The Clash: 35 anos de “Combat Rock”

“Combat Rock”: o último álbum do Clash lançado com a formação clássica

No dia 14 de maio desse ano, o quinto álbum do The Clash completou 35 anos de lançamento. Trata-se do clássico “Combat Rock”, que foi gravado entre setembro de 1981 e janeiro de 1982 no Ear Studios, em Londres, e também no Electric Lady Studios, em Nova York, e em Warnford. A produção foi feita pela própria banda em conjunto com Glyn Johns. Curiosamente, foi o último trabalho da banda a conter com a sua formação clássica: Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon.

Depois do álbum triplo “Sandinista!” (1980), Jpe Strummer, vocalista e guitarrista, sentiu que o grupo estava “à deriva” de forma criativa. O baixista Paul Simonon concordou com a insatisfação de Strummer com o profissionalismo “chato” para com a banda aplicada pelos então gerentes da Blackhill Enterprises. Então, os dois convenceram Jones e Headon a restabelecer o gerente original do grupo, Bernie Rhodes, em fevereiro de 1981, na tentativa de restaurar o “caos” e a “energia anárquica” dos primeiros dias do Clash. Embora a decisão não foi vista com bom olhos por Mick Jones, que já estava, progressivamente, se isolando dos companheiros.

As sessões iniciais de gravação do tiveram início em Londres, entre setembro e dezembro de 1981, mas o grupo se mudou para Nova York em janeiro de 1982 para continuar as sessões no Electric Lady Studios, onde haviam gravado o álbum anterior – “Sandinista!” (1980). Durante o processo de gravação e mixagem, o álbum tinha o título inicial de “Rat Patrol From Fort Bragg”. Na estadia em Nova York, Mick Jones morava com a sua namorada da época, Ellen Foley, enquanto os demais ficaram hospedados no Iroquois Hotel na West 44th Street, edifício famoso por ter sido moradia do ator James Dean durante dois anos no começo da década de 1950.

Depois de terminar as sessões de gravação de Nova York em dezembro de 1981, a banda retornou a Londres, onde passou a maior parte de janeiro de 1982. Entre janeiro e março, o Clash embarcou em uma turnê de seis semanas no Japão, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Tailândia. Durante esta excursão, a fotografia da capa do álbum foi retratada por Pennie Smith na Tailândia em março de 1982.

Após essa tour pelo extremo Oriente, a banda voltou a capital inglesa em março do mesmo ano para conferir o material gravado em NYC três meses antes. Ao todo, foram gravadas 18 músicas, material suficiente para lançar como álbum duplo, o que não era nenhuma novidade para o The Clash, já que lançara os LPs “London Calling” (1979) neste formato e o já citado triplo “Sandinista!” (1980).

No entanto, o grupo discutiu quantas faixas deveria fazer parte do tracklist do novo álbum e quanto tempo as mixagens das músicas deveriam ter. Mick Jones defendeu a preferência do disco duplo com mixagens mais longas e mais dinâmicas. Todavia, os outros integrantes argumentaram serem a favor de um disco único, com músicas mais curtas. Essa disputa interna criou uma tensão dentro da banda, especialmente com Jones, que foi “voto vencido”.

Por sugestão do gerente Bernie Rhodes, o produtor e engenheiro Glyn Johns foi contratado para remixar o álbum. O trabalho aconteceu no estúdio de jardim de Johns em Warnford. O produtor, acompanhado por Joe Strummer e Mick Jones, editou “Combat Rock”, que deixou de ser um álbum duplo de 77 minutos para um LP único com 46 minutos de duração. Isso foi feito porque houve o corte de comprimento de algumas músicas, como removendo as ‘intros’ instrumentais e ‘codas’ de músicas como “Rock The Casbah” e “Overpowered By Funk”. Além disso, os três decidiram omitir seis músicas na íntegra, deixando a contagem de 18 para 12 canções. Durante esse processo de remixagem, Strummer e Jones aproveitaram para regravar os vocais em “Should I Stay Or Should I Go?” e “Know Your Rights” e remixar as músicas com o intuito de maximizar seu impacto como singles.

Um dos temas inspirador para “Combat Rock” foi o impacto e as consequências causadas pela Guerra do Vietnã. A faixa “Straight To Hell”, por exemplo, fala sobre as crianças geradas por soldados norte-americanos a mães vietnamitas e depois abandonadas. Enquanto “Sean Flynn”, por sua vez, descreve sobre o fotoperiodista filho do ator Errol Flynn, que desapareceu em 1970, enquanto cobria a guerra. Além disso, a banda se inspirou no filme “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola, que fala sobre a Guerra do Vietnã, e lançou a música “Charlie Don’t Surf”, faixa de “Sandinista!”, que faz referência ao filme.

O declínio moral da sociedade norte-americana também é retratada no disco. Como em “Red Angel Dragnet”, que foi inspirada na morte disparatada de Frank Melvin, membro do New York The Guardian Angels, em janeiro de 1982. A música faz referência ao filme “Taxi Driver” (1973), de Martin Scorsese, e com direito a participação de Kosmo Vinyl, que gravou várias linhas de diálogo imitando a voz do personagem principal, Travis Bickle, interpretado por Robert De Niro.

Já “Ghetto Defendant”, apresenta a batida do poeta Allen Ginsberg, que interpretou a música juntamente com a banda durante os shows de Nova York em sua turnê em apoio ao disco. No final da canção, ele pode ser ouvido recitando “The Heart Sutra”, um popular mantra budista.

Já um dos dois principais hits do álbum (e da banda), “Rock The Casbah”, foi escrita por Topper Headon, com base em uma parte do piano com a qual ele estava brincando. Ao encontrar-se com os demais companheiros no estúdio, o baterista gravou as partes de bateria, piano e baixo de forma progressiva, ou seja, gravou a maior parte da própria instrumentação da música. Os outros integrantes ficaram impressionados com a gravação de Topper, porém, Strummer não se impressionou com a letra sugerida por Headon. Então, o guitarrista foi ao banheiro do estúdio e, de lá, escreveu a letra para combinar com a música. Aliás, uma das teorias sobre a origem da canção é que ela foi inspirada pelo banimento do rock no Irã após a chegada do aiatolá Khomeini ao poder. Aliás, no videoclipe da música, Terry Chimes aparece no lugar de Topper Headon, que deixara a banda um pouco antes.

Enquanto isso, Mick Jones apresentou “Should I Stay Or Should I Go?”, que arrancou rumores sobre o conteúdo da letra, que poderia ser interpretada como uma possível saída dele da banda ou do tempestuoso relacionamento de Jones com a cantora Ellen Folley, mas que o próprio negou de tratar de alguém em específico, mas sim tratar-se de uma boa música de rock e uma tentativa de escrever um clássico – e, convenhamos, conseguiu. Para fazer o backing vocal em espanhol, que foi feito por Joe Strummer e Joe Ely (cantor norte-americano do Texas), o operador de fitas, Eddie Garcia chamou a mãe que, por telefone, ouviu a letra e traduziu.

O álbum foi lançado e chegou ao segundo lugar nas paradas no Reino Unido e a sétima posição nos Estados Unidos, permanecendo 61 semanas no gráfico. E, “Combat Rock” é o disco mais vendido do The Clash, o que lhe rendeu o certificado de platina dupla, claro que boa parte se deve aos dois principais sucessos comerciais da banda: “Rock The Casbah” e “Should I Stay Or Should I Go?”.

O sucesso comercial do disco ajudou a passar despercebido o clima de tensão que vivia o The Clash. Tanto que, após o lançamento do play, a banda começou lentamente a se desintegrar: Topper Headon aumentou a ingestão de drogas, especialmente heroína e cocaína. O uso ocasional das drogas tornou-se um hábito que lhe custou cem libras por dia e prejudicou a sua saúde. O vício foi o fator que, mais tarde, inspiraria seus companheiros a demiti-lo da banda após o lançamento de “Combat Rock” – para seu lugar veio o baterista original da banda, Terry Chimes para completar a turnê. Um ano e meio depois foi a vez da dupla Strummer e Simonon expulsar Mick Jones, por conta de seu comportamento problemático e divergências musicais. Para o seu lugar, após uma série de testes, a banda contratou Nick Shepperd e Vince White, ambos com 23 anos, como guitarristas. Daí, o The Clash foi ladeira abaixo.

Vale destacar que, em 2016, saiu a versão completa e não editada de “Rat Patrol From Fort Bragg”, de forma não oficial, apesar de as versões bootleg tenham circulado por meio de canais não oficiais. Músicas como “First Night Back In London” e “Cool Confusion”, que foram descartadas no album original apareceram como B-sides de singles do play. Algumas das músicas da mixagem original apareceram no box “Clash On Broadway” (1991) e “Sound System Box Sets” (2013). Em 2012, o violinista Tymon Dogg, amigo de Joe Strummer, lançou a música “Once You Know”, que foi gravada durante as sessões de “Combat Rock” com os quatro membros do Clash como banda de apoio.

Em “Combat Rock”, o The Clash absorveu a atmosfera das vibrantes cenas de arte do hip-hop e do grafite de Nova York ao misturar funk, rock, hip-hop e reggae. Porém, a Guerra do Vietnã e a política externa dos Estados Unidos serviram de “chamariz” para o álbum. Grande disco.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Combat Rock
Intérprete: The Clash
Lançamento: 14 de maio de 1982
Gravadora: CBS / Epic
Produtores: The Clash e Glyn Johns

Joe Strummer: voz, backing vocal, guitarra, harmônica, piano
Mick Jones: guitarra, backing vocal, voz, teclados, efeitos sonoros
Paul Simonon: baixo, backing vocal e voz em “Red Angel Dragnet
Topper Headon: bateria, piano e baixo em “Rock the Casbah

Allen Ginsberg: vocal convidado em “Ghetto Defendant
Futura 2000: vocais convidados em “Overpowered by Funk
Ellen Foley: backing vocals em “Car Jamming
Joe Ely: backing vocal em “Should I Stay Or Should I Go
Tymon Dogg: piano em “Death is a Star
Tommy Mandel (creditado como Poly Mandell): teclados em “Overpowered by Funk
Gary Barnacle: saxofone em “Sean Flynn
Kosmo Vinyl: vocais em “Red Angel Dragnet

1. Know Your Rights (Strummer / Jones)
2. Car Jamming (The Clash)
3. Should I Stay Or Should I Go? (The Clash)
4. Rock The Casbah (The Clash)
5. Red Angel Dragnet (The Clash)
6. Straight To Hell (The Clash)
7. Overpowered By Funk (The Clash)
8. Atom Tan (The Clash)
9. Sean Flynn (The Clash)
10. Ghetto Defendant (The Clash)
11. Inoculated City (The Clash)
12. Death Is A Star (The Clash)

Por Jorge Almeida

 

The Clash: 40 anos do primeiro grande disco punk do Reino Unido

“The Clash”, o álbum: o primeiro grande disco de punk lançado no Grã-Bretanha

No dia 8 de abril de 2017, o primeiro álbum do Clash completou 40 anos de seu lançamento. O material foi gravado entre os dias 10 e 27 de fevereiro no CBS Studios, em Londres, e no National Film and Television School, em Beaconsfield, na Inglaterra. A produção foi de Mickey Foote. A versão norte-americana foi lançada em 1979, depois de “London Calling”.

A maior parte do repertório do disco foi concebida no 18º andar de um apartamento alugado pela avó de Mick Jones, que frequentemente ia ver os shows da banda do neto ao vivo. O álbum foi gravado durante três sessões de fim de semana no CBS Studio 3 em fevereiro de 1977. Na terceira dessas sessões, o play foi gravado e mixado até a conclusão, com as fitas sendo entregues à CBS no começo de março ao custo de £ 4000 para ser produzido.

A arte da capa do disco foi projetada pela artista polonesa Roslaw Szaybo. Já a fotografia da capa foi tirada por Kate Simon, em um beco que fica em frente ao edifício Rehearsal Rehearsals, em Camden Market. Embora fosse um membro do Clash na época, o baterista Terry Chimes não apareceu na foto, pois já havia decidido deixar a banda.

Com 14 faixas, o álbum traz temas sobre a juventude descontente da Grã-Bretanha, do desemprego, das drogas, dos tumultos e do policiamento opressivo, que foram pilares para a crescente filosofia do estilo punk.

O disco abre com “Janie Jones”, que fala sobre um ilustre proprietário de bisontes em Londres na década de 1970. A faixa seguinte, “Remote Control” foi escrito por Mick Jones após a Anarchy Tour e traz observações pontuadas sobre os burocratas da sala cívica que cancelaram alguns shows. A CBS a lançou como single sem consultar a banda. Já “I’m So Bored With The USA” é uma condenação da banda para a “americanização” do Reino Unido. Enquanto isso, “White Riot”, que foi o primeiro single do grupo, liricamente, trata da economia de classe e de raça. A versão que entrou no disco não foi a gravada nos estúdios da CBS, mas sim a original que fizeram antes de assinar com a gravadora. O quinto tema, “Hate And War” traz toda a fúria do disco (e da banda) contra o “sistema”. E o disco segue com mais três petardos: “What’s My Name?”, “Deny” e “London’s Burning”.

O lado B do vinil começa com “Career Opportunities”, que ataca a situação política e econômica da Inglaterra na época, mencionando a falta de empregos disponíveis e a falta de recurso de boa parte dos cidadãos. Posteriormente, a curta “Cheat” que não chega a empolgar. Na sequência, o disco segue com “Protex Blue”, cantada por Mick Jones, que fala sobre uma marca de preservativos dos anos 1970. Foi inspirada pela máquina de venda automática de anticoncepcionais nos sanitários do Castelo de Windsor. A canção termina com a frase gritada “Johnny Johnny!”, o termo é uma gíria britânica para um preservativo. A música seguinte é um dos pilares do disco. Trata-se de “Police And Thieves”, cover de Lee Perry que entrou no álbum porque o grupo notou que quantidade de faixas gravadas era muito curta para preencher um disco. A versão original, que é um reggae, foi uma das principais influências para o Clash usufruísse de outros ritmos, especialmente da música negra, em suas músicas. O disco termina com mais dois temas: a curta “48 Hours” e “Garageland”, escrita como uma resposta à crítica feita a Charles Shaar Murray, que criticou a banda em um artigo ao afirmar que o Clash é uma banda de garagem e que deve ser “devolvida imediatamente à garagem”.

No processo de produção do álbum, a banda recusou os produtores encaminhados pela gravadora, assim, optaram por Micky Foote, que atuava como operador de mesa da banda nos shows. E, devido a inexperiência de Foote com produção, o álbum saiu, musicalmente falando, deficiente. Com guitarras “vazando” de um canal para outro, vocais que surgiram embolados e a péssima mixagem que tornaram o produto ainda mais sofrível. A sorte é que as músicas são boas.

Apesar dos defeitos técnicos, o álbum alcançou o número 12 das paradas britânicas e a modesta 126ª colocação na Billboard 200 quando a versão norte-americana foi lançada dois anos depois. E, ao longo dos anos, foi constantemente mencionado nos rankings das revistas especializadas. A New Musical Express, por exemplo, classificou o disco como 13º melhor álbum de todos os tempos em uma edição de fevereiro de 1993. Já a revista Spin o colocou no número 3 de sua lista dos 50 discos mais essenciais do Punk, em uma edição de maio de 2001. A revista Mojo classificou “The Clash” na segunda posição em seu Top 50 de álbuns punk.

Em passagem por Londres em 1977, o produtor jamaicano Lee Perry ouviu o disco e informou para Bob Marley que, por sua vez, mencionou o Clash na faixa “Punky Reggae Party”, que foi lançado como single pelo cantor em julho daquele ano.

A versão norte-americana do álbum merece uma atenção à parte por quatro aspectos: o lançamento, que ocorreu em 29 de julho de 1979, ou seja, mais de dois anos e três meses em relação à edição britânica; a produção, que foi assinada pela banda em conjunto com Mickey Foote, Lee Perry, Sandy Pearman e Bill Price; e o tracklist que é diferente da versão original; e a distribuição, que ficou a cargo da Epic, uma vez que a filial norte-americana da CBS optou em não lançá-lo nos Estados Unidos porque o disco não era “amigável ao rádio”. No entanto, entre 1977 e 1978, o ‘debut’ estava disponível na terra do Tio Sam como material importado e, como tal, tornou-se o item de importação mais vendido do ano, com mais de 100 mil cópias vendidas.

A edição ianque lançada pela Epic contém cinco faixas que foram lançadas no Reino Unido como singles e B-sides, incluindo temas que saíram depois de “Give ‘Em Enough Rope” (1978), segundo disco da banda, além de uma versão regravada de “White Riot”, que foi vetada da versão britânica e o cover do Sonny Curtis – “I Fought The Law” -, que o Clash lançou no EP “The Cost Of Living” (1979) no Reino Unido.

Assim, para edição norte-americana do play as faixas “Deny”, “Cheat”, “Protex Blue”, “48 Hours” e a versão original de “White Riot” foram substituídas por “Clash City Rockers”, “Complete Control”, a versão regravada de “White Riot”, “(White Man) In Hammersmith Palais”, “I Fought The Law” e “Jail Guitar Doors”.

Além disso, a versão da CBS Records canadense trazia uma borda azul escuro na capa em vez de verde e as primeiras cópias traziam como bônus a música “Groovy Times”. E as pressões iniciais da edição norte-americana apresentaram “What’s My Name?” como faixa 4 e “Complete Control” como faixa 11.

E, assim, embora a qualidade da produção do material não tenha sido um primor, “The Clash”, o álbum, é amplamente celebrado como um dos melhores discos punks de todos os tempos. E, de fato, é.

Só uma observação: antes que alguém questione porque explanei que o ‘debut’ do Clash foi o primeiro grande disco punk do Reino Unido e não “Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols”, do Sex Pistols, a resposta é simples: o trabalho da banda de Johnny Rotten foi lançado posteriormente: no final de outubro de 1977.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: The Clash
Intérprete: The Clash
Lançamento: 8/04/1977 (versão britânica) / 29/07/1979 (versão norte-americana)
Gravadoras: CBS (Reino Unido) / Epic Records (EUA)
Produtores: Mickey Foote (versão britânica) /  Mickey Foote, Lee Perry, The Clash, Sandy Pearlman, Bill Price (versão norte-americana)

Joe Strummer: voz, backing vocal, guitarra rítmica e guitarra principal em “48 Hours
Mick Jones: guitarra principal, voz em “Hate And War” e “Protex Blue” e backing vocal
Paul Simonon: baixo
Terry Chimes (creditado como Tory Crimes): bateria
Topper Headon: bateria em “Clash City Rockers”, “Complete Control”, “(White Man) In Hammersmith Palais”, “I Fought The Law” e “Jail Guitar Doors

Versão britânica:
1. Janie Jones (Strummer / Jones)
2. Remote Control (Strummer / Jones)
3. I’m So Bored With The USA (Strummer / Jones)
4. White Riot (Strummer / Jones)
5. Hate And War (Strummer / Jones)
6. What’s My Name? (Strummer / Jones / Levene)
7. Deny (Strummer / Jones)
8. London’s Burning (Strummer / Jones)
9. Career Opportunities (Strummer / Jones)
10. Cheat (Strummer / Jones)
11. Protex Blue (Strummer / Jones)
12. Police And Thieves (Murvin / Perry)
13. 48 Hours (Strummer / Jones)
14. Garageland (Strummer / Jones)

Versão norte-americana:
1. Clash City Rockers (Strummer / Jones)
2. I’m So Bored With The USA (Strummer / Jones)
3. Remote Control (Strummer / Jones)
4. Complete Control (Strummer / Jones)
5. White Riot (Strummer / Jones)
6. (White Man) In Hammersmith Palais (Strummer / Jones)
7. London’s Burning (Strummer / Jones)
8. I Fought The Law (Curtis)
9. Janie Jones (Strummer / Jones)
10. Career Opportunities (Strummer / Jones)
11. What’s My Name? (Strummer / Jones)
12. Hate And War (Strummer / Jones)
13. Police And Thieves (Murvin / Perry)
14. Jail Guitar Doors (Strummer / Jones)
15. Garageland (Strummer / Jones)

Por Jorge Almeida

The Clash: 35 anos de “London Calling”

"London Calling": um dos maiores clássicos da história do rock
“London Calling”: um dos maiores clássicos da história do rock

No último dia 14 de novembro, o terceiro álbum dos punks britânicos do The Clash, o clássico “London Calling”, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Guy Stevens e Mick Jones, o disco foi gravado entre agosto e novembro de 1979 no Wessex Sound Studios, em Londres. E se tornou um dos mais elogiados trabalhos da história do rock.

O play foi sucesso de crítica e de vendas em mercados como nos Estados Unidos. Pois, apesar de ter sido lançado como álbum duplo, “London Calling” foi comercializado pelo preço de um simples por exigência da banda. Outro fato que marcou o disco foi pela mudança do estilo musical do grupo, que acrescentou elementos de pop, soul, funk, ska, reggae, rockabilly e jazz.

E também as letras apresentavam temáticas sociais, abordavam o desemprego, uso de drogas, responsabilidades e conflitos sociais, especialmente na Grã-Bretanha. É constantemente considerado como o melhor álbum do The Clash.

London Calling” chegou ao top 10 no Reino Unido e o primeiro single, justamente a faixa-título, atingiu o top 20 e o álbum vendeu mais de cinco milhões de cópias.

Após gravarem o segundo álbum de estúdio – “Give ‘Em Enough Rope” (1978), a banda separou-se de seu manager Bernard Rhodes. O rompimento fez com que o Clash deixasse o estúdio que utilizava para ensaios, em Camden Town, e procurar outro local para gravar e compor suas músicas. O gerente de turnê do grupo, Johnny Green, encontrou outro lugar para o grupo ensaiar chamado Vanilla Studios, que fica na parte de trás de uma garagem em Pimlico. Nesse lugar, os caras escreveram rapidamente as letras e gravaram as demos, com Mick Jones cuidando dos arranjos e Joe Strummer das letras.

Em agosto de 1979, o grupo entrou no Wessex Studios para começar a gravação de “London Calling”. Eles perguntaram se Guy Stevens, que tinhas problemas com álcool e drogas, além de ter seus métodos de produção nada convencionais, queria produzir o álbum. Apesar da personalidade de Stevens, a banda se dava bem com ele, especialmente o baixista Paul Simonon. Durante as sessões de gravação, o grupo jogava futebol para passar o tempo. Essa boa relação ajudou a trazer a banda para junto do produtor e tornou o processo de gravação mais fácil e produtivo. O play foi gravado durante um período de cinco a seis semanas envolvendo 18 horas por dia, com muitas canções gravadas em um ou dois takes.

As canções do álbum são, geralmente, sobre Londres e trazem personagens de ficção com características reais, como a de um criminoso do submundo chamado “Jimmy Jazz”. Outras apresentam narrativas contextualizadas, incluindo os “maus presidentes” que trabalham para a “repressão”, como pode ser conferido em “Clampdown”. O Clash também lembrou dos efeitos remanescentes da Guerra Civil Espanhola em “Spanish Bombs” e também do consumismo constante em “Lost In The Supermarket”.

A música que dá o nome ao álbum foi parcialmente influenciada pelo acidente em um reator nuclear em Three Mile Island, na Pensilvânia, em março de 1979. Já a segunda faixa, “Brand New Cadillac”, foi escrita e gravada originalmente por Vince Taylor e foi a primeira que a banda gravou para o álbum. Ela é citada pelo grupo como “um dos primeiros rocks britânicos”. Já a quinta canção do disco, “Rudie Can’t Fail” traz uma seção de metais com elementos de pop, reggae e soul juntos. A temática relata a vida de um jovem, divertido e carinhoso, mas que é criticado por sua falta de capacidade de agir como um adulto responsável.

E o baixista Paul Simonon gravou o seu primeiro vocal em “The Guns Of Brixton”, que discute as perspectivas paranoicas de um indivíduo. Enquanto isso “Death Or Glory”, Strummer faz uma análise da vida e reconhece as complicações e responsabilidades da idade adulta. “Lover’s Rock”, por sua vez, defende o sexo seguro. Já o reggae “Revolution Rock” foi criticado pela NME (revista de música britânica), que disse que Strummer e Jones não eram capazes de compor canções de amor. E a última faixa do álbum, “Train In Vain”, era para ter sido excluída do tracklist e ser destinada para uma promoção da própria NME, mas foi adicionada ao disco na última hora.

Além das músicas, outro fator que faz de “London Calling” um clássico eterno do rock é a sua icônica capa, que traz uma imagem de Paul Simonon quebrando seu baixo Fender Precision durante uma apresentação no The Palladium, em Nova York, em 21 de setembro de 1979. A princípio, Pennie Smith, que fotografou a banda para o álbum não queria usar a imagem para a capa, pois pensara que estava muito fora do foco, mas Strummer e o designer gráfico Ray Lowry acharam que ela daria uma boa capa para o disco. A arte da capa foi desenhada por Lowry e foi uma homenagem ao design do ‘debut’ de Elvis Presley, lançado em 1956. A capa foi considerada uma das melhores do rock por “captar o momento rock ‘n’ roll” de Simonon.

Sabe aquela famosa expressão “julgar o disco pela capa”? Pois bem, ela pode ser sintetizada perfeitamente em “London Calling”, que já é ‘discaço’ a começar pela capa.  Obrigatório em qualquer coleção que se preze.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: London Calling
Intérprete: The Clash
Lançamento: 14 de novembro de 1979
Gravadora: CBS / Epic / Legacy
Produtores: Guy Stevens e Mick Jones

Joe Strummer: voz, backing vocal, guitarra e piano
Mick Jones: guitarra, piano, gaita e backing vocal
Paul Simonon: baixo, backing vocal e voz solo em “The Guns Of Brixton
Topper Headon: bateria e percussão

Mickey Gallagher: órgão
The Irish Horns: trompete

1. London Calling (Strummer / Jones)
2. Brand New Cadillac (Taylor)
3. Jimmy Jazz (Strummer / Jones)
4. Hateful (Strummer / Jones)
5. Rudie Can’t Fail (Strummer / Jones)
6. Spanish Bombs (Strummer / Jones)
7. The Right Profile (Strummer / Jones)
8. Lost In The Supermarket (Strummer / Jones)
9. Clampdown (Strummer / Jones)
10. The Guns Of Brixton (Strummer / Jones)
11. Wrong ‘Em Boyo (Alphanso)
12. Death Or Glory (Strummer / Jones)
13. Koka Kola (Strummer / Jones)
14. The Card Cheat (Strummer / Jones)
15. Lover’s Rock (Strummer / Jones)
16. Four Horsemen (Strummer / Jones)
17. I’m Not Down (Strummer / Jones)
18. Revolution Rock (Edwards / Ray)
19. Train In Vain (Strummer / Jones)

Por Jorge Almeida