Monsters Of Rock (26.04.2015)

Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara
Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara

Assim como no dia anterior, o segundo dia do Monsters Of Rock apresentou calor imenso e o que há mais de tradicional em festivais, as lamentáveis filas. Contudo, não choveu. E a primeira banda a se apresentar na Arena Anhembi foi o Dr. Pheabes que tocou cerca de seis músicas pra dar uma agitada na galera.

Já o Steel Panther fez uma apresentação digna. Embora o concerto tenha começado com 15 minutos de atraso, a banda tocou sete músicas e dialogou bastante com a plateia. Com um estilo de humor que lembra o Massacration, a banda brincou com o público, falou besteiras e pediu para que as garotas mostrassem os seios e foram atendidos por algumas “minas com atitude”. Fizeram um hard rock que não comprometeu e agradaram até os mais “caretas”. Os temas dos caras basicamente são voltados ao sexo, como em “Asian Hooker“, que fala a respeito de transar com uma asiática, ou, ainda “17 Girls In a Row“, que descreve como se pratica sexo com 17 mulheres na noite passada.

Com cerca de 30 minutos de atraso, o show do sueco Yngwie Malmsteen ficou marcado pelo virtuosismo e malabarismo de guitarra. Além disso, a performance ficou prejudicada no início por alguns problemas técnicos, mas conseguiu resolver. Malmsteen, com o seu visual glam, fazia caretas, jogava a guitarra, a girava pelo corpo, solava com os dentes, enfim, fazia de tudo. Os pontos altos da sua apresentação foram quando tocaram “Purple Haze”, de Jimi Hendrix, e o clássico “Alone In Paradise”.

O Unisonic fez um show impecável. Capitaneados pela dupla Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra), ambos ex-Helloween, o grupo de power metal fez o público cantar, se emocionar com os solos e se entreterem com o carisma de Kiske. Com profissionalismo, o Unisonic fez tudo aquilo que se exige de um show de power metal: virtuosismo, vocais agudos e poses. E Kiske ainda passou a bola para Hansen, em “Star Rider”. E os caras levaram o público abaixo quando tocaram dois temas do Helloween: “March Of Time” e “I Want You”, que foram sucedidos no final pela faixa que dá nome à banda.

E quando a noite vinha chegando, o Accept comandou as ações no palco. Com riffs pesados e um desempenho excelente do guitarrista Wolf Hoffmann, os alemães desfilaram seus clássicos que agradaram o público em cheio. Enquanto o vocalista Mark Tornillo, cujo estilo é uma mescla de seu antecessor Udo Dirkschneider e Brian Johnson, do AC/DC, conduziu muito bem o show e não fez feio ao cantarolar os sucessos da banda. Destaques para o hino “Metal Heart” e, claro, “Balls To The Wall”, faixa-título do álbum de 1983 e o maior hit da banda.

Os “manowarriors” foram ao delírio quando chegou a vez dos, para eles, “Reis do Metal”. Ultrajados como guerreiros, o Manowar entrou no palco e tocou os seus clássicos em um volume absolutamente alto, inclusive com direito as cordas falharem em algumas ocasiões e que eram abafadas pela potência vocal de Eric Adams. E entre uma música e outra que falavam em “kill”, os súditos do Manowar faziam o tradicional gesto característico da “seita”: braços erguidos com uma mão segurando o punho do outro braço. Um dos pilares da apresentação da banda norte-americana foi durante a instrumental “Fallen Brothers” que, enquanto era executada, aparecia imagens de nomes que eram ligados direta ou indiretamente ao Manowar, entre eles Ronnie James Dio, Orson Welles (cineasta que participou em duas músicas do grupo narrando áudios) e Scott Columbus (ex-baterista do Manowar). E, após o solo de Karl Logan, Joey DeMaio conversou em português com o público, desejou melhoras a Lemmy Kilmister e disse, entre outras coisas, que “quem não gosta de Heavy Metal, do Brasil, do Manowar e dos fãs de Manowar nós dizemos o quê? Vai se f*der!”. E vale destacar que Robertinho do Recife fez uma participação especial nas guitarras. Nos momentos finais do show, o hit “Battle Hymns” fez o público agitar, especialmente quando as palavras “kill” e “victory” apareciam no telão. Para encerrar, DeMaio arrancou as cordas de seu baixo e as entregou para as fãs enquanto as convidava para transar com elas.

O show do Judas Priest, que veio na sequência, foi praticamente o mesmo da noite anterior, porém, mais curto. Talvez que, por isso, parte do público não parecia muito empolgada por ter visto a banda no dia anterior. A diferença é que os Metal Gods tocaram três músicas a menos. Mas os clássicos estavam lá: “Metal Gods”, “Breaking The Law”, “Hell Bent For Leather”, que foi a deixa para Rob Halford entrar de motocicleta no palco, “Turbo Lover”, “Painkiller” e o encerramento apoteótico com “Living After Midnight”.

E, com cerca de 50 minutos de atraso, enquanto rolava “Rock And Roll”, do Led Zeppelin ecoava pelo Anhembi, à 12h15, aquela famosa voz de apresentação que termina com “the hottest band the world… KISS” para, em seguida, cair a cortina preta com o logo prateado da banda e um festival de fogos, explosões, pirotecnia, luzes e cores, que continuaram durante a performance do Kiss. E a abertura foi com a ‘classuda’ “Detroit Rock City”. Na sequência, Paul Stanley (voz e guitarra), Gene Simmons (voz e baixo), Tommy Thayer (guitarra e backing vocal) e Eric Singer (bateria e backing vocal) comandaram a festa. Apesar da manjada apresentação, o Kiss surpreendeu os fãs ao colocar “Parasite” no setlist. De resto, foi clássico atrás de clássico. A lamentar apenas a situação vocal de Paul Stanley que estava aquém do esperado. O carismático vocalista conversou bastante com a plateia e disse algumas frases em português como “Vocês são demais!”. E o show teve o tradicional cuspe de fogo de Gene após “War Machine”, o baixista ainda cuspiu sangue e foi alçado até o ponto mais alto do palco para tocar “God Of Thunder” e ainda o público conferiu Paul Stanley se direcionando via tirolesa até o meio da arena, onde cantou “Love Gun” e os primeiros versos de “Black Diamond”, que foi cantarolada por Eric Singer. Quanto aos clássicos, além das citadas neste parágrafo teve “Creatures Of The Night”, “I Love It Loud”, “Calling Dr. Love”, “Deuce”, entre outros, além de “Hell Or Hallelujah”, do álbum “Monster”, e potencial clássico. Na volta para o bis, três músicas: “Shout It Out Loud”, “I Was Made For Lovin’ You” e “Rock And Roll All Nite”, onde rolou a habitual chuva de papel picado. Depois do show, o público se dispersou pela arena ao som de “God Gave Rock And Roll To You II”, que saía das caixas de som. Um final de festival apoteótico.

Enfim, a edição 2015 do Monsters Of Rock foi de bom para excelente. Assim como qualquer festival teve seus altos e baixos que aqui pretendo resumir. De positivo, foi a estrutura que melhorou bastante, teve área de merchandising, área gourmet e o cast só não foi perfeito porque, no sábado, o Black Viel Brides foi escalado no momento errado. Talvez se a banda fosse tocar no domingo, não teria todo o transtorno que ocorreu. Os pontos negativos foram os atrasos da maioria das bandas e os preços salgados de algumas coisas, como a cerveja que estava R$ 9,00, o copo, e R$ 12,00 em um cachorro quente, por exemplo. Mas, no final, o saldo foi mais positivo e do que negativo.

A seguir, o setlist das bandas que tocaram no segundo dia do MOF (exceto do Yngwie Malmsteen).

DOCTOR PHEABES:
1. Seventy Dogs
2. Where Do You Come From?
3. Godzilla
4. Sound
5. Suzy
6. Seventy Dogs

STEEL PANTHER:
1. Pussywhipped
2. Party Like Tomorrow Is the End of the World
3. Asian Hooker
4. Eyes of a Panther
5. 17 Girls in a Row
6. Community Property
7. Party All Day (Fuck All Night)
8. Death to All but Metal

UNISONIC:
1. Venite 2.0
2. For the Kingdom
3. Exceptional
4. Star Rider
5. Your Time Has Come
6. When the Deed Is Done
7. King for a Day
8. Throne of the Dawn
9. March of Time
10. I Want Out
11. Unisonic

ACCEPT:
1. Stampede
2. Stalingrad
3. London Leatherboys
4. Restless and Wild
5. Final Journey
6. Princess of the Dawn
7. Pandemic
8. Fast as a Shark
9. Metal Heart
10. Teutonic Terror
11. Balls to the Wall

MANOWAR:
1. Manowar
2. Metal Daze
3. Kill With Power
4. Sign of the Hammer
5. The Dawn of Battle
6. Bass Solo / Sting of the Bumblebee
7. Fallen Brothers / Karl’s Solo
8. Warriors of the World United
9. Kings of Metal
10. Hail and Kill
11. The Power
12. Battle Hymn
13. Black Wind, Fire and Steel
14. The Crown and The Ring
15. The Crown and the Ring (Lament of the Kings)

JUDAS PRIEST:
Battle Cry (Intro)
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim of Changes
5. Halls of Valhalla
6. Turbo Lover
7. Redeemer of Souls
8. Jawbreaker
9. Breaking the Law
10. Hell Bent for Leather
Bis:
11. The Hellion
12. Electric Eye
13. Painkiller
14. Living After Midnight

KISS:
1. Detroit Rock City
2. Creatures of the Night
3. Psycho Circus
4. I Love It Loud
5. War Machine
6. Do You Love Me
7. Deuce
8. Hell or Hallelujah
9. Calling Dr. Love
10. Lick It Up
11. Bass Solo
12. God of Thunder
13. Parasite
14. Love Gun
15. Black Diamond
Bis:
16. Shout It Out Loud
17. I Was Made for Lovin’ You
18. Rock and Roll All Nite

Por Jorge Almeida

Monsters Of Rock (25.04.2015)

Ozzy Osbourne: headline do primeiro dia do Monsters Of Rock. Foto: Junior Lago/UOL
Ozzy Osbourne: headline do primeiro dia do Monsters Of Rock. Foto: Junior Lago/UOL

O primeiro dia da edição 2015 do Monsters Of Rock que começou hoje em São Paulo já teve de tudo: vaias, show cancelado, filas quilométricas, etc. Mas valeu a pena para quem estava disposto para ver as duas principais atrações do primeiro dia do festival: Judas Priest e Ozzy Osbourne. Os bangers ficaram frustrados pelo cancelamento do show do Motörhead, uma das atrações mais aguardadas do dia.

Os portões da Arena Anhembi abriram por volta das dez horas. A primeira atração do dia foi o De la Tierra, único representante latino-americano (antes da apresentação improvisada do Sepultura com o Motörhead). Pontualmente, ao meio-dia, sob um Sol forte, a banda apresentou sete temas, sendo que um deles foi “Polícia”, dos Titãs, puxado por Andreas Kisser, para delírio dos presentes.

Em seguida, foi a vez dos alemães do Primal Fear entrar em ação. Com 20 anos de estrada, a banda subiu ao palco às 13h e animou o público em uma apresentação de um pouco mais de 40 minutos. Essa foi a primeira vez que Aquiles Priester se apresentou com a banda em solo brasileiro, o baterista sulafricano radicado no Brasil foi ovacionado pela plateia.

Na sequência, adentrou ao palco do Monsters Of Rock, a banda de New Metal, Coal Chamber. Apesar do empenho, as guitarras industriais e o estilo do grupo não ganharam grande notoriedade do público porque ao longo de sua apresentação, a galera ainda estava a adentrar na arena e também cuidando de outros afazeres, como ir se alimentar e fazer as suas necessidades, e também buscar o melhor lugar para se acomodar pra ver as principais atrações. Para falar que o grupo não passou despercebido, teve uma tímida roda de pogo mais próxima do palco.

O show do Rival Sons ficou caracterizado pela sonoridade que remetia aos anos 1970 e pelo esforço que os californianos fizeram para conquistar o público “sedento” pelos pesos-pesados que se apresentariam mais tarde. Aos poucos, os caras foram conseguindo conduzir o show sem problemas, destaque para os virtuosismos da dupla Buchanan (vocalista) e Scott Holiday (guitarrista).

O sol estava baixando quando o pessoal do Black Viel Brides chegou para se apresentar. Com um visual mostra a nítida influência ao glam metal (com aparência que lembra o Motley Crüe), a banda recebeu uma sonora vaia dos bangers que esperavam pelos “medalhões”. Enquanto eram xingados, vaiados e recebiam os gritos pelo Motörhead, a banda que mistura hard rock com hardcore tocou seis músicas e o vocalista Andy Biersack que, apesar de incomodado com a situação, se diz feliz por estar ali e que, assim como àqueles que o vaiaram, disse gostar de Motörhead.

Depois da situação emblemática com o Black Viel Brides, os súditos de Lemmy Kilmister receberam um banho de água fria com a informação que chegou às vésperas do Motörhead subir ao palco. Por conta de um problema gástrico que o vocalista sofreu no hotel na sexta-feira (24), o show do Motörhead foi cancelado. Então, para preencher a lacuna, os demais integrantes da banda – o baterista Mikkey Dee e o guitarrista Phil Campbell – juntamente com a organização do festival contornaram a situação: convidaram o Sepultura para uma jam. Assim, o “Sepulhead” se apresentou e tocaram apenas três músicas do Power trio: “Orgamastron”, “Ace Of Spades” e “Overkill”, para aumentar ainda mais a frustração dos que estavam ali para ver Lemmy. Então, para compensar, o setlist do Judas Priest foi ampliado.

Após a baixa do dia, o Judas Priest entrou em ação e fez uma apresentação excelente. O show começou com “Dragonault”, do mais recente trabalho do quinteto de Birmingham (“Redeemer Of Souls”) seguida de uma avalanche de clássicos dos Metal Gods. Claro que os pontos altos ficaram por conta de “Breaking The Law”, “Hell Bent For The Leather”, com a tradicional entrada do vocalista com uma motocicleta, e “Painkiller”, no bis. No auge de seus 63 anos, Rob Halford esbanjou energia e uma voz bem conservada, é só conferir os agudos e os graves quase guturais que ele dava ao longo do espetáculo. O show do Judas Priest teve três músicas a mais no set. Na opinião deste que vos escreve, só faltou tocarem “Freewheel Burning” para ser a “cereja do bolo”. Mas foi um tremendo show.

Finalmente, depois de ter acontecido quase de tudo no primeiro dia do MOR, o festival chegou ao seu ápice às 22h28 quando o headline da noite deu as caras. Sim, ele, Ozzy Osbourne cativou o público e fez do palco o seu “playground”. Ali, o Madman pulava, fazia careta, molhava a plateia com uma espécie de metralhadora de espuma. Enquanto isso, a banda que o acompanhava formada pelos competentes: Gus G (guitarra), Blasko (baixo), Adam Wakeman (teclados – sim, o filho “do homem”, o lendário Rick Wakeman) e Tommy Clufetos (bateria e que esteve com o Madman em 2013 quando veio com o Black Sabbath durante a turnê de “13”), mandavam bala nos clássicos desse ícone.

O show de Ozzy Osbourne começou com uma trinca de hits de sua carreira solo: “Bark At The Moon”, “Mr. Crowley” e “I Don’t Know”. Posteriormente veio a primeira “sabática” do show, “Fairies Wear Boots”. Na sequência, mais dois sucessos do Madman – “Suicide Solution” e “Road To Nowhere”, seguida de “War Pigs”, do Black Sabbath, “Shot In The Dark”. A banda de Ozzy aproveitou para tocar a instrumental “Rat Salad”, do Black Sabbath, para inserir na execução os solos de guitarra e bateria. Na volta do vocalista, outro clássico da banda de Birmingham: “Iron Man”. Após isso, o concerto foi finalizado com “I Don’t Want The Change The World” e “Crazy Train”. Ozzy saiu para o bis e, na volta, cantou “Paranoid” e só, para a frustração de alguns fãs que esperaram que o vocalista cantasse “No More Tears” ou ainda “Mama, I’m Coming Home”, o que não aconteceu. Enquanto as PA’s ecoava pelo espaço a versão insossa de “Changes”, sucesso do Sabbath, na versão que o Madman fez com a sua filha Kelly, o público foi deixando a arena com sentimentos que mesclavam satisfação pelo que viu de Judas Priest e Ozzy Osbourne e frustração por ter perdido a oportunidade de ver Lemmy Kilmister.

Abaixo, o setlist das apresentações das bandas que tocaram no primeiro dia do Monsters Of Rock 2015.

DE LA TIERRA:
1. D.L.T. (intro)
2. Somos uno
3. Maldita historia
4. Polícia
5. San Asesino
6. Detonar
7. El Chamán de Manaus
8. Cosmonauta Quechua

PRIMAL FEAR:
1. Introduction
2. Final Embrace
3. Nuclear Fire
4. Unbreakable Pt. 2
5. When Death Comes Knocking
6. Angel In Black
7. Chainbreaker
8. Metal Is Forever
9. Running in the Dust

COAL CHAMBER:
1. Loco
2. Big Truck
3. I.O.U. Nothing
4. Fiend
5. Rowboat
6. Something Told Me
7. Clock
8. Drove
9. Not Living
10. Dark Days
11. I
12. Rivals
13. No Home
14. Oddity

RIVAL SONS:
1. Electric Man
2. Play the Fool
3. Secret
4. Pressure and Time
5. Torture
6. Tell Me Something
7. Where I’ve Been
8. Get What’s Coming
9. Open My Eyes
10. Keep On Swinging

BLACK VEIL BRIDES:
1. Heart of Fire
2. I Am Bulletproof
3. Wretched and Divine
4. Knives and Pens
5. Overture
6. Shadows Die

JUDAS PRIEST:
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim of Changes
5. Halls of Valhalla
6. Love Bites
7. Turbo Lover
8. Redeemer of Souls
9. Jawbreaker
10. Breaking the Law
11. Hell Bent for Leather
Bis 1:
12. The Hellion
13. Electric Eye
14. You’ve Got Another Thing Comin’
15. Painkiller
Bis 2:
16. Living After Midnight

OZZY OSBOURNE:
1. Bark at the Moon
2. Mr. Crowley
3. I Don’t Know
4. Fairies Wear Boots
5. Suicide Solution
6. Road to Nowhere
7. War Pigs
8. Shot in the Dark
9. Rat Salad with guitar & drum solo
10. Iron Man
11. I Don’t Want to Change the World
12. Crazy Train
Bis:
13. Paranoid

Por Jorge Almeida

Judas Priest: 10 anos de “Angel Of Retribution”

"Angel Of Retribution": álbum do Judas Priest que marca a volta de Rob Halford nos vocais dos Metal Gods
“Angel Of Retribution”: álbum do Judas Priest que marca a volta de Rob Halford nos vocais dos Metal Gods

Então, já que estamos às vésperas de mais uma edição do Monsters Of Rock, que tal lembrarmos dos dez anos de um grande disco que foi lançado por uma das principais atrações do festival? Me refiro ao álbum “Angel Of Retribution”, do Judas Priest, que no último dia 1º de março, completou uma década de vida, pelo menos a versão norte-americana, uma vez que a edição japonesa (sempre eles) saíra um pouco antes – em 23 de fevereiro de 2005 – enquanto a europeia saiu cinco dias depois dos nipônicos. O play ficou marcado pela volta de Rob Halford aos vocais da banda, após quase 15 anos de ausência.

Cerca de dois ou três anos antes do lançamento do disco, houve muitas especulações sobre o retorno de Halford aos Metal Gods. No entanto, em uma carta enviada à imprensa em julho de 2003, o boato virou fato: Rob Halford estava de volta ao Judas Priest e, para celebrar o seu retorno, a banda realizou uma pequena turnê. Após a oficialização dessa volta, Tim Owens deu declarações na mídia agradecendo pelo tempo que passou no Judas Priest e, de forma amigável, saiu para a volta do ídolo. Depois do Priest, ele seguiu no Iced Earth, montou a sua própria banda, o Beyond Fear, além de ter participado de vários projetos, inclusive o Dio Disciples.

Em junho de 2004, o grupo iniciou uma turnê intitulada como “Reunited Summer Tour”, que foi composta por 15 apresentações pela Europa, incluindo alguns festivais como o Gods Of Metal, da Itália, e o belga Graspop Metal Meeting, além de ter sido um dos headlines do cast do Ozzfest, realizado entre julho e setembro, nos Estados Unidos.

Então, depois da série de shows para celebrar a volta do vocalista, o Judas ficou entre outubro e dezembro de 2004 nos estúdios Old Smithy, em Worcestershire, na Inglaterra, e no Sound City, na Califórnia (EUA) para gravar o primeiro álbum de estúdio da banda de Birmingham com os vocais de Rob Halford desde “Painkillier” (1990).

Uma semana após o lançamento oficial do disco na Europa, teve início a “Retribution World Tour” que, ao longo de 2005, levou o grupo a vários países pelo mundo afora, incluindo os países bálticos, fato até então inédito na carreira dos caras.

Em 18 de maio de 2005 foi gravado o DVD “Rising In The East”, no Nippon Budokan, em Tóquio. O material foi lançado em 8 de novembro do mesmo ano pela Rhino Records que, pouco tempo depois, recebeu certificado de ouro nos Estados Unidos, com mais de 50 mil cópias vendidas.

Co-produzido com Roy Z, “Angel Of Retribution” estreou na 13ª posição na Billboard, colocação bem superior em relação aos últimos trabalhos (“Demolition” ficou em 165º lugar, enquanto “Jugulator” ocupou o 82º posto) e chegou ao topo das paradas na Grécia.

Curiosamente, no play, as referências líricas de alguns temas mencionam expressões, inclusive títulos, de músicas de trabalhos anteriores do Priest. Exemplos: em “Demonizer”, há referências tanto para “The Hellion” (de “Screaming For Vengeance”) quanto “Painkiller”, do álbum homônimo; enquanto isso, “Hellrider” menciona a faixa-título de “Ram It Down” e também “Tyrant”, tema de “Sad Wings Of Destiny”; já em “Eulogy” são citados “Stained Class” e “The Sentinel”, faixas dos álbuns “Stained Class” e “Defenders Of The Faith”, respectivamente; e a autobiográfica “Deal With The Devil” cita três músicas da banda: “Blood Red Skies”, de “Ram It Down”, “Take On The World” (de “Hell Bent For Leather/Killing Machine”) e “Beyond The Realms Of Death” (de “Stained Class”).

O álbum abre com “Judas Rising”, que traz um riff matador e letra que fala de um anjo que mergulhou no inferno e renasceu para ter uma nova vida. Na sequência, surge a já citada autobiográfica “Deal With The Devil”, que é considerada mais forte do trabalho, e aborda, resumidamente, os 30 anos de carreira da banda e também da evolução do Heavy Metal. O produtor Roy Z é um dos co-autores. O terceiro tema, “Revolution”, foi escolhida para ser o primeiro single do álbum. No entanto, ela soa “diferente” em relação às demais, remete ao Hard Rock dos anos 1980, não tem nada de extraordinário. Posteriormente, vem a ótima “Worth Fighting For”, uma grande balada que fala de algo que você ama e acredita. Para este que vos escreve, é a melhor música do disco. E “Angel Of Retribution” chega a sua metade com “Demonizer”, que faz referência a antigos clássicos e com pegada que lembra “Painkiller”.

A sexta faixa é “Wheels Of Fire”, que embora seja tão pesada quanto a anterior, não teve o mesmo destaque. É daquelas músicas que, daqui a alguns anos, será tratada como “lado B” da vasta carreira discográfica da banda. Não é à toa que nunca fez parte do setlist do Judas Priest. Já “Angel”, outra balada, tem uma letra maravilhosa e um pomposo trabalho de guitarra de Glenn Tipton, tanto na base quanto no solo. Já a pesada “Hellrider” cita várias metáforas em relação à história da banda. Enquanto isso, “Eulogy“, a menor faixa do disco com um pouco mais de dois minutos, conta o recomeço da história do anjo Judas. E, finalmente, “Lochness“, que fala do monstro do lago Ness, na Escócia, em um pouco mais de 12 minutos entre momentos pesados e calmos. Tem uma pegada que lembra os conterrâneos do Black Sabbath.

A capa do álbum resgata o passado do grupo, mais especificamente “Sad Wings Of Destiny”, que mostrava um anjo no inferno em volta de lavas. O conceito com “Angel Of Retribution” é de que ele ressurgiu como um ser metálico como um messias que quer salvar a humanidade através do Heavy Metal. Embora essa ideia fora abordada anteriormente em músicas como “Painkiller” (1990) e “Exciter” (1978).

O disco foi lançado em três formatos: CD e DVD, DualDisc – ambos importados – e CD simples que, aqui no Brasil, levou o adjetivo ao pé da letra. Sim, a versão nacional do trabalho veio em uma caixinha normal e um encarte básico. Enquanto isso, embora seja o dobro, a versão que traz o DVD como bônus vale a pena. Pois, além das dez faixas do CD, o material extra traz sete clássicos tocados ao vivo em um show realizado na Espanha em 2004 (embora as músicas foram tocadas fora da ordem e não foram editadas para formarem um filme só), além de um documentário intitulado “Reunited”, que apresenta entrevistas e detalhes da gravação do novo disco. Já o DualDisc traz apenas o documentário como extra e não é possível de tocar na maioria dos aparelhos de CDs dos veículos.

Por ter uma excelente produção, em especial aos sons das guitarras, “Angel Of Retribution” é uma ótima pedida e que casou perfeitamente com a volta triunfal de uma das mais clássicas formações da história do Heavy Metal. Obrigatório.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Angel Of Retribution
Intérprete: Judas Priest
Lançamento: 23/02/2005 (Japão); 28/02/2005 (Europa); 1º/03/2005 (EUA e internacional)
Gravadora: Epic
Produtores: Roy Z e Judas Priest

Rob Halford: voz
Glenn Tipton: guitarra
K. K. Downing: guitarra
Ian Hill: baixo
Scott Travis: bateria

Don Airey: teclados

1. Judas Rising (Halford / Downing / Tipton)
2. Deal With The Devil (Halford / Downing / Tipton / Roy Z)
3. Revolution (Halford / Downing / Tipton)
4. Worth Fighting For (Halford / Downing / Tipton)
5. Demonizer (Halford / Downing / Tipton)
6. Wheels Of Fire (Halford / Downing / Tipton)
7. Angel (Halford / Downing / Tipton)
8. Hellrider (Halford / Downing / Tipton)
9. Eulogy (Halford / Downing / Tipton)
10. Lochness (Halford / Downing / Tipton)

Por Jorge Almeida

Os 35 anos do primeiro “live” do Judas Priest

"Unleashed In The East": o primeiro "live" do Judas Priest
“Unleashed In The East”: o primeiro “live” do Judas Priest

Em 17 de setembro de 1979, há exatos 35 anos, o Judas Priest lançara “Unleashed In The East”, o seu primeiro álbum ao vivo. Gravado entre os dias 10 e 15 de fevereiro no Kosei Nenkin Hall e no Nakano Sun Plaza, ambos em Tóquio, no Japão, durante a “Hell Bent Of Leather Tour”, o registro marca a estreia de Tom Allom na produção junto com a banda. Aliás, ele passou a produzir todos os trabalhos dos Metal Gods até “Ram It Down”, de 1988.

Apesar de ter sido o álbum mais vendido da banda até aquele momento, só nos Estados Unidos, por exemplo, o play ultrassara a marca de um milhão de cópias vendidas, o que marcou a entrada de um trabalho da banda no top 100 no território ianque, e no Reino Unido chegou ao top 10, boa parte do material captado nas apresentações na Terra do Sol Nascente precisou ter os vocais refeitos em estúdio (os famosos “overdubs”). Isso porque a voz de Rob Halford, na gravação original, estava quase inaudível. Por isso, o álbum é jocosamente é conhecido como “Unleashed In The Studio”.

Controvérsias à parte, o que não podemos negar é que “Unleashed In The East” é um tremendo disco. Pois seu tracklist é recheado de clássicos e só não teve mais por conta da limitação física, o que fez que outros hinos metálicos ficassem de fora, e inseridos posteriormente em relançamentos. E foi justamente nessa época que o Judas Priest passou a adotar a vestimenta de couro, que se tornou a marca registrada do grupo. Além disso, a line-up do grupo trazia Les Binks, considerado o melhor baterista a passar pelo Priest.

Aliás, além das seis datas no Japão, a turnê mundial começou em 13 de outubro de 1978, em Londres, e terminou em Nice, a 15 de dezembro de 1979.

Na época de seu lançamento, ou seja, em LP, o tracklist do play era composto por nove faixas. E os japoneses (sempre eles!) foram agraciados ainda com um EP bônus com mais quatro temas, que em 2001, no relançamento do disco em CD, foram convertidos em faixas bônus.

Bom, apesar dos “overdubs” utilizados na produção de “Unleashed In The East”, não podemos negar que o Judas Priest no palco, ao vivo, é imperdível e faz valer o ingresso. Isso é um fato tão atual quanto há 35 anos. Que os caras aportem por aqui para fazerem shows de divulgação do novo trabalho – “Redeemer Of Souls”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Unleashed In The East / Live In Japan
Intérprete: Judas Priest
Lançamento: 17 de setembro de 1979
Gravadora: Columbia
Produtores: Tom Allom e Judas Priest

Rob Halford: voz
K.K. Downing: guitarra
Glenn Tipton: guitarra
Ian Hill: baixo
Les Binks: bateria

1. Exciter (Halford / Tipton)
2. Running Wild (Tipton)
3. Sinner (Halford (Halford / Tipton)
4. The Ripper (Tipton)
5. The Green Manalishi (With The Two Pronged Crown) (Green)
6. Diamonds And Rust (Baez)
7. Victim Of Chances (Atkins / Halford / Downing / Tipton)
8. Genocide (Halford / Downing / Tipton)
9. Tyrant (Halford / Tipton)
EP bônus japonês / faixas bônus (relançamento em CD – 2001):
10. Rock Forever (Halford / Downing / Tipton)
11. Delivering The Gods (Halford / Downing / Tipton)
12. Hell Bent For Leather (Tipton)
13. Starbreaker (Halford / Downing / Tipton)

Por Jorge Almeida

Judas Priest: 40 anos de “Rocka Rolla”

"Rocka Rolla": o esquecido 'debut' do Judas Priest
“Rocka Rolla”: o esquecido ‘debut’ do Judas Priest

Ontem, 6 de setembro, marcou o 40º aniversário do lançamento do trabalho de estreia dos ingleses do Judas Priest. Estou me referindo a “Rocka Rolla”, que foi produzido por Rodger Bain, conhecido por produzir os três primeiros álbuns do Black Sabbath que, assim como o Priest, é da cidade de Birmingham.

Gravado entre junho e julho de 1974 nos estúdios ingleses Island, Trident e Olimpic, “Rocka Rolla” foi, de acordo com os músicos da banda, gravado “ao vivo” nos estúdios, ou seja, todos eles tocavam ao mesmo tempo ao invés do habitual processo de gravação onde cada um grava a sua parte e, no final, tudo é mixado. Segundo a banda, por conta de problemas técnicos no estúdio, o resultado do som saiu com má qualidade.

A história do Judas Priest pode ser considerada que começou em 1969 quando  Al Atkins (vocais), John Perry (guitarras), Bruno Stapenhill (baixo) e John Partridge (bateria) com o nome Al Atkins’ Judas Priest. O nome do grupo foi inspirado em uma música de Bob Dylan – “The Ballad Of Frank Lee And Judas Priest”. Ainda em 1969, Ernie Chataway entrou no lugar de Perry.

No entanto, entre junho e novembro de 1970, a banda ficou inativa. Mas, em outubro do mesmo ano Al Atkins reativou o grupo – mas só com o nome que permanece até hoje – com novos integrantes: K. K. Downing nas guitarras, Ian Hill no baixo e John Ellis na bateria. Então, como toda banda iniciante, as constantes saídas de integrantes fez parte do Judas Priest em seus primeiros anos. Pelo menos dessa vez, eles tinham uma base – Atkins/Downing/Hill.

Todavia, em 1973, Al Atkins deixou o grupo e, para seu lugar, Rob Halford foi recrutado, enquanto John Hinch substituiu John Ellis. A banda, então, aproveitou as composições de Atkins que ficaram boas na voz de Halford. Então, com a formação composta por Rob Halford (vocal), K.K. Downing e Glenn Tipton (guitarras), Ian Hill (baixo) e Alan Moore (bateria), o Judas gravou o seu ‘debut’. O grupo, durante alguns anos, não saiu do underground, mas conseguiu juntar uma legião de fãs e de bandas que copiavam o seu estilo. Aliás, a musicalidade do Priest mesclava a letra e o som pesado do Black Sabbath e à velocidade do Deep Purple. Além disso, eles foram os precursores da adoção de roupas de couro com adereços de metal cromado e correntes. Enfim, o Judas Priest inovou e foi um dos pioneiros do Heavy Metal moderno (ao lado do Motörhead) do que viria a ser o NWOBHM – New Wave Of British Heavy Metal.

Além de Rob Halford, no lugar de Atkins, o Judas Priest passou a ter mais um guitarrista, Glenn Tipton, que se juntou aos demais para a gravação de “Rocka Rolla”. Ele só colaborou na faixa-título, pois o produtor Rodger Bain vetou os temas propostos por Tipton, como “Tyrant”, “Epitaph” e “The Ripper”, que viriam a ser gravadas em trabalhos posteriores. E, após o lançamento do álbum, foi a vez de John Hinch abandonar a banda e ser substituído por Alan Moore.

O álbum teve vendagens decepcionantes, apenas “alguns milhares de cópias”. E, devido ao fracasso do disco, a banda encontrou sérias dificuldades financeiras, a tal ponto que nem eles saberiam quando fariam a próxima refeição. Tentaram entrar em acordo com a Gull Records para receber pelo menos 50 libras por semana, porém, a Gull também vinha de problemas financeiros e recusou a proposta.

O tracklist do disco é composto por faixas que tem fortes influências de Black Sabbath, do Deep Purple – como “One For The Road”, “Winter”, “Deep Freeze” e “Winter Retreat”, por exemplo -, algumas coisas com pitadas progressivas, como em “Dying To Meet You”. Enquanto isso, faixa como “Cheater”, aponta como indício do que viria ser o rumo que o grupo tomaria ao longo dos anos. E a faixa-título é uma “mistureba” de referências: de Deep Purple a Beatles da fase “Magical Mystery Tour”.

A capa leva a assinatura de John Pasche, que aproveitou o título do álbum para fazer um “trocadilho” e colocar uma tampa de refrigerante com a fonte característica da Coca-Cola.

Embora seja um bom disco de Hard Rock, “Rocka Rolla” não entrou no rol de clássicos dos Metal Gods cultuados pelos apreciadores de Heavy Metal. Isso se deve pela troca de gravadoras e também pelo fato dos caras, ao longo dos anos, deixarem de tocar temas do álbum ao longo dos anos, o que fez com que ele fosse mais apreciado por fanáticos. Mas é um disco bem interessante de se ouvir.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Rocka Rolla
Intérprete: Judas Priest
Lançamento: 6 de setembro de 1974
Gravadora: Gull Records
Produtor: Rodger Bain

Rob Halford: voz e gaita
K.K. Downing: guitarra
Glenn Tipton: guitarra e sintetizador
Ian Hill: baixo
John Hinch: bateria

  1. One For The Road (Halford / Downing)
  2. Rocka Rolla (Halford / Downing / Tipton)
  3. Winter (Atkin / Downing / Hill)
  4. Deep Freeze (Dowing)
  5. Winter Retreat (Halford / Downing)
  6. Cheater (Halford / Downing)
  7. Never Satisfied (Atkins / Downing)
  8. Run Of The Mill (Halford / Downing / Tipton)
  9. Dying To Meet You/Hero, Hero (Halford / Downing)
  10. Caviar And Meths (Atkins / Downing / Hill)

Por Jorge Almeida

Morre Ernie Chataway, co-fundador do Judas Priest

Ernie Chataway: tocou no Judas Priest entre setembro de 1969 e abril de 1970
Ernie Chataway: tocou no Judas Priest entre setembro de 1969 e abril de 1970

Morreu na última segunda-feira (12), Ernie Chataway, ex-guitarrista co-fundador do Judas Priest, aos 62 anos de idade. Ele vinha lutando contra um câncer de pulmão nos últimos anos. A notícia de seu falecimento foi anunciada pelo primeiro vocalista da banda, Al Atkins.

Chataway fez parte da primeira line-up do Judas Priest, entre setembro de 1969 e abril de 1970. A formação tinha ele nas guitarras, Bruno Stapenhill no baixo, John Partridge na bateria e Al Atkins nos vocais. Depois a formação foi desfeita, Atkins fez uma nova line-up da banda com Ian Hill (o único que segue até hoje no grupo) e KK Downing.

Depois do Priest, Ernie Chataway tocou em bandas como Earth, Bullion e Ricky Cool & The Icebergs.

Segundo o Blabbermouth, Al Altikns postou a seguinte homenagem a Chataway:

Acabei de ouvir a notícia muito triste de que Ernie faleceu ontem à noite. Ele era um adorável home, um grande guitarrista.

Eu lembro da primeira vez que nos encontramos nas audições para um novo guitarrista para o Judas Priest em 1969 – sua aparência me fez lembrar Marc Bolan (líder do T-Rex). Quando ligou sua guitarra, ele nos surpreendeu totalmente e fez KK Downing (futuro guitarrista do Judas e que havia feito o teste mais cedo) parecer um completo amador.

Estou completamente em estado de choque e tristeza, sinto a sua falta, meu velho amigo”.

Fonte: Blabbermouth.net

Judas Priest: 30 anos de “Defenders Of The Faith”

"Defenders Of The Faith": considerado por parte da crítica como uma espécie de "Screaming For The Vengeance II"
“Defenders Of The Faith”: considerado por parte da crítica como uma espécie de “Screaming For The Vengeance II”

O clássico “Defenders Of The Faith”, dos britânicos do Judas Priest completa 30 anos hoje, dia 4 de janeiro. Gravado entre setembro e novembro de 1983 no Ibiza Sound Studios, em Ibiza, Espanha, o mesmo estúdio utilizado na produção do trabalho anterior (“Screaming For The Vengeance”), e também no DB Recording Studios e no Bayshore Recording Studios, em Coconut Grove, em Miami, Flórida, o disco – o nono da discografia dos Metal Gods – também teve o mesmo produtor do álbum de 1982: Tom Allom.

A princípio, o lançamento em fita K7 e LP aconteceu em 4 de janeiro, mas a versão em CD ocorrera em julho de 1984 e, posteriormente, em maio de 2001, em uma edição remasterizada.

O álbum é caracterizado pelo som pesado, rápido, harmônico, pelo desempenho das ótimas guitarras da dupla Glenn Tipton e K. K. Downing e o vocal de Rob Halford que dispensa comentários. Na época, alguns críticos apelidaram “Defenders Of The Faith” de “Screaming For The Vengeance II” em função da semelhança sonora que o álbum tinha em relação ao trabalho anterior.

Mas, certamente, os pontos altos do play são “Love Bites”, “Freewheel Burning”, que ganharam videoclipes, e “Some Heads Are Gonna Roll”, que juntamente com as citadas anteriormente, foram lançadas como single.

O disco não imune às polêmicas por conta da emblemática faixa “Eat Me Alive”, que ficou em terceiro lugar da Parentes Music Resource Center (PMRC) na lista de canções ofensivas, uma vez que a faixa, supostamente, incentivava a prática do sexo oral na mira de uma arma. Em resposta às acusações, o Priest gravou a canção “Parental Guidance” no álbum “Turbo” (1986).

Além disso, o tema “Jawbreaker” foi regravado pelo Rage no single “Higher Than The Sky” (1996) e também no tributo “A Tribute To Judas Priest: Legends Of Metal” (1997) e no CD Bônus do DVD “Metal Meets Classic Alive” (2001) intitulado “All G.U.N. Bonustrack”.

Outra faixa que foi “coverizada”, mas pelo Machine Head, foi “The Sentinel”, que a regravou na edição “Deluxe” do álbum “Unto The Locust” (2011).

Na turnê do álbum, o Judas Priest tocou todas as músicas do disco ao vivo, exceto “Eat Me Alive”, que foi executada pela banda apenas na turnê de “Nostradamus” (2008), ocasião em que o grupo tocou diversas músicas que nunca haviam sido tocadas ao vivo antes. Isso fez com que “Defenders Of The Faith” fosse o segundo álbum do Priest a ter todas as músicas tocadas ao vivo – o primeiro foi “Rocka Rolla” (1974).

E foi nesta turnê que, em 13 de julho de 1985, que o Judas Priest, juntamente com diversos artistas, tocaram no Live Aid. Halford e sua trupe tocaram no JFK Stadium, na Filadélfia. Na ocasião, o curto setlist foi composto por “Living After Midnight”, “The Green Manalishi (With The Two-Pronged Crown)” e “You’ve Got Another Thing Comin’”.

Esse álbum certamente tem que ter o seu lugar especial na sua “CDteca”. E vê se não sai quebrando tudo assim que ouvir a primeira faixa. Mais que recomendado.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Defenders Of The Faith
Intérprete: Judas Priest
Lançamento: 4 de janeiro de 1984
Gravadora: Columbia
Produtor: Tom Allom

Rob Halford: voz
Glenn Tipton: guitarras
K. K. Downing: guitarras
Ian Hill: baixo
Dave Holland: bateria

1. Freewheel Burning (Halford / Downing / Tipton)
2. Jawbreaker (Halford / Downing / Tipton)
3. Rock Hard Ride Free (Halford / Downing / Tipton)
4. The Sentinel (Halford / Downing / Tipton)
5. Love Bites (Halford / Downing / Tipton)
6. Eat Me Alive (Halford / Downing / Tipton)
7. Some Heads Are Gonna Roll (Bob Halligan Jr.)
8. Night Comes Down (Halford / Downing / Tipton)
9. Heavy Duty (Halford / Downing / Tipton)
10. Defenders Of The Faith (Halford / Downing / Tipton)
Faixa bônus:
11. Turn On You Ligth (Halford / Downing / Tipton)

Por Jorge Almeida