O FIT – Festival Internacional de Teatro de Rio Preto apresenta um importante recorte da cena atual com 23 montagens nacionais e internacionais

O musical “SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL, da Barca dos corações partidos (RJ), com direção de Luiz Carlos Vasconcelos, faz homenagem ao dramaturgo, romancista e poeta Ariano Suassuna e abre o FIT Rio Preto no dia 6 de julho. Créditos: divulgação

O Festival acontece entre 6 e 15 de julho de 2017, e é realizado pela Prefeitura de Rio Preto e Sesc São Paulo

Os ingressos estão à venda pelo site fitriopreto.com.br e nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo

De 6 a 15 de julho de 2017, a Prefeitura de São José do Rio Preto e o Sesc São Paulo realizam o FIT – Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, que chega a sua 17ª edição internacional e busca fazer um recorte do que de relevante acontece no mundo contemporâneo das artes cênicas nos âmbitos internacional nacional e local. A obra Suassuna – O Auto do Reino do Sol fará a abertura no dia 6 de julho, às 19h30 no Anfiteatro Nelson Castro, um teatro de arena a céu aberto às margens da Represa Municipal.

Calcado na linguagem popular, com músicas compostas por Chico César – que assina a direção musical com Alfredo Del Penho e Beto Lemos – e figurinos que remetem ao universo clownesco, o musical é uma grande homenagem ao escritor Ariano Suassuna. A obra tem texto de Braulio Tavares e direção geral de Luiz Carlos Vasconcelos.

A edição de 2017 traz à cena 23 montagens, dentre nacionais e internacionais, que farão 50 sessões em 14 diferentes locais da cidade e arredores. As 20 companhias participantes vão reunir em Rio Preto cerca de 117 atores e encenadores nos 10 dias de evento. Dos 17.366 ingressos disponíveis, mais de 60% são gratuitos e o restante a preços bastante populares, de 3 a 10 reais.

Com o objetivo de contemplar países e continentes diferentes, espetáculos de Portugal, Polônia, Colômbia e África do Sul e mais 19 produções brasileiras – para público adulto e de todas as idades – estarão espalhados pela cidade de Rio Preto. Assim será esta edição, que levará apresentações para seis locais fechados (Teatro Municipal Humberto Sinibaldi, Teatro Municipal Paulo Moura Teatro, Teatro do Sesc, Ginásio do Sesc, Teatro do SESI e Auditório da Swift) e para mais oito espaços entre ruas e praças (Anfiteatro Nelson Castro- Represa, parada de ônibus em frente à Swift, CEU das Artes – bairro Nova Esperança, Praça Frei Duarte- final da Av. Brasilusa, Praça Rui Barbosa- Centro, Av. Philadelpho Gouvea Neto com Antonio Marques Santos, Praça Dom José Marcondes – Centro), além das Praças dos Distritos de Talhado e Schmitt.

O diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda, afirma que “retornamos à 17ª edição do FIT – Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, respaldados por uma política institucional que preconiza as parcerias e a corresponsabilidade como meios para incentivar novas redes de colaboração e intercâmbio em nível regional, nacional e internacional” e complementa “Nesse sentido, para além das apresentações cênicas, o Sesc, ao lado da prefeitura de São José do Rio Preto, promove processos formativos para que os momentos de celebração coletiva possam estimular interações permanentes com os diversos públicos. Assim como, pressupõe abertura para outras relações com a cidade e com seus espaços e agentes, públicos e privados, históricos e contemporâneos, irrigando diferentes setores da vida social.”

Receber e acolher esse grande público que frequenta o FIT é uma questão primordial para o Prefeito Edinho Araújo, que aponta a importância e longevidade do Festival: “Estamos resgatando um encontro tradicional, nascido há 48 anos como um festival de teatro amador e que em 2001 o transformamos em internacional. Durante o FIT, nossa cidade irá receber muitos visitantes e estaremos com toda estrutura preparada, nos restaurantes, nos hotéis, no transporte e convidamos a todos a frequentar nossos pontos turísticos e confirmar a hospitalidade do povo rio-pretense. Vamos festejar o teatro e  mostrar que somos receptivos, apresentando esta cidade que as pessoas visitam e querem voltar. São José do Rio Preto espera a todos os visitantes com o melhor do teatro, com afetividade e com a expectativa de realizar um grande e potente festival. Nós vamos, cada vez mais, fazer da Cultura o diferencial de Rio Preto”.

Se em anos anteriores o FIT partia de um conceito específico para compor sua grade de programação, em 2017 a dinâmica inverteu o sentido da escuta e decidiu “ouvir o que diziam” os 782 projetos recebidos, provenientes de 13 países e de 17 estados brasileiros. A equipe curatorial, composta Adriana Souza, Graziela Nunes e Jorge Vermelho, que representam as instituições organizadoras do Festival, refletiu que “(…) é impossível conhecer as partes se não conhecer o todo, assim como é inimaginável conhecer o todo se não conhecer particularmente as partes (…)”. A citação, pensada a partir da perspectiva do filósofo Blaise Pascal, embasa o pensamento de que “um festival cria sentido quando permite-se ao risco e à sua capacidade de fomentar territórios propícios à investigação”.

Nesse sentido, o que se viu foi um grande número de obras voltadas às questões contemporâneas, priorizando o olhar para os campos político, humano e social, com temas pungentes da atualidade. A reinvenção estética deu suporte para que essas companhias, tanto as nacionais como as internacionais – muito atuantes no cenário teatral -, colocassem foco também em assuntos como representatividade, identidade e afeto, relacionando ficção e realidade de maneira potente e vigorosa.

O compromisso do FIT é, antes de tudo, fazer uma reflexão sobre as questões humanas, do que é urgente, sem fazer concessões e sem suavizar as inquietações postas no mundo contemporâneo. Dos diferentes recortes políticos existentes em Jacy e na Trilogia Abnegação, às distintas formas de encarar a negritude do Projeto Preto e de As Criadas, importa o olhar comprometido para o conflito humano, para a sociedade, para o que há de imperativo na atualidade.

Espetáculos internacionais

Dos internacionais programados, um dos destaques é a estreia mundial do espetáculo As Criadas, obra que está em processo de criação pelo diretor polonês Radosław Rychcik, um expoente do teatro polonês contemporâneo, com um talentoso trio de atrizes brasileiras: Bete Coelho, Denise Assunção e Magali Biff. Radosław Rychcik montou a clássica peça de Jean Genet como forma de discutir os problemas sociais e humanos que o texto aborda. Nascido em 1981 em Ciechanów, Rychcik é um jovem diretor cuja reputação internacional alcançou grande projeção em apenas alguns anos. Originalmente estudante de literatura polonesa na Universidade de Varsóvia, Rychcik mudou de curso depois de experimentar o teatro de vanguarda polaco na faculdade. Ele continuou a estudar dirigir e trabalhou com pessoas como Krystian Lupa, um dos mais importantes diretores da Polônia. Usando estruturas não-lineares, coreografias precisas, mensagens não-verbais, gestos, sinais e figuras retóricas, ele já criou uma linguagem original reconhecível na cena teatral internacional.

Em As Criadas, Radosław Rychcik voltará a trabalhar com Michał Lis e Piotr Lis da banda The Natural Born Chillers, profissionais capazes de criar uma atmosfera específica para suas peças, executada por músicos brasileiros. Hanna Maciąg, uma jovem videoartista polonesa, também figurinista e atriz, será responsável pelo cenário e figurinos.

Outro trabalho a ser destacado, situado entre a performance e a dança, é o And So You See (Então Você Vê…), de Robyn Orlin, da África do Sul. Nascida em Joanesburgo em 1955, Orlyn é uma coreógrafa controversa e provocadora, e tem trabalhado nos limites da performance, arte e dança nos últimos 20 anos. Suas obras são sempre políticas e relacionadas com o país onde nasceu, que comemorou em 2014 vinte anos de democracia, e isso a faz questionar, passadas essas duas décadas, sobre como estão situados, na atualidade, os assuntos que interessam ao seu trabalho, como o racismo, a homofobia , a liberdade, a identidade.

Em And So You See ela propôs uma colaboração com Albert Ibokwe Khoza – uma figura imponente que levanta questões sobre a mistura de gêneros – que pertence a uma geração mais jovem. Ambos têm algo em comum: vivenciam o teatro, a dança e a arte em geral como armas de memória, luta, consciência e mudança. Robyn Orlin usa diferentes mídias (texto, vídeo, artes plásticas) em seus espetáculos e sempre trata os assuntos com extravagância e humor.

De Portugal vem As Cidades Invisíveis, parceria do coletivo português Má-Criação com o dramaturgo brasileiro Alex Cassal. Em 2009, Paula Diogo começou a desenvolver a Má-Criação, uma associação cultural dedicada a projetos colaborativos de performance e teatro. A convite do Teatro Maria Matos, a atriz e os atores portugueses Alfredo Martins e Rafaela Jacinto, em conjunto com o dramaturgo e carioca, transformaram o livro de Ítalo Calvino num espetáculo teatral destinado ao público jovem. A partir da manipulação de objetos, os atores se deixam levar pelas correntes rumo a um destino que ainda não conhecem, relembram os nomes das 55 cidades descritas por Ítalo Calvino no seu livro As Cidades Invisíveis. Identificadas com nomes de mulheres, como se fossem pessoas, as cidades são protagonistas de histórias em que se confundem o real e o imaginário, o cotidiano e o impossível, construídas num território sem fronteiras – essas linhas que unem mas que também separam países, pessoas e culturas.

O coletivo colombiano Mapa Teatro, de Bogotá, apresenta Los Incontados – Un Tríptico, a terceira parte de um panorama da onda de violência que assola o país por mais de meio século. A primeira parte, “Los Santos Inocentes (2010)”, é uma celebração nas ruas de uma aldeia no Cauca Pacífico, onde homens mascarados, vestidos como mulheres e armados com chicotes são responsáveis por “dar Rejo” àqueles que se atrevem a sair. O segundo, “Discurso de un hombre decente” (2012), tem como espaço algum lugar na selva colombiana, onde um traficante de drogas ensaia um discurso sobre a legalização das drogas.  “Los Incontados” (2014), a terceira parte, se passa na sala de uma casa de família, em que algumas crianças escutam, pelo rádio,  a história da revolução. A montagem do espaço é feita para que se mantenha o suspense do desenrolar da história e o espectador descubra a evolução do texto.

Sobre o tríptico, embora as peças aconteçam em contextos diferentes, têm algo em comum: a violência. Os três espetáculos são resultado de uma rigorosa reflexão que o Mapa Teatro faz nesses seus 30 anos de trabalho. “É olhar para trás e ver que, na Colômbia, desde a segunda metade do século XX, há a presença de variadas formas de violência nas comunidades, e que a sociedade já se familiarizou com isso” explica o diretor Rolf Abderhalden.

Espetáculos nacionais

Do Brasil, companhias de São Paulo (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), Curitiba (PR), Mossoró (RN) e Campo Grande (MS) mostram a diversidade da produção cênica nacional no FIT Rio Preto. Três obras da cidade formam a Cena Rio Preto:  Crise de Gente, da Cia. Hecatombe, Terra Abaixo, Rio Acima, da Cia. Cênica e O Pequeno Príncipe – O Musical, do Grupo Lígia Aydar.

Conseguir apresentar ao público as três partes do projeto Abnegação é um dos pontos altos da programação do FIT em 2017. Abnegação, Abnegação II – O Começo do Fim e Abnegação III – Restos, escritos por Alexandre Dal Farra e levados à cena  pelo grupo Tablado de Arruar. É uma trilogia que dialoga com o cenário contemporâneo e levam para o palco os intrincados desdobramentos do conflito entre política e ideologia. A partir de reinvenções ficcionais de notícias do cenário político brasileiro – conhecidas pelo público – interessou ao dramaturgo os bastidores do tema. Entender o significado do PT no auge de seu governo, o significado da chegada da esquerda no poder e a adesão do partido às estruturas estabilizadas foram o estopim para a pesquisa que envolveu entender o sistema de uma forma mais ampla. Assim nasceu o primeiro espetáculo, Abnegação, que pretendia bastar-se, mas dada a profundidade da questão, Dal Farra continuou a se debruçar mais sobre o tema e criou posteriormente Abnegação II – O Começo do Fim e Abnegação III – Restos, este último estreado em 2016, quando a companhia comemorou 15 anos de estrada.

Rio de Janeiro, Natal e Curitiba comparecem ao FIT, respectivamente com os espetáculos Gritos, do Dos à Deux, Jacy, do Grupo Carmin e PROJETO bRASIL, da companhia brasileira de teatro. A montagem carioca narra três histórias, que abordam temas ásperos como o racismo, a homofobia e o menosprezo por pessoas consideradas invisíveis. Sem uma única palavra, a peça apresenta um forte posicionamento sobre assuntos urgentes em nossa sociedade. Concebida pela companhia franco-brasileira Dos à Deux (radicada há quase duas décadas na França), a peça conta com dramaturgia, direção e atuação de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, que trabalham há anos com teatro gestual.  Em cena, a dupla usa bonecos em proporção humana. A ideia é criar um universo onírico e inquietante, estilizado, em que os bonecos (ou partes deles) se juntam aos corpos dos atores.

Jacy foi uma mulher que se estivesse viva, teria 97 anos hoje. Nascida em Natal, morou durante anos no Rio de Janeiro onde foi amante de um militar americano, e voltou para as terras potiguares, onde morreu em 2010, esquecida. Pois foi a partir do encontro de uma frasqueira sua contendo fotos e objetos pessoais que o Grupo Carmin criou o espetáculo Jacy, homônimo ao nome da personagem. Em cena, é traçado um paralelo entre a vida dela e a história da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. O espetáculo é construído a partir dessa ligação, ora realística, ora fictícia, do cruzamento das histórias vividas por ela e a trajetória política daquele estado.

Da capital paranaense vem o espetáculo PROJETO bRASIL, com direção de Marcio Abreu. Resultado de dois anos de pesquisas – iniciadas em 2013, ano em que as manifestações se apossaram das ruas das grandes cidades brasileiras – o intenso trabalho e viagens envolveu as cinco regiões brasileiras, e resultou em um conjunto de performances curtas criadas a partir da reflexão dos artistas sobre o país que encontraram durante essas viagens. Sobre as cenas, independentes entre si, o diretor  explica que “É um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca. (…) [queríamos] falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento em que as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande”.

Blanche, produção paulistana do Centro de Pesquisa Teatral (CPT/Sesc) e o Grupo de Teatro Macunaíma, é dirigida por Antunes Filho e inspirada na peça “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams. O espetáculo é falado em fonemol, uma língua imaginária usada pelos atores como símbolos do inconsciente, não da razão. Como o próprio título da montagem aponta, é na relação irmã e cunhado que está calcado o eixo dramático dessa montagem que conta a história das descendentes de uma decadente família tradicional do Sul dos Estados Unidos, as irmãs Stella e Blanche Dubois. Após perder a antiga propriedade familiar, Blanche vai ao encontro da irmã de quem está afastada há muitos anos. A convivência de ambas somada à presença do cunhado polonês Stanley Kowalski, reabre feridas e impõe alteridades desesperadoras no plano da dignidade humana, da qual o machismo arraigado é apenas uma face.

Uma produção conjunta, de grupos residentes em cidades diferentes. Assim é Programa Pentesiléia – Treinamento para a batalha final, que junta a Cia. de Teatro Balagan, de São Paulo e Caseiras Produções, do Rio de Janeiro. O projeto traz para o Brasil a obra da dramaturga italiana Lina Prosa, saudada como um dos principais nomes da dramaturgia mundial na atualidade e celebra os 80 anos de vida e quase 60 de carreira da atriz Maria Esmeralda Forte que, ao lado do ator Antonio Salvador, conduz a narrativa. Maria Esmeralda, nascida no Pará, no seio da Floresta Amazônica, é a atriz que dá vida à Pentesiléia: com seu corpo repleto de marcas, de outros corpos, de muitas narrativas, de muitos teatros, aos 80 anos, interpreta a rainha das Amazonas em mais um encontro com Aquiles, o herói grego, para a batalha final.

Crianças e Jovens

As crianças e jovens também estão contemplados na programação e poderão fruir de espetáculos de três estados diferentes: De São Paulo há o Berenices, do Grupo Morpheus Teatro, da Bahia, Salvador, vem Desastro, de Neto Machado e Cia. Dimenti, do Ceará, Fortaleza, tem o Ogroleto, do Pavilhão da Magnólia e, de Rio Preto, a montagem O Pequeno Príncipe – o Musical.

Espetáculos de Rua

Dois espetáculos de rua provenientes de São Paulo aportam em Rio Preto, no Festival: Iracema via Iracema, do Agrupamento Andar7 e Trupe Sinhá Zózima e O Canto das Mulheres do Asfalto, de Georgette Fadel e Carlos Canhameiro. O primeiro, uma tragicomédia que tem direção de Anderson Maurício, narra a história de uma mulher semianalfabeta, de origem rural, que decide viver pelo resto de sua vida dentro de um ônibus, deslocando-se pelas ruas da cidade. Com uso de vídeo mapping e pintura digital sobre o corpo, a montagem cria uma instalação cênica rica em elementos e signos visuais, sonoros, gestuais e sensoriais.

A outra produção paulistana de rua será apresentada na Swift, na área externa. A montagem é composta por várias cantigas sobre um mundo em que as mulheres se recusam dar à luz. A ideia é dar voz aos vários perfis femininos –mães, filhas, santas, prostitutas, velhas e moças –, que precisam ter suas ânsias ouvidas no presente para não adotarem uma atitude trágica no futuro.

De Mossoró, no Rio Grande do Norte, vem para as praças de Rio Preto A Casatória C’A Defunta, da Cia Pão Doce de Teatro. O enredo, cheio de causos sertanejos – que vão desde os contos populares de assombração, até as cantorias e cantigas de roda – apresentam ao público elementos da cultura popular tradicional nordestina, pautada pelos saberes dos mais experientes de vida e dos mestres da cultura tradicional.

De Campo Grande, Mato Grosso, vem Tekoha – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno, do Teatro Imaginário Maracangalha. O espetáculo de rua é um cortejo que narra a trajetória e assassinato do líder indígena guarani Marçal de Souza (1920–1983) e sua resistência histórica na luta pela terra e direitos dos povos indígenas. A palavra que dá nome ao espetáculo, Tekoha, tem um significado peculiar para o povo Guarani. “Teko” significa modo de estar, sistema, lei, hábito, costume. Tekoha, assim, refere-se à terra tradicional, ao espaço do pertencimento da cultura guarani.

Cena Rio Preto

Voltando os olhos para a cena teatral local, o FIT ampliou as formas de participação dos grupos da cidade e propôs a criação da Cena Rio Preto. Para compor essa programação, uma comissão de seleção específica foi formada por Grace Passô, atriz, diretora e dramaturga, Paulo Faria, diretor, dramaturgo e criador da Cia Pessoal do Faroeste e Jesser de Souza, diretor, clown, professor e ator-pesquisador do Lume Teatro.

Crise de Gente, da Companhia Hecatombe, O Pequeno Príncipe – O Musical, do Grupo Lígia Aydar e Terra Abaixo, Rio Acima, da Cia. Cênica foram as montagens selecionadas para compor a grade de espetáculos. Para além das apresentações, os coletivos puderam inscrever obras para abertura de novos processos, ou seja, propostas embrionárias e que estivessem abertas a experimentações com a contribuição de um profissional das artes  cênicas, em formato de residência artística. Blasted, da Cia. Ir e Vir, que está em processo de residência com orientação de Gilson Motta, Marco Antônio Rodrigues e Rodolfo García Vasquéz, Histórias Encaixotadas – Teatro Lambe-Lambe, da Varanda Produções Teatrais, com contribuições de Abel Saavedra e Tiago Almeida e Matrística, da Cia. do Santo Forte, com residência de Kiusam de Oliveira e Zeca Ligiero.

Ações Formativas

As ações formativas também são pontos de destaque da programação. Ações práticas, reflexivas e pedagógicas foram pensadas para aproximar público e criadores, estabelecendo diálogos horizontais. As ações, todas gratuitas, contemplam encontros temáticos, residência artística, exposição interativa, oficina, lançamento editorial e produção de críticas.

Entre elas está a residência artística Projeto PRETO, da companhia brasileira de teatro, dirigida por Marcio Abreu, que caracteriza-se como um desdobramento das experiências e inquietações que deram origem ao PROJETO bRASIL, montagem recente da companhia, que integra a programação do FIT 2017.

Encontro também é uma palavra muito presente no Festival deste ano. O Graneleiro, maior espaço do Complexo Swift de Educação, com arquitetura de influência inglesa e que serviu como silo nas décadas de 40 e 50, será aberto todas as noites do Festival com a proposta de ser um lugar de encontro entre artistas, plateia, produtores e técnicos para noites de celebração e troca de experiências. Programações variadas como shows, intervenções, videoinstalações, performances, DJ’s animam as noites.

Histórico FIT

Estabelecido no respeito à diversidade e às subjetividades do teatro, o FIT Rio Preto pensa o fazer teatral contemporâneo desde 2001. Nascido Festival Nacional de Teatro Amador em 1969, o Festival expandiu suas fronteiras e assumiu a dimensão internacional em 2001, a partir de uma parceria entre Prefeitura de São José do Rio Preto e Sesc São Paulo. A internacionalização do Festival elevou o evento e a cidade a outro patamar em relação ao aceso às artes cênicas, consolidando Rio Preto como um importante espaço de discussão e reflexão acerca da teatralidade contemporânea.

Programação FIT 2017

ABERTURA

Suassuna – O Auto do Reino do Sol | Barca dos Corações Partidos
Rio de Janeiro/RJ
Anfiteatro Nelson Castro | Represa Municipal | dia 6/07 | Quinta, 19h30
Grátis | 12 anos | 120 min

Peça de teatro musical, com 16 canções inéditas, em homenagem ao dramaturgo, romancista e poeta Ariano Suassuna (1927–2014). Uma trupe de circo-teatro viaja pelo sertão, rumo à cidade de Taperoá. Números musicais e circenses se alternam com a história de amor de um casal de duas famílias poderosas que estão em guerra. Jagunços armados e retirantes famintos cruzam no caminho do Circo, conduzindo a um confronto final.

Texto: Bráulio Tavares. Encenação: Luiz Carlos Vasconcelos. Música: Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del-Penho. Figurinos: Kika Lopes. Cenário: Sérgio Marimba. Idealização: Andréa Alves. Produção: Sarau Agência. Com: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano, Ricca Barros, Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune.

INTERNACIONAIS

ESTREIA

As criadas | Radosław Rychcik
Polônia
Sesc | Teatro | dias 7, 8 e 9/07 | Sexta, sábado e domingo, 19h
R$ 10,00 | R$ 5,00 | R$ 3,00 | 16 anos | 80 min

Duas irmãs trabalham como empregadas e planejam matar a patroa. A trama de fundo policial é plataforma para os diálogos-jogos do cotidiano de ambas no embate com Madame. Em xeque, a crueldade da opressão nas relações domésticas, conflito de classe familiar ao Brasil. A peça do francês Jean Genet é encenada por um expoente do teatro polonês contemporâneo, Radosław Rychcik, de 36 anos. Em cena, um talentoso trio de atrizes brasileiras. Esta obra é uma realização entre Sesc São Paulo e Instituto Adam Mickiewicz, atuando sob a marca Culture.pl.

Autor: Jean Genet. Direção e adaptação: Radosław Rychcik. Tradução: Ricardo Frayha, Ricardo Lísias. Com: Bete Coelho, Denise Assunção e Magali Biff.

And So You See… | Então Você Vê… | Robyn Orlin
África do Sul
Teatro Municipal Paulo Moura | dias 13 e 14/07 | Quinta e sexta, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 16 anos |60 min

Um corpo lúdico e irônico atravessa estados de transformação, decadência e brilho em sua jornada pelos sete pecados capitais. A mescla de texto, dança, artes visuais e vídeo resulta um réquiem para a humanidade. Criação emblemática da politizada cena sul-africana, uma democracia de apenas 23 anos. A Segregação racial acabou em 1994 e isso é inescapável à geração da coreógrafa Robyn Orlin, que se deixa impregnar de teatralidade.

Projeto de Robyn Orlin. Com: Albert Silindokuhle Ibokwe Khoza

Los Incontados Un Tríptico | Os Incontados – Um Tríptico | Mapa Teatro
Colômbia
Sesc | Ginásio | dias 13, 14 e 15/07 | Quinta, sexta e sábado, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | Livre | 70 min

Na intimidade de uma casa de família, na sala de estar, uma turma de crianças e um mágico surgem em torno de um antigo aparelho de rádio. Entre instrumentos musicais e bexigas coloridas, eles aguardam por uma prometida festa que nunca se cumpre. A obra encerra a trilogia desse grupo transgressor de fronteiras de linguagem. O projeto é uma alegoria dos dispositivos da violência que macula a história de seu país desde a metade do século 20.

Direção: Heidi e Rolf Abderhalden. Elenco: Heidi Abderhalden, Agnes Brekke, Julián Díaz, Jeihhco, Danilo Jiménez, Santiago Nemirowski, Lesley Ramírez, Melanie Ramírez, Sofía Rodríguez, Mariana Saavedra, Darío Sinisterra, Sebastián Zúñiga, Juan David Castaño Vargas.

As Cidades Invisíveis | Má-Criação
Portugal
Sesc | Teatro | dias 14 e 15/07 | Sexta e sábado, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3| 14 anos | 70 min

Três viajantes flutuam pelo Mar Mediterrâneo. Enquanto se deixam levar por um destino que ainda não conhecem, lembram os nomes femininos das cidades descritas no livro homônimo de Ítalo Calvino. As reflexões imprimem um jogo cênico pleno em camadas de sentidos entre literatura e teatro, cantigas populares e construções arquitetônicas, comédia e documentário.

Uma criação do coletivo português Má-Criação. Dramaturgia e encenação: Alex Cassal (a partir do livro de Ítalo Calvino). Com: Alfredo Martins, Paula Diogo e Caruline Maria (atriz convidada)

NACIONAIS

Trilogia Abnegação
Abnegação | Tablado de Arruar
São Paulo/SP
Sesc | Teatro | dia 10/07 | Segunda, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 16 anos | 75 min

Cinco integrantes de um partido político discutem um acontecimento do passado que vem à tona. Em meio a garrafas de bebida, os envolvidos se desesperam, dançam e brigam ao som de hits sertanejos.  A reunião segue sem que ninguém, nem o público, tenha certeza do que verdadeiramente está em jogo. A única clareza que resta: é preciso tomar uma decisão que pode gerar consequências catastróficas, a começar pela vida de quem decide.

Direção: Clayton Mariano e Alexandre Dal Farra. Com: Alexandra Tavares, Vitor Vieira, Antônio Salvador, André Capuano e Clayton Mariano.

Abnegação II – O Começo do Fim | Tablado de Arruar
São Paulo/SP
Sesc | Teatro | dia 11/07 | Terça, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 18 anos > Não será permitida a entrada de menores de 18 anos, mesmo acompanhado dos pais ou responsável legal | 110 min

Mais do que a continuação da primeira parte da Trilogia Abnegação, o espetáculo aprofunda questões ali exploradas. São expostas de modo violento as contradições de um partido de esquerda que, quanto mais conquista novas posições e amplia o horizonte de ação política, mais a agremiação cede à dinâmica criminosa e cínica que organiza e estrutura o poder no capitalismo em geral – e de forma ainda mais clara na sua versão marginal e periférica.

Direção: Clayton Mariano e Alexandre Dal Farra.  Com: Alexandra Tavares, Vitor Vieira, Paulo Azevedo, André Capuano e Ligia Oliveira

Abnegação III – Restos | Tablado de Arruar
São Paulo/SP
Sesc | Teatro | dia 12/07 | Quarta, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 16 anos | 90 min

Tendo acompanhado uma fase de declínio dos setores progressistas da sociedade e fortalecimento da direita – inclusive em outros países – a trilogia é encerrada com cinco histórias paralelas. Elas transcorrem no mesmo dia, em diferentes casas. Nesse mundo, construído por meio de fragmentos, paira, o tempo inteiro, a sensação de instabilidade, de tensão e de iminência do fim.

Direção: Clayton Mariano e Alexandre Dal Farra. Com: Alexandra Tavares, Vitor Vieira, André Capuano, Antonio Salvador, Ligia Oliveira e Janaína Leite

Gritos | Companhia Dos à Deux
Rio de Janeiro/RJ
Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto | dias 7 e 8/07 | Sexta e sábado, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 14 anos | 70 min

Há 20 anos trabalhando com teatro gestual, o duo fundador da companhia franco-brasileira transforma seus corpos em bonecos de proporções humanas, como se diante de um espelho. Os atores André Curti e Artur Ribeiro concebem três poemas gestuais metafóricos a partir de um tema: o amor. Partitura física sutil e minuciosa revela pessoas invisíveis na sociedade, às voltas com o preconceito, o desprezo e a condição de refugiados de guerra.

Dramaturgia, cenário, coreografia e direção: Artur Ribeiro e André Curti Com: André Curti e Artur Ribeiro

PROJETO bRASIL | companhia brasileira de teatro
Curitiba/PR
Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto | dias 10 e 11/07 | Segunda e terça, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 16 anos | 75 min

O trabalho resulta de dois anos de circulação e investigação por cinco regiões do Brasil (2013–2014). Além de apresentar peças do repertório, a companhia fez seminários, palestras, leituras e vivências com público e artistas locais. Essas trocas reverberaram questionamentos a respeito de política, ética, igualdade, além dos próprios meandros da arte do teatro. A tônica é performativa, com lugares sensoriais de fala, música, corpo e luz.

Direção: Marcio Abreu. Com: Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan

Blanche | Grupo Macunaíma e CPT – Centro de Pesquisa Teatral Sesc
São Paulo/SP
Swift | Auditório | dias 10 e 11/07 | Segunda e terça, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 16 anos | 120 min

O icônico diretor Antunes Filho reconta o drama Um Bonde Chamado Desejo, do americano Tennessee Williams (1911–1983), como “uma viagem em fonemol”, língua inventada e improvisada pelos atores. O espectador é estimulado a criar e a imaginar sua própria dramaturgia. As irmãs Stella e Blanche Dubois descendem de família decadente. A perda de uma propriedade motiva o reencontro, após anos. O convívio com o marido da primeira será terrificante.

Direção-geral: Antunes Filho. Com: Stella Prata, Vânia Bowê, Felipe Hofstatter, Alexandre Ferreira, Fagundes Emanuel, Andressa Cabral, Marcos de Andrade, Bruno Di Trento, Antonio Carlos de Almeida Campos e Guta Magnani.

Jacy | Grupo Carmin
Natal/RN
Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto | dias 12 e 13/07 | Quarta e quinta, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 14 anos | 60 min

Uma frasqueira encontrada ao acaso, no lixo da calçada, conduz ao paradeiro de sua dona, uma nonagenária. A história dela é costurada com a da cidade e a do país. Realidade e ficção embaralham-se. O espetáculo adota linguagem documental, comenta a si mesmo e se propõe uma colagem crítica e espirituosa sobre o abandono. Essa mulher perpassa a Segunda Guerra Mundial, a ditadura no Brasil; vive um amor no estrangeiro e termina a vida sozinha.

Texto: Pablo Capistrano e Iracema Macedo. Direção: Henrique Fontes. Com: Quitéria Kelly e Henrique Fontes

Programa Pentesiléia – Treinamento para a Batalha Final | Cia. de Teatro Balagan e Caseiras Produções
São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ
Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto | dias 14 e 15/07 | Sexta e sábado, 21h30
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | 14 anos | 90 min

Pentesiléia prepara-se para um hipotético encontro com Aquiles. Ainda que abandonada, a rainha guerreira surge plena em potência e sabedoria. Em seu delírio lúcido, o herói não é mais do que a projeção de uma luta interior e dilacerante entre o masculino e o feminino. A dramaturga italiana Lina Prosa é inédita entre nós. A montagem celebra os 80 anos de vida e os 60 anos de carreira da atriz Maria Esmeralda Forte.

Encenação: Maria Thaís. Com: Maria Esmeralda Forte e Antônio Salvador

PARA CRIANÇA E JOVEM

Desastro | Neto Machado / Cia. Dimenti
Salvador/BA
Sesi | Teatro Waldemar de Oliveira Verdi | dias 7 e 8/07 | Sexta e sábado, 15h
Grátis | Livre > Espetáculo recomendado para crianças e adolescentes acima de 10 anos | 55 min

Celebrada pelo britânico David Bowie na antológica canção Space Oddity (1969), a história de Major Tom, astronauta que decide abandonar a Terra, é mote desse espetáculo. Os intérpretes brincam com lâmpadas de néon que parecem ter poder semelhante ao das espadas do filme Star Wars. Voltado para o público infantojuvenil, o trabalho do prestigiado grupo baiano propõe um encontro entre a dança contemporânea e a ficção científica.

Concepção e direção: Neto Machado. Com: Bernardo Stumpf, Isaura Tupiniquim, Jorge Alencar, Jorge Oliveira, Moisés Victório e Neto Machado

Ogroleto | Pavilhão da Magnólia
Fortaleza/CE
Sesi | Teatro Waldemar de Oliveira Verdi  | dias 11 e 12/07 | Terça e quarta, 15h
Grátis | Livre > acima de 10 anos | 60 min

Uma criança começa a frequentar a escola e descobre que não é igual às outras. Aceitar a diferença envolve lidar com a dificuldade de adaptação, o sentimento de inadequação e a frustração. A peça dialoga com questões contemporâneas e possibilita repensar a cultura da infância, sua subjetividade, estética e poesia. Texto da canadense Suzanne Lebeau encenada pelo premiado diretor da Cia. Pequod (RJ) para grupo cearense formado há 12 anos.

Direção: Miguel Vellinho. Elenco: Nelson Albuquerque e Silvianne Lima Músico: Eliel Carvalho.

Berenices | Grupo Morpheus Teatro
São Paulo/SP
Sesi | Teatro Waldemar de Oliveira Verdi  | dias 14 e 15/07 | Sexta e sábado, 15h
Grátis | Livre | 60 min

“O mundo é um lugar cheio de pessoas e cada pessoa é um mundo”. Eis a premissa dos criadores de Berenice, uma menina curiosa. O espetáculo narra sua saga diante da chegada de um irmão. Ela aprende e apreende o universo por meio da percepção e da lida com pensamentos, sentimentos, medos, dificuldades e expectativa em relação ao outro. Obra vencedora do Prêmio APCA 2016 de melhor espetáculo de bonecos na modalidade teatro infanto-juvenil.

Autoria e direção-geral: Verônica Gerchman. Direção de bonecos e máscaras: João Araújo. Com: Verônica Gerchman, João Araújo, Cassia Domingues, Daniela Fumes Boni e Zéantônio do Carmmo

RUA

A Casatória C’A Defunta | Cia. Pão Doce de Teatro
Mossoró/ RN
CEU das Artes | dia 8/07 | Sábado, 19h
Praça Frei Duarte | dia 9/07 | Domingo, 21h30
Praça Rui Barbosa | dia 10/07 | Segunda, 16h
Grátis | Livre | 50 min

Cinco comediantes sobre “pés de banco” (sapato improvisado em plataforma de madeira, como na tragédia grega) contam a história do medroso Afrânio. O sujeito está prestes a casar-se com a romântica Maria Flor, mas acidentalmente casa-se com a fantasmagórica Moça de Branco, que o leva para o mundo dos mortos. Lá, fará amigos valiosos e aprenderá uma grande lição. Porém, não desistirá do seu amor verdadeiro, mesmo que isso lhe custe a vida.

Direção: Marcos Leonardo. Com: Mônica Danuta, Paulo Lima, Raull Araújo, Ligia Kiss e Romero Oliveira.

Iracema via Iracema | Agrupamento Andar7 e Trupe Sinhá Zózima
São Paulo/SP
Swift | Parada de ônibus | dias 7 a 15/07 | Todos os dias, 22h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3 | Livre | 90 min

Tragicomédia sobre uma mulher de origem rural, semianalfabeta, que em determinado momento escolhe viver para sempre dentro de um ônibus. O espetáculo propõe um trânsito de linguagens entre o teatro e a performance, o real e o ficcional, a palavra e a imagem digital. O Agrupamento Andar7 traz a experiência do cruzamento da linguagem teatral com a perfomance, as artes visuais e multimídias, enquanto a Trupe Sinhá Zózima contribui com um repertório de espetáculos diversos criados em ônibus como estratégia para alcançar novos públicos.

Criação: Luciana Ramin. Com: Luciana Ramin e encenação de Anderson Maurício

O Canto das Mulheres do Asfalto | Georgette Fadel e Carlos Canhameiro
São Paulo/SP
Swift | Área Externa | dias 12 e 13/07 | Quarta e quinta, 21h30
Grátis | 16 anos > Devido à classificação indicativa, é necessário retirar ingressos no local, mediante a apresentação de documento oficial com foto, a partir das 21h | 55 min

O que aconteceria se as mulheres de todo o mundo decidissem não ter mais filhos? Encenado em espaço público, com atrizes e ator subindo em árvores, o espetáculo é composto por diversos cantos que colocam em dúvida a contemporaneidade insensível à condição humana do próprio homem. Acolhe vozes que se multiplicam dentre mães e filhas, santas, prostitutas, velhas e moças, cuja desesperança futura celebra um presente que precisa ser ouvido.

Texto: Carlos Canhameiro. Direção: Georgette Fadel. Com: Cris Rocha, Michele Navarro, Paula Carrara, Paula Serra, André Capuano e Weber Fonseca

Tekoha – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno | Teatro Imaginário Maracangalha
Campo Grande/MS
Praça Dom José Marcondes 13/07. Quinta, 11h
Engenheiro Schmitt | Praça da Igreja Matriz Santa Apolônia | dia 14/07 | Sexta, 19h
Grátis | Livre | 50 min

O cortejo cênico denuncia a violência contra os povos indígenas a partir da memória de luta e do assassinato do líder guarani Marçal de Souza (1920–1983), o Tupã-i, o “deus pequeno”, como batizado em criança na língua tupi. O roteiro une passagens biográficas e a formação ideológica. Teko significa modo de estar, sistema, lei, hábito, costume. Tekoha, assim, refere-se à terra tradicional, ao espaço do pertencimento da cultura guarani.

Direção: Fernando Cruz. Com: Estefania Martins, Fernando Cruz, Fran Corona, Moreno Mourão e Renderson Valentim

CENA RIO PRETO

Crise de Gente | Companhia Hecatombe
São José do Rio Preto/SP
Teatro Municipal Paulo Moura | dias 7 e 8/07 | Sexta e sábado, 19h
R$ 10 | R$ 5 | R$ 3,00 | 16 anos | 100 min

Em sua espiral crítica da realidade política “neogrotesca” do país, de tons extravagantes, o trabalho especula: “Ensaio 1: estamos perdidos! O retrocesso avança. Ensaio 16: a lavagem; o arrastão; o casco; a quebra; o estrondo; a nação; o verde; o amarelo; o clássico de Shakespeare; a pesquisa; o ensaio; o grotesco; o supor; o devir; o acidente; a ruptura; o golpe. 87º ensaio: perdidos! Mas, ainda assim, no mesmo barco”.

Direção e argumento: Homero Ferreira. Com: Alexandre Manchini Jr., Clarissa Maria, Homero Ferreira e Ronaldo Celeguini.

O Pequeno Príncipe – O Musical | Grupo Lígia Aydar
São José do Rio Preto/SP
Teatro Municipal Paulo Moura | dias 9 e 10/07 | Domingo e segunda, 15h
Grátis | Livre | 65 min

A fábula do escritor francês Antoine de Saint Exupéry na perspectiva do gênero musical. Um piloto de avião sonhava ser pintor. Após uma pane no deserto do Saara, ele encontra, também inesperadamente, o personagem-título em plena imensidão da areia. Esse menino narra em retrospecto a sua vida até chegar ali e o motivo de ter deixado seu planeta. O livro de 1943 devolve a cada um o mistério da infância e a busca pela realização dos sonhos.

Adaptação, direção, letra das músicas e concepção de luz: Bhá Prince. Com: Ana Laura Arantes, Andrei Papani, Gabriel Canile, Lucas Felipe, Maria Lúcia Oliveira, Mayara Martinelli, Rafaela Merighi, Samara Menegildo, Sara Neves e Weslei Lima

Terra Abaixo, Rio Acima | Cia. Cênica
São José do Rio Preto/SP
Cruzamento das Avenidas Philadelpho Gouveia Neto e Antônio Marques dos Santos | dia 12/07 | Quarta, 17h
Talhado | Praça da Igreja Matriz de São Sebastião | dia 15/07 | Sábado, 16h
Grátis | Livre | 70 min

O progresso chega a uma comunidade e, com ele, as águas. Casas, terras, pessoas, memórias, enfim, tudo é represado. No dia em que o rio vira mar, os moradores (e suas histórias fantásticas) decidem emergir em busca de algo que se perdeu. A peça itinerante bebe do realismo mágico da literatura e é inspirada em relatos colhidos no noroeste paulista, como a submersão da cidade de Rubinéia, a Velha Barrageira e a Revolta do Arranca Capim.

Direção: Fagner Rodrigues. Com: Cássia Heleno, Clara Tremura, Diego Guirado, Fabiano Amigucci, Glauco Garcia, Márcia Morelli e Simone Moerdaui.

ABERTURA DE NOVOS PROCESSOS

Esta edição do FIT amplia as formas de participação dos grupos teatrais da cidade e propõe o Cena Rio Preto. Para além das apresentações, os coletivos inscreveram obras cujos processos criativos são embrionários, portanto abertos à experimentação e à contribuição de um profissional das artes cênicas por meio do formato de residência artística.

Blasted | Cia. Ir e Vir

Montagem da primeira peça da cultuada escritora inglesa Sarah Kane (1971–1999). A ação se passa num quarto de hotel, onde um homem adoentado e sua ex-namorada têm suas vidas sacudidas quando um soldado irrompe na cena e a violência explode. Os criadores acreditam que o universo misterioso, desestabilizador e ao mesmo tempo revelador dessa dramaturgia retroalimentará a pesquisa continuada da companhia.

Direção: Tiago Mariusso. Com: Harlen Félix, Vanessa Cornélio, Marcelo Nogueira, André Valiante e Fabiana Pezzotti

Profissionais residentes:
17 e 18/06, das 10h às 17h: Rodolfo García Vázquez
15/07, das 14h às 21h: Marco Antônio Rodrigues
29 e 30/07, das 10h às 17h: Gilson Motta

Histórias Encaixotadas – Teatro Lambe-Lambe | Varanda Produções Teatrais

A trupe ambiciona expandir sua pesquisa centrada no teatro de formas animadas. A ideia é criar uma caixa de histórias e seguir com a construção de outras quatro, independentes, para apresentações simultâneas.

Com: Guilherme Hernandes, João Darte, Laura Barbeiro e Fernanda Missiaggia

Profissionais residentes:
24 e 25/06, das 10h às 17h: Tiago Almeida
8 a 10/07 e 26 a 28/07, das 14h às 18h: Abel Saavedra

Matrística | Companhia do Santo Forte

A partir da definição da palavra matrística pelo biólogo Humberto Maturana, a Cia. experimenta um novo modo de convivência. A ideia é criar comunidades temporárias que se juntem para trocar experiências, materiais, vivências relacionadas ao seu contexto social e trazer isso para o contexto performático com o objetivo de desconstruir e ressignificar as relações humanas naquela comunidade criada ali.

Direção e Produção: Tauane Alamino. Elenco: Reni Trombi, Lia Barros, Tess Marcondes, Lili Caffe, Raphaela França, Lude Elim Inajara Fabiana, Jessica Zago. Percussionista: Thiago Man. Assistente de Produção: Dániel Willian.

Profissionais residentes:
21 e 22/07, das 10h às 17h: Kiusam de Oliveira
6 a 8/07, das 10h às 17h: Zeca Ligiero

AÇÕES FORMATIVAS

O FIT articula atividades práticas, reflexivas e pedagógicas que aproximam público e criadores. Os diálogos horizontais são um convite a todos para imergir nas estéticas e temáticas.  Prolongam a experiência de recepção das obras.

ENCONTROS

Diálogos da cena

O público infantojuvenil pode ampliar sua percepção em conversas com os criadores dos espetáculos Desastro, Ogroleto e Berenices, em diferentes dias. A dinâmica passa pelas temáticas abordadas, bem como as inquietações de largada e os processos criativos das respectivas montagens.

Mediação: Mirian Shaw, doutora em antropologia pela PUC/SP

Sesi | Teatro Waldemar de Oliveira Verdi | dias 7, 11 e 14/07 | Sexta, terça e sexta, às 16h |

384 lugares | Grátis

Intercâmbio Brasil – Polônia

O processo de montagem de As Criadas será revelado e o público poderá conhecer todas as etapas do desenvolvimento da obra, desde sua concepção até a estreia no Brasil. A equipe envolvida na criação irá compartilhar as ideias do projeto que estreia no FIT e foi concebido com a colaboração artística entre os dois países.

Com: Radosław Rychcik , Bete Coelho, Denise Assunção, Magali Biff (atrizes), Michał Lis & Piotr Lis (irmãos, músicos, e membros da banda TNBC) e Hanna Maciąg (artista visual)

Radosław Rychcik: Diretor de teatro polonês, é um dos mais prestigiados e inventivos artistas de sua geração com novas e radicais interpretações teatrais. Dirigiu peças clássicas de autores poloneses, assim como textos de Roland Barthes, Gustav Flaubert e Patricia Highsmith.

Mediação: Ricardo Lísias, escritor

Sesc | Sala de Uso Múltiplo | dia 8/07 | Sábado, às 15h | 40 vagas | Grátis

Resistência e representatividade

Quatro criadores impregnados da experiência do teatro de grupo refletem sobre o cruzamento de assuntos relevantes no Brasil contemporâneo e os elementos constitutivos de uma obra teatral. A função social do artista e seu posicionamento político ganham relevo em prol desse vínculo inseparável.

Com: Alexandre Dal Farra (Trilogia Abnegação), Carlos Canhameiro (O Canto das Mulheres do Asfalto), Grace Passô (Projeto PRETO) e Márcio Abreu (PROJETO bRASIL e Projeto PRETO)

Mediação: Marco Vasques (SC)

Graneleiro | dia 12/07 | Quarta, 23h | Grátis

Realidade na ficção: o teatro documental

O mutualismo ficção e realidade é eixo do encontro que parte das contaminações entre os signos ficcionais e do imaginário para transformar episódios da realidade em matéria-prima de obras teatrais. Como o teatro documental pode assumir possibilidades estéticas e ressignificações do supostamente real para o provavelmente ficcional?

Com: Teatro Imaginário Maracangalha (Tekoha – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno) e Grupo Carmin (Jacy)

Mediação: Daniele Avila Small (RJ)

Swift | Mezanino | dia 15/07 | Sábado, às 15h | 60 vagas | Grátis

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA – PROJETO PRETO

Dirigida por Marcio Abreu, a companhia brasileira de teatro (PR) desdobra inquietações que deram origem ao PROJETO bRASIL, presente no FIT 2017. As influências vêm de pensadores abolicionistas brasileiros do século 19 e do livro A Crítica da Razão Negra, do sul-africano Achille Mbembe, referência do pensamento contemporâneo sobre o racismo no mundo.

Oficina

Elementos dramatúrgicos

O encontro aproxima os participantes do processo de criação da montagem de “PRETO”. Grace Passô e Marcio Abreu fazem apontamentos teóricos e estéticos ao tatear dramaturgia e encenação.  Há participação ainda de atores cúmplices dessa etapa de investigação e seus indícios poéticos rumo ao espetáculo.

Com: Grace Passô e Marcio Abreu

Centro Cultural Vasco | dia 9/07 | Domingo, das 10h às 14h | 30 vagas | Grátis

Destinado a alunos de escolas públicas secundárias, estudantes de artes, áreas afins e artistas de campos diversos. Inscrições pelo e-mail: formativas@festivalriopreto.com.br

Aula aberta

Poeta, ensaísta, dramaturga e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leda Maria Martins trata de questões relacionadas à história do teatro negro no Brasil, à performance e ao teatro contemporâneo, sempre com ênfase na cultura afro-brasileira.

Centro Cultural Vasco | dia 12/07 | Quarta, das 10h às 13h | 100 vagas

Ensaio aberto

Abertura de processo

A atividade apresenta esboços de cenas em fase de experimentação e trechos de textos elaborados nessa etapa inicial de criação. Após o ensaio aberto, haverá encontro com a companhia, mediado por Aline Vila Real, integrante do grupo Espanca! (MG) e articuladora das ações Polifônica Negra e Segunda PRETA em Belo Horizonte.

Dramaturgia: Grace Passô e Marcio Abreu. Direção: Marcio Abreu.

Com: Renata Sorrah, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan e Cássia Damasceno. Direção musical: Felipe Storino

Centro Cultural Vasco | dia 13/07 | Quinta, 18h | 100 lugares > Retirada de ingressos a partir das 17h.

Especial

MAPA EM CRIAÇÃO

Na arte da pintura, um tríptico é um dispositivo formal constituído por três partes. Na história recente da Colômbia, o tripé da violência (guerrilha, narcotráfico e o paramilitarismo) serviu-se da festa e da vulnerabilidade dos corpos como motivo de celebração – não só da vida, mas também da morte. O coletivo Mapa Teatro, da Colômbia, utiliza-se dessas questões como argumento para suas criações.

Visitação Los Incontados: Un Tríptico sobre la Violencia en Colômbia

Concebida originalmente para a 31ª Bienal de São Paulo (2015), a instalação-arquivo é uma obra que se apresenta em três espaços articulados à maneira de um tríptico. O público testemunha restos e rastros de festas que já acabaram.

Sesc | Ginásio | dias 13, 14 e 15/07 | Quinta, sexta e sábado, das 13h às 18h | Grátis

Encontro

Trilogia das Festas: quatro anos depois

Em 2013, Discurso de Un Hombre Decente, do Mapa Teatro, de Bogotá, abriu a programação do FIT Rio Preto. Em 2017, o Festival recebe a obra que encerra a trilogia de estudos sobre a violência na Colômbia. Os codiretores, que são irmãos, abordam suas concepções e os experimentos empregados.

Com: Heidi e Rolf Abderhalden. Participação: Suely Rolnik, psicanalista, teórica e crítica de arte e cultura.

Sesc | Sala de Uso Múltiplo | dia 14/07 | Sexta, às 16h | 40 vagas | Grátis

PAINEL CRÍTICO

Os críticos Daniele Avila Small (revisa eletrônica Questão de Crítica/RJ), Ivana Moura (blog Satisfeita, Yolanda?/PE) e Marco Vasques (Caixa de Pont[o] – jornal brasileiro de teatro)/SC) contribuem na criação de textos  para a ampliar os olhares e a fruição a partir das obras presentes nesta edição. As análises serão publicadas no site do Festival.

Encontro

Panorama da cena – FIT 2017

Com participação dos críticos convidados, artistas e público para troca de impressões e reflexão a respeito do recorte apresentado no Festival.

Swift | Área Externa 15/07 | Sábado, 11h | Grátis

Créditos: Márcia Marques | Canal Aberto