Sesc Belenzinho convida o Coletivo Estopô Balaio para o projeto Teatro Fora da Caixa; apresentações serão na unidade e nos trens da CPTM

O tríptico “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”, “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” (foto) e “Carta 3 – A Velhice, o artista” levam o espectador às histórias de (i)migrantes na cidade de São Paulo. Foto: Andre Cherri

Natália, minha filha, estou indo embora. Estou indo… Partindo para a cidade grande. Cansei de apanhar da vida, do teu pai e da fome. Por aqui se faz de tudo para vencer. Para vender. Tudo. Olha pra ele aqui dentro! Passam o dia inteiro tentando matar a fome da travessia. Essa fome de cidade. Essa cidade-fome que vive no pensamento dessa gente aqui”. Janaina, protagonista da vida real e da “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher

O Sesc Belenzinho convida, a partir do dia 6 de abril de 2018, em seu projeto Teatro Fora da Caixa, o Coletivo Estopô Balaio com seus três espetáculos: “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”, “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” e “Carta 3 – A Velhice, o artista”, os dois últimos realizados nos vagões de trens da CPTM.

As três Cartas compõem o tríptico do projeto “Nos Trilhos Abertos de um Leste Migrante”, que reúne três histórias sobre sonhos, fugas e lembranças. Estão em cena as trajetórias de vida de Martha e seu filho Erik (Carta1), Janaína (Carta 2), e do Sr. Vital (Carta 3), (i)migrantes que saíram da Bolívia, de Pernambuco e de Minas Gerais, respectivamente, para construir novas narrativas pessoais na cidade de São Paulo.

O Teatro Fora da Caixa, do Sesc Belenzinho, está em sua segunda edição e neste projeto participam peças e intervenções criadas para espaços não convencionais como praças, corredores, lugares de passagem, áreas de trânsito dos públicos, etc. Ao projeto interessam obras teatrais em que o espaço é elemento central para a dramaturgia e estratégia para o jogo teatral.

Os espetáculos do Coletivo Estopô Balaio serão encenados – e vividos por seus protagonistas e pelo público – no Sesc Belenzinho (“Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”) e nos trens da CPTM (“Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” e “Carta 3 – A Velhice, o artista”), em viagens em direção à Guaianazes e Rio Grande da Serra, respectivamente. Munidos com fones de ouvido e MP4, os passageiros são convidados a avançar o olhar pelas janelas do trem, onde o audiotour auxilia no mergulho das narrativas que perpassam a vida dos imigrantes da América Latina.

Dentro da programação do projeto, o diretor do coletivo João.Junior, ministrará a oficina ‘A Praça’, com jogos, improvisações, entrevistas e escritas de cartas que serão ferramentas para o percurso de estímulo às memórias individuais, e uma rede de acontecimentos que se interseccionem e se instalam no espaço arquitetônico da praça localizada na entrada da unidade do Belenzinho, onde a ação formativa finalizará com apresentação/instalação aberta à fruição pública.

A partir da ideia de biodrama (desenvolvido pela artista argentina Vivi Tellas), o trabalho a ser realizado utilizará da biografia dos participantes e de seus imaginários sobre a imagem da praça como meio para mergulhar em questões mais abrangentes.

“Carta 1 – A infância, promessa de mãe”

A “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe” traz a história de Erik, filho de bolivianos. Já no Brasil, Martha, sua mãe, escreveu uma carta para seu pai (avô de Erik, que estava doente na Bolívia). Martha, com o desejo de rever seu pai na Bolívia, fez a promessa de não cortar o cabelo do filho pequeno enquanto não pudesse voltar ao seu país natal e rever seu pai, para que ele mesmo pudesse cortar o cabelo de Erik. Essa prática cultural boliviana – em que alguém mais velho corta o cabelo da criança e dá a ela um presente – não levava em conta as dificuldades financeiras de Martha voltar à Bolívia e o tempo passou, sem que ela conseguisse cumprir a promessa. O cabelo do menino alcançou um tamanho gigantesco, o que gerou problemas na escola, no bairro e na vida social do garoto.

Quando finalmente a mãe de Erik conseguiu voltar ao seu país com o menino, o avô de Erik não se achou à altura de cumprir a promessa e não cortou o cabelo do neto. Foi então que Erik teve a ideia de oferecer sua história para um programa da TV aberta: o cabelo imenso (media cerca de 1,20m) poderia resolver parte dos problemas financeiros da família. E assim foi que o garoto expôs sua história na TV e conseguiu reformar seu quarto.

A história de Erik se entrelaça com o jogo geopolítico existente entre os países da América Latina e suas relações comerciais, afetivas e de poder. De maneira bem humorada, Erik e Martha propõem uma reflexão sobre os problemas enfrentados pelos cidadãos latino-americanos: das promessas de lucro fácil (na imigração para o Brasil), à realidade da semiescravidão do setor têxtil, tudo é demasiado real e cruel nessa relação de irmandade com os vizinhos brasileiros.

“Carta 2 – A vida adulta, a mulher”

A “Carta 2 – A vida adulta, a mulher” traz a história de Janaina. Nascida e crescida em Pernambuco, em Bonança, sofreu diversos tipos de abuso na infância. Aos 15 anos, foi entregue a um homem ao qual teve que chamar de marido. O sonho da festa de 15 anos, uma idade emblemática, foi interrompido pela transformação forçosa dessa menina em mulher.

Foram 18 anos de um relacionamento abusivo com seu “marido”. Janaina passou por vários tipos de violência – a mais frequente era a doméstica – mas chegou a apanhar dele até mesmo dentro do hospital onde estava internada por causa das surras que recebia.

Estimulada pelos seus dois filhos, Janaina se libertou do relacionamento e veio para São Paulo, com milhões de sonhos na mala. Há seis anos aqui, Janaina é uma das seguranças da estação central da CPTM, no Brás. A narrativa construída pelo Coletivo Estopô Balaio é refazer a festa de 15 anos que Janaína não teve, mas no local que ela escolheu para si: na própria estação de trens.  É ali que o público verá a transformação de menina/mulher, mas em uma festa. A viagem, que parte da estação Brás com destino a Guaianases, é para buscar o bolo de aniversário, uma festa na estação do trem, para público/convidados.

“Carta 3 – A velhice, o artista”

A “Carta 3 – A velhice, o artista” conta a história de Sr. Vital. Nascido em Mariana (MG), na roça, saiu de lá em 1964, para tentar a sorte na famosa cidade de São Paulo. O destino profissional do Sr. Vital cruzou diversas metalúrgicas, em épocas que o sindicalismo era bastante forte, vivenciou lutas e os desdobramentos trabalhistas do período. Mas o sonho do Sr. Vital sempre foi tocar sanfona. E foi só na sua aposentadoria que um empréstimo bancário fez o sonho virar realidade.  E hoje ele toca, toca por aí, pelo prazer de tocar. Já tocou inclusive com Chico César, sem sequer imaginar o tamanho da trajetória musical de seu parceiro.

O Sr. Vital se envolveu no assunto “cartas e Estopô Balaio” quando ofereceu sua música como ferramenta para encorajar os transeuntes da estação de trem do Brás a escreverem cartas, por meio dos integrantes do coletivo. Ele, que estava em processo de alfabetização, aproveitou o ensejo e se permitiu escrever cartas para os amigos.

Em cena, Sr. Vital rememora seu passado de metalúrgico, sua infância e as privações da velhice. Partindo da estação Brás, com destino a Rio Grande da Serra, a partir das janelas do trem é possível ver muitas paisagens, como a de fábricas abandonadas e trens antigos, que revelam a mobilidade urbana dos anos 60. Os rios lameados que cortam o trajeto remetem à sua meninice e provocam-no a pensar em sua cidade natal, Mariana, e seu Rio Doce. Nas inquietações sobre a velhice, o Sr. Vital questiona o confinamento dos idosos em asilos – privados de sua liberdade sobre essa escolha.

Coletivo Estopô Balaio

O Estopô Balaio é um coletivo de artistas formado em 2011 na cidade de São Paulo que conta em sua maioria com a participação de artistas migrantes. É por esta condição de vida, a de um ser migrante, que o coletivo se reuniu, no desejo de aferir um olhar sobre a prática artística encontrando como estrangeiros a distância necessária para enxergar o olhar de destino e dos seus desejos.

A distância geográfica das lembranças e paisagens dos integrantes levaram a uma tentativa inútil na busca por pertencimento à capital paulista. Era preciso reinventá-la para poder praticá-la. Na busca pelo lugar perdido da memória, eles seguiram para fora e à medida que se distanciavam de um tipo de cidade localizada em seu centro geográfico, foram se aproximando de outras cidades, de outros modos de vida e de novos compartilhamentos.

O cinturão periférico da cidade no seu vetor leste revelou um pedaço daquilo que tinha ficado para trás. Havia um Nordeste em São Paulo que estava escondido das grandes avenidas e dos prédios altos do centro paulistano. O Jardim Romano é um pedaço do cinturão periférico que guarda lembranças alijadas da construção histórica da cidade-império.

Os edifícios que arranham o céu ajudam a esconder e afastar um contingente populacional que não consegue se inserir nos apartamentos construídos em novos condomínios. A memória partilhada nos seis anos de residência artística no Jardim Romano são as de estrangeiros de um lugar distante e a destes pequenos deuses alagados de uma cidade submersa pelo esquecimento.

O encontro com o bairro Jardim Romano se deu num processo de identificação, pois a maioria de seus moradores são também migrantes nordestinos que fincaram suas histórias de vida nos rincões da capital paulista. O alagamento do Jardim Romano era real, oriundo da expansão desordenada da cidade, o do coletivo era simbólico, originário da distância e saudade daquilo que deixaram para trás.

O Estopô Balaio traçou no final de 2016 possibilidades para a expansão do seu território cultural. Para tanto, iniciou o projeto “Nos trilhos abertos de um leste migrante” que se estabelece no encontro e no afeto com outros bairros da zona leste de São Paulo.  O Jardim Romano segue com atividades constantes na sede do Coletivo, a Casa Balaio, com saraus, apresentações de espetáculos, oficinas de teatro, projeções de filmes, entre outras.

Ficha Técnica

Ideia original e direção geral: João.Júnior/ Coordenação de Dramaturgia Cartas 2 e 3: Ana Carolina Marinho e João.Júnior/ Dramaturgia Carta 1: João.Júnior/ Codireção Carta 1: Juão Nin/ Elenco: Adriana Guerra, Ailton Barros, Amanda Preisig, Ana Carolina Marinho, Ana Clau, André Maria Leão, Anna Zepa, Barbara Santos, Bastian Thurner, Carol Piñeiro, Filipe Ramos, Jhonny Salaberg, Juão Nin, Júlio Lorosh, Marina Esteves, Romário Oliveira, Tati Caltabiano/ Assistente de Direção Cartas 2 e 3: Tati Caltabiano/ Trilha Sonora (audiotour): Marko Concá/ Direção de Arte: João.Júnior e Juão Nin/ Produção: João.Júnior/ Produção executiva: Ana Carolina Marinho/ Assistente de Produção: Wemerson Nunes/ Figurino Carta 1: Sandra Pestana/ Iluminação Carta 1: Rodrigo Silbat/ Video Mapping Carta 1: Flávio Barollo/ Preparação corporal: Bruna Longo

SERVIÇO “Nos Trilhos Abertos de um Leste Migrante”
Carta 1: A infância, promessa de mãe
Sesc Belenzinho | De 06 a 08 de abril de 2018
Horário: Sexta e sábado, às 21h30 e domingo, às 18h
Local: Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I – R. Padre Adelino, 1000, Belém/ SP
Lotação: 100 pessoas | Duração: 90 min | Classificação: 12 anos
Ingresso: Grátis. Retirada com 1h de antecedência.

Carta 2: A vida adulta, a mulher (linha 11 da CPTM)
Linha 11 da CPTM | Dias 12 e 13 de abril de 2018
Horário: 14h (chegar com 30min de antecedência, as reservas caem às 13h30)
Local: Espaço Cultural da Estação Brás – Linha Vermelha CPTM
Lotação: 50 pessoas | Duração: 120 min | Classificação: 12 anos
Reservas: reservas@coletivoestopobalaio.com.br

Carta 3: A velhice, o artista (linha 10 da CPTM)
Linha 11 da CPTM | Dias 19 e 20 de abril de 2018
Horário: 14h (chegar com 30min de antecedência, as reservas caem às 13h30)
Local: Espaço Cultural da Estação Brás
Lotação: 50 pessoas/ Duração: 160 min/ Classificação: 12 anos
Reservas: reservas@coletivoestopobalaio.com.br

Oficina A Praça
Dias: 10 a 25/04. Terças e quartas, das 15h às 19h; 26 e 27/04. Quinta e sexta, das 15h às 19h; 28/04. Sábado, das 15h às 20h; 29/04 Domingo, das 14h às 19h
Duração: 42h| 30 vagas | Recomendação: 18 anos | Grátis
Público: interessados nos aspectos que serão abordados, estudantes das artes e artistas em geral.
Seleção por meio de carta de interesse, que devem ser enviadas até 05/04 para o e-mail oficinadeteatro@belenzinho.sescsp.org.br

Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
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Por Daniele Valério | Canal Aberto

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“A Invenção do Nordeste”, nova peça do Grupo Carmin, estreia no Sesc Belenzinho

Cena de “A Invenção do Nordeste”. Foto de José Tellys Fagundes Borges

Motivada por uma série de reações xenófobas contra os nordestinos, durante as eleições presidenciais de 2014, Quitéria Kelly, atriz do Grupo Carmin, entrou em contato com a obra do Professor Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr, que escreveu o livro: “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”. Quitéria então compartilhou com os demais integrantes da companhia o seu desejo de criar uma peça que contribuísse para a desconstrução da imagem estereotipada do Nordeste e do(a) nordestino(a).

Passados cerca de três anos dessa inquietação, estreia dia 2 de novembro de 2017 o espetáculo “A Invenção do Nordeste” no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Em cena, os atores Mateus Cardoso, Robson Medeiros e Henrique Fontes, que assina a dramaturgia junto com Pablo Capistrano.  Fundadora da companhia – que já tem uma década de estrada completada em 2017 – a atriz Quitéria Kelly dirige pela primeira vez uma montagem do Carmin. Em temporada recente na capital paulistana com outro espetáculo (Jacy), o grupo arrebatou a plateia e os críticos, o que resultou em cinco indicações a prêmios na cidade (três no Prêmio Aplauso Brasil – espetáculo, direção e dramaturgia – e outros dois na APCA – espetáculo e autor).

Durante dois anos de pesquisa, o Grupo Carmin mergulhou nos questionamentos dos mecanismos estéticos, históricos e culturais que contribuíram para a formação de uma visão do nordeste brasileiro como um espaço idealizado, deslocado do processo histórico e imune ao impacto das grandes transformações sociais.

A partir daí, os dramaturgos Pablo Capistrano e Henrique Fontes escreveram uma autoficção onde um diretor é contratado por uma grande produtora para preparar dois atores norte-rio-grandenses, que disputam o papel de um personagem nordestino. Durante o tempo da preparação, a identidade nordestina entra em cheque. Afinal, existiria apenas uma identidade nordestina?

A peça “A Invenção do Nordeste” propõe desenhar a trajetória hilária e por vezes conflitante da história recente do estabelecimento da região nordeste. Essa unidade sociopolítica e cultural com todas as suas individualidades e também todos os estereótipos alimentados por décadas pela literatura, cinema, música e artes visuais brasileiras.

“A Invenção do Nordeste” estreou em agosto de 2017 e já participou da Mostra Sesc Velho Chico em Petrolina/PE e dos Festivais “O Mundo Inteiro é Um Palco” em Natal e MARTE em João Pessoa. Os atores Mateus Cardoso e Robson Medeiros foram recentemente indicados ao Troféu Cultura RN, na categoria melhor ator pela peça “A Invenção do Nordeste” e o Grupo Carmin, nesse mesmo prêmio, concorre na categoria “Artista do Ano” de 2017.

Sinopse “A Invenção do Nordeste”

Um diretor é contratado por uma grande produtora para realizar a missão de selecionar um ator nordestino que possa interpretar com maestria um personagem nordestino. Depois de vários testes e entrevistas, dois atores vão para a final e o diretor tem sete semanas para deixá-los prontos para o último teste.

Durante as sete semanas de preparação, os atores refletem sobre sua identidade, cultura, história pessoal e descobrem que ser e viver um personagem nordestino não é tarefa simples.

O espetáculo é uma obra de autoficção baseada no livro homônimo do Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr. Dirigida por Quitéria Kelly, com dramaturgia de Henrique Fontes e Pablo Capistrano.

FICHA TÉCNICA
A Invenção do Nordeste | Grupo Carmin, 2017
Espetáculo inspirado na obra homônima do Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr.
Elenco | Henrique Fontes, Mateus Cardoso e Robson Medeiros
Direção e figurino | Quitéria Kelly
Pedro Fiuza | Assistência de direção, dramaturgia audiovisual e desenho de luz
Consultoria histórica e de roteiro | Durval Muniz de Albuquerque Jr.
Direção de arte e cenografia | Mathieu Duvignaud
Dramaturgia | Henrique Fontes e Pablo Capistrano
Preparação corporal | Ana Claudia Albano Viana
Preparação vocal | Gilmar Bedaque
Produção executiva | Mariana Hardi
Trilha original | Gabriel Souto / Toni Gregório
Design gráfico | Teo Viana
Xilogravura | Erick Lima
Costureira | Kátia Dantas
Cenotécnico | Irapuã Junior
Edição de vídeo | Juliano Barreto
Locução | Daniele Avila Small
Assistência técnica | Anderson Galdino

SERVIÇO
A INVENÇÃO DO NORDESTE
De 02 a 26 de novembro de 2017.
Quinta a sábado, às 21h30, e domingos e feriado (02/11), às 18h30.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I
Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo/SP
Tel. (11) 2076-9700
Capacidade: 120 lugares / Recomendação: 12 anos / Duração: 60 min
Ingressos: – R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

Informações para a imprensa
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Por Daniele Valério | Canal Aberto

Estreia de A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga, da [ph2]:estado de teatro

Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação
Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação

As cenas, tanto as da tela quanto as presenciais, acontecem embaixo de uma lona preta de aproximadamente 100m2.

Há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”. Bruno Moreno, um dos diretores do espetáculo

Dívida. Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo feminino DÍVIDA envolve alguns significados, dentre eles o de culpa, pecado, a obrigação de pagar, dar ou fazer uma determinada coisa a alguém. Uma condição forçada. A partir de um processo de pesquisa que chegou à constatação de que estamos todos na condição de devedores (da dívida financeira à amorosa, passando pelas morais e subjetivas), o [pH2]: estado de teatro montou A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga, e faz sua estreia dia 14 de maio na Oficina Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo, SP). A temporada, gratuita, vai até o dia 04 de junho. Esse projeto foi contemplado pela 26a edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

A dívida que o grupo não paga – Ao chegar ao teatro, o espectador vai se deparar com uma companhia que deseja inserir o cinema e a dança como parte fundamental dessa nova montagem. O espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga começa com o encontro de seis pessoas dispostas a não pagarem suas dívidas e que, por isso, decidiram tentar desaparecer. Os personagens Mônica, Lia, Lindenbergh, Tânio, Chiara e David, que não são adultos, nem são crianças, inventam, cada um à sua maneira, a forma de não pagar suas dívidas. Assim como em Os Idiotas, de Lars von Triers, em que o diretor dinamarquês filma um grupo de amigos que decide virar as costas para as regras e hipocrisias da sociedade, o grupo [pH2]: estado de teatro utiliza-se de um devir-criança para o registro de interpretação dos atores em cena.

Os modos como esses amigos ensaiam seus desaparecimentos incluem o planejamento da própria morte, passando pela possibilidade de uma abdução por extraterrestres, e o desaparecimento pelo mar; transmutando-se em sereia. O desenvolvimento das situações neste momento da obra ocorre por meio de um filme rodado com uma câmera GoPro, dirigida por Renato Sircilli e Rodrigo Batista. É através de uma projeção que a plateia verá os corpos dos atores do [pH2] em cenas que dialogam com os movimentos da música de Stravinsky.

Na segunda parte da música, esses mesmos atores, agora ao vivo, dançam o momento do sacrifício da primavera. Embora presentes, o público não verá os atores, mas assistirá o que resulta dessa coreografia encoberta pela lona, quando a possibilidade do anonimato pode conferir aos corpos, e quem sabe à própria vida, um estado de maior permissividade.

PESQUISA E MONTAGEM
Para nortear uma das etapas dessa criação, o grupo convidou o bailarino e coreógrafo Marcelo Evelin para fazer uma proposição que pudesse agregar elementos ao tema da dívida. O mote do endividamento nasceu no Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, ainda no ano de 2015, quando o [pH2] se uniu às companhias Lagartijas Tiradas al Sol (Cidade do México) e ao grupo colombiano La Maldita Vanidad (Bogotá) para refletir sobre a história recente dos três países. Nesta ocasião, o endividamento público apareceu como eixo central. Na sequência, ao dar prosseguimento à pesquisa do [pH2], o grupo optou por investigar as reverberações da dívida na subjetividade de homens e mulheres que apresentam em seus corpos vestígios de um endividamento que vai muito além do econômico.

Como entra A Sagração da Primavera no contexto proposto pelo grupo? A obra, do compositor erudito russo Igor Stravinsky, conta a história de uma jovem virgem que deve ser sacrificada, como uma oferenda ao deus da primavera, para que, nessa estação que se inicia, as terras fossem férteis. Vale lembrar que essa obra demorou cerca de 30 anos para ficar pronta, e hoje está consagrada como uma das mais influentes músicas do início do período moderno.

O ponto de intersecção nasceu dos encontros com Evelin, quando o coreógrafo propôs experiências relacionadas a um corpo permissivo, um corpo sem dívidas. Como seria esse corpo liberto? Como negar e não pagar todas as formas de dívida? “Desaparecer é uma forma de não pagar a dívida”, foi uma das conclusões do grupo nas palavras de um dos diretores da montagem, Rodrigo Batista, que complementa que “você tem que estar vivo para ser devedor, se você desaparece não há mais possibilidade de cobrança de dívidas”.

E assim foi feito. O grupo desaparece em cena. Embaixo de uma lona preta, dessas de construção, com cerca de 100 m2, os atores e atrizes do [pH2] dançam A Sagração da Primavera. Mas não pagam a dívida ao público de exibir a coreografia mais montada ao redor do mundo, a obra considerada uma antítese do ballet moderno, demarcadora de fases na dança mundial. É por baixo da lona que aparece um corpo capaz de se libertar. Segundo outro diretor da montagem, Bruno Moreno, “há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”.

SOBRE A ENCENAÇÃO
Desde a sua fundação, o grupo interessou-se por trazer – conceitualmente – outras linguagens para a criação de suas obras. Na intenção de radicalizar essa pesquisa audiovisual do grupo, Rodrigo Batista encontrou na parceria com Renato Sircilli – cineasta que dirigiu curtas metragens que circulam por diversos festivais nacionais e internacionais – a chance de juntos produzirem um filme dentro do contexto do Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, contemplado pelo Programa Rumos Itaú Cultural 2014. O Rosto da Mulher Endividada, um dos episódios do Projeto 85, é um filme que conseguiu seguir independente das peças e participar de importantes festivais de cinema, como a Mostra Foco no Festival de Cinema de Tiradentes (2016), além de ganhar o prêmio da Mostra do Filme Livre promovida pelo CCBB (2016).

Para a continuidade da pesquisa, o grupo iniciou a construção do espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga a partir de um laboratório com o coreógrafo piauiense Marcelo Evelin, que serviu como um gatilho para a encenação dessa nova montagem. A ponte para a parceria entre o grupo e o coreógrafo se fez através de Bruno Moreno, também integrante do [pH2] e que, paralelamente, realiza pesquisas em dança por meio de parcerias com renomados coreógrafos da cena contemporânea, entre eles, o colombiano Luis Garay e o próprio Marcelo Evelin.

Para a montagem desta célebre obra, a parceria entre Renato e Rodrigo se mantém para criarem uma leitura cinematográfica sobre a primeira parte da obra. Para a segunda parte, o grupo opta por uma composição coreográfica que é conduzida por Bruno Moreno em parceria com a dançarina convidada Isabella Gonçalves.

Assim, a obra teatral A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga é assinada pelos três integrantes (Rodrigo Batista, Renato Sircilli e Bruno Moreno) que radicalizam a utilização do cinema e da dança para construírem a versão do [pH2] sobre A Sagração da Primavera.

[PH2]: ESTADO DE TEATRO – HISTÓRICO
O [pH2]: estado de teatro foi criado em 2007 no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo e ao longo de oito anos de existência integra artistas que apresentam formações nas áreas teatral, pedagógica, das artes visuais, da dança e do cinema.

Em 2015, apoiados pela 26ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, para o projeto Endividado, o grupo estreia o espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga .

Em 2014 o grupo foi contemplado pelo prêmio Rumos Itaú Cultural para desenvolver o projeto: ¿Qué hacíamos en 1985?: caminos de jovenes creadores latino-americanos. O projeto contou com ações de intercâmbio com os grupos La Maldita Vanidad (Colômbia) e Lagartijas Tiradas al Sol (México) e criação da obra Projeto 85: a dívida em três episódios.

Com o espetáculo Stereo Franz, estreou internacionalmente em junho de 2013 no Büchner International Festival, na Alemanha, e nacionalmente no Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos – MIRADA, em setembro de 2014.

Em 2011, pela 18ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, realizou o projeto Diálogos com o Trágico: perspectivas contemporâneas que compreendeu os dois espetáculos criados pelo grupo em seus primeiros cinco anos de existência (Manter Em Local Seco e Arejado e Mantenha Fora do Alcance de Crianças), a estreia do espetáculo inédito Átridas em novembro de 2012 e a publicação de um Dossiê Filosófico. Entre 2012 e 2013, o grupo, também, circulou nacionalmente através do prêmio ProCultura, com o espetáculo Mantenha Fora do Alcance de Crianças, apresentando nas cidades de Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Londrina, Uberlândia e Santos.

FICHA TÉCNICA:
ATORES e (PERSONAGENS)
Beatriz Id Limongelli (Mônica), Bruno Moreno (David), Cainã Vidor (Tânio), Luiz Pimentel (Lindenbergh), Maria Emília Faganello (Chiara) e Paola Lopes (Lia)
LUZ Luana Gouveia
DESENHO DE SOM E MIXAGEM Cainã Vidor
DIREÇÃO DE ARTE Elton Almeida
CONTRARREGRA Daniela Colazante
MAQUIAGEM Felipe Ramirez
ARTISTA COLABORADOR Marcelo Evelin
MONTAGEM DO FIME Renato Sircilli
DIREÇÃO CINEMATOGRÁFICA Renato Sircilli e Rodrigo Batista
DIREÇÃO COREOGRÁFICA Bruno Moreno e Isabella Gonçalves
ENCENAÇÃO Bruno Moreno, Renato Sircilli e Rodrigo Batista
PRODUÇÃO Palipalan Arte e Cultura
REALIZAÇÃO [pH2]: estado de teatro com apoio da Lei de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo

PARA ROTEIRO
Seis amigos decidem desaparecer para não serem cobrados por suas dívidas morais, financeiras e afetuosas e para tanto inventam modos de serem e estarem invisíveis. Os atores encontram-se embaixo de uma lona preta, deixando seus corpos submersos na permissividade do escuro e do não aparente. Calcados na obra A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, o grupo [pH2]: estado de teatro propõe uma obra teatral baseada no cinema e na dança.

SERVIÇO
A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
Onde: Oficina Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 Bom Retiro – São Paulo – SP
Temporada: de 14 de maio a 4 de junho de 2016
Às quintas, sextas, sábados e segundas, às 20h
Telefone: 11 3221 5558
Duração: 90 minutos Lotação: 40 pessoas Ingresso: Grátis, ingresso uma hora antes

VIRADA CULTURAL – Dia 21 de maio – Sábado
Onde: SESC BELENZINHO – R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo – SP, 03303-000
Sala de Espetáculo 1
Telefone: (11) 2076-9700 – Grátis
21h – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
23h – Curta metragem O Rosto da Mulher Endividada
23h59 – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga

Assessoria de Imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques
Fones: 11 2914 0770 Celular: 11 9 9126 0425
Email: canal.aberto@uol.com.br

Daniele Valério
Fones: 11 9 6705 04 25/ 11 9 8435 6614
E-mail: daniele@canalaberto.com.br

Por Canal Aberto | Márcia Marques |

Anelis Assumpção, Alessandra Leão e Cátia de França em “Cancioneiras”, no Sesc Belenzinho, dentro do ARTE – Substantivo Feminino

As cantoras Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França farão o concerto "Cancioneiras" no Sesc Belenzinho no próximo dia 16. Créditos: divulgação
As cantoras Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França farão o concerto “Cancioneiras” no Sesc Belenzinho no próximo dia 16. Créditos: divulgação

O feminismo tem que existir enquanto houver o machismo.” – Alessandra Leão

Eu sou filha de pai negro e mãe branca e acho que meu papel é me reafirmar como negra, pois vi que esta postura é mais importante.” – Anelis Assumpção

No mundo em que vivo de cantores e pessoas despojadas, a pressão é menor em cima das mulheres, algo diferente da Lady Gaga.” – Cátia de França

O projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta no dia 16 de abril (sábado) o show “Cancioneiras”, com Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia França. As três cantoras-intérpretes fazem da canção um lugar de experimentação e o show traz a união de artistas de diferentes gerações e estados do país. Elas apresentarão músicas próprias e farão duetos inéditos no palco da Comedoria, no Sesc Belenzinho, a partir das 21h.

Em comum, elas percebem que no meio artístico em que transitam há preconceito sim, mas velado, e dizem que em outros estilos a coisa é mais latente. Na história da música, o Brasil é conhecido por grandes cantoras, a maioria delas intérpretes de canções de compositores homens. O espetáculo “Cancioneiras” vem justamente para transgredir essa imagem e traz ao palco artistas que cantam as próprias músicas recheadas de singularidades e uma boa dose de transgressão ao machismo.

O ARTE – Substantivo Feminino se instalou no Sesc Belenzinho para trazer uma série de apresentações de espetáculos, oficinas, intervenções e shows, todas com a temática do feminino. O protagonismo da mulher aqui vai além da maternidade, do lidar com a casa ou com os filhos, está na militância e no empoderamento calcado em ações que a coloquem como dona de si, dos atos e das próprias obras. A mulher política, como centro da questão. As obras escolhidas para o projeto têm diferentes pontos de vista sobre o feminino, e abordam as lutas dentro da história e da sociedade. O ARTE – Substantivo Feminino vai até meados de abril, veja no site do Sesc a programação completa.

Alessandra Leão:
A pernambucana fará um show baseado na trilogia de EPs: Pedra de Sal (2014), Aço (2015) e Língua (2015), que trazem uma nova fase da cantautora em um profundo e íntimo mergulho na construção e desconstrução do seu processo criativo. Nestes discos, Alessandra Leão fortalece o diálogo com outras linguagens artísticas e abre espaços íntimos entre elas. Espaços de invenção e criação, de transgressão e ruptura.

Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral com o elogiado Brinquedo de Tambor, produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. Em 2009, lançou seu segundo CD solo Dois Cordões. Tem realizado turnês no Brasil, Argentina, Colômbia, França, Bélgica, Portugal e Holanda.

O feminismo tem que existir enquanto houver o machismo, então acho que ele sempre terá que existir, porque ele ainda está muito entranhado na nossa sociedade. E o feminismo está em uma fase de construção, dando espaço para a gente poder se reprogramar. No meio em que habito, ele não é tão forte, mas em outros meios sim, ainda vejo bastante a mulher sendo usada como objeto. Hoje, toco apenas com homens, mas antes, quando estava no Cumade Fulozinha, escolhemos ter na banda apenas mulheres, por uma coisa estética. Hoje percebe que fomos feministas e nos tornamos ainda mais com o passar dos anos”, afirma Alessandra.

Anelis Assumpção:
A paulistana filha de Itamar Assumpção iniciou a carreira solo em 2007 e o primeiro disco saiu após o licenciamento dos direitos autorais sobre as obras do pai para a edição de colecionador Caixa Preta. O primeiro álbum “Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa” saiu em 2011 e teve a participação de outras grandes artistas, como Céu, Karina Buhr e Thalma de Freitas. No palco do Sesc Belenzinho, ela apresenta a segunda empreitada, “Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários” (2014) com canções que mostram mulher que não tem medo de apertar na campainha de um amor na madrugada, em “Cê tá com tempo?” ou que escolhem perder a própria festa de casamento para ir ao cinema, em “Song to Rosa”. A mulher empoderada de Anelis é um retrato de si mesma.

O machismo e o racismo são muito velados no meio artístico, a gente nem sempre percebe. E no dia a dia, tem muita gente que nem fala que eu sou negra, dizem coisas como: ‘Mas o seu cabelo não é tão enrolado, né? Mas você tem traços bonitos’. A pessoa pensa que isso vai ajudar e faz de maneira inconsciente muitas vezes. Eu sou filha de pai negro e mãe branca e acho que meu papel é me reafirmar como negra, pois vi que esta postura é mais importante. Mas o preconceito existe e muitas vezes de forma velada. Carrego a bandeira de ser mãe, tenho dois filhos, um de cada pai, sou negra e mulher”, fala.

Anelis iniciou a carreira como backing vocal da banda do pai, Itamar e integrou o grupo Dona Zica, ao lado de Iara Renó e Andréia Dias.

Cátia de França:
A paraibana de João Pessoa, Cátia de França apreendeu a tocar vários instrumentos ainda quando criança, sanfona, piano e violão. As letras são sempre inspiradas em poesias, livros ou entrevistas. A cantora e compositora tem várias composições gravadas por outros artistas, como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai. Este último foi parceiro no disco AVATAR (1998), que também conta com a participação de Chico César. O primeiro disco da cantora foi 20 palavras (1979) em parceria com Zé Ramalho e participações de Dominguinhos, Sivuca, entre outros.

Cátia já foi parceira de palco de Jackson do Pandeiro, na década de 1980, durante a primeira versão do Projeto Pixinguinha. O show é baseado no último disco “No Bagaço da Cana um Brasil” (2012), e as letras vieram dos romances de José Lins do Rego sobre o ciclo da cana de açúcar no Nordeste. No disco, todas as canções são orquestradas pelo coletivo formado apenas por mulheres, o Camerata Arte Mulher, mostrando toda a confluência com o Projeto ARTE – Substantivo Feminino.

Cátia adora brincar no palco e uma das coisas que sempre faz para quebrar o clima frio de começo de show é falar de sua beleza. “Eu uso isso como gancho, porque também fico nervosa no começo do show e quero que as pessoas cheguem mais perto do palco. No mundo em que vivo de cantores e pessoas despojadas, a pressão é menor em cima das mulheres, algo diferente da Lady Gaga. Mas a grande mídia, realmente, acaba fazendo algumas comparações. Elba Ramalho, por exemplo, era conhecida como ‘as pernas mais bonitas’ da música brasileira. Olha para isso! Mas estou muito feliz com este encontro. Vou cantar com mulheres fortes! Imagina cantar com Anelis, que honra!”, conta Cátia.

SERVIÇO:
Cancioneiras com Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França
Local: Sesc Belenzinho – Comedoria – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: dia 16 de abril, às 21h
Duração: 1h30
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br), a partir de 05/04/2016, às 15h30, e nas unidades, a partir de 06/04/2016, às 17h30.
Ingressos: R$ 25,00 (inteira). R$ 12,50 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Telefone: (11) 2076-9700
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Para espetáculos com venda de ingressos: R$ 6,00 (não matriculado); R$ 3,00 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).

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Projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta espetáculo “Agora É Que São Elas” no Sesc Belenzinho

Orquídeas do Brasil, banda de Itamar Assumpção, se encontra com Alice Ruiz no palco do Sesc Belenzinho. Foto: divulgação
Orquídeas do Brasil, banda de Itamar Assumpção, se encontra com Alice Ruiz no palco do Sesc Belenzinho. Foto: divulgação

O projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta no dia 9 de abril (sábado), o espetáculo “Agora é que São Elas”, um encontro da banda Orquídeas do Brasil, que acompanhava o músico Itamar Assumpção, com a poeta Alice Ruiz, que foi uma grande parceira musical. A apresentação será na Comedoria do Sesc Belenzinho, a partir das 21h30.

ARTE – Substantivo Feminino se instalou no Sesc Belenzinho para trazer uma série de apresentações, sejam espetáculos, oficinas, intervenções e shows, todas com a temática do feminino. A mulher aqui está no centro da questão. As obras escolhidas diferentes pontos de vista sobre o feminino, abordando as lutas dentro da história e da sociedade. Confira a programação completa no site do Sesc.

Por isso, este convite para as Orquídeas e para Alice. “Este é um encontro que Itamar queria muito que acontecesse. Quando ele estava doente, eu fui visitá-lo no hospital e ele me contou que queria fazer um disco só com as parcerias dele com a Alice. Então, esse show vem para coroar este desejo do Itamar”, conta Tata Fernandes, uma das Orquídeas, que comanda a voz e violão.

No show, elas irão apresentar várias canções da parceria entre Alice e Itamar, além de algumas inéditas que estão guardadas. A primeira vez em que os dois se encontraram musicalmente foi no disco Sampa Midnight (1986), em “Navalha na Liga” e na história a trilogia Bicho de 7 Cabeças (1993), últimos discos lançados por Itamar, a parceria se intensifica e notabiliza.

Segundo Tata, Itamar estava num momento feminino, com as filhas nascendo, trabalhando apenas com mulheres e ainda em parceria com a poetisa. Um movimento bem à frente de seu tempo, como era Itamar e que reflete bastante no momento em que estamos vivendo, onde o feminismo ganhou força.

Eu acredito que tivemos muitos avanços, mas ainda há muito o que mudar. Já está na hora de não termos mais essa coisa de homem ou mulher, nós temos que nos entender como seres humanos, independentemente de qualquer coisa. Esta semana mesmo, veio o Bolsonaro falar que mulher ganha menos, porque tem filhos. O que a gente precisa hoje é de mais amor, mais respeito, mais compreensão do outro. Precisamos nos unir para o movimento de tolerância”, conta Tata.

Mais sobre as Orquídeas do Brasil

A banda formada por Itamar Assumpção com Tata Fernandes o acompanhou nos anos 90, após ele brigar com sua banda de apoio, a Isca de Polícia. O trabalho mais notável dois foi a Trilogia Bicho de 7 Cabeças, que ganhou o Sétimo Prêmio Sharp de Música, na categoria melhor disco pop-rock.

O show apresentado em 1994 no Sesc Pompeia com participações de Luiz Melodia, Tom Zé, Zélia Duncan, Alzira e Tetê Espindola, e Virgínia Rosa teve performances que marcaram a parceria entre o compositor e as Orquídeas do Brasil. No ano de 2004, após a morte de Itamar as Orquídeas participaram de uma série de shows em homenagem ao compositor.

Em 2006, a banda foi convidada por Jards Macalé a realizar mais apresentações, e no mesmo ano, participaram de shows para o lançamento do songbook Pretobras, Por que que eu não pensei nisso antes? .Desde então elas vem se apresentando repertório a importante parceria com Itamar.

A banda é formada por Georgia Branco (guitarra), Miriam Maria (voz), Tata Fernandes (voz e violão), Simone Julian (sopros), Adriana Sanches (teclados), Nina Blauth (percussão), Clara Bastos (baixo), Lelena Anhaia (baixo).

SERVIÇO:
Show AGORA É QUE SÃO ELAS, com Orquídeas do Brasil e Alice Ruiz
Local: Comedoria – Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: Dia: 9 de abril, às 21h30
Duração: 1h30
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
Ingressos: R$ 25,00 (inteira). R$ 12,50 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Ingressos à venda pelo Portal http://www.sescsp.org.br e nas bilheterias do SescSP. Venda limitada a quatro ingressos por pessoa. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
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Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas no Sesc Belenzinho, dentro do Arte – Substantivo Feminino

Projeto coloca em cena trabalhos em que o protagonismo é da mulher; “Engravidei...” dá voz e revê os estereótipos sobre a mulher negra.. Crédito: divulgação
Projeto coloca em cena trabalhos em que o protagonismo é da mulher; “Engravidei…” dá voz e revê os estereótipos sobre a mulher negra.. Crédito: divulgação

“O espetáculo é sensível às questões femininas negras, discute coisas que não são faladas socialmente, como a saúde da mulher, questões de como elas são tratadas pelo sistema público e a resiliência dessas mulheres. Ela ganha menos, trabalha mais, tem os piores empregos e é responsável pela família e, além de tudo, dificilmente tem um companheiro, fato que impacta e muito sua vida”, Lucelia Sérgio

A partir do depoimento de diversas mulheres, de diferentes camadas sociais e profissões (integrantes do sistema prisional, donas de casa, sambistas, religiosas de matrizes africanas, empresárias, líderes comunitárias, prostitutas, entre outras), colhidos em 2013 pelo coletivo Os Crespos, o grupo concebeu o espetáculo ‘Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas’, que faz temporada no Sesc Belenzinho no período de 31 de março a 03 de abril, dentro do projeto ARTE – Substantivo Feminino, que encerra sua programação em meados de abril.

Em cena, a atriz Lucelia Sérgio – que divide a direção do espetáculo com Sidney Santiago Kuanza – expõe ao público histórias que envolvem violência masculina, sexo, traumas psicológicos e sobrevivência, além de permear temas como afetividade, família, casamento, sexo, solidão, beleza e igualdade.

O espetáculo é parte da trilogia ‘Dos Desmanches aos Sonhos’ que contém ‘Além do Ponto’ e  ‘Cartas à madame Satã ou me desespero sem notícias suas’, que investiga as relações entre afetividade, negritude, gênero e o impacto da escravidão na nossa maneira de amar.

A trilogia vem sendo criada pelos Crespos desde janeiro de 2011 e foi concluída em julho de 2014.  Em cada um dos espetáculos, o grupo abordou a temática da afetividade negra a partir de uma perspectiva diferente.

O espetáculo:
Em cena, a atriz debruça-se sobre cinco mulheres negras e suas privacidades, atira ao público suas trajetórias afetivas, permitindo à plateia conviver, durante o tempo da peça, com seus respectivos cotidianos. Essas mulheres/personagens tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. Como em um jogo, no qual o espectador acompanha a transformação da atriz em diferentes mulheres, a peça cruza fragmentos de vidas, sem necessariamente confrontá-las, entregando para o público a linha que costura seus caminhos.

A cena envolve ambientes privados, casas sem paredes, onde as personagens são reveladas. A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.

Os Crespos:
Os Crespos é um coletivo teatral, composto por atores negros, que realiza pesquisas cênica e audiovisual, além de promover debates e intervenções públicas. Formado na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP, está em atividade desde 2005, tendo realizado excursões por diversas regiões do Brasil e também Alemanha e Espanha.

Em 2006 participou do espetáculo “Anjo Negro + A Missão”, com direção do alemão Frank Castorf; em 2007 realizou o espetáculo autoral “Ensaio Sobre Carolina”, com o qual excursionou por diversas cidades do Brasil nos anos de 2008 e 2009; em 2009 e 2010 apresentou o projeto “A Construção da Imagem e a Imagem Construída”; em 2011 estreou o espetáculo “Além do Ponto”. Em 2012 circulou com o espetáculo pelo Estado de São Paulo e recebeu o Prêmio de Direitos Humanos e Combate ao Racismo Flavio F. Sant’Ana, da prefeitura da Cidade de São Paulo. Em 2013 e 2014 dá continuidade à trilogia Dos Desmanches aos Sonhos estreando os espetáculos “Engravidei, Pari cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas” e “Cartas à Madame Satã Ou Me Desespero Sem Notícias Suas”.

Em 2015 é contemplado pelo Fomento Ao Teatro Para a Cidade de São Paulo, através da qual realiza a pesquisa “De Brasa e Pólvora – Zonas Incendiárias, Panfletos poéticos” que trata das revoltas negras do Brasil e do Caribe. A Cia também realizou, ao longo desses 10 anos, 2 edições da Mostra Cinematográfica “Faz lá o Café”, a 1.a Mostra de Teatro Negro de São Paulo e os premiados curtas “D.O.R”, “Nego Tudo” e “Ser ou Não Ser”, além de produzir a revista “Legítima Defesa – Uma revista de Teatro Negro”.

ARTE – Substantivo Feminino:
O ARTE – Substantivo Feminino põe luz na mulher, como foco principal de obras escolhidas por trazerem temáticas relevantes e de diferentes pontos de vista sobre o feminino. A ideia é abordar a mulher nas artes, tanto no conteúdo das obras – suas lutas em batalhas, dentro da história e da sociedade –, quanto na gestão e criação dos trabalhos.

Ficha técnica:
Direção: Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza. Atriz: Lucelia Sergio. Texto: Cidinha da Silva. Dramaturgia: Cidinha da Silva e Os Crespos. Colaboração Criativa de direção: Aysha Nascimento. Atrizes colaboradoras do processo de criação: Dani Nega, Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt. Direção de arte: Mayara Mascarenhas. Iluminação: Edu Luz. Trilha sonora: Dani Nega.

SERVIÇO:
TEATRO
ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS!
De 31 de março a 03 de abril de 2016, quinta a sábado, às 21h30, e Domingos, às 18h30
Cia Os Crespos. Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.
Sala de Espetáculos I. Duração: 60 minutos
Ingressos:
R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.
Onde:
Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone:
(11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento:
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 11,00 (não matriculado); R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).
Assessoria de Imprensa e Credenciamento:
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Por Márcia Marques e Daniele Valério / Canal Aberto

ARTE – Substantivo Feminino traz o mito da negra Anastácia em Oju Orum, espetáculo infanto juvenil, com o Coletivo Quizumba, no Sesc Belenzinho

Cena do espetáculo Oju Orum. Foto: Alicia Peres
Cena do espetáculo Oju Orum. Foto: Alicia Peres

Em cena, elementos da cultura africana e afro-brasileira – a capoeira angola, o samba, o funk e as narrativas orais – como base da pesquisa do espetáculo.

Quatro mulheres (Anastácia, Alice, Alzira e Anita) em períodos históricos distintos. Em comum, o fato de serem pessoas que, em algum momento das trajetórias, sofreram algum tipo de violência, seja ela simbólica ou não. Com esse mote e direção de Johana Albuquerque, o Coletivo Quizumba faz OJU ORUM, que se apresenta no projeto ARTE – Substantivo Feminino, no Sesc Belenzinho de 24 a 27 de março de 2016. O espetáculo é resultado do projeto Santas de Casa Também Fazem Milagres, contemplado com a Lei de Fomento da Cidade de São Paulo, em sua 25ª edição.

Tendo como elemento disparador o mito da negra Anastácia, o espetáculo Oju Orum apresenta a história de quatro mulheres, em espaços e tempos distintos e simultâneos. Suas narrativas expõem, simbolicamente, os discursos de poder que estão por trás da construção de gêneros. Caladas nas falas e corpos, essas quatro jovens procuram construir uma voz que lhes permita questionar e ressignificar suas vidas.

A direção de Johana Albuquerque é focada no público jovem e tem como base de pesquisa elementos da cultura africana e afro-brasileira, tais como a capoeira angola, o samba, o funk e as narrativas orais. A pesquisa para a dramaturgia desse espetáculo surgiu das muitas versões da história da negra Anastácia (Oju Orum, originalmente), trazida ao Brasil como escrava.

A peça não pretende trazer uma versão da mulher somente como vítima, e sim como ser histórico, sujeito e objeto dessas situações, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, as vivências, experiências e lutas.

Uma busca por contar outras narrativas que vão para além da história hegemônica que impõe, em geral, a perspectiva masculina, heteronormativa, adulta, branca, urbana. É pela força do questionamento que acreditam também no poder de um teatro voltado para juventude e na cultura afro como disparadores éticos e estéticos.

Histórico – Coletivo Quizumba

Fundado em 2008, o Coletivo Quizumba sempre teve as pesquisas pautadas pela cultura afro-brasileira. Os experimentos narrativos iniciaram-se em 2009 e, em 2010, com a estreia do primeiro espetáculo: Quizumba!, contemplado com o Edital ProAC de Montagem de Espetáculo Inédito, da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo.

Em 2012, a partir do estudo sobre a figura do Griot e dos narradores da cultura popular, o grupo estreou Cantos de Aiyê, baseado em contos oriundos de diversos povos do continente africano. Na sequência, em 2013, nasceu o projeto Toguna: narrativas afro-brasileiras.

Contemplado com o Edital ProAC Ocupação de Bibliotecas, ainda em 2013, o coletivo realizou, na Biblioteca Municipal Paulo Duarte, espaço temático especializado em cultura afro-brasileira, um projeto que envolveu apresentações teatrais, shows musicais, mesas de debate, oficinas artísticas, exposições e um sarau. Todas as ações envolveram a comunidade da região do Jabaquara (Zona Sul de São Paulo).

O repertório do Coletivo Quizumba foi apresentado em espaços variados, por diversas cidades do país. Além da capital paulista, já estiveram em Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Sorocaba, Campinas, Salto de Pirapora, Lins, Goiânia – GO e Salvador – BA.

ARTE – Substantivo Feminino
O ARTE – Substantivo Feminino põe luz na mulher, como foco principal de obras escolhidas por trazerem temáticas relevantes e de diferentes pontos de vista sobre o feminino. A ideia é abordar a mulher nas artes, tanto no conteúdo das obras – suas lutas em batalhas, dentro da história e da sociedade –, quanto na gestão e criação dos trabalhos.

Ficha técnica:
Dramaturgia – Tadeu Renato
Encenação – Johana Albuquerque
Co-Direção – Sofia Botelho
Elenco – Camila Andrade, Jefferson Matias, Kenan Bernardes, Thais Dias e Valéria Rocha Músicos – Bel Borges e Melvin Santhana
Direção e Concepção Musical – Jonathan Silva
Preparadora Musical – Bel Borges
Direção em Dança – Verônica Santos
Treinamento Em Capoeira Angola – Pedro Peu
Cenário – Julio Dojcsar – Casa Da Lapa
Figurinos – Éder Lopes
Iluminação – Wagner Antonio
Operador de Luz – André Rodrigues
Brincante (Adereços) – Cleydson Catarina
Visagista – Ariane Molina
Documentarista – Alicia Peres
Designer Gráfico – Murilo Thaveira – Casa Da Lapa
Produção – Coletivo Quizumba

TEATRO INFANTO JUVENIL
OJU ORUM
De 24 a 27 de março de 2016, quinta-feira, às 19h, e sábado e domingo, às 17h.
*sexta-feira não haverá apresentação
Tendo como elemento disparador o mito da negra Anastácia, o espetáculo apresenta a história dessas quatro mulheres, em espaços e tempos distintos e simultâneos. Suas narrativas expõem, simbolicamente, os discursos de poder que estão por trás da construção de gêneros. Caladas em suas falas e corpos, essas jovens procuram construir uma voz que lhes permita questionar e ressignificar suas vidas. A obra não pretende trazer uma versão da mulher somente como vítima, e sim como ser histórico, sujeito e objeto dessas situações, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, suas vivências, experiências e lutas. Uma busca por contar outras narrativas que vão para além da história hegemônica que impõe, em geral, a perspectiva masculina, heteronormativa, adulta, branca, urbana. É pela força do questionamento que acreditamos também no poder de um teatro voltado para juventude e na cultura afro como disparadores éticos e estéticos.
Sala de Espetáculos I. Duração: 95 minutos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.

Onde: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
http://www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 11,00 (não matriculado);
R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).
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