Pink Floyd: 50 anos de “The Piper At The Gates Of Dawn”

“The Piper At The Gates Of Dawn”: o único disco do Pink Floyd a ter a presença de Syd Barrett e que apresentou a banda para o mundo

Hoje, 5 de maio, marca o 50º aniversário do álbum de estreia de uma das maiores bandas da história, o Pink Floyd. O disco “The Piper At The Gates Of Dawn” foi o início de tudo para aquele que é considerado o maior grupo da história do rock progressivo, assim como foi o único a ter a participação de seu mentor: Syd Barrett. Produzido por Norman Smith, engenheiro dos Beatles, o play foi gravado entre fevereiro e julho de 1967 no Abbey Road Studios, da EMI, em Londres.

O título do disco é baseado no conto infantil “O Vento Nos Salgueiros” (1908), de Kenneth Grahame, onde o Rato e a Toupeira, enquanto procuravam por um animal perdido, tiveram uma experiência religiosa. O flautista (the piper) é identificado com o deus grego Pan.

Os estudantes de arquitetura Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright e o estudante de arte Syd Barrett tocaram sob vários nomes de grupo desde 1962 até definirem por Pink Floyd em 1965. Em fevereiro de 1967 se tornaram músicos profissionais quando assinaram com a EMI, com uma taxa de adiantamento de £ 5.000. O primeiro single lançado, “Arnold Layne”, foi lançado em 11 de março de 1967, e causou controvérsia por abordar sobre um travesti cleptomaníanco, e que foi recusada de ser tocada pela Radio London.

Três semanas depois, um comunicado de imprensa da EMI afirmou que o grupo era “porta-vozes musicais para um novo movimento que envolve experimentação em todas as artes”. A banda voltou aos estúdios para gravar o seu segundo single: “See Emily Play”, que saiu em 18 de maio e, depois de um mês, chegou ao número seis nas paradas britânicas.

No entanto, o Pink Floyd pegou a reputação nos tabloides de compor músicas para usuários de LSD. A ilustre News Of The World, por exemplo, reportou uma história nove dias antes do início das sessões de gravações do álbum, dizendo que “o grupo Pink Floyd se especializa em ‘música psicodélica’, que é projetada para ilustrar experiências com LSD”. Ao contrário do rótulo imposto pela mídia, apenas Barrett tomava LSD.

À frente do ‘debut’ da banda, Syd Barrett, cantor, compositor e guitarrista, impôs nas onze faixas que compõem o play seu toque de arte, poesia e cor e que, juntamente com seus companheiros, construíram uma nova forma de fazer música onde armação de rima era abandonada e os solos de guitarra duravam imensamente. Além disso, as influências do grupo não se limitavam à área musical, literatura e artes também faziam parte do contexto.

As gravações tiveram início em 21 de fevereiro com seis tomadas de “Matilda Mother“, depois chamado “Matilda’s Mother“. Na semana seguinte, a banda gravou cinco tomas de “Interstellar Overdrive” e “Chapter 24“. Em 16 de março, a banda teve outro passo na gravação “Interstellar Overdrive“, na tentativa de criar uma versão mais curta, e “Flaming” (originalmente intitulado “Snowing“), que foi gravado em uma única jogada com um overdub vocal. Em 19 de março, seis tomadas de “The Gnome” foram gravadas. No dia seguinte, os integrantes gravaram  “Take Up Thy Stethoscope And Walk“, de Waters. Em 21 de março, o grupo foi convidado a assistir à gravação de “Lovely Rita”, dos Beatles. No dia seguinte, eles gravaram “The Scarecrow” em uma tomada. As próximas três faixas – “Astronomy Domine“, “Interstellar Overdrive” e “Pow R. Toc H.” – foram trabalhados extensivamente entre 21 de março e 12 de abril, tendo sido originalmente com longos instrumentais. Entre 12 e 18 de abril, a banda gravou “Percy The Rat Catcher” e uma faixa inédita chamada “She Was A Millionaire“.

Percy The Rat Catcher” recebeu overdubs em cinco sessões de estúdio e depois foi misturado no final de junho, eventualmente recebendo o nome de “Lucifer Sam“. Os créditos para a maioria do álbum é assinado unicamente à Barrett, com faixas como “Bike” que foram escritas no final de 1966 antes do início do álbum. “Bike” foi gravado em 21 de maio de 1967 e originalmente intitulado “The Bike Song“. Em junho, o crescente uso de LSD por parte de Barrett durante o projeto de gravação o deixou visivelmente debilitado.

Os fãs interpretam a relação de Syd Barrett dentro da vasta obra do Pink Floyd nas décadas seguintes com a emoção do rato na narração sobre o prazer temporário que se decompõe em amargura pela impossibilidade de senti-lo de novo.

Logo após a saída de Syd,o Pink Floyd colocou em seu lugar o melhor amigo de Barrett, seu nome: David Gilmour, que, juntamente aos demais integrantes, colocou o grupo fundado por Syd Barrett em outro patamar. Apesar de não ter participado do processo de gravação do álbum de estreia, Gilmour sempre reverencia o disco ao executar “Astronomy Domine”.

Com letras caprichosas sobre espantalhos, gnomos, um rato chamado Gerard, bicicletas e contos de fadas aliando passagens instrumentais de rock psicodélico, “The Piper…” é considerado um dos pioneiros do art rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: The Piper At The Gates Of Dawn
Intérprete: Pink Floyd
Lançamento: 5 de agosto de 1967
Gravadoras: Columbia/EMI (Reino Unido); Tower/Capitol (EUA)
Produtor: Norman Smith

Syd Barrett: guitarras e voz
Roger Waters: baixo e voz
Richard Wright: órgão, piano, órgão Farfisa, sintetizador, violoncelo, vocais

Nick Mason: bateria e percussão
Peter Jenner: vocalizações no início de “Astronomy Domine

1. Astronomy Domine (Barrett)
2. Lucifer Sam (Barrett)
3. Matilda Mother (Barrett)
4. Flaming (Barrett)
5. Pow R. Toc H. (instrumental) (Barrett / Waters / Wright / Mason)
6. Take Up The Stethoscope And Walk (Waters)
7. Interstellar Overdrive (instrumental) (Barrett / Waters / Wright / Mason)
8. The Gnome (Barrett)
9. Chapter 24 (Barrett)
10. The Scarecrow (Barrett)
11. Bike (Barrett)

Por Jorge Almeida

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