Exposição “Bambu – História de Um Japão” no Japan House São Paulo

Shinai e bogu em exposição na primeira exposição do Japan House São Paulo. Foto: Jorge Almeida

A mostra “Bambu – História de Um Japão” está em cartaz até o próximo dia 9 de julho, domingo, no Japan House São Paulo. A exposição, que é a primeira do novo espaço cultural, traz um conjunto de obras que tem como matéria-prima principal o bambu, a planta da família das gramíneas, e que se faz presente nas mais diversas manifestações da cultura japonesa.

Países possuem elementos que articulam a sua identidade, mesmo que, às vezes, de forma explícita ou silenciosa. Esse elemento de identidade nacional, por exemplo, pode ser um animal, uma planta ou algum aspecto geográfico, enfim, que sintetizam a elemento cultural de um povo, seus valores e sua visão de mundo. O Canadá tem a árvore de Maple; os norte-americanos têm a águia; a Rússia tem o urso; a Austrália tem o canguru; e aqui no Brasil temos, inclusive, esses elementos locais, como o chimarrão dos gaúchos; o frevo de Pernambuco; o chapéu de cangaceiro dos sertanejos nordestinos e, por aí vai.

Porém, o bambu não foi escolhido como símbolo do Japão, e, de acordo com o curador Marcello Dantas, o bambu “é uma espécie de ingrediente secreto, que se manifesta de diferentes formas de tecido cultural do país” e que, de tão onipresente, “tornou-se imperceptível aos japoneses”.

Embora seja bastante conhecido no Brasil, o bambu tem mais de 200 espécies no país, sendo que a maior floresta nativa da planta no mundo está no Acre. Apesar desse importante dado, poucos sabem aproveitar desse material. Em todo o globo, existem mais de cinco mil usos de bambu registrado, sendo os japoneses impressionantes fontes de técnicas com relação ao uso do material e de algumas expressões criativas.

A exposição visa manifestar no contraste entre o caule fibroso e o oco interior um espaço para os potenciais, para a criação e a tradição. Com ela, celebra-se o encontro de duas culturas que possuem uma riquíssima história de contato.

A presença do bambu na cultura japonesa, ainda de acordo com Dantas, “se estende da cerimônia do chá às artes marciais, da música à arquitetura, das artes visuais aos utilitários rurais, dos ritos religiosos às brincadeiras de criança, da literatura à inovação e à tecnologia”.

A mostra destaca os “takegaki” (cercas) que, em áreas externas, são a forma mais comum de delimitar espaços no Japão. O espaço ainda tem um sala que conta a história do bambu, que tem início na pré-história e o seu uso no Japão remonta ao chamado Período Jómon.

Chamam atenção as doze obras, como cestos, funis e peneiras, produzidas por Kazuo Hiroshima (1915-2013), considerado um mestre do artesanato rural com bambu; também uma vitrine que traz a arte em bambu, com 17 objetos, cuja prática artística começou na segunda metade do século XIX no Japão; outro destaque são o shinai e bogu (foto), uma espada de bambu usada em Kendo e uma armadura de quatro peças.

E, ainda, no segundo andar da instituição duas esculturas: “Ponte em Círculo” (2017), feito de bambu cana-da-índia, de Shigeo Kawashima; e “Conexão” (2017), obra composta de bambu tigre (torachiku) e trançado aberto hexagonal, de Chikuunsai IV Tanabe.

SERVIÇO:
Exposição:
Bambu – História de Um Japão
Onde: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 – Cerqueira César
Quando: até 09/07/2017; de terça a sábado, das 10h às 22h; domingo, das 10h às 18h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

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