Guns N’ Roses: 30 anos de “Appetite For Destruction”

A capa “alternativa” e a “obscena” e original de “Appetite For Destruction”: clássico do Guns N’ Roses que completa 30 anos

Nesta sexta, 21 de julho, um dos melhores álbuns de Hard Rock dos anos 1980 completa 30 anos de seu lançamento: o clássico “Appetite For Destruction”, o primeiro trabalho de estúdio do Guns N’ Roses. Gravado nos estúdios Rumbo, Take One e Can Am, ambos em Los Angeles, na Califórnia, o disco foi produzido por Mark Clink e distribuído pela Geffen Records.

Depois de terem surgido oriundos de ex-membros do Hollywood Rose e do L.A. Guns, e mais algumas alterações em sua formação, o Guns N’ Roses estreou nos palcos em junho de 1986 e, pouco tempo depois, foi lançado o EP “Live ?!*@ Like a Suicide”, pelo próprio selo UZI Suicide. Mas, antes disso, Axl Rose e companhia assinaram contrato com a Geffen Records e, a partir de então, começou a caça para um produtor para assinar o trabalho de estreia da banda. Músicos profissionais e renomados procuraram o grupo para produzi-los, entre eles, Paul Stanley, do Kiss, mas o escolhido acabou sendo o novato Mike Clink.

Depois de algumas semanas de ensaio, o grupo deu início às gravações em janeiro de 1987. O produtor Clink trabalhara 18 horas por dia na produção, especialmente na companhia de Slash para gravar as dobras de guitarra à tarde, e os vocais de Axl. Em um trabalho meticuloso, o produtor e o guitarrista passaram horas e horas regravando e reestruturando os solos de guitarra. A bateria e a percussão de Steve Adler, de acordo com o próprio, foram feitas em seis dias. Mas, os vocais de Axl levaram bastante tempo por conta do perfeccionismo do vocalista, que insistia gravá-los verso por verso, o que fez com que os demais membros desistissem de acompanhar as gravações. A gravação e produção do álbum foram orçados em US$ 370 mil.

A pegada do álbum se dá à popularidade do Hard Rock dos anos 1980, com forte influência do AC/DC e dos Rolling Stones, com guitarras em evidência em músicas recheadas de solos acompanhadas por vocais altos e distorcidos. Aclamado pela crítica, “Appetite For Destruction” foi um grande sucesso comercial e se tornou o disco de estreia mais vendido da história da música. O álbum configura constantemente nos rankings dos melhores de todos os tempos, como a presença no “100 melhores álbuns de todos os tempos” da revista Kerrang!, especial lançado em 2006 que o coloca no topo da lista. Além disso, ele está na lista dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos, assim como mundialmente, com mais de 40 milhões de cópias comercializadas até hoje.

À medida que a popularidade do álbum (e da banda) aumentava, o Guns N’ Roses era requisitado para ser atração de abertura de pesos pesados, como The Cult, Aerosmith, Alice Cooper, Iron Maiden e os Rolling Stones, e, posteriormente, encabeçando as suas próprias apresentações na “Appetite For Destruction Tour”.

O disco abre com a clássica “Welcome To The Jungle”, que fala sobre o inferno de viver na cidade grande e os perigos que ela representa para quem por lá se aventura em busca de jogos e prazer. A música foi tocada à exaustão nas rádios e o videoclipe teve alta rotação na MTV, que o exibiu pela primeira vez de madrugada. Na sequência, “It’s So Easy”, feita por Duff McKagan e West Arkeen, já falecido, e fala como as coisas se tornam tediosas quando foi facilmente conquistadas. Durante o período entre 1987 e 1993, a música foi tema de abertura nas apresentações do grupo. O terceiro tema é “Nightrain”, que homenageia a famosa marca de vinho californiana, a Night Train Express, que era bastante consumida pelos integrantes da banda, especialmente pelo baixo preço e o alto teor alcoólico em seu conteúdo. A primeira metade do primeiro solo e a intro são tocadas por Izzy Stradlin, enquanto a segunda metade do primeiro solo e o segundo solo são tocados por Slash. Posteriormente, o play segue com “Out Ta Get Me”, cujo enredo é centrado nos problemas constantes que Axl tinha com a leu em Lafayett, no Indiana. Em seguida, temos “Mr. Brownstone” que foi escrita pela dupla Slash e Izzy Stradlin, enquanto eles conversavam sobre o vício dos dois pela heroína, que também era conhecida por eles como ‘brownstone’. O álbum chega à sua metade com o petardo “Paradise City”, que, segundo Slash, foi composta na traseira de uma van alugada voltando de San Francisco. O guitarrista e o vocalista, regados a muita bebedeira, murmuravam um para o outro o refrão da música e os demais expandido os versos da música e, no final, Slash juntou tudo com o riff principal, embora alguns acreditem que a letra é referência à Los Angeles por conta de sua corrupção na época, enquanto outros creditem que Axl e Izzy se referem a Lafayette (Indiana). Particularmente, na opinião deste que vos escreve, é a melhor música dos Guns N’ Roses.

O lado B de “Appetite…” começa com “My Michelle”, que foi a única canção do álbum que Slash não utilizou a sua Gibson Les Paul, mas sim uma Gibson SG. A música foi inspirada em Michelle Young, amiga de Axl e Slash, que um dia estava com a dupla e disse que adoraria ter uma canção sobre ela foi escrita. O vocalista primeiro escreveu uma música romântica, mas desistiu e resolveu fazer algo mais ‘honesto’. No começo, os demais integrantes da banda ficaram temeroso em gravar essa nova versão, com receio de a homenageada não gostar, mas ela curtiu e aprovou a sinceridade, quando a música fala de seus vícios, a morte da mãe e o trabalho do pai na indústria pornográfica. Já em “Think About You”, escrita em volta de 1983 e 1984, por Izzy Stradlin que, de acordo com o próprio, seu título fala de “sexo, drogas, Hollywood e dinheiro”, e é um dos raros temas da banda em que ele faz o solo. A metade do lado B chega com aquela que, talvez, seja o maior clássico dos Gunners: “Sweet Child O’Mine”, com o seu famoso riff, que surgiu por “acidente”. Pois, enquanto Slash estava na sala próximo de uma lareira tocando o que seria a introdução, Izzy e Duff tocavam os acordes por trás dela. Axl, que estava no andar de cima da casa, ao ouvi-los, escreveu a letra. No dia seguinte, quando estavam no estúdio, o vocalista pediu para que tocassem novamente o que estavam tocando na noite anterior, e “tchan-ran-ran!”: foi transformada em música. A “sweet child” em questão era Erin Everly, então namorada e futura esposa de Axl, que, inclusive, ofereceu-lhe metade dos royalties por simplesmente ter sido a inspiração dele para escrever a canção. O álbum vai chegando ao fim com as medianas “You’re Crazy” e “Anything Goes”, e o gran finale vem com “Rocket Queen”, que foi um presente de uma antiga paixão de Axl, Barbi Von Greif, moça que vivia em um submundo e tinha uma banda de rock, que inicialmente recebeu o nome de Rocket Queen, mas que mudou de nome. A canção foi oferecida a Rose, que juntamente com a banda alteraram o original. No entanto, os gemidos ouvidos na música, na verdade, não é de Barbi, mas sim de uma mulher chamada Adriana Smith, antiga namorada de Steve Adler, que teve relações sexuais nos estúdios com Axl Rose, e que o áudio dessa relação foi gravada e inserida na música. Embora muitos confundem os gemidos de Adriana com o da verdadeira Rocket Queen, Barbi Von Greif. Anos depois, em entrevista à Rolling Stone, Smith revelou que Adler ficou possesso quando descobriu a gravação.

E “Appetite For Destruction” não chamou atenção apenas pela qualidade das músicas, a capa também merece uma atenção à parte. Ilustrada por Robert Williams, o desenho retrata uma mulher que supostamente teria sido vítima de um estupro, com as calcinhas abaixadas na altura dos joelhos, ao lado de seu possível algoz, um robô. No entanto, a imagem foi considerada obscena e depreciativa contra as mulheres e proibida nos Estados Unidos e alguns outros países. Assim, a ilustração foi substituída por outra que trazia um crucifixo com caricaturas de cada integrantes do grupo como se fossem caveiras, uma imagem que Axl tem tatuada em seu antebraço direito. Contudo, a capa original foi lançada normalmente em vários países, inclusive o Brasil.

Aliás, a data não passou em branco para a banda. Na véspera da data que completa 30 anos do lançamento do emblemático álbum, o grupo vai fazer uma apresentação intimista, apenas para convidados, no Apollo Theatre de Nova York. O evento será uma ação exclusiva da rede de rádios americana SiriusXM, que deverá transmitir o show.

Enfim, passados 30 anos, você pode até questionar o desempenho de Axl Rose hoje em dia e a atual formação do Guns N’ Roses, pode até ter deixado de gostar da banda, ou simplesmente não curtir mesmo o grupo, mas, não reconhecer esse trabalho dos caras é, no mínimo, incoerente. Clássicão de primeira.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Appetite For Destruction
Intérprete: Guns N’ Roses
Lançamento: 21 de julho de 1987
Gravadora: Geffen Records
Produtor: Mark Clink

Axl Rose: voz, percussão em “Welcome To The Jungle” e apito em “Paradise City
Slash: guitarra solo
Izzy Stradlin: guitarra rítmica e backing vocal
Duff McKagan: baixo e backing vocal
Steven Adler: bateria

1. Welcome To The Jungle (Rose / Slash / McKagan)
2. It’s So Easy (McKagan / Arkeen)
3. Nightrain (Stradlin / Rose / Slash / McKagan)
4. Out Ta Get Me (Stradlin / Rose)
5. Mr. Brownstone (Stradlin / Slash)
6. Paradise City (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
7. My Michelle (Stradlin / Rose)
8. Think About You (Stradlin)
9. Sweet Child O’Mine (Stradlin / Slash / Rose / McKagan)
10. You’re Crazy (Stradlin / Slash / Rose)
11. Anything Goes (Stradlin / Rose / Weber)
12. Rocket Queen (Rose / Slash / McKagan)

Por Jorge Almeida

 

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