Exposição “Desmanche” na Caixa Cultural

Parte das obras da série "Desmemórias" (2010), de Lucas Simões. Foto: Jorge Almeida
Parte das obras da série “Desmemórias” (2010), de Lucas Simões. Foto: Jorge Almeida

A Caixa Cultural realiza até o próximo dia 20 de outubro a exposição “Desmanche”, que traz 26 obras do artista Lucas Simões, em que ele faz intervenções em objetos e imagens e também explora a profundidade e volume, em séries fotográficas, através de curvaturas, recortes e sobreposições.

As obras estão divididas nas séries “Desretratos”, “Desmemórias”, “Verdade é uma colagem contínua” e “Ficções”, que apresentam formas distintas de intervenções sobre fotografias.

Em “Desretratos”, por exemplo, Simões convidou amigos próximos para contar-lhe segredos. Enquanto eles relatavam seus desabafos, Lucas os fotografava. O intuito não era ouvir os desabafos em si, e sim captar as expressões de cada um. Depois disso, cada retratado teve sua imagem recortada e sobreposta.

Enquanto isso, em “Ficções”, o artista pesquisou imagens de lugares longínquos e, através da manipulação digital, “desmontou” a paisagem original e alterou suas cores.

SERVIÇO:
Exposição: Desmanche
Onde: Caixa Cultural – Praça da Sé, 111 – Centro
Quando: até 20/10/2013; de terça a domingo, das 9h às 20h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida  

 

Exposição reúne obras de Lucy Citti Ferreira na Pinacoteca do Estado

"Moça com Sanfona": uma das dezenas de obras de Lucy Citti Ferreira expostas na Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida
“Moça com Sanfona”: uma das dezenas de obras de Lucy Citti Ferreira expostas na Pinacoteca do Estado. Foto: Jorge Almeida

A Pinacoteca do Estado realiza até o próximo dia 19 de outubro a exposição “Lucy Citti Ferreira”, que apresenta aproximadamente 60 trabalhos da artista homônima realizados entre 1930 e 1990. A mostra exibe pinturas, gravuras, desenhos, fotografias, documentos e outros materiais impressos, que integram um conjunto de 175 itens doados por Lucy Citti Ferreira (São Paulo, SP, 1911 – Paris, França, 2008) poucos meses antes de sua morte.

A exposição é a mais completa já realizada sobre as obras de Lucy em um só espaço. Além disso, a sua última mostra individual ocorreu em 1988 no Museu Lasar Segall.

A exposição começa com obras realizadas no tempo em que Lucy passou em Paris e finaliza com produções realizadas na década de 1980. No espaço expositivo estão distribuídos retratos e autorretratos, naturezas-mortas, cenas de interiores, grupos de figuras e um vasto material de temas variados.

Em meio aos destaques estão as telas “Grupo de Cegos” (1931) e “Moça com Sanfona”, da década de 1940 (foto).

SERVIÇO:
Exposição: Lucy Citti Ferreira
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 02 – Luz
Quando: até 19/10/2013; de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até às 18h); as quintas até às 22h.
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (estudantes e professores da rede privada); entrada gratuita para alunos e professores da rede pública (em excursão escolar); pessoas menores de 10 e maiores de 60 anos, a entrada é gratuita e para o público em geral, o acesso é gratuito aos sábados e a partir das 17h nas quintas. O ingresso também dá direito à visitação à Estação Pinacoteca

Por Jorge Almeida

Kiss: 15 anos de “Psycho Circus”

Psycho Circus: primeiro álbum de inéditas com a formação original do Kiss após quase 20 anos
Psycho Circus: primeiro álbum de inéditas com a formação original do Kiss após quase 20 anos

No dia 22 de setembro passado, o álbum “Psycho Circus”, o 18º trabalho da vasta discografia do Kiss, fez 15 anos de seu lançamento. O registro é o primeiro de inéditas a ter a participação da formação clássica do Kiss desde “Dynasty” (1979). Porém, assim como o álbum de 1979, a line-up original do Kiss não participou 100% das gravações de “Psycho Circus”. A faixa “Into The Void”, por exemplo, foi a única em que Ace Frehley, Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss trabalharam juntos de fato. Vale destacar que em “Unmasked” (1980), apesar de aparecer na capa e nos créditos, Peter Criss não tocou bateria durante a produção do disco.

Depois de Ace Frehley e Peter Criss fazerem uma participação especial no “Kiss Mtv Unplugged” (1996), que tinha Eric Singer e Bruce Kulick na formação vigente na época, os rumores sobre a volta da formação original do Kiss passaram a circular pelo mundo afora. E o inevitável aconteceu. A banda voltou com a sua primeira formação e com as tradicionais mascaradas. Então, ainda em 1996, Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss iniciaram uma turnê mundial intitulada “Reunion Tour”, em que o Kiss tocou pelo mundo afora seus clássicos dos anos 1970. A tour durou um ano e, inclusive, passaram pela América do Sul, mas apenas no Chile e na Argentina, e o Brasil, incrivelmente, ficou de fora. O primeiro concerto da formação clássica aconteceu em 28 de junho no Tiger Stadium, em Detroit, Michigan (EUA). Inclusive, a versão “live” de “Shout It Out Loud” da coletânea “Greatest Kiss” (1997) foi extraída desta apresentação.

Então, o Kiss aproveitou o retorno de dois de seus integrantes originais e já tratou de gravar um disco de estúdio. Logo, o grupo passou o período entre janeiro e abril de 1998 gravando o novo trabalho nos estúdios A&M, em Hollywood (CA) e One On One, em Nova York. Porém, assim como os últimos trabalhos de Criss e Frehley com a banda no final dos anos 1970, início dos 1980, suas participações na obra inédita foram moderadas, já que boa parte das músicas foram executadas por músicos não-creditados. Ace, por exemplo, só tocou guitarra em dois temas, além de ter feito os vocais em “Into The Void”, “In Your Face” e em “You Wanted The Best”, enquanto Peter Criss, além de ter tocado bateria em “Into The Void”, fez o vocal em “I Finally Found My Way”. Anos depois, Paul Stanley disse que a forma limada do guitarrista e do baterista no álbum se deve por conta do envolvimento de advogados.

E, assim, “Psycho Circus”, que teve a produção assinada por Bruce Fairbairn (renomado produtor que trabalhou para bandas como Aerosmith, AC/DC, Scorpions, entre outros), foi lançado com algumas prensagens com uma capa lenticular, em que alterna entre o logo do Kiss preto e fotos de um palhaço e os membros da banda. Além disso, a edição japonesa vem acrescida da faixa bônus “In Your Face”. O disco estreou já na terceira posição na Billboard 200 com 110 mil cópias vendidas na semana de seu lançamento, o que não acontecia com o Kiss desde “Love Gun” (1977). E ainda foi eleito o “Álbum do Ano” pelos leitores da Metal Edge, enquanto a faixa-título foi escolhida a “Música do Ano” e o “Melhor Videoclipe”. Junto com o disco, foi lançado um jogo homônimo para PC e Dreamcast, onde os instrumentos musicais dos integrantes eram as armas.

Com o disco lançado, o Kiss partiu para uma turnê mundial, a “Psycho Circus Tour”, e lotou arenas pelo mundo afora e com uma novidade: a distribuição de óculos 3D para o espectador, o que permitia que os concertos fossem alucinatórios. O Brasil fez parte da tour com duas apresentações: uma em São Paulo, no Autódromo de Interlagos, e outra em Porto Alegre. Inclusive, por conta da visita da banda em terras tupiniquins, pouco tempo depois, os fãs brasileiros foram contemplados com uma edição especial de “Psycho Circus”: além das dez faixas de estúdio, o álbum trazia um CD bônus com seis faixas ao vivo.

Mas, voltando para o tracklist do álbum, “Psycho Circus” abre com a faixa-título, que já virou clássico e é uma espécie de “Detroit Rock City” dos anos 1990 e que, vira e mexe, a banda ainda toca. Na sequência, temos “Within”, em que Gene Simmons teve a ideia em fazê-la a partir de uma música de George Harrison: “Within You, Without You”. O terceiro tema é “I Pledge Allegiance To The State Of Rock & Roll”, escrita por Paul Stanley em parceria com Curt Cuomo e com a ‘hitmaker’ Holly Knight, e que o vocalista promete fidelidade ao “Estado do Rock ‘N’ Roll”. E Ace Frehley relembra os bons tempos com “Into The Void”, a quarta faixa do álbum. Originalmente, a música se chamava “Sharp Shooter Shakin’”, mas Simmons e Stanley estavam descontentes com a letra e o título, então, o baixista a reescreveu. O álbum chega a sua metade com a excelente “We Are One”, que foi bastante tocada nas rádios, e, segundo Gene Simmons, ela soava “meio tipo Beatles”.

A sexta canção de “Psycho Circus” é “You Wanted The Best”, que é a única música da história do Kiss em que os quatro integrantes a cantam. A sua bateria na introdução foi tirada de “Let’s Twist Again”, de Chubby Checker e pode ser entendida como um tributo da banda para com os seus fãs. Enquanto isso, temas como “Raise Your Glasses” e “Dreamin’” servem para mostrar o quanto Paul Stanley é um compositor de mão cheia e também a sua maestria em interpretá-las. Entre essas duas, há ainda a balada “I Finally Found My Way” que, particularmente, acho a canção mais chata do álbum. Foi feita somente pelo fato de que Peter Criss precisava cantar algo e ela veio na tentativa de ser uma “Beth”, o que está longe de ser. E, para finalizar, Gene Simmons canta a melancólica “Journey Of 1000 Years”. Bom, se considerarmos a versão nipônica do disco, o final vem com “In Your Face”, escrita por Simmons e cantada por Ace, que não acrescenta nada, só foi incluída para agradar o mercado japonês.

Já o CD bônus que, por incrível que pareça, não foi lançado no mercado norte-americano, reúne seis faixas que foram gravadas ao vivo nos dias 12 e 13 de dezembro de 1998 em shows realizados em Indianápolis, Idiana. São três temas do disco novo – “Psycho Circus”, “Within” e “Into The Void”, com um solo Ace embutido – e três clássicos do Kiss lançados originalmente no ano de 1974: “Let Me Go, Rock ‘N’Roll”, de “Hotter Than Hell”, “100,000 Years” e “Black Diamond”, de seu ‘debut’.

O play vale a pena a ser adquirido, pois trata-se de um grande disco, pode até não ser exatamente como os dos anos 1970, mas é melhor do que alguns que foram lançados nos anos 1980, da fase sem máscaras. Ou seja, está no mesmo patamar de um “Lick It Up” (1983) ou de um “Animalize” (1984).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Psycho Circus”.

Álbum: Psycho Circus
Intérprete: Kiss
Lançamento: 22 de setembro de 1998
Gravadora: Mercury
Produtor: Bruce Fairbairn

Paul Stanley: voz, voz na introdução em “Black Diamond (live)”, guitarra base, baixo em “I Finally Found My Way
Gene Simmons: voz, baixo e guitarra rítmica em “We Are One
Ace Frehley: guitarra solo, voz em “Into The Void”, “You Wanted The Best” e “In Your Face
Peter Criss: bateria em “Into The Void” e em todas as faixas do CD bônus e voz em “You Wanted The Best”, “I Finally Found My Way” e “Black Diamond (live)

Bruce Kulick: guitarra – introdução e solo de “Within” e guitarra rítmica e solo em “Dreamin’
Tommy Thayer: guitarra em todas as faixas, exceto em “Into The Void”, “You Wanted The Best” e “In Your Face” e nas faixas do CD bônus
Kevin Valentine: bateria (exceto em “Into The Void” e nas faixas do CD bônus)
Shelly Berg: piano em “I Finally Found My Way” e “Journey Of 1000 Years

1. Psycho Circus (Stanley / Cuomo)
2. Within (Simmons)
3. I Pledge Allegiance To The State Of Rock & Roll (Cuomo / Knight / Stanley)
4. Into The Void (Frehley / Cochran)
5. We Are One (Simmons)
6. You Wanted The Best (Simmons)
7. Raise Your Glasses (Knight / Stanley)
8. I Finally Found My Way (Ezrin / Stanley)
9. Dreamin’ (Kulick / Stanley)
10. Journey Of 1000 Years (Simmons)
11. In Your Face (Simmons) *
CD bônus:
1. Psycho Circus (live) (Stanley / Cuomo)
2. Let Me Go, Rock ‘N’ Roll (live) (Stanley / Simmons)
3. Into The Void (live) (Frehley / Cochran)
4. Within (live) (Simmons)
5. 100,000 Years (live) (Stanley / Simmons)
6. Black Diamond (live) (Stanley)

* Lançada somente no Japão.

Por Jorge Almeida

Exposição “Corpos e Rostos” no MASP

O MASP recebe a exposição "Corpos e Rostos" até o próximo dia 13/10. Foto: Jorge Almeida / Arquivo
O MASP recebe a exposição “Corpos e Rostos” até o próximo dia 13/10. Foto: Jorge Almeida / Arquivo

A mostra “Corpos e Rostos” está em cartaz até o próximo dia 13 de outubro no Museu de Arte de São Paulo (MASP), e reúne cerca de 50 obras, entre seis pinturas e 44 gravuras, do alemão Lucian Freud (1922-2011), além de aproximadamente 30 imagens do artista captadas pelo amigo e fotógrafo David Dawson.

Conhecido por seus trabalhos com retratos de forte apelo comercial, Lucian, neto do pai da psicanálise – Sigmund Freud -, em 60 anos de atividade artística, foi um dos maiores artistas figurativos contemporâneos.

Enquanto isso, as fotografias de Dawson, retratadas entre 2001 e 2007, mostram raras imagens da vida reservada de Lucian Freud e também tentava transmitir a mesma dramaticidade das obras do amigo.

Inclusive, em meio às atrações da mostra estão: “Jovem Com Rosas”, uma das mais conhecidas de Lucian, e “Jovem Nua Com Ovo”, além de um registro que David Dawson fez da Sua Majestade a Rainha Elizabeth II, em 2001.

SERVIÇO:
Exposição: Corpos e Rostos
Onde: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César
Quando: até 13/10/2013; as terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h; e nas quintas, das 11h às 20h
Quanto: R$ 15,00; R$ 7,00 (estudante); entrada gratuita para menores de 10 e maiores de 60 anos e para o público em geral às terças

Por Jorge Almeida

Black Sabbath: 35 anos de “Never Say Die!”

"Never Say Die!": último registro de inéditas com a formação original do Black Sabbath
“Never Say Die!”: último registro de inéditas com a formação original do Black Sabbath

Hoje, 28 de setembro, marca o 35º aniversário do oitavo trabalho de estúdio dos britânicos do Black Sabbath, o álbum “Never Say Die!”. Gravado entre janeiro e maio de 1978 no Sound Interchange, em Toronto, Ontario, no Canadá, o disco foi o último de inéditas a ter Ozzy Osbourne nos vocais antes de “13”, lançado neste ano.

A situação entre os integrantes do Black Sabbath ao longo da turnê de “Technical Ecstasy” não ia nada bem, em especial a Ozzy Osborne, que chegou a sair da banda no final de 1977, às vésperas de entrarem em estúdio para a gravação do novo álbum, por conta dos abusos com álcool e drogas e também da morte de seu pai. Enquanto isso, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward tentaram experimentar durante um curto espaço o ex-Fleetwood Mac Dave Walker para o lugar de Ozzy, chegando até a compor algumas composições com ele. Inclusive, uma dessas músicas – “Junior’s Eyes” – foi apresentada em um programa da BBC chamado “Look! Hear!”. No entanto, Osbourne resolve voltar para a banda e recusou-se a gravar qualquer material escrito com Dave Walker, o que fez com que o processo de gravação do álbum atrasasse. No final, eles tiveram de reescrever todas as faixas para gravar o disco, exceto “Swinging The Chain” que foi recusada pelos integrantes da banda a ser reescrita, por isso que ela foi cantada por Bill Ward.

Apesar de ter conseguido convencer os colegas a escrever novamente as letras para “Never Say Die!”, Ozzy Osbourne ainda não se mostrava satisfeito com o direcionamento musical que o Black Sabbath estava a rumar, ou seja, o uso de elementos eletrônicos, assim como no trabalho anterior, e experimentais, além das influências “jazzísticas” de Tony Iommi. Aliás, os desentendimentos entre o vocalista e os demais integrantes, em especial com o guitarrista, no período eram constantes. Nos shows, as improvisações de Iommi – que dizem que durava uma hora de duração – chegaram a irritar Ozzy, que também não ficou nenhum pouco satisfeito com o local da gravação do disco, em Toronto. A cidade canadense foi escolhida por Tony por conta dos impostos, que certamente eram inferiores aos cobrados no Reino Unido ou nos EUA.

Lançado no final de setembro, “Never Say Die!” atingiu a 12ª colocação nos charts britânicos e a modesta 69ª posição nas paradas norte-americanas. Após o término das sessões, o Black Sabbath saiu em uma turnê que começou em maio e teve como banda de abertura o Van Halen, que fazia pela primeira vez uma turnê mundial e promovia o seu ‘debut’. Porém, as empolgadas apresentações de David Lee Roth e sua trupe estavam roubando a cena, pois, contrastavam com as da banda de Birmingham, que tinha um desempenho que deixava muito a desejar. Além disso, a dependência de álcool e drogas dos integrantes, em especial Ozzy Osbourne, estava atrapalhando o andamento do Black Sabbath e, dessa forma, aconteceu o inevitável: o desligamento do Madman do grupo em abril de 1979. O último show com a formação original, antes das reuniões posteriores, aconteceu em um concerto em Albuquerque, Estado do Novo México (EUA), em 11 de dezembro de 1978.

Mas, voltando a falar do álbum, “Never Say Die!” não agradou os fãs mais fervorosos (e nem a Ozzy Osbourne), que apelidaram o trabalho jocosamente de “Never Say Jazz!”, em função da influência “jazzística” nas músicas. E, dessa vez, o tecladista não foi Geoff Nicholls, e sim Don Airey, que trabalhou com Ozzy na carreira solo do Madman e hoje ganha a vida no Deep Purple.

Mesmo com as críticas, “Never Say Die!” tem seus pontos altos, como a própria faixa-título, “Junior’s Eyes” e “A Hard Road”, que é a única canção da história do Black Sabbath a ter os vocais de todos os integrantes.

Certamente, o disco não consta no rol dos clássicos ‘sabáticos’ por falta do peso característico nos trabalhos da banda, mas “Never Say Die!” não pode ser considerado o “patinho feio” da história quase cinquentenária do grupo.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist de “Never Say Die!”.

Álbum: Never Say Die!
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 28 de setembro de 1978
Gravadora: Vertigo (Reino Unido) / Warner Bros. (EUA)
Produtor: Black Sabbath

Ozzy Osbourne: voz
Tony Iommi: guitarra e backing vocal em “A Hard Road
Geezer Butler: baixo e backing vocal em “A Hard Road
Bill Ward: bateria, backing vocal em “A Hard Road” e voz em “Swinging The Chain

Don Airey: teclados
Will Malone: arranjos do baixo

1. Never Say Die! (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
2. Johnny Blade (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
3. Junior’s Eyes (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
4. A Hard Road (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
5. Shock Wave (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
6. Air Dance (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
7. Over To You (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)
9. Swinging The Chain (Iommi / Osbourne / Butler / Ward)

Por Jorge Almeida

Exposição “Retorno à Amazônia” no Espaço Cultural BM&FBOVESPA

O Espaço Cultural BM&FBOVESPA está com a mostra “Retorno à Amazônia” em cartaz até o dia 11 de outubro de 2013, e reúne cerca de 30 telas ilustrativas com imagens feitas pela fotógrafa Carrie Vonderhaar, além de comentários informativos feitos por Jean Michael Cousteau, curador da mostra, e um vídeo.

A exposição trata-se, na verdade, de um tributo ao ambientalista Jacques Custeau, que juntamente com seu filho Jean Michael Cousteau e uma equipe composta por 50 pessoas, que, em 1982, fizeram uma expedição pelos 6.800 quilômetros pela Amazônia, que foi explorada (não no pior sentido da palavra) por céu, terra e ar.

Então, passados 25 anos da primeira expedição feita com o pai, Jean Michael revisitou o local com seus herdeiros e documentou as mudanças ocorridas no local ao longo dessas duas décadas e meia. A resposta pode ser encontrada nas imagens de Vonderhaar.

Entre as imagens, o visitante poderá conferir o “Pôr-do-sol na Amazônia”, “Sagui-Imperador”, “Jacaré da Amazônia”, a “Pororoca” (fenômeno natural que ocorre quando as águas dos rios amazônicos se encontram com as águas oceânicas).

SERVIÇO:
Exposição: Retorno à Amazônia
Onde: Espaço Cultural BM&FBOVESPA – Praça Antônio Prado, 48 – Centro
Quando: até 11/10/2013; de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Ramones: 35 anos de “Road To Ruin”

Road To Ruin: álbum que marca a estreia de Marky Ramone na baqueta dos Ramones
Road To Ruin: álbum que marca a estreia de Marky Ramone na baqueta dos Ramones

No último dia 21 de setembro, o álbum “Road To Ruin”, dos Ramones, fez 35 anos de seu lançamento. O registro marcou a estreia de Marc Bell, que virou Marky Ramone, obviamente, na banda. O ex-Dust substituiu Tommy Ramone na bateria. Além disso, o disco traz outra peculiaridade: foi o primeiro trabalho do grupo com música que ultrapassou os três minutos de duração.

O último registro de Tommy como integrante da banda foi na gravação de um concerto que ocorreu no dia 31 de dezembro de 1977 no Rainbow Theatre, em Londres. Esse show, um ano depois de sua realização, foi lançado como “It’s Alive” (1979), o primeiro trabalho ao vivo dos Ramones e que trazia 28 temas ramônicos intercalados pelos famosos berros “one, two, three, four!” de Dee Dee Ramone. A saída do baterista foi de forma amigável e, inclusive, a principal causa de seu desligamento foi pelo fato de que Tommy estava saturado das longas turnês que os Ramones vinham fazendo. Então, ele dedicou-se à produção de discos, inclusive o próprio “Road To Ruin” e “Too Tough To Die”, e passou a assinar com o seu nome verdadeiro: Tommy Ederlyi.

Com Marky assumindo o posto de baterista em maio de 1978 e, algumas semanas depois, entrou juntamente com Joey, Johnny e Dee Dee Ramone, no estúdio Media Sound, em Nova York, para dar início às gravações do quarto álbum de inéditas da banda punk, cujas seções duraram até junho do mesmo ano. A primeira apresentação com o novo integrante aconteceu em 29 de junho de 1978, logo após a gravação do disco. Então, os Ramones realizaram cerca de 160 shows para a divulgação do álbum.

No final daquele ano, começaram as filmagens de “Rock ‘N’ Roll High School”, um filme produzido em 1979 produzido por Roger Corman e que teve a participação dos Ramones. Porém, o (pouco) dinheiro que a banda recebeu durante as gravações do filme, em Los Angeles, não era suficiente para pagar a conta do hotel. Então, para compensar o “preju”, o quarteto faziam shows em cidades próximas.

Quanto a “Road To Ruin”, ele soou mais pop em relação aos trabalhos anteriores e também é nítida a influência dos grupos sessentistas, em especial os femininos, em músicas como “Don’t Come Close”. E claro que o disco não poderia ficar sem o seu cover. Dessa vez, a música “coverizada” pelos Ramones foi a balada “Needles And Pins”, composta pela dupla Jack Nitzche e Sonny Bono, e que foi gravada primeiramente por Jackie de Shannon em 1963. O disco é recheado de boas músicas, como as citadas anteriormente, e também a faixa que abre o disco (“I Just Want To Have Something To Do”), “I Don’t Want You”, “I’m Against It”, que foi regravada pela banda Overkill em seu álbum de covers intitulado “Coverkill” (1999), a empolgante “She’s The One”, “Bad Brain”, faixa que inspirou os, então, desconhecidos Mind Power a mudarem o nome que dá título à canção, porém, com o substantivo (“brain” = “cérebro”) no plural. E, sem deixar de destacar o clássico “I Wanna Be Sedated”, que, de longe, é a música mais conhecida de “Road To Ruin” e um dos maiores clássicos dos Ramones.

A capa do álbum foi ilustrada por John Homstron, da revista Punk. Vale destacar que o vinil editado nos Estados Unidos foi prensado da forma tradicional, ou seja, na cor preta, enquanto no Reino Unido, o material foi prensado em vinil amarelo transparente.

A versão original dos EUA do álbum foi prensado em vinil preto tradicional, enquanto que a versão original no Reino Unido foi prensado em vinil amarelo transparente.

Em 2001, “Road To Ruin” foi relançado com cinco faixas bônus. Duas delas – “I Want You Around” e “Rock ‘N’ Roll High School” – foram remixadas por Ed Stasium e lançadas anteriormente na trilha sonora de “Rock ‘N’ Roll High School” (1979) e na coletânea dupla “Hey Ho! Let’s Go! Ramones Anthology” (1999), enquanto “Come Back, She Cried A.K.A. I Walk Out” foi gravada em uma demo de “Road To Ruin”, “Yea, Yea” foi gravada durante as sessões de “Pleasant Dreams” (1981), mas já havia sido lançada na coletânea “All The Stuff (And More) – Volume 2” (1991) e, finalmente, o medley “Blitzkrieg Bop / Teenage Lobotomy / California Sun / Pinhead / She’s The One” também consta no tracklist na trilha sonora do filme.

Assim como os três primeiros trabalhos dos Ramones, esse também é obrigatório para quem quiser conhecer melhor o mundo “ramônico” de Joey Ramone e camaradas. Fica a dica.

Abaixo, a ficha técnica e o tracklist desse clássico do rock.

Álbum: Road To Ruin
Intérprete: Ramones
Lançamento: 21 de setembro de 1978
Gravadora: Sire / Warner Bros.
Produtores: Tommy Ederlyi e Ed Stasium

Joey Ramone: voz
Johnny Ramone: guitarra
Dee Dee Ramone: baixo e backing vocal
Marky Ramone: bateria

1. I Just Want To Have Something To Do (Ramones)
2. I Wanted Everything (Ramones)
3. Don’t Come Close (Ramones)
4. I Don’t Want You (Ramones)
5. Needles And Pins (Bono / Nitzsche)
6. I’m Against It (Ramones)
7. I Wanna Be Sedated (Ramones)
8. Go Mental (Ramones)
9. Questioningly (Ramones)
10. She’s The One (Ramones)
11. Bad Brain (Ramones)
12. It’s A Long Way Back (Ramones)
Bônus:
13. I Want You Around (Ed Stasium Version) (Ramones)
14. Rock ‘N’ Roll High School (Ed Stasium Version) (Ramones)
15. Blitzkrieg Bop/Teenage Lobotomy/California Sun/Pinhead/She’s The One (Ramones / Glover & Levy)
16. Come Back, She Cried A.K.A. I Walk Out (demo) (Ramones)
17. Yea, Yea (demo) (Joey Ramone)

Por Jorge Almeida