Black Sabbath: 20 anos de “Reunion”

“Reunion”: álbum ao vivo do Black Sabbath que celebrou a volta da formação clássica da banda

Neste sábado (20), o álbum “Reunion”, do Black Sabbath, completou 20 anos de seu lançamento. Com material gravado ao vivo nos dias 4 e 5 dezembro de 1997 no Birmingham NEC, em Birmigham, na Inglaterra, o álbum ainda traz duas faixas de estúdio inéditas, que foram gravadas no A&M Studios, em Hollywood, na Califórnia, entre abril e maio de 1998. Produzido por Thom Panunzio (as faixas ao vivo) e Bob Marlette (as músicas de estúdio), o play foi lançado pela Epic Records e foi o primeiro a ser lançado pela formação clássica em quase duas décadas.

Desde que foi demitido do Black Sabbath, em 1979, Ozzy Osbourne se reuniu com os demais integrantes da banda em situações esporádicas, como na apresentação do Live Aid, em 1985, e em uma apresentação da “No More Tours”, de Ozzy, em 1992, mas os dois encontros não resultaram em gravação de álbum ou turnê.

Em 1997, Ozzy deu vida ao seu festival Ozzfest. Na última parte do show, Butler e Iommi (e posteriormente, também Ward) apareceram no palco para tocar algumas canções clássicas do Sabbath. Antes da participação do baterista original do Sabbath, as baquetas foram tocadas por Mike Bordin, do Faith No More.

As condições de saúde de Bill Ward não eram das melhores, então, Vinny Appice foi recrutado para ficar de prontidão caso o “baterista titular” apresentasse algum problema. Nos dois dias em que o show foi gravado para o registro ao vivo, Bill passou ileso, mas houve incidentes, como um em que ele atingiu o gongo, que caiu sobre ele.

No repertório de “Reunion”, como tornou-se de praxe com a formação com Ozzy Osbourne, apenas clássicos da fase em que o Madman esteve nos vocais. Assim, em um registro duplo, a obra começa com a clássica “War Pigs”, seguido de “Behind The Wall Of Sleep”, “N.I.B.”, “Fairies Wear Boots”, “Eletric Funeral” e “Sweet Leaf”, sempre com um Ozzy berrando e agitando a plateia feito um louco – um “c’mon” aqui, outro ali, um “motherfucker” acolá e “louder”, etc. -, mas a sequência de hinos seguiu com “Spiral Architect”, incrível música gravada originalmente no álbum “Sabbath Bloody Sabbath” e que os caras a tocaram pela primeira vez em um show desde o seu lançamento, em 1973. A penúltima faixa do CD 1 é a classuda “Into The Void”, em que Tony Iommi nos brinda com o seu melhor riff (pelo menos é o que acho) e, em seguida, “Snowblind”, com direito ao público gritar “cocaine”, a mando de Ozzy.

O CD 2 abre com “Sabbath Bloody Sabbath”, acompanhado de “Orchid/Lord Of This World” e a surpresa com “Dirty Women”, aquela em que as garotas mais “assanhadas” costumam fazer “top less” ao vivo direto da plateia. Depois, o quarteto manda bala na faixa que dá título à banda, ao álbum de estreia e o “marco zero” do Heavy Metal: “Black Sabbath”. Posteriormente, uma trinca para deixar qualquer um de cabelo em pé: “Iron Man”, que rendeu ao grupo um Grammy Award de Melhor Performance de Metal em 2000, “Children Of The Grave” e, para finalizar, a eterna “Paranoid”. O álbum apresenta ainda as inéditas “Psycho Man” e “Selling My Soul”, sendo esta última foi gravada sem Bill Ward, mas sim por uma bateria eletrônica. São boas faixas, mas não chegam ao mesmo patamar dos clássicos da banda.

A reunião da formação original do Black Sabbath não ficou apenas para esses dois shows na cidade-natal do grupo, eles excursionaram pelo Velho Mundo ao longo de 1998. Mas, antes da parte europeia, Bill Ward sofreu um ataque cardíaco, foi temporariamente substituído por Vinny Appice e retornou para uma turnê pelos Estados Unidos, em janeiro de 1999, e seguiu até o Ozzfest. Após essas apresentações, o grupo foi colocado em hiato enquanto seus integrantes trabalhavam em material solo. Tony Iommi, por exemplo, lançou o seu primeiro disco solo oficial (“Iommi”, de 2000), enquanto Ozzy Osbourne seguiu com a sua carreira solo e lançou “Down To Earth”, em 2001.

As duas faixas inéditas de “Reunion” “quebrou” o top 20 da Billboard Mainstream Rock Tracks, e o disco alcançou o 11º lugar da Billboard 200 e foi certificado com o disco de platina.

Infelizmente, as condições de saúde de Bill Ward não permitiram que o Black Sabbath mantivesse a “turnê de reunião” ativa por mais tempo, mas, esse registro foi um presente para a nova geração de fãs do grupo de Birmingham, que não tiveram a oportunidade de ver a formação clássica em ação na década de 1970. Os músicos podem até não ter a mesma disposição de outrora, mas os seus clássicos são atemporais e isso “Reunion” deixa bem claro.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Reunion
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de outubro de 1998
Gravadora: Epic Records
Produtores: Thom Panunzio (faixas ao vivo) e Bob Marlette (faixas de estúdio)

Tony Iommi: guitarra
Ozzy Osbourne: voz
Geezer Butler: baixo
Bill Ward: bateria

Geoff Nichols: teclados e guitarra

CD 1:
1. War Pigs (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Behind the Wall of Sleep (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. N.I.B. (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Fairies Wear Boots (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Electric Funeral (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Sweet Leaf (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Spiral Architect (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Into the Void (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Snowblind (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)

CD 2:
1. Sabbath Bloody Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Orchid/Lord of This World (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Dirty Women (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Black Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Iron Man (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Children of the Grave(Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Paranoid (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Psycho Man (Iommi / Osbourne)
9. Selling My Soul (Iommi / Osbourne)

Por Jorge Almeida

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Heaven And Hell: 10 anos de “Live From Radio City Music Hall”

“Live From Radio City Music Hall”, ao vivo lançado pelo Black Sabbath sob o pseudônimo de Heaven And Hell

Nesta segunda-feira, 28 de agosto, o álbum “Live From Radio City Music Hall”, do Heaven And Hell, completa dez anos de lançamento. O trabalho duplo foi gravado no dia 30 de março de 2007 no Radio City Music Hall, em Nova York. Lançado pela Rhino, o disco teve a produção assinada por Barry Ehrmann, Wendy Dio, Gloria Butler e Ralph Baker.

O Heaven And Hell nada mais foi que uma reunião com os integrantes do Black Sabbath que gravou o álbum “Mob Rules” (1981) – Tony Iommi, Geezer Butler, Ronnie James Dio e Vinny Appice -. O nome do grupo, que também é de outro disco do Black Sabbath, o primeiro gravado com Ronnie James Dio como integrante da banda de Birmingham, foi uma ideia de Tony Iommi (“dono” do Black Sabbath) para evitar quaisquer transtornos quanto à formação original de sua banda – seria receio de evitar algum entrevero com a dona Sharon Osbourne? Mas a reunião com Dio e Appice só foi possível de acontecer porque Ozzy Osbourne resolveu sair em turnê solo na época.

Os primeiros passos desse reencontro aconteceram em 2006, quando eles gravaram três músicas inéditas para serem inseridas na coletânea do Black Sabbath – “The Dio Years” (2007) – e, para promover a divulgação desse material, decidiram sair em uma turnê durante o biênio 2007-2008. E, durante esse período, que realizaram o concerto no Radio City Music Hall, que resultou no registro ao vido em CD duplo e DVD. O álbum obteve tanto êxito que ganhou certificado de ouro em vendas pela RIAA (organização que representa as gravadoras dos Estados Unidos) no mesmo ano.

No repertório do disco, uma avalanche de clássicos do Black Sabbath (da era Dio, obviamente), lançados nos álbuns “Heaven And Hell” (1980), “Mob Rules” (1981) e “Dehumanizer” (1992), além de duas das três inéditas de “The Dio Years”.

O desempenho do quarteto – Iommi, Dio, Butler e Appice – neste registro é surpreendente, especialmente do (saudoso) baixinho que, à época, beirava os 70 anos e cantando como se tivesse menos da metade de sua idade. Mas, evidentemente, não podemos desmerecer o desempenho da cozinha matadora de Butler e Appice e Tony Iommi com seus riffs matadores e certeiros.

A apresentação começa com a instrumental “E5150”, enquanto isso, o quarteto já se preparava para mandar bem com “After All (The Dead)”. Em seguida, aquela que considero a melhor música do Black Sabbath com os vocais de Ronnie James Dio: “Children Of The Sea”, a primeira música composta por Dio no Black Sabbath, interpretada magistralmente pelo vocalista. Na sequência, após Dio anunciar o próximo tema, Butler detona na ‘intro’ com seu baixo e os caras mandam bala em “Lady Evil”. Já em “I”, Ronnie James Dio deixa todos de queixo caído com a sua performance. Na dobradinha do álbum “Mob Rules” – “The Sign Of The Southern Cross” e “Voodoo” – não há um destaque individual, os quatro se sobressaem e, para finalizar o CD 1, “The Devil Cried”, que foi recebida com entusiasmo pelo público.

O CD 2 inicia com a pesada “Computer God”, do disco “Dehumanizer”, seguida de “Falling Off The Edge Of The World”, em que Dio assombra com o seu florejo na parte instrumental com seu timbre peculiar. Incrível. A faixa seguinte é “Shadow Of The Wind”, outra inédita da coletânea, que também foi bem recebida pelo público, mas não era para menos: ambas são pesadas, sombrias – mais Black Sabbath, impossível. O concerto segue com a ‘classuda’ “Die Young” e, antes do bis, os caras fizeram uma versão estendida e avassaladora do hino “Heaven And Hell”, com mais de 15 minutos de duração, com direito a solos de Iommi e Appice. No DVD, os dois próximos temas vieram no bis: primeiro com “Lonely Is The World”, em que Ronnie James Dio emociona a todos quem o escuta a vociferar e, para finalizar, em grande estilo, “Neon Knights”, curiosamente, a faixa que abre a era Dio no Black Sabbath no longínquo ano de 1980.

E, depois dessa turnê, empolgados com a aceitação do público com o Heaven And Hell e das músicas inéditas, os músicos se reuniram no estúdio e lançaram um disco inédito em 2009, o ‘sabático’ “The Devil You Know”. Infelizmente, o câncer de estômago que vitimou Ronnie James Dio em 2010 interrompeu esse projeto. Era o fim do Heaven And Hell.

A energia transmitida pelo público em cada música também merece destaque. A cada música executada pelo Black Sabba… er, digo, Heaven And Hell, parecia que a plateia fazia parte de um backing vocal. Além disso, Dio “abençoava” seus súditos com seus “Maloik” (os “chifrinhos do Metal” com as mãos), demonstrando total felicidade em poder voltar a trabalhar com Tony Iommi.

Enfim, “Live From Radio City Music Hall”, sinceramente, é um dos mais impressionantes registros ao vivo lançado neste século. Valeu cada centavo investido. Obrigatório para todo headbanger.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Live From Radio City Music Hall
Intérprete: Heaven And Hell
Lançamento: 28 de agosto de 2007
Gravadora: Rhino
Produtores: Barry Ehrmann, Wendy Dio, Gloria Butler e Ralph Baker

Ronnie James Dio: voz
Tony Iommi: guitarra
Geezer Butler: baixo
Vinny Appice: bateria

Scott Warren: teclados

CD 1:
1 . E5150/After All (The Dead) (Dio / Iommi / Butler)
2. The Mob Rules (Dio / Iommi / Butler)
3. Children of the Sea (Dio / Iommi / Butler / Ward)
4. Lady Evil (Dio / Iommi / Butler / Ward)
5. I (Dio / Iommi / Butler)
6. The Sign Of The Southern Cross (Dio / Iommi / Butler)
7. Voodoo (Dio / Iommi / Butler)
8. The Devil Cried (Dio / Iommi)

CD 2:
1. Computer God (Dio / Iommi / Butler)
2. Falling Off The Edge Of The World (Dio / Iommi / Butler)
3. Shadow Of The Wind (Dio / Iommi)
4. Die Young (Dio / Iommi / Butler / Ward)
5. Heaven And Hell (Dio / Iommi / Butler / Ward)
6. Lonely Is The World (Dio / Iommi / Butler / Ward)
7. Neon Knights (Dio / Iommi / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 15 anos de “Past Lives”

“Past Lives”: o ao vivo “caça-níquel” do Black Sabbath que completa 15 anos neste 20 de agosto

Hoje, domingo, 20 de agosto de 2017, o álbum “Past Lives” completa 15 anos de seu lançamento. O disco é um registro ao vivo do Black Sabbath, que fora produzido pela própria banda e lançada pelo Sanctuary Records, porém, gravado originalmente na década de 1970. O material alcançou a 114ª posição na Billboard 200.

Lançado como CD duplo, o play traz no primeiro disco um material já conhecido dos fãs, que trata-se do álbum lançado anteriormente de forma não-oficial conhecido como “Live At Last”, de 1980. Enquanto o CD dois consiste em gravações feitas para o rádio e a TV e que só estavam disponíveis em ‘bootlegs’.

No CD 1, as cinco primeiras faixas foram gravadas no Hardrock, em Manchester, em 11 de março de 1973, enquanto as quatro restantes foram captadas em uma performance do quarteto (Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward) no Rainbow Theatre, em Londres, a 16 de março de 1973.

Já no CD 2, os clássicos em “Hole In The Sky”, “Symptom Of The Universe” e “Megalomania” foram registradas no Asbury Park Convention Hall, no Asbury Park, em Nova Jersey, em 6 de agosto de 1975, e, finalmente, as demais foram gravadas no Olympia Theatre, em Paris, em 20 de dezembro de 1970.

E, duas curiosidades relacionadas a esse material: originalmente, o disco se chamaria “Live In 75”. Além disso, havia um boato na época de que o álbum teria uma versão legalizada do famoso “Paris 1970”, um dos mais famosos e de melhor qualidade ‘bootleg’ do Black Sabbath.

O disco “Past Lives” contém duas versões: a standard, que contém apenas as músicas e a limitada em embalagem digipack com um pôster e uma imagem de guitarra. Além disso, no encarte do CD de 2002, o texto foi escrito por Bruce Pilato, enquanto a versão deluxe, de 2010, o texto foi assinado por Alex Milas.

Embora apresentem versões matadoras do auge do Black Sabbath, é nítido que o disco é um verdadeiro caça-níquel. Isso é notório por conta da qualidade diferenciada de cada música. Até porque, como foi lançado em 2002, época em que os integrantes da formação clássica (principalmente Ozzy Osbourne) estavam preocupados em seus projetos, o Black Sabbath estava “de molho”. Momento mais que oportuno para lançar um material como este.

Mas para o deleite dos fãs da banda de Birmingham (e do Heavy Metal), os clássicos sabáticos estavam todos lá: “Tomorrow’s Dream”, “Sweet Leaf”, “Snowblind”, “Children Of The Grave”, “Paranoid”, “War Pigs”, entre outros, deixam qualquer material dessas bandinhas de hoje ‘no chinelo’. Destaque também para as surpreendentes “Cornucopia” e “Wicked World”. No CD 2, mais petardos que nos deixa mais revigorantes em escutá-los: “N.I.B.”, “Black Sabbath”, “Symptom Of The Universe”, “Iron Man”, “Fairies Wear Boots” e “Behind The Wall Of Sleep” sendo executados com a banda em plena forma. Com Ozzy errando as letras, Tony Iommi com a sua guitarra apresentando um desfiladeiro de riffs matadores e a cozinha de Bill Ward e Geezer Butler massacrante.

Apesar de trazer um encarte bem informativo, com muitas fotos interessantes, o material pode não conter nenhuma novidade, por exemplo, para quem já tenha o citado “Live At Last” e pior ainda se tiver algum “piratão” do Sabbath dos anos 1970 e que, em caso de triste coincidência, trazer essas mesmas faixas. Mas o produto ficou bem feito.

De fato, pode até ser um produto caça-níquel, lançado só para arrecadar dinheiro e o escambau. Mas só pelo fato de trazer uma performance arrasadora do Black Sabbath em seu auge já vale o investimento.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Past Lives
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 2017
Gravadora: Sanctuary
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz
Tony Iommi: guitarra
Geezer Butler: baixo
Bill Ward: bateria

CD 1:
1. Tomorrow’s Dream (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Sweet Leaf (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Killing Yourself To Live (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Cornucopia (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Snowblind (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Children Of The Grave (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. Ward Pigs (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Wicked World (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Paranoid (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
CD 2:
1. Hand Of Doom (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
2. Hole In The Sky (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
3. Symptom Of The Universe (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
4. Megalomania (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
5. Iron Man (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
6. Black Sabbath (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
7. N.I.B. (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
8. Behind The Wall Of Sleep (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)
9. Fairies Wear Boots (Osbourne / Iommi / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

Morre Geoff Nicholls, tecladista do Black Sabbath

Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook
Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook

O tecladista britânico Geoff Nicholls morreu neste sábado (28), aos 68 anos, vítima de um câncer de pulmão. A informação foi dada pelo guitarrista Tony Iommi no Facebook.

Em sua página na citada rede social, o fundador do Black Sabbath disse: “Estou muito triste de ouvir da perda de um dos meus amigos mais queridos e próximos, Geoff Nicholls“, escreveu, e continuou: “Ele tem sofrido faz um tempo com câncer de pulmão e ele perdeu a batalha hoje cedo. Geoff e eu sempre temos sido muito próximos e ele tem sido um amigo de verdade para mim e tem me apoiado por quase 40 anos. Eu sentirei muito a falta dele e ele viverá no meu coração até nos encontrarmos de novo. Descanse em paz meu caro amigo.“.

Quem também compartilhou os pêsames pela morte do músico foi o baixista Geezer Butler, que escreveu: “muito triste de ouvir da morte do velho amigo e tecladista do Sabbath, Geoff Nicholls. RIP Geoff.“.

Já Ozzy Osbourne referiu-se a Nicholls como “grande amigo” e acrescentou, em um post no Twitter, que (Geoff) deixará saudades.

Assim como o quarteto fundador do Black Sabbath, Geoff nasceu em Birmingham a 28 de fevereiro de 1948 com o nome de Geoffrey James Nicholls, e, nos anos 1970 tocou guitarra e teclados na banda Quartz, cujo primeiro álbum lançado em 1977 teve a produção de Tony Iommi.

Pelo Black Sabbath, Geoff trabalhou no período mais caótico do grupo: quando Ozzy foi demitido e Butler saiu temporariamente da banda e, com isso, foi contratado como baixista. Todavia, com a volta de Geezer foi deslocado para os teclados e, com Ronnie James Dio no lugar do Madman, fez sua estreia na banda com o álbum “Heaven And Hell” (1980). Inclusive, o baixo gravado no play foi tocado por ele.

Durante a década de 1980, enquanto o Black Sabbath vivia uma verdadeira “casa da mãe Joana” com constantes mudanças na formação, Geoff Nicholls permaneceu fiel a Tony Iommi e permaneceu prestando seus serviços à banda e, com isso, foi promovido a integrante do grupo e gravou os álbuns “Seventh Star” (1986), “The Eternal Idol” (1987), “Headless Cross” (1989) e “Tyr” (1990). como membro oficial.

Todavia, na década de 1990 foi demovido em duas ocasiões: durante a volta de Ronnie James Dio, em 1992, e o retorno de Ozzy Osbourne, em 1997. Assim, voltou a ocupar a função de músico contratado. E, em 2004, com a chegada de Adam Wakeman (o filho “do homem”), tecladista da banda solo de Ozzy, seu ciclo com o Black Sabbath chegara ao fim. Inclusive, o seu substituto no Heaven And Hell foi Scott Warren, do Dio.

Depois de sua partida, ele trabalhou com outro ex-integrante do Black Sabbath, o vocalista Tony Martin, em sua banda Headless Cross, que levou o nome do álbum do Sabbath que saiu em 1989.

Além disso, Geoff Nicholls trabalhou no álbum “The 1996 DEP Sessions” (2004), de Tony Iommi e Glenn Hughes. Além dele, o atual Deep Purple Don Airey também tocou teclados no disco.

Obrigado Geoff Nicholls pelos serviços prestados ao Heavy Metal. Você foi primordial no lançamento de obras-primas como “Heaven And Hell” (1980) e “Born Again” (1983). Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

Resenha da biografia de Tony Iommi

Capa da autobiografia de Tony Iommi
Capa da autobiografia de Tony Iommi

Em 2012, o lendário guitarrista Tony Iommi lançou a sua biografia intitulada “Iron Man – My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath”. A versão em português da obra chegou às livrarias do Brasil no ano seguinte com o título “Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath” e lançada pela Editora Planeta. O livro teve a coautoria de T.J. Lammers e traz em 400 páginas em 90 capítulos a vida e obra de um dos mais importantes guitarristas de todos os tempos.

No livro, Tony começa a contar a sua infância difícil na cidade de Birmingham e menciona que seu pai e sua avó nasceram no Brasil. Assim como a maioria dos músicos relata episódios da adolescência, o contato com o rock e as bandas das quais fez parte antes do estrelato.

Porém, foi no começo da vida adulta que a sua vida (e a do Heavy Metal também) mudou. Iommi trabalhava em uma metalúrgica enquanto era integrante da banda Mythology – da qual Bill Ward também fazia parte -, e no último dia do expediente ele trabalhava em uma prensa no lugar de uma colega que havia faltado. Num momento de distração colocou a mão direita nmáquina e puxou de volta como reflexo de retração, decepando a façange distal dos dedos do meio e anelar. Por ser canhoto, a mão acidente era a que ele utilizar para articular as notas no braço da guitarra e, por conta do acidente, os médicos o aconselharam a seguir a carreira musical. Mas o jovem Tony encontrou motivação ao ouvir o guitarrista belga de jazz Django Reinhardt, que tocava apenas utilizando os dedos indicador e médio. O que o motivou a continuar na música e, para seguir adiante, fez uns encaixes improvisados de plásticos derretido nas pontas dos dedos para poder tocar. Por conta disso, passou a tocar de um jeito que não o prejudicasse e, sem querer, criou um estilo único de tocar.

Na autobiografia, Tony Iommi abordou a criação do Black Sabbath juntamente com Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. O início de tudo, em 1968, e, consequentemente, as turnês insanas, as loucuras feitas pelos quatro, a criação das músicas, as brigas entre os músicos, as idas e vindas dos componentes do Black Sabbath – ele é o único que ficou na banda desde o seu início até hoje – os problemas financeiros com empresários e os impostos e, claro, as bebidas e as drogas.

Paralelamente à carreira com a banda, Iommi também relata os casamentos e relacionamentos frustrados, assim como a dificuldade em conseguir ficar com a filha Tony-Marie por conta das questões judiciais envolvendo a ex-mulher.

Os pontos altos da obra são as histórias malucas feitas pelos músicos nos hoteis, as brincadeiras (principalmente as que envolveram Bill Ward, o principal alvo dos demais integrantes), o vício de Tony pela cocaína, que lhe fez perder muitas coisas (no aspecto financeiro e amoroso) e como conduziu o Black Sabbath desde a saída de Ozzy Osbourne, em 1979, trabalhando com inúmeros músicos, como Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes, Cozy Powell, Tony Martin, Ray Gillen, entre outros.

Em “Iron Man…”, Tony Iommi mostra porquê é considerado o “pai do Heavy Metal” e justifica a alcunha de “riff master”. Uma autêntica biografia de Rock ‘N’ Roll que deve ser lida e relida. Essencial para os apreciadores da música pesada.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath
Autor: Tony Iommi (com T.J. Lammers)
Editora: Planeta
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Número de páginas: 400
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida

Analisando “Black Sabbath – A Biografia”, de Mick Wall

"Black Sabbath - A Biografia": o quinto livro de Mick Wall relacionado à banda de Birmingham
“Black Sabbath – A Biografia”: o quinto livro de Mick Wall relacionado à banda de Birmingham

Lançado em 2013 na Inglaterra pelo renomado jornalista especializado em rock Mick Wall, “Black Sabbath – A Biografia” traz a narrativa de uma das bandas precursoras do Heavy Metal. A obra, com cerca de 360 páginas (335 numeradas mais 25 de encarte com fotos), está dividida em trezes capítulos e duas partes (era Ozzy Osbourne, do começo até saída do Madman em 1979, e a fase Dio/Gillan/Hughes/Martin e (de novo) Ozzy), além de ter o agradecimento, notas e fontes e índice remissivo. A versão em português foi lançada em 2014 e, no Brasil, pela Editora Globo.

Mick Wall é autor de outras biografias lançadas no Brasil (como a do Iron Maiden que, em breve, será postada aqui) e fã declarado do Black Sabbath. Durante 35 anos, ele se relacionou com a banda, inclusive com Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, pois, além de ser jornalista em mídia especializada, Wall foi também foi assessor de imprensa da banda e presenciou muitos fatos ocorridos e que estão descritos na obra, o que permite que, em algumas partes, a narrativa em primeira pessoa, uma vez que Wall fez parte da história.

O livro começa com o próprio autor descrevendo a banda, em seu começo de carreira, como “Eles eram o lixo e sabiam disso”. Mas a história tratou de mudar isso ao longo de quase 50 anos de carreira.

A trajetória do Black Sabbath é marcada por turnês alucinantes, abusos de drogas (especialmente cocaína), brigas contratuais, entrada e saída de integrantes (exceto Tony Iommi), bebedeiras, farras, brincadeiras de adolescentes, o tal do bullying, principalmente com Bill Ward, que já chegou a ter a barba incendiada pela trupe, e, claro, muitos clássicos da música pesada: “Black Sabbath”, “Iron Man”, “Children Of The Grave”, “Sabbath Bloody Sabbath”, “Heaven And Hell”, “Trashed”, entre tantos outros.

Mick Wall detalha também os bastidores do grupo. Destaca momentos marcantes da trajetória da banda de Birmingham, como a conturbada saída de Ozzy Osbourne, a entrada de Ronnie James Dio, a experiência com Ian Gillan nos vocais, a imposição da gravadora em lançar o álbum “Seventh Star” como trabalho do Black Sabbath, uma vez que era para ser um disco solo de Tony Iommi com os vocais de Glenn Hughes, que permaneceu no grupo por um curto período atribuído ao abuso de drogas, e a presença do eterno contestado Tony Martin. Sem contar as idas e vindas de Bill Ward e Geezer Butler, e, claro, a eterna luta de Tony Iommi em manter vivo o nome do Black Sabbath.

Outros personagens importantes aparecem no livro, como Don Arden, empresário do grupo, e sua filha Sharon Arden (que virou Sharon Osbourne), onde cada um teve seu papel de destaque na história da banda.

Um dos pontos mais tristes dessa longa história, cheias de altos e baixos, é a morte de Ronnie James Dio, em 16 de maio de 2010, vítima de um câncer.

Aliás, Mick Wall detalha minuciosamente o fato de a banda não saber lidar com o sucesso, dinheiro e fãs. Em boa parte do livro, as citações foram extraídas de entrevistas formais e contatos diretos com os personagens. O conhecimento que o jornalista tem do grupo é tão grande que essa é a quinta obra assinada por ele sobre o Black Sabbath/Ozzy Osbourne.

O livro é obrigatório para três finalidades: fãs do biografado, estudiosos ou curiosos. E, como todo bom livro sobre rock tem que ser, cheio de palavrões.

Livro: Black Sabbath – A Biografia
Autor: Mick Wall
Editora: Globo
Lançamento: 2013 (Inglaterra) / 2014 (Brasil)
Número de páginas: 360 (numeradas e encarte)
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 40 anos de “Sabotage”

"Sabotage": ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath
“Sabotage”: ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath

Já que o Black Sabbath foi tema no post anterior, continuamos a abordar a banda de Birmingham. Dessa vez para relembrar os 40 anos de “Sabotage”, o sexto trabalho do grupo, que no último dia 28 de julho de 1975 nos Estados Unidos e em agosto no Reino Unido. Gravado entre fevereiro e março de 1975 no Morgan Studios, em Londres, o play foi co-produzido entre a banda e Mike Butcher.

O disco foi gravado em meio ao litígio envolvendo a banda e o ex-empresário Patrick Meehan, o que inspirou o título do álbum (não é preciso traduzir o significado, não é mesmo?) que, segundo os integrantes, estavam sendo roubados por quem gerenciava a carreira do grupo.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, “Sabotage” apresenta sonoridades bem variadas, que mistura o som original da banda com elementos progressivos e pitadas de pop rock.

As sessões de gravação normalmente aconteciam no meio da noite com Tony Iommi estava trabalhando realmente duro e ele estava gastando muito tempo trabalhando seus sons de guitarra. Ozzy Osbourne, no entanto, foi ficando cada vez mais frustrado com a forma de como os álbuns do Sabbath estavam ficando e relatou em sua autobiografia que “Sabotage levou cerca de quatro mil anos“.

O play abre com a clássica “Hole In The Sky” em que Tony Iommi aparece do nada com um daqueles riffs poderosos após alguns segundos de silêncio no começo da música. Em seguida aparece o curto interlúdio instrumental “Don’t Start (Too Late)“, e dependendo do que você estiver fazendo enquanto o disco toca, talvez, nem perceba a sua presença, já que ela tem menos de um minuto de duração e que foi gravada em um volume baixo. Posteriormente surge aquela que considero a melhor faixa do álbum: a incrível “Sympton Of The Universe“, que vem com Iommi destruindo tudo com o seu riff marcante e a “cozinha” de Ward e Butler dando aquele suporte naquela que pode ser considerada uma das precursoras do Trash Metal (por quê não?). O play chega a sua metade com “Megalomania“, com sua característica progressiva e que traz a participção de Gerald “Jezz” Woodruffe nos teclados. Ela é marcada pelas mudanças de ritmo e andamento, mas sem deixar de lado o peso nos incríveis arranjos. São quase dez minutos de pura “obra de arte”.

O psicodelismo marca presença em “The Thrill Of It All“, o quinto tema do álbum, que é caracterizado pelas mudanças de andamento e “feeling”. E, sem deixar a peteca cair, os caras mandam muito bem com a instrumental “Supertzar”, que apresenta harmonias geniosas e é conduzida por coros ao estilo gregoriano feito pela The London Chamber Choir. A penúltima faixa é “Am I Going Insane (Radio)“, que mantém a característica setentista da sonoridade da banda. Aliás, nesta o termo “(Radio)” levou muita gente a acreditar que se trataria de uma versão com corte ou uma versão exclusiva para rádios, mas essa é a única versão existente. No entanto, o termo – originalmente é “radio-rental” é uma gíria para “mental” (coisa de ingleses). E, para finalizar o disco, “The Writ“, cuja letra foi inspirada pelas frustrações de Ozzy com o ex-empresário Meehan, que processou a banda por ter sido despedido. A música ataca os negócios no mundo da música em geral.

Apesar de ser considerado um grande disco, particularmente acredito que trata-se do último grande disco da era-Ozzy, a capa de “Sabotage” é uma das mais bizarras da história do rock. O conceito do espelho invertido foi concebido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era artista gráfico. A princípio, a ideia original era que banda aparecesse na capa vestida de preto, todavia, não havia combinado as roupas que vestiriam no dia. Ou seja, o conceito original sucumbiu e, assim, a “sabotagem” que seria referente ao ex-empresário acabou saindo pela culatra, logo, a banda foi “vítima” da própria armadilha.

Apesar da ‘tosquice’ da capa, o disco é ótimo do começo ao fim. Ouça sem medo e, neste caso, vale a pena ignorar o famoso conceito de “julgar o disco pela capa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabotage
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 27 de julho de 1975
Gravadora: Warner Bros. (EUA) / Vertigo (Reino Unido)
Produtores: Black Sabbath e Mike Butcher

Tony Iommi: guitarra, piano, sintetizador e órgão
Geezer Butler: baixo
Ozzy Osbourne: voz
Bill Ward: bateria

Will Mallone: arranjos para The English Chamber Choir em “Supertzar

1. Hole in the Sky (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
2. Don’t Start (Too Late) (instrumental) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
3. Symptom of the Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
4. Megalomania (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
5. The Thrill Of It All (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
6. Supertzar (instrumental com coral) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
7. Am I Going Insane (Radio) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
8. The Writ (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida