Supertramp: 40 anos de “Even In The Quietest Moments…”

“Even In The Quietest Moments…”, clássico do Supertramp que completa 40 anos em 2017

O quinto álbum da banda inglesa de rock Supertramp, o clássico “Even In The Quietest Moments…”, completou 40 anos de seu lançamento no último dia 10 de abril. Produzido pela própria banda, o material foi gravado entre novembro de 1976 e janeiro de 1977 em que boa parte foi gravada nos estúdios Caribou Ranch, em Nederlands, no Colorado, e os vocais, overdubs e mixagem finalizados no Record Plant, em Los Angeles. O disco foi o primeiro do grupo a ter Peter Henderson como engenheiro de som. Função na qual ele participou até a saída de Roger Hodgson da banda em 1983.

Apesar de as músicas do play estarem creditadas em conjunto por Rick Davies e Roger Hodgson no melhor estilo Lennon/McCartney, elas foram escritas separadamente pelos dois. Enquanto Davies escreveu “Lover Boy”, “Downstream” e “From Now On”, Hodgson, por sua vez, compôs a faixa-título, além de “Give A Little Bit”, “Babaji” e “Fool’s Overture”.

O disco abre com o clássico “Give A Little Bit”, que foi lançada como single e que alcançou o Top 20 na parada de singles norte-americana e o 29° lugar na parada de singles do Reino Unido. Em seguida vem “Lover Boy” que, segundo Rick Davies, foi inspirada em propagandas de revistas masculinas dando dicas de como pegar mulheres. O terceiro tema é a também clássica faixa-título que, em boa parte, foi escrita durante uma passagem de som do grupo para um show em Compenhague. Na ocasião, Davies e Hodgson trabalharam diversos trechos da música com o primeiro em um kit de bateria e o segundo em um sintetizador de cordas Oberheim. É uma espécie de “dupla canção de amor” – pode ser por uma garota ou pode ser para Deus. E o lado A é encerrado com “Downstream”, feita apenas com Rick Davies no vocal e no piano, que foram gravados juntos em uma tomada. É a música favorita do baterista Bob Siebenberg, pois, para ele, trata-se de algo “tão pessoal e tão puro”.

O lado B começa com “Babaji”, que contém controvérsia por conta de supostas conotações religiosas. O termo que dá título à música é um honorífico indiano que significa “Pai”, geralmente com grande respeito – como se fosse “lord” para os ingleses. A penúltima faixa é “From Now On”, que teve uma breve seção tocada com um piano Fender Rhodes por Rick Davies. E, para finalizar, outro clássico: “Fool’s Overture”, a música é uma colagem de instrumentação progressiva e amostras de som. Primeiro, há trechos do famoso discurso da Câmara dos Comuns de Winston Churchill, de 4 de junho de 1940, sobre o envolvimento da Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial (“Never Surrender“), e depois são ouvidos sons de carros policiais e sinos da torre do relógio Big Ben de Londres. É uma viagem de quase onze minutos em que o instrumental é um destaque à parte, com direito a Hodgson brilhando nos vocais, como muitos poucos podem imitar o seu agudíssimo timbre.

Curiosamente, “Even In The Quietest Moments…” se diferencia dos outros trabalhos do Supertramp por ser o único em que o piano elétrico Wurlitzer, característico da banda, não é utilizado em nenhuma das faixas.

A capa do disco traz uma fotografia real de um piano coberto de neve no topo da montanha no Eldora Mountain Resort, nas proximidades dos estúdios Caribou Ranch. E há uma “pegadinha” na capa: embora a partitura esteja intitulada “Fool’s Overture”, ela é, na verdade, de “The Star-Splangled Banner”, o hino nacional norte-americano. Uma versão remasterizada do CD, lançada pela A&M no dia 11 de junho de 2002, traz o trabalho artístico original do álbum, incluindo uma foto da banda contida no encarte que estava ausente na primeira edição do álbum em CD.

O disco alcançou o 16° lugar nas paradas norte-americanas da Billboard Pop Albums em 1977 e, pouco depois do lançamento, ganhou o primeiro disco de ouro da banda, nos Estados Unidos (500 mil cópias vendidas), parte disso se deve ao single de “Give a Little Bit”, que alcançou o Top 20 na parada de singles norte-americana e o 29° lugar na parada de singles do Reino Unido.

Esse é disco gostoso de se ouvir, pois começa e termina com dois petardos, além da faixa-título, que foi também tocada bastante nas rádios norte-americanas na época. E detalhe: e o melhor ainda estava por vir para o Supertramp.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Even In The Quietest Moments…
Intérprete: Supertramp
Lançamento: 10 de abril de 1977
Gravadora: A&M
Produtor: Supertramp

Rick Davies: piano acústico (faixas 1, 2, 4, 6 e 7), órgão (faixas 3, 5 e 6), piano Fender Rhodes (faixa 6), sintetizadores (faixas 3 e 7), clavinete (faixa 1) e vocais
Roger Hodgson: violão de 12 cordas (faixas 1 e 3), guitarra (faixas 1, 2, 5 e 6), piano acústico (faixas 1 e 3), sintetizadores (faixa 7); harmônio (faixa 7) e vocais
John Helliwell: saxofone (faixas 1, 5, 6 e 7), vocais, clarinete (faixa 3); harmônio (faixa 7) e escaleta (faixa 6)
Dougie Thomson: baixo
Bob Siebenberg (creditado como Bob C. Benberg): bateria e percussão

Gary Mielke: programação de Oberheim

1. Give A Little Bit (Davies / Hodgson)
2. Lover Boy (Davies / Hodgson)
3. Even In The Quietest Moments (Davies / Hodgson)
4. Downstream (Davies / Hodgson)
5. Babaji (Davies / Hodgson)
6. From Now On (Davies / Hodgson)
7. Fool’s Overture (Davies / Hodgson)

Por Jorge Almeida

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