Cruzeiro: campeão mineiro de 2019

Os jogadores do Cruzeiro comemoram o título do Campeonato Mineiro de 2019, conquistado de forma invicta. Foto; Telmo Ferreira/Gazeta Press

Com o empate em 1 a 1 na segunda partida da final do Campeonato Mineiro 2019 disputada no Independência na tarde deste sábado (20), o Cruzeiro sagrou-se bicampeão mineiro diante do arquirrival Atlético Mineiro. Com gols de Elias para o Galo e Fred, de pênalti, para a Raposa, os comandados de Mano Menezes fizeram 3 a 2 no agregado e conquistaram o 40º Estadual para o clube celeste. O título de 2019 foi ganho de forma invicta e o Cruzeiro ainda teve Fred como artilheiro máximo do certame, com 12 gols.

O clássico mineiro já começou pilhado logo nos momentos iniciais. Com menos de três minutos de bola rolando, já veio o primeiro cartão amarelo do jogo. Geuvânio foi advertido pelo árbitro (depois de ter consultado o VAR) após pisão no pé do adversário.

E o primeiro lance de perigo foi protagonizado pelo Atlético. Aos cinco minutos, Geuvânio cruzou, Ricardo Oliveira desviou e mandou a bola no travessão. No rebote, Luan bateu cruzado para fora. Recuado, o Cruzeiro ficou à espera de conseguir o contragolpe, que veio aos nove. Rodriguinho tentou de longe e mandou por cima da meta de Victor. Dois minutos depois, a Raposa atacou pela esquerda com Marquinhos, que cruzou rasteiro e Igor Rabello, ao tentar cortar, mandou no travessão e, por pouco, não marcou um gol contra.

Depois de um início eletrizante, com os dois times mandando bolas na trave e com chegadas mais fortes nos lances de ambos os lados, o duelo seguiu equilibrado. Aos 21, Henrique pegou a sobra e mandou de longe, mas sem direção. Enquanto os comandados de Mano Menezes ainda não conseguiam encaixar bem a marcação, o Galo chegou ao seu gol aos 29 minutos justamente com um velho conhecido do comandante cruzeirense. Chará lançou Ricardo Oliveira, o Pastor finalizou, Fábio defendeu parcialmente e, no alto, Elias levou a melhor com Dodô e cabeceou para as redes. A bola ainda desviou em Léo antes de entrar: Atlético 1 a 0. Resultado que deixaria o título mineiro no Horto.

Após o gol sofrido, o time celeste passou a ocupar mais os espaços no campo do rival, que se fechou na defesa. Aos 40, Rodriguinho recebeu na área, girou e chutou, mas a redonda desviou no meio da trajetória e foi parar nos braços de Victor. Na jogada posterior, aos 42, Geuvânio recebeu passe invertido na direita, limpou para o meio e bateu cruzado para excelente defesa de Fábio. Mas a etapa inicial foi até os 49 minutos com vitória parcial do Galão da Massa pelo placar mínimo.

Na volta para o segundo tempo, o Cruzeiro partiu para cima. Aos dois minutos, Robinho bateu a falta colocada e a esférica passou muito próximo da trave direita do arqueiro atleticano. Os anfitriões conseguiram dar uma neutralizada no ímpeto do rival, equilibrou o jogo e ficou por um tempo no campo de ataque. Mano Menezes fez a sua primeira alteração aos 19 ao colocar Pedro Rocha no lugar de Marquinhos Gabriel. E, em sua primeira participação no jogo, aos 20, o camisa 32 recebeu de Robinho na entrada da pequena área, dominou e finalizou, mas a redonda saiu na rede pelo lado de fora.

A Raposa seguiu no ataque. Aos 26, Dodô recebeu na esquerda, limpou para o meio e tentou com a perna direita, mas errou o alvo. Eis que, cinco minutos depois, o lance que definiu o Campeonato Mineiro. Aos 31, Pedro Rocha entrou na área, tentou driblar Leonardo Silva, que bateu com a mão na bola. O árbitro Leandro Bizzio Marinho foi à beira do gramado analisar o lance com o auxílio do VAR e, depois de três minutos, marcou a penalidade a favor do Cruzeiro. Na cobrança, Fred bateu cruzado, no canto direito de Victor, que caiu do outro lado, e empatou o jogo no Independência: 1 a 1.

Imediatamente após o gol de empate, Mano Menezes sacou Rodriguinho e colocou o volante Lucas Silva deixando claro que o negócio agora era segurar o resultado e tentar surpreender o adversário no contragolpe. Aos 40, depois do bate-rebate na área atleticana, a bola sobrou para Lucas Silva, que mandou por cima do gol de Victor.

Por conta das substituições e do tumulto no lance do pênalti a favor do Cruzeiro, o árbitro Leandro Bizzio decretou sete minutos de acréscimos, mas, o “enjoado” time de Mano Menezes tratou de administrar o placar e conseguiu o resultado necessário para poder comemorar o bicampeonato. Fim de jogo no Independência, Atlético Mineiro 1, Cruzeiro 1. A Raposa conquista o estadual de forma invicta.

A final do Campeonato Mineiro foi do jeito que era esperado: o Atlético Mineiro indo para cima para reverter a desvantagem e o Cruzeiro querendo surpreender o adversário no contragolpe. O Galo até conseguiu parte do objetivo ao fazer o gol no primeiro tempo através de Elias, mas a Raposa voltou disposta e conseguiu o empate através de um pênalti em que a bola bateu na mão de Leonardo Silva e que a arbitragem assinalou depois de consultar o VAR. O “rei dos stories” Fred não perdoou e fez o gol do título cruzeirense e o seu 12º gol no certame em 12 jogos. O primeiro conquistado pelo clube na casa do adversário.

Com o fim do Estadual, as atenções dos dois times estarão voltadas para a Copa Libertadores da América na terça-feira. O Cruzeiro irá encarar o Deportivo Lara, na Venezuela, às 17h (horário de Brasília), e, depois, às 21h30, o Atlético receberá o Nacional, do Uruguai, no Mineirão. Ambos estrearão no Campeonato Brasileiro 2019 no próximo sábado (27). Enquanto o Galo receberá o Avaí, a Raposa irá até o Rio de Janeiro enfrentar o Flamengo.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da decisão.

Data – Jogo – Local:
Primeira Fase:
19/01 – Guarani (MG) 1×3 Cruzeiro – Farião, Divinópolis (MG)
23/01 – Cruzeiro 1×0 Patrocinense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
27/01 – Cruzeiro 1×1 Atlético Mineiro – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
31/01 – Boa Esporte 2×2 Cruzeiro – Melão, Varginha (MG)
03/02 – Villa Nova (MG) 0x3 Cruzeiro – Castor Cifuentes, Nova Lima (MG)
10/02 – Cruzeiro 3×0 Tupynambás – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
17/02 – América (MG) 0x0 Cruzeiro – Independência, Belo Horizonte (MG)
24/02 – URT 1×1 Cruzeiro – Zama Maciel, Patos de Minas (MG)
10/03 – Cruzeiro 2×0 Tombense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
16/03 – Tupi (MG) 0x3 Cruzeiro – Helenão, Juiz de Fora (MG)
20/03 – Cruzeiro 3×0 Caldense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Quartas-de-final:
23/03 – Cruzeiro 5×0 Patrocinense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Semifinais:
31/03 – América (MG) 2×3 Cruzeiro – Independência, Belo Horizonte (MG)
06/04 – Cruzeiro 3×0 América (MG) – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Final:
14/04 – Cruzeiro 2×1 Atlético Mineiro – Mineirão, Belo Horizonte (MG)
20/04 – Atlético Mineiro 1×1 Cruzeiro – Independência, Belo Horizonte (MG)

FICHA TÉCNICA: ATLÉTICO MINEIRO 1×1 CRUZEIRO
Competição/Fase: Campeonato Mineiro 2019 – final (2º jogo)
Local: Estádio Raimundo Sampaio (Independência) – Belo Horizonte (MG)
Data: 20 de abril de 2019, sábado – 16h30 (horário de Brasília)
Público: 21.862
Renda: R$ 1.208.669,00
Árbitro: Leandro Bizzio Marinho
Auxiliares: Rafael da Silva Alves e Elio Nepomuceno de Andrade Júnior
Cartões Amarelos: Geuvânio, Luan, Ricardo Oliveira e Victor (Atlético); Edílson, Thiago Neves, Fred e Fábio (Cruzeiro)
Gols: Elias, aos 29 min do 1º tempo (1-0); e Fred, de pênalti, aos 34 min do 2º tempo)
ATLÉTICO MINEIRO: 1.Victor; 98.Guga, 3.Leonardo Silva, 16.Igor Rabello e 6.Fábio Santos; 14.José Welison (44.Alerrandro), 7.Elias e 27.Luan (92.Vinícius); 8.Chará, 49.Geuvânio (11.Maicon) e 9.Ricardo Oliveira. Técnico: Rodrigo Santana
CRUZEIRO: 1.Fábio; 2.Edílson, 26.Dedé, 3.Léo e 18.Dodó; 8.Henrique, 29.Lucas Romero (10.Thiago Neves), 19.Robinho, 20. Marquinhos Gabriel (32.Pedro Rocha) e 23.Rodriguinho (16.Lucas Silva); 9.Fred. Técnico: Mano Menezes

Parabéns ao Cruzeiro Esporte Clube pelo bicampeonato.

Por Jorge Almeida

Anúncios

Raimundos: 15 anos de “Éramos 4”

"Éramos 4": o último registro dos Raimundos que teve a presença de Rodolfo Abrantes
“Éramos 4”: o último registro dos Raimundos que teve a presença de Rodolfo Abrantes

Neste ano que se termina em breve, é comemorado os 15 anos de um álbum que é quase esquecido por todos, o “Éramos 4”, dos Raimundos, lançamento após a saída do vocalista Rodolfo Abrantes, em 2001. O registro traz a participação especial de Marky Ramone na bateria durante um show da banda. Lançado em 15 de setembro de 2001, o play foi gravado pela WEA. O título é uma sátira ao clássico do romance de Maria José Dupré, “Éramos Seis”.

No biênio 1999/2000, os Raimundos viviam o auge de sua popularidade. Haviam lançado o álbum “Raimundos MTV Ao Vivo”, que fora gravado durante a turnê de “Só No Forévis” (1999), disco de estúdio mais bem sucedido da carreira da banda. As músicas tocaram em programas que os fãs mais antigos sequer imaginariam um dia, tipo o “Planeta Xuxa”, por exemplo, além de ter músicas do álbum, especialmente “Mulher de Fases” e “A Mais Pedida”, tocadas em rádios populares.

Tudo ia a favor dos Raimundos, até que no início de 2001, o vocalista Rodolfo se converteu ao protestantismo, a mesma religião da qual sua esposa fazia parte. Assim, aliando a fé e a vontade de se desintoxicar das drogas, o cantor começa a ficar exausto dos Raimundos. E, em junho do mesmo ano, após uma longa conversa entre seus integrantes, o fim dos Raimundos era anunciando.

Mas o término do grupo só durou dois meses, pois os outros integrantes resolveram retomar a banda, dessa vez com Digão nos vocais. E, como havia as obrigações contratuais, tinham de lançar um disco. E a solução encontrada foi incluir a primeira demo gravada pela banda – “Sanidade”, que era cantada por Digão -, além do cover sertanejo “Desculpe, Mas Eu Vou Chorar”, da dupla Leandro & Leonardo, gravado em 1993 e a popular do cancioneiro infantil “Nana Neném”, que fora gravada anteriormente para uma campanha publicitária das sandálias Rider (Grandene), em 1998, além do setlist dos clássicos dos Ramones que foi gravado no show de 15 anos de aniversário da rádio 89 FM, de São Paulo.

A participação de Marky Ramone foi “acidentalmente”. Isso porque os Raimundos (ainda com Rodolfo) foram uma das atrações para o aniversário da 89 FM, que teria o gran finale com o The Ramainz, trio que, além de Marky, tinha outro ramone em sua formação, Dee Dee, e a esposa do baixista, Barbara Zampini. Porém, o “homem dos 1, 2, 3, 4!” dos Ramones ficou doente e não pôde vir ao Brasil. Assim, como Marky já estava por aqui, não deixou os fãs na mão e se juntou aos Raimundos e, juntos, mandaram uma sequência de clássicos ramônicos que, aqui, serviu para preencher o resto do álbum.

O play abre com “Sanidade”, demo criada originalmente em 1992 com os vocais de Digão e que, segundo Carlos Eduardo Miranda, produtor do álbum, disse que à época que foi lançada, segundo os executivos da gravadora, tinha potencial de hit, mas que a banda a relegou ao ostracismo, típica atitude rebelde. A letra contrasta com a crueza de rock “cru” da composição.

A faixa seguinte é um clássico da dupla Leandro & Leonardo: “Desculpe, Mas Eu Vou Chorar”. A versão dos Raimundos foi registrada para o projeto Cult Cover Demo, programa da Rádio Cultura de Brasília, em 1993. Na sequência, a já citada “Nana Neném”, que foi extraída de um comercial da Rider.

Em seguida, Rodolfo anuncia ao microfone no melhor estilo Ramones: “… and Mr. Marky Ramone e Raimundos, ‘Sheena Is a Punk Rocker’: one, two, three, four!”. Daí vem a avalanche de temas ramônicos. Além da citada “Sheena Is A Punk Rocker”, vieram na sequência: “Rockaway Beach”, “Teenage Lobotomy”, “I Wanna Be Well”, “I Don’t Care”, “Rock And Roll High School”, “Needles And Pins” que, segundo Rodolfo, era uma das favoritas “do cara”; “Do You Wanna Dance?”, “Pinhead” e, claro, “Blitzkrieg Bop”, que não poderia faltar.

Entre as músicas, os integrantes dos Raimundos eram pura “rasgação de seda” para com Marky. Natural, pois o baterista fazia parte da principal influência dos brasilienses, ou seja, é o sonho do fã tocando com o ídolo. No final, Marky Ramone agradeceu o público e aos Raimundos. Quem estava nesse show não esquecerá desse curto, mas inesquecível dia.

Durante a turnê do álbum, o ex-guitarrista da banda Peter Perfeito, Marquim, se juntou à banda, onde permanece até hoje.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Éramos 4
Intérprete: Raimundos
Lançamento: 15 de setembro de 2001
Gravadora: WEA
Produtor: Carlos Eduardo Miranda

Rodolfo Abrantes: voz (exceto em “Sanidade”)
Digão: guitarra e voz em “Sanidade”
Canisso: baixo
Fred: bateria nas faixas 1, 2 e 3

Marky Ramone: bateria nas faixas de 4 a 13

1. Sanidade (Rodolfo / Digão)
2. Desculpe, Mas Eu Vou Chorar (César Augusto / João Gabriel)
3. Nana Neném (Domínio Público / Adptação: Raimundos)
4. Sheena Is A Punk Rocker (The Ramones)
5. Rockaway Beach (The Ramones)
6. Teenage Lobotomy (The Ramones)
7. I Wanna Be Well (The Ramones)
8. I Don’t Care (The Ramones)
9. Rock ‘N’ Roll High School (The Ramones)
10. Needles & Pins (Nitzche / Bono)
11. Do You Wanna Dance? (Freeman)
12. Pinhead (The Ramones)
13. Blitzkrieg Bop (The Ramones)

Por Jorge Almeida

Brasil dá um passeio na Espanha e é tetra da Copa das Confederações

Jogadores da Seleção Brasileira comemoram a conquista da Copa das Confederações no Maracanã. Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
Jogadores da Seleção Brasileira comemoram a conquista da Copa das Confederações no Maracanã. Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

E justamente na mesma data em que o Brasil celebrou os 11 anos do pentacampeonato da Copa do Mundo, 30 de junho, a Seleção Brasileira derrotou a Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações 2013 neste domingo no Estádio do Maracanã e sagrou-se campeã da competição pela quarta vez em sua história, sendo a terceira de forma consecutiva. Com dois gols de Fred e um de Neymar, os comandados de Luiz Felipe Scolari nem tomaram conhecimento da seleção número 1 do ranking da FIFA, atual campeã do mundo e detentora das duas últimas Eurocopas.

Surpreendentemente o primeiro tempo nem havia começado direito e os donos da casa tiraram o zero do placar logo aos dois minutos. Hulk cruzou da direita, Neymar e Fred trombam com a zaga espanhola e o atacante do Fluminense, mesmo caído, chutou por cima de Casillas. A Espanha sentiu o baque. Pois, a partir daí, a Fúria não foi nem de longe a temida seleção dos últimos anos. Os espanhóis foram facilmente envolvidos pelos comandados de Felipão, mesmo apresentando mais posse de bola. Porém, não conseguiram levar perigo ao gol de Julio César até os 37 minutos, quando Pedro recebeu na direita, finalizou e, se não fosse um carrinho salvador de David Luiz, a Espanha teria empatado. Era gol certo. Contudo, antes da ida para o vestiário, o Brasil foi às redes espanholas mais uma vez aos 44: Neymar tabelou com Oscar e recebeu do lado esquerdo e, com um chute forte, estufou a meta de Iker Casillas que nada pode fazer.

Para a etapa complementar, Vicente Del Bosque substituiu o pendurado Aberloa por Azpilicuelta. De nada adiantou a troca, pois a seleção Canarinho chegou ao terceiro gol aos dois minutos do segundo tempo novamente com Fred. Hulk tocou para Neymar, que deixou a bola passar, e o camisa 9 dominou do lado esquerdo e finalizou para aumentar a vantagem: 3 a 0.

A Espanha até teve oportunidades para diminuir o marcador aos 8 minutos em um pênalti cometido por Marcelo. Mas Sergio Ramos desperdiçou ao mandar a bola para fora. Além dessa chance, os atuais campeões mundiais tiveram mais duas grandes chances: aos 34 com Pedro e aos 41 com Villa, porém, em ambos os lances, o goleiro Julio César fez ótimas interceptações. Enquanto isso, a Seleção Brasileira ficou trocando passes – enquanto a torcida gritava “olé” – e estava à espera de um contragolpe, que chegou até a acontecer aos 22 com Neymar, mas ao tentar passar por Piqué, o atacante foi derrubado pelo zagueiro e futuro companheiro de Barcelona. E o árbitro holandês não titubeou e deu cartão vermelho ao namorado de Shakira.

E, assim como a população brasileira acordou, a Seleção Brasileira, o gigante do futebol mundial, também acordou. E, definitivamente, o Maracanã não traz boas recordações aos espanhóis. Além do “chocolate” aplicado hoje, a Espanha sofreu uma goleada de 6 a 1 para o Brasil no mesmo estádio durante a Copa do Mundo de 1950. Vale reforçar que pela primeira vez na história do futebol, um país conquista por três vezes consecutivas uma competição organizada pela FIFA.

Lembrando que na decisão do terceiro lugar, que foi disputada na Arena Fonte Nova, em Salvador, a Itália derrotou o Uruguai por 3 a 2 nos pênaltis depois de empatarem em 2 a 2 no tempo normal e na prorrogação.

E que venha a Copa do Mundo.

A seguir o resumo da campanha e a ficha técnica da final.

Primeira fase (Grupo A):
15/06/2013 – Brasil 3 x 0 Japão – Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília – DF)
19/06/2013 – Brasil 2 x 0 México – Estádio Castelão (Fortaleza – CE)
22/06/2013 – Itália 2 x 4 Brasil – Arena Fonte Nova (Salvador – BA)
Semifinais:
26/06/2013 – Brasil 2 x 1 Uruguai – Estádio Mineirão (Belo Horizonte – MG)
Final:
30/06/2013 – Brasil 3 x 0 Espanha – Estádio Maracanã (Rio de Janeiro – RJ)

FICHA TÉCNICA: BRASIL 3X0 ESPANHA
Competição/fase: final da Copa das Confederações 2013
Data: 30 de junho de 2013 – 19h (horário de Brasília)
Local: Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Auxiliares: Sander van Roekel e Erwin Zeinstra, ambos da Holanda
Cartões Amarelos: Aberloa e Sergio Ramos (Espanha)
Cartão Vermelho: Piqué
Gols: Fred, aos 2’ do 1º tempo e aos 2’ do 2º tempo; e Neymar, aos 44’ do 1º tempo
BRASIL: 12.Júlio César; 2.Daniel Alves, 3.Thiago Silva, 4.David Luiz e 6.Marcelo; 17.Luis Gustavo, 18.Paulinho (8.Hernanes), 11.Oscar e 19.Hulk (23.Jadson); 11.Neymar e 9.Fred (21.Jô). Técnico: Luiz Felipe Scolari
ESPANHA: 1.Casillas; 17.Aberloa (5.Azpilicuelta), 15.Sergio Ramos, 3.Piqué e 18.Jordi Alba; 16.Busquets, 8.Xavi e 6.Iniesta; 13.Mata (22.Jesús Navas), 11.Pedro e 9.Fernando Torres (7.David Villa). Técnico: Vicente del Bosque

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Por Jorge Almeida

Os 15 anos de “Lapadas do Povo”, dos Raimundos

Lapadas do Povo: apesar da sonoridade mais pesada, não vendeu bem como os trabalhos anteriores dos Raimundos

No último dia 9 de outubro fez 15 anos do lançamento do álbum “Lapadas do Povo”, dos Raimundos. O terceiro trabalho de estúdio gravado pelo grupo brasiliense (o quarto no geral se contarmos a coletânea com músicas inéditas “Cesta Básica”, de 1996).

Gravado entre 1º de junho e 4 de agosto de 1997 (as placas do caminhão na capa indica isso, vide no parágrafo abaixo), o disco foi produzido por Mark Dearnley, que também produziu “Lavô Tá Novo”, de 1995) e gravado nos estúdios Sound Castle e Sound City, ambos em Los Angeles, Califórnia.

A fotografia que ilustra a capa foi tirada por um roadie da banda em uma auto-estrada da Califórnia. O retrato exibe o reflexo de uma van na traseira de um caminhão que transporta líquidos inflamáveis. As três placas do caminhão fazem referências às datas de início e fim das gravações do álbum: 01/06 e 04/08.

Em entrevista à revista Rock Brigade, em novembro de 1997, Digão disse que gravou as guitarras utilizando equipamentos de Steve Vai. O guitarrista não estava conseguindo o som que gostaria, quando uma pessoa que trabalhava no estúdio conversou com Steve Vai, que emprestou um SansAmp e um ‘speaker simulator’.

Diferentemente dos registros anteriores, “Lapadas do Povo” tem mais peso em sua sonoridade e ausência da influência nordestina nas letras, porém, há canções com temas de cunho social, como “Baile Funky”, por exemplo.

Algumas músicas soam genuinamente hardcore, tais como: “Véio, Manco e Gordo”, “Wipe Out”, “CC de Com Força” e “Crumis Ódamis”. Essas são praticamente “trava-línguas”: de tão aceleradas que são, quem as ouve tem que pegar fôlego para tentar acompanhar Rodolfo Abrantes.

A mudança na sonoridade, talvez, não tenha agradado os fãs na época, uma vez que o disco vendeu menos que os anteriores, apesar de receber boas críticas. Durante um show em Santos, na turnê de divulgação do álbum, um dos alambrados onde o público saía caiu, ocasionando a morte de oito pessoas e deixando 67 feridos. A banda ficou abalada com o episódio e cancela diversas apresentações.

Uma das principais músicas é “Andar na Pedra”, cujo clipe é estrelado pelo ator Matheus Nachtergale. A canção é uma das poucas do álbum que, periodicamente, aparece no setlist da banda.

Além da abertura e das ‘hardcores’ citadas, o registro também é complementado com músicas com “raízes ramônicas”, como “Poquito Más (Healthy Food)”, “O Toco” e a divertida “Nariz de Doze”. Ainda há a curta e acelerada “Ui, Ui, Ui”, composta por Martin Luthero, um ‘parça’ dos caras, a “balada” “Bonita”, um cover matador de Elvis Costello – “Oliver’s Army”, faixa do álbum “Armed Forces“, de 1978 – que os Raimundos deixaram com cara própria, algo semelhante que os seus mestres – os Ramones – faziam quando se tratava de cover. E, por falar na banda de Joey Ramone, Rodolfo e sua trupe fizeram uma versão em português de “Ramona”, clássico dos punks novaiorquinos, intitulada “Pequena Raimunda”, que ficou “classe A”.

Uma das melhores letras dos Raimundos é “Baile Funky”, que faz uma critica à Igreja em relação à sua postura em exigir o dízimo em troca da salvação da alma. Curiosamente, Rodolfo virou evangélico e, possivelmente, põe em prático aquilo que condena na letra da música, que também fala sobre a corrupção da polícia e a descrença na justiça (“A justiça não me olha porque é cega, mas o seu dinheiro na carteira ela enxerga”).

Lapadas do Povo” é finalizado com um “bônus crap” chamado “Bass Hell“, como consta nos créditos da música, que é barulheira estranha recheado de palavrões, scretches e samples. Desnecessária.

Particularmente, em minha opinião, “Lapadas do Povo” foi o segundo melhor álbum de rock brasileiro lançado em 1997, perdendo apenas para o “Acústico Mtv”, dos Titãs. Mas posso afirmar que é uma das mais injustiçadas obras do rock tupiniquim da década de 1990, assim como “Titanomaquia”, também dos Titãs.

Ouça-o.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Lapadas do Povo
Intérprete: Raimundos
Lançamento: 9 de outubro de 1997
Gravadora: WEA
Produtor: Mark Dearnley

Rodolfo Abrantes: voz e guitarra
Digão: guitarra
Canisso: baixo
Fred: bateria

1. Andar na Pedra (Letra: Rodolfo/Digão/Canisso; Música: Digão/Rodolfo)
2. Véio, Manco e Gordo (Letra: Rodolfo/Digão/Canisso; Música: Digão)
3. O Toco (Letra: Rodolfo/Fred/Canisso; Música: Canisso/Rodolfo/Digão/Fred)
4. Poquito Más (Healthy Food) (Letra e música: Rodolfo/Digão)
5. Wipe Out (Letra: Rodolfo; Música: Digão/Rodolfo)
6. CC de Com Força (Letra: Rodolfo/Digão; Música: Rodolfo)
7. Crumis Ódamis (Letra: Rodolfo; Música: Rodolfo/Digão/Fred)
8. Bonita (Letra e música: Rodolfo)
9. Ui, Ui, Ui (Letra e música: Martin Luthero (Telo))
10. Oliver’s Army (Elvis Costello)
11. Nariz de Doze (Letra: Rodolfo/Digão; Música: Rodolfo/Canisso)
12. Pequena Raimunda (Ramona) (Douglas Colvin/John Cummings/Jeff Hyman; Versão: Raimundos)
13. Baile Funky (Letra: Rodolfo/Digão/Canisso; Música: Digão/Rodolfo)
14. Bass Hell (Bônus Crap)

Por Jorge Almeida