Kiss anuncia sua turnê de despedida após quatro décadas de dedicação ao rock

“End Of The Road”, a última turnê do Kiss que começará em 2019. Créditos: kissonline.com

O Kiss anunciou nesta quarta-feira (19) que a sua próxima turnê será a última da banda. Intitulada “End Of The Road Tour”, a última tour do grupo liderado por Gene Simmons e Paul Stanley terá início em 2019. O anúncio foi feito durante uma participação que o quarteto fez no talent show norte-americano “America’s Got Talent”. No entanto, ainda não foram relevadas datas e nem itinerários da turnê derradeira.

Antes mesmo de o Kiss anunciar sua turnê de despedidas, boatos relacionados ao assunto vieram à tona após ter sido registrada a marca que dá nome à tour através da Kiss Catalog Ltd. A solicitação havia sido homologada à United States Patent and Trademark Office (USPTO).

Em depoimento destinado à imprensa, Paul Stanley disse: “Essa será nossa última turnê. Será o maior e mais explosivo show que já fizemos. Pessoas que nos amam, venham nos ver. Se você nunca nos viu, essa é a hora. Será o show”.

Em se tratando de Kiss, os fãs mais fervorosos esperam que essa não seja, de fato, a turnê de despedida da banda, já que essa não é a primeira vez que o grupo faz anúncio do tipo. Em 2000, o Kiss anunciou que encerraria suas atividades. Na época, os caras estavam com a formação original (Gene, Paul, Peter e Ace) e realizaram a “Farewell Tour”. A tour excursionou pela América do Norte no mesmo ano e que, após àquele que seria o show “derradeiro” do grupo, o contrato de Peter Criss se encerraria, mas devido à marcação de datas para tocarem na Ásia e na Austrália em 2001, The Catman não renovou e, com isso, Eric Singer assumiu o banquinho da bateria.

Depois, em 2002, agora sem Ace Frehley, mas com Criss de volta, o Kiss disse que não iria se aposentar. Em 2003, realizaram a “World Domination Tour”, já com o atual guitarrista Tommy Thayer no posto deixado por Ace. E, finalmente, em 2004, o contrato de Peter Criss não foi renovado e ele foi substituído mais uma vez por Eric Singer. E, com essa formação, o Kiss ainda lançou dois discos de estúdio (“Sonic Boom”, em 2009, e “Monster”, em 2012).

Formado em Nova York em 1973, o Kiss lançou ao longo de seus 45 anos de carreira, 20 discos de estúdio, oito álbuns ao vivo e 13 compilações, além de mais de 60 singles. E a banda já se apresentou no Brasil em pelo menos seis oportunidades: 1983, 1994, 1998, 2009, 2012 e 2015. O Kiss foi introduzido ao Hall da Fama do Rock And Roll em 2014.

Será que agora é para valer?

Por Jorge Almeida

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Kiss: 15 anos de “KISS Symphony: Alive IV”

“KISS Symphony: Alive IV”: as versões em CD duplo e simples do show que o Kiss realizou com a Orquestra Sinfônica de Melbourne, na Austrália, em 2003

Neste domingo, 22 de julho, o álbum “KISS Symphony: Alive IV” faz 15 anos de seu lançamento. Gravado ao vivo no Etihad Stadium (anteriormente conhecido como Telstra Dome), em Melborne, na Austrália, em 28 de fevereiro de 2003, o material traz a banda norte-americana tocando seus principais sucessos com a Melbourne Symphony Orchestra sob a regência do renomado David Campbell. Com produção de Mark Opitz, a obra foi lançada pela Sanctuary Records e Kiss Records nos formatos CD duplo, CD simples e DVD.

Com 21 temas distribuídos em dois CD’s, o show foi dividido em três “atos”. No primeiro, entra o Kiss “elétrico” com Gene Simmons (baixo e voz), Paul Stanley (guitarra e voz), Peter Criss (bateria e backing vocal) e Tommy Thayer (guitarra e backing vocal) que tocam seis músicas. No segundo ato, a banda toca com uma parte da Orquestra Sinfônica de Melbourne em formato acústico – essas duas partes ocupam o CD 1. Enquanto isso, no CD 2, o Kiss e a orquestra, agora completa com cerca de 60 pessoas e todas maquiadas com os personagens dos integrantes do Kiss, inclusive o maestro David Campbell e, juntos, executam onze temas, enfatizando boa parte das músicas do álbum “Destroyer”. Vale frisar que as músicas que aparecem no álbum estão na ordem em que elas foram executadas no concerto.

Na conferência de imprensa sobre o anúncio do show, os três integrantes da formação original do Kiss (Gene, Paul e Peter) falaram da expectativa do concerto com orquestra. Stanley prometera que “o resultado não será menor do que um ‘boom sonoro sinfônico’”. Esse foi o único registro oficial da discografia do grupo que foi lançado com essa formação.

Antes do lançamento de “Kiss Symphony: Alive IV”, em 2000, a banda tinha planos de lançar o Alive IV “original”, ou seja, com a formação clássica reunida, porém, isso foi negado pela política de selos e contratos. A obra foi arquivada e uma versão de “Rock And Roll All Nite” saiu no “The Box Set” (2001). Depois, o grupo mudou de gravadora: saiu da Universal/Island para a Sanctuary Music e lançou esse registro. No entanto, em 2006, o que era para ser o quarto álbum “Alive” apareceu como “The Millennium Concert” em um box com todos os álbuns da série de discos ao vivo intitulada “Kiss Alive! 1975-2000”.

Mas, voltando para a apresentação realizada na Austrália, o ato inicial começa com a banda executando dois clássicos do primeiro álbum: “Deuce” e “Strutter”. Na sequência, outro petardo: “Let Me Go, Rock ‘N’ Roll”, de “Hotter Than Hell” (1974). E, antes de anunciar a próxima, Paul Stanley dialoga com o público e destacou a presença de fãs de várias partes do mundo presentes, inclusive do Brasil. O show seguiu com mais três sucessos: “Lick It Up”, “Calling Dr. Love” e “Psycho Circus”, que foi a única dos anos 1990 tocada na noite. E fim do primeiro ato.

O segundo ato, em formato acústico, teve início com Peter Criss à frente do palco cantarolando a sua eterna “Beth”.  Na sequência, foi a vez de Paul Stanley mandar ver com a melódica “Forever” e Gene assumir os vocais da incrível “Goin’ Blind”. E as duas últimas baladas ficam por contas de temas que são tratados como verdadeiros hinos pelos países da Oceania: “Sure Know Something” e “Shandi”. Isso porque quando o Kiss tocou pela primeira vez no continente, em 1980, o grupo estava em turnê com o álbum “Unmasked” e, naquela época, parte do setlist era composto por faixas desse disco e também de “Dynasty” (1979), que Paul Stanley reforçou no show que, lá na terra dos cangurus, eles pronunciam “Dinasty”. Ou seja, é o mesmo efeito que “Creatures Of The Night” (1982) tem aqui para nós brasileiros.

O CD 2, que traz toda a Melbourne Symphony Orchestra completa, começa muito bem com o hino “Detroit Rock City”, emendada com “King Of The Night Time World”. Posteriormente, mais um som de “Destroyer”: “Do You Love Me?”, que ficou sensacional com a presença da orquestra. A festa sinfônica deu sequência com outro hit: “Shout It Out Loud”. E, antes de começar a canção seguinte, em seu tradicional “Bass Solo”, Gene Simmons faz careta, cospe “sangue” e é alçado por cabos de aço até o alto do palco, onde havia um espaço para ele, de lá, cantar de forma endiabrada a fantástica “God Of Thunder”, que ficou mais pesada ainda com o desempenho da orquestra. Com Peter Criss batendo na caixa em ritmo de marcha na introdução, parecia que estávamos indo em direção às trevas. O show seguiu com “Love Gun” que, enquanto a ‘intro’ era executada, Paul Stanley contou com o auxílio de uma tirolesa que o transportou até uma plataforma instalada no meio da arena e, de lá, cantou a faixa-título do disco de 1977. Contrastando com a performance demoníaca de “God Of Thunder”, o mesmo “The Demon” mostra suavidade na bela “Great Expectations”, que teve o suporte das crianças do Australian Children’s Choir no backing vocal. E, para finalizar o concerto: “I Was Made For Lovin’ You”, que o público celebrou efusivamente, assim como o ‘gran finale’ com a obrigatória “Rock And Roll All Nite” e a tradicional “chuva” de papel picado.

Além do excelente repertório, o registro também apresenta um conjunto de imagens espetaculares do show, inclusive os closes dados em fãs que, inclusive, com alguns deles com as maquiagens dos integrantes. E sem falar os habituais espetáculos de pirotecnia e luzes e tudo isso com a orquestra maquiada mandando ver nos temas.

O material também foi lançado em DVD duplo (que saiu em setembro de 2003). Além do mesmo show do CD duplo, um dos DVD’s traz os costumeiros extras, que mostra o make-off do show e outras coisas mais, mas com destaque para a entrevista do Kiss e a performance de “Sure Know Something” com parte da orquestra em uma emissora de TV australiana.

Curiosamente, foi lançada uma edição limitada de dez mil cópias numeradas em vinil nos Estados Unidos. E, em 7 de outubro de 2003, o álbum ganhou uma edição em CD simples, obviamente com menos músicas, porém, com uma faixa bônus: “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?”, que o Kiss gravou para o álbum-tributo aos Ramones (“We’re A Happy Family”) lançado no mesmo ano. Contudo, o Kiss gravou com uma nova formação: Simmons, Stanley, Thayer e Eric Singer, que substituiu Peter Criss. Além deles, Scott Paige, saxofonista que trabalhou com o Pink Floyd no começo dos anos 1970, e Derek Sherinian, nos teclados, participaram da gravação do tema ‘ramônico’.

Esse é um grande registro ao vivo do rock. A mistura de “couro preto com smoking” protagonizado entre o Kiss e a orquestra sinfônica de Melbourne deu certo, pelo menos em minha concepção. Pois, as músicas ganharam mais peso e o espetáculo continuou de qualidade ímpar, coisas que só o Kiss é capaz de proporcionar. Na dúvida entre o CD e o DVD: leve os dois, se puder. Vale cada centavo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão dupla e simples) da obra.

Álbum: KISS Symphony: Alive IV
Intérprete: Kiss
Lançamento: 22 de julho de 2003
Gravadora: Sancturary Records / Kiss Records
Produtor: Mark Opitz

Paul Stanley: guitarra base e voz
Gene Simmons: baixo e voz
Peter Criss: bateria e voz
Tommy Thayer: guitarra solo e backing vocal
Eric Singer: bateria em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?

The Melbourne Symphony Orchestra
David Campbell: maestro
Australian Children’s Choir: coral em “Great Expectations
Scott Paige: saxofone em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?
Derek Sherinian: teclados em “Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?

Versão CD duplo:
CD 1:
Act One – Kiss
1. Deuce (Simmons)
2. Strutter (Stanley / Simmons)
3. Let Me Go, Rock ‘N’ Roll (Stanley / Simmons)
4. Lick It Up (Vincent / Stanley)
5. Calling Dr. Love (Simmons)
6. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
Act Two – Kiss with The Melbourne Symphony Ensemble
7. Beth (Criss / Penridge Ezrin)
8. Forever (Stanley / Bolton)
9. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
10. Sure Know Something (Stanley / Poncia)
11. Shandi (Stanley / Poncia)

CD 2:
Act Three – Kiss with The Melbourne Symphony Orchestra
1. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
2. King Of The Night Time World (Stanley / Ezrin / Fowley / Anthony)
3. Do You Love Me? (Stanley / Ezrin / Fowley)
4. Shout It Out Loud (Simmons / Stanley / Ezrin)
5. God Of Thunder (Stanley)
6. Love Gun (Stanley)
7. Black Diamond (Stanley)
8. Great Expectations (Simmons / Ezrin)
9. I Was Made For Lovin’ You (Stanley / Child / Poncia)
10. Rock And Roll All Nite (Simmons / Stanley)

Versão CD simples:
Act One – Kiss
1. Deuce (Simmons)
2. Lick It Up (Vincent / Stanley)
3. Calling Dr. Love (Simmons)
Act Two – Kiss with The Melbourne Symphony Ensemble
4. Beth (Criss / Penridge / Ezrin)
5. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
6. Shandi (Stanley / Poncia)
Act Three – Kiss with The Melbourne Symphony Orchestra
7. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
8. King Of The Night Time World (Stanley / Ezrin / Fowley / Anthony)
9. Do You Love Me? (Stanley / Ezrin / Fowley)
10. Shout It Out Loud (Simmons / Stanley)
11. God Of Thunder (Stanley)
12. Love Gun (Stanley)
13. Black Diamond (Stanley)
14. Great Expectations (Simmons / Ezrin)
15. Rock And Roll All Nite (Simmons / Stanley)
16. Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio? (bônus track) (Joey Ramone)

Por Jorge Almeida

Kiss: 20 anos de “Carnival Of Souls – The Final Sessions”

“Carnival Of Souls – The Final Sessions”: o álbum “esquecido” do Kiss

Hoje, 28 de outubro, o décimo sétimo disco de estúdio do Kiss, “Carnival Of Souls – The Final Sessions”, completa 20 anos de seu lançamento. Gravado entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996, o material foi produzido por Toby Wright, Gene Simmons e Paul Stanley. Na verdade, trata-se de um álbum “esquecido” na já vasta discografia da banda norte-americana. Isso se deve porque o disco precisou ser lançado em meio à turnê da volta da formação clássica.

O play traz uma mistura de estilos musicais, com mais influência do grunge de Seattle, especialmente pelo Alice In Chains, e, devido a isso, o material não foi muito bem visto pelos fãs. Além disso, foi o último trabalho com a formação Gene Simmons, Paul Stanley, Bruce Kulick e Eric Singer. Fora o grunge, vertentes do rock como doom metal se faz presente em canções como “Jungle” e “Seduction Of The Innocent”, enquanto a faixa de abertura, “Hate”, traz uma pegada associada ao trash. Mas o heavy metal dá as caras em temas como “Rain” e “In The Mirror” e uma pitada de progressivo, como em “I Walk Alone” que é cantada por Bruce Kulick – é a única música em que o competente guitarrista soltou o gogó na banda em quase doze anos.

Assim como “Music From (The Elder)”, de 1981, esse álbum também não contou com uma turnê de divulgação. Semanas após a apresentação para o “Unplugged Mtv”, a line-up do Kiss da época (Simmons, Stanley, Kulick e Singer) entrou em estúdio depois de três anos para gravar “Carnival Of Souls…”, que ficou engavetado por quase dois anos e o disco só saiu porque cópias ‘bootlegs’ do álbum já circulavam amplamente entre os fãs. Então, para não ter um prejuízo maior, o Kiss e a gravadora optaram em montar um copilado dessas canções compostas pela banda que saíram nesses materiais não-oficiais e juntá-lo em um disco oficial.

Inclusive, algumas faixas, como “Childhood’s End” e “In My Head” foram compostas por Gene Simmons em parceria com dois ex-integrantes do Black ‘N’ Blue – o vocalista Jaime St. James e o guitarrista Tommy Thayer, que substituiu Ace Frehley no Kiss a partir de 2003.

O disco abre com a ‘raivosa’ “Hate”, que traz um baixo pesado e o vocal rancoroso de Gene Simmons. Na sequência, “Rain” traz um Paul Stanley em plena forma e um ótimo riff e muito barulho. O terceiro tema é “Master & Slave”, que contém outro baixo pesado e um formidável trabalho de Bruce Kulick no solo, além de um “seco” Eric Singer, que não firulou na música. Posteriormente, o álbum segue com a bela “Childhood’s End”, que mostra um desempenho impecável de Simmons aliado a um refrão pegajoso. Aliás, é uma espécie de “Great Expectations” (um lado B de “Destroyer”) dos anos 1990. A faixa cinco é “I Will Be There”, que foi uma tentativa (frustrada) de Paul Stanley fazer uma balada semelhante à belíssima “I Still Love You”, clássico de “Creatures Of The Night” (1982). A canção tem seus méritos, como o aprimorado arranjo de cordas, porém, não está dentre as melhores baladas da banda. E o play chega à metade com “Jungle”, que tem um bom riff de baixo, que foi complementado pelas guitarras, faz dela uma das melhores músicas feitas com essa formação. Aliás, o baixo nesta (e também em outras) foi feito por Bruce Kulick.

A sétima faixa é “In My Head”, composta por Gene Simmons e Scott Van Zen (que também colaborou com o baixista em “Spit”, faixa de “Revenge”). Apesar do peso e da simplicidade, em minha opinião, é a faixa mais fraca do disco. O álbum segue com a lenta “It Never Goes Away”, que mistura os duetos vocais do Alice In Chains e um clima à Black Sabbath por conta do riff “iommístico”. A faixa nove é “Seduction Of The Innocent”, outra parceria Simmons/Van Zen, que traz uma boa interpretação de Gene. Em seguida, o play continua com “I Confess”, que poderia muito bem fazer parte de um álbum solo do baixista, mas que foge um pouco da atmosfera do disco, mas que traz excelentes versos. A penúltima faixa é “In The Mirror”, que tem a bateria seca de Eric Singer e um ótimo solo de Kulick como destaques, além de boa interpretação de Paul. E, para encerrar, “I Walk Alone”, parceria feita entre Bruce Kulick e Gene Simmons. É a faixa cantada pelo guitarrista e tem típicas características de canções feitas pelo linguarudo baixista.

Quem ouve o álbum pela primeira vez, poderá associá-lo facilmente a um disco composto por uma banda dos anos 1990, porém, o ouvinte ficará mais pasmo ainda se souber que trata-se de um disco do Kiss. É um bom disco, pode até não ter o mesmo peso e significância que um “Destroyer”, “Rock And Roll Over” ou “Love Gun”, mas que é superior à maioria dos discos da década de 1980 lançados pela banda isso é fato.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Carnival Of Souls – The Final Sessions
Intérprete: Kiss
Lançamento: 28 de outubro de 1997
Gravadora: Mercury
Produtores: Toby Wright, Paul Stanley e Gene Simmons

Paul Stanley: voz e guitarra base
Gene Simmons: baixo e voz
Bruce Kulick: guitarra solo, baixo em “I Will Be There”, “Rain”, “Jungle”, “It Never Goes Away”, “In The Mirror” e “I Walk Alone” e voz solo “I Walk Alone
Eric Singer: bateria, percussão e backing vocal

1. Hate (Simmons / Van Zen / Kulick)
2. Rain (Stanley / Kulick / Cuomo)
3. Master & Slave (Staley / Kulick / Cuomo)
4. Childhood’s End (Simmons / Thayer / Kulick)
5. I Will Be There (Stanley / Kulick / Cuomo)
6. Jungle (Stanley / Kulick / Cuomo)
7. In My Head (Simmons / Van Zen / James)
8. It Never Goes Away (Stanley / Kulick / Cuomo)
9. Seduction Of The Innocent (Simmons / Van Zen)
10. I Confess (Simmons / Tamplin)
11. In The Mirror (Stanley / Kulick / Cuomo)
12. I Walk Alone (Simmons / Kulick)

Por Jorge Almeida

Kiss lançará “Kiss Rocks Vegas” em agosto

"Kiss Rock Vegas", o próximo "live" do Kiss que será lançado no final de agosto. Crédito: divulgação
“Kiss Rocks Vegas”, o próximo “live” do Kiss que será lançado no final de agosto. Crédito: divulgação

A lendária banda norte-americana Kiss lançará no próximo dia 26 de agosto (um dia após Gene Simmons completar 67 anos) mais um álbum ao vivo de sua vasta discografia. Trata-se de “Kiss Rocks Vegas”, que será desencadeado pela Eagle Rock Entertainment. O trabalho terá diversos formatos: DVD + CD, Blu-ray + CD, DVD + 2 LP’s ou a edição “Deluxe”, que vem com DVD + Blu-ray + 2 CD’s.

Captado em meio da turnê “40th Anniversary World Tour”, os recentes integrantes do seleto Rock And Roll Of Fame agitou Las Vegas durante sua estadia no The Joint, no Hard Rock Hotel e Casino, em novembro de 2014. O material apresenta os maiores clássicos do Kiss ao longo de seu legado de 44 álbuns: “Rock And Roll All Nite”, “Detroit Rock City”, “Shout It Out Loud”, “Love Gun”, e outros mais. Como bônus, “Kiss Rock Vegas” inclui um setlist acústico com sete temas.

Com pirotecnia em abundância, o filme apresenta fogo, eletricidade e todo tipo de experiência que se tem em um show de rock, que fez com que o Kiss vendesse mais de 100 milhões de discos no mundo todo.

A luxuosa edição do material traz um pacote com capa dura, um livreto 12×12, ostentando fotos do show e um CD exclusivo.

Embora ainda não tenha previsão de lançamento no Brasil, “Kiss Rocks Vegas” pôde ser conferido em 30 salas de cinema do País no último dia 25 de maio.

Resta-nos agora aguardar e juntar uma graninha, pois, o próximo lançamento dos mascarados poderá custar algumas bagatelas de três dígitos.

A seguir, a ficha técnica e o setlist de “Kiss Rocks Vegas”.

Álbum: Kiss Rocks Vegas
Intérprete: Kiss
Lançamento: 26 de agosto de 2016
Gravadora: Eagle Rock Entertaiment

Paul Stanley: voz, backing vocal e guitarra-base
Gene Simmons: voz, baixo e backing vocal
Eric Singer: bateria, backing vocal e voz
Tommy Thayer: guitarra solo e backing vocal

1. Detroit Rock City (Stanley / Ezrin)
2. Creatures Of The Night (Stanley / Mitchell)
3. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
4. Parasite (Frehley)
5. War Machine (Simmons / Adams / Vallance)
6. Tears Are Falling (Stanley)
7. Deuce (Simmons)
8. Lick It Up (Stanley / Vincent)
9. I Love It Loud (Simmons / Vincent)
10. Hell Or Hallelujah / Tommy Solo (Stanley) / (Thayer)
11. God Of Thunder (Stanley)
12. Do You Love Me (Stanley / Fowley / Ezrin)
13. Love Gun (Stanley)
14. Black Diamond (Stanley)
15. Shout It Out Loud (Stanley / Simmons / Ezrin)
16. Rock And Roll All Nite (Stanley / Simmons)
Acoustic Set:
17. Comin’ Home (Stanley / Frehley)
18. Plaster Caster (Simmons)
19. Hard Luck Woman (Stanley)
20. Christine Sixteen (Simmons)
21. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
22. Love Her All I Can (Stanley)
23. Beth (Criss / Penridge / Ezrin)

Por Jorge Almeida

Resenha do livro que conta os primórdios do Kiss

Livro traz cerca de 200 depoimentos de pessoas ligadas aos primeiros anos do Kiss
Livro traz cerca de 200 depoimentos de pessoas ligadas aos primeiros anos do Kiss

Lançado em 2013, o livro “Nothin’ To Lose – A Formação do Kiss – 1972-1975” traz em 560 páginas depoimentos de pessoas que fizeram parte do começo de uma das maiores bandas da história do rock, o Kiss. Escrito por Ken Sharp (jornalista responsável por outra obra envolvendo a banda – “Kiss – Por Trás das Máscaras”, de 2005), com colaboração de Gene Simmons e Paul Stanley, a obra foi lançada no Brasil pela editora Benvirá (selo da Editora Saraiva).

A obra apresenta mais de 200 depoimentos de pessoas que vão desde roadies, seguranças, técnicos de palcos, proprietários de clubes, fotógrafos, produtores, músicos, fãs, entre outros, o livro podemos definir como um autêntico dossiê do Kiss. Inclusive, há fotos raras do grupo.

O registro conta minuciosamente as adversidades que a banda e seu staff tiveram desde o começo: a dificuldade em conseguir encontrar uma gravadora e a rejeição dos promotores de eventos em incluir o grupo nos principais “points” de rock em Nova York, a busca pela fama e o estrelato, a ambição dos nova-iorquinos que quase levaram a gravadora Casablanca à falência, as fracas vendas dos primeiros álbuns – “Kiss” (1974), “Hotter Than Hell” (1974) e “Dressed To Kill” (1975) – até o estouro com “Alive!” (1975), que definitivamente salvaram as finanças do Kiss e, claro, da gravadora.

Os próprios integrantes – Ace Frehley, Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss – também deixam suas aspas na obra. Eles contam a origem de tudo, inclusive na forte influência do New York Dolls e de Alice Cooper, principalmente, nas maquiagens que consagraria o Kiss. Ou seja, em nenhum ponto o Secos & Molhados é citado, que fique claro.

Nos depoimentos, alguns entrevistados – como roadies e técnicos – destacam que o empenho em amor ao Kiss era tanto que, em algumas ocasiões, trabalhavam sem receber, mas valia a pena fazer todo o esforço para que o quarteto realizasse o espetáculo que, anos mais tarde, faria deles a “banda mais quente do mundo”. O “staff” também detalha a rivalidade com outros grupos, especialmente o Aerosmith e o New York Dolls.

Além disso, o livro mostra como os bombásticos shows da banda atraía o público, a tal ponto que fez outros grupos mais populares na época rejeitarem o Kiss como banda de abertura simplesmente pelo fato de o quarteto ofuscar a atração principal, e mesmo com a popularidade de suas apresentações, não estavam sendo traduzidos em vendagens de discos. E também aborda a visão ousada e criativa de seu empresário, Bill Aucoin, e de Neil Bogart (presidente da Casablanca), que não pouparam esforços para investirem no sucesso do Kiss, que foram recompensados com o “estouro” de “Alive!”, considerado um dos melhores registros ao vivo da história do rock, apesar de contar com “overdubs”.

E, assim como o livro de 2005, “Nothin’ To Lose” traz depoimentos “chapa branca” de membros de outras bandas, como Rush, Blue Öyster Cult, Black Sheep, entre outras, e, inclusive, em seu depoimento, o baterista do Red Hot Chili Pepper, Chad Smith, esteve presente no Cobo Hall, em Detroit, em uma apresentação da banda no registro que viria ser “Alive!”.

O título do livro – “Nothin’ To Lose” – foi tirado de uma das músicas de seu primeiro álbum. Mas a música que traz o enredo que define bem o árduo caminho percorrido pelo Kiss em busca do sucesso é “God Gave Rock ‘N’ Roll To You II”, faixa presente em “Revenge” (1992). Uma vez que “Nothin’ To Lose” (a música) fala sobre a insistência do interlocutor em coagir com a namorada a prática do sexo anal, ou seja, fugindo totalmente da temática do livro.

O livro é ideal para quem gosta do Kiss e para quem não gosta do Kiss, já que mostra detalhadamente a forma que o grupo batalhou para chegar até onde se encontra e que, quem quiser, se motivar em buscar o seu “lugar o Sol”, afinal, “it’s never too late to work nine-to-five”. Obrigatório.

A seguir a ficha técnica da publicação.

Livro: Nothin’ To Lose – A Formação do Kiss – 1972-1975
Autores: Ken Sharp com colaboração de Gene Simmons e Paul Stanley
Editora: Benvirá (selo da Editora Saraiva)
Número de páginas: 560 (fora as 32 páginas não numeradas com fotos)
Ano de edição: 2013 (1ª edição)
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida

Analisando “Eu, S.A.”, de Gene Simmons

Capa de "Eu, S.A.", o livro do empreendedor Gene Simmons
Capa de “Eu, S.A.”, o livro do empreendedor Gene Simmons

Atenção!! Antes de prosseguir a leitura, um aviso: se você é metido a socialista, comunista e afins, enfim, é crítico ao que chamam de “capitalista opressor”, não precisa seguir adiante. Pois a breve análise que descreverei abaixo trata-se de um livro escrito por um capitalista convicto, orgulhoso morador dos Estados Unidos e sem papas na língua. Recado dado, prosseguimos. No último mês de abril, o Kiss passou por aqui e, em São Paulo, foi o headline do segundo dia do festival Monsters Of Rock. Na véspera de sua apresentação na capital paulista, o baixista Gene Simmons aproveitou para divulgar o seu mais recente livro na Livraria Cultura do Conjunto Nacional: “Eu, S.A.” (OK, o nome completo da obra é “Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios”). Claro que a presença do ‘linguarudo’ causou alvoroços no local.

Gene Simmons, como é de conhecimento de todos, é co-fundador do Kiss. Embora tenha mais de 40 anos de carreira, nos últimos anos, o baixista tem chamado mais atenção pelo que anda falando por aí do que pela música em si. Além disso, é muito conhecido no meio como “o homem dos negócios” do Kiss, enfim, o “marketeiro” da banda. Mas esse status atribuído a ele não veio por acaso. O livro retrata como Gene usufruiu da fama para se tornar um empreendedor e ficar milionário.

Lançado pela editora Fábrica 231, “Eu, S.A.” apresenta em um pouco mais de 250 páginas (25 capítulos mais prefácio – feito por John Varvatos e agradecimentos) divididos em duas partes – “Eu” e “Você” – em que Gene Simmons dá uma série de dicas e conselhos, alguns não tão recomendáveis assim, de como se tornar um empreendedor de sucesso, especialmente no ramo que adotou nas últimas quatro décadas.

Como se era de imaginar, o israelense naturalizado norte-americano, no começo, conta a dificuldade que tivera na infância em sua terra-natal, a sua vinda à “terra das oportunidades” (os EUA), os entreveros para montar uma banda de rock e o seu lado “muquirana” para conseguir os seus primeiros trocados.

Sendo um genuíno “self made man”, Simmons tornou-se ao longo dos anos, boa tarde atribuída ao sucesso do Kiss, um empreendedor de mão cheia. No livro, a sua nada modéstia prevalece: acredita nas suas convicções, descreve com orgulho a sua gama de negócio que vai além da música, como os itens de merchandising do Kiss (que vai desde camisetas a caixão), a criação de uma gravadora, uma rede de restaurantes, a realização de um reality show, personagem de videogames, de seu time de futebol americano, enfim, todas as empreitadas encaradas por esse mestre do marketing pessoal.

Entre os conselhos que Gene dá, por exemplo, “espalhar os riscos”, ou seja, investir em coisas diferentes, não tirar férias se você for jovem, priorizar a carreira para depois casar ou, ainda, aprender falar inglês, entre outras coisas.

Ele deixa bem claro que é um capitalista convicto e demonstra eterna gratidão aos Estados Unidos por ter conseguido tudo por lá. Mas a obra destaca também alguns pontos negativos no caminho que Simmons encontrou até chegar ao topo, como as crises com os integrantes do Kiss, os problemas que o reality show causou que quase culminou com o fim de sua relação com Shannon Tweed.

Embora muitos não gostem de sua personalidade arrogante e prepotente, Gene Simmons é um sujeito sincero e convicto de suas decisões, conforme o livro atesta e explica também os motivos que levam o Kiss a ser uma das bandas mais bem-sucedidas da história do rock (se bem que o alerta dado por Paul Stanley, relatada em sua biografia, sobre as finanças do grupo nos anos 1980 não é mencionada por Gene). E alguns de seus conselhos são realmente válidos para quem quer vencer no mundo dos negócios, não necessariamente no mundo do rock.

Aliás, quem comprar o livro como “fã do Kiss” poderá ficar decepcionado, pois o seu foco não é a banda, mas sim o empreendedorismo de um de seus fundadores.

Pelas redes circulam rumores de que o Kiss continuará após Gene Simmons e Paul Stanley se aposentarem. Muitos fãs e seguidores da banda acham isso um absurdo. Mas, após ler esse livro, poderá compreender que, de acordo com a filosofia de Gene – eternizar a marca “Kiss” – é uma atitude compreensível. E é mesmo. Afinal, já que o baixista trata o Kiss não apenas como uma banda de rock, mas sim como uma marca, poderá figurar para as próximas gerações o mesmo patamar de uma Coca-Cola ou uma Ford, por exemplo. Aliás, analisando bem, se o Kiss é uma marca, por que acabá-lo após as (possíveis) saídas de seus integrantes fundadores? Enfim, a Coca-Cola não deixou de existir quando John Pemberton, seu criador, morreu em 1888, ou até mesmo o Mc Donald’s não fechou suas portas devido às saídas da cena dos irmãos Dick e Maurice McDonald. Então, a mesma situação cabe à marca Kiss.

O livro é uma boa indicação para quem aprecia esses lances de empreendedorismo e tal, e, obviamente, para quem é fã de Gene Simmons, independentemente de suas opiniões, controversas ou não.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios
Autor: Gene Simmons
Editora: Fábrica 231
Ano de lançamento: 2015 – 1ª edição
Páginas: 255
Preço médio: R$ 23,50

Por Jorge Almeida

Kiss: 40 anos de “Hotter Than Hell”

"Hotter Than Hell": o segundo trabalho do Kiss, que é o preferido de Dave Mustaine, do Megadeth
“Hotter Than Hell”: o segundo trabalho do Kiss, que é o preferido de Dave Mustaine, do Megadeth

Na última quarta-feira (22), o segundo álbum do Kiss, “Hotter Than Hell”, completou 40 anos de seu lançamento. Gravado durante o mês de agosto de 1974 no Village Recorder Studios, em Los Angeles, o disco foi lançado pela Casablanca Records e, assim como o ‘debut’, trouxe a assinatura da dupla Kenny Kerner e Richie Wise na produção.

Como a dupla mudou-se para Los Angeles, os integrantes da banda odiaram a ida para lá, que culminou inclusive com alguns incidentes, como o furto de uma guitarra de Paul Stanley e um acidente de carro envolvendo Ace Frehley. Em virtude da falta de adaptação à cidade, a dupla Stanley/Frehley compuseram “Comin’ Home”.

O play foi marcado por alguns empecilhos para o grupo: a mudança para Los Angeles, a estratégia fracassada da Casablanca em cuidar da promoção do álbum (a gravadora se comprometeu com tudo: desde agendamento de shows a divulgação do disco), tanto que o disco vendeu menos que o seu antecessor, e os citados acidente com Ace e furto da guitarra de Paul. Além disso, alguns ‘eventos’ que foram realizados no processo de gravação deixou claro a divisão que o Kiss teria dali para frente: os “porras loucas” Peter e Ace de um lado e do outro Paul Stanley e o abstêmio Gene Simmons.

A princípio, o disco se chamaria “The Harder They Come”, mas para evitar confusões com o trabalho homônimo de Jimmy Cliff, que foi lançado em 1972, a banda optou por um nome que sintetize bem o espírito da coisa: “Hotter Than Hell” (“Mais Quente que o Inferno”).

Ace relatou que “Hotter Than Hell” foi mais difícil de gravar em relação ao primeiro álbum porque eles estavam em plena turnê quando a gravadora queria lançar um trabalho novo. Já o produtor Kenny Kerner comentou que o disco foi praticamente gravado ao vivo e que, devido a isso, o som ficara mais pesado, embora Richie Wise tenha odiado o som.

Enquanto Ace Frehley mostrou mais seu lado compositor em relação ao ‘debut’ ao compor dois temas sozinho e ter sido co-autor da citada “Comin’ Home”, Peter Criss queria mostrar mais o seu espaço na banda ao insistir em cantar “Mainline” e pela inclusão de um solo de bateria de sete minutos (!?) em “Strange Ways”, outra música cantada por ele no álbum.

Quanto ao tracklist, as faixas mais antigas foram “Goin’ Blind”, parceria de Gene Simmons e Steve Coronel nos tempos do Wicked Lester e que se chamava “Little Lady” e “Watchin’ You”, que foi gravada na demo entregue à Casablanca antes da gravação do primeiro álbum. As demais surgiram entre a turnê de “Kiss” e a pré-produção de “Hotter Than Hell”.

O repertório do álbum, composto por dez faixas, traz o Kiss na sua essência: músicas não tão complexas, mas sim um Hard básico e objetivo, e suas letras não são de caráter político-social, mas sim de diversão e aventuras amorosas, coisas que a banda leva até hoje. Merecem atenção especial as faixas “Goin’ Blind”, a balada-Heavy de Gene Simmons em que o protagonista de 93 anos se apaixona por uma jovem de 16; a emblemática faixa-título (adoro o riff que é executado no “fade out”); a rocker “Let Me Go, Rock ‘N’ Roll”, que é uma prévia de “Rock And Roll All Nite”; “Watchin’ You”, cuja letra, segundo Simmons, veio de um filme de Alfred Hitchcock chamado “Rear Window” (“Janela Indiscreta”), de 1954; e “Comin’ Home”, que Paul Stanley e Ace Frehley compuseram inspirados na situação que estavam passando no momento da gravação do play, como os quartos de hotel apertado em Los Angeles e a saudade de casa – Nova York.

Quanto à capa do álbum, merece uma atenção especial. A concepção dela veio de Norman Seeff, que queria colocar caracteres japoneses na capa para passar a (falsa) impressão de que a banda já era conhecida no Japão (ou seria para atrair o público nipônico para junto da banda?). O caractere japonês na parte inferior da capa do álbum (力) é “chikara”, que significa “poder”. Ele viria a ser usado pela banda anos mais tarde, especialmente no kit de bateria de Eric Carr e na contracapa de “Crazy Nights” (1987). Os caracteres japoneses no canto superior direito da capa do álbum (地獄 の さ け び) são “Jigoku no Sakebi”, que significa “o grito do inferno”.

A sessão de fotos para a capa foi realizada também por Norman Seeff, em Los Angeles. Na contracapa, cada membro do Kiss foi clicado em um clima de festa. Aliás, no evento, os caras – exceto Gene Simmons – estavam bêbados, inclusive as garotas que posaram junto com eles. O baixista disse que aquela tinha sido uma das poucas vezes que ele viu Paul bêbado. No entanto, em virtude do acidente sofrido, Ace Frehley só foi maquiado parcialmente por causa dos cortes sofridos no rosto. A outra metade teve interferência gráfica pelo departamento de arte da gravadora.

Esse é um excelente trabalho para quem quiser conhecer melhor o Kiss. Apesar da falha no processo de divulgação do álbum, “Hotter Than Hell” é clássico. Não é à toa que ele é o disco do Kiss preferido de Dave Mustaine, o “boss” do Megadeth.

A seguir, a ficha técnica e o tracklista do play.

Álbum: Hotter Than Hell
Intérprete: Kiss
Lançamento: 22 de outubro de 1974
Gravadora: Casablanca Records
Produtores: Kenny Kerner e Richie Wise

Ace Frehley: guitarra-solo, backing vocal em “Parasite”, “Comin’ Home” e “Strange Ways” e baixo em “Parasite
Gene Simmons: voz e baixo
Paul Stanley: voz e guitarra-ritmo
Peter Criss: bateria, percussão e voz em “Mainline” e “Strange Ways

1. Got To Choose (Stanley)
2. Parasite (Frehley)
3. Goin’ Blind (Simmons / Coronel)
4. Hotter Than Hell (Stanley)
5. Let Me Go, Rock ‘N’ Roll (Simmons / Stanley)
6. All The Way (Simmons)
7. Watchin’ You (Simmons)
8. Mainline (Stanley)
9. Comin’ Home (Stanley / Frehley)
10. Strange Ways (Frehley)

Por Jorge Almeida