Kiwi Companhia de Teatro investiga, em novo espetáculo, a obra do britânico Edward Bond, um dos mais importantes dramaturgos da atualidade

Figura 1 Cena de Material Bond - Foto de Bob Sousa
Figura 1 Cena de Material Bond – Foto de Bob Sousa

Companhia reconhecida pelo seu caráter crítico nas abordagens cênicas, a Kiwi volta-se para o tema da violência e da imaginação poética tão contundentes em Edward Bond

(…) Este é um ponto importante a entender sobre Bond. Muitas vezes visto como um niilista desesperado cujas peças estão cheias de imagens de violência, ele mantém uma fé teimosa na humanidade: é o que ele chama de contradições da ‘humanidade’” (parte da entrevista concedida ao jornal The Guardian ao jornalista Mark Lawson)

Estreia dia 2 de março de 2017, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, a mais nova obra da Kiwi Companhia de Teatro: Material Bond, uma peça que discute os desequilíbrios das sociedades contemporâneas, traz para a cena a realidade brasileira, a brutalidade da ação policial e a criminalização dos movimentos sociais, sintomas da injustiça social, da violência de Estado e os processos de desumanização, moeda corrente nos dias atuais.

A montagem tem como força motriz parte da obra do britânico Edward Bond, um dos mais importantes dramaturgos vivos da atualidade. No elenco estão a atriz Fernanda Azevedo e o multi-instrumentista Eduardo Contrera, sob roteiro e direção de Fernando Kinas.

Edward Bond é considerado um dos maiores dramaturgos europeus em atividade, cujas peças são montadas regularmente em grandes centros de produção artística (especialmente na Alemanha e na França). Bond, nascido em Londres em 1934, é praticamente um desconhecido no Brasil, apesar de suas mais de 50 peças escritas até o momento. Sua verve dramatúrgica, poética mas contundente, vai na contramão do teatro comercial e despretensioso, mas também se distancia de um tipo dogmático de teatro.

A essas características soma-se a trajetória da Kiwi Companhia de Teatro, um grupo que, simultaneamente, faz e pensa o teatro com o objetivo de contribuir para a construção de um pensamento crítico sobre a sociedade brasileira. Com essa síntese de proposições incisivas da Companhia e a poética radical de Edward Bond, aliada ao olhar atento sobre a violência de nossos dias, a Kiwi estreia Material Bond.

A fome de justiça nos faz humanos, a justiça é o reverso de todas as leis.”

Concepção de montagem

Essa nova montagem da Kiwi é o cruzamento entre teatro, performance, intervenção e show. Material Bond radicaliza, de certa forma, as sugestões do próprio Edward Bond, que mais de uma vez afirmou a necessidade de encontrar novas formas para compreender a sociedade atual. À radicalidade da injustiça e da desumanidade (motes reincidentes na obra do autor) precisa corresponder uma radicalidade estética, dramatúrgica e cênica.

No espetáculo, há o uso abundante de material não-dramático, da hibridização de linguagens e espaços (boa parte das cenas se passa num tablado instalado na plateia), e há também o jogo com o público através de uma intervenção inédita sobre a atualidade. A peça utiliza projeções que trazem diretamente a realidade brasileira para a cena, como a brutalidade da ação policial e a criminalização dos movimentos sociais.

Intervenções narrativas e poéticas, e execuções musicais (gravadas e ao vivo, conduzidas pelo músico multi-instrumentista Eduardo Contrera), mais a articulação de binômios, muito presentes na obra do autor (cômico e trágico, rápido e lento, solene e trivial), resulta em um trabalho cênico que expõe conflitos capazes de revelar, para além da superfície das coisas, conexões de causa e efeito sobre aspectos da vida social brasileira.

O modo encontrado pela Kiwi para lidar com esta radicalidade de conteúdos e formas foi partir de uma série de poemas, letras de canções e pequenas histórias (que o autor também chama de fábulas) de Edward Bond em uma intervenção teatral com roteiro inédito e clara mente inspirado no teatro documentário.

Edward Bond

Descontente com o ambiente teatral de sua época, Bond se afastou, depois do início de seu percurso no Royal Court, de parte do establishment artístico, chegando a proibir a apresentação de suas peças em importantes instituições culturais britânicas. Sua trajetória tem sido marcada pela recusa dos esquemas do teatro comercial, mas também pela distância de um tipo reducionista de teatro.

Edward Bond é um prolífico e brilhante comentador de suas próprias peças, publicando prefácios, introduções, comentários, escrevendo cartas a diretores interessados em sua obra e densos ensaios sobre a relação entre teatro e sociedade. Além desta importante produção teórica, escreveu roteiros cinematográficos, libretos de ópera, fábulas, poemas e letras de canções.

Além da qualidade poética das obras de Bond, sua contribuição também é inegável no campo da experimentação formal, desenvolvendo – tanto na escrita, como teoricamente – técnicas para uma dramaturgia em sintonia com o mundo atual.

Atualmente Bond encontra prazer em trabalhar com grupos jovens, como o Big Brum ou Dundee Rep’s Youth Theatre. Na entrevista concedida ao jornalista Mark Lawson, do jornal britânico The Guardian, Bond revela a preferência por esse tipo de escrita. Aos 83 anos, o dramaturgo britânico ainda revela “(…) eu sinto que apenas comecei a entender as possibilidades do drama. Tudo o que posso fazer é escrever as peças da melhor forma possível e reescrever a realidade como eu a vejo”.

Ficha Técnica
Direção e roteiro: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo (atriz) e Eduardo Contrera (músico)
Vídeo: Luiz Gustavo Cruz
Cenografia: Julio Dojcsar
Iluminação: Clébio Souza (Dedê)
Figurino: Madalena Machado
Confecção de marionete: Celso Ohi
Áudio inicial: Michael Moran
Produção e operações: Luiz Nunes e Daniela Embón
Realização: Kiwi Companhia de Teatro
Crédito das fotos: Divulgação
Link para o teaser: https://www.youtube.com/watch? v=ZwLdm-86R3Y

Serviço
Oficina Cultural Oswald de Andrade – Anexo
Endereço – Rua Três Rios, 363, São Paulo, SP, Brasil CEP 01123-001 – próximo ao metro Tiradentes ( linha 1 – azul )
Telefone – 3221-4704 / Reservas: 987067471 ou 976181690
Temporada de 2 a 25 de março de 2017
Quintas e sextas às 20h, sábados às 18h
Gênero: teatro documentário
Duração: 80 mim
Ingressos gratuitos, a distribuição começa uma antes da apresentação
Classificação etária: 14 anos

Informações à imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 011 2914 0770 | Celular: 011 9 9126 0425
Email: canal.aberto@uol.com.br | www.canalaberto.com.br

Por Daniele Valério

Dança – Estreia – Marcela Banguela, de Natália Mendonça

Cena do espetáculo de dança Marcela Banguela, de Natália Mendonça. Créditos: Divulgação
Cena do espetáculo de dança Marcela Banguela, 07de Natália Mendonça. Créditos: Divulgação

Personagem Marcela Banguela nasceu como estratégia de sobrevivência

Espetáculo Marcela Banguela, de Natália Mendonça, põe em cena as estratégias de sobrevivência criadas instintivamente pela coreografia para atuar e enfrentar os desafios de uma cidade

“(…) fui percebendo a Marcela Banguela como um exagero de mim mesma. Tudo que ela expressa reconheço existir na Natália, na dança, na vida. Ela sou eu aumentada no grau de intensidades.”

Marcela Banguela, a personagem, nasceu de uma necessidade de sobrevivência. Era o ano de 2010 e Natália Mendonça era uma bailarina recém chegada a São Paulo, vinda de Ribeirão Preto, com passagem por Campinas. Mas cidade grande é sempre cidade grande e enfrentar São Paulo não era atitude das mais fáceis. Novas rotinas, encontros, relações, trabalhos, caminhos, pessoas. Tudo era novo. E o corpo de Natália respondeu ao enfrentamento proposto pela cidade. Passados cinco anos, Natália estreia agora o espetáculo Marcela Banguela dia 13 de junho de 2016, na Oficina Oswald de Andrade, no Bom Retiro, com apoio do PROAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, do Governo do Estado de São Paulo na categoria Primeiras Obras – Produção de Espetáculo e Temporada de Dança.

Em 2010, ao confrontar-se com o desconhecido da capital paulista, a bailarina lançou mão de algumas estratégias, compartilhadas por várias amigas e mulheres em situações semelhantes ou iguais. Andar com roupas largas, muito largas. Ter um caminhar masculinizado. Sair gritando na rua escura. Correr, como se estivesse atrasada para algo.  Usar chapéu, tampando o rosto. Esquivar-se. Sobreviver.

Esse personagem, surgido no projeto “Área Reescrita” da J.Gar.Cia, cresceu e ampliou-se, para ao mesmo tempo misturar-se com sua criadora, que faz, com esse espetáculo, sua primeira estreia como coreógrafa. Para Natália, interessa investigar, nesse trabalho, “esse ‘borramento’ entre pessoa e personagem”.  Hoje, a bailarina vê o nascimento de sua personagem como por um retrovisor, de quem viveu a situação, mas ultrapassada a barreira do tempo, já se encontra em outro momento da estrada.

Sinopse de Marcela Banguela
Marcela Banguela é um trabalho sobre a relação entre criador e criatura. Como a criação revela estratégias de sobrevivência, e escancara um desespero pela comunicação, ao mesmo tempo que cai aos pedaços, despede-se e ainda permanece no criador.

Sobre Marcela Banguela, personagem e espetáculo
Em cena, surge um personagem dicotômico, bipolar, que está de calça dourada e sobretudo – com detalhes de oncinha – mas com chapéu de vaqueiro e coturno. Segundo a própria Natália, “o coturno impõe um peso de existência e afirmação. A roupa é larga, mas ao mesmo tempo brilhante. Provocadora-baranga. O chapéu de vaqueiro. Menina-jagunço. Na rua, a Marcela Banguela não anda, se monta pra guerra. Na balada, só dança sozinha, é muita expansão pra qualquer tipo de sociabilização. A música, a cachaça, os amigos, os amores, as confusões são absorvidos em forma de excessos e expulsos como pedras espirradas de uma britadeira. Num segundo gargalha, no outro se debulha em lágrimas. Pra ela, a vida é sempre drama e riso”.

Marcela Banguela é vaidosa à sua maneira, contém em si elementos que a ajudam a respirar e aumentar seu espaço físico nesse mundo, já que sua estrutura óssea pequena a fragiliza e isso não lhe agrada na maioria das vezes.

Sobre Natália Mendonça
Marcela Banguela é a personagem desenvolvida pela bailarina Natália Mendonça,  Bacharel e Licenciada em Dança pela Unicamp (ano de ingresso 2001) e em Curso de Certificação de Instrutores pelo CGPA Pilates (2009).  Atualmente integra o núcleo artístico da Cia Perversos Polimorfos, como intérprete-criadora em A Imagem-Nua e Outros Contos e Ânsia (realizados através da Lei de Fomento à Dança) e colaboradora em Movimento para um homem só (premiado pelo Edital Cultura Inglesa) e Bolero.  Com Marta Soares é intérprete-criadora do projeto Deslocamentos (realizado através da Lei de Fomento à Dança).

Com Cristian Duarte é intérprete da performance 1 milímetro of all that. Com Clarice Lima é intérprete do espetáculo Eles Dançam Mal e da performance Árvores, e atualmente, em processo de criação do infanto-juvenil Supernada. Em 2012 participou da Jam Session Passing Through no Sesc Pinheiros. Dentro do projeto Lote# (de direção geral de Cristian Duarte e Clarice Lima), participou dos LABs com David Zambrano, Paz Rojo, Thiago Granato, Tom Monteiro, Arkadi Zaides e Patrícia Árabe.

Participou da celebração do Teatro Oficina em homenagem ao centenário da arquiteta Lina Bo Bardi, dirigido por Zé Celso Martinez em parceria com o projeto Terreyro Coreográfico, dirigido por Daniel Kairoz. Em janeiro de 2014 foi assistente de direção de Ricardo Gali no projeto Play.Party[BER], em Berlim. Em março de 2014 foi colaboradora do projeto A/R, de Rodrigo Andreolli e Raíssa Ralola, premiado pelo edital Klauss Vianna/2013. Em outubro / novembro de 2012 participou da residência artística Outras Danças – Brasil /Argentina/Uruguai em Porto Alegre, uma realização da FUNARTE, sob a direção de Luis Garay (Argentina). Em junho de 2011, participou da Residência C de la B ministrada por Juliana Neves e Quan Bunhoc, integrando a programação da 4a Bienal Sesc de Dança, em Santos.

Integrou o núcleo artístico da J.Gar.Cia de 2008 a 2012 como intérprete-criadora, sendo os dois últimos anos também como assistente. Foi bailarina do Grupo 1o Ato, de Belo Horizonte (2006/2007).  Dentre cursos, aulas, encontros e trabalhos mais longos, tem como principais mestres e inspirações: Bettina Bellomo, Patty Brown, Tuca Pinheiro, Angela Nolf, Graziela Rodrigues, Holly Cavrell, Jorge Garcia, Pedro Peu, Leonardo Sodré, Michelle Moura, Volmir Cordeiro, David Zambrano, Clarice Lima, Cristian Duarte, Key Sawao, Ricardo Gali, Marta Soares, entre outros.

Como surgiu Marcela Banguela, por Natália Mendonça
No ano de 2010, a J.Gar.Cia foi contemplada com o projeto “Área Reescrita” pelo VIII Programa Municipal de Fomento à Dança. Durante cinco meses trabalhamos nas ruas, produzindo vídeos onde nós, os intérpretes, nos revezávamos como diretores, assistentes, produtores, intérpretes. Dentro dessa proposta, um dos diretores/intérprete propôs uma residência de três dias no CED (Centro de Estudos em Dança, em Caieiras), e através dessa experiência, com o foco na criação do espetáculo mencionado, iniciei o estudo acerca do que, no futuro, seria a personagem Marcela Banguela.

Do CED para os palcos, passando pelas ruas, a personagem começou a se definir cada vez mais, a crescer e ter participação bastante significativa dentro e fora do espetáculo “Área Reescrita”. Foi a primeira vez que encarei a dança contemporânea e a performance sobre a perspectiva de uma personagem, mesmo com pouca informação sobre o que significava e como eu poderia trabalhar com essa experimentação. Fui intuitivamente cultivando e trabalhando as características da personagem, relacionando-a com minhas próprias escolhas, gestos e movimentação. Depois de conversas com Jorge Garcia, diretor da Companhia, tive seu apoio para desenvolver o meu primeiro trabalho solo a partir do material dessa personagem. O desejo de continuar investigando e me aprofundando nessa relação, e no próprio desenvolvimento da personagem Marcela Banguela, somando-se a necessidade de um entendimento do que seria a importância e as diferenças da apresentação/representação de uma personagem em cena, me instigam a realizar a minha primeira obra coreográfica.

Diante dessas questões, me interessa pesquisar esse ‘borramento’ entre pessoa X personagem. O que muda quando entro em cena para dançar a Marcela Banguela? O que, de fato, pertence às duas? O que eu acho que pertence à Marcela que ainda não existe em mim, e vice-versa? O que de lá pra cá perdeu-se ou se transformou? A personagem afeta meu corpo ou o que afeta meu corpo reverbera na personagem? Essas questões são pontos iniciais para uma pesquisa corporal, gestual e representativa da Marcela Banguela, com o intuito da criação de um solo de dança contemporânea protagonizado por personagem, e também uma investigação teórica acerca do estudo da personagem em cena.

Ficha Técnica:
Concepção, direção e interpretação: Natália Mendonça
Assistente de direção e fotos do programa: Natalia Fernandes
Produção: Mariana Pessoa
Criação de trilha sonora: Montorfano
Criação de luz: Clara Rubim
Colaboradores: Rodrigo Andreolli e Grupo Vão
Foto e Vídeo: Fabio Furtado
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Designer gráfico: Josefa Pereira

SERVIÇO:
MARCELA BANGUELA
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP
Quando: de 13/6 a 22/6 – segundas, terças e quartas-feiras – 20h
Lotação: 20 vagas Recomendação: 18 anos
Quanto: Entrada franca – Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo.

Informações à imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques – Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425
Daniele Valério – Celulares: 11 9 6705 0425 | 9 8435 6614
Email: canal.aberto@uol.com.br | http://www.canalaberto.com.br

Por Canal Aberto / Márcia Marques

Estreia de A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga, da [ph2]:estado de teatro

Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação
Frame do filme que compõe o espetáculo A Sagração da Primavera – Quadros de uma Dívida não Paga. Créditos; divulgação

As cenas, tanto as da tela quanto as presenciais, acontecem embaixo de uma lona preta de aproximadamente 100m2.

Há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”. Bruno Moreno, um dos diretores do espetáculo

Dívida. Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo feminino DÍVIDA envolve alguns significados, dentre eles o de culpa, pecado, a obrigação de pagar, dar ou fazer uma determinada coisa a alguém. Uma condição forçada. A partir de um processo de pesquisa que chegou à constatação de que estamos todos na condição de devedores (da dívida financeira à amorosa, passando pelas morais e subjetivas), o [pH2]: estado de teatro montou A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga, e faz sua estreia dia 14 de maio na Oficina Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo, SP). A temporada, gratuita, vai até o dia 04 de junho. Esse projeto foi contemplado pela 26a edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

A dívida que o grupo não paga – Ao chegar ao teatro, o espectador vai se deparar com uma companhia que deseja inserir o cinema e a dança como parte fundamental dessa nova montagem. O espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga começa com o encontro de seis pessoas dispostas a não pagarem suas dívidas e que, por isso, decidiram tentar desaparecer. Os personagens Mônica, Lia, Lindenbergh, Tânio, Chiara e David, que não são adultos, nem são crianças, inventam, cada um à sua maneira, a forma de não pagar suas dívidas. Assim como em Os Idiotas, de Lars von Triers, em que o diretor dinamarquês filma um grupo de amigos que decide virar as costas para as regras e hipocrisias da sociedade, o grupo [pH2]: estado de teatro utiliza-se de um devir-criança para o registro de interpretação dos atores em cena.

Os modos como esses amigos ensaiam seus desaparecimentos incluem o planejamento da própria morte, passando pela possibilidade de uma abdução por extraterrestres, e o desaparecimento pelo mar; transmutando-se em sereia. O desenvolvimento das situações neste momento da obra ocorre por meio de um filme rodado com uma câmera GoPro, dirigida por Renato Sircilli e Rodrigo Batista. É através de uma projeção que a plateia verá os corpos dos atores do [pH2] em cenas que dialogam com os movimentos da música de Stravinsky.

Na segunda parte da música, esses mesmos atores, agora ao vivo, dançam o momento do sacrifício da primavera. Embora presentes, o público não verá os atores, mas assistirá o que resulta dessa coreografia encoberta pela lona, quando a possibilidade do anonimato pode conferir aos corpos, e quem sabe à própria vida, um estado de maior permissividade.

PESQUISA E MONTAGEM
Para nortear uma das etapas dessa criação, o grupo convidou o bailarino e coreógrafo Marcelo Evelin para fazer uma proposição que pudesse agregar elementos ao tema da dívida. O mote do endividamento nasceu no Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, ainda no ano de 2015, quando o [pH2] se uniu às companhias Lagartijas Tiradas al Sol (Cidade do México) e ao grupo colombiano La Maldita Vanidad (Bogotá) para refletir sobre a história recente dos três países. Nesta ocasião, o endividamento público apareceu como eixo central. Na sequência, ao dar prosseguimento à pesquisa do [pH2], o grupo optou por investigar as reverberações da dívida na subjetividade de homens e mulheres que apresentam em seus corpos vestígios de um endividamento que vai muito além do econômico.

Como entra A Sagração da Primavera no contexto proposto pelo grupo? A obra, do compositor erudito russo Igor Stravinsky, conta a história de uma jovem virgem que deve ser sacrificada, como uma oferenda ao deus da primavera, para que, nessa estação que se inicia, as terras fossem férteis. Vale lembrar que essa obra demorou cerca de 30 anos para ficar pronta, e hoje está consagrada como uma das mais influentes músicas do início do período moderno.

O ponto de intersecção nasceu dos encontros com Evelin, quando o coreógrafo propôs experiências relacionadas a um corpo permissivo, um corpo sem dívidas. Como seria esse corpo liberto? Como negar e não pagar todas as formas de dívida? “Desaparecer é uma forma de não pagar a dívida”, foi uma das conclusões do grupo nas palavras de um dos diretores da montagem, Rodrigo Batista, que complementa que “você tem que estar vivo para ser devedor, se você desaparece não há mais possibilidade de cobrança de dívidas”.

E assim foi feito. O grupo desaparece em cena. Embaixo de uma lona preta, dessas de construção, com cerca de 100 m2, os atores e atrizes do [pH2] dançam A Sagração da Primavera. Mas não pagam a dívida ao público de exibir a coreografia mais montada ao redor do mundo, a obra considerada uma antítese do ballet moderno, demarcadora de fases na dança mundial. É por baixo da lona que aparece um corpo capaz de se libertar. Segundo outro diretor da montagem, Bruno Moreno, “há no espetáculo um devir-criança, uma memória de quando a gente brincava de cabaninha e essa ‘obscuridade’ gerava um corpo que se permitia mais – mais exageros, mais deformidade, a possibilidade do grotesco, do inusual”.

SOBRE A ENCENAÇÃO
Desde a sua fundação, o grupo interessou-se por trazer – conceitualmente – outras linguagens para a criação de suas obras. Na intenção de radicalizar essa pesquisa audiovisual do grupo, Rodrigo Batista encontrou na parceria com Renato Sircilli – cineasta que dirigiu curtas metragens que circulam por diversos festivais nacionais e internacionais – a chance de juntos produzirem um filme dentro do contexto do Projeto 85 – A dívida em 3 episódios, contemplado pelo Programa Rumos Itaú Cultural 2014. O Rosto da Mulher Endividada, um dos episódios do Projeto 85, é um filme que conseguiu seguir independente das peças e participar de importantes festivais de cinema, como a Mostra Foco no Festival de Cinema de Tiradentes (2016), além de ganhar o prêmio da Mostra do Filme Livre promovida pelo CCBB (2016).

Para a continuidade da pesquisa, o grupo iniciou a construção do espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga a partir de um laboratório com o coreógrafo piauiense Marcelo Evelin, que serviu como um gatilho para a encenação dessa nova montagem. A ponte para a parceria entre o grupo e o coreógrafo se fez através de Bruno Moreno, também integrante do [pH2] e que, paralelamente, realiza pesquisas em dança por meio de parcerias com renomados coreógrafos da cena contemporânea, entre eles, o colombiano Luis Garay e o próprio Marcelo Evelin.

Para a montagem desta célebre obra, a parceria entre Renato e Rodrigo se mantém para criarem uma leitura cinematográfica sobre a primeira parte da obra. Para a segunda parte, o grupo opta por uma composição coreográfica que é conduzida por Bruno Moreno em parceria com a dançarina convidada Isabella Gonçalves.

Assim, a obra teatral A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga é assinada pelos três integrantes (Rodrigo Batista, Renato Sircilli e Bruno Moreno) que radicalizam a utilização do cinema e da dança para construírem a versão do [pH2] sobre A Sagração da Primavera.

[PH2]: ESTADO DE TEATRO – HISTÓRICO
O [pH2]: estado de teatro foi criado em 2007 no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo e ao longo de oito anos de existência integra artistas que apresentam formações nas áreas teatral, pedagógica, das artes visuais, da dança e do cinema.

Em 2015, apoiados pela 26ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, para o projeto Endividado, o grupo estreia o espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga .

Em 2014 o grupo foi contemplado pelo prêmio Rumos Itaú Cultural para desenvolver o projeto: ¿Qué hacíamos en 1985?: caminos de jovenes creadores latino-americanos. O projeto contou com ações de intercâmbio com os grupos La Maldita Vanidad (Colômbia) e Lagartijas Tiradas al Sol (México) e criação da obra Projeto 85: a dívida em três episódios.

Com o espetáculo Stereo Franz, estreou internacionalmente em junho de 2013 no Büchner International Festival, na Alemanha, e nacionalmente no Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos – MIRADA, em setembro de 2014.

Em 2011, pela 18ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, realizou o projeto Diálogos com o Trágico: perspectivas contemporâneas que compreendeu os dois espetáculos criados pelo grupo em seus primeiros cinco anos de existência (Manter Em Local Seco e Arejado e Mantenha Fora do Alcance de Crianças), a estreia do espetáculo inédito Átridas em novembro de 2012 e a publicação de um Dossiê Filosófico. Entre 2012 e 2013, o grupo, também, circulou nacionalmente através do prêmio ProCultura, com o espetáculo Mantenha Fora do Alcance de Crianças, apresentando nas cidades de Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Londrina, Uberlândia e Santos.

FICHA TÉCNICA:
ATORES e (PERSONAGENS)
Beatriz Id Limongelli (Mônica), Bruno Moreno (David), Cainã Vidor (Tânio), Luiz Pimentel (Lindenbergh), Maria Emília Faganello (Chiara) e Paola Lopes (Lia)
LUZ Luana Gouveia
DESENHO DE SOM E MIXAGEM Cainã Vidor
DIREÇÃO DE ARTE Elton Almeida
CONTRARREGRA Daniela Colazante
MAQUIAGEM Felipe Ramirez
ARTISTA COLABORADOR Marcelo Evelin
MONTAGEM DO FIME Renato Sircilli
DIREÇÃO CINEMATOGRÁFICA Renato Sircilli e Rodrigo Batista
DIREÇÃO COREOGRÁFICA Bruno Moreno e Isabella Gonçalves
ENCENAÇÃO Bruno Moreno, Renato Sircilli e Rodrigo Batista
PRODUÇÃO Palipalan Arte e Cultura
REALIZAÇÃO [pH2]: estado de teatro com apoio da Lei de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo

PARA ROTEIRO
Seis amigos decidem desaparecer para não serem cobrados por suas dívidas morais, financeiras e afetuosas e para tanto inventam modos de serem e estarem invisíveis. Os atores encontram-se embaixo de uma lona preta, deixando seus corpos submersos na permissividade do escuro e do não aparente. Calcados na obra A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, o grupo [pH2]: estado de teatro propõe uma obra teatral baseada no cinema e na dança.

SERVIÇO
A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
Onde: Oficina Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 Bom Retiro – São Paulo – SP
Temporada: de 14 de maio a 4 de junho de 2016
Às quintas, sextas, sábados e segundas, às 20h
Telefone: 11 3221 5558
Duração: 90 minutos Lotação: 40 pessoas Ingresso: Grátis, ingresso uma hora antes

VIRADA CULTURAL – Dia 21 de maio – Sábado
Onde: SESC BELENZINHO – R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo – SP, 03303-000
Sala de Espetáculo 1
Telefone: (11) 2076-9700 – Grátis
21h – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga
23h – Curta metragem O Rosto da Mulher Endividada
23h59 – Espetáculo A Sagração da Primavera: Quadros de uma Dívida não Paga

Assessoria de Imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques
Fones: 11 2914 0770 Celular: 11 9 9126 0425
Email: canal.aberto@uol.com.br

Daniele Valério
Fones: 11 9 6705 04 25/ 11 9 8435 6614
E-mail: daniele@canalaberto.com.br

Por Canal Aberto | Márcia Marques |

Exposição “Em Nome do Pai” na Oficina Cultural Oswald de Andrade

Vista parcial da exposição "Em Nome do Pai", na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida
Vista parcial da exposição “Em Nome do Pai”, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida

A Oficina Cultural Oswald de Andrade realiza até o próximo sábado, 26 de setembro, a exposição “Em Nome do Pai”, que apresenta fotografias inéditas e uma instalação de Flávia Junqueira.

A mostra enfatiza a nova obra da artista que se desvincula da temática relacionada ao universo infantil. Junqueira empreende sobre o fantasioso e o real em momentos protagonizados pela própria artista, mas, desta vez, tendo como ponto inicial as relações de perversão e poder.

A exposição insinua a relação libertina entre pai e filha, além dos conflitos entre o santo e o profano bem nítidos.

Além das fotografias inéditas, a exposição apresenta um confessionário, velas (do lado externo do espaço expositivo) e três placas com frases da Via Sacra (que lembram epitáfios).

SERVIÇO:
Exposição: Em Nome do Pai
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Quando: até 26/09/2015; de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados, das 13h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “1+1=3” na Oficina Cultural Oswald de Andrade

"Lugar de Contemplação”: uma das obras em destaque na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida
“Lugar de Contemplação”: uma das obras em destaque na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida

A Oficina Cultural Oswald de Andrade promove até o próximo sábado, 19 de setembro, a exposição “1+1=3”, que apresenta cerca de 20 obras dos artistas Sylvia Furegatti, Hebert Gouvea e do Grupo Pparalelo de Arte Contemporânea.

O nome da exposição é referente à dinâmica criativa desses artistas que ajustam processos individuais e coletivos para a preparação dos seus trabalhos em fotografia, vídeo, objeto, instalação e intervenção.

A instalação “Ilhas de Plantas” se integrará à exposição e será exibida na parte externa da galeria.

Felipe Scovino é o autor do texto de apresentação da mostra.

Entre os destaques da exposição estão “Lugar de Contemplação” (foto), “Como Hacer Amigos” e a citada “Ilha das Plantas”.

SERVIÇO:
Exposição: 1+1=3
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Quando: até 19/09/2015; de segunda a sexta, das 10h às 20h; sábado, das 13h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Instalação “Meus Sentimentos” na Oficina Cultural Oswald de Andrade

A instalação de Daniel Lie no espaço externo da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida
A instalação de Daniel Lie no espaço externo da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida

A Oficina Cultural Oswald de Andrade apresenta até o próximo sábado, 25 de julho, a instalação inédita “Meus Sentimentos”, de Daniel Lie. A obra foi pensada para a área externa da oficina e é constituída por um círculo formado por 12 cavaletes de pintura, onde 12 coroas de flores e uma estrutura com frutos tropicais suspensos, que convida o público a presenciar o processo natural de decomposição.

Inclusive as 12 coroas estão justapostas em roda, como um relógio, e tem como reflexão principal o tempo de vida.

As flores em coroas, em nossa sociedade, são agregadas a momentos de nascimento, celebração e morte. As frutas, a decorrência das flores, tem relação com as oferendas que são feitas a entidades e santos em rituais religiosos. Durante os três meses de exibição todos os elementos estarão ao efeito do tempo, perecendo até o término da mostra. Esta é a primeira parte do projeto “Trilogia”, de Daniel Lie, composto por duas outras exposições individuais, que foram realizadas no Centro Cultural São Paulo e na Galeria Casa Triângulo.

SERVIÇO:
Instalação “Meus Sentimentos”
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Quando: até 25/07/2015; de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h; sábados, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Frente à Euforia” na Oficina Cultural Oswald de Andrade

"Eldorado Acre" (2013), de Regina Parra, em exibição na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida
“Eldorado Acre” (2013), de Regina Parra, em exibição na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Jorge Almeida

A Oficina Cultural Oswald de Andrade apresenta até o próximo sábado, 4 de julho, a exposição “Frente à Euforia”, projeto realizado com apoio da FUGA (Fundación Gilberto Alzate Avendaño), de Bogotá, e a própria oficina, que reúne cerca de 30 obras que visam traçar uma reflexão no que se refere às questões sociais e políticas vividas no Brasil e na Colômbia.

Assim, o projeto aborda a produção artística dos últimos 20 anos nos dois países e busca aproximar os elementos dos contextos de ambos como em um jogo de espelhos: o que está perto é posto em perspectiva, ao ser confrontado pelo que está distante.

O imaginário das mudanças e rupturas bem como sua crise, são interpelados através de uma recente e específica produção cultural dos dois países, que indicam possíveis modos de olhar, com reticência, à fenômenos sócio-históricos dos últimos 15 anos.

Entre os destaques estão “Menos Um (Segunda volta à cena do crime: Oswald de Andrade)” (2015), instalação sonora com fotografias e placas, de Veronica Stigger, que não permite a entrada de menores de 16 anos; “Morte Súbita” (2014), de Jaime Lauriano; e “Eldorado Acre” (foto), de 2013, um óleo sobre papel de Regina Parra.

SERVIÇO:
Exposição: Frente à Euforia
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Quando: até 04/07/2015; de terça a sexta-feira, das 9h às 22h; sábados, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita