Exposição de obras de Renata Tossinari no Instituto Tomie Ohtake

Fachada do Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros. Foto: Jorge Almeida / Arquivo
Fachada do Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros. Foto: Jorge Almeida / Arquivo

O Instituto Tomie Ohtake realiza até o próximo domingo, 22 de março, a mostra “Cor e Estrutura – Pinturas, Desenhos e Colagens de Renata Tossinari”, que reúne cerca de 50 obras da artista produzidas entre 1980 e 2013. A exposição é a primeira em que o grande público tem acesso a uma visão geral da produção da artista.

Embora não seja organizada como uma retrospectiva, a exposição busca destacar o “caráter original de sua pesquisa”, conforme define a curadora Taisa Palhares, em que a importância que o procedimento de colagem adquiriu na formação de sua poética.

Em trabalhos onde a artista explora o uso das cores, a produção de Renata, de acordo com Palhares, sugere um encontro improvável entre a linha orgânica de Lygia Clark, as cores sensoriais de Matisse e a aparência padronizada dos trabalhos minimalistas norte-americanos.

Merecem atenção as obras “Xadrez III” (2013), uma acrílica e óleo sobre moldura acrílica, e um trabalho “sem título”, de 1991, elaborado com chumbo, cera, esmalte sintético, óleo e papel sobre madeira.

SERVIÇO:
Exposição: Cor e Estrutura – Pinturas, Desenhos e Colagens de Renata Tossinari
Onde: Instituto Tomie Ohtake – Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros
Quando: até 22/03/2015; de terça a domingo, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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Exposição “São Paulo 461 – Histórias e Memórias de Uma Metrópole” no Museu Afro Brasil

"Esperança e Glória", de Newton Mesquita, marca presença em exposição que celebra os 461 anos de São Paulo. Foto: Jorge Almeida
“Esperança e Glória”, de Newton Mesquita, marca presença em exposição que celebra os 461 anos de São Paulo. Foto: Thaise Melo

O Museu Afro Brasil realiza até o próximo domingo, 22 de março*, a exposição “São Paulo 461 – Histórias e Memórias de Uma Metrópole”, que faz parte das comemorações dos 461 anos da cidade de São Paulo, celebrado no último dia 25 de janeiro. A mostra é conduzida por meio de esculturas, fotografias, iconografias, livros, fantasias, pinturas, poemas, mapas, vestidos, depoimentos e instalações.

Para o curador Emanoel Araújo, a exposição mescla passado, presente e futuro da maior cidade do País.

O mosaico da exposição é composta por telas dos pintores Massao Okinaka, Daniel Melim, Jacques Leclerc, Odetto Guersoni, Charles Pepford, Nilton Mesquita e Carolina Caliento, esculturas de Victor Brecheret, e imagens captadas pelos legendários German Lorca, Gaspar Gasparian, e outros fotógrafos anônimos. Os registros revelam momentos históricos da cidade; flagrantes de ícones da cultura paulistana, como o escritor modernista Mário de Andrade.

A mostra apresenta também peças de vestuário produzidas por Maria Adelaide da Silva, obras com emblemas dos times de futebol da cidade, como a acrílica sobre tela de Newton Mesquita intitulada “Esperança e Glória” (2008), porcelanas do século XIX, mapas, iconografias e selos comemorativos, dentre outros objetos. Ainda é possível o visitante conferir documentos sobre as transformações promovidas em São Paulo, no decorrer dos anos.

SERVIÇO:
Exposição: São Paulo 461 – Histórias e Memórias de uma Metrópole
Onde: Museu Afro Brasil – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera
Quando: até 22/03/2014*; de terça a domingo, das 10h às 17h (com permanência até às 18h); na última quinta-feira do mês, o horário é estendido para às 21h
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada gratuita às quintas-feiras e sábados

* Sujeita a alteração

Por Jorge Almeida

Exposição “Roberto Burle Marx: Uma Vontade de Beleza” na Pinacoteca

Obra "Sem Título", de Roberto Burle Marx, em exposição na Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida
Obra “Sem Título”, de Roberto Burle Marx, em exposição na Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta até o próximo domingo, 22 de março, a exposição “Roberto Burle Marx: Uma Vontade de Beleza”, que exibe cerca de 80 obras, entre pinturas, desenhos, estudos, projetos, cerâmicas, vidros, joias e tapeçaria, como panorama da obra de Roberto Burle Marx (1909-1994) e a sua atuação no cenário artístico dentro dos mais diferentes suportes.

Nascido em São Paulo, em 1909, Burle Marx construiu os fundamentos de sua produção artística inspirada em seus pais: a brasileira Cecília Burle e o alemão Wilhelm Marx. Com apenas quatro anos, Roberto e seus familiares mudaram para o Rio de Janeiro, onde permaneceram até 1928 quando mudaram para Berlim, um dos mais relevantes centros culturais do Velho Continente. Na época, Burle Marx entrou em contato com obras dos movimentos de vanguarda europeus – Van Gogh, Picasso, Klee, Arp, etc.

No entanto, ao notar as plantas tropicais brasileiras no Jardim Botânico de Berlim, que o deixou “hipnotizado”, Roberto Burle Marx deixou impregnar as qualidades estéticas dos elementos da flora brasileira em sua obra. Isso fez que, ao voltar para o Brasil, em 1930, ele passasse a colecionar plantas e a começar a frequentar a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, onde teve aulas com Portinari e Leo Putz.

Ainda na década de 1930, o artista passou a integrar sua obra paisagística à arquitetura moderna, experimentando formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos.

A partir de 1940 o paisagismo de Burle Marx tomou proporções importantes enquanto o seu afazer de pintura continuou a se desenvolver de modo bastante intenso e original.

Em meio aos destaques estão “Azulejos” (grupo de 12), feitos entre 1931 e 1960; três garrafas de vidros moldadas pelo próprio, e uma obra “Sem título” (foto), de 1971, criada com lã, talagarça e bordado.

SERVIÇO:
Exposição: Roberto Burle Marx: Uma Vontade de Beleza
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, s/nº – Luz
Quando: até 22/03/2015 de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h); as quintas até às 22h.
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (estudantes e professores da rede privada); entrada gratuita para alunos e professores da rede pública (em excursão escolar); pessoas menores de 10 e maiores de 60 anos, a entrada é gratuita e para o público em geral, o acesso é gratuito aos sábados e a partir das 17h nas quintas. O ingresso também dá direito à visitação à Estação Pinacoteca

Por Jorge Almeida

Exposição “Museu Dançante” no MAM

"Templo", obra de Frank Cassaro, em exposição no MAM. Foto: Thaíse Melo
“Templo”, obra de Frank Cassaro, em exposição no MAM. Foto: Thaíse Melo

O Museu de Arte Moderna (MAM) realiza até o próximo dia 20 de março a exposição “Museu Dançante”, que apresenta 40 obras do acervo do ponto de vista dos princípios da dança: gravidade, desequilíbrio e flutuação.

O curador Felipe Chaimovich e a coreógrafa Inês Bogéa, da São Paulo Companhia de Dança, selecionam esculturas, desenhos, relevos, vídeos, colagens, objetos, gravuras, instalações e performances de Abraham Palatnik, Hélio Oiticica, Mira Schendel, Sandra Cinto, Franklin Cassaro, Laura Lima, Ernesto Neto, Sergio Camargo, Mary Vieira, Ascânio MMM, Daniel Steegmann e outros.

A Sala Paulo Figueiredo se transforma em residência de dança com coreografias de Clébio Oliveira e Rafael Gomes. O visitante pode conferir ao longo da exposição apresentações de dança e vídeos.

Com “Museu Dançante”, o MAM tornou-se o primeiro museu brasileiro a incluir a dança em sua grade de exposições, uma vez que a busca pela proximidade com a dança é uma tendência atualizada no circuito internacional de museus.

A mostra acontece em duas salas do MAM e, em dias específicos, é desdobrada na forma de oficinas realizadas no entorno do museu, sob a marquise do Ibirapuera. Na Grande Sala, as cortinas de correntes de Daniel Steegmann Mangrané dividem o espaço em três sessões.

As performances dos bailarinos da São Paulo Companhia de Dança na Grande Sala não segue uma agência prévia ou cronograma, dependem apenas do trabalho dos coreógrafos Clébio Oliveira e Rafael Gomes desenvolvem na Sala Paulo Figueiredo.

Quanto às obras, destaques para “Templo” (2000), de Franklin Cassaro, feita com colagem de folha de jornal e ventiladores (foto); e “Quarto dos Troncos” (2005), de João Loureiro, composta por madeira, fórmica, metal, cúpula de abajur, lâmpada e instalação elétrica.

SERVIÇO:
Exposição: Museu Dançante
Onde: Museu de Arte Moderna (MAM) – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3 – Parque Ibirapuera
Quando: até 14/12/2014; de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h)
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia entrada); entrada gratuita para crianças de até 10 anos, adultos maiores de 65 anos e para o público em geral aos domingos

Por Jorge Almeida

ASA bate CSA nos pênaltis e leva a Copa Maceió

Jogadores do ASA fazem festa ao lado da taça da Copa Maceió, o primeiro turno do Campeonato Alagoano. Foto: Itawi Albuquerque/TNH1
Jogadores do ASA fazem festa ao lado da taça da Copa Maceió, o primeiro turno do Campeonato Alagoano. Foto: Itawi Albuquerque/TNH1

Por 5 a 3 na disputa de pênaltis, a Agremiação Sportiva Arapiraquense levou a melhor sobre o CSA e conquistou a Copa Maceió, o primeiro turno do Campeonato Alagoano, de forma invicta após o empate em 1 a 1 no tempo normal no Estádio Coracy da Mata Fonseca, em Arapiraca. O título assegurou o ASA na Copa do Brasil de 2016.

Os minutos iniciais mostraram que as duas equipes estavam se estudando. Todavia, aos 10 minutos, o Azulão criou a primeira oportunidade com Reinaldo que, sozinho, cabeceou para fora o cruzamento feito por Bruno. O time da casa deu o troco no minuto seguinte com Gabriel que, após receber de Didira, dominou na área e chutou pra fora.

O CSA voltou a atacar aos 16 com Gabriel, que abriu para o meio e chutou forte para fora, levando perigo à meta do ASA. Onze minutos depois, o alvinegro tirou o zero do placar: Didira cruzou rasteiro pela direita, Caíque se antecipou e bateu de chapa, sem chance de defesa para Jeferson. ASA 1, CSA 0.

Com o placar a favor, os anfitriões dominaram as ações por alguns minutos. Mas, levaram um susto aos 32. Reinaldo finalizou para o gol, mas o assistente marcou erroneamente impedimento do atacante do CSA. Porém, o torcedor marujo pode comemorar aos 39: Afonso recebeu na ponta direita, driblou Lucas Bahia e cruzou por baixo para Reinaldo Alagoano, que estufou a rede de Marcão. Empate no Coracy da Mata.

No segundo tempo, as duas equipes mostraram bastante equilíbrio no confronto e, devido a situação, as oportunidades de gol foram raras. Apenas aos 38 aconteceu um lance de arrancar um “uh!” do torcedor. Alex Henrique recebeu e livrou-se do marcador e soltou a bomba para ótima defesa de Jeferson. Nos acréscimos, Didira acionou Rayro, que encheu o pé, mas parou no goleiro do CSA. Aos 47, Rayro mandou uma bola no ângulo, mas Jeferson foi buscar e levar a decisão do primeiro turno do Alagoano para os pênaltis.

Nos tiros penais, Gabriel, Rayro, Alex Henrique, Uederson e Didira converteram todas as cobranças para o ASA. Pelo lado do CSA, Zé Paulo, Marcos Antônio e Reinaldo acertaram suas cobranças. No entanto, o responsável pela quarta cobrança do Azulão, Breno, bateu muito mal o pênalti e permitiu a defesa de Marcão. No final, o ASA levou a melhor em cima do CSA por 5 a 3 na decisão por pênaltis.

Com o título e a vaga para a Copa do Brasil 2016 assegurados, o ASA entra no grupo B do segundo turno do Campeonato Alagoano juntamente com CRB, Murici, CSE e Santa Rita. Enquanto o CSA ficou na chave A com CEO, Ipanema e Coruripe. E o ASA estreia no returno justamente contra o CSA na próxima quinta, às 20h30, em Arapiraca.

Pela campanha que fez, a melhor do primeiro turno com 60% de aproveitamento, invicta, o ASA fez justiça ao ficar com o título. Na decisão, fez prevalecer isso, pois buscou mais o gol e exigiu bastante do bom goleiro Jeferson, que fez ótimas defesas e foi o principal responsável por levar a decisão para os pênaltis (se o assistente, talvez, não tivesse errado no lance do impedimento no gol do CSA quando a partida estava em 0 a 0). Se repetir o desempenho no segundo turno, o time de Arapiraca tem grandes chances de levar a Copa Alagoas também e levar o Estadual com antecedência.

A seguir, o resumo da campanha e a ficha técnica da decisão.

Data: / Jogo: / Local:
Primeiro turno:
28/01/2015 – Ipanema 1×1 ASA – Arnon de Mello (Santana do Ipanema)
01/02/2015 – ASA 0x0 CSE – Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca
08/02/2015 – Santa Rita 2×2 ASA – Olival Elias de Moraes, Boca da Mata
11/02/2015 – ASA 2×0 Murici – Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca
18/02/2015 – CSA 1×1 ASA – Rei Pelé, Maceió
22/02/2015 – ASA 2×1 CEO – Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca
Semifinais:
01/03/2015 – Murici 0x2 ASA – José Gomes da Costa, Murici
08/03/2015 – ASA 2×0 Murici – Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca
Final:
11/03/2015 – CSA 0x0 ASA – Rei Pelé, Maceió
15/03/2015 – ASA (5*)1×1(3*) CSA – Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca
* Nos pênaltis

FICHA TÉCNICA: ASA (5)1×1(3) CSA
Competição/fase: segundo jogo da final do primeiro turno do Campeonato Alagoano (Copa Maceió)
Local: Estádio Municipal Coracy da Mata Fonseca, Arapiraca (AL)
Data: 15 de março de 2015 – 16h (horário de Brasília)
Árbitro: José Ricardo Laranjeira (AL)
Auxiliares: Maxwell Rocha da Silva e Wagner José da Silva, ambos de AL
Cartões Amarelos: Didira e Max Carrasco (ASA); Elyeser, Reinaldo Alagoano e Rafael Granja (CSA)
Cartão Vermelho: Edson Veneno (ASA)
Gols: Caíque, aos 27’ para o ASA; e Reinaldo Alagoano aos 40’ do 1º tempo para o CSA
ASA: 12.Marcão; 2.Gabriel, 3.Lucas Bahia, 4.André Nunes e 6.Fábio Alves (14.Rayro); 5.Cal, 8.Max Carrasco, 19.Didira e 10.Alex Henrique; 11.Marlon (21.Uederson) e 7.Caíque. Técnico: Vica
CSA: 1.Jeferson; 2.Márcio, 3.Breno, .Willian Thuram e 6.Paulinho; 5.Pierre, 7.Sorin, 8.Elyeser (17.Rafael Granja) e 10.Elvis (20.Zé Paulo); 11.Afonso (16.Marcos Antônio) e 9. Reinaldo Alagoano. Técnico: Nedo Xavier

Parabéns a Associação Sportiva Arapiraquense pela conquista.

Por Jorge Almeida

ÚLTIMOS DIAS: Exposição “119” no Memorial da Resistência

Exposição apresenta trabalhos de artista chileno que traz fotos de desaparecidos políticos chileno. Foto: Jorge Almeida
Exposição apresenta trabalhos de artista chileno que traz fotos de desaparecidos políticos chileno. Foto: Jorge Almeida

O Memorial da Resistência, situado na Estação Pinacoteca, apresenta até o próximo dia 18 de março, a exposição “119”, que traz o trabalho do artista chileno Cristian Kirby, constituído por 120 intervenções gráficas realizadas tendo como ponto de partida as fotografias de políticos desaparecidos durante a ditadura no Chile, que durou de 1973 a 1990.

A exposição também apresenta informações sobre a vida desses militantes políticos assassinados na Operação Colombo, além de um vídeo que registra as manifestações realizadas anualmente pelos familiares e amigos do Colectivo 119, no dia 24 de julho de 2005, para rememorar e reivindicar justiça pela morte dos chilenos.

Um vídeo apresenta uma das manifestações realizadas anualmente pelos familiares e amigos do Colectivo 119 , no dia 24 de julho de 2005, para rememorar e reivindicar justiça pela morte dos chilenos. A mostra é acompanhada pelas performances “436” e “119” do artista Alexandre D’Angeli, que recordará os 436 desaparecidos políticos da ditadura civil-militar brasileira e os 119 da Operação Colombo, da ditadura chilena. As performances ocorrem em dois períodos, o primeiro, entre 19 e 25 de outubro 14, e o segundo, entre 12 e 15 de março de 2015.

A exposição chega ao Memorial da Resistência de São Paulo depois de ter passado pela Argentina, pelo Uruguai e pela Bienal de Fotografia de Pequim.

SERVIÇO:
Exposição: 119
Onde: Memorial da Resistência – Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66
Quando: até 18/03/2015; de terça a domingo, das 10h às 17h30 (permanência até 18h)
Quanto: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada): ingresso combinado Estação Pinacoteca e Pinacoteca do Estado; Pessoas menores de 10 anos e maiores de 60 anos não pagam; entrada gratuita aos sábados

Por Jorge Almeida

A trágica semana da música caipira

Música caipira perdeu em uma semana os cantores José Rico e Inezita Barroso
Música caipira perdeu em uma semana os cantores José Rico e Inezita Barroso

Assim como o dia 3 de fevereiro ficou conhecido como “o dia em que o Rock morreu” em virtude de um acidente aéreo que vitimou os cantores Buddy Holly, Ritchie Valens e J. “The Big Bopper” Richardson em 1959, aqui no Brasil, infelizmente, podemos parafrasear o evento que matou três cantores norte-americanos como “semana em que a música caipira morreu”. Sim, amigos, essa semana, entre os dias 2 e 8 de março, um dos gêneros musicais mais populares na terra brasilis perdeu duas icônicas figuras: José Rico e, hoje, Inezita Barroso.

O parceiro de Milionário sucumbiu na última terça-feira, aos 68 anos, em virtude de complicações no coração, rins e joelho. O pernambucano de São José do Belmonte, nascido em 29 de junho de 1946, José Rico foi criado na cidade paranaense de Terra Rica, que o inspirou a adotar o nome artístico “José Rico”. No final dos anos 1960, formou dupla sertaneja com Milionário e, em quase 45 anos de carreira, lançaram 29 álbuns. No entanto, o maior sucesso dos dois foi o clássico atemporal “Estrada da Vida”, composta por José Rico para o álbum de mesmo nome lançado em 1977. O tema rendeu um filme para a dupla de mesmo nome pouco tempo depois. Milionário e José Rico ficaram separados entre 1991 e 1994, mas a parceria foi retomada. No perfil da dupla no Facebook, a nota que informava o falecimento de José Rico foi finalizada com um verso de “Estrada da Vida”: “Mas o tempo cercou minha estrada e o cansaço me dominou, minhas vistas se escureceram e o final desta vida chegou”.

E neste domingo, dia 8, em pleno Dia Internacional da Mulher, o universo sertanejo perde Inezita Barroso, a grande dama da música caipira de raiz. Inezita Barroso, que fizera 90 anos no último dia 4, deu entrada no Hospital Sírio-Libanês no dia 19 de fevereiro. Nascida na Barra Funda, Ignez Magdalena Aranha de Lima, filha de família tradicional paulistana, teve a infância cercada por influências musicais diversas, contudo, foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu o amor pela música caipira. O primeiro trabalho da multi-artista (além de cantora, ela foi instrumentista, atriz, folclorista, professora e apresentadora) foi gravado em 1951. Desde então, em mais de 60 anos carreira, acumulou mais de 200 prêmios. Depois de ter passado pela TV Record, a extinta TV Tupi, Inezita Barroso chegou na TV Cultura em 1980, onde apresentou por 35 anos o programa “Viola, Minha Viola”, que ao longo de suas mais de 1.500 edições recebeu convidados como Tonico & Tinoco, As Irmãs Galvão, Cascata & Cascatinha, Chitãozinho & Xororó, Almir Sater, Sérgio Reis, os citados Milionário & José Rico, e outros célebres nomes da música caipira/sertaneja.

O velório de Inezita Barroso será realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo e será enterrada no cemitério Gethsêmani, no bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo.

E, assim, não só a música caipira/sertaneja que perde com as mortes de José Rico e Inezita Barroso, perde também a cultura brasileira com a ausência dessas duas lendárias figuras.

Descanse em paz José Rico e Inezita Barroso. Obrigado pelo legado deixado.

Por Jorge Almeida