Núcleo Artérias estreia ‘protesto’ com público em cima do palco

Cena do espetáculo ‘Protesto’. Foto de Paulo Cesar Lima

Grupo se debruça sobre diferentes práticas de transe e relaciona princípios físicos comuns presentes em muitos rituais; público acompanha as movimentações de cena em cima do palco, junto aos bailarinos

Com direção de Adriana Grecchi, PROTESTO é o novo trabalho do Núcleo Artérias, que estreia dia 15 de junho de 2017, grátis, na Galeria Olido. Para gerar um novo ponto de vista imagético e sensorial, o grupo convida o público a fruir a obra a partir do palco, perto dos bailarinos. O espetáculo foi contemplado pelo 18º edital de Fomento à Dança.

O Núcleo Artérias observou nos últimos anos diferentes práticas de transe. Neste estudo, o grupo reconheceu princípios físicos comuns presentes em muitos rituais, como a desorientação do sistema vestibular, a vibração de tecidos corporais modificando o acionamento do sistema nervoso, a repetição de padrões percussivos e práticas de chacoalhar para ativar fluxos emocionais.

Adriana Grechi explica o interesse pelos estados de transe: “O primeiro contato do grupo foi em 2012, no Festival On Marche em Marrakesh, com Adil Amimi, músico condutor de rituais Gnawa de Essaouira, uma pequena cidade litorânea no sul do país, centro dos rituais. Alguns modos de acionamento de estados de transe no Marrocos eram bastante similares aos de rituais de Umbanda praticados no sudeste do Brasil, o que particularmente me interessou bastante”.

O antropólogo escocês Ioan Lewis, usa o termo “Protesto Oblíquo” para descrever estados de transe em diferentes culturas como estratégias para pessoas marginalizadas (na maioria das vezes mulheres em sociedades dominadas por homens) encontrarem algum tipo de visibilidade, reconhecimento e espaço de existência social. Lewis estuda, entre outros fenômenos, o “Carnaval de Mulheres” (forma de Tarantismo propagada pelo sul da Itália), rituais dionisíacos realizados por mulheres na antiga Grécia, possessão feminina no vodu haitiano, Indian Shakers nos EUA, culto Zar no norte do Sudão, entre muitos outros.

O Núcleo Artérias, formado por mulheres, inventou suas próprias práticas para gerar vitalidades corporais em tempos de crise, ativando e reconhecendo o corpo como matéria perceptiva, viva (sensorial e emocional), integrada a outras matérias, e em constante transformação.

Em diferentes práticas xamãnicas ameríndias há um tipo de retorno a tempos onde os humanos não se diferenciavam dos outros seres, onde todos partilhavam a mesma forma possibilitando uma ampla comunicação. O grupo observou experiências similares no trabalho de “camuflagens orgânicas” da artista cubana Ana Mendieta, onde ela imergia seu corpo em paisagens para se reconectar com um “fluido universal”.

Para tramar sua própria vitalidade primitiva, o grupo fabricou um certo “tempo de indiferenciação” e “comunicação ampliada”, misturando seus corpos a outros materiais, corporificando e amplificando padrões neurológicos básicos relacionados às primeiras etapas evolutivas da vida (vibração, respiração celular e pulsação).

Entendendo que conhecer é personificar, o grupo inventou modos do corpo operar se conectando com outros corpos. Para isso instalou um ambiente relacional onde não há sujeito, ou objeto. Um ecossistema que ativa os sentidos, coabitado por “coisas” como lona plástica, pessoas, pedras, tecido dourado, sons, trepadeiras, musgos, aromas, um compensado e blocos de cimento.

Ao inventar um ritual coletivo para teatros, relacionado à transformação e à regeneração das conexões, o Núcleo Artérias propõe acionar o corpo como matéria sensorial e perceptiva, um corpo poroso, que expande sua capacidade de ser afetado como forma de vitalidade e potência política.

Sinopse

Dançar como uma forma de protesto oblíquo (indireto, torto) para gerar vitalidade e conexão em tempos de crise e incerteza é o novo trabalho do Núcleo Artérias que propõe ativar o corpo como matéria perceptiva, viva (sensorial e emocional), integrada a outras matérias, e em constante transformação.

Para criar o espetáculo, o grupo observou nos últimos anos diferentes práticas de transe e reconheceu princípios físicos comuns presentes em muitos rituais, como a desorientação do sistema vestibular, a vibração de tecidos corporais modificando o acionamento do sistema nervoso, a repetição de padrões percussivos e práticas de chacoalhar para ativar fluxos emocionais.

Ao inventar um ritual físico e coletivo para teatros, relacionado à transformação e à regeneração das conexões, o Núcleo Artérias convida a plateia a acionar um corpo poroso, perceptivo, que expande sua capacidade de ser afetado como forma de vitalidade e potência política.

Núcleo Artérias

O Núcleo Artérias, dirigido por Adriana Grechi, se dedica de forma contínua à investigação de corporeidades urgentes e à invenção de sistemas de compartilhamento artístico.  Os integrantes do grupo estudam em seus corpos como o consumismo, a instabilidade, a incerteza, as construções de gênero e a espetacularização afetam nossa percepção.  O Núcleo Artérias testa outras formas de perceber, transformando modos de operar do próprio corpo e suas possibilidades de conexão com outros corpos.

O Núcleo Artérias apresentou seus trabalhos em mais de 40 cidades, participado de diversos festivais (Rencontres Chorégraphique de Seine-Saint-Denis/Paris 2002, Bienal de Dança do Ceará/Fortaleza 2003, Porto Alegre em Cena 2003, FID/ Belo Horizonte 2005, On Marche/Marrakech 2012, entre outros) e de programas de circulação pelo Brasil (Circuito SESI 2008, Caixa Cultural 2009, Petrobras Cultural 2010). O grupo recebeu diversos prêmios, entre eles, três APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). O Núcleo Artérias coordenou e orientou na última década seis edições da “Plataforma Exercícios Compartilhados” com o objetivo de fomentar diálogos artísticos que repensassem os contextos e modos de criação em dança.

FICHA TÉCNICA

Concepção/direção: Adriana Grechi | criação/dança: Bruna Spoladore, Lívia Seixas e Renata Aspesi | arte/figurino: Lu Mugayar| criação/instalação sonora: Dudu Tsuda | provocadores: Alejandro Ahmed, Rosa Hercoles | criação de luz: André Boll | operação de luz: Diego Gonçalves | colaboração: Nina Giovelli | estágio/colaboração: Luiza Meira Alves, Nicolle Tino, Annie Felix, Sabrina Dias | imagens: Paulo César Lima e Jônia Guimarães | arte gráfica: Fernando Bergamini | assessoria de imprensa: Márcia Marques – Canal Aberto | produção: Amaury Cacciacarro Filho e Corpo Rastreado | assistência de produção: Erika Fortunato | projeto contemplado pelo 18º Edital do Programa de Fomento à Dança para à Cidade de São Paulo

SERVIÇO
15 a 18 de junho de 2017
Sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h.
Centro Cultural Olido – Av. São João, 473 – Centro (próximo das estações República e Anhangabaú do metro).
Capacidade: 80 lugares
Recomendação: 14 anos
Duração: 60 min
Grátis

Informações à imprensa
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Daniele Valério
Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425
Email: marcia@canalaberto.com.br | http://www.canalaberto.com.br

Por Márcia Marques | Canal Aberto

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