Queen: 25 anos de “Live At Wembley ‘86”

Capa de “Live At Wembley ’86”, lançado em 1992

No último dia 26 de maio, o álbum duplo “Live At Wembley ‘86”, do Queen, completou 25 anos de seu lançamento. Na verdade, trata-se do terceiro registro ao vivo da banda britânica e lançado postumamente, uma vez que Freddie Mercury morrera em 24 de novembro de 1991, portanto, seis meses depois da partida do vocalista. Como o título indica, o disco foi gravado no lendário estádio de Wembley, em Londres, em 12 de julho de 1986. Na ocasião, o espetáculo fazia parte da turnê europeia da Magic Tour, que começou na Suécia em 7 de junho e terminou em 9 de agosto.

Na parte britânica da turnê, em um show realizado três dias antes, em Newcastle, o Queen doou todo o lucro do concerto (cuja venda de ingressos se esgotaram em uma hora) para a instituição de caridade Save The Children, para ajudar no trabalho do fundo no Reino Unido e no exterior.

Em 1986, apenas no Reino Unido, o Queen tocou para mais de 400 mil pessoas, incluindo uma audiência para 150 mil em Wembley. Na época do show no lendário estádio, originalmente, a banda só se apresentaria em uma noite, no sábado dia 12, porém, como os ingressos se esgotaram em poucas horas e com grande procura, foi decidido que haveria um show extra no mesmo local, que foi marcado para a sexta-feira, no dia anterior.

Nesse dia, o evento praticamente parou a capital inglesa. Além da Rainha, INXS e Status Quo se apresentaram e aqueceram o público para, horas mais tarde, acompanharem de perto a genialidade e musicalidade de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor.

O Queen, pela grande banda que sempre foi, tinha uma megaestrutura de equipamento de palco, incluindo a maior plataforma de iluminação já montada para um show ao vivo, com mais de 9,5 toneladas, além de ter um sistema de som poderoso com mais de meio milhão de watts. E, claro, o figurino impecável do grupo. Tudo devidamente bem registrado e lançado, na ocasião, em VHS e em CD duplo. Mas, em 2011, na data em que Freddie Mercury completaria 65 anos, saiu uma versão espetacular em DVD, que trazia vários extras, inclusive a apresentação realizada no dia 11, e que foi lançado como “Live At Wembley Stadium”. Com o áudio remasterizado em formato 5.1 surround, o DVD recupera de maneira eficiente a áurea excepcional que acompanhava o Queen ao vivo.

E o que dizer do repertório? Só clássicos: de cabo a rabo. O show começa com “One Vision” e “Tie Your Mother Down” logo de cara para deixar o frio público inglês empolgado. Na sequência a trinca formada por “In The Laps Of The Gods… Revisited“, “Seven Seas Of Rhye” e “Tear It Up” executadas praticamente de forma emendada para manter o pique. O entrosamento do quarteto impressiona e os caras detonam nas faixas seguintes: “A Kind Of Magic“, “Under Pressure“, clássica parceria feita com David Bowie, “Another One Bites The Dust” e, antes de tocarem “Who Wants To Live Forever“, Freddie Mercury tratou de desmentir os tablóides da época sobre o rumores que circulavam em relação ao suposto fim da banda. O vocalista garantiu que os quatro permaneceriam juntos até o fim de suas vidas.

A apresentação continuou com o desfiladeiro de clássicos, com direito a Brian May mandando bala em “Brighton Rock“, que trazia um bom solo do guitarrista. O show teve pontos altos como “I Want To Break Free” e “Love Of My Life“, que tiveram o público como protagonista por conta da resposta dada quando Mercury e cia. pediu com os seus famosos “singing” (“cantem”).  O concerto trouxe uma sequência de covers feitos com maestria pelo grupo – “(You’re So Square) Baby I Don’t Care“, “Hello Mary Lou“, “Tutti Frutti” e “Gimme Some Lovin’“.

Claro que o hino “Bohemiam Rhapsody” não ficou de fora e chega a arrepiar quem viu (ou ouviu). Freddie era um show à parte. Em “Big Spender“, por exemplo, chegou a rasgar as vestes para delírio do público. O espetáculo da Rainha não poderia ficar sem as indispensáveis “Radio Ga Ga“, outra que dispensa comentários nas apresentações ao vivo, e as indispensáveis “We Will Rock You” e “We Are The Champions“. E, como era de praxe, o encerramento do show acontece com “God Save The Queen” tocando nos PA’s, com direito a Freddi Mercury recebemento a coroa simbólica de rainha da Inglaterra.

O carisma e a teatralidade de Freddie Mercury são os pilares que fizeram (aliás, fazem) do Queen ser grandioso até hoje, mesmo passados mais de 25 anos de sua morte. Não é à toa que o considero como o maior frontman da história do rock. E, claro, que o suporte feito por Brian May, John Deacon e Roger Taylor – cada um do seu jeito – através da técnica, competência e talento é o principal segredo de fazer que a banda chegasse ao patamar onde se encontra.

Este concerto de Wembley foi filmado na sua totalidade por Gavin Taylor e foram usadas 15 câmeras posicionadas ao redor do estádio, além de uma câmera de helicóptero no ar. O filme foi adquirido pelo Canal 4 e, em 25 de outubro de 1986, uma versão editada do show, Real Magic, foi transmitida simultaneamente na TV e em todas as estações de rede de rádio independentes, atraindo 3,5 milhões de telespectadores.

O público não sabia, mas testemunharam uma das últimas performances do Queen em solo britânico. Mais algumas apresentações, a banda se recolheria para sempre, pelo menos com a sua formação original. Depois disso, o quarteto se dedicou às gravações de estúdio, sem turnês. Boa parte disso se deve à saúde de Freddie Mercury, que já dava sintomas de que algo não estava bem com ele.

Trata-se de um excelente registro. Vale a pena adquirir tanto o CD quanto o DVD. Showzaço.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live At Wembley ’86
Intérprete: Queen
Lançamento: 26 de maio de 1992
Gravadora: Parlophone / Hollywood (EUA)
Produtor: Queen

Freddie Mercury: voz, piano e guitarra
Brian May: guitarra, teclados e backing vocal
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo e backing vocal

Spike Edney: teclados, piano, guitarra e backing vocal

CD 1:
1. One Vision (Queen)
2. Tie Your Mother Down (May)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
4. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
5. Tear It Up (May)
6. A Kind Of Magic (Taylor)
7. Under Pressure (Queen / Bowie)
8. Another One Bites The Dust (Deacon)
9. Who Wants To Live Forever (May)
10. I Want To Break Free (Deacon)
11. Impromptu (Queen)
12. Brighton Rock Solo (May)
13. Now I’m Here (May)

CD 2:
1. Love Of My Life (Mercury)
2. Is This The World We Created…? (Mercury / May)
3. (You’re So Square) Baby I Don’t Care (Leiber / Stoller)
4. Hello Mary Lou (Goodbye Heart) (Pitney)
5. Tutti Frutti (Penniman / LaBostrie)
6. Gimme Some Lovin’ (Winwood / Davis / Winwood)
7. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
8. Hammer To Fall (May)
9. Crazy Little Thing Called Love (Mercury)
10. Big Spender (Fields / Coleman)
11. Radio Ga Ga (Taylor)
12. We Will Rock You (May)
13. Friends Will Be Friends (Mercury / Deacon)
14. We Are The Champions (Mercury)
15. God Save The Queen (arr. May)

Por Jorge Almeida

Anúncios

Analisando “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, do Queen

"A Night At The Odeon - Hammersmith", do Queen, mais um "live" póstumo lançado na vasta discografia da Rainha
“A Night At The Odeon – Hammersmith”, do Queen, mais um “live” póstumo lançado na vasta discografia da Rainha

Há cerca de um ano, em novembro de 2015, foi lançado mais um álbum póstumo do Queen, o “A Night At The Odeon – Hammersmith 1975”, um registro ao vivo que traz a performance da banda na véspera do Natal de 1975 no lendário Hammersmith Odeon e que fora transmitido e gravado simultaneamente pela BBC Radio 1 e BBC 2 Television. A apresentação inclui uma das primeiras performances ao vivo de “Bohemiam Rhapsody”, o eterno clássico da Rainha. O material já havia sido lançado anteriormente, porém, em formato de “bootlegs” sendo, inclusive, um dos mais conhecidos da banda.

A gravação ocorreu no dia 24 de dezembro durante a data final da turnê britânica do álbum “A Night At The Opera” (1975), que fora lançado algumas semanas antes e já tinha recebido disco de platina. O single “Bohemiam Rhapsody” estava no meio de suas nove semanas do posto número um das paradas britânicas. O grupo já havia feito quatro shows no Odeon anteriormente e recebera críticas positivas da imprensa, com algo do tipo, “eles são mais importantes do que qualquer outra banda que você ouviu”, como alertara um artigo da revista britânica Sounds. A apresentação do grupo foi feita por Bob Harris.

O concerto foi um dos mais marcantes na época para a banda porque, para Brian May, por exemplo, foi o primeiro feito completamente gravado para a TV. Além disso, para o evento, Freddie Mercury tocou com um piano Bechstein de cauda branco importado especialmente para o show.

E, devido à alta qualidade da gravação para a rádio e as filmagens da televisão para o espetáculo, o show tornou-se um dos ‘bootlegs’ mais popular do Queen. Algumas músicas foram lançadas em singles anos depois e não apareceram em álbuns ao vivo oficiais, como o “Live Killers” (1979) e “Live At Wembley ‘86” (1992).

Por conta da importância do evento, a banda não deixou esquecer os detalhes de suas peculiares indumentárias. Freddie Mercury, por exemplo, ostentou as suas famosas catsuits brancas e pretas, projetada por Wendy Desmet, e mudara os trajes ao longo do show, e sem contar que o vocalista pintara as unhas da mão esquerda de preto, enquanto Brian May pintou as suas de branco.

Embora o álbum que promoviam estivesse bem nas paradas, o setlist do Queen atraiu o público por conta das canções dos trabalhos anteriores que funcionavam bem no banco, incluindo um solo de Brian May no meio do show e o medley de clássicos do rock and roll. Aliás, o setlist mostrou todas as facetas da banda, como o hard rock ornamentado de “Keep Yourself Alive” e “Seven Seas Of Rhye” à grandeza barroca de “The March Of The Black Queen” e o peso de “Ogre Battle” e “Son And Daughter” e, quando tocaram o medley com sucessos de Elvis, Connie Francis, Gene Vincent e Shirley Bassey, já tinham o público de cinco mil pessoas na mão. Mas o ápice do show foi a dobradinha “Killer Queen” com o futuro clássico “Bohemiam Rhapsody”. Assim como já vinha acontecendo com os shows da banda, “God Save The Queen” é executada no encerramento da performance e aqui não foi diferente.

Quarenta anos após a lendária apresentação, o show foi remasterizado e restaurado em 8 de outubro de 2015, no Olympic Studios Cinema, em Barnes, Londres, onde algumas partes de “A Night At The Opera” fora gravado.

O disco foi lançado em diversos formatos: CD (simples), DVD, CD + DVD, Blu-ray, vinil duplo e um luxuoso box com uma caixa que traz um livro de capa dura, reproduções de recordações da excursão da banda feita no período e uma gravação de áudio da passagem de som do Queen para a apresentação. No material lançado em Blu-ray e DVD traz também, como bônus, três músicas tocadas pelo grupo em sua primeira turnê no Japão, em 1975, no Nippon Budokan, além de um documentário de 22 minutos com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris intitulado “Looking Back At The Odeon”. Contudo, nas versões em CD e LP, há três temas a mais porque as câmeras que gravavam o show foram desligadas antes de a banda voltar para o segundo bis e, por isso, não há registros em vídeos de “Seven Seas Of Rhye” e “See What A Fool I’ve Been”.

Infelizmente, para nós brasileiros, o material só fora lançado nos formatos CD e DVD. Pois, quem quiser o kit mais completo terá de desembolsar uma boa bagatela (em uma loja da Galeria do Rock, por exemplo, encontrei uma loja que vendia o kit a R$ 1.000,00!).

Mas o material, mesmo o básico – CD e DVD -, vale muito a pena adquirir, pois um show do Queen sempre será uma aula de música.

A seguir a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: A Night At The Odeon – Hammersmith
Intérprete: Queen
Lançamento: 20 de novembro de 2015
Gravadora: EMI / Virgin
Produtores: Justin Shirley-Smith, Josh Macrae e Kris Fredriksson
Preço médio: R$ 29,90 (CD) / R$ 39,90 (DVD)

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, backing vocal e ukelele em “Bring Back That Leroy Brown
Roger Taylor: bateria, percussão e backing vocal
John Deacon: baixo, backing vocal e triângulo em “Killer Queen

CD:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. See What A Fool I’ve Been (May)
19. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

DVD/Blu-Ray:
1. Now I’m Here (May)
2. Ogre Battle (Mercury)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Bohemiam Rhapsody (Mercury)
5. Killer Queen (Mercury)
6. The March Of The Black Queen (Mercury)
7. Bohemiam Rhapsody (reprise) (Mercury)
8. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
9. Brighton Rock (May)
10. Guitar Solo (May)
11. Son And Daughter (May)
12. Keep Yourself Alive (May)
13. Liar (Mercury)
14. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
15. Big Spender (Fields / Coleman)
16. Jailhouse Rock (medley)/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber) / (Greenfield/Sekada) / (Vincent/Graves/Davis)

DVD/Blu-Ray (extras):
Live In Japan ’75:
1. Now I’m Here (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
2. Killer Queen (live at the Budokan, Tokyo, em 1º/05/1975)
3. In The Lap Of The Gods… Revisited (live at the Budokan, em 1º/05/1975)
Looking Back At The Odeon (documentário com 22 minutos de duração com entrevistas de Brian May, Roger Taylor e Bob Harris)

Por Jorge Almeida

Analisando “Live At The Rainbow ‘74”, do Queen

"Live At The Rainbow '74": traz apresentações incendiárias do Queen em 1974 no lendário Rainbow Theatre. Foto: divulgação
“Live At The Rainbow ’74”: traz apresentações incendiárias do Queen em 1974 no lendário Rainbow Theatre. Foto: divulgação

Aproveitando que recentemente postei um texto sobre os 40 anos do lançamento do álbum “Sheer Heart Attack”, do Queen, resolvi aproveitar e fazer um breve relato do mais novo trabalho lançado pela banda: o póstumo “Live At The Rainbow ‘74”, lançado no último dia 8 de setembro e está disponível em CD e DVD/BluRay.

O Queen tocou três shows com ingressos esgotados no lendário Rainbow Theatre, em Finsbury Park, no norte de Londres, em 1974. A primeira foi em março, durante a turnê de “Queen II”, e a banda voltou para mais duas noites em novembro, como parte da turnê de “Sheer Heart Attack”.

O ano de 1974 foi de grandes realizações para Freddie, Brian, Roger e John; bem como lançando dois álbuns, dos quais vieram seus dois hits singles – “Seven Seas of Rhye” e “Killer Queen” -, eles realizaram grandes turnês em todo o Reino Unido, Estados Unidos e Europa.

O Queen deslumbrou o público com um show inesquecível, entregue com uma habilidade e confiança que desmentia sua juventude.

O CD 1 apresenta 17 faixas que foram executadas em março de 1974. Apesar de, na ocasião, serem uma banda emergente, o Queen mostrou-se um perfeito entrosamento ao longo da apresentação, como podemos notar em alguns temas, como em “The Fairy Feller’s Master-Stroke” e “Seven Seas Of Rhye” e também toda a sua desenvoltura em músicas como “White Queen (As It Began)”, “Great King Rat” e o blues de “See What A Fool I’ve Been”, que fecha o álbum. Mas certamente os pontos altos são a enérgica “Keep Yourself Alive”, “Son And Daughter” (Brian May detona no riff dessa música) e o medley de covers de rock dos anos 1950 – “Jailhouse Rock”, “Stupid Cupid” e “Be Bop A Lula”.

No segundo CD são tocadas 24 músicas e o Queen já era uma realidade, embora ainda não era tão grandioso como a gente conheceu, mas o fato é que os caras já deixaram de ser banda de abertura para os pesos-pesados da época. Além de alguns temas que também aparecem no CD 1, o material aqui traz faixas do, na época, trabalho mais recente: “Sheer Heart Attack”. Claro que músicas como “Killer Queen”, a atemporal “Now I’m Here”, “In The Lap Of The Gods”, a versão instrumental de “Bring Back That Leroy Brown” (com Brian May tocando ukelele), a pauleira “Stone Cold Crazy” e os covers “Big Spender” e “Jailhouse Rock” são os principais atrativos do play. E nessa época, a banda já utilizava “God Save The Queen” nos encerramentos de seus shows.

A versão em vídeo de “Live At The Rainbow ’74” traz apenas o conteúdo da apresentação de novembro e com quatro bônus da performance de março, pois não se sabe o motivo certo se não há a filmagem completa do show ou se a qualidade do material ficou muito afetada para ser lançada. Além disso, há ainda a versão em vinil com quatro discos e um box que traz alguns itens de memorabilia e que, certamente, custa uma “bagatela” fora da realidade de nós, brasileiros e devotos da Rainha.

Para os fãs da banda, o material veio em boa hora, uma vez que o Queen resolveu lançar algo que, tempos atrás, só era possível através de material “pirata”. Afinal, os seus “súditos” não podem depender apenas de relançamentos de “Live At Wembley ‘86” e da apresentação feita em 1981 no Canadá. Mas, convenhamos, já pensou se os caras oficializassem a participação da banda na primeira edição do Rock In Rio, com direito a indescritível entrevista que Freddie Mercury fez com a jornalista Glória Maria na época como material bônus?

Álbum: Live At The Rainbow ‘74
Intérprete: Queen
Gravadora: EMI Virgin / Hollywood
Produtores: Justin Shirley-Smith, Joshua J. Macrae e Kris Fredriksson
Preço médio: R$ 45,00 (CD) / R$ 45,00 (DVD)

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, backing vocal e ukelele em “Bring Back That Leroy Brown
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal e voz em “Modern Times Rock ‘N’ Roll
John Deacon: baixo, backing vocal e triângulo em “Killer Queen

CD 1 (gravado no Rainbow Theatre em março de 1974):
1. Procession (May)
2. Father To Son (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Son And Daguhter (May)
5. Guitar Solo (May)
6. Son And Daughter (Reprise) (May)
7. White Queen (As It Began) (May)
8. Great King Rat (Mercury)
9 .The Fairy Feller’s Master-Stroke (Mercury)
10. Keep Yourself Alive (May)
11. Drum Solo (Taylor)
12. Keep Yourself Alive (Reprise) (May)
13. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
14. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
15. Jailhouse Rock/Stupid Cupid/Be Bop A Lula (Stoller/Leiber)(Sedaka/Greenfield)(Vincent/Davis)
16. Liar (Mercury)
17. See What A Fool I’ve Been (May)

CD 2 (gravado no Rainbow Theatre em novembro de 1974):
1. Procession (May)
2. Now I’m Here (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Father To Son (May)
5. White Queen (As It Began) (May)
6. Flick Of The Wrist (Mercury)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Killer Queen (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
11. Son And Daughter (May)
12. Guitar Solo (May)
13. Son And Daughter (Reprise) (May)
14. Keep Yourself Alive (May)
15. Drum Solo (Taylor)
16. Keep Yourself Alive (May)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. Stone Cold Crazy (Queen)
19. Liar (Mercury)
20. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
21. Big Spender (Fields / Coleman)
22. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
23. Jailhouse Rock (Stoller / Leiber)
24. God Save The Queen (Trad. Arr. May)

DVD:
1. Procession (May)
2. Now I’m Here (May)
3. Ogre Battle (Mercury)
4. Father To Son (May)
5. White Queen (As It Began) (May)
6. Flick Of The Wrist (Mercury)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Killer Queen (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
11. Son And Daughter (May)
12. Guitar Solo (May)
13. Son And Daughter (Reprise) (May)
14. Keep Yourself Alive (May)
15. Drum Solo (Taylor)
16. Keep Yourself Alive (May)
17. Seven Seas Of Rhye (Mercury)
18. Stone Cold Crazy (Queen)
19. Liar (Mercury)
20. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)
21. Big Spender (Fields / Coleman)
22. Modern Times Rock ‘N’ Roll (Taylor)
23. Jailhouse Rock (Stoller / Leiber)
24. God Save The Queen (Trad. Arr. May)
Bônus – Queen II Tour – março ´74:
1. Son And Daughter (May)
2. Guitar Solo (May)
3. Son And Daughter (Reprise) (May)
4. Modern Times Rock ´N´ Roll (Taylor)

Por Jorge Almeida

Queen: 40 anos de “Sheer Heart Attack”

"Sheer Heart Attack": álbum responsável pela 'internacionalização' do Queen
“Sheer Heart Attack”: álbum responsável pela ‘internacionalização’ do Queen

Gravado entre julho e setembro de 1974 em quatro estúdios diferentes na Inglaterra e no País de Gales – Trident, Wessex, Rockfield e Ar -, o terceiro álbum do Queen, “Sheer Heart Attack”, foi lançado em 8 de novembro de 1974 e foi produzido pela banda juntamente com Roy Thomas Baker e o competente Mike Stone como engenheiro.

O disco chegou ao segundo lugar nas paradas do Reino Unido e foi o primeiro trabalho do Queen a entrar no Top 20 nos EUA, onde conseguiu a impressionante 12ª posição nas paradas naquele país, além de boas posições em paradas de outros países. E, assim como o álbum anterior, a imagem da capa de “Sheer Heart Attack” traz uma fotografia da banda registrada pelo excelente Mick Rock.

E a prévia do sucesso que o Queen alcançaria com “Sheer Heart Attack” se deu justamente com o lançamento do primeiro single do álbum, que apareceu algumas semanas antes do play, em 11 de outubro de 1974, que trazia no lado A a arrebatadora “Killer Queen”, que teve a faixa “Flick Of The Wrist” no lado B. O single alcançou um respeitável 12º lugar na Billboard 200, o que fez da música o primeiro hit norte-americano da Rainha, logo, sucesso enorme no mundo todo. E com um detalhe: sem vídeo promocional.

O álbum abre com “Brighton Rock”, uma excelente composição de Brian May, que conta a história de aventuras extraconjugais de dois jovens amantes. O guitarrista detona tudo com os riffs e solos que, inclusive, tiveram suas variações tocadas nas performances que May fazia em “Son And Daughter”, ou seja, foi composta em 1973, antes da conclusão de “Queen II”.

Na sequência, o “carro-chefe” do disco, a inigualável “Killer Queen”, de Freddie Mercury, que fala a respeito da vida de uma prostituta de luxo. A banda a gravou inicialmente sem Brian May, que estava no hospital se recuperando de uma úlcera duodenal. A parte da guitarra foi inserida posteriormente e, inclusive, foi considerado um dos solos mais originais da história do rock. A banda ganhou o prêmio Ivor Novello por ter sido a canção do ano na Inglaterra. Com a inconfundível voz de Freddie Mercury e o toque do piano é impossível não reconhecer essa música. Praticamente o primeiro grande clássico da Rainha.

O disco dá continuidade com a ”Tenement Funster”, escrita por Roger Taylor, que também fez os vocais. Na gravação, Taylor gravou a bateria, Freddie fez o piano e John Deacon gravou as partes do baixo e a guitarra (que foi feita com a Red Special de May, que estava se tratando). A letra aborda a rebeldia de um jovem roqueiro.

A quarta faixa é “Flick Of The Wrist”, de Freddie Mercury, que se destaca pelas belas vocalizações feitas pelos integrantes da banda, do mesmo modo que fizeram para “Somebody To Love”, só para exemplificar. Bela música.

O quinto tema é “Lily Of The Valley”, composta e cantada por Mercury. Linda balada em que o vocalista a conduz com a sua linda voz e também toca piano. Uma pena que uma música tão boa ser tão curta (menos de dois minutos de duração).

E o lado A do vinil termina com “Now I’m Here”, que é o segundo single do álbum. A música foi escrita por Brian May, ainda internado, e foi gravada nas últimas sessões do disco, com ele tocando piano. Um Hard Rock de responsa. Clássico.

O outro lado da “bolacha” começa com a primeira parte de “In The Lap Of The Gods”, que é uma espécie de “prelúdio” de “Bohemiam Rhapsody” por trazer as clássicas vocalizações e construída em três partes: a introdução, que contém arpejos de piano rápido, muito falsetes alta enfraquecida por Taylor, a segunda parte, que é uma canção lenta de amor, com desacelerados vocais de Mercury, e a terceira parte, com base em harmonias vocais cantando “leave it in the lap of the Gods“, com mais falsetes por Taylor. Essas notas altas foram pensados para ser feita utilizando sintetizadores, e para provar que não eram, Taylor iria reproduzi-los em performance ao vivo todas as noites. Ao longo de toda a música, efeitos do vento pode ser ouvido.

Posteriormente aparece o tema mais pesado do Queen: a pedrada “Stone Cold Crazy”, a primeira música composta pelos quatro integrantes da banda. A faixa fala a respeito de gangsters, referindo-se a Al Capone. A sua origem nem os próprios integrantes saberiam afirmar, uma vez que a música sofrera várias alterações e, então, eles resolveram a questão da autoria de uma forma simples: crédito para todos. Foi tocada ao vivo pelo Metallica em 1993 e regravada em estúdio em seu “Garage Inc.”, de 1998.

Brian May volta a mostrar seu lado de compositor com a curta “Dear Friends”, onde ele toca piano e faz os backing vocals. A música fala do vínculo de amizade que deve durar para sempre. O Def Leppard regravou a canção para o EP bônus do Wal Mart do álbum de covers “Yeah!” (2006), com os vocais feitos pelo baixista Rick Savage.

E John Deacon contribuiu pela primeira vez ao compor a bem estruturada “Misfire”. O baixista tocou a maior parte das guitarras, inclusive o solo, e o vocal ficou a cargo de Freddie.

Na continuidade, o disco segue com a excelente “Bring Back That Leroy Brown”, que se destaca pela performance de Mercury e o suporte que a banda dá nos vocais. Lembra músicas dos anos 1950. O título faz uma alusão a “Bad Bad Leroy Brown”, do cantor e compositor norte-americano Jim Croce (pouco conhecido no Reino Unido, terra-natal do Queen), que morrera no ano anterior em um acidente aéreo. Brian May toca ukelelê, instrumento que só era levado para os shows exclusivamente por causa dessa faixa.

A penúltima canção é “She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos)”. Escrita e cantada por Brian May, a música não tem uma temática específica, mas demonstra um lado sombrio e agonizante ao trazer sirenes de polícia e sons de respiração profunda. Parte do título da música foi usada para uma exposição sobre a banda realizada em 2011 no Old Truman Brewey, em Londres, cujo título era: “Stormtrooper In Stilettos: Queen, The Early Years”.

Para finalizar, “In the Lap of the Gods… Revisited” que, apesar do nome, é totalmente diferente da faixa homônima mencionada. A música era o tema de encerramento dos concertos da banda antes da existência de “We Are The Champions”.

Para promover o álbum, a turnê começou em outubro de 1974 e durou até maio de 1975 e foi dividida em três partes, sendo 77 apresentações individuais. Essa foi a primeira turnê mundial do Queen. Entre os grupos que fizeram a abertura para Freddie Mercury e sua trupe estavam o pessoal do Kansas, o Styx e o Hustler.

Sheer Heart Attack” é um grande trabalho do Queen. Pois, foi nele que a banda alcançou o almejado sucesso global e pode usufruir de toda sua extravagância e experimentações. O play é o embrião do que viria ser a obra-prima definitiva da Rainha: “A Night At The Opera”. E só para deixar registrado: a música que leva o nome do álbum foi lançada apenas em “News Of The World”, de 1977.

E, “God save the Queen”.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Sheer Heart Attack
Intérprete: Queen
Produtores: Queen e Roy Thomas Baker
Gravadora: EMI / Parlophone (Europa) / Elektra / Hollywood (EUA)

Freddie Mercury: voz, backing vocal e piano
Brian May: guitarra, backing vocal, piano em “Dear Friends”, ukulele em “Bring Back That Leroy Brown” e voz em “She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos)
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal, voz em “Tenement Funster” e gritos em “In The Lap Of The Gods
John Deacon: baixo, guitarras acústica, base e solo em “Misfire

1. Brighton Rock (May)
2. Killer Queen (Mercury)
3. Tenement Funster (Taylor)
4. Flick Of The Wrist (Mercury)
5. Lily Of The Valley (Mercury)
6. Now I’m Here (May)
7. In The Lap Of The Gods (Mercury)
8. Stone Cold Crazy (May / Mercury / Deacon / Taylor)
9. Dear Friends (May)
10. Misfire (Deacon)
11. Bring Back That Leroy Brown (Mercury)
12. She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos (May)
13. In The Lap Of The Gods… Revisited (Mercury)

Por Jorge Almeida

Queen: 35 anos de “Live Killers”

"Live Killers": primeiro registro ao vivo do Queen que traz a 'classuda' versão acústica de "Love Of My Life"
“Live Killers”: primeiro registro ao vivo do Queen que traz a ‘classuda’ versão acústica de “Love Of My Life”

No ultimo dia 22 de junho, o álbum “Live Killers”, do Queen, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido pelos próprios, o disco é o primeiro registro ao vivo (e duplo) lançado pelo quarteto britânico. E também foi o primeiro trabalho mixado nos estúdios de gravação da gravação da própria banda, o Mountain Studios, em Montreaux, Suíça.

A gravação das faixas aconteceu em diversos locais durante a turnê europeia do álbum “Jazz”, entre janeiro e março de 1979. Apesar de terem produzido e mixado o próprio disco, não é segredo pra ninguém que os integrantes não ficaram satisfeito com a mixagem final do álbum, porém, os fãs adoraram e teve vendas significativas que, inclusive, chegou ao terceiro lugar dos charts britânicos e no 16º lugar nas paradas norte-americanas.

A foto da capa, que mostra o Queen em ação, foi registrada por Koh Hasebe, durante a turnê japonesa de “Jazz”, em 1979. Em 1985, o álbum ganhou novas versões, como o lançamento em único LP, no Japão e na Austrália, que foram intitulados como “Queen Live”. E, para angariar novos mercados, ainda em 1985, o disco também chegou ao Brasil (aproveitando-se do embalo do Rock In Rio I que teve a “Rainha” como headline) e na África do Sul.

O tracklist de “Live Killers” é composto por 22 temas (na verdade, hinos), mas que destacam temas dos trabalhos mais recentes da banda na época, como “Jazz” e “News Of The World”, por exemplo. E, antes de optarem para um direcionamento mais pop, como em “The Game” (1980), traz o lado mais Hard Rock da banda.

No palco, o quarteto era incrível. Cada músico dava o melhor de si, tinham garra e determinação. E, apesar de serem competentes, eles – Brian May, Roger Taylor e John Deacon – eram um pouco ofuscados por Freddie Mercury, que era puro talento e carisma nos palcos. Particularmente, o considero (até hoje), o maior frontman da história da música (e não somente do rock).

Mas, voltando ao repertório do álbum, é clássico seguido de clássico. Por se tratar de bandas do gabarito do Queen, um “faixa-a-faixa” desse álbum não é realmente necessário. Pois, quem aprecia a boa música, sabe que qualquer adjetivo para a música do Queen é pouco.

No entanto, em “Live Killers” há algumas faixas peculiares. Como a “versão alternativa” ou, se preferir, a “fast version”, que os caras fizeram para “We Will Rock You”, que abria as apresentações com uma pegada triunfante e que foi lançada como single. A mesma música aparece na parte final do álbum da forma mais conhecida (a do “tum, tum, táh”). As duas versões são magníficas. Só grupos do naipe do Queen para mudar o que já nasceu ótimo, permanecer ótimo.

Outro tema que merece um destaque à parte é “Love Of My Life”. A faixa do álbum “A Night At The Opera” na versão ao vivo só traz Freddie Mercury no vocal acompanhado de Brian May no violão. Na verdade, se analisarmos friamente, essa versão que, inclusive é mais conhecida que a original, pelo menos aqui no Brasil, traz um dueto entre o vocalista e o público. Essa edição ao vivo foi gravada em uma apresentação no Fasthalle, em Frankfurt, na Alemanha, em 2 de fevereiro de 1979. Aliás, “Love Of My Life” (live) foi lançada em single. E adivinhe onde alcançou o primeiro lugar das paradas? É claro que foi no Brasil e na Argentina. Isso porque o Queen havia tocado na América do Sul em 1981, onde fez shows memoráveis. Aliás, os shows da banda pela parte sul do continente americano aconteceu justamente um ano antes da Guerra das Malvinas, que envolveram argentinos e ingleses.

Já em “Bohemian Rhapsody”, o eterno hino da Rainha, traz em sua introdução um trecho de “Mustapha”, faixa de abertura do álbum “Jazz”. E, como sempre foi, a versão encontrada aqui mostra uma parte do Queen tocando o tema ao vivo, depois surge a parte “orquestrada” toca nas PA’s e o grupo executa a parte final ao vivo novamente.

Inclusive, em algumas versões do álbum, há temas omitidos, como “It’s Late”, “If You Can’t Beat Them”, “Somebody To Love” e “Fat Bottomed Girls”.

Enfim, é considerado um dos melhores trabalhos ao vivo da história (inclusive por este que vos escreve). Se bem que outros registros ao vivo que foram lançados postumamente como “Queen On Fire – Live At The Bowl” (2004) e “Queen Rock Montreal” (2007) também são dignos de elogios. Mas, “Live Killers” é ligeiramente superior por soar “mais cru”. Afinal, os álbuns citados acima tiveram todo um tratamento tecnológico para serem lançados, enquanto o registro de 1979 traz apenas o melhor da qualidade de produção da época que, evidentemente, é inferior aos outros. Embora, os integrantes da banda tenham mostrado insatisfação do resultado final.

Bom, nem preciso dizer que é mais que obrigatório, não é mesmo?

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist (da versão em CD) do álbum.

Álbum: Live Killers
Intérprete: Queen
Lançamento: 22 de junho de 1979
Gravadora: EMI / Parlophone (Europa) / Elektra e Hollywood (EUA)
Produtor: Queen

Freddie Mercury: voz e piano
Brian May: guitarra, violão, teclados e backing vocal
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal e voz solo em “I’m Love With My Car
John Deacon: baixo e backing vocal

CD 1:
1. We Will Rock You (fast version) (May)
2. Let Me Entertain You (Mercury)
3. Death On Two Legs (Dedicated To…) (Mercury)
4. Killer Queen (Mercury)
5. Bicycle Race (Mercury)
6. I’m Love With My Car (Taylor)
7. Get Down, Make Love (Mercury)
8. You’re My Best Friend (Deacon)
9. Now I’m Here (May)
10. Dreamer’s Ball (May)
11. Love Of My Life (Mercury)
12. ’39 (May)
13. Keep Yourself Alive (May)
CD 2:
1. Don’t Stop Me Now (Mercury)
2. Spread Your Wings (Deacon)
3. Brighton Rock (May)
4. Bohemian Rhapsody (Intro: Mustapha) (Mercury)
5. Tie Your Mother Down (May)
6. Sheer Heart Attack (Taylor)
7. We Will Rock You (May)
8. We Are The Champions (Mercury)
9. God Save The Queen (Trad.; arr. May)

Por Jorge Almeida

Queen: 25 anos de “The Miracle”

"The Miracle": considerado o melhor trabalho do Queen na década de 1980
“The Miracle”: considerado o melhor trabalho do Queen na década de 1980

No último dia 22 de maio, o álbum “The Miracle”, do Queen, completou 25 anos de seu lançamento. Gravado nos estúdios Olimpic e Townhouse, em Londres, e também no Mountain Studios, em Montreux, Suíça, entre janeiro de 1988 e janeiro de 1989 e teve a produção assinada pela banda e por David Richards. Nos Estados Unidos, “The Miracle” foi lançado em 6 de junho.

O disco foi o primeiro do grupo a ser lançado em CD, LP e K7 simultaneamente. A foi a partir dele (na verdade, ele, “Innuendo” e algumas faixas do póstumo “Made In Heaven”) que a banda decidiu que a autoria das canções seria do próprio Queen, em vez da assinatura individual de um integrante como nos trabalhos anteriores. A princípio, o nome que seria escolhido seria “The Invisible Man”, mas três semanas antes do lançamento optaram pelo nome “The Miracle”.

No Reino Unido, o disco chegou ao primeiro lugar nas paradas de sucesso, onde permaneceu por 37 semanas. Enquanto isso, nos EUA, ocupou a 24ª posição nos charts.

Depois de “A Kind Of Magic”, os integrantes do Queen tiraram umas férias e também aproveitaram a ocasião para dar uma “apaziguada”, uma vez que a relação entre eles estava intensa, a tal ponto de que se cogitava que a banda terminaria ali, e também para trabalharem em seus projetos paralelos. Brian May, por exemplo, produziu músicas para vários artistas, já Freddie Mercury gravou o álbum “Barcelona” com a estrela da ópera Montserrat Caballé e Roger Taylor fundou a sua nova banda, o The Cross. Além disso, Mercury já estava doente em decorrência da AIDS, mas que era de conhecimento apenas entre os quem era de seu convívio. Tanto que o vocalista sumiu dos holofotes no período, sem shows e sem dar entrevistas.

O álbum abre com a faixa “Party”, que foi originada de uma jam session entre Freddie Mercury, Brian May e John Deacon. A partir de então, os três trabalharam juntos e a aprimoraram. Mas é tomada pelo uso de sintetizadores.

Na sequência, “The Miracle” apresenta “Khashoggi’s Ship”, que foi composta inicialmente por Freddie e os demais contribuíram para o restante da letra e música. É um rock simples, direto. Ela é sobre o famoso bilionário Adnan Khashoggi e o navio de sua propriedade.

O terceiro tema é a faixa que dá título ao álbum. “The Miracle” que, talvez, trate de um “desabafo” de Mercury. Com a sua letra meticulosamente bem trabalhada, a música fala sobre a celebração do triunfo da vida, os “milagres” como o sorriso da Monalisa ou um solo de Jimi Hendrix. Seu videoclipe mostra uma “versão mirim” dos integrantes, que aparecem na parte final do clipe. É uma das melhores canções de Freddie, de acordo com Brian May.

Já “I Want It All” é uma autêntica faixa de Hard Rock. Ela começa já arrebentando com o vocal potente em seu início. Dizem que o título da música veio de um lema muito utilizado pela esposa de Brian May: “eu quero tudo, e quero agora!”. É, talvez, a faixa mais conhecida do álbum.

O play chega a sua metade com “Invisible Man”, que foi inspirada em um livro que Roger Taylor estava lendo. Os sintetizadores tomam conta novamente. Não chega a ser uma faixa empolgante. Aliás, muito “pop” e tem uma base de funk (não, não é esse tipo de funk que conhecemos aqui no Brasil).

A sexta faixa é “Breakthru”, que tem um ritmo acelerado e se destaca pela condução do contrabaixo por John Deacon. Na verdade, sua introdução veio de uma ideia de Freddie Mercury para outra música e, em vez de descartá-la, achou que lhe seria útil em ocasião oportuna. E foi. No clipe, a mulher de Roger Taylor da época contracenou com a banda.

Na sequência, o álbum segue com “Rain Must Fall”, que é uma colaboração entre John Deacon (que fez a melodia) e Mercury (que contribuiu com a letra). Não é uma das faixas mais empolgantes. Salva-se os breves solos feitos por Brian May.

A faixa nº 8 é “Scandal”, que aborda o “escândalo”, forma que Brian May encontrou para tratar de um casamento fracassado e também para a mídia por gosta de falar tanto em “escândalo” e pelos paparazzis que tentam “invadir” a vida deles.

O penúltimo tema é “My Baby Does Me”. Outra feita em colaboração entre Mercury e Deacon. Não é à toa que o baixista mais uma vez se destaca na execução da faixa. Com menções honrosas ao trabalho de May também.

E, finalmente, “Was It All Worth It”, que remete ao Queen dos anos 1970. Ou seja, cerca de seis minutos de puro rock and roll. Freddie Mercury “mata a pau” ao cantá-la, entregou-se de corpo e alma para cantarola-la. É a música favorita de John Deacon no álbum. Roger utilizou gongo e tímpanos.

Enfim, acima estão as dez músicas lançadas originalmente no álbum. Porém, “The Miracle” traz também mais faixas bônus, como “Hang On In There”, “Chinese Torture” e versões alternativas de “The Invisible Man” e “Scandal”. Além disso, em edições posteriores do álbum, há mais faixas que não estão no disco, como “Stealin’”, que é um lado B do single de “Breakthru”, “Hijack My Heart” (lado B do single de “The Invisible Man”) e “My Life Has Been Saved” (lado B de “Scandal”). E sem contar as versões do álbum que foram acrescidas de um EP bônus.

A capa de “The Miracle” foi a primeira a utilizar tecnologia de informática avançada, uma espécie de “mesa digitalizadora”, ao utilizar um gráfico Quantel Paintbox. A ideia da arte foi baseada no conceito concebido pelo Queen e representa a unidade da banda, uma fusão de quatro pessoas para se tornar uma só. Enfim, o conceito quer dizer exatamente a união entre os integrantes da Rainha.

Aliás, “The Miracle” apresentou cinco singles no top 30 das paradas: a faixa-título, “I Want It All”, “The Invisible Man”, “Breakthru” e “Scandal”. E também foi o primeiro trabalho da banda a não ter uma turnê de divulgação. Ou seja, não houve a realização de qualquer show ao vivo para promover o álbum.

O disco teve bastante sucesso e é constantemente considerado o melhor e mais influente trabalho do Queen nos anos 1980. E sintetizou que os caras estavam mais unidos do que nunca, ao contrário dos “scandals” da mídia. Mais que recomendado.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: The Miracle
Intérprete: Queen
Lançamento: 22 de maio de 1989 (Reino Unido) / 6 de junho de 1989 (EUA)
Gravadora: Parlophone (Reino Unido) / Capitol Records (EUA)
Produtores: Queen e David Richards

Freddie Mercury: voz, backing vocal, piano, teclado, sintetizadores e programação
Brian May: guitarra, violão, backing vocal, sintetizadores e programação
John Deacon: baixo, guitarra, teclados, sintetizadores e programação
Roger Taylor: bateria, bateria eletrônica, backing vocal, sintetizadores, programação e voz em “The Invisible Man

1. Party (Queen)
2. Khashoggi’s Ship (Queen)
3. The Miracle (Queen)
4. I Want It All (Queen)
5. The Invisible Man (Queen)
6. Breakthru (Queen)
7. Rain Must Fall (Queen)
8. Scandal (Queen)
9. My Baby Does Me (Queen)
10. Was It All Worth It (Queen)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Headless Cross”

Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell
Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell

Nesse mês de abril, o álbum “Headless Cross”, do Black Sabbath, completa 25 anos de seu lançamento. O disco é o 14º trabalho lançado pela banda de Birmingham. E foi o primeiro a ser lançado pela I.R.S. Records. A produção foi assinada por Tony Iommi e pelo lendário Cozy Powell, que tocou bateria no disco.

E como já era de praxe no Black Sabbath nos anos 1980, Tony Iommi mais uma vez teve que se “virar nos 30” e remontar a line-up de sua banda. A primeira medida do guitarrista foi contactar o baterista britânico Cozy Powell, famoso por trabalhar em bandas como Jeff Beck, Rainbow, MSG e Whitesnake, para entrar no grupo. O baterista não só aceitou o convite como se juntou a Iommi para escrever os temas do disco. Ao mesmo tempo, Tony estava à procura de outros vocalistas, mas foi convencido por Powell a permanecer com Martin.

Assim, o trio Iommi-Powell-Martin tiveram a seu favor os serviços de Laurence Cottle, que tocou baixo nas sessões, porém, não foi creditado como membro oficial da banda. E também do inseparável (e oculto) Geoff Nicholls nos teclados. Dessa forma, o Black Sabbath gravou “Headless Cross” entre agosto e novembro de 1988 em três estúdios, todos ingleses: o The Soundmill, em Leeds; o Woodcray, em Berkshire e o Amazon, em Liverpool.

Apesar de ter participado das gravações e ainda ter aparecido no videoclipe da faixa-título, Cottle não participou das fotos de divulgação do novo trabalho. Além disso, para a turnê, o line-up foi completado pelo baixista Neil Murray (ex-Whitesnake).

Diferentemente dos trabalhos anteriores, onde uma ou outra música abordava temas ocultos ou satânicos, “Headless Cross” é predominantemente dominado por assuntos dessa natureza. E, coincidentemente, o disco foi muito elogiado por fãs e críticos, que o consideravam o melhor trabalho lançado pelo Black Sabbath em anos. Particularmente, atribuo o álbum como o melhor da fase em que Tony Martin esteve na banda.

O álbum abre com a instrumental “The Gates Of Hell”, que serviu de aperitivo para o que estava por vir e deixar bem nítido o lado sombrio da coisa. Na sequência, a ótima faixa-título em que Cozy Powell detona tudo no pedal duplo e Iommi não fica atrás com seus riffs certeiros. O terceiro tema é “Devil & Daughter”, que tem os teclados de Nicholls como principal destaque. Curiosamente, no ano anterior, Ozzy Osbourne em seu “No Rest For The Wicked” havia lançado uma música com o nome semelhante – “Devil’s Daughter”. O álbum chega a sua metade com a lenta e pesada “When Death Calls”, que traz uma bela introdução de Geoff Nicholls e tem a participação especial de Brian May, guitarrista do Queen, que ficou encarregado de fazer o solo da canção.

O disco segue com “Kill In The Spirit World”, que ganha destaque por conta do (mais um) excelente solo de Iommi. Em “Call Of The Wind”, a sexta faixa, Tony Martin canta muito. Essa música, inicialmente, era intitulada como “Hero”, mas Ozzy já havia gravado uma música homônima em seu disco lançado no ano anterior. O penúltimo tema de “Headless Cross” é “Black Moon”, que ficou de fora de “The Eternal Idol” e, aqui, ganhou novos arranjos e foi devidamente reaproveitada. E, para finalizar, “Nightwing”, que serviu para comprovar o quanto Cozy Powell estava certo ao convencer Iommi a manter Tony Martin.

De acordo com os créditos que constam no LP, a capa do álbum foi assinada por Kevin Wimlett. A capa da versão britânica (que é a mais conhecida) apresenta a imagem em preto e branco, enquanto a versão alemã foi acrescida de cores.

Curiosamente, Brian May, grande amigo de Iommi, foi o único músico convidado a tocar guitarra em um disco do Black Sabbath.

Esse trabalho é ideal para quem quer conhecer o universo sabático com Tony Martin. Uma vez que a maioria toma conhecimento da banda através dos álbuns gravados com Ozzy, depois os feitos com Ronnie James Dio e, talvez, com “Born Again”, o único gravado com Ian Gillan, para aí sim se interessar pela fase Martin. “Headless Cross” pode até não ser o melhor álbum do Sabbath, mas certamente é o melhor de sua fase. O play é um ótimo registro para comprovar que o Black Sabbath não viveu, dependeu e precisou unicamente e exclusivamente de Ozzy Osbourne. E ainda, por questão de justiça, é mais uma prova de que Tony Iommi é quem deveria exercer os direitos da marca Black Sabbath por nunca ter deixado de acreditar na sua banda.

Abaixo a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Headless Cross
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: abril de 1989
Gravadora: I.R.S. Records
Produtores: Tony Iommi e Cozy Powell

Tony Iommi: guitarra
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Geoff Nicholls: teclados

Laurence Cottle: baixo
Brian May: solo de guitarra em “When Death Calls

1. The Gates Of Hell (instrumental) (Black Sabbath)
2. Headless Cross (Martin / Iommi / Powell)
3. Devil & Daughter (Martin / Iommi / Powell)
4. When Death Calls (Black Sabbath)
5. Kill In The Spirit World (Black Sabbath)
6. Call Of The Wild (Black Sabbath)
7. Black Moon (Black Sabbath)
8. Nightwing (Black Sabbath)

Por Jorge Almeida