Paulo Miklos deixa os Titãs

Paulo Miklos foi um dos fundadores dos Titãs, em 1982. Foto: Felipe Dana/AP
Paulo Miklos foi um dos fundadores dos Titãs, em 1982. Foto: Felipe Dana/AP

A banda Titãs anunciou na manhã desta segunda-feira (11) em sua página oficial no Facebook que o vocalista Paulo Miklos não faz mais parte da banda. Ainda de acordo com o comunicado, a saída do músico foi devido a uma “decisão pessoal, para se dedicar a projetos individuais”. O grupo, na mesma nota, anunciou que Beto Lee (filho de Rita Lee e Roberto de Carvalho) foi integrado à banda. Paulo Miklos, por sua vez, comentou também sobre o seu desligamento dos Titãs para “alçar voo sozinho”.

Com a saída de Miklos, os Titãs passarão a ter apenas três de seus nove membros fundadores – Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto. Antes de Miklos, saíram do grupo: Ciro Pessoa (em 1983, antes da gravação do primeiro álbum da banda); André Yung (baterista do ‘debut’ do grupo e, na virada de 1984 para 1985, fora substituído por Charles Gavin, que atuou no grupo de 1985 a 2010); Arnaldo Antunes, que se desligou do grupo em 1992; Nando Reis, em 2002; além de Marcelo Fromer (guitarrista morto em 2001).

Paulo Roberto de Souza Miklos nasceu a 21 de janeiro de 1959, em São Paulo, e, em 1982, foi um dos fundadores dos Titãs – antes disso, ele havia participado da banda Perfomática, do multiartista José Roberto Aguilar.

Como membro dos Titãs, Paulo Miklos lançou 19 álbuns, sendo 14 de estúdio. E ele foi o vocalista de grandes clássicos da banda, tais como: “Sonífera Ilha”, “Bichos Escrotos”, “Diversão”, “Domingo”, a versão acústica de “Pra Dizer Adeus”, a releitura de “É Preciso Saber Viver”, de Roberto Carlos, “Vossa Excelência”, entre outras.

Embora tenha atuado com sucesso como um dos vocalistas do grupo, Miklos se destacou também por ter tido êxito ao tocar diversos instrumentos ao longo dos seus 34 anos de Titãs: baixo, teclados, sax, bandolim, banjo, guitarra, flauta transversal, gaita, bateria (na faixa “Um Copo de Pinga”, do disco “Domingo”, de 1995, foi ele quem assumiu as baquetas).

Paralelamente aos Titãs, Paulo Miklos lançou dois álbuns solo (um autointitulado em 1994 e “Vou Ser Feliz e Já Volto”, em 2001), atuou em diversos trabalhos na televisão e nos cinemas, com destaque para o filme “O Invasor” (2001), em que fora o protagonista, além de outras colaborações em projetos diversos.

Sem o músico, os Titãs remanescentes da formação inicial seguirão a cumprir os compromissos reforçados com Beto Lee na guitarra e com Mário Fabre, que acompanha o grupo desde a saída de Charles Gavin, em 2010.

A seguir, o comunicado dos Titãs e o texto publicado por Paulo Miklos.

Os Titãs informam que Paulo Miklos se desliga da banda, por decisão pessoal, para se dedicar a projetos individuais.

Branco Mello, Sergio Britto e Tony Bellotto prosseguem como Titãs, com o apoio da gravadora Som Livre e de seu imenso público, honrando compromissos assumidos e outros que venham a surgir, fazendo shows com as canções que imortalizaram o grupo e criando novas músicas e projetos.

O guitarrista Beto Lee se junta ao baterista Mário Fabre na dupla de músicos especialíssimos que acompanharão os Titãs de agora em diante, nessa nova geração.

Os Titãs, ao longo de 34 anos de uma carreira exitosa, experimentaram várias formações sempre preservando a essência e o vigor de suas canções. Como um organismo coletivo que suplanta as individualidades que o compõem, os Titãs seguem determinados, impulsionados por inquietação e ambição artística, e orgulho das glórias conquistadas.”.

Abaixo, a publicação de Paulo Miklos:

Queridos irmãos de banda, 34 anos são uma vida. Crescemos juntos, descobrimos o Brasil e o mundo. Criamos nossa marca e deixamos um legado precioso. Nossa ligação é mais do que familiar, uma vez que escolhemos trabalhar, conviver, apoiar e amar uns aos outros. Chegou a hora de alçar voo sozinho, mas levando comigo a escola e a família titânica na minha formação como artista e pessoa. Deixo mais que amigos na melhor banda de todos os tempos da música brasileira, que segue em frente. A todos que me acompanham dentro e fora dos Titãs, o meu eterno agradecimento. Uma carreira longa com tantas glórias também tem seus momentos de adversidade. E, nestas horas, o apoio incondicional dos fãs foi sempre fonte de energia vital para a superação. Agora, anuncio um novo caminho na música, como intérprete e compositor, assim como na minha carreira de ator. Tenho muita música e emoção para compartilhar com vocês.”.

Então, boa sorte para Paulo Miklos nesse “novo voo” e também vida longa aos Titãs.

Por Jorge Almeida

Show dos Titãs no Sesc Pompeia (15.04.2016)

Titãs tocando "O Pulso" no Sesc Pompeia. Foto: Jorge Almeida
Titãs tocando “O Pulso” no Sesc Pompeia. Foto: Jorge Almeida

Os Titãs realizaram na noite desta sexta-feira (15) a segunda de uma série de quatro apresentações na Choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo. Em quase duas horas de espetáculo, a banda tocou temas que iam desde “os primórdios até hoje em dia” para cerca de 800 pessoas. O grupo apresentou parte do repertório do seu mais recente trabalho, “Nheengatu – Ao Vivo”.

E, como já é de praxe em se tratando de shows nas unidades do Sesc, o concerto dos Titãs começou praticamente no horário, 21h35 (previsto para às 21h30). Então, nesse horário, adentraram ao palco da Choperia do Sesc Pompeia: Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclados e baixo) e Tony Bellotto (guitarra), além do baterista Mário Fabre, músico contratatado.

Todavia, diferentemente de outras apresentações da turnê, os Titãs subiram ao palco sem as máscaras que vinham utilizando nas primeiras músicas do repertório e que foram oriundas do videoclipe de “Fardado”, música que, aliás, abriu o espetáculo da noite. Em seguida, mais duas do último disco de inéditas da banda – “Cadáver Sobre Cadáver” e “Chegada ao Brasil (Terra À Vista)”.

O show seguiu com o primeiro clássico titânico da noite: “Lugar Nenhum”. Na sequência, Sérgio Britto foi ao microfone e afirmou que um show de rock sem Raul não é completo, logo, ele e Miklos fizeram o famoso dueto do clássico raulseixista “Aluga-se”. O espetáculo continuou com mais hits: “AA UU”, “Diversão”, “Pela Paz”, que voltou ao setlist depois de um bom tempo, e “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”.

Posteriormente, Branco Mello assumiu o vocal em uma trinca de temas: “República dos Bananas”, do álbum “Nheengatu”, “O Pulso” e “Canalha”. Nessa última, o convidado especial da noite, Walter Franco, subiu ao palco e foi ovacionado pelo público. Acompanhado pelo guitarrista Raul Duarte, que segue Walter Franco há 35 anos, o “gênio injustiçado da MPB”, como os Titãs o definem, não pode tocar nenhum instrumento. Assim, o debilitado cantor que recentemente fora operado de um procedimento médico vascular nas carótidas, na região do pescoço, não pode fazer alguns movimentos simples, como o de tocar violão. Mas, Walter Franco dividiu os vocais com Branco Mello já na citada “Canalha”, vociferou em “Polícia” enquanto Sérgio Britto o incentivava a cantarolar a letra (ou o refrão) do clássico titânico. Outra música de Franco veio em seguida, trata-se de “Me Deixe Mudo” que, em algumas vezes, o áudio do microfone do músico “sumia” e, depois, Walter Franco encerra a sua participação no show recitando “Cabeça”, uma de suas músicas mais conhecidas, enquanto o grupo manda bala em “Cabeça Dinossauro”.

Após a saída do expoente da chamada “MPB maldita”, os Titãs continuaram o concerto com o seu primeiro sucesso, “Sonífera Ilha” e o sucesso “Comida”. Consequentemente, a última música do mais recente trabalho inédito da banda foi tocada, refiro a “Fala, Renata”.

O show estava chegando ao final e os Titãs não desperdiçaram tempo e executaram três sucessos: “Marvin (Patches)”, “Televisão”, “Homem Primata” e “Bichos Escrotos”. O quinteto sai do palco para uma pequena pausa. No bis, Sérgio Britto alertou que a próxima música foi lançada em 1987, mas está tão atualizada que poderia ter sido composta na semana passada. De fato, ele tem razão ao se referir a “Desordem”, sucesso do clássico “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, e, o gran final, como em diversas vezes aconteceu, veio com “Flores”.

Os Titãs fizeram uma boa performance no Sesc Pompeia. Contudo, tive a impressão que o som da guitarra de Tony Bellotto estava um pouco alto, na verdade, estridente. Infelizmente, as condições de saúde de Walter Franco também atrapalhou o seu desempenho, mas ele está de parabéns pelo comprometimento e por honrar o convite que lhe foi feito. Mas, os Titãs estavam em casa, literalmente. Isso porque a primeira apresentação da banda ao longo de seus 34 anos de carreira foi justamente no Sesc Pompeia, em 1982.

Os Titãs ainda realizarão mais duas apresentações no Sesc Pompeia neste final de semana, dias 16 e 17 de abril, mas os ingressos estão esgotados.

A seguir, o setlist da apresentação dos Titãs na Choperia.

1. Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
3. Chegada ao Brasil (Terra À Vista) (Branco Mello / Emerson Vilani / Aderbal Freire)
4. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
5. Aluga-se (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
6. AA UU (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)
7. Diversão (Sérgio Britto / Nando Reis)
8. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
9. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (Branco Mello / Sérgio Britto)
10. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Vilani)
11. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
12. Canalha (Walter Franco)
13. Polícia (Tony Bellotto)
14. Me Deixe Mudo (Walter Franco)
15. Cabeça Dinossauro / Cabeça (citação) (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Paulo Miklos) / (Walter Franco)
16. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
17. Comida (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
18. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
19. Go Back (Sérgio Britto / Torquato Neto)
20. Marvin (Patches) (Dunbar / Johnson / Versão: Sérgio Britto / Nando Reis)
21. Televisão (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
22. Homem Primata (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Sérgio Britto / Nando Reis)
23. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Nando Reis / Sérgio Britto)
Bis:
24. Desordem (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Charles Gavin)
25. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)

Por Jorge Almeida

Agradecimentos especiais a Bianca, da Assessoria de Imprensa do Sesc Pompeia, e Márcia Marques, do Canal Aberto

Show dos Titãs na Áudio Club (24.04.2015)

Apesar de os ingressos do show dos Titãs marcarem a abertura da Áudio Club (Zona Oeste de São Paulo) para às 22h de sexta-feira (24), a apresentação da banda, na verdade, começou à meia-noite do dia 25. E quem disse que o público que compareceu na casa se importou com isso? Nenhum pouco. Afinal, esse não foi apenas “mais um” show dos caras, mas sim o concerto para a gravação de um DVD da turnê de “Nheengatu”, o seu mais novo trabalho. Será que o nome da tour é “Nheengatour”?.

Assim, nos primeiros minutos de sábado, subiram ao palco: Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclados e baixo), Tony Bellotto (guitarra) e Mário Fabre (bateria). E, mascarados à lá Slipknot, os Titãs começaram a apresentação com a faixa de abertura de “Nheengatu” – “Fardado”, seguido de mais três temas do disco novo: “Pedofilia”, “Cadáver Sobre Cadáver” e “Chegada ao Brasil (Terra À Vista)”.

Na sequência, os integrantes tiraram as máscaras e mandaram três clássicos: “Massacre” (que não tocavam desde 1994) e outras duas músicas que foram gravadas com ex-integrantes nos vocais – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” e “Lugar Nenhum” -, que foram originalmente gravadas por Nando Reis e Arnaldo Antunes, respectivamente, mas aqui foi interpretada por Branco Mello.

O show teve continuidade com mais uma trinca do disco novo com uma música que os Titãs não tocavam há um bom tempo no meio: “Baião de Dois”, “Pela Paz”, “Quem São Os Animais?” e “República dos Bananas”. Posteriormente vieram mais dois clássicos e duas novas, são elas: “Nem Sempre Se Pode Ser Deus”, “Diversão”, que teve o final estendido por conta da participação impressionante da galera, “Mensageiro da Desgraça” e “Fala, Renata”.

Sérgio Britto e Paulo Miklos mandaram bala em mais duas canções, que têm 18 anos de diferença entre si, mas que, mesmo assim, ainda são bem atuais, me refiro a “Desordem” e “Vossa Excelência”.

E, antes do bis, os Titãs voltaram ainda mais no tempo para executarem dois de seus mais antigos sucessos: “Televisão” e “Sonífera Ilha”.

Ovacionados, a banda saiu do palco para o bis e, na volta, Paulo Miklos dialogou com o público. Assim, depois de alguns minutos, os Titãs retornaram novamente mascarados para tocarem novamente quatro temas que, talvez por algum problema técnico, precisaram ser “retocados”, que foram: “Pedofilia”, “Cadáver Sobre Cadáver”, “Pela Paz” e “Quem São Os Animais?”.

Depois de mais uma pausa, foi a vez de Sérgio Britto dialogar com o público. Ele destacou uma coisa interessante: os Titãs têm tantos clássicos que, até aquele momento, não tinham tocado nenhuma música do “Cabeça Dinossauro”. De fato, isso é para poucos. Dito isso, o tecladista cantarolou três temas seguidos do clássico álbum de 1986: “Polícia”, “AA UU” (que, segundo ele, não estava prevista, mas que não teve como resistir ao pedido do público) e “Homem Primata”. Depois foi a vez de Branco Mello, que instigou o público ao mencionar versos de “Armas Pra Lutar”, e assumir os vocais em “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” e “Flores”, e Paulo Miklos encerrou o segundo bis com a inigualável “Bichos Escrotos”.

E, antes do público deixar a Áudio Club, os Titãs presentearam os fãs com mais três hits, todos cantados por Branco Mello e que foram gravados originalmente por Nando Reis e Arnaldo Antunes, me refiro a “Marvin (Patches)”, “Igreja” e “O Pulso”.

Depois de um pouco mais de duas horas de apresentação, o show termina e o público deixa a casa de espetáculo e muitos convictos de que viram um dos melhores shows do rock nacional. O repertório dos Titãs está “matador”, além das novas músicas que trazem aquela “acidez” típica da banda, os caras ainda resgataram clássicos que há muito tempo ficaram fora de set, o que causou histeria em muitos fãs mais saudosistas. E, na opinião desse que vos escreve, se os Titãs tivessem tocado “Nome Aos Bois” nessa noite, “zeraria a vida”.

Não veja a hora do material, seja CD ou DVD, desse show ser lançado.

A seguir, o setlist dessa apresentação memorável.

1. Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
3. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
4. Chegada ao Brasil (Terra À Vista) (Branco Mello / Emerson Vilani / Aderbal Freire)
5. Massacre (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)}
6. Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas (Nando Reis / Marcelo Fromer)
7. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
8. Baião de Dois (Paulo Miklos)
9. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
10. Quem São Os Animais? (Sérgio Britto)
11. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Vilani)
12. Nem Sempre Se Pode Ser Deus (Titãs)
13. Diversão (Sérgio Britto / Nando Reis)
14. Mensageiro da Desgraça (Paulo Miklos / Tony Bellotto / Sérgio Britto)
15. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
16. Desordem (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Charles Gavin)
17. Vossa Excelência (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin)
18. Televisão (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
19. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
Bis 1:
20. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
21. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
22. Pela Paz (Branco Mello/Charles Gavin/Nando Reis/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
23. Quem São os Animais? (Sérgio Britto)
Bis 2:
24. Polícia (Tony Bellotto)
25. Homem Primata (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Sérgio Britto / Nando Reis)
26. AA UU (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)
27, A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (Branco Mello / Sérgio Britto)
28. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
29. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Nando Reis / Sérgio Britto)
Bis 3:
30. Marvin (Patches) (Dunbar / Johnson / Versão: Sérgio Britto / Nando Reis)
31. Igreja (Nando Reis)
32. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)

Por Jorge Almeida

Titãs: 25 anos de “Õ Blésq Blom”

"Õ Blésq Blom": considerado um dos melhores trabalhos da discografia dos Titãs
“Õ Blésq Blom”: considerado um dos melhores trabalhos da discografia dos Titãs

Ontem, 16 de outubro, o quinto registro de estúdio dos Titãs, o clássico “Õ Blésq Blom”, completou 25 anos de seu lançamento. Gravado entre junho e setembro na unidade Nas Nuvens, o registro encerra a fase de ouro da parceria da banda com o produtor Liminha. O álbum alcançou a marca de 220 mil cópias vendidas até o final de 1990.

Depois de ter a sua musicalidade definida com o ‘sujo’, mas excelente, “Cabeça Dinossauro”, os Titãs investiram no uso de sintetizadores no disco seguinte – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” (1987) e, na sequência, o então octeto usufruiu com êxtase a programações eletrônicas e de teclados e abordaram sonoridades que expediam o Tropicalismo, ao pop eletrônico e à World Music.

A capa do play ficou por conta de Arnaldo Antunes, que mostrou os seus dotes de artista plástico ao conceber um mosaico com recortes que traz o nome do disco. Nome que, inclusive, foi tirado de uma das frases ditas por Mauro, cuja “tradução” significa “os primeiros homens que andaram sobre a terra”.

E, antes de falar das faixas que compõem o tracklist do disco, durante a gravação de “Õ Blésq Blom”, os Titãs gravaram duas marchinhas de Carnaval – “Pipi Popô” e “Marcha do Demo” – que foram lançadas em um single com o pseudônimo de “Vestidos do Espaço”. Além deles, o produtor Liminha e os amigos que apareciam no estúdio nesse período, como Jorge Mautner, Paula Toller, entre outros, participaram da gravação deste single. Isso pode ser conferido também no documentário “Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa”, de 2009.

O disco começa com uma introdução feita pela dupla de repentistas pernambucanos Mauro e Quitéria que a banda conheceu em Recife. Os dois cantam com um poliglotismo curioso em que mesclam palavras em inglês, grego, russo, italiano e japonês. O casal também é responsável pela vinheta final que encerra o álbum.

Logo após a pequena ‘intro’, o registro traz a excelente “Miséria”, em que Sérgio Britto e Paulo Miklos se revezam nos vocais. Guiada pela “parafernália” tecnológica, a letra crítica e peculiar casou-se perfeitamente com a batida.

Posteriormente, aparece Nando Reis com “Rácio Símio”, que é mais rock em relação à faixa anterior e que seu vocal e o baixo se destacam com maestria para parodiar frases/ditados populares ditos na música.

Em “O Camelo e o Dromedário”, um “semi-reggae” de mais de cinco minutos, Paulo Miklos, de forma caricata, traz as diferenças entre os dois animais ruminantes.

As faixas seguintes – “Palavras” e “Medo” – apesarem se soarem minimalistas, lembram a fase de “Cabeça”: letras inteligentes e vocais certeiros. Enquanto a primeira lembra um pouco o rockabilly interpretado por Sérgio Britto, a segunda traz o berro insano de Arnaldo Antunes, puro punk.

Na versão em CD de “Õ Blésq Blom”, a sétima faixa é uma faixa-bônus, a curtíssima “Natureza Morta”, que não tem nem 20 segundos e há mais caracteres nos créditos dos autores do que na própria letra, resumida em três versos. Podemos considerá-la como uma introdução de “Flores”.

E, por falar em “Flores”, essa é o carro-chefe do álbum. Com um riff inesquecível e letra cheias de metáforas e sentidos, a música cantada por Branco Mello foi um hit radiofônico e segue até hoje no rol dos clássicos titânicos. Seu videoclipe rendeu à banda um prêmio até então inédito na música brasileira: o Mtv Video Music Awards, isso antes filial brasileira da emissora existir.

Outro clássico do álbum é “O Pulso”, com sua batida hipnótica que remete à pulsação em que Arnaldo Antunes recita 48 doenças/moléstias. Arnaldo interpreta tão bem que, em certo momento, parece que o disco está riscado no trecho em que ele fala “reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia”. Ótima.

Já em “32 Dentes”, o violão de doze cordas é o grande condutor da música. Cantada por Branco Mello, a faixa tem um pouco de country na sua essência. E, despercebido por muitos, o tema traz uma citação de “Traumas”, música de Roberto e Erasmo Carlos lançada no álbum do “Rei” em 1971.

Chegando em sua parte final, “Õ Blésq Blom” apresenta ainda “Faculdade”, com seu começo à la “samba eletrônico” e bem arranjado. Interpretada por Nando Reis, a música (talvez) é a mais “obscura” do disco, o que é uma pena.

Assim como em “Miséria”, a dupla Britto e Miklos surgem novamente para mais um dueto. Dessa vez é em “Deus e o Diabo”, que é guiada pela programação eletrônica, o que deve ter deixado Tony Bellotto e Marcelo Fromer “fulos da vida” em virtude da falta de destaque das guitarras na faixa. A letra é composta de montagem de frases aparentemente discordantes que adquirem sentido de atrito.

E, conforme dito anteriormente, o álbum é encerrado pela “Vinheta Final de Mauro e Quitéria”.

O disco teve bastante aceitação por parte do público e foi considerado pelo jornalista musical José Augusto Lemos, na época editor-chefe da revista Bizz, como “o vinil mais bem produzido que este país já viu”.

Depois de “Õ Blésq Blom”, os Titãs resolveram voltar à ‘crueza’ de sua música com “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”, mas, infelizmente (e injustamente), não foram compreendidos. Quanto à “Õ Blésq Blom”, posso certificar que trata-se de um dos “top 5” da discografia dos Titãs. Mais que recomendo.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Õ Blésq Blom
Intérprete: Titãs
Lançamento: 16 de outubro de 1989
Gravadora: WEA
Produtor: Liminha

Arnaldo Antunes: vocal
Branco Mello: vocal
Charles Gavin: bateria e percussão

Marcelo Fromer: guitarra e violão
Nando Reis: baixo e vocal
Paulo Miklos: vocal e saxofone em “Flores
Sérgio Britto: teclados e vocal
Tony Bellotto: guitarra e violão

Liminha: bateria eletrônica em “Miséria“, “Deus e o Diabo” e “Faculdade“, guitarra em “O Pulso” e “Deus e o Diabo“, percussão eletrônica em “O Camelo e o Dromedário” e programação de teclados em “O Pulso“, “Miséria” e “Deus e o Diabo
Mauro e Quitéria: vozes em “Introdução Por Mauro e Quitéria” e em “Vinheta Final Por Mauro e Quitéria

1. Introdução Por Mauro e Quitéria (Mauro / Quitéria)
2. Miséria (Arnaldo Antunes / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
3. Rácio Símio (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Nando Reis)
4. O Camelo e o Dromedário (Marcelo Fromer / Nando Reis / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
5. Palavras (Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
6. Medo (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
7. Natureza Morta (Arnaldo Antunes/Liminha/Branco Mello/Marcelo Fromer/Paulo Miklos/Sérgio Britto)
8. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
9. O Pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
10. 32 Dentes (Branco Mello / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
11. Faculdade (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Marcelo Fromer / Nando Reis / Paulo Miklos)
12. Deus e o Diabo (Nando Reis / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
13. Vinheta Final Por Mauro e Quitéria (Mauro / Quitéria)

Por Jorge Almeida

Titãs: 15 anos de “As Dez Mais”

"As Dez Mais": o primeiro álbum de covers dos Titãs
“As Dez Mais”: o primeiro álbum de covers dos Titãs

Nesse ano de 2014, o álbum “As Dez Mais”, dos Titãs, chega a sua idade de debutante. Gravado entre junho e agosto de 1999, o disco teve a produção de Jack Endino, com quem a banda havia trabalho em 1993 no clássico “Titanomaquia”. É o primeiro trabalho totalmente não-autoral do, na época, septeto. E, infelizmente, foi o último registro de Marcelo Fromer com os Titãs. O guitarrista faleceu em 2001 após não resistir aos ferimentos de um atropelamento que sofrera por uma motocicleta em São Paulo.

Apesar das boas vendagens do álbum (cerca de 500 mil cópias vendidas), os Titãs não ficaram imunes das críticas, inclusive dos fãs. Muitos acusaram a banda de ter “se vendido” ao mercado. Uma vez que o disco completa a “trilogia” iniciada com “Acústico Mtv” (1997), que seguiu com “Volume Dois” (1998) e terminou com “As Dez Mais”, foi composta com repertórios majoritariamente feito com regravações, porém, no caso do último, com gravações de outros artistas, diferentemente dos dois primeiros onde as releituras eram do próprio material da banda. “As Dez Mais” chegou a ser chamado, de forma pejorativa, de “Acústico Volume 3”. Grande parte da crítica foi contra a regravação de “Pelados Em Santos”, dos Mamonas Assassinas, cujos integrantes eram fãs dos Titãs. O cover da banda de Guarulhos ajudou a alavancar as vendas do play.

Agora vamos (tentar) entender o outro lado. Por questões contratuais, os Titãs precisavam lançar um disco em 1999 e, convencidos pela gravadora e o empresário da época – Manoel Poladian -, a banda viu na gravação de um álbum de covers a solução para cumprir o compromisso, uma vez que em função da interminável turnê de “Volume Dois”, os integrantes não tinham tempo hábil para ensaiar e compor material suficiente para lançar algo inédito.

O tracklist do álbum traz versões de temas das mais variadas gerações e vertentes da música brasileira, além de uma regravação de um grupo português. Os Titãs “coverizaram” canções dos anos 1960, 1970, 1980 e 1990. Em resumo, de seus ídolos, contemporâneos e pupilos, no caso, os já citados Mamonas Assassinas.

O álbum abre com “Gostava Tanto de Você”, música de Edson Trindade e que fez grande sucesso na voz de Tim Maia, morto em 1998. Branco Mello é o responsável pelo vocal. Apesar do belo arranjo, ficou aquém da versão consagrada pelo “Síndico”.

Na sequência temos a ótima “Sete Cidades”, dos contemporâneos da Legião Urbana. Com Sérgio Britto cantando, a versão titânica ficou bem interessante e, aliás, os Titãs acertaram em cheio ao escolher esse tema, uma vez que eles não recorreram aos “clássicos de sempre” e optaram por um “lado B” (nem tão “B” assim) da trupe de Renato Russo.

A terceira faixa é “Circo de Feras”, da banda portuguesa Xutos & Pontapés, com quem os Titãs excursionaram por Portugal no final dos anos 1980 e início dos 1990. Inclusive, a música está presente no álbum homônimo, lançado pelos patrícios em 1987. Particularmente, para este que vos escreve, é a melhor faixa de “As Dez Mais”. Linda letra, excelente arranjo e boa interpretação de Nando Reis.

Posteriormente, temos “Rotina”, dos punks paulistanos dos Inocentes. Apesar da versão “alegre” que os Titãs fizeram, prefiro a original, que consta no EP “Pânico em SP”, produzido em 1986 por Branco Mello, que, inclusive, é quem a canta no álbum.

Assim como no trabalho anterior, o grupo resolveu incluir mais um cover de Roberto Carlos no tracklist. A música escolhida para o play foi “Querem Acabar Comigo”, de 1966. Sérgio Britto fez o vocal. Ficou bem “MPB”, o que não significa que ficou ruim, pelo contrário, é uma das melhores do disco.

A sexta faixa é “Fuga Nº II”, cover dos Mutantes. A versão apresentada pelos Titãs ficou muito boa e Paulo Miklos representou bem. Não ficou devendo nada em relação à original.

E o divisor de águas do disco surge na sequência. A tão criticada “Pelados Em Santos”, dos pupilos Mamonas Assassinas. Com uma roupagem “bem comportada”, certinha, a regravação dos Titãs é totalmente oposta ao estilo da banda de Guarulhos, que era avacalhação total. Não agradou nem os fãs dos Mamonas e nem boa parte dos fãs dos próprios Titãs. Inclusive, os vocais foram divididos entre Branco Mello e Nando Reis. Foi o único cover dos anos 1990 presente no disco. A música só vale pelo clipe, que ficou engraçado.

Na continuidade do álbum, dois covers dos contemporâneos do septeto paulista: “Um Certo Alguém”, de Lulu Santos, e “Ciúme”, do Ultraje a Rigor, que, sinceramente, “não fedem e nem cheiram”, mas saíram inferiores aos originais.

Para encerrar o disco, nada mais justo do que uma homenagem ao saudoso Raul Seixas. O tema representado do Maluco Beleza foi a atualíssima “Aluga-se”. A versão titânica fez sucesso e, até hoje, é a única faixa de “As Dez Mais” que permanece no setlist do, agora quarteto, grupo paulista.

Quanto à capa do álbum, embora não se tenha uma informação oficial, é incrivelmente semelhante à de “Definitely Maybe”, do Oasis, lançado em 1994. E, curiosamente, este é o único registro dos Titãs sem nenhuma participação de Arnaldo Antunes, seja como integrante da banda ou em parceria na autoria de músicas.

Enfim, “As Dez Mais”, talvez seja, o disco mais criticado e mau-visto dos Titãs. Pois, não foi bem aceito pelos fãs e crítica, que acusou a banda de oportunista. Certamente não é um trabalho que merece a alcunha de clássico, mas algumas músicas são dignas de destaque. Sinceramente, acho esse trabalho melhor do que os medianos “Como Estão Vocês?” (2003) e “Sacos Plásticos” (2009).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: As Dez Mais
Intérprete: Titãs
Lançamento: 1999
Gravadora: WEA
Produtor: Jack Endino

Branco Mello: voz
Charles Gavin: bateria
Marcelo Fromer: violão e guitarra
Nando Reis: voz e baixo
Paulo Miklos: voz, gaita, bandolim, banjo e backing vocal
Sérgio Britto: voz, órgão, mellotron, piano acústico, wurlitzer e backing vocal
Tony Bellotto: violões e guitarras de 6 e 12 cordas

Participações especiais:
Jack Endino: baixo em “Um Certo Alguém”, programação e bateria eletrônica em “Fuga Nº II”, guitarra e backing vocal em “Aluga-se”, arranjos de base e arranjos de cordas e metais em “Rotina” e “Ciúme
Eumir Deodato: regência (NY) e arranjos em cordas e metais (exceto em “Rotina” e “Ciúme

Músicos convidados:
Edu Morelenbaun: regência (RJ)
Altair Martins: flugel e trompete
Antonella “Fievel” Pereschi, Bernard Bessler, Joyce Hammann, N. Cenovia Cummins, Paschoal Perrota, Paula Prates, Ricardo Amado, Robert Shaw e Todd Reynolds: violinos
Cassia Menezes, Marcio Malard, Maxine Newman e Richard Lucker: cellos
Jesuína Passarotto, Ron Lawrence e Ronald Carbone: violas
Dave Marriot e Roberto Marques: trombones
Jim Sisko: trompete
Stuart Mac Donald: sax tenor
Ricardo Imperatore: percussão

1. Gostava Tanto de Você (Edson Trindade)
2. Sete Cidades (Renato Russo / Marcelo Bonfá / Dado Villa-Lobos)
3. Circo de Feras (Tim / Kalú / Zé Pedro / Gui / João Cabeleira)
4. Rotina (Clemente / Marcelino)
5. Querem Acabar Comigo (Roberto Carlos)
6. Fuga Nº II (Rita Lee / Sérgio Dias / Arnaldo Baptista)
7. Pelados Em Santos (Dinho)
8. Um Certo Alguém (Lulu Santos / Ronaldo Bastos)
9. Ciúme (Roger Rocha Moreira)
10. Aluga-se (Raul Seixas / Cláudio Roberto)

Por Jorge Almeida

Show dos Titãs no Citibank Hall (13.09.2014)

Quem foi ao Citibank Hall neste sábado (13) pode conferir de perto o show dos Titãs na turnê de divulgação de seu mais recente trabalho, “Nheengatu”, que tem recebidos boas críticas e que está sendo considerado “a volta” dos Titãs ao estilo de rock que o consagrou. Já que o grupo tocou dez das 12 músicas do tracklist do disco novo (somente as canções “Flores Para Ela” e “Não Pode” ficaram de fora).

O show estava previsto para começar às 22h. No entanto, com 20 minutos de atraso, subiram ao palco do Citibank Hall: Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (guitarra e voz), Sérgio Britto (teclados, baixo e voz) e Tony Bellotto (guitarra). Além dos integrantes originais dos Titãs, Mario Fabre completava o time na bateria. E, com máscaras que lembram Slipknot e que foram usadas no vídeoclipe de “Fardado”, os Titãs iniciaram a apresentação justamente com a faixa de abertura de “Nheengatu”.

Na sequência, foi uma avalanche de temas do novo trabalho – “Pedofilia”, “Cadáver Sobre Cadáver”, “Baião de Dois”, “Chegada Ao Brasil (Terra à Vista)” e “Senhor”. Na continuidade, os integrantes tiraram as máscaras e tocaram o primeiro clássico da noite:“Polícia”, e seguiu com “Fala, Renata”, de “Nheengatu”, e outra interrupção com outro clássico: “Bichos Escrotos”.

O show ainda teve mais dois temas do mais recente trabalho do grupo paulista: “Mensageiro da Desgraça” e “República dos Bananas”. Aliás, a ordem das músicas executadas até então apresentava uma divisão democrática: cada vocalista – Branco, Paulo e Britto – cantavam duas músicas seguidas enquanto se revezavam no posto.

Depois de darem um aperitivo do último disco que, por sinal, ficou mais pesado na versão ao vivo do que a de estúdio, Os Titãs seguiram o espetáculo com os seus clássicos e hinos de sempre: “Flores”, “AA UU”, as atualíssimas “Desordem” e “Vossa Excelência”, com direito a um grupo de pessoas mandando a Presidenta ir a um lugar não muito aconselhável.

O quinteto manteve o pique com mais hits titânicos: “Diversão”, “Televisão”, “32 Dentes”, “Cabeça Dinossauro” e voltaram a tocar mais uma do disco novo – “Quem São Os Animais?” -, seguido de “A Verdadeira Mary Poppins”, do injustiçado “Titanomaquia”, “Lugar Nenhum”, outro tema de “Nheengatu” – “Eu Me Sinto Bem” – e, antes do bis, o primeiro sucesso dos Titãs: “Sonífera Ilha”.

Bastante ovacionados, os Titãs voltaram para o palco e mandaram o único cover de “Nheengatu”, trata-se de “Canalha”, de Walter Franco. Depois vieram “Igreja” e “Aluga-se”. Mais uma pequena pausa e, no retorno, mais três petardos: “Comida”, “Marvin (Patches)” e “Homem Primata”, com direito a Sérgio Britto corrigindo o público que errou um dos versos da clássica canção de “Cabeça Dinossauro”.

Assim, depois de 1h40 de apresentação, os Titãs deixam o palco do Citibank Hall enquanto a cortina ia abaixando. E o público se retirando do local.

A atual turnê dos Titãs está muito boa, pois o repertório do grupo está excelente. Afinal, os caras ressurgiram com aquele rock pesado e ácido de outrora. Deixaram, pelo menos por enquanto, as baladinhas e os hits radiofônicos dos anos 2000 de fora. O que é bom para os fãs mais saudosistas. Além disso, já estava na hora de músicas como “Epitáfio”, “É Preciso Saber Viver” e “Pra Dizer Adeus” saírem um pouco do set, não é mesmo? Quanto ao desempenho dos integrantes, vale a pena destacar a performance de Paulo Miklos que, além de ser o mais carismático, é o titã mais talentoso, sem desmerecer os demais, que fique claro.

Se você não viu ainda o show dessa tour, não perca a próxima oportunidade.

Abaixo, o setlist do show dos Titãs no Citibank Hall.

1.Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
3. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
4.Baião de Dois (Paulo Miklos)
5. Chegada Ao Brasil (Terra À Vista) (Branco Mello / Emerson Vilani / Aderbal Freire)
6. Senhor (Tony Bellotto)
7. Polícia (Tony Bellotto)
8. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
9. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Nando Reis / Sérgio Britto)
10.Mensageiro da Desgraça (Paulo Miklos / Tony Bellotto /Sérgio Britto)
11. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Villani)
12. Flores (Charles Gavin / Paulo Miklos / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
13. AA UU (Sérgio Britto / Marcelo Fromer)
14. Desordem (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Charles Gavin)
15. Vossa Excelência (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin)
16. Diversão (Sérgio Britto / Nando Reis)
17. Televisão (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
18. 32 Dentes (Branco Mello / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
19. Cabeça Dinossauro (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Paulo Miklos)
20.Quem São Os Animais? (Sérgio Britto)
21. A Verdadeira Mary Poppins (Titãs)
22. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
23. Eu Me Sinto Bem (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Paulo Miklos)
24. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
Bis 1:
25.Canalha (Walter Franco)
26. Igreja (Nando Reis)
27. Aluga-se (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Bis 2:
28. Comida (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
29. Marvin (Patches) (Dunbar / Johnson / Versão: Sérgio Britto / Nando Reis)
30. Homem Primata (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Sérgio Britto / Nando Reis)

Por Jorge Almeida

Resenha de “Nheengatu”, dos Titãs

Nheengatu: o melhor trabalho dos Titãs em quase 20 anos
Nheengatu: o melhor trabalho dos Titãs em quase 20 anos

Aproveitando que os dois últimos post desse blog foi referente a dois ex-Titãs, agora vamos falar da banda que consagrou Arnaldo Antunes e Nando Reis. Na verdade, do mais recente trabalho do ex-octeto e agora quarteto paulista: “Nheengatu”, o 14º registro de estúdio dos Titãs, lançado em maio pela Som Livre.

Produzido por Rafael Ramos (sim, o mentor do Baba Cósmica), o álbum é o primeiro lançado pelo grupo com Mário Fabre como músico convidado na bateria. “Nheengatu” traz 14 faixas, sendo treze inéditas e um cover de Walter Franco. O disco é dedicado à memória de Rachel Salém, esposa de Paulo Miklos, morta em julho de 2013 em decorrência de um câncer de pulmão.

As ilustrações da capa (“Torre de Babel”), contra-capa (“O Massacre dos Inocentes”) e encarte foram concepções de Sérgio Britto e todas são de autoria de Pieter Bruegel. Segundo Sérgio Britto, a concepção da capa foi com o intuito de dar sentido para o que os Titãs queriam dizer com as músicas. O nome do álbum é referente à língua utilizada pelos jesuítas para facilitar a comunicação entre os indígenas brasileiros e os colonizadores portugueses.

O álbum abre com “Fardado”, que foi inspirada nas manifestações realizadas em junho de 2013. É um rock básico, direto. Pode ser considerada uma continuidade de “Polícia”, pois critica a corporação pela má conduta.

Em seguida, surge “Mensageiro da Desgraça”, que fala das dificuldades de quem vive em situação desfavorável, como os miseráveis, sem-teto, a fragilidade dos índios, enfim, todos àqueles que sobrevivem à selva de pedra. A letra se baseia em fatos reais, como o incêndio ao índio Galdino. Além de citar alguns cartões-postais de São Paulo.

O terceiro tema é “República dos Bananas”, que Branco Mello compôs em parceria com Angeli, Emerson Villani e Hugo Possolo, e fala de forma humorada do Brasil. A letra é típica das sacadas do cartunista Angeli.

Já “Fala, Renata”, que a banda vinha tocando há um bom tempo, Tony Bellotto se inspirou em canções da MPB antiga que trazem um nome de uma mulher. No caso dessa faixa, trata-se de uma mulher que “fala demais”. Aliás, Renata é uma personagem fictícia. E a música é a primeira que traz algo que os Titãs não levavam às suas canções desde 2001: os palavrões.

E, como já é tradição nos discos dos Titãs, Arnaldo Antunes também se manteve presente em “Nheengatu”. O eterno ex-titã é co-autor, junto com Paulo Miklos, de “Cadáver Sobre Cadáver”, que surgiu da fusão de dois textos e aborda a finitude do homem.

A faixa “Canalha”, de Walter Franco, veio de uma conversa entre os integrantes dos Titãs após um show em que eles concordaram em colocar a canção do compositor vanguardista. Uma releitura bem legal feita pelo quarteto.

A metade do disco chega com “Pedofilia”, com a sua letra forte e que aborda o abuso a menores. Enfim, os Titãs resolveram tratar em sua música de um assunto que não é tratado e que as pessoas têm receio em falar do tema.

A oitava faixa é “Chegada ao Brasil (Terra à Vista)” que, como o título sugere, uma espécie de crônica da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.

Em “Eu Me Sinto Bem”, é um ska que fala da satisfação do protagonista pelo fato de estar bem por simplesmente estar vivo.

O décimo tema, “Flores Pra Ela”, trata da violência contra a mulher. Em que o marido, autoritário e dominante, briga com a esposa e que, no final, sempre leva “flores pra ela”.

Já “Não Pode”, Sérgio Britto faz nítidas críticas ao excesso de regras. Enfim, o conceito é da opressão e de manter as coisas em seu lugar. Tipo aquelas coisas de pais para com os filhos: “não pode fazer isso”, “não pode fazer aquilo”.

Nheengatu” chega em sua parte final com “Senhor”, letra de Tony Bellotto, em que faz críticas à Igreja mercantilista que, através de seu poder, explora seus fiéis. Pode-se considerar uma “irmã” de “Igreja”, faixa de “Cabeça Dinossauro”.

A penúltima faixa do disco é “Baião de Dois”, que Paulo Miklos cita versos de artistas diferentes. A ideia do título partiu de Tony Bellotto.

E “Quem São Os Animais?”, faixa de encerramento do álbum, questiona sobre o preconceito.

Finalmente os Titãs voltaram às suas raízes. Deixaram as baladinhas e músicas comerciais de lado e apresentaram um álbum com letras mais ácidas e um rock mais cru. É sempre bom frisar que “Nheengatu” tem tudo para entrar no rol de clássicos titânicos, mas não chega ao mesmo patamar de “Cabeça Dinossauro” ou “Titanomaquia”. Na verdade, o tracklist do disco tem pinceladas de cada um desses trabalhos acrescidos de “Õ Blésq Blom”, de 1989.

Quanto ao desempenho dos integrantes, vamos por parte. Os Titãs acertaram em cheio ao colocar o habilidoso Mário Fabre para substituir Charles Gavin (lembrando que foi Gavin que saiu da banda, ele não foi despedido, que fique claro). Só não sei porque o grupo não o efetiva para o posto de baterista. Paulo Miklos, que precisou assumir a guitarra devido à morte de Marcelo Fromer (embora os Titãs tenham trabalhado com Emerson Vilani na vaga durante parte dos anos 2000), ficou responsável, juntamente com Tony Bellotto, pelos riffs e não decepcionou. Branco Mello passou a ocupar o baixo após a saída de Nando Reis (apesar de a banda ter contado com os serviços de Lee Marcucci por uns tempos) e só não toca as quatro cordas nas faixas em que canta. Para isso, Sérgio Britto executou a função. Mas tanto Branco quanto Britto se limitam a acompanhar a guitarra, enfim, ambos não desenvolveram as linhas de baixo com a mesma maestria de Nando Reis, mas isso não compromete em nada no álbum. E Sérgio Britto soube dosar o uso dos teclados com exatidão. Já Tony Bellotto manteve o nível com seus riffs certeiros e tem se dado muito bem como compositor, convenhamos.

Só espero que na turnê os Titãs deixem um pouco de lado as baladinhas de novela da Globo – como “Epitáfio”, “Pra Dizer Adeus” ou “É Preciso Saber Viver”, por exemplo – e façam um repertório mesclando temas de “Nheengatu” com clássicos do “Cabeça Dinossauro”, “Titanomaquia”, “Õ Blésq Blom” e até o esquecido “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”.

E entre 0 a 10 para “Nheengatu”, uma nota 8 está de bom tamanho. Vale a pena a aquisição.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist de “Nheengatu”.

Álbum: Nheengatu
Intérprete: Titãs
Lançamento: maio de 2014
Gravadora: Som Livre
Produtor: Rafael Ramos
Preço médio: R$ 26,90

Branco Mello: baixo e voz
Paulo Miklos: voz e guitarra
Sérgio Britto: voz, teclados e baixo em “República dos Bananas”, “Canalha”, “Chegada ao Brasil (Terra à Vista)” e “Senhor
Tony Bellotto: guitarra

Músico convidado:
Mário Fabre:
bateria

1. Fardado (Sérgio Britto / Paulo Miklos)
2. Mensageiro da Desgraça (Paulo Miklos / Tony Bellotto / Sérgio Britto)
3. República dos Bananas (Branco Mello/Angeli/Hugo Possolo/Emerson Villani)
4. Fala, Renata (Tony Bellotto / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
5. Cadáver Sobre Cadáver (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)
6. Canalha (Walter Franco)
7. Pedofilia (Sérgio Britto / Paulo Miklos / Tony Bellotto)
8. Chegada ao Brasil (Terra à Vista) (Branco Mello / Emerson Villani / Aderbal Freire)
9. Eu Me Sinto Bem (Tony Bellotto / Sérgio Britto / Paulo Miklos)
10. Flores Para Ela (Sérgio Britto / Mário Fabre)
11. Não Pode (Sérgio Britto)
12. Senhor (Tony Bellotto)
13. Baião de Dois (Paulo Miklos)
14. Quem São Os Animais? (Sérgio Britto)

Por Jorge Almeida