Opinião – CBF: Câncer Brasileiro de Futebol?

Na terça-feira passada (13), a Associação Chapecoense de Futebol soltou uma nota lamentando o cancelamento da partida amistosa que faria contra o Benfica, que estava marcada para o dia 22 de julho de 2017 em Lisboa, que valeria a disputa da Eusébio Cup, troféu que o clube lisboeta realiza para a apresentação de seu elenco a cada início de temporada na Europa. O motivo para isso: a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) inviabilizou o evento com a justificativa da existência de jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa Sulamericana, “não sendo possível a transferência de datas”. Tal situação frustrou os dois clubes. A entidade que representa o futebol brasileiro, com a medida, rasgou o que poderia ser mais uma linda página da história do futebol. É muita sacanagem.

De fato, o futebol brasileiro tem um calendário muito complicado, mas a CBF poderia facilitar sim a vida do time catarinense e possibilitar o remanejamento de alguns jogos da Chape, como colocar em datas de partidas da Libertadores já que ela foi eliminada do certame. E, certamente, o Verdão do Oeste não disputará também o tradicional Troféu Joan Gamper contra o Barcelona previsto para agosto. Assim, restará à equipe brasileira a disputa da Copa Suruga Bank, no Japão, que tem status de competição oficial. Acho curioso que o São Paulo, em 2013, passou por situação semelhante e não houve empecilho (nada contra a equipe do Morumbi, que fique claro). O Tricolor disputou (e ganhou) a Eusébio Cup, mas perdeu a Copa Audi e a Copa Suruga Bank. Na época, os três troféus foram disputados na mesma época. Por que a Chapecoense não pode fazer o mesmo? Essa seria uma ótima oportunidade de o clube de Chapecó angariar receitas, explorar sua marca pelo mundo afora, conquistar adeptos, enfim, e também uma digna e justa homenagem às vítimas do voo da LaMia.

No ponto de vista de torcedor, me indago: será que a CBF encontrou empecilhos para a Chape por que ela – CBF – não iria ganhar nada com esse amistoso? Afinal, ela lucra bastante com os patrocínios da Seleção Brasileira e outras fontes de receita. E o que ela tem feito de bom para os clubes ou ao futebol brasileiro como um todo? Por que ela não pega parte do montante que lucrou e invista na profissionalização dos árbitros de futebol, por exemplo? Por que ela não ajuda os clubes menores e que praticamente ficam inativos no segundo semestre a se estruturarem melhor? Por que não reforma os estádios pelo país afora? Por que ela não aproveita algumas dessas arenas da Copa do Mundo de 2014 que se tornaram verdadeiros “elefantes brancos” para atrair público, como uma final de Copa do Brasil com jogo único ou o renascimento da Supercopa do Brasil (que teve apenas duas edições em 1990 e 1991) entre o campeão brasileiro e o da Copa do Brasil da temporada anterior? OK, a CBF por ser uma entidade privada pode até estar no seu direito de obter lucro, mas, por ser a instituição máxima do futebol tupiniquim, ela poderia fazer muito mais do que ela (mal) faz.

Infelizmente, a imagem da CBF, como a de boa parte das federações e entidades do país, está associada à corrupção. Onde já se viu uma instituição que tem um presidente que não pôde representá-la lá fora porque a Interpol está “em seu cangote”? E sem contar a “sujeirada” que possa estar por “debaixo do tapete” do qual o público (e imprensa) não tem conhecimento.

E outra coisa: o que a CBF tem feito para defender os seus clubes afiliados? Especialmente na “várzea” que é a Conmebol. Por que ela é omissa em proteger os clubes brasileiros nas competições sulamericanas? Os times encaram logística ruim, condições de segurança que deixam a desejar, arbitragens ruins e, às vezes, tendenciosas. Qual equipe brasileira que nunca reclamou disso? Por que ela não peitou a Conmebol quando a entidade sulamericana acabou com a possibilidade de a Libertadores ter uma final “caseira” justamente quando as equipes brasileiras estavam soberanas no torneio, sobretudo neste século – vide as finais de 2005 e 2006?

Voltando para o caso da Chapecoense, a CBF é incoerente ao argumentar inviabilidade de datas, pois para a Seleção Brasileira realizar esses amistosos “caça-níqueis” o calendário é o de menos para ela, e os clubes brasileiros, em meio a um campeonato nacional longo e concorrido, cedem seus principais atletas para vestir a camisa canarinho e que se virem com os desfalques, uma vez que o campeonato não para por conta de amistosos, mesmo que, alguns casos, em data-FIFA.

E, para não ser injusto, a culpa dessa situação calamitosa do futebol brasileiro não é apenas da CBF, clubes, federações e dirigentes têm sua parcela de responsabilidade também.

É como disse Emerson Sheik uma vez: “CBF, você é uma vergonha! Vergonha! Vergonha! Vergonha!”.

Por Jorge Almeida

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