Adriana Grechi, diretora do Núcleo Artérias, ministra Oficina de Criação em Dança no Sesc Belenzinho

Cenas de "Bananas 15". Foto: Jonia Guimarães
Cenas de “Bananas 15”. Foto: Jonia Guimarães

Diretora do Núcleo Artérias, Adriana Grechi, ministrará a OFICINA DE CRIAÇÃO EM DANÇA no Sesc Belenzinho, dias 16 e 17 de fevereiro das 14h às 18h. A participação é gratuita. Os alunos desta oficina poderão entrar em contato com o processo de criação do espetáculo BANANAS 15 do Núcleo Artérias, experimentando gestos, desejos e comportamentos que inventam corpos considerados masculinos. Acionando o sistema digestório do corpo e seus padrões básicos de sobrevivência, os participantes vão explorar corpos viscerais, primitivos e famintos que criam modos específicos de ocupar, consumir e dominar territórios.

Com uma carga horário de 8h, os candidatos interessados devem enviar um breve currículo até dia 12 de fevereiro para o e-mail oficinacriacao@belenzinho.sescsp.org.br

A oficina faz parte da programação do projeto ARTE – Substantivo Feminino que teve início em janeiro e segue até abril no Sesc Belenzinho, com debates, shows, oficinas, espetáculos adultos e infanto juvenis.

O ARTE – Substantivo Feminino põe luz na mulher, como foco principal de obras escolhidas por trazerem temáticas relevantes e de diferentes pontos de vista sobre o feminino. A ideia é abordar a mulher nas artes, tanto no conteúdo das obras – suas lutas em batalhas, dentro da história e da sociedade –, quanto na gestão e criação dos trabalhos.

Além da oficina, o Núcleo Artérias apresenta de 19 a 21 de fevereiro o espetáculo de dança Bananas 15. Neste trabalho, o Núcleo Artérias investiga construtos de gênero por meio da exploração de imaginários e desejos considerados exclusivamente masculinos. O trabalho expõe a reiteração do gesto que formata e modula corpos, criando volumes e modos de ocupar e dominar territórios. O espetáculo questiona fronteiras entre gêneros, entre espectador e performer, em uma série de experiências acionadas pelo sistema digestório do corpo e seus padrões básicos de sobrevivência. Um corpo que prevalece, uma invenção do masculino que ainda molda presenças dominantes.

Até abril ainda serão apresentados, dentro do projeto ARTE – Substantivo Feminino, os espetáculos adultos Carne, da Kiwi Companhia de Teatro com direção de Fernando Kinas, A Brava, da Brava Companhia e direção de Fábio Resende e Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas!, da Cia Os Crespos. Também faz parte da programação o infanto juvenil, Oju Orum do Coletivo Quizumba, com direção de Johana Albuquerque e dramaturgia de Tadeu Renato.

A diretora Adriana Grechi

Coreógrafa, dançarina e professora de dança, graduada pela faculdade de Nova Dança S.N.D.O. – Amsterdã. Criou várias performances entre 1988 e 94 na Holanda. Foi uma das fundadoras e diretoras do estúdio Nova Dança (movimento de pesquisa, ensino e criação) até 2003. Dirigiu a Cia. Nova Dança (1995-99) e a Cia. 2 Nova Dança (1999-2002). Em 1999 com as companhias do Estúdio Nova Dança recebeu o “grande prêmio da crítica” de São Paulo – APCA – pelo conjunto da obra.  Coreografou para diversos grupos, entre eles Pia Fraus Teatro, Balé Guaíra 2 (Curitiba), Cia. Rua das Flores (Curitiba), Northern Youth Dance Company (Inglaterra), Connections 5 (Inglaterra). Em 2002 apresentou o espetáculo “Toda coisa se desfaz” com a Cia. 2 Nova Dança no Rencontres Chorégraphique de Seine-Saint-Denis/França. Ministrou oficinas e cursos regulares de dança contemporânea e criação em diversas cidades da América do Sul e Reino Unido. Coordenou o estúdio Move de 2004 a 2007, desde 2008 coordena o estúdio Nave. É idealizadora do projeto Teorema, que em 2010 realizou sua sétima edição. Idealizadora e diretora artística do Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo, que em 2014 completou sete edições. Em 2003, Adriana Grechi transforma a Cia. 2 Nova Dança em Núcleo Artérias. Em 2003 Adriana Grechi dirigiu “Artérias.2”, primeiro trabalho com o Núcleo Artérias. Em 2004, pelo espetáculo “Porque nunca me tornei um/a dançarino/a” o Núcleo Artérias recebeu dois prêmios APCA, foi selecionado pelo “8º Festival da Cultura Inglesa” e “Viagem Teatral do SESI” realizando apresentações por todo o estado de São Paulo, além de participar de diversos festivais no Brasil.

Em 2006 o Núcleo Artérias iniciou o projeto “Trilogia Líquida”, que tem como referência a obra do sociólogo e pensador Zygmunt Bauman, formado pelas criações “Ruído 5.1” (prêmios Klauss Vianna – Funarte, Rumos Dança do Itaú Cultural, Fomento Municipal da Secretaria Municipal de Cultura e Caixa Cultural), “Fronteiras Móveis” (APCA de Criação em Dança em 2008), e “Fleshdance”, apresentado em março de 2012 no Festival On Marche em Marrakech no Marrocos. Em 2011/2012 o Núcleo foi patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural realizando temporadas e circulação nacional. Em 2013 estreou “BANANAS” no 17º Cultura Inglesa Festival em São Paulo. Em 2014 estreou “Escuro Visível” com apoio do 14º edital de Fomento à Dança.

Recebeu na última década diversos prêmios com o grupo, entre eles, 3 APCA. Seu trabalho com o Núcleo Artérias tem como enfoque a investigação de estados corporais, de sistemas de compartilhamento artístico e a conexão com outras mídias.

O NÚCLEO ARTÉRIAS

O Núcleo Artérias se dedica de forma contínua à investigação de corporeidades próprias e de sistemas de compartilhamento artístico para refletir sobre as transformações do corpo e das relações humanas no mundo contemporâneo.

Os integrantes do grupo experimentam em seus corpos como o consumismo, a instabilidade, a incerteza, as construções de gênero e a espetacularização estão afetando a nossa percepção.  O Núcleo Artérias testa outras formas de perceber, transformando modos de operar do próprio corpo e suas possibilidades de conexão com outros corpos.

O Núcleo Artérias apresentou seus trabalhos em mais de 40 cidades, tendo participado de diversos festivais (Rencontres Chorégraphique de Seine-Saint-Denis/Paris 2002, Bienal de Dança do Ceará/Fortaleza 2003, Porto Alegre em Cena 2003, FID/ Belo Horizonte 2005, On Marche/Marrakech 2012, entre outros) e de diversos programas de circulação pelo Brasil (Circuito SESI 2008, Caixa Cultural 2009, Petrobras Cultural 2010). O grupo recebeu na última década diversos prêmios, entre eles, três APCAs (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

SERVIÇO:
OFICINA DE CRIAÇÃO EM DANÇA
Quando: dias 16 e 17 de fevereiro, terça e quarta, das 14h às 18h
Com a diretora Adriana Grechi. Carga horária: 8h
Público: interessados em dança e artes cênicas em geral.
Inscrições até 12 de fevereiro, por meio de envio de breve currículo para: oficinacriacao@belenzinho.sescsp.org.br
Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até dia 13 de fevereiro.
Não recomendado para menores de 18 anos

BANANAS 15:
Quando: dias 19 a 21 de fevereiro de 2015, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 17h
Local: Sala de Espetáculos II.
Duração: 45 minutos/ Lotação: 80 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 16 anos
Onde: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700 / http://www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento:
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 11,00 (não matriculado); R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).
Assessoria de Imprensa e Credenciamento:
Sesc Belenzinho
Jacqueline Guerra: (11) 2076-9762
Sueli Freitas: (11) 2076-9763
imprensa@belenzinho.sescsp.org.br
Informações à imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Fone: 11 2914 0770

Por Márcia Marques e Daniele Valério

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Mulheres são mote do Projeto Arte – Substantivo Feminino no Sesc Belenzinho

Cena da peça “Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos”. Foto: Elisa Mendes
Cena da peça “Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos”. Foto: Elisa Mendes

Diretora Georgette Fadel abre o evento com a estreia de Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos, que tem dramaturgia de Grace Passô

O projeto também contempla mesas de debates e oficinas em todas as suas programações. Em “Guerrilheiras…”, que abre o evento, as reflexões permeiam temas como Resistência, Guerrilha e Poética com os convidados Wlad Lima, Lucio Flávio Pinto, Sonia Sobral, Roberta Estrela D’Alva, Irene Maestro, Georgette Fadel, Maria Thais, Berna Reale e Grace Passô

A partir do dia 15 de janeiro as mulheres viram foco principal da programação do Sesc Belenzinho, na capital paulista. Espetáculos, shows, intervenção, debates e oficinas serão apresentados no projeto ARTE – Substantivo Feminino, sempre tendo como mote as questões da mulher na sociedade e nas artes. As apresentações começam em janeiro e se desdobram até meados de abril de 2016.

As obras escolhidas trazem temáticas relevantes e de diferentes pontos de vista sobre o feminino e a ideia é abordar a mulher nas artes tanto no conteúdo das obras – suas lutas em batalhas, dentro da história e da sociedade –, quanto na gestão e criação dos trabalhos.

A diretora Georgette Fadel faz a abertura do evento, no dia 15 de janeiro, com a estreia do espetáculo, Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos, que tem dramaturgia de Grace Passô. A peça traz acontecimentos da Guerrilha do Araguaia, ocorrida na região amazônica no período de 1967 a 1974. O conflito armado resultou na morte de grande parte dos revolucionários, doze deles mulheres. Além do espetáculo, o ciclo Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos contém mesas de debates e oficina que levantam questões como Resistência, Guerrilha e Poética. Os assuntos serão debatidos sob a perspectiva do teatro e a de outra área que venha a complementar uma visão para além do teatro, ambas sob o viés feminino. Para tanto, foram convidadas artistas, jornalistas, gestoras e pesquisadoras para discorrerem sobre temas como Mulher e Guerrilha (Wlad Lima e Lúcio Flávio Pinto, mediação Sonia Sobral), Mulher e Resistência (Roberta Estrela D’Alva e Irene Maestro, mediação de Georgette Fadel) e Mulher, Realidade e Poética (Maria Thais e Berna Reale, mediação de Grace Passô). A oficina Exercícios da Contracena será ministrada pela diretora Georgette Fadel.

O ARTE – Substantivo Feminino contempla em sua programação a apresentação, nos dias 19 a 21 de fevereiro, da coreografia BANANAS 15, do Núcleo Artérias, dirigido por Adriana Grechi. A companhia de dança investiga, nesse trabalho, a construção de gênero por meio da exploração de imaginários e desejos considerados exclusivamente masculinos. Além das sessões, a diretora ministra uma oficina prática em que os participantes terão a chance de entrar em contato com o processo de criação do espetáculo, experimentando gestos, desejos e comportamentos que inventam corpos considerados masculinos.

A Kiwi Companhia de Teatro, com direção geral de Fernando Kinas, reencena o espetáculo Carne no período de 26 de fevereiro a 6 de março. A peça discute as relações entre patriarcado e capitalismo, mostrando o panorama da opressão de gênero e a situação específica da violência contra as mulheres no Brasil. A oficina As Mulheres e os Silêncios da História será ministrada por Fernanda Azevedo e Maysa Lepique.

A Brava Companhia, com direção de Fábio Resende, elegeu a história de Joana d’Arc para propor uma reflexão sobre objetivos, rumos e preferências, e a postura das pessoas frente às consequências dessas escolhas. No espetáculo A Brava (de 11 a 20 de março), a saga da heroína francesa é mostrada de forma épica, se valendo de recursos como a música, a interação com o público, e referências da cultura popular e da cultura pop agregadas a situações cênicas que exploram o drama e um humor anárquico, para construir paralelos com os dias de hoje. Voltada exclusivamente às mulheres, o grupo ministrará a oficina A Mulher na Sociedade que tem por objetivo a análise crítica de determinados aspectos da vida social, e a transformação disso, por meio da linguagem teatral, em material cênico.

A peça Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas!, da Cia Os Crespos, fará quatro apresentações no projeto ARTE – Substantivo Feminino (de 31 de março a 03 de abril). Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos.

O teatro infanto juvenil terá vez e voz por meio de Oju Orum, do Coletivo Quizumba (24 a 27 de março). Com direção de Johana Albuquerque e dramaturgia de Tadeu Renato, o espetáculo parte do mito da negra Anastácia, para apresentar a história de quatro mulheres, em espaços e tempos distintos e simultâneos. Suas narrativas expõem, simbolicamente, os discursos de poder que estão por trás da construção de gêneros.

No Dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, haverá um debate com Fernanda Azevedo, da Kiwi Companhia de Teatro, e Amelinha Teles, com mediação da diretora e atriz Lucia Romano.

SERVIÇO:
TEATRO

GUERRILHEIRAS OU PARA A TERRA NÃO HÁ DESAPARECIDOS
De 15 a 31 de janeiro de 2016, sexta e sábado, às 21h30, e domingos, às 18h30
O espetáculo traz acontecimentos da Guerrilha do Araguaia, que ocorreu de 1967 a 1974, na região amazônica. O conflito armado resultou na morte de grande parte dos revolucionários, sendo doze mulheres.
Direção: Georgette Fadel. Dramaturgia: Grace Passô. Elenco: Carolina Virguez, Sara Antunes, Daniela Carmona, Mafalda Pequenino, Fernanda Haucke, Gabriela Carneiro da Cunha.
Sala de Espetáculos I. Duração: 1h10 minutos. Lotação: 80 lugares com acesso para pessoas com deficiência
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir de 05/01/2016, às 15h30, e nas unidades, a partir de 06/01/2016, às 17h30:
Não recomendado para menores de 14 anos

CICLO GUERRILHEIRAS – DEBATES
O ciclo Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos apresenta três mesas de debates que levantam questões inerentes à criação desse projeto: Resistência, Guerrilha e Poética. Todos os temas serão debatidos sob a perspectiva do teatro e a de outra área que venha a complementar uma visão para além do teatro, ambas sob a perspectiva feminina.

DEBATE – MULHER E GUERRILHA
Dia 14 de janeiro, quinta-feira, às 20h
Nesse encontro será apresentado o tema “Guerrilheiras” a partir de um contexto maior. Qual feminino que luta e que morre em conflitos recentes na região norte. Livre. Grátis.
Com Wlad Lima e Lúcio Flávio Pinto – Mediação Sonia Sobral
Wlad Lima é artista‐pesquisadora, atriz, diretora e cenógrafa de teatro na cidade de Belém do Pará. Pós‐doutorado em Estudos Culturais junto a Universidade de Aveiro, Portugal. Mestrado e doutorado em Artes Cênicas pelo Programa de Pós‐graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. É professora na Universidade Federal do Pará de Licenciatura em Teatro e nos mestrados, acadêmico e profissional em Arte do PPGArtes.
Lúcio Flávio Pinto, nascido em Santarém (PA), é jornalista profissional desde 1966. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace. Em 2005 recebeu o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York, pelas denúncias que tem feito na defesa da Amazônia e dos direitos humanos. É formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1973). Foi professor visitante (1983/84) do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida em Gainesville, EUA.
Sonia Sobral é gestora de artes cênicas (dança e teatro) há 25 anos. Gerencia o Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural há 17 anos. A função envolveu a participação na criação e a gerência de diversos projetos, dos quais se destacam o Rumos Itaú Cultural Dança e o Rumos Itaú Cultural.

DEBATE – MULHER E RESISTÊNCIA
Dia 21 de janeiro de 2016, quinta-feira, às 20h
Como o feminino se levanta para resistir, enfrentar e propor alternativas diante da violência cotidiana. Livre. Grátis.
Com Roberta Estrela D’Alva e Irene Maestro. Mediação: Georgette Fadel
Roberta Estrela D’Alva nasceu em Diadema, São Paulo, e é Bacharel em Artes Cênicas pela USP e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. É atriz-MC, diretora, slammer e pesquisadora. Membro fundadora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e do coletivo Frente 3 de Fevereiro.
Irene Maestro é militante do Luta Popular – movimento territorial de organização d@s trabalhador@s que atua nas periferias de várias regiões metropolitanas do Brasil.
Georgette Fadel é atriz formada pela Escola de Arte Dramática EAD-ECA-USP. Diretora formada pelo Departamento de Artes Cênicas ECA-USP.

DEBATE – MULHER, REALIDADE E POÉTICA
Dia 28 de janeiro de 2016, quinta-feira, às 20h
A mesa trata da linguagem do espetáculo criado a partir da pesquisa sobre fatos e personagens reais da história política brasileira, interpretados poeticamente para a cena. Livre. Grátis.
Com Maria Thais e Berna Reale – Mediação Grace Passô
Maria Thais é fundadora da Cia Teatro Balagan. Professora do Departamento de Artes Cênicas e do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da ECA/USP. Foi diretora (2007/10) do TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo.
Berna Reale realiza instalações e performances. Estudou arte na Universidade Federal do Pará (Belém, PA) e participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e na Europa.
Grace Passô é diretora, dramaturga e atriz formada no Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado (Belo Horizonte/MG). Fundadora do grupo Espanca!.

OFICINA – EXERCÍCIOS DA CONTRACENA
Dias 27 e 28 de janeiro de 2016, quarta e quinta, das 12h às 16h
A oficina irá trabalhar todos os elementos importantes para que a relação com o outro na cena aconteça. Serão utilizados trechos de textos, jogos de cena, exercícios de escuta e consciência corporal. Com: a atriz e diretora Georgette Fadel.
Público: Atores, bailarinos e performers com alguma experiência. Inscrições até 21/01, por meio de envio de currículo resumido para: contracena@belenzinho.sescsp.org.br. Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até 23/01.
Vagas: 20 / Carga horária: 8h
Sala de Espetáculos I.
Grátis / Não recomendado para menores de 16 anos.
Assessoria de imprensa do espetáculo Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos:
Ofício das Letras
Adriana Monteiro I Cris Santos
Telefones: (11) 3021 9297 e  (11)3022 2783
adriana@oficiodasletras.com.br
cris@oficiodasletras.com.br

DANÇA
BANANAS 15
Dias 19 a 21 de fevereiro de 2015, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 17h
No trabalho, o Núcleo Artérias investiga construtos de gênero por meio da exploração de imaginários e desejos considerados exclusivamente masculinos. O trabalho expõe a reiteração do gesto que formata e modula corpos, criando volumes e modos de ocupar e dominar territórios. O espetáculo questiona fronteiras entre gêneros, entre espectador e performer, em uma série de experiências acionadas pelo sistema digestório do corpo e seus padrões básicos de sobrevivência. Um corpo que prevalece, uma invenção do masculino que ainda molda presenças dominantes.
Concepção/Direção: Adriana Grechi. Criação/Dança: Bruna Spoladore, Lívia Seixas e Nina Giovelli. Colaboração/estágio: Luiza Meira Alves. Trilha Sonora: Dudu Tsuda. Iluminação: André Boll. Produção: Amaury Cacciacarro Filho. Assistência de Produção: Erika Fortunato
Sala de Espetáculos II. Duração: 45 minutos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 16 anos

OFICINA DE CRIAÇÃO EM DANÇA
Dias 16 e 17 de fevereiro, terça e quarta, das 14h às 18h
Os participantes desta oficina poderão entrar em contato com o processo de criação do espetáculo BANANAS 15 do Núcleo Artérias, experimentando gestos, desejos e comportamentos que inventam corpos considerados masculinos. Acionando o sistema digestório do corpo e seus padrões básicos de sobrevivência, os participantes vão explorar corpos viscerais, primitivos e famintos que criam modos específicos de ocupar, consumir e dominar territórios.
Com a diretora Adriana Grechi. Carga horária: 8h
Público: interessados em dança e artes cênicas em geral.
Inscrições até 09 de fevereiro, por meio de envio de breve currículo para: oficinacriacao@belenzinho.sescsp.org.br
Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até dia 12 de fevereiro.
Não recomendado para menores de 18 anos
Adriana Grechi – Diretora do Núcleo Artérias. Graduada pela faculdade de Nova Dança de Amsterdã (SNDO) em 1994. Foi uma das fundadoras do estúdio e Cia. Nova Dança e é Diretora artística do Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo (8 edições realizadas).

TEATRO
CARNE
De 26 de fevereiro a 06 de março de 2016, sexta e sábado, às 21h30, e domingos, às 18h30
O espetáculo discute as relações entre patriarcado e capitalismo, mostrando o panorama da opressão de gênero e a situação específicas da violência contra as mulheres no Brasil. A peça, inspirada no teatro documentário, é composta de 20 quadros interligados executados por duas atrizes e uma percussionista. A montagem inclui ações “dramáticas” e “narrativas” em formato de cenas curtas, referências a textos de análise e estatísticas, trechos de romances, projeção de imagens, composições originais, citações do cancioneiro tradicional e da MPB. Empresta-se material das ciências (em especial à sociologia e à história), das artes populares, da filosofia e da política.
Com Kiwi Companhia de Teatro. Direção geral: Fernando Kinas. Roteiro: Fernanda Azevedo e Fernando Kinas. Elenco: Fernanda Azevedo e Maria Dressler. Direção musical: Eduardo Contrera. Execução musical: Luciana Fernandes
*Após as apresentações, haverá debates com o grupo.
Sala de Espetáculos I. Duração: 90 minutos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.

OFICINA AS MULHERES E OS SILÊNCIOS DA HISTÓRIA
Dias 01 e 02 de março de 2015, terça e quarta, das 14h às 19h
A oficina pretende, por meio de estímulos teatrais, literários e recursos audiovisuais, discutir algumas ferramentas necessárias para que as mulheres percebam, assumam o protagonismo e escrevam suas próprias histórias – confiantes de que podem, a partir de suas experiências pessoais, ampliar o debate sobre a opressão contra as mulheres, passando da esfera privada e íntima para o espaço público.
Desenvolvimento: Discussão e improvisação a partir de textos (literatura e dramaturgia) de Elfried Jelinek (prêmio nobel de literatura em 2004), Hilda Hilst, Cora Coralina, Carolina Maria de Jesus, Simone de Beauvoir, entre outras. Trabalho a partir de material documental: matérias e artigos de jornais e revistas, estatísticas, textos de historiadoras etc. Construção da sua própria história – exercícios teatrais a partir de depoimentos e elaboração de uma história coletiva. Exercícios de memória. Exercícios físicos – dinâmica de grupo. Improvisação e discussão a partir de imagens (fotos e filmes) relacionados ao tema. Resumo da história das lutas das mulheres na Europa, EUA e Brasil e contextualização do papel das mulheres na arte, com foco especial para a produção latino-americana.
Com Fernanda Azevedo e Maysa Lepique
Público: Mulheres jovens e adultas, artistas ou não, que tenham interesse em construir e compartilhar suas histórias a partir de estímulos artísticos.
Inscrições até 26/02, por meio de envio de envio de currículo resumido para: asmulheres@belenzinho.sescsp.org.br.
Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até 28/02.
Vagas: 25 mulheres / Carga horária: 10h
Sala de Espetáculos I.
Grátis / Não recomendado para menores de 16 anos.

TEATRO
A BRAVA
De 11 a 20 de março de 2016, sexta e sábado, às 20h, e Domingos e feriados, às 17h
Espetáculo inspirado na história de Joana d’Arc que propõe uma reflexão sobre objetivos, rumos e opções, e a nossa postura frente às consequências destas escolhas.
Nesta montagem da Brava Companhia, a saga da heroína francesa é mostrada de forma épica, valendo-se de recursos como a música, a interação com o público, e referências da cultura popular e da cultura pop agregadas a situações cênicas que exploram o drama e um humor anárquico, para construir paralelos com os dias de hoje. As “vozes” ouvidas por Joana tornam-se símbolos que podem ser interpretados como a crença em objetivos ou a ousadia de trilhar caminhos contrários a padrões pré-estabelecidos pela sociedade.
Direção: Fábio Resende / Elenco: Rafaela Carneiro, Fábio Resende, Mário Rodrigues e Ademir de Almeida / Projeto de Cenário: Mundano / Confecção de Cenário: Márcio Rodrigues / Criação e Confecção de Figurino: Ligia Passos e Karla Maria Passos / Produção: Kátia Alves.
Praça. Duração: 70 minutos
Grátis. Não recomendado para menores de 12 anos.

OFICINA A MULHER NA SOCIEDADE
Dias 15 e 16 de março de 2016, terça e quarta, das 15h às 18h
Nesta atividade formativa o grupo propõe o compartilhamento de algumas ferramentas teóricas e práticas utilizadas em seus processos de estudo e criação de modo a inserir os participantes em uma experiência que compreenderá a análise crítica de determinados aspectos da vida social, e a transformação dessa análise, por meio da linguagem teatral, em materiais cênicos – cenas, intervenções, música etc. Elementos do repertório técnico teatral construído pela Brava Companhia ao longo dos seus anos de pesquisa serão abordados e investigados por meio de exercícios cênicos, que terão como mote temático um olhar crítico sobre a questão da mulher na sociedade.
Carga horária: 8h Vagas: 30
Público: interessados em teatro (somente mulheres)
Não recomendado para menores de 16 anos.

TEATRO INFANTO JUVENIL
OJU ORUM
De 24 a 27 de março de 2016, quinta-feira, às 19h, e sábado e domingo, às 17h*
*sexta-feira não haverá apresentação
Tendo como elemento disparador o mito da negra Anastácia, o espetáculo apresenta a história dessas quatro mulheres, em espaços e tempos distintos e simultâneos. Suas narrativas expõem, simbolicamente, os discursos de poder que estão por trás da construção de gêneros. Caladas em suas falas e corpos, essas jovens procuram construir uma voz que lhes permita questionar e ressignificar suas vidas. A obra não pretende trazer uma versão da mulher somente como vítima, e sim como ser histórico, sujeito e objeto dessas situações, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, suas vivências, experiências e lutas. Uma busca por contar outras narrativas que vão para além da história hegemônica que impõe, em geral, a perspectiva masculina, heteronormativa, adulta, branca, urbana. É pela força do questionamento que acreditamos também no poder de um teatro voltado para juventude e na cultura afro como disparadores éticos e estéticos.
Direção: Johana Albuquerque. Dramaturgia: Tadeu Renato. Com o Coletivo Quizumba
Sala de Espetáculos I. Duração: 95 minutos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.

TEATRO
ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS!
De 31 de março a 03 de abril de 2016, quinta a sábado, às 21h30, e Domingos, às 18h30
Cia Os Crespos. Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.
Direção: Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza. Atriz: Lucelia Sergio. Texto: Cidinha da Silva. Dramaturgia: Cidinha da Silva e Os Crespos. Colaboração Criativa de direção: Aysha Nascimento. Atrizes colaboradoras do processo de criação: Dani Nega, Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt. Direção de arte: Mayara Mascarenhas. Iluminação: Edu Luz. Trilha sonora: Dani Nega.
Sala de Espetáculos I. Duração: 60 minutos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Não recomendado para menores de 14 anos.

DEBATE DIA 8 DE MARÇO DE 2016
Dia 08 de março, terça-feira, às 20h
Com Fernanda Azevedo e Amelinha Teles – Mediação: Lucia Romano
O debate visa discutir essa questão do protagonismo feminino nas artes.
Sala de Espetáculos I. Duração: 90 minutos
Grátis Não recomendado para menores de 12 anos.

INTERVENÇÕES NA CONVIVÊNCIA
TODOS PODEM SER FRIDA
4 dias de final de semana em Março (a definir)
A intervenção fotográfica surgiu da exposição fotográfica da artista Camila Fontenele de Miranda sobre a vida da artista mexicana Frida Kahlo. A partir daí, abriu-se a possibilidade de agregar mais uma vertente ao projeto, ao fotografar o público caracterizado como Frida Kahlo. Essa interferência leva em consideração os reais objetivos de aproximar o público da obra de Frida Kahlo e debates sobre a conexão da arte, identidade de gênero e comportamento social.

SERVIÇO:
Local: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
http://www.sescsp.org.br/belenzinho
Estacionamento:
Para espetáculos com venda de ingressos: R$ 11,00 (não matriculado); R$ 5,50 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).
Assessoria de Imprensa e Credenciamento:
Sesc Belenzinho
Jacqueline Guerra: (11) 2076-9762
Sueli Freitas: (11) 2076-9763
imprensa@belenzinho.sescsp.org.br

Por Márcia Marques / Daniele Valério / Canal Aberto

“Ocupação Grupo Corpo” no Itaú Cultural

Uma das paredes do espaço expositivo do Itaú Cultural que celebra os 40 anos do Grupo Corpo. Foto: Jorge Almeida
Uma das paredes do espaço expositivo do Itaú Cultural que celebra os 40 anos do Grupo Corpo. Foto: Jorge Almeida

O Itaú Cultural está com a mostra “Ocupação Grupo Corpo” em cartaz até o próximo domingo, 17 de janeiro, em que é traçado a trajetória dos 40 anos da companhia de dança fundada em Belo Horizonte e com coreografias de Rodrigo Perdeneiras.

Ao longo de quatro décadas de existência, o Grupo Corpo realizou mais de 35 espetáculos e visitou cerca de 40 países e contou com a participação de mais de 100 bailarinos no período.

A exposição apresenta fragmentos do tempo que propagam a memória oficial dos processos criativos, além das performances realizadas pelo grupo, assim como imagens de ensaios, viagens e momentos de descontração e lazer – tudo registrados pelos próprios bailarinos do grupo, “staff”, colaboradores e amigos – entre fotografias profissionais e amadores, que revelam um “olhar humano” e a intimidade do grupo, onde o afeto, o companheirismo, a descontração e a brincadeira fazem com que o trabalho seja produzido em harmonia entre todos.

A mostra exibe centenas de fotos no espaço que ocupam o quadrilátero reservado para o projeto e também trechos de 15 peças do grupo, como “Santagustín” (2012) e “Ongotô” (2005).

SERVIÇO:
Exposição:
Ocupação Grupo Corpo
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Paraíso
Quando: até 10/01/2016; de terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Célia Gouvêa estreia a peça de dança “Alavancas e Dobradiças”

Célia Gouvêa em cena de Alavancas e Dobradiças. Foto: Vitor Vieira
Célia Gouvêa em cena de Alavancas e Dobradiças. Foto: Vitor Vieira

A bailarina Célia Gouvêa está despojada no palco. Aos 50 anos de carreira dedicada à dança, ela tem a certeza que menos é mais. E se recusa a chamar de “espetáculo” seu Alavancas e Dobradiças, chama de “peça de dança” seu mais recente trabalho, que faz duas curtas temporadas em São Paulo: em O Lugar, nos dias 27, 28 e 29 de novembro de 2015 e no CCSP (Centro Cultural São Paulo) dias 11, 12 e 13 de dezembro de 2015.

Em cena, é a própria Célia que relata, em tom confessional, com palavras, gestos e passos, sua trajetória e lembranças e lança a pergunta: “O que é a dança para você?”. E segue além ao questionar a proliferação atual dos relatos pessoais cênicos ao mesmo tempo em que promove um. Em Alavancas e Dobradiças, a artista lança reflexões e apresenta trechos de coreografias de décadas passadas, como C-E-C-I-L-I-A (2001), Assim Seja? (1984), Expediente (1980), Festarola (1988), Romance de Dona Mariana (1989) e Parasha (1998). Aos extratos, conta momentos pessoais que viveu quando da criação e circulação das obras e cita filósofos, mestres e parceiros de cena, tudo ao som do 2º movimento do concerto para violino e orquestra de Philip Glass.

Há dois anos, a bailarina fez um recuo e repensou o que poderia movê-la, impulsioná-la à uma nova criação. Desse momento de busca veio o desejo de concluir algo que havia parado na juventude, mas que poderia subsidiar inquietações: terminar a faculdade de Filosofia, iniciada aos 18 anos, mas deixada para trás para que pudesse seguir com a dança, a paixão mais urgente. Formada em Filosofia em 2012, já se qualificou para o Doutorado na ECA/USP e em dois terminará mais esse ciclo em sua vida.

Por que o nome Alavancas e Dobradiças? Célia responde que “os dois termos apresentam definições como potência e resistência, que juntas geram energia, fator necessário para as mudanças”. A bailarina tem a certeza que o passar dos anos propicia “deixar de lado o que é supérfluo, e ficar com o que importa”. E na obra que apresenta agora, Célia se sente à vontade para citar os filósofos, mestres e parceiras de cena que nortearam, de alguma forma, a construção dessa peça de dança: de Roland Barthes a Maurice Merleau Ponty, passando por Gilles Deleuze e Khrisnamurti; os professores Celso Cruz, Fernand Schiren, Ruth Rachou; os coreógrafos Alwin Nikolais, Maurice Béjart, William Forsythe, Trisha Brown, Merce Cunningham; a poeta Cecília Meireles e das  artistas e colegas Maguy Marin e Juliana Carneiro da Cunha, além do físico Isaac Newton, todos citados em Alavancas e Dobradiças.

No palco nu, Célia tem um elemento visual que a impulsiona: o arame, escolhido por ser uma matéria maleável, simples, que pode adquirir diferentes formas, envolve, mas também pode ser imprevisível, como a areia que se move para qualquer lado, sem obedecer restrições. Assim Célia se sente nesse momento, apta a ir para qualquer lado, sem receio de nada.

Sobre Célia Gouvêa

Doutoranda no Programa de Pós Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (Doutorado direto). Graduada em licenciatura pelo curso de Filosofia da Faculdade de São Bento (2012). Formada pelo MUDRA de Maurice Béjart, em Bruxelas/Bélgica, voltado à interação entre as várias linguagens artísticas (1970-1973). Foi co-fundadora do Grupo CHANDRA (Teatro de Pesquisa de Bruxelas).

Em 1974, iniciou no Teatro de Dança Galpão, em parceria com Maurice Vaneau, um movimento renovador da dança, através de uma perspectiva multidisciplinar, com o espetáculo Caminhada, saudado pelo crítico Sábato Magaldi como um espetáculo perfeito… Um novo caminho e uma nova linguagem. Foi artista em residência na Universidade de Illinois, em Champaign-Urbana (1977). Criou 60 coreografias, destacando Trem Fantasma e Promenade (1979), no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e Teatro Municipal de São Paulo; Expediente (1980), no Teatro de Dança Galpão; Assim Seja? (1984), na ACARTE em Lisboa; Sapatas Fenólicas (1992), no Centro Cultural São Paulo, Danças em Branco (2005), Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro. Conquistou prêmios de melhor coreógrafa, bailarina, espetáculo, pesquisa e criação da APCA, Governador do Estado, Apetesp e Funarte. Recebeu bolsas de pesquisa e criação do CNPq, auxílio à Pesquisa da Fapesp, VITAE, John Simon Guggenheim Memorial Foundation.

Em 1998 foi agraciada com a bolsa Virtuose, que a conduziu à França, onde realizou duas montagens no estúdio do Théâtre du Soleil (Paris) e coreografou o desfile da Bienal de Dança de Lyon/2000. Em 2006 é contemplada pela 1ª edição do Fomento à Dança da cidade de São Paulo pelo projeto Cidade. Em 2009 seu trabalho nas décadas de 1970 e 80 foi abordado em tese de doutorado na UNICAMP por Silvia Geraldi. Em 2011, sua carreira foi revisitada pelo documentário Figuras da Dança com produção da São Paulo Cia. de Dança. Em 2012, pela segunda vez recebe o prêmio Fomento à Dança da cidade de São Paulo para preservação, organização e compartilhamento do acervo Gouvêa-Vaneau, acessível pelo site http://www.acervogouvea-vaneau.com.br.

Em 2014 apresentou o espetáculo Alavancas e Dobradiças como convidada de honra da 8º Mostra do Fomento à Dança, que também teve em sua programação a exposição Décadas de Dança – acervo Gouvêa-Vaneau com duas palestras-guiadas pela própria Célia Gouvêa. Ainda nesse ano, a artista foi indicada ao Prêmio Governador do Estado com o projeto de preservação e compartilhamento do acervo Gouvêa-Vaneau. Em 2015, é contemplada pelo 18º Fomento à Dança para circular com a peça Alavancas e Dobradiças.

Ficha Técnica:
Coreografia e Interpretação:
Célia Gouvêa
Produção:
Ação Cênica
Assistente de produção e Iluminador:
Rafael Petri

Serviço:
Duração: 50 minutos I Classificação: livre
VIII Mostra Lugar Nômade de Dança
Espaço Cênico O Lugar – Sala Norte
Dias 27, 28 e 29 de novembro de 2015
Sexta às 21h, sábado e domingo às 20h30
Rua Augusta, 325 – Consolação. São Paulo/SP
Tel. 11 3237-3224 Capacidade: 60 lugares
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia – estudantes, classe artística e terceira idade).

Semanas de Dança 2015
Centro Cultural São Paulo – Sala Anexo
Dias 11, 12 e 13 de dezembro de 2015
Sexta e sábado às 21h, domingo às 20h
Rua Vergueiro, 1000. São Paulo/SP
Tel. 11 3397-4002 Capacidade: 70 lugares
Ingressos: Grátis (Retirar com 1h de antecedência na bilheteria)

Por Márcia Marques e Daniele Valério / Canal Aberto Assessoria de Imprensa

A Anacã Cia de Dança põe foco no jazz e estreia EleEla, com direção de Edy Wilson, no Teatro Alfa

Foto: Ronaldo Winter Caracas
Foto: Ronaldo Winter Caracas

Se a Anacã Cia de Dança está engatinhando em seus primeiros passos – EleEla é seu segundo trabalho, o primeiro foi Principiar em junho de 2013 – seus dirigentes, juntos, somam 75 anos de trajetória profissional dedicada à dança. Não é pouco. Com direção do coreógrafo Edy Wilson e direção geral de Helô Gouvêa, EleEla coloca o jazz no foco e o resultado poderá ser visto no novo espetáculo que a companhia estreia dia 29 de outubro de 2015, no Teatro Alfa (R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo).

Para falar de amor, Edy inicia o espetáculo subvertendo a ciência: é a mulher que nasce do homem, e não o contrário. Daí surgem as cenas que permeiam o espetáculo sobre o amor ideal e da (falsa) ideia do príncipe/princesa encantado (a) que bate à porta. A partir de um conto de Moisés Vasconcelos, Edy Wilson criou 11 cenas acerca da diversidade de elos estabelecidos entre os gêneros masculino e feminino, em como cada um conceitua o amor. Para concretizar a ideia no palco, Edy convidou Úrsula Félix para criar o figurino, Raquel Balekian para a luz, Divanir Gattamorta na música e Lucas Simões na cenografia.

A Anacã Cia de Dança – Edy Wilson E Helô Gouvêa

Helô Gouvêa e Edy Wilson são os dois artistas responsáveis pela ‘criança’ Anacã, que completa três anos de vida em 2015 (sua fundação foi em agosto de 2013). Ambos trilharam caminhos diferentes na dança, mas a partir de 2012 uniram-se para criar a companhia que colocaria o jazz na pauta da dança novamente. Assim nasceu a Anacã Cia de Dança, que abraçou o jazz como linguagem-motriz e é composta atualmente por 16 bailarinos jovens, com idade média entre 20 e 23 anos. Além dos artistas que compõem o grupo, há 40 alunos bolsistas que integram o projeto.

Com 30 anos de carreira profissional, Edy Wilson teve sua primeira experiência profissional em Assis, com Charlie Linhares, quando integrou o Corpo de Baile Municipal da cidade. Nessa cidade também graduou-se em Educação Física, o que foi bastante importante para seu amadurecimento corporal. Em 1993, viajou pela primeira vez ao Festival de Dança de Joinville quando conheceu Roseli Rodrigues (1955-2010), coreógrafa da Raça Cia. de Dança e referência no desenvolvimento de uma linguagem brasileira de jazz dance, marcada pela criação de obras que apostavam na polirritmia e na orquestração de grandes grupos. Com ela Edy montou coreografias, ganhou prêmios e em paralelo, atuou como preparador corporal dos atores dos musicais “Vitor ou Vitória” (2001), estrelado por Marília Pêra e dirigido por Jorge Takla, e “Godspell” (2002), dirigido por Miguel Falabella, além de ter participado de montagens de vários shows pelo Brasil.

Com suas obras autorais, Edy conquistou prêmios de melhor coreógrafo em importantes eventos como o Passo de Arte (2001) e o Festival de Dança de Joinville (2006), o que lhe garantiu uma participação na Bienal de Dança de Lyon, na França. “Tive uma influência muito grande da dança contemporânea, mas isso veio do próprio jazz, que permitia a criação de um movimento a partir de outro, ou seja, você nunca precisava imitar ou reproduzir o mesmo movimento sempre. Assim meu jazz ficou um pouco contemporâneo”, avalia o coreógrafo que, no ano seguinte, estreava Principiar, seu primeiro trabalho à frente do novo grupo, e agora está envolvido na criação de EleEla.

Helô Gouvêa completa em 2015, nada menos que 45 anos de dedicação à dança. Sua paixão pelo jazz veio junto com seus anos de intercâmbio com os mestres americanos, nos meados do anos 1970 e 1980, quando viajava aos EUA e trazia para o Brasil as novas técnicas difundidas pelos professores de lá. Assim foi com Lennie Dale (1934-1994), ex-dançarino do mestre da Broadway Jerome Robbins (1918-1998) e criador do lendário grupo Dzi Croquettes. Helô, nessa época, viajou por inúmeros estados brasileiros criando escolas, dando aulas, compartilhando a técnica que alimentava sua alma: o jazz.

Helô teve professores e parceiros de aula ilustres – e ícones de suas gerações – como Renée Gumiel (1913-2006), Kitty Bodenheim (1912-2003), Klauss Vianna (1928-1992), Joyce Kermann (1955-2006), Mônica Japiassú, Ruth Rachou, entre outros grandes nomes. Na turma com Renée, era a caçula nas aulas em que que os alunos eram Thales Pan Chacon (1956-1997), Ivaldo Bertazzo e Célia Gouvêa. Anos mais tarde deu aulas para a atriz Claudia Raia e para a empresária Ana Maria Diniz, hoje sua sócia no Estúdio Anacã, escola profissional que reúne mais de mil alunos em aulas disputadas, atualmente em duas unidades paulistanas: uma na Avenida Brasil e outra na Avenida Henrique Schaumann.

Sobre EleEla

Logo de início, o coreógrafo apresenta sete casais para representar um nascimento às avessas: em vez de ser da mulher que nasce o homem, é do homem que nasce a mulher – uma alusão ao mito de Adão e Eva, que inaugura as possibilidades de relação entre homens e mulheres. Na visão de Edy Wilson, a atração é o que norteia desde o princípio esses dois indivíduos.

Existe um homem ou mulher ideal para cada pessoa? O coreógrafo quer desconstruir a ideia do príncipe encantado que bate à porta.Do jogo de sedução às promessas de amor eterno, dos olhares ao desejo, da Cinderela às farras amorosas e sexuais; todas essas fases são atravessadas pelo amor, pelo arroubo do sentimento, mas vividas e sentidas diferentemente por cada um dos gêneros. “A ideia do ‘príncipe’ ou ‘princesa’ ainda é atual para muita gente. Existe um homem/mulher ideal na cabeça das pessoas, mas as buscas por essa metade idealizada frustra, porque não se concretiza nunca”, explica o coreógrafo.

“Todos eles sentem o mesmo desejo, mas com intensidades diferentes. Quero mostrar outras nuances de atitudes de desejo”, diz Edy Wilson. O início do espetáculo também apresenta o vocabulário de movimentos com os quais vai trabalhar dali em diante, como a dança jazz sendo pontuada em meio à construção de uma cena absolutamente contemporânea.

A partir daí, o coreógrafo passeia por diferentes formações, entre solos, duos e trios e, especialmente, conjuntos para explorar temas como a dualidade entre homem e mulher, os jogos de sedução entre essas duas figuras, a sensualidade, a ilusão e a ingenuidade do amor romântico. “Dessa vez irei para outra estrutura, diferente do que ocorreu em Principiar onde há mais solos duos, trios… Agora construirei as cenas com mais conjuntos”, explica.

O figurino desenvolvido por Úrsula Félix se alinha com essa concepção. Por mais de dez anos ela atuou como diretora criativa do ateliê de Tânia Agra, que, além de sua mãe, é uma das mais conceituadas figurinistas de trajes de balé clássico do país. Para EleEla, Úrsula desenvolve um design que migra gradualmente, a cada cena, de tons terrosos para tons quentes, com destaque para os sapatos de salto que as bailarinas ostentam nos pés – um ícone jazzístico por excelência.

Conhecido por seu trabalho na criação de músicas voltadas para dança contemporânea, o músico Divanir Gattamorta, do Departamento de Artes Corporais da Unicamp, se arrisca pela primeira vez na composição para uma obra de dança jazz. Ao misturar influências, ele trilha um caminho nada óbvio para o gênero, desafiando o ouvido dos bailarinos, convocados por Edy Wilson a imprimirem suas individualidades em cada movimento.

ANACÃ CIA DE DANÇA

Em 2012, Helô Gouvêa e o coreógrafo Edy Wilson se encontraram durante o Passo de Arte e o Festival de Dança de Joinville, no qual atuaram como júri e professores. Edy havia acabado de se desligar da Raça Cia de Dança, onde atuava como diretor. Conversa vai, conversa vem, Helô fez o convite para que ele e sete bailarinos pudessem trabalhar e ensaiar no Estúdio Anacã, inaugurado por ela dois anos antes em sociedade com Ana Maria Diniz. Surgia assim a pedra fundamental da Anacã Cia. de Dança.

Logo veio a ideia de montar um espetáculo, Principiar, que estreou em junho de 2013 fazendo uma reflexão justamente sobre o início desse novo rumo nas carreiras de Edy, Helô e dos bailarinos. A assinatura coreográfica que seria buscada já se anunciava nesse momento.

Os apoios conquistados nesses primeiros passos são frutos de uma dinâmica singular que a companhia construiu para si ao se instalar em uma escola de dança frequentada por mais de mil alunos divididos em duas unidades, o que tem se revelado positivo tanto para o grupo quanto para o próprio estúdio. Há ainda outro braço da Anacã dedicado à formação técnica. Além de seus 12 bailarinos e 4 estagiários, a companhia oferece aulas gratuitas a 40 talentos escolhidos via audição que podem assim vivenciar um pouco da rotina de trabalho de um profissional de dança e se especializar para o mercado de trabalho.

Recentemente, a convite da Secretaria de Cultura do Estado, realizou uma circulação pelo interior de São Paulo, nas cidades de Regente Feijó, Paraguaçu Paulista, Pedrinhas Paulistas, Ibitinga, Jaú e Agudos, dentro do Circuito Cultural Paulista 2015.

Agora com o patrocínio do Itaú, a companhia se prepara para a estreia de sua segunda obra, EleEla.

Ficha Técnica:

Direção Executiva: Ana Maria Diniz
Direção Geral: Helô Gouvêa
Direção Artística e Coreografia: Edy Wilson De Rossi
Maitre de Ballet: Eduardo Bonnis
Trilha Sonora: Divan
Designer de Luz e Direção Técnica: Raquel Balekian
Cenografia: Lucas Simões
Figurinos: Ursula Felix
Texto: Bruna Martins
Fotos: Ronaldo Winter Caracas
Designer Gráfico: Charles Camargo
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Coordenação de Mídia: Massaini Cultural
Coordenação de Projetos: Ponto de Produção
Coordenação de Marketing: Warley Alves
Produção: Elinah Jacqueline
Elenco: Alexssandro Silva – Carolina de Sá – Camila Carolina – Daniela Correa – Fernanda Salla – Janaina de Oliveira – Jéssica Fadul – Jonatha Martins – Karine Miranda – Letícia Alfenas – Lindemberg Marques – Michael Martins – Paulo Victor – Rafael Luz – Rafael Trevisan – Thaynara Gomes.

Patrocínio: Banco Itaú / Ministério da Cultura
Apoio: Estúdio Anacã, Sociedade de Patronos, Só Dança, Ponto de Produção, Canal Aberto, Massaini Cultural, Instituto Alfa.

SERVIÇO:
EleEla, da Anacã Cia. de Dança
Dias: 29, 30, 31 de outubro e 01 de novembro de 2015
Onde: Teatro Alfa – R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo – SP, 04757-000
Telefone: (11) 5693-4000
Duração: 60 minutos
Horários: Quinta feira às 21h00, sexta feira às 21h30, sábado às 20h00; domingo às 18h00.
Data para início de vendas: 01.10.15
Lotação: 1.110 lugares
Valor dos Ingressos:
Plateia I: R$80,00 (oitenta reais); Plateia II: R$80,00 (oitenta reais); Balcão I: R$60,00 (sessenta reais); Balcão II: R$60,00 (sessenta reais).
Vendas Ingresso rápido
Aceita cartão de credito – Não aceita cheque
Classificação: 12 anos

Por Márcia Marques

Festival traz expoentes da dança contemporânea para o Brasil: Ivo Dimchev (Bulgária), Bouchra Ouizguen (Marrocos) e Robert Steijn (Holanda)

A 8ª edição do Festival Contemporâneo de Dança reúne em São Paulo, no período de 29 de outubro a 15 de novembro de 2015, artistas interessados em experimentar possibilidades de convívio, conexão e partilha, cujos trabalhos insistem em propor questões fundamentais.

Que outras formas de afeto são possíveis e necessárias diante de um cenário cada vez mais voltado aos encontros efêmeros, ao êxito individual e à aceleração dos processos artísticos? O que nos une? Por que, como e para quem realizamos nossas experiências? De que maneira podemos reinventar nossas habilidades para o compartilhamento?

A coreógrafa Bouchra Ouizguen vem pela primeira vez ao Brasil apresentar Madame Plaza com seu grupo formado por aïtas: cantoras/dançarinas de cabarés e festas tradicionais, vistas com receio pela sociedade marroquina. O búlgaro Ivo Dimchev provoca a plateia transformando-se em “Lili Handel”: diva queer que se oferece ao consumo físico e estético. Ivo ainda partilha sua poesia afiada e seu potente trabalho vocal nas canções de “15 Songs from my Shows”. Wagner Schwartz dialoga com a obra de Lygia Clark em “La Bête” e Michelle Moura traz uma coreografia vertiginosa, criada a partir do movimento das pálpebras. Robert Steijn e Ricardo Rubio testam formas íntimas de convívio e aproximação em “Prelude On Love”. Marcela Levi, Lucía Russo e o grupo de “Mordedores” transformam violência em vitalidade através do contato entre corpos que se afetam.

Além das apresentações, o FCD oferece oficinas gratuitas voltadas à formação artística com Ivo Dimchev, Wagner Schwartz, Robert Steijn e Ricardo Rubio. As oficinas de criação promovem uma imersão nos processos criativos dos convidados, possibilitando uma aproximação ao pensamento e à prática de cada artista.

A 8ª edição do Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo tem o patrocínio do Banco Itaú, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo através do Programa de Ação Cultural 2014, do SESC e de instituições internacionais de apoio à cultura.

Ficha técnica FCD – direção artística: Adriana Grechi I direção geral e de produção: Amaury Cacciacarro Filho I assistência de direção: Erika Fortunato | produção: Guilherme Elias I técnica: André Boll – Santa Luz I produção e divulgação: Fractal Produção Cultural

Ações de Formação

Além das apresentações, o FCD viabiliza oficinas de criação propondo imersões nos processos e procedimentos criativos de alguns dos convidados que terão a possibilidade de permanecer mais tempo na cidade para experimentar uma partilha mais intensa de suas práticas. Nesta edição, as oficinas serão ministradas por Ivo Dimchev, Ricardo Rubio, Robert Steijn e Wagner Schwartz.

Programação
MADAME PLAZA
Bouchra Ouizguen (Marrocos)
Duração: 55 minutos Classificação etária 10 anos
SESC SANTANA 29 e 30 de outubro | quinta e sexta às 21h
MADAME PLAZA é uma homenagem da corégrafa marroquina Bouchra Ouizguen à musica das “aïtas”: cantoras que se apresentam em celebrações, casamentos e clubes noturnos, cujas performances incluem canções, lamúrias e sortilégios. Alvo de preconceito na sua condição de mulheres artistas, as aïtas tem uma reputação ambígua, sendo objeto de admiração, fantasias e rejeição. Movido pela afinidade da coreógrafa com a luta destas mulheres pela sua liberdade, Madame Plaza é um fascinante encontro de vozes e corpos que problematiza os enfoques formalistas que separam a contemporaneidade da tradição cultural e das práticas folclóricas.

Nascida em Ouarzazate-Marrocos, Bouchra Ouizguen foi bailarina solista de dança oriental (1995-2000) em Marraquexe. Na sua incursão na dança contemporânea sentiu-se fortemente influenciada pelos artistas Bernardo Montet, Mathilde Monnier e Boris Charmatz com quem estudou e colaborou. Em 2002 fundou a companhia Anania com Taoufiq Izeddiou e Saïd Aït El Moumen e em 2005 foi uma das coordenadoras do evento “Rencontres chorégraphiques” em Marraquexe. Dos seus trabalhos coreográficos destaca-se o solo “Ana Ounta” (2002), criado sob a orientação de Mathilde Monnier, “Mort et moi” (2005) e “Déserts, desires” (2006).

Ficha técnica – concepção: Bouchra Ouizguen I interpretação: Fatima El Hanna, Fatna Ibn El Khatyb, Halima Sahmoud, Kabboura Aït Ben Hmad, Bouchra Ouizguen I música: “Ahat” by Youssef El Mejjad, “Akegarasu” by Shin-Nai I luz: Yves Godin Production, Thalie Lurault I figurino: Nourredine Amir I produção: Fanny Virelizier

BLINK
Michelle Moura (Curitiba-Brasil)
Duração: 70 minutos Classificação etária 14 anos
OLIDO: 29 e 30 de outubro | quinta e sexta às 20h
Intrigada pelo ato reflexo de piscar os olhos e pelas consequências corporais de sua interrupção, Michelle Moura traz ao público uma coreografia vertiginosa, criada a partir do movimento das pálpebras. Em Blink – mini-uníssono intenso-lamúrio, duas performers abrem e fecham os olhos em uníssono e intensificam esse movimento de tal forma que se perde de vista a singularidade de cada uma. Como em outros de seus trabalhos (FOLE – 2013, Big Bang Boom – 2012, CAVALO – 2010), Michelle Moura investiga o paradoxo entre controle e entrega. Uma dança generativa, em que uma ação é alimentada e desafiada exponencialmente por seus próprios efeitos, e que se organiza através de aglomerados de ritmos, gestos, expressões e afetos. Uma dança com efeitos múltiplos tanto em suas performers quanto nos espectadores. A criação foi desenvolvida por meio de experimentos e trocas realizadas em residências com criadores em diversas cidades brasileiras e no mestrado da Amsterdamse Hogeschool voor de Kunsten (AHK), na Holanda.

Performer e coreógrafa, Michelle Moura reside em Curitiba e suas criações, que envolvem um hibridismo das linguagens da dança, performance e som, já foram apresentadas em festivais em países como Brasil, Uruguai, Chile, Cuba, Alemanha, França, Portugal, Holanda e Espanha. Desde 2010, vem desenvolvendo estratégias físicas que tenham o potencial de produzir diferentes estados da mente e do corpo, outras subjetividades e outras perspectivas, mudanças na percepção e na sensação.

Ficha técnica – concepção e interpretação: Michelle Moura I performance: Clara Saito e Michelle Moura I coprodução: SESC e Theaterschool – Amsterdam Master of Choreography

15 SONGS FROM MY SHOWS
Ivo Dimchev (Sofia-Bulgária)
Duração: 50 minutos Classificação etária 10 anos
OLIDO: 31 de outubro e 1 de novembro | sábado às 20h, domingo às 19h
Em 15 SONGS FROM MY SHOWS, o performer búlgaro Ivo Dimchev interpreta ao vivo quinze composições musicais da sua autoria especialmente selecionadas para a ocasião. Organizadas neste formato, estas canções, originalmente criadas para suas performances, são apresentadas como unidades independentes em um peculiar concerto que confirma a versatilidade e o talento musical do artista.

Ivo Dimchev é performer, coreógrafo e autor de mais de trinta performances. Ganhou vários prêmios pela sua atividade profissional e ministrou aulas magnas nas instituições “Hochschule der Künste”, “National Theater Academy”, “Royal Dance Conservatorium” e “DanceWeb”. É o diretor da “Humarts Foundation” e o organizador do evento anual “National Competition for Contemporary Choreography” na Bulgária. Após concluir o seu mestrado na “Dasarts Academy” em Amsterdã, fixou-se em Bruxelas e abriu o estúdio “Volksroom”, onde se apresentam artistas de vários países. Atualmente é um dos artistas residentes do “Kaaitheater” (2013/2016).

Ficha Técnica – composição e interpretação: Ivo Dimchev I músico: Dimitar Gorchakov I apoio: Kaai Theater Brussels, MOZEI Sofia Bulgaria

LILI HANDEL
Ivo Dimchev (Sofia-Bulgária)
Duração: 60 minutos Classificação etária 14 anos
OLIDO: 5 e 6 de novembro | quinta e sexta às 20h
Nesta intensa e crua performance, Ivo Dimchev, multifacetado artista búlgaro que iniciou sua trajetória no teatro físico, apresenta a história da calejada diva LILI HANDEL. A tragédia do desvanecimento da sua beleza, que a transforma em uma criatura sem rosto nem gênero, atinge as profundezas do seu ser. O artista canta suas músicas com a voz de um eunuco e o antigo desejo da diva de se doar por inteiro ao seu público aparece sinistramente transformado na experiência de Dimchev de leiloar seu próprio sangue, extraído ao vivo, para quem lhe oferecer o melhor lance.

Lili Handel foi o primeiro solo de Ivo Dimchev. Criado em 2004 estreou na House of Dance em Estocolmo e permaneceu em cartaz até 2006 na Red House em Sofia. Desde então, Lili Handel foi apresentado mais de 500 vezes em diversos países. Lili Handel foi escolhido pelo LaMama como a “melhor performance do ano em Nova York” no ano de 2010, recebeu o prêmio “melhor performance do ano” pela Associação dos Críticos da França em 2008, e o prêmio de “melhor ator” pela Associação dos Críticos de Teatro – MASK da Hungria em 2005.

Ficha Técnica – concepção e performance: Ivo Dimchev I apoio: Kaai Theater Brussels, MOZEI Sofia Bulgaria

LA BÊTE (O BICHO)
Wagner Schwartz (São Paulo-Brasil/Paris-França)
Duração: 50 minutos Classificação 16 anos
OLIDO: 7 e 8 de novembro | sábado às 20h, domingo às 19h
Nessa performance, Schwartz manipula uma réplica de plástico de uma das esculturas da série Bichos (1960), de Lygia Clark. O objeto permite a articulação das diferentes partes do seu corpo através de suas dobradiças. O público será convidado a participar.

O andamento das experiências artísticas de Wagner Schwartz elabora-se a partir da necessidade de transitar entre práticas e culturas diferentes. Wagner traça a dramaturgia de seus trabalhos através da composição de textos, música e imagens para tornar visível a fisicalidade de seus experimentos. Coreógrafo, performer, escritor, baseado entre São Paulo e Paris, foi selecionado pelo Rumos Itaú Cultural Dança em 2000/2001, 2003/2004, 2009/2010 e 2014. Seus projetos têm sido estudados em publicações dentro e fora do Brasil, como no livro de Jussara Sobreira Setenta, O fazer-dizer do corpo: dança e performatividade, ou em Am Rand der Körper: Inventuren des Unabgeschlossenen im zeitgenössischen Tanz [À borda do corpo: inventários da dança contemporânea inacabada], de Susanne Foellmer. É criador do espetáculo solo e do livro Piranha, ganhador do prêmio APCA de Melhor Projeto Artístico de 2012 e indicado aos 10 melhores do ano pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ficha Técnica – concepção e performance: Wagner Schwartz | direção técnica, iluminação: (2005) Alexandre Molina (2015) Diego Gonçalves | objeto: réplica da estrutura Bicho, de Lygia Clark | acompanhamento final de projeto e imagens (2005): Maíra Spanghero | Realizado com o apoio do Fórum Internacional de Dança (FID)/Território Minas

PRELUDE ON LOVE
Ricardo Rubio e Robert Steijn (México/Holanda)
Duração: 45 minutos Classificação etária 14 anos
OLIDO: 12 e 13 de novembro | quinta e sexta às 20h

PRELUDE ON LOVE deriva da pesquisa iniciada ha três anos atrás por Ricardo Rubio e Robert Steijn em torno à identidade e à sexualidade masculinas para além dos parâmetros culturais hegemônicos. Dois artistas, um mexicano e outro holandês, conectados pela dança, criam um dialogo onde suas energias, estimuladas pelo encontro dos corpos, se bastam. Interessados em explorar o carinho e a transparência entre os homens, sem moralismos ou censuras, eles tentam redefinir a ternura como uma via alternativa para pensar, comportar-se e perceber a realidade.

Além deste primeiro duo, PRELUDE ON LOVE desdobrar-se-á em textos, canções, músicas e um vídeo-dança. Rubio e Steijn também oferecerão oficinas e trabalharão em parceria com outros artistas a fim de manter a pesquisa em constante crescimento.

O coreógrafo Ricardo Rubio trabalha no México e dirige uma companhia que combina dança flamenca experimental e mídia digital. Robert Steijn é um artista performático europeu, muito influenciado pelo xamanismo, praticante de danças litúrgicas. Ambos descobriram um universo poético comum, onde o silêncio coexiste com o ritmo vital e a seriedade encontra o humor.

Ficha Técnica – concepção e performance: Ricardo Rubio e Robert Steijn I produção: el dia D Juan Antonio I apoio: mexico en cena e interflamenca I coprodução: Veem House for Performance – Amsterdam e Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo

MORDEDORES
Marcela Levi e Lucía Russo (Rio de Janeiro-Brasil/Argentina)
Duração: 40 minutos Classificação etária 10 anos
OLIDO: 14 e 15 de novembro | sábado às 20h, domingo às 19h
Em MORDEDORES a violência extrapola suas conotações imediatas de aniquilamento, morte e destruição. Ao corpo contemporâneo blindado e asséptico, envolvido em fantasias cosméticas na sua desesperada busca de uma fortaleza auto-protetora contrapõe-se um corpo permeável, mais elástico, que suja e se suja, que pensa e é pensado, morde e é mordido.

Não se trata de um retorno à violência mítica, que purifica e redime, mas de tomar a violência como algo que nos constitui, e extrair dela sua dimensão criadora, anti-determinista, suja. Nem de buscar as causas ou a compreensão, mas de incorporar, em outro contexto – o dos corpos em contato – os efeitos, os gestos e ritmos encetados por essa força. O que normalmente é temido e evitado, pressupondo sempre uma exterioridade da violência em relação ao corpo ou à vida, passa a funcionar como energia vital. Talvez também por isso a violência que aí se articula arraste consigo a sombra do erotismo.

A coreógrafa carioca Marcela Levi e a coreógrafa argentina radicada no Rio de Janeiro Lucía Russo fundaram a “Improvável Produções” em 2010. Levi e Russo apostam em um projeto de autoria e direção compartilhada onde posições inventivas se entrecruzam, acolhendo linhas desviantes, dissenso e diferenças internas. “Improvável Produções” é também responsável pela criação e produção de “Natureza Monstruosa” e pela intervenção urbana “Sandwalk”, entre outros projetos.

Ficha Técnica – direção artística: Marcela Levi e Lucía Russo | performance e cocriação: Daniel Passi, Endi Vasconcelos, Gabriela Cordovez, Ícaro Gaya, João Victor Cavalcante, Lucía Russo e Tony Hewerton

Oficinas de Criação
Improvisação com Ivo Dimchev (Sofia-Bulgária)
OLIDO: 3 e 4 de novembro, terça e quarta, das 14h às 18h
Nesta oficina Ivo Dimchev convidará os participantes a explorar diversas maneiras de articular registros verbais, vocais e físicos através da improvisação a fim de desenvolver dinâmicas mais complexas entre elas, analisando elementos básicos como volume, ritmo, sotaques e intensidade. Inventar melodias, soltar a voz e cantar sem moderação farão parte desta experiência que propõe um mergulho nos procedimentos criativos com os que o artista desenvolve suas performances.

Prelude on love/Awakenings com Ricardo Rubio (México), Robert Steijn (Holanda)
OLIDO: 5 e 6 de novembro, quinta e sexta, das 14h às 18h
Esta oficina visa introduzir aos participantes na pesquisa de Ricardo Rubio e Robert Steijn. Eles compartilharão suas práticas e as questões que guiaram a criação de Prelude on Love focando-se, acima de tudo, em como traduzir a energia vital do corpo movente como ferramenta de expressão. Investigarão a abertura da pele ao tocar e mover-se a fim de promover a escuta de energias subjacentes que despertam o corpo de maneiras ainda desconhecidas. Sua prática é baseada em sua crença na cura através do toque, no pensamento xamânico, nos abraços tântricos e em um fluxo livre da dança que atravessa diferentes ritmos e silêncios. A oficina convida os participantes a descobrir sua própria maneira de entrar em diálogo com seus corpos e a questionar sua maneira habitual de ser, dançando, movendo-se, refletindo e escrevendo.

BICHOS” com Wagner Schwartz (São Paulo-Brasil/Paris-França)
OLIDO: 6 de novembro, sexta, das 14h às 18h
Nessa oficina, os participantes serão convidados a observar as articulações e as variações que movem o corpo da escultura Bicho, da artista plástica Lygia Clark. Em seguida, a explorar suas formas no próprio corpo. As metáforas que surgem dessa experiência serão compartilhadas e estudadas em grupo.

Público: estudantes e profissionais de dança. As oficinas são gratuitas.

Os interessados devem enviar currículo resumido até 18 de outubro para o e-mail fcd@estudionave.com. Os selecionados serão contatados por e-mail até 23 de outubro.

Local de realização: Centro de Dança Umberto da Silva na Galeria Olido- Av. São João 473 – Centro – São Paulo/SP.

SERVIÇO:
Onde: Galeria Olido – Centro de Dança Umberto da Silva – Av. São João, 473 – Centro – Sala Paissandu – 2° andar / Fone: (11) 3397 0171
Capacidade: 136 lugares
Ingressos: retirados 1h antes na bilheteria
Entrada Gratuita

Onde: Sesc Santana – Teatro – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo / Fone: (11) 2971 8700
Ingressos: até R$ 20,00
Capacidade: 337 lugares – Acesso para deficientes – estacionamento – ar condicionado
Estacionamento: R$ 7,00 período do espetáculo (desconto de 50% para matriculados no Sesc)

Por Márcia Marques e Daniele Valério

Núcleo Cinematográfico de Dança na Oswald de Andrade – Grátis

O Núcleo Cinematográfico de Dança apresenta os espetáculos “2 ou 3 coisas que eu sei dele” (2012) e na sequência “O que Resta de Quatro” (2010) de 5 a 8 de novembro, além de oferecer  um workshop de criação, de 10 a 12 de novembro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Saído do Estúdio Nova Dança, o grupo é formado por Mariana Sucupira e Maristela Estrela há dez anos.  Os espetáculos trabalham na fronteira entre linguagens (cinema, artes plásticas e/ou literatura) e procuram usar as especificidades e técnicas de cada uma para melhor comunicar ao corpo suas ideias. Da mesma maneira procuram deslocar o cinema para “dentro” do corpo da dança. Em cada apresentação há espaço para mudanças, já que a improvisação sempre está presente nas estruturas coreográficas do Núcleo. Com esta singela mostra de seu repertório, a proposta é levar ao espectador uma perspectiva estética sobre seu modo de criação.

2 ou 3 coisas que eu sei dele

Com sessões entre 5 e 8 de novembro, às 19h, “2 ou 3 coisas que eu sei dele” é um solo de dança de Mariana Sucupira que se aproxima de um ensaio literário. São “pensamentos do corpo” sobre cinema, sobre o cineasta Jean-Luc Godard, e sobre a dança, que se apresenta ou que poderia se mostrar. “São três capítulos que se cruzam pelos quadros de luz que editam a coreografia construída, que se desmancha pela intervenção de fragmentos narrativos, citações, inflexões poéticas e plágios” explica a bailarina. O resultado é uma reflexão subjetiva baseada na tensão entre as linguagens que se apresentam.

A trilha utiliza-se de uma narração em off  que é uma estratégia da linguagem do cinema, e apresenta citações dos filmes de Godard assim como questões da própria bailarina.

O cinema também aparece na relação do corpo com a luz.

O cenário é uma tela branca, repleta de folhas também brancas que aos poucos vai revelando palavras. A criação foi uma parceria com a artista Silvia Noronha.

Não há luz cênica, apenas quadros de luz da projeção. Depois as projeções continuam, mas há entrada da luz cênica. O desenho de luz é do André Boll, e também inspirado na estética de cores de Godard, há apenas luzes brancas, azuis e vermelhas.

O que Resta de Quatro

Em cartaz entre 6 e 8 de novembro, às 21h, o trabalho é livremente inspirado em “The Rape of Sabine Women”. Dirigido pela artista britânica Eve Sussman,  é um filme que não tem diálogos e é uma reinterpretação do mito romano “O Rapto das Mulheres de Sabine”, atualizado e configurado na década de 1960.

O Núcleo faz um recorte sobre as locações usadas no filme ( Atenas e Hydra, na Grécia, e em Berlim na Alemanha), transferido-as para a cidade de São Paulo. O Aeroporto de Congonhas, a Baró Galeria, o Teatro Oficina, a Rua Oscar Freire, um açougue e a Casa Aúthos Pagano (modernista) foram os espaços utilizados para a investigação.

Cada um deles, mais do que se configurar como espaço topográfico na cena, trouxe qualidades distintas aos movimentos criados pelos intérpretes. As locações se apresentaram como diferentes espaços de convívio, motivando assim, formas de encontros. Em cena, corpos se sobrepõem, vão e vêm e se diluem em um redemoinho de corpos. No elenco, Anderson Gouvêa e Clara Gouvêa, além de Mariana Sucupira e Maristela Estrela.

O cenário utiliza objetos cênicos como telas brancas, um aspirador e um sofá. O figurino é de Maristela Estrela e mantém sutilmente a inspiração na moda da década de 1960, como no filme de Sussman.

A trilha tem a referência temporal dos anos 60, passando pela bossa e pelo bolero, mas também há um pouco de ruído e forte presença do violoncelo.

O desenho de luz joga com alguns recortes e brinca também com a profundidade do espaço e das telas brancas da cenografia.

Workshop de Criação

Entre os dias 10 e 12 de novembro o Núcleo Cinematográfico de Dança compartilha a experiência criativa da peça coreográfica “2 ou 3 Coisas que eu Sei Dele”. A partir de frases de roteiros de Godard e de trechos das coreografias da peça, os participantes criarão pequenos ensaios coreográficos.

As inscrições para a atividade devem ser feitas no site http://www.oficinasculturais.org.br

Ficha técnica – “2 ou 3 coisas que eu sei dele”
Concepção, coreografia e interpretação: Mariana Sucupira
Orientação coreográfica e dramatúrgica: Maristela Estrela
Luz: André Boll
Narração em off: Felipe Ribeiro e Mariana Sucupira
Cenografia: Parceria com Silvia Noronha
Figurino: Maristela Estrela
Foto divulgação: Tika Tiritilli
Produção: Mariana Sucupira
Assessoria de imprensa: Lu Cassas & Lica Nielsen Ass. Com.

Ficha Técnica – “O que Resta de Quatro”
Concepção: Núcleo Cinematográfico de Dança
Direção: Mariana Sucupira e Maristela Estrela
Criação e interpretação: Anderson Gouvêa, Clara Gouvêa, Mariana Sucupira e Maristela Estrela
Luz: André Boll
Trilha sonora: Ramiro Murillo, com participações de Natália Mallo, Marisa Silveira, Rui Barossi e Danilo Penteado
Cenografia: Luciano Bussab e José Romero
Figurino: Maristela Estrela
Foto divulgação: Juliana Gennari
Produção: Mariana Sucupira
Assessoria de imprensa: Lu Cassas & Lica Nielsen Ass. Com.

Breves Perfis:

Núcleo Cinematográfico de Dança

O Núcleo originou-se de um grupo de pesquisa no Estúdio Nova Dança em 2002. Em 2004 tornou-se uma companhia profissional e vem produzindo peças coreográficas, intervenções, performances e videodanças; também fomentando sua prática educacional em dança através de workshops e da manutenção do grupo de estudos “16 mulheres e ½”.

Em outubro último, esteve em cartaz com os trabalhos: “BLOW UP vol.1” e a performance “Descabido”, em São Paulo.

Entre seus trabalhos mais recentes estão “Experimentações cinematográficas ou o que você faz quando todas as imagens do mundo não cabem em uma ideia” (2010), “o que resta de quatro” (2010), “2 ou 3 coisas que eu sei dele” (20012) e “BLOW UP vol.1”, em 2014.

A companhia já foi contemplada com o Programa Municipal de Fomento à Dança na 1ª, 8ª e 10ª edições, Edital Novos Coreógrafos – Novas Criações: Site Specific, Cento Cultural São Paulo (2009), ProAC (2009, 2011 e 2013) e o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna (2013)

Mariana Sucupira – É formada em Cinema pela Faap e em Dança pela Universidade Anhembi-Morumbi. Trabalhou em diversos vídeos e filmes premiados e exibidos nacional e internacionalmente. Atua como criadora, performer e diretora em diversos trabalhos em artes cênicas. Junto às companhias nas quais trabalha ou já participou foi contemplada com edital Novos Coreógrafos/ Novas Criações, Programa Municipal de Fomento à Dança e ao Teatro, Programa de Ação Cultural, Prêmio Funarte Klauss Vianna e Miriam Muniz, entre outros. Co-fundou o Núcleo Cinematográfico de Dança com Maristela Estrela, onde desde 2002 pesquisa a relação entre dança e cinema.  Mariana tem um trabalho paralelo com vídeo, hoje mais voltado para registro de trabalhos de artes cênicas.

Maristela Estrela – Formada em Dança pela Universidade Anhembi-Morumbi. Profissional desde 1989 passou por importantes escolas e mestres em São Paulo que se dedicavam a somar arte e ciência como suporte à formação do criador-intérprete. Integrou a Cia. Oito Nova Dança (de 2001 a 2012) e o espetáculo “Antes da Queda” com direção de Juliana Moraes. É artista colaboradora da Balangandança Cia. desde 2006. Desenvolve desde 2002 uma pesquisa entre cinema e dança com o Núcleo Cinematográfico de Dança. Entre 2002 e 2006 realizou uma pesquisa para o ensino e criação da dança no Estúdio Nova Dança. A partir de 2007 dá continuidade a essa pesquisa na Sala Crisantempo em São Paulo. Desde 2002 é orientadora do 16 Mulheres e ½ – grupo de estudos em dança contemporânea e performance.

Maristela tem um trabalho como educadora há mais de 10 anos, e além de ser professora de cursos de dança regulares, faz trabalho de preparação corporal para outras companhias.

Para roteiro:

2 ou 3 coisas que eu sei dele” – 5 a 8/11 às 19h – quarta a sábado
Oficina Cultural Oswald de Andrade
60 lugares (retirar convites uma hora antes na recepção), grátis
40 minutos   Classificação: livre

O que Resta de Quatro” – 6 a 8/11 às 21h – quinta a sábado
Oficina Cultural Oswald de Andrade
60 lugares (retirar convites uma hora antes na recepção), grátis
60 minutos   Classificação: livre

Workshop  – 10 a 12/11 das 18h30 às 21h30.
Público: estudantes e/ou profissionais de dança, performance e teatro
Inscrições: Até 2/11
Seleção: carta de interesse e currículo
20 vagas, grátis
Inscrições no site: http://www.oficinasculturais.org.br

Esse é um projeto de circulação contemplado pelo ProAC.

Oficina Cultural Oswald de Andrade
Onde: Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – CEP: 01123-001 – São Paulo – SP. Fica a 10 minutos da Estação Tiradentes do metrô.
Telefone: (11) 3222-2662/ 3221-4704 |
E-mail: oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br
Funcionamento: segunda a sexta das 9h às 22h e sábado das 10h às 18h
Inscrições: segunda a sexta das 10h às 21h30 e sábado das 10h30 às 17h30
Acessibilidade: dispõe de rampa de acesso, banheiro adaptado e cadeiras de rodas.
Obs.: Não possui estacionamento. Área externa para fumantes

Créditos: Lu Cassas & Lica Nielsen Ass. Com.