Black Sabbath: 40 anos de “Sabbath Bloody Sabbath”

Sabbath Bloody Sabbath: elogiado pela crítica por ter pitadas de elementos progressivos em sua essência
Sabbath Bloody Sabbath: elogiado pela crítica por ter pitadas de elementos progressivos em sua essência

Já que estamos encerrando a primeira semana de dezembro, gostaria de destacar sobre os 40 anos do quinto álbum de estúdio do Black Sabbath, o clássico “Sabbath Bloody Sabbath”, que completou 40 anos de seu lançamento no último dia 1º.

Depois de quatro trabalhos que foram severamente criticados pela Rolling Stone, finalmente um disco da banda foi aclamado pela revista norte-americana. E isso trouxe um impacto positivo para o grupo. Talvez, um dos fatores que tenha feito a crítica fazer elogios ao álbum foi a atmosfera incorporada de elementos que caracterizam o rock progressivo nas canções, como teclados e sintetizadores, que já apareciam, embora com menos intensidade, no disco anterior, o “Vol. 4”. Aliás, não é à toa que há a presença de Rick Wakeman, do Yes, na gravação do álbum com o pseudônimo de “Spock Wall”.

Na época, houve inúmeros fatos que ocorreram na banda, como os problemas sérios com as drogas, em especial, Ozzy e Ward. Aliás, o baterista fez uso de LSD por mais de dois anos após a saída do vocalista da banda.

O Black Sabbath voltou para Los Angeles disposto a gravar o trabalho sucessor de “Vol. 4”. Assim, foram para o Record Plant Studios com um novo produtor: o engenheiro Tom Allom, com o empresário do grupo, Patrick Meehan, creditado como co-produtor do álbum.

O Black Sabbath, porém, descobriu que o quarto que eles haviam usado no Record Plant foi substituído por um “sintetizador gigante” de Stevie Wonder, que gravara por lá anteriormente. Dessa forma, os rapazes de Birmingham alugaram uma casa em Bel Air, em Los Angeles, para começar a escrever as letras para o trabalho que estaria por vir. Porém, em função do abuso de drogas, não tiveram capacidade em finalizar as músicas. Era algo como todos à espera de Tony Iommi com alguma coisa para criar, mas o guitarrista não conseguia pensar em nada e, assim, ninguém fazia nada.

Depois de um mês, sem resultados, em Los Angeles, a banda decidiu voltar para a Inglaterra e alugou o Clearwell Castle, na Floresta de Dean, região do condado de Gloucestershire, que serviu de inspiração para os membros do Black Sabbath, pois, por lá apareceram fantasmas, duendes, gnomos, poltergeist e outros fenômenos sobrenaturais, segundo os integrantes da banda. E após uma série de ensaios, Iommi criou o riff de “Sabbbath Bloody Sabbath”, e, assim, as músicas começaram a emergir.

As gravações foram concluídas no Morgan Studios, em Willesden, norte de Londres, em setembro de 1973.

Na época das gravações, amigos próximos da banda apareceram no estúdio, como o pessoal do Led Zeppelin. Dizem que John Bonham queria tocar “Sabbra Cadabra”, mas os caras do Sabbath não queria outro material que não fosse o seu próprio para a gravação. Nessa visita, as duas bandas teriam feito uma jam session improvisada que foi gravada, mas que (infelizmente) nunca foi lançada.

Para as novas canções, foram incorporados teclados, sintetizadores, flautas, cordas, arranjos mais complexos e até um sintetizador Moog foi utilizado por Ozzy Osbourne, que não sabia como usar o instrumento. Iommi até tentou utilizar gaitas de foles nos estúdio, mas não teve habilidade suficiente para manuseá-los.

Rick Wakemann, que participou das gravações nas faixas “Sabbra Cadabra” e “Who Are You?”, recusou receber um pagamento por parte da banda, pois preferiu ser recompensado com cervejas pela sua contribuição.

O disco alcançou o quarto lugar nos charts britânicos e na 11ª colocação nas paradas norte-americanas.

A turnê começou em janeiro de 1974 e culminou com uma memorável apresentação no festival California Jam, em 6 de abril de 1974, ao lado de bandas como Emerson, Lake & Palmer, Eagles, Earth, Wind & Fire, Deep Purple, entre outros, diante de 250 mil pessoas.

Além das músicas, outro destaque de “Sabbath Bloody Sabbath” é a sua capa, criada por Drew Struzan, que também assina a capa de “Welcome To My Nightmares” (1975), de Alice Cooper. Para o álbum, sob a direção de Ernie Cefalu, o ilustrador retratou um homem deitado na cama, supostamente tendo um pesadelo, sendo atacado por demônios em forma humana. No alto da cama, há uma caveira com braços longos estendidos e o número 666 (não vou explicar sobre esse número, afinal todo mundo sabe o seu significado) acima de sua cabeça.

O álbum abre com a clássica faixa-título. Uma incrível canção de Heavy Metal capitaneada pelo poderoso riff do mestre Iommi e os berros de Ozzy. Na sequência temos “A National Acrobat”, que mescla Blues e Heavy Metal, e traz uma pegada e senso melódico e harmônico. O terceiro tema é a instrumental “Fluff”, que Tony Iommi fez em homenagem ao disc-jockey (DJ) da BBC, Allan “Fluff” Freeman (morto em 2006, aos 79 anos), que foi um dos poucos profissionais de rádio da Grã-Bretanha que tocava músicas da banda. E o lado A do vinil de “Sabbath Bloody Sabbath” chega ao fim com “Sabbra Cadabra”, um Heavy-Rock com pitadas de progressivo (lembrem-se que Rick Wakeman participou da gravação dela!). Anos depois, o Metallica a regravou em seu “Garage.Inc” (1998).

E o lado B do disco teve como faixa de abertura da excelente “Killing Yourself To Live”, escrita por Geezer Butler enquanto ele estava internado no hospital devido a problemas nos rins ocasionados pelo consumo excessivo de álcool. O Black Sabbath deixou bem nítido o lado experimental de suas canções no trabalho em “Who Are You?”, que traz a letra mais assombrosa do álbum. Grande tema. A penúltima faixa é “Looking For Today”, que teve Tony Iommi tocando flauta. E, para finalizar, a ótima “Spiral Architect”, que começa com uma dedilhada no violão e depois vai ganhando “corpo”, com passagens eruditas e arranjos feitos por Will Malone. A música nunca havia sido tocada ao vivo pela banda até o lançamento do álbum “Reunion”, em 1998.

Inclusive, a versão em CD, de 1986, lançada pela Castle Communications traz uma versão ao vivo de “Cornucopia” como faixa bônus.

Particularmente, esse trabalho faz parte do meu “top 5” de toda a discografia do Black Sabbath. Asseguro “Sabbath Bloody Sabbath” é um dos melhores trabalhos do rock bretão.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabbath Bloody Sabbath
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 1º de dezembro de 1973
Gravadora: Vertigo / Warner Bros. (EUA/Canadá) / Castle Communications
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz e sintetizadores
Tony Iommi: guitarra, violão, sintetizadores, flauta, órgão, piano, espineta e cravo
Geezer Butler: baixo, sintetizadores e mellotron
Bill Ward: bateria, tímpanos e bongos em “Sabbath Bloody Sabbath

Will Malone: maestro e arranjos em “Spiral Architect
Rick Wakeman: piano e mini moog em “Sabbra Cadabra” e “Who Are You?

1. Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)
2. A National Acrobat (Black Sabbath)
3. Fluff (instrumental) (Black Sabbath)
4. Sabbra Cadabra (Black Sabbath)
5. KillingYourself To Live (Black Sabbath)
6. Who Are You? (Black Sabbath)
7. Looking For Today (Black Sabbath)
8. Spiral Architect (Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ DOMINGO: 30ª Bienal de São Paulo no Pavilhão da Bienal

Relação dos cartazes das 30 edições da Bienal de São Paulo. Foto: Jorge Almeida
Relação dos cartazes das 30 edições da Bienal de São Paulo. Foto: Jorge Almeida

O Pavilhão da Bienal apresenta até o próximo domingo, 8 de dezembro, a exposição “30 x Bienal – Transformações na Arte Brasileira da 1ª à 30ª Edição”, que reúne cerca de 250 obras de 108 artistas brasileiros e tem como intuito fazer um panorama da presença nacional na mais relevante mostra de artes visuais da América Latina.

De acordo com Paulo Venâncio Filho, que faz a curadoria da mostra, a Bienal de São Paulo foi a primeira a surgir em um país do Hemisfério Sul, em 1951, e partir de então, acendeu uma dinâmica local particular.

Ainda, segundo o curador, a exposição “busca apresentar as transformações da arte brasileira que ocorreram nas trinta edições”, e passa pela arte abstrata, pelo experimentalismo, a arte pop e as práticas contemporâneas.

Entre as obras expostas, há trabalhos de artistas como Claudia Andujar, Hélio Oiticica, José Leonilson, Lygia Clark, Wesley Duke Lee, Tatiana Blass, Regina Silveira, Geraldo de Barros e outros mais.

Além das obras, integram a mostra os cartazes das 30 edições das bienais (foto) e os registros documentais e fotográficos do Arquivo Histórico Wanda Svevo.

SERVIÇO:
Exposição: 30 x Bienal – Transformações na Arte Brasileira da 1ª à 30ª Edição
Onde: Pavilhão da Bienal – Parque do Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3
Quando: até 08/12/2013; terça, quinta, sábado e domingo, das 9h às 19h; quarta e sexta-feira, das 9h às 22h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Santa Cruz, campeão brasileiro da Série C 2013

Jogadores do Santa Cruz comemoram o gol feito por Flávio Caça-Rato (o terceiro da esquerda para a direita) diante do Sampaio Corrêa. Foto: Aldo Carneiro/PE Press
Jogadores do Santa Cruz comemoram o gol feito por Flávio Caça-Rato (o terceiro da esquerda para a direita) diante do Sampaio Corrêa. Foto: Aldo Carneiro/PE Press

O Santa Cruz Futebol Clube é o campeão do Campeonato Brasileiro da Série C 2013. Com gols de Dedé e Flávio Caça-Rato, o time pernambucano superou o Sampaio Corrêa por 2 a 1 (Cleitinho descontou para a equipe maranhense) no Estádio do Arruda, em Recife, na tarde deste domingo (1º) e ergueu a sua primeira taça nacional em quase 100 anos de história.

A partida começou equilibrada, mas, aos poucos, o Santa Cruz começou a se impor diante do Sampaio Corrêa e passou a ter as principais ações no primeiro tempo. Porém, os visitantes levaram perigo com as bolas alçadas na área. E, assim, os anfitriões abriram o placar aos 33 com Dedé. Em um contra-ataque, Luciano Sorriso chutou forte da intermediária, Rodrigo Ramos espalmou e, na sobra, Dedé anotou o primeiro gol da decisão. E o tricolor pernambucano quase anotou o segundo tento quatro minutos depois após cobrança de escanteio e Sorriso cabeceou para a fácil defesa do arqueiro adversário.

E a etapa complementar nem começara direito e a Cobra Coral ampliou o placar com ele, Flávio Caça-Rato, aos 30 segundos. O CR7 do Arruda foi acionado por Dedé pelo meio, a zaga maranhense não cortou e o atacante, mesmo não acertando a bola “em cheio”, finalizou o suficiente para tirar do alcance de Rodrigo Ramos. O gol fez com que a equipe da casa diminuísse o ritmo da partida. A partir de então, passou a trocar passes sem pressa. Enquanto isso, os dois times finalizavam sem levar perigo a nenhum dos goleiros. Mas, aos 34 minutos, Raylan (que entrou no lugar de Robinho) passou para Cleitinho que chutou no canto para descontar e trazer o Sampaio Corrêa de volta para o jogo. Contudo, a Bolívia Querida pressionou, mas não criou. Dessa forma, o Tri-Super Campeão de Pernambuco conquistou pela primeira vez em sua história um título de âmbito nacional.

O Santa Cruz fez prevalecer o mando de campo e foi superior ao Sampaio Corrêa durante toda a partida. Embora as bolas aéreas da equipe maranhense levavam perigo à meta de Thiago Cardoso. Porém, os gols feitos por Dedé e, principalmente, o tento de Flávio Caça-Rato no comecinho do segundo tempo contribuíram bastante para que a Cobra Coral administrasse a vantagem. Enquanto isso, o Sampaio Corrêa até esboçou uma reação ao descontar aos 34, mas não pecou na criatividade e praticamente não ameaçou o adversário, que foi à espera do apito final para comemorar o título.

Além de Santa Cruz e Sampaio Corrêa, Vila Nova (GO) e Luverdense (MT) disputarão o Campeonato Brasileiro da Série B em 2014. E, curiosamente, enquanto o Estado de Pernambuco terá dois representantes na Segundona, Náutico (que foi rebaixado na Série A) e Santa Cruz no ano que vem, os goianos terão um representante em cada divisão: Goiás (na Série A), Vila Nova (na B) e Atlético Goianiense, que caiu da segunda para a terceira divisão.

A seguir, a campanha do campeão e a ficha técnica da decisão.

1ª fase – Grupo A:
02/06/2013 – Santa Cruz (PE) 2×0 Luverdense (MT) – Arruda, Recife (PE)
09/06/2013 – CRB (AL) 2×1 Santa Cruz (PE) – Rei Pelé, Maceió (AL)
07/07/2013 – Santa Cruz (PE) 1×0 Cuiabá (MT) – Arruda, Recife (PE)
13/07/2013 – Santa Cruz (PE) 2×1 Fortaleza (CE) – Arruda, Recife (PE)
21/07/2013 – Águia (PA) 1×1 Santa Cruz (PE) – Zinho Oliveira, Marabá (PA)
28/07/2013 – Santa Cruz 0x2 Baraúnas (RN) – Arruda, Recife (PE)
03/08/2013 – Sampaio Corrêa (MA) 3×0 Santa Cruz (PE) – Castelão, São Luís (MA)
07/08/2013 – Brasiliense (DF) 0x0 Santa Cruz (PE) – Elmo Serejo Freitas – Taguatinga (DF)
10/08/2013 – Santa Cruz (PE) 6×0 Treze (PB) – Arruda, Recife (PE)
18/08/2013 – Luverdense (MT) 3×1 Santa Cruz (PE) – Passo das Emas – Lucas do Rio Verde (MT)
24/08/2013 – Santa Cruz (PE) 0x0 CRB (AL) – Arruda, Recife (PE)
1º/09/2013 – Cuiabá (MT) 1×3 Santa Cruz (PE) – Presidente Dutra, Cuiabá (MT)
08/09/2013 – Fortaleza (CE) 2×0 Santa Cruz (PE) – Presidente Vargas, Fortaleza (CE)
15/09/2013 – Santa Cruz (PE) 3×2 Águia (PA) – Arruda, Recife (PE)
22/09/2013 – Baraúnas (RN) 1×3 Santa Cruz (PE) – Nazarenão, Goianinha (RN)
29/09/2013 – Santa Cruz (PE) 0x0 Sampaio Corrêa (MA) – Arruda, Recife (PE)
06/10/2013 – Santa Cruz (PE) 2×0 Brasiliense (DF) – Arruda, Recife (PE)
13/10/2013 – Treze (PB) 1×0 Santa Cruz (PE) – Presidente Vargas, Campina Grande (PB)
31/07/2013 – Santa Cruz (PE) 4×0 Rio Branco (AC) – Arruda, Recife (PE)
03/10/2013 – Rio Branco (AC) 0x2 Santa Cruz (PE) – Florestão, Rio Branco (AC)
Quartas-de-final:
27/10/2013 – Betim (MG) 0x1 Santa Cruz (PE) – Arena dos Calçados, Nova Serrana (MG)
03/11/2013 – Santa Cruz (PE) 2×1 Betim (MG) – Arruda, Recife (PE)
Semifinais:
10/11/2013 – Luverdense (MT) 0x2 Santa Cruz (PE) – Passo das Emas, Lucas do Rio Verde (MT)
17/11/2013 – Santa Cruz (PE) 2×0 Luverdense (MT) – Arruda, Recife (PE)
Finais:
24/11/2013 – Sampaio Corrêa (MA) 0x0 Santa Cruz (PE) – Castelão, São Luís (MA)
1º/12/2013 – Santa Cruz (PE) 2×1 Sampaio Corrêa (MA) – Arruda, Recife (PE)

FICHA TÉCNICA: SANTA CRUZ (PE) 2×1 SAMPAIO CORRÊA (MA)
Competição/fase: jogo de volta da final do Campeonato Brasileiro da Série C 2013
Local: Estádio José do Rêgo Maciel (Arruda), Recife (PE)
Data: 1º de dezembro de 2013, 17h (horário de Brasília)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Assistentes: Vicente Romano Neto (SP) e Neuza Inês Back (SP)
Gols: Dedé, aos 33 minutos do 1º tempo e Flávio Caça-Rato, aos 30 segundos do 2º tempo; Cleitinho, aos 34 minutos do 2º tempo
Cartões Amarelos: Renatinho (Santa Cruz); Mimica, Leandro Kivel e Lucas (Sampaio Corrêa)
SANTA CRUZ (PE): 1.Thiago Cardoso; 2.Oziel, 3.Everton Sena, 4.Renan Fonseca e 6.Tiago Costa (15.Panda), 5.Sandro Manoel, 8.Luciano Sorriso (18.Léo Bartholo), 7.Dedé e 11.Renatinho; 10.Natan e 20.Flávio Caça-Rato (19.Siloé). Técnico: Vica
SAMPAIO CORRÊA (MA): 1.Rodrigo Ramos; 2.Tote, 4.Mimica, 3.Robinho (17.Rayllan) e 6.Airton; 7.Arlindo Maracanã, 5.Jonas, 10.Cleitinho, 8.Eloir e 11.Lucas (20.Edgar); 9.Leandro Kivel (19.Junior Chicão). Técnico: Flávio Araújo

Parabéns ao Santa Cruz Futebol Clube pelo título e ao Sampaio Corrêa Futebol Clube pela boa campanha e também pelo acesso à Série B.

Por Jorge Almeida

Exposição “Gomide – Um Modernista Entre Paris e São Paulo” na Caixa Cultural

A Caixa Cultural realiza até o próximo domingo, 8 de dezembro, a mostra “Gomide – Um Modernista Entra Paris e São Paulo”, que apresenta aproximadamente 50 obras do artista modernista Antonio Gomide (1895-1967).

A mostra traz aquarelas, gravuras e desenhos produzidos pelo artista entre as décadas de 1920 e 1960, no Brasil e na Europa, além de estudos para obras posteriores, que nunca foram expostos, cedidos especialmente pela família de Gomide. Há três vitrines com esses estudos, esboços e catálogos.

Antonio Gomide mudou-se com a família para a Europa, mais precisamente para a Suíça, no início dos anos 1910. Na década seguinte migrou-se para a França, onde viveu em Tolouse e Paris. E foi na capital francesa que o artista teve o contato com os movimentos de vanguarda.

A sua produção é caracterizada fundamentalmente por essa experiência parisiense. Na ocasião, Antonio Gomide teve a chance de conviver com Tarsila do Amaral e Victor Brecheret, importantes modernistas brasileiros.

Em meio aos destaques estão: “Nu Feminino” (1962), crayon sobre papel; “Seresia” (1954), aquarela sobre papel; e o “Cardápio do Hotel Terminus”, de 1939.

SERVIÇO:
Exposição: Gomide – Um Modernista Entre Paris e São Paulo
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 08/12/2013; de terça a domingo, das 9h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição de obras de Paulo Almeida e Renata Egreja no MAB FAAP – Centro

O Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB-FAAP) apresenta em sua unidade no Edifício Lutetia, no Centro, uma exposição que apresenta trabalhos dos artistas Paulo Almeida e Renata Egreja (ambos ex-alunos da FAAP) elaborados a partir de uma residência artística realizada na Índia. A mostra faz parte do “Programa de Residência Artística FAAP/M.R.E. Itamaraty, na Índia” e está em cartaz até o próximo dia 7 de dezembro.

São cerca de 60 obras entre pinturas e desenhos em diferentes formatos, além de cadernos de anotações, documentos, fotografias, esboços, tecidos, objetos e outros itens que fazem referências à cultura indiana.

As telas de Paulo Almeida, de diferentes tamanhos e formatos, são divididas em quatro séries: “From India”, “Take Off Your Shoes”, “The Museums In Indian Style” e “Reflecting India”. Enquanto Renata Egreja exibe 12 obras, entre pinturas em acrílica sobre tela e aquarelas.

Os trabalhos de ambos traduzem a experiência que os artistas tiveram (e conviveram) com a arte e a vida indiana.

Essas experiências vividas por Paulo e Renata na Índia foi possível devido ao Programa de Residência Artística no Exterior, realizado pelo Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores em parceria com a FAAP.

Entre as principais atrações da mostra estão “O tempo é só o tempo” (2013), uma acrílica sobre tela; um terço budista com sementes de sândalo, uma máscara indiana proveniente do estado de Maharasshtra, além das obras “Tate Liverpool in Indian Style” e “New Museum in Indian Style”.

SERVIÇO:
Programa de Residência Artística FAAP/M.R.E. na Índia: Paulo Almeida e Renata Egreja
Onde: Museu de Arte Brasileira da FAAP – Centro – Edifício Lutetia – Praça do Patriarca, 78 – Centro
Quando: até 07/12/2013; de terça a sábado, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Motörhead: 20 anos de “Bastards”

"Bastards": um dos dois trabalhos do Motörhead com a lineup Lemmy/Campbell/Würzel/Mikkey Dee
“Bastards”: um dos dois trabalhos do Motörhead com a lineup Lemmy/Campbell/Würzel/Mikkey Dee

O álbum “Bastards”, do Motörhead, completa hoje, 29 de novembro, 20 anos de seu lançamento. O trabalho é o 11º registro de estúdio feito por Lemmy Kilmister e companhia e foi lançado por um pequeno selo germânico (ZYX) após desentendimentos com a gigante Sony. Contudo, o disco teve pouca repercussão, assim como os trabalhos posteriores da década de 1990.

Gravado no A&M Studios e no Prime Time Studios, “Bastards” foi o primeiro registro de estúdio gravado inteiramente com Mikkey Dee na bateria e foi um dos dois trabalhos com a lineup composta por Lemmy Kilmister (voz e baixo), Phil Campbell e Würzel nas guitarras e Mikkey Dee na bateria. O outro álbum gravado com essa formação foi o “Sacrifice”, de 1995. Antes disso, o baterista havia tocado no “’92 Tour EP”, um EP que reúne quatro temas, e na faixa “Hellraiser”, do álbum “March Ör Die” (1992).

Após a saída de Phil “Animal” Taylor, em 1992, por conta de suas advertências e pelo péssimo desempenho em “I Ain’t No Nice Guy”, o Motörhead estava à procura de um baterista para seguir adiante. Então, Lemmy havia conhecido Mikkey Dee dos tempos em que o baterista estava no King Diamond na época em que excursionavam com o Motörhead e fez o convite a Dee, que havia recuado em função de seus compromissos com o King Diamond. Algum tempo depois, Dee estava disponível e se encontrou com a banda para fazer uma experiência em tocar com Lemmy e cia. Depois de gravarem “Hellraiser” e “Hell On Earth” no estúdio, estava formada a nova lineup do Motörhead. O primeiro compromisso de Mikkey Dee com o grupo foi em 30 de agosto de 1992 no Sataroga Performing Arts Center (SPAC), em Nova York. A nova formação, posteriormente, saiu em turnê fazendo shows com Ozzy Osbourne, Skew Siskin e Exodus. Em 27 de novembro, o Motörhead tocou com o Metallica e Guns ‘N’ Roses no Coliseum, em Los Angeles. Depois veio a excursão pela Argentina e pelo Brasil em outubro daquele ano. Em dezembro, realizaram a “Bombers And Eagles Tour” ao lado do Saxon pela Europa.

E após a maratona de shows, o Motörhead foi para os estúdios com Mikkey já totalmente adaptado à banda para gravar “Bastards”. O produtor escolhido foi Howard Benson, que já trabalhou com a banda em outras oportunidades posteriores.

O single do disco foi “Don’t Let Daddy Kiss Me”, que incluiu a canção “Born To Raise Hell”, que também apareceu no álbum e que mais tarde foi regravada com os vocais do rapper Ice-T e de Whitfield Crane (frontman do Ugly Kid Joe) e lançada como single em novembro de 1994. Aliás, essa versão aparece na trilha sonora do filme “Airheads” (no Brasil, “Os Cabeças-de-Vento”).

E após o sucesso comercial obtido com “1916” (1991) e “March Ör Die” (1992), com “Bastards”, o Motörhead voltou às suas raízes, com o seu som alto e rápido. Com os temas variados, como por exemplo, crítica social (“On Your Feet Or On Your Knees”), caos total (“Burner”), guerra (“Death Or Glory” e “I’m The Sword”) e pedofilia (“Don’t Let Daddy Kiss Me”).

A capa do álbum foi assinada por Joe Petagno, artista de longa data que elabora as capas dos álbuns de Motörhead. Em entrevista feita para o DVD “Inferno 30th Anniversary”, ele revelou que o disco originalmente se chamaria “Devils”, que é uma das faixas do álbum, e, por isso, já havia elaborado a capa para refletir este título quando o nome foi alterado. Além disso, Petagno disse que o projeto feito para “Bastards” era uma “resposta a ‘March Ör Die’”, que, segundo ele, é “horrível pra caralho”. Depois de fazer o desenho, ele o enviou para o fã-clube da banda, o Motörheadbangers. Eles gostaram tanto que utilizaram na capa da revista do fã-clube. E quando Lemmy viu, aprovou o resultando e, assim, “Devils” virou “Bastards”.

Vale destacar que, em 2001, o disco foi lançado pela Steamhammer e traz como faixa bônus um cover dos Rolling Stones – “Jumpin’ Jack Flash”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Bastards
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 29 de novembro de 1993
Gravadora: ZYX (1993) / Steamhammer (2001)
Produtor: Howard Benson

Lemmy Kilmister: voz e baixo
Phil “Wizzö” Campbell: guitarras
Würzel: guitarras
Mikkey Dee: bateria

Howard Benson: teclados

1. On Your Feet Or On Your Knees (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
2. Burner (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
3. Death Or Glory (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
4. I’m The Sword (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
5. Born To Raise Hell (Kilmister)
6. Don’t Let Daddy Kiss Me (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
7. Bad Woman (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
8. Liar (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
9. Lost In The Ozone (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
10. I’m Your Man (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
11. We Bring The Shake (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
12. Devils (Kilmister / Campbell / Würzel / Dee)
Faixa bônus:
13. Jumpin’ Jack Flash (Jagger / Richards)

Por Jorge Almeida

Flamengo, campeão da Copa do Brasil 2013

Jogadores do Flamengo posam para a foto antes da partida que rendeu o título da Copa do Brasil. Foto:  Foto: Flaimagem/Flamengo/Divulgação
Jogadores do Flamengo posam para a foto antes da partida que rendeu o título da Copa do Brasil. Foto: Foto: Flaimagem/Flamengo/Divulgação

O Clube de Regatas Flamengo conquistou pela terceira vez em sua história a Copa do Brasil ao bater o Atlético Paranaense por 2 a 0 na segunda partida da final da competição nacional disputada na noite desta quarta-feira (27) no Estádio do Maracanã. Com gols de Elias e Hernane, o rubronegro carioca sacramentou o título após empate em 1 a 1 entre as duas equipes na primeira partida da decisão.

Campeão nas edições de 1990 e 2006, a terceira Copa do Brasil conquistada pelo Flamengo foi o primeiro título do clube no novo Estádio do Maracanã. Por outro lado, pela terceira vez consecutiva, o futebol paranaense ficou com o vice-campeonato. Nas duas últimas edições, o arquirrival do Furacão, o Coritiba, perdeu as decisões para Vasco e Palmeiras.

O Flamengo já começou a decisão “com o título” por conta do resultado conquistado no jogo de Curitiba. E, com o Maraca tomado pelos rubronegros, as duas equipes fizeram um primeiro tempo equilibrado, mas com os anfitriões finalizando mais a gol, principalmente nos tiros de fora da área. Logo aos seis minutos, Luiz Antônio arriscou da intermediária, a bola foi em direção ao canto direito, mas Weverton se esticou e espalmou. Depois disso, as duas equipes abusaram dos erros de passe e se alternavam no meio-campo. Aos 41, o Mengão quase abriu o placar em mais uma finalização de Luiz Antônio. O camisa 15 cobrou falta, a esférica fez uma curva e acertou a junção da trave com o travessão.

Na etapa complementar, o panorama não mudou muito. O Atlético, de forma tímida, tentou superar a defesa flamenguista, mas não com eficiência. Enquanto isso, o time de Jayme de Almeida partiu para o contra-ataque e desperdiçou algumas oportunidades. Aos 19, Hernane recebeu belo passe, bateu de primeira, mas o goleiro paranaense fez boa defesa. Dois minutos depois, o Brocador perdeu outra oportunidade ao cabecear para fora um cruzamento feito por Luiz Antônio após bela jogada. Aos 38, Paulinho alçou a bola na área, Hernane pegou de voleio, mas Weverton fez mais uma excelente defesa.

E como esperava o Atlético em seu campo, o Flamengo aproveitou os contra-ataques, e foi assim que aos 42 saiu o primeiro gol. Elias puxou o contragolpe, tocou para Paulinho, que avançou e lançou Hernane. O Brocador finalizou, Weverton defendeu, no rebote, o camisa 9 rubronegro lançou para Paulinho, que levou para o fundo e tocou para Elias, desmarcado, para finalizar no contra-pé do goleiro atleticano. Após o tento flamenguista, André Santos e Ciro se desentenderam e ambos foram expulsos. E, para sacramentar de vez a conquista do Mengo, aos 49, Luiz Antônio fez grande jogada pela direita e cruzou para Hernane, que dominou e acertou um “meio voleio” para fazer o segundo gol da final e o seu 17º tento em 17 partidas disputadas no novo Maracanã. Flamengo tricampeão.

A decisão entre os rubronegros começou com o Atlético não se intimidando com a pressão da torcida adversária e postou-se bem na defesa. Em virtude disso, o Flamengo não conseguiu infiltrar-se na área do Furacão e, então, suas finalizações no primeiro tempo foram apenas de fora da área. Apesar de exercer uma boa marcação, o Atlético Paranaense não fez variações de jogadas ao longo da etapa inicial, pois resolveu apostar nos passes longos em direção do velocista Marcelo Cirino e, consequentemente, não ameaçou o goleiro Felipe nos 45 minutos iniciais. Pelo contrário, as melhores oportunidades foram criadas pelos anfitriões. No segundo tempo, o Atlético não conseguiu atacar de forma aguda o Flamengo, ficou exposto aos contragolpes e sofreu os dois gols. E o Furacão só não saiu com um placar mais elástico porque o Flamengo perdeu muitos gols.

Com o título, o Flamengo está classificado para Copa Libertadores da América 2014. Enquanto para o Atlético Paranaense resta agora manter-se no G4 do Campeonato Brasileiro para carimbar a sua vaga para a principal competição interclubes das Américas do ano que vem.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da final.

Primeira fase:
03/04/2013 – Remo (PA) 0x1 Flamengo (RJ) – Belém (PA)
17/04/2013 – Flamengo (RJ) 4×0 Remo (PA) – Volta Redonda (RJ)
Segunda fase:
1º/05/2013 – Campinense (PB) 1×2 Flamengo (RJ) – Campina Grande (PB)
15/05/2013 – Flamengo (RJ) 2×1 Campinense (PB) – Juiz de Fora (MG)
Terceira fase:
10/07/2013 – ASA (AL) 0x2 Flamengo (RJ) – Arapiraca (AL)
17/07/2013 – Flamengo (RJ) 2×1 ASA (AL) – Volta Redonda (RJ)
Oitavas-de-final:
21/08/2013 – Cruzeiro (MG) 2×1 Flamengo (RJ) – Belo Horizonte (MG)
28/08/2013 – Flamengo (RJ) 1×0 Cruzeiro (MG) – Rio de Janeiro (RJ)
Quartas-de-final:
25/09/2013 – Botafogo (RJ) 1×1 Flamengo (RJ) – Rio de Janeiro (RJ)
23/10/2013 – Flamengo (RJ) 4×0 Botafogo (RJ) – Rio de Janeiro (RJ)
Semifinais:
30/10/2013 – Goiás (GO) 1×2 Flamengo (RJ) – Goiânia (GO)
08/11/2031 – Flamengo (RJ) 2×1 Goiás (GO) – Rio de Janeiro (RJ)
Finais:
20/11/2013 – Atlético (PR) 1×1 Flamengo (RJ) – Curitiba (PR)
27/11/2013 – Flamengo (RJ) 2×0 Atlético (PR) – Rio de Janeiro (RJ)

FICHA TÉCNICA: FLAMENGO (RJ) 2X0 ATLÉTICO (PR)
Competição/fase: segunda partida da final da Copa do Brasil 2013
Data: 27/11/2013 (quarta-feira), 21h50 (horário de Brasília)
Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Público total: 68.857 pessoas
Renda: R$ 9.733.785,00
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Marcelo Carvalho Van Gasse (SP)
Cartões Amarelos: Samir (Flamengo) e Dellatorre (Atlético)
Cartões Vermelhos: André Santos (Flamengo) e Ciro (Atlético)
Gols: Elias, aos 42, e Hernane, aos 49 minutos do segundo tempo
FLAMENGO (RJ): 1.Felipe; 2.Léo Moura (4.González), 14.Wallace, 33.Samir e 27.André Santos; 15.Luiz Antônio, 40.Amaral, 8.Elias (16.João Paulo) e 20.Carlos Eduardo (35.Diego Silva); 9.Hernane e 26.Paulinho. Técnico: Jayme de Almeida
ATLÉTICO (PR): 12.Weverton; 28.Juninho (4.Cleberson), 3.Manoel, 35.Luiz Alberto e 6.Pedro Botelho; 5.Deivid, 31.Zezinho, 11.Felipe (49.Dellatorre) e 30.Paulo Baier; 7.Marcelo Cirino e 77.Éderson (9.Ciro). Técnico: Vagner Mancini

Parabéns ao Clube de Regatas Flamengo.

Por Jorge Almeida