Morre “Fast” Eddie Clark, ex-guitarrista do Motörhead

“Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista do Motörhead, faleceu nesta quarta-feira (10) em decorrência de uma pneumonia. Créditos: divulgação/@motorheadofficial

O ex-guitarrista do Motörhead, “Fast” Eddie Clarke, morreu na noite desta quarta-feira (10), aos 67 anos, no hospital onde se tratava de uma pneumonia. A informação foi divulgada na página oficial da banda no Facebook nesta quinta-feira. Ele foi o último membro da formação considerada pelos fãs como “clássica” do Motörhead a falecer. Antes dele, o baterista Phil “Philthy Animal” Taylor e o baixista e vocalista Lemmy Kilmister morreram no final de 2015.

Conhecido pelo seu jeito feroz e rápido de tocar, daí o apelido “Fast” Eddie, o músico nasceu em 5 de outubro de 1950 como Edward Alan Clarke, em Twickenham, em Londres. Começou a tocar guitarra aos 15 anos e passou por muitas bandas locais até 1973 quando se tornou profissional ao se juntar à banda de rock prog de blues de Curtis Knight, Zeus, como guitarrista principal. No ano seguinte, a banda gravou um álbum chamado “The Second Coming at Olympic Studios“. Clarke escreveu a música para a letra de Knight, em uma faixa intitulada “The Confession“. Depois participou de uma banda chamada Blue Goose, formada juntamente com o amigo Allan Callan, mas um desentendimento entre eles por causa de um amplificador fez com que Clarke deixasse a banda. Em seguida, formou o Continuous Performance, que não obteve sucesso e, de forma temporária, o guitarrista deu um tempo na música.

Mas, em 1975, quando não estava atuando como músico, Eddie conheceu Phil Taylor, que o apresentou a Lemmy Kilmister. E, pouco tempo depois, o trio já estava ensaiando como Motörhead. Na banda, “Fast” Eddie Clarke viveu o seu auge, quando gravou os primeiros cinco álbuns de estúdio – “Motorhead” (1977), “Overkill” (1979), “Bomber” (1979), “Ace Of Spades” (1980) e “Iron Fist” (1982) – e o ‘live’ “No Sleep ‘Til Hammersmith” (1981), além do EP “The St. Valentine’s Day Massacre” (1981), lançado em conjunto com as minas do Girlschool.

No tempo em que ficou no Motörhead (até 1982), Eddie fez o vocal principal em quatro músicas da banda: “Beer Drinkers And Hell Raisers”, “I’m Your Witchdoctor” (na qual faz dueto vocal com Lemmy), “Step Down”, uma versão alternativa de “Stone Dead Forever” (que foi lançada na versão luxuosa de “Bomber”, lançada em 2005), além de “Emergency”, um das faixas do lado B do EP lançado com a banda Girlschool.

O guitarrista deixou a banda em 1982 devido a divergências musicais, formou o Fastway, que chegou até fazer shows de abertura para o AC/DC em uma turnê europeia em 1992, mas sem obter o mesmo sucesso com o Motörhead, embora tenha lançado bons discos de Hard N’ Heavy. Depois do fim da banda, na década de 1990, o guitarrista participou de alguns projetos mais sem muito apelo comercial.

Mas o primeiro integrante do Motörhead a morrer não fez parte da formação clássica. O guitarrista Würzel, que tocou no grupo entre 1984 e 1992, faleceu aos 61 anos em 9 de julho de 2011 após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

A morte de “Fast” Eddie Clarke repercutiu nas redes sociais e diversas personalidades do rock se manifestaram. Nomes como Slash (Guns N’ Roses), Scott Ian (Anthrax), além de Mikkey Dee e Phil Campbell, os dois últimos que fizeram parte da formação final do Motörhead (que já não contava com a participação de “Fast” Eddie) lamentaram a morte do “rápido” guitarrista.

Aliás, dentre as bandas consideradas clássicas do rock, o Motörhead se junta aos Ramones como uma das únicas a não contarem mais no plano terrestre a sua formação clássica. Assim como hoje os “motorheadbangers” não têm mais as presenças físicas de Lemmy, Phil e Eddie, os fãs da banda punk não contam mais com os lendários Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone em vida.

A seguir, a informação na íntegra da página oficial do Motörhead no Facebook sobre a morte de “Eddie” Fast Clarke:

Estamos devastados ao comunicar que acabamos de saber ontem à noite, – Edward Allan Clarke, ou como o conhecemos e amamos, Fast Eddie Clarke – morreu ontem.

Ted Carroll, da Chiswick Records, nos deus as más notícias pela sua fanpage no Facebook, depois de saber por Doug Smith que Fast Eddie morreu em paz no hospital onde estava sendo tratado de pneumonia.

Fast Eddie… continue detonando e agitando como um maldito, sua Motörfamily não esperaria nada menos que isso!

RIP Fast Eddie Clarke – 5 de outubro de 1950 a 10 de janeiro de 2018.”.

Obrigado pela obra e o legado deixado, “Fast” Eddie Clarke. Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

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Motörhead: 30 anos de “Rock ‘N’ Roll”, o álbum

“Rock ‘N’ Roll”: o álbum que marca a volta de Phil “Philthy Animal” Taylor ao Motörhead

Já que estamos às vésperas da data que seria o 72º aniversário do saudoso Lemmy Kilmister, então, vamos falar de Motörhead, mais precisamente dos 30 anos do álbum “Rock ‘N’ Roll”, o oitavo trabalho de estúdio da banda, que saiu em 5 de setembro de 1987, e foi o último lançamento com a GWR, devido a questões legais que atrapalharam o grupo com mais uma gravadora. Gravado ao longo de 1987 no Master Rock Studios e no Redwood Studios, em Londres, o material foi produzido pela banda em conjunto com Guy Bidmead. Esse foi o último disco gravado pelo grupo antes de Kilmister se mudar da Grã-Bretanha para Los Angeles.

Em 1987, Lemmy Kilmister fez uma “pontinha” no filme “Eat The Rich”, do comediante Peter Richardson, como “Spider”, e que trazia o elenco de The Comic Strip. Para a película, a banda compôs a faixa homônima e, em sua trilha sonora, trazia faixas de “Orgasmatron” e o single do álbum solo de “Würzel, “Bess”. Ao longo do processo, Peter Gil foi demitido da banda e Phil “Philthy Animal” Taylor voltou para o grupo. Lemmy encontrou Taylor que, na época, estava tocando com Frankie Miller e o ex-guitarrista do Thin Lizzy, Brian “Robbo” Robertson, e confessou ao amigo que queria voltar. E o líder do Motörhead não titubeou em trazer o baterista de volta, pois ele estava tendo problemas com Gil.

O estúdio Redwood, em Londres, um dos quais fora utilizado pela banda durante a gravação do disco tinha como um dos proprietários Michael Palin. O engenheiro de som que ajudou a banda havia atuado em todos os trabalhos do Monty Python, grupo humorístico que Palin fez parte, e apresentou ao grupo várias faixas que nunca foram gravadas pelos Pythons. Palin foi convidado a descer para fazer uma recitação para o álbum. E ele apareceu vestido com um uniforme de jogador de críquete da década de 1940: um suéter com gola “V” e com o cabelo penteado para um lado. Lemmy se recordou de Palin adentrando no estúdio e perguntando: “Olá, que tipo de coisa faremos agora, então?”, e respondeu-lhe, “Bem, você sabe em The Meaning of Life, tinha esse discurso que começava com “Oh, Senhor -“. Ao que Palin respondeu “Ah! Me dê uma catedral”, e começou a gravar o seu discurso (“Oh, Lord, look down upon these people from Motörhead“). Aliás, esse falso discurso de Palin, intitulado como “Blessing”, em algumas versões aparece como faixa 5 do lado A (nas versões em vinil e K7) ou como faixa oculta inserida no final de “Stone Deaf In The USA” ou no início de “The Wolf”, sendo que nessas versões não aparece creditado no encarte. Porém, há edições do álbum que o discurso aparece como faixa 5 e, consequentemente, deixa o CD com 10 em vez de nove faixas.

Aliás, o imbróglio entre o Motörhead e a GWR começou em 1988. Em dois de julho daquele ano, a banda fez parte do line-up do Giants of Rock Festival, em Hämeenlinna, na Finlândia. As faixas foram lançadas como “No Sleep At All”, em 15 de outubro de 1988. O single do disco planejado pela banda era “Traitor” no lado A, mas, em vez disso foi escolhido “Ace Of Spades”. Ao perceber a mudança feita pela gravadora, os caras se recusaram que fosse permitido o lançamento desse single nas lojas, foi retirado das prateleiras e disponibilizado apenas na turnê “No Sleep At All” e pelo fã-clube Motörheadbangers. Isso durou entre o biênio 1989-1990 e um processo judicial com a GWR se seguiu, que só foi solucionado em meados de 1990.

Sobre “Rock ‘N’ Roll”, no documentário “Motörhead: The Guts And The Glory” (2003), o guitarrista Phil Campbell disse que, embora não seja um ótimo álbum, havia coisas que ele gostava. Já Lemmy, em depoimento na autobiografia “White Line Fever” (2002), escrita em co-autoria com Janiss Garza, comentou que o play tinha “algumas músicas fantásticas”, como “Dogs”, “Boogeyman” e “Traitor”, que tocaram “durante anos”, mas que, no geral, ele simplesmente parecia não funcionar.

Mas, apesar de estar no rol de clássicos do Motörhead, como um “Ace Of Spades” ou “Overkill“, o registro contém 35 minutos do mais puro rock ‘n’ roll, executado da forma visceral e fazendo jus ao nome do álbum. A começar com a faixa-título, que abre o play: pedrada na orelha. Assim como a que encerra o disco, “Boogeyman“. Mas os principais destaques ficam por conta das citadas “Stone Deaf In The USA” e “Dogs” e a “canção de amor”, mas que não é balada, “All For You“, com seu riff de guitarra cativante, “Eat The Rich”, que ganhou um videoclipe, que teve partes do filme de Robertson inserida, e a narração de Michael Palin em “Blessing“. Em “Boogeyman“, os três solos de guitarra foram executados pelo trio Würzel, Campbell e Lemmy (sim, o próprio). No álbum, Würzel e Campbell fizeram revezamentos nas partes de guitarra solo, de base e no slide guitar.

Em 1996, “Rock ‘N’ Roll” foi relançado pela Castle Communications com duas faixas bônus; “Cradle To The Grave” e a longa “Just ‘Cos You’ve Got The Power“, ambas faziam parte do lado B do single de “Eat The Rich”. Dez anos depois, o disco foi relançado também pela Sanctuary Records, que trazia um CD bônus, que começava justamente com essas duas faixas. O restante do material é acrescido de uma apresentação que o Motörhead fez no Monster Of Rock de 1986 em Castle Donington. Na época, Peter Gil ainda estava na bateria e o grupo divulgava a turnê de “Orgasmatron”. Sempre bom reforçar que, alguns clássicos da banda nessa apresentação, como “Ace Of Spades” e “Bite The Bullet”, gravadas originalmente com um guitarrista, ali, ganhou mais velocidade, pois eram executadas por dois guitarristas.

Essa versão da Sanctuary apresenta um encarte magnânimo aos fãs por conter diversas fotos que exibem o espírito “motörheadbanger” da época, além de imagens de pôsteres e de reprodução de produtos de memorabilia, como backstage passes, resenhas, capas de single, setlists, etc, e o texto assinado por Malcolm Dome. E foi o último da série de relançamento lançados pela Sanctuary.

E, apesar da aparição de Lemmy Kilmister em um filme de comédia que tem o mesmo nome de um single e de uma faixa do álbum do Motörhead – “Eat The Rich” -, “Rock ‘N’ Roll” não foi um sucesso comercial, assim como os dois últimos trabalhos do grupo, pois alcançou apenas a modesta 34ª posição nas paradas do Reino Unido, teve a pior performance de todos os principais trabalhos da banda. Apesar de a Grã-Bretanha ter “perdido o interesse” no grupo, os fãs norte-americanos se demonstraram mais dispostos em ir aos shows e comprar os álbuns do grupo, o que renovou a esperança comercial do Motörhead nos Estados Unidos que, talvez, tenha motivado a mudança de Lemmy Kilmister para Los Angeles.

Apesar de, na época, ser composto por um quarteto de respeito, o Motörhead passou por uns perrengues no final dos anos 1980, pois ficaram sem lançar nenhum material novo até 1991, quando saiu o álbum “1916”.

Porém, embora não tenha sido um sucesso de crítica e de vendas, “Rock ‘N’ Roll” é sim um grande disco de rock. Apesar de ter sido menos inspirado, ainda é superior a muitos álbuns de bandas do mainstream.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão da Sanctuary) da obra.

Álbum: Rock ‘N’ Roll
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 5 de setembro de 1987
Gravadora/Distribuidora: GWR / Castle (relançamento de 1996) / Sanctuary (relançamento de 2006)
Produtores: Motörhead e Guy Bidmead

Lemmy Kilmister: baixo, voz e guitarra solo em “Boogeyman
Phil “Wizzö” Campbell: guitarra e slide guitar em “Eat The Rich
Würzel: guitarra e slide guitar em “Stone Deaf In The USA
Phil “Philthy Animal” Taylor: bateria

Peter Gil: bateria (faixas de 3 a 15 do CD 2)
Michael Palin: narração em “Blessing

CD 1:
1. Rock ‘N’ Roll (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
2. Eat The Rich (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
3. Blackheart (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
4. Stone Deaf In The USA (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
5. Blessing (Palin) – não creditado em algumas edições
6. The Wolf (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
7. Traitor (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
8. Dogs (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
9. All For You (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
10. Boogeyman (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)

CD 2:
1. Cradle To The Grave (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
2. Just ‘Cos You Got The Power (Kilmister / Burston / Campbell / Taylor)
3. Iron Fist (Kilmister / Clarke / Taylor)
4. Stay Clean (Kilmister / Clarke / Taylor)
5. Nothing Up My Sleeve (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
6. Metropolis (Kilmister / Clarke / Taylor)
7. Doctor Rock (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
8. Killed By Death (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
9. Ace Of Spades (Kilmister / Clarke / Taylor)
10. Steal Your Face (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
11. Bite The Bullet (Kilmister / Clarke / Taylor)
12. Built For Speed (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
13. Orgasmatron (Kilmister / Burston / Campbell / Gil)
14. No Class (Kilmister / Clarke / Taylor)
15. Motörhead (Kilmister)

Por Jorge Almeida

Motörhead: 40 anos do autointitulado álbum

“Motörhead”: o primeiro álbum da banda de Lemmy Kilmister que completa 40 anos em 2017

Nesse dia 21 de agosto, segunda-feira, o autointitulado álbum do Motörhead completa 40 anos de seu lançamento. Gravado entre os dias 27 e 29 de abril de 1977, no Escape Studios, em Kent, na Inglaterra, o disco foi produzido por John “Speedy” Keen e lançado pela Chiswick Records. O play é considero o primeiro trabalho da banda de Lemmy Kilmister (o álbum “On Parole” foi gravado antes, porém, lançado depois).

Esse foi o primeiro trabalho lançado com a line-up clássica do Motörhead – Lemmy Kilmister (baixo e voz), “Fast” Eddie Clark (guitarra) e Phil “Philthy Animal” Taylor (bateria). E foi também o único a ser lançado pela Chiswick e, por conta do sucesso do disco, foram contratados pela Bronze Records no começo de 1978.

Em maio de 1975, Lemmy foi demitido do Hawkwind depois de ter sido preso na fronteira do Canadá com os Estados Unidos com posse de drogas. Então, ao voltar para a Inglaterra, ele se juntou para montar uma nova banda, que, temporariamente, chamou-se de Bastard. Além dele, o guitarrista Larry Wallis e o baterista Lucas Fox foram recrutados. O gerente do grupo no período, Doug Smith, os havia alertado que, com o nome de Bastard, não passariam no Top Of The Tops. Logo, Lemmy sugeriu o nome Motörhead, que era também o título da última música que escrevera com o Hawkwind, que parecia mais apropriado e assim ficou e a história foi escrita.

O trio conseguiu assinar com a United Artists, que trabalhava com o Hawkwind, e com eles gravaram um álbum nos Rockfield Studios, no País de Gales, durante o inverno de 1975-76, mas a United Artists duvidou da viabilidade comercial e recusou a lançar o material, o que viria a ser “On Parole”, que saiu apenas em 1979.

Em abril de 1977, frustrados com a United Artists, o grupo fez a sua primeira alteração em sua formação: saíram Lucas Fox que, para Lemmy, não era comprometido o suficiente para permanecer no Motörhead, e Larry Wallis, que saiu por conta própria após um show no Marquee Club, em Londres, e entraram Phil “Philthy Animal” Taylor e “Fast” Eddie Clark, respectivamente.

Paralelamente a essa situação, não muito longe dali, Ted Carroll tinha começado os serviços de sua Chiswick Records após Lemmy ter sido demitido do Hawkwind. E, como os dois já se conheciam por conta de uma loja de LP’s que Ted possuía em Londres, da qual Kilmister era um cliente assíduo. Ted deu a oportunidade que o Motörhead precisava. A chance veio quase como um favor, pois a United Artists havia colocado o álbum gravado pelo Motörhead “na geladeira”.

E, no que poderia ter sido o show de despedida do Motörhead, a banda pediu para Carroll gravar o show, mas como o Marquee queria cobrar 500 libras esterlinas para fazer uma gravação lá, o que estava fora de cogitação na ocasião. Foi então que Carroll ofereceu ao grupo dois dias no Escape Studios, em Kent, para gravar um single com o produtor John “Speedy” Keen.

Assim que terminou o show no Marquee, a banda se dirigiu diretamente para o estúdio em Kent. Com o estúdio livre, os caras aproveitaram o final de semana e o material que vinham tocando há um ano e pensaram em “ferrar o cara” e gravar um álbum inteiro em vez de um single. E, em poucas horas e poucas cervejas a mais, o material foi finalizado na noite de sábado.

No entanto, quando Carroll voltou aos estúdios para ouvir os resultados, o trio gravou nada menos do que onze faixas. Impressionado com o que escutou, ele pagou por mais tempo pelo estúdio e permitir que o Motörhead terminasse o álbum. Com esse apoio, o grupo reescreveu quase todo o conteúdo do álbum gravado pela United Artists, deixando apenas “Fools” e “Leaving Here” sem regravar. Além disso, foram acrescidas mais duas novas composições autorais: “White Line Fever” e “Keep Us On The Road”, além de um cover cabuloso de Tiny Bradshaw: “Train Kept A-Rollin’” (também regravada pelo Aerosmith em seu “Get Your Wing”, de 1974).

Das faixas gravadas para o ‘debut’, três foram compostas por Lemmy nos tempos de Hawkwind – “Motörhead”, “Lost Johnny” e “The Watcher”. Aliás, a faixa-título foi lançada em single tendo “City Kids”, que não entrou no álbum, no lado B.

A sessão ainda teve quatro faixas gravadas que ficaram arquivadas até 1980, quando foram lançadas no EP “Beer Drinkers And Hell Raisers”, pela Big Beat Records, entre eles a versão matadora da faixa que dá nome ao EP, gravada originalmente pelo ZZ Top. Todavia, o lado B do single “Motörhead” e o material do EP foram posteriormente adicionados como faixas bônus na versão em CD do play.

No entanto, os membros da banda não ficaram muitos satisfeitos com o som confuso, cru e pesado, diferentemente, da qualidade de gravação mais bem polida nos lançamentos seguintes. Até aí, tudo bem, afinal, os caras ainda estavam buscando o seu som em meio ao caos que estavam passando naquele momento.

A faixa-título dispensa comentários, clássico absoluto, enquanto “Lost Johnny” dá uma cadenciada que remete ao Metal europeu, mas claro com a marca registrada do Motörhead. O hardão se faz presente com a dobradinha “Iron Horse/Born To Lose” e o que dizer da ‘blueseira’ “Keep Us On The Road”?

A capa do álbum traz o famoso “mascote” da banda, o Warpig “Snaggletooth”, que se tornaria o ícone da banda (assim como as verrugas de Lemmy!), foi criada pelo artista Joe Petagno, que havia trabalhado com Storm Thorgerson (1944-2013) da Hipgnosis e criou o logo da Swan Song, a gravadora do Led Zeppelin. De acordo com o artista, o Warpig é uma suposta combinação de urso, um lobo e um crânio de cachorro com presas de javali. A versão original da ilustração tinha uma suástica na espiga do capacete, mas foi removida.

Assim como o trabalho de estreia dos Ramones, “Motörhead”, o álbum, foi gravado com uma sonoridade crua e suja, porém, rápida, básica e sem frescura. Ou seja, embora não tenha tantos temas que se tornariam clássicos, esse disco é apenas um indício da capacidade de Lemmy Kilmister em chutar os traseiros de quem não gosta de sua banda. Ouça-o no máximo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do material.

Álbum: Motörhead
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 21 de agosto de 1977
Gravadora: Chiswick (1977) / Big Beat Records (1988) / Chiswick (Ace Records) (2001)
Produtor: John “Speed” Keen

Lemmy Kilmister: voz e baixo
“Fast” Eddie Clarke: guitarra, backing vocal e voz em “Beer Drinkers And Hell Raisers” e “I’m Your Witchdoctor
Phil “Philthy Animal” Taylor: bateria

1.Motörhead (Kilmister)
2. Vibrator (Wallis / Brown)
3. Lost Johnny (Kilmister / Farren)
4. Iron Horse/Born To Lose (Taylor / Brown / Lawrence)
5. White Line Fever (Kilmister / Clarke / Taylor)
6. Keep Us On The Road (Kilmister / Clarke / Taylor / Farren)
7. The Watcher (Kilmister)
8. The Train Kept A-Rollin’ (Bradshaw / Kay / Mann)
Faixas bônus:
9. City Kids (Wallis / Sanderson)
10. Beer Drinkers And Hell Raisers (Gibbons / Hill / Beard)
11. On Parole (Wallis)
12. Instro (Instrumental) (Kilmister / Clarke / Taylor)
13. I’m Your Witchdoctor (Mayall)

Por Jorge Almeida

Motörhead: 15 anos de “Hammered”

“Hammered”, álbum do Motörhead, que completou 15 anos em 2017

No último dia 9 de abril, o álbum “Hammered”, do Motörhead, completou 15 anos de seu lançamento. O disco é o 16º trabalho de estúdio da banda capitaneada por Lemmy Kilmister. Gravado no Henson Studios e no Chuck Reed’s House ao longo de 2001, o material foi produzido por Thom Panunzio e pelo próprio Motörhead. O disco foi o primeiro a ser distribuído pela Metal-Is, uma subsidiária da Sanctuary Records na América do Norte.

Na biografia da banda escrita Joel McIver – “Overkill: The Untold Story Of Motörhead” – Mikkey Dee menciona que o disco foi influenciado pelos ataques ao World Trade Center, em 11 de setembro. Faz sentido, uma vez que o disco tem em suas letras uma abordagem mais sombria e tom reflexivo.

No entanto, para Lemmy, conforme seu depoimento no documentário “The Guts And The Glory”, o play “há algumas boas faixas sobre o tema e há uma porcaria nele”. O disco também é lembrado por “The Game” – que é faixa bônus -, escrito pelo compositor de música da WWE, Jim Johnston, como o tema de entrada para o lutador Triple H. Em dois eventos da WrestleMania, WrestleMania X-Seven e WrestleMania 21, Motörhead interpretaria esta música ao vivo quando Triple H fez sua entrada ao ringue. Triple H também contribuiu com os vocais na faixa de palavras faladas “Serial Killer“.

A capa foi concebida por um velho conhecido da banda, Joe Petagno, que disse em uma entrevista que saiu no DVD bônus do álbum “Inferno” (2004), que “originalmente seria usado para o design do aniversário de 27 anos (da banda), tiramos os 27 e experimentamos. A primeira ideia que Lemmy tinha era colocar dois martelos cruzados no fundo, mas parecia muito russo. Então nós optamos por um ás no final. Era supostamente para ser a trança de ouro que você teria em sua gola ou ombro militar. É muito bonito. A parte mais difícil foi a rotulação, os destaques e as sombra“.

Duas semanas após do lançamento de “Hammered” saiu também um DVD com registros do Motörhead nas décadas de 1970 e 1980 intitulado “The Best Of Motörhead”. A turnê do novo trabalho começou nos Estados Unidos, por onde seguiu até o final de maio, e depois por uma parte da Europa entre junho e agosto. No mês de outubro, o trio tocou no Reino Unido em cinco datas, tendo participações do Anthrax, Skew Siskin e Psycho Squad, que na apresentação realizada no Wembley Arena, em Londres, foi substituída pelo Hawkwind como banda de apoio. Nessa ocasião, Lemmy subiu ao palco com eles e tocou “Silver Machine”, que foi lançado como single pela ex-banda em 1972. Em seguida, durante o resto de outubro e boa parte de novembro, o Motörhead seguiu em turnê com o Anthrax.

De abril e maio de 2003, a banda continuou a promover o álbum “Hammered” nos Estados Unidos, e nas três datas que Phil Campbell teve de se ausentar por conta da morte de sua mãe. Na ocasião, Todd Youth o substituiu. Entre o final de maio e meados de julho, a banda tocou sete datas nos Festivais de Verão na Europa e, no final de julho até o final de agosto, estavam viajando pelos Estados Unidos com Iron Maiden e Dio. Em 7 de outubro, uma coleção abrangente de cinco discos das gravações da banda entre 1975 e 2002 foi lançada como “Stone Deaf Forever!”. Em 1º de setembro de 2003, a banda retornou ao clube Whiskey A Go-Go de Hollywood para a Indução da Hollywood Walk of Fame. Durante o mês de outubro, a banda realizou uma turnê pelo Reino Unido com o pessoal do The Wildhearts e Young Heart Attack. O grupo realizou sete shows em toda a Bélgica, Países Baixos e Espanha, entre 21 e 28 de outubro, e desde o final de novembro até o início de dezembro, foram na Alemanha e na Suíça, viajando com Skew Siskin e Mustasch. No dia 9 de dezembro, o álbum “Live at Brixton Academy” foi lançado. O material foi gravado em 2000 durante as comemorações de 25 anos da banda.

O disco abre com “Walk A Crooked Mile”, que já entrou no rol dos clássicos de Motörhead (mais um entre vários). Seu grande destaque é a linha de baixo de Lemmy Kilmister. Tem um pouco de pegada punk, como muitas músicas do grupo. Em seguida aparece a ‘massacrante’ “Down The Line”, com guitarra pesada e uma excelente pegada de bateria. O terceiro tema é “Brave New World”, que contém uma intro de bateria poderosa, uma guitarra agressiva e o estilo speed metal característico do Motörhead. Só tem o mesmo título de uma canção homônima do Iron Maiden, mas não tem nada a ver com a música da Donzela de Ferro.

A quarta faixa é “Voices From The War”, pesada, mas nem tão pesada quanto o conteúdo da letra que aborda o sofrimento em estado bruto, da dor de quem afeta ou é afetado diretamente pela guerra: deixar entes queridos para trás, ver os seus membros amputados. O play segue com “Mine All Mine”, cuja introdução lembra vagamente “I Was Made For Lovin’ You”, do Kiss. Há a participação especial de Dizzy Reed, famoso pelo trabalho com o Guns ‘N’ Roses, no piano. O sexto tema é a ‘hardona oitentista’ “Shut Your Mouth”, com uma pitada à Motörhead.

O disco continua a todo vapor com a pesada “Kill The World”, cuja mensagem pede para nos salvar e “matar” o mundo. Já em “Dr. Love”, a oitava faixa, traz o perfeito entrosamento do baixo retorcido de Lemmy e a guitarra suja de Campbell, e fala do homem estilo ‘machão’ e pegador no melhor estilo rockstar. O álbum apresenta a ‘trasher’ “No Remorse”, faixa nove, com seu vocal agressivo e a abordagem que fala do fim da vida e que não devemos ter remorso.

A penúltima faixa é a porrada sonora “Red Raw”, cuja rapidez lembra “Ace Of Spades”, e que nos deixa impossibilitado de ouvi-la sem se mexer. E o final vem com “Serial Killer”, com um discurso feito por Kilmister que é de amedontrar.

Algumas edições do “Hammered” ainda traz duas faixas bônus: a já citada “The Game” e uma versão ao vivo de “Overnight Sensation”, registrada em 2000.

Embora não tivesse sido o “trabalho dos sonhos” de Lemmy Kilmister, “Hammered” é um tremendo disco, pois tem o “padrão Motörhead de qualidade”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Hammered
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 9 de abril de 2002
Gravadora: SPV GmbH / Metal-Is
Produtores: Thom Panunzio e Motörhead

Lemmy Kilmister: baixo e voz
Phil Campbell: guitarra
Mikkey Dee: bateria

Dizzy Reed: piano em “Mine All Mine”]
Triple H: co-vocais em “Serial Killer

1. Walk A Crooked Mile (Kilmister / Campbell / Dee)
2. Down The Line (Kilmister / Campbell / Dee)
3. Brave New World (Kilmister / Campbell / Dee)
4. Voices From The War (Kilmister / Campbell / Dee)
5. Mine All Mine (Kilmister / Campbell / Dee)
6. Shut Your Mouth (Kilmister / Campbell / Dee)
7. Kill The World (Kilmister / Campbell / Dee)
8. Dr. Love (Kilmister / Campbell / Dee)
9. No Remorse (Kilmister / Campbell / Dee)
10. Red Raw (Kilmister / Campbell / Dee)
11. Serial Killer (Kilmister / Campbell / Dee)
Bônus tracks:
12. The Game (Johnston)
13. Overnight Sensation (live) (Kilmister / Campbell / Dee)

Por Jorge Almeida

Sinopse de “A História Não Contada do Motörhead”, de Joel McIver

O livro de Joel McIver documenta uma das maiores bandas da história
O livro de Joel McIver documenta uma das maiores bandas da história

Lançado lá fora em 2011, o livro de Joel McIver ganhou em 2016 uma versão em português que, aqui no Brasil, foi lançada pela Edições Ideal, e aborda uma das bandas de rock mais influentes, importantes e polêmicas da história: Motörhead.

Com 276 páginas distribuídas em 20 capítulos divididos em ordem cronológica, a obra de McIver começa antes de 1971 e vai até 2011, ou seja, quando o livro foi lançado originalmente e, claro, antes da morte do ícone Lemmy Kilmister.

O livro conta a história do power trio britânico capitaneado por Lemmy, que estabeleceu um carreira impressionante, pontuada por músicas rápidas, pesadas, farras homéricas e um dos shows mais poderosos que se tem notícias. Enfim, um caminho tortuoso, com vários bons e maus momentos, dessa banda que prestou mais de 40 anos de bons serviços ao rock and roll.

Até os dias atuais, mesmo com o fim do Motörhead, que se foi junto com a morte de seu mentor no final de 2015, o grupo fez parte do mainstream das grandes bandas de rock, mas que nunca fez questão de carregar esse rótulo, especialmente Lemmy, cuja parte do livro é dedicada a ele, até porque, em se tratando de Motörhead, não tinha como ser diferente, afinal, desde 1975, quando a banda, de fato, começou, o saudoso vocalista/baixista sempre esteve à frente do grupo e, nesta biografia, Kilmister destacou a importância de seus colegas de banda e que, todo dinheiro que ganhavam com o Motörhead era dividido igualmente.

O Motörhead começou como trio na metade dos anos 1970, virou quarteto no meio da década de 1980 e, depois, voltou a ser trio até o fim, em 2015, logo, quando o livro já havia saído da editora, pelo menos a versão estrangeira, não custa reforçar.

Com 20 álbuns lançados, alguns registros ao vivo e várias coletâneas, o Motörhead foi uma genuína banda de rock. Seus integrantes seguiram à risca à filosofia de “sexo, drogas e rock and roll”. O escritor Joel McIver fez um trabalho minucioso ao coletar e organizar relatos e entrevistas de várias fontes num recorde de tempo de mais quatro décadas.

A história – contada ou não contada – do Motörhead é a própria história de Lemmy Kilmister. Pois, ele sempre esteve lá, o cara mais velho e mais experiente do grupo, foi forte influência para várias bandas, que tal o Metallica só para citar uma?

Embora a biografia seja dedicada à banda, McIver relata também acontecimentos relacionados a Lemmy Kilmister que constatam que ele é a própria história do rock. Aos 12 anos, em 1957, teve seu primeiro contato com o Rock And Roll, com Bill Haley, foi impactado por Little Richard, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Fats Domino, foi roadie de Jimi Hendrix, dormiu no sofá da casa da mãe de Jon Lord (Deep Purple), tocou no Hawkwind, montou o Motörhead, excursionou com Dio, aliviou a barra do Twisted Sister diante dos fãs, fez parceria com as garotas do Girlschool, escreveu músicas com Ozzy Osbourne, foi homenageado pelo Metallica em sua festa surpresa de 50 anos quando James Hetfield e sua trupe se caracterizaram de Lemmy.

O Motörhead foi uma das bandas que, digamos, “inrotulável”, ou seja, nunca pertenceu a nenhuma vertente do rock específica, embora já tenham tentado classificá-lo como Trash Metal, Punk, NWOBHM, Heavy Metal, enfim, o grupo sempre foi aquilo que seu mentor sempre pregou: “uma banda de rock and roll”.

E, evidentemente, que não poderia deixar de esquecer de falar sobre o prefácio da obra que foi escrito “simplesmente” pelo The Voice Of Rock, Glenn Hughes (ex-Trapeze, Deep Purple, Black Sabbath e outros). No texto, o renomado baixista definiu muito bem: “Lemmy é o rock ‘n’ roll personificado”. Perfeito!

E, seguramente, essa obra de Joel McIver é um pedaço expressivo da história do rock.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: A História Não Contada do Motörhead
Autor: Joel McIver
Páginas: 276
Editora: Edições Ideal
Edição: 1
Ano: 2015 (versão em português)
Preço médio: R$ 35,90

Por Jorge Almeida

Morre aos 70 anos a lenda Lemmy Kilmister

Lemmy Kilmister morreu em casa aos 70 anos
Lemmy Kilmister morreu em casa aos 70 anos

O icônico vocalista e líder do Motörhead Lemmy Kilmister morreu nesta segunda-feira (28) aos 70 anos (completados no último dia 24) vítima de um câncer recém-descoberto e “extremamente agressivo” no cérebro, conforme nota postada na página oficial da banda no Facebook.

Nascido como Ian Fraiser Kilmister em 24 de dezembro de 1945, o apelido “Lemmy” surgiu na época em que era roadie (chegou a trabalhar para Jimmy Hendrix) quando sempre pedia cinco libras emprestado – “lemmy a fiver (lend me a fiver)”.

Antes de formar o Motörhead na metade dos anos 1970, Lemmy foi integrante do Hawkwind, grupo britânico considero um dos pioneiros do Space Rock, vertente do rock conhecido por suas temáticas de ficção científica.

Membro-fundador do Motörhead, Lemmy Kilmister esteve à frente da banda ao longo de 40 anos e foi o único constante no icônico Power Trio que agregava punks e headbangers. Com o grupo, Lemmy lançou 20 álbuns de estúdio, que venderam mais de 30 milhões de cópias e conquistou uma verdadeira legião de fãs fiéis e se tornou uma lenda do rock.

Com seu estilo inconfundível de cantar e se comportar, Lemmy Kilmister foi um genuíno representante do estilo rocker de ser: sexo, drogas e rock and roll e sempre regado aos inseparáveis Jack Daniel’s e Marlboro.

No entanto, o vocalista enfrentou sérios problemas de saúde nos últimos anos em virtude de suas diabetes, o que fez com que parasse de fumare de beber, além de ter obrigado ao Motörhead cancelar algumas apresentações. Ao longo de 2015, por conta de seu estado de saúde, a banda precisou cancelar algumas performances ou encurtá-las, inclusive a sua participação no festival Monsters Of Rock, realizado em abril, em São Paulo.

O primeiro a noticiar a morte de Lemmy Kilmister foi o conceituado radialista e apresentador Eddie Trunk no Twitter. Após a confirmação do óbito do músico, uma “avalanche” de postagens dominaram as redes sociais em homenagem ao vocalista. Muitos colegas músicos prestaram um tributo ao frontman: Ozzy Osbourne, Gene Simmons, Geddy Lee, King Diamond, Duff McKagan, Andreas Kisser, Mike Portnoy, David Coverdale, Glenn Hughes, Dave Lombardo, Tony Iommi, Geezer Butler, o pessoal do Metallica e tantos outros.

O atual baterista do Motörhead, Mikkey Dee, em entrevista ao jornal sueco Expressen, afirmou que “o Motörhead acabou, Lemmy era o Motörhead”. De fato, ele tem razão. E, cruelmente, em um curto espaço de tempo, menos de dois meses, 2/3 da formação clássica do Motörhead se vai: primeiro foi o ex-baterista Phil “Philty Animal” Taylor, em novembro, e agora o mito Lemmy Kilmister.

Descanse em paz, Lemmy. Seu nome e seu legado estarão cravados na história do rock, e faça a festa aí com o seu amigo também lendário Ronnie James Dio.

E, parafraseando a música “See You In The Other Side”, parceria sua com Ozzy Osbourne e Zakk Wylde: “vejo você do outro lado”.

#ValeuLemmy

Por Jorge Almeida

Motörhead: 20 anos de “Sacrifice”     

"Sacrifice": último trabalho do Motörhead lançado como quarteto
“Sacrifice”: último trabalho do Motörhead lançado como quarteto

Em 11 de julho de 1995, ou seja, lá se vão 20 anos, que o Motörhead lançava “Sacrifice”, o seu 12º trabalho de estúdio. Gravado no Cherokee Studios, em Hollywood, o disco foi produzido pela dupla Howard Benson e Ryan Dorn e foi o último registro com a participação do guitarrista Würzel (que Deus o tenha), que saiu da banda após a gravação do álbum.

Nas notas do encarte, Lemmy escreveu que “este é um álbum muito bom” e ainda deixou um alerta: “Coloque-o em seu som e a roupa da sua namorada vai cair”. Enfim, nesse tom de sarcasmo, Lemmy apontou que “Sacrifice” é um de seus álbuns favoritos, apesar das adversidades encontradas no processo, como a falta de entrega de Würzel e também pelo fato de o produtor Howard Benson estar em dois ou três lugares diferentes, pois ele atuava também em um selo chamado Giant, e na metade do tempo, o engenheiro Ryan Dorn estava junto.

No documentário da banda, “The Guts And The Glory”, os três integrantes da banda expressaram pesar sobre a saída de Würzel, mas insistiram que isso era inevitável. Mikkey Dee comentou que, ao mesmo tempo, que Würzel estava cansado deles e vice-versa e que sente a falta dele como pessoa, não como guitarrista. Campbell, no mesmo documentário, recordou que o guitarrista levou seis horas para tentar fazer um solo. Já Lemmy revelou que Würzel passou a desconfiar que estava sendo lesado financeiramente, ou seja, que estava sendo roubado por ele, Lemmy, que, por sua vez, afirmou que não precisava disso. O baixista comentou também que Würzel começou a acreditar nas pessoas erradas.

Embora seja um excelente disco, “Sacrifice” pode ser considerado um típico caso de disco “ignorado”, logo, um bom trabalho que não tem o seu devido reconhecimento. Alguns temas os caras detonam, a começar pela faixa-título, que tem um ótimo refrão e Mikkey Dee parecendo uma máquina de pancadaria. Enquanto “Over Your Shoulder” traz as guitarras rasgadas. Já o rock and roll puro aparece em faixas como “All Gone To Hell”. A “improvisada” “Make ‘Em Blind” também merece ser conferida com atenção, o solo improvisado de Campbell foi feito em um take. A rápida “Sex & Death” foi escrita em apenas dez minutos no último dia de gravação.

Curiosamente, a versão norte-americana não traz o nome de Würzel. De acordo com o Joel Mclver no livro “Overkill: The Untold Story Of Motörhead”, Lemmy garante que isso foi uma ideia da gravadora, e não deles. Segundo o vocalista, isso seria estúpido, pois Würzel poderia processá-los com toda razão, pois ele está no álbum.

Com a saída de Würzel, a banda resolveu continuar como um trio, como era antigamente. E, assim, partiram para uma turnê pela Europa em outubro, seguiram para tocarem na América do Sul em três datas. Lemmy Kilmister celebrou os seus 50 anos com a banda no lendário Whiskey A Go Go, em Los Angeles. O Metallica participou do evento sob o nome de “The Lemmy’s”, em que os integrantes estavam caracterizados igualmente ao homenageado.

Outro item primordial de “Sacrifice” que merece ser destacado é a capa do play. Assinada por Joe Petagno, a capa apresenta a clássica figura do Mr. Snaggletooth rodeado de ódio, guerra, ignorância, morte e das batalhas intermináveis. Petagno é conhecido por inserir referências às genitálias em seus desenhos, é claro que a capa de “Sacrifice” não ficou isenta. Isso é nítido na boca da “mascote” do Motörhead ao depararmos com uma vagina, no lugar da garganta, e um pênis no lugar da língua.

Pesado, semi-punk e com blues sem-vergonha, “Sacrifice” foi um dos melhores trabalhos lançados pelo quarteto Lemmy, Mikkey Dee, Campbell e Würzel.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sacrifice
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 11 de julho de 1995
Gravadora: CMC International, SPV/Steamhammer
Produtores: Howard Benson & Ryan Dorn

Lemmy Kilmister: baixo e voz
Phil Campbell: guitarra
Würzel: guitarra
Mikkey Dee: bateria

Bill Bergman: sax em “Don’t Waste Your Time
John Paroulo: piano em “Don’t Wast Your Time

1. Sacrifice (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
2. Sex & Death (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
3. Over Your Shoulder (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
4. War For War (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
5. Order/Fade To Black (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
6. Dog-Face Boy (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
7. All Gone To Hell (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
8. Make ‘Em Blind (Kilmister)
9. Don’t Waste Your Time (Kilmister)
10. In Another Time (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)
11. Out Of The Sun (Kilmister / Campbell / Dee / Würzel)

Por Jorge Almeida