron Man (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Black Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. N.I.B. (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Behind The Wall Of Sleep (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Fairies Wear Boots (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

Morre Geoff Nicholls, tecladista do Black Sabbath

Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook
Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook

O tecladista britânico Geoff Nicholls morreu neste sábado (28), aos 68 anos, vítima de um câncer de pulmão. A informação foi dada pelo guitarrista Tony Iommi no Facebook.

Em sua página na citada rede social, o fundador do Black Sabbath disse: “Estou muito triste de ouvir da perda de um dos meus amigos mais queridos e próximos, Geoff Nicholls“, escreveu, e continuou: “Ele tem sofrido faz um tempo com câncer de pulmão e ele perdeu a batalha hoje cedo. Geoff e eu sempre temos sido muito próximos e ele tem sido um amigo de verdade para mim e tem me apoiado por quase 40 anos. Eu sentirei muito a falta dele e ele viverá no meu coração até nos encontrarmos de novo. Descanse em paz meu caro amigo.“.

Quem também compartilhou os pêsames pela morte do músico foi o baixista Geezer Butler, que escreveu: “muito triste de ouvir da morte do velho amigo e tecladista do Sabbath, Geoff Nicholls. RIP Geoff.“.

Já Ozzy Osbourne referiu-se a Nicholls como “grande amigo” e acrescentou, em um post no Twitter, que (Geoff) deixará saudades.

Assim como o quarteto fundador do Black Sabbath, Geoff nasceu em Birmingham a 28 de fevereiro de 1948 com o nome de Geoffrey James Nicholls, e, nos anos 1970 tocou guitarra e teclados na banda Quartz, cujo primeiro álbum lançado em 1977 teve a produção de Tony Iommi.

Pelo Black Sabbath, Geoff trabalhou no período mais caótico do grupo: quando Ozzy foi demitido e Butler saiu temporariamente da banda e, com isso, foi contratado como baixista. Todavia, com a volta de Geezer foi deslocado para os teclados e, com Ronnie James Dio no lugar do Madman, fez sua estreia na banda com o álbum “Heaven And Hell” (1980). Inclusive, o baixo gravado no play foi tocado por ele.

Durante a década de 1980, enquanto o Black Sabbath vivia uma verdadeira “casa da mãe Joana” com constantes mudanças na formação, Geoff Nicholls permaneceu fiel a Tony Iommi e permaneceu prestando seus serviços à banda e, com isso, foi promovido a integrante do grupo e gravou os álbuns “Seventh Star” (1986), “The Eternal Idol” (1987), “Headless Cross” (1989) e “Tyr” (1990). como membro oficial.

Todavia, na década de 1990 foi demovido em duas ocasiões: durante a volta de Ronnie James Dio, em 1992, e o retorno de Ozzy Osbourne, em 1997. Assim, voltou a ocupar a função de músico contratado. E, em 2004, com a chegada de Adam Wakeman (o filho “do homem”), tecladista da banda solo de Ozzy, seu ciclo com o Black Sabbath chegara ao fim. Inclusive, o seu substituto no Heaven And Hell foi Scott Warren, do Dio.

Depois de sua partida, ele trabalhou com outro ex-integrante do Black Sabbath, o vocalista Tony Martin, em sua banda Headless Cross, que levou o nome do álbum do Sabbath que saiu em 1989.

Além disso, Geoff Nicholls trabalhou no álbum “The 1996 DEP Sessions” (2004), de Tony Iommi e Glenn Hughes. Além dele, o atual Deep Purple Don Airey também tocou teclados no disco.

Obrigado Geoff Nicholls pelos serviços prestados ao Heavy Metal. Você foi primordial no lançamento de obras-primas como “Heaven And Hell” (1980) e “Born Again” (1983). Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

Resenha da biografia de Tony Iommi

Capa da autobiografia de Tony Iommi
Capa da autobiografia de Tony Iommi

Em 2012, o lendário guitarrista Tony Iommi lançou a sua biografia intitulada “Iron Man – My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath”. A versão em português da obra chegou às livrarias do Brasil no ano seguinte com o título “Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath” e lançada pela Editora Planeta. O livro teve a coautoria de T.J. Lammers e traz em 400 páginas em 90 capítulos a vida e obra de um dos mais importantes guitarristas de todos os tempos.

No livro, Tony começa a contar a sua infância difícil na cidade de Birmingham e menciona que seu pai e sua avó nasceram no Brasil. Assim como a maioria dos músicos relata episódios da adolescência, o contato com o rock e as bandas das quais fez parte antes do estrelato.

Porém, foi no começo da vida adulta que a sua vida (e a do Heavy Metal também) mudou. Iommi trabalhava em uma metalúrgica enquanto era integrante da banda Mythology – da qual Bill Ward também fazia parte -, e no último dia do expediente ele trabalhava em uma prensa no lugar de uma colega que havia faltado. Num momento de distração colocou a mão direita nmáquina e puxou de volta como reflexo de retração, decepando a façange distal dos dedos do meio e anelar. Por ser canhoto, a mão acidente era a que ele utilizar para articular as notas no braço da guitarra e, por conta do acidente, os médicos o aconselharam a seguir a carreira musical. Mas o jovem Tony encontrou motivação ao ouvir o guitarrista belga de jazz Django Reinhardt, que tocava apenas utilizando os dedos indicador e médio. O que o motivou a continuar na música e, para seguir adiante, fez uns encaixes improvisados de plásticos derretido nas pontas dos dedos para poder tocar. Por conta disso, passou a tocar de um jeito que não o prejudicasse e, sem querer, criou um estilo único de tocar.

Na autobiografia, Tony Iommi abordou a criação do Black Sabbath juntamente com Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. O início de tudo, em 1968, e, consequentemente, as turnês insanas, as loucuras feitas pelos quatro, a criação das músicas, as brigas entre os músicos, as idas e vindas dos componentes do Black Sabbath – ele é o único que ficou na banda desde o seu início até hoje – os problemas financeiros com empresários e os impostos e, claro, as bebidas e as drogas.

Paralelamente à carreira com a banda, Iommi também relata os casamentos e relacionamentos frustrados, assim como a dificuldade em conseguir ficar com a filha Tony-Marie por conta das questões judiciais envolvendo a ex-mulher.

Os pontos altos da obra são as histórias malucas feitas pelos músicos nos hoteis, as brincadeiras (principalmente as que envolveram Bill Ward, o principal alvo dos demais integrantes), o vício de Tony pela cocaína, que lhe fez perder muitas coisas (no aspecto financeiro e amoroso) e como conduziu o Black Sabbath desde a saída de Ozzy Osbourne, em 1979, trabalhando com inúmeros músicos, como Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes, Cozy Powell, Tony Martin, Ray Gillen, entre outros.

Em “Iron Man…”, Tony Iommi mostra porquê é considerado o “pai do Heavy Metal” e justifica a alcunha de “riff master”. Uma autêntica biografia de Rock ‘N’ Roll que deve ser lida e relida. Essencial para os apreciadores da música pesada.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath
Autor: Tony Iommi (com T.J. Lammers)
Editora: Planeta
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Número de páginas: 400
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 40 anos de “Sabotage”

"Sabotage": ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath
“Sabotage”: ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath

Já que o Black Sabbath foi tema no post anterior, continuamos a abordar a banda de Birmingham. Dessa vez para relembrar os 40 anos de “Sabotage”, o sexto trabalho do grupo, que no último dia 28 de julho de 1975 nos Estados Unidos e em agosto no Reino Unido. Gravado entre fevereiro e março de 1975 no Morgan Studios, em Londres, o play foi co-produzido entre a banda e Mike Butcher.

O disco foi gravado em meio ao litígio envolvendo a banda e o ex-empresário Patrick Meehan, o que inspirou o título do álbum (não é preciso traduzir o significado, não é mesmo?) que, segundo os integrantes, estavam sendo roubados por quem gerenciava a carreira do grupo.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, “Sabotage” apresenta sonoridades bem variadas, que mistura o som original da banda com elementos progressivos e pitadas de pop rock.

As sessões de gravação normalmente aconteciam no meio da noite com Tony Iommi estava trabalhando realmente duro e ele estava gastando muito tempo trabalhando seus sons de guitarra. Ozzy Osbourne, no entanto, foi ficando cada vez mais frustrado com a forma de como os álbuns do Sabbath estavam ficando e relatou em sua autobiografia que “Sabotage levou cerca de quatro mil anos“.

O play abre com a clássica “Hole In The Sky” em que Tony Iommi aparece do nada com um daqueles riffs poderosos após alguns segundos de silêncio no começo da música. Em seguida aparece o curto interlúdio instrumental “Don’t Start (Too Late)“, e dependendo do que você estiver fazendo enquanto o disco toca, talvez, nem perceba a sua presença, já que ela tem menos de um minuto de duração e que foi gravada em um volume baixo. Posteriormente surge aquela que considero a melhor faixa do álbum: a incrível “Sympton Of The Universe“, que vem com Iommi destruindo tudo com o seu riff marcante e a “cozinha” de Ward e Butler dando aquele suporte naquela que pode ser considerada uma das precursoras do Trash Metal (por quê não?). O play chega a sua metade com “Megalomania“, com sua característica progressiva e que traz a participção de Gerald “Jezz” Woodruffe nos teclados. Ela é marcada pelas mudanças de ritmo e andamento, mas sem deixar de lado o peso nos incríveis arranjos. São quase dez minutos de pura “obra de arte”.

O psicodelismo marca presença em “The Thrill Of It All“, o quinto tema do álbum, que é caracterizado pelas mudanças de andamento e “feeling”. E, sem deixar a peteca cair, os caras mandam muito bem com a instrumental “Supertzar”, que apresenta harmonias geniosas e é conduzida por coros ao estilo gregoriano feito pela The London Chamber Choir. A penúltima faixa é “Am I Going Insane (Radio)“, que mantém a característica setentista da sonoridade da banda. Aliás, nesta o termo “(Radio)” levou muita gente a acreditar que se trataria de uma versão com corte ou uma versão exclusiva para rádios, mas essa é a única versão existente. No entanto, o termo – originalmente é “radio-rental” é uma gíria para “mental” (coisa de ingleses). E, para finalizar o disco, “The Writ“, cuja letra foi inspirada pelas frustrações de Ozzy com o ex-empresário Meehan, que processou a banda por ter sido despedido. A música ataca os negócios no mundo da música em geral.

Apesar de ser considerado um grande disco, particularmente acredito que trata-se do último grande disco da era-Ozzy, a capa de “Sabotage” é uma das mais bizarras da história do rock. O conceito do espelho invertido foi concebido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era artista gráfico. A princípio, a ideia original era que banda aparecesse na capa vestida de preto, todavia, não havia combinado as roupas que vestiriam no dia. Ou seja, o conceito original sucumbiu e, assim, a “sabotagem” que seria referente ao ex-empresário acabou saindo pela culatra, logo, a banda foi “vítima” da própria armadilha.

Apesar da ‘tosquice’ da capa, o disco é ótimo do começo ao fim. Ouça sem medo e, neste caso, vale a pena ignorar o famoso conceito de “julgar o disco pela capa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabotage
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 27 de julho de 1975
Gravadora: Warner Bros. (EUA) / Vertigo (Reino Unido)
Produtores: Black Sabbath e Mike Butcher

Tony Iommi: guitarra, piano, sintetizador e órgão
Geezer Butler: baixo
Ozzy Osbourne: voz
Bill Ward: bateria

Will Mallone: arranjos para The English Chamber Choir em “Supertzar

1. Hole in the Sky (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
2. Don’t Start (Too Late) (instrumental) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
3. Symptom of the Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
4. Megalomania (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
5. The Thrill Of It All (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
6. Supertzar (instrumental com coral) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
7. Am I Going Insane (Radio) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
8. The Writ (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Tyr”

"Tyr": o melhor disco do Black Sabbath da era Martin
“Tyr”: o melhor disco do Black Sabbath da era Martin

Já que Ronnie James Dio foi destaque no texto anterior, dessa vez vamos falar a respeito da banda da qual ele fez parte, o Black Sabbath, em especial sobre os 25 anos do lançamento de um álbum em que o saudoso vocalista não fazia parte da line-up, o bom “Tyr”, que traz os vocais de Tony Martin.

Lançado no dia 20 de agosto de 1990 pela I.R.S., o álbum foi gravado no Rockfield Studios, no País de Gales, e no Woodcray Studios, em Berkshire, no sudeste da Inglaterra, entre fevereiro e junho de 1990, “Tyr” é o 15º trabalho de estúdio do Black Sabbath. Aliás, a produção do material é da própria banda.

Mesmo com vendagens relativamente boas e ter alcançado o 24º posto nos charts britânicos, o disco recebeu críticas mistas, pois, alguns alegaram que a bateria de Cozy Powell “abafou” a maioria dos outros instrumentos, enquanto outros elogiaram porque, de acordo com eles, é um dos trabalhos mais pesados do Black Sabbath, e o que mais tem o uso acentuado dos teclados de Geoff Nicholls. No entanto, o grupo precisou cancelar algumas apresentações em virtude da baixa procura de ingressos durante a turnê e, além disso, pela primeira vez, o ciclo de turnês da banda não incluiu datas nos Estados Unidos.

Apesar do título do disco e de algumas canções que fazem alusões à mitologia nórdica, o que levou muitos a acreditarem que “Tyr” (o nome é uma referência ao filho de Odin, principal deus da mitologia nórdica) fosse um álbum conceitual, o baixista Neil Murray, que participou das gravações, afirmou em 2005 que muitos temas podem estar vagamente relacionados, mas são poucas que têm alguma relação à mitologia.

O disco abre com “Anno Mundi (The Vision)“, que tem a sua letra apocalíptica aliada perfeitamente ao belo arranjo. Nela, Tony Martin canta muito e Cozy faz suas peraltices. É a melhor música da era Martin.

Em seguida vem “The Law Maker“, que é mais acelerada. Em “Jerusalém“, o ritmo cadenciado ajuda a mantê-la pesada. Já o quarto tema é “The Sabbath Stones“, que mostra porquê Cozy Powell foi um dos melhores bateristas da história do Heavy Metal.

A parte “nórdica” do disco aparece com a instrumental “The Battle Of Tyr“, enquanto “Odin’s Court“, traz um violão dedilhado acompanhado do vocal primordialmente falado por Martin, e “Valhalla“, que tem peso e outra excelente atuação de Powell.

A banda declarou que, embora eles não reneguem, a música “Feels Good To Me” foi colocada no álbum exclusivamente para ser lançada como um single, pois ela não se encaixa musicalmente com o resto do álbum. Mas isso não quer dizer que a faixa seja ruim, ao contrário, ela é boa.

E, para finalizar, a czariana “Heaven In Black“, cujo enredo comprova que o disco não é conceitual, afinal, czar não tem nada a ver com mitologia nórdica, certo? Destaque para a introdução da bateria de Cozy Powell (olha ele aí de novo!).

A foto da capa foi tirada nas ruínas de Rök Runestone, na Suécia, e, na verdade, elas representam as letras TMR, e não TYR, como é entendido.

Aliás, em algumas apresentações da parte europeia da turnê de “Tyr”, Ian Gillan, Brian May e Geezer Butler fizeram participações especiais, sendo que, inclusive, os dois últimos apareceram durante o bis de um show realizado em 8 de setembro de 1990, no lendário Hammersmith Odeon, em Londres.

Posteriormente à fase “Tyr”, a única música que entrou no setlist do Sabbath na era Martin foi “Anno Mundi (The Vision)”, que pode ser conferida no VHS e DVD “Cross Purposes Live”. Além disso, Tony Martin regravou “Jerusalém” em seu álbum solo lançado em 1992 – “Back Where I Belong”.

E, por incrível que pareça, a formação que gravou “Tyr” foi a mesma que lançou “Forbidden” (1995), que considero como o “pior disco do Black Sabbath”.

Para quem gosta de Heavy Metal, esse disco é uma boa pedida. Mas, acredito, que “Tyr” é o melhor trabalho feito pelo grupo de Birmingham com os vocais de Tony Martin. Afinal, o Sabbath é sempre uma influência no Metal, mesmo que esteja em uma fase menos áurea, se é que podemos definir assim, e aqui não foi diferente: o frontman da banda de viking metal feroica Týr, Heri Joensen, declarou que, além da temática nórdica, o disco e o logotipo influenciaram na escolha do nome da banda.

Então, deixe de frescura com esse negócio de que “Black Sabbath só é com Ozzy” e ouça esse bom disco de Heavy Metal, até porque, todos os ingredientes têm nele, especialmente o peso e, além disso, tem Tony Iommi e Cozy Powell.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Tyr
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 1990
Gravadora: I.R.S.
Produtor: Black Sabbath

Tony Iommi: guitarra e violão
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Neil Murray: baixo
Geoff Nicholls: teclados

1. Anno Mundi (The Vision) (Martin / Black Sabbath)
2. The Law Maker (Martin / Black Sabbath)
3. Jerusalem (Martin / Black Sabbath)
4. The Sabbath Stones (Martin / Black Sabbath)
5. The Battle Of Tyr (instrumental) (Martin / Black Sabbath)
6. Odin’s Court (Martin / Black Sabbath)
7. Valhalla (Martin / Black Sabbath)
8. Feels Good To Me (Martin / Black Sabbath)
9. Heaven In Black (Martin / Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Headless Cross”

Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell
Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell

Nesse mês de abril, o álbum “Headless Cross”, do Black Sabbath, completa 25 anos de seu lançamento. O disco é o 14º trabalho lançado pela banda de Birmingham. E foi o primeiro a ser lançado pela I.R.S. Records. A produção foi assinada por Tony Iommi e pelo lendário Cozy Powell, que tocou bateria no disco.

E como já era de praxe no Black Sabbath nos anos 1980, Tony Iommi mais uma vez teve que se “virar nos 30” e remontar a line-up de sua banda. A primeira medida do guitarrista foi contactar o baterista britânico Cozy Powell, famoso por trabalhar em bandas como Jeff Beck, Rainbow, MSG e Whitesnake, para entrar no grupo. O baterista não só aceitou o convite como se juntou a Iommi para escrever os temas do disco. Ao mesmo tempo, Tony estava à procura de outros vocalistas, mas foi convencido por Powell a permanecer com Martin.

Assim, o trio Iommi-Powell-Martin tiveram a seu favor os serviços de Laurence Cottle, que tocou baixo nas sessões, porém, não foi creditado como membro oficial da banda. E também do inseparável (e oculto) Geoff Nicholls nos teclados. Dessa forma, o Black Sabbath gravou “Headless Cross” entre agosto e novembro de 1988 em três estúdios, todos ingleses: o The Soundmill, em Leeds; o Woodcray, em Berkshire e o Amazon, em Liverpool.

Apesar de ter participado das gravações e ainda ter aparecido no videoclipe da faixa-título, Cottle não participou das fotos de divulgação do novo trabalho. Além disso, para a turnê, o line-up foi completado pelo baixista Neil Murray (ex-Whitesnake).

Diferentemente dos trabalhos anteriores, onde uma ou outra música abordava temas ocultos ou satânicos, “Headless Cross” é predominantemente dominado por assuntos dessa natureza. E, coincidentemente, o disco foi muito elogiado por fãs e críticos, que o consideravam o melhor trabalho lançado pelo Black Sabbath em anos. Particularmente, atribuo o álbum como o melhor da fase em que Tony Martin esteve na banda.

O álbum abre com a instrumental “The Gates Of Hell”, que serviu de aperitivo para o que estava por vir e deixar bem nítido o lado sombrio da coisa. Na sequência, a ótima faixa-título em que Cozy Powell detona tudo no pedal duplo e Iommi não fica atrás com seus riffs certeiros. O terceiro tema é “Devil & Daughter”, que tem os teclados de Nicholls como principal destaque. Curiosamente, no ano anterior, Ozzy Osbourne em seu “No Rest For The Wicked” havia lançado uma música com o nome semelhante – “Devil’s Daughter”. O álbum chega a sua metade com a lenta e pesada “When Death Calls”, que traz uma bela introdução de Geoff Nicholls e tem a participação especial de Brian May, guitarrista do Queen, que ficou encarregado de fazer o solo da canção.

O disco segue com “Kill In The Spirit World”, que ganha destaque por conta do (mais um) excelente solo de Iommi. Em “Call Of The Wind”, a sexta faixa, Tony Martin canta muito. Essa música, inicialmente, era intitulada como “Hero”, mas Ozzy já havia gravado uma música homônima em seu disco lançado no ano anterior. O penúltimo tema de “Headless Cross” é “Black Moon”, que ficou de fora de “The Eternal Idol” e, aqui, ganhou novos arranjos e foi devidamente reaproveitada. E, para finalizar, “Nightwing”, que serviu para comprovar o quanto Cozy Powell estava certo ao convencer Iommi a manter Tony Martin.

De acordo com os créditos que constam no LP, a capa do álbum foi assinada por Kevin Wimlett. A capa da versão britânica (que é a mais conhecida) apresenta a imagem em preto e branco, enquanto a versão alemã foi acrescida de cores.

Curiosamente, Brian May, grande amigo de Iommi, foi o único músico convidado a tocar guitarra em um disco do Black Sabbath.

Esse trabalho é ideal para quem quer conhecer o universo sabático com Tony Martin. Uma vez que a maioria toma conhecimento da banda através dos álbuns gravados com Ozzy, depois os feitos com Ronnie James Dio e, talvez, com “Born Again”, o único gravado com Ian Gillan, para aí sim se interessar pela fase Martin. “Headless Cross” pode até não ser o melhor álbum do Sabbath, mas certamente é o melhor de sua fase. O play é um ótimo registro para comprovar que o Black Sabbath não viveu, dependeu e precisou unicamente e exclusivamente de Ozzy Osbourne. E ainda, por questão de justiça, é mais uma prova de que Tony Iommi é quem deveria exercer os direitos da marca Black Sabbath por nunca ter deixado de acreditar na sua banda.

Abaixo a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Headless Cross
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: abril de 1989
Gravadora: I.R.S. Records
Produtores: Tony Iommi e Cozy Powell

Tony Iommi: guitarra
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Geoff Nicholls: teclados

Laurence Cottle: baixo
Brian May: solo de guitarra em “When Death Calls

1. The Gates Of Hell (instrumental) (Black Sabbath)
2. Headless Cross (Martin / Iommi / Powell)
3. Devil & Daughter (Martin / Iommi / Powell)
4. When Death Calls (Black Sabbath)
5. Kill In The Spirit World (Black Sabbath)
6. Call Of The Wild (Black Sabbath)
7. Black Moon (Black Sabbath)
8. Nightwing (Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 20 anos de “Cross Purposes”

"Cross Purposes": o único trabalho lançado com Butler/Iommi/Martin/Rondinelli/Nichols
“Cross Purposes”: o único trabalho do Black Sabbath lançado com Butler / Iommi / Martin / Rondinelli / Nichols

O décimo sétimo álbum do Black Sabbath, “Cross Purposes”, completa hoje 20 anos de seu lançamento. Produzido por Leif Mases e pela própria banda, o disco foi gravado ao longo de 1993 no Mannow Valey Studios, no País de Gales. A versão norte-americana foi lançada em 8 de fevereiro de 1994.

Depois do desentendimento envolvendo Ronnie James Dio no Costa Mesa, em 1992, o vocalista saiu e levou o baterista Vinny Appice. Então, restou a Tony Iommi e Geezer Butler recrutarem Tony Martin (de novo) e o ex-baterista do Rainbow Bobby Rondinelli, que gravou apenas esse álbum com a banda. E também foi o último registro de Butler antes da “Reunion Tour”, em 1998.

Assim como em “Seventh Star”, trabalho de 1986, “Cross Purposes” era para ser um projeto solo de Iommi, mas também com a assinatura de Butler dessa vez, mas, por pressão da gravadora, foi lançado sob o nome de Black Sabbath.

O registro chegou a 41ª. posição nos charts britânicos e na 122ª. colocação da Billboard 200. A turnê de promoção do álbum começou em fevereiro e teve como bandas de apoio o Morbid Angel e o Motörhead nos EUA. No concerto realizado no Hammersmith Apollo, em 13 de abril de 1994, a banda filmou a apresentação para, posteriormente, lançar em VHS acompanhado por um CD, o intitulado “Cross Purposes Live” (se alguém souber onde tem esse material para vender, por favor, me avise). Após a turnê europeia, que teve as bandas Cathedral e Godspeed de abertura, em junho de 1994, Bobby Rondinelli saiu e foi substituído por Bill Ward. Assim, ¾ da formação original do Black Sabbath ficou reunida e realizaram cinco apresentações na América do Sul, inclusive no Monsters Of Rock, em 1994, em São Paulo. Aliás, a performance de Ward na ocasião foi um desastre. Fora de forma, o baterista nem de longe lembrava aquele monstro dos primeiros anos dos caras. E Bill tocando temas de outras formações do Sabbath, mais especificamente a fase Tony Martin, era como o Peter Criss tocando músicas da fase Eric Carr no Kiss.

E, como já era de praxe no Sabbath (as constantes trocas de integrantes), Ward e Butler deixaram o grupo mais uma vez e foram substituídos por Cozy Powell e Neil Murray, respectivamente, ou seja, a mesma line-up de “Tyr” (1990) – Iommi, Martin, Powell e Murray – se reuniu novamente para gravar o horrendo “Forbidden” (1995).

Quanto às músicas, alguns temas trazem vagas lembranças dos primeiros anos da banda, como “Virtual Death”, “Evil Eye” e “Immaculate Deception”. Enquanto outras como “I Witness” e “Psychophobia” reúnem peso e rapidez. Já a excelente “Cross Of Thorns” foi o carro-chefe do álbum. Também pudera, foi uma das melhores interpretações de Martin no Sabbath (particularmente, acho só perde para “Anno Mundi”, de “Tyr”), além da ótima letra, que aborda os conflitos religiosos na Irlanda. Outra boa pedida de “Cross Purposes” é “The Hand That Rocks The Cradle” que, apesar de não ter sido tocada durante a turnê, teve um vídeo promocional em preto e branco. As demais faixas possuem o padrão Tony Martin no Sabbath: grandes riffs e vocais bem elaborados.

Vale lembrar que “Evil Eye” teve a colaboração de Eddie Van Halen, porém, o guitarrista não foi creditado por conta de questões contratuais vinculados à sua gravadora, a Warner Bros. Além disso, a versão japonesa do play traz a faixa “What’s The Use” como bônus.

E a capa de “Cross Purposes”, que traz um anjo com as asas em chamas, é a mesma do single “Send Me An Angel” (1991), lançada pelos alemães do Scorpions.

Evidentemente que esse trabalho do Black Sabbath com Tony Martin não pode ser comparado ao “Vol. 4”, “Heaven And Hell” ou “Born Again”. Até porque “Cross Purposes” não lembra em nada esses clássicos, mas tem as suas qualidades. Há quem diga que é o melhor registro de Martin na banda, embora eu considere que “Tyr” seja o seu ápice na banda de Birmingham.

A questão é que muitos ignoram essa fase do grupo. Parece que depois de “Born Again”, o Black Sabbath lançou o “Dehumanizer”. E outra coisa que desfavorece Tony Martin. Apesar de ser um excelente vocalista nos estúdios, a sua falta de carisma no palco deixou os fãs mais saudosos das fases Ozzy e Dio.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Cross Purposes
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 31 de janeiro de 1994 (edição britânica) / 8 de fevereiro de 1994 (edição norte-americana)
Gravadora: I.R.S. Records
Produtores: Leif Mases e Black Sabbath

Tony Iommi: guitarra
Tony Martin: voz
Geezer Butler: baixo
Bobby Rondinelli: bateria
Geoff Nichols: teclados

1. I Witness (Butler / Iommi / Martin)
2. Cross Of Thorns (Butler / Iommi / Martin)
3. Psychophobia (Butler / Iommi / Martin)
4. Virtual Death (Butler / Iommi / Martin)
5. Immaculate Deception (Butler / Iommi / Martin)
6. Dying For Love (Butler / Iommi / Martin)
7. Back To Eden (Butler / Iommi / Martin)
8. The Hand That Rocks The Cradle (Butler / Iommi / Martin)
9. Cardinal Sin (Butler / Iommi / Martin)
10. Evil Eye (Butler / Iommi / Martin / Eddie Van Halen*)
Faixa bônus (edição japonesa):
11. What’s The Use (Butler / Iommi / Martin)
* Autor não creditado

Por Jorge Almeida