SÓ ATÉ DOMINGO: Exposição “Cores do Brasil” no Conjunto Nacional

"Cores do Brasil: São Paulo": obra de Cecília Leal em exposição no Conjunto Nacional. Foto: Jorge Almeida
“Cores do Brasil: São Paulo”: obra de Cecília Leal em exposição no Conjunto Nacional. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Cores do Brasil” está em cartaz até o próximo domingo, 20 de julho, no Espaço Cultural do Conjunto Nacional e reúne 23 quadros da artista plástica Cecília Leal. A nova série exibe pinturas inéditas compostas em 2014.

E, através da mistura de cores harmoniosas e da técnica da acrílica sobre tela, a artista usufrui de uma gama de cores que remetem ao Brasil, para ser exato, cada obra é referência a um Estado da Federação, de forma de pinturas abstratas.

Cecília Leal iniciou a carreira artística na década de 1980 e é formada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Além de atuar como gravadora, ela tem especialidade em trabalhar com outras formas de expressão, principalmente em aquarela, além da pintura acrílica e a óleo.

Em meio aos destaques da mostra estão: “Cores do Brasil: São Paulo” (foto) e “Cores do Brasil: Santa Catarina”.

Aliás, curiosamente, apenas os Estados do Espírito Santo, Tocantins, Roraima, Amapá e Rondônia não estão representados com um quadro na exposição.

SERVIÇO:
Exposição: Cores do Brasil
Onde: Espaço Cultural Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073
Quando: até 20/07/2014; de segunda a sábado, das 7h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 22h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

SÓ ATÉ SÁBADO: Exposição “Archivo Cordero” no Solar da Marquesa de Santos

O Solar da Marquesa de Santos realiza até o próximo sábado, 19 de julho, a exposição “Archivo Cordero – Coleção Rafael Doctor Roncero”, que apresenta 70 fotografias de época registradas pelo Estúdio Cordero (1897 – 1961), que delineia a sociedade e o cotidiano boliviano na primeira metade do século XX.

O intuito da mostra é levar conhecimento à importância do trabalho do fotógrafo Julio Cordero, proprietário do estúdio que leva o seu nome, realizado em La Paz, capital boliviana.

A exposição exibe imagens de casais de namorados, colégios, casamentos, famílias, documentos policiais, registros militares, celebrações no campo, enfim, diversas situações do cotidiano de gente que, em muitos casos, olhavam pela primeira vez para as lentes de uma câmera fotográfica.

A Bolívia, assim como demais países da América Latina, tem seus contrastes, inclusive culturais, como a parte ocidentalizada, herdada dos europeus e capitalista, e a multicultural população indígena.

Em meio aos destaques está “Sob a Bandeira Americana”, de 1920.

SERVIÇO:
Exposição: Archivo Cordero – Coleção Rafael Doctor Roncero
Onde: Solar da Marquesa de Santos – Rua Roberto Simonsen, 136-B – Centro
Quando: até 19/07/2014; de terça a domingo, das 9h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Alemanha é tetracampeã mundial

Em pé (da esquerda para a direita): Neuer, Hummels, Kroos, Klose e Boateng. Aganhados: Kramer, Lahm, Höwedes, Müller, Schweinsteiger e Özil. Foto: Wagner Carmo/Gazeta Press
Em pé (da esquerda para a direita): Neuer, Hummels, Kroos, Klose e Boateng. Aganhados: Kramer, Lahm, Höwedes, Müller, Schweinsteiger e Özil. Foto: Wagner Carmo/Gazeta Press

Com um gol de Mario Götze aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, a Alemanha venceu a Argentina por 1 a 0 na grande final da Copa do Mundo FIFA 2014 no Estádio do Maracanã na tarde deste domingo (13). Depois terem batido na trave por três vezes seguidas nos últimos mundiais (vice em 2002 e dois terceiros lugares nas Copas de 2006 e 2010), os alemães conquistaram o seu quarto título após 24 anos de espera. As duas seleções se enfrentaram pela terceira vez em uma decisão de Copa do Mundo. Em 1986, a Argentina de Maradona bateu a Alemanha por 2 a 0 e, quatro anos depois, os germânicos deram o troco e venceram os hermanos pelo mesmo placar de hoje.

Antes do início do jogo, o público que compareceu ao Maracanã – argentinos, alemães e brasileiros – foi aquecido com a festa de encerramento da Copa do Mundo FIFA 2014. Durante a cerimônia, gente do naipe de Shakira, Ivete Sangalo, Alexandre Pires, Carlos Santana, entre outros, marcaram presença no espetáculo. Enquanto isso, nas tribunas do estádio, chefes de Estado, craques do passado e algumas celebridades estiveram presentes. Destaque também para a chegada do objeto de cobiça de argentinos e alemães – que estava em uma embalagem especialmente encomendada para o momento – levada pela top Giselle Bünchenn e o recém-aposentado Carles Puyol. Pelo protocolo da FIFA apenas Puyol pode erguer o troféu para mostrá-lo ao público.

E, momentos antes de a bola rolar, o time de Joachim Löw sofreu uma baixa de última hora: o meio-campista Khedira, que estava na relação dos onze que entrariam em campo, contundiu a panturrilha durante o aquecimento. Para seu lugar entrou Kramer. Já Alejandro Sabella, por sua vez, manteve a força defensiva da equipe para segurar o eficiente ataque do rival.

A partida começou com a Alemanha mantendo mais posse de bola e jogando mais solta, enquanto a proposta da Argentina era evidente: explorar os contra-ataques, capitaneado pela habilidosa perna esquerda de Messi. E o substituto de Khedira não havia nem começado a mostrar serviço e precisou ser substituído. Kramer foi ao chão depois de chocar-se com o ombro de Garay em um ataque de sua equipe. Ficou desacordado por alguns segundos, tentou voltar, mas precisou ser amparado para deixar o certame. Foi substituído por Schürrle.

Apesar de os alemães terem tomado a iniciativa do jogo, as chances iniciais e contundentes de gol foram criadas pela equipe sulamericana. Primeiro foi com Higuaín, que investiu pela direita, entrou na área e chutou cruzado, mas a bola passou pela pequena área e saiu pela linha de fundo.

Aos 20 minutos, o mesmo Higuaín teve outra grande oportunidade. Apesar de estar em condição de impedimento, o camisa 9 recebeu um presentaço de Kroos, que na tentativa de devolver a redonda para defesa (o que descaracterizou o “fora de jogo” do argentino), passou justamente para o adversário que, sozinho, avançou e, diante de Neuer, mandou pra fora.

Nove minutos depois, o insistente Higuaín conseguiu vazar a sólida defesa alemã ao conseguir aproveitar um belo cruzamento de Lavezzi pelo lado direito. Mas, para sua frustração, o assistente havia flagrado o impedimento.

Quando os alvicelestes pareciam melhores no setor ofensivo, os alemães não perderam suas características e resolveram atacar também. Aos 36, Schürrle soltou a bomba da entrada da área, Özil se esquivou, mas Romero estava atento e espalmou.

A partida ficou franca, com a Alemanha mantendo a posse e a Argentina acreditando no talento de Messi, que quase foi às redes. O camisa 10 atacou pela direita, chegou a passar por Neuer, mas a zaga alemã aliviou o perigo praticamente em cima da linha, antes da chegada de outro argentino que estava a completar para o gol através de um carrinho. Os europeus deram o troco nos acréscimos da etapa inicial. Após cobrança de escanteio, Höwedes cabeceou com força, mas a esférica bateu na trave e, na volta, Müller – em impedimento anotado pela arbitragem – finalizou e Romero defendeu.

Na volta do intervalo, Alejandro Sabella substituiu Lavezzi por Kun Agüero. Mas quem arrancou aquele “uh!” do torcedor foi Messi que invadiu a área e bateu de chapa cruzado, mas a bola passou próximo da trave.

No entanto, conforme o tempo corria, os jogadores das duas equipes começaram a ficar mais tensos e o jogo caiu um pouco tecnicamente de produção. Se de um lado Neuer, famoso por suas saídas estabanadas, chegava firme nos atacantes argentinos, por outro lado, Mascherano fazia as faltas mais duras pelo lado dos hermanos. Fisicamente mais “inteiros”, os germânicos ditaram o andamento do jogo até o final. Pelos lados da Argentina, Sabella sacou Pérez e colocou Gago e tirou o esforçado Higuaín para por Palacio como companheiro de Messi. E Joachim Löw substituiu Klose por Götze.

Na prorrogação, o preparo físico da Alemanha prevaleceu. Isso graças ao fato de terem mais força por ter vencido o Brasil com mais folga nas semifinais, enquanto os argentinos vinham de uma prorrogação que terminou em disputa de pênaltis contra a Holanda. Logo no primeiro minuto do tempo extra, Schürrle tabelou pela esquerda e finalizou forte. Romero defendeu assustadamente e a defesa argentina afastou o perigo.

Contundo, os hermanos tiveram outra ótima ocasião com Palacio, que, aos seis, tentou encobrir Neuer, mas pegou na bola com força acima do necessário e tirou demais do gol.

Veio o segundo tempo e os atletas dos dois times esgotados. Em uma dividida com Agüero, o volante Schweinsteiger sofreu um corte no rosto e saiu momentaneamente do jogo com o rosto sangrando, mas voltou a tempo.

E quando o Maracanã inteiro preparava-se para mais uma Copa do Mundo ser decidida nos pênaltis, Götze resolveu mudar o enredo. Aos 7 minutos, Schürrle fez jogada pela esquerda e encontrou o camisa 19 na área. Sem marcação, Götze dominou no peito e chutou cruzado sem dar chance de defesa para Romero. Era o gol do título. Alemães apoiados pelos brasileiros fizeram a festa.

A Argentina ainda teve a última chance nos acréscimos da prorrogação através de uma cobrança de falta. Mas Messi isolou. Fim de jogo, Alemanha 1, Argentina 0. E, assim, depois de 24 anos de espera, o mesmo tempo esperado por Brasil e Itália, a Alemanha chegou ao seu tetracampeonato e torna-se a primeira seleção da Europa a vencer um Mundial disputado no continente americano. Além deles, somente o Brasil (em 1958, na Suécia, e, em 2002, na Coreia do Sul/Japão) e a Espanha (em 2010, na África do Sul) conquistaram uma Copa do Mundo fora de seu continente.

As duas seleções fizeram por merecer em disputar a grande final da competição mais importante do futebol. A Argentina, tecnicamente inferior, resolveu apostar nos contra-ataques e no talento de Messi que, embora não tenha ido bem diante de Bélgica e Holanda, fazia uma boa Copa. Além disso, a sua tão contestada defesa mostrou-se eficiente no Mundial, especialmente no mata-mata. A postura defensiva dos hermanos foi colocada em prática para evitar cometer o erro feito por Felipão diante dos alemães que deixou o time aberto e exposto diante da perigosa equipe de Joachim Löw. Já a Alemanha, com uma equipe mais organizada e entrosada, fez o seu jogo de toque de bola e aproveitou-se melhor das condições físicas de seus jogadores para ditar o andamento do jogo. Com um trabalho a longo prazo, planejado, focado e organizado confirmou o seu favoritismo e levou – merecidamente – a taça pra casa. Os argentinos podem dizer que saíram de cabeça erguida com o vice-campeonato.

E coube a Philipp Lahm repetir o gesto feito pelos compatriotas Fritz Walter (em 1954), Franz Beckenbauer (em 1974) e Lothar Matthäus (em 1990) e levantar a tão cobiçada Copa do Mundo para os germânicos. Merecidamente.

Antes do começo da Copa do Mundo, o sucesso do evento da FIFA estava sob desconfiança em virtude do atraso das obras e dos problemas que o Brasil enfrentava (e ainda enfrenta) fora do campo. A presidente Dilma Rousselff, em seus pronunciamentos “pré-Copa”, dizia que o evento seria a “Copa das Copas”. E, de fato, a governante estava certa. O Mundial foi um sucesso, os turistas (brasileiros e estrangeiros) curtiram os jogos, os eventos relacionados nas cidades-sedes, mexeu com a economia, houve bastante interação entre os anfitriões e os gringos. E, muitos que duvidaram da capacidade da realização da Copa, hoje, talvez arrependidos, clamam por “mais Copa”.

E, estatisticamente falando, essa Copa do Mundo bateu quase todos os recordes em relação às outras. Vamos a alguns deles:

– Klose bateu o recorde de Ronaldo e tornou-se o maior goleador da história das Copas, com 16 gols;

– A Alemanha superou o Brasil e é o país que mais disputou decisões de Copas do Mundo: 8;

– A Alemanha é a nação que mais disputou jogos de Mundial: 104 partidas em 18 participações;

– A Holanda foi a primeira seleção a utilizar todos os seus 23 jogadores nos sete jogos que disputou neste Mundial;

– O goleiro argentino Romero ficou 489 minutos sem levar um gol e bateu a marca de seu compatriota, Fillol, que ficou 373 minutos sem ser vazado no Mundial de 1978, mas na história das Copas, o recorde pertence ao italiano Walter Zenga, que ficou 517 minutos invictos na Copa de 1990;

– A Copa do Mundo de 2014, juntamente com a edição de 1998, foi a edição com o maior número de gols: 171;

– Jones, dos Estados Unidos, marcou o 2.300º da história dos Mundiais em 22 de junho de 2014 na Arena da Amazônia na partida em que seu país empatou com Portugal em 2 a 2;

– A Copa do Mundo do Brasil foi a primeira a ter a presença das oito seleções campeãs do mundo – Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra, França e Espanha;

– Pela primeira vez, desde que adotaram a fase de oitavas-de-final, não houve um confronto entre europeus nesta fase;

– Nunca na história das Copas campeão e vice da edição anterior se enfrentaram na estreia de ambas na edição seguinte: Espanha e Holanda fizeram a proeza;

– As seleções das Américas prevaleceram no Mundial: ao todo, o continente terá oito classificados na primeira fase (cinco de representantes da Conmebol e três da Concacaf), apenas Equador e Honduras ficaram pelo caminho. Por conta disso, pelo menos um sulamericano está garantido nas semifinais da Copa;

– Maior média de gols da primeira fase desde 1998, quando os Mundiais passaram a ter 32 seleções: 2,83 gol/jogo;

– 10 pênaltis marcados na primeira fase e apenas um desperdiçado (Benzema, da França, contra a Suíça);

– E foi em terras tupiniquins que o experientíssimo goleiro colombiano Mondragón entrou para história ao ser o jogador mais velho a disputar uma partida de Copa do Mundo. Aos 43 anos e três dias, o arqueiro entrou nos minutos finais da partida em que sua seleção goleou os japoneses por 4 a 1.

Infelizmente, para nós brasileiros, a Copa do Mundo nos trouxe alguns dados negativos:

– A maior goleada já sofrida pela Seleção Brasileira em Copas: 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais;

– Que também foi a maior goleada já sofrida por um anfitrião de Mundial;

– Júlio César, nesta Copa, tornou-se o goleiro brasileiro mais vazado na história do torneio: 18 gols em 12 jogos;

– A Seleção Brasileira da Copa de 2014 foi a que mais sofreu gols na competição: 14, três a mais em relação ao Mundial de 1938.

A seguir, a relação dos prêmios individuais da Copa do Mundo FIFA 2014, um resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da decisão.

Primeira fase (Grupo G):
16/06 – Alemanha 4×0 Portugal – Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
21/06 – Alemanha 2×2 Gana – Arena Castelão, Fortaleza (CE)
26/06 – Estados Unidos 0x1 Alemanha – Estádio Nacional Mané Garrincha, Brasília (DF)
Oitavas-de-final:
30/06 – Alemanha 2×1 Argélia – Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Quartas-de-final:
04/07 – França 0x1 Alemanha – Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)
Semifinal:
08/07 – Brasil 1×7 Alemanha – Estádio Mineirão – Belo Horizonte (MG)
Final:
13/07 – Alemanha 1×0 Argentina – Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)

Bola de Ouro: Lionel Messi (ARG)
Bola de Prata: Thomas Müller (ALE)
Bola de Bronze: Arjen Robben (HOL)
Chuteira de Ouro (Artilheiro): James Rodríguez (COL), com 6 gols
Chuteira de Prata (vice-artilheiro): Thomas Müller (ALE), com 5 gols
Chuteira de Bronze (terceiro artilheiro): Neymar (BRA), com 4 gols
Luva de Ouro: Manuel Neuer (Alemanha)
Jovem Jogador: Paul Pogba (FRA)
Fair Play: Colômbia

FICHA TÉCNICA: ALEMANHA 1×0 ARGENTINA
Competição/fase:
final da 20ª Copa do Mundo FIFA Brasil 2014
Local:
Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã) – Rio de Janeiro (RJ)
Data:
13 de julho de 2014 – 16h (horário de Brasília)
Público: 74.738 pessoas
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Assistentes: Renato Faverani (ITA) e Andrea Stefani (ITA)
Cartões Amarelos: Schweinsteiger e Höwedes (ALE); Mascherano e Agüero (ARG)
Gol: Götze, aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação
ALEMANHA: 1.Neuer; 16.Lahm, 20.Boateng, 5.Hummels e 4.Höwedes; 7.Schweinsteiger, 23.Kramer (9.Schürrle), 13.Müller, 18.Kroos e 8.Özil (17.Mertersacker); 11.Klose (19.Götze). Técnico: Joachim Löw
ARGENTINA: 1.Romero; 4.Zabaleta, 15.Demichelis, 2.Garay e 16.Rojo; 14.Mascherano, 6.Biglia, 8.Pérez (5.Gago) e 10.Messi; 22.Lavezzi (20.Agüero) e 9.Higuaín (18.Palacio). Técnico: Alejandro Sabella

Parabéns à Alemanha pelo tetracampeonato.

Por Jorge Almeida

Morre Tommy Ramone

Tommy Ramone: baterista da formação original dos Ramones em imagem dos anos 1970. Foto: divulgação
Tommy Ramone: baterista da formação original dos Ramones em imagem dos anos 1970. Foto: divulgação

Tommy Ramone, baterista da primeira (e clássica) formação dos Ramones, morreu aos 62 anos (alguns veículos apontam que ele tinha 65 anos) na noite desta sexta-feira (11), em casa, no Queens, em Nova York. O músico lutava contra um câncer biliar. Tommy foi o último integrante da line-up inicial dos Ramones a falecer.

Filho de judeus, Erdélyi Tamas (nome de batismo de Tommy) nasceu em Budapeste, na Hungria. Ainda criança, sua família imigrou-se para os Estados Unidos, onde cresceu em Forrest Hills, em Nova York. Na adolescência, tocou em bandas como Tangerine Puppets com John Cummings que, futuramente, seria conhecido como Johnny Ramone.

Já adulto, enquanto trabalhava no Performance Studios (sua paixão), conheceu um trio formado por Joey (bateria e voz), Dee Dee (baixo e voz) e Johnny (guitarra). Eram os Ramones. Com a sua noção mais apurada em relação aos demais, Thomas Erdelyi (como era conhecido por lá) aconselhou que Joey (que não conseguia tocar bateria e cantar ao mesmo tempo) assumisse o posto de vocalista, propôs também que Dee Dee tocasse baixo e fizesse os backing vocals e ainda sugeriu que eles procurassem mais um integrante para assumir as baquetas da banda que estava a nascer. Então, antes dos testes, Thomas procurava mostrar aos candidatos qual era a pegada do grupo. No entanto, o trio não gostou de nenhum deles. Foi aí que eles perceberam que Erdelyi era o cara ideal para o cargo. Assim, adotou o nome artístico de Tommy Ramone e entrou no grupo.

E, com essa formação – Joey Ramone (voz), Dee Dee Ramone (baixo e backing vocal), Johnny Ramone (guitarra) e Tommy Ramone -, os Ramones fizeram o seu primeiro show no próprio Performance Studios a 30 de março de 1974. Depois, o grupo marcou presença constante na lendária casa noturna CBGB’s. As performances do quarteto chamaram atenção da Sire Records que, em 1975, assinou um contrato de cinco anos com o grupo.

Com os Ramones, Tommy gravou os álbuns “Ramones” (1976), “Leave Home” e “Rocket To Russia” (ambos de 1977 e que tiveram o baterista como co-produtor). Mas ele gostava mesmo era dos estúdios e não das constantes viagens que o grupo fazia. Dessa forma, saiu amigavelmente. Tommy ainda participou das gravações dos álbuns “It’s Alive” (1979), gravado ao vivo na virada de Ano Novo de 1977 para 1978, e o póstumo “NYC 1978” (2003). Em 1978, Tommy Ramone foi sucedido pelo ex-Dust Marc Bell que, obviamente, virou Marky Ramone.

Mesmo assim, ele não ficou totalmente separado dos Ramones, uma vez que trabalhou na produção de alguns trabalhos da banda, como o “Road To Ruin” (1978) e “Too Tough To Die” (1984).

Apesar de terem assinados todas as faixas em conjunto nos primeiros álbuns (exceto os covers evidentemente), Tommy Ramone revelou no documentário “Ramones RAW” (2004), em uma espécie de “faixa-a-faixa”, quais temas que, de fato, cada integrante escreveu. O baterista revelou, por exemplo, que ele era o co-autor de “Blitzkrieg Bop” e o principal compositor de “I Wanna Be Your Boyfriend”, ambas presentes no ‘debut’ do grupo. Além dessas, Tommy colaborou na faixa “Mama’s Boy”, tema de abertura do disco “Too Tough To Die”.

Além dos Ramones, Tommy produziu, na década de 1980, o disco de estreia dos Replacements, “Tim” (1985) e também o álbum “Neurotica” (1987), de Redd Kross. Nos últimos anos, o músico e produtor vinha trabalhando com sua esposa Claudia Tienan no Uncle Monk, projeto voltado para trabalhos acústicos e música country.

Depois de sua saída dos Ramones, em 1978, a banda prosseguiu na ativa até 1996. E, ao longo dos primeiros anos do século XXI, os integrantes do grupo foram sucumbindo. Primeiro foi Joey, com linfoma em 2001. No ano seguinte foi a vez de Dee Dee Ramone, vítima de uma overdose acidental de heroína. Em 2004, Johnny Ramone não resistiu a um câncer de próstata. Finalmente, neste 11 de julho de 2014, foi a vez do lendário Tommy Ramone se juntar aos companheiros de banda no plano celestial.

O co-fundador de uma das bandas mais influentes da história do rock deixa mulher e irmão. Seu enterro será reservado para familiares e amigos próximos.

Aliás, conforme bem lembrou o locutor da rádio Kiss FM, Rodrigo Branco, os Ramones “deve ser o único caso da história de uma banda de sucesso que 40 anos depois não existe mais nenhum membro original vivo”. Inclusive, dentre os demais integrantes que passaram pelo grupo, seguem vivos Marky, Richie, Elvis (que teve curtíssima passagem em 1987) e C.J. Ramone.

E, ao contrário da duração de suas músicas, que geralmente não ultrapassavam os três minutos, o legado deixado pelo quarteto nova-iorquino dos Ramones será eterno.

Descanse em paz, Tommy.

“Gabba Gabba, Hey!”.

Por Jorge Almeida

Bad Company: os 40 anos do lançamento do álbum de estreia

"Bad Company", o álbum: lançado pela gravadora do Led Zeppelin em 1974
“Bad Company”, o álbum: lançado pela gravadora do Led Zeppelin em 1974

Em 2014, outro grande clássico do rock completa 40 anos de seu lançamento. Estou a me referir ao trabalho de estreia do supergrupo Bad Company, que traz apenas o nome da banda. Lançado a 15 de junho de 1974 pela Swan Song Records (a gravadora do Led Zeppelin), o play foi produzido pelos próprios integrantes e foi gravado no Headley Grange Studios, em East Hampshire, na Inglaterra.

Antes de falarmos do álbum, não custa reforçar que o Bad Company começou em 1973 com um line-up de primeira: com Paul Rodgers (voz) e Simon Kirke (bateria), ambos oriundos do Free, além de Mick Ralphs (guitarra), ex-Mott The Hoople, e o baixista Boz Burell (ex-King Crimson). Ou seja, com músicos experientes, o Bad Company já nasceu como supergrupo e com um empresário que dispensa comentários: Peter Grant (sim, ele mesmo!), o lendário manager do Led Zeppelin.

E o que poderia resultar na união de um bom empresário com músicos competentes? Topo das paradas. Então, em poucas semanas, o ‘debut’ alcançara o topo da Billboard 200 e o terceiros lugar dos charts britânicos. E, ao longo do tempo, constantemente o disco foi lembrado nos rankings dos veículos especializados como um dos melhores trabalhos de todos os tempos.

Mas, voltando a falar do disco, “Bad Company” abre com “Can’t Get Enough”, que foi lançada como single (chegando ao 5º lugar no Pop Singles), que se destaca pela quebra de bateria no começo e um estupendo solo de Ralphs. Na sequência, “Rock Steady” vem com o blues pesado e mostra que os caras queriam manter-se à tendência da época. A terceira faixa é a balada “Ready For Love”. Ótima música. E o álbum chega à metade com “Don’t Let Me Down”, balada que lembra a música de mesmo nome dos Beatles, mas com pegada mais à Rolling Stones.

O lado B do vinil começa com a faixa que dá nome ao disco e à banda. “Bad Company”, que começa calmamente com um piano, ganha corpo e surge com um grande riff de Ralphs. A sexta canção é a bem impetrada “The Way I Choose”. O penúltimo tema é “Movin’ On”, que apesar de ter sido escrita por Mick Ralphs, tem pitada de Free (a ex-banda de Rodgers e Kirke). E, para finalizar, “Seagull”, executada em voz e violão, que a faz uma música “semi-folk”.

Sabe aquele ditado, o “há males que vem para bem”? Isso cabe perfeitamente com o Bad Company. Pois, em 1973, Ian Gillan saiu do Deep Purple e o grupo estava atrás de outro vocalista. Então, um dos nomes cotados para substituir Gillan foi o de Paul Rodgers. Mas, ele recusou o convite, pois estava focado em formar o Bad Company. Se por um lado, os integrantes do Deep Purple ficaram frustrados com a recusa de Rodgers, por outro, os dois lados saíram ganhando: pois, Rodgers foi peça fundamental para o surgimento do supergrupo e o Purple também se deu bem ao revelar para o mundo David Coverdale.

Depois do lançamento do ‘debut’, o Bad Company seguiu ativo até 1982, quando Paul Rodgers saiu, permaneceu inativo até 1986, quando a banda recrutou Brian Howe, que depois foi sucedido por Robert Hart e, em 1998, Paul Rodgers retornou ao posto de vocalista, entre 2002 e 2008 deram uma pausa, para retomarem as atividades. Enfim, como pode ser visto, assim como toda banda de renome, o Bad Co. viveu entre trocas de integrantes e pausas.

Com um Hard Rock executada de forma competente, o Bad Company se tornou uma das bandas mais conceituadas dos anos 1970 com o Paul Rodgers cantando “o fino da bola”. Altamente recomendável.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Bad Company”, o álbum.

Álbum: Bad Company
Intérprete: Bad Company
Lançamento: 15 de junho de 1974
Gravadora: Swan Songs Records
Produtor: Bad Company

Paul Rodgers: voz, guitarra, piano e acordeão
Mick Ralphs: guitarra e teclados
Boz Burrell: baixo
Simon Kirke: bateria

1. Can’t Get Enough (Ralphs)
2. Rock Steady (Rodgers)
3. Ready For Love (Ralphs)
4. Don’t Let Me Down (Rodgers / Ralphs)
5. Bad Company (Rodgers / Kirke)
6. The Way I Choose (Rodgers)
7. Movin’ On (Ralphs)
8. Seagull (Rodgers / Ralphs)

Por Jorge Almeida

ÚLTIMOS DIAS: Exposição sobre os Beatles no Centro Brasileiro Britânico

O baixo autografado por Paul McCartney em exposição no Centro Brasileiro Britânico. Foto: Jorge Almeida
O baixo Hofner autografado por Paul McCartney em exposição no Centro Brasileiro Britânico. Foto: Jorge Almeida

O Centro Brasileiro Britânico realiza até a próxima quinta-feira (16) a exposição “Beatles – 50 Anos de História”, que exibe itens raros relacionados à banda de Liverpool. A curadoria é por conta de Marco Antonio Mallagoli, colecionador de objetos do grupo e fundador do fã-clube Revolution.

A mostra celebra as cinco décadas da primeira apresentação dos Beatles nos Estados Unidos – fato que ficou conhecido como “Invasão Britânica”. No espaço, o público pode conferir de perto verdadeiras relíquias, como o convite da festa em que Paul McCartney e John Lennon se conheceram.

A exposição também exibe uma linha do tempo com discos (alguns deles autografados), ingressos de shows, fotografias, outros itens de memorabilia, além de outras informações relevantes sobre John, Paul, George e Ringo.

Em meio aos destaques estão as duas guitarras Gretsch, semelhante a uma das utilizadas pelo saudoso George Harrison, e um baixo Hofner (foto) autografado por Sir Paul McCartney.

Para quem é beatlemaníaco a mostra é obrigatório e, para quem não é, vale a pena dar uma conferida e verificar de perto a importância dos Beatles na história da música.

SERVIÇO:
Exposição: Beatles – 50 Anos de História
Onde: Centro Brasileiro Britânico – Rua Ferreira de Araújo, 741 – Pinheiros
Quando: até 16/07/2014; de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

 

ATÉ DOMINGO: Exposição “As Donas da Bola” no Centro Cultural São Paulo

O Centro Cultural São Paulo realiza até o próximo domingo, 13 de julho, a exposição “As Donas da Bola”, que apresentam cerca de 120 imagens que retratam a presença da figura feminina e suas relações com o futebol, esporte conhecido pelo predomínio dos homens.

O intuito da exposição é a conscientização social sobre a relevância da mulher no futebol e deixar claro que no nobre esporte bretão há espaço para todos e que o seu objetivo é levar diversão e entretenimento para a sociedade, independentemente de cor, credo, sexo ou classe social de quem o pratica.

Na exposição, podemos conferir mulher batendo uma bolinha em várias regiões do País, como a Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, a periferia de São Paulo, nos quilombo das cercanias do Recife, além do peculiar “futlama”, como é conhecido o evento futebolístico cuja prática é realizada na lama, realizado em Macapá, Amapá.

Instalada no piso Caio Graco, a mostra tem a curadoria de Diógenes Moura e reúne trabalhos das seguintes fotógrafas de fotojornalismo: Ana Araújo, Nair Benedicto, Bel Pedrosa, Mônica Zarattini, Ana Carolina Fernandes, Eliária Andrade, Marlene Bergamo, Marcia Zoet, Evelyn Ruman, Luludi Melo e Luciana Whitaker.

Uma das imagens que sintetiza perfeitamente o “espírito da coisa” é um registro feito por Marcia Zoet que mostra duas mulheres disputando uma bola na Comunidade Beira Rio, no Parque Jabaquara, na capital paulista.

SERVIÇO:
Exposição: As Donas da Bola
Onde: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Quando: até 13/07/2014; de terça a sexta, das 10h às 20h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida