Titãs: 15 anos de “Como Estão Vocês?”

“Como Estão Vocês?”, o primeiro álbum dos Titãs como quinteto

Neste mês de novembro, o álbum “Como Estão Vocês?”, o décimo primeiro disco de estúdio dos Titãs completa 15 anos de seu lançamento. Produzido pela banda em parceria com Liminha, o trabalho foi gravado na Unidade Móvel Nas Nuvens, no Rio de Janeiro e lançado pela BMG. O registro foi o primeiro do grupo paulista sem a presença do ex-baixista/vocalista Nando Reis.

Depois da trágica morte de Marcelo Fromer em junho de 2001, os Titãs lançaram “A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana” meses depois, no mesmo ano, com algumas ideias do falecido guitarrista sendo aproveitada pela banda. E, no ano seguinte, o grupo que, de septeto passou a ser sexteto, sofreu uma nova baixa. Abalado pelas mortes de Fromer e de sua amiga Cássia Eller, morta também em 2001, Nando Reis resolveu deixar os Titãs para se dedicar à carreira solo. Assim, os Titãs foram reduzidos a um quinteto. Para preencher a vaga de Nando, os remanescentes optaram em recrutar o experiente Lee Marcucci para assumir as quatro cordas, mas na condição de músico contratado, assim como Emerson Villani, que ficou no posto de guitarrista para, assim, os demais se dedicarem às interpretações individuais, uma vez que tanto Paulo Miklos quanto Branco Mello já foram baixistas nos “primórdios” da banda.

O disco abre com a faixa que dá nome à obra. Um rock seco, uma faixa com o instrumental e arranjos vocais titânicos. Paulo Miklos parece que quer mandar o recado para alguém, mas também deixa claro para a mídia e os fãs que, apesar das baixas na formação, eles “estão muito bem”. Enquanto isso, a agradável “Você É Minha” é um rock simples e bem cantado por Sérgio Britto. O terceiro tema é “Gina Superstar”, que Branco Mello interpreta maravilhosamente bem, além de ser bem tocada e remete aos tempos de “Televisão” (1985). Na sequência, a pegada rock do disco deu uma diminuída com “KGB”, com uma ótima letra e interpretação idem de Paulo Miklos. Posteriormente, em “Livres Para Escolher” lembra vagamente o pop básico do álbum “Domingo” (1995), mas o seu destaque fica creditado ao bom arranjo vocal. A sexta faixa é a sensacional “Eu Não Sou Um Bom Lugar”, que foi o primeiro single. Cantada por Branco Mello, a batida da bateria após o refrão lembra “Cretin Hop”, dos Ramones. Já em “Pra Você Ficar”, a autoria é de Tony Bellotto, que deixa nítido de como os Titãs estavam mais unidos do que nunca. O play segue com a “irmã” de “Epitáfio”: “Enquanto Houver Sol”, uma balada sensacional cantada e escrita por Sérgio Britto que fala sobre esperança. A música foi incluída na trilha sonora da novela global “Celebridade” (2003), que tinha Malu Mader, esposa de Tony Bellotto, como protagonista.

A outra metade de “Como Estão Vocês?” segue com “Esperando Para Atravessar A Rua”, faixa feita em parceria com o eterno parceiro Arnaldo Antunes e aborda sobre algo bem corriqueiro do cotidiano: a espera do sinal vermelho aparecer para poder atravessar a rua. Inclusive, no material multimídia do álbum, há um vídeo de alguns dos Titãs reunidos com Arnaldo cantando a música e Antunes até cai da cadeira. O décimo tema é “Provas de Amor”, uma baladinha cantada por Miklos que fala como o amor é abordado nos dias de hoje. Na época, a faixa tocou razoavelmente nas rádios. Posteriormente, Branco Mello dá as caras com “Ser Estranho”, uma boa música cuja parte da letra flerta um pouco com “Gitã”, de Raul Seixas: “Eu sou essa coisa louca / Eu sou esse ser estranho / Eu sou esse disco voador…”. O disco traz na sequência uma dobradinha cantada por Sérgio Britto: “Vou Duvidar”, um rock básico que dá para agitar, e a intensa “Pelo Avesso”. A penúltima faixa é “A Guerra É Aqui”, bem interpretada por Branco e que fala sobre violência, uma música bem atual, por sinal. A obra termina com uma homenagem a Marcelo Fromer com “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal“. A letra é legal e lembra outra paixão do guitarrista: a culinária, mas a música é terrivelmente chata.

A capa do álbum foi criada por Rogério Duarte. O CD ainda contém um material multimídia que, visualizadas no computador, dá para conferir fotos, trechos dos ensaios e das gravações.

Em “Como Estão Vocês?”, os Titãs fizeram mais uma vez jus ao seu nome e brindaram os fãs com um bom disco de pop-rock. Não está nos quilates de um “Cabeça Dinossauro” (1986) ou “Õ Blésq Blom” (1989), mas está ali no mesmo patamar dos citados “Televisão” e “Domingo”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Como Estão Vocês?
Intérprete: Titãs
Lançamento: novembro de 2003
Gravadora: BMG
Produtores: Liminha e Titãs

Branco Mello: voz e backing vocal
Paulo Miklos: voz e backing vocal
Sérgio Britto: voz, backing vocal, piano, piano elétrico em “KGB”, teclados, Hammond e Moog em “Provas de Amor
Tony Bellotto: guitarra, violão e guitarra de doze cordas
Charles Gavin: bateria, exceto em “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal

Emerson Villani: guitarra, guitarra de doze cordas em “KGB”, violão e guitarra barítono
Lee Marcucci: baixo
Marco Lobo: percussão
Liminha: guitarra e dobro com EBow em “Enquanto Houver Sol“; baixo acústico na introdução de “Pelo Avesso

1. Nós Estamos Bem (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Você É Minha (Sérgio Britto/Charles Gavin/Branco Mello/Tony Bellotto/Paulo Miklos)
3. Gina Superstar (Branco Mello / Tony Bellotto)
4. KGB (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
5. Livres Para Escolher (Sérgio Britto / Tony Bellotto)
6. Eu Não Sou Um Bom Lugar (Tony Bellotto / Branco Mello)
7. Pra Você Ficar (Tony Bellotto)
8. Enquanto Houver Sol (Sérgio Britto)
9. Esperando Para Atravessar A Rua (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Tony Bellotto)
10. Provas de Amor (Paulo Miklos)
11. Ser Estranho (Tony Bellotto / Branco Mello)
12. Vou Duvidar (Sérgio Britto)
13. Pelo Avesso (Sérgio Britto)
14. A Guerra É Aqui (Paulo Miklos/Branco Mello/Tony Bellotto/Charles Gavin)
15. As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal (Tony Bellotto / Paulo Miklos)

Por Jorge Almeida

Anúncios

Show da Ópera Rock “Doze Flores Amarelas”, dos Titãs, no Sesc Pinheiros (13.04.2018)

Titãs no palco do Sesc Pinheiros tocando a Ópera Rock “Doze Flores Amarelas”. Foto: Mariana Pekin/UOL

Os Titãs realizaram na noite sexta-feira (13), a segunda das quatro apresentações programadas no Sesc Pinheiros. A banda estreou em solo paulistano a turnê de seu mais novo projeto: a Ópera Rock “Doze Flores Amarelas”, cuja forte abordagem narra a história de três estudantes – todas chamadas Maria -, que são violentadas por cinco colegas em uma festa organizada via aplicativo (na peça chamado de “Facilitador”).

Além dos remanescentes da formação original (Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto), e dos músicos contratados Mário Fabre e Beto Lee, completam a formação do espetáculo as cantoras/atrizes Cyntia Mendes, Corina Sebbas e Yas Werneck.

Com os ingressos esgotados, a banda entrou no palco às 21h10 e, ao longo de uma hora e meia de apresentação, tocaram 25 temas do novo álbum que é praticamente pioneiro em se tratando de bandas de rock no Brasil. Entre as músicas, uma colaboração de Rita Lee, que fez a narração entre algumas canções, além de Alexandre Bamba e Tadeu Pinheiro, que deram vozes aos rapazes da trama.

O show é divido em três atos: no primeiro, a apresentação das jovens, o aplicativo “Facilitador”, que também é o nome de uma das músicas do musical, e a festa; no segundo, é retratado como cada uma das Marias – Maria A, Maria B e Maria C – está lidando com o que aconteceu e como a Internet pode ser prejudicial e no terceiro e último: a hora da vingança, que inclui a morte de um dos abusadores, e a união das três amigas.

No palco, à medida que os Titãs tocam a sequência da Ópera Rock, as atrizes/cantoras encenam, fazem constantes trocas de figurinos e cantam também. O cenário foi criado por Hugo Passolo, Otavio Juliano e Luciana Ferraz e os figurinos de Renato Paiutto. A teatralidade do espetáculo é o telão central, que traz projeções dos pormenores do enredo e a atuação das atrizes/cantoras. As três Marias – Maria A, Maria B e Maria C -, quem, teoricamente, seriam as protagonistas, quase sempre aparecem atrás dos músicos. Contudo, uma situação soa estranha durante a execução de algumas faixas, como por exemplo, em “Me Estuprem” e “Eu Sou Maria”, ambas cantadas por Sérgio Britto, pois ambas contém letras de eu-lírico feminino e é cantarolada por ele, sendo que as personagens estão no palco e elas (ou uma delas) poderiam desempenhar essa função enquanto os Titãs poderiam ficar apenas com a parte da melodia.

Quanto a seriedade do assunto central do espetáculo, o projeto dos Titãs, conceitualmente falando, é ótimo, mas por abordar uma pauta feminina, não sei se funciona bem por ter um grupo composto exclusivamente por homens como astros, embora tenha as três personagens.

Em “Doze Flores Amarelas” fica nítido de que os músicos não abdicam do protagonismo ao falar e cantar como personagem feminina sendo que ali estão, mesmo em caráter figurativo, as três moças. Além disso, curiosamente, os Titãs convidaram Hugo Possolo – ator, dramaturgo e diretor do grupo de teatro Parlapatões – e Marcelo Rubens Paiva – escritor, dramaturgo e jornalista – para compor a equipe de criação da obra. Se por um lado, a presença de ambos colaborou na criação dos temas, por outro, é de causar estranheza a ausência de uma mulher nesse processo para abordar, talvez, alguma colocação que o universo masculino não tenha a astúcia de captar.

Quanto às músicas de “Doze Flores Amarelas”, elas não chegam a ser contagiantes, mas certamente impactantes, pois explica, por exemplo, que, ao longo do show, alguns casais começaram a deixar o teatro, enquanto outros se interagiam no celular, e minha namorada ouviu uma mulher dizer: “se eu soubesse que era assim, nem teria vindo!”.

Não sei se pelo fato de o público brasileiro não estar acostumado a concertos do estilo Ópera Rock – embora muitos conhecem (ou já ouvira falar) de obras como “Tommy”, do The Who; “The Wall”, do Pink Floyd; ou “Jesus Christ Superstar”, de Andrew Lloyd Webber, entre as outras dos quais os Titãs se inspiraram -, o show pode ter passado a impressão de cansativo e, talvez, pelo fato de os Titãs não terem tocado os seus clássicos, o que, evidentemente descaracterizaria o conceito de Ópera Rock, é claro, alguns não tenham entendido a ideia que a banda queria passar. Mas, uma coisa é fato: “Doze Flores Amarelas” não é recomendável para menores de 18 anos – pelos menos não deveria ser (o Sesc indicou a classificação em 14 anos).

A seguir, a relação dos números musicais do espetáculo.

ATO I:
1. Abertura – Sei Que Seremos (Sérgio Britto/Tony Bellotto/Branco Mello/Jaques Morelenbaum/Hugo Possolo)
– Introdução:
2. Nada Nos Basta (Sérgio Britto)
3. O Facilitador (Sérgio Britto / Branco Mello)
4. Weird Sisters (Sérgio Britto)
5. Disney Drugs (Sérgio Britto)
– Festa:
6. A Festa (Sérgio Britto / Branco Mello)
7. Fim de Festa (Tony Bellotto / Branco Mello / Sérgio Britto)
8. Me Estuprem (Sérgio Britto / Tony Bellotto)
ATO II:
9. Interlúdio 1 – Eu Sou Maria (Sérgio Britto / Tony Bellotto / Hugo Possolo)
– Maria Alice:
10. O Bom Pastor (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Branco Mello)
11. Eu Sou Maria (Sérgio Britto / Tony Bellotto)
12. Hoje (Sérgio Britto / Beto Lee)
– Maria Beatriz:
13. Nossa Bela Vida (Sérgio Britto)
14. Canção da Vingança (Tony Bellotto)
15. Personal Hater (Sérgio Britto / Branco Mello)
16. Interlúdio 2 – Doze Flores Amarelas (Sérgio Britto/Branco Mello/Tony Bellotto/Beto Lee/Jaques Morelenbaum/Hugo Possolo)
– Maria Cecília:
17. De Janeiro Até Dezembro (Tony Bellotto)
18. Mesmo Assim (Sérgio Britto)
– Frank, Lucas, Pac Man, Pedrinha e Dado:
19. Não Sei (Tony Bellotto)
– Maria A, Maria B e Maria C:
20. Essa Gente Tem Que Morrer (Sérgio Britto / Mario Fabre)
ATO III:
21. Interlúdio 3 – É Você (Sérgio Britto / Jaques Morelenbaum / Hugo Possolo)
– Feitiço:
22. Me Chamem de Veneno (Branco Mello / Tony Bellotto / Sérgio Britto / Beto Lee)
23. Doze Flores Amarelas (Sérgio Britto / Branco Mello / Tony Bellotto / Beto Lee)
– Morte:
24. Ele Morreu (Tony Bellotto / Sérgio Britto)
25. Pacto de Sangue (Sérgio Britto)
26. O Jardineiro (Branco Mello / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
– Funeral / Redenção:
27. Réquiem (Sérgio Britto / Tony Bellotto / Branco Mello / Mario Fabre)
28. É Você (Sérgio Britto)
29. Sei Que Seremos (Sérgio Britto / Tony Bellotto / Branco Mello)

Por Jorge Almeida – agradecimentos a Márcia Marques e Poliana Queiroz

Sesc Pinheiros recebe Titãs com Ópera Rock Doze Flores Amarelas

Os Titãs apresentarão entre os dias 12 e 15 de abril a Ópera Rock 12 Flores Amarelas no Sesc Pinheiros. Créditos: Silmara Ciuffa

De 12 a 15 de abril, o Sesc Pinheiros recebe Titãs com a Ópera Rock “Doze Flores Amarelas”. O trabalho inédito do grupo teve pré-estreia em Curitiba no início do mês e chega a São Paulo em quatro datas no Teatro Paulo Autran.

A tradição (internacional) das óperas rock vem desde que o The Who compôs e montou o clássico “Tommy”, passou pelo conceitual “The Wall”, do Pink Floyd, e mais recentemente por “American Idiot”, dos pop punks Green Day.

Há ainda as inesquecíveis “Arthur” dos Kinks, “O Fantasma do Paraíso”, dirigido por Brian de Palma e a blockbuster “Jesus Christ Superstar”, de Andrew Lloyd Weber. Os Titãs bebem dessa fonte, na mesma medida em que imprimem sua digital.

Branco Mello, Sergio Britto e Tony Bellotto decidiram pelo formato e convidaram Hugo Possolo – ator, dramaturgo e diretor do grupo  de teatro Parlapatões- e o escritor, dramaturgo e jornalista Marcelo Rubens Paiva para reuniões criativas. Deste encontro surgiu o argumento, assinado pelos cinco.

O tema da narrativa foi uma unanimidade. Nasceram das inquietações atuais, contemporâneas, como assédio, abuso, violência contra a mulher, aborto e tecnologia tóxica do mundo digital.

O espetáculo narra a história de três jovens, estudantes de faculdade (as Marias A, B e C) que, como todos de sua turma, usam a tecnologia frequentemente, em especial, um aplicativo chamado Facilitador.

Numa dessas consultas, perguntam como devem fazer para curtirem ao máximo uma grande festa. Mas a festa acaba mal. Elas são violentadas por cinco colegas.

Elas recorrem novamente ao mesmo aplicativo para se vingarem e este indica o feitiço das doze flores amarelas, que batiza o espetáculo.

Depois do feitiço realizado, um dos estupradores morre. Elas ficam em dúvida sobre seu real poder. Não sabem se o fato ocorreu a partir da magia, do uso da tecnologia, ou se foi uma simples coincidência. E o que fazer então?

O desfecho aponta para que, embora cada uma tenha uma diferente reação, que o poder delas está em enfrentar a situação e denunciar os abusadores.

Diferentemente de compor para um disco, os Titãs começaram a criar músicas sobre temas muito diferentes entre si, o que deu uma liberdade autoral enorme.  Entre as canções que compõem o repertório estão “A Festa”, “Me Estuprem” e, claro, “Doze Flores Amarelas”.

Além de co-autor do argumento, Hugo Possolo divide a direção do espetáculo com o cineasta Otavio Juliano (que recentemente lançou o longa metragem com a história da banda  Sepultura).

São 25 canções inéditas dos Titãs, que se juntam aos guitarrista e baterista da banda, Beto Lee e Mario Fabre. Três cantoras/atrizes completam a linha de frente musical, Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck.

O cenário foi criado pelos diretores e Luciana Ferraz que também assina o design e criação de vídeos , os figurinos são de Renato Paiutto, a produção musical é de Rafael Ramos, o desenho de luz de Guilherme Bonfanti, a direção de movimento é de Olivia Branco o design gráfico de Juliano Seganti. A produção do espetáculo DOZE FLORES AMARELAS está sendo realizada com o patrocínio da Estácio por meio da lei federal de incentivo à cultura, Lei Rouanet.

Sinopse

A inédita ópera rock dos Titãs, DOZE FLORES AMARELAS, conta a história de três Marias.  Estudantes da faculdade, querendo diversão, consultam o aplicativo Facilitador para saber a melhor maneira para curtir uma festa. Na loucura desta noite de balada, Maria A, Maria B e Maria C são violentadas por cinco colegas, gerando consequências significativas na vida de todos. Reflexões, decisões e conflitos mostram as diferentes reações de cada uma delas. As três Marias consultam novamente o Facilitador sobre como devem proceder. Doze Flores Amarelas é um feitiço indicado para a vingança. Um dos jovens abusadores morre. As três Marias se questionam: será que teriam causado a morte do garoto? No enterro dele, as três Marias se percebem mais unidas e conscientes. Decidem se livrar do Facilitador, denunciar os abusadores e viver segundo suas próprias convicções, sem se submeter a convenções sociais nem a sugestões de oráculos, cibernéticos ou não.

Ficha técnica:
Musicas – Titãs
Direção Artística – Branco Mello, Sergio Britto e Tony Bellotto
Argumento – Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Hugo Possolo e Marcelo Rubens Paiva
Libreto – Hugo Possolo
Direção do espetáculo – Hugo Possolo e Otavio Juliano
Elenco: Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Beto Lee, Mario Fabre, Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck
Produção Musical – Rafael Ramos
Cenário – Luciana Ferraz, Hugo Possolo e Otavio Juliano
Desenho de luz – Guilherme Bonfanti
Design e Criação de vídeos – Luciana Ferraz
Figurinos – Renato Paiutto
Direção de movimento – Olivia Branco
Design Gráfico – Juliano Seganti
Assessoria de Imprensa – Perfexx
Produção Executiva – Ricardo Moreira e Ricardo Mateus
Coordenação de produção – Deyse Simões
Coordenação geral do projeto – Angela Figueiredo

SERVIÇO
TITÃS – DOZE FLORES AMARELAS
De 12 a 15 de abril de 2018. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 18h.
Local: Teatro Paulo Autran– 1.010 lugares
Ingressos: R$ 60 (inteira); R$ 30 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 18,00 (credencial plena do Sesc: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Ingressos online em http://www.sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades do SescSP.
SESC PINHEIROS
Endereço: Rua Paes Leme, 195.
Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.
Tel.: 11 3095.9400.
Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; domingo e feriado, das 10h às 18h30. Taxas / veículos e motos: para atividades no Teatro Paulo Autran, preço único: R$ 12 (credencial plena do Sesc) e R$ 18 (não credenciados).
Transporte Público: Metrô Faria Lima – 500m / Estação Pinheiros – 800m

Assessoria de imprensa Doze Flores Amarelas – Titãs
Isabela Formaggio Perroni / Ana Paula Perfexx
Tel + 55 11 2615-5045
isabela@perfexx.com.br / anapaula@pefexx.com.br

Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros
Poliana Queiroz / Yuri Pedro
Contatos: (11) 3095.9423 / 9425
imprensa@pinheiros.sescsp.org.br
Sesc Pinheiros nas redes
Facebook, Twitter e Instagram: @sescspinheiros

Créditos: Poliana Queiroz

Paulo Miklos deixa os Titãs

Paulo Miklos foi um dos fundadores dos Titãs, em 1982. Foto: Felipe Dana/AP
Paulo Miklos foi um dos fundadores dos Titãs, em 1982. Foto: Felipe Dana/AP

A banda Titãs anunciou na manhã desta segunda-feira (11) em sua página oficial no Facebook que o vocalista Paulo Miklos não faz mais parte da banda. Ainda de acordo com o comunicado, a saída do músico foi devido a uma “decisão pessoal, para se dedicar a projetos individuais”. O grupo, na mesma nota, anunciou que Beto Lee (filho de Rita Lee e Roberto de Carvalho) foi integrado à banda. Paulo Miklos, por sua vez, comentou também sobre o seu desligamento dos Titãs para “alçar voo sozinho”.

Com a saída de Miklos, os Titãs passarão a ter apenas três de seus nove membros fundadores – Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto. Antes de Miklos, saíram do grupo: Ciro Pessoa (em 1983, antes da gravação do primeiro álbum da banda); André Yung (baterista do ‘debut’ do grupo e, na virada de 1984 para 1985, fora substituído por Charles Gavin, que atuou no grupo de 1985 a 2010); Arnaldo Antunes, que se desligou do grupo em 1992; Nando Reis, em 2002; além de Marcelo Fromer (guitarrista morto em 2001).

Paulo Roberto de Souza Miklos nasceu a 21 de janeiro de 1959, em São Paulo, e, em 1982, foi um dos fundadores dos Titãs – antes disso, ele havia participado da banda Perfomática, do multiartista José Roberto Aguilar.

Como membro dos Titãs, Paulo Miklos lançou 19 álbuns, sendo 14 de estúdio. E ele foi o vocalista de grandes clássicos da banda, tais como: “Sonífera Ilha”, “Bichos Escrotos”, “Diversão”, “Domingo”, a versão acústica de “Pra Dizer Adeus”, a releitura de “É Preciso Saber Viver”, de Roberto Carlos, “Vossa Excelência”, entre outras.

Embora tenha atuado com sucesso como um dos vocalistas do grupo, Miklos se destacou também por ter tido êxito ao tocar diversos instrumentos ao longo dos seus 34 anos de Titãs: baixo, teclados, sax, bandolim, banjo, guitarra, flauta transversal, gaita, bateria (na faixa “Um Copo de Pinga”, do disco “Domingo”, de 1995, foi ele quem assumiu as baquetas).

Paralelamente aos Titãs, Paulo Miklos lançou dois álbuns solo (um autointitulado em 1994 e “Vou Ser Feliz e Já Volto”, em 2001), atuou em diversos trabalhos na televisão e nos cinemas, com destaque para o filme “O Invasor” (2001), em que fora o protagonista, além de outras colaborações em projetos diversos.

Sem o músico, os Titãs remanescentes da formação inicial seguirão a cumprir os compromissos reforçados com Beto Lee na guitarra e com Mário Fabre, que acompanha o grupo desde a saída de Charles Gavin, em 2010.

A seguir, o comunicado dos Titãs e o texto publicado por Paulo Miklos.

Os Titãs informam que Paulo Miklos se desliga da banda, por decisão pessoal, para se dedicar a projetos individuais.

Branco Mello, Sergio Britto e Tony Bellotto prosseguem como Titãs, com o apoio da gravadora Som Livre e de seu imenso público, honrando compromissos assumidos e outros que venham a surgir, fazendo shows com as canções que imortalizaram o grupo e criando novas músicas e projetos.

O guitarrista Beto Lee se junta ao baterista Mário Fabre na dupla de músicos especialíssimos que acompanharão os Titãs de agora em diante, nessa nova geração.

Os Titãs, ao longo de 34 anos de uma carreira exitosa, experimentaram várias formações sempre preservando a essência e o vigor de suas canções. Como um organismo coletivo que suplanta as individualidades que o compõem, os Titãs seguem determinados, impulsionados por inquietação e ambição artística, e orgulho das glórias conquistadas.”.

Abaixo, a publicação de Paulo Miklos:

Queridos irmãos de banda, 34 anos são uma vida. Crescemos juntos, descobrimos o Brasil e o mundo. Criamos nossa marca e deixamos um legado precioso. Nossa ligação é mais do que familiar, uma vez que escolhemos trabalhar, conviver, apoiar e amar uns aos outros. Chegou a hora de alçar voo sozinho, mas levando comigo a escola e a família titânica na minha formação como artista e pessoa. Deixo mais que amigos na melhor banda de todos os tempos da música brasileira, que segue em frente. A todos que me acompanham dentro e fora dos Titãs, o meu eterno agradecimento. Uma carreira longa com tantas glórias também tem seus momentos de adversidade. E, nestas horas, o apoio incondicional dos fãs foi sempre fonte de energia vital para a superação. Agora, anuncio um novo caminho na música, como intérprete e compositor, assim como na minha carreira de ator. Tenho muita música e emoção para compartilhar com vocês.”.

Então, boa sorte para Paulo Miklos nesse “novo voo” e também vida longa aos Titãs.

Por Jorge Almeida

Show dos Titãs no Sesc Pompeia (15.04.2016)

Titãs tocando "O Pulso" no Sesc Pompeia. Foto: Jorge Almeida
Titãs tocando “O Pulso” no Sesc Pompeia. Foto: Jorge Almeida

Os Titãs realizaram na noite desta sexta-feira (15) a segunda de uma série de quatro apresentações na Choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo. Em quase duas horas de espetáculo, a banda tocou temas que iam desde “os primórdios até hoje em dia” para cerca de 800 pessoas. O grupo apresentou parte do repertório do seu mais recente trabalho, “Nheengatu – Ao Vivo”.

E, como já é de praxe em se tratando de shows nas unidades do Sesc, o concerto dos Titãs começou praticamente no horário, 21h35 (previsto para às 21h30). Então, nesse horário, adentraram ao palco da Choperia do Sesc Pompeia: Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclados e baixo) e Tony Bellotto (guitarra), além do baterista Mário Fabre, músico contratatado.

Todavia, diferentemente de outras apresentações da turnê, os Titãs subiram ao palco sem as máscaras que vinham utilizando nas primeiras músicas do repertório e que foram oriundas do videoclipe de “Fardado”, música que, aliás, abriu o espetáculo da noite. Em seguida, mais duas do último disco de inéditas da banda – “Cadáver Sobre Cadáver” e “Chegada ao Brasil (Terra À Vista)”.

O show seguiu com o primeiro clássico titânico da noite: “Lugar Nenhum”. Na sequência, Sérgio Britto foi ao microfone e afirmou que um show de rock sem Raul não é completo, logo, ele e Miklos fizeram o famoso dueto do clássico raulseixista “Aluga-se”. O espetáculo continuou com mais hits: “AA UU”, “Diversão”, “Pela Paz”, que voltou ao setlist depois de um bom tempo, e “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”.

Posteriormente, Branco Mello assumiu o vocal em uma trinca de temas: “República dos Bananas”, do álbum “Nheengatu”, “O Pulso” e “Canalha”. Nessa última, o convidado especial da noite, Walter Franco, subiu ao palco e foi ovacionado pelo público. Acompanhado pelo guitarrista Raul Duarte, que segue Walter Franco há 35 anos, o “gênio injustiçado da MPB”, como os Titãs o definem, não pode tocar nenhum instrumento. Assim, o debilitado cantor que recentemente fora operado de um procedimento médico vascular nas carótidas, na região do pescoço, não pode fazer alguns movimentos simples, como o de tocar violão. Mas, Walter Franco dividiu os vocais com Branco Mello já na citada “Canalha”, vociferou em “Polícia” enquanto Sérgio Britto o incentivava a cantarolar a letra (ou o refrão) do clássico titânico. Outra música de Franco veio em seguida, trata-se de “Me Deixe Mudo” que, em algumas vezes, o áudio do microfone do músico “sumia” e, depois, Walter Franco encerra a sua participação no show recitando “Cabeça”, uma de suas músicas mais conhecidas, enquanto o grupo manda bala em “Cabeça Dinossauro”.

Após a saída do expoente da chamada “MPB maldita”, os Titãs continuaram o concerto com o seu primeiro sucesso, “Sonífera Ilha” e o sucesso “Comida”. Consequentemente, a última música do mais recente trabalho inédito da banda foi tocada, refiro a “Fala, Renata”.

O show estava chegando ao final e os Titãs não desperdiçaram tempo e executaram três sucessos: “Marvin (Patches)”, “Televisão”, “Homem Primata” e “Bichos Escrotos”. O quinteto sai do palco para uma pequena pausa. No bis, Sérgio Britto alertou que a próxima música foi lançada em 1987, mas está tão atualizada que poderia ter sido composta na semana passada. De fato, ele tem razão ao se referir a “Desordem”, sucesso do clássico “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, e, o gran final, como em diversas vezes aconteceu, veio com “Flores”.

Os Titãs fizeram uma boa performance no Sesc Pompeia. Contudo, tive a impressão que o som da guitarra de Tony Bellotto estava um pouco alto, na verdade, estridente. Infelizmente, as condições de saúde de Walter Franco também atrapalhou o seu desempenho, mas ele está de parabéns pelo comprometimento e por honrar o convite que lhe foi feito. Mas, os Titãs estavam em casa, literalmente. Isso porque a primeira apresentação da banda ao longo de seus 34 anos de carreira foi justamente no Sesc Pompeia, em 1982.

Os Titãs ainda realizarão mais duas apresentações no Sesc Pompeia neste final de semana, dias 16 e 17 de abril, mas os ingressos estão esgotados.

A seguir, o setlist da apresentação dos Titãs na Choperia.

1. Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
3. Chegada ao Brasil (Terra À Vista) (Branco Mello / Emerson Vilani / Aderbal Freire)
4. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
5. Aluga-se (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
6. AA UU (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)
7. Diversão (Sérgio Britto / Nando Reis)
8. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
9. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (Branco Mello / Sérgio Britto)
10. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Vilani)
11. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
12. Canalha (Walter Franco)
13. Polícia (Tony Bellotto)
14. Me Deixe Mudo (Walter Franco)
15. Cabeça Dinossauro / Cabeça (citação) (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Paulo Miklos) / (Walter Franco)
16. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
17. Comida (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
18. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
19. Go Back (Sérgio Britto / Torquato Neto)
20. Marvin (Patches) (Dunbar / Johnson / Versão: Sérgio Britto / Nando Reis)
21. Televisão (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
22. Homem Primata (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Sérgio Britto / Nando Reis)
23. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Nando Reis / Sérgio Britto)
Bis:
24. Desordem (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Charles Gavin)
25. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)

Por Jorge Almeida

Agradecimentos especiais a Bianca, da Assessoria de Imprensa do Sesc Pompeia, e Márcia Marques, do Canal Aberto

Show dos Titãs na Áudio Club (24.04.2015)

Apesar de os ingressos do show dos Titãs marcarem a abertura da Áudio Club (Zona Oeste de São Paulo) para às 22h de sexta-feira (24), a apresentação da banda, na verdade, começou à meia-noite do dia 25. E quem disse que o público que compareceu na casa se importou com isso? Nenhum pouco. Afinal, esse não foi apenas “mais um” show dos caras, mas sim o concerto para a gravação de um DVD da turnê de “Nheengatu”, o seu mais novo trabalho. Será que o nome da tour é “Nheengatour”?.

Assim, nos primeiros minutos de sábado, subiram ao palco: Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclados e baixo), Tony Bellotto (guitarra) e Mário Fabre (bateria). E, mascarados à lá Slipknot, os Titãs começaram a apresentação com a faixa de abertura de “Nheengatu” – “Fardado”, seguido de mais três temas do disco novo: “Pedofilia”, “Cadáver Sobre Cadáver” e “Chegada ao Brasil (Terra À Vista)”.

Na sequência, os integrantes tiraram as máscaras e mandaram três clássicos: “Massacre” (que não tocavam desde 1994) e outras duas músicas que foram gravadas com ex-integrantes nos vocais – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” e “Lugar Nenhum” -, que foram originalmente gravadas por Nando Reis e Arnaldo Antunes, respectivamente, mas aqui foi interpretada por Branco Mello.

O show teve continuidade com mais uma trinca do disco novo com uma música que os Titãs não tocavam há um bom tempo no meio: “Baião de Dois”, “Pela Paz”, “Quem São Os Animais?” e “República dos Bananas”. Posteriormente vieram mais dois clássicos e duas novas, são elas: “Nem Sempre Se Pode Ser Deus”, “Diversão”, que teve o final estendido por conta da participação impressionante da galera, “Mensageiro da Desgraça” e “Fala, Renata”.

Sérgio Britto e Paulo Miklos mandaram bala em mais duas canções, que têm 18 anos de diferença entre si, mas que, mesmo assim, ainda são bem atuais, me refiro a “Desordem” e “Vossa Excelência”.

E, antes do bis, os Titãs voltaram ainda mais no tempo para executarem dois de seus mais antigos sucessos: “Televisão” e “Sonífera Ilha”.

Ovacionados, a banda saiu do palco para o bis e, na volta, Paulo Miklos dialogou com o público. Assim, depois de alguns minutos, os Titãs retornaram novamente mascarados para tocarem novamente quatro temas que, talvez por algum problema técnico, precisaram ser “retocados”, que foram: “Pedofilia”, “Cadáver Sobre Cadáver”, “Pela Paz” e “Quem São Os Animais?”.

Depois de mais uma pausa, foi a vez de Sérgio Britto dialogar com o público. Ele destacou uma coisa interessante: os Titãs têm tantos clássicos que, até aquele momento, não tinham tocado nenhuma música do “Cabeça Dinossauro”. De fato, isso é para poucos. Dito isso, o tecladista cantarolou três temas seguidos do clássico álbum de 1986: “Polícia”, “AA UU” (que, segundo ele, não estava prevista, mas que não teve como resistir ao pedido do público) e “Homem Primata”. Depois foi a vez de Branco Mello, que instigou o público ao mencionar versos de “Armas Pra Lutar”, e assumir os vocais em “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” e “Flores”, e Paulo Miklos encerrou o segundo bis com a inigualável “Bichos Escrotos”.

E, antes do público deixar a Áudio Club, os Titãs presentearam os fãs com mais três hits, todos cantados por Branco Mello e que foram gravados originalmente por Nando Reis e Arnaldo Antunes, me refiro a “Marvin (Patches)”, “Igreja” e “O Pulso”.

Depois de um pouco mais de duas horas de apresentação, o show termina e o público deixa a casa de espetáculo e muitos convictos de que viram um dos melhores shows do rock nacional. O repertório dos Titãs está “matador”, além das novas músicas que trazem aquela “acidez” típica da banda, os caras ainda resgataram clássicos que há muito tempo ficaram fora de set, o que causou histeria em muitos fãs mais saudosistas. E, na opinião desse que vos escreve, se os Titãs tivessem tocado “Nome Aos Bois” nessa noite, “zeraria a vida”.

Não veja a hora do material, seja CD ou DVD, desse show ser lançado.

A seguir, o setlist dessa apresentação memorável.

1. Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
3. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
4. Chegada ao Brasil (Terra À Vista) (Branco Mello / Emerson Vilani / Aderbal Freire)
5. Massacre (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)}
6. Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas (Nando Reis / Marcelo Fromer)
7. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
8. Baião de Dois (Paulo Miklos)
9. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
10. Quem São Os Animais? (Sérgio Britto)
11. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Vilani)
12. Nem Sempre Se Pode Ser Deus (Titãs)
13. Diversão (Sérgio Britto / Nando Reis)
14. Mensageiro da Desgraça (Paulo Miklos / Tony Bellotto / Sérgio Britto)
15. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
16. Desordem (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Charles Gavin)
17. Vossa Excelência (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin)
18. Televisão (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
19. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
Bis 1:
20. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
21. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
22. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
23. Quem São os Animais? (Sérgio Britto)
Bis 2:
24. Polícia (Tony Bellotto)
25. Homem Primata (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Sérgio Britto / Nando Reis)
26. AA UU (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)
27, A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (Branco Mello / Sérgio Britto)
28. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
29. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Nando Reis / Sérgio Britto)
Bis 3:
30. Marvin (Patches) (Dunbar / Johnson / Versão: Sérgio Britto / Nando Reis)
31. Igreja (Nando Reis)
32. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)

Por Jorge Almeida

Titãs: 25 anos de “Õ Blésq Blom”

"Õ Blésq Blom": considerado um dos melhores trabalhos da discografia dos Titãs
“Õ Blésq Blom”: considerado um dos melhores trabalhos da discografia dos Titãs

Ontem, 16 de outubro, o quinto registro de estúdio dos Titãs, o clássico “Õ Blésq Blom”, completou 25 anos de seu lançamento. Gravado entre junho e setembro na unidade Nas Nuvens, o registro encerra a fase de ouro da parceria da banda com o produtor Liminha. O álbum alcançou a marca de 220 mil cópias vendidas até o final de 1990.

Depois de ter a sua musicalidade definida com o ‘sujo’, mas excelente, “Cabeça Dinossauro”, os Titãs investiram no uso de sintetizadores no disco seguinte – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” (1987) e, na sequência, o então octeto usufruiu com êxtase a programações eletrônicas e de teclados e abordaram sonoridades que expediam o Tropicalismo, ao pop eletrônico e à World Music.

A capa do play ficou por conta de Arnaldo Antunes, que mostrou os seus dotes de artista plástico ao conceber um mosaico com recortes que traz o nome do disco. Nome que, inclusive, foi tirado de uma das frases ditas por Mauro, cuja “tradução” significa “os primeiros homens que andaram sobre a terra”.

E, antes de falar das faixas que compõem o tracklist do disco, durante a gravação de “Õ Blésq Blom”, os Titãs gravaram duas marchinhas de Carnaval – “Pipi Popô” e “Marcha do Demo” – que foram lançadas em um single com o pseudônimo de “Vestidos do Espaço”. Além deles, o produtor Liminha e os amigos que apareciam no estúdio nesse período, como Jorge Mautner, Paula Toller, entre outros, participaram da gravação deste single. Isso pode ser conferido também no documentário “Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa”, de 2009.

O disco começa com uma introdução feita pela dupla de repentistas pernambucanos Mauro e Quitéria que a banda conheceu em Recife. Os dois cantam com um poliglotismo curioso em que mesclam palavras em inglês, grego, russo, italiano e japonês. O casal também é responsável pela vinheta final que encerra o álbum.

Logo após a pequena ‘intro’, o registro traz a excelente “Miséria”, em que Sérgio Britto e Paulo Miklos se revezam nos vocais. Guiada pela “parafernália” tecnológica, a letra crítica e peculiar casou-se perfeitamente com a batida.

Posteriormente, aparece Nando Reis com “Rácio Símio”, que é mais rock em relação à faixa anterior e que seu vocal e o baixo se destacam com maestria para parodiar frases/ditados populares ditos na música.

Em “O Camelo e o Dromedário”, um “semi-reggae” de mais de cinco minutos, Paulo Miklos, de forma caricata, traz as diferenças entre os dois animais ruminantes.

As faixas seguintes – “Palavras” e “Medo” – apesarem se soarem minimalistas, lembram a fase de “Cabeça”: letras inteligentes e vocais certeiros. Enquanto a primeira lembra um pouco o rockabilly interpretado por Sérgio Britto, a segunda traz o berro insano de Arnaldo Antunes, puro punk.

Na versão em CD de “Õ Blésq Blom”, a sétima faixa é uma faixa-bônus, a curtíssima “Natureza Morta”, que não tem nem 20 segundos e há mais caracteres nos créditos dos autores do que na própria letra, resumida em três versos. Podemos considerá-la como uma introdução de “Flores”.

E, por falar em “Flores”, essa é o carro-chefe do álbum. Com um riff inesquecível e letra cheias de metáforas e sentidos, a música cantada por Branco Mello foi um hit radiofônico e segue até hoje no rol dos clássicos titânicos. Seu videoclipe rendeu à banda um prêmio até então inédito na música brasileira: o Mtv Video Music Awards, isso antes filial brasileira da emissora existir.

Outro clássico do álbum é “O Pulso”, com sua batida hipnótica que remete à pulsação em que Arnaldo Antunes recita 48 doenças/moléstias. Arnaldo interpreta tão bem que, em certo momento, parece que o disco está riscado no trecho em que ele fala “reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia”. Ótima.

Já em “32 Dentes”, o violão de doze cordas é o grande condutor da música. Cantada por Branco Mello, a faixa tem um pouco de country na sua essência. E, despercebido por muitos, o tema traz uma citação de “Traumas”, música de Roberto e Erasmo Carlos lançada no álbum do “Rei” em 1971.

Chegando em sua parte final, “Õ Blésq Blom” apresenta ainda “Faculdade”, com seu começo à la “samba eletrônico” e bem arranjado. Interpretada por Nando Reis, a música (talvez) é a mais “obscura” do disco, o que é uma pena.

Assim como em “Miséria”, a dupla Britto e Miklos surgem novamente para mais um dueto. Dessa vez é em “Deus e o Diabo”, que é guiada pela programação eletrônica, o que deve ter deixado Tony Bellotto e Marcelo Fromer “fulos da vida” em virtude da falta de destaque das guitarras na faixa. A letra é composta de montagem de frases aparentemente discordantes que adquirem sentido de atrito.

E, conforme dito anteriormente, o álbum é encerrado pela “Vinheta Final de Mauro e Quitéria”.

O disco teve bastante aceitação por parte do público e foi considerado pelo jornalista musical José Augusto Lemos, na época editor-chefe da revista Bizz, como “o vinil mais bem produzido que este país já viu”.

Depois de “Õ Blésq Blom”, os Titãs resolveram voltar à ‘crueza’ de sua música com “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”, mas, infelizmente (e injustamente), não foram compreendidos. Quanto à “Õ Blésq Blom”, posso certificar que trata-se de um dos “top 5” da discografia dos Titãs. Mais que recomendo.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Õ Blésq Blom
Intérprete: Titãs
Lançamento: 16 de outubro de 1989
Gravadora: WEA
Produtor: Liminha

Arnaldo Antunes: vocal
Branco Mello: vocal
Charles Gavin: bateria e percussão

Marcelo Fromer: guitarra e violão
Nando Reis: baixo e vocal
Paulo Miklos: vocal e saxofone em “Flores
Sérgio Britto: teclados e vocal
Tony Bellotto: guitarra e violão

Liminha: bateria eletrônica em “Miséria“, “Deus e o Diabo” e “Faculdade“, guitarra em “O Pulso” e “Deus e o Diabo“, percussão eletrônica em “O Camelo e o Dromedário” e programação de teclados em “O Pulso“, “Miséria” e “Deus e o Diabo
Mauro e Quitéria: vozes em “Introdução Por Mauro e Quitéria” e em “Vinheta Final Por Mauro e Quitéria

1. Introdução Por Mauro e Quitéria (Mauro / Quitéria)
2. Miséria (Arnaldo Antunes / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
3. Rácio Símio (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Nando Reis)
4. O Camelo e o Dromedário (Marcelo Fromer / Nando Reis / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
5. Palavras (Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
6. Medo (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
7. Natureza Morta (Arnaldo Antunes/Liminha/Branco Mello/Marcelo Fromer/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
8. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
9. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
10. 32 Dentes (Branco Mello / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
11. Faculdade (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Marcelo Fromer / Nando Reis / Paulo Miklos)
12. Deus e o Diabo (Nando Reis / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
13. Vinheta Final Por Mauro e Quitéria (Mauro / Quitéria)

Por Jorge Almeida