Exposição “Meta-Arquivo” no Sesc Belenzinho

O Sesc Belenzinho apresenta até o próximo domingo, 24 de novembro, a exposição “Meta-Arquivo: 1964-1985. Espaço de Escuta e Leitura de História da Ditadura”, que reúne nove obras inéditas que, com caráter pedagógico, tem como objetivo primordial despertar uma reflexão acerca da documentação pública arquivada pelo Estado Brasileiro.

Com curadoria e pesquisa de Ana Pato, que com metodologia de trabalho que consiste em articulação de pesquisas artísticas e na formação de grupos de trabalho a respeito de arquivos e acervos documentais e artísticos, se consolidou com um grupo de trabalho em julho de 2018 um foco de pesquisa relacionada ao período da Ditadura Civil Militar Brasileira (1964-1985), composto por ela, os artistas e a equipe do Memorial da Resistência.

Os artistas desenvolveram uma ação juntamente aos arquivos que culminaram com as obras presentes na exposição. Criadas a partir desses documentos históricos, os trabalhos trazem à tona a discussão e os motivos que levaram ao “deletamento” da história – e porquê devemos manter presentes esses acervos documentais da nossa história.

Dentre as fontes consultadas para construção dessas obras estão o Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Nacional, Brasil: Nunca Mais digit@l, Memorial da Resistência de São Paulo, Centro de Documentação e Memória da Unesp, Instituto Vladimir Herzog, Museu do Índio, Sesc Memórias, Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf) – Unifesp, Fundación Augusto y León Ferrari Arte y Acervo, entre outros centros de memória, arquivos, institutos e fundações.

O projeto arquitetônico do espaço foi desenvolvido por Anna Ferrari, com estruturas metálicas aparentes que cruzam o local da exposição, fixadas entre o piso e o teto. Essa estrutura possibilita a sobreposição das histórias ali apresentadas e fazem referências ao mobiliário arquivístico e escolar.

A exposição conta também com o Espaço de Pesquisa Meta-Arquivo, que disponibiliza ao público a consulta dos livros, documentos e referências levantados durante o processo de pesquisa dos artistas. Esse material, coletado pelo grupo de trabalho, foi reunido pela curadoria em dossiês e organizado como uma pequena biblioteca.

As temáticas tratadas ao longo da exposição serão acrescidas aos programas públicos, composto por uma série de atividades vinculadas para aprofundamento e reflexão relacionadas às pesquisas feitas pelos artistas presentes na mostra, e a programação integrada que, entre agosto e novembro, apresenta atividades diversas que dialogam com os temas relacionados à exposição.

Participam da mostra Ana Vaz, Grupo Contrafilé, O grupo inteiro, Giselle Beiguelman, Ícaro Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagatini e Traplev.

SERVIÇO:
Exposição: Meta-Arquivo: 1964-1985. Espaço de Escuta e Leitura de História da Ditadura
Onde: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: até 24/11/2019; de terça a sábado, das 10h às 21h; domingo, das 10h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Montagens inéditas de Koffi Kwahulé, dramaturgo costa-marfinense radicado na França, estreiam no Sesc Belenzinho

Cena de Jaz. Foto Ligia Jardim

Autor de mais de 30 textos dramáticos, além de romances e contos, Koffi Kwahulé já teve peças traduzidas para 15 línguas e montagens em países da Europa, África e Américas

Uma dramaturgia baseada na oralidade, textos dramáticos escritos em versos a serviço de um ritmo inspirado pelo jazz, poucas referências aos locais em que ocorrem as ações e personagens alegóricos são algumas das marcas de Koffi Kwahulé, autor franco-marfinense que terá duas peças encenadas no Brasil em outubro, no Sesc Belenzinho: Jaz (4 a 20/10), monólogo traduzido e interpretado por Sofia Boito com direção de Joana Dória; e Big Shoot (25/10 a 10/11), dirigido e traduzido por Janaína Suaudeau e interpretado por Daniel Costa e Daniel Infantini. São as primeiras montagens brasileiras desse dramaturgo.

Sofia Boito e Janaína Suaudeau estudaram na França em diferentes períodos. Fascinadas pela potência da obra de Koffi, traduziram duas de suas peças por iniciativa própria, sem nenhum projeto em vista. No final de 2017, por intermédio de uma amiga em comum, descobriram do envolvimento de ambas com o autor. “Foi uma grande coincidência termos traduzido as peças no mesmo período”, conta Sofia, ressaltando que as duas obras são muito diferentes entre si, mas trazem sínteses importantes sobre a produção dramática de Koffi.

Para Janaína, as montagens dão a oportunidade para que o público tenha um panorama amplo da linguagem e dos temas mais caros para o autor, como a desigualdade social, violência, pobreza e o frequente questionamento sobre as estruturas sociais de poder. “Quando nos encontramos, entendemos nossa oportunidade de fazer algo maior, mais expressivo e que pudesse apresentar a obra do Koffi num mesmo projeto”, complementa Janaína.

As artistas contam que as duas peças compartilham de um clima de suspense, com uma ação que vai se revelando aos poucos, não entregando de uma vez ao público os temas ou o perfil das personagens levantadas em cena. Outra característica das obras é que nenhuma delas especifica local ou data concreta da ação. Esse atributo marcante de Koffi reforça o caráter alegórico e por vezes surrealistas do seu estilo.

SOBRE JAZ
4 a 20 de outubro de 2019
Uma imagem contendo pessoa, parede, interior, mulher
Em estrutura poética e com um forte apelo ao ritmo jazzístico do seu discurso, uma mulher conta que Jaz acaba de ser estuprada. A peça discute a violência em um modelo de sociedade que historicamente subjuga a mulher; não por acaso Jaz apelida o estuprador como “inquisidor” e “homem com o olhar de cristo”. As referências são, respectivamente, os tempos de perseguição às mulheres – conhecidos como o de ‘caça às bruxas’ – e o fundamentalismo religioso que enclausura a mulher em modelos morais. O nome Jaz dá vazão a interpretações múltiplas, como o gênero musical do jazz, fundamental na obra de Koffi, a planta jasmim e o verbo ‘jazer’, usado com frequência para falar sobre um desejo de descanso para quem morre.

“A narrativa não é linear e o público vai captando aos poucos os detalhes sobre a situação contada por essa mulher”, diz Sofia. Além da atriz, está em cena um videomaker (Flavio Barollo) e uma cantora (Ligiana Costa). O videomaker acompanha a mulher o tempo inteiro, propondo com sua câmera um comportamento masculino que aprisiona, possui e recorta os ângulos que deseja obter; já a cantora cria camadas sonoras com sons que se alternam entre cantos, ruídos, respirações e outros recursos que movimentam a cena. O cenário faz alusão a um canteiro de obras. “É um lugar precário que representa tanto o lugar onde Jaz mora como o banheiro público em que ela é estuprada”, conta Sofia. A artista complementa que ela e a diretora Joana Dória optaram por ambientar a cena em um espaço não realista que também tem uma dimensão simbólica, o espaço do trauma.

“Jaz assume traços surrealistas, com um texto em espiral vai oferecendo pistas sobre o que está ocorrendo aos poucos”, ressalta Sofia, destacando que essas características exigiram que, após cada etapa da tradução, a artista promovesse leituras dramáticas para entender se havia coesão entre o texto escrito e o texto falado, com os sentidos e ritmos propostos pelo original de Koffi.

SOBRE BIG SHOOT
25 de outubro a 10 de novembro de 2019
Uma imagem contendo pessoa, homem, vestuário, interior
Big Shoot traz no próprio título a pluralidade de leituras que a peça propõe: a palavra shoot em inglês pode significar tiro, uma carreira de cocaína, um prazer intenso e fugaz, um ensaio fotográfico ou sexo rápido, entre outros significados. Para não comprometer esse leque de possibilidade, Janaína Suaudeau manteve o título original da obra, que é escrita em francês, mas foi nomeada em inglês por Koffi. “Nesta peça, como em outras de sua autoria, as personagens não têm um plano de fundo, nome ou história que os anteceda, o que gera um efeito de suspense no público”, conta Janaína, que além da tradução, também assina direção da obra.

Nesta peça, o público cumpre o papel de uma plateia que está prestes a assistir, voluntariamente, um show de torturas promovido por um homem autodenominado Senhor (Daniel Costa) a uma vítima que ele dá o nome de Stan (Daniel Infantini). Passagens bíblicas sobre os irmãos Caim e Abel são citadas durante a peça – no livro de Gênesis é descrito que, enciumado de seu irmão, Caim matou Abel, cometendo o primeiro homicídio da humanidade. “Essa discussão surge para pensarmos sobre até onde chega a inveja, a ganância, o amor mal resolvido e outras questões humanas que fazem alguém se tornar capaz de um ato tão perverso como matar o seu próximo”, conta Janaína.

Outra referência presente em Big Shoot é o livro O Carrasco, que tem trecho destacado na contracapa da edição francesa da peça. A obra é de autoria do escritor sueco Pär Lagerkvist, ganhador do Prêmio Nobel, e ressalta como a figura de um carrasco precisa ser reforçada pelo apoio social para poder existir.

A premissa violenta é amparada por um ambiente que se assemelha a um show de horrores, a um coliseu, como os que os antigos romanos se reuniam para assistir soldados se digladiarem com as feras – para isso, o cenário representa uma arena quadrada em que há duas cadeiras metálicas, utilizadas nas salas de interrogatórios dos EUA para que o réu não tenha como quebrá-las e usar alguma de suas partes como arma. Sofia Boito assina a luz da peça, que acompanha o ambiente de um show de garagem proposto por uma banda que executa ao vivo um som propositalmente poluído com efeitos sonoros caseiros.  A escolha reforça o perigo da espetacularização da violência, já que a sessão se mostra a cada momento uma espécie de espetáculo grotesco que a plateia deseja assistir. “Uma reflexão indigesta que a peça propõe é de que o carrasco só existe devido à presença de um público que aplaude matanças”, diz Janaína.

MINIBIOS
Koffi Kwahulé
Koffi Kwahulé (1956) é um autor, ensaísta, ator e diretor nascido Costa do Marfim. Ele é formado pelo Instituto de Artes d’Abidjan e pela École National Supérieure des Arts et Techniques du Théâtre de Paris. O dramaturgo também é doutor em estudos teatrais pela Sorbonne Nouvelle Paris III. Kwahulé é autor de mais de trinta peças, publicadas pelas editoras Lansman, Actes-Sud, Acoria et Théâtrales, traduzidas em dezenas de línguas. Suas peças já foram montadas em diferentes países da Europa, África e América Latina, além dos EUA, Canadá, Japão e Austrália. Desde janeiro de 2016 ele é autor associado do CDN de Montluçon, dirigido por Carole Thibaut. Já em seus primeiros textos vemos nascer uma escrita forte, que explode o uso habitual da língua: escrita carnal, concebida na violência imediata que pode ter a oralidade. Uma escrita musical, ardente e cadenciada como um ritmo febril de jazz. Dentre suas peças mais conhecidas e premiadas estão Cette vieille magie noire (1993), Jaz (1998), Big Shoot (2000) et L’odeur des arbres (2014). Pelo conjunto de sua obra recebeu o Prêmio Edouard Glissant em 2013, os Prêmios Mokanda e Prêmio de Excelência da Costa do Marfim em 2015 e em 2017 Kwahulé recebeu o Prêmio Grand Prix CNT pela peça L’odeur des abres e ganhou o Prêmio Bernard-Marie Koltès pela mesma obra em 2018.

Janaína Suaudeau
É uma atriz e diretora franco-brasileira. Ela se forma no Teatro Escola Célia Helena e no Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática em Paris (CNSAD). Em Paris, atua em várias montagens, entre as mais importantes La Ville de Crimp direção Marc Paquien; Strindbergman direção Marie Dupleix; La Tempête de Shakespeare direção Georges Lavaudant; Claire en Affaires de Crimp direção Sylvain Maurice. No cinema, atua no longa-metragem Serveuses Demandées de Guylaine Dionne. Atua em vários curta-metragens. Foi coordenadora geral de produção, além de atriz, do espetáculo Strindbergman com sua parceira Nicole Cordery. O espetáculo veio ao Brasil em 2009, pelo Ano da França no Brasil e ganhou prêmio de Melhor Estreia pelo Guia Folha SP. Em 2012, foram convidadas para fazer parte da Mostra Strinberg produzida pelo SESC SP. Em 2014, estreia a peça Não se brinca com o amor, direção Anne Kessler (sociétaire da Comédie-Française); o espetáculo abre as comemorações dos 50 anos do Teatro Aliança Francesa (São Paulo). Em 2015, é preparadora de elenco do longa metragem Além do Homem, direção Willy Biondani. Estreia o espetáculo Um poema cênico para Ferreira Gullar, direção Ana Nero. É assistente de direção de Bruno Perillo no espetáculo Ato a Quatro de Jane Bodie. Em 2016, estreia a peça No Coração das Máquinas, direção Rita Carelli. É provocadora do espetáculo A Última Dança com Natalia Gonsales. Estreou sua direção Término do amor de Pascal Rambert. Em 2017, é assistente de direção de Nelson Baskerville em Carmen, a partir da obra de Mérimée. É assistente de Lígia Cortez na formatura A Reunificação das duas Coréias de Pommerat na Faculdade de Teatro Célia Helena. Atualmente está em cartaz com a peça Cais Oeste de Bernard-Marie Koltès no Sesc Santo Amaro.

Sofia Boito
É artista e pesquisadora doutora em Artes Cênicas pela ECA-USP. Dedica-se especialmente a projetos artístico-teóricos de caráter performativo, que borrem as fronteiras entre teoria/prática; vida/arte; política/poética. Suas criações transitam entre teatro, performance, fotografia e literatura. Colaborou e atuou em diversos projetos de companhias e coletivos nacionais como Teatro da Vertigem; V.AG.A* – vontade de aglomeração –  assim como coletivos estrangeiros como TeaterKUNST da Dinamarca; o duo português Ana Borralho & João Galante; a companhia portuguesa TMV; e a diretora francesa Nathalie Béasse. Foi dramaturga e atriz da Cia Temporária de Investigação Cênica, com quem criou seis espetáculos, apresentados em diversos locais do Brasil e da Itália. Durante os anos de 2015 e 2016 foi dramaturga-pedagoga do projeto espetáculo da Fábrica de Cultura da Brasilândia. Em 2017 fez estágio de doutorado na Sorbonne Nouvelle em Paris, e em 2018 realizou residência artística na Cité des Arts, também em Paris, onde iniciou o projeto JAZ em parceria com artistas residentes na cidade.

SINOPSE

Jaz – A peça conta a história de uma mulher, Jaz, que sofre uma violência no banheiro público de uma praça. Com linguagem poética e traços surrealistas, o relato contado em uma espiral procura dar conta do trauma vivido pela personagem. Além da atriz, está em cena um videomaker e um cantora que cria as camadas sonoras da peça ao vivo.

Big Shoot – Um carrasco que se passa por um artista, oferece a um público sedento o espetáculo do seu crime; uma série de inquisições e torturas que ele praticará contra sua vítima, a quem dá o nome de Stan. Assim, fabrica o “álibi” necessário para suas pulsões frente a um público que se torna cúmplice do seu sadismo.

FICHAS TÉCNICAS
ESPECIAL KOFFI KWAHULÉ
Concepção: Janaína Suaudeau e Sofia Boito
Dramaturgia: Koffi Kwahulé
Registro em vídeo e teaser: Diogo de Nazaré
Fotografia: Lígia Jardim
Design: Guto Yamamoto
Assessoria de imprensa: Márcia Marques – Canal Aberto
Produção: Mariana Novais e Larissa Maine – Ventania Cultural
Apoio: Institut Français du Brésil, Consulado Geral da França em São Paulo
Agradecimentos: Aliança Francesa de São Paulo e Cité Internationale des Arts.

Jaz
Concepção geral e atuação: Sofia Boito
Tradução: Sofia Boito e Mariana Camargo
Direção: Joana Dória
Composição e performance musical: Ligiana Costa
Vídeo / Operação de vídeo: Flavio Barollo
Coach corporal: Flávia Pinheiro
Cenografia: Flávio Barollo, Joana Dória e Sofia Boito
Figurino: Erika Grizendi
Iluminação: Lucas Pradino e Sofia Boito
Operação de luz: Lucas Pradino
Operação de som: Don Lino
Estagiárias de cenografia e contrarregragem: Ana Suzano, Clara Boucher e Fernanda Marinho.
Produção: Mariana Novais e Larissa Maine – Ventania Cultural

Big Shoot
Direção geral: Janaína Suaudeau
Tradução: Janaína Suaudeau
Colaboração na tradução: Rafael Morpanini
Elenco: Daniel Costa, Daniel Infantini
Músicos: Conrado Goys e Pedro Gongom
Direção musical: Conrado Goys
Trilha sonora: Conrado Goys e Pedro Gongom
Assistente de direção: Victor Abrahão
Cenografia: Ulisses Cohn
Iluminação: Sofia Boito
Figurino: Daniel Infantini
Operação de som: Don Lino
Operação de luz: Priscila Carla
Produção: Mariana Novais e Larissa Maine – Ventania Cultural

SERVIÇO
Jaz
De 4 a 20 de outubro de 2019. Sextas e sábados, 21h30. Domingos e feriados, 18h30
Sesc Belenzinho (Sala de Espetáculos I – 60 lugares)
Duração: 60 minutos
Não recomendado para menores de 18 anos
Ingresso: R$ 9,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes) | R$ 15 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) | R$ 30,00 (inteira).
Ingressos disponíveis pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir de 24/9, às 12h, e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 25/9, às 17h30.

Big Shoot
De 25 de outubro a 10 de novembro de 2019. Sextas e sábados, 21h30. Domingos e feriados, 18h30.
Sesc Belenzinho (Sala de Espetáculos I- 60 lugares)
Duração: 90 minutos
Não recomendado para menores de 18 anos
Ingresso: R$ 9,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes) | R$ 15 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) | R$ 30,00 (inteira).
Ingressos disponíveis pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir de 15/10, às 12h, e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 16/10, às 17h30.

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
http://www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 22h. Domingos e feriados, das 9h às 20h.
Valores para espetáculos pagos, após as 17h: R$ 7,50 (Credencial Plena do Sesc – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo). R$ 15,00 (não credenciados).

INFORMAÇÕES À IMPRENSA
Assessoria de Imprensa Especial Koffi Kwahulé
Canal Aberto
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Contatos: (11) 2914 0770 | 9 9126 0425 | 9 8435 6614 | 9 9906 0642
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Transporte Público
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Exposição “Lado B: O Disco de Vinil na Arte Contemporânea Brasileira” no Sesc Belenzinho

A obra “Radiola Pêndulo” (2017), de O Grivo, em exibição no Sesc Belenzinho. Foto: Marcos Santos

O Sesc Belenzinho está com a exposição “Lado B: O Disco de Vinil na Arte Contemporânea Brasileira” em cartaz até o próximo dia 30 de junho, domingo. A mostra exibe um conjunto destoando de obras de artistas brasileiros que ressignificam criativamente as formas e as funções dos dispositivos associados ao universo do vinil.

A produção das obras tem o disco de vinil e o toca-disco como ponto de ignição de pesquisa e experimentação. Os trabalhos são compostos por instalações sonoras e interativas, quadros, esculturas, vídeos, fotografias, discos conceituais, manipulações sônicas e objetos-instrumentos que, de várias formas, expressam de forma criativa o mundo do LP ou, se preferir, “bolacha”.

Os trabalhos reunidos na exposição investigam o disco como objeto e conceito, que provocam debates a respeito dos desenvolvimentos tecnológicos atuais. A mostra apresenta comentários de cunho político, gambiarras tecnológicas, reflexões sobre a morte, orgulho da propriedade ou, ainda, o disco como retrato da individualidade.

Conforme o curador da exposição, Chico Dub, a exposição “realiza um importante papel na aproximação da música com as artes contemporâneas” e deixa claro a importância do disco de vinil como matéria-prima referência.

O disco de vinil já passou por diversas fases em sua história. Mesmo que volte a entrar em desuso, principalmente por causa dos downloads e outras mídias físicas, o seu espaço no imaginário coletivo como figura da fisicalidade sonora e musical permanecerá sempre virtuoso.

Entre os destaques estão: “Radiola Pêndulo” (foto), instalação sonora de 2017, de O Grivo; “Objeto Mídia 3026” (2017), um laminado de madeira, marcheteria sobre toca-discos, disco de vinil e orelhão telefônico, de Thomas Jeferson; o vídeo digital de 14 minutos “A Última Aventura: Suíte Transbrasil” (2011), de Romy Pocztaruk; e “Playlist” (2014), obra de Chelpa Ferro composta por fita cassete e cola.

SERVIÇO:
Exposição: Lado B: O Disco de Vinil na Arte Contemporânea Brasileira
Onde: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: de terça a sábado, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 19h30
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

O Pequeno Príncipe Preto estreia no Sesc Belenzinho; peça trata da valorização da cultura negra, retratando a diversidade dos povos

Em cena, os músicos João Vinicius Barbosa, Lurian Moura e o ator Junior Dantas, que integra a Cia. Omondé há 9 anos. Créditos: divulgação

O espetáculo tem percussão de tambores, lundu (ritmos brasileiros), Kuduro (ritmo angolano), jazz e soul (ritmos afro- americanos), e faz a seguinte reflexão (dentre outras): Por que a maioria dos livros infantis só tem heróis e príncipes brancos e de olhos claros?

O espetáculo, que circulou por 18 cidades do Sudeste, Norte e Nordeste do País, já foi assistido por mais de 40 mil espectadores em 100 apresentações.

Teatro Infantojuvenil – O Pequeno Príncipe Preto estreia temporada em São Paulo, no Sesc Belenzinho, dia 25 de maio de 2019, com apresentações aos sábados e domingos, até 16 de junho. Com texto e direção de Rodrigo França, especialista em filosofia para crianças e pesquisas relacionadas à cultura negra, a peça tem em cena o ator Junior Dantas, os músicos Reinaldo Junior, Lurian Moura e João Vinícius Barbosa, que também assina a direção musical e arranjos para as músicas originais que compôs. A iluminação é de Ana Luzia Mollinari de Simoni e João Gioia, o cenário é de Mina Quental.

O espetáculo conta a história de um príncipe que percorre vários planetas com a missão de plantar as sementes da empatia, amor, respeito, coletividade, generosidade e aprendizado familiar. Com diferentes linguagens, o infanto-juvenil exalta a valorização da cultura negra e retrata o quanto é bonita a diversidade de cada povo.

O projeto surge de perguntas que ainda ecoam: Por que a maioria dos livros infantis só tem heróis e príncipes brancos e de olhos claros? Por que as bonecas e bonecos têm características físicas que não se assemelham com a maioria da população brasileira? Por que nas canções e contos infantis o branco é belo e puro e o preto não? As respostas para essas perguntas visam contribuir com o empoderamento, com a autoestima e com o imaginário formativo de crianças e adolescentes negros apresentando personagens de destaque que se assemelhem a eles e façam com que se sintam representados nas histórias que tem acesso.

A cultura afro-brasileira e africana sempre foi lembrada, exclusivamente, com a temática escravidão no Brasil, a encenação tem uma narrativa que ressignifica muitos fatos históricos. O espetáculo é quase todo embalado por percussão de tambores, somado com lundu (ritmos brasileiros), Kuduro (ritmo angolano) e jazz e soul (ritmos afro- americanos), com uma trilha musical feita especialmente para o espetáculo. A nossa brasilidade múltipla está em cena, através do respeito à diversidade de cores, características, sabores, texturas, sonoridades e sotaques.

Rodrigo França
Desde 1992 nos palcos, participou da Cia de Antonio Pedro Borges atuando em 14 montagens, entre elas: Madame Satã, A Saga da Farinha, Macbeth, Electra, Os Bárbaros e os Nobres e Rei de Copas. Dirigiu: Ose Mimo, Inimigo Oculto, Último Trago, Palavra de Mulher e Doce Canção. Atuou nos espetáculos: Contos Negreiros do Brasil, dir. Fernando Philbert; Jacinta e Orfeu da Conceição com dir. de Aderbal Freire-Filho; Gota D’Água, dir. João Fonseca; Cauby! Cauby!, dir. Flávio Marinho e Diogo Vilela; Otelo da Mangueira, dir. Daniel Hertz; A Canção Brasileira, dir. Paulo Betti; Cacilda Becker, dir. José Celso Martinez Corrêa; As Mil Frases de Nelson Rodrigues, dir. Antônio Abujamra.

Junior Dantas
Ator e jornalista, é potiguar, natural de Ipueira (RN). Integrante da cia. OMONDÉ, no Rio de Janeiro, fez “As Conchambranças de Quaderna” de Ariano Suassuna, “Os Mamutes” e “Infância, Tiros e Plumas”, de Jô Bilac, “Nem Mesmo Todo o Oceano”, de Alcione Araújo e “Os Inadequados” que tem texto coletivo. Todos com direção de Inez Viana. Atuou nos curtas: “Chiaroscuro” (Dir. Anna Israel), “Loucura” (Dir. Elias Hatab), “Urano” (Dir. Daniel Nolasco) e “Conectados” (Dir. Tiago Apolinário).

SINOPSE
O espetáculo infantojuvenil ‘O Pequeno Príncipe Preto’ conta a história de um príncipe que percorre diferentes planetas em uma jornada de entendimento sobre a importância da valorização da sua cultura e descobre o quanto é bonita a diversidade de cada povo. Em suas viagens, tem como objetivo espalhar as sementes da Baobá, árvore milenar do seu planeta, que lhe ensinou o conceito de UBUNTU: eu sou porque nós somos. Em cada planeta que passa, o príncipe transmite o UBUNTU à personagens que encontra, evidenciando a importância dessas sementes também para outros povos.

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Rodrigo França
Atuação: Junior Dantas
Direção Musical, Músicas e Arranjos: João Vinícius Barbosa
Diretora Assistente: Mery Delmond
Cenografia: Mina Quental
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni e João Gioia
Figurino: Lucas Pocian
Interface Crítica: Sol Miranda
Programação Visual e Animações: Juliana Barbosa
Direção de Movimento: Kennedy Lima
Consultoria de Dança Africana: Valéria Monã
Preparação Vocal: Adrén Alvez e João Gomes
Músicos – Trilha Sonora:
João Vinícius Barbosa – Violão
Lúrian Moura – Violoncelo
Reinaldo Junior
Leo Carvalho (substituto)
Fotografia, Edição e Gestão de Mídias Sociais: Rodrigo Menezes
Documentação: Bia Medeiros
Assistentes de Cenografia: Larissa Pinto e Matheus Ribeiro
Produção: Pé de Vento Produções
Assistente de Produção: João Paulo Rodrigues
Direção de Produção: Douglas Resende
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

SERVIÇO
O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO
De 25 de maio a 16 de junho de 2019
Sábados e domingos, 12h
Local: Teatro (364 lugares).
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 6,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes. Gratuito para crianças até 12 anos, com retirada de ingresso.
Ingressos à venda nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 15 de maio, às 17h30
Recomendação etária: Livre | Duração: 50 minutos

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
http://www.sescsp.org.br/belenzinho
Bilheteria
De terça a sábado, das 9h às 21h30. Domingos e feriados, das 9h às 19h30
Forma de Pagamento (Venda Presencial): Dinheiro, Débito, Crédito (à vista) e Voucher Cultura
Bandeiras de Cartões Débito e Crédito: Mastercard, Diners, Visa, Aura, Cabal, Elo, Hipercard, Maestro, Redeshop, Visa Electron
Bandeiras Vouchers Cultura: Alelo, Sodexo, VR, Ticket
Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 22h. Domingos e feriados, das 9h às 20h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.
Para espetáculos pagos, após as 17h: R$ 7,50 (Credencial Plena do Sesc – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo). R$ 15,00 (não matriculado).
Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

Assessoria de Imprensa Sesc Belenzinho
Poliana M. Queiroz | Marcelo Júnior | Silchya Rodrigues
(11) 2076-9762 | 2076-9763
imprensa@belenzinho.sescsp.org.br

Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 | Celulares: 11 9 9126 0425 | 9 8435 6614
Email: marcia@canalaberto.com.br | http://www.canalaberto.com.br

Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto

Sesc Belenzinho convida o Coletivo Estopô Balaio para o projeto Teatro Fora da Caixa; apresentações serão na unidade e nos trens da CPTM

O tríptico “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”, “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” (foto) e “Carta 3 – A Velhice, o artista” levam o espectador às histórias de (i)migrantes na cidade de São Paulo. Foto: Andre Cherri

Natália, minha filha, estou indo embora. Estou indo… Partindo para a cidade grande. Cansei de apanhar da vida, do teu pai e da fome. Por aqui se faz de tudo para vencer. Para vender. Tudo. Olha pra ele aqui dentro! Passam o dia inteiro tentando matar a fome da travessia. Essa fome de cidade. Essa cidade-fome que vive no pensamento dessa gente aqui”. Janaina, protagonista da vida real e da “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher

O Sesc Belenzinho convida, a partir do dia 6 de abril de 2018, em seu projeto Teatro Fora da Caixa, o Coletivo Estopô Balaio com seus três espetáculos: “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”, “Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” e “Carta 3 – A Velhice, o artista”, os dois últimos realizados nos vagões de trens da CPTM.

As três Cartas compõem o tríptico do projeto “Nos Trilhos Abertos de um Leste Migrante”, que reúne três histórias sobre sonhos, fugas e lembranças. Estão em cena as trajetórias de vida de Martha e seu filho Erik (Carta1), Janaína (Carta 2), e do Sr. Vital (Carta 3), (i)migrantes que saíram da Bolívia, de Pernambuco e de Minas Gerais, respectivamente, para construir novas narrativas pessoais na cidade de São Paulo.

O Teatro Fora da Caixa, do Sesc Belenzinho, está em sua segunda edição e neste projeto participam peças e intervenções criadas para espaços não convencionais como praças, corredores, lugares de passagem, áreas de trânsito dos públicos, etc. Ao projeto interessam obras teatrais em que o espaço é elemento central para a dramaturgia e estratégia para o jogo teatral.

Os espetáculos do Coletivo Estopô Balaio serão encenados – e vividos por seus protagonistas e pelo público – no Sesc Belenzinho (“Carta 1 – A Infância, promessa de mãe”) e nos trens da CPTM (“Carta 2 – A Vida Adulta, a Mulher” e “Carta 3 – A Velhice, o artista”), em viagens em direção à Guaianazes e Rio Grande da Serra, respectivamente. Munidos com fones de ouvido e MP4, os passageiros são convidados a avançar o olhar pelas janelas do trem, onde o audiotour auxilia no mergulho das narrativas que perpassam a vida dos imigrantes da América Latina.

Dentro da programação do projeto, o diretor do coletivo João.Junior, ministrará a oficina ‘A Praça’, com jogos, improvisações, entrevistas e escritas de cartas que serão ferramentas para o percurso de estímulo às memórias individuais, e uma rede de acontecimentos que se interseccionem e se instalam no espaço arquitetônico da praça localizada na entrada da unidade do Belenzinho, onde a ação formativa finalizará com apresentação/instalação aberta à fruição pública.

A partir da ideia de biodrama (desenvolvido pela artista argentina Vivi Tellas), o trabalho a ser realizado utilizará da biografia dos participantes e de seus imaginários sobre a imagem da praça como meio para mergulhar em questões mais abrangentes.

“Carta 1 – A infância, promessa de mãe”

A “Carta 1 – A Infância, promessa de mãe” traz a história de Erik, filho de bolivianos. Já no Brasil, Martha, sua mãe, escreveu uma carta para seu pai (avô de Erik, que estava doente na Bolívia). Martha, com o desejo de rever seu pai na Bolívia, fez a promessa de não cortar o cabelo do filho pequeno enquanto não pudesse voltar ao seu país natal e rever seu pai, para que ele mesmo pudesse cortar o cabelo de Erik. Essa prática cultural boliviana – em que alguém mais velho corta o cabelo da criança e dá a ela um presente – não levava em conta as dificuldades financeiras de Martha voltar à Bolívia e o tempo passou, sem que ela conseguisse cumprir a promessa. O cabelo do menino alcançou um tamanho gigantesco, o que gerou problemas na escola, no bairro e na vida social do garoto.

Quando finalmente a mãe de Erik conseguiu voltar ao seu país com o menino, o avô de Erik não se achou à altura de cumprir a promessa e não cortou o cabelo do neto. Foi então que Erik teve a ideia de oferecer sua história para um programa da TV aberta: o cabelo imenso (media cerca de 1,20m) poderia resolver parte dos problemas financeiros da família. E assim foi que o garoto expôs sua história na TV e conseguiu reformar seu quarto.

A história de Erik se entrelaça com o jogo geopolítico existente entre os países da América Latina e suas relações comerciais, afetivas e de poder. De maneira bem humorada, Erik e Martha propõem uma reflexão sobre os problemas enfrentados pelos cidadãos latino-americanos: das promessas de lucro fácil (na imigração para o Brasil), à realidade da semiescravidão do setor têxtil, tudo é demasiado real e cruel nessa relação de irmandade com os vizinhos brasileiros.

“Carta 2 – A vida adulta, a mulher”

A “Carta 2 – A vida adulta, a mulher” traz a história de Janaina. Nascida e crescida em Pernambuco, em Bonança, sofreu diversos tipos de abuso na infância. Aos 15 anos, foi entregue a um homem ao qual teve que chamar de marido. O sonho da festa de 15 anos, uma idade emblemática, foi interrompido pela transformação forçosa dessa menina em mulher.

Foram 18 anos de um relacionamento abusivo com seu “marido”. Janaina passou por vários tipos de violência – a mais frequente era a doméstica – mas chegou a apanhar dele até mesmo dentro do hospital onde estava internada por causa das surras que recebia.

Estimulada pelos seus dois filhos, Janaina se libertou do relacionamento e veio para São Paulo, com milhões de sonhos na mala. Há seis anos aqui, Janaina é uma das seguranças da estação central da CPTM, no Brás. A narrativa construída pelo Coletivo Estopô Balaio é refazer a festa de 15 anos que Janaína não teve, mas no local que ela escolheu para si: na própria estação de trens.  É ali que o público verá a transformação de menina/mulher, mas em uma festa. A viagem, que parte da estação Brás com destino a Guaianases, é para buscar o bolo de aniversário, uma festa na estação do trem, para público/convidados.

“Carta 3 – A velhice, o artista”

A “Carta 3 – A velhice, o artista” conta a história de Sr. Vital. Nascido em Mariana (MG), na roça, saiu de lá em 1964, para tentar a sorte na famosa cidade de São Paulo. O destino profissional do Sr. Vital cruzou diversas metalúrgicas, em épocas que o sindicalismo era bastante forte, vivenciou lutas e os desdobramentos trabalhistas do período. Mas o sonho do Sr. Vital sempre foi tocar sanfona. E foi só na sua aposentadoria que um empréstimo bancário fez o sonho virar realidade.  E hoje ele toca, toca por aí, pelo prazer de tocar. Já tocou inclusive com Chico César, sem sequer imaginar o tamanho da trajetória musical de seu parceiro.

O Sr. Vital se envolveu no assunto “cartas e Estopô Balaio” quando ofereceu sua música como ferramenta para encorajar os transeuntes da estação de trem do Brás a escreverem cartas, por meio dos integrantes do coletivo. Ele, que estava em processo de alfabetização, aproveitou o ensejo e se permitiu escrever cartas para os amigos.

Em cena, Sr. Vital rememora seu passado de metalúrgico, sua infância e as privações da velhice. Partindo da estação Brás, com destino a Rio Grande da Serra, a partir das janelas do trem é possível ver muitas paisagens, como a de fábricas abandonadas e trens antigos, que revelam a mobilidade urbana dos anos 60. Os rios lameados que cortam o trajeto remetem à sua meninice e provocam-no a pensar em sua cidade natal, Mariana, e seu Rio Doce. Nas inquietações sobre a velhice, o Sr. Vital questiona o confinamento dos idosos em asilos – privados de sua liberdade sobre essa escolha.

Coletivo Estopô Balaio

O Estopô Balaio é um coletivo de artistas formado em 2011 na cidade de São Paulo que conta em sua maioria com a participação de artistas migrantes. É por esta condição de vida, a de um ser migrante, que o coletivo se reuniu, no desejo de aferir um olhar sobre a prática artística encontrando como estrangeiros a distância necessária para enxergar o olhar de destino e dos seus desejos.

A distância geográfica das lembranças e paisagens dos integrantes levaram a uma tentativa inútil na busca por pertencimento à capital paulista. Era preciso reinventá-la para poder praticá-la. Na busca pelo lugar perdido da memória, eles seguiram para fora e à medida que se distanciavam de um tipo de cidade localizada em seu centro geográfico, foram se aproximando de outras cidades, de outros modos de vida e de novos compartilhamentos.

O cinturão periférico da cidade no seu vetor leste revelou um pedaço daquilo que tinha ficado para trás. Havia um Nordeste em São Paulo que estava escondido das grandes avenidas e dos prédios altos do centro paulistano. O Jardim Romano é um pedaço do cinturão periférico que guarda lembranças alijadas da construção histórica da cidade-império.

Os edifícios que arranham o céu ajudam a esconder e afastar um contingente populacional que não consegue se inserir nos apartamentos construídos em novos condomínios. A memória partilhada nos seis anos de residência artística no Jardim Romano são as de estrangeiros de um lugar distante e a destes pequenos deuses alagados de uma cidade submersa pelo esquecimento.

O encontro com o bairro Jardim Romano se deu num processo de identificação, pois a maioria de seus moradores são também migrantes nordestinos que fincaram suas histórias de vida nos rincões da capital paulista. O alagamento do Jardim Romano era real, oriundo da expansão desordenada da cidade, o do coletivo era simbólico, originário da distância e saudade daquilo que deixaram para trás.

O Estopô Balaio traçou no final de 2016 possibilidades para a expansão do seu território cultural. Para tanto, iniciou o projeto “Nos trilhos abertos de um leste migrante” que se estabelece no encontro e no afeto com outros bairros da zona leste de São Paulo.  O Jardim Romano segue com atividades constantes na sede do Coletivo, a Casa Balaio, com saraus, apresentações de espetáculos, oficinas de teatro, projeções de filmes, entre outras.

Ficha Técnica

Ideia original e direção geral: João.Júnior/ Coordenação de Dramaturgia Cartas 2 e 3: Ana Carolina Marinho e João.Júnior/ Dramaturgia Carta 1: João.Júnior/ Codireção Carta 1: Juão Nin/ Elenco: Adriana Guerra, Ailton Barros, Amanda Preisig, Ana Carolina Marinho, Ana Clau, André Maria Leão, Anna Zepa, Barbara Santos, Bastian Thurner, Carol Piñeiro, Filipe Ramos, Jhonny Salaberg, Juão Nin, Júlio Lorosh, Marina Esteves, Romário Oliveira, Tati Caltabiano/ Assistente de Direção Cartas 2 e 3: Tati Caltabiano/ Trilha Sonora (audiotour): Marko Concá/ Direção de Arte: João.Júnior e Juão Nin/ Produção: João.Júnior/ Produção executiva: Ana Carolina Marinho/ Assistente de Produção: Wemerson Nunes/ Figurino Carta 1: Sandra Pestana/ Iluminação Carta 1: Rodrigo Silbat/ Video Mapping Carta 1: Flávio Barollo/ Preparação corporal: Bruna Longo

SERVIÇO “Nos Trilhos Abertos de um Leste Migrante”
Carta 1: A infância, promessa de mãe
Sesc Belenzinho | De 06 a 08 de abril de 2018
Horário: Sexta e sábado, às 21h30 e domingo, às 18h
Local: Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I – R. Padre Adelino, 1000, Belém/ SP
Lotação: 100 pessoas | Duração: 90 min | Classificação: 12 anos
Ingresso: Grátis. Retirada com 1h de antecedência.

Carta 2: A vida adulta, a mulher (linha 11 da CPTM)
Linha 11 da CPTM | Dias 12 e 13 de abril de 2018
Horário: 14h (chegar com 30min de antecedência, as reservas caem às 13h30)
Local: Espaço Cultural da Estação Brás – Linha Vermelha CPTM
Lotação: 50 pessoas | Duração: 120 min | Classificação: 12 anos
Reservas: reservas@coletivoestopobalaio.com.br

Carta 3: A velhice, o artista (linha 10 da CPTM)
Linha 11 da CPTM | Dias 19 e 20 de abril de 2018
Horário: 14h (chegar com 30min de antecedência, as reservas caem às 13h30)
Local: Espaço Cultural da Estação Brás
Lotação: 50 pessoas/ Duração: 160 min/ Classificação: 12 anos
Reservas: reservas@coletivoestopobalaio.com.br

Oficina A Praça
Dias: 10 a 25/04. Terças e quartas, das 15h às 19h; 26 e 27/04. Quinta e sexta, das 15h às 19h; 28/04. Sábado, das 15h às 20h; 29/04 Domingo, das 14h às 19h
Duração: 42h| 30 vagas | Recomendação: 18 anos | Grátis
Público: interessados nos aspectos que serão abordados, estudantes das artes e artistas em geral.
Seleção por meio de carta de interesse, que devem ser enviadas até 05/04 para o e-mail oficinadeteatro@belenzinho.sescsp.org.br

Informações à imprensa
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Por Daniele Valério | Canal Aberto

“A Invenção do Nordeste”, nova peça do Grupo Carmin, estreia no Sesc Belenzinho

Cena de “A Invenção do Nordeste”. Foto de José Tellys Fagundes Borges

Motivada por uma série de reações xenófobas contra os nordestinos, durante as eleições presidenciais de 2014, Quitéria Kelly, atriz do Grupo Carmin, entrou em contato com a obra do Professor Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr, que escreveu o livro: “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”. Quitéria então compartilhou com os demais integrantes da companhia o seu desejo de criar uma peça que contribuísse para a desconstrução da imagem estereotipada do Nordeste e do(a) nordestino(a).

Passados cerca de três anos dessa inquietação, estreia dia 2 de novembro de 2017 o espetáculo “A Invenção do Nordeste” no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Em cena, os atores Mateus Cardoso, Robson Medeiros e Henrique Fontes, que assina a dramaturgia junto com Pablo Capistrano.  Fundadora da companhia – que já tem uma década de estrada completada em 2017 – a atriz Quitéria Kelly dirige pela primeira vez uma montagem do Carmin. Em temporada recente na capital paulistana com outro espetáculo (Jacy), o grupo arrebatou a plateia e os críticos, o que resultou em cinco indicações a prêmios na cidade (três no Prêmio Aplauso Brasil – espetáculo, direção e dramaturgia – e outros dois na APCA – espetáculo e autor).

Durante dois anos de pesquisa, o Grupo Carmin mergulhou nos questionamentos dos mecanismos estéticos, históricos e culturais que contribuíram para a formação de uma visão do nordeste brasileiro como um espaço idealizado, deslocado do processo histórico e imune ao impacto das grandes transformações sociais.

A partir daí, os dramaturgos Pablo Capistrano e Henrique Fontes escreveram uma autoficção onde um diretor é contratado por uma grande produtora para preparar dois atores norte-rio-grandenses, que disputam o papel de um personagem nordestino. Durante o tempo da preparação, a identidade nordestina entra em cheque. Afinal, existiria apenas uma identidade nordestina?

A peça “A Invenção do Nordeste” propõe desenhar a trajetória hilária e por vezes conflitante da história recente do estabelecimento da região nordeste. Essa unidade sociopolítica e cultural com todas as suas individualidades e também todos os estereótipos alimentados por décadas pela literatura, cinema, música e artes visuais brasileiras.

“A Invenção do Nordeste” estreou em agosto de 2017 e já participou da Mostra Sesc Velho Chico em Petrolina/PE e dos Festivais “O Mundo Inteiro é Um Palco” em Natal e MARTE em João Pessoa. Os atores Mateus Cardoso e Robson Medeiros foram recentemente indicados ao Troféu Cultura RN, na categoria melhor ator pela peça “A Invenção do Nordeste” e o Grupo Carmin, nesse mesmo prêmio, concorre na categoria “Artista do Ano” de 2017.

Sinopse “A Invenção do Nordeste”

Um diretor é contratado por uma grande produtora para realizar a missão de selecionar um ator nordestino que possa interpretar com maestria um personagem nordestino. Depois de vários testes e entrevistas, dois atores vão para a final e o diretor tem sete semanas para deixá-los prontos para o último teste.

Durante as sete semanas de preparação, os atores refletem sobre sua identidade, cultura, história pessoal e descobrem que ser e viver um personagem nordestino não é tarefa simples.

O espetáculo é uma obra de autoficção baseada no livro homônimo do Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr. Dirigida por Quitéria Kelly, com dramaturgia de Henrique Fontes e Pablo Capistrano.

FICHA TÉCNICA
A Invenção do Nordeste | Grupo Carmin, 2017
Espetáculo inspirado na obra homônima do Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr.
Elenco | Henrique Fontes, Mateus Cardoso e Robson Medeiros
Direção e figurino | Quitéria Kelly
Pedro Fiuza | Assistência de direção, dramaturgia audiovisual e desenho de luz
Consultoria histórica e de roteiro | Durval Muniz de Albuquerque Jr.
Direção de arte e cenografia | Mathieu Duvignaud
Dramaturgia | Henrique Fontes e Pablo Capistrano
Preparação corporal | Ana Claudia Albano Viana
Preparação vocal | Gilmar Bedaque
Produção executiva | Mariana Hardi
Trilha original | Gabriel Souto / Toni Gregório
Design gráfico | Teo Viana
Xilogravura | Erick Lima
Costureira | Kátia Dantas
Cenotécnico | Irapuã Junior
Edição de vídeo | Juliano Barreto
Locução | Daniele Avila Small
Assistência técnica | Anderson Galdino

SERVIÇO
A INVENÇÃO DO NORDESTE
De 02 a 26 de novembro de 2017.
Quinta a sábado, às 21h30, e domingos e feriado (02/11), às 18h30.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I
Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo/SP
Tel. (11) 2076-9700
Capacidade: 120 lugares / Recomendação: 12 anos / Duração: 60 min
Ingressos: – R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

Informações para a imprensa
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Por Daniele Valério | Canal Aberto

Estreia de A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga, da [ph2]:estado de teatro

Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação
Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação

As cenas, tanto as da tela quanto as presenciais, acontecem embaixo de uma lona preta de aproximadamente 100m2.

Há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”. Bruno Moreno, um dos diretores do espetáculo

Dívida. Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo feminino DÍVIDA envolve alguns significados, dentre eles o de culpa, pecado, a obrigação de pagar, dar ou fazer uma determinada coisa a alguém. Uma condição forçada. A partir de um processo de pesquisa que chegou à constatação de que estamos todos na condição de devedores (da dívida financeira à amorosa, passando pelas morais e subjetivas), o [pH2]: estado de teatro montou A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga, e faz sua estreia dia 14 de maio na Oficina Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo, SP). A temporada, gratuita, vai até o dia 04 de junho. Esse projeto foi contemplado pela 26a edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

A dívida que o grupo não paga – Ao chegar ao teatro, o espectador vai se deparar com uma companhia que deseja inserir o cinema e a dança como parte fundamental dessa nova montagem. O espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga começa com o encontro de seis pessoas dispostas a não pagarem suas dívidas e que, por isso, decidiram tentar desaparecer. Os personagens Mônica, Lia, Lindenbergh, Tânio, Chiara e David, que não são adultos, nem são crianças, inventam, cada um à sua maneira, a forma de não pagar suas dívidas. Assim como em Os Idiotas, de Lars von Triers, em que o diretor dinamarquês filma um grupo de amigos que decide virar as costas para as regras e hipocrisias da sociedade, o grupo [pH2]: estado de teatro utiliza-se de um devir-criança para o registro de interpretação dos atores em cena.

Os modos como esses amigos ensaiam seus desaparecimentos incluem o planejamento da própria morte, passando pela possibilidade de uma abdução por extraterrestres, e o desaparecimento pelo mar; transmutando-se em sereia. O desenvolvimento das situações neste momento da obra ocorre por meio de um filme rodado com uma câmera GoPro, dirigida por Renato Sircilli e Rodrigo Batista. É através de uma projeção que a plateia verá os corpos dos atores do [pH2] em cenas que dialogam com os movimentos da música de Stravinsky.

Na segunda parte da música, esses mesmos atores, agora ao vivo, dançam o momento do sacrifício da primavera. Embora presentes, o público não verá os atores, mas assistirá o que resulta dessa coreografia encoberta pela lona, quando a possibilidade do anonimato pode conferir aos corpos, e quem sabe à própria vida, um estado de maior permissividade.

PESQUISA E MONTAGEM
Para nortear uma das etapas dessa criação, o grupo convidou o bailarino e coreógrafo Marcelo Evelin para fazer uma proposição que pudesse agregar elementos ao tema da dívida. O mote do endividamento nasceu no Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, ainda no ano de 2015, quando o [pH2] se uniu às companhias Lagartijas Tiradas al Sol (Cidade do México) e ao grupo colombiano La Maldita Vanidad (Bogotá) para refletir sobre a história recente dos três países. Nesta ocasião, o endividamento público apareceu como eixo central. Na sequência, ao dar prosseguimento à pesquisa do [pH2], o grupo optou por investigar as reverberações da dívida na subjetividade de homens e mulheres que apresentam em seus corpos vestígios de um endividamento que vai muito além do econômico.

Como entra A Sagração da Primavera no contexto proposto pelo grupo? A obra, do compositor erudito russo Igor Stravinsky, conta a história de uma jovem virgem que deve ser sacrificada, como uma oferenda ao deus da primavera, para que, nessa estação que se inicia, as terras fossem férteis. Vale lembrar que essa obra demorou cerca de 30 anos para ficar pronta, e hoje está consagrada como uma das mais influentes músicas do início do período moderno.

O ponto de intersecção nasceu dos encontros com Evelin, quando o coreógrafo propôs experiências relacionadas a um corpo permissivo, um corpo sem dívidas. Como seria esse corpo liberto? Como negar e não pagar todas as formas de dívida? “Desaparecer é uma forma de não pagar a dívida”, foi uma das conclusões do grupo nas palavras de um dos diretores da montagem, Rodrigo Batista, que complementa que “você tem que estar vivo para ser devedor, se você desaparece não há mais possibilidade de cobrança de dívidas”.

E assim foi feito. O grupo desaparece em cena. Embaixo de uma lona preta, dessas de construção, com cerca de 100 m2, os atores e atrizes do [pH2] dançam A Sagração da Primavera. Mas não pagam a dívida ao público de exibir a coreografia mais montada ao redor do mundo, a obra considerada uma antítese do ballet moderno, demarcadora de fases na dança mundial. É por baixo da lona que aparece um corpo capaz de se libertar. Segundo outro diretor da montagem, Bruno Moreno, “há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”.

SOBRE A ENCENAÇÃO
Desde a sua fundação, o grupo interessou-se por trazer – conceitualmente – outras linguagens para a criação de suas obras. Na intenção de radicalizar essa pesquisa audiovisual do grupo, Rodrigo Batista encontrou na parceria com Renato Sircilli – cineasta que dirigiu curtas metragens que circulam por diversos festivais nacionais e internacionais – a chance de juntos produzirem um filme dentro do contexto do Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, contemplado pelo Programa Rumos Itaú Cultural 2014. O Rosto da Mulher Endividada, um dos episódios do Projeto 85, é um filme que conseguiu seguir independente das peças e participar de importantes festivais de cinema, como a Mostra Foco no Festival de Cinema de Tiradentes (2016), além de ganhar o prêmio da Mostra do Filme Livre promovida pelo CCBB (2016).

Para a continuidade da pesquisa, o grupo iniciou a construção do espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga a partir de um laboratório com o coreógrafo piauiense Marcelo Evelin, que serviu como um gatilho para a encenação dessa nova montagem. A ponte para a parceria entre o grupo e o coreógrafo se fez através de Bruno Moreno, também integrante do [pH2] e que, paralelamente, realiza pesquisas em dança por meio de parcerias com renomados coreógrafos da cena contemporânea, entre eles, o colombiano Luis Garay e o próprio Marcelo Evelin.

Para a montagem desta célebre obra, a parceria entre Renato e Rodrigo se mantém para criarem uma leitura cinematográfica sobre a primeira parte da obra. Para a segunda parte, o grupo opta por uma composição coreográfica que é conduzida por Bruno Moreno em parceria com a dançarina convidada Isabella Gonçalves.

Assim, a obra teatral A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga é assinada pelos três integrantes (Rodrigo Batista, Renato Sircilli e Bruno Moreno) que radicalizam a utilização do cinema e da dança para construírem a versão do [pH2] sobre A Sagração da Primavera.

[PH2]: ESTADO DE TEATRO – HISTÓRICO
O [pH2]: estado de teatro foi criado em 2007 no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo e ao longo de oito anos de existência integra artistas que apresentam formações nas áreas teatral, pedagógica, das artes visuais, da dança e do cinema.

Em 2015, apoiados pela 26ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, para o projeto Endividado, o grupo estreia o espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga .

Em 2014 o grupo foi contemplado pelo prêmio Rumos Itaú Cultural para desenvolver o projeto: ¿Qué hacíamos en 1985?: caminos de jovenes creadores latino-americanos. O projeto contou com ações de intercâmbio com os grupos La Maldita Vanidad (Colômbia) e Lagartijas Tiradas al Sol (México) e criação da obra Projeto 85: a dívida em três episódios.

Com o espetáculo Stereo Franz, estreou internacionalmente em junho de 2013 no Büchner International Festival, na Alemanha, e nacionalmente no Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos – MIRADA, em setembro de 2014.

Em 2011, pela 18ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, realizou o projeto Diálogos com o Trágico: perspectivas contemporâneas que compreendeu os dois espetáculos criados pelo grupo em seus primeiros cinco anos de existência (Manter Em Local Seco e Arejado e Mantenha Fora do Alcance de Crianças), a estreia do espetáculo inédito Átridas em novembro de 2012 e a publicação de um Dossiê Filosófico. Entre 2012 e 2013, o grupo, também, circulou nacionalmente através do prêmio ProCultura, com o espetáculo Mantenha Fora do Alcance de Crianças, apresentando nas cidades de Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Londrina, Uberlândia e Santos.

FICHA TÉCNICA:
ATORES e (PERSONAGENS)
Beatriz Id Limongelli (Mônica), Bruno Moreno (David), Cainã Vidor (Tânio), Luiz Pimentel (Lindenbergh), Maria Emília Faganello (Chiara) e Paola Lopes (Lia)
LUZ Luana Gouveia
DESENHO DE SOM E MIXAGEM Cainã Vidor
DIREÇÃO DE ARTE Elton Almeida
CONTRARREGRA Daniela Colazante
MAQUIAGEM Felipe Ramirez
ARTISTA COLABORADOR Marcelo Evelin
MONTAGEM DO FIME Renato Sircilli
DIREÇÃO CINEMATOGRÁFICA Renato Sircilli e Rodrigo Batista
DIREÇÃO COREOGRÁFICA Bruno Moreno e Isabella Gonçalves
ENCENAÇÃO Bruno Moreno, Renato Sircilli e Rodrigo Batista
PRODUÇÃO Palipalan Arte e Cultura
REALIZAÇÃO [pH2]: estado de teatro com apoio da Lei de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo

PARA ROTEIRO
Seis amigos decidem desaparecer para não serem cobrados por suas dívidas morais, financeiras e afetuosas e para tanto inventam modos de serem e estarem invisíveis. Os atores encontram-se embaixo de uma lona preta, deixando seus corpos submersos na permissividade do escuro e do não aparente. Calcados na obra A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, o grupo [pH2]: estado de teatro propõe uma obra teatral baseada no cinema e na dança.

SERVIÇO
A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
Onde: Oficina Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 Bom Retiro – São Paulo – SP
Temporada: de 14 de maio a 4 de junho de 2016
Às quintas, sextas, sábados e segundas, às 20h
Telefone: 11 3221 5558
Duração: 90 minutos Lotação: 40 pessoas Ingresso: Grátis, ingresso uma hora antes

VIRADA CULTURAL – Dia 21 de maio – Sábado
Onde: SESC BELENZINHO – R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo – SP, 03303-000
Sala de Espetáculo 1
Telefone: (11) 2076-9700 – Grátis
21h – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
23h – Curta metragem O Rosto da Mulher Endividada
23h59 – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga

Assessoria de Imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques
Fones: 11 2914 0770 Celular: 11 9 9126 0425
Email: canal.aberto@uol.com.br

Daniele Valério
Fones: 11 9 6705 04 25/ 11 9 8435 6614
E-mail: daniele@canalaberto.com.br

Por Canal Aberto | Márcia Marques |

Anelis Assumpção, Alessandra Leão e Cátia de França em “Cancioneiras”, no Sesc Belenzinho, dentro do ARTE – Substantivo Feminino

As cantoras Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França farão o concerto "Cancioneiras" no Sesc Belenzinho no próximo dia 16. Créditos: divulgação
As cantoras Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França farão o concerto “Cancioneiras” no Sesc Belenzinho no próximo dia 16. Créditos: divulgação

O feminismo tem que existir enquanto houver o machismo.” – Alessandra Leão

Eu sou filha de pai negro e mãe branca e acho que meu papel é me reafirmar como negra, pois vi que esta postura é mais importante.” – Anelis Assumpção

No mundo em que vivo de cantores e pessoas despojadas, a pressão é menor em cima das mulheres, algo diferente da Lady Gaga.” – Cátia de França

O projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta no dia 16 de abril (sábado) o show “Cancioneiras”, com Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia França. As três cantoras-intérpretes fazem da canção um lugar de experimentação e o show traz a união de artistas de diferentes gerações e estados do país. Elas apresentarão músicas próprias e farão duetos inéditos no palco da Comedoria, no Sesc Belenzinho, a partir das 21h.

Em comum, elas percebem que no meio artístico em que transitam há preconceito sim, mas velado, e dizem que em outros estilos a coisa é mais latente. Na história da música, o Brasil é conhecido por grandes cantoras, a maioria delas intérpretes de canções de compositores homens. O espetáculo “Cancioneiras” vem justamente para transgredir essa imagem e traz ao palco artistas que cantam as próprias músicas recheadas de singularidades e uma boa dose de transgressão ao machismo.

O ARTE – Substantivo Feminino se instalou no Sesc Belenzinho para trazer uma série de apresentações de espetáculos, oficinas, intervenções e shows, todas com a temática do feminino. O protagonismo da mulher aqui vai além da maternidade, do lidar com a casa ou com os filhos, está na militância e no empoderamento calcado em ações que a coloquem como dona de si, dos atos e das próprias obras. A mulher política, como centro da questão. As obras escolhidas para o projeto têm diferentes pontos de vista sobre o feminino, e abordam as lutas dentro da história e da sociedade. O ARTE – Substantivo Feminino vai até meados de abril, veja no site do Sesc a programação completa.

Alessandra Leão:
A pernambucana fará um show baseado na trilogia de EPs: Pedra de Sal (2014), Aço (2015) e Língua (2015), que trazem uma nova fase da cantautora em um profundo e íntimo mergulho na construção e desconstrução do seu processo criativo. Nestes discos, Alessandra Leão fortalece o diálogo com outras linguagens artísticas e abre espaços íntimos entre elas. Espaços de invenção e criação, de transgressão e ruptura.

Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral com o elogiado Brinquedo de Tambor, produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. Em 2009, lançou seu segundo CD solo Dois Cordões. Tem realizado turnês no Brasil, Argentina, Colômbia, França, Bélgica, Portugal e Holanda.

O feminismo tem que existir enquanto houver o machismo, então acho que ele sempre terá que existir, porque ele ainda está muito entranhado na nossa sociedade. E o feminismo está em uma fase de construção, dando espaço para a gente poder se reprogramar. No meio em que habito, ele não é tão forte, mas em outros meios sim, ainda vejo bastante a mulher sendo usada como objeto. Hoje, toco apenas com homens, mas antes, quando estava no Cumade Fulozinha, escolhemos ter na banda apenas mulheres, por uma coisa estética. Hoje percebe que fomos feministas e nos tornamos ainda mais com o passar dos anos”, afirma Alessandra.

Anelis Assumpção:
A paulistana filha de Itamar Assumpção iniciou a carreira solo em 2007 e o primeiro disco saiu após o licenciamento dos direitos autorais sobre as obras do pai para a edição de colecionador Caixa Preta. O primeiro álbum “Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa” saiu em 2011 e teve a participação de outras grandes artistas, como Céu, Karina Buhr e Thalma de Freitas. No palco do Sesc Belenzinho, ela apresenta a segunda empreitada, “Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários” (2014) com canções que mostram mulher que não tem medo de apertar na campainha de um amor na madrugada, em “Cê tá com tempo?” ou que escolhem perder a própria festa de casamento para ir ao cinema, em “Song to Rosa”. A mulher empoderada de Anelis é um retrato de si mesma.

O machismo e o racismo são muito velados no meio artístico, a gente nem sempre percebe. E no dia a dia, tem muita gente que nem fala que eu sou negra, dizem coisas como: ‘Mas o seu cabelo não é tão enrolado, né? Mas você tem traços bonitos’. A pessoa pensa que isso vai ajudar e faz de maneira inconsciente muitas vezes. Eu sou filha de pai negro e mãe branca e acho que meu papel é me reafirmar como negra, pois vi que esta postura é mais importante. Mas o preconceito existe e muitas vezes de forma velada. Carrego a bandeira de ser mãe, tenho dois filhos, um de cada pai, sou negra e mulher”, fala.

Anelis iniciou a carreira como backing vocal da banda do pai, Itamar e integrou o grupo Dona Zica, ao lado de Iara Renó e Andréia Dias.

Cátia de França:
A paraibana de João Pessoa, Cátia de França apreendeu a tocar vários instrumentos ainda quando criança, sanfona, piano e violão. As letras são sempre inspiradas em poesias, livros ou entrevistas. A cantora e compositora tem várias composições gravadas por outros artistas, como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai. Este último foi parceiro no disco AVATAR (1998), que também conta com a participação de Chico César. O primeiro disco da cantora foi 20 palavras (1979) em parceria com Zé Ramalho e participações de Dominguinhos, Sivuca, entre outros.

Cátia já foi parceira de palco de Jackson do Pandeiro, na década de 1980, durante a primeira versão do Projeto Pixinguinha. O show é baseado no último disco “No Bagaço da Cana um Brasil” (2012), e as letras vieram dos romances de José Lins do Rego sobre o ciclo da cana de açúcar no Nordeste. No disco, todas as canções são orquestradas pelo coletivo formado apenas por mulheres, o Camerata Arte Mulher, mostrando toda a confluência com o Projeto ARTE – Substantivo Feminino.

Cátia adora brincar no palco e uma das coisas que sempre faz para quebrar o clima frio de começo de show é falar de sua beleza. “Eu uso isso como gancho, porque também fico nervosa no começo do show e quero que as pessoas cheguem mais perto do palco. No mundo em que vivo de cantores e pessoas despojadas, a pressão é menor em cima das mulheres, algo diferente da Lady Gaga. Mas a grande mídia, realmente, acaba fazendo algumas comparações. Elba Ramalho, por exemplo, era conhecida como ‘as pernas mais bonitas’ da música brasileira. Olha para isso! Mas estou muito feliz com este encontro. Vou cantar com mulheres fortes! Imagina cantar com Anelis, que honra!”, conta Cátia.

SERVIÇO:
Cancioneiras com Alessandra Leão, Anelis Assumpção e Cátia de França
Local: Sesc Belenzinho – Comedoria – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: dia 16 de abril, às 21h
Duração: 1h30
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br), a partir de 05/04/2016, às 15h30, e nas unidades, a partir de 06/04/2016, às 17h30.
Ingressos: R$ 25,00 (inteira). R$ 12,50 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Telefone: (11) 2076-9700
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Para espetáculos com venda de ingressos: R$ 6,00 (não matriculado); R$ 3,00 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).

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Projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta espetáculo “Agora É Que São Elas” no Sesc Belenzinho

Orquídeas do Brasil, banda de Itamar Assumpção, se encontra com Alice Ruiz no palco do Sesc Belenzinho. Foto: divulgação
Orquídeas do Brasil, banda de Itamar Assumpção, se encontra com Alice Ruiz no palco do Sesc Belenzinho. Foto: divulgação

O projeto ARTE – Substantivo Feminino apresenta no dia 9 de abril (sábado), o espetáculo “Agora é que São Elas”, um encontro da banda Orquídeas do Brasil, que acompanhava o músico Itamar Assumpção, com a poeta Alice Ruiz, que foi uma grande parceira musical. A apresentação será na Comedoria do Sesc Belenzinho, a partir das 21h30.

ARTE – Substantivo Feminino se instalou no Sesc Belenzinho para trazer uma série de apresentações, sejam espetáculos, oficinas, intervenções e shows, todas com a temática do feminino. A mulher aqui está no centro da questão. As obras escolhidas diferentes pontos de vista sobre o feminino, abordando as lutas dentro da história e da sociedade. Confira a programação completa no site do Sesc.

Por isso, este convite para as Orquídeas e para Alice. “Este é um encontro que Itamar queria muito que acontecesse. Quando ele estava doente, eu fui visitá-lo no hospital e ele me contou que queria fazer um disco só com as parcerias dele com a Alice. Então, esse show vem para coroar este desejo do Itamar”, conta Tata Fernandes, uma das Orquídeas, que comanda a voz e violão.

No show, elas irão apresentar várias canções da parceria entre Alice e Itamar, além de algumas inéditas que estão guardadas. A primeira vez em que os dois se encontraram musicalmente foi no disco Sampa Midnight (1986), em “Navalha na Liga” e na história a trilogia Bicho de 7 Cabeças (1993), últimos discos lançados por Itamar, a parceria se intensifica e notabiliza.

Segundo Tata, Itamar estava num momento feminino, com as filhas nascendo, trabalhando apenas com mulheres e ainda em parceria com a poetisa. Um movimento bem à frente de seu tempo, como era Itamar e que reflete bastante no momento em que estamos vivendo, onde o feminismo ganhou força.

Eu acredito que tivemos muitos avanços, mas ainda há muito o que mudar. Já está na hora de não termos mais essa coisa de homem ou mulher, nós temos que nos entender como seres humanos, independentemente de qualquer coisa. Esta semana mesmo, veio o Bolsonaro falar que mulher ganha menos, porque tem filhos. O que a gente precisa hoje é de mais amor, mais respeito, mais compreensão do outro. Precisamos nos unir para o movimento de tolerância”, conta Tata.

Mais sobre as Orquídeas do Brasil

A banda formada por Itamar Assumpção com Tata Fernandes o acompanhou nos anos 90, após ele brigar com sua banda de apoio, a Isca de Polícia. O trabalho mais notável dois foi a Trilogia Bicho de 7 Cabeças, que ganhou o Sétimo Prêmio Sharp de Música, na categoria melhor disco pop-rock.

O show apresentado em 1994 no Sesc Pompeia com participações de Luiz Melodia, Tom Zé, Zélia Duncan, Alzira e Tetê Espindola, e Virgínia Rosa teve performances que marcaram a parceria entre o compositor e as Orquídeas do Brasil. No ano de 2004, após a morte de Itamar as Orquídeas participaram de uma série de shows em homenagem ao compositor.

Em 2006, a banda foi convidada por Jards Macalé a realizar mais apresentações, e no mesmo ano, participaram de shows para o lançamento do songbook Pretobras, Por que que eu não pensei nisso antes? .Desde então elas vem se apresentando repertório a importante parceria com Itamar.

A banda é formada por Georgia Branco (guitarra), Miriam Maria (voz), Tata Fernandes (voz e violão), Simone Julian (sopros), Adriana Sanches (teclados), Nina Blauth (percussão), Clara Bastos (baixo), Lelena Anhaia (baixo).

SERVIÇO:
Show AGORA É QUE SÃO ELAS, com Orquídeas do Brasil e Alice Ruiz
Local: Comedoria – Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho
Quando: Dia: 9 de abril, às 21h30
Duração: 1h30
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
Ingressos: R$ 25,00 (inteira). R$ 12,50 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Ingressos à venda pelo Portal http://www.sescsp.org.br e nas bilheterias do SescSP. Venda limitada a quatro ingressos por pessoa. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
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Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas no Sesc Belenzinho, dentro do Arte – Substantivo Feminino

Projeto coloca em cena trabalhos em que o protagonismo é da mulher; “Engravidei...” dá voz e revê os estereótipos sobre a mulher negra.. Crédito: divulgação
Projeto coloca em cena trabalhos em que o protagonismo é da mulher; “Engravidei…” dá voz e revê os estereótipos sobre a mulher negra.. Crédito: divulgação

“O espetáculo é sensível às questões femininas negras, discute coisas que não são faladas socialmente, como a saúde da mulher, questões de como elas são tratadas pelo sistema público e a resiliência dessas mulheres. Ela ganha menos, trabalha mais, tem os piores empregos e é responsável pela família e, além de tudo, dificilmente tem um companheiro, fato que impacta e muito sua vida”, Lucelia Sérgio

A partir do depoimento de diversas mulheres, de diferentes camadas sociais e profissões (integrantes do sistema prisional, donas de casa, sambistas, religiosas de matrizes africanas, empresárias, líderes comunitárias, prostitutas, entre outras), colhidos em 2013 pelo coletivo Os Crespos, o grupo concebeu o espetáculo ‘Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas’, que faz temporada no Sesc Belenzinho no período de 31 de março a 03 de abril, dentro do projeto ARTE – Substantivo Feminino, que encerra sua programação em meados de abril.

Em cena, a atriz Lucelia Sérgio – que divide a direção do espetáculo com Sidney Santiago Kuanza – expõe ao público histórias que envolvem violência masculina, sexo, traumas psicológicos e sobrevivência, além de permear temas como afetividade, família, casamento, sexo, solidão, beleza e igualdade.

O espetáculo é parte da trilogia ‘Dos Desmanches aos Sonhos’ que contém ‘Além do Ponto’ e  ‘Cartas à madame Satã ou me desespero sem notícias suas’, que investiga as relações entre afetividade, negritude, gênero e o impacto da escravidão na nossa maneira de amar.

A trilogia vem sendo criada pelos Crespos desde janeiro de 2011 e foi concluída em julho de 2014.  Em cada um dos espetáculos, o grupo abordou a temática da afetividade negra a partir de uma perspectiva diferente.

O espetáculo:
Em cena, a atriz debruça-se sobre cinco mulheres negras e suas privacidades, atira ao público suas trajetórias afetivas, permitindo à plateia conviver, durante o tempo da peça, com seus respectivos cotidianos. Essas mulheres/personagens tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. Como em um jogo, no qual o espectador acompanha a transformação da atriz em diferentes mulheres, a peça cruza fragmentos de vidas, sem necessariamente confrontá-las, entregando para o público a linha que costura seus caminhos.

A cena envolve ambientes privados, casas sem paredes, onde as personagens são reveladas. A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.

Os Crespos:
Os Crespos é um coletivo teatral, composto por atores negros, que realiza pesquisas cênica e audiovisual, além de promover debates e intervenções públicas. Formado na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP, está em atividade desde 2005, tendo realizado excursões por diversas regiões do Brasil e também Alemanha e Espanha.

Em 2006 participou do espetáculo “Anjo Negro + A Missão”, com direção do alemão Frank Castorf; em 2007 realizou o espetáculo autoral “Ensaio Sobre Carolina”, com o qual excursionou por diversas cidades do Brasil nos anos de 2008 e 2009; em 2009 e 2010 apresentou o projeto “A Construção da Imagem e a Imagem Construída”; em 2011 estreou o espetáculo “Além do Ponto”. Em 2012 circulou com o espetáculo pelo Estado de São Paulo e recebeu o Prêmio de Direitos Humanos e Combate ao Racismo Flavio F. Sant’Ana, da prefeitura da Cidade de São Paulo. Em 2013 e 2014 dá continuidade à trilogia Dos Desmanches aos Sonhos estreando os espetáculos “Engravidei, Pari cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas” e “Cartas à Madame Satã Ou Me Desespero Sem Notícias Suas”.

Em 2015 é contemplado pelo Fomento Ao Teatro Para a Cidade de São Paulo, através da qual realiza a pesquisa “De Brasa e Pólvora – Zonas Incendiárias, Panfletos poéticos” que trata das revoltas negras do Brasil e do Caribe. A Cia também realizou, ao longo desses 10 anos, 2 edições da Mostra Cinematográfica “Faz lá o Café”, a 1.a Mostra de Teatro Negro de São Paulo e os premiados curtas “D.O.R”, “Nego Tudo” e “Ser ou Não Ser”, além de produzir a revista “Legítima Defesa – Uma revista de Teatro Negro”.

ARTE – Substantivo Feminino:
O ARTE – Substantivo Feminino põe luz na mulher, como foco principal de obras escolhidas por trazerem temáticas relevantes e de diferentes pontos de vista sobre o feminino. A ideia é abordar a mulher nas artes, tanto no conteúdo das obras – suas lutas em batalhas, dentro da história e da sociedade –, quanto na gestão e criação dos trabalhos.

Ficha técnica:
Direção: Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza. Atriz: Lucelia Sergio. Texto: Cidinha da Silva. Dramaturgia: Cidinha da Silva e Os Crespos. Colaboração Criativa de direção: Aysha Nascimento. Atrizes colaboradoras do processo de criação: Dani Nega, Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt. Direção de arte: Mayara Mascarenhas. Iluminação: Edu Luz. Trilha sonora: Dani Nega.

SERVIÇO:
TEATRO
ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS!
De 31 de março a 03 de abril de 2016, quinta a sábado, às 21h30, e Domingos, às 18h30
Cia Os Crespos. Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.
Sala de Espetáculos I. Duração: 60 minutos
Ingressos:
R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.
Onde:
Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone:
(11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento:
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 11,00 (não matriculado); R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).
Assessoria de Imprensa e Credenciamento:
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Informações à imprensa:
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Fone: 11 2914 0770
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Por Márcia Marques e Daniele Valério / Canal Aberto