Sinopse de “Freddie Mercury”, o livro, de Selim Rauer

Capa de “Freddie Mercury”, de Selim Rauer

O jornalista, filósofo e escritor Selim Rauer é o autor de “Freddie Mercury“, o livro que, no Brasil, saiu pela Editora Planeta. em 2010. Com cerca de 320 páginas, a publicação vai além do mito, mostrando falhas e segredos de Freddie Mercury, um sujeito que marcou a década de 1970 com sua voz e um estilo irreverente e único.

Selim reconstruiu de forma satisfatória a trajetória do eterno vocalista do Queen – desde o seu nascimento, em 1946, até a sua morte no fatídico 24 de novembro de 1991, nesta biografia. Para o material, o jornalista utilizou como fonte de pesquisa um seleto arquivo de textos (livros) e vídeos sobre o cantor. Logo, a falta de entrevistas com algumas pessoas mais próximas do vocalista, por exemplo, poderia ter deixado a biografia ainda mais completa.

Apesar disso, o livro aborda de forma bem clara a infância de Farrokh Bulsara, que muito cedo precisou deixar a casa dos pais na Tanzânia, para estudar em um rigoroso internato em Bombaim, na Índia. E foi lá que ele começou a sofrer bullying, por conta dos dentes e o jeito afeminado, e também a sua homossexualidade, que ficou oprimida por muito tempo.

Então, o jovem Farrokh encontrou nas artes e na música a sua válvula de escape e se dedicou. Até que, em 1966, Freddie Mercury se matriculou no Ealing College Of Art para continuar a estudar, fazendo, inclusive, o nível superior. Morando em Londres, já com os pais morando na capital londrina também, o filho de Jer e Bomi Bulsara se virava do jeito que dava para conseguir uma grana e que tinha em mente de que seria um grande artista e que, posteriormente, conheceu aqueles que, juntamente com ele, realizaria o seu solo de ser uma estrela: nascia o Queen.

A obra mostra os perrengues que toda banda iniciante passa com relação ao mercado fonográfico, os contratos mal-sucedidos e afins. Assim, o Queen, a cada ano que passava, o sucesso só crescia e a banda entrava na década de 1980 como o maior grupo de rock do mundo. Bom, isso quase todas as biografias do Queen e de Freddie Mercury mencionam.

Mas, voltando ao livro de Selim, ele explana a frustração da banda, especialmente Mercury, o fracasso das vendas do álbum “Hot Space” (1982) e o envolvimento cada vez mais excessivo do cantor com o consumo de cocaína. Já nessa época, Freddie já indicava interesse em lançar um álbum solo, que aconteceu em 1985 com “Mr. Bad Guy“, que também decepcionou o cantor. Mas, voltando com o Queen, o grupo gravou “The Works” (1984), que fez sucesso na Europa, mas não agradou os norte-americanos, fazendo com que o grupo abandonasse a turnê pelo território ianque.

Foi nesse tempo que uma descoberta de um vírus assustava cada vez mais as pessoas, inclusive o mundo artístico. A AIDS, que começou a marcar presença em pessoas que não se protegiam nas relações sexuais, especialmente os homossexuais. O frontman do Queen recusou-se em admitir a possibilidade de ser soropositivo.

Aliás, um ponto que Selim Rauer aborda que é bem interessante são os relacionamentos fracassados do músico. Pois, apesar de ter muito dinheiro e fama, Freddie Mercury sempre esteve em busca da felicidade, tipo, sentia-se amado por muitos, mas solitário. Inclusive, apesar de sentir-se só, o cantor tinha apetite sexual insaciável, chegando a levar vários homens para cama toda noite. Como aconteceu na segunda vez que o grupo se apresentou no Brasil para o Rock In Rio, em 1985, em que um grupo de rapazes o visitou em sua suíte no Copacabana Palace para uma “festinha particular”.

Embora tivesse sua preferência sexual por homens, duas mulheres fizeram parte da vida de Freddie Mercury: Mary Austin, sua namorada na infância e confidente durante toda a sua vida, e a atriz alemã Barbara Valentim, que afastou o cantor dos tablóides ingleses.

Enquanto a AIDS se alastrava pelo mundo, a vida participar de Freddie Mercury estava colocada em cheque, ainda mais que seus amantes do passado estavam morrendo em decorrência do vírus HIV e, paralelamente, a saúde do cantor começava a se deformar.
O livro ainda apresenta o sonho do cantor em gravar um disco com sua cantora favorita, Montserrat Caballé. Mas, depois que um ex-assistente vendeu fotos do cantor consumindo drogas e com amantes para o The Sun, a vida de Mercury não teve mais sossego, com a imprensa caindo em cima para saber sobre a saúde do músico, que nunca tinha comentado sobre a doença. E, com um relacionado estável com Jim Hutton, Freddie Mercury ficou cada vez mais recluso e, desde o final de 1986, já não subia ao palco para fazer shows com o Queen.

As mortes de Tony Bastine e Josh Murph, que namoraram Mercury, em decorrência da AIDS, foi o suficiente para a imprensa colocar em cheque a saúde do cantor. Com os sintomas da doença, Freddie Mercury e o Queen ainda gravaram mais dois estúdios, mas não saíram em turnê, que foram “The Miracle” (1989) e “Innuendo” (1991).

Ficando cada vez mais recluso em Garden Lodge, sua imensa propriedade em Londres, Freddie Mercury praticamente se escondeu da mídia, que ficava de tocaia nos arredores do imóvel para conseguir arrancar algo do astro. Para os compromissos com o Queen, como as gravações de videoclipes, Mercury mudou a aparência para esconder os problemas de saúde, como a adoção de barba para esconder um câncer de pele, ou fazer clipes em preto-e-branco para ocultar as marcas pelo corpo provocado pela doença.

E, sem ter mais como esconder a situação, em 23 de novembro de 1991 veio o comunicado de que Freddie Mercury foi afetado pelo vírus da AIDS. No dia seguinte, o vocalista morrera de uma broncopneumonia em decorrência da doença.

A publicação de Selim Rauer traz três partes que totalizam onze capítulos, além de agradecimentos, bibliografia, relação da discografia do Queen e de Freddie Mercury, o índice onomástico, prólogo e epílogo. E o caderno de imagem contém onze fotografias.

O livro conta muitos fatos que já eram conhecido do grande público, especialmente na parte artística de Freddie Mercury, mas o mérito da obra está nos trechos sobre a vida sentimental do cantor que Selim descreve, o que é o grande diferencial da obra. Um livro que emociona.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Freddie Mercury
Autor: Selim Rauer
Editora: Planeta
Lançamento: 2010
Edição:
Número de páginas: 320
Preço médio: R$ 55,00

Por Jorge Almeida

Queen: 15 anos de “Queen On Fire – Live At The Bowl”

“Queen On Fire – Live At The Bowl”, registro ao vivo do Queen, lançado postumamente

No ultimo dia 25, o quinto registro ao vivo do Queen, o póstumo “Queen On Fire – Live At The Bowl” completou 15 anos de seu lançamento, pelo menos a versão europeia, uma vez que a edição norte-americana saiu em 9 de novembro de 2004. Produzido por Brian May, Roger Taylor e Justin Shirley-Smith, o disco, que ganhou edições em CD, DVD e LP duplos (sendo que este último fora lançado em 2005), saiu pela EMI/Parlophone, na Europa, e pela Hollywood Records, nos Estados Unidos.

O play apresenta um show realizado no então Milton Keynes Bowl, em Buckinghamshire, na Inglaterra, em 5 de junho de 1982, durante a turnê do álbum “Hot Space”. Na ocasião, Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor promoviam o mais contestado trabalho de estúdio da banda.

Apesar das críticas em relação a “Hot Space”, os shows do Queen estavam alta, pois, além de enérgico, os caras estavam afiados. No entanto, o registro é marcado por vários problemas técnicos, especialmente com a guitarra e o microfone. Por exemplo, durante a execução da versão “rápida” de “We Will Rock You” e de “Dragon Attack” duas cordas da Red Special de Brian May quebraram e ele teve de tocar uma parte com uma Birch Red Special durante parte de “Action This Day”, a segunda metade da citada “Dragon Attack” e na reprise de “Now I’m Here”. Além disso, durante um solo de May, os captadores de sua guitarra foram desligados e o solo foi interrompido por 20 segundos (que podem ser conferidos no DVD, mas no CD foi de apenas três segundos), mas o problema fora solucionado por Brian Zellis, roadie do guitarrista. Enquanto ocorreram os perrengues com Brian May, Roger Taylor e John Deacon faziam solos improvisados.

Nem Freddie Mercury escapou dos problemas técnicos de som. Durante “Fat Bottomed Girls”, a voz do vocalista caiu rapidamente durante um falsete, que só pode ser ouvido nas gravações originais feitas na época pela BBC, uma vez que para o lançamento comercial – CD e DVD – o problema foi sanado.

Quanto ao repertório, o show começou com dois temas relativamente curtos – “Flash” e “The Hero”, para depois o quarteto arrebentar com tudo na versão acelerada de “We Will Rock You” (que gosto mais do que a original) e, posteriormente, uma avalanche de clássicos tocados à perfeição. Dois temas, em particular, que deixam a performance um pouco abaixo. São elas: “Back Chat” e “Get Down, Make Love” que não são ruins, mas é que elas destoam das demais, especialmente o desnecessário e longo arranjo da segunda. De resto, só pedrada atrás de pedrada “Play The Game”, “Somebody To Love”, “Now I’m Here”, “Save Me”, o então hit momentâneo “Under Pressure”, a maravilhosa trinca formada por “Crazy Little Thing Called Love”, “Bohemiam Rhpasody” e “Tie Your Mother Down” e o tradicional “finale” com “God Save The Queen”.

O DVD ainda contém um excelente material bônus, com entrevistas com Freddie Mercury, Roger Taylor e Brian May, além de entrevistas de bastidores e dois trechos de shows realizados em Viena, na Áustria, e em Tokorozawa, no Japão (com “Teo Torriatte (Let Us Cling Together)”, é claro), ambos no mesmo ano, além de uma galeria de fotos.

No Reino Unido, o disco ficou em 20º lugar nas paradas, enquanto o DVD alcançou o topo.

E, para deixar registrado, as versões do álbum lançado em Hong Kong e na China vieram sem as faixas “Get Down, Make Love” e “Fat Bottomed Girls”, devido às leis de censuras dos dois locais.

Embora a obra apresente os percalços técnicos, isso não foi capaz de diminuir a qualidade de um show do Queen. Particularmente, não vejo problema algum com relação a isso, pois, ajuda a assegurar a autenticidade da gravação. Mas é um ótimo registro de uma das maiores bandas da história. Vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Queen On Fire – Live At The Bowl
Intérprete: Queen
Lançamento: 25/10/2004 (Europa) / 09/11/2004 (EUA)
Gravadoras: EMI/Parlophone (Europa) / Hollywood Records (EUA)
Produtores: Brian May, Roger Taylor e Justin Shirley-Smith

Freddie Mercury: vocal, piano, violão em “Crazy Little Thing Called Love
Brian May: guitarras, vocais, piano em “Save Me
Roger Taylor: bateria, percussão, vocais, co-vocal nos versos de “Action This Day” e “Sheer Heart Attack
John Deacon: baixo, guitarra rítmica em “Staying Power” e vocais adicionais em “Somebody To Love” e “Back Chat

Morgan Fisher: teclados e piano

CD 1:
1. Flash (May)
2. The Hero (May)
3. We Will Rock You (Fast) (May)
4. Action This Day (Taylor)
5. Play The Game (Mercury)
6. Staying Power (Mercury)
7. Somebody To Love (Mercury)
8. Now I’m Here (May)
9. Dragon Attack (May)
10. Now I’m Here (Reprise) (May)
11. Love Of My Life (Mercury)
12. Save Me (May)
13. Back Chat (Deacon)

CD 2:
1. Get Down, Make Love (Mercury)
2. Brighton Rock Guitar Solo (May)
3. Under Pressure (Queen / Bowie)
4. Fat Bottomed Girls (May)
5. Crazy Little Thing Called Love (Mercury)
6. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
7. Tie Your Mother Down (May)
8. Another One Bites The Dust (Deacon)
9. Sheer Heart Attack (Taylor)
10. We Will Rock You (May)
11. We Are The Champions (Mercury)
12. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

Por Jorge Almeida

Espetáculo Tributo ‘Queen Experience In Concert’ faz apresentação em São Paulo

Show em tributo a banda britânica acontece em 22, 23 e 24 de Fevereiro. Créditos: divulgação

Em 1970, Queen foi apresentada ao mundo através dos talentos de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor. Desde então, o grupo é referência dentro e fora do rock, sendo recordista de vendas de discos a nível mundial.

As vertentes que Mercury propôs ao estilo musical do grupo britânico passaram a serem reconhecidas por meio de seu estilo eclético, o que fez com que Queen se tornasse uma das bandas mais icônicas até os dias de hoje.

O Tributo Queen Experience In Concert é o maior espetáculo da América Latina em homenagem ao grupo britânico, contando com orquestra, banda ao vivo e mais de 25 integrantes.

Os músicos de altíssima qualidade se apresentarão no Teatro Gazeta, em São Paulo, e no Clube Atlético Aramaçan, em Santo André, locais famosos por abrigarem shows de grandes artistas e por oferecer ao público boa música e experiências inesquecíveis.

Serviço:
Santo André
Show – Musical
22 de Fevereiro | Sexta às 21h00
24 de Fevereiro | Domingo às 21h30
Clube Atlético Aramaçan
Rua São Pedro, 345 – Santo André – São Paulo
Classificação: Livre
Inteira Setor Diamante – R$ 120,00 + R$ 20,40 de taxa de serviço
Inteira Setor Ouro – R$ 90,00 + R$ 15,30 de taxa de serviço
Meia Setor Diamante – R$ 60,00 + R$ 10,20 de taxa de serviço
Meia Setor Ouro – R$ 45,00 + R$ 7,65 de taxa de serviço

São Paulo
Show – Musical
23 de Fevereiro | Sábado às 22h00
Teatro Gazeta
Av. Paulista, 900 – Térreo – Próximo ao Metro Trianon – SP
Classificação: Livre
Inteira – R$ 140,00 + R$ 23,80 de taxa de serviço
Meia – R$ 70,00 + R$ 11,90 de taxa de serviço
Onde Comprar: http://www.bilheteriaexpress.com.br

Créditos: Miriam Lago | Notícia Expressa

Sinopse de “Freddie Mercury – A Biografia Definitiva”, de Lesley-Ann Jones

Capa da biografia de Freddie Mercury, escrita por Lesley-Ann Jones e publicada no Brasil pela Editora Best Seller

Em 2013, a editora Best Seller publicou a versão em português de “Freddie Mercury – A Biografia Definitiva”, do jornalista Lesley-Ann Jones. A obra contém 490 páginas, divididas em 25 capítulos e mais itens anexos de praxe, como apresentação, agradecimentos, cronologia, discografia e referências bibliográficas.

Abordar a parte artística de Freddie Mercury é chover no molhado, certo? Afinal, qual fã do saudoso vocalista do Queen não concorda com a célebre frase dita por ele: “Eu não serei um astro do rock, eu serei uma lenda!”? Tudo relacionado ao cantor no que tange a sua profissão praticamente todo mundo sabe como era e existe “zilhões” de livros, artigos, matérias sobre esse lado dele em todos os cantos do mundo, assim como algumas coisas de sua vida pessoal, mas o que havia por trás desse ícone do rock?

Um dos trunfos do livro de Jones é que ele traz em sua publicação algumas coisas que pouco ou raramente fora abordada na vida de Freddie Mercury, como por exemplo, parte de sua infância e adolescência em Zanzibar, na atual Tanzânia, e nos tempos em que ficara em um externato na Índia e a relação com seus familiares, com destaque a irmã Kashmira. O mérito do autor é que assuntos relacionados ao passado do eterno frontman do Queen foram muito bem escondidos pelo músico.

O cantor era uma figura pouco convencional no meio artístico e praticamente, fora dos palcos, era o contraste em pessoa. Se por um lado, diante de milhares de fãs lotando arenas, ginásios e estádios pelo mundo afora, ele reinava com o seu talento, carisma e presença, por trás dos holofotes, era um homem carente, inseguro, mas com personalidade forte, fã de ópera, mitologia e astrologia.

A sexualidade de Farrokh Bulsara, nome de batismo de Mercury, é bastante mencionada ao longo do livro. Desde quando assumiu a homossexualidade a Mary Austin, considerada o “amor da vida de Freddie Mercury” e com quem manteve amizade até a morte, passando pelas crises em seus relacionamentos homoafetivos até quando precisou esconder dos pais por conta deles serem praticantes do zoroastrismo.

A publicação não deixa de aborda de como Freddie Mercury e seus companheiros de banda saíram “do nada” para se tornarem uma das maiores bandas da história. Inclusive, o relacionamento entre o vocalista e os demais. E as festanças e extravagâncias protagonizadas por ele e o seu staff nos hotéis pelo mundo afora.

Enfim, o livro “Freddie Mercury: A Biografia Definitiva” é uma excelente oportunidade para conhecer a figura desse que é considerado uma lenda, conforme o próprio dissera que seria um dia.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Freddie Mercury – A Biografia Definitiva
Autor: Lesley-Ann Jones
Editora: Best Seller
Lançamento: 2013
Edição:
Número de páginas: 490
Preço médio: R$ 48,00

Por Jorge Almeida

Queen: 25 anos de “Live At Wembley ‘86”

Capa de “Live At Wembley ’86”, lançado em 1992

No último dia 26 de maio, o álbum duplo “Live At Wembley ‘86”, do Queen, completou 25 anos de seu lançamento. Na verdade, trata-se do terceiro registro ao vivo da banda britânica e lançado postumamente, uma vez que Freddie Mercury morrera em 24 de novembro de 1991, portanto, seis meses depois da partida do vocalista. Como o título indica, o disco foi gravado no lendário estádio de Wembley, em Londres, em 12 de julho de 1986. Na ocasião, o espetáculo fazia parte da turnê europeia da Magic Tour, que começou na Suécia em 7 de junho e terminou em 9 de agosto.

Na parte britânica da turnê, em um show realizado três dias antes, em Newcastle, o Queen doou todo o lucro do concerto (cuja venda de ingressos se esgotaram em uma hora) para a instituição de caridade Save The Children, para ajudar no trabalho do fundo no Reino Unido e no exterior.

Em 1986, apenas no Reino Unido, o Queen tocou para mais de 400 mil pessoas, incluindo uma audiência para 150 mil em Wembley. Na época do show no lendário estádio, originalmente, a banda só se apresentaria em uma noite, no sábado dia 12, porém, como os ingressos se esgotaram em poucas horas e com grande procura, foi decidido que haveria um show extra no mesmo local, que foi marcado para a sexta-feira, no dia anterior.

Nesse dia, o evento praticamente parou a capital inglesa. Além da Rainha, INXS e Status Quo se apresentaram e aqueceram o público para, horas mais tarde, acompanharem de perto a genialidade e musicalidade de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor.

O Queen, pela grande banda que sempre foi, tinha uma megaestrutura de equipamento de palco, incluindo a maior plataforma de iluminação já montada para um show ao vivo, com mais de 9,5 toneladas, além de ter um sistema de som poderoso com mais de meio milhão de watts. E, claro, o figurino impecável do grupo. Tudo devidamente bem registrado e lançado, na ocasião, em VHS e em CD duplo. Mas, em 2011, na data em que Freddie Mercury completaria 65 anos, saiu uma versão espetacular em DVD, que trazia vários extras, inclusive a apresentação realizada no dia 11, e que foi lançado como “Live At Wembley Stadium”. Com o áudio remasterizado em formato 5.1 surround, o DVD recupera de maneira eficiente a áurea excepcional que acompanhava o Queen ao vivo.

E o que dizer do repertório? Só clássicos: de cabo a rabo. O show começa com “One Vision” e “Tie Your Mother Down” logo de cara para deixar o frio público inglês empolgado. Na sequência a trinca formada por “In The Laps Of The Gods… Revisited“, “Seven Seas Of Rhye” e “Tear It Up” executadas praticamente de forma emendada para manter o pique. O entrosamento do quarteto impressiona e os caras detonam nas faixas seguintes: “A Kind Of Magic“, “Under Pressure“, clássica parceria feita com David Bowie, “Another One Bites The Dust” e, antes de tocarem “Who Wants To Live Forever“, Freddie Mercury tratou de desmentir os tablóides da época sobre o rumores que circulavam em relação ao suposto fim da banda. O vocalista garantiu que os quatro permaneceriam juntos até o fim de suas vidas.

A apresentação continuou com o desfiladeiro de clássicos, com direito a Brian May mandando bala em “Brighton Rock“, que trazia um bom solo do guitarrista. O show teve pontos altos como “I Want To Break Free” e “Love Of My Life“, que tiveram o público como protagonista por conta da resposta dada quando Mercury e cia. pediu com os seus famosos “singing” (“cantem”).  O concerto trouxe uma sequência de covers feitos com maestria pelo grupo – “(You’re So Square) Baby I Don’t Care“, “Hello Mary Lou“, “Tutti Frutti” e “Gimme Some Lovin’“.

Claro que o hino “Bohemiam Rhapsody” não ficou de fora e chega a arrepiar quem viu (ou ouviu). Freddie era um show à parte. Em “Big Spender“, por exemplo, chegou a rasgar as vestes para delírio do público. O espetáculo da Rainha não poderia ficar sem as indispensáveis “Radio Ga Ga“, outra que dispensa comentários nas apresentações ao vivo, e as indispensáveis “We Will Rock You” e “We Are The Champions“. E, como era de praxe, o encerramento do show acontece com “God Save The Queen” tocando nos PA’s, com direito a Freddi Mercury recebemento a coroa simbólica de rainha da Inglaterra.

O carisma e a teatralidade de Freddie Mercury são os pilares que fizeram (aliás, fazem) do Queen ser grandioso até hoje, mesmo passados mais de 25 anos de sua morte. Não é à toa que o considero como o maior frontman da história do rock. E, claro, que o suporte feito por Brian May, John Deacon e Roger Taylor – cada um do seu jeito – através da técnica, competência e talento é o principal segredo de fazer que a banda chegasse ao patamar onde se encontra.

Este concerto de Wembley foi filmado na sua totalidade por Gavin Taylor e foram usadas 15 câmeras posicionadas ao redor do estádio, além de uma câmera de helicóptero no ar. O filme foi adquirido pelo Canal 4 e, em 25 de outubro de 1986, uma versão editada do show, Real Magic, foi transmitida simultaneamente na TV e em todas as estações de rede de rádio independentes, atraindo 3,5 milhões de telespectadores.

O público não sabia, mas testemunharam uma das últimas performances do Queen em solo britânico. Mais algumas apresentações, a banda se recolheria para sempre, pelo menos com a sua formação original. Depois disso, o quarteto se dedicou às gravações de estúdio, sem turnês. Boa parte disso se deve à saúde de Freddie Mercury, que já dava sintomas de que algo não estava bem com ele.

Trata-se de um excelente registro. Vale a pena adquirir tanto o CD quanto o DVD. Showzaço.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live At Wembley ’86
Intérprete: Queen
Lançamento: 26 de maio de 1992
Gravadora: Parlophone / Hollywood (EUA)
Produtor: Queen

Freddie Mercury: voz, piano e guitarra
Brian May: guitarra, teclados e backing vocal
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo e backing vocal

Spike Edney: teclados, piano, guitarra e backing vocal

CD 1:
1. One Vision (Queen)
2. Tie Your Mother Down (May)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
4. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
5. Tear It Up (May)
6. A Kind Of Magic (Taylor)
7. Under Pressure (Queen / Bowie)
8. Another One Bites The Dust (Deacon)
9. Who Wants To Live Forever (May)
10. I Want To Break Free (Deacon)
11. Impromptu (Queen)
12. Brighton Rock Solo (May)
13. Now I’m Here (May)

CD 2:
1. Love Of My Life (Mercury)
2. Is This The World We Created…? (Mercury / May)
3. (You’re So Square) Baby I Don’t Care (Leiber / Stoller)
4. Hello Mary Lou (Goodbye Heart) (Pitney)
5. Tutti Frutti (Penniman / LaBostrie)
6. Gimme Some Lovin’ (Winwood / Davis / Winwood)
7. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
8. Hammer To Fall (May)
9. Crazy Little Thing Called Love (Mercury)
10. Big Spender (Fields / Coleman)
11. Radio Ga Ga (Taylor)
12. We Will Rock You (May)
13. Friends Will Be Friends (Mercury / Deacon)
14. We Are The Champions (Mercury)
15. God Save The Queen (arr. May)

Por Jorge Almeida

Analisando “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, do Queen

"A Night At The Odeon - Hammersmith", do Queen, mais um "live" póstumo lançado na vasta discografia da Rainha
“A Night At The Odeon – Hammersmith”, do Queen, mais um “live” póstumo lançado na vasta discografia da Rainha

Há cerca de um ano, em novembro de 2015, foi lançado mais um álbum póstumo do Queen, o “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, um registro ao vivo que traz a performance da banda na véspera do Natal de 1975 no lendário Hammersmith Odeon e que fora transmitido e gravado simultaneamente pela BBC Radio 1 e BBC 2 Television. A apresentação inclui uma das primeiras performances ao vivo de “Bohemiam Rhapsody”, o eterno clássico da Rainha. O material já havia sido lançado anteriormente, porém, em formato de “bootlegs” sendo, inclusive, um dos mais conhecidos da banda.

A gravação ocorreu no dia 24 de dezembro durante a data final da turnê britânica do álbum “A Night At The Opera” (1975), que fora lançado algumas semanas antes e já tinha recebido disco de platina. O single “Bohemiam Rhapsody” estava no meio de suas nove semanas do posto número um das paradas britânicas. O grupo já havia feito quatro shows no Odeon anteriormente e recebera críticas positivas da imprensa, com algo do tipo, “eles são mais importantes do que qualquer outra banda que você ouviu”, como alertara um artigo da revista britânica Sounds. A apresentação do grupo foi feita por Bob Harris.

O concerto foi um dos mais marcantes na época para a banda porque, para Brian May, por exemplo, foi o primeiro feito completamente gravado para a TV. Além disso, para o evento, Freddie Mercury tocou com um piano Bechstein de cauda branco importado especialmente para o show.

E, devido à alta qualidade da gravação para a rádio e as filmagens da televisão para o espetáculo, o show tornou-se um dos ‘bootlegs’ mais popular do Queen. Algumas músicas foram lançadas em singles anos depois e não apareceram em álbuns ao vivo oficiais, como o “Live Killers” (1979) e “Live At Wembley ‘86” (1992).

Por conta da importância do evento, a banda não deixou esquecer os detalhes de suas peculiares indumentárias. Freddie Mercury, por exemplo, ostentou as suas famosas catsuits brancas e pretas, projetada por Wendy Desmet, e mudara os trajes ao longo do show, e sem contar que o vocalista pintara as unhas da mão esquerda de preto, enquanto Brian May pintou as suas de branco.

Embora o álbum que promoviam estivesse bem nas paradas, o setlist do Queen atraiu o público por conta das canções dos trabalhos anteriores que funcionavam bem no banco, incluindo um solo de Brian May no meio do show e o medley de clássicos do rock and roll. Aliás, o setlist mostrou todas as facetas da banda, como o hard rock ornamentado de “Keep Yourself Alive” e “Seven Seas Of Rhye” à grandeza barroca de “The March Of The Black Queen” e o peso de “Ogre Battle” e “Son And Daughter” e, quando tocaram o medley com sucessos de Elvis, Connie Francis, Gene Vincent e Shirley Bassey, já tinham o público de cinco mil pessoas na mão. Mas o ápice do show foi a dobradinha “Killer Queen” com o futuro clássico “Bohemiam Rhapsody”. Assim como já vinha acontecendo com os shows da banda, “God Save The Queen” é executada no encerramento da performance e aqui não foi diferente.

Quarenta anos após a lendária apresentação, o show foi remasterizado e restaurado em 8 de outubro de 2015, no Olympic Studios Cinema, em Barnes, Londres, onde algumas partes de “A Night At The Opera” fora gravado.

O disco foi lançado em diversos formatos: CD (simples), DVD, CD + DVD, Blu-ray, vinil duplo e um luxuoso box com uma caixa que traz um livro de capa dura, reproduções de recordações da excursão da banda feita no período e uma gravação de áudio da passagem de som do Queen para a apresentação. No material lançado em Blu-ray e DVD traz também, como bônus, três músicas tocadas pelo grupo em sua primeira turnê no Japão, em 1975, no Nippon Budokan, além de um documentário de 22 minutos com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris intitulado “Looking Back At The Odeon”. Contudo, nas versões em CD e LP, há três temas a mais porque as câmeras que gravavam o show foram desligadas antes de a banda voltar para o segundo bis e, por isso, não há registros em vídeos de “Seven Seas Of Rhye” e “See What A Fool I’ve Been”.

Infelizmente, para nós brasileiros, o material só fora lançado nos formatos CD e DVD. Pois, quem quiser o kit mais completo terá de desembolsar uma boa bagatela (em uma loja da Galeria do Rock, por exemplo, encontrei uma loja que vendia o kit a R$ 1.000,00!).

Mas o material, mesmo o básico – CD e DVD -, vale muito a pena adquirir, pois um show do Queen sempre será uma aula de música.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: A Night At The Odeon – Hammersmith
Intérprete: Queen
Lançamento: 20 de novembro de 2015
Gravadora: EMI / Virgin
Produtores: Justin Shirley-Smith, Josh Macrae e Kris Fredriksson
Preço médio: R$ 29,90 (CD) / R$ 39,90 (DVD)

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, backing vocal e ukelele em “Bring Back That Leroy Brown
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo, backing vocal e triângulo em “Killer Queen

CD:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. See What A Fool I’ve Been (May)
19. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

DVD/Blu-Ray:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)

DVD/Blu-Ray (extras):
Live In Japan ’75:
1. Now I’m Here (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
2. Killer Queen (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (live at the Budokan, em 1º/05/1975)
Looking Back At The Odeon (documentário com 22 minutos de duração com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris)

Por Jorge Almeida

Analisando “Freddie Mercury – A Biografia”, de Laura Jackson

Capa de "Freddie Mercury - A Biografia", de Laura Jackson
Capa de “Freddie Mercury – A Biografia”, de Laura Jackson

Neste ano de 2015 saiu o livro “Freddie Mercury – A Biografia”, de autoria de Laura Jackson. No Brasil, a obra saiu pela editora Record. Certamente esse não é o primeiro (e nem será o último) a tratar da vida e obra de um dos maiores ícones da cultura pop que esse planeta já viu. Mas a publicação de Jackson traz algumas curiosidades e histórias de Freddie Mercury que muitos ainda não conheciam.

O livro é bem escrito e descreve a trajetória do então jovem Farrokh Bulsara em sua terra Natal, Zanzibar (atual Tanzânia), até a consagração quando o mundo cultuou Freddie Mercury até a data de sua morte, no fatídico 24 de novembro de 1991.

Laura Jackson descreve com precisão a personalidade que variava entre o infantil e forte de Freddie Mercury. A extravagância, a vaidade, o perfeccionismo e a dedicação do vocalista em conseguir tudo o que queria (e conseguia) é meticulosamente relatado nessa biografia.

Proprietário de um talento descomunal, Freddie Mercury sempre carregou consigo de que seria uma lenda (e de fato conseguiu isso e seu legado segue firme até hoje).

A autora conta os turbulentos relacionamentos amorosos da vida do cantor, tanto com Mary Austin, que continuou a amizade com ele após o término da relação até a morte do astro, quanto aos parceiros homossexuais de Mercury, incluindo aí, segundo o livro, “barracos” entre o cantor e seus parceiros, até traição é relatado. O livro traz depoimentos de uma série de pessoas que tiveram participação direta e indireta na vida e carreira do cantor, inclusive, a amiga e confidente Barbara Valentin.

Freddie Mercury também era chegado à exuberância. Gostava mesmo de chamar atenção, seja pela aparência, pela música e pelas festas que promovia – como uma em que foram disponibilizados anões servindo cocaína para os convidados e mulheres nuas.

Laura Jackson também narra como foi o auge de Freddie Mercury com o Queen, a sua relação com os demais integrantes. Enfim, como era a “engrenagem” que fazia a banda seguir a pleno vapor.

Infelizmente, Freddie Mercury, assim como muitos de nossos “heróis” também tinha suas fraquezas. No caso dele, o vício pela cocaína era o seu ponto “fraco”.

Contudo, a parte mais comovente do livro está em suas partes finais, que descreve como o cantor encarou o fato de ser soropositivo. Destacou a luta que ele teve de enfrentar para lidar com a imprensa (ele não era adepto em dar entrevistas), que fazia de tudo para conseguir um “furo” em relação ao seu estado de saúde. Assim como a batalha que Freddie enfrentou para continuar a fazer o que mais gosta com os sintomas da doença. A luta dele e o seu “cast” (pessoas que o acompanharam até a sua morte) chega a comover.

Particularmente, uma das curiosidades relatadas no livro que não tinha conhecimento foi o desafio que Rob Halford fez para Freddie Mercury, que respondeu que só aceitaria fazer se o vocalista do Judas Priest aceitasse o desafio proposto por Mercury, se quer saber qual era o desafio proposto por ambos, vá ler o livro.

Dividido em 15 capítulos, “Freddie Mercury – A Biografia” apresenta ao longo de 308 páginas detalhes, peculiaridades, acontecimentos de um dos artistas mais carismáticos e marcantes da história da música.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: Freddie Mercury – A Biografia
Autora: Laura Jackson
Editora: Record
Número de páginas: 308
Ano de edição: 2015
Preço médio: R$ 38,00

Por Jorge Almeida