Morre Malcolm Young: o fundador do AC/DC

Malcolm Young (1953-2017): fundador do AC/DC morreu aos 64 anos ao lado da família. Créditos: acdc.com

O mundo do rock ficou em estado de choque na manhã deste sábado (18) ao saber da morte de Malcolm Young, ex-guitarrista e co-fundador do AC/DC, aos 64 anos. O músico vinha sofrendo com problemas relacionados à demência, motivo pelo qual, em 2014, o afastou do grupo que fundou junto com o irmão Angus em 1973. Essa foi a segunda perda que a família Young em quase um mês. No último dia 22, o produtor George Young (irmão de Malcolm e Angus) morrera aos 70 anos (a causa da morte não foi divulgada). A informação do óbito de Malcolm foi divulgada no site oficial da banda australiana.

Ao longo do dia, as redes sociais foram os principais meios para os fãs, críticos e músicos lamentarem a morte de Malcolm Young. Nomes que vão desde Ozzy Osbourne a Davi Grohl prestaram suas condolências ao “arquiteto” do AC/DC.

Nascido em Glasgow, na Escócia, a 6 de janeiro de 1953, Malcolm Young foi juntamente com os pais – William e Margaret – e os irmãos para a Austrália em busca de melhores oportunidades – apenas o irmão Alexander Young permaneceu no Reino Unido. No solo australiano, o clã passou a residir no subúrbio de Burwood, em New South Wales.

E o primeiro Young a fazer sucesso na terra dos cangurus foi George, que montou os The Easybeats. O grupo fez um relativo sucesso por lá, a tal ponto de receberem a alcunha de “Beatles da Austrália”, fez vários hits que chegaram ao topo das paradas australianas entre 1965 e 1968 e obteve sucesso internacional com “Friday On My Mind”. Vendo o sucesso do irmão mais velho, Malcolm e Angus resolveram tentar a sorte na música. Enquanto o primeiro deu os primeiros passos com o The Velvet Underground (não confundir com a banda nova-iorquina de mesmo nome), o segundo deu os seus primeiros acordes em outra banda que se chamava Kantuckee. Contudo, os dois irmãos mais novos não estavam satisfeitos com o desempenho de suas respectivas bandas e, então, juntos, em 1973, resolveram formar o AC/DC. Na época, Malcolm tinha 20 anos e Angus 18. O nome do grupo foi inspirado em uma máquina de costura em que a irmã Margareth viu as iniciais “AC/DC”, cujo significado era “corrente alternada/corrente contínua”. Mas, para Malcolm e Angus, o nome simbolizava a energia da banda, um som puro, sem efeitos e o amor deles pela música.

Com o nome da banda definido, foram recrutados o baixista Larry Van Kriedt, o vocalista Dave Evans e o baterista Colin Burgess. Obviamente, como é de conhecimento de todos, essa primeira formação do AC/DC não durou muito tempo. Em seus primeiros anos, o grupo só foi mantido com Angus e Malcolm e só conseguiu uma formação estável com a entrada do incrível Bon Scott, em 1974. Com Evans, a banda só havia gravado duas músicas: “Rockin’ In The Parlour” e “Can I Sit Next To You Girl”, sendo esta última regravada por Bon Scott para o lançamento australiano de “T.N.T.” (1975), o segundo trabalho do AC/DC, uma vez que o primeiro (“High Voltage”) foi lançado anteriormente.

Em poucos meses, entre o final de 1974 e o decorrer de 1975, a formação com Bon Scott nos vocais, Mark Evans no baixo, Phil Rudd na bateria e, obviamente, Malcolm e Angus Young nas guitarras, o AC/DC já era uma realidade na Austrália. No ano seguinte, assinaram com a Atlantic Records, passaram a fazer turnê pela Europa e ganhando experiência ao abrir shows para bandas como Black Sabbath, Kiss, Aerosmith e Blue Öyster Cult. Em 1977, lançaram “Let There Be Rock” e, pouco tempo depois, Mark Evans foi substituído no baixo por Cliff Williams.

O sucesso do AC/DC cresceu gradativamente. Sempre com os irmãos Young à frente da situação. Além de Malcolm e Angus, George também foi peça fundamental na ascensão da banda ao trabalhar nos bastidores, inclusive na produção dos primeiros álbuns da banda.

E quando o AC/DC estava atingindo o topo do Rock And Roll, como eles cantarolavam em “It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ‘N’ Roll)”, veio um grande baque. A morte de Bon Scott, aos 33 anos. Na ocasião, o grupo estava no auge da fase produtiva e havia lançado o clássico “Highway To Hell” (1977). Ainda jovens e abalados com a perda de seu vocalista, os Young pensaram em encerrar o AC/DC, porém, foram motivados pelo pai de Bon a continuarem. E, assim, para substituir o carismático vocalista, foi escolhido o ex-Geordie Brian Johnson. Com ele nos vocais, saiu o disco mais bem sucedido da história do rock: “Back In Black” (1980).

E, ao longo dos anos 1980, o AC/DC sofreu com altos e baixos, seja com vendagens de discos ou problemas de relacionamentos entre os integrantes. Em 1988, por exemplo, Malcolm Young ficou um período afastado para tratar de seus problemas com o alcoolismo. Em seu lugar, o sobrinho Stevie Young tocou em algumas datas. Além disso, o grupo passou por trocas de bateristas constantes: saiu Phil Rudd, que foi demitido por Malcolm após uma briga entre os dois, veio Simon Wright que, inclusive, esteve no AC/DC quando a banda tocou pela primeira vez no Rock In Rio em 1985, mas, de forma amigável, deixou o grupo para tocar com o seu ídolo Ronnie James Dio no Dio. Em seu lugar, entrou o careca Chris Slade, que ficou entre 1989 a 1994, e foi substituído pelo velho Phil Rudd.

A formação clássica do AC/DC – Angus, Malcolm, Cliff Williams, Brian Johnson e Phil Rudd – permaneceu de 1995 até 2014. No período foram lançado três trabalhos de estúdio: “Ballbreaker” (1995), “Stiff Upper Lip” (2000) e “Black Ice” (2008).

No entanto, nos últimos anos, o AC/DC tem sofrido alterações em sua formação. O primeiro a sair foi justamente o co-fundador Malcolm Young. Em um comunicado divulgado na página oficial do Facebook do AC/DC, foi informado que: “Após 40 anos dedicando sua vida ao AC/DC, guitarrista e membro fundador Malcolm Young se ausentará da banda devido a problemas de saúde. Malcolm agradece a todos os verdadeiros fãs do mundo inteiro pela paixão inesgotável e apoio. Diante disso, o AC/DC pede que a privacidade de Malcolm e sua família seja respeitada durante este tempo. A banda vai continuar a fazer música“. Com a saída de Malcolm, Stevie Young, sobrinho de Malcolm e Angus, entrou na banda. Pouco tempo depois, foi a vez de Phil Rudd deixar a banda por problemas judiciais. Em seu lugar, um velho conhecido dos fãs: Chris Slade. Nesse período, o grupo lançou “Rock Or Bust”, o décimo sexto trabalho de estúdio dos australianos e o primeiro sem Malcolm Young na guitarra rítimica. Rudd participou das gravações, mas Slade assumiu as baquetas para a turnê.

Já em 8 de março de 2016, Brian Johnson foi afastado do AC/DC após laudos médicos comprovarem que ele poderia perder totalmente a audição se prosseguisse com as turnês. Brian Já sofria com problemas auditivos desde seu transtorno com um carro de corrida. Porém no dia 17 de Abril de 2016, o AC/DC através de uma rede social, confirmou a saída oficial de Brian no AC/DC: “Os membros da banda gostariam de agradecer Brian Johnson por sua contribuição e dedicação à banda ao longo desses anos. Desejamos a ele tudo de melhor com seus problemas auditivos e projetos futuros. Queremos que está turnê termine como começou, entendemos, respeitamos e apoiamos a decisão de Brian de interromper a turnê e salvar a sua audição. Estamos dedicados a cumprir o resto de nossos compromissos de turnê para todos que nos apoiaram ao longo dos anos, e somos afortunados que Axl Rose gentilmente ofereceu seu apoio para nos ajudar a cumprir esse compromisso“. Contudo, em nota, o cantor afirmou que não está aposentando e pretende continuar a gravar álbuns de estúdio.

E, finalmente, após o término da “Rock Or Bust World Tour”, em 20 de setembro de 2016, em um comunicado oficial, o baixista Cliff Williams anunciou a sua saída da banda, alegando que, devido a muitas mudanças, a sua hora também havia chegado. Cliff era membro do AC/DC desde 1976. Ou seja, da line-up clássica do AC/DC só restou Angus Young e, com ele, a incerteza do futuro da banda que criou junto com o irmão Malcolm.

Apesar de todo o carisma, exibicionismo e performances incendiárias de Angus Young ao longo dos mais de 40 anos de existência do AC/DC, o “arquiteto” da banda ou, se preferir, o chefe sempre foi Malcolm Young. Tudo o que testemunhamos sobre a banda, performances no palco, criação dos clássicos e dos riffs até o “trabalho sujo” feito no grupo sempre foi capitaneado por Malcolm. Apesar de ser mais contido em relação ao irmão mais novo, ele era “o cara” do AC/DC. Sua morte, para muita gente, praticamente pode significar o fim, de fato, do AC/DC.

O diagnóstico da demência (perda ou redução progressiva das capacidades cognitivas) foi o principal motivo de sua saída do AC/DC. O músico foi tratado com os melhores procedimentos. Além da deterioração mental, ele ainda teve algumas complicações físicas, como uma delicada cirurgia no pulmão que, graças a um tratamento correto, um câncer foi detectado cedo e deu tempo de ser tratado. Os sinais dos problemas com a saúde mental de Malcolm Young deu indícios na produção de “Black Ice”, como problemas de memorização. Mesmo diagnosticado com a doença, ele ainda conseguiu concluir a turnê. Pessoas ligadas à banda afirmaram que, às vezes, Malcolm costumava errar as notas e esquecer o momento certo de fazer o vocal de apoio, além disso, teve que reaprender os riffs que ele mesmo criou.

E, infelizmente, neste 18 de novembro de 2017, o AC/DC divulgou em nota um comunicado sobre a morte do músico: “Malcolm, ao lado de Angus, era o fundador e criador do AC/DC. Com grande dedicação e comprometimento ele era uma das forças por trás da banda. Como guitarrista, compositor e visionário ele foi perfeccionista e um homem único”. Malcolm já sofria de demência há alguns anos e morreu tranquilamente ao lado de sua família, deixando sua mulher Linda, os filhos Cara e Ross, três netos, uma irmã e o irmão Angus Young.

Na opinião deste que vos escreve: se o AC/DC fosse uma pessoa, primeiramente, a saída de Malcolm seria uma espécie de “derrame” e a sua morte seria a “morte cerebral”. Como fã da banda australiana, acredito que seria melhor o remanescente Angus Young oficializar o encerramento das atividades do AC/DC.

Descanse em paz, Malcolm Young, o melhor guitarrista rítmico de todos os tempos: “for a 21 gun salute: we salute you”.

Por Jorge Almeida

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Sinopse de “A História do AC/DC – Let There Be Rock”

Capa do livro de Susan Masino sobre o AC/DC

A jornalista norte-americana Susan Masino é a autora da obra que conta a biografia da banda criada pelos irmãos Young no começo da década de 1970. Lançada em 2009 na versão em português pela editora Companhia Nacional, o livro contém quase 300 páginas em que Susan conta a respeito de um dos grupos mais emblemáticos na história do rock, o AC/DC.

Susan Masino é uma das mais importantes jornalistas especializadas em rock nos Estados Unidos. Seu convívio com bandas como Kiss, Van Halen e o próprio AC/DC a impulsionou para escrever o livro “Rock ‘N’ Roll Fantasy: My Life With AC/DC, Van Halen and Kiss”. O primeiro contato dela com o AC/DC ocorreu na turnê da banda em 1977. E, desde então, ao longo dos anos, ela manteve o contato com o grupo, especialmente nas ocasiões em que a banda fazia turnê nos Estados Unidos.

A publicação, que fez sucesso na Europa e nos Estados Unidos, narra a história do grupo, desde os seus primórdios, em Sydney, no início dos anos 1970, além de detalhes como a trágica morte de Bon Scott, em 1980.

A autora também detalha como foi a escolha de Brian Johnson como o novo frontman, assim como foi o processo de gravação de um dos discos que é considerado um divisor de águas na carreira do AC/DC e (por que não?) do rock: “Back In Black” (1980).

Como as outras “trocentas” biografias do AC/DC, o livro de Masino relata desde a mudança do clã Young da Escócia para a Austrália e o acesso dos irmãos com a música, inclusive a importância do Easybeats (banda da qual o irmão mais velho, George, fez parte). Todavia, um ponto considerável dessa biografia é quando descreve a turbulenta infância e adolescência de Bon Scott, o saudoso vocalista da banda, que era o “raio” do logotipo do grupo.

Na publicação, além das entrevistas com todos os integrantes do AC/DC, Masino trouxe variadas fontes de resenhas, artigos e comentários relacionados ao grupo em publicações relevantes como Kerrang! ou Rolling Stone, inclusive os fanzines veiculados na Austrália que, em 1975, que destacavam os momentos iniciais do grupo. Esse tipo de material autentica o peso das afirmações que permeiam a obra.

Todavia, o livro peca em alguns aspectos. Como os capítulos não são indicados por datas, mas sim por títulos de canções e de álbuns, o leitor não consegue ter o auxílio para se “localizar” na vasta história do grupo, que já ultrapassa as quatro décadas de existência, assim, dependendo das circunstâncias, volta-se duas ou três páginas para raciocinar melhor a leitura.

Outro aspecto negativo está no costume intermitente da autora em travar a narrativa para dialogar com o leitor, o que leva, às vezes, a interpretar de que a biografia não se trata da história do AC/DC, mas sim, uma confissão aberta de sentimentos de Masino. Isso pode ser constatado, por exemplo, em uma das fotografias que traz Angus, Malcolm, Susan e seu filho.

A intimidade de Masino com a banda, em termos de amizade, transmite a sensação de ser um livro “chapa branca”. Isso é nítido nos pontos de vista extremamente pessoais, incluindo aí piadas e comentários desnecessários ao longo do livro. Além disso, Susan não deixa claro, por exemplo, o motivo que levou a saída do ex-baterista Simon Wright da banda.

Apesar desses, digamos, deslizes, é um bom livro para quem quer saber mais da história do AC/DC. Recomendo sim.

A seguir, a ficha técnica da obra.

Livro: A História do AC/DC – Let There Be Rock
Autora: Susan Masino
Editora: Companhia Editora Nacional
Ano de lançamento: 2009
Edição:
Número de páginas: 292
Preço médio: R$ 44,00

Por Jorge Almeida

Sinopse de “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”

Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC
Capa da biografia que aborda o clã Young, responsável pelo sucesso do AC/DC

Lançado em 2014 como “The Youngs – The Brothers Who Built AC/DC“, a obra de Jesse Fink foi editada em 2015 pela Editora Gutenberg como “Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC”, e traz em 272 páginas a biografia de uma das maiores bandas da história do rock, o AC/DC, mais especificamente de seus criadores, os irmãos Young – George, Malcolm e Angus.

Dividido em onze capítulos, a obra de Fink é diferenciada das demais biografias relacionadas da banda australiana por causa do ponto de vista do autor, que contou a história do grupo através de onze canções (uma para cada capítulo) e destacou a importância de George Young (o irmão mais velho de Malcolm e Angus) na história do AC/DC.

Fink relata a trajetória extraordinária por trás desse gigante nome mundial, revelando os segredos de seus componentes, a personalidade, a criatividade e de como o AC/DC chegou até o topo. Além disso, há relatos de ex-membros do AC/DC e de pessoas que trabalharam no staff da banda, e também de músicos de bandas como Rose Tattoo, Guns N’ Roses e Dropkick Murphys.

George Young fez parte da banda Easybeats, com relativo sucesso na Austrália, e isso ajudou a moldar o AC/DC e, assim, o irmão mais velho de Malcolm e Angus produziu os primeiros álbuns da banda e foi primordial para que o grupo alcançasse o status de lenda.

A obra de Jesse Fink se torna ainda mais interessante porque, para contornar um problema que é conhecido de todos: o fato de os integrantes do AC/DC guardar como poucos a sua privacidade, ele entrevistou ex-integrantes do grupo e membros de outras bandas que tiveram alguma relação com os Young.

Como os irmãos que criaram o AC/DC não são de dar muitas entrevistas e só falam o necessário com a imprensa, algumas coisas relatadas por Fink são desconhecidas do grande público, como o caso do design Gerard Huerta, que recebeu o pagamento para criar o logo da banda apenas para a versão norte-americana de “Let There Be Rock”, mas que o grupo a utiliza até hoje e que, até então, nunca pagou os royalties pela utilização do logo em discos posteriores e itens de merchandising da banda.

Outro fato curioso foi quando Peter Mensch, empresário do AC/DC, foi demitido da banda porque os irmãos não aceitaram que ele levasse a namorada durante uma turnê australiana.

E também a história de Toni Currenti, baterista italiano que tocou bateria no primeiro hit da banda, “High Voltage”, e que foi totalmente descreditado pela banda e praticamente “sumiram” ele do mapa.

Enfim, embora o AC/DC agrade os seus fãs com os seus clássicos e com carisma, quem conviveu com o clã dos Young fora dos palcos deixa claro que o “buraco é mais embaixo”. Mas a obra é excelente para quem curte esses ícones do rock.

A seguir, a ficha técnica da biografia.

Álbum: Os Youngs – Os Irmãos que Criaram o AC/DC
Autor: Jesse Fink
Número de páginas: 272
Editora: Gutenberg
Preço médio: R$ 30,00

Por Jorge Almeida

AC/DC: 30 Anos de “Fly On The Wall”

"Fly On The Wall" (1985): o disco que marca a estreia de Simon Wright na bateria do AC/DC
“Fly On The Wall” (1985): o disco que marca a estreia de Simon Wright na bateria do AC/DC

Aproveitando que hoje, 9 de julho, o lendário Bon Scott completaria 69 anos de idade se estivesse no meio de nós, resolvi abordar sobre um disco da banda que consagrou o boêmio vocalista, me refiro ao AC/DC, mais especificamente ao disco “Fly On The Wall”, que completou 30 anos de seu lançamento recentemente.

No último dia 28 de junho o álbum “Fly On The Wall”, do AC/DC, completou três décadas de vida. Infelizmente, o play é mais lembrado porque marca a estreia de Simon Wright nas baquetas no lugar de Phil Rudd. Já que não fora bem recebido pelos críticos e suas vendas foram modestas – cerca de dois milhões de cópias -, o que contrasta com os clássicos anteriores, como “Back In Black” (1980) e “For Those About To Rock (We Salute You)” (1981).

Produzido pelos irmãos Young – Malcolm e Angus -, o disco foi gravado no Mountain Studios, em Montreaux, Suíça, entre novembro de 1984 e janeiro de 1985. “Fly On The Wall” foi o décimo trabalho de estúdio do AC/DC (o nono se levarmos em conta apenas a discografia internacional da banda).

Antes do lançamento do álbum, a situação não era das melhores no AC/DC. Uma vez que o relacionamento entre o guitarrista Malcolm Young e o baterista Phil Rudd não era dos melhores. Em meio aos abusos de drogas e álcool, os dois acabaram se desentendendo e chegaram “as vias de fato”. Com isso, sobrou para o baterista, que saiu no final de 1983 e foi substituído por Simon Wright.

A fase do AC/DC já não era das melhores e, para piorar a situação, a turnê do álbum foi marcada pela publicidade negativa da banda por conta da detenção do serial killer Richard Ramírez, cujo apelido dado pela imprensa era “Night Stalker”. Em depoimento à polícia, ele disse que a música “Night Prowler”, do disco “Highway To Hell” (1979), o motivou a cometer os assassinatos. A polícia ainda afirmou que Ramirez foi visto com uma camiseta do AC/DC e ainda deixou um boné que levava o nome do grupo em um dos locais do crime que cometera. E, diante dessa situação, a letra de “Night Prowler” passou a ser minuciosamente analisada por alguns tabloides com o objetivo de associar o satanismo de Ramirez ao AC/DC e, assim, para chegar a bizarra conclusão que o nome do grupo, na verdade, é uma sigla que significava “Anti-Christ/Devil’s Child” (Anti-Cristo/Criança do Diabo). Obviamente, a banda negou essa conotação e afirmou que a música em questão, na verdade, trata de uma situação em que um garoto, sorrateiramente, vai passar a noite no quarto da namorada enquanto os pais dela estão dormindo.

E, antes da finalização do álbum, o AC/DC veio pela primeira vez ao Brasil para tocar na primeira edição do Rock In Rio. Os australianos tocaram em duas noites do festival – nos dias 15 e 19 de janeiro de 1985 – para mais de 200 mil pessoas.

Apesar de não ser um trabalho tão aclamado, “Fly On The Wall” traz coisas boas, como a faixa-título, com o riff “angusyounguiano” e um vocal mais rasgado que o habitual de Brian Johnson, seguida das excelentes “Shake Your Foundations” e “First Blood” até chegar à ‘blueseira’ “Danger”, que antecede à clássica “Sink The Pink”. O disco continua com a pesada “Playing With The Girls”, acompanhada por “Stand Up”, que é bem conduzida pela bateria de Wright e um refrão fácil. E o play entra em reta final com três bons temas “Hell Or High Water”, “Back In Business” e “Send For The Man”.

Embora não seja um dos trabalhos mais aclamados do AC/DC, “Fly On The Wall” está longe de ser um disco ruim ou mediano. É um bom trabalho, mas não no mesmo patamar dos discos citados acima. Mas é melhor que o disco que o antecede, o “Flick Of The Switch” (1983) – vale lembrar que entre o lançamento desses dois discos, o AC/DC homenageou Bon Scott com o ótimo EP “’74 Jailbreak” (1984). Pode escutá-lo sem medo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Fly On The Wall
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de junho de 1985
Gravadora: Albert Productions / Atlantic Records
Produtores: Angus Young e Malcolm Young

Angus Young: guitarra solo
Brian Johnson: voz
Malcolm Young: guitarra-base e backing vocal
Cliff Williams: baixo e backing vocal
Simon Wright: bateria

1. Fly On The Wall (Young / Young / Johnson)
2. Shake Your Foundations (Young / Young / Johnson)
3. First Blood (Young / Young / Johnson)
4. Danger (Young / Young / Johnson)
5. Sink The Pink (Young / Young / Johnson)
6. Playing With Girls (Young / Young / Johnson)
7. Stand Up (Young / Young / Johnson)
8. Hell Or High Water (Young / Young / Johnson)
9. Back In Business (Young / Young / Johnson)
10. Send For The Man (Young / Young / Johnson)

Por Jorge Almeida

AC/DC: 15 anos de “Stiff Upper Lip”

"Stiff Upper Lip": o único registro do AC/DC produzido por George Young sem Harry Vanda
“Stiff Upper Lip”: o único registro do AC/DC produzido por George Young sem Harry Vanda

E, já que o assunto do texto anterior foi AC/DC, então, não custa nada relembrar os 15 anos de seu 15º álbum de estúdio, “Stiff Upper Lip”, lançado em 28 de fevereiro de 2000. Gravado entre setembro e outubro de 1999 no The Warehouse Studio, em Vancouver, Canadá, o play foi produzido por George Young, irmão da dupla Angus e Malcolm Young, que voltou a trabalhar com o grupo desde “Blow Up Your Video” (1988), mas sem Harry Vanda, com quem trabalhou nos clássicos álbuns do AC/DC nos anos 1970.

A volta de George se deu porque os caras, especialmente Malcolm, não ficaram satisfeitos com o trabalho do renomado Rick Rubin em “Ballbreaker” (1995). Embora tenha sido apontado por muitos como “o mesmo álbum do AC/DC”, “Stiff Upper Lip” tem algumas diferenças, como a pegada mais Rock and Roll e Blues, mas sem deixar a base Hard Rock, além dos inspirados solos e riffs dos irmãos Young.

O álbum abre com a boa faixa-título, que traz uma vaga lembrança de “Hard As A Rock”, enquanto a faixa seguinte, “Meltdown”, apresenta um aquele espírito rock and roll dos tempos de Bon Scott. O terceiro tema, “House Of Jazz”, tem uma excelente pegada. Seguidamente, “Hold Me Back” remete às canções da banda da segunda metade dos anos 1980.

No entanto, um dos destaques do play é a ótima “Safe In New York City”, que ganhou um videoclipe e foi um dos três singles de promoção do álbum (os outros dois foram “Stiff Upper Lip” e “Satellite Blues”). O clipe foi gravado em um túnel da cidade de Nova York e a sua letra ironiza o prefeito da época e sua política de segurança, o que levou o vídeo a ser temporariamente proibido de ser veiculado na mídia norte-americana.

Em “Can’t Stop Rock N’ Roll”, a banda atinge o seu ápice no disco. Um Hard Rock primoroso, principalmente por conta do trabalho das guitarras dos Young. Essa é uma daquelas que tem que escutar no último volume.

Enquanto isso, “Satellite Blues” parece ter saído diretamente do longínquo, mas glorioso, passado do AC/DC.

Além dessas, as outras faixas, embora não tenham as mesmas virtudes das citadas, não comprometem, que são os casos de “Can’t Stand Still“, “Damned“, “Come And Get It“, “All Screwed Up” e “Give It Up“.

O grupo recebeu certificado de platina nos Estados Unidos por vendas acima de um milhão de cópias. Além disso, alcançou o primeiro lugar das paradas na Alemanha, Áustria, Finlândia e Suécia; almejou o segundo lugar em Espanha, França e Suíça; terceiro lugar na Austrália; quinto lugar no Canadá e em Portugal; e sétimo lugar nos Estados Unidos, Noruega e Hungria.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Stiff Upper Lip
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de novembro de 2000
Gravadora: East West
Produtor: George Young

Angus Young: guitarra solo e backing vocal em “Hold Me Back
Brian Johnson: voz
Malcolm Young: guitarra base e backing vocal
Cliff Williams: baixo e backing vocal
Phil Rudd: bateria

1. Stiff Upper Lip (A. Young / M. Young)
2. Meltdown (A. Young / M. Young)
3. House Of Jazz (A. Young / M. Young)
4. Hold Me Back (A. Young / M. Young)
5. Safe In New York City (A. Young / M. Young)
6. Can’t Stand Still (A. Young / M. Young)
7. Can’t Stop Rock ‘N’ Roll (A. Young / M. Young)
8. Satellite Blues (A. Young / M. Young)
9. Damned (A. Young / M. Young)
10. Come And Get It (A. Young / M. Young)
11. All Screwed Up (A. Young / M. Young)
12. Give It Up (A. Young / M. Young)

Por Jorge Almeida

Analisando “Rock Or Bust”, do AC/DC

"Rock Or Bust": o primeiro trabalho do AC/DC sem Malcolm Young
“Rock Or Bust”: o primeiro trabalho do AC/DC sem Malcolm Young

Aproveitando que o post anterior foi referente ao rock, resolvi finalmente escrever sobre o último álbum do AC/DC, “Rock Or Bust”, 16º trabalho de estúdio da banda (17º no mercado australiano). Lançado em 28 de novembro de 2014 na Austrália e em 2 de dezembro em outros lugares, o play foi o primeiro trabalho da banda sem o membro-fundador Malcolm Young, guitarrista que precisou sair em virtude de problemas de saúde. Em seu lugar, entrou o sobrinho Stevie Young. É o primeiro disco de estúdio do quinteto australiano lançado em seis anos (o último até então fora “Black Ice”, em 2008).

Gravado entre maio e julho de 2014 no The Warehouse Studio, em Vancouver, no Canadá, a produção de “Rock Or Bust” leva a assinatura de Brendan O’Brien, que havia trabalhado com a banda no disco anterior, além de ter feito um dos backing vocals no álbum. E, com 11 temas em aproximadamente 35 minutos, o disco é mais curto da discografia do AC/DC, inclusive tem menos duração que “Flick Of The Switch” (1983), que tem dois minutos a mais.

O ano de 2014, de fato, foi o pior ano do AC/DC desde a morte de Bon Scott em 1980. Primeiro veio à tona os problemas de saúde de Malcolm, que diagnosticado Brian Johnson e Cliff Williams iniciaram as viagens promocionais de “Rock Or Bust”, além de terem respondido a perguntas sobre Malcolm, foram surpreendidos pela prisão de Phill Rudd, na Nova Zelândia. Embora tenha se atrasado em dez dias para gravar a sua sessão, o baterista chegou a tempo para gravar a sua parte (Brendan já estudava a possibilidade de colocar outro baterista para fazer a parte de Rudd). E, por conta dos problemas com a justiça neozelandesa, o baterista ficou fora das fotos promocionais do álbum e, pouco tempo depois, teve sua vaga preenchida por Chris Slade, baterista que passou pelo grupo entre 1989 e 1994.

Mas, voltando para o disco, “Rock Or Bust” pode até soar como “o mesmo disco com outra capa”, mas o diferencial é que as músicas estão mais simples e mais diretas, o que não diminui a qualidade do material. O característico está lá: o berro esganiçado de Brian Johnson, o estilo inconfundível da guitarra de Angus Young. E vale destacar que Stevie não comprometeu em nada ao substituir o tio.

Entre os destaques do álbum, vale mencionar “Play Ball”, o primeiro single, que foi sucesso comercial e chegou ao top 40 em vários países, como França e Suíça; “Rock The House” e “Baptism By Fire”. Já a faixa-título, com o seu refrão grudento, “Sweet Candy” e “Rock The Blues Away”, que lembra o estilo setentista da banda. Já “Miss Adventure” traz uma letra nos faz lembrar daquelas mulheres lindas dos filmes do “007”. Enquanto “Hard Times”, embora muitos pensem que faz referência ao período conturbado vivido pelos integrantes da banda, na verdade, é referente à época das “vacas magras” no começo da carreira, lá no início da década de 1970.

Rock Or Bust” alcançou ao primeiro lugar das paradas em 12 países, incluindo a Austrália, Canadá, Alemanha e Suécia. Ele alcançou o top 5 em outros 12, incluindo a Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Itália.

Sim, de fato, esse novo trabalho dos australianos pode parecer o mesmo, mas pouco importa. Afinal, não é todo mundo que pode ser um David Bowie e se dar bem em mudar de estilo. Há inúmeras bandas que tentaram fugir de suas características e quebraram a cara. Então, melhor deixar o AC/DC do jeito que tá, que eles façam o mesmo disco 15, 20 ou 50 vezes, não importa. Eles, assim como eram os Ramones e ainda é com o Motörhead, não precisam mudar seu estilo. Tá bom demais para quem só quer saber de curtir o bom e velho rock and roll e que torçamos para que os caras colem por aqui em mais uma turnê mundial.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Rock Or Bust
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 28 de novembro de 2014 (Austrália); 2 de dezembro de 2014 (resto do mundo)
Gravadora: Columbia
Produtor: Brendan O’Brien
Preço médio: R$ 30,00

Angus Young: guitarra solo e backing vocal
Brian Johnson: voz
Stevie Young: guitarra base
Phil Rudd: bateria
Cliff Williams: baixo e backing vocal

Brendan O’Brien: backing vocal

1. Rock Or Bust (A. Young / M. Young)
2. Play Ball (A. Young / M. Young)
3. Rock The Blues Away (A. Young / M. Young)
4. Miss Adventure (A. Young / M. Young)
5. Dogs Of War (A. Young / M. Young)
6. Got Some Rock & Roll Thunder (A. Young / M. Young)
7. Hard Times (A. Young / M. Young)
8. Baptism By Fire (A. Young / M. Young)
9. Rock The House (A. Young / M. Young)
10. Sweet Candy (A. Young / M. Young)
11. Emission Control (A. Young / M. Young)

Por Jorge Almeida

 

AC/DC: 30 anos do EP “’74 Jailbreak”

"'74 Jailbreak": EP lançado em 1984 para celebrar os 10 anos do AC/DC
“’74 Jailbreak”: EP lançado em 1984 para celebrar os 10 anos do AC/DC

Hoje, 15 de outubro, o EP “’74 Jailbreak”, do AC/DC, chega ao 30º aniversário de seu lançamento. Na verdade, trata-se de uma pequena copilação de cinco faixas que foram lançadas na versão australiana dos álbuns “High Voltage” (1975) e “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” (1976) e que, quase dez anos depois, foram editadas nesse EP em lançamentos realizados nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Brasil, entre outros países.

Produzido pela dupla Harry Vanda e George Young, o EP alcançou a posição 76 na Billboard 200. Na época de seu lançamento, em 1984, o AC/DC já contava com Brian Jonhson no lugar de Bon Scott. O disco foi lançado no intervalo entre os medianos “Flick Of The Switch” (1983) e “Fly On The Wall” (1985).

O objetivo do EP foi para celebrar os dez anos de carreira da banda e também uma forma de homenagear Bon Scott. E, conforme o título entrega, o registro traz temas da década de 1970, nos primórdios do grupo, e deixa bem nítido a influência do Blues na musicalidade dos, na época, principiantes integrantes.

O play abre com a clássica “Jailbreak”, lançada originalmente na versão australiana de “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”. Com um riff inspiradíssimo de Angus Young, a música trata-se de um autêntico clássico. Aqui no Brasil tem status de hino. Cadenciada e com um ritmo avassalante, a música fala de um amigo do interlocutor que foi condenado a 16 anos de prisão por ter assassinado com um tiro o amante de sua garota e que ele não iria passar o resto da vida ali.

Em seguida, aparece “You Ain’t Got A Hold On Me” que, assim como as restantes do EP, são oriundas do ‘debut’ australiano – “High Voltage” (1975). Nela, podemos notar um AC/DC afiadíssimo, com uma interpretação impecável de Bon Scott e um solo inspiradíssimo de Angus. Incrível.

O terceiro tema é “Show Business”, um excelente tema Hard Rock e que mescla a fúria do som dos irmãos Young e sua trupe com um rock clássico e inocente dos anos 1950. A temática é a mesma de “It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock And Roll)”.

O lado B do EP abre com “Soul Stripper” que, talvez, seja a melhor faixa de “’74 Jailbreak”. A música começa na boa, com a bateria e o baixo fazendo a base magistralmente enquanto Angus e Malcolm fazem estripulias nas guitarras. E a performance de Scott na música é considerada uma das melhores feitas por ele na condição de frontman do AC/DC. O cara estava inspiradíssimo.

E, para finalizar, em grande estilo, um excelente cover. Trata-se de “Baby, Please Don’t Go”, gravada originalmente na década de 1930 por Joe Williams. Um Blues agitado em que os irmãos Young se destacam na dobradinha das guitarras.

Hoje em dia, em meio aos mais modernos aparatos tecnológicos do mercado, inclusive o fonográfico, é evidente que dificilmente encontraremos esse EP nas prateleiras das lojas. Mas isso não é motivo de preocupação para quem ainda não tem esse excelente material do AC/DC. Pois em 2003, o EP foi lançado mundialmente em CD como parte da série “Remasters” de seus álbuns.

Esse material do AC/DC ajudou a popularizar a banda no Brasil. Pois, além de ter proporcionado os fãs tupiniquins a conhecerem, mesmo que tardiamente, o hino “Jailbreak”, os fãs ainda puderam ver de perto os australianos no ano seguinte na primeira edição do Rock In Rio.

Apesar de sua curta duração, um pouco menos de 30 minutos, esse EP vale muito a pena ser conferido, pois mostra um AC/DC sedento no auge da juventude de seus integrantes e traz uma copilação dos melhores momentos de Bon Scott à frente de uma das maiores bandas da história do Rock. Indispensável para o apreciador da boa música.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do EP.

Álbum: ’74 Jailbreak
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 15 de outubro de 1984
Gravadora: Atlantic
Produtores: Harry & Vanda

Bon Scott: voz
Angus Young: guitarra
Malcolm Young: guitarra e backing vocal
George Young: baixo
Peter Clack: bateria
Tony Currenti: bateria
Mark Evans: baixo em “Jailbreak
Phil Rudd: bateria em “Jailbreak

1. Jailbreak (Young / Young/ Scott)
2. You Ain’t Got A Hold On Me (Young / Young / Scott)
3. Show Business (Young / Young / Scott)
4. Soul Stripper (Young / Young / Scott)
5. Baby, Please Don’t Go (Williams)

Por Jorge Almeida