Álbum Roger Waters: US + THEM – do filme dirigido por Sean Evans e pelo lendário fundador do Pink Floyd – chega às plataformas digitais *

Créditos: divulgação

A Sony Music Entertainment tem o prazer de anunciar o lançamento de ROGER WATERS: US + THEM em todas as plataformas digitais, além das versões em Blu-ray, DVD, CD e Vinil, no exterior. O filme ROGER WATERS: US + THEM já está disponível para aluguel ou compra e conta a aclamada turnê de Waters de 2017-2018.

Com o membro fundador, letrista, compositor e força criativa por trás do Pink Floyd, US + THEM apresenta a música poderosa de Waters de forma impressionante e destaca sua mensagem de direitos humanos, liberdade e amor. Baseado em sua aclamada e esgotada turnê mundial US + THEM de 2017-2018, com um total de 156 shows para 2.3 milhões de pessoas em todo o mundo, ele apresenta músicas clássicas de The Dark Side of the Moon, The Wall, Animals, Wish You Were Here, assim como de seu álbum mais recente, Is This The Life We Really Want?

Dirigido por Sean Evans e Roger Waters, o filme fornece uma sensação visceral de como foi estar lá. Utilizando a mais inovadora tecnologia digital e de áudio disponível, este show encapsula uma série de experiências visuais, de áudio e sensoriais de tirar o fôlego. Ele captura as lendárias performances ao vivo de Waters e leva o público a uma jornada emocionalmente enérgica e instigante.

Roger Waters demonstra poderosamente que ele é um ativista musical e um dos comentaristas políticos mais apaixonados de seu tempo. Ele dedicou sua vida a lutar contra aqueles que buscam controlar nossas vidas e destruir nosso planeta. Welcome to the Machine e Another Brick in the Wall Part II são um lembrete dos alertas sombrios que ele deu décadas atrás sobre alienação, deslocamento, ganância, sofrimento, destruição e perda. E, no entanto, a humanidade do compositor fica muito mais evidente em Wish You Were Here, porque, embora ele apresente uma imagem sombria do estado do mundo, sua mensagem final é de esperança através da união e do amor.

A produção de US + THEM em todos os formatos captura a estreita relação que Waters mantém com seus fãs, jovens e idosos, e a conexão única com seu público. Se Animals é Orwelliano, então The Wall vem direto de Bulgakov. Com seu apelo à ação, US + THEM nos adverte de ambos.

O filme ROGER WATERS: US + THEM está disponível em 4K, HD e SD Digital, através da Sony Pictures Home Entertainment, e foi filmado em sua turnê em Amsterdã e no Reino Unido. Espectadores do digital, Blu-ray e DVD terão acesso a conteúdos inéditos, incluindo duas novas canções que não fazem parte do lançamento original (“Comfortably Numb” e “Smell The Roses”), além de “A Fleeting Glimpse”, um curta metragem em estilo documentário mostrando cenas dos bastidores da turnê.

ROGER WATERS: US + THEM CDs:

CD 1
1.Intro
2.Speak To Me
3.Breathe
4.One of These Days
5.Time
6.Breathe (Reprise)
7.The Great Gig in the Sky
8.Welcome to the Machine
9.Déjà Vu
10.The Last Refugee
11.Picture That
12.Wish You Were Here
13.The Happiest Days of Our Lives
14.Another Brick in the Wall Part 2
15.Another Brick in the Wall Part 3

CD 2:
1.Dogs
2.Pigs (Three Different Ones)
3.Money
4.Us & Them
5.Brain Damage
6.Eclipse
7.The Last Refugee (Reprise)
8.Déjà Vu (Reprise)

ROGER WATERS:  US & THEM LPs:

LP 1
LADO A
1.Intro2.Speak To Me3.Breathe4.One of These Days5.Time6.Breathe (Reprise)7.The Great Gig in the Sky

LADO B
1.Welcome to the Machine
2.Déjà Vu
3.The Last Refugee

LP 2
LADO C

1.Picture That
2.Wish You Were Here
3.The Happiest Days of Our Lives
4.Another Brick in the Wall Part 2
5.Another Brick in the Wall Part 3

LADO D
1.Dogs

LP 3
LADO E
1.Pigs (Three Different Ones)2.Money

LADO F
1.Us & Them
2.Brain Damage
3.Eclipse
4.The Last Refugee (Reprise)
5.Déjà Vu (Reprise)

ROGER WATERS: US + THEM BLU-RAY e DVD INCLUEM:
1.Intro
2.Speak To Me
3.Breathe
4.One of These Days
5.Time
6.Breathe (Reprise)
7.The Great Gig in the Sky
8.Welcome to the Machine
9.Déjà Vu
10.The Last Refugee
11.Picture That
12.Wish You Were Here
13.The Happiest Days of Our Lives
14.Another Brick in the Wall Part 2
15.Another Brick in the Wall Part 3
16.Dogs
17.Pigs (Three Different Ones)
18.Money
19.Us & Them
20.Brain Damage
21.Eclipse
22.The Last Refugee (Reprise)
23.Déjà Vu (Reprise)

CONTEÚDOS BÔNUS INCLUEM:
“A FLEETING GLIMPSE” (Documentário)“COMFORTABLY NUMB” (Performance ao vivo)“SMELL THE ROSES” (Performance ao vivo)

BANDA:
Dave Kilminster: Guitarras
Bo Koster: Teclados
Jon Carin:  Teclados e guitarras
Lucius – Jess Wolfe & Holly Laessig:  Vocais
Ian Ritchie:  Saxofone
Gus Seyffert:  Guitarras e baixo
Jonathan Wilson:  Guitarras e vocais
Joey Waronker:  Bateria

Créditos: Lucas Damião | Perfexx

*Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa.

Pink Floyd: 50 anos de “Atom Heart Mother”, o “disco da vaca”

“Atom Heart Mother”, o popular “disco da vaca”, do Pink Floyd, que completa 50 anos nesta sexta-feira, 2 de outubro

Hoje, 2 de outubro, o clássico álbum do Pink Floyd, “Atom Heart Mother”, o popular “disco da vaca”, completa 50 anos de seu lançamento. Gravado entre março e agosto de 1970 no Abbey Road, em Londres, a obra foi produzida pela banda em conjunto com Norman Smith e lançado pela Harverst/EMI, no Reino Unido, enquanto a versão norte-americana saiu pela Harvest/Capital.

O álbum foi o primeiro da banda ter sido produzido especialmente em um som quadrifônico de quatro canais e no estéreo convenciona de dois canais. No Reino Unido, foi lançado também uma versão quadrifônica em quatro canais no formato Quad-8”, uma variante em estéreo dos quatro canais nos cartuchos de oito faixas.

O grupo começou a pensar em trabalhar em um novo disco depois de concluir a sua participação na trilha sonora do filme Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni, em Roma. E, no começo de 1970, os caras voltaram para Londres para começarem os ensaios. No entanto, algumas gravações e experiências feitas na capital da Bota, foram usadas para reunir no material novo durante estes ensaios e, no meio disso tudo, tinha uma chamada “The Violent Sequent” que ficou um bom tempo sem ser usado, mas que posteriormente ficou conhecida como “Us And Them”.

O grupo ainda estava em um momento complicado no campo de criação, pois ainda não havia superado a saída de Syd Barrett. Até que Roger Waters propôs o conceito de repartir os procedimentos de autoria do disco com Ron Geesin, jazzista e figura da vanguarda londrina.

E foi com a presença de Geesin nesse processo que a banda compôs a faixa-título do trabalho. “Atom Heart Mother”, a música, foi composta e subdividida em seis partes, resultando em uma imensa faixa de 24 minutos que, sozinha, ocupou todo o lado A do LP. Além dos músicos do Pink Floyd, a estrutura para a gravação da faixa teve a presença de diversos músicos com instrumentos de sopro, cello e coral, sob a regência do maestro John Alldis. Geesin escolheu o nome da seção de abertura – “Father’s Shout” -, enquanto que “Breast Milky” e “Funky Dung” foram inspiradas pela foto da capa da obra. Embora os arranjos orquestrais apareçam na maior parte da linha melódica da música, enquanto a banda ficava tocando “no apoio”, invertendo a lógica da época, ou seja, quando era a orquestra que servia de suporte para as bandas. Contudo, apesar do protagonismo da parte “orquestrada” da música, é perceptível que, em alguns momentos a guitarra de David Gilmour e os teclados de Richard Wright (que considero uma espécie de “George Harrison do Pink Floyd”) ganharam destaques.

E, assim como em “Ummagumma” (1969), aqui o grupo repetiu o conceito onde a primeira parte do play é de responsabilidade coletiva, enquanto o lado B é focado em cada um dos integrantes, ou seja, uma música para cada membro, sendo que as três primeiras dos habituais compositores – Waters, Gilmour e Wright – e é finalizado com uma sequência de efeitos sonoros elaborados, a princípio, por Nick Mason, mas creditado ao grupo todo. Então, Roger Waters começa com “If”, uma balada folk em que ele toca guitarra acústica e a temática aparente ser uma homenagem a Syd Barrett. Depois, é a vez de Richard Wright colaborar com a maravilhosa “Summer ‘68”, tem a presença de passagens com metais e que fala sobre o tédio de excursionar e a vontade de fugir de tudo. Aliás, no Brasil, ficou conhecida por ter sido usada como tema da propaganda do Banco Nacional (aquele mesmo que patrocinava Ayrton Senna na Fórmula 1), mas que, nos anos 1970, patrocinava o Jornal Nacional.  Uma pena que, infelizmente, o grupo nunca a tocou ao vivo. Particularmente, considero uma das cinco melhores músicas do Pink Floyd. David Gilmour colabora em “Fat Old Sun”, que foi a música de trabalho do disco e que a sua versão nos shows contrastava com a versão tranquila do estúdio. Influenciado pelo folk, a canção faz uma alusão à vida no campo. Nos shows, ela tinha novos arranjos e, geralmente, passava de seus 15 minutos. Considerada uma das músicas favoritas do guitarrista, Gilmour seguiu tocando-a em suas apresentações solo e um registro dela em versão acústica pode ser conferida no DVD “David Gilmour In Concert” (2002) e, inclusive, ele a tocou no show realizado no Allianz Parque, em 11 de dezembro de 2015. E o álbum é encerrado com “Alan’s Psychedelic Breakfast”, que é dividido em duas partes que consistem, essencialmente, em diálogos e efeitos sonoros produzidos por Alan Styles, na época, um dos roadies do grupo durante o seu café da manhã. A ideia para a faixa surgiu por meios das experiências de Waters a partir de uma torneira pingando combinado com os efeitos sonoros e diálogos de Nick Mason em sua cozinha. O grupo chegou a tocar uma versão em uma apresentação feita em 22 de dezembro de 1970, no Sheffield City Hall, na Inglaterra, com a banda realizando pausas entre as músicas para comer e beber. No disco, a faixa termina com um som de torneira a pingar ecoando.

E não tem como não falar de “Atom Heart Mother” sem abordar a sua icônica capa. Concebida pela Hipgnosis, apresenta uma vaca no pasto sem qualquer texto ou indícios sobre o que poderia apresentar o álbum. No entanto, em edições posteriores foram inseridos o título do álbum e o nome da banda na capa. O criador da obra, Storm Thorgerson, disse que teve como inspiração o “Cow wallpaper”, de Andy Warhol, e foi para o campo fotografar a primeira vaca que encontrou. Apesar da simplicidade da capa, ela tornou-se uma das mais simbólicas do rock. E, cá entre nós, quem nunca se referiu a ela como o “disco da vaca”, que atire a primeira pedra.

Embora não seja considerado o melhor disco do Pink Floyd, mas tão longe de ser o pior, “Atom Heart Mother” não foi bem recebido na época de seu lançamento. Mas é um tremendo disco, com uma qualidade musical ímpar e é claro que ele não poderá causar tanto impacto ao ouvinte na primeira audição. Ele é aquele típico disco que a gente aprende a gostar com o decorrer do tempo. Clássico absoluto.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Atom Heart Mother
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 2 de outubro de 1970
Gravadora/Distribuidora: Harvest/EMI (Reino Unido) e Harvest/Capitol (EUA)
Produtores: Norman Smith e Pink Floyd

Roger Waters: baixo, voz, guitarra em “If”, efeitos e colagens de fita
David Gilmour: guitarra, steel guitar em “Fat Old Sun” e “Alan’s Psychedelic Breakfast”, violão em “Summer ‘68”, “Fat Old Sun” e “Alan’s Psychedelic Breakfast”, baixo, bateria, percussão e voz em “Fat Old Sun”, slide guitar em “Atom Heart Mother” e “If
Richard Wright: órgão Hammond, piano (exceto em “Fat Old Sun”), órgão Farfisa em “Atom Heart Mother” e “Fat Old Sun”, melotrom em “Atom Heart Mother” e voz em “Summer ‘68
Nick Mason: bateria, percussão, efeitos e colagens de fita em “Alan’s Psychedelic Breakfast

EMI Pops Orchestra: seções de metais e orquestra (não creditado)
Hafliði Hallgrímsson: violoncelo  em “Atom Heart Mother” (não creditado)
Coral John Alldis: vocais em “Atom Heart Mother
Alan Styles: voz e efeitos sonoros em “Alan’s Psychedelic Breakfast

1. Atom Heart Mother (Mason / Gilmour / Waters / Wright / Geesin)
I. Father’s Shout
II. Breast Milky
III. Mother Fore
IV. Funky Dung
V. Mind Your Throats Please
VI. Remergence
2. If (Waters)
3. Summer ’68 (Wright)
4. Fat Old Sun (Gilmour)
5. Alan’s Psychedelic Breakfast (Waters / Mason / Gilmour / Wright)
I. Rise And Shine
II. Sunny Side Up

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 25 anos de “P · U · L · S · E”

“P · U · L · S · E”: álbum ao vivo do Pink Floyd que completa 25 anos em 2020

O álbum duplo “P · U · L · S · E” ou, se preferir, “Pulse“, do Plink Floyd, completa 25 anos nesta sexta-feira (29). O disco reúne um copilado de apresentações feitas pela banda britânica de rock progressivo realizadas entre agosto e outubro de 1994 durante a turnê europeia do álbum “The Division Bell”. Produzido por David Gilmour e James Guthrie, o trabalho foi lançado pela EMI na Europa e a versão internacional pela Columbia Records.

Mesmo com a saída do genial Roger Waters, o Pink Floyd seguiu adiante e muito bem com o comando de David Gilmour e o suporte indispensável de Nick Mason e, por que não?, de Richard Wright. A prova disso foi o que o grupo arrecadou na turnê: quase US$ 105 milhões de dólares em uma tour com 59 apresentações, lotando estádios em mega espetáculos com produção, artes e efeitos de luz impecáveis, assim como no auge da banda.

O play mostra como a banda, mesmo sem Waters, continuou brilhante e deu uma aula de interpretação, feeling, emoção, técnica e todos os adjetivos possíveis, enfim, com tudo aquilo que marcou a carreira do Pink Floyd.

O CD 1 é agraciado com alguns clássicos do grupo, além de temas do disco “The Division Bell“, evidentemente, pois, a turnê era justamente desse trabalho. A obra começa com a clássica “Shine On You Crazy Diamond” (com as cinco primeiras e a sétima partes), seguido de “Astronomy Domine“, que o grupo não tocava desde a década de 1970, e outros hinos, como “Hey You“, “Learning To Fly” e “Another Brick In The Wall” (sim, na voz de Gilmour!) também estavam no tracklist atrelados com outros belos temas mais recentes, como as incríveis “High Hope“, “Coming Back To Life” e “A Great Day For Freedom“. Aliás, outro sucesso do grupo só ficou de fora do registro por conta de espaço: a boa “Take It Back“, faixa lançada originalmente no álbum “A Momentary Lapse Of Reason” (1987) que foi gravada na turnê.

Mas o melhor mesmo está no CD 2: o primeiro registro oficial ao vivo do “The Dark Side Of The Moon” (1973), que o Pink Floyd tocou na íntegra. Essa foi a primeira vez que os caras executaram o icônico disco de 1973 ao vivo. na íntegra, música após música. Como não ficar embasbacado com interpretações inenarráveis de verdadeiros petardos como “Time“, “Money“, “Us And Them” e as demais músicas reproduzidas fielmente às versões originais?

Depois de nos brindar com “TDSOTM“, o Pink Floyd nos deixa em outro patamar com os primeiros acordes de “Wish You Were Here” que, apesar de ser uma canção singela, para os padrões do grupo, é uma música que tem uma ótima letra que fala da ausência, da amizade, da saudade, enfim, bem apropriada para essa quarentena que passamos nos tempos atuais, não é mesmo? Em seguida, aquela que considero uma das três melhores músicas do Pink Floyd de todos os tempos: “Comfortably Numb“, que é uma daquelas que a gente ouve e torce para não acabar nunca de tão formidável (que solo maravilhoso do David Gilmour!) e, para finalizar, a ‘wateriana’ “Run Like Hell“, que Gilmour manteve a mesma agressividade e raivosa, que encerrou de forma louvável esse magnífico disco ao vivo.

Além de apresentar uma verdadeiro desfiladeiro de músicas incríveis, “P · U · L · S · E” ainda tem um encarte que é espetacular: um livreto com fotos do espetáculo, uma capa maravilhosa e o que dizer das versões que foram lançadas em CD na época? O material vinha com um LED vermelho piscando na lateral. O circuito era alimentado por uma pilha (AA) com duração prevista para mais de seis meses, embora algumas versões foram feitas para duas pilhas (AA) e as mais recentes edições em CD não traziam esse LED piscante.

Além da versão em CD duplo, o registro foi lançado em fita cassete (duplo, obviamente), em um conjunto com quatro LP’s, além das versões em VHS, laserdisc, DVD e Blu-ray.

Esse é uma daquelas obras-primas que, parafraseando Vicente Matheus, “imprestável”, ou seja, que não se empresta para ninguém. Se você tem esse disco, guarde-o no cofre e, se der, coloque-o em seu testamento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: P · U · L · S · E
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 29 de maio de 1995
Gravadora: EMI (Europa) / Columbia Records (internacional)
Produtores: David Gilmour e James Guthrie

David Gilmour: voz e guitarra
Nick Mason: bateria
Richard Wright: teclados, backing vocal, voz em “Astronomy Domine“, “Time“, “Us And Them” e “Comfortably Numb

Guy Pratt: baixo, backing vocal, co-vocal em “Run Like Hell
Jon Carin: teclados, backing vocal e co-vocal em “Hey You
Gary Wallis: percussão
Dick Parry: saxofone
Tim Renwick: guitarra e backing vocal
Sam Brown: backing vocal e primeira vocalista em “The Great Gig In The Sky
Durga McBroom: backing vocal e segunda vocalista em “The Great Gig In The Sky
Claudia Fontaine: backing vocal e terceira vocalista em “The Great Gig In The Sky

CD1:
1. Shine On You Crazy Diamond (Gilmour / Waters / Wright)
2. Astronomy Domine (Barrett)
3. What Do You Want Frome Me (Gilmour / Wright / Samson)
4. Learning To Fly (Gilmour / Moore / Ezrin / Carin)
5. Keep Talking (Gilmour / Wright / Samson)
6. Coming Back To Life (Gilmour)
7. Hey You (Waters)
8. A Great Day For Freedom (Gilmour / Samson)
9. Sorrow (Gilmour)
10. High Hopes (Gilmour / Samson)
11. Another Brick In The Wall (Part II) (Waters)

CD2:
1. Speak To Me (Mason)
2. Breathe (In The Air) (Gilmour / Waters / Wright)
3. On The Run (Gilmour / Waters)
4. Time / Breathe (Reprise) (Gilmour / Waters / Wright / Mason)
5. The Great Gig In The Sky (Wright / Torry)
6. Money (Waters)
7. Us And Them (Waters / Wright)
8. Any Colour You Like (Gilmour / Wright / Mason)
9. Brain Damage (Waters)
10. Eclipse (Waters)
11. Wish You Were Here (Gilmour / Waters)
12. Comfortably Numb (Gilmour / Waters)
13. Run Like Hell (Gilmour / Waters)

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 20 anos de “Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81”

Capa de ““Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81”, que traz a versão ao vivo de “The Wall” na íntegra

Hoje, 23 de março, completam-se 20 anos do lançamento do álbum “Is There Anybody Out There? The All Live 1980-81”, o terceiro registro ao vivo do Pink Floyd. Gravado entre agosto de 1980 e junho de 1981 durante a turnê do disco “The Wall” (1979), o ‘live’ foi lançado pela EMI, no Reino Unido, e pela Columbia Records, nos Estados Unidos, com a produção de James Guthrie. Boa parte do material foi gravado em Earls Court, em Londres.

Os shows do Pink Floyd feitos em estádio no começo da década de 1980 se qualificaram como uma espécie de concerto teatral, com um muro (de papelão) construído e demolido no palco, filmes projetados, enormes criaturas infláveis, entre outras parafernálias, e a banda tocando junto em meio às fitas de efeitos sonoros e orquestrações de “The Wall”. Enfim, a sonoridade de estúdio seguiu próxima a executada pelo Pink Floyd no palco, isso inclui até os efeitos na voz de Roger Waters e na guitarra de David Gilmour.

Bom, em se tratando de Pink Floyd, os caras sabiam fazer shows como ninguém. Pois, além de serem ótimos músicos, faziam um show completo. Antes dessa turnê, por exemplo, em suas apresentações, como parte cênica do espetáculo, tinham modelos de aviões colidindo com o palco, porcos gigantes inflados pairando ao redor da arena, etc., e, com “The Wall”, Waters não apenas queria narrar uma história, mas sim projetar uma experiência teatral.

Naquela época, praticamente o Pink Floyd era a “banda de Roger Waters”, pois toda a ideia do espetáculo de “The Wall” foi dele. Originalmente, o baixista queria que o grupo se apresentasse atrás de uma parede (“wall”, lembre-se disso) durante parte do show, mas durante o desenvolvimento da produção, acharam melhor que o muro fosse concluído apenas no final do primeiro ato, ou seja, ao final da última faixa do primeiro conjunto duplo de álbuns.

Assim, com direção de Roger, e com a ajuda de uma equipe especializada, o baixista colocou em prática a sua ideia brilhante: uma parede construída no palco, a banda tocando atrás dela, enquanto as animações feitas por Gerald Scarf eram projetadas na parede e bonecos infláveis gigantes dançavam no palco.

Então, para que a importância da presença do grupo não fosse diminuída com a produção teatral, os músicos deram o seu jeito de aparecerem durante o segundo ato, antes de o muro ser demolido no final, como Gilmour tocando seu solo de “Comfortably Numb” em uma plataforma hidráulica acima do muro, enquanto Waters, de um quarto de hotel, meditando em uma cadeira durante a execução de “Nobody Home”, por exemplo. Mas, talvez na concepção deles, isso foi necessário para que os fãs tivessem certeza de que era mesmo o Pink Floyd que estava tocando, e não outros músicos ou playback. Mas, na turnê, foi necessário a presença de mais músicos, como os guitarristas Snowy White, na tour de 1980, e Andy Roberts, em 1981, além do baixista Andy Brown, o baterista Willie Wilson e Peter Woods.

No final, não importava quem estava tocando, já que toda a extravagância do Wall era sobre a experiência. E, de todas as formas, foi uma experiência e tanto – como não poderia ser, com teatro, filme, música e fantoches de dança enormes adicionados ao espetáculo de um show regular do Floyd?

A banda, em especial Roger Waters, tinha ciência de que tinha algo especial e que tinha como objetivo fazer um filme desse concerto, que poderia também culminar em um livro com narrativas filmadas, mas o plano não foi concluído porque as filmagens se estragaram.

A equipe não estava apenas tentando capturar uma produção que fosse sobre a experiência teatral; grande parte da parte posterior do show seria filmada, como as animações de Gerald Scarfe foram projetadas nos tijolos de papelão. Então, o filme se transformou no solene e assustadoramente sóbrio filme de Alan Parker, que se tornou o favorito dos cultos dos anos 80, enquanto a documentação ao vivo de The Wall permaneceu a província dos piratas. Até o lançamento de 2000, o registro foi habilmente editado em conjunto a partir dos poucos shows de Wall que Floyd realizou entre 1980 e 1981 (muitas das gravações datam de shows em Earl’s Court, em Londres), o álbum replica “The Wall” na íntegra, apenas com recursos visuais. Há duas músicas que não estão no disco: “What Shall We Do Now?“, uma música retirada do disco na última hora (as primeiras gravações ainda estavam na capa) e “The Last Few Bricks“, que foi um instrumental no final do primeiro ato que deu tempo à equipe para terminar de construir o muro – mas eles realmente não acrescentam revelações.

O álbum também continha duas faixas faladas intituladas “MC: Atmos” (“Master of Ceremonies” para o primeiro lançamento nos Estados Unidos e Canadá, que aconteceu em abril), que serviram de introdução às músicas “In the Flesh?” e “In The Flesh“, respectivamente. Estes foram realizados por Gary Yudman, MC para os shows de Earls Court e Nassau Coliseum. A segunda versão era uma seção de uma gravação de seu discurso da primeira versão, tocada em velocidade mais lenta para parodiar a frustração de esperar a banda para começar.

As faixas diferiam um pouco do álbum de estúdio, principalmente em termos de introduções mais longas e solos estendidos. Devido às restrições dos discos de vinil, a banda foi forçada a editar severamente muitas músicas para o álbum, removendo seções inteiras, muitas das quais foram restauradas em concerto. Por exemplo, “The Show Must Go On” tinha um verso extra que foi excluído da gravação original do estúdio, enquanto “Outside the Wall” foi mais longa e reorganizada com bandolim, acordeão, clarinete, violões, pandeiros e harmonias vocais com som mais natural do quarteto de Joe Chemay, Jim Farber, Jim Haas e Jon Joyce.

Vale registrar também que, durante essa turnê, Richard Wright se apresentou como músico assalariado, e não como integrante oficial, pois tinha sido demitido por Waters durante as sessões de “The Wall”, mas teve a permissão para tocar nos shows como contratado. Aliás, foi durante a turnê, em 17 de junho de 1981, que aconteceu a última apresentação da formação clássica do grupo – Waters, Gilmour, Mason e Wright – até o show do Live 8 em 2005.

A turnê, que começou em 7 de fevereiro de 1980 em Los Angeles, não teve muitos shows, foram apenas 21 datas e esse registro só fora lançado quase 20 anos depois. Inclusive, a obra foi lançada justamente para comemorar o 20º aniversário de “The Wall” e sua turnê.

O álbum foi relançado em fevereiro de 2012 em forma remasterizada como parte da edição boxset “Immersion” do The Wall.

Em se tratando de Pink Floyd, trata-se de um ótimo registro para ter na coleção, mas, particularmente, ainda prefiro “Pulse”, outro disco ao vivo do grupo, que foi lançado em 1995 e que será tema futuramente.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Is There Anybody Out There? The All Live 1980-81
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 23 de março de 2000 (Europa) / 18 de abril de 2000 (Estados Unidos)
Gravadora: EMI (Reino Unido) / Columbia Records (Estados Unidos)
Produtor: James Guthrie

Roger Waters: voz, baixo, violão e clarinete em “Outside The Wall
David Gilmour: guitarra, violão, voz e bandolim em “Outside The Wall
Nick Mason: bateria, percussão e violão em “Outside The Wall

Richard Wright: piano, sintetizador, órgão e acordeão em “Outside The Wall
Peter Wood: teclados e violão em “Outside The Wall
Snowy White: guitarra (1980)
Andy Roberts: guitarra (1981)
Andy Bown: baixo e violão em “Outside The Wall
Willie Wilson: bateria e percussão (menos no show de 14/06/1981)
Clive Brooks: bateria e percussão (em 14/06/1981)
Joe Chemay: vocal de acompanhamento
Stan Farber: vocais secundários
Jim Haas e Jon Joyce: backing vocal
Gary Yudman: MC

CD 1:
1. MC: Atmos (Yudman)
2. In The Flesh? (Waters)
3. The Thin Ice (Waters)
4. Another Brick In The Wall – Part I (Waters)
5. The Happiest Days Of Our Lives (Waters)
6. Another Brick In The Wall – Part II (Waters)
7. Mother (Waters)
8. Goodby Blue Sky (Waters)
9. Empty Spaces (Waters)
10. What Shall We Do Now? (Waters)
11. Young Lust (Waters / Gilmour)
12. One Of My Turns (Waters)
13. Don’t Leave Me Now (Waters)
14. Another Brick In The Wall – Part III (Waters)
15. The Last Few Bricks (Instrumental) (Waters / Gilmour)
16. Goodbye Cruel World (Waters)

CD 2:
1. Hey You (Waters)
2. Is There Anybody Out There? (Waters)
3. Nobody Home (Waters)
4. Vera (Waters)
5. Bring The Boys Back Home (Waters)
6. Comfortably Numb (Gilmour / Waters)
7. The Show Must Go On (Waters)
8. MC: Atmos (Yudman)
9. In The Flash (Waters)
10. Run Like Hell (Gilmour / Waters)
11. Waiting For The Worms (Waters)
12. Stop (Waters)
13. The Trial (Waters / Ezrin)
14. Outside The Wall (Waters)

Por Jorge Almeida

The Pink Floyd Experience BR no Shopping Praça da Moça (27.02.2020)

The Pink Floyd Experience BR na praça de alimentação do Shopping Praça da Moça. Foto: Jorge Almeida

Nesta quinta-feira (27), a praça de alimentação do Shopping Praça da Moça, em Diadema, foi o local em que a banda The Pink Floyd Experience BR tocou grandes clássicos da banda britânica em quase duas horas de duração, com direito ao uso dos samplers originais de efeitos sonoros disparados em tempo real e com todo o repertório.

Com cerca de 20 minutos acima do previsto, a banda – composta por Philipe Antunes (voz, guitarra, violão e lap steel); Celio Izzi (baixo e voz); Marcelo Loureiro (teclados e sintetizador); Anderson Vilar (bateria e percussão); Ron Flowers (saxofone, guitarra, violão e backing vocal) e Regina Migiliore (voz e backing vocal) – subiu ao palco e já começou com um tremendo clássico: “Shine On You Crazy Diamond” (evidentemente que eles não tocaram todas as nove partes da música na apresentação, apenas uma parte dela).
Em seguida, foi praticamente uma celebração ao icônico álbum “The Dark Side Of The Moon” (1973). De todas as faixas deste´disco, apenas a instrumental “On The Run” não foi executada. O pontapé, assim como na obra, se deu com a instrumental “Speak To Me“, acompanhada de “Breathe“, “Time” (incluindo a ‘reprise’ de “Breathe“), que foi bastante celebrada pelo público. Quando chegou a vez de “The Great Gig In The Sky” foi a vez da backing vocal Regina Migliore ter o seu protagonismo e mandar muito bem na função que foi originalmente feita com maestria por Clare Torry. Após a vocalista ser ovacionada pelo público, o barulho das caixas registradoras pairavam pela praça de alimentação. Era a vez da ótima “Money“, com destaque para o sax de Ron Flowers. Na sequência, a banda tocou a clássica “Us And Them“, seguida pela mesma trinca que encerra o disco de 1973: “Any Colour You Like“, “Brain Damage” e “Eclipse“.

E, em um tom descontraído, o vocalista Philipe Antunes comentou com o público de que a apresentação ainda estava na metade para, em seguida, tocarem alguns temas de outro trabalho do Pink Floyd que é, até hoje, um marco na história do rock: “The Wall” (1979). Primeiro, foi com “In The Flash?“, que teve os vocais conduzidos brilhantemente por Ron Flowers. Em seguida, foi a vez da trinca “The Happiest Days Of Our Lives” e “Another Brick In The Wall (Part II)” e “Mother“.

O grupo deu uma interrompida no período de “The Wall” para executarem duas canções de períodos distintos do Pink Floyd: “Wish You Were Here“, clássico de 1975, e “Coming Back To Life“, de 1994. E, para finalizar, dois petardos de 1979: “Hey You” e “Comfortably Numb“, com um ótimo solo de Philipe Antunes no final que mereceu a ovação do público.

E, assim, por volta das 21h30, a apresentação foi encerrada, com os músicos fazendo a tradicional selfie com a plateia ao fundo. Mas aquela sensação de “quero mais” ficou e o eterno questionamento de apreciadores das bandas de rock: “por que não tocaram essa?”, “poderiam ter tocado aquela outra”, e por aí vai. E, neste caso, particularmente, me encontraria questionando (ou lamentando): poderiam ter tocado “High Hopes“, “Have A Cigar“, “Summer ’68” ou “Run Like A Hell“.

No geral, a banda está de parabéns, pois tocou muito próximo da perfeição que os arranjos das músicas exigiam. Aliás, conforme lembrou Philipe Antunes, essa apresentação marcou a estreia do Ron Flowers no projeto que, além do saxofone, tocou violão, guitarra, fez backing vocal e cantou. E sem deixar de enaltecer mais uma vez o excelente trabalho da vocalista e backing vocal Regina Migliore (pelo amor de Deus, que gogó tem essa mulher!). E, para finalizar, o entrosamento entre os vocalistas (Philipe Antunes e Celio Izzi) também merece ser destacado.

Quem tiver a oportunidade de ver o The Pink Floyd Experience BR, não perca. Vale muito a pena.

A seguir, o setlist da apresentação.

1. Shine On You Crazy Diamond (Wright / Waters / Gilmour)
2. Speak To Me (Mason)
3. Breathe (Waters / Gilmour / Wright)
4. Time/Breathe Reprise (Mason / Waters / Wright / Gilmour)
5. The Great Gig In The Sky (Wright / Torry)
6. Money (Waters)
7. Us And Them (Waters / Wright)
8. Any Colour You Like (Gilmour / Mason / Wright)
9. Brain Damage (Waters)
10. Eclipse (Waters)
11. In The Flash? (Waters)
12. The Happiest Days Of Our Lives / Another Brick In The Wall (Part II) (Waters) (Gilmour / Waters)
13. Mother (Gilmour / Waters)
14. Wish You Were Here (Waters / Gilmour)
15. Coming Back To Life (Gilmour)
16. Hey You (Gilmour / Waters)
17. Comfortably Numb (Gilmour / Waters)

Por Jorge Almeida com agradecimentos efusivos a Rogério Macri

The Pink Floyd Experience chega ao Shopping Praça da Moça

The Pink Floyd Experience BR em apresentação. Créditos: divulgação

No dia 27 de fevereiro os fãs da banda podem conferir um show emocionante com os maiores sucessos tocados ao vivo

O segundo show do projeto Palco no Praça, no Shopping Praça da Moça, traz no dia 27 de fevereiro o Pink Floyd Experience BR, com os sucessos da banda britânica de rock e os projetos solos de seus integrantes em forma de homenagem para fã nenhum colocar defeito.

No palco, montado na Praça de Alimentação, instrumentos e vozes levam o público a uma viagem pela obra da formação ‘vintage’ da banda até sua última geração, além de músicas das carreiras solos de Gilmour e Waters e shows especiais com o discos tocados na íntegra, como “Wish You Were Here” e o antológico “Dark Side Of The Moon“. A experiência Pink Floyd fica completa com os samplers originais de efeitos sonoros disparados em tempo real e com todo o repertório.

A atração é gratuita e acontece às 19h30.

Palco no Praça – Pink Floyd Experience BR
Dia 27 de fevereiro, às 19h30
Praça de Alimentação
Shopping Praça da Moça
Rua Manoel da Nóbrega, 712 – Centro, Diadema
Telefone: (11) 4057-8900
Estacionamento: Carros 9 reais até 3 horas + 1 real por hora adicional ou fração / Motos 9 reais a diária

Créditos: Gabrielle Monice | Máxima Assessoria de Imprensa

Pink Floyd: 50 anos de “Ummagumma”

“Ummagumma”: o disco ‘metade ao vivo/metade em estúdio’, do Pink Floyd, completou 50 anos em 2019

No dia 7 de novembro passado, o quarto trabalho do Pink Floyd, “Ummagumma”, completou 50 anos de seu lançamento. Produzido por Norman Smith e pela banda, a obra foi lançada em LP duplo, sendo com gravações feitas ao vivo e o outro em estúdio. A parte “live” foi gravada entre os dias 27 de abril e 2 de maio de 1969 no Mothers Club, em Birmingham, e também no Manchester College Of Commerce, em Manchester. Enquanto o trecho feito em estúdio foi gravado em junho no mesmo ano no Abbey Road, em Londres. A obra foi lançada pela Harvest Records, no Reino Unido, e pela Capitol Records, nos Estados Unidos.

Ao contrário do que dizem as notas inseridas internamente no folheto do álbum, que datam que o material ao vivo foi gravado em junho de 1969, o registro foram feitos nas datas acima – 27 de abril e 2 de maio de 1969. Além das músicas que entraram no disco, o Pink Floyd ainda gravou uma versão ao vivo de “Interstellar Overdrive”, do disco “The Piper At The Gates Of Dawn” (1967) com o objetivo de coloca-la no lado A do disco ao vivo, e “The Embryo”, que foi feito em estúdio antes da definição de que cada integrante participaria com uma música de sua autoria.

A ideia do disco de estúdio surgiu com a ideia de Richard Wright querer produzir “música verdadeira”, onde cada um deles teria a metade de um dos lados do álbum disponível para criar um trabalho solo, sem a participação dos demais.

O disco um, contém as faixas ao vivo, porém, com um material muito mal gravado. O lado A apresenta até então dois sucessos ‘floydianos’ da época: “Astronomy Domine” e “Careful With That Axe, Eugene”. Enquanto o lado B apresentam “Set The Controls For The Heart Of The Sun” e “A Saucerful Of Secrets”. A própria banda reconheceu que as gravações não ficaram boas e até cogitaram em refazê-la, contudo, Wright enalteceu que a experiência ajudou bastante em termos de composição e de estrutura sonora.

Enquanto isso, a abertura do lado A do segundo disco fica por conta de “Sysyphus”, de Richard Wright, que foi feita em quatro partes e gira em torno da figura da mitologia grega e inclui uma combinação de várias camadas de teclados como piano e mellotron. A primeira parte lembra abertura de filme, com a percussão se destacando, já a segunda e a terceira parte são bem conduzidas no piano e a última mostra um teclado sinistro que parece ter sido feito para um filme de terror.

Depois, foi a vez de Roger Waters apresentar dois temas: “Grantchester Meadows” e “Several Speces Of Small Furry Animals Gathered Together In A Cave And Grooving With A Pict” (ufa!), que encerram o primeiro lado. A primeira música traz um tema acústico bucólico e que era, costumeiramente, tocado na abertura dos shows de 1969. Não à toa que a faixa lembra algo associado pelo baixista no álbum “The Wall’ (1979). Já a segunda, contém uma abordagem psicodélica, com variações vocais, com efeitos de percussão e sons de animais que mais parecem instalações sonoras que costumam serem presentes em exposições de arte.

Já David Gilmour assina “The Narrow Way” (Parts 1-3)”, que mostra em sua primeira parte, um belo arranjo acústico em que o guitarrista busca o seu timbre ideal, enquanto a segunda parte, com guitarra e percussão, não chega a ser melhor que o primeiro trecho, mas cai bem e a última, mais melódica e arrastada, é a que se aproxima mais do estilo do Pink Floyd adotado nos anos posteriores. Gilmour até chegou a pedir para Waters escrever algumas letras para a sua canção, mas o baixista recusou.

E, finalmente, o baterista Nick Mason apresenta “The Grand Vizier’s Garden Party”, que traz a participação de sua esposa na época, que tocou flauta, e, claro, contém um solo de bateria dele. Dividida em três partes, a música contém trechos que parece oriunda de um jam que sobrou de algum ensaio.

A capa do álbum, concebida pela Hipgnosis, que mostra os membros do grupo com o efeito Droste, com uma imagem pendurada na parede mostrando a mesma cena, mas com os quatro membros da banda em posições diferentes, brinca com a narrativa em abismo.

Quanto ao título do play, a sua origem está associada ao termo “sexo”. Pois, um roadie do grupo, Iain Moore, costumava dizer que ia “para casa para algum ‘ummagumma’”.

Em relação aos títulos das faixas, elas se diferem nas versões. Enquanto no LP, o disco duplo apresenta nove faixas, a edição em CD (também duplo) está dividida em 16 faixas, com as partes das músicas editadas como ‘faixa separada’.

Embora tenha sido bem recebido na época de sua comercialização, “Ummagumma” não foi visto como um bom disco pelos próprios integrantes do Pink Floyd.

Não se trata de um clássico absoluto do Pink Floyd, mas é um importante registro porque praticamente marca a transição entre o psicodelismo e o rock progressivo, que deixou o grupo em outro patamar na história.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão LP) da obra.

Álbum: Ummagumma
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 7 de novembro de 1969
Gravadora: Harvest Records (Reino Unido) / Capitol Records (Estados Unidos)
Produtores: Pink Floyd e Norman Smith

David Gilmour: guitarra, voz e todos os instrumentos e vocais em “The Narrow Way (Parts 1-3)
Roger Waters: baixo, voz, backing vocal e todos os instrumentos em “Grantchester Meadows” e “Several Species Of Small Furry Animals Gathered Together In A Cave
Nick Mason: percussão e todos os instrumentos (menos flauta) em “The Grand Vizier’s Garden Party (Part 1: Entrance; Part 2: Entertainment; Part 3: Exit)
Richard Wright: órgão Farfisa, voz e todos os instrumentos em “Sysyphus (Parts 1-4)

Disco 1 (Lado A):
1. Astronomy Domine (Barrett)
2. Careful With That Axe, Eugene (Waters / Wright / Mason / Gilmour)

Disco 1 (Lado B):
1. Set The Controls For The Heart Of The Sun (Waters)
2. A Saucerful Of Secrets (Waters / Wright / Mason / Gilmour)

Disco 2 (Lado A):
1. Sysyphus (Parts 1-4) (Wright)
2. Grantchester Meadows (Waters)
3. Several Species Of Small Furry Animals Gathered Together In A Cave And Grooving With A Pict (Waters)

Disco 2 (Lado B):
1. The Narrow Way (Parts 1-3) (Gilmour)
2. The Grand Vizier’s Garden Party (Part 1: Entrance; Part 2: Entertainment; Part 3: Exit) (Mason)

Por Jorge Almeida

Pink Floyd: 40 anos de “The Wall”

“The Wall”: obra-prima do Pink Floyd, que completou 40 anos de lançamento no último sábado (30)

Neste sábado, 30 de novembro, o álbum duplo de estúdio mais vendido da história completa 40 anos de seu lançamento. A obra-prima “The Wall“, o 11º disco de estúdio dos britânicos, foi gravada entre abril e novembro de 1979 e teve sua produção assinada por Roger Waters, David Gilmour, James Guthrie e Bob Ezrin. Enquanto a sua distribuição ficou por conta da Harvest Records, no Reino Unido, e pela Columbia Records, nos Estados Unidos.

Continuando com a tendência dos três trabalhos de estúdios anteriores do Pink Floyd, a obra em questão é um disco conceitual, abordando temas como abandono e isolamento pessoal. A concepção se deu início em meio à turnê “In The Flash“, em 1977, quando o baixista, letrista e vocalista Roger Waters sentiu-se frustrado para com seus espectadores a tal ponto de o músico imaginar-se construindo um muro entre o palco e o público.

“The Wall” é uma ópera rock focada em Pink, um personagem fictício baseado em Waters. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe superprotetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma autoimposta isolação da sociedade, representada por uma parede metafórica.

A combinação de todas essas características – uso de drogas, loucura, alienação e opressão – faz com que o conceito do disco seja visto normalmente como uma combinação das experiências de, além de Roger Waters,  Syd Barrett, um dos fundadores do Pink Floyd, afastado da banda devido ao uso de drogas e que já havia sido homenageado em “Wish You Were Here” (1975) Escondido atrás de uma parede, a crise Pink cresce e termina em uma apresentação alucinante no palco. Nela, ele crê ser um ditador fascista.

O álbum contém um estilo mais duro e teatral do que os lançamentos anteriores do Pink Floyd. O tecladista Richard Wright deixou a banda durante a produção do álbum, embora tenha continuado no processo de gravação como um músico pago, apresentando-se com o grupo na turnê The Wall. Comercialmente bem-sucedido desde o seu lançamento, o álbum foi um dos mais vendidos de 1980 e vendeu mais de 11,5 milhões de unidades nos Estados Unidos, atingindo a primeira posição da Billboard. Um dos singles lançados, “Another Brick In The Wall (Part II)“, esteve em várias paradas ao redor do mundo. Em 2003, a revista Rolling Stone listou “The Wall” na 87.ª posição em sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

Gravado em diversos locais, “The Wall” foi produzido na França, entre janeiro e julho de 1979, no Estúdio Miraval, onde Roger Waters gravou seus vocais, enquanto Michael Kamen supervisionou os arranjos orquestrais no CBS Studios, em Nova York, em setembro. Já a banda, por sua vez, utilizou o Cherokee Studios e o The Recorder Village, em Los Angeles, e, ainda, trabalharam no Producers Workshop, por uma semana em novembro de 1979.

Contudo, o período de gravações ficou marcado por conta da direção que o álbum ia tomar, que afetou as relações internas entre o quarteto e o papel de Bob Ezrin, que foi uma espécie de ponte entre Waters e os demais integrantes da banda, especialmente a rixa entre Roger Waters e Richard Wright, que foi demitido do grupo e contratado como músico de apoio na turnê que se seguiu.

O tecladista Richard Wright também tinha seus próprios problemas. Na época, o artista enfrentava crises em seu casamento e vivia o início de sintomas depressivos. As férias da banda foram reservadas para agosto, depois que eles estavam para se reunir no Cherokee Studios em Los Angeles, mas a Columbia ofereceu à banda um melhor negócio em troca do lançamento do álbum no Natal. Waters, portanto, aumentou a carga de trabalho da banda.

Evidentemente que, em virtude do sucesso do álbum conceitual, “The Wall” se transformou em um filme, lançado em 1982 com direção de Alan Parker. Depois de ser exibido no festival de cinema de Cannes, o filme recebeu críticas positivas por parte da mídia especializada. Baseada no conceito do disco, a película foi concebida para ser um misto de trechos de apresentações ao vivo do grupo na turnê com as animações de Scarfe. Porém, a qualidade duvidosa das gravações realizadas durante as apresentações fez com que Parker abandonasse a ideia e optasse pelo uso de atores.

Quanto ao repertório, o disco possui 26 faixas em dois LP’s (ou CD’s, para quem não tem os “bolachões”). Mas, certamente, os destaques ficam por conta das três partes de “Another Brick In The Wall”, especialmente a parte II, que é até hoje considerado um dos maiores hits do grupo, que foi lançado em single, e ocupou o topo das paradas nos Estados Unidos, no Reino Unido e em diversos países. A música, essencialmente, faz críticas ao rígido sistema educacional e a música se destacou pelo riff peculiar de guitarra e o vocal das crianças da Islington Green School. Além de “Hey You”, que fala sobre um trecho do história do personagem Pink, já tendo abandonado a sociedade e pedindo por ajuda de alguém fora de seu muro. O grito ‘Hey you’ fica mais e mais desesperado, provando que Pink se arrepende do abandono da sociedade e se desespera enquanto vê que não tem esperança. Já “Comfortably Numb” traz o seu maravilhoso solo, considerado um dos mais espetaculares da história do rock. E também “Nobody Home”, em que o protagonista Pink descreve sua vida solitária por trás de seu muro mental. Ele não tem ninguém com quem conversar, ninguém para dividir os seus medos; tudo o que ele tem são suas posses.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Wall
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 30/11/1979 (Reino Unido) / 08/12/1979 (Estados Unidos)
Gravadora: Harvest Records (Reino Unido) / Capitol Records (EUA)
Produção: Roger Waters, Bob Ezrin, David Gilmour e James Guthrie

Roger Waters: voz, baixo, guitarra rítmica, sintetizadores e efeitos sonoros
David Gilmour: guitarra solo, guitarra rítmica, baixo, voz e sintetizadores
Nick Mason: bateria e percussão
Richard Wright: piano, piano elétrico, órgão Hammond, sintetizadores e pedais

Bob Ezrin: piano, órgão, sintetizadores, órgão e backing vocals
James Guthrie: percussão, sintetizador e efeitos sonoros
Crianças da Islington Green School: coral em “Another Brick In The Wall (Part II)
Jeff Porcaro: bateria em “Mother” e “Bring The Boys Back Home
Blue Ocean & Outros: bateria em “Bring The Boys Back Home
Lee Ritenour: guitarra rítmica em “One Of My Turns
Joe (Ron) di Blasi: violão em “Is There Anybody Out There?
Bobbye Hall: congas e bongos em “Run Like Hell
Fred Mandel: órgão em “In The Flash?
New York Orchestra: orquestra
New York Opera: coral
Trevor Veitch: mandolin em “Outside The Wall
Larry Williams: clarinete em “Outside The Wall
Frank Marrocco: concertina em “Outside The Wall
Harry Waters: voz de criança em “Goodbye Blue Sky
Chris Fitzmorris: voz masculina ao telefone
Phil Taylor: efeitos sonoros
Trudy Young: voz de groupie
Bruce Johnston, Toni Tennille, Jon Joyce, Joe Chemay, Jim Haas, Stan Farber e Vicki & Clare: backing vocal

CD 1:
1. In The Flash? (Waters)
2. The Thin Ice (Waters)
3. Another Brick In The Wall (Part I) (Waters)
4. The Happiest Days Of Our Lives (Waters)
5. Another Brick In The Wall (Part II) (Waters)
6. Mother (Waters)
7. Goodbye Blue Sky (Waters)
8. Empty Spaces (Waters)
9. Young Lust (Waters / Gilmour)
10. One Of My Turns (Waters)
11. Don’t Leave Me Now (Waters)
12. Another Brick In The Wall (Part III) (Waters)
13. Goodbye Cruel World (Waters)

CD 2:
1. Hey You (Waters)
2. Is There Anybody Out There? (Waters)
3. Nobody Home (Waters)
4. Vera (Waters)
5. Bring The Boys Back Home (Waters)
6. Comfortably Numb (Waters / Gilmour)
7. The Show Must Go On (Waters)
8. In The Flash (Waters)
9. Run Like Hell (Gilmour / Waters)
10. Waiting For The Worms (Waters)
11. Stop (Waters)
12. The Trial (Ezrin / Waters)
13. Outside The Wall (Waters)

Por Jorge Almeida

“O Mágico de Oz” Com Trilha Sonora de “The Dark Side Of The Moon” no Sesc Campo Limpo com a banda Pink Floyd Dream

Créditos: divulgação

Dia 25 de setembro, quarta, às 19h, o Sesc Campo Limpo exibe o filme “O Mágico de Oz” para celebrar os 80 anos do lançamento do longa, com trilha sonora ao vivo do álbum “The Dark Side Of The Moon” da banda Pink Floyd realizada pela banda Pink Floyd Dream. A programação é gratuita, livre e sem necessidade de retirada de ingresso.

Em Kansas, Dorothy vive em uma fazenda com seus tios. Quando um tornado ataca a região, ela se abriga dentro de casa, Dorothy e seu cachorro são carregados pelo ciclone e aterrissam na terra de Oz, caindo em cima da Bruxa Má do Leste e a matando.

Dorothy é vista como uma heroína, mas o que ela quer é voltar para Kansas. Para isso, precisará da ajuda do Poderoso Mágico de Oz que mora na Cidade das Esmeraldas, no caminho, ela será ameaçada pela Bruxa Má do Oeste, que culpa Dorothy pela morte de sua irmã, e encontrará três companheiros: um Espantalho que quer ter um cérebro, um Homem de Lata que anseia por um coração e um Leão covarde que precisa de coragem. Será que o Mágico de Oz conseguirá ajudar todos eles?

Baseado na série de livros de L Frank Baum, “O Mágico de Oz” é considerado o filme com quantidade de referências cinematográficas da história do cinema e de ter consagrado a clássica canção “Somewhere Over The Rainbow”.

Celebrando os 80 anos do lançamento do filme O Mágico de Oz, o Na Trilha do Filme realiza a exibição do clássico com trilha sonora ao vivo realizada pelos músicos Guilherme Chiappetta, Fernanda Kostchak, Roger Brito, Silnei Doomacli e Cíntia Gasparetti.

A banda Pink Floyd Dream, foi criada em 2010, é formada por experientes músicos, fãs e intérpretes da singular banda britânica Pink Floyd. No show, Marcos Meneghel (voz e contrabaixo), Alexandre Chamy (voz e guitarra), Victor Melo (guitarra, voz e violão), Renato Moog (teclados e sequencer), Cassiano Music Man (bateria e percussão), Fabio Bizzarria (saxofones), Carina Assencio, Lilian Ximenes e Regina Migliore (vozes) interpretam as músicas do álbum “The Dark Side Of The Moon”.

O endereço do Sesc Campo Limpo é Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120. Mais informações pelo telefone 5510-2700 ou pelo portal http://www.sescsp.org.br.

Serviço
“O Mágico de Oz Com Trilha Sonora de The Dark Side Of The Moon”
Dia 25 de setembro, quarta, às 19h
Grátis
Livre
Capacidade: 150 pessoas
Local: Tenda de Convivência
Sem Retirada de Ingressos
Sesc Campo Limpo
Endereço: Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120. Campo Limpo, São Paulo/SP
Horários de funcionamento: Terça a sexta, das 13h às 22h. Sábado, domingo e feriado, das 10h às 19h.
Tel: (11) 5510-2700

Atendimento à Imprensa:
Dayane Chagas
Tel: (11) 5510-2734
dayane@campolimpo.sescsp.org.br
Renato Pereira (MTB 28.417)
tel: (11) 5510-2730
Cel: (11) 95856-6358
renato@campolimpo.sescsp.org.br

Créditos: Renato Pereira

Pink Floyd: 50 anos de “More”

“More”: o primeiro disco do Pink Floyd a ser trilha sonora de filme completou 50 anos no último dia 13 de julho

No último dia 13 de junho, o terceiro disco de estúdio e também o primeiro álbum de trilha sonora do Pink Floyd, “More“, completou 50 anos de seu lançamento. No entanto, a versão norte-americana, que fora lançada como “Original Motion Picture Soundtrack From The Film More“, chegará às cinco décadas na próxima sexta-feira (9). Gravado entre 1º de fevereiro e 31 de maio de 1969, no Pye Studios, em Londres, o trabalho foi produzido pela própria banda e lançado pela EMI/Columbia na Europa e pela Tower Records, nos Estados Unidos.

Com 13 faixas, entre instrumentais e com letras, o disco mantém o rock psicodélico do começo da banda, mas com algumas baladas acústicas de folk, gênero que aparecera esporadicamente em álbuns posteriores do grupo. Mas também o peso se faz presentes em faixas como “The Nile Song” e “Ibiza Bar“, e destaque para as diversas faixas instrumentais, que abordam um som experimental de vanguarda.

O disco abre com um canto de pássaro (possivelmente um rouxinol) sobre o órgão de Richard Wright. Trata-se de “Cirrus Minor“, Escrita por Roger Waters e cantada por David Gilmour, a música traz uma atmosfera bucólica e alucinógena. Aliás, a música não possui toque de bateria. Em seguida, vem “The Nile Song“, que considero uma das músicas mais pesadas já gravada pelo Pink Floyd, pois ela se encaixa perfeitamente como Heavy Metal, Acid Rock ou Hard Rock, fica à sua escolha. Curiosamente, a canção nunca foi tocada ao vivo pelo grupo, porém, o baterista Nick Mason a torcou em seu projeto, o Nick Mason’s Saucerful Of Secrets, em 2018. Outra pérola escrita por Waters e cantada por Gilmour. O terceiro tema é “Crying Song“, outra balada no estilo “pastoral”. Richard Wright faz a ‘intro’ com um vibrafone, enquanto Gilmour toca violão e faz o solo de slide, Waters, por sua vez, manda bem no seu baixo Fender Precision e Mason toca apenas a caixa do seu kit de bateria. O disco segue com a primeira faixa instrumental, “Up The Khyber“, a única faixa da banda assinada pela dupla Nick Mason e Richard Wright, o nome da música é oriunda de uma piada grosseira interna dos músicos, e lembra vagamente um número de jazz. A faixa número cinco é “Green Is The Colour“, outra com a assinatura de Roger Waters e bem cantada por Gilmour. Bela balada que tem a presença de um apito de lata que foi interpretado pela então esposa de Nick, Lindy Mason. A penúltima música do lado A da obra é “Cymbaline“, cuja versão do disco difere da do filme, tanto a música quanto a letra, porém, ambas cantadas por David Gilmour, e fala de um pesadelo e faz referência ao personagem popular da época: Doctor Stranger, por conta de sua natureza psicodélica de aventuras. E o play chega à metade com a curta e instrumental “Party Sequence“, creditada a todos os músicos, e que consiste em uma sequência de percussão tribal.

O lado B do disco começa com a também instrumental “Main Theme“, que tem o início marcado por um gongo que permeia como um zumbido durante toda a faixa, depois aparece Wright tocando uma progressão de acordos com o órgão Farfisa, posteriormente acompanhado de uma sequência “drum-bass” e o órgão sendo executado por um pedal de wah-wah e a slide guitar no meio. Curiosamente, na versão em CD, o nome de Nick Mason não aparece creditado para a faixa. Em seguida, o play apresenta “Ibiza Bar“, que traz um semelhante riff de guitarra de “The Nile Song“, mas que na parte principal das guitarras, David Gilmour abusa do eco, o que colabora a manter um certo peso na canção. Aliás, em “More Blues“, uma curta faixa instrumental creditada aos quatro membros da banda. Inclusive, no boxset “The Early Years 1965–1972” (2016), apresenta uma mixagem mais completa, o que deixa claro que a música fora cortada para entrar no álbum. A longa faixa instrumental “Quicksilver” consiste em vários efeitos sonoros assustadoramente psicodélicos e outras ‘cositas más’ características da sonoridade do início de carreira do Pink Floyd. A obra ainda contém “A Spanish Piece“, com os seus míseros 1’04” de duração (quase nada se comparando com a duração média das músicas do Pink Floyd, não é mesmo?). Totalmente creditada a David Gilmour, a canção é inteiramente tocada por ele, inclusive em um violão flamenco e as frases estereotipadas em um sotaque espanhol bem mequetrefe, diga-se de passagem. E o gran finale vem com mais uma tema instrumental: “Dramatic Theme“, em que se destaca o trabalho de guitarra de Gilmour. Creditada originalmente ao quarteto, a versão em CD omite os nomes de Gilmour e Mason (que perseguição ao baterista, risos).

Aliás, “More” foi o primeiro trabalho do Pink Floyd completo sem ter nenhuma participação do membro fundador Syd Barrett e o único a ter David Gilmour como vocalista principal enquanto Roger Waters esteve na banda (1964 a 1985).

Com críticas variadas, “More” chegou ao nono lugar das paradas britânicas. Não tem o status de um “tremendo clássico”, mas também não é digno de rejeição. Vale a pena a audição, com certeza.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: More
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 30/06/1969 (versão britânica) e 09/08/1969 (versão norte-americana)
Gravadora: EMI/Columbia (Europa) / Tower Records/Capitol Records (EUA)
Produtor: Pink Floyd

Roger Waters: baixo, efeitos, percussão e backing vocal
David Gilmour: guitarra, slide guitar, violão, violão clássico, violão flamenco e percussão em “A Spanish Piece” e voz
Richard Wright: órgão Farfisa, piano, vibrafone, órgão Hammond e backing vocal
Nick Mason: bateria, percussão e bongôs em “Cymbaline” e “Party Sequence

Lindy Mason: apito de lata em “Green Is The Colour” e “Party Sequence

1. Cirrus Minor (Waters)
2, The Nile Song (Waters)
3. Crying Song (Waters)
4. Up The Khyber (Instrumental) (Mason / Wright)
5. Green Is The Colour (Waters)
6. Cymbaline (Waters)
7. Party Sequence (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
8. Main Theme (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
9. Ibiza Bar (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
10, More Blues (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
11. Quicksilver (Waters / Wright / Gilmour / Mason)
12. A Spanish Piece (Gilmour)
13. Dramatic Theme (Instrumental) (Waters / Wright / Gilmour / Mason)

Por Jorge Almeida