Analisando “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, do Queen

"A Night At The Odeon - Hammersmith", do Queen, mais um "live" póstumo lançado na vasta discografia da Rainha
“A Night At The Odeon – Hammersmith”, do Queen, mais um “live” póstumo lançado na vasta discografia da Rainha

Há cerca de um ano, em novembro de 2015, foi lançado mais um álbum póstumo do Queen, o “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, um registro ao vivo que traz a performance da banda na véspera do Natal de 1975 no lendário Hammersmith Odeon e que fora transmitido e gravado simultaneamente pela BBC Radio 1 e BBC 2 Television. A apresentação inclui uma das primeiras performances ao vivo de “Bohemiam Rhapsody”, o eterno clássico da Rainha. O material já havia sido lançado anteriormente, porém, em formato de “bootlegs” sendo, inclusive, um dos mais conhecidos da banda.

A gravação ocorreu no dia 24 de dezembro durante a data final da turnê britânica do álbum “A Night At The Opera” (1975), que fora lançado algumas semanas antes e já tinha recebido disco de platina. O single “Bohemiam Rhapsody” estava no meio de suas nove semanas do posto número um das paradas britânicas. O grupo já havia feito quatro shows no Odeon anteriormente e recebera críticas positivas da imprensa, com algo do tipo, “eles são mais importantes do que qualquer outra banda que você ouviu”, como alertara um artigo da revista britânica Sounds. A apresentação do grupo foi feita por Bob Harris.

O concerto foi um dos mais marcantes na época para a banda porque, para Brian May, por exemplo, foi o primeiro feito completamente gravado para a TV. Além disso, para o evento, Freddie Mercury tocou com um piano Bechstein de cauda branco importado especialmente para o show.

E, devido à alta qualidade da gravação para a rádio e as filmagens da televisão para o espetáculo, o show tornou-se um dos ‘bootlegs’ mais popular do Queen. Algumas músicas foram lançadas em singles anos depois e não apareceram em álbuns ao vivo oficiais, como o “Live Killers” (1979) e “Live At Wembley ‘86” (1992).

Por conta da importância do evento, a banda não deixou esquecer os detalhes de suas peculiares indumentárias. Freddie Mercury, por exemplo, ostentou as suas famosas catsuits brancas e pretas, projetada por Wendy Desmet, e mudara os trajes ao longo do show, e sem contar que o vocalista pintara as unhas da mão esquerda de preto, enquanto Brian May pintou as suas de branco.

Embora o álbum que promoviam estivesse bem nas paradas, o setlist do Queen atraiu o público por conta das canções dos trabalhos anteriores que funcionavam bem no banco, incluindo um solo de Brian May no meio do show e o medley de clássicos do rock and roll. Aliás, o setlist mostrou todas as facetas da banda, como o hard rock ornamentado de “Keep Yourself Alive” e “Seven Seas Of Rhye” à grandeza barroca de “The March Of The Black Queen” e o peso de “Ogre Battle” e “Son And Daughter” e, quando tocaram o medley com sucessos de Elvis, Connie Francis, Gene Vincent e Shirley Bassey, já tinham o público de cinco mil pessoas na mão. Mas o ápice do show foi a dobradinha “Killer Queen” com o futuro clássico “Bohemiam Rhapsody”. Assim como já vinha acontecendo com os shows da banda, “God Save The Queen” é executada no encerramento da performance e aqui não foi diferente.

Quarenta anos após a lendária apresentação, o show foi remasterizado e restaurado em 8 de outubro de 2015, no Olympic Studios Cinema, em Barnes, Londres, onde algumas partes de “A Night At The Opera” fora gravado.

O disco foi lançado em diversos formatos: CD (simples), DVD, CD + DVD, Blu-ray, vinil duplo e um luxuoso box com uma caixa que traz um livro de capa dura, reproduções de recordações da excursão da banda feita no período e uma gravação de áudio da passagem de som do Queen para a apresentação. No material lançado em Blu-ray e DVD traz também, como bônus, três músicas tocadas pelo grupo em sua primeira turnê no Japão, em 1975, no Nippon Budokan, além de um documentário de 22 minutos com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris intitulado “Looking Back At The Odeon”. Contudo, nas versões em CD e LP, há três temas a mais porque as câmeras que gravavam o show foram desligadas antes de a banda voltar para o segundo bis e, por isso, não há registros em vídeos de “Seven Seas Of Rhye” e “See What A Fool I’ve Been”.

Infelizmente, para nós brasileiros, o material só fora lançado nos formatos CD e DVD. Pois, quem quiser o kit mais completo terá de desembolsar uma boa bagatela (em uma loja da Galeria do Rock, por exemplo, encontrei uma loja que vendia o kit a R$ 1.000,00!).

Mas o material, mesmo o básico – CD e DVD -, vale muito a pena adquirir, pois um show do Queen sempre será uma aula de música.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: A Night At The Odeon – Hammersmith
Intérprete: Queen
Lançamento: 20 de novembro de 2015
Gravadora: EMI / Virgin
Produtores: Justin Shirley-Smith, Josh Macrae e Kris Fredriksson
Preço médio: R$ 29,90 (CD) / R$ 39,90 (DVD)

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, backing vocal e ukelele em “Bring Back That Leroy Brown
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo, backing vocal e triângulo em “Killer Queen

CD:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. See What A Fool I’ve Been (May)
19. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

DVD/Blu-Ray:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)

DVD/Blu-Ray (extras):
Live In Japan ’75:
1. Now I’m Here (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
2. Killer Queen (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (live at the Budokan, em 1º/05/1975)
Looking Back At The Odeon (documentário com 22 minutos de duração com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris)

Por Jorge Almeida

Analisando “Live At The Rainbow ‘74”, do Queen

"Live At The Rainbow '74": traz apresentações incendiárias do Queen em 1974 no lendário Rainbow Theatre. Foto: divulgação
“Live At The Rainbow ’74”: traz apresentações incendiárias do Queen em 1974 no lendário Rainbow Theatre. Foto: divulgação

Aproveitando que recentemente postei um texto sobre os 40 anos do lançamento do álbum “Sheer Heart Attack”, do Queen, resolvi aproveitar e fazer um breve relato do mais novo trabalho lançado pela banda: o póstumo “Live At The Rainbow ‘74”, lançado no último dia 8 de setembro e está disponível em CD e DVD/BluRay.

O Queen tocou três shows com ingressos esgotados no lendário Rainbow Theatre, em Finsbury Park, no norte de Londres, em 1974. A primeira foi em março, durante a turnê de “Queen II”, e a banda voltou para mais duas noites em novembro, como parte da turnê de “Sheer Heart Attack”.

O ano de 1974 foi de grandes realizações para Freddie, Brian, Roger e John; bem como lançando dois álbuns, dos quais vieram seus dois hits singles – “Seven Seas of Rhye” e “Killer Queen” -, eles realizaram grandes turnês em todo o Reino Unido, Estados Unidos e Europa.

O Queen deslumbrou o público com um show inesquecível, entregue com uma habilidade e confiança que desmentia sua juventude.

O CD 1 apresenta 17 faixas que foram executadas em março de 1974. Apesar de, na ocasião, serem uma banda emergente, o Queen mostrou-se um perfeito entrosamento ao longo da apresentação, como podemos notar em alguns temas, como em “The Fairy Feller’s Master-Stroke” e “Seven Seas Of Rhye” e também toda a sua desenvoltura em músicas como “White Queen (As It Began)”, “Great King Rat” e o blues de “See What A Fool I’ve Been”, que fecha o álbum. Mas certamente os pontos altos são a enérgica “Keep Yourself Alive”, “Son And Daughter” (Brian May detona no riff dessa música) e o medley de covers de rock dos anos 1950 – “Jailhouse Rock”, “Stupid Cupid” e “Be Bop A Lula”.

No segundo CD são tocadas 24 músicas e o Queen já era uma realidade, embora ainda não era tão grandioso como a gente conheceu, mas o fato é que os caras já deixaram de ser banda de abertura para os pesos-pesados da época. Além de alguns temas que também aparecem no CD 1, o material aqui traz faixas do, na época, trabalho mais recente: “Sheer Heart Attack”. Claro que músicas como “Killer Queen”, a atemporal “Now I’m Here”, “In The Lap Of The Gods”, a versão instrumental de “Bring Back That Leroy Brown” (com Brian May tocando ukelele), a pauleira “Stone Cold Crazy” e os covers “Big Spender” e “Jailhouse Rock” são os principais atrativos do play. E nessa época, a banda já utilizava “God Save The Queen” nos encerramentos de seus shows.

A versão em vídeo de “Live At The Rainbow ’74” traz apenas o conteúdo da apresentação de novembro e com quatro bônus da performance de março, pois não se sabe o motivo certo se não há a filmagem completa do show ou se a qualidade do material ficou muito afetada para ser lançada. Além disso, há ainda a versão em vinil com quatro discos e um box que traz alguns itens de memorabilia e que, certamente, custa uma “bagatela” fora da realidade de nós, brasileiros e devotos da Rainha.

Para os fãs da banda, o material veio em boa hora, uma vez que o Queen resolveu lançar algo que, tempos atrás, só era possível através de material “pirata”. Afinal, os seus “súditos” não podem depender apenas de relançamentos de “Live At Wembley ‘86” e da apresentação feita em 1981 no Canadá. Mas, convenhamos, já pensou se os caras oficializassem a participação da banda na primeira edição do Rock In Rio, com direito a indescritível entrevista que Freddie Mercury fez com a jornalista Glória Maria na época como material bônus?

Álbum: Live At The Rainbow ‘74
Intérprete: Queen
Gravadora: EMI Virgin / Hollywood
Produtores: Justin Shirley-Smith, Joshua J. Macrae e Kris Fredriksson
Preço médio: R$ 45,00 (CD) / R$ 45,00 (DVD)

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, backing vocal e ukelele em “Bring Back That Leroy Brown
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal e voz em “Modern Times Rock ‘N’ Roll
John Deacon: baixo, backing vocal e triângulo em “Killer Queen

CD 1 (gravado no Rainbow Theatre em março de 1974):
1. Procession (May)
2. Father To Son (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Son And Daguhter (May)
5. Guitar Solo (May)
6. Son And Daughter (Reprise) (May)
7. White Queen (As It Began) (May)
8. Great King Rat (Mercury)
9 .The Fairy Feller’s Master-Stroke (Mercury)
10. Keep Yourself Alive (May)
11. Drum Solo (Taylor)
12. Keep Yourself Alive (Reprise) (May)
13. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
14. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
15. Jailhouse Rock/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber)(Sedaka/Greenfield)(Vincent/Davis)
16. Liar (Mercury)
17. See What A Fool I’ve Been (May)

CD 2 (gravado no Rainbow Theatre em novembro de 1974):
1. Procession (May)
2. Now I’m Here (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Father To Son (May)
5. White Queen (As It Began) (May)
6. Flick Of The Wrist (Mercury)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Killer Queen (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
11. Son And Daughter (May)
12. Guitar Solo (May)
13. Son And Daughter (Reprise) (May)
14. Keep Yourself Alive (May)
15. Drum Solo (Taylor)
16. Keep Yourself Alive (May)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. Stone Cold Crazy (Queen)
19. Liar (Mercury)
20. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
21. Big Spender (Fields / Coleman)
22. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
23. Jailhouse Rock (Stoller / Leiber)
24. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

DVD:
1. Procession (May)
2. Now I’m Here (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Father To Son (May)
5. White Queen (As It Began) (May)
6. Flick Of The Wrist (Mercury)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Killer Queen (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
11. Son And Daughter (May)
12. Guitar Solo (May)
13. Son And Daughter (Reprise) (May)
14. Keep Yourself Alive (May)
15. Drum Solo (Taylor)
16. Keep Yourself Alive (May)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. Stone Cold Crazy (Queen)
19. Liar (Mercury)
20. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
21. Big Spender (Fields / Coleman)
22. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
23. Jailhouse Rock (Stoller / Leiber)
24. God Save The Queen (Trad. Arr. May)
Bônus – Queen II Tour – março ´74:
1. Son And Daughter (May)
2. Guitar Solo (May)
3. Son And Daughter (Reprise) (May)
4. Modern Times Rock ´N´ Roll (Taylor)

Por Jorge Almeida

Queen: 40 anos de “Sheer Heart Attack”

"Sheer Heart Attack": álbum responsável pela 'internacionalização' do Queen
“Sheer Heart Attack”: álbum responsável pela ‘internacionalização’ do Queen

Gravado entre julho e setembro de 1974 em quatro estúdios diferentes na Inglaterra e no País de Gales – Trident, Wessex, Rockfield e Ar -, o terceiro álbum do Queen, “Sheer Heart Attack”, foi lançado em 8 de novembro de 1974 e foi produzido pela banda juntamente com Roy Thomas Baker e o competente Mike Stone como engenheiro.

O disco chegou ao segundo lugar nas paradas do Reino Unido e foi o primeiro trabalho do Queen a entrar no Top 20 nos EUA, onde conseguiu a impressionante 12ª posição nas paradas naquele país, além de boas posições em paradas de outros países. E, assim como o álbum anterior, a imagem da capa de “Sheer Heart Attack” traz uma fotografia da banda registrada pelo excelente Mick Rock.

E a prévia do sucesso que o Queen alcançaria com “Sheer Heart Attack” se deu justamente com o lançamento do primeiro single do álbum, que apareceu algumas semanas antes do play, em 11 de outubro de 1974, que trazia no lado A a arrebatadora “Killer Queen”, que teve a faixa “Flick Of The Wrist” no lado B. O single alcançou um respeitável 12º lugar na Billboard 200, o que fez da música o primeiro hit norte-americano da Rainha, logo, sucesso enorme no mundo todo. E com um detalhe: sem vídeo promocional.

O álbum abre com “Brighton Rock”, uma excelente composição de Brian May, que conta a história de aventuras extraconjugais de dois jovens amantes. O guitarrista detona tudo com os riffs e solos que, inclusive, tiveram suas variações tocadas nas performances que May fazia em “Son And Daughter”, ou seja, foi composta em 1973, antes da conclusão de “Queen II”.

Na sequência, o “carro-chefe” do disco, a inigualável “Killer Queen”, de Freddie Mercury, que fala a respeito da vida de uma prostituta de luxo. A banda a gravou inicialmente sem Brian May, que estava no hospital se recuperando de uma úlcera duodenal. A parte da guitarra foi inserida posteriormente e, inclusive, foi considerado um dos solos mais originais da história do rock. A banda ganhou o prêmio Ivor Novello por ter sido a canção do ano na Inglaterra. Com a inconfundível voz de Freddie Mercury e o toque do piano é impossível não reconhecer essa música. Praticamente o primeiro grande clássico da Rainha.

O disco dá continuidade com a ”Tenement Funster”, escrita por Roger Taylor, que também fez os vocais. Na gravação, Taylor gravou a bateria, Freddie fez o piano e John Deacon gravou as partes do baixo e a guitarra (que foi feita com a Red Special de May, que estava se tratando). A letra aborda a rebeldia de um jovem roqueiro.

A quarta faixa é “Flick Of The Wrist”, de Freddie Mercury, que se destaca pelas belas vocalizações feitas pelos integrantes da banda, do mesmo modo que fizeram para “Somebody To Love”, só para exemplificar. Bela música.

O quinto tema é “Lily Of The Valley”, composta e cantada por Mercury. Linda balada em que o vocalista a conduz com a sua linda voz e também toca piano. Uma pena que uma música tão boa ser tão curta (menos de dois minutos de duração).

E o lado A do vinil termina com “Now I’m Here”, que é o segundo single do álbum. A música foi escrita por Brian May, ainda internado, e foi gravada nas últimas sessões do disco, com ele tocando piano. Um Hard Rock de responsa. Clássico.

O outro lado da “bolacha” começa com a primeira parte de “In The Lap Of The Gods”, que é uma espécie de “prelúdio” de “Bohemiam Rhapsody” por trazer as clássicas vocalizações e construída em três partes: a introdução, que contém arpejos de piano rápido, muito falsetes alta enfraquecida por Taylor, a segunda parte, que é uma canção lenta de amor, com desacelerados vocais de Mercury, e a terceira parte, com base em harmonias vocais cantando “leave it in the lap of the Gods“, com mais falsetes por Taylor. Essas notas altas foram pensados para ser feita utilizando sintetizadores, e para provar que não eram, Taylor iria reproduzi-los em performance ao vivo todas as noites. Ao longo de toda a música, efeitos do vento pode ser ouvido.

Posteriormente aparece o tema mais pesado do Queen: a pedrada “Stone Cold Crazy”, a primeira música composta pelos quatro integrantes da banda. A faixa fala a respeito de gangsters, referindo-se a Al Capone. A sua origem nem os próprios integrantes saberiam afirmar, uma vez que a música sofrera várias alterações e, então, eles resolveram a questão da autoria de uma forma simples: crédito para todos. Foi tocada ao vivo pelo Metallica em 1993 e regravada em estúdio em seu “Garage Inc.”, de 1998.

Brian May volta a mostrar seu lado de compositor com a curta “Dear Friends”, onde ele toca piano e faz os backing vocals. A música fala do vínculo de amizade que deve durar para sempre. O Def Leppard regravou a canção para o EP bônus do Wal Mart do álbum de covers “Yeah!” (2006), com os vocais feitos pelo baixista Rick Savage.

E John Deacon contribuiu pela primeira vez ao compor a bem estruturada “Misfire”. O baixista tocou a maior parte das guitarras, inclusive o solo, e o vocal ficou a cargo de Freddie.

Na continuidade, o disco segue com a excelente “Bring Back That Leroy Brown”, que se destaca pela performance de Mercury e o suporte que a banda dá nos vocais. Lembra músicas dos anos 1950. O título faz uma alusão a “Bad Bad Leroy Brown”, do cantor e compositor norte-americano Jim Croce (pouco conhecido no Reino Unido, terra-natal do Queen), que morrera no ano anterior em um acidente aéreo. Brian May toca ukelelê, instrumento que só era levado para os shows exclusivamente por causa dessa faixa.

A penúltima canção é “She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos)”. Escrita e cantada por Brian May, a música não tem uma temática específica, mas demonstra um lado sombrio e agonizante ao trazer sirenes de polícia e sons de respiração profunda. Parte do título da música foi usada para uma exposição sobre a banda realizada em 2011 no Old Truman Brewey, em Londres, cujo título era: “Stormtrooper In Stilettos: Queen, The Early Years”.

Para finalizar, “In the Lap of the Gods… Revisited” que, apesar do nome, é totalmente diferente da faixa homônima mencionada. A música era o tema de encerramento dos concertos da banda antes da existência de “We Are The Champions”.

Para promover o álbum, a turnê começou em outubro de 1974 e durou até maio de 1975 e foi dividida em três partes, sendo 77 apresentações individuais. Essa foi a primeira turnê mundial do Queen. Entre os grupos que fizeram a abertura para Freddie Mercury e sua trupe estavam o pessoal do Kansas, o Styx e o Hustler.

Sheer Heart Attack” é um grande trabalho do Queen. Pois, foi nele que a banda alcançou o almejado sucesso global e pode usufruir de toda sua extravagância e experimentações. O play é o embrião do que viria ser a obra-prima definitiva da Rainha: “A Night At The Opera”. E só para deixar registrado: a música que leva o nome do álbum foi lançada apenas em “News Of The World”, de 1977.

E, “God save the Queen”.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Sheer Heart Attack
Intérprete: Queen
Produtores: Queen e Roy Thomas Baker
Gravadora: EMI / Parlophone (Europa) / Elektra / Hollywood (EUA)

Freddie Mercury: voz, backing vocal e piano
Brian May: guitarra, backing vocal, piano em “Dear Friends”, ukulele em “Bring Back That Leroy Brown” e voz em “She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos)
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal, voz em “Tenement Funster” e gritos em “In The Lap Of The Gods
John Deacon: baixo, guitarras acústica, base e solo em “Misfire

1. Brighton Rock (May)
2. Killer Queen (Mercury)
3. Tenement Funster (Taylor)
4. Flick Of The Wrist (Mercury)
5. Lily Of The Valley (Mercury)
6. Now I’m Here (May)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Stone Cold Crazy (May / Mercury / Deacon / Taylor)
9. Dear Friends (May)
10. Misfire (Deacon)
11. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
12. She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos (May)
13. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)

Por Jorge Almeida

Queen: 35 anos de “Live Killers”

"Live Killers": primeiro registro ao vivo do Queen que traz a 'classuda' versão acústica de "Love Of My Life"
“Live Killers”: primeiro registro ao vivo do Queen que traz a ‘classuda’ versão acústica de “Love Of My Life”

No ultimo dia 22 de junho, o álbum “Live Killers”, do Queen, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido pelos próprios, o disco é o primeiro registro ao vivo (e duplo) lançado pelo quarteto britânico. E também foi o primeiro trabalho mixado nos estúdios de gravação da gravação da própria banda, o Mountain Studios, em Montreaux, Suíça.

A gravação das faixas aconteceu em diversos locais durante a turnê europeia do álbum “Jazz”, entre janeiro e março de 1979. Apesar de terem produzido e mixado o próprio disco, não é segredo pra ninguém que os integrantes não ficaram satisfeito com a mixagem final do álbum, porém, os fãs adoraram e teve vendas significativas que, inclusive, chegou ao terceiro lugar dos charts britânicos e no 16º lugar nas paradas norte-americanas.

A foto da capa, que mostra o Queen em ação, foi registrada por Koh Hasebe, durante a turnê japonesa de “Jazz”, em 1979. Em 1985, o álbum ganhou novas versões, como o lançamento em único LP, no Japão e na Austrália, que foram intitulados como “Queen Live”. E, para angariar novos mercados, ainda em 1985, o disco também chegou ao Brasil (aproveitando-se do embalo do Rock In Rio I que teve a “Rainha” como headline) e na África do Sul.

O tracklist de “Live Killers” é composto por 22 temas (na verdade, hinos), mas que destacam temas dos trabalhos mais recentes da banda na época, como “Jazz” e “News Of The World”, por exemplo. E, antes de optarem para um direcionamento mais pop, como em “The Game” (1980), traz o lado mais Hard Rock da banda.

No palco, o quarteto era incrível. Cada músico dava o melhor de si, tinham garra e determinação. E, apesar de serem competentes, eles – Brian May, Roger Taylor e John Deacon – eram um pouco ofuscados por Freddie Mercury, que era puro talento e carisma nos palcos. Particularmente, o considero (até hoje), o maior frontman da história da música (e não somente do rock).

Mas, voltando ao repertório do álbum, é clássico seguido de clássico. Por se tratar de bandas do gabarito do Queen, um “faixa-a-faixa” desse álbum não é realmente necessário. Pois, quem aprecia a boa música, sabe que qualquer adjetivo para a música do Queen é pouco.

No entanto, em “Live Killers” há algumas faixas peculiares. Como a “versão alternativa” ou, se preferir, a “fast version”, que os caras fizeram para “We Will Rock You”, que abria as apresentações com uma pegada triunfante e que foi lançada como single. A mesma música aparece na parte final do álbum da forma mais conhecida (a do “tum, tum, táh”). As duas versões são magníficas. Só grupos do naipe do Queen para mudar o que já nasceu ótimo, permanecer ótimo.

Outro tema que merece um destaque à parte é “Love Of My Life”. A faixa do álbum “A Night At The Opera” na versão ao vivo só traz Freddie Mercury no vocal acompanhado de Brian May no violão. Na verdade, se analisarmos friamente, essa versão que, inclusive é mais conhecida que a original, pelo menos aqui no Brasil, traz um dueto entre o vocalista e o público. Essa edição ao vivo foi gravada em uma apresentação no Fasthalle, em Frankfurt, na Alemanha, em 2 de fevereiro de 1979. Aliás, “Love Of My Life” (live) foi lançada em single. E adivinhe onde alcançou o primeiro lugar das paradas? É claro que foi no Brasil e na Argentina. Isso porque o Queen havia tocado na América do Sul em 1981, onde fez shows memoráveis. Aliás, os shows da banda pela parte sul do continente americano aconteceu justamente um ano antes da Guerra das Malvinas, que envolveram argentinos e ingleses.

Já em “Bohemian Rhapsody”, o eterno hino da Rainha, traz em sua introdução um trecho de “Mustapha”, faixa de abertura do álbum “Jazz”. E, como sempre foi, a versão encontrada aqui mostra uma parte do Queen tocando o tema ao vivo, depois surge a parte “orquestrada” toca nas PA’s e o grupo executa a parte final ao vivo novamente.

Inclusive, em algumas versões do álbum, há temas omitidos, como “It’s Late”, “If You Can’t Beat Them”, “Somebody To Love” e “Fat Bottomed Girls”.

Enfim, é considerado um dos melhores trabalhos ao vivo da história (inclusive por este que vos escreve). Se bem que outros registros ao vivo que foram lançados postumamente como “Queen On Fire – Live At The Bowl” (2004) e “Queen Rock Montreal” (2007) também são dignos de elogios. Mas, “Live Killers” é ligeiramente superior por soar “mais cru”. Afinal, os álbuns citados acima tiveram todo um tratamento tecnológico para serem lançados, enquanto o registro de 1979 traz apenas o melhor da qualidade de produção da época que, evidentemente, é inferior aos outros. Embora, os integrantes da banda tenham mostrado insatisfação do resultado final.

Bom, nem preciso dizer que é mais que obrigatório, não é mesmo?

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist (da versão em CD) do álbum.

Álbum: Live Killers
Intérprete: Queen
Lançamento: 22 de junho de 1979
Gravadora: EMI / Parlophone (Europa) / Elektra e Hollywood (EUA)
Produtor: Queen

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, violão, teclados e backing vocal
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal e voz solo em “I’m Love With My Car
John Deacon: baixo e backing vocal

CD 1:
1. We Will Rock You (fast version) (May)
2. Let Me Entertain You (Mercury)
3. Death On Two Legs (Dedicated To…) (Mercury)
4. Killer Queen (Mercury)
5. Bicycle Race (Mercury)
6. I’m Love With My Car (Taylor)
7. Get Down, Make Love (Mercury)
8. You’re My Best Friend (Deacon)
9. Now I’m Here (May)
10. Dreamer’s Ball (May)
11. Love Of My Life (Mercury)
12. ’39 (May)
13. Keep Yourself Alive (May)
CD 2:
1. Don’t Stop Me Now (Mercury)
2. Spread Your Wings (Deacon)
3. Brighton Rock (May)
4. Bohemian Rhapsody (Intro: Mustapha) (Mercury)
5. Tie Your Mother Down (May)
6. Sheer Heart Attack (Taylor)
7. We Will Rock You (May)
8. We Are The Champions (Mercury)
9. God Save The Queen (Trad.; arr. May)

Por Jorge Almeida

Queen: 25 anos de “The Miracle”

"The Miracle": considerado o melhor trabalho do Queen na década de 1980
“The Miracle”: considerado o melhor trabalho do Queen na década de 1980

No último dia 22 de maio, o álbum “The Miracle”, do Queen, completou 25 anos de seu lançamento. Gravado nos estúdios Olimpic e Townhouse, em Londres, e também no Mountain Studios, em Montreux, Suíça, entre janeiro de 1988 e janeiro de 1989 e teve a produção assinada pela banda e por David Richards. Nos Estados Unidos, “The Miracle” foi lançado em 6 de junho.

O disco foi o primeiro do grupo a ser lançado em CD, LP e K7 simultaneamente. A foi a partir dele (na verdade, ele, “Innuendo” e algumas faixas do póstumo “Made In Heaven”) que a banda decidiu que a autoria das canções seria do próprio Queen, em vez da assinatura individual de um integrante como nos trabalhos anteriores. A princípio, o nome que seria escolhido seria “The Invisible Man”, mas três semanas antes do lançamento optaram pelo nome “The Miracle”.

No Reino Unido, o disco chegou ao primeiro lugar nas paradas de sucesso, onde permaneceu por 37 semanas. Enquanto isso, nos EUA, ocupou a 24ª posição nos charts.

Depois de “A Kind Of Magic”, os integrantes do Queen tiraram umas férias e também aproveitaram a ocasião para dar uma “apaziguada”, uma vez que a relação entre eles estava intensa, a tal ponto de que se cogitava que a banda terminaria ali, e também para trabalharem em seus projetos paralelos. Brian May, por exemplo, produziu músicas para vários artistas, já Freddie Mercury gravou o álbum “Barcelona” com a estrela da ópera Montserrat Caballé e Roger Taylor fundou a sua nova banda, o The Cross. Além disso, Mercury já estava doente em decorrência da AIDS, mas que era de conhecimento apenas entre os quem era de seu convívio. Tanto que o vocalista sumiu dos holofotes no período, sem shows e sem dar entrevistas.

O álbum abre com a faixa “Party”, que foi originada de uma jam session entre Freddie Mercury, Brian May e John Deacon. A partir de então, os três trabalharam juntos e a aprimoraram. Mas é tomada pelo uso de sintetizadores.

Na sequência, “The Miracle” apresenta “Khashoggi’s Ship”, que foi composta inicialmente por Freddie e os demais contribuíram para o restante da letra e música. É um rock simples, direto. Ela é sobre o famoso bilionário Adnan Khashoggi e o navio de sua propriedade.

O terceiro tema é a faixa que dá título ao álbum. “The Miracle” que, talvez, trate de um “desabafo” de Mercury. Com a sua letra meticulosamente bem trabalhada, a música fala sobre a celebração do triunfo da vida, os “milagres” como o sorriso da Monalisa ou um solo de Jimi Hendrix. Seu videoclipe mostra uma “versão mirim” dos integrantes, que aparecem na parte final do clipe. É uma das melhores canções de Freddie, de acordo com Brian May.

Já “I Want It All” é uma autêntica faixa de Hard Rock. Ela começa já arrebentando com o vocal potente em seu início. Dizem que o título da música veio de um lema muito utilizado pela esposa de Brian May: “eu quero tudo, e quero agora!”. É, talvez, a faixa mais conhecida do álbum.

O play chega a sua metade com “Invisible Man”, que foi inspirada em um livro que Roger Taylor estava lendo. Os sintetizadores tomam conta novamente. Não chega a ser uma faixa empolgante. Aliás, muito “pop” e tem uma base de funk (não, não é esse tipo de funk que conhecemos aqui no Brasil).

A sexta faixa é “Breakthru”, que tem um ritmo acelerado e se destaca pela condução do contrabaixo por John Deacon. Na verdade, sua introdução veio de uma ideia de Freddie Mercury para outra música e, em vez de descartá-la, achou que lhe seria útil em ocasião oportuna. E foi. No clipe, a mulher de Roger Taylor da época contracenou com a banda.

Na sequência, o álbum segue com “Rain Must Fall”, que é uma colaboração entre John Deacon (que fez a melodia) e Mercury (que contribuiu com a letra). Não é uma das faixas mais empolgantes. Salva-se os breves solos feitos por Brian May.

A faixa nº 8 é “Scandal”, que aborda o “escândalo”, forma que Brian May encontrou para tratar de um casamento fracassado e também para a mídia por gosta de falar tanto em “escândalo” e pelos paparazzis que tentam “invadir” a vida deles.

O penúltimo tema é “My Baby Does Me”. Outra feita em colaboração entre Mercury e Deacon. Não é à toa que o baixista mais uma vez se destaca na execução da faixa. Com menções honrosas ao trabalho de May também.

E, finalmente, “Was It All Worth It”, que remete ao Queen dos anos 1970. Ou seja, cerca de seis minutos de puro rock and roll. Freddie Mercury “mata a pau” ao cantá-la, entregou-se de corpo e alma para cantarola-la. É a música favorita de John Deacon no álbum. Roger utilizou gongo e tímpanos.

Enfim, acima estão as dez músicas lançadas originalmente no álbum. Porém, “The Miracle” traz também mais faixas bônus, como “Hang On In There”, “Chinese Torture” e versões alternativas de “The Invisible Man” e “Scandal”. Além disso, em edições posteriores do álbum, há mais faixas que não estão no disco, como “Stealin’”, que é um lado B do single de “Breakthru”, “Hijack My Heart” (lado B do single de “The Invisible Man”) e “My Life Has Been Saved” (lado B de “Scandal”). E sem contar as versões do álbum que foram acrescidas de um EP bônus.

A capa de “The Miracle” foi a primeira a utilizar tecnologia de informática avançada, uma espécie de “mesa digitalizadora”, ao utilizar um gráfico Quantel Paintbox. A ideia da arte foi baseada no conceito concebido pelo Queen e representa a unidade da banda, uma fusão de quatro pessoas para se tornar uma só. Enfim, o conceito quer dizer exatamente a união entre os integrantes da Rainha.

Aliás, “The Miracle” apresentou cinco singles no top 30 das paradas: a faixa-título, “I Want It All”, “The Invisible Man”, “Breakthru” e “Scandal”. E também foi o primeiro trabalho da banda a não ter uma turnê de divulgação. Ou seja, não houve a realização de qualquer show ao vivo para promover o álbum.

O disco teve bastante sucesso e é constantemente considerado o melhor e mais influente trabalho do Queen nos anos 1980. E sintetizou que os caras estavam mais unidos do que nunca, ao contrário dos “scandals” da mídia. Mais que recomendado.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: The Miracle
Intérprete: Queen
Lançamento: 22 de maio de 1989 (Reino Unido) / 6 de junho de 1989 (EUA)
Gravadora: Parlophone (Reino Unido) / Capitol Records (EUA)
Produtores: Queen e David Richards

Freddie Mercury: voz, backing vocal, piano, teclado, sintetizadores e programação
Brian May: guitarra, violão, backing vocal, sintetizadores e programação
John Deacon: baixo, guitarra, teclados, sintetizadores e programação
Roger Taylor: bateria, bateria eletrônica, backing vocal, sintetizadores, programação e voz em “The Invisible Man

1. Party (Queen)
2. Khashoggi’s Ship (Queen)
3. The Miracle (Queen)
4. I Want It All (Queen)
5. The Invisible Man (Queen)
6. Breakthru (Queen)
7. Rain Must Fall (Queen)
8. Scandal (Queen)
9. My Baby Does Me (Queen)
10. Was It All Worth It (Queen)

Por Jorge Almeida

Queen: 40 anos de “Queen II”

Queen II: apesar de não constar no rol dos clássicos da Rainha, trata-se de um excelente trabalho. Na capa, a lendária foto captada por Mick Rock
Queen II: apesar de não constar no rol dos clássicos da Rainha, trata-se de um excelente trabalho. Na capa, a lendária foto captada por Mick Rock

O segundo álbum de estúdio do Queen teve o seu 40º aniversário de lançamento no último dia 8 de março. Gravado no Trident Studios, em Londres, em agosto de 1973, “Queen II” teve a co-produção assinada por Roy Thomas Baker, Robin Cable e a própria banda

O registro é dividido em duas partes: o “lado branco” (“white side”), que é o lado A, e o “lado preto” (“black side”), obviamente, o lado B. Ou ainda: de um lado, as composições de Brian May, juntamente com uma de Roger Taylor, e do outro: todas as faixas assinadas por Freddie Mercury. Enquanto o guitarrista compunha temas emocionais, o vocalista optou por assuntos relacionados a fantasias e temas “negros”. O baixista John Deacon só começou a contribuir como compositor a partir de “Sheer Heart Attack” (1974).

Embora houvesse um curto espaço de tempo entre o lançamento do ‘debut’ e de “Queen II”, os músicos da banda evoluíram muito e ousaram ao aliar instrumentos como cítaras, sinos, pianos, enfim, toda aquela variação musical que marcou a carreira do grupo até a morte de Freddie Mercury, em 1991.

O trabalho abre com a instrumental “Procession”, que é uma espécie de marcha fúnebre em que Brian May fez em uma guitarra Multi-track. Roger Taylor contribuiu também ao utilizar apenas um pedal de baixo.

Na sequência vem “Father To Son”, que lembra um pouco o Led Zeppelin, principalmente por conta das linhas de guitarra de Brian May na faixa. Fez parte do setlist do Queen até 1975.

O terceiro tema é a melancólica “White Queen (As It Began)”, que mescla sinfônico e o peso do Heavy Metal. O vocal também merece destaque.

Posteriormente vem “Some Day One Day”, que foi a primeira música inteiramente cantada por Brian May, que utiliza guitarras elétrica e acústica, além de fazer três solos.

Já “The Loser In The End”, que encerra o “lado branco”, foi a única contribuição de Roger Taylor no álbum, tanto na composição quanto na parte vocal. O tema relata a fuga de um adolescente de casa.

A partir de agora, “Queen II” só tem a assinatura de Mercury nas canções. A primeira delas foi “Ogre Battle”, que foi feita pelo vocalista na guitarra em 1972 e que não entrou no ‘debut’ porque ele queria ter mais tempo (e liberdade) para deixar do jeito que queria. Freddie narra a batalha de Ogros (cujo gritos são do próprio vocalista e também de Taylor). Merece atenção a introdução e o riff. Uma das melhores do disco.

Depois surge a complexa “The Fairy Feller’s Master-Stroke”. Freddie inspirou-se na obra do mesmo nome, pintada por Richard Dadd. Na gravação, o frontman tocou piano e cravo, o produtor Roy Thomas Baker tocou castanholas. A complexidade da música é tanta que, talvez, por isso, eles nunca a tenham tocado ao vivo.

Em “Nevermore”, Freddie Mercury mata a pau ao tocar piano com maestria. Trata-se de uma linda balada. Se eu não estiver exagerando, ela é a precursora de “Love Of My Life”. A letra fala de sentimentos depois de um desgosto. Pena que ela é muito curta (tem menos de 1’30” de duração).

E o álbum segue em direção ao seu final com a excelente “The March Of The Black Queen” que, assim como “The Fairy Feller’s…”, é marcada pela complexidade da canção. Mas, diferentemente da música inspirada na obra de Dadd, ela chegou a ser executada nos concertos da banda, mas, geralmente em alguns ‘medleys’ nos anos 1970. Freddie a compôs em um piano em 1973.

A penúltima faixa é “Funny How Love Is”, criada em estúdio enquanto Mercury tocava piano e Cable produziu. A produção foi feita com a técnica da “parede de som”. É um tema pouco conhecido do vasto repertório da banda, mas, conduz perfeitamente o ouvinte para a canção final do “black side”.

E o disco finaliza com “Seven Seas Of Rhye”, que, de longe, é o tema mais conhecido do álbum. A sua introdução (uma pequena parte instrumental) foi gravada em “Queen” – o álbum. A música fala do mundo de fantasia de um lugar fictício chamado Rhye. E constantemente fez parte do set do Queen durante toda a existência da banda. Aliás, a ideia inicial era de que o play abrisse justamente com essa faixa, como se fosse dar uma continuidade à música de encerramento do ‘debut’, mas na finalização das sessões de gravação ficou acordado que ela seria melhor colocada na parte final do disco.

E também é bom destacar a fotografia de Mick Rock (guardem esse nome!) para a capa do álbum. A imagem foi bastante reutilizada pela própria banda, como nos vídeos de “Bohemiam Rhapsody” e “One Vision”.

Embora tenha recebido críticas mistas, “Queen II” não chega a ser um dos trabalhos mais aclamados da Rainha. No entanto, é cultuado por gente como Axl Rose, Billy Corgan e Steve Vai.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Queen II”.

Álbum: Queen II
Intérprete: Queen
Lançamento: 8 de março de 1974
Gravadora: EMI (Reino Unido); Elektra (EUA); Parlophone (Europa)
Produtores: Roy Thomas Baker, Robin Cable e Queen

Freddie Mercury: voz, backing vocal, piano, cravo, cordas de piano em “Nevermore
Brian May: guitarras, violões, sinos em “The March Of The Black Queen”, backing vocal, piano, órgão e voz solo em “Some Day One Day
Roger Taylor: bateria, gongo, marimba, backing vocal, voz solo em “The Loser In The End
John Deacon: baixo e violões

Roy Thomas Baker: castanholas em “The Fairy Feller’s Master-Stroke” e stylophone em “Seven Seas Of Rhye
Robin Cable: efeitos de piano em “Nevermore

1. Procession (Instrumental) (May)
2. Father To Son (May)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Some Day One Day (May)
5. The Loser In The End (Taylor)
6. Ogre Battle (Mercury)
7. The Fairy Feller’s Master-Stroke (Mercury)
8. Nevermore (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Funny How Love Is (Mercury)
11. Seven Seas Of Rhye (Mercury)

Por Jorge Almeida

Queen: os 30 anos de “The Works”

The Works: trabalho que o Queen divulgou com apresentação no Rock In Rio, em 1985
The Works: trabalho que o Queen divulgou com apresentação no Rock In Rio, em 1985

No último dia 27 de fevereiro, o álbum “The Works”, do Queen, completou 30 anos de seu lançamento. Gravado entre agosto de 1983 e janeiro de 1984 no Record Plant, em Los Angeles, e no Musicland Studios, em Munique, o disco teve a produção assinada pela própria banda em conjunto com Mack.

Depois de terem lançado o catastrófico “Hot Space”, em 1982, em que o álbum dividiu a opinião dos fãs, mas a turnê foi um grande sucesso, o Queen passou boa parte do ano de 1983 em meio a brigas e discussões entre seus integrantes, inclusive com ameaças de saída de membros, o que (graças a Deus) não aconteceu. No entanto, essa época ficou marcada pelos trabalhos solos entre os componentes, o que marcou o distanciamento maior entre os lançamentos de trabalhos da banda.

Resolvidas as diferenças, o Queen entrou nos estúdios para gravar o seu 11º trabalho de estúdio e, como resultado disso, o seu ressurgimento, em especial na América do Sul, em 1985, quando a Rainha foi convidada para participar da primeira edição do Rock In Rio. A banda roubou a cena, tanto pelas excentricidades de seus integrantes, especialmente Freddie Mercury, quanto pelo talento de todos eles. A performance do Queen foi tão primorosa na Cidade do Rock que eles encararam o concerto diante de 250 mil pessoas como se fosse um show caseiro. É claro que isso chamou a atenção do mundo inteiro e, consequentemente, contribuiu para a divulgação de “The Works”.

Musicalmente, o disco traz alguns bons petardos, como “Radio Ga Ga”, a faixa de abertura. Composta por Roger Taylor, a música se tornou um clássico da Rainha. Dizem que o baterista escutou o seu filho, que tinha três anos na época, dizer algo como “ca… radio… ca”. Ao ouvir isso, ele foi ao estúdio, escreveu e foi ajustando a canção com uma bateria eletrônica, enquanto John Deacon cuidou da linha de baixo e Freddie Mercury providenciou os arranjos e fez alguns reajustes na letra. Particularmente, acho que “Radio Ga Ga” a principal música feita por Taylor juntamente com “I’m Love With My Car”.

Já em “Tear It Up”, composta por Brian May, foi uma tentativa de reviver o som antigo da banda. Inclusive, com direito o pisoteado “percussivo” de “We Will Rock You” (o tal do “Tum-dum-tá, Tum-dum-tá”). Claro que o resultado não foi o esperado.

Outra que merece atenção é “It’s a Hard Life”, que era uma das favoritas de Mercury, mas que ele odiava o videoclipe. E também destaco “Man On The Prowl”, que a banda tentou usar os acordes “rockabílicos” de “Crazy Little Thing Called Love”, e a paulada “Hammer To Fall”.

E, claro, não poderia deixar passar despercebido a imortal “I Want To Break Free”, que apesar de toda a polêmica (e tosqueira) de seu videoclipe, com todos os membros da banda vestidos de mulheres, e ter associação ao público gay, a música foi composta pelo hétero John Deacon e não fala nada a respeito do mundo homossexual, como já foi dito pelo próprio Freddie.

Completam o álbum, as faixas “Machines (Or Back To Humans)”, “Keep Passing The Open Windows” e “Is This The World We Crieated…?

O álbum mesclou um pouco de rock, com pitadas de eletro-pop, cenas do funk (não confundir com isso que toca aqui no Brasil nos dias atuais) de Nova York, a música eletrônica alemã dos anos 80. Enfim, apesar de toda essa “salada” de ritmos, “The Works” não merece ser desprezado e nem ser subestimado a altura de “A Night At The Opera”, por exemplo. É um bom disco. E só.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “The Works”.

Álbum: The Works
Intérprete: Queen
Lançamento: 27 de fevereiro de 1984
Gravadora: EMI / Parlophone
Produtores: Queen e Mack

Freddie Mercury: voz, backing vocal, piano, teclados e programação
Brian May: guitarras, violões, teclados, backing vocal e programação
Roger Taylor: bateria, bateria eletrônica, backing vocal, teclados e programação
John Deacon: baixo, guitarra ritmo, violões, teclados e programação

Fred Mandel: teclados, piano, programação, solo de teclado em “I Want To Break Free
Mack: programação Fairlight CMI em “Machines (Or Back To Humans)

1. Radio Ga Ga (Taylor)
2. Tear It Up (May)
3. It’s A Hard Life (Mercury)
4. Man On The Prowl (Mercury)
5. Machines (Or Back To Humans) (May / Taylor)
6. I Want To Break Free (Deacon)
7. Keep Passing The Open Windows (Mercury)
8. Hammer To Fall (May)
9. Is This World We Created…? (Mercury / May)

Por Jorge Almeida