O fim da hegemonia da dupla ABC e América no RN?

Globo F.C.: fundado em 2012 e campeão da Segunda Divisão em 2013, da Copa FNF e da Copa RN de 2014, e garantido na Copa do Brasil e da Copa do Nordeste de 2015
Globo F.C.: fundado em 2012 e campeão da Segunda Divisão em 2013, da Copa FNF e da Copa RN de 2014, e garantido na Copa do Brasil e da Copa do Nordeste de 2015

No fim da noite deste último domingo (11), ao assistir a repercussão da rodada de fim de semana dos campeonatos estaduais pelo Brasil, um me chamou a atenção: a partida em que o Globo Futebol Clube derrotou o Potiguar de Mossoró por 1 a 0 e, consequentemente, conquistou a Copa Rio Grande do Norte (é como se fosse uma espécie de “Taça Guanabara”, que é disputada no Estadual do RJ), ou se preferir, o primeiro turno do Campeonato Potiguar 2014. Ou seja, o time de Ceará-Mirim já está garantido na final do Estadual, assim como nas próximas edições da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste. Além disso, o Globo, caso também vença a Copa Cidade de Natal (o segundo turno) será declarado campeão potiguar de 2014. Mas por que esse fato me chamou atenção?

Simples, é que o Estadual do RN poderá ter mais um clube campeão do interior do Estado e deixar as principais equipes da capital: ABC, América e Alecrim a ver navios, diferentemente até o ano 2000 quando o trio de ferro potiguar mantinha a hegemonia do Campeonato Potiguar desde o começo, em 1919. Ou seja, entre 1919 e 2000, os campeões sempre eram ABC, América ou Alecrim. Além desses, o único time que havia conquistado o Estadual foi o extinto Santa Cruz Futebol Clube, que vencera o Potiguar de 1943.

E, de 2001 para cá, equipes como Coríntians de Caicó, Potiguar de Mossoró (por duas vezes), ASSU e Baraúnas também conquistaram o Campeonato Potiguar, além da dupla ABC e América. E o Globo F.C. poderá se juntar a eles no rol de equipes interioranas vencedoras do certame local. Caso isso venha a acontecer, será pela primeira vez na história do Estadual que o interior do RN conquista o bi-estadual, já que o Potiguar de Mossoró foi o detentor do campeonato do ano passado.

Apesar de não ter a mesma relevância dos grandes e médios centros do futebol nacional, como Rio, São Paulo, Minas, RS, Paraná, Bahia, Goiás, Ceará e Pernambuco, o futebol no Rio Grande do Norte vem chamando atenção nos últimos anos em virtude de que Natal foi escolhida como uma das doze cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2014 (inclusive, com a Arena das Dunas já pronta e entregue). Além disso, as duas principais forças do Estado (ABC e América) vem marcando presença na Série B do Campeonato Brasileiro. E a equipe abecedista possui dois recordes que demorará muito a ser batido: 52 títulos estaduais e um decacampeonato. Aliás, vale registrar que apenas o América Mineiro também conseguiu o mesmo feito em conquistar dez campeonatos estaduais por anos consecutivos.

Bom, sobre o Globo F.C., podemos destacar que a equipe foi fundada em 18 de outubro de 2012 na cidade de Ceará-Mirim através do empresário Marconi Barretto. Suas cores – amarelo, vermelho, preto e branco – foram inspiradas na Alemanha e o nome da equipe foi inspirado na admiração de seu cartola para com o jornalista Roberto Marinho (sim, o cara que foi dono da Rede Globo de Televisão até a morte). Registrado na Federação Norte-rio-grandense de Futebol em março de 2013, os Águias, como são conhecidos em virtude de que sua mascote é uma águia-de-cabeça-branca, disputaram e venceram a segunda divisão do Campeonato Potiguar de 2013 de forma invicta, a Copa FNF de 2014 (primeira fase do Estadual sem a presença dos representantes do RN que disputam a Copa do Nordeste do ano vigente) e, agora, a Copa RN.

E os planos ambiciosos do Globo F.C. não param por aí. Em entrevista para a Tribuna do Norte, o cartola Marconi Barretto disse que tem como objetivo levar o seu time à elite do futebol nacional em cinco anos.

Vamos ver agora se, de fato, os Alemães de Ceará-Mirim vão incomodar e ficar de vez ou se a sua ascensão parará por aqui. Pois, se continuar do jeito que está, acredito que o Globo poderá alçar voos bem mais altos. Afinal, em menos de dois anos de fundação, a equipe já tem três títulos em sua galeria de troféus, sendo dois invictos, e vaga assegurada para as duas mais importantes competições do primeiro semestre do próximo ano.

Então, a partir da próxima rodada, que marca o início do segundo turno, a “classe A” do Rio Grande do Norte terá de lutar para evitar que o caneco fique no interior, especialmente, nas mãos de um estreante.

Por Jorge Almeida

Carnavelhas das Velhas Virgens no Carioca Club (04.03.2014)

Velhas Virgens em ação no Carioca Club. Foto: Jorge Almeida
Velhas Virgens em ação no Carioca Club. Foto: Jorge Almeida

Enquanto grande parte dos foliões estava a retornar para casa na noite de terça-feira de Carnaval para encarar a quarta-feira de Cinzas, outras centenas ainda mantiveram forças para continuar na folia e partiram para o Carioca Club, em Pinheiros, para assistir a mais uma edição do Carnavelhas, shows realizados pela banda Velhas Virgens em que o grupo mescla rock com marchinhas de Carnaval. Esse foi o décimo ano que Paulão de Carvalho e companhia realizaram o Carnavelhas, cuja turnê recebeu a alcunha de “Copa do Copo Cheio”, em uma clara alusão à Copa do Mundo que está cada vez mais próxima.

Antes dos protagonistas da noite entrarem em ação, a abertura do evento ficou por conta do Somrisal, banda cover oficial dos Mamonas Assassinas. O grupo iniciou a sua apresentação às 23h20 e tocou quase todas as faixas do trabalho de estreia da banda de Guarulhos, além de alguns temas do Utopia, o “embrião” do que viria a ser Mamonas Assassinas. Aliás, o show aconteceu exatamente dois dias após completar 18 anos das mortes de Dinho, Júlio Rasec, Bento Hinoto, Samuel e Sérgio Reoli. Com direito a figurinos, o Somrisal agitou o público com as memoráveis “Cabeça de Bagre II”, “Mundo Animal”, “1406”, “Vira-Vira”, “Jumento Celestino”, “Sabão Crá-Crá”, “Sábado de Sol”, “Lá Vem O Alemão”, “Débil Metal”, “Robocop Gay” (com direito a “Melô do Piri Piri” no meio), “Chopis Centis”, “Bois Don’t Cry” e, claro, a inesquecível “Pelados Em Santos”, não necessariamente nesta mesma ordem. E, entre uma música e outra, Will “Dinho” Sabber e companhia tiravam sarro de si mesmos e brincavam com algumas pessoas da plateia. Aliás, o Somrisal fez um bom show, levou o clima nostálgico para quem curtiu e acompanhou o “boom” dos Mamonas Assassinas na metade da década de 1990. No entanto, como havia dito, eles tocaram QUASE todas do único disco gravado pela banda guarulhense. Só faltou “Uma Arlinda Mulher”, para a frustração desse que vos escreve. Bem que eles poderiam ter tocado essa em vez de tocarem “Vira-Vira” duas vezes.

Dessa forma, entre os shows do Somrisal e das Velhas Virgens, o público que estava no Carioca aproveitou a ocasião para beber e fazer outras coisas enquanto rolava nas PA’s as clássicas marchinhas de Carnaval, como “Cabeleira do Zezé”, “Mamãe Eu Quero”, “Cachaça Não É Água”, entre outras. Até que por volta da 1h15, uma voz convidou os presentes para curtir o Carnavelhas. E, enquanto as PA’s tocava “Touradas em Madri”, a cortina preta do palco do Carioca Club foi aberta e ali estavam devidamente uniformizados: o árbitro Paulão de Carvalho (voz), a cheerleader Juliana Kosso (voz) e os boleiros Alexandre “Cavalo” Dias (ukelele, guitarra e backing vocal), Roy Carlini (guitarra e backing vocal), Tuca Paiva (baixo e backing vocal), Simon Brow (bateria) e Odair Marcelo (percussão).

Com o time completo, a banda mais cachaceira do Brasil (e do mundo) iniciou o show com “Marcha da Catifunda”, do álbum “Carnavelhas III”, e, em seguida, mais marchinhas “velhasvirginianas” mescladas dos três trabalhos da série: “Samba da Natasja Kinski”, “Feijoada na Madruga”, “Marcha do Tira A Roupa”, “Nos Bares da Vila Madalena”, “Um Chopps, Dois Pastel” e “Marcha do Diabo”.

Após a sequência, Paulão saudou o público e recordou que estamos em ano da “polêmica” Copa do Mundo e que o principal evento esportivo do ano não poderia ficar de fora da festa, e que gravaram duas músicas inéditas e que para a turnê “Carnavelhas: Copa do Copo Cheio”, as Velhas também ‘ressuscitaram’ músicas tocadas em pró do Brasil em outros mundiais. Depois da explicação, o grupo seguiu com a inédita “Ganha Esta Copa, Brasil” e as ‘futebolísticas’ “Prá Frente Brasil”, “Gool! Brasil!” e “Povo Feliz (Voa Canarinho)”, que foram entoadas pela torcida brasileira nas copas de 1970, 1978 e 1982, respectivamente. E essa parte do concerto chegou ao seu final com a nova “Perder Em Casa Nunca Mais”.

O Carnavelhas continuou com os ‘sambas’ “Praia de Paulista”, “Samba do Mussum e do Seu Madruga” e “Pro Samba Continuar”. Na sequência, enquanto as Velhas Virgens tocaram a introdução de “Black Sabbath”, da banda homônima, as rodas de pogo iam se abrindo para a marchinha-rock de “Mauro, Eu Mesmo e Eu”. Depois vieram “Balança Mas Não Cai”, “Aposentadoria de Malandro”, “SP Pornô” (essas duas com os vocais de Juliana Kosso), “Hino dos Solteiros”, “Síndrome da Velha Surda”, “O Que É Que Você Tem Na Boca, Maria?”, “Como Zé Bonitinho” e “Homem do Bigode Cheiroso”. O grupo sai do palco por alguns instantes e, na volta para o bis, executam mais dois temas: “Hino da Eterna Bebedeira” e “O Vendedor de Bucetas”, música composta pelo comediante Ary Toledo.

Fim de show, 3h da matina, alguns “rockers foliões” saem rapidamente do recinto. Uns foram diretamente para a porta da Estação Faria Lima da Linha 4-Amarela (que abre às 4h), outros preferiram fazer um “estica” pelos botecos da região, ou então, recorreram aos táxis, ônibus ou aos próprios veículos para “vazarem” logo e chegar em casa para descansar um pouco e encarar a quarta-feira de Cinzas. Felizes foram os que não tiveram essa preocupação.

Quanto à apresentação da banda, não tenho o que definir. Tudo funcionou perfeitamente. O entrosamento entre os integrantes é uma das principais características das Velhas Virgens. O setlist foi matador, apesar de que gostaria que tocassem a ‘ramônica’ “Carmemiranda”. E agora está “oficializado”: Carnavelhas será o meu evento de Carnaval.

A seguir, o setlist da apresentação das Velhas Virgens no Carioca Club.

Intro: “Touradas Em Madri” (João de Barro / Alberto Ribeiro) – PA’s
1. Marcha da Catifunda (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
2. Samba da Nastasja Kinski (Paulão de Carvalho)
3. Feijoada na Madruga (Paulão de Carvalho)
4. Marcha do Tira a Roupa (Paulão de Carvalho)
5. Nos Bares da Vila Madalena (Paulão de Carvalho)
6. Um Chopps, Dois Pastel (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
7. Marcha do Diabo (Paulão de Carvalho)
8. Ganha Esta Copa, Brasil (?)
9. Prá Frente Brasil (Miguel Gustavo)
10. Gool! Brasil! (Paulo S. Valle / Maneco Lara / René / E. Souto)
11. Povo Feliz (Voa, Canarinho) (Nonô / Memeco)
12. Perder Em Casa Nunca Mais (?)
13. Praia de Paulista (Paulão de Carvalho)
14. Samba do Mussum e do Seu Madruga (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
15. Pro Samba Continuar (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
16. Black Sabbath (intro) / Mauro, Eu Mesmo e Eu (Butler/Iommi/Osbourne/Ward) (Paulão de Carvalho)
17. Balança Mas Não Cai (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
18. Aposentadoria de Malandro (Paulão de Carvalho)
19. SP Pornô (Paulão de Carvalho)
20. Hino dos Solteiros (Paulão de Carvalho)
21. Síndrome da Velha Surda (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
22. O Que É Que Você Tem na Boca, Maria? (Paulão de Carvalho)
23. Como Zé Bonitinho (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
24. Homem do Bigode Cheiroso (Paulão de Carvalho)
Bis:
25. Hino da Eterna Bebedeira (Alexandre “Cavalo” Dias / Paulão de Carvalho)
26. O Vendedor de Bucetas (Ary Toledo)

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ DOMINGO: Exposição comemorativa ao centenário de Tomie Ohtake

O Instituto Tomie Ohtake apresenta até o próximo domingo, 9 de março, a mostra “Tomie Ohtake – Gesto e Razão Geométrica”, que marca os 100 anos da artista (completados no último dia 21 de novembro) e reúne aproximadamente 80 obras enfocada nos anos 1960 e 1980.

Com curadoria de Paulo Herkenhoff, a mostra é a terceira que celebra o centenário da artista nipônica no instituto que leva seu nome e traz, em sua maioria, pinturas que abordam o racionalismo da construção geométrica. A exposição exibe um significativo conjunto de obras com variações formais, como sombras, retângulos, círculos, arquiteturas, elipses, etc.

Curiosamente, as obras expostas não têm um nome específico, mas sim o material em que foram feitas, como por exemplo, uma “estrutura de ferro”, de 1984, e um “tubo de aço carbono pintado com spray”, de 2000.

Além disso, a mostra traz um painel cronológico com textos e fotos que resumem a vida e obra de Tomie Ohtake.

SERVIÇO:
Exposição: Tomie Ohtake – Gesto e Razão Geométrica
Onde: Instituto Tomie Ohtake – Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros
Quando: até 09/03/2014; de terça a domingo, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ DOMINGO: Exposição “Arnaldo Battaglini: A Fronteira como Território” na Estação Pinacoteca

Escultura feita com ferro soldado e pintura eletrostática, de Arnaldo Battaglini. Foto: Jorge Almeida
Escultura feita com ferro soldado e pintura eletrostática, de Arnaldo Battaglini. Foto: Jorge Almeida

A Estação Pinacoteca exibe até o próximo domingo, 9 de março, a exposição “Arnaldo Battaglini: A Fronteira Como Território”, que apresenta 14 obras do artista paulistano Arnaldo Battaglini feitas nos últimos dois anos, sendo 12 esculturas lineares em ferro e dois adesivos aplicados diretamente sobre a parede.

Através das obras apresentadas, o artista reflete questões associadas à representação espacial, confins entre a astúcia do bidimensional e do tridimensional, sempre tendo a linha como componente característico dos trabalhos.

As esculturas apresentadas na mostra se remetem a interpretações de cubos, onde densidades e escalas se alteram. Enquanto os adesivos permitem um diálogo entre o campo físico para o campo imaterial através da linha e impugnam a ideia de representação atrelada à perspectiva linear.

Entre os destaques está uma obra sem título, de 2012, feita com ferro soldado e pintura eletrostática (foto).

SERVIÇO:
Exposição: Arnaldo Battaglini: A Fronteira Como Território
Onde: Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66 – Luz
Quando: até 09/03/2014; de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h)
Quanto: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada): ingresso combinado Pinacoteca e Estação Pinacoteca; Pessoas menores de 10 anos e maiores de 60 anos não pagam

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ DOMINGO: Exposição fotográfica no Itaú Cultural

Vista parcial da exposição fotográfica no Itaú Cultural. Foto: Jorge Almeida
Vista parcial da exposição fotográfica no Itaú Cultural. Foto: Jorge Almeida

O Itaú Cultural realiza até o próximo domingo, 9 de março, a mostra “Moderna Para Sempre: Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú”, que traz cerca de 120 imagens de 27 fotógrafos, que captaram as modificações urbanas da capital paulista entre as décadas de 1940 e 1970.

O modernismo brasileiro, fotograficamente falando, chegou ao Brasil na década de 1940, ou seja, tardiamente se comparado aos países vizinhos e europeus, que surgiram com o movimento duas décadas antes. Isso, talvez, explique o porquê grande parte dos autores participantes da mostra é de origem (ou descendência) europeia, aliado ao fato de muitos serem refugos das guerras no Hemisfério Norte.

Conforme o visitante percorre o espaço expositivo, ele pode se deparar com os trabalhos feitos por frequentadores dos fotoclubes (o mais popular deles é o Foto Clube Cine Bandeirantes), que formaram uma grande rede internacional de fotografia, e anteciparam as redes sociais como blogs, flickrs e instagrams dos dias atuais.

A mostra apresenta trabalhos de gente como German Lorca, Thomas Farkas, Geraldo de Barros, Ademar Manarini, José Oiticica Filho, entre outros.

Em meios aos destaques está “Asfalto”, de Paulo Pires, e “Perspectivas”, de Fábio Morais Bassi.

SERVIÇO:
Exposição: Moderna Para Sempre: Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Paraíso
Quando: até 09/03/2014; de terça a sexta-feira, das 9h às 20h; sábado e domingo, das 11h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ SEXTA: Exposição “Sobrenatural” na Estação Pinacoteca

A Estação Pinacoteca realiza até a próxima sexta-feira, 7 de março, a exposição coletiva “Sobrenatural”, que apresenta 20 obras de sete artistas brasileiros realizadas entre 1985 e 2012. Alguns trabalhos são inéditos e outros estão sendo apresentados pela primeira vez no país.

De acordo com o curador da mostra, José Augusto Ribeiro, os trabalhos expostos “são unidos pela ambiguidade de suas conformações”, e que a curadoria deu prioridade pela produção mais recente pela articulação entre erotismo, imaginação, violência e humor.

Entre os destaques estão “São Jorge com o dragão atrás” (1998), escultura feita com plástico modelado, de Sérgio Romagnolo, e “Monstro da Lama com Vela Branca” (2011), de Tiago Carneiro da Cunha. E as inéditas “Antena” (2012), de João Loureiro, e “Dino pot” (2012), de Erika Verzutti.

Além dos artistas citados acima, participam da mostra: Saint Clair Cemim, Leda Catunda e Ivens Machado.

SERVIÇO:
Exposição: Sobrenatural
Onde: Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66 – Luz
Quando: até 07/03/2014; de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h)
Quanto: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada): ingresso combinado Pinacoteca e Estação Pinacoteca; Pessoas menores de 10 anos e maiores de 60 anos não pagam

Por Jorge Almeida

“Carnaval à Punk Rock”: show do 365 no Sesc Belenzinho (28.02.2014)

Banda 365 e convidados no palco do Sesc Belenzinho. Foto: Ronaldo "Rox Fox" Borges
Banda 365 e convidados no palco do Sesc Belenzinho. Foto: Ronaldo “Rox Fox” Borges

Quem estava pelas ruas de São Paulo na última noite da última sexta-feira (28) só tinha praticamente duas preocupações: o desfile das escolas de samba (e também as festas carnavalescas dos clubes) do Carnaval paulista ou pegar a estrada. No entanto, àqueles que não são foliões e queriam outras formas de entretenimento sem sair da capital recorreram às outras opções de laser pela Pauliceia, e uma delas foi o Sesc Belenzinho, que recebeu os paulistanos da banda punk 365 em sua Comedoria pela segunda noite consecutiva (eles haviam tocado no mesmo local na quinta-feira).

Com a apresentação prevista para iniciar às 21h, a banda formada por Neto Trindade (voz), Ari Baltazar (guitarra), Robertinho Pallares (baixo) e Miro de Melo (bateria e único integrante que está no grupo desde o início em 1983) apresentou cerca de 20 músicas, entre material próprio e covers, em quase duas horas de show. O grupo estava a promover o seu mais recente trabalho, o álbum “Destino”, lançado em 2013.

O concerto começa já com uma trinca de clássicos do punk rock brazuca: “Nunca Mais Seremos Os Mesmos”, “Crianças” e “Só Armas Não Fazem a Revolução”. Na sequência, a música que dá título ao novo trabalho da banda, “O Destino”. Depois, mais clássicos: “Way Of Life” e “Solidão”. Em “Manhã de Domingo”, os caras homenageiam os saudosos Mamonas Assassinas (que completam 18 anos de sua morte justamente hoje). Na continuação, surgem as excelentes “Berço Esplêndido” e a “balada” “Punks Não Fazem Canções de Amor”.

O show segue com o primeiro convidado da noite: o lendário Luiz Thunderbird (músico, apresentador e ex-VJ da MTV). Dessa forma, Neto Trindade saiu de cena e deixou Thunderbird, que assumiu o baixo, para cantar “Brand New Cadillac”, do The Clash, e depois, “Chapéu Vermelho”, faixa que está presente no álbum “Corredor Polonês” (1987), do Patife Band. Posteriormente, Thunderbird deixa o palco para a volta de Neto. E, antes de tocarem o próximo tema, o vocalista do 365 anunciou que a próxima música seria dedicada a Hélcio Aguirra, guitarrista e um dos fundadores do Golpe do Estado, que morreu no último dia 21 de janeiro aos 54 anos, e que estaria lá no palco com os amigos do 365. Então, o grupo tocou “Noite de Balada”, com a participação especial de Celso Cardoso, jornalista e cantor. A música foi gravada originalmente pelo Golpe do Estado em seu “Forçando a Barra” (1987). Depois do cover, foi a vez das atenções estarem voltadas para Ari Baltazar, que fez um belo solo para homenagear o finado amigo.

O show chegou ao seu clímax justamente com “São Paulo”, o maior clássico da banda, que foi cantada a pleno pulmões pelo público. Particularmente, avalio essa música como hino dos roqueiros paulistas para a cidade da mesma forma que “O Trem das Onze” significa para os sambistas. Em seguida, o grupo tocou “Certo e o Errado”.

E outro convidado foi anunciado no palco: Mingau (ex-integrante do 365). Assim, o baixista do Ultraje a Rigor tocou dois covers com a ex-banda: “I Wanna Be Your Dog”, do The Stooges, e “Até Quando Esperar?”, dos brasilienses da Plebe Rude. Depois, o concerto seguiu com “O Tempo”, “Canção do Mar” e “Canção Para Marchar”. O vocalista Neto Trindade levou ao palco uma criança (não posso afirmar necessariamente que trata-se de sua filha), que cantarolou à capella os versos de “Grândola Vila Morena”, do cantor e compositor português Zeca Afonso, mas que o 365 gravou em seu ‘debut’ em 1987. O frontman chamou todos os convidados para cantarem juntos o tema, além dos citados acima, juntaram-se a eles o baixista da banda O Surto, Victor Garcia.

Sem perder muito tempo, o 365 fizeram uma pausa de dois minutos para tocarem mais duas na noite: outro cover do Clash – “Should I Stay Or Should I Go?” e “Não Dá”.

Fim de show, a galera começa a se dispersar pelo Sesc, com muitos correndo para encontrar o Metrô aberto, enquanto outros ficaram à espera dos protagonistas da noite saíram do backstage para tirar fotos e dar autógrafos.

A banda fez uma boa performance, com o seu punk rock eficiente, mas bem que poderiam tocar uma dos Ramones, não é mesmo?

Abaixo, o setlist da apresentação do 365 no Sesc Belenzinho.

1. Nunca Mais Seremos Os Mesmos
2. Crianças
3. Só Armas Não Fazem a Revolução
4. O Destino
5. Way Of Life
6. Solidão
7. Manhã de Domingo
8. Berço Esplêndido
9. Punks Não Fazem Canções de Amor
10. Brand New Cadillac
11. Chapéu Vermelho
12. Noite de Balada
13. Momento Ari (instrumental)
14. São Paulo
15. Certo e o Errado
16. I Wanna Be Your Dog
17. Até Quando Esperar
18. O Tempo
19. Canção do Mar
20. Canção Para Marchar
21. Grândola Vila Morena
Bis:
22. Should I Stay Or Shold I Go
23. Não Dá

Por Jorge Almeida, com colaboração de Ronaldo Borges