Black Sabbath: 15 anos de “Past Lives”

“Past Lives”: o ao vivo “caça-níquel” do Black Sabbath que completa 15 anos neste 20 de agosto

Hoje, domingo, 20 de agosto de 2017, o álbum “Past Lives” completa 15 anos de seu lançamento. O disco é um registro ao vivo do Black Sabbath, que fora produzido pela própria banda e lançada pelo Sanctuary Records, porém, gravado originalmente na década de 1970. O material alcançou a 114ª posição na Billboard 200.

Lançado como CD duplo, o play traz no primeiro disco um material já conhecido dos fãs, que trata-se do álbum lançado anteriormente de forma não-oficial conhecido como “Live At Last”, de 1980. Enquanto o CD dois consiste em gravações feitas para o rádio e a TV e que só estavam disponíveis em ‘bootlegs’.

No CD 1, as cinco primeiras faixas foram gravadas no Hardrock, em Manchester, em 11 de março de 1973, enquanto as quatro restantes foram captadas em uma performance do quarteto (Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward) no Rainbow Theatre, em Londres, a 16 de março de 1973.

Já no CD 2, os clássicos em “Hole In The Sky”, “Symptom Of The Universe” e “Megalomania” foram registradas no Asbury Park Convention Hall, no Asbury Park, em Nova Jersey, em 6 de agosto de 1975, e, finalmente, as demais foram gravadas no Olympia Theatre, em Paris, em 20 de dezembro de 1970.

E, duas curiosidades relacionadas a esse material: originalmente, o disco se chamaria “Live In 75”. Além disso, havia um boato na época de que o álbum teria uma versão legalizada do famoso “Paris 1970”, um dos mais famosos e de melhor qualidade ‘bootleg’ do Black Sabbath.

O disco “Past Lives” contém duas versões: a standard, que contém apenas as músicas e a limitada em embalagem digipack com um pôster e uma imagem de guitarra. Além disso, no encarte do CD de 2002, o texto foi escrito por Bruce Pilato, enquanto a versão deluxe, de 2010, o texto foi assinado por Alex Milas.

Embora apresentem versões matadoras do auge do Black Sabbath, é nítido que o disco é um verdadeiro caça-níquel. Isso é notório por conta da qualidade diferenciada de cada música. Até porque, como foi lançado em 2002, época em que os integrantes da formação clássica (principalmente Ozzy Osbourne) estavam preocupados em seus projetos, o Black Sabbath estava “de molho”. Momento mais que oportuno para lançar um material como este.

Mas para o deleite dos fãs da banda de Birmingham (e do Heavy Metal), os clássicos sabáticos estavam todos lá: “Tomorrow’s Dream”, “Sweet Leaf”, “Snowblind”, “Children Of The Grave”, “Paranoid”, “War Pigs”, entre outros, deixam qualquer material dessas bandinhas de hoje ‘no chinelo’. Destaque também para as surpreendentes “Cornucopia” e “Wicked World”. No CD 2, mais petardos que nos deixa mais revigorantes em escutá-los: “N.I.B.”, “Black Sabbath”, “Symptom Of The Universe”, “Iron Man”, “Fairies Wear Boots” e “Behind The Wall Of Sleep” sendo executados com a banda em plena forma. Com Ozzy errando as letras, Tony Iommi com a sua guitarra apresentando um desfiladeiro de riffs matadores e a cozinha de Bill Ward e Geezer Butler massacrante.

Apesar de trazer um encarte bem informativo, com muitas fotos interessantes, o material pode não conter nenhuma novidade, por exemplo, para quem já tenha o citado “Live At Last” e pior ainda se tiver algum “piratão” do Sabbath dos anos 1970 e que, em caso de triste coincidência, trazer essas mesmas faixas. Mas o produto ficou bem feito.

De fato, pode até ser um produto caça-níquel, lançado só para arrecadar dinheiro e o escambau. Mas só pelo fato de trazer uma performance arrasadora do Black Sabbath em seu auge já vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Past Lives
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 2017
Gravadora: Sanctuary
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz
Tony Iommi: guitarra
Geezer Butler: baixo
Bill Ward: bateria

CD 1:
1. Tomorrow’s Dream (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Sweet Leaf (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Killing Yourself To Live (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Cornucopia (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Snowblind (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Children Of The Grave (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Ward Pigs (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Wicked World (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Paranoid (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
CD 2:
1. Hand Of Doom (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Hole In The Sky (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Symptom Of The Universe (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Megalomania (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Iron Man (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Black Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. N.I.B. (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Behind The Wall Of Sleep (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Fairies Wear Boots (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

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Sinopse de “Confie Em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy”

"Confie em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy", traz conselhos de um dos maiores ícones do rock: Ozzy Osbourne
“Confie em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy”, traz conselhos de um dos maiores ícones do rock: Ozzy Osbourne

Existe um chiste na história do rock que diz que se houver um apocalipse nuclear só sobrariam as baratas e Keith Richards. Isso não é verdade. Pois, o autor dessa anedota esqueceu de colocar Ozzy Osbourne junto a eles. Afinal, o Madman, assim como o guitarrista do Rolling Stones, é um dos maiores sobreviventes do rock. E, em todos esses anos, o carismático vocalista já passou por tudo nessa vida: bebeu, usou montanhas das mais pesadas drogas, quebrou o pescoço em uma queda de quadriciclo, tomou injeções antirrábicas por conta de uma degustação de um “crocante” morcego, enfim, um histórico médico invejável.

Então, em virtude de sua longa experiência em idas e vindas em clínicas, hospitais, sanatórios e afins, Ozzy Osbourne recebeu um convite do jornal The Sunday Times para ser colunista em maio de 2010, onde ele respondia às perguntas e dava conselhos aos leitores do diário sobre os mais variados assuntos: desde depressão canina a questionamentos de adolescentes sobre sexo.

A coluna se tornou um fenômeno e, devido a isso, o “Dr. Ozzy” fez uma coletânea de seus conselhos que saíram no jornal em um livro: “Confie Em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy”, que teve a primeira edição veiculada em 2011 e a quarta tiragem em 2013.

Originalmente intitulado “Trust In Me: I’m Dr. Ozzy – Advice From Rock’s Ultimate Survivor” (“Confie Em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy – Conselhos do Maior Sobrevivente do Rock”), a obra traz a assinatura de Ozzy Osbourne com Chris Ayres. No Brasil, a versão em português foi publicada pela editora Benvirá.

Em cerca de 260 páginas, “Dr. Ozzy” apresenta doze capítulos, mais a introdução e o epílogo, e, no final de cada capítulo, há uma série de questões de conhecimentos sobre assuntos relacionados ao capítulo em questão.

No livro, Ozzy Osbourne responde a perguntas de leitores de todos os cantos do globo (com alguns deles com os nomes trocados por razões de privacidade) com humor e com extrema sabedoria. Inclusive, em alguns dos casos, o “doutor” esclarece alguns dos questionamentos exemplificando acontecimentos que lhe ocorreram sobre tal tema.

E, em um tom de bom humor, o livro deixa claro que Ozzy Osbourne não é um “profissional médico qualificado” e que nem tudo que está ali deve-se seguir à risca. Mas, o frontman oferece sábios conselhos, inclusive de se manter longe das drogas, assunto que ele conhece como poucos.

A obra é essencial para quem quer saber por que Ozzy Osbourne é um “milagre da medicina”.

Abaixo, a ficha técnica do livro.

Livro: Confie Em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy – Conselhos do Maior Sobrevivente do Rock
Autor: Ozzy Osbourne (com Chris Ayres)
Editora: Benvirá
Número de páginas: 264
Lançamento: 2011 (1º edição) /  2013: 4ª tiragem
Preço médio: R$ 26,00

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 40 anos de “Sabotage”

"Sabotage": ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath
“Sabotage”: ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath

Já que o Black Sabbath foi tema no post anterior, continuamos a abordar a banda de Birmingham. Dessa vez para relembrar os 40 anos de “Sabotage”, o sexto trabalho do grupo, que no último dia 28 de julho de 1975 nos Estados Unidos e em agosto no Reino Unido. Gravado entre fevereiro e março de 1975 no Morgan Studios, em Londres, o play foi co-produzido entre a banda e Mike Butcher.

O disco foi gravado em meio ao litígio envolvendo a banda e o ex-empresário Patrick Meehan, o que inspirou o título do álbum (não é preciso traduzir o significado, não é mesmo?) que, segundo os integrantes, estavam sendo roubados por quem gerenciava a carreira do grupo.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, “Sabotage” apresenta sonoridades bem variadas, que mistura o som original da banda com elementos progressivos e pitadas de pop rock.

As sessões de gravação normalmente aconteciam no meio da noite com Tony Iommi estava trabalhando realmente duro e ele estava gastando muito tempo trabalhando seus sons de guitarra. Ozzy Osbourne, no entanto, foi ficando cada vez mais frustrado com a forma de como os álbuns do Sabbath estavam ficando e relatou em sua autobiografia que “Sabotage levou cerca de quatro mil anos“.

O play abre com a clássica “Hole In The Sky” em que Tony Iommi aparece do nada com um daqueles riffs poderosos após alguns segundos de silêncio no começo da música. Em seguida aparece o curto interlúdio instrumental “Don’t Start (Too Late)“, e dependendo do que você estiver fazendo enquanto o disco toca, talvez, nem perceba a sua presença, já que ela tem menos de um minuto de duração e que foi gravada em um volume baixo. Posteriormente surge aquela que considero a melhor faixa do álbum: a incrível “Sympton Of The Universe“, que vem com Iommi destruindo tudo com o seu riff marcante e a “cozinha” de Ward e Butler dando aquele suporte naquela que pode ser considerada uma das precursoras do Trash Metal (por quê não?). O play chega a sua metade com “Megalomania“, com sua característica progressiva e que traz a participção de Gerald “Jezz” Woodruffe nos teclados. Ela é marcada pelas mudanças de ritmo e andamento, mas sem deixar de lado o peso nos incríveis arranjos. São quase dez minutos de pura “obra de arte”.

O psicodelismo marca presença em “The Thrill Of It All“, o quinto tema do álbum, que é caracterizado pelas mudanças de andamento e “feeling”. E, sem deixar a peteca cair, os caras mandam muito bem com a instrumental “Supertzar”, que apresenta harmonias geniosas e é conduzida por coros ao estilo gregoriano feito pela The London Chamber Choir. A penúltima faixa é “Am I Going Insane (Radio)“, que mantém a característica setentista da sonoridade da banda. Aliás, nesta o termo “(Radio)” levou muita gente a acreditar que se trataria de uma versão com corte ou uma versão exclusiva para rádios, mas essa é a única versão existente. No entanto, o termo – originalmente é “radio-rental” é uma gíria para “mental” (coisa de ingleses). E, para finalizar o disco, “The Writ“, cuja letra foi inspirada pelas frustrações de Ozzy com o ex-empresário Meehan, que processou a banda por ter sido despedido. A música ataca os negócios no mundo da música em geral.

Apesar de ser considerado um grande disco, particularmente acredito que trata-se do último grande disco da era-Ozzy, a capa de “Sabotage” é uma das mais bizarras da história do rock. O conceito do espelho invertido foi concebido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era artista gráfico. A princípio, a ideia original era que banda aparecesse na capa vestida de preto, todavia, não havia combinado as roupas que vestiriam no dia. Ou seja, o conceito original sucumbiu e, assim, a “sabotagem” que seria referente ao ex-empresário acabou saindo pela culatra, logo, a banda foi “vítima” da própria armadilha.

Apesar da ‘tosquice’ da capa, o disco é ótimo do começo ao fim. Ouça sem medo e, neste caso, vale a pena ignorar o famoso conceito de “julgar o disco pela capa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabotage
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 27 de julho de 1975
Gravadora: Warner Bros. (EUA) / Vertigo (Reino Unido)
Produtores: Black Sabbath e Mike Butcher

Tony Iommi: guitarra, piano, sintetizador e órgão
Geezer Butler: baixo
Ozzy Osbourne: voz
Bill Ward: bateria

Will Mallone: arranjos para The English Chamber Choir em “Supertzar

1. Hole in the Sky (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
2. Don’t Start (Too Late) (instrumental) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
3. Symptom of the Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
4. Megalomania (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
5. The Thrill Of It All (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
6. Supertzar (instrumental com coral) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
7. Am I Going Insane (Radio) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
8. The Writ (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida

Monsters Of Rock (25.04.2015)

Ozzy Osbourne: headline do primeiro dia do Monsters Of Rock. Foto: Junior Lago/UOL
Ozzy Osbourne: headline do primeiro dia do Monsters Of Rock. Foto: Junior Lago/UOL

O primeiro dia da edição 2015 do Monsters Of Rock que começou hoje em São Paulo já teve de tudo: vaias, show cancelado, filas quilométricas, etc. Mas valeu a pena para quem estava disposto para ver as duas principais atrações do primeiro dia do festival: Judas Priest e Ozzy Osbourne. Os bangers ficaram frustrados pelo cancelamento do show do Motörhead, uma das atrações mais aguardadas do dia.

Os portões da Arena Anhembi abriram por volta das dez horas. A primeira atração do dia foi o De la Tierra, único representante latino-americano (antes da apresentação improvisada do Sepultura com o Motörhead). Pontualmente, ao meio-dia, sob um Sol forte, a banda apresentou sete temas, sendo que um deles foi “Polícia”, dos Titãs, puxado por Andreas Kisser, para delírio dos presentes.

Em seguida, foi a vez dos alemães do Primal Fear entrar em ação. Com 20 anos de estrada, a banda subiu ao palco às 13h e animou o público em uma apresentação de um pouco mais de 40 minutos. Essa foi a primeira vez que Aquiles Priester se apresentou com a banda em solo brasileiro, o baterista sulafricano radicado no Brasil foi ovacionado pela plateia.

Na sequência, adentrou ao palco do Monsters Of Rock, a banda de New Metal, Coal Chamber. Apesar do empenho, as guitarras industriais e o estilo do grupo não ganharam grande notoriedade do público porque ao longo de sua apresentação, a galera ainda estava a adentrar na arena e também cuidando de outros afazeres, como ir se alimentar e fazer as suas necessidades, e também buscar o melhor lugar para se acomodar pra ver as principais atrações. Para falar que o grupo não passou despercebido, teve uma tímida roda de pogo mais próxima do palco.

O show do Rival Sons ficou caracterizado pela sonoridade que remetia aos anos 1970 e pelo esforço que os californianos fizeram para conquistar o público “sedento” pelos pesos-pesados que se apresentariam mais tarde. Aos poucos, os caras foram conseguindo conduzir o show sem problemas, destaque para os virtuosismos da dupla Buchanan (vocalista) e Scott Holiday (guitarrista).

O sol estava baixando quando o pessoal do Black Viel Brides chegou para se apresentar. Com um visual mostra a nítida influência ao glam metal (com aparência que lembra o Motley Crüe), a banda recebeu uma sonora vaia dos bangers que esperavam pelos “medalhões”. Enquanto eram xingados, vaiados e recebiam os gritos pelo Motörhead, a banda que mistura hard rock com hardcore tocou seis músicas e o vocalista Andy Biersack que, apesar de incomodado com a situação, se diz feliz por estar ali e que, assim como àqueles que o vaiaram, disse gostar de Motörhead.

Depois da situação emblemática com o Black Viel Brides, os súditos de Lemmy Kilmister receberam um banho de água fria com a informação que chegou às vésperas do Motörhead subir ao palco. Por conta de um problema gástrico que o vocalista sofreu no hotel na sexta-feira (24), o show do Motörhead foi cancelado. Então, para preencher a lacuna, os demais integrantes da banda – o baterista Mikkey Dee e o guitarrista Phil Campbell – juntamente com a organização do festival contornaram a situação: convidaram o Sepultura para uma jam. Assim, o “Sepulhead” se apresentou e tocaram apenas três músicas do Power trio: “Orgamastron”, “Ace Of Spades” e “Overkill”, para aumentar ainda mais a frustração dos que estavam ali para ver Lemmy. Então, para compensar, o setlist do Judas Priest foi ampliado.

Após a baixa do dia, o Judas Priest entrou em ação e fez uma apresentação excelente. O show começou com “Dragonault”, do mais recente trabalho do quinteto de Birmingham (“Redeemer Of Souls”) seguida de uma avalanche de clássicos dos Metal Gods. Claro que os pontos altos ficaram por conta de “Breaking The Law”, “Hell Bent For The Leather”, com a tradicional entrada do vocalista com uma motocicleta, e “Painkiller”, no bis. No auge de seus 63 anos, Rob Halford esbanjou energia e uma voz bem conservada, é só conferir os agudos e os graves quase guturais que ele dava ao longo do espetáculo. O show do Judas Priest teve três músicas a mais no set. Na opinião deste que vos escreve, só faltou tocarem “Freewheel Burning” para ser a “cereja do bolo”. Mas foi um tremendo show.

Finalmente, depois de ter acontecido quase de tudo no primeiro dia do MOR, o festival chegou ao seu ápice às 22h28 quando o headline da noite deu as caras. Sim, ele, Ozzy Osbourne cativou o público e fez do palco o seu “playground”. Ali, o Madman pulava, fazia careta, molhava a plateia com uma espécie de metralhadora de espuma. Enquanto isso, a banda que o acompanhava formada pelos competentes: Gus G (guitarra), Blasko (baixo), Adam Wakeman (teclados – sim, o filho “do homem”, o lendário Rick Wakeman) e Tommy Clufetos (bateria e que esteve com o Madman em 2013 quando veio com o Black Sabbath durante a turnê de “13”), mandavam bala nos clássicos desse ícone.

O show de Ozzy Osbourne começou com uma trinca de hits de sua carreira solo: “Bark At The Moon”, “Mr. Crowley” e “I Don’t Know”. Posteriormente veio a primeira “sabática” do show, “Fairies Wear Boots”. Na sequência, mais dois sucessos do Madman – “Suicide Solution” e “Road To Nowhere”, seguida de “War Pigs”, do Black Sabbath, “Shot In The Dark”. A banda de Ozzy aproveitou para tocar a instrumental “Rat Salad”, do Black Sabbath, para inserir na execução os solos de guitarra e bateria. Na volta do vocalista, outro clássico da banda de Birmingham: “Iron Man”. Após isso, o concerto foi finalizado com “I Don’t Want The Change The World” e “Crazy Train”. Ozzy saiu para o bis e, na volta, cantou “Paranoid” e só, para a frustração de alguns fãs que esperaram que o vocalista cantasse “No More Tears” ou ainda “Mama, I’m Coming Home”, o que não aconteceu. Enquanto as PA’s ecoava pelo espaço a versão insossa de “Changes”, sucesso do Sabbath, na versão que o Madman fez com a sua filha Kelly, o público foi deixando a arena com sentimentos que mesclavam satisfação pelo que viu de Judas Priest e Ozzy Osbourne e frustração por ter perdido a oportunidade de ver Lemmy Kilmister.

Abaixo, o setlist das apresentações das bandas que tocaram no primeiro dia do Monsters Of Rock 2015.

DE LA TIERRA:
1. D.L.T. (intro)
2. Somos uno
3. Maldita historia
4. Polícia
5. San Asesino
6. Detonar
7. El Chamán de Manaus
8. Cosmonauta Quechua

PRIMAL FEAR:
1. Introduction
2. Final Embrace
3. Nuclear Fire
4. Unbreakable Pt. 2
5. When Death Comes Knocking
6. Angel In Black
7. Chainbreaker
8. Metal Is Forever
9. Running in the Dust

COAL CHAMBER:
1. Loco
2. Big Truck
3. I.O.U. Nothing
4. Fiend
5. Rowboat
6. Something Told Me
7. Clock
8. Drove
9. Not Living
10. Dark Days
11. I
12. Rivals
13. No Home
14. Oddity

RIVAL SONS:
1. Electric Man
2. Play the Fool
3. Secret
4. Pressure and Time
5. Torture
6. Tell Me Something
7. Where I’ve Been
8. Get What’s Coming
9. Open My Eyes
10. Keep On Swinging

BLACK VEIL BRIDES:
1. Heart of Fire
2. I Am Bulletproof
3. Wretched and Divine
4. Knives and Pens
5. Overture
6. Shadows Die

JUDAS PRIEST:
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim of Changes
5. Halls of Valhalla
6. Love Bites
7. Turbo Lover
8. Redeemer of Souls
9. Jawbreaker
10. Breaking the Law
11. Hell Bent for Leather
Bis 1:
12. The Hellion
13. Electric Eye
14. You’ve Got Another Thing Comin’
15. Painkiller
Bis 2:
16. Living After Midnight

OZZY OSBOURNE:
1. Bark at the Moon
2. Mr. Crowley
3. I Don’t Know
4. Fairies Wear Boots
5. Suicide Solution
6. Road to Nowhere
7. War Pigs
8. Shot in the Dark
9. Rat Salad with guitar & drum solo
10. Iron Man
11. I Don’t Want to Change the World
12. Crazy Train
Bis:
13. Paranoid

Por Jorge Almeida

Analisando “Memoirs Of A Madman”, de Ozzy Osbourne

"Memoirs Of A Madman": CD não traz novidades, mas DVD traz materiais raros e inéditos. Foto: divulgação
“Memoirs Of A Madman”: CD não traz novidades, mas DVD traz materiais raros e inéditos. Foto: divulgação

No último mês de outubro chegou às lojas a mais nova copilação de Ozzy Osbourne: “Memoirs Of A Madman”, que foi lançado pela Epic Records e Legacy Recordings. O material é composto por um CD e dois DVD’s.

Antes de seu lançamento, o trabalho foi divulgado, aos poucos, através de uma campanha pelas redes sociais em que começou com um convite aos fãs para que fossem postados no Twitter ou no Facebook a hastag #OzzyRules para que, quanto mais a tag fosse utilizada, mais nítida ficava a capa de “Memoirs Of A Madman”, até então misterioso projeto do vocalista.

O CD é constituído por “mais do mesmo”, ou seja, uma coletânea caça-níquel com 17 faixas, sem novidades, apenas os velhos clássicos de sempre de Ozzy Osbourne e com um agravante ainda. A funesta versão de “Changes” em que ele fez dueto com a filha Kelly aparece na copilação, enquanto isso, o “classudo” tema que dá título ao álbum de 1981 de Ozzy, “Diary Of A Madman”, ficou de fora. O disco compacto pode ser comprado avulso. Só é recomendável para quem “não é tão fã assim” do Madman. Até porque a coletânea “The Essential Ozzy Osbourne” (2003) é mais completa ou, ainda, se você tiver “bala na agulha”, recomendo o box “Prince Of Darkness” (2005).

Mas voltando para “Memoirs Of A Madman” para falar do DVD duplo que, esse sim, vale a pena a aquisição. Pois, enquanto o DVD 1 traz 26 videoclipes, a versão alternativa de “Mama, I’m Coming Home” e mais os “making offs” de “Let Me Hear Your Scream” e “Life Won’t Wait”, o DVD 2 é deleite puro para os fãs de uma lenda viva do Heavy Metal: há entrevistas, apresentações inéditas e fora de catálogo, momentos raros e sessões de gravações de “Ozzmosis”. Contudo, infelizmente, para nós brasileiros, os DVD’s são importados e, nas lojas convencionais, só encontramos o CD. Ou seja, se optar em comprar o DVD verifique a compatibilidade de seu aparelho uma vez que os DVDs norte-americanos são, em sua maioria, região 1.5.

Vale destacar que o material abrange apenas a carreira solo de Ozzy Osbourne, ou seja, desde 1980, quando o vocalista lançou o clássico “Blizzard Of Ozz” até 2010, ano que foi lançado o seu último trabalho de estúdio, “Scream”. Embora tenha músicas dos tempos de Black Sabbath: o citado dueto de “Changes”, uma performance ao vivo de Ozzy da mesma música feita nos anos 1990 e um vídeo de uma apresentação feita em 1982 para “Fairies Wear Boots”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do material.

CD/DVD: Memoirs Of A Madman
Intérprete: Ozzy Osbourne
Gravadora: Epic Records / Legacy Recordings
Preço médio: R$ 25,00 (CD) / R$ 110,00 (DVD importado)

CD:
1. Crazy Train
2. Mr. Crowley
3. Flying High Again
4. Over The Mountain
5. Bark At The Moon
6. The Ultimate Sin
7. Miracle Man
8. No More Tears (edit)
9. Mama, I’m Coming Home
10. Road To Nowhere
11. Perry Mason
12. I Just Want You
13. Gets Me Through
14. Changes (feat. Kelly Osbourne)
15. I Don’t Wanna Stop
16. Life Won’t Wait
17. Let Me Hear You Scream

DVD 1:
The Music Videos
Bark At The Moon
So Tired
The Ultimate Sin
Lightning Strikes
Crazy Train
Miracle Man
Crazy Babies
Breaking All The Rules
No More Tears
Mama, I´m Coming Home
Mr. Tinkertrain
Time After Time
Road To Nowhere
I Don´t Want To Change The World (Live)
Changes
Perry Mason
I Just Want You
See You On The Other Side
Back On Earth
Gets Me Through
Dreamer
In My Life
I Don´t Wanna Stop
Let Me Hear You Scream
Life Won t Wait
Let It Die
Bônus:
Mama, I´m Coming Home (alternative version)
The Making of Let Me Hear You Scream
The Making of Life Won´t Wait

DVD 2:
Performances and Interviews:
Rochester, NY 1981
I Don´t Know
Suicide Solution
Mr. Crowley
Crazy Train

*Ozzy´s Bunker

Albuquerque, NM 1982
Over The Mountain

*MTV 1982

*New York, NY 1982
Fairies Wear Boots (clip)

*Ozzy´s Bunker

*Entertainment USA 1984

**Kansas City, MO 1986
Bark At The Moon
Never Know Why

*Ozzy´s Bunker

Killer Of Giants
Thank God For The Bomb
Secret Loser

*Ozzy´s Bunker

*Philadelphia, PA 1989
Bloodbath In Paradise
Tattooed Dancer
Miracle Man

*MTV 1989

*Marquee, UK 1991
Bark At The Moon (clip)

*Studio 1992

*San Diego, CA 1992
I Don´t Want To Change The World
Road To Nowhere

*Japan 1992

*Ozzy´s Bunker

No More Tears

*Studio 1992

Desire

*MTV 1992
Mama, I´m Coming Home

*Studio 1992

*Ozzmosis Recording Session 1995

Ozzfest 1996
Perry Mason

*Fame & Fortune

Tokyo, Japan 2001
Gets Me Through

*Fame & Fortune

*Ozzfest 2007
Not Going Away

*Black Rain Photo Shoot

*Las Vegas, NV 2007
I Don t Wanna Stop

*Scream Recording Session 2010

*London, England 2010
Let Me Hear You Scream

Bônus:
*Philadelphia, PA 1989

Flying High Again

Tokyo, Japan 2001
Believer

* conteúdo inédito

** conteúdo disponível pela primeira vez em DVD

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 40 anos de “Sabbath Bloody Sabbath”

Sabbath Bloody Sabbath: elogiado pela crítica por ter pitadas de elementos progressivos em sua essência
Sabbath Bloody Sabbath: elogiado pela crítica por ter pitadas de elementos progressivos em sua essência

Já que estamos encerrando a primeira semana de dezembro, gostaria de destacar sobre os 40 anos do quinto álbum de estúdio do Black Sabbath, o clássico “Sabbath Bloody Sabbath”, que completou 40 anos de seu lançamento no último dia 1º.

Depois de quatro trabalhos que foram severamente criticados pela Rolling Stone, finalmente um disco da banda foi aclamado pela revista norte-americana. E isso trouxe um impacto positivo para o grupo. Talvez, um dos fatores que tenha feito a crítica fazer elogios ao álbum foi a atmosfera incorporada de elementos que caracterizam o rock progressivo nas canções, como teclados e sintetizadores, que já apareciam, embora com menos intensidade, no disco anterior, o “Vol. 4”. Aliás, não é à toa que há a presença de Rick Wakeman, do Yes, na gravação do álbum com o pseudônimo de “Spock Wall”.

Na época, houve inúmeros fatos que ocorreram na banda, como os problemas sérios com as drogas, em especial, Ozzy e Ward. Aliás, o baterista fez uso de LSD por mais de dois anos após a saída do vocalista da banda.

O Black Sabbath voltou para Los Angeles disposto a gravar o trabalho sucessor de “Vol. 4”. Assim, foram para o Record Plant Studios com um novo produtor: o engenheiro Tom Allom, com o empresário do grupo, Patrick Meehan, creditado como co-produtor do álbum.

O Black Sabbath, porém, descobriu que o quarto que eles haviam usado no Record Plant foi substituído por um “sintetizador gigante” de Stevie Wonder, que gravara por lá anteriormente. Dessa forma, os rapazes de Birmingham alugaram uma casa em Bel Air, em Los Angeles, para começar a escrever as letras para o trabalho que estaria por vir. Porém, em função do abuso de drogas, não tiveram capacidade em finalizar as músicas. Era algo como todos à espera de Tony Iommi com alguma coisa para criar, mas o guitarrista não conseguia pensar em nada e, assim, ninguém fazia nada.

Depois de um mês, sem resultados, em Los Angeles, a banda decidiu voltar para a Inglaterra e alugou o Clearwell Castle, na Floresta de Dean, região do condado de Gloucestershire, que serviu de inspiração para os membros do Black Sabbath, pois, por lá apareceram fantasmas, duendes, gnomos, poltergeist e outros fenômenos sobrenaturais, segundo os integrantes da banda. E após uma série de ensaios, Iommi criou o riff de “Sabbbath Bloody Sabbath”, e, assim, as músicas começaram a emergir.

As gravações foram concluídas no Morgan Studios, em Willesden, norte de Londres, em setembro de 1973.

Na época das gravações, amigos próximos da banda apareceram no estúdio, como o pessoal do Led Zeppelin. Dizem que John Bonham queria tocar “Sabbra Cadabra”, mas os caras do Sabbath não queria outro material que não fosse o seu próprio para a gravação. Nessa visita, as duas bandas teriam feito uma jam session improvisada que foi gravada, mas que (infelizmente) nunca foi lançada.

Para as novas canções, foram incorporados teclados, sintetizadores, flautas, cordas, arranjos mais complexos e até um sintetizador Moog foi utilizado por Ozzy Osbourne, que não sabia como usar o instrumento. Iommi até tentou utilizar gaitas de foles nos estúdio, mas não teve habilidade suficiente para manuseá-los.

Rick Wakemann, que participou das gravações nas faixas “Sabbra Cadabra” e “Who Are You?”, recusou receber um pagamento por parte da banda, pois preferiu ser recompensado com cervejas pela sua contribuição.

O disco alcançou o quarto lugar nos charts britânicos e na 11ª colocação nas paradas norte-americanas.

A turnê começou em janeiro de 1974 e culminou com uma memorável apresentação no festival California Jam, em 6 de abril de 1974, ao lado de bandas como Emerson, Lake & Palmer, Eagles, Earth, Wind & Fire, Deep Purple, entre outros, diante de 250 mil pessoas.

Além das músicas, outro destaque de “Sabbath Bloody Sabbath” é a sua capa, criada por Drew Struzan, que também assina a capa de “Welcome To My Nightmares” (1975), de Alice Cooper. Para o álbum, sob a direção de Ernie Cefalu, o ilustrador retratou um homem deitado na cama, supostamente tendo um pesadelo, sendo atacado por demônios em forma humana. No alto da cama, há uma caveira com braços longos estendidos e o número 666 (não vou explicar sobre esse número, afinal todo mundo sabe o seu significado) acima de sua cabeça.

O álbum abre com a clássica faixa-título. Uma incrível canção de Heavy Metal capitaneada pelo poderoso riff do mestre Iommi e os berros de Ozzy. Na sequência temos “A National Acrobat”, que mescla Blues e Heavy Metal, e traz uma pegada e senso melódico e harmônico. O terceiro tema é a instrumental “Fluff”, que Tony Iommi fez em homenagem ao disc-jockey (DJ) da BBC, Allan “Fluff” Freeman (morto em 2006, aos 79 anos), que foi um dos poucos profissionais de rádio da Grã-Bretanha que tocava músicas da banda. E o lado A do vinil de “Sabbath Bloody Sabbath” chega ao fim com “Sabbra Cadabra”, um Heavy-Rock com pitadas de progressivo (lembrem-se que Rick Wakeman participou da gravação dela!). Anos depois, o Metallica a regravou em seu “Garage.Inc” (1998).

E o lado B do disco teve como faixa de abertura da excelente “Killing Yourself To Live”, escrita por Geezer Butler enquanto ele estava internado no hospital devido a problemas nos rins ocasionados pelo consumo excessivo de álcool. O Black Sabbath deixou bem nítido o lado experimental de suas canções no trabalho em “Who Are You?”, que traz a letra mais assombrosa do álbum. Grande tema. A penúltima faixa é “Looking For Today”, que teve Tony Iommi tocando flauta. E, para finalizar, a ótima “Spiral Architect”, que começa com uma dedilhada no violão e depois vai ganhando “corpo”, com passagens eruditas e arranjos feitos por Will Malone. A música nunca havia sido tocada ao vivo pela banda até o lançamento do álbum “Reunion”, em 1998.

Inclusive, a versão em CD, de 1986, lançada pela Castle Communications traz uma versão ao vivo de “Cornucopia” como faixa bônus.

Particularmente, esse trabalho faz parte do meu “top 5” de toda a discografia do Black Sabbath. Asseguro “Sabbath Bloody Sabbath” é um dos melhores trabalhos do rock bretão.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabbath Bloody Sabbath
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 1º de dezembro de 1973
Gravadora: Vertigo / Warner Bros. (EUA/Canadá) / Castle Communications
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz e sintetizadores
Tony Iommi: guitarra, violão, sintetizadores, flauta, órgão, piano, espineta e cravo
Geezer Butler: baixo, sintetizadores e mellotron
Bill Ward: bateria, tímpanos e bongos em “Sabbath Bloody Sabbath

Will Malone: maestro e arranjos em “Spiral Architect
Rick Wakeman: piano e mini moog em “Sabbra Cadabra” e “Who Are You?

1. Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)
2. A National Acrobat (Black Sabbath)
3. Fluff (instrumental) (Black Sabbath)
4. Sabbra Cadabra (Black Sabbath)
5. KillingYourself To Live (Black Sabbath)
6. Who Are You? (Black Sabbath)
7. Looking For Today (Black Sabbath)
8. Spiral Architect (Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

Ozzy Osbourne: 30 anos de “Bark At The Moon”

"Bark At The Moon": clássico de Ozzy Osbourne que tem 100% das músicas compostas apenas pelo Madman
“Bark At The Moon”: clássico de Ozzy Osbourne que tem 100% das músicas compostas apenas pelo Madman

O terceiro álbum de estúdio da carreira solo de Ozzy Osbourne, “Bark At The Moon”, faz nesta sexta-feira, 30 anos de seu lançamento. O disco é o primeiro trabalho de inéditas feito pelo Madman sem o seu parceiro, o guitarrista Rhandy Rhoads, morto no ano anterior.

Então, para substituir Rhoads, veio o ex-guitarrista do Teaser e Mickey Ratt Jake E. Lee. A parceria entre ele e Ozzy resultou em “Bark At The Moon”, que foi gravado com Bob Daisley (baixo), Tommy Aldridge (bateria) e o atual Deep Purple Don Airey nos teclados.

Mesmo com as críticas favoráveis ao álbum, o vocalista seguiu nos modismos da época, como as suas constantes aparições na MTV e uma turnê com o Mötley Crüe, ficando para trás todo o lado classicismo das composições de Randy Rhoads.

Outro acontecimento que marcou “Bark At The Moon” foi acerca das autorias das composições, cujos créditos são assinados apenas por Ozzy Osbourne, o que faz do disco ser o único 100% escrito apenas pelo ex-vocalista do Black Sabbath. Contudo, o próprio Ozzy afirmou anos mais tarde, como pode ser visto no encarte do álbum “The Ozzman Cometh” (1997) que a faixa-título foi co-escrita com Jake E. Lee. Enquanto o baixista Bob Daisley, que produziu o play junto com Ozzy e Max Norman, garante que ele e Jake foram os responsáveis pelas músicas, além dele – Bob Daisley – afirmar que também escreveu a maior parte das letras do disco. Até o Lee Kerslake, baterista dos primeiros trabalhos solo de Ozzy e que tocou com Daisley no Uriah Heep e que não participou das gravações de “Bark At The Moon”, entrou na parada ao afirmar que Sharon Osbourne, esposa e empresária do Madman, contratou Daisley para escrever as letras para o álbum de Ozzy pagando-lhe entre 50 e 60 mil dólares.

A faixa-título entrou no rol de clássicos da carreira solo de Ozzy. O videoclipe de “Bark At The Moon”, o primeiro a ser feito pelo vocalista, foi parcialmente filmado em um sanatório nas proximidades de Londres.

Fora dos estúdios e dos palcos, Ozzy enfrentava problemas judiciais. Como o fato de os pais de um jovem de 19 anos apontarem Ozzy Osbourne como responsável pelo suicídio do filho em virtude da música “Suicide Solution”. O vocalista foi absolvido das acusações. Além disso, o tema foi escrito em virtude da morte de Bon Scott, vocalista do AC/DC, por hipotermia, depois de dormir embriagado em seu carro em uma noite de inverno. A letra da música alerta sobre os males que o consumo excessivos de bebidas alcoólicas podem provocar.

Bark At The Moon” foi o único registro de estúdio que o atual baterista do Whitesnake, Tommy Aldridge, gravou com Ozzy. Uma vez que o músico era constantemente acionado para assumir as baquetas durante as turnês dos discos do Príncipe das Trevas.

O álbum alcançou a 19ª colocação nas paradas da Billboard e, em menos de três meses, rendeu o Disco de Ouro a Ozzy Osbourne e, até o momento, suas vendas ultrapassaram a casa das três milhões de cópias, o que lhe rendeu o Disco de Platina triplo. Contudo, a faixa-título e a “So Tired” foram lançadas como singles, que tiveram resultados modestos.

A sequência das músicas da versão europeia do álbum difere da norte-americana. Enquanto os europeus têm a presença de “Spiders In The Night”, em contrapartida, “Slow Down” não consta em seu tracklist. Além disso, algumas prensagens feitas no Velho Continente creditou a faixa “Forever” como “Centre Of Eternity”.

Em 1995, o álbum foi remasterizado, lançado pela primeira vez em CD e teve a faixa “Spiders In The Night” no tracklist da edição japonesa, totalizando assim nove temas. Enquanto no relançamento feito em 2002, foram acrescidas mais duas faixas. A já citada acima, que foi nomeada apenas como “Spiders” e “One Up ‘B’ The Side”.

E foi durante tour desse lançamento que Ozzy Osbourne tocou pela primeira vez no Brasil, em 1985, na primeira edição do Rock In Rio. E disse ainda que veio ao Brasil na esperança de ver “a Garota de Ipanema em cada esquina, mas não vi nenhuma. Havia só um monte de crianças pobres correndo pelo lugar como ratos. As pessoas eram ou absurdamente ricas ou viviam nas ruas, parecia não haver nada no meio”, conforme o próprio relatou em seu livro “I’m Ozzy”. Aliás, mesmo passados 28 anos desse episódio, a situação não mudou muito, não é?

Mas certamente, “Bark At The Moon” é considerado um dos melhores trabalhos do mestre Madman. Vale a pena ouvi-lo até o último volume.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.
Álbum: Bark At The Moon
Intérprete: Ozzy Osbourne
Lançamento: 15 de novembro de 1983
Produtores: Ozzy Osbourne, Bob Daisley e Max Norman
Gravadora: Epic / CBS (EUA)

Ozzy Osbourne: voz
Jake E. Lee: guitarra
Bob Daisley: baixo
Tommy Aldridge: bateria
Don Airey: teclados

1. Bark At The Moon (Osbourne)
2. You’re No Different (Osbourne)
3. Now You See It (Now You Don’t) (Osbourne)
4. Rock ‘N’ Roll Rebel (Osbourne)
5. Centre Of Eternity / Forever (Osbourne)
6. So Tired (Osbourne)
7. Slow Down (Osbourne)
8. Waiting For Darkness (Osbourne)
Faixas bônus:
9. Spiders (Osbourne)
10. One Up The ‘B’ Side (Osbourne)

Por Jorge Almeida