Bruce Dickinson: 25 anos de “Balls To Picasso”

“Balls To Picasso”: a segunda empreitada da carreira solo de Bruce Dickinson, completou 25 anos no último dia 6

Na última quinta-feira (6), o álbum “Balls To Picasso“, do cantor Bruce Dickinson, completou 25 anos de surgimento. Lançado pela EMI, o registro é o segundo trabalho solo da carreira do vocalista, sendo o primeiro a sair após Bruce ter deixado oficialmente o Iron Maiden. A produção ficou a cargo de Shay Baby.

O vocalista, na verdade, já começara a trabalhar em seu segundo projeto solo quando ainda fazia parte da banda de Steve Harris. Nas primeiras sessões de gravação, Bruce contou com a banda Skin no apoio, mas não ficou satisfeito com o resultado, limou a gravação. Depois, tentou uma colaboração com o produtor Keith Olsen, mas não vingou. Assim, Dickinson se juntou ao guitarrista Roy Z e sua banda, a Tribe Of Gypsies, para trabalhar nas gravações do disco.

As músicas das sessões de gravação anteriores ressurgiram como lado B em singles de “Balls to Picasso” e também como faixas extras na edição estendida do álbum 2005.

Em “Balls To Picasso“, Bruce Dickinson apresenta um material um pouco distante do Heavy Metal que o consagrou, assim como o peso dos discos superiores (os ótimos “Accident Of Birth” (1997), “The Chemical Wedding” (1998) e “Tyranny Of Souls” (2005)), mas não traz a variação eclética de “Tattoed Millionaire” (1990). Enfim, é um típico álbum mesclado de Hard Rock com tendências de Heavy Metal) e que marcou o começo da bem sucedida parceria entre o cantor e o guitarrista Roy Z, que o acompanharia praticamente por toda a carreira solo do vocalista, mesmo quando Bruce já reintegrado ao Iron Maiden e dava “suas escapadas” para uns projetos solos.

O play traz ótimas faixas como “Hell No“, com o seu grandioso refrão, além de “Laughing In The Hiding Bush“, que seria o título original da obra, conforme Dickinson admitiria anos mais tarde, e que o músico fez em homenagem a seu filho Austin que, por acaso, escreveu o título. Enquanto em “Change Of Head” é uma estupenda balada com umas pegadas latinas e uma aula de voz que só gente do naipe de Bruce Dickinson é capaz de fazer. Já em “Shoot All The Clows” é um bom Hard Rock que tem um estilo à lá Aerosmith e que foi lançado como segundo single do play e traz um “RAP” no meio e que só entrou por insistência da gravadora e a mega balada “Tears Of The Dragon“, que é o maior hit da carreira solo do frontman do Iron Maiden. Bem escrita e executada, não teria sido nenhum absurdo se Bruce a tivesse levado para a Donzela de Ferro, uma vez que ela não deve nada a, por exemplo, “Wasting Love“, a pesada balada do álbum “Fear Of The Dark” (1992).

Se o que vale é a qualidade do som, esse registro de Bruce tem de sobra. E algumas coisas devemos destacar com relação a obra: o disco foi um tremendo esforço de seu vocalista para desapegar ao que ele fez junto ao Iron Maiden, exceto algo como uma ou outra guitarra dobrada, e só, e “Tears Of The Dragon“. Em suma: com uma ótima produção, “Balls To Picasso” é um trabalho de Bruce que merece ser conferido com atenção e, de preferência, sem se distrair com outras coisas enquanto o play estiver tocando, por favor.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Balls To Picasso
Intérprete: Bruce Dickinson
Lançamento: 6 de junho de 1994
Gravadora: EMI / Sanctuary (nos Estados Unidos)
Produtor: Shay Baby

Bruce Dickinson: voz

Roy Z: guitarra
Eddie Casillas: baixo
David Ingraham: bateria
Dean Ortega: backing vocal
Doug Van Booven: percussão
Mario Aguilar: percussão em “Shoot All The Clowns
Dickie Fliszar: bateria em “Tears Of The Dragon

1. Cyclops (Dickinson / Roy Z)
2. Hell No (Dickinson / Roy Z)
3. Gods Of War (Dickinson / Roy Z)
4. 1000 Points Of Light (Dickinson / Roy Z)
5. Laughing In The Hiding Bush (B. Dickinson / Roy Z / A. Dickinson)
6. Change Of Head (Dickinson / Roy Z)
7. Shoot All The Clowns (Dickinson / Roy Z)
8. Fire (Dickinson / Roy Z / Casilllas)
9. Sacred Cowboys (Dickinson / Roy Z)
10. Tears Of The Dragon (Dickinson)

Por Jorge Almeida

 

 

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Bruce Dickinson: 20 anos de “The Chemical Wedding”

“The Chemical Wedding”: clássico da carreira solo de Bruce Dickinson e do Metal dos anos 90 completou 20 anos em 2018

No dia 14 de julho de 2018, o quinto trabalho da carreira solo de Bruce Dickinson, “The Chemical Wedding”, completou 20 anos de seu lançamento. Produzido por Roy Z, que também tocou guitarras na obra, o disco foi gravado entre janeiro e junho de 1998 nos estúdios Sound City e Silver Cloud, em Los Angeles, na Califórnia, e saiu pela Sanctuary Records.

Depois de voltar ao Heavy Metal com “Accident Of Birth” (1997), logo, mais pesado e menos influenciado pelo progressivo, Dickinson gravou em seguida “The Chemical Wedding”, um disco semi-conceitual sobre alquimia e que foi inspirado em escritos de William Blake, como nos temas “Book Of Thel”, com o mesmo título de um de seus poemas, além da arte da capa do play, que traz a pintura “The Ghost Of The Flea” (“O Fantasma da Pulga”), também de Blake.

A obra começa de forma magnânima com a estupenda “King In Crimson”, em que o vocalista e sua trupe conseguem com perfeição mesclar o Heavy Metal e Blues, deixando-a maciça de “groove”, sem contar os dois solos que são fabulosos. Um clássico do Metal ’90. Na sequência, a faixa-título, que tornou-se um hit da carreira solo de Bruce, que manda bem no gogó, especialmente no refrão. Os teclados criam uma atmosfera de psicodelia. Clássico absoluto. Em seguida, o play segue com “Wrathchild”, não… péra. Brincadeira, trata-se de “The Tower”, cuja ‘intro’ lembra um pouco o eterno clássico da Donzela do álbum “Killers” (1981). Um dos principais sucessos do álbum, a música mostra como peso, melodia e modernidade formam uma união que se casou perfeitamente com a voz de Bruce Dickinson. A quarta faixa é a visceral “Killing Floor”, simples, direta, pesada e com um refrão simples, mas que agrada. Já em “Book Of Thel”, o cantor traz mudanças de andamento ao longo da canção, variando momentos pesados e velozes com trechos mais calmos e, como “brinde”, um ótimo solo de bateria tocado por David Ingraham.

A segunda metade do álbum segue com “Gates Of Urizen”, uma balada detonadora com o “padrão Bruce Dickinson de qualidade”. Os arranjos esplendorosos e os vocais perfeitos confirmam que nessa o vocalista fez um golaço digno de final de Champions League. Adrian Smith surge como protagonista ao tocar os violões em “Jerusalem”, e que dá liga aos épicos vocais de Bruce. Uma balada que, na época, deve ter feito a maioria dos fãs do Iron Maiden chorar de saudades de seu frontman favorito. Posteriormente, surge “Trumpets Of Jericho”, um Metal tradicional típico da carreira solo de Mr. Air Raid Siren. A “cozinha” conduzida cadenciadamente pela dupla Eddie Casillas e Ingraham dita o ritmo e os ótimos solos dão um pitaco a mais nessa incrível faixa. O penúltimo tema é “Machine Men”, direta e com uma pegada de guitarra que remete ao Metal dos anos 1990. Embora o refrão seja um pouco repetitivo, a música empolga. A obra termina com “The Alchemist”, que é a sequência da faixa-título, inclusive o refrão é o mesmo. A música termina próximo de 6’10”, mas depois de dois minutos de silêncio, o disco traz uma faixa oculta sem título, que é um pequeno trecho falado que diz: “And all this vegetable world appeared on my left foot. As a bright sandal, formed immortal of precious stones and gold. I stooped down, and bound it on. To walk forward through eternity“, que é algo do tipo: “E todo este mundo vegetal apareceu no meu pé esquerdo. Como uma sandália brilhante, formada de pedras preciosas e ouro. Abaixei-me e amarrei-o. Para caminhar para a eternidade”.

Considerado por muitos como o melhor disco da carreira solo de Bruce Dickinson, “The Chemical Wedding” é um clássico do Heavy Metal, apresentou uma estética do metal moderno e o entrosamento perfeito entre Roy Z e Adrian Smith, que remetiam aos bons tempos em que o Adrian tinha um tal de Dave Murray como parceiro nas guitarras, e que executaram solos impressionantemente melodiosos e técnicos ao longo da obra. Será que Steve Harris ouviu esse disco e se reuniu com Rod Smallwood para acertarem a volta de Bruce e Adrian ao Iron Maiden? Não sei se isso aconteceu, mas caso tenha ocorrido, não me surpreenderia. A entrega de Bruce Dickinson na sua música é tanta que não hesito em dizer que “The Chemical Wedding” é melhor que os dois trabalhos do Maiden com Blaze Bayley, sem querer desmerecê-lo, que fique claro.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: The Chemical Wedding
Intérprete: Bruce Dickinson
Lançamento: 14 de julho de 1998
Gravadora: Sanctuary Records
Produtor: Roy Z

Bruce Dickinson: voz

Adrian Smith e Roy Z: guitarras solo, guitarras base e backing vocal
Eddie Casillas: baixo
David Ingraham: bateria e percussão
Arthur Brown: voz em “Book Of Thel” e “Jerusalem
Greg Schultz: teclados em “Killing Floor

1. King In Crimson (Dickinson / Z)
2. Chemical Wedding (Dickinson / Z)
3. The Tower (Dickinson / Z)
4. Killing Floor (Dickinson / Smith)
5. Book Of Thel (Dickinson / Z / Casillas)
6. Gates Of Urizen (Dickinson / Z)
7. Jerusalem (Dickinson / Z / Blake)
8. Trumpets Of Jericho (Dickinson / Z)
9. Machine Men (Dickinson / Smith)
10. The Alchemist (Dickinson / Z)

Por Jorge Almeida com agradecimentos ao leitor Igor Maxwel

 

Iron Maiden: 15 anos de “Dance Of Death”

“Dance Of Death”: o segundo trabalho de estúdio lançado pelo Iron Maiden como sexteto, que completa 15 anos em setembro

Hoje, 2 de setembro, o álbum “Dance Of Death”, 13º trabalho de estúdio do Iron Maiden. Apesar de o site oficial da banda datar o lançamento em 2 de setembro, vale reforçar que isso valeu para a edição japonesa da obra, uma vez que o lançamento mundial ocorreu em oito de setembro. Produzido por Kevin Shirley e Steve Harris, o disco foi gravado no Sarm West Studios, em Londres, entre janeiro e fevereiro de 2003 e foi lançado pela EMI e, nos Estados Unidos, pela Columbia Records. Esse foi o segundo álbum da Donzela com a (atual) formação em sexteto.

Depois do lançamento de “Brave New World” (1999), o primeiro trabalho de estúdio que o Maiden gravou com três guitarristas e a consequente turnê que culminou com a apresentação apoteótica no Rock In Rio III (2001), os fãs não se incomodaram pelo fato de que a banda tivesse “excesso” de guitarristas e, então, Steve Harris e companhia seguiram firme como sexteto e entraram novamente em estúdio para o próximo álbum.

O álbum abre com “Wildest Dreams“, com direito ao célebre “1, 2, 3, 4!” à lá Ramones, que começa acelerada, dá uma acalmada no meio e depois retorna à paulada. Lançada como single, a música fora tocada pela banda em concertos que antecederam o lançamento do disco. O videoclipe é um curta de animação por computador, onde os membros do grupo dirigem em torno de um planeta desolado e vão até a boca de Eddie. Uma das poucas faixas do play que acaba repentinamente, sem “fadeout”. Na sequência, a excelente “Rainmaker”, composta pelo trio Murray/Harris/Dickinson. Boa parte dela foi escrita por Dave Murray e teve a letra inspirada em um comentário feito por Bruce Dickinson de que o riff da introdução o fez pensar em gotas de chuva. A canção não tem nenhum vínculo com o romance homônimo, de John Grisham, escrito em 1995. O terceiro tema é “No More Lies”, escrita por Steve Harris, que é sobre um dos momentos mais santificados pelo Cristianismo, a Última Ceia. Embora o autor não faz nenhuma referência nítida aos católicos, a letra reacende a figura de Jesus enquanto ser humano. Assim como diversas músicas do Iron Maiden gravadas neste século, ela começa lenta e depois fica pesada. Uma ótima faixa. O disco segue com “Montségur”, que aborda a queda de uma fortaleza na Idade Média, baseada no massacre dos cátaros no Castelo de Montségur, que caiu após a Cruzada Albigense, em 1244. Enfim, uma aula de História de Mr. Bruce Dickinson. Seu início lembra a instrumental “Lasfer Words (Big ‘Orra)”, do clássico “Powerslave” (1984). A obra segue com a sua faixa-título, que foi inspirada na cena final do filme “The Seventh Seal” (“O Sétimo Selo”), de 1956, de Ingmar Bergman. Gers compôs a maior parte da música, explicou o conceito a Steve Harris, que compôs a letra e a parte da melodia. O sexto tema é “Gates Of Tomorrow”, que lembra alguma faixa de “Virtual XI” (1998), pois associa com a Internet e seus avanços, como se fôssemos confrontar com o nosso futuro. É um bom rock, mas não chega a empolgar.

O CD dá continuidade com “New Frontier”, cuja principal característica é ter sido a primeiro música a ter a autoria (na verdade, co-autoria) do baterista Nicko McBrain em 20 anos de banda. Mas é uma grande canção e foi inspirada em clonagem e engenharia genética. Curiosamente, o cristão convertido McBrain aborda justamente um assunto mais ligado à ciência. No entanto, a faixa expressa a preocupação com a clonagem humana. Em seguida, “Paschendale”, que teve como inspiração a Batalha de Passchendaele, durante a Primeira Guerra Mundial. Aliás, a canção foi escrita por Adrian Smith, que costuma contribuir para canções mais curtas e comerciais do Maiden, porém, optou em abordar para algo como “épico tradicional do Iron Maiden”. De fato, nessa épica canção, há fortes elementos de rock progressivo, inclusive a sua duração (quase 8’30”), estrutura detalhada e várias mudanças de andamento durante a sua execução. O nono tema da obra é “Face In The Sand”, a primeira música gravada por Nicko McBrain utilizando pedal duplo de bateria. A faixa foi baseada na cobertura da mídia a respeito da Guerra do Iraque, que ocorria enquanto o álbum estava sendo gravado. A penúltima música de “Dance Of Death” é “Age Of Innocence”, que traz uma abordagem dura em relação à política e ao contexto sócio-econômico, em que nós, cidadãos comuns, não temos muita opção e que temos de digerir um mundo sucumbido por mentiras e corrupção. Parece que foi inspirada com a realidade político-social do Brasil, sinceramente. E, para finalizar, “Journeyman”, a única faixa completamente acústica do Iron Maiden. A música foi gravada originalmente com instrumentos elétricos, mas que na última hora “pareceu certo tocar com algo totalmente inesperado”. A versão original aparece no EP “No More Lies”.

A capa do álbum foi feita por David Patchett que, inicialmente, desenhou o “Eddie-ceifador” e os monges que o cercam, porém, o manager do Maiden, Rod Smallwood, achou a arte “vazia” e, então, solicitou a um artista digital acrescentar as figuras dançantes que o cercam. O empresário, assim, encaminhou para Patchett trabalhar nas texturas – ele o fez, contudo, ficou insatisfeito com o resultado e pediu para não ser creditado.

Apesar de ser um álbum longo, o que o deixa um pouco “maçante”, “Dance Of Death” é ligeiramente inferior a “Brave New World”, mas é melhor que a maioria dos trabalhos das bandas de Nu-metal que existe nos dias atuais.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Dance Of Death
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 2 de setembro de 2003 (Japão) / 8 de setembro de 2003 (internacional)
Gravadora: EMI e Columbia Records (EUA)
Produtores: Kevin Shirley e Steve Harris

Bruce Dickinson: voz
Steve Harris: baixo, teclados e segunda voz
Adrian Smith: guitarra e segunda voz
Dave Murray e Janick Gers: guitarra
Nicko McBrain: bateria

1. Wildest Dreams (Smith / Harris)
2. Rainmaker (Murray / Harris / Dickinson)
3. No More Lies (Harris)
4. Montségur (Gers / Harris / Dickinson)
5. Dance Of Death (Gers / Harris)
6. Gates Of Tomorrow (Gers / Harris / Dickinson)
7. New Frontier (McBrain / Smith / Dickinson)
8. Paschendale (Smith / Harris)
9. Face In The Sand (Smith / Harris / Dickinson)
10. Age Of Innocence (Murray / Harris)
11. Journeyman (Smith / Harris / Dickinson)

Por Jorge Almeida

Bruce Dickinson: 20 anos de “Accident Of Birth”

“Accident Of Birth”: o quarto álbum de estúdio da carreira solo de Bruce Dickinson

Outro grande disco complete 20 anos em 2017. Nesse caso, me refiro a “Accident Of Birth”, o quarto álbum de estúdio da carreira solo de Bruce Dickinson. Produzido por Roy Z, que também tocou guitarra no disco, é considerado um dos melhores álbuns de Heavy Metal da década de 1990.

Depois de encerrar a “entidade” “Skunkworks” após o término da turnê, Bruce Dickinson ficou por um curto período inativo, mas retomou a parceria com Roy Z e o Tribe Of Gypsies e, juntos, se reuniram para gravar “Accident Of Birth”, que marcou o retorno do vocalista ao Heavy Metal. Um velho conhecido de Bruce foi convidado para a empreitada: Adrian Smith, companheiro dos tempos do Iron Maiden. O guitarrista não só participou da gravação do álbum, como se manteve na banda durante a turnê.

O disco abre com a empolgante “Freak”, que traz um poderoso riff no começo, os vocais perfeitos de Bruce e um refrão impactante. Um excelente “cartão de visitas”. Enquanto isso, a curtíssima “Toltec 7 Arrival”, com seu menos de um minuto, serve apenas como uma introdução para “Starchildren”, que mostra uma “cozinha” rítmica e pulsante acompanhada dos riffs pesadíssimos da dupla Roy Z e Adrian Smith. Em “Taking The Queen“, o começo acústico, apenas um violão e a voz de Dickinson, para, depois, o cara mandar bala com a agressividade de sua voz poderosa. Além disso, o solo de guitarra carregado dá o tom na atmosfera da música. A faixa seguinte é “Darkside Of Aquarius“, que remete a um típico Heavy Metal oitentista. Vale conferir a excelente linha da voz do Air Raid Siren. Sem dúvida, é uma das melhores do álbum. Posteriormente, o play apresenta “Road To Hell“, a faixa mais Iron Maiden do disco: guitarras dobradas fazendo as bases e os riffs, baixo cavalgado e precisão na bateria. Sem contar que contém um ótimo refrão. A sétima canção é a belíssima “Man Of Sorrows“, onde Bruce dá uma aula de interpretação Adrian faz um magnífico solo e um pomposo arranjo no piano. Tão bom que ganhou uma versão em espanhol que saiu em um EP.

A outra metade do disco começa com a pesada faixa-título, com a sua letra passível de várias interpretações, que vão desde uma homenagem aos Headbangers, por causa do refrão, assim como uma frase que Bruce ouviu na infância, que ele foi “um acidente de nascimento”. O álbum traz a trinca “The Magician”, “Welcome To The Pit” e “The Ghost Of Cain”. Enquanto a primeira e a última possuem algumas semelhanças: melódicas, cadência e guitarras bem trabalhadas, a do meio traz uma sonoridade Hard Rock de “Balls To Picasso”, álbum de Bruce lançado em 1994. O penúltimo tema é “Omega”, que se destaca pela versátil linha vocal de Dickinson e a excelente parte lírica. Um excelente tema de Heavy Metal. E, para finalizar, “Arc Of Space”, uma balada acústica. O vocal de Bruce é incrível. Assim como o violão tocado por Adrian Smith, que dá o ar da graça e um feeling estupendo para ninguém botar defeito.

E quando o assunto é “Accident Of Birth”, não podemos deixar de falar da arte de sua capa, que foi feita por “ninguém-mais-ninguém-menos” que ele, Derek Riggs, mundialmente conhecido por ter sido o criador de Eddie, e por ter feito a arte de todas as capas dos álbuns, singles, cartazes e folhetos de excursões do Iron Maiden entre 1980 e meados dos anos 1990. Para o álbum solo de Dickinson, o ilustrador produziu quatro versões para sua capa. O lançamento europeu traz Edison (como o arlequim foi chamado na brincadeira como um “filho de Eddie”), que explodiu do estômago de um homem. A capa mostra apenas o estômago, mas o cartaz que acompanha a versão limitada do disco deixa nítido que o estômago pertence a um homem. Nos Estados Unidos, a capa foi considerada demasiadamente explícita para o seu mercado e, devido a isso, o álbum foi lançado com uma versão frontal do boneco. Enquanto isso, o relançamento do disco, em 2005, também tem uma versão diferente. A capa de papelão externa traz o fantoche pregado em uma cruz, enquanto a arte da capa do livreto do CD é a que exibe o boneco saindo do estômago do sujeito. A edição estendida do play traz a mesma capa que a original, mas redimensionada de modo a tornar o homem visível.

Em 2005, o álbum foi lançado com uma versão estendida em disco duplo com nove faixas no CD 2, sendo que as quatro primeiras foram lançadas no CD single de “Man Of Sorrows”, enquanto as outras cinco aparecem no lançamento japonês do mesmo single.

Além da qualidade das canções, “Accident Of Birth” também traz uma excelente produção: instrumentação timbrada adequadamente, excelente equalização, o que contribui para a perfeita audição das músicas. Tudo isso devido à competência de Roy Z como produtor. Tudo isso colaborou para o sucesso do disco a tal ponto de Bruce Dickinson, mesmo de volta ao Iron Maiden, continuar a trabalhar com Roy Z em seus álbuns solos posteriores, como “Tyranny Of Souls” (2005), o último solo lançado pelo vocalista.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra de Bruce Dickinson.

Álbum: Accident Of Birth
Intérprete: Bruce Dickinson
Lançamento: maio/junho de 1997
Gravadora/Distribuidora: Zomba Music / CMC International / Duellist Enterprises Ltd. / Abril Music
Produtor: Roy Z

Bruce Dickinson: voz
Adrian Smith: guitarra
Roy Z: guitarra
Eddie Casillas: baixo
David Ingraham: bateria

Silvia Tsi: violino em “Taking The Queen”, “Man Of Sorrows” e “Arc Of Space
Rebecca Yeh: violoncello em “Taking The Queen”, “Man Of Sorrows” e “Arc Of Space
Richard Baker: piano em “Man Of Sorrows

CD 1:
1. Freak (Dickinson / Roy Z)
2. Toltec 7 Arrival (Dickinson / Roy Z)
3. Starchildren (Dickinson / Roy Z)
4. Taking The Queen (Dickinson / Roy Z)
5. Darkside Of Aquarius (Dickinson / Roy Z)
6. Road To Hell (Dickinson / Smith)
7. Man Of Sorrows (Dickinson)
8. Accident Of Birth (Dickinson / Roy Z)
9. The Magician (Dickinson / Roy Z)
10. Welcome To The Pit (Dickinson / Smith)
11. The Ghost Of Cain (Dickinson / Smith)
12. Omega (Dickinson / Roy Z)
13. Arc Of Space (Dickinson / Roy Z)

CD 2:
1. The Ghost Of Cain (Dickinson / Smith)
2. Accident Of Birth (Demo) (Dickinson / Roy Z)
3. Starchildren (Demo) (Dickinson / Roy Z)
4. Taking The Queen (Demo) (Dickinson / Roy Z)
5. Man Of Sorrows (Radio Edit) (Dickinson)
6. Man Of Sorrows (Orchestral Version) (Dickinson)
7. Hombre Triste (Spanish Version of Man Of Sorrows) (Dickinson)
8. Darkside Of Aquarius (Dickinson / Roy Z)
9. Arc Of Space (Demo) (Dickinson / Roy Z)

Por Jorge Almeida

Novo trabalho do Iron Maiden será um disco ao vivo

Novo material do próximo lançamento do Iron Maiden, em novembro. Créditos: ironmaiden.com

O Iron Maiden anunciou em seu site oficial nessa semana que o seu próximo trabalho será um CD duplo e vinil triplo ao vivo. O material tem previsão para ser lançado pela Warner Music (nos Estados Unidos pela BMG) no dia 17 de novembro intitulado “The Book Of Souls: Live Chapter” com 15 faixas extraídas durante a turnê “The Book Of Souls”, que ocorreu entre 2016 e 2017 em 39 países – entre eles o Brasil – em seis continentes.

Produzido por Tony Newton e por Steve Harris, o tracklist é um registro fiel ao show realizado pela Donzela de Ferro, sendo seis músicas do último trabalho de estúdio da banda, “The Book Of Souls” (2015), e o restante composto pelos clássicos do grupo. As cidades brasileiras selecionadas para o material foram Fortaleza e Rio de Janeiro. Curiosamente, apenas Donington teve duas músicas inseridas no tracklist.

De acordo com o Steve Harris, que co-produziu o disco, “Nós passamos muito tempo trabalhando nisto, já que eu queria chegar o mais próximo possível de uma experiência ao vivo com o Maiden e também representar nossos fãs de diferentes partes do mundo”, e o baixista prosseguiu: “Isto significa ouvir literalmente horas após horas de fitas de cada show, selecionar material e construir um som que funcionasse de forma consistente em todo o álbum e captar a emoção de um novo país como El Salvador junto com favoritos tão regulares como Donington ou Wacken”.

Diferentemente do habitual, a princípio, o grupo britânico não vai lançar um DVD ou Blu-Ray, pois desta vez o vídeo estará disponível para streaming gratuito ou digital download. “Além de tudo isso, o lançamento será celebrado por um evento em que o Maiden será pioneiro: uma estréia gratuita de transmissão ao vivo do vídeo de concerto, como uma forma de agradecer a nossos fãs leais em todo o mundo. Esperamos que a comunidade global dos fãs do Iron Maiden, possam se juntar para assistir este evento especial on-line. Muitos de vocês estarão nele, pois há imagens de uma série de lugares em que tocamos nesta turnê”, diz o release. Mais detalhes de como participar deste evento serão publicados no site oficial da banda em breve.

O empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, destacou a importância da “The Book Of Souls World Tour”, especialmente para Bruce Dickinson, que cantou pela primeira vez em público após a recuperação de um câncer na garganta. Além disso, o vocalista pilotou o Ed Force One, que passou de um Boeing 757 para um 747 para que pudesse “ir cada vez mais rápido para visitar cidades fantásticas e fãs em todo o mundo”, enfatizou o gerente, que também elogiou o trabalho de Harris na produção: “Steve fez um trabalho incrível juntando esse conjunto de cidades ao redor do mundo e nós nos certificamos de que o CD de luxo estará disponível em um formato de livro correspondente ao lançamento de “The Book Of Souls“”.

Uma curiosidade: talvez por conta de um processo judicial que a banda está passando por conta de um suposto plágio de “Hallowed Be Thy Name”, que foi tocada em boa parte da turnê, a clássica música de 1982 não entrou no tracklist do álbum.

A seguir, o tracklist completo e as cidades nas quais cada faixa foi gravada.

CD 1:
1. If Eternity Should Fail (Dickinson) – Sydney, Austrália
2. Speed Of Light (Smith / Dickinson) – Cidade do Cabo, África do Sul
3. Wrathchild (Harris) – Dublin, Irlanda
4. Children Of The Damned (Harris) – Montreal, Canadá
5. Death Or Glory (Smith / Dickinson) – Varsóvia, Polônia
6. The Red And The Black (Harris) – Tóquio, Japão
7. The Trooper (Harris) – San Salvador, El Salvador
8. Powerslave (Dickinson) – Trieste, Itália

CD 2:
1. The Great Unknown (Smith / Harris) – Newcastle, Reino Unido
2. The Book Of Souls (Gers / Harris) – Donington, Reino Unido
3. Fear Of The Dark (Harris) – Fortaleza, Brasil
4. Iron Maiden (Harris) – Buenos Aires, Argentina
5. The Number Of The Beast (Harris) – Wacken, Alemanha
6. Blood Brothers (Harris) – Donington, Reino Unido
7. Wasted Years (Smith) – Rio de Janeiro, Brasil

Por Jorge Almeida

Show do Iron Maiden no Allianz Parque (26.03.16)

Bruce Dickinson em ação no Allianz Parque. Foto: Gabriela Brido / Estadão
Bruce Dickinson em ação no Allianz Parque. Foto: Gabriela Brido / Estadão

A banda britânica Iron Maiden se apresentou no último sábado (26) no Allianz Parque em São Paulo celebrando a turnê de seu último álbum “The Book Of Souls”. O show na capital paulista foi o último da turnê em solo brasileiro. Antes da entrada de Steve Harris e sua trupe, o pessoal do The Raven Age (banda do filho do baixista, George Harris) e os veteranos do Anthrax animaram os mais de 40 mil ‘maidenmaníacos’ na casa palmeirense.

Depois das apresentações das duas bandas de abertura – com direito ao “arroz-de-festa do Metal” Andreas Kisser tocar “Indiana” com o pessoal do Anthrax -, o público entrou em êxtase quando as PA’s ecoaram o clássico do UFO, “Doctor Doctor”. Pois, é conhecido dos fãs da Donzela que isso era indício de que a banda irá subir ao palco em breve. Bingo! Às 21h20, uma animação exibida nos telões mostra o famoso avião da banda, o Ed Force One, pilotado por Bruce Dickinson, decolando do meio da selva e ganhando o céu.

Após a exibição do desenho, o sexteto composto por Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (voz), Nicko McBrain (bateria), Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers (guitarras) entrou em ação com dois temas do disco novo “If Eternity Should Fail” e “Speed Of Light”. Após a dobradinha, Bruce Dickinson disse estar triste por ser o último show no Brasil, mas que deixou o “melhor pro final”. Em seguida, veio a primeira “das antigas”, “Children Of The Damned”, faixa do clássico “The Number Of The Beast” (1982).

O show seguiu com mais duas do recente trabalho – “Tears Of A Clown” (composta em homenagem ao ator Robin Williams, morto em 2014) e “The Red And The Black” -, o que deixou o público mais “comportado”, enquanto os guitarristas mostravam as suas habilidades nas seis cordas na “quilométrica” música.

Depois dessa nova dobradinha de temas de “The Book Of Souls”, dois clássicos para levar a plateia ao delírio: “The Trooper”, que foi o momento em que Bruce Dickinson surge no alto da plataforma vestido de soldado e empunhando uma bandeira do Reino Unido, enquanto os fãs cantaram calorosamente o seu “refrão” (o “oooo…”). Logo em seguida, foi a vez da faixa-título do álbum de 1984, “Powerslave“, que contou com o vocalista mascarado no melhor estilo de praticante de lucha libre mexicano (wrestling) e, para finalizar as músicas do novo álbum na noite, outra dobradinha: “Death Or Glory” e “The Book Of Souls“, que, certamente, já entrará no rol dos clássicos do Iron Maiden. Inclusive, foi justamente nessa última que a gigantesca mascote Eddie, com seus três metros de altura, adentra no palco caracterizado como na arte do álbum, e interage com os integrantes do grupo, em especial Janick Gers, o que fez com que os demais prolongassem a canção por meio dos solos para que, no final, Dickinson arrancasse o coração do peito do monstrengo para, depois, simular uma oferenda aos deuses com o órgão e espremer o “sangue” na cabeça de Gers.

E, assim, entre um “scream for me Brazil” e outro, o inesgotável vocalista conduzia o espetáculo. Nem parecia que esse senhor (sim, Bruce já está beirando os 60 anos) sofrera com um câncer na língua que poderia ter dado outro rumo à sua vida (e ao Iron Maiden também). Incrível.

O concerto estava em seu momento final e o sexteto brindou o público com mais três clássicos: a incrível “Hallowed Be Thy Name”, com Bruce caracterizado como um condenado à forca (conforme a temática da música), “Fear Of The Dark”, que não escapou dos holofotes dos smartphones, e a música que dá o nome à banda e ao ‘debut’ lançado no longínquo ano de 1980.

O grupo deu uma pequena pausa e voltou para o bis com mais três temas: a controversa “The Number Of The Beast”, com direito à imagem do ‘tinhoso’ no fundo do cenário acompanhado de labaredas de fogo, a melódica “Blood Brothers”, que fez a plateia trocar os pulos pela batidas de palmas comandadas por Bruce Dickinson e o gran finale veio com “Wasted Years”, um petardo do ‘trintão’ “Somewhere In Time” (1986).

Dessa forma, a apresentação do Iron Maiden terminou por volta das 23h15. Em quase duas horas, Steve Harris e cia. provaram que têm fôlego para, pelo menos, mais uma década de estrada. Pois, a performance da banda continuou impecável. Também pudera: com três guitarristas competentes, embora Janick Gers pareça mais teatral do que o sério Adrian Smith e o carismático Dave Murray, a firmeza de Harris no baixo aliado à sólida bateria de Nick McBrain e a poderosa voz, presença de palco e carisma de Bruce Dickinson, o Iron Maiden tem todas as condições de continuar o legado do Black Sabbath que, infelizmente, já anunciou que está de despedida dos palcos.

Claro que, em casos de bandas como o Iron Maiden, muitos clássicos ficaram de fora, principalmente os temas das fases Di’Anno (exceto “Iron Maiden”) e Blaze Bayley, porém, o que consola é que esses clássicos foram substituídos por músicas novas à altura.

A seguir, o setlist da apresentação do Iron Maiden em São Paulo.

Intro: Doctor, Doctor (do UFO)
1. If Eternity Should Fail (Dickinson)
2. Speed Of Light (Smith / Dickinson)
3. Children Of The Damned (Harris)
4. Tears Of A Clown (Smith / Harris)
5. The Red And The Black (Harris)
6. The Trooper (Harris)
7. Powerslave (Dickinson)
8. Death Or Glory (Smith / Dickinson)
9. The Book Of Souls (Gers / Harris)
10. Hallowed Be Thy Name (Harris)
11. Fear Of The Dark (Harris)
12. Iron Maiden (Harris)
Bis:
13. The Number Of The Beast (Harris)
14. Blood Brothers (Harris)
15. Wasted Years (Smith)

Por Jorge Almeida

Bruce Dickinson: 20 anos de “Skunkworks”

"Skunkworks": o que era para ser uma banda homônima, tornou-se o terceiro álbum da discografia solo de Bruce Dickinson
“Skunkworks”: o que era para ser uma banda homônima, tornou-se o terceiro álbum da discografia solo de Bruce Dickinson

Na última sexta-feira (19), o terceiro álbum da carreira solo de Bruce Dickinson chegou ao 20º aniversário de seu lançamento. Me refiro a “Skunkworks”, o segundo trabalho do vocalista após a sua saída do Iron Maiden. O trabalho é caracterizado por fugir do som e das influências da banda de Steve Harris.

O play é voltado a um estilo mais “post-grunge/metal”, à lá Soundgarden. Também pudera, a produção é assinada por um dos nomes mais representativos do grunge: Jack Endino.

O nome do álbum é referente ao Skunk Works, o departamento de projetos avançados da Lockheed Martin que foi responsável por dezenas de aviões militares, entre eles o U-2, SR-71 Blackbird e mais recentemente o F-35 Lightning II. A designação “Skunkworks” também é amplamente utilizado no mundo dos negócios para descrever um grupo dentro de uma organização com elevado grau de alto autonomia, em geral destinados a pesquisas avançadas ou secretas. Com esse panorama, a maioria das letras do disco aborda a tecnologia.

Esse álbum é diferente do restante da discografia de Bruce, já que pretendia-se que o disco fosse o primeiro de uma banda do mesmo nome, porém, por imposição da gravadora, o projeto, como banda, foi rejeitado e manteve o trabalho com o nome do vocalista, logo, mais um álbum solo. E, por conta das diferenças musicais, o “Skunkworks”, como entidade, deixou de existir após o término da turnê. Aliás, apesar de a ideia era passar o “Skunkworks” como banda e fazer tudo de diferente do que fizera até então, foi durante essa turnê que, pela primeira vez, Bruce Dickinson cantara músicas do Iron Maiden. Na ocasião, o tema “The Prisoner”, do clássico “The Number Of The Beast” fez parte do setlist na época.

Com o fim da banda que gravou o álbum, Bruce Dickinson voltou a trabalhar com Roy Z, que produziu “Balls To Picasso”, em seu álbum seguinte “Accident Of Birth”, que contou com a participação de um velho conhecido, Adrian Smith.

De um modo geral, o disco tem alguns pontos que valem atenção: refrões grudentos e um vocal cantado com muita garra e agressividade, afinal, estamos falando daquele que nos dias de hoje, talvez, seja a maior voz do Heavy Metal juntamente com Rob Halford.

Em 2005, o álbum foi relançado em CD duplo com algumas versões ao vivo de músicas do play, uma releitura de já citada faixa do Iron Maiden e a engraçada “I’m In A Band With An Italian Drummer”, que refere-se ao baterista italiano Alessandro Elena.

As músicas, em sua maioria, são curtas, não chegam a cinco minutos. Os destaques ficam por conta de “Faith”, “Back From The Edge”, “Inside The Machine” e “Strange In Death Paradise”.

Bom, como já foi descrito acima, quem quiser ouvir o álbum e compará-lo logo de cara com os trabalhos anteriores de Bruce Dickinson, inclusive os gravados com o Iron Maiden também, vai quebrar a cara. O negócio é ter uma familiaridade com a sonorização do álbum, pois o play não chama atenção logo de cara. Aliás, apesar de não ser o melhor trabalho do Mr. Air Raid Siren, “Skunkworks” tem suas virtudes, embora esteja longe das qualidades da obra de Bruce Dickinson, o que faz dele o disco preterido dos fãs do vocalista.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Skunkworks”.

Álbum: Skunkworks
Intérprete: Bruce Dickinson
Lançamento: 19 de fevereiro de 1996
Gravadora: Castle
Produtor: Jack Endino

Bruce Dickinson: voz
Alex Dickison: guitarra
Chris Dale: baixo
Alessandro Elena: bateria

CD 1:
1. Space Race (Dickinson / Dickson)
2. Back From The Edge (Dickinson / Dickson)
3. Inertia (Dickinson / Dickson)
4. Faith (Dickinson / Dickson)
5. Solar Confinement (Dickinson / Dickson)
6. Dreamstate (Dickinson / Dickson)
7. I Will Not Accept The Truth (Dickinson / Dickson)
8. Inside The Machine (Dickinson / Dickson)
9. Headswitch (Dickinson / Dickson)
10. Meltdown (Dickinson / Dickson)
11. Octavia (Dickinson / Dickson)
12. Innerspace (Dickinson / Dickson / Dale)
13. Strange Death In Paradise (Dickinson / Dickson)
CD 2:
1. I’m In A Band With An Italian Drummer (Dickinson / Dickson)
2. Rescue Day (Dickinson / Dickson)
3. God’s Not Coming Back (Dickinson / Dickson)
4. Armchair Hero (Dickinson / Dickson)
5. R 101 (Dickinson / Dickson)
6. Re-Entry (Dickinson / Dickson)
7. Americans Are Behind (Dickinson / Dickson)
8. Inertia (ao vivo) (Dickinson / Dickson)
9. Faith (ao vivo) (Dickinson / Dickson)
10. Innerspace (Dickinson / Dickson / Dale)
11. The Prisoner (ao vivo) (Smith / Harris)

Por Jorge Almeida