Show do Iron Maiden no Allianz Parque (26.03.16)

Bruce Dickinson em ação no Allianz Parque. Foto: Gabriela Brido / Estadão
Bruce Dickinson em ação no Allianz Parque. Foto: Gabriela Brido / Estadão

A banda britânica Iron Maiden se apresentou no último sábado (26) no Allianz Parque em São Paulo celebrando a turnê de seu último álbum “The Book Of Souls”. O show na capital paulista foi o último da turnê em solo brasileiro. Antes da entrada de Steve Harris e sua trupe, o pessoal do The Raven Age (banda do filho do baixista, George Harris) e os veteranos do Anthrax animaram os mais de 40 mil ‘maidenmaníacos’ na casa palmeirense.

Depois das apresentações das duas bandas de abertura – com direito ao “arroz-de-festa do Metal” Andreas Kisser tocar “Indiana” com o pessoal do Anthrax -, o público entrou em êxtase quando as PA’s ecoaram o clássico do UFO, “Doctor Doctor”. Pois, é conhecido dos fãs da Donzela que isso era indício de que a banda irá subir ao palco em breve. Bingo! Às 21h20, uma animação exibida nos telões mostra o famoso avião da banda, o Ed Force One, pilotado por Bruce Dickinson, decolando do meio da selva e ganhando o céu.

Após a exibição do desenho, o sexteto composto por Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (voz), Nicko McBrain (bateria), Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers (guitarras) entrou em ação com dois temas do disco novo “If Eternity Should Fail” e “Speed Of Light”. Após a dobradinha, Bruce Dickinson disse estar triste por ser o último show no Brasil, mas que deixou o “melhor pro final”. Em seguida, veio a primeira “das antigas”, “Children Of The Damned”, faixa do clássico “The Number Of The Beast” (1982).

O show seguiu com mais duas do recente trabalho – “Tears Of A Clown” (composta em homenagem ao ator Robin Williams, morto em 2014) e “The Red And The Black” -, o que deixou o público mais “comportado”, enquanto os guitarristas mostravam as suas habilidades nas seis cordas na “quilométrica” música.

Depois dessa nova dobradinha de temas de “The Book Of Souls”, dois clássicos para levar a plateia ao delírio: “The Trooper”, que foi o momento em que Bruce Dickinson surge no alto da plataforma vestido de soldado e empunhando uma bandeira do Reino Unido, enquanto os fãs cantaram calorosamente o seu “refrão” (o “oooo…”). Logo em seguida, foi a vez da faixa-título do álbum de 1984, “Powerslave“, que contou com o vocalista mascarado no melhor estilo de praticante de lucha libre mexicano (wrestling) e, para finalizar as músicas do novo álbum na noite, outra dobradinha: “Death Or Glory” e “The Book Of Souls“, que, certamente, já entrará no rol dos clássicos do Iron Maiden. Inclusive, foi justamente nessa última que a gigantesca mascote Eddie, com seus três metros de altura, adentra no palco caracterizado como na arte do álbum, e interage com os integrantes do grupo, em especial Janick Gers, o que fez com que os demais prolongassem a canção por meio dos solos para que, no final, Dickinson arrancasse o coração do peito do monstrengo para, depois, simular uma oferenda aos deuses com o órgão e espremer o “sangue” na cabeça de Gers.

E, assim, entre um “scream for me Brazil” e outro, o inesgotável vocalista conduzia o espetáculo. Nem parecia que esse senhor (sim, Bruce já está beirando os 60 anos) sofrera com um câncer na língua que poderia ter dado outro rumo à sua vida (e ao Iron Maiden também). Incrível.

O concerto estava em seu momento final e o sexteto brindou o público com mais três clássicos: a incrível “Hallowed Be Thy Name”, com Bruce caracterizado como um condenado à forca (conforme a temática da música), “Fear Of The Dark”, que não escapou dos holofotes dos smartphones, e a música que dá o nome à banda e ao ‘debut’ lançado no longínquo ano de 1980.

O grupo deu uma pequena pausa e voltou para o bis com mais três temas: a controversa “The Number Of The Beast”, com direito à imagem do ‘tinhoso’ no fundo do cenário acompanhado de labaredas de fogo, a melódica “Blood Brothers”, que fez a plateia trocar os pulos pela batidas de palmas comandadas por Bruce Dickinson e o gran finale veio com “Wasted Years”, um petardo do ‘trintão’ “Somewhere In Time” (1986).

Dessa forma, a apresentação do Iron Maiden terminou por volta das 23h15. Em quase duas horas, Steve Harris e cia. provaram que têm fôlego para, pelo menos, mais uma década de estrada. Pois, a performance da banda continuou impecável. Também pudera: com três guitarristas competentes, embora Janick Gers pareça mais teatral do que o sério Adrian Smith e o carismático Dave Murray, a firmeza de Harris no baixo aliado à sólida bateria de Nick McBrain e a poderosa voz, presença de palco e carisma de Bruce Dickinson, o Iron Maiden tem todas as condições de continuar o legado do Black Sabbath que, infelizmente, já anunciou que está de despedida dos palcos.

Claro que, em casos de bandas como o Iron Maiden, muitos clássicos ficaram de fora, principalmente os temas das fases Di’Anno (exceto “Iron Maiden”) e Blaze Bayley, porém, o que consola é que esses clássicos foram substituídos por músicas novas à altura.

A seguir, o setlist da apresentação do Iron Maiden em São Paulo.

Intro: Doctor, Doctor (do UFO)
1. If Eternity Should Fail (Dickinson)
2. Speed Of Light (Smith / Dickinson)
3. Children Of The Damned (Harris)
4. Tears Of A Clown (Smith / Harris)
5. The Red And The Black (Harris)
6. The Trooper (Harris)
7. Powerslave (Dickinson)
8. Death Or Glory (Smith / Dickinson)
9. The Book Of Souls (Gers / Harris)
10. Hallowed Be Thy Name (Harris)
11. Fear Of The Dark (Harris)
12. Iron Maiden (Harris)
Bis:
13. The Number Of The Beast (Harris)
14. Blood Brothers (Harris)
15. Wasted Years (Smith)

Por Jorge Almeida

Novo álbum do Iron Maiden sairá em setembro (e será duplo)

Capa de "The Book Of Souls", o 16º disco de estúdio do Iron Maiden que será lançado em 4 de setembro de 2015. Créditos: divulgação
Capa de “The Book Of Souls”, o 16º disco de estúdio do Iron Maiden que será lançado em 4 de setembro de 2015. Créditos: divulgação

Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, os britânicos do Iron Maiden anunciaram em sua página oficial no Facebook que o novo trabalho da banda – o 16º disco de estúdio -, o álbum “The Book Of Souls”, será lançado no próximo dia 4 de setembro. E mais: será o primeiro registro de estúdio da “Donzela” duplo, que terá, ao todo, 11 faixas ao longo de 92 minutos.

O material foi gravado em Paris no final de 2014 e, assim como os últimos registros da banda, teve a produção assinada por Kevin “Caverman” Shirley. Todavia, o disco teve o lançamento adiado devido ao tumor que Bruce Dickinson adquiriu na língua, mas como câncer estava em seu estágio inicial, o vocalista conseguiu curar-se e está de alta, o quinteto resolveu divulgar o trabalho. A capa do play, que ficou sensacional, foi criada por Mark Wilkinson, que já trabalhou anteriormente com o grupo.

Steve Harris e Bruce Dickinson comentaram a respeito do sucessor de “Final Frontier”:

Fizemos este álbum de uma forma diferente de como gravamos anteriormente. Muitas das faixas foram compostas enquanto estávamos no estúdio e as ensaiamos e gravamos enquanto elas ainda estavam frescas, e acho que esse imediatismo realmente aparece nas canções. Elas têm um sentimento de faixas ao vivo, eu acho. Estou muito orgulhoso de “The Book Of Souls”, todos nós estamos. E estamos ansiosos para que os fãs ouçam, e para levar isso para a estrada no ano que vem”, comentou o baixista Steve Harris no Face.

Já Bruce, acrescentou: “Estamos realmente animados com “The Book Of Souls” e nos divertimos muito criando o álbum. Começamos a trabalhar nele no final do verão de 2014 e gravamos no Guillame Tell Studios em Paris, onde fizemos o “Brave New World” em 2000, então o estúdio trazia memórias especiais para todos nós. Ficamos encantados em descobrir que a mesma vibração mágica ainda estava viva e chutando tudo por lá. Imediatamente nos sentimos em casa e as ideias começaram a fluir. Quando terminamos concordamos que cada faixa era parte integral de um conjunto que precisava ser um álbum duplo. Então vai ser um álbum duplo!”.

No processo de composição, dos onze temas do álbum, os guitarristas – Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers – participaram na co-autoria em nove, exceto em duas delas, que tem Bruce Dickinson como único compositor. Enquanto Steve Harris, o principal letrista da banda, assinou sete faixas, sendo uma que leva apenas a sua assinatura. Curiosamente, esse é o primeiro disco do Maiden, desde “Powerslave” (1984) a trazer duas faixas escrita somente por Bruce Dickinson. E será em “The Book Of Souls” a faixa mais longa já gravada pelo Iron Maiden: “Empire Of The Clouds”, que terá 18’01” de duração e é justamente a que encerra o disco.

Bom, com essa excelente notícia, resta-nos esperar Bruce se recuperar totalmente para os caras caírem na estrada para divulgar o novo trabalho e ouvirmos novamente os “scream for me…” da goela de Mr. Air Raid Siren pelos palcos do mundo afora.

Iron Maiden’s gonna get you! No matter how far”.

A seguir o tracklist de “The Book Of Souls”.

CD 1:
1. If Eternety Should Fail (Dickinson) – 8’28”
2. Speed Of Light (Smith / Dickinson) – 5’01”
3. The Great Unknown (Smith / Harris) – 6’37”
4. The Red And The Black (Harris) – 13’33”
5. When The River Runs Deep (Smith / Harris) – 5’52”
6. The Book Of Souls (Gers / Harris) – 10’27”
CD 2:
1. Death Or Glory (Smith / Dickinson) – 5’13”
2. Shadows Of The Valle (Gers / Harris) – 7’32”
3. Tears Of A Clown (Smith / Harris) – 4’59”
4. The Man Of Sorrows (Murray / Harris) – 6’28”
5. Empire Of The Clouds (Dickinson) – 18’01”

Leia (em inglês) o press-release do álbum aqui.

“Up the Irons!”.

Por Jorge Almeida

Iron Maiden: 15 anos de “Brave New World”

"Brave New World": o primeiro trabalho do Iron Maiden lançado como sexteto
“Brave New World”: o primeiro trabalho do Iron Maiden lançado como sexteto

Hoje, 29 de maio, completa exatamente 15 anos de lançamento do álbum “Brave New World”, do Iron Maiden, o 12º trabalho de estúdio da banda britânica. O disco marca os regressos de Bruce Dickinson (voz) e Adrian Smith (guitarra) ao grupo e foi o primeiro a ter a presença de três guitarristas – Dave Murray, Janick Gers e o já citado Adrian Smith – e também a ter o trabalho de Kevin Shirley na produção (juntamente com Steve Harris, no caso desse play).

Gravado entre verão (europeu) de 1999 e abril de 2000 no Guillaume Tell Studios, em Paris, algumas das músicas que compõem o álbum foram escritas durante a “Ed Hunter Tour”, em 1999, e outros temas como “The Nomad”, “Dream Of Mirrors” e “The Mercenary” foram escritas originalmente para o álbum “Virtual XI”, assim como “Blood Brothers”, mas não foi finalizada a tempo. E, reza a lenda, que “Dream Of Mirrors” teve o ex-vocalista Blaze Bayley como um dos autores, mas não foi creditado.

Após o desligamento de Bayley, Bruce Dickinson e Adrian Smith foram anunciados meses depois que estariam de volta à “Donzela” e, atendendo ao pedido de Smith, Janick Gers foi mantido no grupo. Após esse anúncio, o grupo partiu para uma turnê mundial para promover a coletânea/jogo para PC “Ed Hunter”.

Com uma pegada mais progressiva e, ao mesmo tempo, retornando às suas origens, as canções de “Brave New World” mostram um trabalho diferente em relação ao que o Iron Maiden havia feito em “The X Factor” e “Virtual XI”. Algumas músicas lembram pedaços de temas de “Powerslave” e “Fear Of The Dark”, e abordando temas obscuros e críticas sociais.

O disco foi o último a ter a arte de Derek Riggs, que foi responsável pela parte superior da capa, enquanto a metade inferior foi elaborada por Steve Stone, um artista digital. A ilustração (e a faixa-título) são referências ao romance “Brave New World” (1932), de Aldous Huxley.

O álbum abre com “The Wicker Man”, que foi lançada como single, e a temática foi inspirada no filme de mesmo nome de 1973, que no Brasil ficou conhecido como “O Homem de Palha”. Por favor, não confunda com “Wicker Man”, música da carreira solo de Dickinson (lançada na coletânea “The Best Of Bruce Dickinson”, de 2001) que, embora as letras de ambas sejam estreitamente ligadas à temática do filme, são distintas. O solo é feito por Adrian Smith e foi um dos singles do álbum. Com forte apelo comercial, a música ganhou videoclipe e veiculação na MTV. Já “Ghost Of The Navigator”, a faixa seguinte, traz uma excelente base e o vocal indefectível de Bruce. Já faz parte do rol de clássicos dos maidenmaníacos. O terceiro tema é “Brave New World”, que tem o seu baixo galopante e a ótima performance dos guitarristas aliado às linhas vocais de Dickinson. Enquanto isso, “Blood Brothers” (a minha favorita) foi composta por Steve Harris em homenagem ao pai, que morreu enquanto o baixista estava em turnê. A música começa lenta, depois vem a “pedrada” na orelha e o peso. E o play chega a metade com “The Mercenary”, que é “totalmente Iron Maiden”, ou seja, porrada do começo ao fim. Lembra um pouco de “The Fugitive”, faixa de “Fear Of The Dark” (1992).

A segunda metade do disco segue “Dream Of Mirrors”, que mostra um baixo “limpo” e a perfeição da sintonia entre as guitarras. Na sequência, o tema “The Fallen Angel”, se destaca pela rapidez e peso, e se poderia ter sido uma música de “Piece Of Mind” (1983) fácil, fácil. A oitava música é “The Nomad”, que ganha destaque com o timbre da voz de Bruce com a temática da canção e o teclado acompanhando o baixo. Ótima faixa. Posteriormente, o disco traz aquele que foi o segundo single, “Out Of The Silent Planet”, que apresenta uma bela introdução, seguida de alguns solos duplos, riffs pesados e refrão cantados com duas vozes. A música foi baseada no filme “Forbidden Planet” (1956), dirigido por Fred M. Wilcox. E, para finalizar, “The Thin Line Between Love And Hate“, com o seu começo lento e solos curtos no melhor estilo Adrian Smith.

O disco teve boa aceitação do público, pois alcançou o sétimo lugar nos charts britânicos, estreou em 39º na Billboard 200 nos Estados Unidos. Além disso, a sua turnê foi bem sucedida e teve o seu ápice no show realizado em 19 de janeiro de 2001 no Rock In Rio que, mais tarde, foi registrado em CD duplo e DVD (seis das dez músicas do álbum estão no tracklist do ‘live’).

Nas turnês dos trabalhos seguintes do Maiden, só não teve temas de “Brave New World” na “A Matter of Life and Death Tour”, pois na tour seguinte (“Dance Of Death Tour”), o play foi representado pela sua faixa-título, enquanto na turnê do último disco de estúdio (“The Final Frontier World Tour”) muitos faixas de “Brave New World” voltaram ao set, como a faixa-título, “The Wicker Man”, “Ghost Of The Navigator” e “Blood Brothers” que, aliás, foi dedicada a Ronnie James Dio após sua morte em 16 de maio de 2010 e, além disso, a performance da banda registrada no álbum “En Vivo!” (2012) foi nomeada para o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock/Metal em dezembro de 2012.

Para alguns, “Brave New World” foi o último grande trabalho do Iron Maiden, para outros, o registro é apenas “mais um disco”, mas, independente disso, o que não podemos negar é que ele é repleto de excelentes canções que mesclam o passado glorioso da banda com a tendência que seguiria nos trabalhos seguintes (temas mais progressivos sem perder a essência do Heavy Metal), mas independentemente das opiniões, o fato é que, com ele, o Iron Maiden voltou ao topo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Brave New World
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 29 de maio de 2000
Gravadora: EMI / Columbia (EUA)
Produtores: Kevin Shirley e Steve Harris

Bruce Dickinson: voz
Steve Harris: baixo e teclados
Dave Murray: guitarra
Adrian Smith: guitarra
Janick Gers: guitarra
Nicko McBrain: bateria

Jeff Bova: orquestração em “Blood Brothers” e “The Nomad

1. The Wicker Man (Smith / Harris / Dickinson)
2. Ghost Of The Navigator (Gers / Dickinson / Harris)
3. Brave New World (Murray / Harris / Dickinson)
4. Blood Brothers (Harris)
5. The Mercenary (Gers / Harris)
6. Dream Of Mirrors (Gers / Harris)
7. The Fallen Angel (Smith / Harris)
8. The Nomad (Murray / Harris)
9. Out Of The Silent Planet (Gers / Dickinson / Harris)
10. The Thin Line Between Love And Hate (Murray / Harris)

Por Jorge Almeida

Iron Maiden: 30 anos de “Powerslave”

"Powerslave": clássico do Iron Maiden completa 30 anos em 2014
“Powerslave”: clássico do Iron Maiden completa 30 anos em 2014

Ontem, 3 de setembro, um dos maiores clássicos do Heavy Metal bretão completou 30 anos de seu lançamento. Me refiro ao inigualável “Powerslave”, o quinto registro de estúdio do Iron Maiden. Gravado no Compass Point Studios, nas Bahamas, entre fevereiro e junho de 1984, o play foi produzido por Martin Birch e é o segundo trabalho que o grupo lança com a mesma formação, fato inédito até então.

O disco é um considerado por muitos fãs como o melhor do Iron Maiden. Não foi à toa que foi um sucesso de vendas e isso permitiu que Steve Harris e sua trupe fizessem a sua maior turnê da história: a memorável “World Slavery Tour”, que rendeu quase 300 apresentações no biênio 1984-1985. Incluindo aí uma superprodução no palco: sarcófagos, esfinges, pirâmides, um Eddie-múmia com mais de dez metros de altura. Tudo isso pode ser conferido em VHS e LP (além de DVD e CD também) no “Live After Death” (1985), o primeiro registro ao vivo do grupo.

Nesse período, o Iron Maiden tocou para grandes plateias no mundo inteiro, incluindo a primeira edição do Rock In Rio, em 1985. Aliás, foi justamente no festival brasileiro que o quinteto tocou pela última vez sem ser headline, que ficou a cargo do Queen.

O play abre com a rápida “Aces High”, que fala sobre os conflitos aéreos na Segunda Guerra Mundial. Nela, Bruce Dickinson detona tudo com seus agudos, Steve Harris manda muito bem em seu baixo galopante e rápido, e a dupla Adrian Smith e Dave Murray se mostra mais entrosada do que nunca. De longe, é a melhor faixa de abertura dos álbuns do Iron Maiden.

Na sequência, outro clássico: “2 Minutes To Midnight”. Composta por Adrian Smith e Bruce Dickinson, a música aborda sobre a constante ameaça de guerra nuclear. Trata-se de uma típica canção de Heavy Metal: bem estruturada, riff poderoso e refrão impactante. Qual maidenmaníaco que nunca cantarolou esse refrão? Obrigatório nos shows dos caras até hoje.

O terceiro tema é a instrumental “Losfer Words (Big’ Orra)”, que atende necessariamente à temática egípcia do álbum. Baixo galopante, riffs e solos certeiros e a “cozinha” formada entre Nicko McBrain e Steve Harris é o ponto-chave da música.

Posteriormente surge “Flash Of Blade”, uma das faixas menos cultivada do disco. Mas trata-se de uma grande música. Os vocais de Dickinson e o dueto de Murray e Smith são os destaques dessa incrível faixa. A música fez parte da trilha sonora do filme de terror “Phenomena” (1985) e foi regravada pelo Avenged Sevenfold no CD/DVD duplo ao vivo “Live In The LBC & Diamonds In The Rough” (2006) e também pelo Rhapsody Of Fire na edição lançada em digipack de seu “From Chaos To Eternety” (2011).

E, nos tempos do LP, “Powerslave” trazia “The Duellists”, a quinta faixa, para fechar o lado A. Assim como a faixa anterior, não tem status de “clássico” para os fãs, mas possui as mesmas características. Bem estruturada e deixa nítida que o entrosamento da banda beirava à perfeição.

O lado B do play trazia “Back In The Village” na abertura. Música rápida e riffs que fogem um pouco das características do som da banda na época. Mas trata-se de uma excelente faixa de Heavy Metal.

A penúltima canção do álbum é a poderosa faixa-título. Composta por Bruce Dickinson, “Powerslave” trata de temas egípcios, da forma de como as pessoas podem ficar “escravas do poder” e dos últimos momentos da vida de um faraó. Nela tudo é perfeito: letra, baixo, bateria, riffs e solos, enfim, tudo na mais bela sincronia.

E, para finalizar, a épica “Rime of the Ancient Mariner”, uma saga de mais de 13 minutos de duração que aborda um homem amaldiçoado por uma sereia da morte. Foi escrita a partir de um poema homônimo de um poeta inglês do século XVIII, Samuel Taylor Coleridge. A música traz alternância de ritmo impressionante e uma atmosfera macabra na parte “narrada” no meio da canção.

Em 1995, “Powerslave” foi relançado com um disco bônus (vide o tracklist) e também em 1998, que trazia uma faixa multimídia com os videoclipes de “Aces High” e “2 Minutes To Midnight”.

Evidentemente não poderia deixar passar despercebido a capa do álbum. Trata-se de uma das mais belas da história do rock. O trabalho desenvolvido por Derek Riggs faz valer o álbum, que retrata a temática egípcia abordada no play. Sinceramente, trata-se de uma autêntica obra de arte.

O álbum é mais que obrigatório para quem aprecia o Heavy Metal clássico e tradicional. O quinteto dá uma aula de como se faz o negócio. O entrosamento entre Bruce Dickinson, Steve Harris, Adrian Smith, Dave Murray e Nicko McBrain impressiona. Só a capa já vale o investimento. Clássico e indispensável.

A seguir a ficha técnica e o tracklist (da versão relançada em 1995) do disco.

Álbum: Powerslave
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 3 de setembro de 1984
Gravadora: EMI
Produtor: Martin Birch

Steve Harris: baixo e backing vocal
Bruce Dickinson: voz
Adrian Smith: guitarra e backing vocal
Dave Murray: guitarra
Nicko McBrain: bateria

CD 1:
1. Aces High (Harris)
2. 2 Minutes To Midnight (Smith / Dickinson)
3. Losfer Words (Big’ Orra) (Harris)
4. Flash Of The Blade (Dickinson)
5. The Duellists (Harris)
6. Back In The Village (Smith / Dickinson)
7. Powerslave (Dickinson)
8. Rime Of The Ancient Mariner (Harris)
CD 2:
1. Rainbow’s Gold (Slesser / Mountain)
2. Mission From ‘Arry’ (Harris / McBrain)
3. King Of Twilight (Nektar)
4. The Number Of The Beast (live) (Harris)

Por Jorge Almeida

Iron Maiden: 20 anos de “Live At Donington”

Capa original de "Live At Donington": uma dos raros registros do Iron Maiden sem a presença de Eddie
Capa original de “Live At Donington”: uma dos raros registros do Iron Maiden sem a presença de Eddie

Hoje, 8 de novembro, o álbum “Live At Donington”, do Iron Maiden, faz 20 anos de seu lançamento. Trata-se de uma gravação que a banda inglesa fez no Donington Park, na Inglaterra, no festival “Monsters Of Rock” a dia 22 de agosto de 1993 diante de uma plateia que beirava em 70 mil pessoas. Na ocasião, o grupo formado por Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (voz), Dave Murray e Janick Gers (guitarras) e Nicko Mc Brain (bateria) era o headline do evento.

O Iron Maiden seguia promovendo a turnê de “Fear Of The Dark” e lotando arenas pelo mundo afora, apesar de o Grunge estava a adquirir mais notoriedade no rock em relação ao Metal na época. Aliás, a extensa turnê, que teve 68 shows realizados entre junho e novembro de 1992, incluiu a América do Sul na rota, o que não acontecia desde 1985, quando o grupo fez apenas uma apresentação na primeira edição do Rock In Rio durante a “World Slavery Tour”.

Mas, voltando a Donington, o concerto foi filmado para o lançamento em Home Vídeo e vinil triplo (edição limitada). Na época, o “live” teve uma edição em CD duplo que foi lançado, inicialmente, em apenas alguns países, como Brasil, Canadá, Holanda, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Itália. Porém, em 1998, a versão em CD tornou-se regular no catálogo da banda com o relançamento da discografia do Iron Maiden naquele ano.

Aliás, quando foi lançado, “Live At Donington” apresentava apenas uma capa branca com o logotipo do Iron Maiden na cor preta, ou seja, sem a presença de Eddie, ou seja, é um dos raros registros fonográficos do Iron Maiden sem a sua “mascote”. Todavia, na reedição do álbum, em 1998, a banda optou em colocar o cartaz do concerto original na capa. Além disso, a distribuição das faixas no tracklist das duas versões era diferente: enquanto a primeira edição trazia os dois CD’s com dez faixas cada, a reedição apresentava 14 temas no CD 1 e seis temas no CD 2. Isso se deve por conta do espaço disponível para a inclusão de uma seção multimídia no álbum.

A capa lançada na reedição de 1998 de "Live At Donington"
A capa lançada na reedição de 1998 de “Live At Donington”

Quanto às músicas, uma verdadeira ‘tsunami’ de clássicos da Donzela. Todos os discos de estúdio da banda teve pelo menos um tema apresentado em meio aos 20 sucessos do Maiden. Logo, desde “Iron Maiden” (1980) – que foi representada, além da faixa-título, por “Sanctuary” e “Running Free” – a “Fear Of The Dark” (1992), com a música homônima juntamente com “Be Quick Or Be Dead”, “From Here To Eternity”, “Wasting Love” e “Afraid To Shoot Strangers”.

No entanto, o ápice do concerto dos ingleses foi a presença do guitarrista Adrian Smith, que havia saído da banda em 1990, no palco para fazer uma participação especial na execução de “Running Free”.

E, só para registrar, o álbum foi produzido pelo próprio Steve Harris e foi lançado após a saída de Bruce Dickinson da banda.

Enfim, são quase duas horas de puro deleite para quem aprecia a maior banda de Heavy Metal do mundo (depois do Black Sabbath, é claro).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Live At Donington
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 8 de novembro de 1993
Produtor: Steve Harris

Bruce Dickinson: voz
Steve Harris: baixo
Dave Murray: guitarra
Janick Gers: guitarra
Nicko McBrain: bateria

Michael Kenney: teclados
Adrian Smith: guitarra em “Running Free

CD 1:
1. Be Quick Or Be Dead (Dickinson / Gers)
2. The Number Of The Beast (Harris)
3. Wrathchild (Harris)
4. From Here To Eternity (Harris)
5. Can I Play With Madness (Smith / Dickinson / Harris)
6. Wasting Love (Dickinson / Gers)
7. Tailgunner (Harris / Dickinson)
8. The Evil That Men Do (Smith / Dickinson / Harris)
9. Afraid To Shoot Strangers (Harris)
10. Fear Of The Dark (Harris)
CD 2:
1. Bring Your Daughter… To The Slaughter (Dickinson)
2. The Clairvoyant (Harris)
3. Heaven Can Wait (Harris)
4. Run To The Hills (Harris)
5. 2 Minutes To Midnight (Smith / Dickinson)
6. Iron Maiden (Harris)
7. Hallowed Be Thy Name (Harris)
8. The Trooper (Harris)
9. Sanctuary (Iron Maiden)
10. Running Free (Harris / Di’Anno)

Por Jorge Almeida

Iron Maiden: 20 anos de “A Real Dead One”

"A Real Dead One": o primeiro trabalho do Iron Maiden a ser produzido exclusivamente por Steve Harris
“A Real Dead One”: o primeiro trabalho do Iron Maiden a ser produzido exclusivamente por Steve Harris

Ontem, 18 de fevereiro, foi lembrado o 20º aniversário de “A Real Dead One”, um álbum ao vivo gravado pelo Iron Maiden entre agosto de 1992 e junho de 1993 em diversos países pela Europa durante as “Fear Of The Dark Tour” e “Real Live Tour”. O disco foi o primeiro a ser produzido exclusivamente pelo baixista Steve Harris, que fez a co-produção de “Fear Of The Dark” (1992) com Martin Birch.

Apesar de os primeiros anos da década de 1990 viverem o auge do grunge, os apreciadores do Heavy Metal não ficaram “órfãos”, pois nesse período foram lançados grandes clássicos do gênero, como “Painkiller” (1990), do Judas Priest; “No More Tears” (1991), de Ozzy Osbourne; “Dehumanizer” (1992), do Black Sabbath; “1916” (1991), do Motörhead; o divisor de águas “Metallica” (conhecido como “Black Album”), do próprio, em 1991; e é claro que o Iron Maiden não poderia ficar de fora. Na época, Steve Harris e sua trupe lançaram “No Prayer For The Dying” (1990) e o clássico “Fear Of The Dark”. E mesmo com a “turma de Seattle” em alta, os shows do Iron Maiden continuavam lotando estádios e arenas pelo mundo afora, inclusive com concertos memoráveis no Brasil. E isso pode ser comprovado no “Live At Donington” (1992), registro ao vivo da Donzela lançado em 8 de novembro de 1993.

Contudo, apesar de estar em meio a um “oásis” em relação a situação do rock na época, Bruce Dickinson demonstrava sua insatisfação em continuar como vocalista do Iron Maiden e, disposto a explorar outras vertentes do rock, decidiu sair da banda em 1993, mas concordou em permanecer para uma turnê de despedida e para o lançamento de dois registros ao vivo, o que virou “A Real Live One”, lançado em março de 1993, e “A Real Dead One”, editado em 18 de outubro de 1993, quando o vocalista já estava oficialmente fora da banda. O último concerto de Bruce (antes de sua volta em 1999) foi registrado em 28 de agosto de 1993, filmado pela BBC e lançado em Home Vídeo intitulado “Raising Hell”.

A diferença entre os dois “lives” é que enquanto “A Real Live One” trazia no tracklist faixas que apresentava músicas do período de 1986 a 1992, ou seja, que iam desde “Somewhere In Time” (1986) a “Fear Of The Dark” (1992), “A Real Dead One” tinha os clássicos dos cinco primeiros registros da banda – de 1980 a 1984. Porém, quando toda a discografia do Iron Maiden foi remasterizada, em 1998, os dois registros foram relançados em um CD duplo e com a capa de “Live One”.

E, por falar em capa, a de “Dead One” foi assinada por Derek Riggs que, inclusive, foi uma das últimas de um disco do Maiden feita pelo artista. A arte retrata Eddie como um DJ no inferno. O álbum teve como single uma versão ao vivo de “Hallowed Be Thy Name”, gravada na Arena Olímpica de Moscou em 4 de junho de 1993.

Apesar de a qualidade da produção não ser “lá essas coisas”, o repertório foi bem escolhido para o disco. Inclusive, Janick Gers merece atenção especial aqui, pois, apesar de não ter nenhuma faixa de sua época no Iron Maiden (ele entrou quando o grupo lançou “No Prayer For The Dying”, em 1990), o guitarrista reproduziu as linhas de Adrian Smith com maestria – exceto nos solos, como já é de praxe por parte dele. Além disso, a banda mostrou a mesma competência costumeira dos atuais trinta e tantos anos de estrada.

Desde a primeira faixa, a emblemática “The Number Of The Beast”, passando por hinos como “The Trooper”, “2 Minutes To Midnight”, “Run To The Hills”, até o encerramento com a apoteótica “Hallowed Be Thy Name”, o apreciador do Metal não tem do que reclamar. Inclusive, há temas da fase de Paul Di’Anno, como “Prowler”, “Remember Tomorrow”, “Running Free”, “Sanctuary”, o clássico que dá o nome à banda e até a instrumental “Transylvania” foi inserida.

Enfim, é um grande registro feito pelo Iron Maiden. Contudo, dificilmente você encontrará esse álbum sem ser com a versão dupla, mas isso não pode ser considerado um obstáculo para adquiri-lo.

A seguir, a ficha técnica do play.

Álbum: A Real Dead One
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 18 de outubro de 1993
Gravadora: EM
Produtor: Steve Harris

Bruce Dickinson: voz
Steve Harris: baixo
Dave Murray: guitarra
Janick Gers: guitarra
Nicko McBrain: bateria

Michael Kenney: teclados

1. The Number Of The Beast (Harris)
2. The Trooper (Harris)
3. Prowler (Harris)
4. Transylvania (Harris)
5. Remember Tomorrow (Di’Anno / Harris)
6. Where Eagles Dare (Harris)
7. Sanctuary (Di’Anno / Harris / Murray)
8. Running Free (Di’Anno / Harris)
9. Run To The Hills (Harris)
10. 2 Minutes To Midnight (Dickinson / Smith)
11. Iron Maiden (Harris)
12. Hallowed Be Thy Name (Harris)

Por Jorge Almeida

Iron Maiden faz show nostálgico no Anhembi (20.09.2013)

Bruce Dickinson "screaming" para o público presente no Anhembi, SP. Foto: Raul Zito/G1
Bruce Dickinson “screaming” para o público presente no Anhembi, SP. Foto: Raul Zito/G1

Os paulistanos (e turistas) que compareceram na Arena Anhembi na noite da última sexta-feira, 20 de setembro, pareciam que viajaram no túnel do tempo e voltaram para o ano de 1988 por conta da cenografia e repertório nostálgicos que os britânicos do Iron Maiden proporcionaram ao público. Naquela ocasião, há 25 anos, Steve Harris e sua trupe viviam a sua fase áurea e promoviam a turnê de “Seventh Son Of A Seventh Son”, que teve um de seus shows gravados em Birmingham (terra natal de outros ícones do Metal como Black Sabbath e Judas Priest) lançado em VHS e, anos mais tarde, em CD e DVD, e relançado em 2013. O material levou o nome de “Maiden England”. Então, para celebrar as “bodas de prata” daquela memorável época, os “golden years” da Donzela, que o Iron Maiden entrou em turnê com a “Maiden England Tour” com o setlist praticamente idêntico à turnê de 1988, apenas uma pequena variação, como a saída das ótimas “Die Your Boots On”, “Hallowed Be Thy Name”, “Still Life” e “Infinite Dreams” para as inserções de “Fear Of The Dark”, “Afraid To Shoot Strangers”, “Phantom Of The Opera”, “Aces High”, por exemplo.

Mas, além da Donzela de Ferro, o concerto em São Paulo teve as presenças dos suecos do Ghost e dos norte-americanos do Slayer. A primeira atração da noite foi o Ghost, que subiu ao palco às 18h30, meia-hora acima do horário previsto e, com a sua aparência fantasmagórica e letras relacionadas ao satanismo/ocultismo, fez um show com cerca de 35 minutos, que não chegou a empolgar parte dos presentes no Anhembi.

Depois de alguns minutos, foi a vez do Slayer desfilar a sua avalanche de clássicos do Trash Metal. Conhecido pela grande maioria do público, o grupo foi bem recebido pelos fãs e retribuíram a gentileza com uma sequência de músicas rápidas e pesadas. O grande destaque da performance do Slayer foi a homenagem feita ao guitarrista Jeff Hanneman, morto em maio deste ano. Enquanto Tom Araya e cia. enlouqueciam a plateia com seus clássicos, um imenso pano de fundo de palco com o logomarca semelhante à da cerveja Heineken trazia o nome de Hanneman, que também tinha a sua imagem exibida nos telões que ficavam ao lado do palco enquanto o grupo fazia a sua apresentação ao vivo.

Eis que às 21h10, a principal atração da noite entrou em ação. Com Bruce Dickinson (voz), Steve Harris (baixo), Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers nas guitarras e Nicko McBrain na bateria, o Iron Maiden fez o público delirar em um show que durou 100 minutos distribuídos em 17 clássicos. Se compararmos a apresentação de sexta com a tour de 1988, muitas coisas se repetem, mas ao mesmo tempo se diferenciam por conta da tecnologia, dos efeitos de luz e fogos de artifício. Além disso, a cada tema, os panos de fundo de palco, que geralmente exibia a capa de algum single do Maiden com a presença da mascote Eddie, eram trocados e também os imensos bonecos deram uma pitada especial na noite.

A apresentação do sexteto inglês começou com “Moonchild”, seguido de “Can I Play With Madness”, ambas hits do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”. Na sequência mais clássicos: “The Prisoner”, “2 Minutes To Midnight”, “Afraid To Shoot Strangers”, do disco “Fear Of The Dark” e que, obviamente, não fazia parte do setlist da turnê de 1988. E, entre uma música e outra, Bruce Dickinson mostrou porque é um dos maiores ‘frontman’ do rock: sua disposição, seu carisma e a forma com que conduz o espetáculo faz do palco um quintal para o Mr. Air Raid Siren. E com os seus peculiares berros de “Scream For Me São Paulo! Scream For Me São Paulo!”, Bruce teve o público nas mãos durante toda a apresentação. Mas voltando ao rol dos clássicos maidenmaníacos, outra avalanche: “The Trooper”, “The Number Of The Beast”, “Phantom Of The Opera”, “Run To The Hills”, que teve a presença do gigante Eddie com seus três metros de altura, a empolgante “Wasted Years”, a épica performance da banda em “Seventh Son Of A Seventh Son”, a excelente “The Clairvoyant”, a obrigatória “Fear Of The Dark” e, antes do encore, a música que dá o nome à banda: “Iron Maiden”. Após uma breve pausa, os britânicos voltaram para o bis que teve sequência da mesma forma que abre o álbum “Live After Death”, ou seja, o famoso discurso “Churchill’s Speech” que serviu de brecha para a rápida e certeira “Aces High”, “The Evil That Men Do” e, assim como o primeiro registro ao vivo da Donzela de Ferro, o show do Iron Maiden termina com “Running Free”.

Ao longo da apresentação do Iron Maiden, seus músicos que hoje já passaram da casa dos 50 pareciam garotos: corriam, pulavam, faziam dancinhas, brincavam entre si durante todo o show. Enquanto Bruce, gesticulava, flexionava os joelhos e agitava nos mesmos moldes de 1988, porém, apenas os cabelos que mudaram drasticamente. Além disso, o vocalista atiçava o público ao dizer que o Rock In Rio era irrelevante e que o “Rock In São Paulo soava melhor”, lógico que isso foi interpretado como uma brincadeira. Outro momento engraçado foi quando a câmera focava o baterista Nicko McBrain, que fazia suas caretas para as lentes.

Apesar das apresentações impecáveis das bandas, algumas coisas foram dignas de críticas, tais como:

– Som: boa parte da plateia, especialmente os que estavam na pista “comum”, chiaram com a potência do som, que estava muito baixo, em especial durante à apresentação do Slayer.

– Preço dos “produtos oficiais”: ao passar pelas catracas, o público viu que havia a instalação de um quiosque que vendia itens relacionados às bandas participantes do evento, principalmente camisetas. Porém, em alguns deles, o valor estava estratosférico, como uma camiseta do Iron Maiden que estava sendo comercializada por R$ 100,00. Ou seja, já não bastavam “extorquir” o consumidor com o preço do ingresso, resolveram também “enfiar a facada” em algo que deveria valer, no máximo, R$ 50,00.

E isso sem contar as costumeiras filas desorganizadas do lado de fora, ações de cambistas e extorsões dos flanelinhas que, praticamente, virou tradição em se tratando de grandes eventos, seja lá shows ou atrações esportivas.

Mas, apesar desses empecilhos, no final, o resultado valeu a pena, mesmo que não tenham tocado “Hallowed Be Thy Name”, para minha frustração. E, quem não pode ver a apresentação do Iron Maiden em São Paulo, ainda tem a oportunidade de vê-los, pela TV mesmo, o show da banda no Rock In Rio neste domingo.

Abaixo, o setlist do show do Iron Maiden em São Paulo e que, possivelmente, será o mesmo no festival realizado no Rio de Janeiro.

1. Moonchild (Smith / Dickinson)
2. Can I Play With Madness (Smith / Dickinson / Harris)
3. The Prisoner (Harris / Smith)
4. 2 Minutes To Midnight (Smith / Dickinson)
5. Afraid To Shoot Strangers (Harris)
6. The Trooper (Harris)
7. The Number Of The Beast (Harris)
8. Phantom Of The Opera (Harris)
9. Run To The Hills (Harris)
10. Wasted Years (Smith)
11. Seventh Son Of A Seventh Son (Harris)
12. The Clairvoyant (Harris)
13. Fear Of The Dark (Harris)
14. Iron Maiden (Harris)
Bis:
15. Churchill’s Speech / Aces High (Harris)
16. The Evil That Men Do (Smith / Dickinson / Harris)
17. Running Free (Di’Anno / Harris)

Por Jorge Almeida