11º Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo apresenta edição de 2018 com artistas da França, Síria, Croácia, Brasil e Portugal

Cena de “Uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings”. Foto: Jorge Gonçalves

O FCD traz três solos de Vera Mantero, artista fundamental para a Nova Dança Portuguesa

A 11ª edição do FCD – Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo celebra, a partir do dia 12 até 29 de outubro de 2018, mais de uma década de festival. Serão 18 apresentações de 9 trabalhos de artistas da França, Síria, Croácia, Brasil e Portugal. As apresentações serão no SESC 24 de Maio e no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil. Esta edição tem o patrocínio do Banco do Brasil, apoio do SESC SP e do Institut Français Paris e Institut Français du Brésil.

O FCD sempre entendeu dança como arte que inventa mundos, modulando a cada gesto, a cada fala, corpos ampliados de possibilidades perceptivas. Para tanto, o espectador deve ter o direito de acesso a práticas que estimulam suas capacidades críticas, sensíveis, relacionais e criativas. Sem partilha e fricção no encontro, não há dança.

Em tempos cada vez mais sombrios e opacos, o FCD apresenta em 2018 trabalhos com forte teor crítico que se defrontam com mundos em ruínas e especulam sobre futuros que podem ser inventados. São artistas de diversos países que compartilham a precariedade encarnada em seus corpos e investigam possibilidades de resistência e reinvenção para tantas formas de vida que estão desabando a golpes de mercado.

Nas suas 10 edições anteriores, o FCD ocupou teatros públicos e ruas no centro antigo de São Paulo, onde uma enorme população habita em condições precárias, ocupando prédios em ruínas ou as próprias ruas. Na busca da democratização do acesso à cultura, o festival congregou públicos diversos oferecendo atividades gratuitas.

Programação

O FCD tem início dia 12 de outubro no CCBB SP com a apresentação de Partituur, de Ivana Muller (Croácia/França), primeiro projeto da coreógrafa feito para crianças. Partituur (‘partitura musical’ em holandês), é um jogo coreográfico para participantes a partir dos 7 anos, interativo, onde não há espectadores e intérpretes no termo clássico da palavra, essa fronteira é radicalmente desafiada e todos os papéis mudam constantemente. Durante o Partituur, todos recebem fones de ouvido com declarações e sugestões para ajudar na criação do programa. Os participantes também têm tempo para observar os outros, posicionar-se, jogar a favor ou contra as regras. Nesse sentido, a coreografia toma forma dependendo das escolhas, reações e posições que cada partituurista toma. Dessa amálgama nasce uma dança com propostas e ideias individuais e coletivas que não se parece com nenhuma outra. Dessa forma, Partituur lança, discretamente, as bases de uma reflexão sobre o imaginário coletivo das crianças. Brincalhão e poético, oferece a cada um a chance de pensar sobre seu relacionamento consigo mesmo e com os outros.

E este ano o Festival Contemporâneo de dança traz uma programação especial focada na obra de Vera Mantero, artista fundamental para a Nova Dança Portuguesa. A artista vem ao Brasil com três solos: Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois (1991), uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings* (1996) e Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional (2012). Mantero é uma artista que procurou, desde a sua primeira criação, romper com as convenções da dança moderna. Formou-se em dança clássica, dançou no Ballet Gulbenkian, estudou em Nova Iorque e Paris, pesquisou dança contemporânea, voz e teatro. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa e já mostrou o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.

Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois, uma criação de 1991, tem um lugar importante no percurso coreográfico de Vera Mantero. É um trabalho que já percorreu mais de duas décadas e que, singularmente, continua vivo e a ser apresentado. Foi com este solo que a autora encontrou parte da sua identidade em termos de movimento, na forma de estar em cena, nos instrumentos e elementos que utiliza para criar e atuar: um corpo que não descura os gestos, as mãos, o rosto, as expressões, que as inclui porque sabe que estes elementos fazem absolutamente parte do corpo-gente. Um corpo que tenta constantemente agarrar aquilo que o atravessa, que tenta expor isso mesmo através das respostas de um corpo vibrátil, que embate contra o tempo-cadência. Um corpo que produz por vezes uma quase-fala, em sons que parecem querer ganhar contornos de palavras, em lábios que articulam palavras inaudíveis. Por que aconteceu isto a este corpo?

Em uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings* estreou em janeiro 1996 para a Homenagem a Josephine Baker uma iniciativa da Culturgest em Lisboa. Na sua visão da vida e da obra de Josephine Baker, Vera Mantero optou, nesse solo, por uma abordagem que vai para além do que se conhece da artista negra que, nos anos 20, atuava frequentemente nua ou envolta em penas de avestruz, popularizando adornos como contas, colares, pulseiras e franjas. Baker foi uma das personagens mais extraordinárias do século XX — dançarina, cantora, ativista, espiã, condecorada por Charles De Gaulle, mãe adotiva de 12 crianças de diferentes etnias, quatro casamentos e incontáveis casos. Para o programa do espetáculo, Mantero escreveu à época: “(…) Este espírito de que falo não tem vontade nenhuma de anular o corpo, nem vergonha nenhuma do seu desejo e do seu sexo, o que este espírito de que falo tem vontade de anular é a boçalidade, a assustadora burrice, a profunda ignorância, a pobreza de horizontes, o materialismo, etc. etc. (infelizmente a lista tem ar de ser longa…)”. Josephine Baker, nome artístico de Freda Josephine McDonald, foi uma célebre cantora e dançarina norte-americana, naturalizada francesa em 1937, e conhecida pelos apelidos de Vênus Negra, Pérola Negra e Deusa Crioula.

Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional é um trabalho de 2012 e foi elaborado no âmbito do Festival Encontros do Devir, em torno da desertificação/desumanização da Serra do Caldeirão, no Algarve, Portugal. Cruzando as suas próprias gravações em vídeo com trechos de filmes de Michel Giacometti, sobretudo imagens em torno de canções de trabalho, Vera Mantero lança um forte olhar sobre práticas de vida tradicionais e rurais em geral, e conhecimentos de culturas orais. Toda a peça é povoada de vozes que vêm de longe. Silêncio. A serra. Vera canta para os poucos serrenhos que permanecem. Mas não é só de música que se trata, é também da palavra e da terra; a palavra de Artaud em combustão, a palavra de Prévert martelado em jeito de poesia sonora, a palavra estranhamente familiar de Eduardo Viveiros de Castro. Com este “retrato alargado” dos Serrenhos do Caldeirão, Vera Mantero fala-nos de povos que possuem uma sabedoria na ligação entre corpo e espírito, entre quotidiano e arte. Uma sabedoria que podemos reativar.

Mithkal Alzghair é um coreógrafo sírio exilado na França e traz ao FCD seu Displacement, criado a partir de pesquisas sobre o patrimônio das tradições culturais sírias, a fisicalidade, o transe e a dinâmica das repetições. Com Displacement, Alzghair questiona o seu legado em um contexto de exílio: “A necessidade deste trabalho está relacionada com a forma como é transmitida a questão do deslocamento e da migração, da violência, dos massacres, dos conflitos e das revoluções no Médio Oriente. O meu objetivo é definir a identidade do corpo sírio, o património reconhecido, vivido e construído. (…) Através da dança, tento compreender as fontes das quais emanam as danças tradicionais, o processo de impregnação e contágio em que são construídas, tendo como base a realidade social e política que contribui para a concretização deste trabalho: a herança militar, a ditadura, os regimes autoritários, a revolução, a guerra e o deslocamento”, explica o coreógrafo.

Mithkal Alzghair é uma raridade, cuja obra está entre as sensibilidades contemporâneas europeias e suas raízes levantinas. Alzghair usa a dança do Oriente Médio chamada dabke como base da peça, a princípio sozinho, pisando ritmicamente em botas pesadas e depois como um trio. Mas a dança não mantém seu senso usual de celebração, ao invés disso Alzghair se apresenta rigidamente, olhos ocos e sem piscar. Poderia ser uma dança de desespero, uma tentativa de recordar um passado diferente ou manter um senso de identidade, e quando os três homens se movem em uníssono, o efeito é quase militar. Tudo aqui é ambíguo, como o tropo recorrente de dançarinos com os braços erguidos acima de suas cabeças, ao mesmo tempo uma jogada de dança, um pedido de ajuda e um gesto de rendição. Há, no entanto, menos ambiguidade na visão de um corpo caído no chão, com as mãos contidas atrás das costas, uma lembrança do que pode acontecer àqueles que não podem controlar ou mudar seu próprio contexto. Deslocamento é uma peça gritante, executada principalmente em silêncio, e suas imagens perduram na memória. Lyndsey Winship, Go London. Julho, 2017

Vania Vaneau, brasileira residente na França, apresenta Blanc, uma investigação sobre transe e transformação, um trabalho entre performance, concerto e dança. O solo de Vania Vaneau – acompanhada por Simon Dijoud no contrabaixo – está enraizado nas origens brasileiras do coreógrafo e no seu encontro com a cultura europeia. Com base em pesquisas sobre os rituais de transe xamânicos e afro-brasileiros, o trabalho do artista tropicalista Hélio Oiticica e o chamado movimento antropofágico, Blanc questiona a exposição do corpo ao fluxo de culturas, histórias, energia e emoções que o atravessam. Com este jogo com toques de carnaval, Vania Vaneau leva o jogo de disfarce com a ajuda de trajes coloridos para implantar no espaço as diferentes camadas de que o homem é adornado como muitas peles e máscaras.

Em 2014, Vaneau criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 criou Ornement com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni, que também está programado nessa edição do FCD. Ornement vai para as áreas de fronteira de dentro e de fora, visibilidade e sigilo, matéria e memória. Nos corpos porosos de Vania Vaneau e Anna Massoni, as linhas divisórias são borradas, perdendo-se e abrindo espaço para uma coreografia de transformação. Em constante mudança, a expressão física entre a cristalização e a liquefação torna-se um material de estados mutáveis ​​da matéria. Para essa criação, Vaneau conta que “[se concentraram] na possibilidade de uma dança conter diferentes níveis de intensidade dramática. (…) Uma continuidade entre realidade e ficção, dentro e fora, orgânico e figurativo, usamos nossos ossos, músculos, imaginação, emoções, o som e as luzes como um todo de substâncias visíveis e invisíveis. Interagindo e transformando nossos corpos como paisagens em movimento, desdobrando camadas potenciais e revelando ‘ruínas-gestos’, os restos de uma narrativa, procuramos produzir visões de um drama muito antigo.“

Leandro de Souza é formado em dança e é mestre em Artes da Cena pela Unicamp, Campinas e estudou no programa SMASH em Berlim. Nessa edição do FCD traz ao palco Sismos e Volts, um corpo movido por tremores, desequilíbrios e colisões. A partir de três acionamentos, tremores, giros e desequilíbrios, desdobrados e redimensionados corporal, imagético, temporal e espacialmente, o artista explora, por meio do trânsito entre eles, os caminhos pelos quais tem forjado seus movimentos, gestos e corporalidades. Em Sismos e Volts, o corpo se torna uma espécie de sismógrafo. O trabalho trata de forças que movem, atravessam, alimentam, exaurem, desejam e coreografam. Expõe um corpo que, mais do que se move, é movido. Propõe o fim da ideia de um eu autônomo que se constrói por si próprio, estando sempre em relação, negociando os termos de sua existência. Uma descarga elétrica, amplificação e transmutação de formas e energias.

Nina Santes (França) traz Self Made Man, um entrelaçamento de movimento, fala, canto e a implantação da cenografia em tempo real. O palco é como um canteiro de obras aberto, onde tudo é feito à vista, as construções e as desconstruções. Para ela, “o palco [é] um local para um possível artesanato, como uma oficina de fabricação exposta. Um espaço em branco dedicado ao fazer, regido por um espírito autodidata, prático e intuitivo”. Nina Santes fez sua estreia no palco como marionetista e há vestígios dela nesse trabalho que considera o corpo do intérprete – o seu – como tema de todas as metamorfoses e experimentos, um corpo que trabalha, dança, canta, fala, observa, constrói seu espaço. Self Made Man é sobre (se) construir. (Des) construir. (Re) construir. Nina mostra a prática concreta do palco, o artifício da máquina, sem tirar nada da magia contemplativa do espetáculo, o poder da imaginação. O Self Made Man pode, portanto, ser visto como a exploração da feliz e sempre renovada possibilidade de autoconstrução, como um canteiro de obras para um corpo indeterminado que ressoa em um espaço-tempo infinito, uma criação que dá substância à construção da masculinidade e à possibilidade de se reinventar para o infinito, além de qualquer forma de determinismo.

Ações Pedagógicas

Além das apresentações, o FCD propõe uma série de ações voltadas à formação e à qualificação artística que potencializam diferentes formas de diálogo. No CRD (Centro de Referência da Dança) serão realizadas quatro oficinas de criação com Vera Mantero, Nina Santes, Mithkal Alzghair e Vania Vaneau relacionadas aos trabalhos apresentados, viabilizando uma aproximação às proposições, aos processos e às práticas dos artistas convidados.

Helena Katz, crítica de dança por 40 anos nos principais jornais de São Paulo, professora e cocriadora da teoria Corpomídia, realizará uma conversa pública com Vera Mantero.

Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio, orientados por T. Angel, especialista em modificação corporal, performer e profissional da educação, entrevistam Nina Santes e Leandro de Souza.

Sonia Sobral, gestora cultural e curadora nas áreas de dança e teatro, gerente durante 17 anos do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, participará de uma conversa pública com Mithkal Alzghair.

PROGRAMAÇÃO

“Partituur” | Ivana Muller (Croácia/França)
12 e 13 de outubro, sexta e sábado, às 17h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 30 minutos | Livre
Ivana Müller é coreógrafa, artista e autora de textos. Através de seu trabalho coreográfico e teatral (performances, instalações, textos, vídeo-palestras, peças de áudio, visitas guiadas e web-works) repensa a política do espetáculo e do espetacular, revisita o lugar do imaginário e da imaginação, questiona a noção de “participação”, investiga a ideia de valor e sua representação, e continua inspirando-se na relação entre artista e espectador. Müller recebeu diversos prêmios internacionais por sua obra, e seus trabalhos têm sido apresentados na Europa, EUA e Ásia. Estudou Literatura Comparada e Francês na Universidade de Zagreb, Coreografia e Dança na SNDO em Amsterdã e Artes na Hochschule der Künste em Berlim.
Ficha técnica: concepção: Ivana Müller em colaboração com Jefta van Dinther, Sarah van Lamsweerde e Martin Kaffarnik I desenho do figurino do monstro: Liza Witte I coordenadores de performance: Albane Aubry ou Sarah van Lamsweerde I técnicos em turnê: Martin Kaffarnik ou Ludovic Rivière ou Jérémie Sananes I produção: I’M’COMPANY (Matthieu Bajolet & Gerco de Vroeg) I coprodução: Tweetakt Festival (Utrecht NL), Performing Arts Fund (NL), Ménagerie de Verre (Paris), rede Labaye, APAP, DRAC Ile-de-France/Ministério da Cultura e Comunicação da França I apoio institucional: Institut Français Paris, Institut Français du Brésil e do Consulado Geral da França em São Paulo

https://vimeo.com/35532640 | https://youtu.be/DWqyvPH2zyI (teaser)

“Blanc” | Vania Vaneau (Brasil/França)
14 e 15 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 14 anos (contém cenas de nudez)
Vania Vaneau é graduada na escola P.A.R.T.S (Bruxelas). Em 2005 recebeu a bolsa do programa Danceweb/Impulstanz em Viena, Áustria. Graduada em psicologia na Université Paris 8, realiza formação em Body Mind Centering. Como intérprete, participou de criações e apresentações de peças de Wim Vandekeybus (em 2004), Maguy Marin (de 2005 a 2012), David Zambrano (em 2013), Yoann Bourgeois (de 2014 a 2017), Christian Rizzo (a partir de 2016), entre outros. Vaneau codirige a Cia. Arrangement Provisoire com o artista Jordi Gali em Lyon, França. Em 2014 criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 Ornement, com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni.
Ficha técnica: concepção e interpretação: Vania Vaneau I realização musical: Simon Dijoud I colaboração: Jordi Galí I iluminação: Johann Maheut I produção: Cie. Arrangement Provisoire I coprodução: CCNR- Yuval Pick, Ramdam (St.Foy-les-Lyon) I apoio: Les Subsistances (Lyon), L’Animal à la Esquena (Gerone, ES), CDC Le Pacifique (Grenoble) I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Ornement” | Vania Vaneau e Anna Massoni (Brasil/França)
18 e 19 de outubro, quinta e sexta às 21h.
SESC 24 de Maio | 40 minutos | 12 anos.
Vania Vaneau é graduada na escola P.A.R.T.S (Bruxelas). Em 2005 recebeu a bolsa do programa Danceweb/Impulstanz em Viena, Áustria. Graduada em psicologia na Université Paris 8, realiza formação em Body Mind Centering. Como intérprete, participou de criações e apresentações de peças de Wim Vandekeybus (em 2004), Maguy Marin (de 2005 a 2012), David Zambrano (em 2013), Yoann Bourgeois (de 2014 a 2017), Christian Rizzo (a partir de 2016), entre outros. Vaneau codirige a Cia. Arrangement Provisoire com o artista Jordi Gali em Lyon, França. Em 2014 criou Blanc, acompanhada do guitarrista Simon Dijoud, e em 2016 Ornement, com a dançarina e coreógrafa Anna Massoni.
Anna Massoni estudou dança contemporânea no Conservatório Nacional de Lyon (CNSMD). Em 2007, recebeu uma bolsa de estudos da Danceweb/Impulstanz de Viena. Trabalhou com Johanne Saunier e Jim Clayburgh em Bruxelas, e com a The Guests Company/Yuval Pick em Lyon. De 2011 a 2014, ingressou no Centre Chorégraphique National de Rillieux-la-Pape, sob a direção de Yuval Pick. Atualmente trabalha com Noé Soulier e também realiza o seu próprio trabalho coreográfico em colaboração com outros artistas. Formou-se em filosofia em 2010 na Universidade de Toulouse. Criou o Lieues, um espaço de pesquisa artística em Lyon, e Rodéo, uma revista multidisciplinar com outros artistas.
Ficha técnica: coreografia e dança: Vania Vaneau e Anna Massoni I luz: Angela Massoni I música: Denis Mariotte I colaboração na cenografia: Jordi Galí e Angela Massoni I colaboração: Jordi Galí, Vincent Weber, Simone Truong I produção executiva: Arrangement Provisoire I coprodução: Paris Réseau Danse (Atelier de Paris, Théâtre de l’Étoile du Nord, Studio Le Regard du Cygne, Micadanses) I apoio: Fondation Beaumarchais-SACD, Le Pacifique – CDC Grenoble, Le Vivat Scène Conventionnée (Armentières), Le Point Ephémère (Paris), Micadanses (Paris), L’échangeur – CDC Picardie, Le Gymnase – CDC Roubaix, CCN de Grenoble, Les Subsistances (Lyon), Lieues (Lyon) I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” e “uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings” | Vera Mantero (Portugal)
19 e 20 de outubro, sexta e sábado às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 12 anos.
Vera Mantero integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Em Nova York e Paris, estudou dança contemporânea, voz e teatro. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura. Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004, com Comer o Coração, criado em parceria com Rui Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o Prêmio Almada (IPAE/Ministério da Cultura Português) e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.
Ficha técnica “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois”: concepção e interpretação: Vera Mantero I cenografia: André Lepecki I desenho de luz: João Paulo Xavier I música: ’Ruby, My Dear’ de Thelonious Monk I adaptação e operação de luzes: Hugo Coelho I figurino: Vera Mantero I produção: Pós d’Arte, 1991 I itinerância: O Rumo do Fumo I apoio financeiro: Instituto da Juventude I outros apoios: Companhia de Dança de Lisboa
Ficha técnica “uma misteriosa Coisa, disse e.e. cummings”: concepção e interpretação: Vera Mantero I caracterização: Alda Salavisa (desenho original de Carlota Lagido) I adereços: Teresa Montalvão I luzes: João Paulo Xavier I adaptação e operação de luzes: Hugo Coelho I produção executiva: Forum Dança I itinerância: O Rumo do Fumo I apoio: Casa da Juventude de Almada, Re.al / Amascultura I produção: Culturgest, Lisboa, 1996 / “Homenagem a Josephine Baker”

“Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional”
Vera Mantero (Portugal)
21 e 22 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 40 minutos | 14 anos (contém cenas de nudez).
Ficha técnica: concepção e interpretação: Vera Mantero I desenho de luz: Hugo Coelho I captura de imagens e elaboração de roteiro para o vídeo: Vera Mantero I edição de vídeo: Hugo Coelho I excertos vídeo da Filmografia Completa de Michel Giacometti Salir (Serra do Caldeirão), Cava da Manta (Coimbra), Dornelas (Coimbra), Teixoso (Covilhã), Manhouce (Viseu), Córdova de S. Pedro Paus (Viseu) e Portimão (Algarve) I excertos de textos de Antonin Artaud, Eduardo Viveiros de Castro, Jacques Prévert e Vera Mantero I residências artísticas: Centro de Experimentação Artística – Lugar Comum, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Câmara Municipal de Oeiras e DeVIR, CaPA, Faro I coprodução: DeVIR,CaPA I produção: O Rumo do Fumo I agradecimento: Editora Tradisom I Este projecto foi uma encomenda dos Encontros do DeVIR da DeVIR, CaPA, Faro.

“Displacement”  | Mithkal Alzghair (Síria/França)
24 e 25 de outubro, quarta e quinta às 21h.
SESC 24 de Maio | 40 minutos | 12 anos.
Mithkal Alzghair é coreógrafo e bailarino. Estudou na Síria no Higher Institute of Dramatic Art em Damasco e na França no Centre Chorégraphique National de Montpellier. Trabalhou com diversos coreógrafos, tendo colaborado com a companhia italiana In-Occula, para o projeto europeu CRACK. Criou Displacement em março de 2016, onde questiona o seu legado em um contexto de exílio. O espetáculo venceu o primeiro prêmio na competição internacional Danse Élargie, uma organização do Thêatre de la Ville de Paris e do Musée de la Danse – CCN de Rennes et de Bretagne.
Ficha técnica: coreografia : Mithkal Alzghair I interpretação: Rami Farah, Shamil Taskin, Mithkal Alzghair I colaboração na dramaturgia:  Thibaut Kaiser I desenho de luz: Séverine Rième I coprodução:  Godsbanen – Aarhus (Dinamarca), Musée de la Danse – CCN de Rennes et de Bretagne, The Foundation AFAC, Les Treize Arches – Scène Conventionnée de Brive I apoio: Centre National de la Danse – Pantin (França), Studio Le Regard du Cygne, Thêatre Louis Aragon, Scène Conventionnée Danse de Tremblay-en-France I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

“Sismos e Volts” | Leandro de Souza (Brasil)
Datas: 26 e 27 de outubro, sexta e sábado às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 30 minutos | 12 anos.
Leandro de Souza é formado em dança e é mestre em Artes da Cena pela Unicamp, Campinas. Estudou no programa SMASH em Berlim. Nos últimos anos tem se engajado na investigação de “Sismos e Volts”, em residências artísticas no CRD em São Paulo e na 4a e 6a edição da Plataforma Exercícios Compartilhados. Trabalhou com o Núcleo Entretanto, dirigido por Wellington Duarte e com a E² Cia de Teatro e Dança, com direção de Eliana de Santana. Participou do encontro intensivo com a artista portuguesa Vera Mantero, no Ateliê de Dudude Herrmann em Minas Gerais (2013). Criou o solo “Nunca Mais Bom Crioulo” (2010), a partir da obra “Bom Crioulo” do escritor Adolfo Caminha, apresentado no Festival Internacional de Arte Fronteras em Santiago (Chile) e no Sesc Pompeia em São Paulo (2011).
Ficha técnica: concepção e performance: Leandro de Souza I criação e operação de som: Thiago Sala | criação e luz: Eduardo Albergaria I coprodução: Plataforma Exercícios Compartilhados, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) I apoio: Centro de Referência da Dança da cidade de São Paulo (CRDSP) e Instituto de Artes da Universidade de Campinas (UNICAMP)

“Self Made Man” | Nina Santes (França)
Datas: 28 e 29 de outubro, domingo às 18h e segunda às 20h.
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil | 50 minutos | 12 anos.
Nina Santes começou sua carreira como marionetista. Fez formação em Artes Cênicas na Universidade de Paris. Em 2006, participou da Coline Formation integrando trabalhos coreográficos de Odile Duboc, Jean-Claude Galotta e Michel Kéléménis. Participou como intérprete de criações de Mylène Benoit, Myriam Gourfink, Catherine Contour, Pascal Rambert, Kevin John Normand Olivier, Laurence Pages, Hélène Cathala, Perrine Valli, Eleonore Didier e Philippe Grandrieux. Em 2010 e 2011, colaborou no projeto Transform, programa de investigação coreográfica, dirigido por Myriam Gourfink.  Criou DESASTRE com o compositor Kasper Toeplitz. Em 2013, o solo Self Made Man. Em 2015, um dueto com o coreógrafo Daniel Linehan. Em 2016, em colaboração com Célia Gondol, criou a peça A leaf, far and ever. Em 2018, Hymen hymne, projeto para cinco intérpretes. Nina Santes busca constantemente novas colaborações, entrelaçando formas artísticas, incorporando artes visuais, música e moda à sua dança.
Ficha técnica: concepção, performance: Nina Santes I cenografia: Célia Gondol I desenho de luz: Annie Leuridan I consultor musical: Thomas Terrien I consultores de trabalho vocal: Olivier Normand, Jean-Baptiste Veyret-Logerias I colaboração: Kevin Jean, Mylène Benoit I produção: La Fronde I coprodução: L’échangeur CDC Picardie, Théâtre de Vanves I suporte: CDC – Picardie, CDC – Toulouse, Micadanses, CND – Pantin , Onda, DRAC Ile-de-France, Arcadi – difusão, Spedidam I apoio institucional: Instituto Francês Brasil – Consulado Geral da França em São Paulo e Instituto Francês Paris – Programa 2018

Ações Pedagógicas
OFICINAS DE CRIAÇÃO:
CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo
Vania Vaneau | 11 de outubro, quinta, das 10h às 17h
Vera Mantero | 18 de outubro, quinta, das 14h às 17h
Mithkal Alzghair | 23 de outubro, terça, das 10h às 14h
Nina Santes | 29 de outubro, segunda, das 10h às 17h

CONVERSAS:
Helena Katz e Vera Mantero | CCBB
21 de outubro, domingo, às 18h (após apresentação)
Sonia Sobral e Mithkal Alzghair | SESC 24 de Maio
24 de outubro, quarta, às 21h (após apresentação)
Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio e T. Angel com Leandro de Souza | CCBB
26 de outubro, sexta, às 20h (após apresentação)
Estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio e T. Angel com Nina Santes | CCBB
29 de outubro, segunda, às 20h (após apresentação)

Ficha Técnica
Direção Artística: Adriana Grechi
Direção Geral: Amaury Cacciacarro Filho
Cocuradoria Internacional: Rui Silveira
Direção de Produção: Gabi Gonçalves
Direção Administrativa: Alba Roque
Coordenação Técnica: Luana Gouveia
Assistência Técnica: Cauê Gouveia
Desenho Gráfico e Vídeo: Pedro Ivo
Web Designer: Rui Silveira
Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Edição de Textos: Lucía Yáñez
Tradução: Renata Aspesi
Fotografia: Jônia Guimarães
Produção: Corpo Rastreado
Patrocínio: Governo Federal e Banco do Brasil
Apoio: SESC, Institut Français Paris, Institut Français du Brésil e do Consulado Geral da França em São Paulo, Fundação Gulbenkian Governo de Portugal
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e SESC 24 de Maio

Espaços
CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 15,00
* gratuito para clientes do Banco do Brasil
Assessoria de Imprensa CCBB São Paulo
Leonardo Guarniero: leoguarniero@bb.com.br
Tel.: (11) 4298-1279

SESC 24 de Maio
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo – SP
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública) e R$ 9,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciados no Sesc e dependentes).

CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo
Baixos do Viaduto do Chá s/n (antiga Escola de Bailado) – Centro, São Paulo – SP

Assessoria de Imprensa:
Com Canal Aberto | Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 / 9 9126 0425
marcia@canalaberto.com.br| daniele@canalaberto.com.br

Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto

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