Van Halen: 35 anos de “Diver Down”

“Diver Down”: conhecido também como o “disco de covers do Van Halen”

No último dia 14 de abril, o álbum “Diver Down”, do Van Halen, completou 35 anos de seu lançamento. Produzido por Ted Templeman, o material foi gravado entre janeiro e março de 1982 no Sunset Sound, em Los Angeles, e no Warner Bros. Recording Studios, e ocupou as paradas dos Estados Unidos por 65 semanas, e, em 1998, recebeu o Disco de Platina Quádruplo pelas mais de quatro milhões de cópias vendidas apenas no território ianque.

A capa do play exibe a bandeira “Diver Down”, que é usada em diversas jurisdições dos Estados Unidos para apontar que há um mergulhador submergido na área, e que é necessário para alertar os barcos que estão mais próximos. Em entrevista publicada na revista Sounds em junho do mesmo ano, David Lee Roth explicou que o significado da capa tinha como objetivo esclarecer de que havia algo acontecendo e que não estava aparente aos seus olhos. Na contracapa, há uma fotografia tirada por Richard Aaron durante uma apresentação do Van Halen no Tangerine Bowl, em Orlando, na Flórida, em 24 de outubro de 1981, quando eles foram a banda de abertura dos Rolling Stones.

O tracklist do disco contém cinco covers dentre as doze canções. Na ocasião, a gravadora acreditava que o álbum tinha maior chance de sucesso se fosse composto por músicas que já eram bem-sucedidas. E, dessas versões feitas pelo grupo, a mais popular é “(Oh) Pretty Woman”, clássico de Roy Orbison. Em contrapartida, é um dos álbuns menos favoritos dos irmãos Van Halen.

Apesar da pressão em gravá-lo, Eddie disse à Guitar Player, de dezembro de 1982, que foi divertido. Além disso, duas das músicas originais foram compostas muito antes do álbum ter sido feito, como “Hang ‘Em High” e “Last Night“, que tinha a mesma melodia, mas letras diferentes. Já “Cathedral” também não era novidade, já que vinha sendo tocada em sua forma atual ao longo de 1981, com versões anteriores que remontam a 1980. Além disso, “Happy Trails” foi gravado em demos de 1977 como uma piada.

O disco abre com “Where Have All The Good Times Gone!”, uma releitura do The Kinks com o “padrão Van Halen” de qualidade. Na sequência a autoral “Hang ‘Em High”, que começa veloz, segue num clima festeiro e é contemplada com um excelente refrão. Enquanto isso, “Intruder” nada mais é do que uma pequena introdução feita com sintetizadores para o próximo tema, a clássica versão de “(Oh) Pretty Woman”, do Roy Orbison, que Eddie van Halen deixou o seu riff com outro patamar. Além dessas, o lado A traz ainda a instrumental “Cathedral” e a boa “Secrets”.

O lado B da bolacha abre com a versão que o grupo fez de “Dancing In The Street”, de Marvin Gaye, que combinou perfeitamente com a década de 1980. Já a clássica “Little Guitars (Intro)” e “Little Guitars” foram inspiradas na ocasião em que Eddie viu em um programa de TV um homem fazendo “coisas maravilhosas com os dedos” ao tocar flamenco. Enquanto David Lee Roth aproveitou para escrever uma “música para senhoritas”, pois a canção “pareceu mexicana”. No outro cover do play, o deleite “Big Bad Bill (Is Sweet William Now)”, de Margareth Young, o pai dos irmãos Van Halen, Jan Van Halen, toca clarinete. O disco segue com a frenética “The Full Bug” e a descompromissada “Happy Trails”.

Embora estivessem em ótima forma, nem tudo andava bem entre os integrantes da banda, especialmente entre Eddie Van Halen e Dave Lee Roth. Os caras estavam musicalmente entrosados, porém, se encontravam com menor frequência e, assim, não houve tempo suficiente para compor material para o disco novo e, dessa forma, a solução foi completar o material com covers.

E uma coisa que marcou, de forma negativa, foi o videoclipe de “(Oh) Pretty Woman”, que foi banido da MTV, porém, a VH1 Classic passou a rodar constantemente o vídeo nos últimos anos. Dave Lee Roth, na época, explicou que o banimento do vídeo se deu por conta da ridicularização de “uma figura quase teológica” do guerreiro Samurai (no clipe interpretado por Michael Anthony) e também por causa de dois anões que pareciam molestar uma mulher que, na verdade, era um artista drag queen de Los Angeles.

Notavelmente mais pop, “Diver Down” é um bom disco, mas é o mais fraco do Van Halen na era Roth.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Diver Down
Intérprete: Van Halen
Lançamento: 14 de abril de 1982
Gravadora: Warner Bros.
Produtor: Ted Templeman

David Lee Roth: voz, sintetizador em “Intruder”, violão e harmônica em “The Full Bug
Eddie Van Halen: guitarra, violão, backing vocal e sintetizador em “Dancing In The Street
Michael Anthony: baixo e backing vocal
Alex Van Halen: bateria

Jan Van Halen: clarinete em “Big Bad Bill

1. Where Have All The Good Times Gone! (Davies)
2. Hang ‘Em High (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
3. Cathedral (Instrumental) (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
4. Secrets (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
5. Intruder (Instrumental) (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
6. (Oh) Pretty Woman (Dees / Orbison)
7. Dancing In The Street (Gaye / Hunter / Stevenson)
8. Little Guitars (Instrumental) (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
9. Little Guitars (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
10. Big Bad Bill (Is Sweet William Now) (Ager / Yellen)
11. The Full Bug (Anthony / Roth / Van Halen / Van Halen)
12. Happy Trails (Evans)

Por Jorge Almeida

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