Manual de Autodefesa Intelectual, da Kiwi Companhia de Teatro, debate com humor as superstições do cotidiano

Cena do espetáculo Manual de Autodefesa Intelectual. Foto: Bob Sousa

“A confusão frequente entre opinião e conhecimento, a presença da fé no cotidiano, a tendência a aceitar premissas falsas como verdadeiras e a ausência da verificação das fontes (…) criam um ambiente propício ao engano e ao erro”, Fernando Kinas, diretor

O trabalho cênico Manual de Autodefesa Intelectual, da Kiwi Companhia de Teatro, investiga com leveza, ironia e contundência, temas bastante diversos (da numerologia aos horóscopos, passando pelas religiões, mídia e teorias da conspiração). O sistema de crenças, baseado em credulidade e simplificação da realidade, cria um ambiente propício ao engano e ao erro e é a partir dessa premissa que envereda a peça que tem roteiro e direção de Fernando Kinas, e que reestreia a partir de 8 de setembro de 2017 no Espaço Cia. da Revista (Alameda Nothmann, 1135, Santa Cecília, São Paulo). Essa temporada tem o apoio da lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Em cena estão Fernanda Azevedo, Maíra Chasseraux, Maria Carolina Dressler, Vicente Latorre, além dos músicos Eduardo Contrera e Elaine Giacomelli. A companhia utiliza recursos do teatro documentário, da música, da dança e do audiovisual para abordar os temas relacionados às mistificações e crendices contemporâneas. A peça tem iluminação de Heloísa Passos e Julio Dojcsar assina a cenografia.

Manual de Autodefesa Intelectual transita por temas muito diversos para revelar o quanto as superstições e o analfabetismo científico induzem as pessoas a organizar suas vidas a partir de suposições místicas e ficções. “A confusão frequente entre opinião e conhecimento (doxa e episteme); os erros oriundos do pensamento circular e das relações inexistentes de causa e efeito; a presença da fé no cotidiano; a tendência a aceitar premissas falsas como verdadeiras; a ausência da verificação das fontes; a aceitação passiva de argumentos de autoridade, entre outros procedimentos baseados na intuição, no senso comum, na mídia hegemônica e nas experiências imediatas e pessoais criam um ambiente propício ao engano e ao erro”, explica o diretor Fernando Kinas.

Mentiras, fraudes, pensamentos descuidados, imposturas e desejos mascarados como fatos não se restringem à magia de salão, nem a conselhos ambíguos sobre assuntos do coração. Infelizmente, eles estão infiltrados nas questões econômicas, religiosas, sociais e políticas dos sistemas de valores dominantes em todas as nações. (Carl Sagan)

O espetáculo
Como resultado de sete meses intensos de pesquisas e ensaios, Manual de Autodefesa Intelectual apresenta 30 quadros interligados para debater as mistificações e os obscurantismos contemporâneos. Os recursos mobilizados são múltiplos, passando pela farsa (uma saborosa cena a partir de conto de Machado de Assis), pelas coreografias (assinadas por Luiz Fernando Bongiovanni), por intervenções musicais inéditas (criadas por Eduardo Contrera), pela utlilização de material audiovisual (com referências à publicidade e ao movimento neopentecostal), além de cenas inspiradas em técnicas do teatro documentário de Erwin Piscator e Peter Weiss. O trabalho reúne, por exemplo, textos do filósofo francês René Descartes e horóscopos publicados em jornais para diagnosticar o sistema de crenças que permite todo tipo de manipulação ideológica, incluindo fanatismos e preconceitos.

Ficha técnica
Roteiro e direção geral: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo, Maíra Chasseraux, Maria Carolina Dressler e Vicente Latorre
Músicos: Eduardo Contrera (percussão, violão e flauta transversa) e Elaine Giacomelli (teclados)
Direção musical e composições originais: Eduardo Contrera
Cenário: Julio Dojcsar
Iluminação: Heloísa Passos
Coreografia: Luiz Fernando Bongiovanni
Figurino: Madalena Machado
Vídeos: Filipe Vianna (colaboração de Carolina Abreu e Maysa Lepique)
Produção: Luiz Nunes e Daniela Embón
Programação visual: Camila Lisboa (Casa 36)
Assistência de iluminação, operação de luz e som: Clébio de Souza (Dedê)
Produção e realização: Kiwi Companhia de Teatro
Apoio: Fomento ao teatro para a cidade de São Paulo

Serviço
De 08 de setembro a 01 de outubro de 2017
Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 20h
Espaço Cia da Revista – Al. Notthmann, 1135 – Santa Cecília
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Venda pelo site Compre Ingressos > AQUI
Tel. de informações: 3791-5200
Duração: 110 min. Gênero: Comédia. Classificação: 14 anos. Capacidade: 90 lugares.

Assessoria de Imprensa
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Por Márcia Marques | Canal Aberto

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FOME.DOC é o novo espetáculo da Kiwi Companhia de Teatro

Cena de Fome.doc. Foto: Filipe Vianna

Com roteiro e direção geral de Fernando Kinas, a Kiwi Companhia de Teatro apresenta seu novo espetáculo, Fome.doc, a partir de 14 de julho de 2017, no Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1000, São Paulo, SP). A temporada vai até 20 de agosto e tem apoio da Lei de Fomento para a cidade de São Paulo.

Fome.doc é um trabalho cênico inspirado nas técnicas e princípios do teatro documentário que discute, sob diferentes ângulos, a fome no mundo. Da fisiologia humana à Glauber Rocha, de Oscar Wilde à João Cabral, da Palestina ao Sudão do Sul, de Beethoven ao rock, do agronegócio ao MST, a montagem apresenta um panorama de processos sociais que revelam a desumanização no mundo da mercadoria. Para assim vislumbrar o seu possível contrário.

Encenação e projeto

Alguns acontecimentos são capazes de redefinir a experiência humana. A densidade e a violência a eles relacionados marcam de forma definitiva a história. Quatro destes acontecimentos compõem a coluna vertebral da montagem: o extermínio de indígenas no continente americano, os três séculos e meio de escravidão no Brasil, o holocausto judeu na Europa e as novas formas de colonialismo no Oriente Médio, América Latina e África. Associados a eles, discutimos diversos aspectos relacionados à terra e a produção de alimentos (soberania alimentar, agroecologia, concentração fundiária, agronegócio), além de alargar a discussão para o campo poético através de referências à obra de Franz Kafka, Shakespeare, Beethoven, João Cabral de Melo Neto, Mahmud Darwich, Graciliano Ramos e Carolina Maria de Jesus, entre outros. Um rico material iconográfico e audiovisual foi pesquisado e incorporado através de releituras, recriações e recontextualizações.

O trabalho, portanto, é marcado tanto pelo signo da mais brutal das violências, aquela que subtrai o indispensável à sobrevivência, quanto pela necessidade de dar sentido à vida. Assim, ao documentar a fome – inspirado pelas contribuições históricas e contemporâneas do teatro documentário – o projeto apresenta perspectivas e formas diversas. Trata-se da fome que extermina – e o século 21 continua fornecendo muitos exemplos -, e também da fome que, diante das misérias, aponta para a luta por dignidade, beleza, verdade e justiça. As estratégias cênicas, que incluem música ao vivo e uma curta exibição de imagens, vão do registro claramente narrativo à insinuação dramática, passando pela farsa e pelo burlesco.

Sobre alguns autores e autoras utilizados em FOME.DOC

A pesquisa empreendida pela Kiwi Companhia de Teatro em Fome.doc compreende a leitura de autores e autoras das mais diversas nacionalidades e vertentes. Um dos escritores sobre o qual o grupo se debruçou foi o frade dominicano Bartolomé de las Casas, que registrou em 1542 (a primeira publicação data de 1552) uma das mais contundentes denúncias sobre as violências cometidas pelos conquistadores europeus contra os indígenas do chamado novo mundo. Brevíssima relação da destruição das Índias é, ainda hoje, um documento incontornável para compreender o processo de invasão e colonização das Américas.

Outro autor importante nesse processo de investigação foi o escritor italiano Primo Levi (1919-1989), sobrevivente de Auschwitz, que publicou em 1947 um dos mais importantes relatos sobre a vida nos campos de concentração e o extermínio de judeus, o livro É isto um homem?. A obra é também uma reflexão poética e filosófica sobre a desumanização e a sobrevivência em situações extremas. Poucos anos depois, em 1950, o martiniquês Aimé Césaire (1913-2008) publicou Discurso sobre o colonialismo. No texto, o escritor denuncia a violência europeia que se escondia sob o manto da “civilização ocidental”.

Do mesmo modo, fizeram parte do material de trabalho, textos da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), conhecida internacionalmente pela obra Quarto de despejo – Diário de uma favelada (publicada em 1960), e do poeta Mahmud Darwich, morto em 2008, considerado o poeta nacional da Palestina.

Vários outros autores e autoras serviram de inspiração direta para a montagem, entre eles: Franz Kafka (Um artista da fome), William Shakespeare (prefácio de Henrique V), João Cabral de Melo Neto (poemas de O cão sem plumas).

Também serviu como material dramatúrgico para a montagem as “Novas Cartas Políticas de Erasmo”, missivas endereçadas ao imperador Pedro II e publicadas anonimamente na imprensa carioca na década de 1860. O autor era José de Alencar, conhecido romancista que defendia posições a favor da manutenção da escravidão no Brasil.

Ficha Técnica
Roteiro e direção geral: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo e Renan Rovida
Direção e execução musical: Eduardo Contrera
Iluminação: Aline Santini
Cenário: Márcia Moon
Figurino: Madalena Machado
Assistência e operação de luz e som: Clébio Souza (Dedê)
Edição de imagens: Luiz Gustavo Cruz
Confecção de marionetes: Celso Ohi
Preparação vocal: Roberto Moura
Vozes gravadas: Marilza Batista e Félix Sánchez
Programação visual: Camila Lisboa (Casa 36)
Fotografia: Filipe Vianna
Cenotécnico: Lázaro Batista Ferreira
Produção: Luiz Nunes e Daniela Embón
Divulgação: Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Realização: Kiwi Companhia de Teatro

SERVIÇO
De 14 de julho a 20 de agosto de 2017
Sextas e sábados 21h e domingos 20h
CCSP (Centro Cultural São Paulo) – Espaço Missão
Lotação: 90 lugares
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Ingressos: 10,00 (inteira) e 5,00 (meia)
Telefone: (11) 3397-4002
Duração: 130 min
Classificação: 14 anos

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
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Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

Kiwi Companhia de Teatro investiga, em novo espetáculo, a obra do britânico Edward Bond, um dos mais importantes dramaturgos da atualidade

Figura 1 Cena de Material Bond - Foto de Bob Sousa
Figura 1 Cena de Material Bond – Foto de Bob Sousa

Companhia reconhecida pelo seu caráter crítico nas abordagens cênicas, a Kiwi volta-se para o tema da violência e da imaginação poética tão contundentes em Edward Bond

(…) Este é um ponto importante a entender sobre Bond. Muitas vezes visto como um niilista desesperado cujas peças estão cheias de imagens de violência, ele mantém uma fé teimosa na humanidade: é o que ele chama de contradições da ‘humanidade’” (parte da entrevista concedida ao jornal The Guardian ao jornalista Mark Lawson)

Estreia dia 2 de março de 2017, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, a mais nova obra da Kiwi Companhia de Teatro: Material Bond, uma peça que discute os desequilíbrios das sociedades contemporâneas, traz para a cena a realidade brasileira, a brutalidade da ação policial e a criminalização dos movimentos sociais, sintomas da injustiça social, da violência de Estado e os processos de desumanização, moeda corrente nos dias atuais.

A montagem tem como força motriz parte da obra do britânico Edward Bond, um dos mais importantes dramaturgos vivos da atualidade. No elenco estão a atriz Fernanda Azevedo e o multi-instrumentista Eduardo Contrera, sob roteiro e direção de Fernando Kinas.

Edward Bond é considerado um dos maiores dramaturgos europeus em atividade, cujas peças são montadas regularmente em grandes centros de produção artística (especialmente na Alemanha e na França). Bond, nascido em Londres em 1934, é praticamente um desconhecido no Brasil, apesar de suas mais de 50 peças escritas até o momento. Sua verve dramatúrgica, poética mas contundente, vai na contramão do teatro comercial e despretensioso, mas também se distancia de um tipo dogmático de teatro.

A essas características soma-se a trajetória da Kiwi Companhia de Teatro, um grupo que, simultaneamente, faz e pensa o teatro com o objetivo de contribuir para a construção de um pensamento crítico sobre a sociedade brasileira. Com essa síntese de proposições incisivas da Companhia e a poética radical de Edward Bond, aliada ao olhar atento sobre a violência de nossos dias, a Kiwi estreia Material Bond.

A fome de justiça nos faz humanos, a justiça é o reverso de todas as leis.”

Concepção de montagem

Essa nova montagem da Kiwi é o cruzamento entre teatro, performance, intervenção e show. Material Bond radicaliza, de certa forma, as sugestões do próprio Edward Bond, que mais de uma vez afirmou a necessidade de encontrar novas formas para compreender a sociedade atual. À radicalidade da injustiça e da desumanidade (motes reincidentes na obra do autor) precisa corresponder uma radicalidade estética, dramatúrgica e cênica.

No espetáculo, há o uso abundante de material não-dramático, da hibridização de linguagens e espaços (boa parte das cenas se passa num tablado instalado na plateia), e há também o jogo com o público através de uma intervenção inédita sobre a atualidade. A peça utiliza projeções que trazem diretamente a realidade brasileira para a cena, como a brutalidade da ação policial e a criminalização dos movimentos sociais.

Intervenções narrativas e poéticas, e execuções musicais (gravadas e ao vivo, conduzidas pelo músico multi-instrumentista Eduardo Contrera), mais a articulação de binômios, muito presentes na obra do autor (cômico e trágico, rápido e lento, solene e trivial), resulta em um trabalho cênico que expõe conflitos capazes de revelar, para além da superfície das coisas, conexões de causa e efeito sobre aspectos da vida social brasileira.

O modo encontrado pela Kiwi para lidar com esta radicalidade de conteúdos e formas foi partir de uma série de poemas, letras de canções e pequenas histórias (que o autor também chama de fábulas) de Edward Bond em uma intervenção teatral com roteiro inédito e clara mente inspirado no teatro documentário.

Edward Bond

Descontente com o ambiente teatral de sua época, Bond se afastou, depois do início de seu percurso no Royal Court, de parte do establishment artístico, chegando a proibir a apresentação de suas peças em importantes instituições culturais britânicas. Sua trajetória tem sido marcada pela recusa dos esquemas do teatro comercial, mas também pela distância de um tipo reducionista de teatro.

Edward Bond é um prolífico e brilhante comentador de suas próprias peças, publicando prefácios, introduções, comentários, escrevendo cartas a diretores interessados em sua obra e densos ensaios sobre a relação entre teatro e sociedade. Além desta importante produção teórica, escreveu roteiros cinematográficos, libretos de ópera, fábulas, poemas e letras de canções.

Além da qualidade poética das obras de Bond, sua contribuição também é inegável no campo da experimentação formal, desenvolvendo – tanto na escrita, como teoricamente – técnicas para uma dramaturgia em sintonia com o mundo atual.

Atualmente Bond encontra prazer em trabalhar com grupos jovens, como o Big Brum ou Dundee Rep’s Youth Theatre. Na entrevista concedida ao jornalista Mark Lawson, do jornal britânico The Guardian, Bond revela a preferência por esse tipo de escrita. Aos 83 anos, o dramaturgo britânico ainda revela “(…) eu sinto que apenas comecei a entender as possibilidades do drama. Tudo o que posso fazer é escrever as peças da melhor forma possível e reescrever a realidade como eu a vejo”.

Ficha Técnica
Direção e roteiro: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo (atriz) e Eduardo Contrera (músico)
Vídeo: Luiz Gustavo Cruz
Cenografia: Julio Dojcsar
Iluminação: Clébio Souza (Dedê)
Figurino: Madalena Machado
Confecção de marionete: Celso Ohi
Áudio inicial: Michael Moran
Produção e operações: Luiz Nunes e Daniela Embón
Realização: Kiwi Companhia de Teatro
Crédito das fotos: Divulgação
Link para o teaser: https://www.youtube.com/watch? v=ZwLdm-86R3Y

Serviço
Oficina Cultural Oswald de Andrade – Anexo
Endereço – Rua Três Rios, 363, São Paulo, SP, Brasil CEP 01123-001 – próximo ao metro Tiradentes ( linha 1 – azul )
Telefone – 3221-4704 / Reservas: 987067471 ou 976181690
Temporada de 2 a 25 de março de 2017
Quintas e sextas às 20h, sábados às 18h
Gênero: teatro documentário
Duração: 80 mim
Ingressos gratuitos, a distribuição começa uma antes da apresentação
Classificação etária: 14 anos

Informações à imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 011 2914 0770 | Celular: 011 9 9126 0425
Email: canal.aberto@uol.com.br | www.canalaberto.com.br

Por Daniele Valério