Morre Geoff Nicholls, tecladista do Black Sabbath

Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook
Geoff Nicholls (à esquerda) ao lado de Tony Iommi. Crédtios: Tony Iommi/Facebook

O tecladista britânico Geoff Nicholls morreu neste sábado (28), aos 68 anos, vítima de um câncer de pulmão. A informação foi dada pelo guitarrista Tony Iommi no Facebook.

Em sua página na citada rede social, o fundador do Black Sabbath disse: “Estou muito triste de ouvir da perda de um dos meus amigos mais queridos e próximos, Geoff Nicholls“, escreveu, e continuou: “Ele tem sofrido faz um tempo com câncer de pulmão e ele perdeu a batalha hoje cedo. Geoff e eu sempre temos sido muito próximos e ele tem sido um amigo de verdade para mim e tem me apoiado por quase 40 anos. Eu sentirei muito a falta dele e ele viverá no meu coração até nos encontrarmos de novo. Descanse em paz meu caro amigo.“.

Quem também compartilhou os pêsames pela morte do músico foi o baixista Geezer Butler, que escreveu: “muito triste de ouvir da morte do velho amigo e tecladista do Sabbath, Geoff Nicholls. RIP Geoff.“.

Já Ozzy Osbourne referiu-se a Nicholls como “grande amigo” e acrescentou, em um post no Twitter, que (Geoff) deixará saudades.

Assim como o quarteto fundador do Black Sabbath, Geoff nasceu em Birmingham a 28 de fevereiro de 1948 com o nome de Geoffrey James Nicholls, e, nos anos 1970 tocou guitarra e teclados na banda Quartz, cujo primeiro álbum lançado em 1977 teve a produção de Tony Iommi.

Pelo Black Sabbath, Geoff trabalhou no período mais caótico do grupo: quando Ozzy foi demitido e Butler saiu temporariamente da banda e, com isso, foi contratado como baixista. Todavia, com a volta de Geezer foi deslocado para os teclados e, com Ronnie James Dio no lugar do Madman, fez sua estreia na banda com o álbum “Heaven And Hell” (1980). Inclusive, o baixo gravado no play foi tocado por ele.

Durante a década de 1980, enquanto o Black Sabbath vivia uma verdadeira “casa da mãe Joana” com constantes mudanças na formação, Geoff Nicholls permaneceu fiel a Tony Iommi e permaneceu prestando seus serviços à banda e, com isso, foi promovido a integrante do grupo e gravou os álbuns “Seventh Star” (1986), “The Eternal Idol” (1987), “Headless Cross” (1989) e “Tyr” (1990). como membro oficial.

Todavia, na década de 1990 foi demovido em duas ocasiões: durante a volta de Ronnie James Dio, em 1992, e o retorno de Ozzy Osbourne, em 1997. Assim, voltou a ocupar a função de músico contratado. E, em 2004, com a chegada de Adam Wakeman (o filho “do homem”), tecladista da banda solo de Ozzy, seu ciclo com o Black Sabbath chegara ao fim. Inclusive, o seu substituto no Heaven And Hell foi Scott Warren, do Dio.

Depois de sua partida, ele trabalhou com outro ex-integrante do Black Sabbath, o vocalista Tony Martin, em sua banda Headless Cross, que levou o nome do álbum do Sabbath que saiu em 1989.

Além disso, Geoff Nicholls trabalhou no álbum “The 1996 DEP Sessions” (2004), de Tony Iommi e Glenn Hughes. Além dele, o atual Deep Purple Don Airey também tocou teclados no disco.

Obrigado Geoff Nicholls pelos serviços prestados ao Heavy Metal. Você foi primordial no lançamento de obras-primas como “Heaven And Hell” (1980) e “Born Again” (1983). Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

Resenha da biografia de Tony Iommi

Capa da autobiografia de Tony Iommi
Capa da autobiografia de Tony Iommi

Em 2012, o lendário guitarrista Tony Iommi lançou a sua biografia intitulada “Iron Man – My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath”. A versão em português da obra chegou às livrarias do Brasil no ano seguinte com o título “Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath” e lançada pela Editora Planeta. O livro teve a coautoria de T.J. Lammers e traz em 400 páginas em 90 capítulos a vida e obra de um dos mais importantes guitarristas de todos os tempos.

No livro, Tony começa a contar a sua infância difícil na cidade de Birmingham e menciona que seu pai e sua avó nasceram no Brasil. Assim como a maioria dos músicos relata episódios da adolescência, o contato com o rock e as bandas das quais fez parte antes do estrelato.

Porém, foi no começo da vida adulta que a sua vida (e a do Heavy Metal também) mudou. Iommi trabalhava em uma metalúrgica enquanto era integrante da banda Mythology – da qual Bill Ward também fazia parte -, e no último dia do expediente ele trabalhava em uma prensa no lugar de uma colega que havia faltado. Num momento de distração colocou a mão direita nmáquina e puxou de volta como reflexo de retração, decepando a façange distal dos dedos do meio e anelar. Por ser canhoto, a mão acidente era a que ele utilizar para articular as notas no braço da guitarra e, por conta do acidente, os médicos o aconselharam a seguir a carreira musical. Mas o jovem Tony encontrou motivação ao ouvir o guitarrista belga de jazz Django Reinhardt, que tocava apenas utilizando os dedos indicador e médio. O que o motivou a continuar na música e, para seguir adiante, fez uns encaixes improvisados de plásticos derretido nas pontas dos dedos para poder tocar. Por conta disso, passou a tocar de um jeito que não o prejudicasse e, sem querer, criou um estilo único de tocar.

Na autobiografia, Tony Iommi abordou a criação do Black Sabbath juntamente com Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. O início de tudo, em 1968, e, consequentemente, as turnês insanas, as loucuras feitas pelos quatro, a criação das músicas, as brigas entre os músicos, as idas e vindas dos componentes do Black Sabbath – ele é o único que ficou na banda desde o seu início até hoje – os problemas financeiros com empresários e os impostos e, claro, as bebidas e as drogas.

Paralelamente à carreira com a banda, Iommi também relata os casamentos e relacionamentos frustrados, assim como a dificuldade em conseguir ficar com a filha Tony-Marie por conta das questões judiciais envolvendo a ex-mulher.

Os pontos altos da obra são as histórias malucas feitas pelos músicos nos hoteis, as brincadeiras (principalmente as que envolveram Bill Ward, o principal alvo dos demais integrantes), o vício de Tony pela cocaína, que lhe fez perder muitas coisas (no aspecto financeiro e amoroso) e como conduziu o Black Sabbath desde a saída de Ozzy Osbourne, em 1979, trabalhando com inúmeros músicos, como Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes, Cozy Powell, Tony Martin, Ray Gillen, entre outros.

Em “Iron Man…”, Tony Iommi mostra porquê é considerado o “pai do Heavy Metal” e justifica a alcunha de “riff master”. Uma autêntica biografia de Rock ‘N’ Roll que deve ser lida e relida. Essencial para os apreciadores da música pesada.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath
Autor: Tony Iommi (com T.J. Lammers)
Editora: Planeta
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Número de páginas: 400
Preço médio: R$ 40,00

Por Jorge Almeida

Analisando “Black Sabbath – A Biografia”, de Mick Wall

"Black Sabbath - A Biografia": o quinto livro de Mick Wall relacionado à banda de Birmingham
“Black Sabbath – A Biografia”: o quinto livro de Mick Wall relacionado à banda de Birmingham

Lançado em 2013 na Inglaterra pelo renomado jornalista especializado em rock Mick Wall, “Black Sabbath – A Biografia” traz a narrativa de uma das bandas precursoras do Heavy Metal. A obra, com cerca de 360 páginas (335 numeradas mais 25 de encarte com fotos), está dividida em trezes capítulos e duas partes (era Ozzy Osbourne, do começo até saída do Madman em 1979, e a fase Dio/Gillan/Hughes/Martin e (de novo) Ozzy), além de ter o agradecimento, notas e fontes e índice remissivo. A versão em português foi lançada em 2014 e, no Brasil, pela Editora Globo.

Mick Wall é autor de outras biografias lançadas no Brasil (como a do Iron Maiden que, em breve, será postada aqui) e fã declarado do Black Sabbath. Durante 35 anos, ele se relacionou com a banda, inclusive com Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, pois, além de ser jornalista em mídia especializada, Wall foi também foi assessor de imprensa da banda e presenciou muitos fatos ocorridos e que estão descritos na obra, o que permite que, em algumas partes, a narrativa em primeira pessoa, uma vez que Wall fez parte da história.

O livro começa com o próprio autor descrevendo a banda, em seu começo de carreira, como “Eles eram o lixo e sabiam disso”. Mas a história tratou de mudar isso ao longo de quase 50 anos de carreira.

A trajetória do Black Sabbath é marcada por turnês alucinantes, abusos de drogas (especialmente cocaína), brigas contratuais, entrada e saída de integrantes (exceto Tony Iommi), bebedeiras, farras, brincadeiras de adolescentes, o tal do bullying, principalmente com Bill Ward, que já chegou a ter a barba incendiada pela trupe, e, claro, muitos clássicos da música pesada: “Black Sabbath”, “Iron Man”, “Children Of The Grave”, “Sabbath Bloody Sabbath”, “Heaven And Hell”, “Trashed”, entre tantos outros.

Mick Wall detalha também os bastidores do grupo. Destaca momentos marcantes da trajetória da banda de Birmingham, como a conturbada saída de Ozzy Osbourne, a entrada de Ronnie James Dio, a experiência com Ian Gillan nos vocais, a imposição da gravadora em lançar o álbum “Seventh Star” como trabalho do Black Sabbath, uma vez que era para ser um disco solo de Tony Iommi com os vocais de Glenn Hughes, que permaneceu no grupo por um curto período atribuído ao abuso de drogas, e a presença do eterno contestado Tony Martin. Sem contar as idas e vindas de Bill Ward e Geezer Butler, e, claro, a eterna luta de Tony Iommi em manter vivo o nome do Black Sabbath.

Outros personagens importantes aparecem no livro, como Don Arden, empresário do grupo, e sua filha Sharon Arden (que virou Sharon Osbourne), onde cada um teve seu papel de destaque na história da banda.

Um dos pontos mais tristes dessa longa história, cheias de altos e baixos, é a morte de Ronnie James Dio, em 16 de maio de 2010, vítima de um câncer.

Aliás, Mick Wall detalha minuciosamente o fato de a banda não saber lidar com o sucesso, dinheiro e fãs. Em boa parte do livro, as citações foram extraídas de entrevistas formais e contatos diretos com os personagens. O conhecimento que o jornalista tem do grupo é tão grande que essa é a quinta obra assinada por ele sobre o Black Sabbath/Ozzy Osbourne.

O livro é obrigatório para três finalidades: fãs do biografado, estudiosos ou curiosos. E, como todo bom livro sobre rock tem que ser, cheio de palavrões.

Livro: Black Sabbath – A Biografia
Autor: Mick Wall
Editora: Globo
Lançamento: 2013 (Inglaterra) / 2014 (Brasil)
Número de páginas: 360 (numeradas e encarte)
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 40 anos de “Sabotage”

"Sabotage": ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath
“Sabotage”: ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath

Já que o Black Sabbath foi tema no post anterior, continuamos a abordar a banda de Birmingham. Dessa vez para relembrar os 40 anos de “Sabotage”, o sexto trabalho do grupo, que no último dia 28 de julho de 1975 nos Estados Unidos e em agosto no Reino Unido. Gravado entre fevereiro e março de 1975 no Morgan Studios, em Londres, o play foi co-produzido entre a banda e Mike Butcher.

O disco foi gravado em meio ao litígio envolvendo a banda e o ex-empresário Patrick Meehan, o que inspirou o título do álbum (não é preciso traduzir o significado, não é mesmo?) que, segundo os integrantes, estavam sendo roubados por quem gerenciava a carreira do grupo.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, “Sabotage” apresenta sonoridades bem variadas, que mistura o som original da banda com elementos progressivos e pitadas de pop rock.

As sessões de gravação normalmente aconteciam no meio da noite com Tony Iommi estava trabalhando realmente duro e ele estava gastando muito tempo trabalhando seus sons de guitarra. Ozzy Osbourne, no entanto, foi ficando cada vez mais frustrado com a forma de como os álbuns do Sabbath estavam ficando e relatou em sua autobiografia que “Sabotage levou cerca de quatro mil anos“.

O play abre com a clássica “Hole In The Sky” em que Tony Iommi aparece do nada com um daqueles riffs poderosos após alguns segundos de silêncio no começo da música. Em seguida aparece o curto interlúdio instrumental “Don’t Start (Too Late)“, e dependendo do que você estiver fazendo enquanto o disco toca, talvez, nem perceba a sua presença, já que ela tem menos de um minuto de duração e que foi gravada em um volume baixo. Posteriormente surge aquela que considero a melhor faixa do álbum: a incrível “Sympton Of The Universe“, que vem com Iommi destruindo tudo com o seu riff marcante e a “cozinha” de Ward e Butler dando aquele suporte naquela que pode ser considerada uma das precursoras do Trash Metal (por quê não?). O play chega a sua metade com “Megalomania“, com sua característica progressiva e que traz a participção de Gerald “Jezz” Woodruffe nos teclados. Ela é marcada pelas mudanças de ritmo e andamento, mas sem deixar de lado o peso nos incríveis arranjos. São quase dez minutos de pura “obra de arte”.

O psicodelismo marca presença em “The Thrill Of It All“, o quinto tema do álbum, que é caracterizado pelas mudanças de andamento e “feeling”. E, sem deixar a peteca cair, os caras mandam muito bem com a instrumental “Supertzar”, que apresenta harmonias geniosas e é conduzida por coros ao estilo gregoriano feito pela The London Chamber Choir. A penúltima faixa é “Am I Going Insane (Radio)“, que mantém a característica setentista da sonoridade da banda. Aliás, nesta o termo “(Radio)” levou muita gente a acreditar que se trataria de uma versão com corte ou uma versão exclusiva para rádios, mas essa é a única versão existente. No entanto, o termo – originalmente é “radio-rental” é uma gíria para “mental” (coisa de ingleses). E, para finalizar o disco, “The Writ“, cuja letra foi inspirada pelas frustrações de Ozzy com o ex-empresário Meehan, que processou a banda por ter sido despedido. A música ataca os negócios no mundo da música em geral.

Apesar de ser considerado um grande disco, particularmente acredito que trata-se do último grande disco da era-Ozzy, a capa de “Sabotage” é uma das mais bizarras da história do rock. O conceito do espelho invertido foi concebido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era artista gráfico. A princípio, a ideia original era que banda aparecesse na capa vestida de preto, todavia, não havia combinado as roupas que vestiriam no dia. Ou seja, o conceito original sucumbiu e, assim, a “sabotagem” que seria referente ao ex-empresário acabou saindo pela culatra, logo, a banda foi “vítima” da própria armadilha.

Apesar da ‘tosquice’ da capa, o disco é ótimo do começo ao fim. Ouça sem medo e, neste caso, vale a pena ignorar o famoso conceito de “julgar o disco pela capa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabotage
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 27 de julho de 1975
Gravadora: Warner Bros. (EUA) / Vertigo (Reino Unido)
Produtores: Black Sabbath e Mike Butcher

Tony Iommi: guitarra, piano, sintetizador e órgão
Geezer Butler: baixo
Ozzy Osbourne: voz
Bill Ward: bateria

Will Mallone: arranjos para The English Chamber Choir em “Supertzar

1. Hole in the Sky (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
2. Don’t Start (Too Late) (instrumental) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
3. Symptom of the Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
4. Megalomania (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
5. The Thrill Of It All (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
6. Supertzar (instrumental com coral) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
7. Am I Going Insane (Radio) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
8. The Writ (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Tyr”

"Tyr": o melhor disco do Black Sabbath da era Martin
“Tyr”: o melhor disco do Black Sabbath da era Martin

Já que Ronnie James Dio foi destaque no texto anterior, dessa vez vamos falar a respeito da banda da qual ele fez parte, o Black Sabbath, em especial sobre os 25 anos do lançamento de um álbum em que o saudoso vocalista não fazia parte da line-up, o bom “Tyr”, que traz os vocais de Tony Martin.

Lançado no dia 20 de agosto de 1990 pela I.R.S., o álbum foi gravado no Rockfield Studios, no País de Gales, e no Woodcray Studios, em Berkshire, no sudeste da Inglaterra, entre fevereiro e junho de 1990, “Tyr” é o 15º trabalho de estúdio do Black Sabbath. Aliás, a produção do material é da própria banda.

Mesmo com vendagens relativamente boas e ter alcançado o 24º posto nos charts britânicos, o disco recebeu críticas mistas, pois, alguns alegaram que a bateria de Cozy Powell “abafou” a maioria dos outros instrumentos, enquanto outros elogiaram porque, de acordo com eles, é um dos trabalhos mais pesados do Black Sabbath, e o que mais tem o uso acentuado dos teclados de Geoff Nicholls. No entanto, o grupo precisou cancelar algumas apresentações em virtude da baixa procura de ingressos durante a turnê e, além disso, pela primeira vez, o ciclo de turnês da banda não incluiu datas nos Estados Unidos.

Apesar do título do disco e de algumas canções que fazem alusões à mitologia nórdica, o que levou muitos a acreditarem que “Tyr” (o nome é uma referência ao filho de Odin, principal deus da mitologia nórdica) fosse um álbum conceitual, o baixista Neil Murray, que participou das gravações, afirmou em 2005 que muitos temas podem estar vagamente relacionados, mas são poucas que têm alguma relação à mitologia.

O disco abre com “Anno Mundi (The Vision)“, que tem a sua letra apocalíptica aliada perfeitamente ao belo arranjo. Nela, Tony Martin canta muito e Cozy faz suas peraltices. É a melhor música da era Martin.

Em seguida vem “The Law Maker“, que é mais acelerada. Em “Jerusalém“, o ritmo cadenciado ajuda a mantê-la pesada. Já o quarto tema é “The Sabbath Stones“, que mostra porquê Cozy Powell foi um dos melhores bateristas da história do Heavy Metal.

A parte “nórdica” do disco aparece com a instrumental “The Battle Of Tyr“, enquanto “Odin’s Court“, traz um violão dedilhado acompanhado do vocal primordialmente falado por Martin, e “Valhalla“, que tem peso e outra excelente atuação de Powell.

A banda declarou que, embora eles não reneguem, a música “Feels Good To Me” foi colocada no álbum exclusivamente para ser lançada como um single, pois ela não se encaixa musicalmente com o resto do álbum. Mas isso não quer dizer que a faixa seja ruim, ao contrário, ela é boa.

E, para finalizar, a czariana “Heaven In Black“, cujo enredo comprova que o disco não é conceitual, afinal, czar não tem nada a ver com mitologia nórdica, certo? Destaque para a introdução da bateria de Cozy Powell (olha ele aí de novo!).

A foto da capa foi tirada nas ruínas de Rök Runestone, na Suécia, e, na verdade, elas representam as letras TMR, e não TYR, como é entendido.

Aliás, em algumas apresentações da parte europeia da turnê de “Tyr”, Ian Gillan, Brian May e Geezer Butler fizeram participações especiais, sendo que, inclusive, os dois últimos apareceram durante o bis de um show realizado em 8 de setembro de 1990, no lendário Hammersmith Odeon, em Londres.

Posteriormente à fase “Tyr”, a única música que entrou no setlist do Sabbath na era Martin foi “Anno Mundi (The Vision)”, que pode ser conferida no VHS e DVD “Cross Purposes Live”. Além disso, Tony Martin regravou “Jerusalém” em seu álbum solo lançado em 1992 – “Back Where I Belong”.

E, por incrível que pareça, a formação que gravou “Tyr” foi a mesma que lançou “Forbidden” (1995), que considero como o “pior disco do Black Sabbath”.

Para quem gosta de Heavy Metal, esse disco é uma boa pedida. Mas, acredito, que “Tyr” é o melhor trabalho feito pelo grupo de Birmingham com os vocais de Tony Martin. Afinal, o Sabbath é sempre uma influência no Metal, mesmo que esteja em uma fase menos áurea, se é que podemos definir assim, e aqui não foi diferente: o frontman da banda de viking metal feroica Týr, Heri Joensen, declarou que, além da temática nórdica, o disco e o logotipo influenciaram na escolha do nome da banda.

Então, deixe de frescura com esse negócio de que “Black Sabbath só é com Ozzy” e ouça esse bom disco de Heavy Metal, até porque, todos os ingredientes têm nele, especialmente o peso e, além disso, tem Tony Iommi e Cozy Powell.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Tyr
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 1990
Gravadora: I.R.S.
Produtor: Black Sabbath

Tony Iommi: guitarra e violão
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Neil Murray: baixo
Geoff Nicholls: teclados

1. Anno Mundi (The Vision) (Martin / Black Sabbath)
2. The Law Maker (Martin / Black Sabbath)
3. Jerusalem (Martin / Black Sabbath)
4. The Sabbath Stones (Martin / Black Sabbath)
5. The Battle Of Tyr (instrumental) (Martin / Black Sabbath)
6. Odin’s Court (Martin / Black Sabbath)
7. Valhalla (Martin / Black Sabbath)
8. Feels Good To Me (Martin / Black Sabbath)
9. Heaven In Black (Martin / Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

Os 70 anos de Ian Gillan

Ian Gillan: vocalista do Deep Purple completou 70 anos na última quarta-feira (19). Foto: divulgação
Ian Gillan: vocalista do Deep Purple completou 70 anos na última quarta-feira (19). Foto: divulgação

Na última terça-feira, 19 de agosto, um dos mais carismáticos e técnicos vocalistas da história do rock completa 70 anos de idade. Estamos falando de Ian Gillan, o eterno vocalista do Deep Purple, conhecido também como “The Silver Voice”.

Nascido em 19 de agosto de 1945 no Chiswick Maternity Hospital, em Hounslow, na Inglaterra, Ian Gillan tinha a música em seu DNA, pois seu avô materno, Arthur Watkins, era cantor de ópera profissional, um barítono educado em Milão.

Na adolescência, influenciado por Elvis Presley, Gillan integrou diversos grupos ao longo dos anos 1960, mas teve o talento reconhecido quando passou pelo Episode Six, de onde saiu em 1969 juntamente com Roger Glover para entrar para história do rock ao ingressar no Deep Purple, que recentemente dispensara o vocalista Rod Evans e o baixista Nick Simper. O convite foi feito por Blackmore e Jon Lord após assistirem a um concerto do Episode Six.

Ao se juntar a Ritchie Blackmore, Ian Paice e Jon Lord que sua carreira deslanchou e, com isso, veio o famoso apelido “The Silver Voice”, por conta de seu grande potencial vocal. No Deep Purple, Ian Gillan lançou com os companheiros álbuns que fazem parte de verdadeiros clássicos do rock: ”Concerto For Group And Orchestra” (1969), “In Rock” (1970), “Fireball” (1971), “Machine Head” (1972), “Made In Japan” (1972) e “Who Do We Think We Are?” (1973). São nesses trabalhos que estão presentes eternos hinos do Hard Rock/Heavy Metal como “Child In Time”, “Fireball”,”Black Night”, “Highway Star”, “Lazy”, “Woman From Tokyo” e o maior de todos eles: “Smoke On The Water”. E, em 1970, o vocalista ainda participou da opera rock “Jesus Christ Superstar”, gravando a voz de Jesus Cristo na produção original em 1970, de Andrew Lloyd Webber.

Com uma carga de trabalho intensa, quase que ininterrupta, o vocalista teve problemas de relacionamentos com integrantes da banda, especialmente Ritchie Blackmore. Entre os desentendimentos, por exemplo, foi o caso envolvendo a música “When A Blind Man Cries”, que Gillan queria que entrasse no tracklist de “Machine Head”, mas o guitarrista vetou a ideia e a música (muito bonita por sinal) ficou de fora e foi lançada no lado B do single “Never Before” e, anos depois, no relançamento remasterizado do clássico álbum de 1972.

Em junho de 1973, Ian Gillan se demitiu do Deep Purple e resolveu aposentar-se dos palcos. Então, resolveu investir em diversos empreendimentos que, no final, foram mal sucedidos, como um hotel perto de Oxford e um projeto chamado Ciclos Mantis Motor, mas que foi prejudicado pelo colapso da indústria de motocicletas na Inglaterra nos anos 1970. Mas ao substituir Ronnie James Dio no último minuto em uma apresentação no Butterfly Ball em 16 de outubro de 1974, Ian Gillan resolveu retomar a carreira musical.

Assim, em 1975, o vocalista formou a Ian Gillan Band, que durou até 1978, lançando alguns álbuns, quando Ian formou uma nova banda simplesmente chamada de Gillan, que teve entre seus integrantes o futuro guitarrista do Iron Maiden: Janick Gers, que tocou nos álbuns “Double Trouble” (1981) e “Magic” (1982).

Aliás, enquanto seguia com uma carreira entre altos e baixos com sua banda, no Natal de 1979, Ian Gillan recebeu a visita de Ritchie Blackmore, que o convidou para participar do Rainbow no lugar de Graham Bonnet. Mas o vocalista recusou. Apesar disso, os dois tocaram juntos por três noites no Marquee Club, essa havia sido a primeira vez que ambos compartilharam o mesmo palco desde 1973.

O Gillan (a banda) se desfez em 1982 porque seu mentor precisava “descansar” suas cordas vocais que estavam danificadas.

Depois de uma pequena pausa, em 1983, o empresário do Black Sabbath, Don Arden (pai de Sharon Osbourne), convidou Ian Gillan para se juntar a Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward para atuar no Black Sabbath no lugar de Ronnie James Dio. Dizem que esse encontro foi regado a muita bebedeira. E, dessa forma, a banda gravou “Born Again”, mas o baterista Bill Ward apresentou problemas de saúde e foi substituído por Bev Bevan.

Como um integrante do Black Sabbath, Gillan se viu obrigado a aprender o repertório mais antigo da banda, mas tinha dificuldades em lembrar algumas letras. Então, finalmente, ele teve a ideia em escrever as letras para fora de uma pasta de perspex, equilibrando-as em um monitor para virar as páginas com os pés. No entanto, em um dos shows, Ian Gillan foi surpreendido com o gelo seco no palco que praticamente tornou um impossível de ler as palavras, assim, precisou se abaixar e, de joelhos, virar as páginas com as mãos nisso ouviu alguém da plateia comentar: “Olha, o Ronnie James Dio voltou”. Esse episódio foi relatado em sua biografia “Child in Time: The Life Story of the Singer from Deep Purple”, de 1993, que ele escreveu juntamente com David Cohen. Os mais radicais criticavam o grupo em virtude da presença constante de “Smoke On The Water” no repertório.

Apesar de ser considerado um dos melhores trabalhos da carreira do vocalista, Ian Gillan não estava satisfeito em trabalhar com o Black Sabbath. Inclusive, ele detestou a capa de “Born Again”, que trazia a imagem de um bebê com aparência demoníaca. Em entrevista à revista Kerrang!, em 1984, o vocalista disse que recebeu algumas cópias do álbum e, ao ver a capa, esmagou cada uma delas em pedaços.

Depois da decepção com o Black Sabbath, Ian Gillan se juntou aos demais integrantes da formação clássica do Deep Purple para a volta do grupo em 1984. O retorno rendeu alguns milhares de dólares aos músicos e o resultado disso foi “Perfect Strangers”, disco lançado no mesmo ano e que, para alguns, foi o último grande trabalho do Deep Purple.

Mesmo com a reativação da MKII, os trabalhos seguintes do Deep Purple não tiveram a mesma qualidade da primeira fase dessa formação. E, para piorar, os desentendimentos entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore ressurgiram. E mais uma vez o vocalista foi demitido do grupo e foi substituído pelo ex-Rainbow Joe Lynn Turner.

Fora do Deep Purple, Ian Gillan lançou alguns trabalhos, tais como “Accidentally On Purpose” (1988) com Roger Glover, “Naked Thunder” (1990) e “Toolbox” (1991). Foi durante este tempo que Gillan regravou “Smoke On The Water” com pesos-pesados como Bryan Adams, Brian May, Bruce Dickinson, David Gilmour Paul Rodgers, Roger Taylor e Tony Iommi para o Rock Aid Armenia, que consistia em um disco para angariar fundos para ajudar as vítimas de um terremoto que afetara a Armênia em 1988, que trazia diversas outras participações.

Em 1992, após a insistência de Roger Glover, Ian Paice e Jon Lord, Gillan retorna ao Deep Purple mais uma vez. Dessa forma, a MKII se reunia pela terceira vez, mas não duraria muito. Pois, menos de dois anos depois, as rusgas entre o vocalista e Ritchie Blackmore não foram cicatrizadas e, dessa vez, quem “deu a linha na pipa” foi o guitarrista em novembro de 1993 para nunca mais voltar até então sendo substituído inicialmente por Joe Satriani e, finalmente, por Steve Morse (ex-Dixie Dregs e Kansas).

Assim, sem o seu desafeto por perto, Silver Voice ficou mais à vontade no Purple, inclusive, a tal ponto de mudar o setlist do grupo ao incluir, por exemplo, temas que raramente a banda tocava, como “Maybe I’m A Leo” (que homenageia o seu signo, Leão) e “When A Blind Man Cries”.

E, desde então, Ian Gillan seguiu à frente do Deep Purple até hoje. Com a entrada de Morse na banda, só foi necessária apenas uma alteração em sua formação: em 2002 o tecladista Jon Lord saiu amigavelmente e foi substituído por Don Airey, que permanece até os dias atuais.

Mesmo com o privilégio de estar na condição de frontman de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o vocalista seguiu com seus projetos paralelos, como os discos solos “Dreamcatcher” (1997), “Gillan’s Inn” (2006), “Live In Anaheim” (2008) e “One Eye To Marocco” (2009), além do WhoCares, supergrupo que lançou um álbum em 2002 e que, além de Gillan, tinha as presenças de Tony Iommi, Nicko McBrain (Iron Maiden), Jason Newsted (ex-Metallica), Jon Lord e Linde Lindstrom.

Só para constar: Ian Gillan é considerado um dos maiores cantores de Heavy Metal de todos os tempos.

E, para finalizar esse breve resumo da vida e obra de Ian Gillan, duas lendas a seu respeito: dizem que ele usava calças apertadas para potencializar os seus gritos em “Child In Time”, e a outra era de que ele cantava nu em estúdio, durante as gravações, para sentir-se à vontade – foi daí que viria o apelido “Naked Thunder”, que é citado em “Hungry Daze”, faixa do disco “Perfect Strangers” e também do nome de um álbum solo lançado em 1990.

Assim, encerramos esse relato a respeito de um dos mais respeitados músicos da história do rock.

Parabéns Ian Gillan.

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 25 anos de “Headless Cross”

Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell
Headless Cross: segundo registro do Sabbath com Tony Martin e o primeiro com Cozy Powell

Nesse mês de abril, o álbum “Headless Cross”, do Black Sabbath, completa 25 anos de seu lançamento. O disco é o 14º trabalho lançado pela banda de Birmingham. E foi o primeiro a ser lançado pela I.R.S. Records. A produção foi assinada por Tony Iommi e pelo lendário Cozy Powell, que tocou bateria no disco.

E como já era de praxe no Black Sabbath nos anos 1980, Tony Iommi mais uma vez teve que se “virar nos 30” e remontar a line-up de sua banda. A primeira medida do guitarrista foi contactar o baterista britânico Cozy Powell, famoso por trabalhar em bandas como Jeff Beck, Rainbow, MSG e Whitesnake, para entrar no grupo. O baterista não só aceitou o convite como se juntou a Iommi para escrever os temas do disco. Ao mesmo tempo, Tony estava à procura de outros vocalistas, mas foi convencido por Powell a permanecer com Martin.

Assim, o trio Iommi-Powell-Martin tiveram a seu favor os serviços de Laurence Cottle, que tocou baixo nas sessões, porém, não foi creditado como membro oficial da banda. E também do inseparável (e oculto) Geoff Nicholls nos teclados. Dessa forma, o Black Sabbath gravou “Headless Cross” entre agosto e novembro de 1988 em três estúdios, todos ingleses: o The Soundmill, em Leeds; o Woodcray, em Berkshire e o Amazon, em Liverpool.

Apesar de ter participado das gravações e ainda ter aparecido no videoclipe da faixa-título, Cottle não participou das fotos de divulgação do novo trabalho. Além disso, para a turnê, o line-up foi completado pelo baixista Neil Murray (ex-Whitesnake).

Diferentemente dos trabalhos anteriores, onde uma ou outra música abordava temas ocultos ou satânicos, “Headless Cross” é predominantemente dominado por assuntos dessa natureza. E, coincidentemente, o disco foi muito elogiado por fãs e críticos, que o consideravam o melhor trabalho lançado pelo Black Sabbath em anos. Particularmente, atribuo o álbum como o melhor da fase em que Tony Martin esteve na banda.

O álbum abre com a instrumental “The Gates Of Hell”, que serviu de aperitivo para o que estava por vir e deixar bem nítido o lado sombrio da coisa. Na sequência, a ótima faixa-título em que Cozy Powell detona tudo no pedal duplo e Iommi não fica atrás com seus riffs certeiros. O terceiro tema é “Devil & Daughter”, que tem os teclados de Nicholls como principal destaque. Curiosamente, no ano anterior, Ozzy Osbourne em seu “No Rest For The Wicked” havia lançado uma música com o nome semelhante – “Devil’s Daughter”. O álbum chega a sua metade com a lenta e pesada “When Death Calls”, que traz uma bela introdução de Geoff Nicholls e tem a participação especial de Brian May, guitarrista do Queen, que ficou encarregado de fazer o solo da canção.

O disco segue com “Kill In The Spirit World”, que ganha destaque por conta do (mais um) excelente solo de Iommi. Em “Call Of The Wind”, a sexta faixa, Tony Martin canta muito. Essa música, inicialmente, era intitulada como “Hero”, mas Ozzy já havia gravado uma música homônima em seu disco lançado no ano anterior. O penúltimo tema de “Headless Cross” é “Black Moon”, que ficou de fora de “The Eternal Idol” e, aqui, ganhou novos arranjos e foi devidamente reaproveitada. E, para finalizar, “Nightwing”, que serviu para comprovar o quanto Cozy Powell estava certo ao convencer Iommi a manter Tony Martin.

De acordo com os créditos que constam no LP, a capa do álbum foi assinada por Kevin Wimlett. A capa da versão britânica (que é a mais conhecida) apresenta a imagem em preto e branco, enquanto a versão alemã foi acrescida de cores.

Curiosamente, Brian May, grande amigo de Iommi, foi o único músico convidado a tocar guitarra em um disco do Black Sabbath.

Esse trabalho é ideal para quem quer conhecer o universo sabático com Tony Martin. Uma vez que a maioria toma conhecimento da banda através dos álbuns gravados com Ozzy, depois os feitos com Ronnie James Dio e, talvez, com “Born Again”, o único gravado com Ian Gillan, para aí sim se interessar pela fase Martin. “Headless Cross” pode até não ser o melhor álbum do Sabbath, mas certamente é o melhor de sua fase. O play é um ótimo registro para comprovar que o Black Sabbath não viveu, dependeu e precisou unicamente e exclusivamente de Ozzy Osbourne. E ainda, por questão de justiça, é mais uma prova de que Tony Iommi é quem deveria exercer os direitos da marca Black Sabbath por nunca ter deixado de acreditar na sua banda.

Abaixo a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Headless Cross
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: abril de 1989
Gravadora: I.R.S. Records
Produtores: Tony Iommi e Cozy Powell

Tony Iommi: guitarra
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Geoff Nicholls: teclados

Laurence Cottle: baixo
Brian May: solo de guitarra em “When Death Calls

1. The Gates Of Hell (instrumental) (Black Sabbath)
2. Headless Cross (Martin / Iommi / Powell)
3. Devil & Daughter (Martin / Iommi / Powell)
4. When Death Calls (Black Sabbath)
5. Kill In The Spirit World (Black Sabbath)
6. Call Of The Wild (Black Sabbath)
7. Black Moon (Black Sabbath)
8. Nightwing (Black Sabbath)

Por Jorge Almeida