Creedence Clearwater Revival: 45 anos de Mardi Gras

“Mardi Gras”: o último álbum de estúdio lançado pelo Creedence Clearwater Revival, que completou 45 anos em 2017

No último dia 11 de abril, o álbum “Mardi Gras”, da banda norte-americana Creedence Clearwater Revival completou 45 anos de seu lançamento. O disco, que foi o sétimo da curta discografia do grupo, foi gravado entre a primavera de 1971 e janeiro de 1972 nos Wally Heider Studios, em San Francisco, e Fantasy Records Studios, em Berkeley, ambos na Califórnia. O material foi produzido por Tom Fogerty, Doug Clifford e Stu Cook.

Diferentemente dos trabalhos anteriores da banda, “Mardi Gras” contou com participações mais efetivas de Stu Cook e Doug Clifford, uma vez que ambos, além de terem feito a produção com John Fogerty, participaram na criação de canções e contribuições vocais pela primeira vez. E, é bom ressaltar, foi o primeiro disco da banda sem a participação do guitarrista Tom Fogerty, que resolveu sair após o lançamento de “Pendulum” por conta de seu desejo de desempenhar um papel criativo maior no grupo, uma vez que, antes de “Mardi Gras”, o irmão John era o líder do CCR, e era ele quem fez todos os vocais principais, criou os arranjos das músicas e compôs todo o material autoral da banda. Anos mais tarde, Tom disse em uma transmissão de televisão australiana que nenhum membro novo poderia suportar estar no Creedence.

Para “Mardi Gras”, os membros restantes Stu Cook e Doug Clifford compartilharam os deveres de escrita, canto e produção. Fogerty contribuiu com apenas três canções originais e cantou um cover, que foi um sucesso de 1961 de  Ricky Nelson chamada “Hello Mary Lou“.

Todas as músicas foram registradas em janeiro de 1972, exceto “Door To Door” e “Sweet Hitch-Hiker“, que foram gravadas na primavera de 1971.

As sessões de gravação do Mardi Gras estavam repletas de conflitos. De acordo com Cook e Clifford, foi a ideia da Fogerty que todos os membros contribuíssem igualmente com músicas. Eles acreditavam que Fogerty estava amargurado com a partida de Tom Fogerty e seus próprios pedidos para ter uma opinião adicional nas decisões musicais do grupo. E também acreditavam que Fogerty estava à procura de uma desculpa para terminar o CCR para prosseguir uma carreira solo. Na época, o baixista e o baterista criticaram a ideia de ter que fornecer dois terços do material do álbum, Fogerty ameaçou abandonar a banda. Além disso, o vocalista também se recusou a contribuir com qualquer vocal ou instrumentação para as músicas de Cook e Clifford, com exceção da guitarra.

Ainda em 1971, John Fogerty informou aos companheiros que o CCR continuaria com uma abordagem mais “democrática”, onde cada integrante escreveria e executaria o seu próprio material. Mas, além disso, Cook e Clifford, também queriam mais participações nas decisões artísticas e empresariais do grupo. No entanto, Fogerty insistiu em manter o novo acordo, ou ele abandonaria a banda. E, dessa forma, o trio colocou em prática a nova ética de trabalho no estúdio.

Após o lançamento de “Mardi Gras”, o CCR percorreu os Estados Unidos e a Europa durante o verão e o outono no Hemisfério Norte. E, apesar do sucesso comercial, as relações entre os três integrantes se tornaram cada vez mais tensas. O enfrentamento de problemas financeiros e legais agravou a situação frágil e o CCR dissolveu pouco depois da turnê de “Mardi Gras”. Além da disputa interna, outra situação que complicou o Creedence foi o seu relacionamento com a Fantasy Records como oneroso, sentindo que o dono Saul Zaentz tinha renegado sua promessa de dar à banda um contrato melhor.

As críticas ao disco foram mistas e a vendagem foi mais fraca em relação aos trabalhos anteriores. E, ainda assim, chegou à 12ª colocação no Pop Albums. O álbum continha dois singles do Top 40, ambos dos quais foram contribuídos por Fogerty: a estridente “Sweet Hitch-Hiker” e “Someday Never Comes”.

Em uma avaliação feita em 26 de maio de 1976 para a revista Rolling Stone, o crítico Jon Landau classificou o disco como “o resultado é, em relação ao nível estabelecido de desempenho de um grupo, o pior álbum que já ouvi de uma grande banda de rock”. Aliás, o próprio John Fogerty também não faz tanta questão do disco, como o mesmo disse em uma entrevista para a Cameron Crowe para a mesma Rolling Stone, em maio de 1976, ao afirmar que o Creendence possuía seis álbuns e que sequer contara “Mardi Gras”, pois ele não tinha controle sobre a situação na época e que o resto (do que foi lançado após “Pendulum”) é ‘esterco de cavalo’.

Com o clima todo desfavorável, após o lançamento do álbum, o grupo foi oficialmente dissolvido em 16 de outubro de 1972 após soltar um comunicado divulgado por eles e a Fantasy Records, sua gravadora. E o resto, é aquilo que todos nós sabemos: John Fogerty ficou como detentor da marca Creedence Clearwater Revival, enquanto Stu Cook e Doug Clifford, anos mais tarde, formaram o Creedence Clearwater Revisited com o repertório formado basicamente com músicas do CCR e Tom Fogerty morrera em 1990, vítima de uma tuberculose e insuficiência respiratória agravadas pelo vírus da AIDS, o qual havia contraído por meio de uma transfusão de sangue.

Apesar de ter boas músicas, infelizmente, “Mardi Gras” é um disco que não traz boas recordações para os fãs do Creedence Clearwater Revival.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Mardi Gras
Intérprete: Creedence Clearwater Revival
Lançamento: 11 de abril de 1972
Gravadora: Fantasy Records
Produtores: John Fogerty, Stu Cook e Doug Clifford

John Fogerty: guitarra principal, guitarra rítmica, teclados, gaita e vocais
Stu Cook: baixo, guitarra rítmica, guitarra principal, piano e vocais
Doug Clifford: bateria e vocais

1. Lookin’ For A Reason (Fogerty)
2. Take It Like A Friend (Cook)
3. Need Someone To Hold (Cook / Clifford)
4. Tearin’ Up The Country (Clifford)
5. Someday Never Comes (Fogerty)
6. What Are You Gonna Do (Clifford)
7. Sail Away (Cook)
8. Hello Mary Lou (Pitney / Mangiaracina)
9. Door To Door (Cook)
10. Sweet Hitch-Hiker (Fogerty)

Por Jorge Almeida

 

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