Analisando “Live At River Plate”, do AC/DC

Capa do último CD ao vivo do AC/DC: cita River Plate e logo traz as cores do Boca Juniors. Coincidência
Capa do último CD ao vivo do AC/DC: cita River Plate e logo traz as cores do Boca Juniors. Coincidência

E depois de um hiato de 20 anos, os australianos do AC/DC lançaram no último dia 19 de novembro o CD duplo ao vivo intitulado “Live At River Plate”, gravado no dia 4 de dezembro de 2009 no Estádio Monumental de Núñez, do River Plate, em Buenos Aires, Argentina. A banda anunciou no dia 13 de setembro passado em seu site oficial o lançamento do álbum.

Curiosamente, o DVD e Blu-ray que levam o mesmo nome do disco foram lançados antes, em maio de 2011 e foi dirigido por David Mallet e reúne partes de apresentações que Angus Young e sua trupe fizeram nas três datas reservadas na capital argentina: 2, 4 e 6 de dezembro, que tiveram os todos os ingressos esgotados nos três dias de espetáculo, levando no total aproximadamente 200 mil fãs ensandecidos.

Na ocasião, o AC/DC estava com a “Black Ice World Tour” a todo vapor pelas arenas do mundo afora promovendo o, então, álbum novo que dava nome à turnê. E, assim como no último trabalho de estúdio, a capa “Live At River Plate” apresenta três versões com as cores do logo da banda diferentes (a minha é azul), mas com uma imagem de um endiabrado Angus Young à frente fazendo os tradicionais “chifrinhos”.

O repertório foi exatamente o mesmo do show que fizeram em São Paulo dias antes, em 27 de novembro. O espetáculo começou com a exibição de um desenho animado no telão com integrantes do AC/DC em um trem desgovernado, até que após uma explosão no palco surgiram no palco Angus Young (guitarra solo), Brian Johnson (vocal), Malcolm Young (guitarra base), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria) já detonando com o, na época, seu mais novo hit: “Rock And Roll Train”, que já recebeu status de ‘clássico’, depois disso, só uma avalanche de hinos do rock: “Hell Ain’t a Bad Place To Be”, a viciante e nunca enjoativa “Back In Black”, “Big Jack” (outra faixa de “Black Ice”), “Dirty Deeds Done Dirt Chip”, do homônimo álbum de 1976, “Shot Down In Flames”, “Thunderstruck”, e, evidentemente, que a faixa-título do trabalho de 2008 não poderia ficar de fora; “Black Ice”, que ratifica que o álbum foi um dos melhores lançamentos do rock nos anos 2000.

Para dar uma “maneirada” no show (afinal, todos eles já são senhores que passaram dos 50 anos), veio uma pitada de blues, a cadenciada “The Jack”, com o mais que tradicional strip de Angus Young. Em seguida, Brian Johnson deu um pique da plataforma, que tinha saída do meio do palco em direção à plateia, para se pendurar na corda do imenso sino que surgiu no palco e anunciou “Hells Bells”, que encerra o CD 1.

Na sequência, mais “pedradas”: “Shoot To Thrill”, “War Machine” (a última do disco novo). Aliás, no show foi comprovado que as faixas de “Black Ice” ao vivo funcionam muito bem. E mais clássicos: “Dog Eat Dog”, “You Shook Me All Night Long”, “TNT”, e uma das melhores da banda (pelo menos para mim): “Whole Lotta Rosie”, acompanhada pela imensa boneca inflável com lingerie, ou seja, a Rosie, a garota gorda boa de cama, que inspirou o antecessor de Brian Johnson (Bon Scott).

O concerto se aproximava do fim, então, mais petardos: “Let There Be Rock”, que foi prolongada em função de um grande solo de Angus Young, “Highway To Hell” e, para finalizar em grande estilo, “For Those About To Rock (We Salute You)” e seus tiros de canhão. Inesquecível.

Na época do show, lamentei o fato do Brasil ter tido apenas uma data, enquanto os ‘hermanos’ tiveram três. Mas após assistir o DVD e escutar o CD, justifica-se tudo: a sintonia entre público e banda foi de impressionar. Pelo menos nisso, eles – os argentinos – estão de parabéns. Diferentemente de seus compatriotas que deram vexame na final da última Copa Sulamericana, quando o Tigre perdeu para o São Paulo por 2 a 0 e se recusaram a voltar pra campo no segundo tempo.

Se você não tem o DVD ou não teve a oportunidade de ver a uma das melhores bandas de rock do mundo, compre-o. Caso você não curta o formato audiovisual, pois pensa que nem o meu amigo Rudner Bueno – “não curto DVD porque show de rock não é para se assistir sentado” -, adquira o CD para escutar no carro ou incomodar aquele vizinho(a) que te importuna com seu gosto musical questionável.

Caso já tenha o DVD desse espetáculo, ótimo. Aconselho a comprar o CD também, pois é bom ouvi-lo no talo em casa ou no carro.

Para corinthianos e xeneizes, pelo menos uma coisa boa relacionada ao River Plate para comprar.

A seguir, a ficha técnica do CD e o tracklist.

Álbum: Live At River Plate
Intérprete: AC/DC
Lançamento: 19 de novembro de 2012
Gravadora: Columbia
Produtor: Mike Fraser

CD 1:
1. Rock ‘N’ Roll Train (Young / Young)
2. Hell Ain’t a Bad Place To Be (Scott / Young / Young)
3. Back In Black (Johnson / Young / Young)
4. Big Jack (Young / Young)
5. Dirt Deeds Done Dirt Cheap (Scott / Young / Young)
6. Shot Down In Flames (Scott / Young / Young)
7. Thunderstruck (Young / Young)
8. Black Ice (Young / Young)
9. The Jack (Scott / Young / Young)
10. Hells Bells (Johnson / Young / Young)

CD 2:
1. Shoot To Thrill (Johnson / Young / Young)
2. War Machine (Young / Young)
3. Dog Eat Dog (Scott / Young / Young)
4. You Shook Me All Night Long (Johnson / Young / Young)
5. T.N.T. (Scott / Young / Young)
6. Whole Lotta Rosie (Scott / Young / Young)
7. Let There Be Rock (Scott / Young / Young)
8. Highway To Hell (Scott / Young / Young)
9. For Those About To Rock (Johnson / Young / Young)

Por Jorge Almeida

Exposição “Planos de Fuga – Uma Exposição em Obras” no CCBB

Cortina: obra de Cristiano Rennó que ocupa o vão central do CCBB. Foto: Jorge Almeida
Cortina: obra de Cristiano Rennó que ocupa o vão central do CCBB. Foto: Jorge Almeida

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta até o próximo dia 6 de janeiro a mostra “Planos de Fuga – Uma Exposição em Obras”, que exibe onze trabalhos em site specific que abordam a relação entre a arquitetura e a cidade.

Cinco trabalhos foram criados exclusivamente para ocupar os espaços do edifício, além de outras três inéditas foram criadas para gerar uma espécie de “núcleo histórico” e, ainda, três artistas foram convidados para recriar suas obras cujos sentidos são ativados no CCBB.

E mais: o Mauro Restifle ficou incumbido de documentar em um livro para registrar o processo de feitura da exposição para ser lançado ao longo da mostra.

Cabe ressaltar que o termo “site specific” foi criado nos anos 1960 como um contexto de renovação artística em que o espaço expositivo faça parte da obra, ou seja, mesmo não sendo um material “palpável”, ele pode ser redesenhado. Várias técnicas podem ser utilizadas na criação do site specific: fotografia, vídeo, pintura, instalação, etc.

Na mostra, entre os destaques estão “São Paulo Através do Carro” (1975/2012), série fotográfica composta por oito imagens de Claudia Adujar; “Geografia do Lastro ou Riqueza dos Outros” (2012), de Sara Ramo, que ocupa o subsolo da instituição e lembra muito uma mina abandonada; e “Cortina” (foto), uma intervenção com faixas de plástico vermelho e amarelo, de Cristiano Rennó. As faixas estão penduradas no terceiro andar e vão até o térreo através do vão central.

SERVIÇO:
Exposição: Planos de Fuga – Uma Exposição em Obras
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Quando: até 06/01/2013; de terça a domingo, das 10h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Klumb: a Corte e o Brasil” na Caixa Cultural

Crédito: Arquivo Histórico, Museu Imperial de Petrópolis
Crédito: Arquivo Histórico, Museu Imperial de Petrópolis

A Caixa Cultural promove até o próximo dia 6 de janeiro a exposição “Klumb: a Corte e o Brasil”, que apresenta cerca de 50 obras, entre fotografias, uma litografia e estereocópias do alemão Revert Henry Klumb, que retratou o cotidiano da família imperial em meados do século XIX.

As peças da mostra fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e do Museu Imperial de Petrópolis. A coleção de imagens deixada por Klum jamais foram expostas em conjunto até então.

Chamam atenção os registros feitos pelo fotógrafo alemão para a Imperatriz Teresa Cristina Maria e Dom Pedro I, além da “Vista Geral de Petrópolis, com destaque para o Palácio Imperial”, de 1866 (vide imagem acima).

SERVIÇO:
Exposição: Klumb: a Corte e o Brasil
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 06/01/2013; de terça a domingo, das 9h às 21h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição sobre os irmãos João e Arthur Timótheo da Costa no Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil apresenta até o dia 2 de junho de 2013 a exposição “Os Dois Irmãos: João e Arthur Timótheo da Costa” para celebrar os seus oito anos de fundação. A mostra exibe mais de 50 obras, além de reproduções fotográficas dos irmãos Arthur Timótheo da Costa (1882-1922) e João Timótheo da Costa (1879-1932), ambos nascidos no Rio de Janeiro no final do século XIX.

A pretensão da exposição também é destacar a importância histórica e cultural dos dois pintores negros que, segundo o curador Emanoel Araujo, seriam os primeiros artistas modernos do Brasil se não fosse a morte prematura de ambos.

Para o crítico José Roberto Teixeira Leite, João Timótheo se destacou pelos desenhos de nus masculinos e retratos de modo geral, enquanto Arthur Timótheo pela tendência pré-modernista.

Em meio aos destaques estão “Contemplação” (1922), de Arthur Timótheo da Costa; e “Auscultuando” (1920), de João Timótheo da Costa.

SERVIÇO:
Exposição:
Os Dois Irmãos: João e Arthur Timótheo da Costa
Onde: Museu Afro Brasil – Parque do Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – portão 10 – Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Quando: até 02/06/2013; de terça a domingo, das 10h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “Quando a Palheta é a Alma do Artista” no Espaço Cultural Citi

Algumas esculturas da série "Totem Emblemático", de César Romero. Foto: Jorge Almeida
Algumas esculturas da série “Totem Emblemático”, de César Romero. Foto: Jorge Almeida

O Espaço Cultural Citi realiza até o próximo dia 4 de janeiro a exposição “Quando a Palheta é a Alma do Artista”, que reúne 27 obras do artista César Romero, cujas características em suas pinturas são a fluidez e a continuidade.

São 17 pinturas da série “Faixa Emblemática” e dez esculturas em médias dimensões intituladas “Totem Emblemático”.

As esculturas foram apresentadas pelo artista pela primeira vez em São Paulo e são constituídas por blocos de madeira maciça e texturizações no corpo da escultura em papel amassado.

César Romero tem como característica notória em sua produção a capacidade de incrementar elementos da religiosidade e criatividade popular, e transformá-los em partitura pictórica erudita.

SERVIÇO:
Exposição: Quando a Palheta é a Alma do Artista
Onde: Espaço Cultural Citi – Avenida Paulista, 1111 – Cerqueira César
Quando: até 04/01/2013; de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição “São Paulo, Um Olhar de Imigrantes” na Pinacoteca do Estado

A exposição “São Paulo, Um Olhar de Imigrantes” está em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo até o próximo dia 30 de dezembro. Na mostra, são exibidas cerca de 40 obras, entre fotografias, pinturas, desenhos e gravuras, datadas entre 1893 e 1980.

Os trabalhos mostram a cidade de São Paulo sob o olhar de artistas imigrantes que chegaram à capital paulista desde o início do século XIX. Entre os participantes estão os italianos Ottone Zorlini e Mick Carniceli, os japoneses Massao Okinaka, Takeshi Suzuki e Tomoo Handa, entre outros.

Entre os destaques, por exemplo, estão uma foto do Estádio do Pacaembu, registrado na década de 1940 pelo húngaro Thomas Farkas, e um óleo sobre tela do japonês Takeshi Suzuki intitulada “Viaduto Santo Antônio”, de 1951.

Ao visitar a mostra, o público consegue identificar a evolução da cidade de São Paulo através dessas obras.

SERVIÇO:
Exposição: São Paulo, Um Olhar de Imigrantes
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 02
Quando: até 14/10/2012; de terça a domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (estudantes e professores da rede privada); entrada gratuita para alunos e professores da rede pública (em excursão escolar); pessoas menores de 10 e maiores de 60 anos, a entrada é gratuita e para o público em geral, o acesso e gratuito aos sábados. O ingresso também dá direito à visitação à Estação Pinacoteca

Por Jorge Almeida

Analisando “A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes”, de Altair Almeida

"A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes" é o segundo livro publicado pelo paulistano Altair Almeida
“A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes” é o segundo livro publicado pelo paulistano Altair Almeida

Com experiência de mais de 20 anos à área de projetos e negócios da área de tecnologia, sempre ocupando cargos de liderança, o paulistano Altair Almeida tem como uma de suas paixões a literatura. Então, essa paixão o motivou a criar um blog para escrever suas poesias, contos e crônicas. E foi através de sua página, que a editora curitibana Protexto o procurou para transformar o conteúdo do blog em livro.

Lançado em 2011, “A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes”, o segundo livro de Altair, ganhou elogios da crítica de veículos como a Revista Bravo, que avaliou o autor como “Uma grata revelação da nova literatura brasileira” e da Folha de São Paulo: “Sensibilidade e simplicidade em uma leitura envolvente”, conforme consta no convite do lançamento e seção de autógrafos do livro.

Bom, a obra é dividida em quatro partes – “Poemas”, “Contos”, “Crônicas” e “Memórias de Viagem” – distribuídos em 274 páginas.

E, conforme destacou a crítica da Folha, concordo, de fato, a leitura do livro é envolvente, principalmente, as crônicas e as memórias de viagem, pois você, certamente, já passara por situação semelhante ao que o autor escreveu, como uma paixão da adolescência, a infância nas ruas de seu bairro, assim como já ficou refletindo ao ver cenas do cotidiano.

Outro ponto interessante do livro, é que o leitor aprende mais sobre o budismo (a religião do autor). E, além disso, Altair Almeida, de uma forma sutil, dá umas ‘cornetadas’ sobre os fatos do cotidiano de uma certa cidade – quem o conhece sabe qual localidade que ele se refere em suas ‘alfinetadas’.

Contudo, em “A Batalha das Feras…” há algumas falhas. Vamos a elas:

1 – Por falta de uma revisão mais minuciosa por parte do autor, o livro apresentou muitas palavras com erros de digitação e de acentuação também (algumas apresentavam acentos onde não devia, como “sómente” e “desistí”, entre outras, ou faltavam os tais acentos, como “tambem” e “ironico”, por exemplo), além de uma falta ou excesso de vírgulas em alguns pontos;

2 – Há diversos advérbios terminados em “…mente” com acento agudo do adjetivo do qual eles derivam, o que é incorreto. Por exemplo, palavras como “rapidamente”, no livro, apresenta o inexistente acento agudo na primeira sílaba. Ou seja, o adjetivo rápido tem acento, mas o seu advérbio (rapidamente) não. Outros exemplos: sério (adjetivo, existe acento); seriamente (advérbio, não);

3 – Como foi dito no início, a obra tem quatro capítulos, porém, não há índice que indica em que página começa tais partes;

4 – Não sei se foi erro na diagramação, mas em uma das “memórias de viagem”, para ser mais direto, a última, ela se repete: começa na página 232 e termina na metade da 240. A partir da segunda metade da página 240 até a 248, a “Memórias de Viagem: “Ângelo Bortolo” e o encontro com Preta” aparece novamente. Para adiantar o teu lado: quando terminar de ler o segundo parágrafo da página 240, vá direto para a 249.

Apesar dessas modestas observações, recomendo o livro. Para quem gosta de literatura, é uma obra assaz aprazível.

Segue abaixo a ficha técnica do livro.

Livro: A Batalha das Feras e dos Pálidos Infantes
Autor: Altair Almeida
Lançamento: 2011
Editora: Protexto
Páginas: 274
Preço médio: R$ 53,00

Por Jorge Almeida