Sinopse de “A História do AC/DC – Let There Be Rock”

Capa do livro de Susan Masino sobre o AC/DC

A jornalista norte-americana Susan Masino é a autora da obra que conta a biografia da banda criada pelos irmãos Young no começo da década de 1970. Lançada em 2009 na versão em português pela editora Companhia Nacional, o livro contém quase 300 páginas em que Susan conta a respeito de um dos grupos mais emblemáticos na história do rock, o AC/DC.

Susan Masino é uma das mais importantes jornalistas especializadas em rock nos Estados Unidos. Seu convívio com bandas como Kiss, Van Halen e o próprio AC/DC a impulsionou para escrever o livro “Rock ‘N’ Roll Fantasy: My Life With AC/DC, Van Halen and Kiss”. O primeiro contato dela com o AC/DC ocorreu na turnê da banda em 1977. E, desde então, ao longo dos anos, ela manteve o contato com o grupo, especialmente nas ocasiões em que a banda fazia turnê nos Estados Unidos.

A publicação, que fez sucesso na Europa e nos Estados Unidos, narra a história do grupo, desde os seus primórdios, em Sydney, no início dos anos 1970, além de detalhes como a trágica morte de Bon Scott, em 1980.

A autora também detalha como foi a escolha de Brian Johnson como o novo frontman, assim como foi o processo de gravação de um dos discos que é considerado um divisor de águas na carreira do AC/DC e (por que não?) do rock: “Back In Black” (1980).

Como as outras “trocentas” biografias do AC/DC, o livro de Masino relata desde a mudança do clã Young da Escócia para a Austrália e o acesso dos irmãos com a música, inclusive a importância do Easybeats (banda da qual o irmão mais velho, George, fez parte). Todavia, um ponto considerável dessa biografia é quando descreve a turbulenta infância e adolescência de Bon Scott, o saudoso vocalista da banda, que era o “raio” do logotipo do grupo.

Na publicação, além das entrevistas com todos os integrantes do AC/DC, Masino trouxe variadas fontes de resenhas, artigos e comentários relacionados ao grupo em publicações relevantes como Kerrang! ou Rolling Stone, inclusive os fanzines veiculados na Austrália que, em 1975, que destacavam os momentos iniciais do grupo. Esse tipo de material autentica o peso das afirmações que permeiam a obra.

Todavia, o livro peca em alguns aspectos. Como os capítulos não são indicados por datas, mas sim por títulos de canções e de álbuns, o leitor não consegue ter o auxílio para se “localizar” na vasta história do grupo, que já ultrapassa as quatro décadas de existência, assim, dependendo das circunstâncias, volta-se duas ou três páginas para raciocinar melhor a leitura.

Outro aspecto negativo está no costume intermitente da autora em travar a narrativa para dialogar com o leitor, o que leva, às vezes, a interpretar de que a biografia não se trata da história do AC/DC, mas sim, uma confissão aberta de sentimentos de Masino. Isso pode ser constatado, por exemplo, em uma das fotografias que traz Angus, Malcolm, Susan e seu filho.

A intimidade de Masino com a banda, em termos de amizade, transmite a sensação de ser um livro “chapa branca”. Isso é nítido nos pontos de vista extremamente pessoais, incluindo aí piadas e comentários desnecessários ao longo do livro. Além disso, Susan não deixa claro, por exemplo, o motivo que levou a saída do ex-baterista Simon Wright da banda.

Apesar desses, digamos, deslizes, é um bom livro para quem quer saber mais da história do AC/DC. Recomendo sim.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: A História do AC/DC – Let There Be Rock
Autora: Susan Masino
Editora: Companhia Editora Nacional
Ano de lançamento: 2009
Edição:
Número de páginas: 292
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”

Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC
Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC

Lançado em 2014 como “The Youngs – The Brothers Who Built AC/DC“, a obra de Jesse Fink foi editada em 2015 pela Editora Gutenberg como “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”, e traz em 272 páginas a biografia de uma das maiores bandas da história do rock, o AC/DC, mais especificamente de seus criadores, os irmãos Young – George, Malcolm e Angus.

Dividido em onze capítulos, a obra de Fink é diferenciada das demais biografias relacionadas da banda australiana por causa do ponto de vista do autor, que contou a história do grupo através de onze canções (uma para cada capítulo) e destacou a importância de George Young (o irmão mais velho de Malcolm e Angus) na história do AC/DC.

Fink relata a trajetória extraordinária por trás desse gigante nome mundial, revelando os segredos de seus componentes, a personalidade, a criatividade e de como o AC/DC chegou até o topo. Além disso, há relatos de ex-membros do AC/DC e de pessoas que trabalharam no staff da banda, e também de músicos de bandas como Rose Tattoo, Guns N’ Roses e Dropkick Murphys.

George Young fez parte da banda Easybeats, com relativo sucesso na Austrália, e isso ajudou a moldar o AC/DC e, assim, o irmão mais velho de Malcolm e Angus produziu os primeiros álbuns da banda e foi primordial para que o grupo alcançasse o status de lenda.

A obra de Jesse Fink se torna ainda mais interessante porque, para contornar um problema que é conhecido de todos: o fato de os integrantes do AC/DC guardar como poucos a sua privacidade, ele entrevistou ex-integrantes do grupo e membros de outras bandas que tiveram alguma relação com os Young.

Como os irmãos que criaram o AC/DC não são de dar muitas entrevistas e só falam o necessário com a imprensa, algumas coisas relatadas por Fink são desconhecidas do grande público, como o caso do design Gerard Huerta, que recebeu o pagamento para criar o logo da banda apenas para a versão norte-americana de “Let There Be Rock”, mas que o grupo a utiliza até hoje e que, até então, nunca pagou os royalties pela utilização do logo em discos posteriores e itens de merchandising da banda.

Outro fato curioso foi quando Peter Mensch, empresário do AC/DC, foi demitido da banda porque os irmãos não aceitaram que ele levasse a namorada durante uma turnê australiana.

E também a história de Toni Currenti, baterista italiano que tocou bateria no primeiro hit da banda, “High Voltage”, e que foi totalmente descreditado pela banda e praticamente “sumiram” ele do mapa.

Enfim, embora o AC/DC agrade os seus fãs com os seus clássicos e com carisma, quem conviveu com o clã dos Young fora dos palcos deixa claro que o “buraco é mais embaixo”. Mas a obra é excelente para quem curte esses ícones do rock.

A seguir, a ficha técnica da biografia.

Álbum: Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC
Autor: Jesse Fink
Número de páginas: 272
Editora: Gutenberg
Preço médio: R$ 30,00

Por Jorge Almeida

AC/DC: 30 Anos de “Fly On The Wall”

"Fly On The Wall" (1985): o disco que marca a estreia de Simon Wright na bateria do AC/DC
“Fly On The Wall” (1985): o disco que marca a estreia de Simon Wright na bateria do AC/DC

Aproveitando que hoje, 9 de julho, o lendário Bon Scott completaria 69 anos de idade se estivesse no meio de nós, resolvi abordar sobre um disco da banda que consagrou o boêmio vocalista, me refiro ao AC/DC, mais especificamente ao disco “Fly On The Wall”, que completou 30 anos de seu lançamento recentemente.

No último dia 28 de junho o álbum “Fly On The Wall”, do AC/DC, completou três décadas de vida. Infelizmente, o play é mais lembrado porque marca a estreia de Simon Wright nas baquetas no lugar de Phil Rudd. Já que não fora bem recebido pelos críticos e suas vendas foram modestas – cerca de dois milhões de cópias -, o que contrasta com os clássicos anteriores, como “Back In Black” (1980) e “For Those About To Rock (We Salute You)” (1981).

Produzido pelos irmãos Young – Malcolm e Angus -, o disco foi gravado no Mountain Studios, em Montreaux, Suíça, entre novembro de 1984 e janeiro de 1985. “Fly On The Wall” foi o décimo trabalho de estúdio do AC/DC (o nono se levarmos em conta apenas a discografia internacional da banda).

Antes do lançamento do álbum, a situação não era das melhores no AC/DC. Uma vez que o relacionamento entre o guitarrista Malcolm Young e o baterista Phil Rudd não era dos melhores. Em meio aos abusos de drogas e álcool, os dois acabaram se desentendendo e chegaram “as vias de fato”. Com isso, sobrou para o baterista, que saiu no final de 1983 e foi substituído por Simon Wright.

A fase do AC/DC já não era das melhores e, para piorar a situação, a turnê do álbum foi marcada pela publicidade negativa da banda por conta da detenção do serial killer Richard Ramírez, cujo apelido dado pela imprensa era “Night Stalker”. Em depoimento à polícia, ele disse que a música “Night Prowler”, do disco “Highway To Hell” (1979), o motivou a cometer os assassinatos. A polícia ainda afirmou que Ramirez foi visto com uma camiseta do AC/DC e ainda deixou um boné que levava o nome do grupo em um dos locais do crime que cometera. E, diante dessa situação, a letra de “Night Prowler” passou a ser minuciosamente analisada por alguns tabloides com o objetivo de associar o satanismo de Ramirez ao AC/DC e, assim, para chegar a bizarra conclusão que o nome do grupo, na verdade, é uma sigla que significava “Anti-Christ/Devil’s Child” (Anti-Cristo/Criança do Diabo). Obviamente, a banda negou essa conotação e afirmou que a música em questão, na verdade, trata de uma situação em que um garoto, sorrateiramente, vai passar a noite no quarto da namorada enquanto os pais dela estão dormindo.

E, antes da finalização do álbum, o AC/DC veio pela primeira vez ao Brasil para tocar na primeira edição do Rock In Rio. Os australianos tocaram em duas noites do festival – nos dias 15 e 19 de janeiro de 1985 – para mais de 200 mil pessoas.

Apesar de não ser um trabalho tão aclamado, “Fly On The Wall” traz coisas boas, como a faixa-título, com o riff “angusyounguiano” e um vocal mais rasgado que o habitual de Brian Johnson, seguida das excelentes “Shake Your Foundations” e “First Blood” até chegar à ‘blueseira’ “Danger”, que antecede à clássica “Sink The Pink”. O disco continua com a pesada “Playing With The Girls”, acompanhada por “Stand Up”, que é bem conduzida pela bateria de Wright e um refrão fácil. E o play entra em reta final com três bons temas “Hell Or High Water”, “Back In Business” e “Send For The Man”.

Embora não seja um dos trabalhos mais aclamados do AC/DC, “Fly On The Wall” está longe de ser um disco ruim ou mediano. É um bom trabalho, mas não no mesmo patamar dos discos citados acima. Mas é melhor que o disco que o antecede, o “Flick Of The Switch” (1983) – vale lembrar que entre o lançamento desses dois discos, o AC/DC homenageou Bon Scott com o ótimo EP “’74 Jailbreak” (1984). Pode escutá-lo sem medo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Fly On The Wall
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de junho de 1985
Gravadora: Albert Productions / Atlantic Records
Produtores: Angus Young e Malcolm Young

Angus Young: guitarra solo
Brian Johnson: voz
Malcolm Young: guitarra-base e backing vocal
Cliff Williams: baixo e backing vocal
Simon Wright: bateria

1. Fly On The Wall (Young / Young / Johnson)
2. Shake Your Foundations (Young / Young / Johnson)
3. First Blood (Young / Young / Johnson)
4. Danger (Young / Young / Johnson)
5. Sink The Pink (Young / Young / Johnson)
6. Playing With Girls (Young / Young / Johnson)
7. Stand Up (Young / Young / Johnson)
8. Hell Or High Water (Young / Young / Johnson)
9. Back In Business (Young / Young / Johnson)
10. Send For The Man (Young / Young / Johnson)

Por Jorge Almeida

AC/DC: 15 anos de “Stiff Upper Lip”

"Stiff Upper Lip": o único registro do AC/DC produzido por George Young sem Harry Vanda
“Stiff Upper Lip”: o único registro do AC/DC produzido por George Young sem Harry Vanda

E, já que o assunto do texto anterior foi AC/DC, então, não custa nada relembrar os 15 anos de seu 15º álbum de estúdio, “Stiff Upper Lip”, lançado em 28 de fevereiro de 2000. Gravado entre setembro e outubro de 1999 no The Warehouse Studio, em Vancouver, Canadá, o play foi produzido por George Young, irmão da dupla Angus e Malcolm Young, que voltou a trabalhar com o grupo desde “Blow Up Your Video” (1988), mas sem Harry Vanda, com quem trabalhou nos clássicos álbuns do AC/DC nos anos 1970.

A volta de George se deu porque os caras, especialmente Malcolm, não ficaram satisfeitos com o trabalho do renomado Rick Rubin em “Ballbreaker” (1995). Embora tenha sido apontado por muitos como “o mesmo álbum do AC/DC”, “Stiff Upper Lip” tem algumas diferenças, como a pegada mais Rock and Roll e Blues, mas sem deixar a base Hard Rock, além dos inspirados solos e riffs dos irmãos Young.

O álbum abre com a boa faixa-título, que traz uma vaga lembrança de “Hard As A Rock”, enquanto a faixa seguinte, “Meltdown”, apresenta um aquele espírito rock and roll dos tempos de Bon Scott. O terceiro tema, “House Of Jazz”, tem uma excelente pegada. Seguidamente, “Hold Me Back” remete às canções da banda da segunda metade dos anos 1980.

No entanto, um dos destaques do play é a ótima “Safe In New York City”, que ganhou um videoclipe e foi um dos três singles de promoção do álbum (os outros dois foram “Stiff Upper Lip” e “Satellite Blues”). O clipe foi gravado em um túnel da cidade de Nova York e a sua letra ironiza o prefeito da época e sua política de segurança, o que levou o vídeo a ser temporariamente proibido de ser veiculado na mídia norte-americana.

Em “Can’t Stop Rock N’ Roll”, a banda atinge o seu ápice no disco. Um Hard Rock primoroso, principalmente por conta do trabalho das guitarras dos Young. Essa é uma daquelas que tem que escutar no último volume.

Enquanto isso, “Satellite Blues” parece ter saído diretamente do longínquo, mas glorioso, passado do AC/DC.

Além dessas, as outras faixas, embora não tenham as mesmas virtudes das citadas, não comprometem, que são os casos de “Can’t Stand Still“, “Damned“, “Come And Get It“, “All Screwed Up” e “Give It Up“.

O grupo recebeu certificado de platina nos Estados Unidos por vendas acima de um milhão de cópias. Além disso, alcançou o primeiro lugar das paradas na Alemanha, Áustria, Finlândia e Suécia; almejou o segundo lugar em Espanha, França e Suíça; terceiro lugar na Austrália; quinto lugar no Canadá e em Portugal; e sétimo lugar nos Estados Unidos, Noruega e Hungria.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Stiff Upper Lip
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de novembro de 2000
Gravadora: East West
Produtor: George Young

Angus Young: guitarra solo e backing vocal em “Hold Me Back
Brian Johnson: voz
Malcolm Young: guitarra base e backing vocal
Cliff Williams: baixo e backing vocal
Phil Rudd: bateria

1. Stiff Upper Lip (A. Young / M. Young)
2. Meltdown (A. Young / M. Young)
3. House Of Jazz (A. Young / M. Young)
4. Hold Me Back (A. Young / M. Young)
5. Safe In New York City (A. Young / M. Young)
6. Can’t Stand Still (A. Young / M. Young)
7. Can’t Stop Rock ‘N’ Roll (A. Young / M. Young)
8. Satellite Blues (A. Young / M. Young)
9. Damned (A. Young / M. Young)
10. Come And Get It (A. Young / M. Young)
11. All Screwed Up (A. Young / M. Young)
12. Give It Up (A. Young / M. Young)

Por Jorge Almeida

Analisando “Rock Or Bust”, do AC/DC

"Rock Or Bust": o primeiro trabalho do AC/DC sem Malcolm Young
“Rock Or Bust”: o primeiro trabalho do AC/DC sem Malcolm Young

Aproveitando que o post anterior foi referente ao rock, resolvi finalmente escrever sobre o último álbum do AC/DC, “Rock Or Bust”, 16º trabalho de estúdio da banda (17º no mercado australiano). Lançado em 28 de novembro de 2014 na Austrália e em 2 de dezembro em outros lugares, o play foi o primeiro trabalho da banda sem o membro-fundador Malcolm Young, guitarrista que precisou sair em virtude de problemas de saúde. Em seu lugar, entrou o sobrinho Stevie Young. É o primeiro disco de estúdio do quinteto australiano lançado em seis anos (o último até então fora “Black Ice”, em 2008).

Gravado entre maio e julho de 2014 no The Warehouse Studio, em Vancouver, no Canadá, a produção de “Rock Or Bust” leva a assinatura de Brendan O’Brien, que havia trabalhado com a banda no disco anterior, além de ter feito um dos backing vocals no álbum. E, com 11 temas em aproximadamente 35 minutos, o disco é mais curto da discografia do AC/DC, inclusive tem menos duração que “Flick Of The Switch” (1983), que tem dois minutos a mais.

O ano de 2014, de fato, foi o pior ano do AC/DC desde a morte de Bon Scott em 1980. Primeiro veio à tona os problemas de saúde de Malcolm, que diagnosticado Brian Johnson e Cliff Williams iniciaram as viagens promocionais de “Rock Or Bust”, além de terem respondido a perguntas sobre Malcolm, foram surpreendidos pela prisão de Phill Rudd, na Nova Zelândia. Embora tenha se atrasado em dez dias para gravar a sua sessão, o baterista chegou a tempo para gravar a sua parte (Brendan já estudava a possibilidade de colocar outro baterista para fazer a parte de Rudd). E, por conta dos problemas com a justiça neozelandesa, o baterista ficou fora das fotos promocionais do álbum e, pouco tempo depois, teve sua vaga preenchida por Chris Slade, baterista que passou pelo grupo entre 1989 e 1994.

Mas, voltando para o disco, “Rock Or Bust” pode até soar como “o mesmo disco com outra capa”, mas o diferencial é que as músicas estão mais simples e mais diretas, o que não diminui a qualidade do material. O característico está lá: o berro esganiçado de Brian Johnson, o estilo inconfundível da guitarra de Angus Young. E vale destacar que Stevie não comprometeu em nada ao substituir o tio.

Entre os destaques do álbum, vale mencionar “Play Ball”, o primeiro single, que foi sucesso comercial e chegou ao top 40 em vários países, como França e Suíça; “Rock The House” e “Baptism By Fire”. Já a faixa-título, com o seu refrão grudento, “Sweet Candy” e “Rock The Blues Away”, que lembra o estilo setentista da banda. Já “Miss Adventure” traz uma letra nos faz lembrar daquelas mulheres lindas dos filmes do “007”. Enquanto “Hard Times”, embora muitos pensem que faz referência ao período conturbado vivido pelos integrantes da banda, na verdade, é referente à época das “vacas magras” no começo da carreira, lá no início da década de 1970.

Rock Or Bust” alcançou ao primeiro lugar das paradas em 12 países, incluindo a Austrália, Canadá, Alemanha e Suécia. Ele alcançou o top 5 em outros 12, incluindo a Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Itália.

Sim, de fato, esse novo trabalho dos australianos pode parecer o mesmo, mas pouco importa. Afinal, não é todo mundo que pode ser um David Bowie e se dar bem em mudar de estilo. Há inúmeras bandas que tentaram fugir de suas características e quebraram a cara. Então, melhor deixar o AC/DC do jeito que tá, que eles façam o mesmo disco 15, 20 ou 50 vezes, não importa. Eles, assim como eram os Ramones e ainda é com o Motörhead, não precisam mudar seu estilo. Tá bom demais para quem só quer saber de curtir o bom e velho rock and roll e que torçamos para que os caras colem por aqui em mais uma turnê mundial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Rock Or Bust
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de novembro de 2014 (Austrália); 2 de dezembro de 2014 (resto do mundo)
Gravadora: Columbia
Produtor: Brendan O’Brien
Preço médio: R$ 30,00

Angus Young: guitarra solo e backing vocal
Brian Johnson: voz
Stevie Young: guitarra base
Phil Rudd: bateria
Cliff Williams: baixo e backing vocal

Brendan O’Brien: backing vocal

1. Rock Or Bust (A. Young / M. Young)
2. Play Ball (A. Young / M. Young)
3. Rock The Blues Away (A. Young / M. Young)
4. Miss Adventure (A. Young / M. Young)
5. Dogs Of War (A. Young / M. Young)
6. Got Some Rock & Roll Thunder (A. Young / M. Young)
7. Hard Times (A. Young / M. Young)
8. Baptism By Fire (A. Young / M. Young)
9. Rock The House (A. Young / M. Young)
10. Sweet Candy (A. Young / M. Young)
11. Emission Control (A. Young / M. Young)

Por Jorge Almeida

 

AC/DC: 30 anos do EP “’74 Jailbreak”

"'74 Jailbreak": EP lançado em 1984 para celebrar os 10 anos do AC/DC
“’74 Jailbreak”: EP lançado em 1984 para celebrar os 10 anos do AC/DC

Hoje, 15 de outubro, o EP “’74 Jailbreak”, do AC/DC, chega ao 30º aniversário de seu lançamento. Na verdade, trata-se de uma pequena copilação de cinco faixas que foram lançadas na versão australiana dos álbuns “High Voltage” (1975) e “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” (1976) e que, quase dez anos depois, foram editadas nesse EP em lançamentos realizados nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Brasil, entre outros países.

Produzido pela dupla Harry Vanda e George Young, o EP alcançou a posição 76 na Billboard 200. Na época de seu lançamento, em 1984, o AC/DC já contava com Brian Jonhson no lugar de Bon Scott. O disco foi lançado no intervalo entre os medianos “Flick Of The Switch” (1983) e “Fly On The Wall” (1985).

O objetivo do EP foi para celebrar os dez anos de carreira da banda e também uma forma de homenagear Bon Scott. E, conforme o título entrega, o registro traz temas da década de 1970, nos primórdios do grupo, e deixa bem nítido a influência do Blues na musicalidade dos, na época, principiantes integrantes.

O play abre com a clássica “Jailbreak”, lançada originalmente na versão australiana de “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”. Com um riff inspiradíssimo de Angus Young, a música trata-se de um autêntico clássico. Aqui no Brasil tem status de hino. Cadenciada e com um ritmo avassalante, a música fala de um amigo do interlocutor que foi condenado a 16 anos de prisão por ter assassinado com um tiro o amante de sua garota e que ele não iria passar o resto da vida ali.

Em seguida, aparece “You Ain’t Got A Hold On Me” que, assim como as restantes do EP, são oriundas do ‘debut’ australiano – “High Voltage” (1975). Nela, podemos notar um AC/DC afiadíssimo, com uma interpretação impecável de Bon Scott e um solo inspiradíssimo de Angus. Incrível.

O terceiro tema é “Show Business”, um excelente tema Hard Rock e que mescla a fúria do som dos irmãos Young e sua trupe com um rock clássico e inocente dos anos 1950. A temática é a mesma de “It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock And Roll)”.

O lado B do EP abre com “Soul Stripper” que, talvez, seja a melhor faixa de “’74 Jailbreak”. A música começa na boa, com a bateria e o baixo fazendo a base magistralmente enquanto Angus e Malcolm fazem estripulias nas guitarras. E a performance de Scott na música é considerada uma das melhores feitas por ele na condição de frontman do AC/DC. O cara estava inspiradíssimo.

E, para finalizar, em grande estilo, um excelente cover. Trata-se de “Baby, Please Don’t Go”, gravada originalmente na década de 1930 por Joe Williams. Um Blues agitado em que os irmãos Young se destacam na dobradinha das guitarras.

Hoje em dia, em meio aos mais modernos aparatos tecnológicos do mercado, inclusive o fonográfico, é evidente que dificilmente encontraremos esse EP nas prateleiras das lojas. Mas isso não é motivo de preocupação para quem ainda não tem esse excelente material do AC/DC. Pois em 2003, o EP foi lançado mundialmente em CD como parte da série “Remasters” de seus álbuns.

Esse material do AC/DC ajudou a popularizar a banda no Brasil. Pois, além de ter proporcionado os fãs tupiniquins a conhecerem, mesmo que tardiamente, o hino “Jailbreak”, os fãs ainda puderam ver de perto os australianos no ano seguinte na primeira edição do Rock In Rio.

Apesar de sua curta duração, um pouco menos de 30 minutos, esse EP vale muito a pena ser conferido, pois mostra um AC/DC sedento no auge da juventude de seus integrantes e traz uma copilação dos melhores momentos de Bon Scott à frente de uma das maiores bandas da história do Rock. Indispensável para o apreciador da boa música.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do EP.

Álbum: ’74 Jailbreak
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 15 de outubro de 1984
Gravadora: Atlantic
Produtores: Harry & Vanda

Bon Scott: voz
Angus Young: guitarra
Malcolm Young: guitarra e backing vocal
George Young: baixo
Peter Clack: bateria
Tony Currenti: bateria
Mark Evans: baixo em “Jailbreak
Phil Rudd: bateria em “Jailbreak

1. Jailbreak (Young / Young/ Scott)
2. You Ain’t Got A Hold On Me (Young / Young / Scott)
3. Show Business (Young / Young / Scott)
4. Soul Stripper (Young / Young / Scott)
5. Baby, Please Don’t Go (Williams)

Por Jorge Almeida

AC/DC: 35 anos de “Highway To Hell”

"Highway To Hell": clássico do AC/DC que marca a despedida de Bon Scott, que morreu em fevereiro de 1980
“Highway To Hell”: clássico do AC/DC que marca a despedida de Bon Scott, que morreu em fevereiro de 1980

No ultimo dia 27 de julho, a versão internacional de “Highway To Hell”, do AC/DC, completou 35 anos de seu lançamento. E, hoje, 3 de agosto, a edição norte-americana do mesmo álbum também chegou ao 35º aniversário. Além dessas duas, a versão australiana do disco chega às 35 primaveras no próximo dia 8 de novembro. Enfim, apesar dos lançamentos em mercados e datas distintas, o disco é marcado como o último registro de Bon Scott nos vocais da banda australiana, uma vez que sua morte aconteceu em 19 de fevereiro de 1980.

Gravado em dezembro de 1978 no Albert Studios, em Sydney, Austrália, e também nos meses de janeiro e fevereiro de 1979, no Criteria Studios, em Miami, Flórida, e entre março e abril do mesmo ano no Roundhouse Studios, em Londres, “Highway To Hell” foi o primeiro trabalho dos australianos que não teve a produção assinada pela dupla Young e Vanda, mas sim o primeiro a ser produzido por Robert John “Mutt” Lange, após a tentativa frustrada com Eddie Kramer, famoso pelos trabalhos de sucesso com o Kiss. A escolha pelo novo produtor, curiosamente, deixou o som “mais limpo”.

Em virtude do nome do disco, o AC/DC foi constantemente acusado de “banda satanista” (“Highway To Hell” = “Autoestrada para o inferno”). No entanto, o intuito de Angus Young e cia. com o título foi apenas fazer uma sátira com “Stairway To Heaven”, clássico do Led Zeppelin. Embora a capa mostre Angus com chifres e segurando um rabo e Bon Scott com uma corrente com um pentagrama. Na Austrália, o disco foi lançado com uma capa ligeiramente diferenciada dos outros mercados, pois mostra as chamas e um desenho de um braço de baixo (instrumento) sobreposto sobre a foto do grupo usada na outra capa. Além disso, o logotipo do AC/DC traz uma tonalidade mais escura da marrom.

Controvérsias à parte, o que não se pode deixar de destacar de “Highway To Hell” é que o play é um clássico de cabo a rabo. Constantemente ele aparece no rol das revistas e veículos especializados como um dos “melhores álbuns de todos os tempos”. Não foi à toa que esse foi o primeiro álbum do AC/DC a chegar mais próximo do topo das paradas dos EUA quando atingiu o 17º lugar e, claro, alavancou a popularidade do quinteto na terra do Tio Sam e o deixou no alto escalão das bandas de hard rock (inclusive, onde permanece até hoje).

O disco abre com a famosíssima faixa-título que, definitivamente, entrou na lista de “hinos eternos” do rock. Quem nunca viu uma banda de garagem pelo mundo afora que não tenha pelo menos tentado ao menos uma vez arriscar o famoso riff de introdução do tema? A melodia, o refrão e a batida fazem de “Highway To Hell” uma das músicas mais emblemáticas do AC/DC até hoje.

O resto do tracklist é tudo aquilo que sabemos do que é o AC/DC: solos endiabrados, feeling, letras bem sacadas, farra, festas, curtição, enfim, tudo isso pode ser conferido em clássicos como “Girls Got Rhythm”, “Touch Too Much”, “If You Want Blood (You’ve Got It)” – inclusive, esta leva o nome do primeiro trabalho ao vivo dos caras lançado no ano anterior – e “Shot Down In Flames”, todas que se tornaram temas favoritos dos fãs e que, constantemente, seguem no setlist da banda até hoje.

Completam o disco as excelentes “Walk All Over You”, “Beating Around The Bush”, “Get It Hot”, “Love Hungry Man” e “Night Prowler”.

Aliás, a última música citada no parágrafo anterior tem um fato curioso sobre ela. Além de ser a mais lenta do álbum, “Night Prowler” chama atenção, conforme a explicação dada pelo AC/DC ao programa “Behind The Music”, da VH1, por falar de um rapaz que entrava às escondidas no quarto da namorada sem que os pais delas soubessem. No entanto, ela adquiriu uma conotação negativa associada aos homicídios. E essa era a música favorita de Ricardo Ramírez, fã da banda, e que, em 1985, cometeu uma série de assassinatos em Los Angeles e ficou conhecido como “Night Stalker”. De acordo com relatos policiais da época, Ramírez cometeu alguns de seus crimes vestido com uma camisa do AC/DC e, em um dos locais em que cometeu delitos, ele havia deixado um boné da banda. O caso trouxe uma má-imagem do grupo, a tal ponto de que eles tiveram de enfrentar protestos por parte de alguns pais de Los Angeles.

Polêmicas e controvérsias à parte, “Highway To Hell” é um disco de rock perfeito. É uma verdadeira aula de como se faz rock and roll. Não é à toa que o play tem uma série de fãs ilustres que vão desde Mötley Crüe à Shakira (!?).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Highway To Hell
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 27/07/1979 (versão internacional); 03/08/1979 (versão norte-americana); 08/11/1979 (versão australiana)
Gravadora: Albert, Atlantic Records e Epic/Sony (relançamento em CD com embalagem digipack)
Produtor: Robert John “Mutt” Lange

Angus Young: guitarra solo
Malcolm Young: guitarra base e backing vocal
Bon Scott: voz
Cliff Williams: baixo e backing vocal
Phill Rudd: bateria

1. Highway To Hell (Young / Young / Scott)
2. Girls Got Rhythm (Young / Young / Scott)
3. Walk All Over You (Young / Young / Scott)
4. Touch Too Much (Young / Young / Scott)
5. Beating Around The Bush (Young / Young / Scott)
6. Shot Down In Flames (Young / Young / Scott)
7. Get It Hot (Young / Young / Scott)
8. If You Want Blood (You’ve Got It) (Young / Young / Scott)
9. Love Hungry Man (Young / Young / Scott)
10. Night Prowler (Young / Young / Scott)

Por Jorge Almeida